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Airton A. Bauermann Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática AN ÁL IS E DA S DE M ON ST RA ÇÕ ES F IN AN CE IR AS : U M A AB OR DA GE M P RÁ TI CA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira - CRB 8a/4771) Bauermann, Airton A. Análise das demonstrações financeiras : uma abordagem prática / Airton A. Bauermann. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2022. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-3492-7 (ePub/2022) e-ISBN 978-85-396-3493-4 (PDF/2022) 1. Administração financeira 2. Demonstrações financeiras 3. Demonstrações contábeis : Balanços I. Título. II. Série. 22-1593t CDD – 658.1512 657.3 BISAC BUS001010 BUS000000 Índice para catálogo sistemático: 1. Administração financeira : Demonstrações financeiras 658.1512 2. Demonstrações contábeis : Balanços 657.3 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: UMA ABORDAGEM PRÁTICA M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Airton A. Bauermann Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho Coordenação Editorial/Prospecção Dolores Crisci Manzano Ricardo Diana Administrativo grupoedsadministrativo@sp.senac.br Comercial comercial@editorasenacsp.com.br Acompanhamento Pedagógico Otacília da Paz Designer Educacional Hágara Rosa da Cunha Araujo Revisão Técnica Augusto César Freire Silva Preparação e Revisão de Texto AZ Design Arte e Cultura Ltda. 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(11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: http://www.livrariasenac.com.br © Editora Senac São Paulo, 2022 Sumário Capítulo 1 Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos, 7 1 Estrutura das demonstrações e a análise, 8 2 Correlação entre as demonstrações contábeis, 10 3 Objetivos da análise das demonstrações, 22 Considerações finais, 23 Referências, 24 Capítulo 2 Análise vertical e horizontal, 27 1 Análise horizontal, 28 2 Análise vertical, 35 3 Interpretação das análises horizontal e vertical, 40 Considerações finais, 42 Referências, 42 Capítulo 3 Índices de liquidez, 45 1 Indicadores de capacidade financeira, 46 2 Liquidez corrente, 48 3 Liquidez imediata, 51 4 Liquidez seca, 53 5 Liquidez geral, 55 Considerações finais, 59 Referências, 59 Capítulo 4 Estrutura de capital, 61 1 Endividamento, 62 2 Composição do endividamento, 65 3 Imobilização do patrimônio líquido (IPL), 67 4 Imobilização dos recursos não correntes (IRNC), 68 Considerações finais, 71 Referências, 71 Capítulo 5 Análise do capital de giro, 73 1 Capital de giro × liquidez, 74 2 Necessidade de capital de giro (NCG), 78 3 Saldo em tesouraria (ST), 82 4 Análise do CCL, da NCG e do ST, 84 Considerações finais, 87 Referências, 87 Capítulo 6 Índices de atividade, 89 1 Índices de atividade na análise contábil, 90 2 Ciclos econômico, operacional e financeiro, 97 Considerações finais, 100 Referências, 100 Capítulo 7 Índices de rentabilidade, 101 1 Índices de rentabilidade, 102 Considerações finais, 112 Referências, 113 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 6 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Capítulo 8 Mensuração do valor da empresa, 115 1 Os métodos de avaliação da performance das empresas, 116 Considerações finais, 126 Referências, 127 Sobre o autor, 129 7 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 1 Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos O ambiente corporativo é complexo e cheio de surpresas no dia a dia. Pensando nas diversas situações que o gestor pode enfrentar, mais es- pecificamente ligadas à área financeira, esta obra disponibiliza material suficiente para estes enfrentamentos. O primeiro capítulo trata das demonstrações contábeis (DC), ou fi- nanceiras, como muitos as nomeiam, trazendo um apanhado sobre as interligações destas. A estrutura dos demonstrativos será brevemente citada, mantendo o foco na correlação que há entre estes, com exem- plos práticos e de forma bastante didática. Espero que aproveite o conteúdo, servindo este como base para estudos e aplicações na sua atuação profissional. 8 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Estrutura das demonstrações e a análise A área contábil/financeira é, realmente, fantástica! A afirmação é mesmo categórica e taxativa, haja vista a amplitude que ela alcança, os diversos segmentos em que está presente e as inúmeras possibilidades de colaboração para o mundo corporativo e pessoal. Você já parou para pensar que o mundo é movido, essencialmente, pelo capital? Tudo depende do dinheiro. Tudo é executado com a inje- ção de dinheiro. Por isso, não há como deixar de estudar esse assunto e as interconexões que o universo financeiro mantém com tudo e com to- dos. Entender essa relação e saber analisar os dados expostos pode ser um dos diferenciais dos profissionais bem-sucedidos, especialmente os contadores, gestores e administradores. Neste ínterim,capítulo é apresentar tais índices, com suas fórmulas, aplicações e, principalmente, as interpretações que são dadas a cada valor encontrado. A liquidez, como você deve saber, se relaciona com a capacidade de transformar algum bem em dinheiro, em espécie. Ao fazermos as aná- lises utilizando os índices de liquidez, vamos muito além dessa visão, pois serão observadas as razões principais para estes achados. Novamente, os exemplos que são disponibilizados provêm da Bovespa, o que permite analisar empresas que estão ativas em nosso 46 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática meio, as quais você também provavelmente conhece. Então, siga no intuito de ser um bom analista de mercado, utilizando este conhecimen- to para si ou para auxiliar outros a tomarem decisões importantes de investimento. 1 Indicadores de capacidade financeira Provavelmente, um dos indicadores que mais constam em relatórios gerenciais é o de liquidez. Liquidez, de acordo com o Dicionário Priberam (DPLP, 2021), é a “capacidade para dispor imediatamente de dinheiro ou para fazer pagamentos”, além de outros significados paralelos. Perceba, então, que se há dinheiro disponível, uma empresa tem maior liquidez. Na verdade, não é bem assim. Vamos explicar melhor: se uma com- panhia dispõe de capital e este está depositado em alguma instituição bancária, não é garantia de que o dinheiro será suficiente para quitar todas as obrigações que tenha. Se lembrarmos o conceito de patrimô- nio, devemos considerar que ele é o resultado de uma conta básica: Bens + Direitos – Obrigações. A partir do cálculo para encontrar o patrimônio líquido, devemos con- siderar que os bens, somados aos direitos, podem ser inferiores aos valores de compromissos assumidos com terceiros. Esses “terceiros” são os fornecedores, os salários a pagar, os empréstimos, os tributos e impostos a recolher, além de tantas outras obrigações. Diante disso, afirmar que uma empresa que dispõe de certos valores monetários em um certo momento apresenta uma liquidez boa é ex- tremamente imprudente. Assim, estudar esses conceitos de índices de liquidez serve para ampliarmos, e muito, a visão sobre capacidade de pagamento. Cada índice tem sua fórmula específica e utilidade distinta, conforme veremos a partir de agora. 47Índices de liquidez M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Vamos a um exemplo para elucidar este indicador usando os dados de uma empresa muito conhecida, a Monark, uma das principais fabri- cantes de bicicletas do Brasil. Tabela 1 – Balanço patrimonial Bicicletas Monark S.A. (2018 a 2020) – (R$ mil) DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Ativo total 216.484 220.646 203.106 Ativo circulante 165.455 164.870 165.948 Caixa e equivalentes de caixa 153.406 148.804 150.534 Contas a receber 6.031 5.491 4.875 Estoques 5.281 7.234 5.583 Tributos a recuperar 635 3.266 4.878 Despesas antecipadas 102 75 78 Ativo não circulante 51.029 55.776 37.158 Ativo realizável a longo prazo 46.288 47.558 36.787 Imobilizado 4.741 8.218 371 Passivo total 216.484 220.646 203.106 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331 Obrigações sociais e trabalhistas 563 499 449 Fornecedores 1.555 2.091 1.316 Obrigações fiscais 216 237 335 Empréstimos e financiamentos 1.865 2.283 0 Outras obrigações 1.026 918 1.231 Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301 Empréstimos e financiamentos 2.686 5.689 0 (cont.) 48 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Tributos diferidos 14.497 14.747 11.336 Provisões 3.620 3.870 3.965 Patrimônio líquido 190.456 190.312 184.474 Capital social realizado 133.010 133.010 133.010 Reservas de lucros 29.306 28.677 29.459 Ajustes de avaliação patrimonial 28.140 28.625 22.005 Fonte: adaptado de Monark S.A. (2021). Na tabela 1 temos o balanço patrimonial da Monark, sendo este o único demonstrativo utilizado para os cálculos de liquidez. Os itens em destaque (negrito) são os utilizados nas fórmulas dos indicadores de liquidez. 2 Liquidez corrente A liquidez corrente (LC), como o próprio nome sugere, tem a ver com valores circulantes, também chamados de capitais correntes, aqueles que têm realização ou exigibilidade até o final do exercício social seguin- te. Portanto, a liquidez corrente é a medida de capacidade financeira para quitar com os valores circulantes, caso fosse necessário, obriga- ções também circulantes. Podemos resumir com a fórmula apresenta- da a seguir: Liquidez Corrente = Ativo Circulante Passivo Circulante O ativo circulante abrange o Caixa e equivalentes de caixa, os Estoques, as Contas a receber e outros bens e direitos realizáveis em curto prazo. Já o passivo circulante contém aquelas contas exigíveis em 49Índices de liquidez M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. curto prazo, tais como Fornecedores, Salários a pagar, Impostos e de- mais obrigações sociais, entre outras. O resultado da equação sempre será um valor decimal, pois é apenas a divisão entre valores monetários. A tabela 1 apresenta o balanço patrimonial da Bicicletas Monark S.A., reduzido para apenas Monark neste capítulo. A seguir, as fórmulas ga- nharam números, os quais estão dispostos nas colunas de 2018, 2019 e 2020, respectivamente. Veja como ficou a liquidez corrente (LC) nos anos relatados na tabela 1 a seguir: Tabela 1 – Cálculo liquidez corrente Ativo circulante 165.455 164.870 165.948 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331 LC (2018) = 165.948 = 49,82 3.331 LC (2019) = 164.870 = 27,35 6.028 LC (2020) = 165.455 = 31,67 5.225 Como podemos reparar, os índices de liquidez estão bastante ele- vados. Para efeitos comparativos, devemos considerar que índices de liquidez corrente superiores a 1 são considerados os ideais. Se na Monark os índices são muito maiores que 1, isso significa que a em- presa está muito bem financeiramente? Em partes, sim, mas podemos analisar de forma diferente. 50 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Primeiro, vamos explicar os valores encontrados em cada ano: • 2018: o índice encontrado foi 49,82. O que isso representa? A cada R$ 1 de dívida circulante, a Monark tem R$ 49,82 de ativos circulantes. Significa que a empresa tem poucas obrigações de curto prazo a serem pagas e grande volume de bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro, também em curto prazo. Caso a Monark tivesse que pagar toda a exigibilidade corrente,seria possível fazê-lo com os valores que ela detém e ainda so- braria muito. Muito mesmo! Para ser exato, R$ 48,82 a cada real de dívida. • 2019: a liquidez corrente foi reduzida sensivelmente neste ano, passando a 27,35, ou seja, a cada R$ 1 de obrigações de curto prazo, depois de pagas, a empresa ainda teria sobra de R$ 26,35. • 2020: o indicador teve uma evolução em comparação ao ano anterior, chegando a 31,67, o que representa sobra de R$ 30,67 a cada R$ 1 de passivo circulante, caso fosse necessário quitá-lo nesta data. O que podemos depreender destes índices encontrados é que há uma preocupação acentuada em manter caixa para pagamentos, com aplicações financeiras que rendem alguma receita financeira. Esta ati- tude pode significar certa estagnação no mercado, tendo em vista que o capital poderia ser usado em aquisição de imobilizado e expandir a produção. Como conclusão, podemos afirmar que “seu capital circu- lante líquido (CCL) é positivo. Esta robustez financeira, portanto, é re- tratada pelo CCL, que nada mais é do que a diferença entre AC e PC” (BAUERMANN, 2021, p. 53). É bem provável que durante o ano, ou seja, na movimentação diária, esses indicadores não sofram grandes alterações, tendo em vista que ao final de cada exercício os indicadores permanecem elevados. Embora o índice de liquidez corrente esteja bem acima do recomendado, não 51Índices de liquidez M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. é aconselhável tomar decisões somente em função deste resultado. Outros indicadores, somados aos de liquidez, darão maior credibilidade em decisões a tomar. Conforme Almeida (2019, p. 12), “uma análise de liquidez mais adequada seria efetuada por meio de projeções de fluxos de caixa futuros”, o que pode ser bem desempenhado por analistas da área financeira. 3 Liquidez imediata O segundo indicador de liquidez – a imediata (LI) – é aquele que depende apenas dos valores disponíveis para o pagamento das obriga- ções que constam no passivo circulante, caso houvesse essa necessi- dade. Assim, todo o valor que supera o índice 1 do resultado significa sobra de caixa. Sempre vai sobrar? Não, pois algumas empresas têm o caixa (disponível) com valores baixos. Para saber como se compõe e o motivo da composição da conta Caixa e equivalentes de caixa, as notas explicativas geralmente se encarregam de esclarecer. Quanto à fórmula a se utilizar, aí está: Liquidez Imediata = Disponível Passivo Circulante Perceba que apenas o numerador é que mudou; o denominador permanece o passivo circulante. Neste caso, então, as obrigações de curto prazo são confrontadas com as disponibilidades, aqueles valo- res que estão à disposição ou que podem ser disponibilizados com perdas insignificantes, tais como aplicações financeiras com venci- mentos em até 90 dias. Os resultados nos três anos se dão conforme mostrados na tabela 2 a seguir. 52 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Tabela 2 – Cálculo de liquidez imediata Caixa e equivalentes de caixa 153.406 148.804 150.534 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331 LI (2018) = 150.534 = 45,19 3.331 LI (2019) = 148.804 = 24,69 6.028 LI (2020) = 153.406 = 29,36 5.225 Percebemos que os índices de liquidez imediata pouco se alteraram em comparação com a liquidez corrente; isso porque a composição do ativo circulante tem no Caixa e equivalentes sua grande parcela. Se fi- zermos uma análise vertical, veríamos esse percentual em mais de 90% em cada ano. Analisando os índices de liquidez imediata, podemos concluir o seguinte: • 2018: chegar a 45,19 é uma marca surpreendente, que poucas empresas alcançam. Percebemos, pelos ínfimos valores de obriga- ções de curto prazo, que a sobra de caixa seria gigante, neste ano. • 2019: 24,69 foi o índice encontrado. Representa menor sobra de caixa do que o ano anterior, caso fosse necessário quitar suas obrigações de curto prazo nesta data. A cada R$ 1 de dívidas cir- culantes, a Monark ainda teria disponíveis R$ 23,69. 53Índices de liquidez M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • 2020: neste ano, o indicador foi elevado para 29,36, isso porque o passivo circulante reduziu um pouco e o disponível aumentou. Caso fosse exigido, por alguma circunstância, que todos os com- promissos correntes devessem ser pagos ao final de 2020, ainda restariam mais de R$ 28 a cada R$ 1 de dívidas. Diante destes resultados, não se percebem tendências no índice de liquidez imediata, uma vez que foi reduzido em um ano e aumentado no outro. Podemos afirmar que essa empresa, realmente, não tem proble- mas de caixa. Qual a política que a Monark está seguindo para manter níveis tão elevados do disponível não sabemos, mas deve ser em fun- ção de expectativas em relação ao mercado, preferindo, por ora, manter os valores aplicados em instituições financeiras. 4 Liquidez seca Este indicador de liquidez pouco se altera na fórmula da liquidez cor- rente, mas pode ter grandes diferenças em resultados, a depender do montante de estoques que a empresa mantém. Portanto, aqui vai se perceber qual a influência ou dependência dos estoques para a compo- sição do ativo circulante. Muitas empresas, dependendo de seu ramo de atuação, necessitam de grandes estoques; outras podem até não tê-los. Se o estoque for responsável pela maior parte do circulante, pode dificultar o pagamento do passivo circulante. Podemos até imaginar um estoque obsoleto, ou prejudicado por alguma intempérie, e quanto im- pactaria na receita para gerar caixa. A fórmula para encontrar a liquidez seca (LS) é a seguinte: Liquidez Seca = Ativo Circulante – Estoques Passivo Circulante Vamos analisar o caso da Monark, nos três anos, com a aplicação desta fórmula (tabela 3 a seguir). 54 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Tabela 3 – Cálculo de liquidez seca Ativo circulante 165.455 164.870 165.948 Estoques 5.281 7.234 5.583 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331 LS (2018) = 165.948 – 5.583 = 48.14 3.331 LS (2019) = 164.870 – 7.234 = 26.15 6.028 LS (2020) = 165.455 – 5.281 = 30,66 5.225 Se compararmos os resultados de liquidez corrente com os de liqui- dez seca, houve pouca alteração. Por quê? Justamente porque a Monark mantém pouco estoque de produtos. Na verdade, somente com o valor dos estoques, se fosse necessário, daria para quitar todo o passivo cir- culante. Analisando individualmente, a cada ano temos o seguinte: • 2018: no primeiro ano de análise, vemos que esse índice é extre- mamente alto, tendo em vista o baixo estoque e os elevados níveis de caixa e equivalentes de caixa, com a contrapartida de pequeno valor no passivo circulante. Assim, ainda que fosse pagar todos es- ses compromissos, sobrariam R$ 47,14 a cada R$ 1 pago. • 2019: apesar de ser reduzido quase à metadedo ano anterior, esse índice ainda continua altíssimo, evidenciando o pequeno 55Índices de liquidez M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. valor de estoques em relação ao ativo circulante. Neste ano os passivos circulantes aumentaram mais de 80%, mas são valores baixos em sua totalidade. Poderia, caso algum fato exigisse, pa- gar todas as obrigações com terceiros de curto prazo, restando, ainda, R$ 25,15 a cada R$ 1. • 2020: o último ano de análise demonstra que os estoques sem- pre estão em níveis muito baixos, o disponível se mantém elevado e o passivo circulante reduzido. Isso contribui para que o índice de liquidez seca se mantenha em patamares muito altos. Portanto, ao final de 2020 a Monark teria capacidade de pagar suas obri- gações, sem utilizar-se dos estoques, ainda sobrando R$ 29,66 a cada R$ 1 de dívida de curto prazo. Diante disso, percebemos que a liquidez seca é importante, sobretu- do para analisar a dependência dos estoques para uma eventual neces- sidade de quitação dos compromissos assumidos com terceiros, que tenham exigibilidade até os próximos doze meses. Como mencionado anteriormente, há empresas que necessitam de estoques elevados, mas há aquelas que, com o pouco de estoque, conseguem atender à demanda de forma segura. Dependendo do ramo de atividade, essa configuração é distinta. 5 Liquidez geral Considero que esse indicador é um dos mais abrangentes e com me- nor grau de certeza. Vou explicar melhor: para encontrar a liquidez geral (LG), temos no numerador da fórmula a soma entre ativo circulante e o realizável a longo prazo. No denominador, a soma dos passivos circu- lante e não circulante. Até aí parece tudo certo, até porque os valores são facilmente identificáveis. O que pode dificultar a análise tem a ver com os prazos implícitos, tanto no ativo realizável a longo prazo quanto no passivo não circulante. 