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HISTÓRIA DA AMAZÔNIA – Prof. Eduardo Joreu HISTÓRIA PRÉ-LITERÁRIA OCUPAÇÃO HUMANA NA AMÉRICA - O ponto de partida para o estudo da História da Amazônia é a compreensão sobre as origens da presença humana na região. - O homem americano não é originário da América (não é autóctone); - A presença humana na América ocorreu a partir de correntes migratórias oriundas de outros continentes; • O homem americano é alóctone, ou seja, teve origem em local diferente de onde foi encontrado. - O povoamento da América foi multiétnico, realizado por diferentes grupos, oriundos de regiões diferentes, por rotas diversas e em diferentes épocas. Rotas de Povoamento 1 – Hipótese do Estreito de Bering – travessia da Sibéria para o Alasca pelo Estreito de Bering e ocupação a partir da América do Norte em direção ao Sul; • Populações indígenas com características físicas asiáticas; • Modelo “Clovis First”, o sítio arqueológico de Clóvis (EUA) seria o mais antigo da América; • O modelo “Clovis First” foi revisto, pois há vestígios mais antigos da presença humana na América do Sul. 2 – Hipótese Malaio-Polinésia – travessia do Pacífico pelas ilhas polinésias, em direção a América do Sul; • Populações indígenas com características físicas polinésias; 3 – Hipótese Australiana – grupos migratórios atravessaram o Pacífico, em direção a América do Sul; • Populações indígenas com características físicas aborígenes e negroides (rota do Pacífico). Principais Sítios Arqueológicos 1 – Sítios Clóvis (modelo Clovis First) – localizados na América do Norte. • Foram utilizados para sustentar a tese de que o povoamento da América teria começado pela América do Norte, em direção ao sul. 2 – Boqueirão da Pedra Furada – localizado em São Raimundo Nonato, no Piauí. • Pesquisado pela arqueóloga Niède Guidon, neste sítio estão os vestígios mais antigos da presença humana na América. 3 – Caverna da Pedra Pintada – Localizado em Monte Alegre, no Pará. • Pesquisado pela arqueóloga Anna Roosevelt, neste sítio estão os vestígios mais antigos da presença humana na Amazônia. DEBATE ARQUEOLÓGICO SOBRE AS SOCIEDADES AMAZÔNICAS - Na segunda metade do século XX, surgiram duas correntes arqueológicas principais sobre a formação das sociedades amazônicas pré- coloniais. 1 – Betty Meggers e Clifford Evans – para esses arqueólogos, a Amazônia seria pobre em recursos naturais, impossibilitando o desenvolvimento de grandes sociedades com complexidade cultural (determinismo ecológico). • Os vestígios culturais mais complexos encontrados na Amazônia seriam oriundos das sociedades Andinas (Incas). 2 – Donald Lathrap e Anna Roosevelt – para esses arqueólogos, as regiões de várzea dos grandes rios possibilitaram o desenvolvimento de grandes sociedades com complexidade cultural na Amazônia. • A Amazônia foi um centro de produção e desenvolvimento cultural no período pré- colonial. DIVISÃO HISTORIOGRÁFICA – 3 FASES (proposta por Anna Roosevelt) 1 – Fase Paleoindígena – populações pouco numerosas, dispersas e nômades. • Padrões alimentares menos complexos – coletores, pescadores e caçadores de animais de pequeno porte. 2 – Fase Arcaica – diversificação das culturas. • Domesticação de plantas e animais, produção de cerâmicas e sedentarização das populações. • Construção de Sambaquis (grandes depósitos artificiais de resíduos produzidos por humanos). 3 – Pré-História Tardia – Surgimento dos Cacicados Complexos nos principais rios amazônicos. • Grandes sociedades indígenas estratificadas, com poder político centralizado, que subordinavam outros grupos através da guerra. • Construíam aterros nas várzeas (tesos), dominavam técnicas agrícolas e de produção de cerâmica. • Os Cacicados Complexos mais famosos foram o dos Omáguas (Cambebas), dos Machifaro, dos Tapajós e dos Marajós. - Comparativamente, os Cacicados Complexos da Amazônia chegaram a ser maiores que algumas sociedades da Grécia Antiga. - A chegada dos europeus à América provocou a crise dos Cacicados Complexos da Amazônia. ASPECTOS GERAIS DAS SOCIEDADES INDÍGENAS PRÉ-COLONIAIS Grupos Linguísticos - As sociedades indígenas pré-coloniais podem ser classificadas de acordo com os troncos linguísticos dominantes em cada região da Amazônia; - Existiam entre seis e oito troncos linguísticos, que se subdividiam em outras centenas de línguas e dialetos. • Caribe – na região das Guianas; • Aruaque – região do Alto Amazonas, rio Negro, litoral das Guianas e ilha do Marajó; • Pano – cabeceiras dos rios Purus, Juruá e Javari (atual estado do Acre); • Gê – rios Araguaia-Tocantins, Xingu, Tapajós; • Tukano – noroeste amazônico; • Xiriana – extremo norte de Roraima; • Tupi – origem e dispersão a partir da região entre os rios Guaporé e Madeira (atual estado de Rondônia). Modos de Vida - Os modos de produção da vida material das sociedades indígenas pré-coloniais podem ser classificados em dois grandes modelos: • Culturas de Várzea – regiões onde se desenvolveram os Cacicados Complexos, a agricultura de várzea com grande produtividade era a principal atividade econômica, mas também se praticava a caça, a pesca e a coleta. • Culturas de Terra Firme – regiões de floresta fechada, prática da agricultura de coivara pouco produtiva, maior dependência da coleta, da caça e da pesca. PERÍODO COLONIAL 1494 – Assinatura do Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha. Por este tratado, a maior parte da Amazônia pertencia à Espanha. - O Tratado de Tordesilhas sempre foi alvo de contestação pelos monarcas europeus, pois não aceitavam a divisão do mundo apenas entre as coroas ibéricas. Dessa forma, ingleses, franceses, e holandeses faziam constantes incursões no litoral brasileiro e pela região amazônica. - Os relatos produzidos pelos escrivães das expedições europeias na Amazônia são as principais fontes utilizadas para a compreensão das sociedades indígenas que viviam na Amazônia no período colonial. EXPEDIÇÕES ESPANHOLAS – SÉCULO 16 1500 – Expedição de Vicente Pizón encontrou a foz do rio Amazonas. 1540 – Expedição de Francisco Orellana, cujo objetivo era encontrar o El Dorado e o País da Canela. • Francisco Orellana relatou o suposto encontro com uma sociedade de mulheres guerreiras, as Amazonas. 1560 – Expedição de Pedro de Ursúa e Lope de Aguirre resultou em fracasso. EXPEDIÇÕES PORTUGUESAS – SÉCULO 17 1580-1640 - Portugal e Espanha tem as suas coroas unificadas através da União Ibérica. Nesse período são organizadas expedições para desbravar a Amazônia; dentre as principais expedições pode-se destacar: 1616 – Francisco Caldeira Castelo Branco constrói o Forte do Presépio na foz do rio Amazonas e dá início ao processo de ocupação portuguesa na Amazônia. O Forte do Presépio deu origem a cidade de Belém no Pará. 1637 – O bandeirante Pedro Teixeira, representando a Coroa Portuguesa, chega ao Rio Amazonas e sobe até Quito, estabelecendo os primeiros marcos fronteiriços portugueses na região. 1647-50 – Raposo Tavares, notável bandeirante português, percorre a região do atual Estado de Rondônia pelos rios Guaporé, Mamoré e Madeira. A expedição de Raposo Tavares foi a primeira a conhecer as cachoeiras do rio Madeira. 1723 – Francisco de Melo Palheta subiu o rio Amazonas até a foz do rio Madeira. Seu objetivo era verificar se espanhóis e holandeses estavam adentrando aquela região. 1728 – Padre João Sampayo funda a aldeia de Santo Antônio, primeiro povoado na região do atual Estado de Rondônia. ADMINISTRAÇÃO COLONIAL DA AMAZÔNIA - Durante o período colonial, a região amazônica que esteve sob o domínio português não se subordinava à capital do Brasil (Salvador/Rio de Janeiro). - A Amazônia portuguesa tinha seu vínculo político-administrativo direto com Lisboa, capital do Império Português. 1621 – Criaçãodo Estado do Maranhão. • A capital era a cidade de São Luis. • O Estado do Maranhão abrangia a maior parte da Amazônia. 1751 – Criação do Estado do Grão-Pará e Maranhão. • Houve a transferência da capital, de São Luis para a cidade de Belém. 