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Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 1 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO REVIEW OF IRON ORE BRIQUETTING BRIQUETING MINERAL DE HIERRO: UNA REVISIÓN Marina Filizzola Melquiades de Oliveira1 Elenice Maria Schons Silva2 Fernando Soares Lameiras3 Leone Freire da Silva4 André Carlos Silva5 DOI: 10.54751/revistafoco.v16n12-021 Recebido em: 03 de Novembro de 2023 Aceito em: 04 de Dezembro de 2023 RESUMO Comparativamente aos métodos convencionais de aglomeração de finos de minério de ferro, como a sinterização e a pelotização, a briquetagem destaca-se como uma tecnologia de menor intensidade em termos de investimento de capital e redução do impacto ambiental. Esse destaque é principalmente atribuído à sua simplicidade e flexibilidade, além da exigência por temperaturas de secagem moderadas, que contribuem para a diminuição das emissões de CO2, tornando-a uma opção mais econômica e ecologicamente amigável em relação à sinterização e pelotização. Diante das inúmeras vantagens oferecidas pela briquetagem, diversos pesquisadores têm demonstrado um interesse cada vez maior em explorar os briquetes como uma alternativa viável para a aglomeração de finos de minério de ferro. Contudo, o desafio ao incorporar a briquetagem nos processos minero-metalúrgicos reside na identificação das condições ideais, especialmente na escolha de um aglomerante capaz de produzir briquetes que atendam às especificações exigidas pelo mercado. Este artigo tem como objetivo central realizar uma análise da relevância da briquetagem na indústria mínero- metalúrgica como um método de aglomeração de minério de ferro, explorando suas vantagens significativas em termos de eficiência, impacto ambiental e qualidade do produto. 1 Mestre em Engenharia Metalúrgica e de Minas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Centro de desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDNT). Av. Pres. Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte - MG, CEP: 31270-901. E-mail: filizzolamarina@gmail.com 2 Doutor em Engenharia Metalúrgica e de Minas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Laboratório de Modelamento e Pesquisa em Processamento Mineral (LAMPPMIN), Rua 08, 25, Catalão, Goiás, Brasil. E-mail: eschons@ufcat.edu.br 3 Doutor em Engenharia Metalúrgica e de Minas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Centro de desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDNT). Av. Pres. Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte - MG, CEP: 31270-901. E-mail: fsl@cdtn.br 4 Mestrando em Engenharia Metalúrgica e de Minas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Campus da Universidade Federal de Minas Gerais, Av. Pres. Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte - MG, CEP: 31270-901. E-mail: leonesilva.eng@gmail.com 5Pós-Doutor em Engenharia de Minas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Laboratório de Modelamento e Pesquisa em Processamento Mineral (LAMPPMIN), Rua 08, 25, Catalão, Goiás, Brasil. E-mail: ancarsil@ufcat.edu.br mailto:filizzolamarina@gmail.com mailto:eschons@ufcat.edu.br mailto:fsl@cdtn.br mailto:leonesilva.eng@gmail.com mailto:ancarsil@ufcat.edu.br Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 2 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ Palavras-chave: Minério de ferro; aglomeração mineral; briquetagem. ABSTRACT In comparison to conventional methods of agglomerating iron ore fines, such as sintering and pelletization, briquetting stands out as a technology of lower capital investment and reduced environmental impact. This distinction is primarily attributed to its simplicity and flexibility, along with the requirement for moderate drying temperatures that contribute to the reduction of CO2 emissions, making it a more economical and environmentally friendly option compared to sintering and pelletization. Given the numerous advantages offered by briquetting, several researchers have shown an increasing interest in exploring briquettes as a viable alternative for agglomerating iron ore fines. However, the challenge in incorporating briquetting into mining and metallurgical processes lies in identifying the ideal conditions, especially in selecting a binder capable of producing briquettes that meet market specifications. The central aim of this article is to conduct an analysis of the relevance of briquetting in the mining and metallurgical industry as a method for agglomerating iron ore, exploring its significant benefits in terms of efficiency, environmental impact, and product quality. Keywords: Itabirite; iron ore; magnetic separation; tailings concentration. RESUMEN En comparación con los métodos convencionales de aglomeración de mineral de hierro fino, como la sinterización y la pelotización, el sobornado destaca como una tecnología de menor intensidad en términos de inversión de capital y menor impacto ambiental. Este énfasis se atribuye principalmente a su simplicidad y flexibilidad, así como a la necesidad de temperaturas moderadas de secado, que contribuyen a la reducción de las emisiones de CO2, lo que lo convierte en una opción más económica y respetuosa con el medio ambiente en relación con el sinterizaje y las pellets. En vista de las innumerables ventajas que ofrece el soborno, varios investigadores han mostrado un interés cada vez mayor en la explotación de briquetas como alternativa viable para la aglomeración de los extremos de mineral de hierro. Sin embargo, el reto de incorporar el briqueting en los procesos metalúrgicos minerales es identificar las condiciones ideales, especialmente la elección de un aglomerante capaz de producir briquetas que cumplan las especificaciones del mercado. El presente artículo tiene como objetivo central un análisis de la relevancia del briqueting en la industria metalúrgica mineral como método de aglomeración de mineral de hierro, explorando sus ventajas significativas en términos de eficiencia, impacto ambiental y calidad de producto. Palabras clave: Mineral de hierro; aglomeración mineral; briqueteo. 