56 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática O subgrupo realizável a longo prazo estipula algum prazo máximo? Não. O passivo não circulante estipula algum prazo máximo? Também não. Diante disso, é óbvio que o resultado na fórmula vai ser encontrado, pois basta uma divisão para isso. No entanto, a liquidez geral pode es- conder os prazos de realização e de exigibilidades. Podemos até exem- plificar com um realizável a longo prazo de 20 anos e um passivo não circulante com prazo de 5 anos. Neste caso, se nada se alterasse nestes anos nas demais contas do balanço, a exigibilidade de 5 anos poderia ficar comprometida com a realização em apenas 20 anos, formando um lapso temporal de 15 anos entre cobrança e recebimento. É neste sentido que a observação deve ser entendida. Mas essa parece ser a mais improvável situação das empresas, uma vez que há mudanças de cenários a cada ano, fazendo com que os pró- prios índices se alterem também. Conforme Silva (2017), seria bom que se soubesse como se compõem os créditos, quais as finalidades des- tes, assim como do passivo não circulante, podendo determinar melhor prazos para a realização dos tais créditos. Assim, trazemos a fórmula da liquidez geral e a posterior aplicação no exemplo da Monark. Liquidez Geral = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo Passivo Circulante + Passivo não Circulante Aplicando esta aos valores de 2018 a 2020 da empresa em estudo, acompanhe na tabela 4. 57Índices de liquidez M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Tabela 4 – Cálculo de liquidez geral Ativo circulante 165.455 164.870 165.948 Ativo realizável a longo prazo 46.288 47.558 36.787 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331 Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301 LG (2018) = (165.948 + 36.787) = 10,88 (3.331 + 15.301) LG (2019) = (164.870 + 47.588) = 7,00 (6.028 + 24.306) LG (2020) = (165.455 + 46.288) = 8,14 (5.225 + 20.803) Vamos analisar como foi a composição do numerador e do denomi- nador, para se chegar a tais resultados. • 2018: ano com maior liquidez geral (10,88), representando mais de 10 vezes o que se tem (bens e direitos de curto e longo prazo) em relação ao que se deve (obrigações de curto e longo prazo), o que deixa a empresa em uma situação confortável. Assim, caso surgisse algum fato e fosse exigido que todas as dívidas com ter- ceiros devessem ser pagas, a Monark teria totais condições. • 2019: há uma redução neste indicador, mas permanece bastante alto, o que se depreende que não haveria nenhum problema em 58 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática quitar as dívidas antecipadamente, utilizando-se dos valores de bens e direitos de curto e longo prazo. Sobrariam, ainda, R$ 6 a cada R$ 1, neste caso. • 2020: com uma subida do índice de liquidez geral, a situação só melhora neste quesito. Atingir 8,14 realmente não é comum, mas possível, a depender das decisões administrativas e da visão que se tem do negócio. Para finalizar a análise dos índices de liquidez, segue um gráfico com os quatro indicadores e seus respectivos resultados, a cada ano. Esta é uma forma mais ampla de visualizar e, claro, muito mais rápida. Gráfico 1 – Índices de liquidez – Monark (2018 a 2020) 2020 8.14 0.00 LG LS LI LC 10.00 20.00 30.00 40.00 50.00 60.00 2019 2018 7.00 10.88 30.66 26.15 48.14 29.36 24.69 45.19 31.67 27.35 49.82 Fonte: adaptado de Monark S.A. (2021). Percebeu como a visualização de um gráfico facilita a análise? Esse gráfico traduz, em colunas (ou barras verticais), a evolução dos índices de liquidez. Os resultados são, como já mencionado diversas vezes, mui- to acima do que se espera de uma empresa saudável financeiramente. Podemos confirmar que haveria dinheiro, bens e direitos suficientes para quitar qualquer compromisso com terceiros, sejam estes de curto ou de longo prazo. 59Índices de liquidez M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A grande dúvida que pode pairar em nossa mente é: por que a Monark mantém índices de liquidez tão altos? Qual a estratégia aplicada? Não sabemos. O que sabemos, apenas, é que índices de liquidez devem ser observados com muita atenção, não permitindo que a capacidade de honrar os compromissos seja dificultada pela falta de gestão. Considerações finais Índices de liquidez são muito visualizados por usuários interessados em saber a capacidade financeira diante de compromissos assumidos. Bancos, instituições de crédito, fornecedores e outros podem solicitar, para futura aprovação de crédito, tais índices atualizados. Depende, em grande parte, até mesmo a aplicação de juros diferenciados para as em- presas que apresentam melhores índices de liquidez. Afinal de contas,é quase uma garantia de que as futuras obrigações financeiras também poderão ser honradas a tempo. Agora que você já sabe calcular, pode fazer isso onde está desempe- nhando suas atividades. Seu trabalho, sua empresa ou até mesmo as condições de sua casa podem ser analisadas com os índices de liqui- dez. Aproveite o conhecimento e aplique-os. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. BAUERMANN, Airton A. Demonstrações contábeis: indicadores, análise e inter- pretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2021. MONARK S.A. Demonstrações Financeiras Padronizadas. 2021. Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?Numero- SequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso em: 24 nov. 2021. 60 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA (DPLP). Liquidez. 2021. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/liquidez. Acesso em: 24 nov. 2021. SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons- trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. https://dicionario.priberam.org/liquidez 61 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 4 Estrutura de capital Neste capítulo trataremos da composição dos grupos do balanço pa- trimonial em sua estrutura de capital. Para isso, teremos que analisar as fontes de recursos (capital próprio ou de terceiros) e a proporcionalidade de cada uma delas, além de como estas fontes financiam o ativo, princi- palmente o imobilizado, conhecido, ainda, por ativo permanente. Tema extremamente relevante para quem aprecia fazer uma gestão de qualidade, independentemente do porte ou ramo de atividade da em- presa. O leitor tem à disposição exemplos claros e reais de empresas que atuam no Brasil, listadas na Bovespa. Conhecer estes indicadores auxiliará nas tomadas de decisões, especialmente quanto às fontes de capital, trazendo equilíbrio financeiro para a entidade administrada. 62 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Se você examinar a sua situação financeira hoje, exatamente nes- te dia em que você está lendo este material, como diria que ela está? Muitas dívidas de curto prazo? Se sim, prefere pagar em “suaves parce- las” seus compromissos financeiros? Ou você não tem dívida alguma? E a composição dos seus bens e direitos, como está? Resumindo, como se compõem suas dívidas e o seu patrimônio líquido? Perguntas assim podem ser respondidas fazendo uma análise de tudo o que deveria estar registrado em algum lugar, seja em papel, seja em uma planilha eletrônica, seja nas nuvens. O fato é que não se pode controlar e avaliar algo sem haver controles. Se em casa deve ser assim, imagina em uma empresa, onde muitos podem estar envolvidos com a administração e com as operações diárias. Por isso a importância de acompanhar a estrutura de um balanço e analisar o que pode ser ajus- tado para promover melhores resultados. 1 Endividamento Também denominado de endividamento geral (EG), este indicador retrata como estão sendo utilizados os capitais de terceiros, de forma geral, no financiamento dos ativos da empresa. De acordo com Silva (2017) e Martins, Miranda e Diniz (2019), os indicadores de endivida- mento servem para mostrar como são as decisões financeiras quanto à tomada de recursos e sua aplicação. O índice de endividamento, espe- cificamente, não tem um limite considerado sadio para a empresa, ou algum número ideal. Vamos à explicação. Cada empresa tem políticas próprias de contratação de financiamen- tos, caso necessário, e muitas vezes é em função do tipo de atividade explorada. Se analisarmos friamente a utilização de capital de terceiros, aqueles que geralmente têm custo financeiro, podemos inferir que isso seja uma despesa desnecessária. No entanto, a análise não pode ser feita apenas com a visão do custo financeiro, mas também do retorno 63Estrutura de capital M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. que este capital utilizado pode representar, mesmo com os custos agre- gados (a isso damos o nome de alavancagem, tema que será aborda- do mais à frente). Por isso a importância de sempre serem analisados vários indicadores para tomar decisões. Esta é uma situação típica em que os gastos com juros podem ser ínfimos se comparados com as receitas derivadas de financiamentos com terceiros. Como descobrir o nível de endividamento de uma empresa? Algo muito fácil e objetivo. Vamos à fórmula: Grau de Endividamento (GE) = Capital de Terceiros × 100 Patrimônio Líquido Patrimônio líquido é o capital da empresa, dos sócios, dos investi- dores, dos quotistas. Já o capital de terceiros, o numerador da fórmula, é tudo o que não pertence aos sócios. Exemplos disso são todas as contas a pagar: impostos, salários, fornecedores, financiamentos de curto ou longo prazo, e assim por diante. Portanto, todas as contas que pertencem ao passivo circulante e não circulante são capitais de tercei- ros, algumas exigidas dentro do próprio mês, outras podem ter prazos maiores, atingindo até alguns anos. Para exemplificar, a tabela 1 a seguir tem os dados do balanço pa- trimonial da Petrobras, empresa conhecidíssima de todos nós. Não há quem nunca tenha ouvido algo sobre ela. Vamos aos dados. Tabela 1 – BP da Petrobras S.A. 2020 a 2018 (R$ Milhão) DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Ativo total 987.419 926.011 860.473 Ativo circulante 142.323 112.101 143.606 Ativo não circulante 845.096 813.910 716.867 Ativo realizável a longo prazo 104.974 71.306 85.478 (cont.) 64 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Investimentos 17.010 22.166 10.690 Imobilizado 645.434 641.949 609.829 Intangível 77.678 78.489 10.870 Passivo total 987.419 926.011 860.473 Passivo circulante 136.287 116.147 97.068 Passivo não circulante 539.982 510.727 479.862 Patrimônio líquido consolidado 311.150 299.137 283.543 Fonte: adaptado de Petrobras S.A. (2020). Com os valores constantes na tabela 1, vamos demonstrar o resulta- do de cada ano a seguir: GE 2018 = (97.068 + 479.862) × 100 = 203,47% 283.543 GE 2019 = (116.147 + 510.727) × 100 = 209,56% 299.137 GE 2020 = (136.287 + 539.982) × 100 = 217,35% 311.150 Mediante os resultados encontrados, podemos perceber uma ten- dência, ainda que não seja possível determinar seisso já estava acon- tecendo em anos anteriores, pois a análise aqui corresponde a apenas três exercícios sociais (2018 a 2020). 65Estrutura de capital M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O grau de endividamento, conforme aventado anteriormente, mostra a proporcionalidade do capital de terceiros em relação ao capital pró- prio, ou seja, a soma do passivo circulante e não circulante frente ao va- lor do patrimônio líquido. Como vemos, o capital de terceiros correspon- de a mais que o dobro do próprio nos três anos calculados, mostrando, inclusive, uma tendência de aumento deste indicador. O que dizer a respeito? Isso é bom? Naturalmente que uma empresa do porte da Petrobras tem um grupo de administradores que toma deci- sões, apoiados pelo Conselho de Administração, o qual sempre analisa os dados para a tomada de decisões. Como já posto anteriormente, não podemos afirmar que um indicador isoladamente é bom ou ruim sem avaliar outros que o complementam. Dessa forma, um grau de endivi- damento maior que 100% apenas indica a forma que está sendo finan- ciado o ativo e, neste caso, mais de 2/3 o são por capitais de terceiros. 2 Composição do endividamento A composição do endividamento significa literalmente como está composta a dívida com terceiros, ou seja, quanto desta exigibilidade é de curto prazo em relação ao total do exigível. Muitas empresas tentam prolongar o prazo do pagamento destes compromissos, o que caracte- riza uma estratégia para usar o capital tomado e gerar receitas e renda para a empresa e seus sócios. O cálculo para encontrar a composição do endividamento de curto prazo é assim: Composição do Endividamento (CE) = Passivo Circulante × 100 Capital de Terceiros Já que estamos com os dados da Petrobras, seguimos com este cálculo utilizando os dados do balanço patrimonial dos três períodos. Confira a seguir. 66 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática CE 2018 = 97.068 × 100 = 16,82% (97.068 + 479.862) CE 2019 = 116.147 × 100 = 18,53% (116.147 + 510.727) CE 2020 = 136.287 × 100 = 20,15% (136.287 + 539.982) Aqui também podemos perceber uma tendência de alta, pois a com- posição do endividamento de curto prazo partiu de 16,82% em 2018 e chegou a 20,15% em 2020. Significa dizer que a utilização do capital de terceiros de curto prazo – aquele em que é exigido o pagamento em até 12 meses – aumentou. Nenhuma preocupação deve estar relacionada a estes indicadores, pois apenas demonstra que a política da empre- sa ao financiar seus ativos está priorizando dívidas de curto prazo. Por outro lado, o complemento do resultado encontrado para chegar aos 100% corresponde à participação do exigível a longo prazo. Então, em 2018, esse percentual chegou a 83,18% (100% – 16,82%), em 2019 foi 81,47% (100% – 18,53%) e em 2020, 79,85% (100% – 20,15%). A composição de endividamento de curto prazo da Petrobras teve um aumento de quase 20% em 2020 em relação ao primeiro ano de análise. Como podemos encontrar essa variação? Simplesmente divi- dindo 20,15 por 16,82. O resultado (1,1978) é o que representa 2020 sobre 2018, ou seja, variação de 19,78%. O que se assevera, de modo geral, é que quanto menor for a participação do passivo circulante, me- lhor. Neste caso, praticamente 1/5 do capital de terceiros em 2020 era composto pelo circulante. 67Estrutura de capital M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3 Imobilização do patrimônio líquido (IPL) O indicador de imobilização do patrimônio líquido demonstra quanto do patrimônio líquido é utilizado para financiar o ativo permanente. Se o resultado foi inferior a 100%, indica que o ativo permanente é financiado na sua totalidade pelo patrimônio líquido e ainda há sobra de capital pró- prio. Se for maior que 100%, o valor do PL não é suficiente para bancar com o ativo permanente, necessitando também de capital de terceiros. O grupo do ativo permanente, embora esse termo não faça mais par- te do balanço patrimonial, é constituído pelos investimentos, imobiliza- do e intangíveis, todos com baixa liquidez, ou seja, não existe, a priori, prazo para venda ou transferência destes bens tangíveis e intangíveis e transformá-los em dinheiro (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2019). Nestes grupos estão os imóveis, automóveis, equipamentos, investimentos di- versos (até mesmo em ações de outras empresas), além do intangível, que abrange marcas, patentes, softwares e outros itens. Dessa forma, o indicador de imobilização do patrimônio líquido é dado pela fórmula a seguir: Imobilização do PL (IPL) = Ativo Permanente × 100 Patrimônio Líquido ou, ainda: Imobilização do PL (IPL) = (ANC – ARLP) × 100 Patrimônio Líquido Como sabemos, se do ativo não circulante (ANC) deduzimos o ativo realizável a longo prazo (ARLP), resta o subgrupo dos “Is”, ou seja, in- vestimento, imobilizado e intangível – ou ativo permanente! Afirmar que quanto menor este indicador é melhor pode ser uma falácia, pois algu- mas empresas carecem de um ativo permanente elevado, enquanto ou- tras não. E é exatamente este item que merece uma análise criteriosa. 68 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Agora, aplicando os dados que temos do balanço da Petrobras na fórmula, vamos entender melhor. Vejamos como ficam: IPL 2018 = (10.690 + 609.829 + 10.870) × 100 = 222,68% 283.543 IPL 2019 = (22.166 + 641.949 + 78.489) × 100 = 248,25% 299.137 IPL 2020 = (17.010 + 645.434 + 77.678) × 100 = 237,87% 311.150 Diferentemente dos dois indicadores já analisados, o IPL não apre- senta tendência, tendo em vista que no segundo ano aumentou, mas no terceiro reduziu. Em 2019 o principal item responsável pelo aumento do indicador foi o intangível, que passou de R$ 10.870 para R$ 78.489, fruto da adequação às Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC TG 06, que contêm as regras sobre o arrendamento mercantil. Não foi o único, mas foi o principal, pois os demais itens também aumentaram em 2019. Em 2020, pouca coisa mudou, mas o mais relevante foi a queda do valor dos investimentos, em torno de R$ 5 mil (lembre-se de que todos os valores foram divididos por um milhão). Informações relevantes a respeito de variações patrimoniais e composição do balanço são dispo- nibilizadas nas notas explicativas, sendo de grande valia para entender os indicadores e suas especificidades. 4 Imobilização dos recursos não correntes (IRNC) Os recursos não correntes, conforme subtítulo, são as fontes de capital que não são exigíveis a curto prazo, ou seja, são valores não 69Estrutura de capital M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. circulantes.Neste sentido, só podem estar contemplados neste critério os grupos do patrimônio líquido e do passivo não circulante. A imobili- zação dos recursos não correntes, portanto, diz respeito a quanto des- tes correspondem ao valor investido no ativo permanente (investimen- tos, imobilizado e intangível). Como regra geral, quanto menor, melhor. Vamos à fórmula: Imobilização dos RNC (IRNC) = Ativo Permanente × 100 Patrimônio Líquido + PNC A Petrobras novamente entra em cena quando usamos os dados do balanço de 2018 a 2020 desta empresa. IRNC 2018 = (10.690 + 609.829 + 10.870) × 100 = 82,71% (283.543 + 479.862) IRNC 2019 = (22.166 + 641.949 + 78.489) × 100 = 91,69% (299.137 + 510.727) IRNC 2020 = (17.010 + 645.434 + 77.678) × 100 = 86,96% (311.150 + 539.982) O indicador calculado também não apresenta tendência, pois em 2019 aumentou 10,85%, mas em 2020 este percentual caiu 4,7 pontos percentuais (p.p.). Estes resultados demonstram que o ativo permanen- te é financiado por recursos não correntes, não necessitando de capital de curto prazo para tal finalidade. Desse modo, além de financiar o ativo permanente, os recursos não correntes contribuem como fontes de ca- pital para outros ativos. Depois dessas análises com cada indicador isolado, vamos apresen- tar um gráfico com os quatro indicadores lado a lado, o que contribui na visualização destes percentuais a cada exercício social. 70 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Gráfico 1 – Índices de estrutura de capital – Petrobras S.A. (2020 a 2018) 2020 2019 2018 0 217.35% GE 50 100 150 200 250 300 CE IPL IRNC 209.56% 203.47% 20.15% 18.53% 16.82% 237.87% 248.25% 222.68% 86.96% 91.69% 82.71% Fonte: adaptado de Petrobras S.A. (2020). Finalizando o capítulo, vamos apresentar um relatório exibindo como se comportou a Petrobras no período de 2018 a 2020 quanto aos índi- ces de estrutura de capital. A Petrobras S.A. tem apresentado indicadores típicos de uma empre- sa com grandes ativos; mais especificamente os ativos permanentes. A situação encontrada mostra que o capital próprio é inferior ao capital de terceiros em todo o tempo analisado, superando os valores em mais de duas vezes, nos três anos. A composição do endividamento mostra que os passivos circulantes representam em torno de 16% a 20% no período analisado, demonstrando claramente que a preocupação é financiar os ativos com capital exigível a longo prazo. Quanto à imobilização do pa- trimônio líquido, os valores do permanente superam o patrimônio líquido em todos os anos analisados, e o que se conclui é que capitais de tercei- ros foram utilizados em grande medida para financiar o ativo permanente, confirmado pelo índice de imobilização dos recursos não correntes. 