1755 – Criação da Capitania de São José do Rio Negro. • Subordinada ao Estado do Grão-Pará e Maranhão. • Abrangia terras dos atuais estados do Amazonas e Roraima. • Primeira capital – Barcelos. • A partir de 1808, a capital passou a ser Manaus em definitivo (Barra do Rio Negro). COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO VALE DO GUAPORÉ – SÉCULO 18 Origens - O século 18 foi marcado pela mineração do ouro e de diamantes no sudeste e centro-oeste brasileiro. • Os Bandeirantes foram os responsáveis pelos achados auríferos no período colonial. - Minas Gerais foi o principal centro de extração de ouro no Brasil durante o período colonial, mas também havia mineração em Goiás, Mato Grosso e no sul da Amazônia, no vale do rio Guaporé. - Dois fatores são decisivos para o início da exploração do ouro no vale guaporeano: • A crise da mineração em Cuiabá. • O descobrimento de ouro no Vale do Guaporé pelos irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros em 1734. - A descoberta de ouro no Vale do Guaporé provocou um grande fluxo migratório para a região, atraindo mineradores principalmente de Cuiabá. Colonização Portuguesa no Guaporé - O aumento das tensões entre as coroas espanhola e portuguesa na fronteira guaporeana fez com que Portugal formulasse uma verdadeira política de colonização na região. - O objetivo estava assentado no controle do comércio e da navegação nos rios Guaporé, Mamoré e Madeira, na política militar fronteiriça e na mineração. 1748 – Criada a capitania do Mato Grosso, desmembrada de São Paulo, para melhor fiscalizar a produção do ouro e coibir o contrabando na região. 1750 – Assinado o Tratado de Madri, entre Portugal e Espanha, justificado pelo princípio do uti possidetis de facto (Usucapião), ou seja, a terra pertence a quem a ocupa de fato. Esse tratado fixou a linha de fronteira no extremo norte e oeste, a partir dos cursos dos rios Guaporé, Mamoré, até o curso médio do rio Madeira, na altura da atual cidade de Humaitá. 1752 – D. Antônio Rolim de Moura fundou Vila Bela da Santíssima Trindade, capital da capitania do Mato Grosso, impulsionando a colonização da região. 1755 – Criada a Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão que detinha o monopólio do comércio fluvial na região, realizado pelas rotas de monções do norte (Amazonas, Madeira e Guaporé). 1776 – Início da construção do Real Forte Príncipe da Beira. • O Forte príncipe da Beira foi inaugurado em 1783, apesar de não estar totalmente concluído. • Essa fortificação foi construída durante o governo do capitão-general Luis Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres • Seu principal objetivo era efetivar a política de expansão portuguesa, assegurar a posse das terras conquistadas, além de funcionar como posto avançado de vigilância e combate na defesa dos interesses de Portugal, uma vez que a região era alvo de tensões entre as coroas Ibéricas. - No lado espanhol do Guaporé, as principais povoações castelhanas eram as missões de Mojos e Chiquitos. - A economia guaporeana girava e torno da mineração utilizando o trabalho do escravo negro, mas praticava-se a agropecuária como uma atividade complementar, subordinada aos interesses da mineração e da política de proteção das fronteiras. - A sociedade colonial do Vale do Guaporé era comandada por uma elite branca, que controlava as minas e lavras de ouro, e altos funcionários da administração pública. Era uma sociedade escravista com pouca mobilidade social. Abaixo da camada dominante aparecia um grupo médio de pequenos donos de minas e de escravos, pequenos comerciantes e funcionários públicos de baixo escalão. Na parte mais baixa da sociedade, apareciam os escravos negros e índios. ECONOMIA DA AMAZÔNIA COLONIAL - O extrativismo vegetal foi se desenvolvendo, tornando-se a principal atividade econômica da Amazônia Colonial, pois a região era riquíssima em drogas do sertão, sobretudo em cacau. A mão de obra utilizada na exploração das drogas do sertão era a indígena, arregimentada pelo escambo ou pela escravidão. - Com a União Ibérica, os navios holandeses ficaram proibidos de atracar nas colônias que estavam sob domínio espanhol, entre elas o Brasil e as colônias portuguesas na África. Os holandeses não aceitaram esta proibição e invadiram Pernambuco, maior produtor de açúcar da época, e a África, fornecedora de mão- de-obra escrava para o Brasil. - Para resolver o problema do desabastecimento de escravos na colônia, a saída foi o apresamento de indígenas, executado pelos bandeirantes paulistas. - Existiam três formas de submissão da mão-de-obra do indígena: • Descimentos: consistia no “convencimento” do indígena a descer para as missões, onde seriam catequizados. • Resgates: consistia na troca de mercadorias por presos de guerra inter-tribais. • Guerra Justa: guerras feitas pelos portugueses contra tribos consideradas hostis. - Além do apresamento de indígenas e da extração das drogas do sertão, os bandeirantes portugueses também procuravam por metais preciosos. LEGISLAÇÃO SOBRE OS INDÍGENAS - Ao longo da exploração portuguesa, foram criadas várias legislações com o objetivo de regulamentar o recrutamento e exploração do trabalho indígena; - Essas legislações variavam ao longo do tempo, transferindo o controle sobre a mão de obra indígena entre os grupos sociais que a disputavam. 1 – Sistema de Capitães de Aldeia – instituído em 1611, determinava que o controle sobre a exploração do trabalho indígena deveria ficar a cargo dos colonos. • O Sistema de Capitães de Aldeia foi duramente criticado pelos missionários, que acusavam os colonos de superexplorarem os indígenas. • O mais famosos missionário que criticava o Sistema de Capitães de Aldeia foi o padre jesuíta Antônio Vieira 2 – Regimento das Missões – instituído em 1686, determinava o controle dos missionários sobre a mão de obra indígena, com preferência para os Jesuítas. • A partir do Regimento das Missões, os jesuítas passaram a acumular influência e riqueza, tornando-se a ordem religiosa mais poderosa da região. 3 – Diretório dos Índios – criado em 1757 pelo Marquês de Pombal, colocava sob o controle direto da coroa portuguesa toda a administração sobre a mão de obra indígena. • Houve a proibição da escravização de indígenas e o incentivo ao casamento entre colonos e nativos. • Os indígenas foram considerados súditos da coroa portuguesa. • O objetivo do Marquês de Pombal era “lusitanizar” a Amazônia. 4 – Corpos de Milícias e de Trabalhadores – criado em 1798 pela rainha Dona Maria I, manteve a liberdade jurídica dos indígenas. • Indígenas aldeados deveriam prestar serviço militar obrigatório. - Os Juízes locais e as Câmaras Municipais eram responsáveis pelo controle e distribuição da mão de obra indígena. REFORMAS POMBALINAS – SÉCULO 18 (1750-1777) Contexto - a ascensão do Iluminismo na Europa e o surgimento do Despotismo Esclarecido. • O Despotismo Esclarecido foi a tentativa de incorporar as ideias iluministas às monarquias absolutistas europeias. • Em Portugal, o reinado de D. José I e a administração do Marquês de Pombal caracterizaram-se pelo Despotismo Esclarecido. Objetivo - Promover reformas para modernizar e fortalecer o reino de Portugal frente aos demais reinos europeus. Método - aumentar o controle e a exploração das colônias. • A finalidade da colônia sempre era gerar riquezas para a metrópole. Principais Reformas 1- Criação do Diretório dos Índios (1757) e proibição da escravização de indígenas. • O objetivo era retirar o controle dos missionários sobre os aldeamentos indígenase submetê-los ao controle do Estado Português. 2 – Expulsão dos Jesuítas do Império Português (1759). 3 – Construção de uma rede de fortificações na Amazônia para garantir a proteção e a posse da região para os portugueses, contra a ameaça de espanhóis, franceses e holandeses. • Forte de São José do Macapá (Amapá); • Forte de São Joaquim do Rio Branco (Roraima); • Forte de São Gabriel da Cachoeira (Amazonas); • Forte de Tabatinga (Amazonas); • Forte do Príncipe da Beira (Rondônia). - Com a morte do rei D. José I e a ascensão de Dona Maria I ao trono português, teve início a “Política da Viradeira”, resultando no fim das Reformas Pombalinas. TRATADOS DE LIMITES 1494 – Tratado de Tordesilhas, assinado entre Portugal e Espanha. • A maior parte da Amazônia ficou sob o domínio espanhol; • O Tratado de Tordesilhas foi contestado por outros monarcas europeus, pois não aceitavam a divisão do mundo entre Portugal e Espanha. • Ingleses, franceses e holandeses realizavam incursões constantes no litoral brasileiro e na região amazônica. 1713 – Primeiro Tratado de Utrecht, assinado entre Portugal e França. • Reconhecia o domínio português sobre a foz do Amazonas; • Reconhecia o controle francês dos territórios acima do rio Oiapoque (Guiana Francesa). 