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Exame soja 1- Fale sobre os estádios fenológicos da soja: Ve: emergência, quando os cotilédones estão acima da superfície do solo em um ângulo de 90°. Vc: Os cotilédones estão completamente abertos e expandidos, quando as bordas das folhas unifolioladas não mais se tocam. V1: 50% das plantas tem as bordas do 1° trifólio não se tocando mais. A folha está desenrolada. V2:50% ou mais das plantas tem o 2° trifólio desenrolado e apresenta 3 nós. V3: 50% ou mais das plantas com 3° trifólio desenrolado e apresenta 4 nós. V4: 50% ou mais das plantas com o 4° trifólio desenrolado. Vn... R1- Início do florescimento, quando tenho 1 flor na haste principal R2- Florescimento pleno- quando tem 50% das plantas com folhes nois dois últimos dos da haste principal R3- Início da formação das vagens- 50% das plantas com vagem com pelo menos 0,5 cm em um dos primeiros 4 nós olhando de cima pra baixo. R4-Vagens completamente desenvolvidas- vagens com pelo menos 2 cm de comprimento em um dos primeiros 4 nos de cima pra baixo R5- Início do enchimento de grãos- Grãos dentro da vagem de 3-4 mm em um dos primeiros quatro nos de cima para baixo. (dura de 50- 60 dias) R6- Grãos cheios ou completos- Vagens contendo grãos verdes preenchendo sua cavidade em um dos 4 últimos nós do caule, com folha completamente desenvolvida. R7- Início da maturação- Uma vagem normal no caule com coloração madura. R8- Maturação plena- 95% das vagens com coloração de madura. 2- Fale da fenologia e dos estádios vegetativos e reprodutivos. A fenologia da soja é o estudo do desenvolvimento da planta ao longo do tempo. A diferença de seu crescimento com o desenvolvimento é que no crescimento a planta ganha biomassa sem emitir estruturas novas, e no seu desenvolvimento ela tem o mesmo numero de folhas e há emissão de flor, vagens e estruturas, eventos posteriores. A fenologia se divide em dois estádios, vegetativo e reprodutivo. O período vegetativo é onde a planta está crescendo e produzindo folhas, começa com a germinação da semente e termina com o início do florescimento. O estádio vegetativo é identificado pela letra V, seguida de um número ou uma letra que indica a quantidade de nós ou folhas trifoliadas e o período reprodutivo é onde ela está formando flores, vagens e grãos. Começa com o florescimento e termina com a maturação dos grãos. Os estádios reprodutivos são identificados pela letra R seguida de um número, o qual indica o grau de desenvolvimento dessas estruturas. A fenologia é parte básica pra entender o posicionamento do manejo. 3- Fale sobre os grupos de maturação e porque no cultivo da soja ela é mais produtiva em um local do que no outro. Antigamente classificava-se os cultivares como sendo de ciclo precoce, semitardio, médio, semitardio ou tardio. Essa classificação era eficiente quando se tratava de um local específico, mas se tornava confusa quando se comparava locais. Por exemplo: um mesmo cultivar poderia ser reconhecida como precoce em uma região e como tardia em outra. Isso dificultava o entendimento do produtor e de profissionais ligados a agricultura. A classificação atual hoje no Brasil é de IV, V, VI, VII, VII, IX. O grupo de maturação é feito baseado na latitude e as zonas no grupo de maturação é onde a planta e mais bem adaptada. Tendo grupos de maturação maiores não significa que o grupo de maturação com menores latitudes são mais longos, pois se eu semear uma cultivar 6.3 e uma 7.0 na região de Maringá, a do grupo de maturação 7.0 é maior. Mas se eu cultivar essa mesma 7,0 aqui e uma 6.3 em outra latitude, não necessariamente a 7,0 vai ter ciclo maior, porque mudou a latitude. Quando aumenta a latitude, aumenta o ciclo da planta devido ao acúmulo de unidades de calor que acontece de maneira mais lenta. 4- No centro-sul do mato grosso eles utilizam variedades de grupo de maturação 7-9, um produtor plantou 5.9, o que vai acontecer? Por conta de plantar uma cultivar de ciclo menor, onde floresce mais rápido por conta da latitude e exposição ao fotoperíodo, vai aumentar muito o ciclo, fazendo que o florescimento seja induzido mais rápido, diminuindo a formação de nós e consequentemente a produtividade. 5- A ultima pessoa a ganhar concurso de produtividade realizou ‘’soja em sequeiro’’, por conta disso, pode-se afirmar que o fornecimento de água não é importante para a cultura? Não, o fornecimento de água é importante para a cultura, mas desde que bem distribuídas. Se sua região não tem o fornecimento adequado que a cultura exige é necessário irrigar se não, não irá produzir. 6- Quais são os componentes de produtividade? Fale detalhadamente. Número de plantas/há – fase da implantação, germinação e emergência. Importância: Define o estande inicial e influencia diretamente a competição entre plantas, interceptação de luz e cobertura do solo. Deve se fazer o uso de sementes de alta qualidade, tratamento de sementes, correção do solo, semeadura no período ideal e regulagem da semeadora para garantir a distribuição uniforme. Número de nós haste principal – fase de emergência e florescimento e enchimento de grãos. Importância: Maior número de nós significa mais locais potenciais para formação de vagens, impactando diretamente a produtividade. Deve escolher uma cultivar com bom potencial de ramificação, evitar estresses hídricos e ter uma adubação equilibrada. Número de vagens por planta- fase de florescimento e início de enchimento e durante o enchimento muito pouco. Importância: Quanto mais vagens por planta, maior será a produção final de grãos. A queda excessiva de flores ou vagens reduz a produtividade. Nesse momento é adequado o monitoramento de pragas, evitar o déficit hídrico na floração e na fase de enchimento de grãos, pois a falta de água pode reduzir a fixação das vagens. Número de grãos na vagem - fase de florescimento até a maturação, se dessecar muito cedo a lavoura também pode afetar. Importância: O número médio de grãos por vagem é um fator chave na definição do rendimento final. Deve se evitar estresses nutricionais e hídricos durante a floração e enchimento de grãos, garantindo que as vagens formadas tenham o máximo de grãos possível. Evitar dessecação precoce, pois pode impedir o enchimento completo dos grãos e reduzir o peso final. Massa de mil grãos – fase de enchimento de grãos. Importância: Definida pelo acúmulo de matéria seca nos grãos, diretamente ligada à qualidade final da produção. A manutenção da sanidade foliar é essencial para evitar desfolha excessiva causada por doenças e pragas, como a ferrugem asiática. O fornecimento adequado de potássio garante o transporte eficiente de fotoassimilados para os grãos, contribuindo para um bom enchimento. Além disso, é fundamental evitar déficit hídrico nessa fase, pois a falta de água pode comprometer a translocação de nutrientes e reduzir o peso final dos grãos. Por fim, o monitoramento da maturação fisiológica permite definir o momento correto da colheita, evitando perdas por desidratação excessiva. 