71Estrutura de capital M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Considerações finais Saber como a empresa está composta em sua estrutura de capital se torna cada vez mais relevante, quando a disputa e a concorrência são evidentes no mundo corporativo. Ao aprender como esta composi- ção pode afetar financeiramente a situação de uma empresa, devemos estudar as melhores opções de estrutura do passivo, dando atenção, especialmente, ao montante de capital de terceiros circulantes e não circulantes, pois a exigibilidade influencia no fluxo de caixa. Dívidas de curto prazo devem ser evitadas, na medida do possível, e priorizadas as de longo prazo, dando tempo para a geração de riqueza e a consequente quitação das dívidas contraídas. Apesar de o capital de terceiros a longo prazo geralmente resultarem em acréscimos financei- ros (juros), é muito provável que quem contrai essas obrigações já fez estudo do impacto positivo na geração de receitas. Como sugestão de prática, que tal utilizar este conhecimento e ana- lisar diversas empresas listadas na Bovespa? Conhecimento nunca é demais! Proatividade é fundamental para seu crescimento acadêmico. Referências CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). NBC TG 06 (R3), de 24 de novembro de 2017. Dá nova redação à NBC TG 06 (R2) – Operações de Arrendamento Mercantil. 2017. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/sisweb/ SRE/docs/NBCTG06(R3).pdf. Acesso em: 17 dez. 2021. MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di- dática das demonstrações contábeis. São Paulo: Atlas, 2019. PETROBRAS S.A. Demonstrações financeiras padronizadas. 2020. Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE. aspx?NumeroSequencialDocumento=102142&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso em: 17 dez. 2021. SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons- trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. https://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG06(R3).pdf https://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG06(R3).pdf 73 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 5 Análise do capital de giro Certamente você já deve ter ouvido falar sobre capital de giro, seja na conversa com um amigo, um familiar ou mesmo em reportagens que fo- cam a questão financeira/econômica em determinado empreendimento. Ao adentrarmos na segunda metade desta obra, a pretensão é que você entenda e saiba aplicar os conceitos de capital circulante, capital de giro e saldo em tesouraria através de análise real de empresa listada na Bovespa. Esta aplicação vai direcionar o aprendizado teórico, dando condições plenas de analisar qualquer tipo de empresa, seja aqui no Brasil, seja em qualquer lugar do mundo. Afinal de contas, os conceitos e as fórmulas não são exclusivos daqui, mas internacionalizados. 74 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática 1 Capital de giro × liquidez No capítulo 2, aprendemos como são calculados os índices de liqui- dez. Apenas recordando, temos a liquidez corrente, a imediata, a seca e a geral. Todas elas têm a ver com a capacidade financeira de honrar os compromissos assumidos (passivos), sejam de curto ou longo prazo, utilizando-se, para isso, de diversas composições de bens ou direitos (ativo). Ao trazer a liquidez à tona, vamos perceber que o capital de giro está ligado com o tema de disponibilidade. Resumindo, trata-se tam- bém de liquidez. A empresa que irá ilustrar os indicadores a seguir é a mesma utiliza- da no capítulo 3, a Monark S.A., o que pode facilitar a análise, tendo em vista que a liquidez está intrinsecamente ligada ao capital de giro. Tabela 1 – Balanço patrimonial Bicicletas Monark S.A. (2018 a 2020) – (R$ mil) DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Ativo total 216.484 220.646 203.106 Ativo circulante 165.455 164.870 165.948 Caixa e equivalentes de caixa 153.406 148.804 150.534 Contas a receber 6.031 5.491 4.875 Estoques 5.281 7.234 5.583 Tributos a recuperar 635 3.266 4.878 Despesas antecipadas 102 75 78 Ativo não circulante 51.02955.776 37.158 Ativo realizável a longo prazo 46.288 47.558 36.787 Imobilizado 4.741 8.218 371 Passivo total 216.484 220.646 203.106 (cont.) 75Análise do capital de giro M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331 Obrigações sociais e trabalhistas 563 499 449 Fornecedores 1.555 2.091 1.316 Obrigações fiscais 216 237 335 Empréstimos e financiamentos 1.865 2.283 0 Outras obrigações 1.026 918 1.231 Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301 Empréstimos e financiamentos 2.686 5.689 0 Tributos diferidos 14.497 14.747 11.336 Provisões 3.620 3.870 3.965 Patrimônio líquido 190.456 190.312 184.474 Capital social realizado 133.010 133.010 133.010 Reservas de lucros 29.306 28.677 29.459 Ajustes de avaliação patrimonial 28.140 28.625 22.005 Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020). 1.1 Capital circulante líquido (CCL) Quando estudamos as demonstrações contábeis, percebemos que são respeitados alguns critérios lógicos na estrutura de cada uma. Tratando especificamente a do balanço patrimonial, no ativo são dis- postas as contas conforme liquidez, ou realização. Contas mais líquidas são mencionadas primeiro, findando no Intangível, o qual, além de ser difícil de valorar, encontra severas dificuldades de se transformar em dinheiro (vender). 76 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Em contrapartida, as fontes de recursos são classificadas consoan- te o grau de exigibilidade, ou seja, contas com prazos menores de paga- mento são as primeiras a constar na estrutura do passivo; contas com prazos mais dilatados aparecem depois. Trazendo um conceito de Almeida (2019, p. 191), o capital circulante líquido (CCL) “representa a diferença entre o ativo circulante (AC) e o Passivo circulante (PC). O CCL pode apresentar três situações: positivo, nulo e negativo”; assim: CCL = AC – PC No exemplo, as três situações possíveis: Tabela 2 – Situações do capital circulante líquido SITUAÇÃO ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE CCL CCL positivo 600 (480) 120 CCL negativo 600 (660) (60) CCL nulo 600 (600) 0 No primeiro caso, o AC é maior que o PC; no segundo, menor; na terceira situação, AC e PC são iguais. É nítido que na primeira situa- ção há “sobra” de ativo circulante, o que demonstra que as dívidas de curto prazo poderiam facilmente ser saldadas com aqueles valores. Rememorando, a liquidez corrente seria maior que 1. Evidentemente que com o CCL negativo a situação se inverte, ou seja, faltariam ativos circulantes para quitar o passivo circulante – liquidez corrente menor que 1. No CCL nulo, o índice de liquidez corrente seria exatamente 1. O CCL também pode ser chamado de capital de giro (CG), que nada tem de diferente, pois ambos remetem ao conceito do que é cíclico, da- quilo que gira em períodos menores. O CG serve para fazer os pagamen- tos de impostos e tributos, os salários, os fornecedores, além de outras atividades que são essenciais para que a entidade opere. 77Análise do capital de giro M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Conhecer o CCL é fundamental para que o gestor saiba que decisões tomar, o que pode incluir ajustar prazos de recebimentos (clientes) ou de pagamentos (fornecedores), equalizando e equilibrando as contas. Nem sempre isso é possível, pois tem a ver com negociação e aceita- ção entre as partes. No entanto, este planejamento deve fazer parte da empresa, incluindo as provisões necessárias para futuros desembolsos (13º salário, 1/3 férias, estoques sazonais etc.). Utilizando, conforme prática recorrente e didática, de um exemplo da Bovespa, voltemos aos dados da Monark S.A. referentes aos anos 2018 a 2020. Tabela 3 – Balanço patrimonial Bicicletas Monark S.A. (2018 a 2020) – (R$ mil) DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Ativo total 216.484 220.646 203.106 Ativo circulante 165.455 164.870 165.948 Ativo não circulante 51.029 55.776 37.158 Passivo total 216.484 220.646 203.106 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331 Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301 Patrimônio líquido 190.456 190.312 184.474 Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020). Portanto, o CCL da Monark nos anos 2018 a 2020 corresponde a: • CCL 2018 = 165.948 – 3.331 = 162.617 • CCL 2019 = 164.870 – 6.028 = 158.842 • CCL 2020 = 165.455 – 5.225 = 160.230 78 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Conforme já exemplificado anteriormente, a Monark apresentou al- tos índices de liquidez, o que é o reflexo do CCL, via de regra. No entanto, nem sempre essa correlação é taxativa, pois a conversão de bens e di- reitos em dinheiro pode representar certa perda financeira. Já imaginou precisar receber dos clientes antecipadamente? Se não houver um bom desconto, o cliente não terá interesse em pagar antes, o que provocaria redução no índice de liquidez. Para entendermos melhor o porquê da situação confortável da Monark, teríamos que analisar os demais demonstrativos e, principalmente, as no- tas explicativas, justificando a manutenção de valores tão altos em ativos circulantes, principalmente no disponível. A pergunta que sempre surge é do tipo “Por que não aplicar em ativos que podem gerar mais receitas?”. Pode ser uma política conservadora da empresa, apenas. PARA PENSAR Se você analisar o seu CCL, em qual das três situações ele se encon- tra: positivo, nulo ou negativo? Faça esse cálculo com suas finanças pessoais. Analise o que pode melhorar e tome providências urgentes, caso necessário. Esse comportamento é o mesmo que se utiliza em uma empresa, atentando para os gastos (às vezes supérfluos ou des- necessários) e focando em geração de renda, com ativos adequados. 2 Necessidade de capital de giro (NCG) Muitos empresários não enxergam a capacidade que sua empresa tem para deslanchar, para crescer. Essa limitação prejudica o andamen- to das atividades e freia o desenvolvimento. O tópico anterior (CCL) dire- ciona, inegavelmente, para este, que trata da necessidade de capital de giro (NCG), que nada mais é do que a diferença entre o ativo circulante operacional (ACO) e o passivo circulante operacional (PCO). Resta saber o que compõe o ACO e o PCO. 79Análise do capital de giro M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. De acordo com Fleuriet e Zeidan (2015), é possível reestruturar o ba- lanço patrimonial separando os itens por prazos (curto e longo prazo) e por natureza das transações. Este mecanismo facilita a extração de alguns indicadores, especialmente os de liquidez e os de estruturas fi- nanceiras, como é o caso da NCG e do ST (saldo em tesouraria). A seguir,o balanço patrimonial requalificado, seguindo o Modelo de Fleuriet, tanto no ativo quanto no passivo: financeiro, operacional e não circulante. Tabela 4 – Composição do balanço patrimonial (requalificado) ATIVO PASSIVO Ativo circulante financeiro Passivo circulante financeiro Disponível Duplicatas descontadas Aplicações financeiras Empréstimos curto prazo Ativo circulante operacional Passivo circulante operacional Contas a receber Salários a pagar Estoques Impostos a pagar Adiantamento a fornecedores Fornecedores Ativo não circulante Passivo não circulante Realizável a longo prazo Investimentos Imobilizados Intangíveis Exigível a longo prazo Financiamentos Patrimônio líquido Capital social Fonte: adaptado de Fleuriet e Zeidan (2015). O ativo circulante operacional (ACO) ou ativo operacional (AO) é aque- le que tem origem, essencialmente, em atividades envolvendo compra e venda, produção e estocagem de produtos ou mercadorias. As contas 80 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática principais são Estoques, Contas a receber, Despesas operacionais ante- cipadas, Adiantamento a fornecedores, Impostos a recuperar, entre ou- tras. Já o passivo circulante operacional (PCO), ou simplesmente pas- sivo operacional (PO), comporta as contas cíclicas a pagar, dentre as quais Impostos e tributos, Salários e encargos, Fornecedores e outras dívidas, geralmente não onerosas (sem custo financeiro). Em resumo, “AO são aplicações de recursos decorrentes das ativi- dades de compra/fabricação/estocagem/venda; enquanto os PO estão relacionados com as origens de recursos dessas atividades” (ALMEIDA, 2019, p. 191). Portanto: NCG = ACO – PCO A partir do momento em que se encontra a NCG, deverá haver uma interpretação deste valor. Resultados negativos indicam que a empresa não terá necessidade de recorrer a instituições financeiras para bancar as dívidas de curto prazo. Se forem positivos, há um déficit no capital de giro, necessitando buscar apoio financeiro em capital de terceiros, geralmente oneroso (despesa com juros). A diferença entre manter a NCG positiva ou negativa pode determinar a saúde da empresa, princi- palmente na manutenção de um fluxo de caixa adequado. Quadro 1 – Como avaliar a necessidade de capital de giro (NCG) ACO > PCO Situação em que a maioria das empresas se encontra. Há uma NCG, sendo que a empresa pode recorrer a fontes de financiamentos. ACO = PCO Situação de equilíbrio, raramente acontece. Sendo a NCG nula, a empresa não necessita de financiamento para girar as atividades operacionais. ACOprazos de financia- mento, passando de curto para longo prazo. Se essa estratégia for efi- ciente, aliada ao recebimento das vendas em menores prazos, o efeito pode ser inverso, ou seja, ter novamente o ST positivo. CCLNCG ST + ST - 20X1 10000 8000 6000 4000 2000 0 20X2 20X3 20X4 20X5 20X6 84 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática 4 Análise do CCL, da NCG e do ST Assim como em outras áreas do conhecimento, ter apenas os resul- tados pode não representar muita coisa se estiver nas mãos de leigos. Saber interpretar os dados que se tem é extremamente importante. A respeito dos indicadores aqui estudados, não é diferente, ainda que te- nhamos a impressão de que os títulos e subtítulos já expressam tudo o que precisamos. Para efeitos de análise dos indicadores estudados, temos a seguir o Balanço da Monark reclassificado, conforme a necessidade para os cálculos dos indicadores deste capítulo. Tabela 6 – BP reclassificado – Monark S.A. – 2018 a 2020 (R$ mil) DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 ATIVO 216.484 220.646 203.106 Ativo circulante financeiro 153.406 148.804 150.534 Disponível 153.406 148.804 150.534 Ativo circulante operacional 12.049 16.066 15.414 Contas a receber 6.031 5.491 4.875 Estoques 5.281 7.234 5.583 Tributos a recuperar 635 3.266 4.878 Despesas antecipadas 102 75 78 Ativo não circulante 51.029 55.776 37.158 Passivo 5.267 8.698 2.547 Passivo circulante financeiro 3.712 6.607 1.231 Empréstimos e financiamentos 2.686 5.689 - (cont.) 85Análise do capital de giro M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Outras obrigações 1.026 918 1.231 Passivo circulante operacional 2.334 2.827 2.100 Obrigações sociais e trabalhistas 563 499 449 Fornecedores 1.555 2.091 1.316 Obrigações fiscais 216 237 335 Passivo não circulante 211.259 214.618 199.775 Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020). Vamos às considerações e análise, uma vez que os cálculos já foram efetivados anteriormente, em cada tópico destacado. Confira o gráfico 2. Gráfico 2 – NCG e CCL – Monark (2018 a 2020) CCLNCG 2020 9,715 13,239 13,314 160,230 158,842 162,617 180,000 160,000 120,000 100,000 80,000 60,000 40,000 20,000 - 2019 2018 Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020). 86 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Nos resultados, não encontramos grandes variações nos indicado- res de NCG e CCL, pois os saldos dos ativos e passivos, seja em qual- quer grupo deles, também não se alteraram muito. Percebemos que a Monark adotou uma política de manter o disponível elevado, possivel- mente em aplicações financeiras, que geram uma certa renda mensal/ anual. O fato de quase não haver passivos operacionais demonstram que ou os pagamentos estão sendo feitos mais à vista, ou a produção está em níveis baixos, ou, ainda, a combinação destas duas situações. O capital circulante líquido (CCL) se manteve próximo de R$ 160 mil durante todos os anos. Isso significa uma sobra financeira para liquidar as contas de curto prazo. Analisando pelo fator liquidez, está ótimo. Quanto à necessidade de capital de giro (NCG), vemos que os saldos são sempre positivos, ou seja, há necessidade de que ou os prazos se- jam mais dilatados para os pagamentos das obrigações ou que os re- cebimentos sejam comprimidos. Caso isso seja possível, a NCG tende a diminuir ou até mesmo se tornar negativa. Quando negativa, como vi- mos, é indicação de que os passivos circulantes operacionais financiam não apenas os ativos circulantes operacionais. Por fim, o saldo em tesouraria (ST) se mantém elevado, sempre posi- tivo, sem nenhuma previsão de acontecer o efeito tesoura nesta empre- sa. O que podemos inferir é que a Monark está com o pé no freio quanto à produção e investimentos em ativos que aumentariam esta produção. Pode ser efeito de alguma reestruturação ou mesmo alguma perda de mercado ou competitividade. Finalmente, se olharmos simplesmente pela visão de liquidez ou saldos financeiros, percebemos que está muito bem. Contudo, como já anotado, a empresa parece carecer de algum objetivo quanto a aumen- to de produção e faturamento com as atividades operacionais. 87Análise do capital de giro M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Considerações finais Uma das maiores preocupações que deve existir em uma empresa é a condição financeira para torná-la sempre ativa e gerando rendas. A forma de administrar é refletida diretamente nestas condições, seja em pequenas ou grandes empresas. Diante disso, entender a necessidade de capital de giro e o saldo em tesouraria já são grandes passos para ter o sucesso, além de, obvia- mente, entender e saber agir diante de situações favoráveis ou adver- sas. Acompanhar a evolução dos indicadores mensalmente facilita a condução administrativa, evitando surpresas desagradáveis em relação à falta de dinheiro para pagar obrigações, especialmente as de curto prazo. Quanto mais se conhece uma empresa, mais chances de torná-la superavitária, desde que as decisões sejam as corretas e tomadas no tempo certo. Sempre digo para usar esses conhecimentos na sua vida pessoal e não é neste final de capítulo que faria diferente. Usufrua do conhecimen- to, aplique-o em sua vida e tenha sucesso, sempre! Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. FLEURIET, Michel; ZEIDAN, Rodrigo. O modelo dinâmico de gestão financeira. Rio de Janeiro: Alta Books, 2015. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem ge- rencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MONARK S.A. Demonstrações Financeiras Padronizadas v1. 2020. Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE. aspx?NumeroSequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso em: 16 fev. 2022. https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1 https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1 89 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 6 Índices de atividade Se fôssemos analisar todas as empresas do mundo, provavelmente todas teriam algo em comum: elas obedecem e seguem ciclos. Ciclos podem ser observados na vida pessoal, mas nas empresas é muito mais evidente e, além do mais, podem ser determinantes para a manu- tenção das atividades que geram a riqueza. Falar sobre ciclos é falar sobre a vida de uma entidade. Afinal de con- tas, entra ano e sai ano, as atividades perduram, comprando, vendendo, pagando e recebendo.Estas são as etapas naturais, mas nem sempre se comportam da maneira ideal: a que traria maiores benefícios à em- presa. Como sabemos, entre o ideal e o real pode haver muita neces- sidade de ajuste, nem sempre fácil de executar. Neste capítulo, vamos 90 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática estudar sobre as etapas aqui comentadas e como poderiam trazer me- lhores resultados, ajustando prazos e, consequentemente, os ciclos de uma empresa. 