1750 – Tratado de Madrid, assinado entre Portugal e Espanha. • Foi o acordo sobre limites territoriais mais importante do período colonial. • Foi justificado pelo princípio do uti possidetis de facto (Usucapião), ou seja, a terra pertence a quem a ocupa de fato. • O Tratado de Madrid reconheceu a expansão portuguesa para além da linha de Tordesilhas, garantindo o domínio português sobre a maior parte da Amazônia. SOCIEDADE - A sociedade que se formou na Amazônia colonial foi fruto das relações estabelecidas entre europeus e os diversos povos indígenas. - As relações estabelecidas entre os colonizadores e os povos indígenas se de várias formas, sejam comerciais, pacíficas ou belicosas. - A introdução de negros escravizados na Amazônia, trazidos da África pelos europeus, também foi um elemento importante na formação da sociedade colonial da Amazônia. - A coroa portuguesa procurava fomentar políticas de colonização da região, utilizando, inclusive, o degredo e o perdão de crimes e dívidas para aqueles se optassem em se estabelecer na região - A exploração do trabalho indígena, em maior parte, e do negro, por parte dos colonizadores levou a inúmeros conflitos, fugas e rebeliões na região. - Exemplos famosos da resistência indígena e negra à exploração portuguesa foram a Revolta dos Manaós, liderada por Ajuricaba, na década de 1720, e o Quilombo do Quariterê, liderado pela Rainha Teresa de Benguela, que resistiu aos ataques portugueses no Vale do Guaporé até 1770. PERÍODO IMPERIAL INCORPORAÇÃO DA AMAZÔNIA AO IMPÉRIO DO BRASIL - 1823 Origens - Durante o período colonial, a Amazônia portuguesa constituía uma unidade político- administrativa independente do Brasil. - O Estado do Grão-Pará e Maranhão não estava subordinado ao Rio de Janeiro, então capital da Colônia, mas vinculava-se diretamente a Lisboa, capital do Império Português. - À época da Independência do Brasil, o Grão- Pará manteve-se fiel à coroa portuguesa, uma vez que não partilhava o mesmo projeto político do Rio de Janeiro. Política 1822 – D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil, com o apoio das classes dominantes do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. - A recusa do Grão-Pará em aderir à Independência do Brasil feita pelo Rio de Janeiro levou à guerra de independência na região. 1823 – D. Pedro I enviou tropas de mercenários, comandadas pelo capitão John Greenffel, para sufocar a resistência portuguesa na região. 1824 – O Grão-Pará foi incorporado ao Império do Brasil como Província do Pará. • A antiga Capitania de São José do Rio Negro foi transformada em Comarca do Rio Negro, subordinada à Província do Pará. A CABANAGEM (1835-1840) Conceito: A Cabanagem foi a maior revolta popular da Amazônia. Causas Gerais - A insatisfação das elites regionais com a centralização política no Rio de Janeiro. • O Império do Brasil era um Estado Unitário, com o poder político fortemente centralizado no Rio de Janeiro. - A situação de pobreza da maior parte da população. • Os cabanos eram formados pelos grupos sociais mais pobres: negros, índios, brancos pobres e mestiços; • O nome da revolta – Cabanagem – é em referência às habitações da população mais pobre da região. - A repressão violenta que o Governo Imperial fazia aos protestos populares. Objetivos - As classes dirigentes da Comarca do Rio Negro reivindicavam a elevação da região ao status de Província do Império. - A elite do Pará buscava maior autonomia política em relação ao Rio de Janeiro. - As classes populares lutavam por melhores condições de vida. Estopim - A morte do cônego Batista Campos, que foi atribuida pela população às perseguições políticas do governo de Lobo de Souza. - Os cabanos tomaram a cidade de Belém e mataram o presidente da província. Líder - Eduardo Angelim, o principal líder da Cabanagem, proclamou a independência do Pará, em 1835. Consequências - O governo imperial enviou tropas e retomou a cidade de Belém; - Os cabanos deram continuidade à guerra no interior da Amazônia até 1840. - Com a repressão violenta contra a Cabanagem, estima-se que 30% da população do Pará tenha morrido. CRIAÇÃO DA PROVÍNCIA DO AMAZONAS – 1850 Antecedentes - As raízes da criação da Província do Amazonas podem ser identificadas no período colonial, quando foi criada a Capitania de São José do Rio Negro, em 1755. • A primeira capital foi Barcelos, posteriormente sendo transferida para a Barra do Rio Negro (Manaus), em 1808. 1823 – Primeiro Projeto Constitucional do Brasil (Constituição da Mandioca). • Segundo a Constiuição da Mandioca, a antiga Capitania de São José do Rio Negro teria o status de Província, tal qual as demais províncias do Império. • A Constiuição da Mandioca nunca entrou em vigor. 1824 – Foi outorgada por D. Pedro I a Constituição do Império do Brasil. • Pela Constituição de 1824, a Capitania de São José do Rio Negro foi rebaixada à condição de Comarca, subordinada à Província do Pará. O Levante Autonomista de 1832 - Foi a tentativa de elevar a Comarca do Rio Negro à categoria de Província do Império do Brasil, promovida pelas classes dirigentes locais. - O estopim da revolta foi o motim promovido por militares que guarneciam a Comarca do Rio Negro, que reivindicavam o pagamento de salários atrasados. - O poder legislativo e judiciário local chegaram a declarar a Comarca do Rio Negro elevada à categoria de Província. - O governo do Pará enviou tropas para a região e o movimento autonomista foi duramente reprimido - Como resultado, aumentou a insatisfação das classes dirigentes da Comarca do Rio Negro em relação ao poder de Belém. Criação da Província do Amazonas - 1850 Contexto - A pouca presença estatal na região, demonstrada pela dificuldade do governo em combater a Cabanagem. - Internamente, havia o ressentimento das classes dirigentes da Comarca do Rio Negro com a pouca atenção dada à região por parte de Belém, capital da Província do Pará. - As pretensões estrangeiras na abertura do Rio Amazonas à navegação internacional. - Os parlamentares de São Paulo eram contrários à criação da Província do Amazonas, pois temiam que o mesmo ocorresse com a Comarca de Curitiba, subordinada a São Paulo àquela época. 1850 – Criação da Província do Amazonas • O objetivo do governo imperial era aumentar a presença do estado brasileiro no interior da Amazônia. • A Província do Amazonas foi desmembrada da Província do Pará, sendo formada por territórios que correspondem aos atuais estados do Amazonas e Roraima.• A Província do Amazonas foi criada no reinado de D. Pedro II. • O 1º presidente da província foi João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha. 1º CICLO DA BORRACHA Origens: - A seringueira é uma árvore nativa da Amazônia, e o látex já era de conhecimento das populações nativas antes da chegada dos europeus; • Os indígenas Omáguas, no Rio Solimões, utilizavam o látex para a fabricação de vários objetos de borracha para uso cotidiano. - Os europeus conheceram o látex através dos indígenas Omáguas, que o utilizavam para a fabricação de vários artefatos; - No século 18, o cientista francês Charles- Marie La Condamine foi o responsável por divulgar o látex na Europa. Causas - Três fatores contribuíram de forma decisiva para a intensificação da exploração do látex na Amazônia: 1 - A descoberta do processo de vulcanização da borracha por Charles Goodyear (1837- 39?); 2 - A II Revolução Industrial e o advento do automóvel e da bicicleta; 3 - A introdução da Navegação à Vapor na Amazônia feita pelo Barão de Mauá (1852). Abertura do Rio Amazonas à Navegação Internacional - A partir da segunda metade do século XIX intensificaram os debates sobre a abertura do Rio Amazonas à navegação internacional devido à crescente atividade extrativista no interior da região, ao mesmo tempo em que Bolívia e Peru abriam seus rios para navegação internacional, no intuito de facilitar o escoamento dos seus produtos em direção ao Atlântico. - Os livre-cambistas, apoiados pelos EUA e defensores da abertura do Rio Amazonas à navegação estrangeira, alegavam que as riquezas da Amazônia deveriam ser exploradas pela civilização, através da conquista científica, econômica e política, e que a recusa do governo brasileiro a tal medida representava o isolamento do país, sendo contrário aos interesses da humanidade. - O governo do Império do Brasil alegava o oposto, dizendo que a abertura do Amazonas à navegação estrangeira seria uma agressão à soberania nacional, tal qual ocorrerá na China após Guerra do Ópio. 1872 – Após anos de disputa política, o Rio Amazonas foi aberto à navegação internacional, tendo a Amazon Steam Navigation Co. monopolizado