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Airton A. Bauermann
Análise das 
demonstrações 
financeiras: 
uma abordagem 
prática
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Simone M. P. Vieira - CRB 8a/4771)
Bauermann, Airton A.
	 Análise	das	demonstrações	financeiras	:	uma	abordagem	prática	
/	Airton	A.	Bauermann.	–	São	Paulo	:	Editora	Senac	São	Paulo,	2022.		
(Série Universitária) 
	 Bibliografia.
	 e-ISBN	978-85-396-3492-7	(ePub/2022)
		 e-ISBN	978-85-396-3493-4	(PDF/2022)
	 1.	 Administração	 financeira 2.	 Demonstrações	 financeiras  
3.	Demonstrações	contábeis	:	Balanços			I.	Título.	II.	Série.	
22-1593t	 CDD	–		658.1512 
 657.3 
	 BISAC	BUS001010 
	 BUS000000
Índice para catálogo sistemático:
1. Administração financeira : Demonstrações 
financeiras 658.1512
2. Demonstrações contábeis : Balanços 657.3
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ANÁLISE DAS 
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS:
UMA ABORDAGEM PRÁTICA
 
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aterial para uso exclusivo de aluno m
atriculado em
 curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com
partilham
ento digital, sob as penas da Lei. ©
 Editora Senac São Paulo.
Airton A. Bauermann
Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo
Presidente do Conselho Regional
Abram	Szajman
Diretor do Departamento Regional
Luiz	Francisco	de	A.	Salgado
Superintendente Universitário e de Desenvolvimento
Luiz	Carlos	Dourado
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Editora Senac São Paulo
Conselho Editorial
Luiz	Francisco	de	A.	Salgado 
Luiz	Carlos	Dourado 
Darcio	Sayad	Maia 
Lucila	Mara	Sbrana	Sciotti 
Luís	Américo	Tousi	Botelho
Gerente/Publisher
Luís	Américo	Tousi	Botelho
Coordenação Editorial/Prospecção
Dolores	Crisci	Manzano 
Ricardo	Diana
Administrativo
grupoedsadministrativo@sp.senac.br	
Comercial
comercial@editorasenacsp.com.br
Acompanhamento Pedagógico
Otacília	da	Paz
Designer Educacional
Hágara	Rosa	da	Cunha	Araujo
Revisão Técnica
Augusto	César	Freire	Silva
Preparação e Revisão de Texto
AZ	Design	Arte	e	Cultura	Ltda.
Projeto Gráfico
Alexandre Lemes da Silva 
Emília	Corrêa	Abreu
Capa
Antonio	Carlos	De	Angelis
Editoração Eletrônica
Sidney	Foot	Gomes
Ilustrações
Sidney	Foot	Gomes
Imagens
Adobe	Stock	Photos
E-book
Rodolfo Santana
Proibida	a	reprodução	sem	autorização	expressa.
Todos	os	direitos	desta	edição	reservados	à
Editora	Senac	São	Paulo
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Centro	–	CEP	01041-000	–	São	Paulo	–	SP
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E-mail:	editora@sp.senac.br	
Home	page:	http://www.livrariasenac.com.br
©	Editora	Senac	São	Paulo,	2022
Sumário
Capítulo 1
Definições, conceito e objetivos 
dos demonstrativos, 7
1	Estrutura	das	demonstrações	e	a	
análise, 8
2	Correlação	entre	as	demonstrações	
contábeis, 10
3	Objetivos	da	análise	das	
demonstrações, 22
Considerações	finais, 23
Referências, 24
Capítulo 2
Análise vertical e horizontal, 27
1	Análise	horizontal, 28
2	Análise	vertical, 35
3	Interpretação	das	análises	
horizontal	e	vertical, 40
Considerações	finais, 42
Referências, 42
Capítulo 3
Índices de liquidez, 45
1	Indicadores	de	capacidade	
financeira, 46
2	Liquidez	corrente, 48
3	Liquidez	imediata, 51
4	Liquidez	seca, 53
5	Liquidez	geral, 55
Considerações	finais, 59
Referências, 59
Capítulo 4
Estrutura de capital, 61
1	Endividamento, 62
2	Composição	do	endividamento, 65
3	Imobilização	do	patrimônio	 
líquido	(IPL), 67
4	Imobilização	dos	recursos	não	
correntes	(IRNC), 68
