Prévia do material em texto
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA Disciplina de Microbiologia FUNGOS Dermatófitos Profª Núbia C. Weber Freitas Fungos Dermatófitos Gêneros Microsporum e Trichophyton Dermatófitos: São mofos capazes de parasitar apenas estruturas epidérmicas queratinizadas: superfície da pele, pelos, penas, chifres, cascos, garras e unhas. A infecção causada por dermatófito é denominada tinha, tinea ou dermatofitose. A pele é o espelho da saúde! Morfologia: Em sua condição não parasitária, inclusive em meio de cultura, os dermatófitos produzem hifas ramificadas septadas, coletivamente denominadas micélio. As unidades de reprodução assexuada (conídios) estão presentes no micélio aéreo e podem ser: macroconídios: estruturas multicelulares semelhantes a vagem com até 100 µm de comprimento; ou microconídios: esferas ou bastonetes unicelulares menores que 10 µm de tamanho. Formato, tamanho, estrutura, organização e abundância de conídios são critérios para o diagnóstico. As características para diferenciação dos três gêneros de dermatófitos – Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton – estão reunidas no Quadro 1. Apenas Microsporum e Trichophyton infectam, consistentemente, os animais. Epidermophyton é constatado principalmente em seres humanos. 4 Características dos gêneros de dermatófitos Resistência: Os dermatófitos são sensíveis aos desinfetantes comuns, especialmente os que contêm cresol, iodo ou cloro. Sobrevivem anos em ambientes inanimados. Variabilidade: Há várias cepas de espécies de Microsporum e Trichophyton, tornando difícil a preparação de produtos de imunização efetivos. Utilizam de Tecidos Queratinizados para o seu crescimento Dermatofitose Micose Cutânea Dermatofitose Os três tipos de fungos mais comum são: Microsporum canis Tricophyton mentagrophytese Microsporum gypseum. Em geral, o M. canis é a causa mais comum de dermatofitose nos animais, correspondendo a 80% dos casos nos cães e a 98% nos gatos. 8 Ecologia - Reservatório Transmissão Os dermatófitos se disseminam por meio de contato direto e, em razão de sua persistência em fômites e nas instalações, por meio de contato indireto. Patogênese Mecanismos: As enzimas proteolíticas (elastase, colagenase, queratinase) podem determinar a virulência, especialmente no caso de doença inflamatória grave. A instalação na epiderme queratinizada tem sido atribuída à carência de ferro disponível em outras partes. Patogênese A unidade infectante, o conídio, penetra no estrato córneo. A germinação do conídio é estimulada, o tubo germinativo se desenvolve na ramificação da hifa em contato com o epitélio cornificado. Partes da hifa se diferenciam em artroconídios. Esse padrão de multiplicação na pele alopécica predomina em algumas infecções causadas por dermatófitos (Microsporum nanum e Trichophyton rubrum). A invasão de pelos, evidente na maioria das tinhas de animais, inicia-se com a germinação de um esporo próximo a um orifício folicular. 11 Patogênese Filamentos de hifas crescem nos folículos pilosos, ao longo das bainhas externas das raízes, e invadem os pelos em crescimento próximos às células vivas das raízes. As hifas crescem no córtex dos pelos, em cujas partes externas os artroconídios se formam e se acumulam na superfície dos pelos. O padrão de acúmulo de artroconídios na parte externa da bainha dos pelos é denominado ectotrix. O acúmulo de artroconídos na parte interna da bainha dos pelos é denominado endotrix. As hifas crescem centrifugamente a partir de uma lesão inicial em direção à pele normal produzindo lesões circulares típicas. 12 14 Importantes dermatófitos de animais. Patogenia PARASITAS DO ESTRATO CÓRNEO DA EPIDERME QUERATINA Estabelecimento da Infecção Predisposição do Hospedeiro Conformidade Concomitantes Estado Hormonal Estado Nutricional Erupção papular Pápulas crostosas Alopecia e descamação CONDIÇÕES AMBIENTAIS FAVORÁVEIS E pH ALCALINO Contato direto Artroconídios são liberados no ambiente contaminando novos animais 16 Patologia A enfermidade inicia com a colonização, durante a qual ocorrem os eventos mencionados, mas induz pequena resposta do hospedeiro. É possível observar hipertrofia do estrato córneo com rápida queratinização e esfoliação, conferindo uma aparência escamosa e perda de pelos. Nos cães infectados por M. canis, com frequência, é o efeito principal. Gatos adultos podem não manifestar sintomas. Sabe-se que os gatos adultos albergam esporos de M. canis na pele, sem exibir quaisquer sinais clínicos ou lesões de tinha. 