o transporte fluvial na região. Mão de Obra nos Seringais - A exploração da borracha, nas suas décadas iniciais, era realizada com mão de obra das populações locais (indígenas, caboclos, ribeirinhos). - À medida em que a demanda internacional pela borracha crescia, os seringais foram se expandindo no interior da Amazônia, levando à necessidade de mais mão de obra. 1877-79 – Grande seca no nordeste brasileiro provoca um intenso fluxo migratório da população desta região para a Amazônia, ultrapassando os limites territoriais brasileiros, adentrando a região do Acre. - O surgimento da indústria automobilística na Europa e nos EUA e a necessidade crescente de látex para a fabricação de inúmeros produtos industrializados que faziam uso da borracha, levou a formação de vastos seringais, principalmente nos vales dos rios Purus, Juruá, Madeira, Mamoré, Machado e no Acre, dominados pelos seringalistas ou coronéis de barranco. • Na região do Beni, na fronteira do Brasil com a Bolívia, havia o predomínio da mão de obra indígena nos seringais. - Os trabalhadores eram os seringueiros, em sua maioria nordestinos, que estavam condenados a dívida eterna com o seringalista pelo regime do barracão O Barracão e o Aviamento - O regime de trabalho dominante nos seringais da Amazônia ficou conhecido como Regime do Barracão. - O Regime do Barracão caracterizava-se pelo endividamento prévio dos seringueiros – retirantes nordestinos – e a manutenção das dívidas ao longo do tempo, junto aos donos dos seringais. - O aumento da demanda mundial pelo látex levou à contínua expropriação do trabalho do seringueiro pelo coronel de barranco, fato que levou o seringueiro a dedicar mais tempo à extração do látex, ficando impossibilitado de cultivar algum tipo de cultura para sua subsistência. - O sistema de aviamento consistia no modelo de comercialização da borracha na Amazônia, caracterizado pela existência empresas comerciais que forneciam mercadorias para a região (aviamento) e atuavam como atravessadoras no negócio da borracha. - A dedicação quase exclusiva dos seringueiros à extração do látex inviabilizou o cultivo de gêneros alimentício na região, fato que levou ao desabastecimento e a carestia de mercadorias na Amazônia, o que favoreceu o domínio da economia regional, através do sistema de aviamento, por companhias europeias e norte-americanas que atuavam na comercialização da borracha, as chamadas Casas Exportadoras. - Apesar da hegemonia das Casas Exportadoras na economia amazônica, a empresa boliviana Suárez & Hermanos tornou-se a mais poderosa companhia de capital regional a atuar no extrativismo do látex, dominando imensas áreas de seringais e estendendo suas filiais até Manaus, Belém e Londres, chegando mesmo a controlar a importação de mercadorias para os seringais sob o seu domínio, burlando o monopólio das Casas Exportadoras. Sociedade e Cultura - O chamado “Boom” da borracha levou a um crescimento expressivo da população amazônica. - Muitas cidades surgiram em virtude da expansão dos seringais, tais como Humaitá e Lábrea, no Amazonas, e Rio Branco, capital do Acre. - Outras tantas cresceram, a ponto de se tornarem importantes metrópoles com ares cosmopolitas, como Belém e Manaus. - O Ciclo da Borracha fez aparecer uma elite econômica que havia enriquecido de maneira rápida às custas da exploração do trabalho nos seringais. - Esses novos ricos ficaram conhecidos como os “Barões da Borracha”, uma elite direta ou indiretamente ligada aos negócios da borracha e fortemente influenciada pelos modelos culturais europeus. - O uso de uma estética francesa nas práticas cotidianas fazia parte do contexto cultural do final do século XIX que ficou conhecido como A Belle Époque. • A construção do Teatro da Paz, em Belém, e do Teatro Amazonas, em Manaus, para a apresentação de espetáculos de ópera, foram os maiores exemplos da Belle Époque na Amazônia. Crise da Borracha 1870 – Contrabandeadas sementes da Hevea brasilienses para Londres que, depois de pesquisas, são plantadas de maneira sistemática na Malásia. 1912 – A Malásia começa a produzir borracha em larga escala, derrubando os preços da borracha da Amazônia e causando a crise do 1º Ciclo da Borracha. • Houve fuga de capitais da Amazônia, em direção às zonas produtoras do sudeste asiático, já que o modelo de comercialiazção da borracha amazônica baeava-se no Sistema de Aviamento, controlado pelo capital estrangeiro. • O governo federal ainda elaborou um Plano de Defesa da Borracha, que fracassou divido à falta de capitais. 1927 – O governo do Pará concedeu uma vasta área, na região do Rio Tapajós, à empresa Ford Motor Company, de propriedade de Henry Ford, dando origem à Fordlândia. • O objetivo da Ford era construir uma alternativa ao monopólio virtual sobre a borracha que os ingleses haviam imposto desde o início da produção no sudeste asiático. • A Fordlândia foi um ambicioso projeto de cultivo de seringueiras que contava com importante infraestrutura urbana, aos moldes das cidades industriais americanas. 1934 – Houve a transferência da infraestrutura da Fordlândia para Belterra, devido a uma praga que afetou as plantações de seringueiras. 1945 – O projeto de cultivo de seringueiras na Amazônia foi encerrado pela Ford. PERÍODO REPUBLICANO QUESTÕES FRONTEIRIÇAS - No início do período republicano da História do Brasil houveram disputas territoriais na Amazônia, entre o Brasil e os países vizinhos. - Essas questões fronteiriças não resultaram em guerra declarada entre o Brasil e os demais países envolvidos. • Todas as disputas foram resolvidas pelas viasdiplomáticas, com as negociações conduzidas pelo Barão do Rio Branco. - Três questões fronteiriças foram as mais importantes na Amazônia durante a República Velha: • A Questão do Amapá; • A Questão do Acre (Revolução Acreana); • A Questão do Pirara (Roraima) Questão do Amapá - 1900 - Foi a disputa territorial, entre Brasil e França, pela região do rio Oiapoque, na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. - A disputa foi arbitrada pela Suíça, que deu ganho de causa para o Brasil. - Ficou reconhecido o rio Oiapoque como a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. Questão do Acre (Revolução Acreana) – 1903 - Foi o conflito entre seringueiros e seringalistas brasileiros contra autoridades bolivianas no Acre. - Desde 1867, com a assinatura do Tratado de Ayacucho, o Brasil reconhecia o Acre como pertencente ao território boliviano. 1877-79 – Grande seca no nordeste brasileiro provoca um intenso fluxo migratório da população desta região para a Amazônia, ultrapassando os limites territoriais brasileiros, adentrando a região do Acre. 1899 – Estoura a Revolução Acreana. • Seringueiros e seringalistas brasileiros que ocupavam as terras acreanas entraram em conflito com as autoridades bolivianas, uma vez que o governo daquele país havia instalado um posto alfandegário em Puerto Alonso (Porto Acre) para efetivar a cobrança de impostos dos proprietários de seringais. • Os líderes da Revolução foram Luiz Galvez e, posteriormente, Plácido de Castro. 1903 – Assinado o Tratado de Petrópolis que pôs fim à rebelião no Acre. - As negociações dos termos do Tratado de Petrópolis foram conduzidas pelo diplomata e ministro das relações exteriores do Brasil, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco. - Em linhas gerais, o Tratado de Petrópolis determinava: • Compra do Acre pelo governo brasileiro pelo valor de 2 milhões de libras; • O governo brasileiro assumia a responsabilidade em construir a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Questão do Pirara (Roraima) – 1904 - Foi a disputa territorial entre Brasil e Inglaterra, pela região do rio Rupunúni, na Bacia do Rio Essequibo. 