7- Durante o ciclo da soja, a fixação biológica de nitrogênio pode diminuir? Se sim, oque fazer para diminuir isso? Sim, ao longo do ciclo perto de R2, R3 ocorre uma queda na quantidade de N fixado ou numero de nódulos, porque o principal processo que está ocorrendo é o pegamento de flores, (para que se tenha o maior número de vagens, grãos possíveis), e a energia é direcionada para isso, pois reduz o compartilhamento de carboidratos para bactéria. (O principal dreno é a flor, produção de vagens). Em R5 a planta está no auge do índice de área foliar, e no auge da interceptação de radiação, e por tanto tem dois drenos principais, grãos e nódulos. (nódulos ainda precisam estar ativos para encher com nitrogênio os grãos), nessas folhas uma parte de N é redistribuído e outra parte é fixado em tempo real pelos nódulos em R5 (porisso ocorre a senescência das folhas). Em R6 quando as vagens estão formadas as folhas entram em senescência e começa perde- las e por isso diminui a fotossíntese. Para diminuir isso podemos investir em manejo do solo para tentar aumentar a matéria orgânica do solo. 8- Um produtor com maior produtividade no concurso fez semeadura cruzada e agora o seu produtor também quer fazer. Você como engenheiro agrônomo, recomendaria a ele fazer isso? Justifique. Não recomendaria ao produtor fazer a ‘’semeadura cruzada’’, pois aumenta os gastos com combustíveis e precisaria de um enorme ganho para poder justificar isso e nos experimentos realizados foi identificado que a produtividade é a mesma. Além disso, o agricultor terá problemas com aplicação de produtos sanitários, pois ao passar um pulverizador na lavoura o rodado faz um estrago e ao plantar cruzado você vai amassar mais ainda o solo e caso for fazer com drone precisa de dinheiro e operador com mão de obra qualificada. Não indico, pois, a maioria dos agricultores erram no básico e corrigido esses erros já implicaria em uma maior produtividade. 9- Você recomendaria para o produtor usar regulador de crescimento (lactofen, boral, 2, D subdose) para aumentar o número de plantas? Não, pois quando aumento o numero de plantas na linha a altura do dossel aumenta e se tiver crescimento excessivo, além do acamamento eu preciso controlar a ferrugem, e se torna mais difícil a pulverização nas folhas do baixeiro por conta do sombreamento e a senescência foliar é acelerada. O produtor quer conciliar os dois, aumentar o numero de plantas e deixa-las na altura padrão, mas não da certo porque as plantas de soja principalmente em crescimento indeterminado, além da haste principal tem haste lateral e se você pegar uma variedade que tem muito vigor de haste lateral você irá perceber que 12/m irá emitir hastes laterais e o maior número de plantas que você colocou vai ser compensado pelas hastes e caso semeie 20/m também irá ter hastes laterais porque a soja é plástica. 10- Você recomendaria ao seu produtor a ‘’poda da soja’’? Quando cortamos a região apical da soja, eliminamos a principal fonte de auxina, hormônio responsável pela dominância apical. Com esse corte, há um desbalanço hormonal, favorecendo a ação da citocinina, o que estimula a quebra da dormência das gemas laterais e promove a ramificação. O objetivo dessa prática é estimular o crescimento lateral da planta, tornando-a mais ampla. Geralmente, essa técnica é utilizada em regiões mais quentes para facilitar o manejo fitossanitário, sendo essa sua principal vantagem. No entanto, ao analisar essa prática em uma linha temporal, considerando um ciclo total de 110 dias, se a poda for realizada aos 40 dias, restarão aproximadamente 65 dias para que todo o desenvolvimento ocorra. Nesse período, a haste lateral precisa crescer, formar nós e trifólios, florescer, produzir vagens e completar o enchimento de grãos. Isso significa que a planta deve compensar rapidamente os 4 a 5 nós perdidos e, além disso, garantir uma maior produção de vagens para manter a produtividade. Diante desse curto intervalo de tempo, a questão essencial é: em uma variedade de ciclo 110 dias, existe tempo suficiente para que esse processo ocorra de forma eficiente? Não. O ponto negativo de fazer a poda da soja é favorecer a porta de entrada de patógenos e existem outros métodos de favorecer a ramificação como trabalhar com população, posso selecionar uma variedade que seja mais compacta, na região da Bahia e Pará tem várias cultivares chamadas de semideterminadas que tem portes menores, eles gostam dessas variedades mais compactas. Para aumentar a ramificação você pode selecionar uma variedade que ramifique mais, com a população mínima ajuda o processo de ramificação, os produtos à base de citocinina eles estimulam a produção de hastes laterais na planta, sem ter um estresse, se você selecionar uma variedade que tem genética, população ajustada e usar o produto vc pode ter uma maior ramificação. 11- Você recomendaria ao seu produtor aumentar o número de sementes na semeadura para garantir o estande? Não, pois ao invés de faltar chuva, podemos ter meses muito chuvosos. A altura do dossel aumenta quando você aumenta a densidade de sementes, o que, por sua vez, reduz a luminosidade, causando estiolamento nas plantas. É muito raro que a soja aborte vagens, mas, como a umidade do solo estava favorável, a taxa de pegamento foi alta. Porém, quando começou o enchimento de grãos, a vagem se tornou um dreno muito forte. Quando se observa a parte inferior do dossel, não há luz suficiente porque ele está muito fechado. Nesse cenário, a planta pode ter 5, 6, ou até 10 vagens, mas qual estrutura irá alimentar? São os trifólios mais próximos. No entanto, como estão sombreados, eles não conseguem alimentar adequadamente o dreno gerado pelas vagens. Quando há muito dreno e pouca fonte de energia, a planta ajusta os recursos, e por isso ocorre o aborto de vagens e trifólios. Não adianta utilizar Ca e Bo para tentar impedir que aborte as vagens, pois nesse caso não se aplica. 