1 Índices de atividade na análise contábil Se fôssemos questionar comerciantes que tiveram as portas cerra- das nos últimos anos, em que deveriam traçar os principais motivos para essa interrupção das atividades, teríamos, provavelmente, respos- tas semelhantes. Seriam retratadas as situações do cotidiano, com as políticas e estratégias que adotaram na condução do negócio, as falhas cometidas e, principalmente, a falta de uma provisão de caixa suficiente para manter as atividades por mais longo tempo. Neste questionário, os índices de atividade talvez nem seriam co- mentados, mas é de extrema importância saber como se calcula e como deve ser uma situação ideal, embora nem sempre seja o vivido pela maioria das entidades. Assaf Neto e Lima (2009) comentam que os índices de atividade têm como objetivo principal analisar os processos cíclicos das empresas, especialmente os seguintes: • compras; • formação dos estoques; • pagamento das compras; • venda dos produtos e mercadorias; • recebimento das vendas. Ainda que estas sejam as etapas gerais, algumas entidades acabam não passando por todas elas. Há, por exemplo, empresas que não pos- suem estoque: fabricam ou comercializam no sistema just-in-time. 91Índices de atividade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. No entanto, se comprar, pagar, vender e receber já são comuns na vida de uma pessoa física, estas passam a ser essenciais nas pessoas jurídicas, as quais geralmente criam um padrão em relação ao tempo de cada atividade. E é exatamente a combinação ou correlação entre os períodos que formarão os tempos médios, item que vamos estudar a partir de agora. PARA SABER MAIS Quer saber o que é o sistema just-in-time? Significa, em suma, produzir de acordo com a demanda; ou seja, no tempo certo, cada operação é desenvolvida, sem ociosidade e estoque acumulado. Muitas empresas utilizam esse sistema para reduzir custos e despesas, mas nem sempre é possível utilizá-lo. 1.1 Prazos médios Não há padrão de tempo médio a ser obedecido em determinado setor ou área de atuação da empresa. Cada uma terá o seu tempo, o seu prazo médio, construído conforme a necessidade e realidade própria, individual. Algumas empresas têm ciclos mais rápidos; outras, muito lentos. Algumas repõem os estoques a cada ano, outras a cada sema- na. Pode depender do setor de exploração mercadológica e também da validade de produtos ou mercadorias. Silva (2017) utiliza o fator DP (dias do período) de 360 dias para determinar os prazos médios. É possível medir os prazos médios em dias (fator 360), em meses (fator 12) ou em outros períodos não tão co- muns (trimestres, semanas), sendo mais comum a utilização do cálculo diário, e este será adotado neste conteúdo que você verá daqui em dian- te. Embora alguns autores podem mencionar 365 dias ao invés de 360 para estes cálculos, o resultado pouco se altera. Neste sentido, vamos usar 360 dias como fator na determinação dos prazos médios. 92 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática 1.2 Prazo médio de estoques (PME) Conforme Almeida (2019), o prazo médio dos estoques (PME), ou prazo médio da rotação dos estoques (PMRE), quantifica os dias que produtos ou mercadorias ficam armazenados até se concretizarem as vendas. A seguinte fórmula deve ser utilizada, observando que nesta e em to- das as demais o fator 360 é o padrão para encontrar os prazos médios. PME = Estoque Médio × 360 Custo da Mercadoria ou Produto Vendido Ainda que conste Estoque Médio no numerador, caso os valores desta conta sejam pouco divergentes, é possível utilizar apenas o valor do estoque do ano analisado para esta definição. Divide-se, portanto, este pelo Custo da Mercadoria Vendida (CMV) ou pelo Custo do Produto Vendido (CPV). O CMV ou CPV é facilmente identificado na demonstra- ção do resultado do exercício (DRE), mas pode ser encontrado através da soma do estoque inicial, mais o total de compras no período, dedu- zindo o estoque final, conforme vemos a seguir: CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final Aqui vemos um exemplo de cálculo do PME, com o estoque inicial de R$ 1 mil e o estoque final no valor de R$ 2 mil. Vamos considerar ainda que o custo das mercadorias vendidas seja R$ 12 mil. A média do esto- que é a soma dos dois valores – inicial e final, dividido por dois. Assim, na fórmula, temos a demonstração: PME = [(1.000 + 2.000)/2] × 360 = 45 dias 12.000 Neste caso, então, a cada 45 dias o estoque passa a se renovar. Isso representa oito giros do estoque no ano, pois 360/45 = 8. O giro de esto- que deve ser analisado com cuidado, pois não são todas as mercadorias 93Índices de atividade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ou produtos que giram, realmente, oito vezes, a não ser que o estoque seja composto de apenas um item (produto ou mercadoria). Para con- firmar a tese de que algumas mercadorias giram mais, basta ir a um supermercado ou loja e ver alguns itens que têm poeira ou as etiquetas de preço bem desgastadas. Você já viu isso? Por isso, todo o cuidado quando se diz “giro do estoque”. O giro do estoque (GE) é a razão entre o período de 360 dias (ano comercial) e o prazo médio de estoque, conforme a fórmula a seguir: GE = 360 PME O giro é influenciado, portanto, pelo tipo de produtos que são ven- didos (duráveis ou perecíveis), pela sazonalidade (protetor solar, por exemplo, é mais vendido no verão) ou pelo grau de obsolescência (liga- dos à tecnologia, principalmente). O giro pode ser medido em cada pro- duto ou mercadoria, e isso grande parte das empresas o fazem. Assim, conseguem entender as características ou perfis dos consumidores e adaptar suas ofertas às demandas. Quanto maior o giro, menor o PME. 1.3 Prazo médio de fabricação (PMF) Conforme podemos inferir, o prazo médio de fabricação (PMF) só é utilizado em empresas em que há o processo fabril. Em comércio, este indicador não tem sentido, até porque não existem produtos em elabo- ração, item básico para o cálculo, conforme vemos a seguir: PMF = Estoque Médio de Produtos em Elaboração × 360 Custo de Produção Da mesma forma que o PME, o indicador mostra quantos dias foram necessários para que os produtos sejam fabricados. Significa, então, que cada produto terá o mesmo tempo de fabricação? Claro que não, 94 M at er iarealizar análises constantes para ajustar o rumo da empresa é uma das grandes preocu- pações dos analistas (SILVA, 2017). Para quem já conhece a estrutura de um balanço patrimonial, da de- monstração do fluxo de caixa e outros demonstrativos que a contabilidade disponibiliza, creio que analisar a relação que há entre eles é extremamen- te significativo, o que favorece a análise da organização, como um todo. Dessa forma, devemos examinar quais informações disponibilizadas em uma demonstração podem estar presentes também em outra. Vamos ver alguns exemplos reais e como esta inter-relação afeta a análise financeira. É bom relembrar que os demonstrativos a serem divulgados são os exi- gidos pelas Leis 6404/1976 e 11.638/2007, pela Resolução 1.374/2011 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), pela Deliberação 676/2011 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelas Normas Brasileiras de Contabilidade – Gerais – 26 (NBC-TG 26 (R5)). Segue a lista: • balanço patrimonial (BP); • demonstração do resultado do exercício (DRE); 9Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • demonstração do fluxo de caixa (DFC); • demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL); • demonstração do valor adicionado (DVA); • demonstração do resultado abrangente (DRA); • notas explicativas. Devemos frisar que cada um destes demonstrativos têm uma fun- ção específica na contabilidade; contudo, há uma correlação entre eles, o que facilita a análise e a interpretação dos dados e conduz às melho- res decisões administrativas. Na verdade, o grande objetivo da contabi- lidade é ser um suporte a estas decisões. O demonstrativo mais conhecido e, me arrisco a afirmar, o mais im- portante, é o balanço patrimonial (BP). Nele estão inseridos os dados da vida de uma empresa até determinado momento. Ele é caracterizado como estático, como uma fotografia, retratando um momento específi- co da organização. Ao visualizar o BP, perceba que ele tem função dupla: • demonstrar a situação patrimonial (Bens + Direitos – Obrigações); • identificar as fontes de recursos (próprios ou de terceiros) e suas aplicações (ativo). Com base nesta dupla visão é que confirmo a utilidade do BP, tanto contábil como gerencialmente. No entanto, apenas o BP não é suficien- te para se ter a real movimentação dos fatos e atos contábeis de uma empresa. Daí a necessidade dos demais para complementar as infor- mações, os quais serão vistos na sequência. 10 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 2 Correlação entre as demonstrações contábeis Como exemplo das correlações entre as demonstrações contábeis, vamos analisar a conexão que há entre o balanço patrimonial (BP), a demonstração do resultado do exercício (DRE) e a demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL), com dados reais de uma empresa listada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), ou, sim- plesmente, [B]3. O primeiro demonstrativo é o BP, aqui evidenciado apenas o grupo do patrimônio líquido, referente aos anos 2020 e 2019. Tabela 1 – BP (patrimônio líquido) – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO 2020 2019 Patrimônio líquido consolidado 5.501.316 4.691.019 Capital social realizado 3.805.326 3.795.634 Reservas de capital -25.430 38.678 Opções outorgadas 94.031 74.227 Ações em tesouraria –119.461 –35.549 Reservas de lucros 1.694.515 869.896 Reserva legal 109.768 54.955 Reserva de incentivos fiscais 162.812 97.539 Dividendo adicional proposto 191 282.546 Reserva para investimento e expansão 1.421.744 434.856 Outros resultados abrangentes 26.905 –13.189 Fonte: adaptado de CVM (2020). 11Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A seguir, temos a demonstração do resultado do exercício (DRE) referente aos anos 2020 e 2019. Relembrando: a DRE contempla os saldos das movimentações de receitas, custos e despesas em deter- minado período, geralmente anual. Tem o objetivo de apurar o resul- tado no exercício (lucro ou prejuízo), determinando se a empresa está sendo lucrativa ou deficitária. Tabela 2 – DRE – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Receita de venda de bens e/ou serviços 7.537.180 9.588.437 (–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –3.223.570 –3.730.521 = Resultado bruto 4.313.610 5.857.916 (+/–) Despesas/receitas operacionais –3.456.731 –4.181.539 = Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 856.879 1.676.377 (+/–) Resultado financeiro 343.882 –184.395 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 1.200.761 1.491.982 (–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –104.492 –405.781 = Lucro/prejuízo consolidado do período 1.096.269 1.086.201 Fonte: adaptado de CVM (2020). Observe o seguinte: o resultado líquido, ou seja, o lucro apurado no exercício 2020, no valor de R$ 1.096.269, consta na DRE (tabela 2). Este valor também está explícito da DMPL: Lucro líquido do período (linha 12) e em Lucros ou prejuízos acumulados (coluna 5). Por que está ali? Porque a DMPL tem a função de demonstrar tudo o que aconteceu em todo o grupo do patrimônio líquido durante o exercício; ou seja, tudo o que mudou no PL precisa estar demonstrado na DMPL. 12 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Tabela 3 – DMPL – Lojas Renner – 2020 (R$ mil) DESCRIÇÃO CAPITAL SOCIAL RESERVAS DE CAPITAL RESERVAS DE LUCRO LUCROS OU PREJ. ACUM. OUTROS RES. ABRANG. TOTAL PATRIM. LÍQ. CONSOLIDADO Saldos iniciais ajustados 3.795.634 38.678 869.896 – – 13.189 4.691.019 Transações de capital com os sócios 9.692 –64.108 –134 –271.516 – –326.066 Aumentos de capital 9.692 – – – – 9.692 Ações em tesouraria adquiridas – –96.964 – – – –96.964 Dividendos – – – –30.698 – –30.698 Juros sobre capital próprio – – – –240.818 – –240.818 Plano de ações restritas – 10.024 – – – 10.024 Plano de opção de compra de ações – 22.832 – – – 22.832 Dividendos prescritos – – 191 – – 191 Deliberação de dividendo adicional proposto – – –325 – – –325 Resultado abrangente total – – – 1.096.269 40.094 1.136.363 Lucro líquido do período – – – 1.096.269 – 1.096.269 Outros resultados abrangentes – – – – 40.094 40.094 Ajustes de instrumentos financeiros – – – – –22.995 –22.995 Tributos s/ ajustes instrumentos financeiros – – – – 7.818 7.818 (cont.) 13Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas dal p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática pois alguns podem ser mais elaborados, enquanto outros são simples. Uns podem demorar minutos para fabricar e, outros, horas ou dias. Pense na Embraer, empresa de aviação do Brasil. Quanto tempo se leva para terminar um modelo de avião? Muitas semanas ou meses. E quanto a uma fábrica de talheres? Provavelmente em alguns segundos esteja pronto um exemplar de colher ou faca. A gestão do prazo de fa- bricação é essencial para uma indústria, pois isso determina sua posi- ção ou manutenção em um determinado nicho. Vamos a um exemplo, considerando que esta indústria tenha os se- guintes dados: a) estoque inicial e final de produtos em elaboração, res- pectivamente: R$ 10 mil e R$ 20 mil; custo de produção: R$ 80 mil. Com isto, vamos ao cálculo do prazo médio de fabricação: PMF = [(10.000 + 20.000)/2] × 360 = 67,5 dias 80.000 Neste caso, o prazo médio de fabricação dos itens da indústria é de 67,5 dias. 1.4 Prazo médio de vendas Tão logo uma indústria encerre o processo de fabricação dos produ- tos e haja a consequente venda destes é que se determina o prazo mé- dio de vendas (PMV). Este prazo compreende todo o tempo de estoca- gem, se assemelhando ao PME. A fórmula para encontrarmos o PMV é: PMV = Estoque Médio de Produtos Acabados × 360 Custo dos Produtos Vendidos Para chegarmos ao custo dos produtos vendidos, é importante so- mar todos os custos: diretos e indiretos. Para um acompanhamento mais preciso, o ideal é realizar estes cálculos com cada item dos estoques in- dividualmente e, se possível, em prazos mais curtos (mês ou trimestre). 95Índices de atividade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Imaginemos os seguintes dados de uma empresa industrial: estoque inicial e final de produtos acabados, respectivamente, valendo R$ 10 mil e R$ 40mil, e R$ 100 mil de custos dos produtos vendidos. Vamos apli- cá-los na fórmula e descobrir qual o prazo médio de vendas: PMV = [(10.000 + 40.000)/2] X 360 = 90 dias 100.000 Noventa dias, ou três meses, foi o prazo médio para que, após a fa- bricação dos produtos, estes fossem vendidos, depois de terem perma- necidos estocados. 1.5 Prazo médio de cobrança O Prazo Médio de Cobrança (PMC), também denominado de Prazo Médio de Recebimento (PMR), Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV), Prazo Médio de Recebimento de Clientes (PMRC), mostra o tempo para que o crédito das vendas a prazo seja efetivamente recebi- do (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2019). No balanço patrimonial a conta Clientes a receber, Duplicatas a receber, Clientes ou Contas a receber in- dicam o numerador da equação utilizada para este cálculo. São direitos que a empresa tem a receber. O cálculo deste prazo se dá assim: PMC = Média de Clientes a Receber × 360 Receita Operacional Bruta Para exemplificar, vamos definir os valores que são usados na fór- mula: a conta clientes a receber teve saldo inicial de R$ 50 mil e final de R$ 32 mil. A receita operacional bruta, extraída da DRE, chegou a R$ 527 mil. Neste caso hipotético, o cálculo fica assim: PMC = [(50.000 + 32.000)/2] × 360 = 28 dias 527.000 96 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Neste caso, são necessárias quatro semanas, em média, para que a empresa receba todos os créditos de seus clientes. É um prazo bastan- te favorável, se considerarmos apenas este indicador. Por isso, quando analisamos estes indicadores de atividade, temos que olhar o conjun- to todo, especialmente o prazo médio de pagamento a fornecedores (PMPF). Se há desalinhamento entre estes prazos, pode existir dificul- dades no pagamento das compras. Além disso, despesas financeiras serão consequentes se pagas em atraso ou utilizando capital oneroso. 1.6 Prazo médio de pagamento a fornecedores Conforme mencionado no parágrafo anterior, este indicador deve ser correlacionado com o PMC. O prazo médio de pagamento a fornece- dores (PMPF) é identificado como o tempo médio que uma empresa demora para pagar os valores das compras (SILVA, 2017). Quanto maior este prazo, melhor para a empresa, desde que o PMC seja menor. Podemos utilizar uma inequação para ilustrar o plano ideal, ainda que muitas vezes não seja seguido, por razões óbvias (dificuldade na negociação por prazos maiores com fornecedores ou imposição de pra- zos menores com os clientes): PMCO cálculo é realizado pelo valor do estoque total, independentemente da quantidade ou variedade de produtos ou mercadorias, este abrange diversos produtos. Já o ciclo operacional (CO) corresponde “a todas as ações necessá- rias e exercidas para o desempenho de cada atividade. É o processo de gestão de cada atividade, que inclui o planejamento, execução e contro- le” (PADOVEZE, 2012, p. 102). Este processo corresponde, portanto, às compras da matéria-prima, à elaboração dos produtos, à estocagem, à venda destes produtos e ao efetivo recebimento por estas vendas. A fórmula para este cálculo se dá pela soma do ciclo econômico e o prazo médio de cobrança: Ciclo Operacional = CE + PMC O ciclo operacional pode se apresentar de duas formas: com déficit ou superávit no tempo. Quando o prazo de pagamento das compras for inferior ao prazo para receber os valores de vendas, então será deficitário, havendo dificuldades para a gestão dos pagamentos; caso estes prazos sejam invertidos, será superavitário, ou seja, há uma folga financeira. Por fim, o ciclo financeiro (CF) retrata todo o tempo entre o pagamen- to da matéria-prima ou mercadorias para revenda e o recebimento das vendas efetuadas (ALMEIDA, 2019), também conhecido como Ciclo de Caixa. Quanto menor o prazo de recebimento dos clientes e maior o pra- zo de pagamento dos fornecedores, melhor. Essa combinação altera o saldo de caixa, deixando-o maior e evitando o uso de capital de terceiros para a manutenção das atividades operacionais. O ciclo financeiro se calcula pela simples diferença entre o ciclo ope- racional e o prazo médio de pagamentos a fornecedores: Ciclo Financeiro = CO – PMPF Na figura 1, temos uma ilustração de como se comportam as ativi- dades normais de uma empresa: comprar, vender, pagar as compras e 99Índices de atividade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. receber as vendas. Obviamente que essa pode não ser a sequência de todas as empresas, ou seja, pode haver as compras e já o pagamento, ou as vendas e o recebimento à vista. Por isso, apenas uma representa- ção do que é mais comum. Figura 1 – Representação das atividades e ciclos de uma empresa Compras Ciclo Econômico Ciclo Operacional Ciclo Financeiro Vendas Pagamento das compras Recebimento das vendas Fonte: adaptado de Bauermann (2021, p. 81). Gerir um negócio não é algo para amadores. Esta máxima vale para todos os segmentos e para todos os portes de empresas. Quanto maior, claro, maiores as responsabilidades, seja com os sócios, seja com os co- laboradores, seja com todos aqueles que dependem da continuidade da empresa. E, voltando a lembrar, uma análise isolada não representa qua- se nada, mas uma análise conjunta traz muitos benefícios. Por isso, sem- pre utilize o máximo possível de indicadores. Dessa forma, terá mais se- gurança ao tomar decisões, e estas podem valer a vida de uma entidade. Considerações finais Análises individuais tendem a ser insuficientes; análises conjuntas, eficientes. Quando se analisa apenas os prazos médios, conforme es- tudado neste capítulo, a possibilidade de interpretações errôneas é evi- dente. Nenhuma hipótese deve ser descartada, em momento algum, para que a saúde da empresa seja sempre das melhores. 100 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Conforme posto ao longo deste estudo, prazos mais dilatados de pagamento de fornecedores sempre serão mais vantajosos, e se com- binados com prazos menores de recebimento dos clientes, haverá sobra financeira, pelo menos teoricamente. Os ciclos econômico, operacional e financeiro também devem ser administrados de forma coerente e segura. Uma análise completa dos demais indicadores, como liquidez, por exem- plo, darão um diagnóstico bem mais apurado. Acima de tudo, o compro- metimento e o profissionalismo devem imperar na vida de um gestor. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. ASSAF NETO, Alexandre; LIMA, Fabiano Guasti. Curso de administração finan- ceira. São Paulo: Atlas, 2009. BAUERMANN, Airton A. Demonstrações contábeis: indicadores, análise e inter- pretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2021. MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di- dática das demonstrações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria estratégica e operacional. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012. SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons- trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 101 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 7 Índices de rentabilidade Neste capítulo, vamos tratar de algo que todos procuram, em al- gum momento da vida (ou sempre): rentabilidade. Se você tem di- nheiro aplicado no banco, comprou algum imóvel, investiu em cripto- moedas ou aplicou na Bolsa de Valores, com certeza está interessado no retorno em curto, médio ou longo prazo. O importante é saber in- vestir e analisar onde e quanto aplicar. Para isso, estudar as diversas formas de geração de renda e, especialmente, as empresas em que se vai investir é fundamental. O estudo deste conteúdo lhe dará melhores condições para analisar e decidir em quais empresas investir. Seja com pouco ou com muito ca- pital, o importante é estar satisfeito com os retornos que estes aportes financeiros lhe trarão. 102 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática 1 Índices de rentabilidade Comumente vemos anúncios em plataformas digitais sobre aplica- ções e rentabilidade. Quanto mais procuramos por este tipo de assunto na internet, mais anúncios teremos em nossa caixa de e-mail, nas pre- ferências de vídeos nas redes sociais e assim por diante. Os algoritmos fazem esse papel, o de direcionar conteúdo conforme o nosso perfil de- monstrado. Nada mal se esses conteúdos fossem todos de fácil aplica- ção e com a garantia de retorno que prometem. Aplicar e ter retorno imediato não é algo tão fácil assim. Exige muita disciplina, estudo, análises e estratégias. Quando vamos aplicar o nosso suado dinheiro, então, devemos antes pensar muito bem. Quando falo em aplicação, não está inclusa a poupança, pois esta remunera o capital conforme indicadores oficiais do governo, o que, no final, não pode ser considerado um investimento. A rentabilidade é algo inerente a toda empresa, pois o lucro faz parte da sobrevivência e da ampliação dos negócios. Para lucrar, deve haver estratégias específicas no ambiente empresarial. Não basta saber com- prar e saber vender, mas deve-se analisar outras variáveis, especialmen- te os custos e as despesas incorridos. A rentabilidade é um dos principais indicadores que os investidores analisam ao escolherem uma empresa para aportar capital.Ter o co- nhecimento destes indicadores e saber interpretá-los pode ser definitivo para o crescimento de um negócio, tanto visto pela empresa quanto pelos investidores. 1.1 Retorno sobre investimentos (ROI) O ROI (return on investment), ou retorno sobre os investimen- tos, representa o resultado obtido com os investimentos feitos em 103Índices de rentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. determinada empresa (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2019). Sabemos que os investimentos podem ser originários de capital próprio ou de terceiros. A aplicação é realizada nos ativos da empresa. O ROI é um indicador que não tem limite máximo, pois quanto maior, melhor, assim como um investimento em instituição financeira. O ROI é calculado da seguinte forma: Retorno sobre Investimentos = Lucro Líquido × 100 Ativo Total Para exemplificar as fórmulas a serem utilizadas neste capítulo, va- mos utilizar os dados da Iguatemi S.A., empresa brasileira administra- dora de shoppings e atividades afins. Tabela 1 – DRE da Iguatemi S.A. – 2018 a 2020 (R$ Mil) DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Receita de venda de bens e/ou serviços 676.664 755.353 722.606 (–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –275.319 –252.215 –217.331 = Resultado bruto 401.345 503.138 505.275 (+/–) Despesas/receitas operacionais –67.067 –20.231 –70.205 = Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 334.278 482.907 435.070 (+/–) Resultado financeiro –88.935 –111.178 –125.875 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 245.343 371.729 309.195 (–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –69.263 –86.141 –69.531 = Lucro/prejuízo consolidado do período 176.080 285.588 239.664 Fonte: adaptado de Iguatemi S.A. (2020). 104 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática A seguir, o balanço patrimonial da Iguatemi: Tabela 2 – BP da Iguatemi S.A. – 2018 a 2020 (R$ Mil) DESCRIÇÃO 2020 2019 2018 Ativo total 7.013.831 5.748.047 5.394.908 Ativo circulante 1.858.917 1.171.236 871.505 Ativo não circulante 5.154.914 4.576.811 4.523.403 Passivo total 7.013.831 5.748.047 5.394.908 Passivo circulante 797.422 281.823 279.056 Obrigações sociais e trabalhistas 15.786 32.305 30.295 Fornecedores 23.460 32.305 30.295 Obrigações fiscais 22.259 17.703 24.076 Empréstimos e financiamentos 680.077 133.107 131.527 Outras obrigações 55.480 83.757 77.486 Provisões - 188 179 Passivo não circulante 3.042.395 2.442.454 2.260.812 Patrimônio líquido consolidado 3.174.014 3.023.770 2.855.040 Fonte: adaptado de Iguatemi S.A. (2020). Com os dados da DRE e do Balanço, confira o ROI nestes três anos: ROI (2018) = 239.664 × 100 = 4,44% 5.394.908 ROI (2019) = 285.588 × 100 = 4,97% 5.748.047 ROI (2020) = 176.080 × 100 = 2,51% 7.013.831 105Índices de rentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Assim, o ROI em 2018 foi de 4,44%, seguido de 4,97% em 2019 e caindo substancialmente em 2020, para 2,51%. Até poderíamos dizer que uma tendência estaria sendo desenhada se em 2020 a rentabilida- de tivesse subido, mas isso não ocorreu. Provavelmente o ROI foi im- pactado, assim como outros indicadores, pela redução nos fluxos em shoppings, ocasionada pela pandemia da Covid-19. Os percentuais en- contrados não são elevados e devem ser analisados em conjunto com informações relacionadas, tais como a receita de vendas, as despesas operacionais e financeiras e o substancial aumento do ativo total. Para saber se a rentabilidade sobre os investimentos está em um pa- tamar aceitável, a análise deve ser feita com dados de outras empresas de mesmo nicho de mercado, comparando-os. Esta forma de analisar vai indicar se os índices encontrados são compatíveis com os concor- rentes ou se está abaixo/acima da média. 1.2 Giro do ativo (GA) Giro indica rotação. Isto é facilmente rememorado quando pensa- mos no painel de instrumentos de um carro. Ali tem o ‘conta-giros’, que indica quantas rotações o motor dá em um minuto. Na contabilidade, o giro do ativo (GA) é o quociente da razão entre o faturamento líquido e o ativo médio. Se a empresa vende o mesmo valor do ativo médio, então esse giro é 1 (um). Os resultados são maiores à medida que a diferença positiva en- tre as vendas líquidas e a média do ativo também aumentar. E quanto maiores estes resultados, melhor para a empresa. Este é um indicador importante, pois avalia se o ativo está sendo bem aplicado para gerar riqueza por meio das vendas de bens ou serviços. 106 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática A fórmula para calcular o giro do ativo está demonstrada a seguir: Giro do Ativo = Vendas Líquidas Ativo médio Uma empresa que consegue utilizar bem o ativo terá maiores resul- tados no GA, ou seja, quanto maior o GA, melhor. No caso da Iguatemi, vamos ver como ela se saiu neste indicador nos anos 2019 e 2020, igno- rando o ano 2018 em função de ausência do valor do ativo total do ano 2017 para a composição da média. GA (2019) = 755.353 = 0,14 (5.394.908 + 5.748.047) / 2 GA (2020) = 676.664 = 0,11 (5.748.047 + 7.013.831) / 2 Diferentemente do ROI e alguns outros indicadores, o giro do ativo é dado em valor decimal, pois é a simples divisão entre dois valores. Neste exemplo da Iguatemi, os resultados foram de 0,14 em 2019 para 0,11 em 2020, ou seja, as vendas líquidas equivaleram, no máximo, a 14% do valor do ativo total nestes anos. Há pouco você leu que quanto maior o indicador, melhor. As características específicas desta empresa fizeram com que o GA seja baixo, diferente de um comércio cíclico, em que as vendas são maiores, mesmo com poucos investimentos no ativo. 1.3 Margem operacional (MO) Martins, Miranda e Diniz (2019) explicam que a margem operacional representa o lucro operacional que foi gerado através das receitas líqui- das (ou vendas líquidas). Aquela pergunta que você já deve ter ouvido ou até mesmo fez, “Qual a margem líquida do negócio?”, cabe direiti- nho aqui. No entanto, quando se refere à margem líquida, o cálculo é outro: lucro líquido dividido pelas receitas líquidas. Com isso, podemos 107Índices de rentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. deduzir que quanto maior a margem, melhor, independentemente se for a líquida ou a operacional. A seguinte equação é utilizada para o cálculo da MO: Margem Operacional = Lucro Operacional × 100 Receita Líquida Os dados da Iguatemi S.A., conforme DRE anteriormente apresenta- da, nos fornecem os seguintes resultados para a MO: MO (2018) = 435.070 × 100 = 60,21% 722.606 MO (2019) = 482.907 × 100 = 63,93% 755.353 MO (2020) = 334.278 × 100 =49,40% 676.664 Explicando os resultados, avista-se a notória queda em 2020, e esta se deve, primariamente, à queda nas receitas, tendo na pandemia o seu principal fator de queda. Nos anos anteriores, 2018 e 2019, o compor- tamento foi melhor, tendo maiores lucros operacionais, o que resultou em 60,21% e 63,93% de margem operacional, respectivamente. Não há menção na literatura sobre quais são os resultados considerados ideais, mas os gestores devem estar atentos às influências dos custos e des- pesas, contando sempre com a elevação das receitas anuais. O método comparativo talvez seja um dos melhores para saber se os resultados encontrados são os mais próximos da média ou até su- perem em sua avaliação. Comparar períodos maiores também é uma boa estratégia de avaliação de desempenho de qualquer companhia, por menor que seja. 108 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática 1.4 Retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) Este é um grande sinalizador de atratividade para uma empresa, es- pecialmente as de capital aberto. Se o indicador for satisfatório, possi- velmente mais injeção de capital terá por parte dos sócios ou de novos investidores. A sigla ROE vem do inglês return on equity, ou retorno so- bre o patrimônio líquido. É, literalmente, quanto de rentabilidade está tendo o capital próprio. É medido pela razão entre o lucro líquido e o pa- trimônio líquido. Se for atribuir ao resultado um percentual, o quociente deve ser multiplicado por 100, como vemos na fórmula a seguir: Retorno sobre Patrimônio Líquido = Lucro Líquido × 100 Patrimônio Líquido De acordo com Silva (2017), esse indicador deve ser comparado a outros ganhos no mercado financeiro para decidir o que compensa para o investidor. No entanto, nenhuma garantia de ganho futuro é dada, mesmo que o histórico do ROE seja bastante atrativo. Medidas adota- das pela empresa, influência da política e economia nacional e interna- cional, incidentes e surpresas, como a pandemia da Covid-19, podem afetar negativamente todos os índices de avaliação de desempenho e rentabilidade. Por isso, ao investir, devemos diversificar o capital investi- do, aportando percentuais do total em algumas empresas ou produtos financeiros. Esta estratégia tende a minimizar as perdas se algo inespe- rado acontecer. Utilizando os dados da Iguatemi nestes cálculos, teremos o seguinte: ROE (2018) = 239.664 × 100 = 8,39% 2.855.040 ROE (2019) = 285.588 × 100 = 9,44% 3.023.770 ROE (2020) = 176.080 × 100 = 5,55% 3.174.014 109Índices de rentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O comentado anteriormente realmente aconteceu em 2020: queda no ROE por ocasião de eventos fora de controle. O ROE de 2018 foi de 8,39%, sendo elevado a 9,44% no ano seguinte, pois o lucro aumentou mais que o PL, proporcionalmente. Contudo, em 2020, a queda foi senti- da com a redução significativa do lucro da Iguatemi S.A. Muitas empre- sas, senão todas, sofreram impacto semelhante, e tantas tiveram pre- juízos em vez de lucro; outras tantas encerraram as atividades por não terem capacidade de se alavancar. A sábia distribuição em investimen- tos pode garantir uma eficiência no retorno conjunto. 1.5 Alavancagem financeira (AF) A palavra destacada no parágrafo anterior se conecta a este as- sunto – a alavancagem financeira. Muitas vezes usada indevida e in- discriminadamente, a palavra alavancagem representa uma estratégia de aumentar o retorno sobre o patrimônio líquido utilizando fontes de terceiros, geralmente financiamentos bancários ou outros recursos provenientes de fontes onerosas (ALMEIDA, 2019). Apesar de parecer simples, uma empresa que contrai dívidas pode, em determinado mo- mento, ter dificuldades em saldá-las, pois tudo depende dos resultados, os quais podem ser positivos (lucros) ou negativos (prejuízos). Talvez isso possa ser explicado melhor em uma situação pes- soal. Suponhamos que você descubra uma forma de ter um rendimento de 5% ao mês, mas não há capital próprio para investir neste negócio. Ao consultar as taxas de um empréstimo pessoal do seu banco, estas são de 3% ao mês. Você pode decidir, neste caso, tomar emprestado o dinheiro e investir naquele que rende 5% ao mês, reinvestindo o lucro também, a cada mês. Pronto! Você entendeu o que é alavancagem fi- nanceira! Utilizou capital de terceiros para obter rendimentos maiores. Será que alguém já tentou fazer isso alguma vez? A seguinte fórmula é para encontrar a alavancagem financeira (AF): 110 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Alavancagem Financeira = Retorno sobre Patrimônio Líquido Retorno sobre Investimento IMPORTANTE Como interpretar os índices do AF: • AF = 1 índice nulo, pois inexiste alavancagem financeira ao se contrair dívidas e usar estes recursos no ativo. • AF > 1 índice favorável, pois existe vantagem financeira em usar capitais de terceiros na aplicação do ativo. • AFempresas. Por isso, os planejamen- tos financeiro e operacional, com os devidos ajustes durante o exercício, são pontos essenciais para a manutenção das atividades empresariais, o que vai depender do gestor ou do time completo. A seguir (gráfico 1), vamos demonstrar em gráfico os resultados do ROE, MO e ROI, conforme cálculos apresentados e já comentados anteriormente. 112 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Gráfico 1 – ROE, MO e ROI – Iguatemi S.A. (2018 a 2020) 0.00% ROE 10.00% 20.00% 2020 5.55% 9.44% 8.39% 49.40% 63.93% 60.21% 30.00% 40.00% 50.00% 60.00% 70.00% MO ROI 2019 2018 2.51% 4.97% 4.44% Considerações finais Pegar dinheiro emprestado nem sempre é um mau negócio. Isso é o que podemos perceber neste capítulo, além de termos aprendido mais sobre os indicadores de retorno dos investimentos que os acionistas/ sócios executam em suas empresas. Nem todas as empresas possuem um giro superior ao próprio valor do ativo, mas deve ser perseguido um giro do ativo cada vez maior, elevando as vendas e, se possível, com menos ativo. A margem ope- racional, como visto, determina quanto o lucro operacional representa das receitas líquidas, e quanto maior esse indicador, melhor. O dinhei- ro emprestado, conforme mencionado, se bem aplicado, é fonte de renda e lucros para a empresa. Por isso, muitas empresas, até mesmo as grandes, tomam capital de terceiros para alavancar seus negócios. As estratégias que cada gestor tenta implementar devem estar baseadas em relatórios contábeis de vários períodos, preferencialmen- te. Isso pode dar mais segurança e certeza nas decisões a tomar, e es- tas devem levar aos ganhos pretendidos pelos sócios e ao desenvolvi- mento e à ampliação das operações na empresa. 113Índices de rentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. IGUATEMI S.A. Demonstrações financeiras padronizadas v1. 2020. Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE. aspx?NumeroSequencialDocumento=100876&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso em: 10 fev. 2022. MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di- dática das demonstrações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons- trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100876&CodigoTipoInstituicao=1 https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100876&CodigoTipoInstituicao=1 115 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 8 Mensuração do valor da empresa Talvez uma das tarefas mais difíceis para um analista ou profissional da contabilidade seja avaliar o valor de uma empresa. Muitas variáveis estão presentes; algumas são nítidas, outras são intangíveis. Apesar desta dificuldade, há alguns indicadores que sinalizam se uma deter- minada entidade pode ser bem avaliada. Há parâmetros específicos para se ter essa mensuração do desempenho econômico, operacional e financeiro. O último capítulo desta obra vai abordar alguns indicadores que são essenciais para um investidor, pois é a partir destes que se pode ter maior assertividade ao participar como acionista em algum empreen- dimento. Siglas como EVA, MVA, EBIT e EBITDA serão explicadas com a aplicação de exemplos. Mesmo assim, todas as fórmulas estudadas 116 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática nos capítulos anteriores fazem parte de uma boa análise. Querer se basear em apenas parte delas pode levar o analista a falsas expecta- tivas e não ter os retornos esperados. Por isso, a melhor estratégia é analisar o maior número de indicadores que puder. 1 Os métodos de avaliação da performance das empresas O objetivo principal de qualquer empresa do segundo setor é o lucro. Uma empresa que não aufere lucros está fadada à descontinuidade. Sem lucro não há expansão de mercado, não há ampliação das unida- des fabris ou comerciais, não há contentamento dos sócios e muitos problemas podem se desencadear. Alguns métodos de avaliação do desempenho podem ser utilizados para acompanhar uma vida inteira de uma empresa, como é o caso do EVA e do MVA. Durante as análises em uma organização, o que vai se perceber é que o acompanhamento da implantação de planos estraté- gicos tem a mesma importância que o seu estabelecimento (SANTOS; WATANABE, 2005), ou seja, o progresso e o sucesso dependem, em grande medida, dos ajustes que se realizam durante a execução de pla- nos. Se há sintomas de que os indicadores estão fora de rota, o gestor deve providenciar métodos para alinhá-los novamente ao desejado. A seguir, alguns métodos de análise de desempenho muito utiliza- dos, embora também existam outros, com suas aplicações específicas. 1.1 EVA e cálculo Não se tem certeza da origem da utilização deste método, mas é possível que tenha surgido há mais de cem anos na Alemanha. O EVA, termo originário do inglês economic value added, identifica se há ganho ou perda de valor da empresa em determinado período. 