1835 – O explorador Robert Schomburgk percorreu a região do Rupunúni e sugeriu que o governo inglês ocupasse a área sob duas justificativas: • A ausência de soberania do Império do Brasil na região; • A escravização de indígenas praticada pelos brasileiros. - A partir dos anos 1840 iniciou-se a disputa diplomática entre Brasil e Inglaterra pela região do rio Rupunúni, sendo submetida ao arbitramento internacional no final do século XIX. 1904 – O Rei da Itália, Vitor Emanuel III decidiu por dividir a região em disputa entre Brasil e Inglaterra. • A maior parte da área disputada ficou com a Inglaterra, e a menor parte com o Brasil. • O Brasil perdeu acesso ao rio Rupunúni e à Bacia do rio Essequibo ESTRADA DE FERRO MADEIRA-MAMORÉ (1907-1912) Objetivos - A Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi construída para atender a dois objetivos fundamentais: • Transportar borracha e outros produtos extraídos da floresta, principalmente da Amazônia boliviana; • Contornar o trecho encachoeirado dos rios Madeira e Mamoré. Características Gerais - A ferrovia Madeira Mamoré representou uma afirmação das relações diplomáticas entre Brasil e Bolívia; - Caracterizava-se, também, por ser um símbolo da modernidade na selva e da ação dos países imperialistas na Amazônia, em busca de matérias primas. Origens - A ideia de ligar a Bolívia ao Oceano Atlântico remonta à segunda metade do século XIX, pois a ligação entre a Amazônia boliviana e a região dos Andes apresentava enormes dificuldades para o escoamento dos produtos oriundos daquela região. - O problema foi agravado no final do século XIX, quando os bolivianos perderam o canal de Antofogasta, para os chilenos, região de acesso ao Oceano Pacífico. • Para a Bolívia, a única alternativa para escoar as mercadorias produzidas nos Departamentos de Pando e Beni (Amazônia boliviana), era pelos rios Mamoré e Madeira, até chegar no Atlântico. 1861 – O general Quintin Quevedo levantou duas hipóteses para transpor o trecho encachoeirado dos rios Mamoré e Madeira: a sua canalização ou a construção de uma ferrovia. 1861 – O governo do Amazonas enviou uma expedição chefiada por João Martins da Silva Coutinho, para realizar estudos de viabilidade para a construção de uma ferrovia na mesma região. - Entre 1867-1868 o governo do Império do Brasil enviou a expedição Franz Keller, que também estudou a viabilidade do aproveitamento dos transportes entre os rios Madeira e Mamoré. - Todas a expedições apontaram a necessidade de construção de uma ferrovia que transpusesse o trecho encachoeirado daqueles rios. 1ª Tentativa 1871 – Criada a Madeira - Mamoré Railway Co. Ltda. sob a direção do engenheiro-militar coronel George Earl Church. • Entre 1871-1879 foram contratadas quatro empreiteiras para a execução das obras da ferrovia: 1. Public Works 2. Dorsay & Caldewll Co. 3. Reed Brothers Co. 4. P.T & Collins. - Esta última assentou 7 km de trilhos e depois abandonou as obras e pediu concordata devido ao corte do crédito, envolvimento com dívidas pesadas, revoltas e fugas de operários, doenças regionais e ataques indígenas. 1882-83 – O governo brasileiro enviou duas comissões para restabelecer os estudos para a construção da E.F.M.M. • Comissão Morsing – 1883 • Comissão Julio Pinkas – 1884 - As duas comissões fracassaram, contudo, a comissão Morsing sugeriu a mudança do ponto inicial da ferrovia para 7 km abaixo de Santo Antônio. 1899 – Início da Revolução Acreana. 1903 – Assinado o Tratado de Petrópolis que pôs fim à Guerra no Acre. • O governo brasileiro assumia a responsabilidade em construir a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. 1905 – O engenheiro brasileiro Joaquim Catramby vence a licitação para a construção da ferrovia. Logo depois, transfere a concessão ao magnata norte-americano Percival Farquhar. - Percival Farquhar também explorava a concessões de serviços públicos em outros locais do Brasil, como Rio de Janeiro e região sul do país, e também em outros países. 1907 – Reiniciada as obras da ferrovia pela construtora May, Jeckyll & Rondolph que transfere o ponto inicial da ferrovia para 7 km abaixo de Santo Antônio, surgindo daí a cidade de Porto Velho. - Para reunir o contingente necessário à construção da ferrovia foram recrutados trabalhadores nacionais e estrangeiros, principalmente caribenhos, que além de atuarem na construção da E.F.M.M, foram utilizados também em diversas circunstâncias: nos seringais, na construção da linha telegráfica Mato Grosso/Amazonas. - Logo nos primeiros meses de trabalho, foram dizimadas centenas de vidas dos operários, devido principalmente as doenças tropicais. - - Para tentar amenizar os problemas de infraestrutura médico-hospitalar, o empresário Percival Farqhuar ordena a construção do Hospital da Candelária. 1910 – O médico sanitarista Oswaldo Cruz chega a Porto Velho contratado pela Madeira- Mamoré Railway Company, com o objetivo de promoverem a sanitização da região. 1912 – Inaugurada a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. • A conclusão das obras coincidiu com o fim do 1º Ciclo da Borracha e a ferrovia iniciou suas atividades no momento em que os preços da borracha desvalorizaram-se. COMISSÃO RONDON E LINHAS TELEGRÁFICAS DO MATO GROSSO AO AMAZONAS (1907-1915) Origens - As propostas de integração do interior do país à capital através do telégrafo remontam ao final do século 19. - O envolvimento do Brasil em conflitos com os países vizinhos levou à necessidade de aumentar a presença estatal e a segurança nas fronteiras; • A Guerra do Paraguai (1864-1870) • A Guerra do Acre (1899-1903) - No final do século 19 foi construída a linha telegráfica que ligava Cuiabáao Araguaia, em Goiás, seguindo até a cidade de Franca, em São Paulo; - No começo do século 20, a rede telegráfica foi expandida no Mato Grosso, chegando à cidade de Corumbá, na fronteira com o Paraguai e Bolívia. - Restava a expansão do telégrafo em direção ao rio Madeira e região do Acre. Objetivos 1907 – O presidente Afonso Pena criou a Comissão Rondon, cujo objetivo era realizar, paralelamente à construção da E.F.M.M., a ligação telegráfica entre Cuiabá e Santo Antônio, promovendo a ruptura do isolamento do oeste amazônico. - A intenção do governo federal era ligar o Rio de Janeiro aos territórios do Amazonas, Acre, Alto Purús e Alto Juruá, através da capital do Mato Grosso, com a finalidade de melhorar a comunicação e contribuir para a vigilância das fronteiras nacionais. - Além de implantar as linhas telegráficas, a Comissão Rondon exerceu outras funções como o reconhecimento de fronteiras, as determinações geográficas, a pesquisa e o estudo de riquezas minerais, do solo, do clima, das florestas, dos rios conhecidos e dos que foram descobertos. O estudo do meio- ambiente e do ecossistema também fazia parte das suas ações. Construção do Telégrafo - As obras das linhas telegráficas iniciaram em 1907, sendo realizadas em três frentes: • Um ramal partindo de Cáceres até a cidade de Mato Grosso (antiga Vila Bela da Santíssima Trindade); • A linha principal, ligando Cuiabá a Santo Antônio, no Rio Madeira; • Um terceiro grupo, encarregado da exploração científica e reconhecimento da região. Mão de Obra - A Comissão Rondon contou com mão de obra de civis e militares; - O trabalho braçal de abertura dos picadões na floresta foi realizado, em grande parte, por trabalhadores recrutados à força nas prisões do país. - Muitas pessoas que cumpriam penas foram trazidas compulsoriamente para trabalhar na Comissão Rondon. • O caso dos marinheiros presos na Revolta da Chibata, em 1910, que foram trazidos juntamente com outros presidiários e prostitutas para a região, é o exemplo mais famosos. - O uso da coerção e dos castigos físicos era empregado como forma de manter a disciplina e evitar as fugas dos trabalhadores. - O maior problema enfrentado pelos trabalhadores estava relacionado com as doenças endêmicas na região, em especial a malária. A Questão Indígena - A Comissão Rondon entrou em contato com vários povos indígenas ao longo dos trabalhos de construção do telégrafo; - Os conflitos envolvendo seringueiros, trabalhadores da ferrovia madeira-mamoré e trabalhadores da Comissão Rondon contra os vários povos indígenas eram constantes; 1910 – Criado a SPILTN (Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais) por Rondon. - A política indigenista do SPI procurava evitar os conflitos entre brancos e índios e visava a integração dos nativos à sociedade brasileira. A política indigenista de Rondon e do SPI tinha como lema: Morrer, se preciso for. Matar, nunca! - As picadas abertas na mata serviram, anos depois, para o curso da BR – 029 (atual 364) e as estações telegráficas proporcionaram o surgimento de povoados que se transformaram em municípios de Rondônia (Vilhena, Pimenta Bueno, Jarú, Ji-Paraná, Ariquemes). 