17 Patologia A segunda fase da doença se inicia, aproximadamente, na segunda semana da inflamação, na margem da área parasitada. Os sintomas variam de eritema a reações vesículo- pustulares e supuração. Apresentações discretas são observadas na infecção causada por Trichophyton verrucosum, em bezerros. Reações graves são típicas de infecção por T. mentagrophytes, em cães, e por Microsporum gypseum, em equinos. Patologia Placas locais (“quérion”) podem se assemelhar a alguns tumores cutâneos, especialmente em cães. A reação inflamatória pode interromper a infecção fúngica e torna-se o principal problema em decorrência da infecção bacteriana supurativa secundária. O padrão circular das lesões e suas margens inflamadas sugerem os termos ringworm (tinha, em português) e tinea (termo latino para parasita). Padrões de doença Os padrões de dermatofitose em animais domésticos estão resumidos no Quadro 3. Em geral, a tinha regride espontaneamente dentro de algumas semanas ou meses, a menos que complicada por infecção bacteriana secundária ou por fatores constitucionais corporais. Os microrganismos podem persistir após a cura clínica. Importantes infecções por dermatófitos em animais domésticos. Dermatofitose Afetam o extrato córneo e/ ou tecidos queratinizados, como pelos, unhas, cascos e penas. São micoses de grande importância em saúde pública, uma vez que são consideradas zoonoses. As lesões circulares (tinhas, peladeira) típicas ocorrem devido a reação do organismo hospedeiro aos produtos metabólicos dos fungos para a periferia da lesão. Dermatofitose A infecção pode ocorrer em qualquer idade, embora os gatos jovens sejam mais comumente afetados que os gatos mais velhos, assim como em pacientes imunodeprimidos. Gatos de pelo comprido têm uma maior predisposição para esta doença, devido a uma maior dificuldade de remoção dos esporos do fungo durante a higiene diária. Os Persas e os Yorkshires são predispostos à doença. FIV, conhecido como o HIV felino, é o vírus da imunodeficiência felina, tornando o gato mais suscetível a infecções secundárias. Já a FeLV é o vírus da leucemia felina, que compromete o sistema imunológico dos animais” Crescimento demasiado dos pelos para isolamento térmico Trocas metabólicas favorecem a criação de microclima favorável DESENVOLVIMENTO DO FUNGO Épocas frias e chuvosas Dermatofitose Agente Etiológico Microsporum Trichophyton Epidermophyton Por permanecer na forma de ARTROCONÍDIOS no ambiente, facilita o contato com diversas espécies Artrósporo ou artroconídio = esporo formado pela desarticulação da hifa de fungos filamentosos ou leveduras. Epidemiologia Aglomeração Umidade Calor Estresse Estado Imunológico Reservatórios (contém roedores) Solo Escovas, pentes, cama.. Cosmopolitas Sapróbia Patogênica Fômites OU Transmissão é feita por contato direto Sinais Clínicos FUNGO HOSPEDEIRO Erupção Papular Pêlos Papulas Crostosas Áreas Alopécicas Diagnóstico Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicosde Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 O patógeno se adere à superfície dos tecidos queratinizados, o artroconídio germina e a hifa penetra então rapidamente no estrato córneo, evitando que o fungo seja eliminado com a descamação do epitélio. Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Vacina?????? Tratamento e controle Com frequência, prefere- se a combinação de tratamento sistêmico e aplicação tópica. Os medicamentos antifúngicos tópicos incluem, mas não se restringem a, produtos que contêm miconazol, econozol, cetoconazol, itraconazol e tiobendazol. Terbinafina (um antifúngico alilamina que inibe a biossíntese de ergosterol e se concentra na pele e nas unhas), fluconazol e itraconazol (eficaz especialmente em gatos) são fármacos de escolha e podem ser uma alternativa valiosa. Spray antifúngico de uso em pomar é efetivo no tratamento de tinha em grandes e pequenos animais (Captan ® 45%, em pó: 2 colheres de sopa/3,8 l). Inicialmente, faz-se tricotomia das regiões acometidas. Em animais de grande porte, recomendam-se duas aplicações, com intervalo de 15 dias. Em cães, pode-se repetir o banho de imersão semanalmente, até se obter o efeito desejado. Evitar o contato com pele humana. Tiabendazol é utilizado em animais de pequeno e grande portes. Imersões em cal sulfurada, associadas ao uso sistêmico de miconazol ou outros azóis, são efetivas. Iodopovidona (Betadine ® ) e clorexidina (Nolvasan ® ), disponíveis nas apresentações de loção e unguento, são antissépticos de uso geral com ação antifúngica. É fundamental a limpeza completa das instalações com desinfetante que contenha iodo, cloro ou fenol. Os utensílios e equipamentos são desinfetados com spray de uso em pomar, Captan ® ou Bordeaux ® . Em canis e gatis, a identificação de indivíduos portadores pode ser feita por meio de cultura de escovas. A lâmpada de Wood é útil como teste de triagem em população de colônias de gatos em que M. canis é a única preocupação. Os indivíduos infectados devem ser isolados e tratados. Os animais expostos ao microrganismo devem ser submetidos a tratamento profilático. Vacinação efetiva é amplamente empregada em bovinos europeus. Uma cepa viva atenuada (T. verrucosum) parece ser mais imunogênica. Vacinas vivas atenuadas e vacinas mortas não têm sido efetivas na prevenção de dermatofitose em gatos. Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 Fonte: Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 94 - dezembro de 2019 image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.jpg image17.png image18.png image19.png image20.jpg image21.png image22.jpeg image23.jpeg image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.jpg image30.png image31.png image32.png image33.jpg image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.jpg image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.jpg image49.jpg image50.png image51.png image52.jpg image53.png image54.png image55.png image56.png image57.png image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image66.png image67.png image68.png image69.png image70.png image71.png image72.png