1. Introdução O beneficiamento de minério de ferro, comumente, gera produtos que são classificados de acordo com sua granolumetria, são eles (De Moraes et al., 2018): • Granulado (Lump ore): tem granulometria acima de 6,3 mm; • Sinter Feed: partículas finas, com tamanho variando entre 0,15 mm e 6,3 mm; Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 3 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ • Pellet Feed: partículas ultrafinas, com granulometria abaixo de 0,15 mm. Dentre essas variantes, minérios de ferro finos são de difícil aproveitamento nos processos siderúrgicos. Isso ocorre, principalmente, porque as partículas finas interferem na homogeneidade da passagem dos gases dentro dos fornos redutores. Além disso, os materiais finos são facilmente carreados pelo fluxo de gases durante o processo, o que gera grande quantidade de emissão de poeira na atmosfera, com pouco aproveitamento do material (Campos et al., 2010). Diante dessa realidade, faz-se necessária a busca de processos que otimizem o aproveitamento desses finos e ultrafinos, facilitando seu manuseio, transporte e utilização. Nesse contexto, emergem os processos de aglomeração como uma solução efetiva para a utilização dos minérios deferro em forma de finos e ultrafinos. Na indústria minero-metalúrgica, três principais processos de aglomeração de finos são empregados: sinterização, pelotização e briquetagem, resultando na produção de sínter, pelotas e briquetes, como representado na Figura 1. Figura 1 – Aglomerados de minério de ferro: (a) sínter, (b) pelotas e (c) briquetes. Fonte: autoria própria (2023). A briquetagem consiste na produção de aglomerados compactados por meio de alta pressão, podendo ser adicionados ligantes ou aglomerantes para auxiliar no processo de moldagem. Isso resulta em um produto com formato, tamanho e parâmetros mecânicos adequados para sua utilização posterior (Pietsch, 2003). Em comparação com os processos convencionais de sinterização e pelotização, a briquetagem é menos intensiva em termos de investimento de capital e geralmente causa menos impacto ambiental. Isso ocorre porque a briquetagem é um processo relativamente mais simples, com Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 4 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ menos etapas e maior flexibilidade em relação à granulometria dos materiais de alimentação. Além disso, não requer altas temperaturas de secagem, o que reduz as emissões de CO2 e torna o processo menos oneroso em comparação com a sinterização e a pelotização. Outra vantagem da briquetagem é a flexibilidade na escolha dos materiais de alimentação. Diferentes tipos de finos de minério de ferro, subprodutos e resíduos da indústria de ferro e aço podem ser combinados e aglomerados em briquetes, permitindo uma melhor utilização desses recursos e uma maior eficiência energética nos processos produtivos. Diante das inúmeras vantagens oferecidas pela briquetagem, especialmente em relação à menor emissão de CO2, várias empresas produtoras de sínter ou pelotas, assim como pesquisares da área minero metalúrgica têm demonstrado um interesse crescente em estudar briquetes como um método alternativo para a aglomeração de finos de minério de ferro. Com a adoção da briquetagem, as empresas podem alcançar benefícios econômicos, ambientais e operacionais, otimizando seus processos de produção e contribuindo para a sustentabilidade do setor mínero-metalúrgico. A tendência de utilizar briquetes como uma alternativa viável e eco-friendly na aglomeração de finos de minério de ferro continua a crescer, impulsionando a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias nesse campo. O propósito central deste artigo de revisão reside em conduzir uma análise abrangente da relevância da briquetagem na indústria minero- metalúrgica como método de aglomeração de minério de ferro. O escopo do artigo abrange a avaliação das metodologias, tecnologias e processos empregados e em fase de desenvolvimento no âmbito da briquetagem. A revisão em questão dedica-se, também, a analisar criteriosamente a diversidade de aglomerantes e aditivos empregados com o intuito de aprimorar a qualidade dos briquetes, ao passo que se debruça sobre os desafios inerentes à sua produção em larga escala e à sua viabilidade comercial. 2. A Briquetagem na Indústria Metalúrgica Ferrosa Conforme mencionado por Bizhanov & Chizhikova (2020), a patente inaugural relacionada à briquetagem foi concedida a William Easby, em 1848. O método desenvolvido por Easby viabilizou a formação de aglomerados sólidos Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 5 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ com diversidade de tamanhos e formatos, por meio da aplicação de pressão em partículas finas de carvão mineral. No entanto, apenas no final do século XIX é que a produção de briquetes evoluiu para um processo industrial moderno. A partir de 1901, a Köppern, uma das mais respeitáveis fabricantes de briquetadeiras industriais, iniciou a utilização da prensa de rolos, que permaneceu em uso pelas cinco décadas seguintes para gerar briquetes de carvão, empregados como fonte de combustível tanto para uso doméstico quanto industrial. Esse cenário permaneceu inalterado até que o carvão gradualmente cedeu lugar para o petróleo e o gás como fontes de energia predominantes (Koppern, 2013). Durante o início do século XX, os metalurgistas se depararam com a necessidade de aglomerar minério de ferro fino. Nessa época foi implantado na Suécia e Finlândia o primeiro projeto de sucesso para produzir briquetes de minério de ferro magnetita, idealizado Gustav Gröndal. Para alcançar a resistência mecânica requerida sem aglutinante, os briquetes eram curados em câmaras cujas temperatura de combustão ao queimar o gás alcançava 1300 °C ou 1400 °C e, com esse aquecimento, as partículas eram