1915 – Término das obras de instalação das linhas telegráficas, ligando Cuiabá à Santo Antônio do Rio Madeira. O TENENTISMO E A COMUNA DE MANAUS – 1924 Conceito: A Comuna de Manaus foi a rebelião tenentista no Amazonas que ocorreu entre os meses de julho e agosto de 1924. Contexto: - A emergência do Tenentismo no Brasil, durante a década de 1920. • O Tenentismo foi um movimento político- militar, promovido por jovens oficiais do Exército Brasileiro, contra o domínio das oligarquias rurais durante a República Velha. - A crise da economia da borracha na Amazônia provocada pela concorrência asiática. • A queda dos preços da borracha no mercado internacional desencadeou inúmeras falências no comércio, queda na arrecadação de impostos e êxodo de seringueiros buscando melhores condições de vida. Estopim - O início da Revolta Tenentista em São Paulo, em julho de 1924. • Os revoltosos em São Paulo pretendiam dominar a cidade e partir para o Rio de Janeiro, para derrubar o presidente Arthur Bernardes. A Comuna de Manaus - O Tenente Alfredo Augusto Ribeiro Junior comandou as tropas que depuseram o governador do Amazonas e tomaram o poder em Manaus. - De Manaus, os Tenentes partiram para tomar Óbidos, no Pará. O Objetivo era chegar a Belém. - Além do caráter político de contestação à hegemonia da oligarquia seringalista, a Comuna de Manaus foi marcada por questões sociais; • Havia apoio de setores das classes médias e baixas da população local; - A Comuna de Manaus chegou a expropriar propriedades estrangeiras para garantir o abastecimento para a população. - Manaus ficou sob o governo dos Tenentes por mais de um mês, quando as tropas federais conseguiram sufocar a revolta. - O Tenente Ribeiro Junior foi preso e o Amazonas sofreu intervenção federal, com a nomeação de Alfredo Sá como interventor federal. IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA A AMAZÔNIA (1920-1930) Origens - A imigração japonesa para o Brasil teve início no começo do século 20. 1908 - Chegada no Porto de Santos, em São Paulo, dos primeiros imigrantes vindos do Japão. Fatores - A política de estímulo à emigração de nacionais adotada pelo Japão no final do século 19. • Havia um intenso crescimento demográfico no Japão no final do século 19; • Surgiram graves tensões sociais nas pequenas vilas do interior do Japão; • Houve uma sucessão de crises econômicas e sociais durante a década de 1920. - A política de concessão de grandes extensões de terras para empresas de colonização por parte do Amazonas e do Pará. • O objetivo era buscar alternativas à economia da borracha que estava em crise. • Tentava-se estimular a imigração para a região e incentivar a agricultura e a pecuária para garantir o abastecimento da região. Características 1929 - Chegada dos primeiros imigrantes japoneses na Amazônia. - Os colonos japoneses foram assentados no Pará e no Amazonas; • Pará - Acará, Tomé-Açu, Monte Alegre, Marabá, Bragança e Conceição do Araguaia. • Amazonas - Maués e Parintins. - Os colonos japoneses se dedicavam, principalmente, à agricultura familiar; - O sistema de cooperativa para organizar a produção foi marcante entre os colonos japoneses na Amazônia; - A pimenta-do-reino e a juta foram os principais produtos cultivados pelos colonos japoneses; • Os japoneses introduziram e disseminaram o cultivo da juta no Baixo Amazonas. 2º CICLO DA BORRACHA (1942-1945) Contexto - No plano internacional, a II Guerra Mundial, que ocorreu entre 1939 e 1945. - No cenário interno brasileiro, a Era Vargas, entre 1930 e 1945. • A Marcha para o Oeste criada pelo governo Vargas teve grande influência nas políticas para a Amazônia. • O objetivo era incentivar a ocupação do interior e integrar as regiões Centro-Oeste e Norte ao restante do país, além de estimular o sentimento de nacionalidade e de pertencimento em todo o território brasileiro. Causa - O início do 2º Ciclo da Borracha está diretamente ligado a Segunda Guerra Mundial, pois os seringais da Malásia foram invadidos pelos japoneses, interrompendo o fornecimento de borracha para as forças aliadas (EUA/Inglaterra/URSS) Política – Aspectos Gerais - Durante a Era Vargas, muitos estados sofreram intervenção federal com a nomeação de interventores federais para os governos estaduais. - Na Amazônia, os estados do Amazonas e Pará também foram alvos da intervenção federal. - No Pará, os principais interventores federais foram José Carneiro da Gama Malcher e Magalhães Barata. - No Amazonas, o principal interventor federal no estado foi Álvaro Botelho Maia. - No Mato Grosso houvevários interventores, sendo Júlio Strübing Müller o mais famoso. A Batalha da Borracha 1939 – Início da II Guerra Mundial e invasão dos seringais da Malásia pelo Japão. 1942 – Assinado os acordos de Washington entre Brasil e EUA. • Ficou estabelecido que o Brasil deveria garantir o fornecimento de materia-prima para a indústria bélica norte-americana. • Os EUA financiaram a construção de uma usina siderúrgica para o Brasil. - Para garantir o aumento da produção de borracha e o fornecimento para o esforço de guerra americano, o governo Vargas criou a Batalha da Borracha. - Para viabilizar a Batalha da Borracha na Amazônia, foram criados vários órgãos responsáveis pelo financiamento dos seringais, recrutamento de trabalhadores e aumento da produção de borracha. • O Banco da Borracha – responsável por financiar a produção e comercialização da borracha na Amazônia. Foi criado para substituir o antigo sistema de aviamento. • A Rubber Corporation, o SAVA (Serviço de Abastecimento do Vale Amazônico) e o SNAPP (Serviço de Navegação e de Administração do Porto do Pará) – responsáveis pelo abastecimento de suprimentos necessários à realização da Batalha da Borracha nos seringais. - Foi criado um órgão responsável pelo programa de saneamento básico e assistência médica aos trabalhadores. o SESP (Serviço Especial de Saúde Pública). - Foram criadas colônias agrícolas no Amazonas e no Pará para o abastecimento de gêneros alimentícios na Amazônia e redução das tensões sociais em outras regiões. Mão de obra – Soldados da Borracha e Arigós - Para elevar a produção de borracha nos seringais, foi necessário a mobilização de grandes contingentes de trabalhadores. - O grande número de trabalhadores de origem nordestina que foram enviados à região ficaram conhecidos como Soldados da Borracha e Arigós. - O Governo Vargas realizava propagandas para incentivar a vinda de nordestinos para os seringais da Amazônia. • Os Soldados da Borracha foram a mão de obra recrutada pelo governo e enviada para a Batalha da Borracha na Amazônia. • Os Soldados da Borracha faziam jus a alguns direitos trabalhistas, tais como um salário e um contrato de trabalho. • Os Arigós eram, em geral, aventureiros convencidos pela propagando governamental de enriquecimento fácil e rápido na Amazônia. - O transporte destes trabalhadores era feito pela CAETA (Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia) e SEMTA (Serviço de Encaminhamento e de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia). - Ao final da Batalha da Borracha, os Soldados da Borracha foram abandonados à própria sorte na região. - Após 1988, foi reconhecido o direito à pensão para os Soldados da Borracha, pelos serviços prestados ao país. Territórios Federais - Durante a II Guerra Mundial, o Brasil se colocou ao lado das forças aliadas (EUA/Inglaterra/URSS), rompendo relações com os países do Eixo (Alemanha/Itália/Japão). • Havia o receio de a Alemanha nazista invadir o território brasileiro. 1943 - Para garantir a soberania nacional e a proteção das fronteiras, o governo Vargas criou cinco territórios federais ao longo das fronteiras brasileiras. - Dos cinco territórios federais, três ficavam na região amazônica. • Território Federal do Amapá (estado do Amapá); • Território Federal do Rio Branco (estado de Roraima); • Território Federal do Guaporé (estado de Rondônia); • Território Federal de Ponta Porã (incorporado ao Mato Grosso); • Território Federal do Iguaçú (incorporado ao Paraná). - Nos territórios federais, os governadores eram nomeados pelo Presidente da República, e os prefeitos eram nomeados pelos governadores. - A partir de 1946, cada território federal passou a ter direito a eleger um deputado federal. Território Federal do Amapá – 1943 - Criado a partir do desmembramento de terras do estado do Pará. - À época da sua criação, possuía três municípios: Amapá, Mazagão e Macapá. - A primeira capital foi o município do Amapá, sendo transferida, posteriormente, para o município de Macapá. - O primeiro governador foi Janary Gentil Nunes. - Com a promulgação da Constituição de 1988, o Território Federal do Amapá foi elevado à categoria de estado da federação. Território Federal do Rio Branco – 1943 - Criado a partir do desmembramento de terras do estado do Amazonas. - À época da sua criação, possuía dois municípios: Catrimani e Boa Vista, este último, capital do território. - O primeiro governador do território de Rio Branco foi Ene Garcez. - Em 1962, o nome do território foi alterado para Território Federal de Roraima. - Com a promulgação da Constituição de 1988, o Território Federal de Roraima foi elevado à categoria de estado da federação. Território Federal do Guaporé - 1943 – Criado a partir do desmembramento de terras pertencentes aos estados do Mato Grosso e Amazonas. - O 1º governador do Território do Guaporé foi o Coronel Aluízio Ferreira, nomeado pelo presidente Getúlio Vargas. - À época da sua criação, o Território do Guaporé possuía quatro municípios: Porto Velho (capital), Guajará Mirim, Santo Antônio e Lábra. - A partir de 1945, o Território do Guaporé passou a contar apenas com dois municípios: Porto Velho (Capital) e Guajará Mirim. • Lábrea foi devolvido ao estado do Amazonas e Santo Antônio foi extinto. 