117Mensuração do valor da empresa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. O EVA, traduzido para o português como valor econômico adiciona- do (ou apenas valor adicionado), representa o custo de oportunidade de um empreendimento, analisando os riscos a que um investimento está sujeito (ASSAF NETO, 2010). Para o mesmo autor, “o Valor Econômico Agregado (VEA) é uma medida da criação de valor identificada no de- sempenho operacional da própria empresa, conforme retratada pelos relatórios financeiros” (ASSAF NETO, 2010, p. 180). Em outras palavras, com o EVA é possível verificar se os sócios, investidores e executivos estão sendo bem remunerados com os investimentos feitos em certo tempo. Ele mede, portanto, a eficiência de um investimento. Levando em consideração que a legislação contábil brasileira inclui as despesas financeiras (derivada de financiamentos, por exemplo), te- mos a seguinte fórmula do EVA: EVA = LOLAI – (CCP% × PL) Em que: • LOLAI é o lucro operacional líquido após os impostos. Corresponde ao NOPAT (net operating profit after taxes, em inglês). Neste indi- cador, a partir do lucro líquido devem ser ajustadas as despesas e receitas financeiras, eliminando o efeito da perda ou ganho finan- ceiro. Pode ser calculado assim: EBIT × (1 – %Impostos). • CCP% é o custo do capital próprio, em percentual, retorno exigido pelos acionistasno uso do seu capital. • PL é o patrimônio líquido. Com isto, vamos a um exemplo de aplicação: Consideremos que a Cia. Invest+ tem os seguintes dados contábeis, referentes a 20x1: • Lucro operacional líquido, após IR: 100.000 • Investimento total (capital próprio): 240.000 • Custo do capital: 13,5% 118 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Com estes dados dispostos na fórmula, se chega ao EVA: EVA = 100.000 – (13,5% × 240.000) = 67.600 Diferentemente do lucro líquido, o resultado indica um acréscimo de valor à empresa. O valor de R$ 67.600,00 é o ganho econômico neste período, ou o luro econômico residual. O resultado dentro dos parênte- ses (R$ 32.400,00) determina o custo de oportunidade, ou seja, o custo que teve a empresa ao tomar o capital dos sócios. O EVA também pode ser negativo, desde que o custo de oportunidade seja superior ao lucro operacional líquido. A empresa usa os recursos próprios, tem o custo envolvido nesta transação e este custo não é suportado pelo lucro apre- sentado. Dito isso, o EVA está ligado diretamente ao valor da empresa, pois se o resultado econômico for superior ao custo do capital este vai agregar valor à empresa; se o resultado for inferior, haverá destruição de valor. O EVA é, então, o que resta do lucro contábil após a dedução dos custos financeiros, sejam estes de terceiros (que são as despesas fi- nanceiras), ou o custo de oportunidade, sobre o capital próprio. 1.2 MVA e cálculo O MVA (market value added) representa a diferença entre o valor de mercado da empresa e o que foi investido nela, com todas as formas de financiamento. Foi concebido este indicador pela necessidade de condutas gerenciais mais eficientes. O MVA tem a ver com projeção de valores futuros de mercado e serve como parâmetro para o EVA. Tudo deve estar voltado para a maximização dos lucros e do retorno aos pro- prietários, sócios ou acionistas (ARAÚJO; ASSAF NETO, 2003). Segundo Stewart (1991), o MVA é a diferença entre o valor de merca- do da empresa e o capital investido. 119Mensuração do valor da empresa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A fórmula utilizada para calcular o MVA é: MVA = Valor de Mercado – Capital investido O valor de mercado de uma empresa é atribuído com a multiplicação da quantidade de ações pelo valor da ação em determinada data. Este valor se altera constantemente, tendo em vista a oscilação do preço das ações, determinada pelo mercado. Assim, ao imaginar que uma empre- sa tem 2 milhões de ações, ao preço atual de R$ 16, seu valor de merca- do é R$ 32 milhões. Já o capital investido corresponde à diferença entre o ativo operacional e o passivo operacional (FREZATTI, 2001). Tomando como exemplo uma empresa fictícia, a Evapora S.A., vamos ver como se comportou o MVA ao final de 2019 e de 2020. Tabela 1 – Valor de mercado Evapora S.A. – 2019 e 2020 DATA PREÇO DA AÇÃO QUANT. DE AÇÕES TOTAL (R$) VALOR DE MERCADO 30 de dez. de 2020 (ON) 2,42 4.435.000 10.732.700 21.731.500 30 de dez. de 2020 (PN) 2,48 4.435.000 10.998.800 30 de dez. de 2019 (ON) 3,09 4.435.000 13.704.150 28.206.600 30 de dez. de 2019 (PN) 3,27 4.435.000 14.502.450 Observe que, assim como outras tantas empresas reais, listadas na Bolsa, há ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) que compõem a estrutura acionária. Basicamente o que difere estes dois tipos de ações é que as ordinárias dão direito a voto nas assembleias, enquanto as preferenciais dão a preferência no recebimento dos lucros e dividendos. O valor de mercado deve ser considerado como a média ponderada dos valores destes dois tipos de ações, conforme se vê no exemplo da tabela 1. 120 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Na sequência, vamos atribuir os valores do investimento, R$ 13 mi- lhões em 2019 e R$ 14 milhões no ano seguinte. O valor do investimen- to é a diferença entre o ativo operacional e o passivo operacional. A partir do valor de mercado que consta na tabela 1 e dos valores de investimento atribuídos, conseguimos usar a fórmula e encontrar o MVA: • MVA 2019 = 28.206.600 – 13.000.000 = 15.206.600 • MVA 2020 = 21.731.500 – 14.000.000 = 7.731.500 O MVA encontrado em 2019 é de pouco mais de R$ 15 milhões, ou seja, foi agregado valor à empresa, além do investimento feito. O valor em 2020 caiu praticamente pela metade, tendo em vista que o valor das ações caiu e o valor do investimento aumentou. Essa combinação resultou, então, em MVA menor em 2020. 1.3 EBIT e EBITDA e cálculos Os dois indicadores são muito utilizados em análises financeiras e de desempenho empresarial. O termo EBIT vem do inglês (earning before interest and taxes). Semelhante ao LOLAI, o EBIT representa o lucro lí- quido antes dos juros e impostos. Os juros, na verdade, poderiam ser definidos como o resultado financeiro, que é a diferença entre despesas e receitas financeiras. Se os juros pagos forem superiores às receitas financeiras, teremos um resultado negativo; se ao contrário, positivo. Os impostos aqui tratados são os sobre o resultado líquido (imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, no Brasil). Este indicador é importante na medida em que exclui do resultado a influência destes custos que podem ser muito diferentes nos demais países. Por isso, o EBIT pode ser utilizado em qualquer país, servindo este como um indicador de geração de caixa operacional. 121Mensuração do valor da empresa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 1 – Composição do EBIT Resultado Líquido + Juros + Impostos EBIT Vamos analisar a Cia. Terrasol S.A. (empresa fictícia) com os seguin- tes dados, nos períodos de 2019 e 2020. Tabela 2 – DRE – Cia Terrasol S.A. – 2019 e 2020 (R$) DESCRIÇÃO 2020 2019 Receita de venda de bens e/ou serviços 1.331.800 1.114.300 (–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –871.400 –751.700 = Resultado bruto 460.400 362.600 (–) Despesas/receitas operacionais –344.800 –287.500 (–) Despesas com vendas –319.100 –306.400 (–) Despesas gerais e administrativas –44.900 –40.900 (+) Outras receitas operacionais 19.200 59.800 (–) Depreciação e amortização –59.800 –54.700 =Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 55.800 20.400 (+/–) Resultado financeiro –12.000 –8.600 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 43.800 11.800 (–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –6.800 –1.800 = Resultado líquido 37.000 10.000 Aplicando os valores da tabela 2 ao conceito do EBIT, temos o seguinte: • EBIT 2019 = 10.000 + 1.800 + 8.600 = 20.400 • EBIT 2020 = 37.000 + 6.800 + 12.000 = 55.800 122 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a disc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática O EBIT desta empresa avaliada gerou estes valores como um parâ- metro de eficiência e capacidade produtiva; isso porque não considera os efeitos dos custos financeiros e dos impostos sobre o resultado, mas contempla as despesas de depreciação e amortização. Diferente do EBIT, o EBITDA é também uma medida de eficiência, mas desconsiderando os efeitos contábeis da depreciação e amor- tização, valores que não saem do caixa, mas são contabilizados para efeitos econômicos. O EBITDA, portanto, significa earnings before inte- rest, taxes, depreciation and amortization; traduzido para nossa língua: lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, também mencionado como LAJIDA (ASSAF NETO, 2010). O EBITDA, assim como o EBIT, é uma das formas de mensurar o lu- cro operacional, pois descarta fatores que diminuem esse lucro. Como cada país tem suas regras e normas tributárias, esse indicador pode ser utilizado em qualquer ambiente empresarial, não importando o porte, o ramo, o tipo ou o local. Por este motivo, o EBITDA é considerado como um dos principais indicadores financeiros/operacionais, dando opções ao investidor para aplicar em qualquer empresa. Figura 2 – Composição do EBITDA + Juros + Impostos + Depreciação EBITDA + Amortização Resultado Líquido 123Mensuração do valor da empresa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quando se analisa uma empresa, um dos métodos utilizados é a comparação com outras, especialmente as ligadas ao mesmo ramo. Os valores históricos também são extremamente úteis, tendo em vista que se uma empresa não tem esse acompanhamento, não há como sa- ber se melhorou ou piorou seu desempenho. Importante observar que estas análises podem ser feitas em períodos menores, como semestres ou trimestres, o que, de fato, é prática recorrente e até obrigatória nas empresas de capital aberto. Essa metodologia transmite transparência e confiança e imprime responsabilidade da gestão para com os acionistas. Utilizando as informações disponíveis na tabela 2, o EBITDA terá uma diferença em relação ao EBIT – a soma da depreciação e amortização. Neste caso, o valor está em conjunto. Tabela 3 – DRE – Cia Terrasol S.A. – 2019 e 2020 (R$) DESCRIÇÃO 2020 2019 Receita de venda de bens e/ou serviços 1.331.800 1.114.300 (–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –871.400 –751.700 = Resultado bruto 460.400 362.600 (–) Despesas/receitas operacionais –344.800 –287.500 (–) Despesas com vendas –319.100 –306.400 (–) Despesas gerais e administrativas –44.900 –40.900 (+) Outras receitas operacionais 19.200 59.800 (-) Depreciação e amortização –59.800 –54.700 = Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 55.800 20.400 (+/–) Resultado financeiro –12.000 –8.600 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 43.800 11.800 (–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –6.800 –1.800 = Resultado líquido 37.000 10.000 124 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Aplicando os valores da tabela 3 ao conceito do EBITDA, temos o seguinte: • EBITDA 2019 = 10.000 + 1.800 + 8.600 + 54.700 = 75.100 • EBITDA 2020 = 37.000 + 6.800 + 12.000 + 59.800 = 115.600 Aqui vemos os valores do EBITDA, com o acréscimo ao valor do EBIT de R$ 54.700 em 2019 e R$ 59.800 em 2020, valores da depreciação e amortização. As demonstrações financeiras das empresas, principal- mente as listadas na Bovespa, já contemplam os indicadores EBIT e EBITDA, o que facilita a análise dos investidores e dos demais usuários das informações. Essas demonstrações são disponibilizadas na área de relação com investidores (RI) nos sites das próprias empresas. Ali também constam relatórios de desempenho, com as devidas explica- ções e justificativas para os resultados. Vale a pena fazer uma pesquisa! 1.4 Valor patrimonial por ação O valor patrimonial por ação (VPA) é a razão entre o patrimônio líqui- do e a quantidade de ações da empresa. O VPA também é conhecido como o valor contábil da empresa, tendo em vista que a fórmula dá essa condição. Obviamente que esta fórmula só pode ser resolvida se a empresa está dividida por ações, o que acontece com as de capital aberto, tais como Petrobras, Vale, Bradesco, Itaú etc. Nesse caso, então, usa-se a fórmula a seguir: VPA = Patrimônio Líquido Quantidade de Ações A situação aqui apresentada é da Portobello S.A., empresa que for- nece materiais para construção civil. Vejamos os anos de 2019 e 2020. 125Mensuração do valor da empresa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Tabela 4 – PL e quantidade de ações – Portobello S.A. – 2019 e 2020 DESCRIÇÃO 2020 2019 patrimônio líquido consolidado (R$) 417.184.000 367.636.000 quantidade de ações (mil) 158.488 158.488 Os cálculos estão a seguir: VPA 2019 = 367.636.000 = 2,32 158.488.000 VPA 2020 = 417.184.000 = 2,63 158.488.000 A razão entre PL e quantidade de ações em 2019 trouxe um VPA de R$ 2,32. Em 2020, esse valor subiu para R$ 2,63. Como a quantidade de ações permaneceu inalterada durante os dois anos e apenas o PL aumentou, essa proporção de aumento se reflete no VPA: mais de 13%. Um detalhe muito importante a observar na hora do cálculo é se há informação de que a quantidade de ações é a quantidade total ou dividi- da por mil, por exemplo. No caso da Portobello, a quantidade declarada foi de 158.488, mas com a observação de que deveria ser multiplicada por mil para ter a quantidade total. Como resumo para saber interpretar o VPA, deixo aqui duas situações: • VPA > 1,00 = a ação está sendo negociada com ágio, comparado ao valor patrimonial. • VPAem uma empresa que tenha um ROE de 10% apenas por ter VPA alto? E se aplicar em uma com ROE de 20% e VPA baixo? Aqui, se confirma novamente a necessidade de usar o máximo de indicadores para se ter melhores análises. Considerações finais Estudar as demonstrações contábeis e analisar os diversos indicado- res é uma tarefa árdua e deve ser precisa. Não pode haver erros, sejam de cálculos ou de interpretações, pois estes trazem as consequências mais desastrosas imagináveis. Para ser analista de mercado, especial- mente o de ações, se exige conhecimento, prática e boa capacidade de interpretação. Investidores buscam retornos, seja por meio da rentabilidade das ações, seja através dos dividendos, que são parte do lucro dividido entre os acionistas. Estratégias são pessoais, particulares, mas todos com o mesmo objetivo: ter retorno financeiro, o maior possível e o mais rápido possível. É isso o que você deve perseguir também. Conhecer os indicadores que medem o desempenho de empresas é um passo a mais na avaliação e análise tão complexa. Espero que o 127Mensuração do valor da empresa M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. conteúdo aqui estudado tenha contribuído para o crescimento intelec- tual na área de análise das demonstrações contábeis. Ficaria satisfeito se esse conhecimento fosse, de fato, aplicado em sua vida profissional. Referências ARAÚJO, Adriana Maria Procópio de; ASSAF NETO, Alexandre. A contabilida- de tradicional e a contabilidade baseada em valor. Revista Contabilidade & Finanças, São Paulo, n. 33, p. 16-32, set./dez. 2003. ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. FREZATTI, Fábio. Contribuição para o estudo do Market Value Added como indicador de eficiência na gestão do valor: uma análise das empresas brasileiras com ações negociadas em bolsa de valores no ambiente brasileiro pós-plano real. Tese (Livre Docência) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/12/tde-07022011- 091220/?&lang=pt-br. Acesso em: 30 nov. 2021. SANTOS, José Odálio dos; WATANABE, Roberto. Uma análise da correlação entre o EVA e o MVA no contexto das empresas brasileiras da capital aber- to. Caderno de pesquisa em administração, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 19-32, jan./mar. 2005. STEWART, G. Benett. The quest for value. New York: Harper Business, 1991. 129 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Sobre o autor Airton A. Bauermann possui mestrado em contabilidade e con- troladoria pela Fecap, especialização em gestão empresarial pela SPEI e graduação em ciências contábeis pela Ulbra. Atuou nas áreas de RH, contabilidade e administração financeira esco- lar durante 15 anos. Desde 2013 atua como docente no Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho (Unasp-EC) nos cursos de graduação em ciências contábeis, ad- ministração, gestão da tecnologia da informação, processos ge- renciais e análise e desenvolvimento de sistemas. É também orientador de estágios e TCCs em contábeis e administração e autor de e-books sobre análise das demonstrações contábeis (Unasp, 2020; Senac, 2021). ANA_DEM_FIN_01_ACE_2022 ANA_DEM_FIN_02_ACE_2022 ANA_DEM_FIN_03_ACE_2022 ANA_DEM_FIN_04_ACE_2022 ANA_DEM_FIN_05_ACE_2022 ANA_DEM_FIN_06_ACE_2022 ANA_DEM_FIN_07_ACE_2022 ANA_DEM_FIN_08_ACE_2022Lei. © Editora Senac São Paulo. DESCRIÇÃO CAPITAL SOCIAL RESERVAS DE CAPITAL RESERVAS DE LUCRO LUCROS OU PREJ. ACUM. OUTROS RES. ABRANG. TOTAL PATRIM. LÍQ. CONSOLIDADO Equiv. patrim. s/result. abrang. Coligadas – – – – 253 253 Ajustes de conversão do período – – – – 55.018 55.018 Mutações internas do patrimônio líquido – – 824.753 –824.753 – – Constituição de reservas – – 824.753 –824.753 – – Saldos finais 3.805.326 –25.430 1.694.515 – 26.905 5.501.316 Fonte: adaptado de CVM (2020). Antes de seguirmos com explicações sobre as correlações, impor- tante destacar que os valores constantes nas tabelas são resultados da divisão por mil. Exatamente! Veja a seguinte informação que há no título de todas as tabelas: “(R$ mil)”. É o aviso de que os valores foram divididos por mil (R$ mil). Assim, eles devem ser multiplicados por mil para se chegar ao valor real. Esta metodologia é utilizada, geralmente, para facilitar a visualização, até porque alguns valores estão na casa dos bilhões! Detalhe importante é que nem sempre são divididos ape- nas por mil, mas até por milhão. Nos demonstrativos deve haver esta informação sempre que for usada esta estratégia Como você pode perceber, as demonstrações foram disponibilizadas nesta etapa para que se encontrassem vínculos entre elas. E é claro que não poderia ser diferente, pois dados que estão no grupo do PL (BP), por exemplo, devem estar demonstrados detalhadamente na DMPL. Observe na tabela 3 os saldos iniciais e finais de todas as contas da DMPL (primeira e última linha, respectivamente). Estes estão con- cordando com os valores demonstrados na tabela 1 (BP). Analise, também, como se alterou o saldo da conta Capital social, passando de 14 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .R$ 3.795.634 em 2019 para R$ 3.805.326 em 2020. Este aumento de R$ 9.692 está explicitado na DMPL. Mais uma constatação que pode ser feita, dentre outras: a tabela 4 (DRA) a seguir e a tabela 2 (DMPL) apresentam os valores referentes ao resultado abrangente. Acredito que você já ouviu falar sobre a DRA, mas aqui vai um breve conceito. De acordo com o CPC 26, a DRA inclui todas as mudanças no patrimônio durante algum período, com exceção daquelas resultantes de investimentos dos sócios e distribuições aos sócios, ou seja, são alterações ocorridas por outros eventos que não sejam derivadas dos sócios. Na sexta coluna da DMPL, portanto, estão relacionados os valores que a DRA contém em sua completude. A relação é clara! O saldo de R$ 1.136.363, no ano mais recente, está devidamente desmembrado na DRA, conforme se vê a seguir. Tabela 4 – DRA – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Lucro líquido consolidado do período 1.096.269 1.086.201 Outros resultados abrangentes 40.094 –15.337 Hedge de fluxo de caixa –22.612 274 Impostos relacionados com resultado do hedge de fluxo de caixa 7.688 –93 Ajustes cumulativos de conversão de moeda estrangeira 55.018 –15.518 Resultado abrangente consolidado do período 1.136.363 1.070.864 Atribuído a sócios da empresa controladora 1.136.363 1.070.864 Fonte: adaptado de CVM (2020). 15Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. PARA SABER MAIS Se você quiser saber um pouco mais sobre a estrutura das demons- trações contábeis, ou até mesmo para relembrar alguns conceitos relacionados à área contábil/financeira, consulte publicação do Conse- lho Regional de Contabilidade do Paraná, disponível na internet: CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO PARANÁ (CRC- PR). Demonstrações Contábeis: Aspectos Práticos – Elaboração e Apresentação conceitual de acordo com o IFRS. Conselho Regional de Contabilidade do Paraná. [201-]. Disponível em: https://www3.crcpr.org. br/crcpr/conteudo/downloads/05-demonstracoes-contabeis-aspectos- praticos-elaboracao-e-apresentacao-conceitual-de-acordo-com-o-ifrs. pdf. Acesso em: 14 out. 2021. A seguir, parte do BP (ativo circulante) referente aos anos 2020 e 2019. Tabela 5 – BP (ativo circulante) – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO 2.020 2.019 Ativo total 14.642.583 11.552.902 Ativo circulante 8.896.766 6.656.209 Caixa e equivalentes de caixa 2.066.781 980.954 Aplicações financeiras 605.572 391.348 Contas a receber 3.811.668 3.825.961 Estoques 1.381.662 1.124.506 Tributos a recuperar 961.997 258.396 Outros ativos circulantes 69.086 75.044 Fonte: adaptado de CVM (2020). 