12- Com que finalidade se faz a aplicação de cálcio e boro na soja? Aplicação de produtos à base de Ca e B é muito importante para pegamento floral, a soja é autógama e o Ca e B são nutrientes pouco móvel na planta e geralmente vemos o sintoma de falta de nutrientes em folha mais nova, se falta Ca e Br pode afetar o desenvolvimento do tubo polínico. Se não tem cálcio e boro não se sustenta o tubo polínico. 13- O que precisa acontecer para você ter uma boa quantidade de carbono dentro dos grãos? Fotossíntese, você tem que manter intacto o aparato fotossintético e na fase de enchimento de grãos, (R5), pode ocorrer muitas ferrugens, mancha alvo, pragas, lagartas e os percevejos, que querem pegar a vagem, seu maior desafio nessa fase é manter a taxa de fotossíntese funcionando. 14- Como você explica que ao passar dos anos reduziu o Indice de Área Foliar e aumentou a assimilação de carbono pelas plantas de soja? A eficiência na utilização dos recursos melhorou ao longo dos anos devido a ajustes no desenvolvimento das variedades de soja. Por exemplo, a cultivar de 1930 tem uma altura de 1,6 metros, enquanto a de 2024 está com cerca de 1 metro. Imagine essas duas variedades plantadas lado a lado: quando você tem um Índice de Área Foliar (IAF) de 12, a planta tem uma grande quantidade de radiação, mas devido à massa foliar muito alta, a radiação não consegue penetrar tão bem na planta. Com o tempo, ocorre um excesso de radiação que não é aproveitado eficientemente, e a planta não consegue converter toda essa energia luminosa em energia química, o que acaba sombreando a parte inferior da planta. Por outro lado, uma variedade de 2024, com IAF perto de 6, apresenta uma distribuição mais equilibrada de radiação nos três terços da planta. Mesmo com um IAF menor, a distribuição de luz nas folhas permite que elas realizem fotossíntese de forma mais eficiente. Isso ocorre porque, quando o dossel consegue transmitir a radiação para as folhas de forma mais equilibrada, a assimilação de carbono se torna mais eficiente, mesmo com menos área foliar. 15- O que mudou das variedades antigas de soja para as modernas? Redução do porte e tamanho da planta: O tamanho das plantas diminuiu ao longo dos anos, o que resultou em uma altura menor, com variedades mais modernas atingindo cerca de 1 metro de altura, ao invés de 1,5 metros, como as mais antigas. Índice de Área Foliar (IAF): O IAF foi ajustado, e a morfologia das folhas mudou. As variedades antigas tinham folhas maiores, que sombreavam mais a parte inferior da planta. Hoje, com folhas mais finas e menores, a luz penetra mais facilmente, o que melhora a fotossíntese. Morfologia e resistência ao acamamento: As variedades modernas apresentam maior diâmetro na haste principal e maiorquantidade de lignina, o que ajuda a evitar o acamamento. Essas mudanças também visam melhorar a estabilidade da planta, especialmente em condições adversas. Eficiência na fixação de carbono: As plantas de soja atuais são mais eficientes na fixação de carbono. Além disso, existe um conceito chamado índice de colheita, que é a relação entre a biomassa dos grãos e a biomassa do resto da planta. Ao longo dos últimos 100 anos, variedades com maior índice de colheita foram selecionadas, priorizando a alocação de carbono para a parte reprodutiva (os grãos) em vez da parte vegetativa. Foco na produção de grãos: Antigamente, a soja era mais utilizada como forrageira, e esperava-se que tivesse mais folhas. Com a mudança do foco para a produção de grãos, as variedades modernas foram selecionadas para ter maior alocação de carbono nos grãos, o que resultou em um aumento de 23% na alocação de carbono para os grãos em comparação com 110 anos atrás. Equilíbrio na produção de grãos: A relação de 0,49 entre a produção de grãos e a biomassa aérea indica um equilíbrio melhor entre a produção reprodutiva e vegetativa. Com isso, a planta consegue alocar mais carbono para a parte reprodutiva (grãos) e menos para a vegetativa, aumentando a eficiência na produção. 16- O que significa dizer que a soja é uma cultura muito plástica? Quando a soja é descrita como uma cultura plástica, significa que ela tem uma grande capacidade de adaptação às condições ambientais e de manejo. Essa plasticidade da soja, portanto, reflete sua capacidade de ajustar o número de vagens e grãos dependendo das condições do ambiente, como densidade de plantas, radiação, e competição por recursos. Situação 1 – 8 plantas por metro em vez de 16:Quando há menos plantas por metro, a planta tem mais espaço e luz, o que pode aumentar o número de vagens por planta. No entanto, como há menos plantas competindo, elas podem se tornar maiores, mas isso pode resultar em menos grãos por vagem devido à competição interna por recursos. Se o ambiente oferece muita luz e radiação, pode ser que o peso da massa de mil grãos se mantenha estável, já que a planta tem mais espaço para se desenvolver. Situação 2 – 16 plantas por metro e abortamento de muitas flores: Em um cenário de alta densidade, onde há muitas plantas por metro, o número de vagens por planta tende a diminuir. Isso ocorre porque a planta começa a abortar flores devido à competição por nutrientes e espaço. No entanto, com menos vagens por planta, a soja pode tentar compensar aumentando o tamanho das vagens, o que tende a resultar em vagens maiores. Portanto, apesar de haver menos vagens, o volume de cada uma pode aumentar, compensando parcialmente a redução na quantidade de vagens. 17- O que pode atrapalhar o desenvolvimento radicular na cultura da soja? O desenvolvimento das raízes na cultura da soja pode ser prejudicado por impedimentos físicos e químicos, afetando a capacidade da planta de absorver água e nutrientes. O impedimento físico ocorre devido à compactação do solo ou formação de pé de grade. A compactação acontece quando há alta pressão sobre o solo, dificultando a penetração das raízes. Já o pé de grade ocorre quando a grade niveladora é passada repetidamente, criando uma camada densificada logo abaixo da profundidade da grade. Em períodos de chuvas regulares, esse problema pode não ser tão evidente, mas quando há déficit hídrico, a planta não consegue buscar água em camadas mais profundas, ficando limitada à faixa de 0-20 cm do solo. O impedimento químico ocorre quando o solo não tem condições adequadas para o desenvolvimento radicular, independentemente do estímulo dado à planta. Em áreas irrigadas, a profundidade efetiva das raízes da soja diminui, pois a planta encontra água suficiente na camada de 0-20 cm e, assim, direciona mais energia para o desenvolvimento da parte aérea ao invés de aprofundar suas raízes. 