suficientemente sinterizadas para criar um briquete sólido e resistente (Kurunov & Bizhanov, 2014). A experiência operacional das primeiras fábricas de briquetes mostrou que o potencial de aglomeração sem materiais ligantes é limitado devido à resistência insuficientemente alta dos briquetes brutos e à necessidade de uma queima custosa. À medida que a tecnologia dos aglomerantes foi evoluindo, os briquetes passaram a ser fabricados em temperaturas mais baixas, graças ao uso de diferentes materiais. Um exemplo disso é Pitkäranta, na Finlândia, onde a cal era empregada como agente de ligação, representando de 3% a 5% da massa do briquete. Após duas semanas de cura, os briquetes era aquecidos a 800 °C para posterior endurecimento (Kurunov & Bizhanov, 2014). A partir da década de 1920, a produção de briquetes já não atendia às crescentes necessidades da produção de alto-forno para materiais primas aglomerados e a briquetagem foi rapidamente substituída pela tecnologia de sinterização desenvolvida até então. A sinterização praticamente substituiu a briquetagem na metalurgia do ferro. Assim, por exemplo, em 1923, a maior parte Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 6 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ das fábricas de briquetes foram substituídas por plantas de sinterização (German, 2013). Em meados da década 40, a pelotização de minério foi desenvolvida como uma alternativa à sinterização. O processo de pelotização envolve a transformação de finos de minério de ferro em pequenas esferas (pelotas) através de um processo de aglomeração. A primeira planta de pelotização comercial foi construída em 1954 em Hibbing, Minnesota, nos Estados Unidos, pela empresa Erie Mining Company (hoje conhecida como ERP Iron Ore). A tecnologia de pelotização continuou a se desenvolver ao longo das décadas seguintes, com melhorias nos equipamentos, métodos de aglomeração e controle de qualidade das pelotas (Meyer, 1980). Mesmo com a predominância da sinterização e pelotização, estudos e pesquisas para a fabricação de briquetes a partir de minério de ferro continuam sendo conduzidos em várias partes do mundo. As pesquisas geralmente se concentram na otimização das condições de briquetagem para alcançar briquetes de alta qualidade e com características desejadas para aplicações específicas, como alto-forno, redução direta e outros processos metalúrgicos. 3. Briquetagem em Prensa de Rolos No processo de briquetagem por meio da prensa de rolos, figura 2, a mistura é introduzida na abertura entre dois rolos que giram em sentidos contrários, porém com a mesma velocidade. Esses rolos apresentam uma superfície com cavidades ou moldes simetricamente localizados, que formam semi-briquetes. Durante a rotação dos rolos, ocorre a junção das cavidades, capturando o materiale comprimindo-o. Essa compressão bilateral do material contribui para uma distribuição mais uniforme de sua densidade por volume. Posteriormente, conforme os rolos giram, as células divergem e o briquete cai por gravidade, pronto para ser utilizado (Carvalho & Brinck, 2010). Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 7 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ Figura 2 – Princípio da briquetagem em prensa de rolos. Fonte: Koeppern (2023). 3.1 Etapas de Briquetagem O processo de briquetagem de minério de ferro pode ser dividido em quatro etapas distintas: preparação, mistura, compressão e tratamento térmico, conforme ilustrado na figura 3. Figura 3 – Esquema simplificado de briquetagem de minério de ferro: (1) preparação do material, (2) mistura, (3) compactação em briquetadeira e (4) cura em forno. Fonte: autoria própria (2023). 3.1.1 Preparação do Material O processo de preparação, em briquetagem de minério de ferro, é essencial para garantir a qualidade e eficiência do produto. A primeira etapa desse processo é a determinação das propriedades do material a ser compactado, incluindo a sua granulometria, umidade, teor de ferro e outras características. A partir disso, são definidos os parâmetros a serem utilizados no processo de briquetagem, como a pressão a ser aplicada, a taxa de Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 8 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ compactação e a umidade ideal (Carvalho & Brinck, 2010). Em alguns casos, é necessário realizar um processo de cominuição para obter um tamanho de partícula adequado para a briquetagem, como por exemplo em prensa de rolos tipo HPGR. 3.1.2 Mistura A mistura é uma etapa importante para se obter briquetes com qualidade dentro das especificações desejadas. Nessa etapa, os componentes são misturados em proporções adequadas para formar uma massa homogênea que possa ser compactada e moldada em briquetes. A mistura realizada de forma adequada permite obter uma massa homogênea de minério e outros materiais que podem ser adicionados, ligantes, água e outros aditivos, como agentes redutores e fundentes. Os componentes utilizados na mistura podem variar de acordo com as exigências do processo de briquetagem e as características desejáveis do briquete. Entre os componentes mais utilizados para produção de briquetes para indústria siderúrgica estão os aglomerantes ou ligantes, água e outros aditivos, como agentes redutores e fundentes. Nas instalações de briquetagem, é prática comum empregar misturadores de alta intensidade, como tambores rotativos verticais ou inclinados. Esses equipamentos têm a capacidade de manipular grandes volumes de material e assegurar uma distribuição uniforme de seus componentes, um aspecto crucial para a obtenção de produtos de elevada qualidade. Em experimentos de escala laboratorial, utiliza-se frequentemente misturadores mais simples, como a tigela rotativa, onde o processo de homogeneização requer aproximadamente de 3 a 10 minutos (El-Hussiny & Shalabi, 2011; Vining et al., 2017). A correta mistura conduz à completa homogeneização do material e garante um maior número de pontos de ligação, aprimorando, assim, a