16 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Ao identificarmos os valores de Caixa e equivalentes de caixa, por exemplo (R$ 980.954 em 2019 e R$ 2.066.781 em 2020), percebemos que a diferença é R$ 1.085.827, valor que está na DFC, demonstrada a seguir. O aumento do capital social, percebido no PL, também visto na DMPL, na DFC está estampado de igual forma. Estes são valores que movimentaram o disponível, ou seja, não são lançamentos isolados, mas que refletem em outros demonstrativos. A DFC, para relembrar, mostra todos os saldos movimentados na conta Caixa ou equivalentes de caixa, ou seja, tudo aquilo que foi pago ou recebido em algum momento do exercício. Os movimentos contá- beis desta conta são lançados no livro diário, mas a soma do período consta neste demonstrativo. Tabela 6 – DFC – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Caixa líquido atividades operacionais 608.379 1.581.687 Caixa gerado nas operações 981.028 2.552.695 Lucro líquido do período 1.096.269 1.086.201 Depreciações e amortizações 791.036 694.712 Despesas de juros sobre empréstimos, debêntures e custo de estruturação 238.548 208.449 Juros de financiamentos de serviços operacionais 29.708 0 Imposto de renda e contribuição social 104.492 405.781 (Reversão) perdas estimadas em ativos, líquidas 117.371 91.705 Outros ajustes do lucro líquido 95.560 65.847 Exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, líquido dos impostos e honorários –1.363.029 0 Descontos – arrendamentos a pagar –128.927 0 (cont.) 17Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Variações nos ativos e passivos 197.199 –832.745 Contas a receber de clientes –95.712 –783.799 Estoques –265.461 28.993 Tributos a recuperar 75.502 –44.574 Outros ativos –1.287 –26.814 Financiamentos – operações serviços financeiros 0 –360.220 Fornecedores 419.457 59.255 Obrigações fiscais –124.919 –83.629 Obrigações com administradoras de cartões 207.870 291.302 Outras obrigações –18.251 86.741 Outros –569.848 –138.263 Pagamentode imposto de renda e contribuição social –296.099 –302.474 Juros pagos sobre empréstimos e debêntures –49.224 –43.675 Juros pagos sobre financiamentos de serviços operacionais –10.301 0 Aplicações financeiras –214.224 207.886 Caixa líquido atividades de investimento –543.829 –750.273 Aquisições de imobilizado e intangível –543.976 –751.428 Recebimentos por vendas de ativos fixos 147 1.155 Caixa líquido atividades de financiamento 1.013.300 –647.713 Aumento do capital social 9.692 46.111 Recompra de ações –96.964 4 Captações de empréstimos 3.467.279 724.681 (cont.) 18 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Amortização de empréstimos e debêntures –1.787.961 –632.928 Contraprestação de arrendamento mercantil financeiro –334.911 –376.500 Juros sobre capital próprio e dividendos pagos –243.835 –409.081 Variação cambial sobre caixa e equivalentes 7.977 12.123 Aumento (redução) de caixa e equivalentes 1.085.827 195.824 Saldo inicial de caixa e equivalentes 980.954 785.130 Saldo final de caixa e equivalentes 2.066.781 980.954 Fonte: adaptado de CVM (2020). Ao identificarmos os valores de Caixa e equivalentes de caixa na DFC (R$ 980.954 em 2019 e R$ 2.066.781 em 2020), por exemplo, relacio- namos com a mesma conta do BP, com um aumento de R$ 1.085.827 entre esses anos. Outro item para observar: Obrigações com adminis- tradoras de cartões, com diferença entre 2019 e 2020 de R$ 207.780, explícito na DFC e no BP (passivo circulante), a seguir. Tabela 7– BP (passivo circulante parcial) – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Outras obrigações 2.113.283 1.778.274 Outros 2.113.283 1.778.274 Dividendos e JCP a pagar 244.389 237.259 Outras obrigações 145.835 94.413 Participações estatutárias 1.880 5.855 Obrigações com administradoras de cartões 1.193.168 985.298 Fonte: adaptado de CVM (2020). 19Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A seguir temos a DVA, a qual demonstra como foi gerada a rique- za da empresa, assim como a sua distribuição, seja com empregados, governo, instituições financeiras ou os próprios acionistas/sócios, em cada período. Tabela 8 – DVA – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Receitas 9.995.026 11.981.576 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 9.574.750 12.257.917 Outras receitas 832.912 104.708 Provisão/reversão de créditos de liquidação duvidosa –412.636 –381.049 Insumos adquiridos de terceiros –5.406.310 –5.773.244 Custos de produtos, mercadorias e serviços vendidos –3.658.781 –4.219.379 Materiais, energia, serviços de terceiros e outros –1.668.259 –1.467.856 Perda/recuperação de valores ativos –79.270 –86.009 Valor adicionado bruto 4.588.716 6.208.332 Retenções –791.036 –694.712 Depreciação, amortização e exaustão –791.036 –694.712 Valor adicionado líquido produzido 3.797.680 5.513.620 Valor adicionado recebido em transferência 742.096 76.054 Receitas financeiras 742.096 76.054 Valor adicionado total a distribuir 4.539.776 5.589.674 Distribuição do valor adicionado 4.539.776 5.589.674 Pessoal 1.099.119 1.259.051 Impostos, taxas e contribuições 1.808.080 2.681.990 (cont.) 20 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 01/01/2019 A 31/12/2019 Remuneração de capitais de terceiros 536.308 562.432 Remuneração de capitais próprios 1.096.269 1.086.201 Fonte: adaptado de CVM (2020). Aqui, na DVA, perceba os valores da última linha, referentes à Remuneração de capitais próprios: estes correspondem aos que apare- cem na DFC como Lucro líquido do período, que é o mesmo que a DRE traz como Lucro líquido do período, além de constar na DRA. Por fim, uma das notas explicativas referentes aos valores que com- põem a conta Caixa e equivalentes de caixa do BP (ativo circulante). As notas explicativas têm a função de detalhar os itens que merecem uma complementação informativa, tais como as políticas adotadas pela em- presa em alguma contabilização, mensuração ou simplesmente para desmembrar valores que estão unificados em contas mais abrangen- tes, como no caso do disponível Tabela 9 – Nota explicativa – Lojas Renner – 2020 (R$ mil) Indexador Taxa média ponderada a.a. Consolidado 31/12/2020 31/12/2019 Reapresentado (*) Caixa e bancos Moeda nacional 95.958 136.655 Moeda estrangeira 44.345 45.028 Equivalentes de caixa CDB CDI 103,0% a 104,5% 1.830.736 676.527 Fundos de investimento CDI 17,6% 77.927 100.919 (cont.) 21Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Indexador Taxa média ponderada a.a. Consolidado 31/12/2020 31/12/2019 Compromissadas em debêntures CDI 86.5% 5.486 23 Aplicação automática CDI 10.0% 12.301 21.758 Fundo – BACEN Jud CDI 61.3% 28 41 Total 2.066.781 980.954 (*) Reapresentação dos saldos comparativos em razão da alteração de política contábil de classificação de fundos de investimento exclusivo, conforme descrito na nota explicativa 3.6.1.2. Fonte: adaptado de CVM (2020). A seguir, a transcrição da nota explicativa 3.6.1.2, conforme mencio- nado no parágrafo anterior: 3.6.1.2 Classificação do Fundo Exclusivo de Investimento. Ana- lisando a composição do saldo do fundo Brasil Plural Retail FI, a Administração identificou a necessidade de alterar a forma de apresentação do fundo de investimento. O fundo Brasil Plural Retail FI possui parte da alocação dos seus ativos em títulos cuja liquidez não é garantida via compromisso de recompra pelo emissor, mas sim através de mercado secundário e por esta razão, em benefício da comparabilidade com demais ativos com mesmas caracterís- ticas, como títulos públicos, a Companhia reclassificou de equiva- lentes de caixa para aplicações financeiras. Vale dizer que referida reclassificação não tem qualquer alteração na gestão de caixa da Companhia, bem como na gestão de capital e covenants de dívida. (LOJAS RENNER, 2020, p. 51) Dessa forma, as notas explicativas servem justamente para clarear os dados que constam em algum demonstrativo, o que significa dizer que a transparência deve ser prioridade em qualquer tipo de empresa. Acionistas, sócios, administradores e demais usuários destes relató- rios avaliam sempre as notas explicativas para entender a política da empresa, dos eventuais incidentes de baixa ou alta de algum saldo, de possíveis ajustes necessários, mesmo após a publicação inicial dos re- latórios contábeis. 22 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e alun o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Assim, a comparação e interligação dos diversos demonstrativos fi- cam evidentes e percebemos que isso se torna necessário no mundo corporativo, especialmente em empresas de capital aberto. PARA PENSAR Você já tinha parado para pensar que muitas informações dos demons- trativos contábeis/financeiros estavam intrinsecamente ligadas? Pois é, essa reflexão é importante, pois o que se percebe é que um lançamento contábil, constante no livro diário, alimenta vários documentos, os quais se complementam e colaboram para a tomada de decisões. Estudar fi- nanças é, de fato, um desafio e tanto! 3 Objetivos da análise das demonstrações Vamos imaginar uma empresa sem nenhum controle contábil/finan- ceiro. Pronto. Já pensou em alguma? Que tal a própria Lojas Renner, analisada neste capítulo? Então, definida a empresa, o seguinte passo é: o gestor precisa saber se as vendas aumentaram em relação ao ano passado. Opa... mas se a empresa não tem controle, como fará esta comparação? Impossível! De fato, nenhuma empresa, por menor que seja, consegue sobreviver sem controles, ainda que sejam aqueles mais rudimentares, como as anotações de venda a prazo na tal “caderneta”, em que os clientes, em determinado dia, vêm para fazer o pagamento. Rudimentares ou não, o importante e essencial para a sobrevivência de qualquer empresa é manter registros e controles adequados. O grande objetivo das análises das demonstrações contábeis/finan- ceiras é justamente saber o que aconteceu em determinado prazo ou in- tervalo, assim como fazer as comparações temporais, ou mesmo com- parações com outras empresas. Nos capítulos seguintes as análises 23Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. comprovarão o papel fundamental que elas têm para os gestores, para os investidores e para você. Não importa se você ainda não investe, se você ainda não gere alguma empresa ou se nunca se viu como um em- presário. O importante é saber que sem análises não é possível investir, não é possível gerir e muito menos ser um empresário. Voltando ao caso das Lojas Renner, sabemos que esta mantém rí- gidos controles financeiros, com vários colaboradores na linha de fren- te, tentando demonstrar que investir nesta empresa pode render bons retornos, seja através da valorização das ações, seja pelos dividendos que ela distribui periodicamente. Caso não houvesse material suficiente para as comparações entre períodos, não seria possível afirmar nada a respeito da situação atual. Análises horizontais, verticais, índices de liquidez, de rentabilidade, de ações e tantos outros indicadores dão credibilidade e confiança na hora de investir, seja para o pequeno ou para o grande investidor. O im- portante é, além de calcular os indicadores, saber como interpretá-los. Aí está a essência da análise: saber usar as ferramentas que se tem para se tirar o maior proveito possível. Considerações finais Este capítulo apresentou algumas correlações existentes e visíveis a respeito das diversas demonstrações contábeis. Não tratamos aqui da estrutura de cada demonstrativo, até porque não foi o objetivo, mas acredito que alguns pontos ficaram mais claros e mostraram sentido quando apresentados. Acredito que muitos passam por alto a questão das correlações que existem entre BP, DRA, DMPL, DRE, DFC, DVA e notas explicativas. Tendo um olhar atento e primoroso, você conseguirá relacionar o que deve estar presente em uma ou outra demonstração, e, ainda, o que obrigatoriamente é exigido estar em duas, três ou até mais. 24 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Alguns valores foram destacados neste capítulo, talvez os mais evi- dentes e fáceis de encontrar, o que não significa que você deva se limi- tar aos que aqui foram apresentados. Sugiro que, com tempo adequa- do, sejam comparados mais dados “duplicados”, fazendo um paralelo e se questionando o porquê de existirem tais semelhanças. Referências BRASIL. Lei nº 6404/1976, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Diário Oficial da União: Brasília, DF, p. 1, 17 dez. 1976. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 4 set. 2021. BRASIL. Lei nº 11.638/2007, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Diário Oficial da União, Brasília, DF, p. 2, 28 dez. 2007. Disponível em: www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 20 nov. 2021. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Deliberação CVM nº 676, de 13 de dezembro de 2011. Aprova o Pronunciamento Técnico CPC 26(R1) do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata da Apresentação das Demonstrações Contábeis. 2011. Disponível em: http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/ legislacao/deliberacoes/anexos/0600/deli676.pdf. Acesso em: 20 nov. 2021. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). DFP – Demonstrações Financeiras Padronizadas – Lojas Renner. 2020. Disponível em: https://www. rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocu- mento=100134&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso em: 21 nov. 2021. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Resolução nº 1.374, de 8 de dezembro de 2011. Dá nova redação à NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil– Financeiro. Disponível em: https://www3.semesp.org.br/portal/pdfs/juridico2011/ Resolucoes/res_CFC_1374(08_12).pdf. Acesso em: 20 nov. 2021. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0600/deli676.pdf http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0600/deli676.pdf https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100134&CodigoTipoInstituicao=1 https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100134&CodigoTipoInstituicao=1 https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100134&CodigoTipoInstituicao=1 https://www3.semesp.org.br/portal/pdfs/juridico2011/Resolucoes/res_CFC_1374(08_12).pdf https://www3.semesp.org.br/portal/pdfs/juridico2011/Resolucoes/res_CFC_1374(08_12).pdf 25Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). NBC TG 26 (R5) – Apresentação das demonstrações contábeis. 2017.Disponível em: https:// www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG26(R5).pdf. Acesso em: 21 nov. 2021. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO PARANÁ (CRC-PR). Demonstrações Contábeis: Aspectos Práticos – Elaboração e Apresentação conceitual de acordo com o IFRS. Conselho Regional de Contabilidade do Paraná. [201-]. Disponível em: https://www3.crcpr.org.br/crcpr/conteudo/ downloads/05-demonstracoes-contabeis-aspectos-praticos-elaboracao-e- apresentacao-conceitual-de-acordo-com-o-ifrs.pdf. Acesso em: 14 out. 2021. SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 27 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 2 Análise vertical e horizontal Qual é a sua altura hoje se comparada àquela quando tinha dez anos de idade? Acredito, pela lógica, que deve ser maior. Certo? Como po- demos saber disso? Você tem registrado sua altura antiga? Você foi acompanhando ano a ano esta evolução e pensando: “Nossa! Como eu cresci!”? Pois é, na gestão de uma empresa, isto não é diferente; ou seja, haverá comparações. Estas podem ser diárias, semanais, mensais, trimestrais, anuais... O que pode ser diferente em relação à sua altura é que muitas vezes o tal “crescimento” de uma empresa pode não existir. Bem, neste segundo capítulo, como você já percebeu, vamos abor- dar métodos comparativos das demonstrações contábeis: as análises vertical e horizontal. Tenho convicção de que será um tema relevante 28 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática e muito útil para a gestão financeira de qualquer empresa, seja um grande conglomerado ou uma microempresa individual. Por isso, foco no conteúdo! 1 Análise horizontal As perguntas iniciais, na introdução, têm o objetivo de você lembrar do seu passado e de como sua altura foi evoluindo ao longo do tempo. Claro que algumas pessoas têm crescimento mais acelerado em deter- minadas épocas, as chamadas “fases de crescimento”. Eu passei por isso! Até pensavam que minha altura não seria superior a 1,70 m, mas passou dos 1,80 m. Se eu comparasse esta minha altura de hoje com a de cinco anos atrás, não teria diferença alguma. Se comparada com a dos meus 10 anos, realmente eu cresci bastante. Por que fiz o comparativo? Justamente pela relação que vejo com as empresas de todos os segmentos no Brasil e no mundo. Isso é visível e está à nossa frente, nos noticiários, na internet, nas redes sociais tão disseminadas. Ou vai dizer que nunca ouviu falar em crescimento do PIB do Brasil, da evolução do valor de mercado de alguma empresa, das perdas que outras estão demonstrando? Tudo isso faz parte das análises financeiras. Quando se fala em Análise Horizontal (AH), uma linha horizontal pode ser imaginada, o que está em total consonância com o título. Tomando como parâmetro Martins, Miranda e Diniz (2019), estes afirmam que este tipo de análise é de suma importância ao longo dos anos, pois nos mostra as variações, identificando, inclusive, possíveis tendências. Disto isso, percebemos que a Análise Horizontal deve ser tomada como uma prática constante e perene em uma entidade. A Análise Horizontal se utiliza da técnica comparativa entre períodos. Geralmente as empresas utilizam meses, trimestres ou anos para esta análise. Pode ser feita diariamente? Pode, a depender da necessidade 29Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. do gestor e em algumas situações e contas específicas. Mas comparar o quê, afinal de contas? As análises ocorrem em diversos relatórios contábeis, tais como o balanço patrimonial (BP), demonstração do resultado do exercício (DRE), demonstração do fluxo de caixa (DFC) e outros. Poderíamos ana- lisar a conta Caixa, por exemplo, no ativo circulante. Ela pode dispor hoje de muito dinheiro, mas talvez não tenha sido esta a situação no trimes- tre anterior. A conta Fornecedores, no passivo circulante, também pode ter sofrido muitas variações ao longo do tempo. Na verdade, todas as contas podem ser analisadas horizontalmente. A análise pode ocorrer de duas formas: anual ou encadeada. Anual é dita da análise que compara um período com o ligeiramente anterior. Relembrando: também pode ser um trimestre com o outro, por exem- plo. Já a encadeada é aquela que compara um período com aquele que serve de base para todos os outros. Para clarear, anual pode ser com- parando 2020 com 2019, 2019 com 2018, e assim por diante. Na enca- deada, 2020 e 2019 seriam analisados em relação ao ano 2018. Neste caso, então, o ano de 2018 é o período base. A análise horizontal pode ser realizada, portanto, desta forma: AH% = Valor atual × 100 Valor base Há, ainda, o formato sem o percentual, o que resultaria em um número decimal, bastando para isto excluir a multiplicação do cálculo. Por fim, ainda existe como mostrar somente a variação percentual entre os valo- res. Para ser apresentada dessa maneira, é só aplicar a seguinte fórmula: ∆AH% = [ ( Valor atual ) –1 ] × 100 Valor base Antes de tomarmos um exemplo da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), lanço um questionamento para você pensar: os seus 30 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática rendimentos atuais, recebidos de trabalhos prestados, produtos vendi- dos, aplicações em bolsa de valores, compra e venda de criptomoedas ou qualquer outra fonte de recursos, são superiores aos do ano ante- rior? Que tal fazer esse simples exercício para saber como está a evolu- ção dos seus “negócios”? Agora, sim, vamos ao exemplo para aplicação, deixando claro que todos são oriundos da Bovespa ou da empresa consultada, na área de Relações com Investidores (RI). Você pode fazer isto e confirmar os da- dos posteriormente. Tabela 1 – Análise Horizontal Anual da DRE – Atacadão (2018 a 2020) – (R$ mil) DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 AH % 01/01/2019 A 31/12/2019 AH % 01/01/2018 A 31/12/2018 AH % Receita de venda de bens e/ou serviços 71.191.000 118,53% 60.064.000 110,68% 54.267.000 100 (—) Custo dos bens e/ou serviços vendidos —57.273.000 120,28% —47.615.000 111,03% —42.886.000 100 = resultado bruto 13.918.000 111,80% 12.449.000 109,38% 11.381.000 100 (+/—) Despesas/ receitas operacionais —9.414.000 97,37% —9.668.000 116,99% —8.264.000 100 = Result. antes do res. financ. e dos tributos 4.504.000 161,96% 2.781.000 89,22% 3.117.000 100 (+/—) Resultado financeiro —579.000 115,34% —502.000 139,06% —361.000 100 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 3.925.000 172,22% 2.279.000 82,69% 2.756.000 100 (cont.) 31Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução eo com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 AH % 01/01/2019 A 31/12/2019 AH % 01/01/2018 A 31/12/2018 AH % (-) Imposto de renda e contrib. social s/ lucro -1.081.000 113,67% –951.000 106,49% –893.000 100 = Lucro/prejuízo consolidado do período 2.844.000 214,16% 1.328.000 71,28% 1.863.000 100 Atribuído a sócios da empresa controladora 2.671.000 263,67% 1.013.000 61,02% 1.660.000 100 Atribuído a sócios não controladores 173.000 54,92% 315.000 155,17% 203.000 100 Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). A DRE do Atacadão, muito conhecido por ser um mercado de “ataca- rejo” (atacado e varejo), tem a DRE analisada horizontalmente, na forma anual, ou seja, comparando períodos com os anteriores. A DRE, como todos sabem, traz as movimentações de vendas, custos, despesas e resultado ao final do exercício. Vamos à análise. O ano 2018 foi o parâmetro para o ano 2019. As receitas de ven- das de bens e/ou serviços tiveram um aumento de 10,68% e o lucro reduziu quase 29%. Esses percentuais estão implícitos, pois a análise horizontal, da forma como apresentamos, indica quanto 2019 represen- ta de 2018. Se o percentual foi 110,68%, significa que houve aumento de 10,68%. No caso do lucro, este atingiu apenas 71,28% em 2019 do que foi demonstrado em 2018. Pela regra matemática, devemos dedu- zir dos 100% os 71,28%, chegando a exatos 28,72% de redução; ou seja, sempre que o percentual foi superior a 100, esta diferença a mais repre- senta exatamente a variação positiva. Caso não alcance os 100%, a di- ferença será uma variação negativa. Dessa forma, apesar de as vendas 32 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática terem aumentado mais de 10%, despesas e custos influenciaram nega- tivamente, reduzindo o lucro em 2019. Ao analisarmos os mesmos itens em 2020, comparados com 2019, temos que as receitas aumentaram 18,53% e o lucro aumentou 114,16%, ou seja, mais do que o dobro de 2019! E é exatamente aí que devemos analisar as demais contas da DRE, pois isoladamente elas podem per- der um pouco de sentido. Vejamos outras. Os custos dos bens e/ou serviços vendidos tiveram variação de 11,03% e 20,28%, em 2019 e 2020, respectivamente. Já nas despesas/ receitas operacionais, aumento de 16,99% (2019) e redução de 2,63% (2020). O resultado financeiro, que é a diferença entre receitas e des- pesas financeiras, teve variação de 39,06% e 15,34%, respectivamente, em 2019 e 2020. Veja que estes percentuais são reflexos de consumo de capital, geralmente pagamento de juros de financiamentos, o que é muito comum nas empresas, servindo até como alavancagem para os negócios. Por fim, o imposto de renda e a contribuição social consumi- ram 6,49% a mais em 2019, em comparação com 2018, e 13,67% em 2020, em comparação com 2019. Estes dados, por si só, podem direcionar a tomada de decisões por parte dos gestores, sem refletir, no entanto, a melhor decisão. Afirmamos isto em função de uma máxima que existe na gestão de empresas: ne- nhuma decisão deve ser tomada com dados isolados; ou seja, analisar a DRE é parte de um “combo” de demonstrações, aquelas que já foram relembradas no capítulo anterior. Voltando à análise horizontal, que tal demonstrarmos a forma en- cadeada? Então, vamos lá! Para isso, a mesma DRE do Atacadão será objeto de análise. 33Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Tabela 2 – Análise Horizontal Encadeada da DRE – Atacadão (2018 a 2020) – (R$ mil) DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 31/12/2020 AH % 01/01/2019 A 31/12/2019 AH % 01/01/2018 A 31/12/2018 AH % Receita de venda de bens e/ou serviços 71.191.000 131,19% 60.064.000 110,68% 54.267.000 100 (–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –57.273.000 133,55% –47.615.000 111,03% –42.886.000 100 = Resultado bruto 13.918.000 122,29% 12.449.000 109,38% 11.381.000 100 (+/–) Despesas/receitas operacionais –9.414.000 113,92% –9.668.000 116,99% –8.264.000 100 = Result. antes do res. financ. e dos tributos 4.504.000 144,50% 2.781.000 89,22% 3.117.000 100 (+/–) Resultado financeiro –579.000 160,39% –502.000 139,06% –361.000 100 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 3.925.000 142,42% 2.279.000 82,69% 2.756.000 100 (–) Imposto de renda e contrib. social s/ lucro –1.081.000 121,05% –951.000 106,49% –893.000 100 = Lucro/prejuízo consolidado do período 2.844.000 152,66% 1.328.000 71,28% 1.863.000 100 Atribuído a sócios da empresa controladora 2.671.000 160,90% 1.013.000 61,02% 1.660.000 100 Atribuído a sócios não controladores 173.000 85,22% 315.000 155,17% 203.000 100 Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). Já conseguiu visualizar a diferença? Pois bem, a diferença está na coluna AH% entre 2020 e 2019. Por quê? Porque aqui se muda a base de cálculo, ou seja, ao invés de utilizar como base o ano de 2019, agora é o ano de 2018 o parâmetro para análise. https://www.rad.cvm.gov.br 34 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Analisando os mesmos itens iniciais, receita de vendas e lucro do pe- ríodo, podemos observar que aquele sofreu um acréscimo de 31,19% e este 52,66%, pois aqui se comparam dados de 2020 com 2018. Nestes dois itens, as variações na análise horizontal anual foram, respectiva- mente, 18,53% e 114,56%, ou seja, na comparação de 2020 com 2019. Na análise horizontal encadeada, portanto, as receitas de vendas de 2020 variaram mais do que na análise horizontal anual. Já no lucro do período, foi o inverso: a variação foi bem menor. Isso se deve porque o lucro foi reduzido em 2019, fazendo com que a base na análise horizon- tal anual fosse um valor menor do que na encadeada. Perceba, portanto, que a análise horizontal sempre deve ser realiza- da de acordo com as necessidades da entidade, podendo ser anual ou encadeada. Lembrando que, apesar do nome “anual”, esta pode ser feita mensalmente ou trimestralmente, por exemplo, o que poderíamos cha- mar de análise horizontal trimestral ou conforme o período em análise. E, por fim, não há como comparar e fazer análises entre itens/contas distintas: lucro só pode ser comparado com lucro; vendas com vendas, e assim por diante. Embora aqui não conste o exercício prático, outras demonstrações são comumente analisadas com esta técnica, principal- mente o balanço patrimonial, o qual será utilizado na análise vertical, na sequência do conteúdo. IMPORTANTE Existem duas formas de fazer a análise horizontal: • Anual: a comparação se dá entre períodos sequenciais. • Encadeada: a comparação usa uma única base, sempre a mais antiga, para todos os cálculos. A análise horizontal tem ainda algumas características e critérios im- portantes a serem observados: 35Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. ©Editora Senac São Paulo. • Quando há valores com sinais diferentes (+/–), a análise fica pre- judicada, pois a fórmula não contempla estas exceções. É só ima- ginar uma empresa com um prejuízo de R$ 1 mil em um período e no seguinte um lucro de R$ 2 mil. Como ficaria? A resposta ma- temática seria “–200%”. Ou o contrário: lucro de R$ 1 mil e na se- quência prejuízo de R$ 2 mil. O resultado seria o mesmo! Portanto, análise horizontal somente com sinais iguais (+/+; –/–). • Se o período base for de valor zero, também não é possível fazer a análise horizontal, pois a regra matemática afirma que inexiste o resultado para um denominador nulo. 2 Análise vertical A análise vertical, também fazendo jus ao nome, analisa a participa- ção de cada item em um determinado grupo ou subgrupo das demons- trações contábeis. O cálculo é realizado através da divisão do item em análise pelo valor do grupo/subgrupo (resultado é um número decimal), podendo multiplicar por 100 (resultado é em percentual). Geralmente, a base de análise no balanço patrimonial é o grupo do Ativo Total. Isso significa que todos os subgrupos ou contas do BP, inclusive as contas do passivo e patrimônio líquido, têm no valor do total do ativo seu parâ- metro de análise. Contudo, se utilizar os valores do passivo total como base, em nada será alterado o percentual, pois o ativo e o passivo total têm valores iguais. Já na DRE, o valor definido para a análise vertical é o das receitas com vendas líquidas. Tanto a forma percentual quanto a decimal são válidas e podem ser usadas, de acordo com a preferência do usuário. Veja como ficam as fórmulas da AV% e AV: AV%= Valor do item × 100 Valor base AV = Valor do item Valor base 36 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Como exemplo, vamos tomar parte do BP do Atacadão para apre- sentar esse tópico. Tabela 3 – Análise Vertical do BP – Atacadão – 2020 e 2019 (R$ mil) DESCRIÇÃO AV% 2020 AV% 2019 Ativo total 100,00% 51.824.000 100,00% 44.912.000 Ativo circulante 49,04% 25.413.000 49,33% 22.155.000 Caixa e equivalentes de caixa 10,94% 5.672.000 11,85% 5.322.000 Aplicações financeiras 0,00% - 0,64% 287.000 Contas a receber 20,74% 10.747.000 21,45% 9.632.000 Estoques 14,88% 7.709.000 13,25% 5.949.000 Tributos a recuperar 1,60% 827.000 1,46% 655.000 Outros ativos circulantes 0,88% 458.000 0,69% 310.000 Ativo não circulante 50,96% 26.411.000 50,67% 22.757.000 Ativo realizável a longo prazo 15,66% 8.115.000 15,54% 6.979.000 Investimentos 0,98% 508.000 1,19% 535.000 Imobilizado 29,84% 15.465.000 28,76% 12.915.000 Intangível 4,48% 2.323.000 5,18% 2.328.000 Passivo total 100,00% 51.824.000 100,00% 44.912.000 Passivo circulante 47,70% 24.720.000 44,66% 20.059.000 Obrigações sociais e trabalhistas 1,72% 891.000 1,54% 690.000 Fornecedores 27,83% 14.423.000 27,14% 12.187.000 Obrigações fiscais 1,22% 632.000 1,16% 521.000 Empréstimos e financiamentos 1,38% 713.000 0,45% 201.000 (cont.) 37Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. DESCRIÇÃO AV% 2020 AV% 2019 Outras obrigações 15,55% 8.061.000 14,38% 6.460.000 Passivo não circulante 19,41% 10.059.000 22,60% 10.148.000 Empréstimos e financiamentos 9,77% 5.065.000 9,54% 4.283.000 Outras obrigações 0,51% 264.000 2,27% 1.018.000 Tributos diferidos 1,16% 602.000 1,19% 534.000 Provisões 7,97% 4.128.000 9,60% 4.313.000 Patrimônio líquido consolidado 32,89% 17.045.000 32,74% 14.705.000 Capital social realizado 14,76% 7.649.000 17,02% 7.643.000 Reservas de capital 3,69% 1.911.000 4,22% 1.896.000 Reservas de lucros 11,85% 6.143.000 8,83% 3.966.000 Ajustes de avaliação patrimonial 0,01% 6.000 0,00% –1.000 Participação dos acionistas não controladores 2,58% 1.336.000 2,67% 1.201.000 Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). No balanço patrimonial do Atacadão podemos perceber que duas colunas são dispostas ao lado dos anos dos movimentos (2019 e 2020). Observe que na primeira linha (ativo total) o percentual ficou em 100%. Nada mais óbvio que isso, pois ao se dividir o valor do item pelo valor da base de análise, vemos que são os mesmos valores; ou seja, o ativo total corresponde a 100% do ativo total. Este percentual se repete no passivo total, pela mesma razão anterior. Ao segregarmos os itens, partindo do ativo circulante, veja que ele cor- responde a 49,33% em 2019 e 49,04% em 2020, do ativo total, com pou- quíssima variação nestes dois anos (0,29 pontos percentuais). O passivo circulante, por outro lado, representa 44,66% e 47,70% do ativo total (ou 38 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática passivo total), referentes a 2019 e 2020, respectivamente. Já no subgru- po do ativo não circulante, chegamos a 50,67% (2019) e 50,96% (2020). Perceba que a soma dos percentuais de ativo circulante e ativo não circu- lante só pode resultar em 100%, pois corresponde ao ativo total. No passi- vo não acontece o mesmo, pois além do circulante e não circulante ainda há o subgrupo do patrimônio líquido (PL) para ser somado, resultando no passivo total. Neste caso, então, o passivo não circulante representa 22,60% do passivo total em 2019 e 19,41% no ano seguinte. Para exercitar a fórmula, vamos usar o item Estoques no ano de 2019, sabendo que a fórmula pode ser criada na própria planilha eletrô- nica, o que viabiliza o cálculo de todos os itens. AV% = 5.949.000 × 100 = 13,25% 44.912.000 Percebeu como é fácil? A conta Estoques representa pouco mais de 13% do ativo total em 2019. Em 2020 esse percentual sobe para 14,88%, ou seja, a participação desta conta no total do ativo tem aumentado. Quando se analisa vários períodos é possível sugerir se há alguma ten- dência, tanto em acréscimos quanto em reduções destes percentuais. Em dois anos, como aqui, não é possível traçar qualquer tendência. Como dito anteriormente, apenas um tipo de análise não é suficiente para detectar se a empresa precisa, por exemplo, tomar novos rumos, alterar a política de compra de matéria-prima, se concentrar nas vendas internas ou reduzir os custos de produção. Decisões eficientes são re- sultados de análises detalhadas de demonstrações financeiras e suas correlações. Por isso, a análise em conjunto é a mais eficiente, sempre. Uma das vantagens em se ter planilhas como as apresentadas é a rápida visualização do que realmente interessa. Alguma conta especí- fica pode ser facilmente detectada, com os percentuais já destacados. Na atual era da informática, quando tudo precisa ser resolvido muito 39Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. rapidamente, nada melhor que a contabilidade auxiliar nestas análises. Mas ela pode ir além das tabelas. Os gráficos têm uma eficiência maior ainda. Por isso, vamos demonstrar dois exemplos de como são úteis. Gráfico1 – Distribuição do Passivo total – Atacadão – 2019 e 2020 0.00% 2019 2020 44.66% Passivo Circulante 10.00% 20.00% 30.00% 40.00% 50.00% 60.00% Passivo Não Circulante Patrimônio Líquido Consolidado 47.70% 22.60% 19.41% 32.74% 32.89% Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). Gráficos são práticos e versáteis, uma vez que podemos utilizar di- versos tipos, cada um de acordo com os dados informados. No gráfico 1 foram utilizadas as barras agrupadas, demonstrando a composição do passivo total, ou seja, o passivo circulante, o não circulante e o pa- trimônio líquido nos anos 2019 e 2020. A soma dos percentuais das barras com cores iguais deve chegar a 100%, que é o passivo total. Acompanhe a seguir o segundo gráfico, com os custos, despesas e o lucro do ano 2020. 40 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática Gráfico 2 – Custos, despesas e lucro do período – Atacadão – 2020 (R$ mil) Custo dos Bens e/ ou Serviços Vendidos Despesas/Receitas Operacionais Resultado Financeiro Imposto de Renda e Contrib. Social sobre Lucro Lucro/Prejuízo Consolidado do Período -52,273,000 -9,414,000 -579,000 2,844,000 -1,081,000 Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). O gráfico 2, em formato de pizza, é uma das possibilidades de apre- sentação dos dados encontrados, auxiliando gestores na tomada de decisões. É um apelo visual que deve ser utilizado intensamente. Ele simplesmente traz os dados das tabelas para um formato mais aprazí- vel de visualizar e com compreensão mais rápida. 3 Interpretação das análises horizontal e vertical O papel dos contadores e analistas financeiros é apontar as tendên- cias, explicar os dados encontrados e até sugerir caminhos a seguir, mas que devem ser definidos pela administração. As análises horizontal e vertical, quando sabiamente interpretadas, podem direcionar as de- cisões a tomar. Contadores e analistas apontam as tendências, inter- pretam os dados encontrados e até sugerem aos gestores quais alter- nativas são mais viáveis para obter melhores resultados. Contador, na verdade, deve ser considerado como um parceiro dos negócios. 41Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Tabelas e gráficos, carregados de dados e informações, devem ser utilizados como método comparativo não apenas internamente, mas com dados externos. O fato de existir um acompanhamento constan- te nestas análises não significa sucesso na empresa. O processo de análise deve compreender, também, comparativo dos indicadores com outras empresas. Preferencialmente, estas devem ser do mesmo seg- mento, porte semelhante e localizadas na mesma região. E um detalhe muito importante: as demonstrações contábeis precisam estar com suas estruturas padronizadas, sem o que demandaria muito mais traba- lho e dificuldades em métodos comparativos. E se o que pretendemos é conquistar agilidade e precisão, padrões devem ser seguidos. Podemos sugerir um exemplo aqui para demonstrar como é impor- tante ter características semelhantes no método comparativo. Suponha que sua empresa ou aquela em que você trabalha seja do setor indus- trial. Talvez uma indústria de calçados. A estrutura dos relatórios con- tábeis pode conter alguns itens que uma empresa comercial não tem. Matéria-prima, produtos semiacabados, produtos prontos para serem vendidos são alguns dos itens que uma indústria possui em estoque. Já em um comércio de equipamentos eletrônicos nada disso há. Este é o primeiro ponto a se considerar em relação a comparar indicadores com empresas de segmentos divergentes. Outro item importante é o porte das empresas. Analisar uma peque- na entidade comparando-a com uma gigante trará distorções também gigantes. Portanto, quando comparar com outras, que sejam de tama- nho equivalente. Por fim, a região tem certa influência em custos, despesas e recei- tas. Alguns locais são privilegiados, com acesso fácil, matéria-prima em abundância, clientela com maior poder aquisitivo; outras já têm dificuldades nestes quesitos. Por esta razão, também é importante es- tarem localizadas em regiões próximas, mas talvez esse seja o fator menos relevante. 42 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática A análise horizontal, conforme aplicada na DRE do Atacadão, per- mite visualizar a evolução do valor das contas ao longo dos exercícios. Com isso, podemos responder a perguntas como “As vendas aumen- taram?” ou “O resultado líquido foi maior que no ano anterior?”. Já a análise vertical mostra a participação de cada elemento da demons- tração analisada no contexto de um total, podendo ser o ativo, no BP, ou as vendas líquidas, na DRE. Nesta, inclusive, podemos encontrar a margem líquida (resultado líquido dividido pelas vendas líquidas), tema de um capítulo posterior. Considerações finais Este capítulo tratou de duas importantes análises: a vertical e a hori- zontal, e a devida interpretação dada a elas. Através de métodos que não demandam muito conhecimento, pudemos ver, na prática, como podem ser aplicados na realidade de uma empresa. O Atacadão foi nosso mo- delo, com os dados colhidos da Bovespa. Serviu para analisar o quanto a empresa evoluiu nas suas contas da demonstração do resultado do exercício e qual a participação de cada conta do balanço patrimonial. Estas foram as primeiras análises desenvolvidas nesta obra, mas já na expectativa de trazer outras nos demais capítulos, formando um ar- cabouço de fórmulas e suas devidas interpretações. É importante ter em mente, sempre, que quanto mais dados e informações disponíveis, melhores serão as decisões tomadas. Com esta base de análise, você já pode fazer uso desses conheci- mentos em sua vida financeira. Tente. Vai ser muito gratificante. 43Análise vertical e horizontal M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências ATACADÃO S.A. DFP – Demonstrações Financeiras Padronizadas. 2020. Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE. aspx?NumeroSequencialDocumento=100225&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso em: 23 nov. 2021. MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di- dática das demonstrações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100225&CodigoTipoInstituicao=1 https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100225&CodigoTipoInstituicao=1 45 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 3 Índices de liquidez Índices de liquidez são importantes indicadores de saúde financeira de uma empresa. O objetivo deste