18- Qual a resposta fisiológica da soja para o estresse hídrico? A resposta fisiológica da soja ao estresse hídrico varia de acordo com a intensidade e a fase de desenvolvimento da planta. Em um estresse leve na fase inicial, os principais processos afetados são a síntese de proteínas, a expansão celular e a formação da parede celular, o que pode comprometer o crescimento das raízes e da parte aérea. Quando o estresse se torna mais acentuado, a fotossíntese é diretamente impactada devido ao fechamento dos estômatos, reduzindo a absorção de CO₂ e limitando a produção de energia para o crescimento e desenvolvimento da planta. Em casos de estresse hídrico severo, a soja ativa mecanismos mais intensos de defesa, como a produção de ácido abscísico (ABA), que intensifica o fechamento estomático para reduzir a perda de água. Além disso, há o acúmulo de solutos no interior das células, um processo conhecido como ajuste osmótico, que permite à planta manter sua hidratação por mais tempo e evitar a desidratação rápida. 19- Dos 20 ganhadores 18 deles fez rotação com gramíneas, você recomendaria para aumentar a produtividade? Sim, eu indicaria a rotação com gramíneas, pois dos 20 produtores vencedores do concurso de produtividade, 18 adotaram essa prática, o que mostra sua eficiência. Muitos produtores que mantêm um sistema estagnado, cultivando apenas soja e milho ano após ano, podem se beneficiar ao incluir outras culturas na rotação, como aveia e braquiária. Essas gramíneas ajudam a melhorar a estrutura do solo, aumentar a matéria orgânica, reduzir a compactação e quebrar o ciclo de pragas e doenças, proporcionando melhores condições para o desenvolvimento da soja na próxima safra. Portanto, diversificar as culturas no sistema produtivo pode ser uma estratégia eficiente para aumentar a produtividade e a sustentabilidade da lavoura. 20- O que é Yield Gap e no que isso implica? A lacuna de produtividade representa a diferença entre o potencial produtivo e o que realmente é colhido. Se um produtor de Maringá venceu o concurso da Cocamar e atingiu 6.500 kg/ha, enquanto outro na mesma região colheu 3.500 kg/ha, a lacuna de produtividade é de 3.000 kg/ha. Para calcular essa lacuna, são analisados dois grupos de fatores: Ambientais: condições climáticas e restrições naturais da região. De manejo: práticas agrícolas adotadas, como fertilização, controle de pragas e qualidade do solo. Entender e reduzir essa lacuna é essencial para maximizar a produtividade e eficiência da lavoura. 21- Diferencie crescimento determinado de indeterminado. Determinado- A soja, após o início do florescimento, cresce pouco e não ramifica, o florescimento é praticamente simultâneo, em toda a extensão da planta. As vagens e os grãos do topo e da base da planta se desenvolvem praticamente ao mesmo tempo. O tamanho das folhas do topo da planta é semelhante ao tamanho das demais. As plantas apresentam um longo racemo terminal no ápice do caule. É para uma região específica. Indeterminado- A produção de nós do caule principal e o crescimento continuam após o inicio do florescimento, podendo dobrar a estrutura da planta até maturação. O florescimento ocorre de baixo para cima na planta, podendo existir ao mesmo tempo vagens bem desenvolvidas na base e flores no topo da planta. O desenvolvimento da vagem e dos grãos ocorre de baixo para cima. As vagens e os grãos da metade inferior das plantas são mais adiantados do que o de cima. As plantas crescem e ramificam, mesmo durante o florescimento, formação das vagens e enchimento de grãos. As folhas do topo são menores do que as folhas das demais partes da planta. As plantas não apresentam racemo terminal no ápice do caule, mas sim pequenos racemos axilares. Vantagem: se ocorre uma seca por exemplo, mesmo que ela aborte as flores, ela vai continuar crescendo, compensando a emissão de flores nos trifólios superiores. 22- O que implica a soja ser uma planta de dia curto? Ser uma planta de dia curto significa que precisa de uma sequencia de diaslongos seguidos por uma sequencia de dias curtos. O dia mais longo do ano no hemisfério sul é 22/12, o dia mais curto 22/06, o numero de horas de luz durante o dia 22/06 até dia 22/12 vai aumentando gradativamente até chegar no máximo que é dia 22/12, a partir disso vai diminuindo até dia 22/06. Quando afirmo que é uma espécie de dias curtos, a cultura precisa ser implantada no aumento de horas luz até chegar um período que terei uma redução de horas luz. A soja começa a se desenvolver na primavera- verão, e quando ela percebe que o numero de horas luz está diminuindo é um indicativo que a estação de inverno está chegando, então a resposta do ambiente induz a planta a entrar no ciclo reprodutivo, porque ‘’ ou você entra agora no ciclo reprodutivo e deixa descendentes’’ ou entra em extinção. 23- O que é o fotoperíodo crítico? É o número de horas abaixo ou a cima de um valor que induz a planta ao florescimento. No caso da soja, seu fotoperíodo crítico é próximo a 13 horas luz. Quando a planta percebe que tem menos de 13 horas luz, ela induz suas gemas meristemáticas que podem produzir tecidos vegetativos ou reprodutivos. 24- O que acontece se eu tenho uma cultivar de soja de hábito determinado que necessita de 13 horas luz e semeio ela em Sorriso- MT, onde o dia mais longo não chega a 13 horas luz que minha planta precisa? Se o fotoperíodo crítico dessa variedade é menos do que 13 horas luz, quer dizer que assim que essas planas de soja emergirem, porque quando emergem elas ficam alguns dias sem serem afetadas pelo fotoperíodo , passando de 7 a 10 dias elas começam a receber esses estímulos, assim nessa região de Sorriso, ela ‘’ entendeu’’ que está recebendo menos de 13 horas luz e que está chegando o inverno, então induz a reprodução, mesmo estando apenas com 3 nós, com isso a produtividade é extremamente baixa. Aconteceu isso antigamente, quando o povo do sul migrou para o centro oeste. 