resistência mecânica das briquetes. De acordo com (Carvalho & Brinck, 2010), é importante garantir que a mistura esteja suficientemente seca no condicionador entre o misturador e a prensa, a fim de evitar problemas. Caso contrário, os gases presentes nos briquetes, geralmente vapor d'água, ficam presos e sofrem uma forte compressão. Quando os briquetes são liberados da prensa e a pressão é Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 9 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ relaxada, os gases se expandem, resultando em fraturas no briquete. Além disso, de acordo com o autor mencionado, nos casos de materiais com baixa densidade aparente, é essencial remover grandes volumes de ar antes de alimentar o material na unidade de compactação. Para lidar com essa situação, é recomendável o uso de alimentadores a vácuo, responsáveis pela remoção ar ou gases antes que o material seja alimentado no misturador. Compactação Durante o processo de compactação, a pressão aplicada sobre o material aumenta progressivamente à medida que este passa entre os rolos, desde o início da compressão até atingir seu valor máximo no ponto de menor distância entre os rolos. Subsequentemente, a pressão diminui abruptamente antes da liberação e ejeção do aglomerado. Assim, à medida que os materiais são alimentados entre os rolos, são submetidos a uma pressão inicial que quebra a estrutura solta e promove a aderência entre as partículas, de acordo com Carvalho e Brinck (2010). Posteriormente, os materiais são continuamente direcionados para a zona de compressão máxima, onde a pressão entre os rolos é aumentada. Essa compressão intensa desempenha um papel fundamental na formação dos briquetes, comprimindo as partículas e fundindo-as por meio da ativação dos ligantes ou aditivos presentes. A pressão aplicada na compactação de briquetes em prensas de rolos pode variar de 40MPa a 150 Mpa (Bizhanov & Chizhikova, 2020). É importante ressaltar que a aplicação de uma pressão excessiva também pode levar a diminuição da porosidade do briquete, reduzindo seu valor metalúrgico nos processos de redução. Além da pressão, a duração do processo de prensagem afeta significativamente a resistência dos briquetes. Para briquetes de minério de ferro, geralmente recomenda-se não mais do que seis a oito rotações dos rolos por minuto (Kurunov & Bizhanov, 2014).Conforme os briquetes são formados, são empurrados para fora da prensa de rolos por meio de sulcos ou canaletas especiais nas superfícies dos rolos, permitindo a ejeção dos briquetes acabados. Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 10 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ 3.1.3 Cura A etapa de cura desempenha um papel importante ao conferir propriedades mecânicas aos briquetes, tornando-os adequados para etapas subsequentes, como transporte e empilhamento até sua utilização final. Os briquetes recém-saídos das prensas, conhecidos como briquetes verdes, podem passar por um processo de secagem em temperatura ambiente ou seguem para tratamento térmico. De acordo com Nheta et al. (2018) a decisão de realizar a etapa de cura em temperatura ambiente ou tratamento térmico depende das características dos ligantes ou aditivos utilizados e das propriedades desejadas dos briquetes. Alguns sistemas de briquetagem empregam ligantes que não requerem cura térmica, como ligantes autoadesivos ou aglomerantes químicos que reagem em temperatura ambiente. Por outro lado, outros sistemas exigem um processo de tratamento térmico. Os parâmetros do tratamento térmico, como a temperatura e o tempo de exposição, variam de acordo com os materiais utilizados e as propriedades desejadas dos briquetes finais. O tratamento térmico pode ser realizado em estufas, fornos ou câmaras especiais, onde os briquetes são colocados e submetidos às condições de temperatura controlada. Durante esse processo, ocorre a evaporação de umidade residual e a ativação dos ligantes, resultando no fortalecimento da estrutura dos briquetes (Pietsch, 2003). De modo geral, a etapade cura nos aglomerados de minério de ferro no processo de briquetagem é conduzida a temperaturas mais baixas e/ou com durações de cura mais curtas (Vining et al., 2017) em relação aos aglomerados gerados por meio de pelotização ou sinterização. Essa particularidade torna o processo de briquetagem mais atrativo, uma vez que temperaturas de cura mais baixas resultam em custos operacionais menores e uma taxa reduzida de emissão de CO2 (Hasan et al., 2019). 3.2 Fatores de Avaliação para a Produção de Briquete 3.2.1 Tamanho e Forma Os briquetes são produzidos em diferentes geometrias como cilíndricos, travesseiros, ovais, retangulares, hexagonais, tetraédricos (ou seja, um quarto Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 11 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ de laranja), e racionais (Rahman et al., 1989). Na figura 4, pode-se observar alguns exemplos de moldes utilizados na fabricação desses aglomerados. Algumas formas, como o hexagonal, podem apresentar muitas quinas e imperfeições, resultando em briquetes fora de especificação. Sendo assim, para garantir a qualidade dos briquetes e facilitar seu armazenamento, transporte e posterior processamento metalúrgico, é recomendado trabalhar com formatos mais simples e homogêneos, que garantam a uniformidade dos briquetes produzidos, como os formatos do tipo “travesseiros”. Figura 4. Exemplos de formatos de briquetes: (1) cilíndrico, (2) travesseiro, (3) retângulo e (4) hexagonal. Fonte: autoria própria (2023). Os tamanhos dos briquetes fabricados por prensas de rolo variam de acordo com a finalidade de utilização. Um dos maiores produtores de prensas de rolo, Köppern, utiliza os seguintes tamanhos de briquetes: 33 x 30 x 20 mm para alto-fornos e reatores de redução direta; 46 x 34 x 20 mm para fornos elétricos a arco, fornos de fusão de minério e conversores a oxigênio básico; 62,5 x 53 x 34 mm para fornos a copela/cuba (Bizhanov & Chizhikova, 2020) Rahman et al. (1989) conduziram um estudo para investigar como o tamanho e a forma influenciam a resistência dos briquetes. Os autores analisaram a resistência à compressão de briquetes de carvão em formato cilíndrico e em formato ovoide/travesseiro. Os briquetes foram submetidos a ensaios de resistência à compressão axial vertical (ou seja, compressão de superfície) e compressão lateral horizontal (ou seja, compressão de linha). Os resultados revelaram o seguinte: • A resistência à compressão de superfície dos briquetes cilíndricos aumentaram com o encurtamento do comprimento, ou seja, com a Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 12 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ diminuição da razão entre o comprimento e o diâmetro dos briquetes (L/D) (Figura 5); • Nos briquetes cilíndricos, a resistência à compressão axial é geralmente cerca de 10 vezes maior do que a resistência à compressão lateral; • Para briquetes em formato ovoide ou de travesseiro, em todos os tamanhos testados e em diferentes posições - horizontal plana (compressão de ponto), vertical longitudinal (compressão de ponto/linha) e horizontal lateral na junção (compressão de ponto/linha) - foi observada a mesma resistência à compressão de ponto. Figura 5: Briquetes cilíndricos de diferentes tamanhos submetidos a teste de compressão. Fonte: Rahman et al. (1989). 3.2.2 Força de Compactação O processo de compactação de uma mistura pode ser dividido em três estágios, como descrito na teoria geral de prensagem de Kurunov & Bizhanov (2014). No primeiro estágio, ocorre uma reorientação das partículas sem que haja alteração em sua forma ou tamanho. Algumas técnicas de aglomeração por pressão, que utilizam ligantes ou mecanismos de ligação inerentes, não aplicam forças que densificam além desse ponto. No entanto, aumentando-se a pressão, inicia-se o segundo estágio, em que as partículas mais maleáveis são deformadas, enquanto as quebradiças são fragmentadas. Durante essa fase de compactação, a estrutura da mistura é alterada drasticamente, e o espaço vazio é reduzido até que o estado "hidrostático" seja alcançado. Nesse estado, não há mais densificação, e o compacto responde como um sólido incompressível. Por fim, no último estágio, ocorrem mudanças plásticas na estrutura do material, o Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 13 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ que resulta em sua compactação final e completa. Para a briquetagem de um material específico, é necessário determinar experimentalmente a força mínima de compressão necessária, levando em consideração suas características, o diâmetro dos rolos e a forma e tamanho do briquete. Segundo Bizhanov & Chizhikova, (2020), a aplicação de alta pressão é vantajosa somente na briquetagem sem ligante, pois no caso do uso de aglutinantes orgânicos, por exemplo, a aplicação de alta pressão pode resultar no espremimento do aglutinante na superfície dos briquetes, unindo-os. Também é importante ressaltar que o aumento da pressão aplicada pode diminuir a porosidade do briquete, o que pode afetar seu valor metalúrgico nos processos de redução. Outro efeito deletério do uso de alta pressão na produção de briquetes, é o aparecimento de rachaduras (Bizhanov & Chizhikova, 2020) (Hasan et al., 2019). Segundo Bizhanov & Chizhikova (2020),a estrutura do material prensado nos rolos pode sofrer alterações devido à deformação elástica e irreversível, à destruição das partículas quebradiças ou deformação das partículas maleáveis do material prensado e à formação de rachaduras, a pressões acima de 10 MPa. Narita et al., (2015) abordaram a influência da pressão na resistência à compressão de briquetes autorredutores de minério de ferro. Os pesquisadores analisaram a resistência à compressão e densidade aparente de briquetes produzidos em pressões de 26, 53, 79 e 105 Mpa antes e após tratamento térmico em forno pré-aquecido a 773 K para partículas de carvão com tamanhos abaixo de 0,074 mm. Os resultados mostraram que a pressão de briquetagem tem uma forte influência na resistência à compressão dos briquetes antes do tratamento térmico, mas essa influência foi observada apenas em pressões abaixo de 79 MPa. Acima desse ponto, a resistência à compressão antes do tratamento térmico se mostrou constante. Em contraste, a densidade aparente aumentou à medida que a pressão de briquetagem aumenta. Isso indica que a densidade aumentada não é suficiente para explicar a resistência à compressão dos briquetes antes do tratamento térmico. De acordo com os autores, essa discrepância ocorreu porque, para pressões de briquetagem altas (105 Mpa, Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 14 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ neste caso), dois fenômenos deletérios ocorreram nos briquetes: geração de rachaduras horizontais devido ao atrito entre a mistura e a parede da matriz e rachaduras devido a recuperação elástica do briquete quando este é extraído da briquetadeira. Assim, para garantir a formação de briquetes de alta qualidade e maximizar o valor do produto final, é crucial equilibrar a pressão aplicada durante a compressão. 