1956 – Houve a mudança do nome do Território do Guaporé, que passou a se chamar Território Federal de Rondônia. 1981 – O Território de Rondônia foi elevado a condição de estado da federação. Território Federal de Ponta Porã - 1943 - Criado a partir do desmembramento da região sul do estado do Mato Grosso. - O 1º governador do Território de Ponta Porã foi o Coronel Ramiro Noronha. • O Território de Ponta Porã teve apenas três governadores. Além de Ramiro Noronha, também foram governadores José Guiomard dos Santos e José Alves de Albuquerque. - O Território de Ponta Porã possuía sete municípios: Bela Vista, Dourados, Maracaju, Miranda, Nioaque, Porto Murtinho e Ponta Porã (capital). - Com a promulgação da Constituição de 1946, o Território de Ponta Porã foi extinto. Território Federal do Iguaçu – 1943 - Criado a partir do desmembramento de terras dos estados do Paraná e Santa Catarina. - O Território de Ponta Porã teve, apenas, dois governadores: o primeiro foi João Garcez do Nascimento, e o segundo foi Frederico Trotta. - À época da sua criação do Território do Iguaçu possuía cinco municípios: Foz do Iguaçu, Clevelândia, Mangueirinha, Chapecó e Iguaçu (Capital). • Este último é o atual município de Laranjeiras do Sul, no Paraná. - Com a promulgação da Constituição de 1946, o Território de Ponta Porã foi extinto. Crise da Borracha 1945 – Fim da II Guerra Mundial - A rendição do Japão e a retomada do fornecimento de borracha da Malásia para a Europa e EUA levou ao fim do 2º ciclo da borracha. DESENVOLVIMENTISMO – DÉCADA DE 1950 Contexto - O período da República Populista no Brasil e a formulação de projetos de desenvolvimento. - A situação de estagnação econômica da Amazônia após o fim do 2º Ciclo da Borracha. Desenvolvimentismo - Foi o modelo de desenvolvimento econômico e modernização do Brasil, a partir da segunda metade do século XX. - O desenvolvimentismo caracterizava-se pela intervenção estatal no domínio econômico, com o uso do planejamento e a criação de agências para dinamizar as atividades econômicas, em parceria com a iniciativa privada. A SPVEA 1953 – Instalado o Plano de Valorização Econômica da Amazônia (PVEA), o experimento concreto de planejamento para a Amazônia. - O PVEA foi responsável por criar o conceito político da Amazônia Legal – a área geográfica que deveria ser alvo das políticas de planejamento e desenvolvimento para a Amazônia. - Para executar o plano, foi criada a Superintendênciapara o Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). • O PVEA buscava diversificar as atividades econômicas na região, estimulando a agricultura, a pecuária, a exploração de recursos minerais e o aproveitamento do potencial energético dos seus rios, bem como implantar uma política de atração de colonos de outras regiões do Brasil para a Amazônia. 1955 – Descoberta de cassiterita em Rondônia, no Rio Machadinho. - Inicialmente, a garimpagem era realizada de forma manual, o que atraia inúmeros trabalhadores para a exploração da cassiterita, principalmente nordestinos. - A descoberta de cassiterita em Rondônia promoveu a mudança da matriz econômica daquele Território: do extrativismo vegetal para o extrativismo mineral. 1956 – O presidente Juscelino Kubitschek alterou o nome do território para Rondônia, em homenagem ao sertanista Candido Mariano da Silva Rondon. 1958 – Início da abertura da Rodovia Belém- Brasília com o objetivo de integrar o norte ao sul do Brasil, incentivar a ocupação da região e substituir o percurso marítimo feito pela navegação de cabotagem que, até aquela época, era a única ligação entre o norte e o sul. 1960 - Início da abertura da BR 029 (atual BR- 364), ligando Brasília ao Acre. - A BR 029 auxiliou no novo surto migratório para a região, juntamente com a exploração dos garimpos de cassiterita e pedras preciosas. - A abertura da rodovia BR 029 fazia parte de uma política do governo brasileiro para modernização dos meios de transporte, com a expansão da indústria automobilística no Brasil e incentivo a ocupação do território amazônico, que era considerado até então “desabitado”. - A BR 029 foi inicialmente idealizada pelo etnólogo Roquett Pinto, que fez parte da Comissão Rondon. A construção da rodovia seguiu o mesmo traçado das linhas telegráficas instalados pela Comissão Rondon - Os resultados do PVEA foram considerados abaixo do esperado, em virtude da escassez de recursos financeiros para as ações do plano. 1966 – Houve a extinção da SPVEA, dando lugar à Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Cultura – O Clube da Madrugada - A ideia de modernização do Brasil, que passou a ser dominante a partir da década de 1950, também se fez presente na Amazônia no campo cultural. 1954 – Criação do Clube da Madrugada em Manaus. - O Clube da Madrugada foi um movimento cultural que pretendia valorizar a produção artística de caráter regional e não acadêmica. - Os intelectuais do Clube da Madrugada estavam inseridos na tradição do Modernismo Brasileiro, especialmente na Geração de 1945. DESENVOLVIMENTISMO – REGIME MILITAR Características Gerais 1964 – Golpe de Estado que pôs fim à República Populista e instalou da Ditadura Militar no Brasil. - O Golpe de 1964 interrompeu a política democrática, mas não alterou o modelo desenvolvimentista adotado na década de 1950. - A partir da década de 1960, as políticas de desenvolvimento para a Amazônia foram guiadas por duas ideias: • As grandes cidades deveriam ser os polos de desenvolvimento econômico da região, irradiando a diversificação das atividades econômicas para as demais cidades. • A integração da Amazônia ao restante do país com a abertura de estradas o incentivo à imigração, pois a região amazônica era considerada um imenso vazio demográfico. A Operação Amazônia 1966 – Criação da Operação Amazônia, pelo Presidente Castelo Branco. • O objetivo da Operação Amazônia era criar um aparato institucional capaz de executar a estratégia de desenvolvimento planejada para a região. - A Operação Amazônia foi responsável por introduzir três mudanças fundamentais para a história do desenvolvimento econômico da Amazônia: • A criação do Banco da Amazônia (BASA) – responsável por ser o principal financiador dos projetos para a região. • A Criação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) – responsável por coordenar as ações estatais na região, em parceria com a iniciativa privada. • A Criação da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) – responsável por criar, no interior da Amazônia, um polo industrial, comercial e agropecuário capaz de desenvolver a economia da Amazõnia Ocidental. - Durante os anos iniciais da Zona Franca de Manaus, os setores de comércio e serviços foram os mais beneficiados, já que a isenção de tributos estimulava a importação de mercadorias que eram comercializadas a preços mais atrativos que no restante do país. - A partir da década de 1970, a concessão de incentivos ficais deu origem ao Distrito Industrial, que passou a produzir bens industrializados de empresas multinacionais, grande parte para a exportação. - A Zona Franca de Manaus se tornou o modelo de desenvolvimento econômico dominante do Amazonas. A Colonização Agropecuária 1970 – Criação do Plano de Integração Nacional (PIN), cujo lema era “Integrar para não entregar”. • Objetivo era a atração de colonos para se fixarem as margens das rodovias da Amazônia, com a finalidade de intensificar as atividades agropecuárias na região com a criação dos Projetos de Colonização. 