25- Como resolveram isso? (problema da pergunta acima) O período na fase inicial da lavoura de soja que ela fica não indutiva ao florescimento no fotoperíodo chama-se período juvenil ou de juvenilidade. Para resolver isso, viabilizaram mudando o numero de dias na fase inicial da lavoura de soja que ficava insensível ao fotoperíodo, inseriram um gene, chamado período juvenil longo, porque essas plantas de soja elas são de 30 a 40 dias não indutivas, a vantagem comercial é que ela continua vegetando, assim a cultivar de tempo determinado terá o tempo necessário para produzir mais nós, comercialmente potencializando a produção. 26- Além da condição de luz (que está ligada a latitude), qual é a outra condição ambiental que tem uma forte conexão com a indução de florescimento? Temperatura, pois o acumulo de unidades de calor influência. (temperatura máxima + temperatura mínima/2) – temperatura basal, (no caso da soja é 14°), esse resultado seria para o dia 1 e ai faço para os próximos dias, e no final terei que somar tudo e esse resultado tem que dar por exemplo 450, que equivale as unidades de calor (para uma determinada planta de soja), e quando atinge os 450 é induzida ao florescimento. O fotoperíodo e a temperatura são os dois fatores que para introduzir uma lavoura de soja ao florescimento agem de maneira sinérgica, interagem entre si. Se o fotoperíodo as vezes não foi totalmente atingido, mas está estourando as unidades de calor, a planta entra em florescimento. 27- Como a planta percebe que as horas luz está mudando? Percebe por meio do fitocromo, que é uma proteína que consegue absorver uma certa quantidade de faixa de radiação, dependendo da quantidade de radiação que irá absorver ele pode ser no estado vermelho ou vermelho distante. Durante o dia, normalmente vão absorver uma faixa de 620 nanômetros, quando absorve nessa faixa ele fica excitado nisso ele passa de uma forma vermelho para vermelho distante durante o dia. Durante a noite, que se tem ausência de radiação, gradativamente esse vermelho distante vai se convertendo a vermelho. Fisiologicamente, por a soja ser uma planta de dias curtos, quando você começa a reduzir o número de horas luz, no dia, abaixo de 13 horas, o comprimento da noite está aumentando, e quando isso acontece a quantidade de vermelho distante que passa para o vermelho aumenta. E quando você tem uma relação de vermelho distante para vermelho alta em uma planta de soja de dias curtos, ela não floresce. Quando tem a mudança para o vermelho distante, é induzida ao florescimento. 28- O que acontece se eu levar uma cultivar de Maringá (23°) de latitude para o norte do mato grosso onde tenho uma latitude 10°? E se eu levar para o RS onde tem uma latitude de 32°? O que acontece é que em Maringá é uma semente de ciclo médio e levando para o MT torna-se super precoce, assim ela floresce precocemente, com até 3 nós, produzindo pouco. E se eu levar para o Rio grande do Sul, quando semeio nesse mesmo dia 10/10 o rio grande do Sul tem um dia mais longo, posteriormente será uma planta super tardia, enquanto ela não floresce ela vegeta, tendo um crescimento excessivo. Agora se caso eu pegar uma variedade do RS e levar a variedade para o MT ela terá um ciclo mais curto. 29- Com grupo de maturação maiores, significa que o ciclo de lavouras em menor latitude são mais longos? Não, pois se eu semear uma cultivar 6.3 e uma 7.0 aqui, a do GM de 7.0 é maior, mas se eu cultivar essa mesma 7.0 aqui e uma 6.3 em outra latitude, não necessariamente a 7.0 vai ter o ciclo maior, porque mudou a latitude. Para cultivar de ciclo precoce, escolho a cultivar de grupo de maturação menor. Quando aumenta a latitude, aumenta o ciclo da planta devido ao acúmulo de unidades de calor que acontece de maneira mais lenta. 30 – Se tenho duas regiões de zona 303 e 403 com a mesma cultivar com populações diferentes, porque é diferente? Se um dos principais fatores para chegar no florescimento é a temperatura e resposta a luz, esses dois fatores levam ao Mt a induzir mais rápido o florescimento. Essa variedade mesmo que ela seja indeterminada, ela vai chegar ao florescimento mais precoce, quando isso acontece, mesmo que ela continue vegetando o número total de nós na haste principal que ela vai ter comparado com minas gerais e maior. A produção por planta no mato grosso é menor do que em minas, então para compensar isso adenso a população. 31- Quais são os fatores que afetam a duração do ciclo de cultivares de soja? Luz/ latitude, temperatura, fator biótico, data de semeadura, altitude, distribuição de chuvas. 32- O que é a fixação biológica de N? É quando você tem a passagem do N2 atmosférico para NH3 dentro do nódulo nas plantas que são leguminosas (soja), a fixação é quando o N2 é convertido em NH3 e acontece dentro do nódulo. É importante porque dentro dos nódulos é que vai estar a bactéria viva fazendo esse processo. As plantas foram adaptadas para fazerem uma parceria com as bactérias, que conseguiam fixar o nitrogênio atmosférico e quebra- lo. A fixação biológica de nitrogênio é natural, mas consome energia da planta. Solos não são ricos em N e por isso é um fator limitante. 33- Qual a demanda de N nas plantas de soja? Para cada tonelada de grão produzido é necessário 80 kg de nitrogênio. 15 kg N (t/grão) para crescimento da parte aérea (produção de fotossíntese) e 65 kg N (t/grão para enchimento de grãos). 34- Como ocorre a fixação biológica de N? Ocorre por meio da inoculação, que é um processo pela qual a bactéria entra em contato com as raízes da planta e ela está em processo de instalação na planta. Após ela se instalar ela vai começar a utilizar uma parte de energia que a planta disponibiliza a ela e ai começa o processo de quebra de N, até a planta não fornecer energia para a bactéria, não tem fixação biológica de N. 35- Como corre a inoculação? Coloca um produto que tenha essas bactérias em contato com a semente de soja e vai semear a soja, após isso a planta vai germinare começar a emitir as primeiras raízes, nessas raízes se encontram pequenas estruturas chamadas tricomas radiculares, que vão emitir a produção de alguns compostos fenólicos, que sinalizam para a bactéria que ali tem uma raiz de soja. Cada espécie dentro das leguminosas tem uma bactéria parceira na FBN. Na soja são as bactérias bradyrhizobium. No solo tem a presença de patógenos fitopatogênicos, essa comunicação que se tem entre a bactéria e as raízes das plantas é para evitar que alguns organismos oportunistas que prejudiquem a soja percebam que tem raiz se desenvolvendo ali. Quando as bactérias estão brancas dentro do nódulo, significa que não está ocorrendo fixação