3.2.3 Umidade A umidade é um fator crítico que, pode afetar significativamente a qualidade dos briquetes produzidose, portanto, é importante controlá-la cuidadosamente durante todo o processo de briquetagem. A umidade ideal depende do material e do tipo de aglutinante utilizado, além de influenciar no valor da pressão a ser aplicada Uma quantidade excessiva de umidade pode tornar o material difícil de compactar e pode resultar em briquetes que são frágeis, quebradiços e que se desintegram facilmente. Além disso, o aumento da umidade pode reduzir as propriedades energéticas e a qualidade da combustão dos briquetes. Por outro lado, uma umidade muito baixa pode tornar o material pulverulento, o que pode dificultar o processo de briquetagem (Brožek, 2016). A umidade também desempenha um papel crucial na eficiência do processo de cura ou secagem dos briquetes. Briquetes com teores elevados de umidade demandam mais energia para serem secos, resultando em aumentos nos custos de produção. Como demonstrado por Brožek (2013), o teor de umidade dos briquetes ainda pode variar ao longo de períodos prolongados de armazenamento, principalmente dependendo das condições de armazenamento. Portanto, é de suma importância manter um rigoroso controle da umidade ao longo de todo o processo de briquetagem, a fim de assegurar a qualidade dos briquetes produzidos e manter os custos de produção sob controle. No estudo realizado por Vining et al. (2017), foram investigados os efeitos do teor de umidade e das condições de operação na briquetagem de finos de minério de ferro hematita-goethita. Os pesquisadores concluíram que a umidade da alimentação, que variou entre 4-12% em peso, foi o parâmetro operacional Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 15 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ crítico em relação ao desempenho da briquetagem e à qualidade dos briquetes, enquanto a pressão e a velocidade dos rolos tiveram efeitos secundários. Os resultados indicaram que o melhor rendimento de briquetes foi obtido com um nível de umidade de alimentação de 7,5 - 8,5%. Rendimentos mais baixos foram obtidos nos níveis mais altos e mais baixos de umidade. Além disso, foi observado que a força de esmagamento dos briquetes aumentou à medida que o teor de umidade diminuiu. 3.2.4 A Presença de Ar no Briquetes A presença de ar, que fica aprisionado dentro do material durante a compressão e é liberado após o término da pressão externa, representa um fator limitante na eficácia do processo de compactação do material a ser prensado. Isso resulta na formação de briquetes porosos, que possuem menor resistência e, possivelmente, não atendem às especificações exigidas. Conforme observado por Bizhanov & Chizhikova (2020), a presença de aglutinante dificulta a remoção do ar dos briquetes, uma vez que o aglutinante preenche uma proporção significativa dos poros. Para evitar esse problema, é crucial assegurar a remoção máxima de ar da mistura a ser briquetada. Isso pode ser alcançado reduzindo a taxa de compressão do material, o que facilita a liberação do ar dos espaços porosos durante a compactação. A diversificação no tamanho das partículas também desempenha um papel importante na eliminação do ar do material. Nesse caso, as lacunas entre as partículas maiores são preenchidas por partículas menores, tornando mais fácil a liberação do ar retido durante o processo de compressão do material. 3.2.5 Tamanho das Partículas De acordo com Kurunov & Bizhanov (2014), o tamanho máximo de partícula recomendado para a briquetagem por rolo geralmente fica na faixa de 5 - 6 mm. Entretanto, a presença de partículas menores, favorecida pela multifracionalidade, pode contribuir significativamente para a eficiência do processo. Isso ocorre ao preencher os espaços entre as partículas maiores e promover o deslocamento de ar. Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 16 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ Além disso, segundo Olugbade & Ojo (2021), aumentar a porcentagem de partículas pequenas e finas preenche os espaços entre as partículas maiores, resultando em uma maior área de contato entre as partículas e, consequentemente, em uma formação mais robusta de ligações, o que leva a um aumento na resistência à compressão. Um estudo conduzido por (Li et al., 2021), utilizando microscopia eletrônica de varredura (MEV), analisou a microestrutura de dois conjuntos de amostras de briquetes fabricados a partir de minérios de ferro com granulometrias diferentes. Os resultados indicaram que o briquete produzido com minério de ferro de granulometria heterogênea apresentou resistência superior nos testes de queda em comparação com os briquetes feitos com minério de ferro de granulometria homogênea. Yu et al. (2013) analisaram a influência do tamanho das partículas minerais na resistência ao impacto e à compressão de briquetes compostos por minério de ferro e carvão demonstrou que a resistência dos briquetes aumentou à medida que o tamanho das partículas de minério de ferro diminuiu. Especificamente, quando o tamanho das partículas de minério de ferro diminuiu de -4 mm para -0,1 mm, mantendo o tamanho do carvão em -1 mm, a resistência do briquete composto aumentou em 10 vezes na resistência ao impacto e atingiu 229,7 N por briquete na resistência à compressão. Esses resultados destacam a influência do tamanho das partículas na qualidade e desempenho dos briquetes. É importante ressaltar que o tamanho das partículas também afeta a quantidade de aglutinante ou ligante necessária para produzir briquetes com boa resistência mecânica. Isso ocorre porque, quanto menor o tamanho da partícula, maior será a sua área superficial específica, o que aumenta a demanda por ligante durante a formação dos briquetes. Estudos indicam que, no caso de briquetes contendo minério de ferro, o tamanho das partículas minerais não apenas influencia as características mecânicas, mas também exerce um impacto significativo na cinética e termodinâmica durante a pirolise. Zheng et al. (2018) investigaram os efeitos do tamanho de partícula do minério de ferro em briquetes compostos por minério de ferro e carvão. Eles analisaram três faixas de tamanhos de partículas distintas Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 17 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ (0,50 - 1,00 mm, 0,25 - 0,50 mm ede aderência do briquete com a superfície da célula for maior do que sua resistência à tração, o briquete se romperá em duas metades que permanecerão dentro das células (Bizhanov & Chizhikova, 2020). O efeito do atrito entre as partículas e as paredes da matriz representa a principal causa da não uniformidade observada nos briquetes (Rahman et al., 1989). Conforme destacado por Crawford (1982), o atrito entre as partículas e a parede do molde exercem uma influência significativa na variação dos parâmetros relacionados ao estado de tensão-deformação dos briquetes moldados, tanto durante o processo de compactação primária quanto na subsequente ejeção da peça do molde. Uma consequência direta dessa variação reside na distribuição desigual da densidade e resistência do material do moldado ao longo da seção transversal dos briquetes, além da ocorrência de aperto residual, que, em determinadas situações, resulta na formação de defeitos, como rachaduras na superfície lateral (Barsukov et al., 2017) . Embora essas variações sejam indesejáveis, são inevitáveis, já que mesmo em moldes lubrificados ainda haverá alguns efeitos de fricção. Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 18 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ Na produção de briquetes sem aglutinantes, a força de atrito se torna ainda mais importante e é comum a utilização de lubrificantes, como água, grafite e outros, para reduzir o atrito entre as partículas e também entre os briquetes e os rolos (Carvalho & Brinck, 2010). 4. Aglomerantes Ligantes ou aglomerantes são substâncias que são adicionadas à mistura com a finalidade de promover ou facilitar a união das partículas minerais necessários para a formação do agregado. A resistência do briquete, a estabilidade térmica, o desempenho da combustão e o custo dependem da qualidade do aglutinante do briquete (Bizhanov & Chizhikova, 2020; Borowski et al., 2017; Pietsch, 2003). De acordo com Zhang et al. (2018), em geral, as propriedades necessárias de um aglutinante para briquetes podem ser resumidas da seguinte forma: a) forte adesão, b) livre de poluição, e) ambientalmente aceitável e f) economicamente disponível. Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas que desejam substituir a produção de pelotas de minério de ferro por briquetes com cura “a frio” ou a baixa temperatura é encontrar um ligante que permita a produção de briquetes dentro das específica ações exigidas pelo mercado. Além disso, é importante considerar a disponibilidade e viabilidade de obtenção do ligante na região onde os briquetes são produzidos. De acordo com Qiu et al. (2003), um aglomerante de alta qualidade deve atender a diversos requisitos. Além de garantir uma resistência mecânica adequada aos aglomerados, é essencial que ele não contenha elementos prejudiciais ao meio ambiente e à metalurgia. É de suma importância que o aglomerante não comprometa significativamente a qualidade do ferro nem aumente a presença de impurezas, como sílica. Além disso, o aglomerante deve preservar as excelentes propriedades metalúrgicas dos briquetes, tais como redução, expansão e queda de pressão durante o processo de redução. A quantidade de aglomerante necessária para fazer briquetes com boa resistência mecânica depende, entre outros fatores, da característica do material a ser briquetado, do ligante utilizado, da área superficial específica do material e Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 19 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ da distribuição granulométrica na mistura. Quanto mais fino o material a ser briquetado, maior a área superficial específica e, portanto, maior a quantidade de ligante necessária para produzir briquetes de boa qualidade. A distribuição do ligante na estrutura do aglomerado pode ser categorizada em três tipos principais, conforme descrito por Pietsch (2008): 1. Tipo Filme: estes aglomerantes são geralmente líquidos que envolvem as partículas ou são atraídos para os pontos de coordenação, formando pontes entre elas. Esses ligantes desempenham um papel crucial na manutenção da coesão entre as partículas, principalmente devido à tensão superficial. Em sua aplicação, normalmente requerem apenas pequenas adições, e a porosidade e a área de superfície livre dos aglomerados permanecem praticamente inalteradas. Um exemplo clássico de aglomerante desse tipo é a água; 2. Tipo Matriz: estes aglomerantes preenchem todo o espaço poroso do aglomerado, resultando em uma significativa redução na porosidade e na área de superficial específica. Um exemplo típico é o cimento, um aditivo que forma uma matriz sólida. Embora água e outros líquidos possam temporariamente atuar como aglomerantes tipo matriz em aglomerados úmidos completamente saturados, esse é um mecanismo de ligação transitório, pois o líquido naturalmente evapora ou é removido durante uma etapa de cura, permitindo que os poros se abram novamente e as superfícies fiquem acessíveis; 3. Tipo Químico: aglomerantes como silicato de sódio e lignossulfonatos interagem de forma química com vários componentes da mistura. Essas reações químicas podem resultar em produtos finais de alta resistência, incluindo ligações à prova d'água. Os aglomerantes utilizados na briquetagem podem ser classificados em dois grandes grupos: aglomerantes orgânicos e aglomerantes inorgânicos (Pietsch, 2008; Zhang et al., 2018).. Essa classificação se baseia na natureza química dos aglomerantes e nas fontes de onde são derivados. Pietsch (2008) lista exemplos de ligantes orgânicos e inorgânicos utilizados em aglomeração de materiais, conforme apresentado na Tabela 1. A escolha entre o tipo de Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 20 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ aglomerantes dependerá das propriedades desejadas para os briquetes e das características do material a ser briquetado. Cada tipo de aglomerante possui suas vantagens e considerações específicas em termos de custo, disponibilidade, propriedades dos briquetes e impacto ambiental, devendo ser selecionado de acordo com as necessidades e exigências da aplicação. 