1970 – Criação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) com o objetivo de promover a distribuição de terras aos colonos que desejassem se fixar na Amazônia através da implantação de projetos oficiais de colonização (PIC’s e PAD’s). - A abertura de rodovias se tornou uma das principais ações estatais na Amazônia, para garantir o fluxo migratório de outras regiões do Brasil para os projetos de colonização da Amazônia. - A principais rodovias abertas na Amazônia durante o período da Ditadura Militar foram: • BR-163 – ligando Cuiabá (MT) a Santarém (PA). • BR-319 – ligando Manaus (AM) a Porto Velho (RO). • BR-174 – ligando Boa Vista (RR) a Manaus (AM). • BR-230 Rodovia Transamazônica – ligando Cabedelo (PB) a Lábrea (AM). - Os fluxos migratórios para os projetos de colonização implantados nessas rodovias vieram de regiões distintas. - Para o Mato Grosso, em direção a Rondônia e Acre os colonos eram agricultores oriundos, principalmente, da região centro-sul do Brasil e que, na verdade, viram-se forçados a abandonar seus locais de origem devido ao intenso processo de mecanização agrícola que estava sendo implantado naquela região. - Para a Transamazônica, e em direção a Roraima, os colonos eram agricultores oriundos, principalmente, da região Nordeste do Brasil. • Em Roraima, a garimpagem de ouro também era importante atrividade econômica que atraia imigrantes, principalmente do Nordeste. - Os projetos de desenvolvimento formulados para a Amazônia na segunda metade do século XX provocaram alterações profundas na região. - A crescente demanda por energia resultou na construção de importantes Usinas Hidroelétricas na Amazônia, tais como: • UHE de Tucuruí, no Pará. • UHE de Balbina, no Amazonas. • UHE de Samuel, em Rondônia. Exploração Mineral - Na década de 1980, durante o governo do Presidente João Batista Figueiredo, foi lanço do Programa Grande Carajás (PGC). - O objetivo era realizar a exploração dos recursos naturais de forma integrada na Província Mineral de Carajás, no Pará. • O governo brasileiro justificou a criação do PGC como necessários para a geração de divisas internacionais para garantir o pagamento da dívida externa àquela época. • A implantação do PGC ficou sob responsabilidade da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). - Além da extração mineral, o PGC também envolvia a atividade agropecuária, exploração florestal e produção energética. - O PGC acabou se tornado um enclave econômico de exploração mineral destinado a exportação de matéria prima, com concentração de renda no centro dinâmico e empobrecimento nas periferias. CRIAÇÃO DO ESTADO DE RONDÔNIA (1981) Causas - Em virtude do grande crescimento econômico e demográficopelo qual passou o Território a partir dos nos de 1970 (Imigração pela BR-364); - Os Garimpos de ouro no Rio Madeira a partir de 1979 e o crescimento demográfico na capital; - Instalação das primeiras indústrias na região (Garimpagem Mecanizada de Cassiterita) - Interesse do Governo Federal em Ampliar a Bancada do PDS (partido político governista) no Congresso Nacional. - O Cel. Jorge Teixeira foi nomeado governador do Território de Rondônia para: • Preparar Rondônia para ser elevada a categoria de Estado; • Prover a região de infraestrutura para viabilizar a administração do Estado. - Em 22 de Dezembro de 1981 foi aprovada a lei complementar nº 41 que criava o Estado de Rondônia. - No dia 4 de Janeiro de 1982 foi instalado o Estado de Rondônia tendo como primeiro governador o Cel. Jorge Teixeira de Oliveira. POLONOROESTE - DÉCADA DE 1980 1981 – Criação do POLONOROESTE (Programa de Desenvolvimento Integrado para o Noroeste de Brasil). • O POLONOROESTE foi o primeiro programa de desenvolvimento integrado para a Amazônia. Objetivos - Orientar a colonização para o estado de Rondônia e o oeste do Mato Grosso. - O programa foi financiado pelo Banco Mundial e objetivava instalar comunidades de pequenos agricultores com atendimento básico de saúde, educação e infraestrutura para o escoamento da produção. - Esperava-se corrigir a degradação socioambiental provocada pela intensa imigração iniciada nos anos 1970. Consequências - Os recursos do POLONOROESTE foram empregados, principalmente, na pavimentação da BR-364 e na abertura de estradas vicinais. - Houve incremento da imigração para a região, das atividades agropecuárias e dos problemas socioambientais. PERÍODO PÓS – CONSTITUIÇÃO DE 1988 Características Gerais - Surgimento de movimentos sociais em defesa dos direitos das populações tradicionais da Amazônia. - Reconhecimento e demarcação de terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas, remanescentes quilombolas e povos tradicionais da região. • Ex.: Resex Chico Mendes (AC), Resex Rio Ouro Preto (RO) e Raposa Serra do Sol (RR). - Continuidade dos conflitos sociais em razão da disputa pela terra, entre os vários grupos estabelecidos na região. • Ex.: Massacre de Eldorado do Carajás (PA); Massacre de Corumbiara (RO); Conflito contra os Yanomami (RR). - Emergência das questões ambientais devido ao desmatamento da floresta para a expansão da agropecuária. • Houve a formação do chamado Arco do Desmatamento na Amazônia, envolvendo os estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia. - Introdução do conceito de Desenvolvimento Sustentável nas políticas de desenvolvimento para a Amazônia; - Construção de grandes obras de infraestrutura energética, como o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira e a UHE de Belo Monte. Política - A promulgação da Constituição de 1988 alterou o mapa geopolítico da Amazônia brasileira. - Foram criados três estados da federação: • Estado do Amapá, a partir do Território do Amapá. • Estado de Roraima, a partir do Território de Roraima. • Estado do Tocantins, desmembrado do estado de Goiás. - O governo Federal criou novos projetos para a Amazônia, com o objetivo de aumentar a presença estatal na região. - Os projetos mais famosos foram o Projeto Calha Norte e o Projeto SIVAM. PLANAFLORO – DÉCADA DE 1990 1992 – Criação do PLANAFLORO (Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia). Origens - O PLANAFLORO teve sua origem a partir da identificação dos problemas advindos da intensa ocupação de Rondônia na década de 1980. Objetivos - O objetivo do PLANAFLORO era implementar ações que propiciassem o aproveitamento racional dos recursos naturais, favorecendo o desenvolvimento sustentável. Características - O projeto foi assinado ente o BIRD e o Brasil e executado pelo estado de Rondônia, baseado no Zoneamento Socioeconômico Ecológico. • O Zoneamento Socioeconômico Ecológico é uma ferramenta de gestão territorial utilizada para racionalizar a ocupação do território e promover a exploração dos recuros naturais de forma sustentável. • Rondônia foi o primeiro estado do Brasil a implantar o Zoneamento Socioeconômico Econlógico - Diferente dos projetos de desenvolvimento anteriores, o PLANAFLORO contou com a participação da sociedade civil no processo de formulação. CONSTRUÇÃO DO COMPLEXO HIDRELÉTRICO DO RIO MADEIRA - O complexo hidrelétrico do Rio Madeira é um conjunto de UHE construídas ao longo da bacia do rio Madeira, formado pelas usinas de: • Santo Antônio (Rio Madeira); • Jirau (Rio Madeira); • Guajará-mirim (Rio Mamoré, binacional com a Bolívia); • Cachuela Esperanza (Rio Madre de Dios, na Bolívia). Objetivos - O complexo hidrelétrico do rio Madeira visa aumentar a capacidade do sistema elétrico nacional e; - Ampliar a navegação na bacia do Madeira, através da construção de eclusas, para promover a integração da infraestrutura da América do Sul. Origens - O complexo hidrelétrico do Madeira tem sua origem no ano de 2000, com a IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Sul- Americana); - A construção das UHE de Santo Antônio e Jirau começaram durante a administração do governador Ivo Cassol, e faziam parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do PAS (Plano Amazônia Sustentável) lançados durante o governo do presidente Lula. Consequências - As obras de construção da duas UHE (Jirau e Santo Antônio) foram concluídas em 2016, durante o governo de Confúcio Moura, em Rondônia. - A construção do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira e do Linhão de Transmissão de energia integrou Rondônia ao Sistema Interligado Nacional de energia. - Houve impactos socioambientais significativos na região, como: • o deslocamento de populações ribeirinhas e tradicionais; • a perda de espécies vegetais e animais nativas; • a perda de patrimônio arqueológico da região.