biológica de nitrogênio, está no processo de inoculação. Quando elas percebem os exsudatos dos tricomas, elas vão ter uma modificação na sua morfologia (fator node), a partir do momento que a bactéria identifica esses compostos fenólicos, ela modifica sua morfologia e ela vai entrar via tricoma radicular nessas plântulas de soja. 36- Porque as bactérias entram via tricoma radicular e não entram via epiderme? À medida que a raiz de soja vai se desenvolvendo, na zona meristemática os tecidos são um pouco mais moles, na camada atrás é uma zona mais lignificada, a parede celular atua na sustentação e em baixo na sustentação e penetração no solo e evita quaisquer organismos oportunistas. Quando se tem a sinalização, essas bactérias entram via tricoma radicular, uma vez estabelecidas, se estabelecem no córtex e começam a receber da planta carboidratos (açucares), além disso recebem as legnoglobinas que são produzidas pelas plantas e que vão atuar no transporte de oxigênio. O nódulo está viável, quando ao cortar ele se encontra rosado, a célula vegetal produz atp na raiz via ciclo de Krebs. A nível celular e todo o resto da planta, a principal fonte de energia para as plantas vem das mitocôndrias. Se o nódulo esta ativo, a energia que está sendo produzida pela mitocôndria será utilizada para quebrar o N2. 37- O que a planta faz para gastar menos energia no transporte de nutrientes? Geralmente a planta vai colocar o nutriente dentro do esqueleto carbônico, para conseguir tirar as cargas. A primeira forma do n fixado é a amônia, que vai ser transportada para fora da bactéria mas dentro da membrana, que possui um pH baixo, é acida, o que faz que a amônia seja convertida em amônio (nh4) e ainda dentro da membrana bacterioide, vai ser transportado para o citoplasma da célula, que vai acontecer a conversão de amônio em estruturas chamadas uréidios ou acido alantoico, , ( para transformar via xilema esses ureídios não tem cargas, então o transporte é mais eficiente). 38- Qual a relação da matéria orgânica do solo com as bactérias? A matéria orgânica tem varias funções como reter mais água, diminuir o delta de temperatura que você tem em condições extremas, isso é excelente para as bactérias. Os solos com teores de matéria orgânica têm capacidade tampão, ph muito ácidos são desfavoráveis para a bradyrhizobium. Em média de 150 a 250 kg de nitrogênio bem da FBN. 39-Quais as opções de inoculantes? Semente (pré - semeadura) - líquido ou turfoso No sulco de semeadura- líquido 40 – O que é a pré- inoculação e qual o problema dela? Consiste na mistura de tratamentos químicos e inoculante 30, 60 a 90 dias antes. E geralmente quando o intervalo entre a semeadura e o tratamento é muito longo, eles fazem um tratamento químico e aplica um protetor (polímero que vai diminuir o contato da bactéria com o produto químico) em seguida o inoculante. Problema: a bactéria é um ser vivo, quanto mais tempo em contato de um ser vivo com o produto químico, menor pode ser o número de células vivas em torno da semente e menor pode ser a eficiência do processo de inoculação, o protetor é colocado para diminuir isso. É complicado o armazenamento da semente, pois normalmente ela é entregue um mês antes e a bactéria está viva ali, na sementeira as condições eram de câmara fria e ao chegar no barracão ela fica exposto ao ambiente e assim as condições dessa bactéria de chegar viva no campo são menores. Os fatores que influenciam a inoculação é o tamanho da semeadora e o tamanho da área. Na região sul a inoculação é menor devido a maior quantidade de matéria orgânica. 41- Em que sistema de cultivo essa pré inoculação e interessante? Em sistemas de grandes áreas, onde a semeadora não possui caixa de adubo, então é feita adubação a lanço antes da semeadura aí eles vêm com a semeadora que os tem apenas a caixa de semente. 42- Porque aplicar Cobalto e molibdênio e qual a quantidade? O cobalto é para as bactérias, componente fundamental das legnoglobinas, e se faltar as legnoglobinas falta oxigênio no nódulo e vai afetar a respiração pois as legnoglobinas irão fornecer oxigênio para a mitocôndria, se tiver baixa quantidade de legnoglobina, tem o contato do oxigênio com a enzima nitrogenase, a qual é realiza com o oxigênio e vai oxidar a enzima e não ocorrer a fixação. O molibdênio participa do ciclo do N dentro da planta, da fixação biológica de nitrogênio ele é componente da enzima nitrogenase. A época de aplicação e no tratamento de sementes ou via foliar até V3. 43- Qual a dose do inoculante? Se a inoculação for em sulco a dose tem que ser 3 vezes maior do que o tratamento de sementes em semeadura. Na 1° safra com soja sem histórico de soja anteriormente ou áreas de pastagens sendo reformada com soja ou até área de cana ou área sendo convertidas para a soja tem que triplicar a dose do inoculante. Você deve triplicar a dose porque nessas áreas você tem pH desajustado, tem uma série de fatores que faz com que a taxa de sobrevivência da bactéria caia muito. Geralmente somente na 1° safra que triplica a dose, mas depende do numero de nódulos que formou. No sulco a dose do inoculante não tem limite, pois se a dose for 300 ml você pode aplicar até 900 ml em sulco porque não fica em contato direto com a semente. 44- Como melhorar o fornecimento de nitrogênio? Quando as plantas absorvem N, ele estimula a produção de alguns hormônios como auxina e citocinina, e quando se coloca o nitrogênio na base essas auxinas e citocininas são muito importantes para o enraizamento da planta. Porém, quando maior a dose de N, menor a quantidade de N fixado pelas bactérias. Doses acima de 20 kg de N na linha de semeadura, reduz a FBN. Não compensa financeiramente. 45- Quando devo aplicar 20 kg de N na base? Quando a taxa de imobilização é muito alta, pois se tem grande quantidade de material orgânico. Esses 20 kg de nitrogênio irão ajudar no processo de imobilização, ai quando a planta de soja não tem o N vindo da fixação, vai sentir menos esse processo, ela vai ter uma velocidade inicial de instalação da lavoura maior, a planta fica mais vigorosa na fase incial. É indicado em áreas de pastagens (conversão de área para pecuária). A partir de V3 é quando a bactéria começa a contribuir com N em forma efetiva. 