4.1 Aglomerantes Orgânicos Os aglomerantes orgânicos proporcionam diversas vantagens, tais como uma excelente capacidade de ligação, eficaz desempenho de combustão e baixos teores de cinzas. Além disso, eles têm a capacidade de queimar sem deixar resíduos no aglomerado, o que implica na ausência de contaminações no produto final. Em geral, como demonstrado na Tabela 2 (Halt & Kawatra, 2014), os aglomerantes orgânicos perdem de 85% a 100% de sua massa a 1.000°C. Sendo assim, também é importante destacar que esses ligantes orgânicos, por terem a propensão de se decompor e queimar facilmente quando submetidos ao calor, podem resultar em uma resistência mecânica e estabilidade térmica relativamente inferiores nos briquetes, além de terem um custo mais elevado (Zhang et al., 2018). Tabela 1 – Exemplos de ligantes orgânicos e inorgânicos que foram previamente utilizados em aglomeração de materiais. Ligantes Orgânicos Ligantes Inorgânicos Ácido Húmico Água Albuminatos Alúmen Álcoois Alumina Alcatrão de Carvão Argilas Alginatos Bentonita Amidos Cal CMC (Carboximetilcelulose) Cloreto de Magnésio Caseínas Cimento Cera de Carnaúba Dolomita Compostos de Celulose Fibras metalicas Gelatina Gesso Gomas naturais Óxidos de Magnésio lignosulfonato Sílica Maltose Silicatos Alcalinos MelaçoSoda Cáustica Óleos Parafina Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 21 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ Piche de Petróleo Produtos de madeira Resinas Naturais Sacarose Fonte: Pietsch (2008). Tabela 2 – Comportamentos de diferentes ligantes orgânicos, em combustão. Aglomerante Perda por ignição (% em relação ao peso incial) 300 °C 1000 °C Derivados de celulose 34-53 83-95 Polímeros naturais 67-85 91-100 Derivados de madeira 51-85 86-96 Amido 51-91 87-100 Derivados de carvão 12-31 65-78 Fonte: Halt & Kawatra, (2014 4.2 Aglomerantes Inorgânicos Um ligante inorgânico para briquetes industriais deve atender a certos requisitos, tais como: boa disponibilidade, ter baixo custo e não gerar poluição. Pesquisas têm indicado que materiais inorgânicos, como argila bentonítica, silicato de sódio e cloreto de magnésio, que possuem boas propriedades de aderência, são opções adequadas para serem usadas como ligantes em briquetes industriais (Bizhanov & Chizhikova, 2020; Halt & Kawatra, 2014; Zhang et al., 2018). A bentonita, um aglutinante inorgânico com uma longa história de uso tradicional na produção de pelotas de minério de ferro, mantém sua posição dominante no mercado de ligantes para minério de ferro. Como indicado por Halt e Kawatra (2014), a bentonita está presente em aproximadamente 90% das pelotas de minério de ferro fabricadas nos Estados Unidos. No entanto, devido às suas numerosas impurezas, é crucial exercer um controle cuidadoso sobre a quantidade aplicada. Geralmente, uma fração abaixo de 0,7% em massa de bentonita é considerada apropriada para a aplicação (Pietsch, 2008). 5. Parâmetros de Qualidade de Briquetes A qualidade dos aglomerados de minério de ferro produzidos revela-se sensivelmente influenciada por três fatores cruciais, conforme destacado por Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 22 BRIQUETAGEM DE MINÉRIO DE FERRO: UMA REVISÃO ____________________________________________________________________________ Panigrahy et al. (1990): a composição intrínseca do minério utilizado, os aditivos que permeiam o processo e os tratamentos térmicos que se sucedem. Em virtude da ausência de uma normatização específica voltada à avaliação dos padrões de excelência dos briquetes de minério de ferro, é prática corriqueira valer-se das orientações específicas direcionadas à avaliação de minério de ferro e pelotas de minério de ferro. Tais orientações, em virtude da afinidade de finalidade que compartilham com os briquetes – o suprimento da indústria siderúrgica –, são empregadas como balizas orientadoras. Subsequente a esta abordagem, são delineadas as principais normas que regem o processo: • ISO 4701 – Determinação de granulometria por peneiramento; • ISO 4700 – Determinação de Resistência à Compressão. Indica a capacidade das pelotas para suportar a carga durante o armazenamento e a manipulação e a carga de material de carga no alto-forno necessária para causar quebras das pelotas; • ISO 3271 – Determinação da resistência à abrasão e ao tamboramento. Esses índices são utilizados para avaliar a resistência das pelotas ao atrito durante transporte e manuseio. Nesses ensaios mede-se a porcentagem de finos gerados por uma dada amostra de pelotas quando submetida a rolamentos dentro de um tambor de dimensões padronizadas; • ISO 7215 – Determinação da redutibilidade pelo índice do grau de redução final; • ISO 4696-2 – Determinação dos índices de desintegração sob redução a baixa temperatura pelo método estático; • Teste de resistência a queda: procedimento usado para determinar a capacidade das pelotas de resistirem a quedas e impactos durante o manuseio e transporte 6. Considerações Finais A briquetagem tem se destacado como uma solução eficaz e com potencial transformador na indústria de mineração e metalurgia, com sua capacidade de agregar valor aos finos de minérios concentrados, resíduos de minério e contribuir para a sustentabilidade ambiental. A compreensão Revista Foco |Curitiba (PR)| v.16.n.12|e3432| p.01-25 |2023 23 Marina Filizzola Melquiades de Oliveira, Elenice Maria Schons Silva, Fernando Soares Lameiras, Leone Freire da Silva, André Carlos Silva ___________________________________________________________________________________ aprofundada dos fatores que influenciam a qualidade dos briquetes, como a natureza do minério, os aditivos, em especial os aglomerantes, empregados e os processos de cura, abre caminho para otimizações cada vez mais precisas e inovações nesse campo. Com o contínuo desenvolvimento nesses processos, a briquetagem tem o potencial de, não apenas otimizar processos industriais, mas também de contribuir para um setor mais sustentável e eficiente, alinhado com as demandas contemporâneas por práticas ambientalmente responsáveis e eficazes. REFERÊNCIAS BARSUKOV, Viktor Vladimirovič et al. Express evaluation method of internal friction parameters in molding material briquettes. 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