46- Por que aplicam nitrogênio em cobertura em R3? Por que é o momento que o principal dreno da planta é a flor, então a fbn cai e então eles aplicam 50 kg de N para compensar. ( é 100 kg de ureia, por conta do implemento). Nesse caso, o padrão de resposta é variável, principalmente relacionado ao clima, pois se tem uma condição favorável climática para acontecer o processo de mineralização e imobilização não faz. Não é viável no Brasil. 47- Você indicaria ao produtor a re-inoculação? Os produtores costumam fazer a inoculação em sulco e depois em v3 , junto com os produtos ele coloca o inoculante, não é viável devido as condições que não são favoráveis, precisaria aplicar em temperaturas amenas e ocorrer chuva em seguida para que as bactérias fossem para o solo, já que elas são depositadas nas folhas. 48- O que é a Co-inoculação? Azospiroillum é uma bactéria utilizada para ficar N em gramíneas, a vantagem de usar oazospirillum é a interação dessa bactéria com as raízes, pois estimula a produção de alguns fito hormônios vegetais que aumentam o sistema radicular da planta. A co- inoculação é a associação da Bradyrhizobium + azospirillum. 49- Qual a diferença entre extração e exportação de um nutriente? Exportação é o que vai junto com o produto que é comercializado (grão). Extração é todo o nutriente que foi acumulado na parte aérea da planta. Dependendo da cultura que você está trabalhando, você tem uma grande extração e pouca exportação. E o que implica no manejo é que o nutriente permanece no sistema, a soja extrai muito potássio mais exporta pouco então o acúmulo desse nutriente (quantidade de kg/há) que tenho de biomassa, aumenta depois de 40 a 60 dias. 50- Qual a diferença de acumulo e absorção de nutrientes? Acúmulo e quantos kg/ha por dia essa lavoura acumulou, a planta tirou do solo e está no tecido dela. Já a absorção, é o processo de captura de nutriente, geralmente via foliar ou pela raiz principalmente, seria em cmolc, a planta usufrui disso. 51- Por que é importante fazer análise foliar? Existe fome oculta por parte das plantas, é quando a planta está deficiente de um determinado nutriente, mas não apresenta sintomas visuais. A análise foliar e de extrema importância para corrigir para a próxima safra. Realizado a analise foliar em R1, coleto terceiro, quarto trifólio de cima para baixo. Caso eu colete em um momento diferente e um trifólio diferente as concentrações são diferentes, não posso comparar isso com o que está no boletim. 52- Faço análise de solo quando o calcário foi aplicado e não foi incorporado? Sim, pois o calcário é pouco móvel no solo, então se eu fizer uma aplicação pesada e não incorporar, por ser pouco móvel, esse calcário vai criar uma frente de alcalinização, comercialmente se não incorporar o calcário vai perder em produtividade. 53- Como solicito a análise de solo? Se o produtor aplicou o calcário a 3 anos e incorporou, solicito análise de 0-20 e 20- 40.Se o produtor não aplica calcário a algum tempo ou aplicou e não incorporou, solicito análise de 0-10, 0-20, e 20-40. 54- Qual época do ano faço análises de solo? Geralmente depois da colheita da segunda safra. 55- Quando tenho um local igual a Maringá-pr, com noites mais quentes a taxa de respiração é maior, a quantidade de carboidratos que está sendo respirada é maior ou menor comparado a Guarapuava? Maior, porque quando a temperatura é maior, mais carboidrato é respirado e menos carboidrato é armazenado. Por isso aumenta a quantidade de plantas por linha. Se a planta respira mais, sobra menos carboidratos para armazenar, o crescimento será maior onde a planta respirou menos, com as noites mais frias. 56- O que acontece com a altura do dossel quando aumento o número de plantas por linha? A altura do dossel sobe, porque tem competição por luz, principalmente a auxina que tem na zona apical da planta, ela vai estimular a dominância apical, por isso ela cresce mais. É por esse motivo que em Guarapuava se planta 10 sementes por metro, para evitar crescimento excessivo. 57- Em que fase na lavoura de soja se tem um maior consumo de água por dia? R3 e R4. É por conta que esses estádios são o que mais tem índice de área foliar, promovendo mais trocas gasosas com o ambiente. Quanto mais tenho folhas mais tenho estômatos que fazem trocas gasosas. 58- Em qual fase de desenvolvimento da lavoura de soja o estresse hídrico por falta de água mais penaliza a produtividade de grãos? Na fase de florescimento e na semeadura. 59- Quais são as vantagens e desvantagens de semear soja muito cedo? A vantagem é a fuga da ferrugem asiática, porque as quantidades de esporo que você tem no ar é muito baixa. E a desvantagem é o tombamento por calor na semeadura, tendo que semear novamente. E se caso você atrasar a semeadura da soja, a produtividade cai por conta das janelas de chuva em setembro, que chove pouco. 60- Qual o problema de fosforo a lanço? Se você concentra muito fosforo na superfície, a planta vai distribuir raízes nas zonas onde quimicamente o solo está mais corrigido, que tem mais nutrientes. Quando se tem um período de estiagem razoável de 10-15 dias percebe-se que a planta ainda vai emitir raízes se ela tiver condições de romper a camada da subsuperfície. 61- Fale sobre o abortamento de vagens na cultura da soja. Em soja não é comum, ocorre em ano que chove acima da média, a alta nebulosidade. Se chove muito, tem bastante nebulosidade e consequentemente mais luz, o que aumenta a altura do dossel. Assim o terço superior vai ficar sombreado , as vagens da parte de baixo vão ser abastecidas pelos trifólios da parte de baixo, se a fonte que é o trifólio está muto sombreado, ela não consegue fazer fotossíntese e não consegue manter a carga que tem na parte de baixo. E ai apesar da taxa de fecundação ser alta pois a planta não estava sob estresse hídrico e não tinha etileno, ela induz a formação de flores, convertendo em vagens, só que quando ela percebe que a quantidade de vagens que ela tem é muito maior do que a quantidade de fonte que ela consegue ofertar, ela se autorregula, abortando vagens. Torna-se muito dreno para pouca fonte. 62- Como a soja foi melhorada ao longo dos anos para preparar o enchimento de grãos? As plantas se tornaram menores, diminuiu a área foliar, alterou o formato da folha (ficou mais aerado, a quantidade de radiação que passa é maior), a quantidade de luz que está passando também é maior por isso a quantidade de carbono fixado também é maior. 63- Sobre a helicoverpa armígera, se faz aplicação ou não com 4 lagartas? Sim, o controle de helicoverpa se faz com 4 lagartas/m linear ou 30% de desfolha. Para lagarta-helicoverpa e demais Heliothinae, vistoriar os ponteiros, flores e vagens em 1 m de linha, adicionalmente ao pano de batida. 64- Explique as tecnologias Enlist e Xtend. Tecnologia Enlist :Desenvolvida pela Corteva Agriscience, a tecnologia Enlist E3 confere resistência a três herbicidas: 2,4-D Colina (com menor volatilidade e deriva), Glifosato e Glufosinato de Amônio Tecnologia Xtend Desenvolvida pela Bayer, a tecnologia Xtend confere resistência a dois herbicidas: Dicamba ,Glifosato 65- Quais são as tecnologias para o controle de ferrugem? A BRSMG 534 é uma cultivar de soja convencional com alta produtividade, estabilidade de produção e que ainda agrega a tecnologia Shield, linha de cultivares de soja que apresentam genes de resistência à ferrugem-asiática. Lançamento da Fundação MT, em parceria com a TMG (Tropical Melhoramento e Genética), a soja Inox é uma variedade que já traz no código genético a possibilidade de resistência à ferrugem asiática. As cultivares TMG 801 e TMG 803 foram desenvolvidas pela metodologia convencional de melhoramento, a partir de informações obtidas em bancos de germoplasma de entidades nacionais e internacionais. 66- R4 está dando ferrugem, aplica um multisítio ( mancozeb, clorotalonil, oxicloreto de cobre)? Não, pois eles tem efeito protetor, devemos aplicar fungicida com poder curativo e erradicante como mistura de triazol e estrobirulina, estrobirulina e carboxamida ou pode aplicar junto com essas misturas para potencializar seu efeito. 67- Fale dos eventos cultivance, liberty link, conteska, imtatcta , plesnish e tmg. Conkesta- 2,4 D, glifosato e glufosinato de amônio em pós , 2 proteínas Bt (Cry 1F e Cry 1Ac) Cultivance- Tolerância ao herbicida imazamox (grupo das imidazolinonas) Liberty Link - Tolerância ao herbicida glufosinato de amônio. Intacta RR2 PRO - Tolerância ao herbicida glifosato/Resistência a lagartas (expressa a proteína Bt Cry1Ac). Plenish - Modificação na composição de óleo, com maior teor de ácido oleico para aplicações industriais e alimentares. Toler. A seca - Maior resistência à déficit hídrico por meio da introduçãodo gene HaHB4, oriundo do girassol. Roundup Read - Tolerância ao herbicida glifosato Xtend - Tolerância aos herbicidas glifosato e dicamba. Enlist - Tolerância aos herbicidas glifosato, 2,4-D e glufosinato de amônio 68- Em que época se faz aplicação para doenças de final de ciclo? Se faz perto de R3, que é quando começa a manifestar os primeiros sintomas. Tem que fazer antes do fechamento de linha, por conta do efeito guarda-chuva, que se torna mais difícil atingir as plantas do baixeiro. 69- Como amenizar a dependência de herbicidas? Estabelecer a lavoura no período de distribuição de chuva regular, adubação equilibrada, potencialização do fechamento de linha. Fazer rotação de cultura e ter palha em cima do solo. 70- Como amenizar a resistência? Rotação de mecanismo de ação, utilizar pré- emergente que vai dar um espaço de tempo para que a cultura se estabeleça e consiga fechar linha mais rápido. Tem que tomar cuidado com o efeito residual. 71- Faz-se aplicação em V0 (V2, V3) de fungicida? Essa aplicação só da resposta se tem muito histórico na área e plantação tardia. Na nossa região a aplicação em V0 não tende a aumentar a produtividade, porque setembro é um mês seco aqui. Agora na Bahia que planta em novembro, dezembro terá uma maior resposta. Deve-se monitorar a condição climática, se tiver seco não se aplica fungicida, porque se não perco produtividade pela toxidez. 72- Quais são os critérios que tem que julgar para a primeira aplicação? Se tiver monitoramento não precisa aplicar, mas o intervalo de monitoramento não sendo ajustável precisa aplicar por conta de logística. Intervalo de 2 para 3 aplicação quando tem muita incidência de ferrugem e condição favorável. Você deve fazer monitoramento, não precisa necessariamente aplicar a cada 10 dias. 73- Diferencia canola de inverno e canola de primavera A canola de inverno precisa de um processo chamado vernalização ( acúmulo de horas de frio), para entrar na camada reprodutiva. A canola de primavera é a que não precisa ser vernalizada, é a que utilizamos no Brasil. 74- Porque vê trigo em regiões mais quentes e canola não? Porque quando temos temperaturas cima de 27° vai acabar esterilizando o gameta masculino. A temperatura no inverno geralmente ultrapassa os 27° e acaba tendo produtividade 0 75- Qual a produtividade média de canola? 2500 kg/ha mas alguns lugares no canada chegam a 4000 kg. No brasil pé cerca de 1500 a 1600 kg/ha, comercializadas em sacas de 60 kg, como a soja. A saca varia de 110 a 130 reais. 76- Qual a utilização da canola? Óleo- principal Rotação de culturas Biocombustível Diversificação de renda Ração 77- Quais as plantas daninhas que são problema na canola? Nabo forrageiro e nabiça 78- Como implantar uma lavoura de canola? A lavoura deve ter uma população de plantas de 40 plantas/m A época de semeadura é de abril a maio Utiliza-se uma semeadora de grãos pequenos- para semear trigo, aveia , geralmente é semeadura em linha Espaçamento de 17 cm Ciclo de 100 a 130 dias (anual) 79- Quais as exigências da cultura de canola? Alta fertilidade, clima temperado a frio, sensibilidade a geada, fase inicial e florescimento, solos livres de herbicidas utilizados em soja e milho, se aplicar spider não pode colocar canola na sequencia. ALS- tem grande período residual A canola tem substancia alopáticas- tem que esperar no mínimo 20 dias para plantar milho ou soja. 80- Como é a colheita da cultura de canola? Colhe-se quando tem coloração marrom de 40 a 60% das partes de cima Ocorre perdas de até 30% A colheita pode ser de forma direta- pela plataforma de soja, espera atingir a maturação e o teor de umidade de 18%. Essas estruturas reprodutivas se chamam sílicas A colheita pode ser feita em duas etapas- a plataforma faz uma leira com as plantas e assim que tiver 40% das sílicas marrom vai enleirar, e ela e enleirada e uma umidade de 35% e ai espera a chegar 18% para colher. A vantagem de colher enleirado é reduzir as perdas, porque debulha muito rápido por ser sílica. É uma planta de hábito determinado. 81- Pode-se fazer canola todos os anos no mesmo talhão? Não e recomendando, por causa da doença canela preta, não pode repetir canola no mesmo talhão. As medidas de controle são sementes sadias e distancia das áreas contaminadas. A tática de manejo para daninhas e começar no limpo fazer uma boa dessecação.