Considerações	finais, 71
Referências, 71
Capítulo 5
Análise do capital de giro, 73
1	Capital	de	giro	×	liquidez, 74
2	Necessidade	de	capital	 
de	giro	(NCG), 78
3	Saldo	em	tesouraria	(ST), 82
4	Análise	do	CCL,	da	NCG	e	do	ST, 84
Considerações	finais, 87
Referências, 87
Capítulo 6
Índices de atividade, 89
1	Índices	de	atividade	na	análise	
contábil, 90
2	Ciclos	econômico,	operacional	e	
financeiro, 97
Considerações	finais, 100
Referências, 100
Capítulo 7
Índices de rentabilidade, 101
1	Índices	de	rentabilidade, 102
Considerações	finais, 112
Referências, 113
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6 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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Capítulo 8
Mensuração do valor da 
empresa, 115
1 Os métodos de avaliação da 
performance	das	empresas, 116
Considerações	finais, 126
Referências, 127
Sobre o autor, 129
7
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Capítulo 1
Definições, conceito 
e objetivos dos 
demonstrativos
O	ambiente	corporativo	é	complexo	e	cheio	de	surpresas	no	dia	a	dia.	
Pensando	nas	diversas	situações	que	o	gestor	pode	enfrentar,	mais	es-
pecificamente	ligadas	à	área	financeira,	esta	obra	disponibiliza	material	
suficiente	para	estes	enfrentamentos.
O	primeiro	capítulo	 trata	das	demonstrações	contábeis	 (DC),	ou	fi-
nanceiras,	como	muitos	as	nomeiam,	trazendo	um	apanhado	sobre	as	
interligações	destas.	A	estrutura	dos	demonstrativos	será	brevemente	
citada,	mantendo	o	foco	na	correlação	que	há	entre	estes,	com	exem-
plos	 práticos	 e	 de	 forma	 bastante	 didática.	 Espero	 que	 aproveite	 o	
conteúdo,	servindo	este	como	base	para	estudos	e	aplicações	na	sua	 
atuação	profissional.
8 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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1 Estrutura das demonstrações e a análise
A	 área	 contábil/financeira	 é,	 realmente,	 fantástica!	 A	 afirmação	 é	
mesmo	categórica	e	taxativa,	haja	vista	a	amplitude	que	ela	alcança,	os	
diversos	segmentos	em	que	está	presente	e	as	inúmeras	possibilidades	
de	colaboração	para	o	mundo	corporativo	e	pessoal.
Você	já	parou	para	pensar	que	o	mundo	é	movido,	essencialmente,	
pelo	capital?	Tudo	depende	do	dinheiro.	Tudo	é	executado	com	a	inje-
ção	de	dinheiro.	Por	isso,	não	há	como	deixar	de	estudar	esse	assunto	e	
as	interconexões	que	o	universo	financeiro	mantém	com	tudo	e	com	to-
dos.	Entender	essa	relação	e	saber	analisar	os	dados	expostos	pode	ser	
um	dos	diferenciais	dos	profissionais	bem-sucedidos,	especialmente	os	
contadores,	gestores	e	administradores.	Neste	ínterim,capítulo é apresentar tais índices, 
com suas fórmulas, aplicações e, principalmente, as interpretações que 
são dadas a cada valor encontrado. 
A liquidez, como você deve saber, se relaciona com a capacidade de 
transformar algum bem em dinheiro, em espécie. Ao fazermos as aná-
lises utilizando os índices de liquidez, vamos muito além dessa visão, 
pois serão observadas as razões principais para estes achados.
Novamente, os exemplos que são disponibilizados provêm da 
Bovespa, o que permite analisar empresas que estão ativas em nosso 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
meio, as quais você também provavelmente conhece. Então, siga no 
intuito de ser um bom analista de mercado, utilizando este conhecimen-
to para si ou para auxiliar outros a tomarem decisões importantes de 
investimento.
1 Indicadores de capacidade financeira
Provavelmente, um dos indicadores que mais constam em relatórios 
gerenciais é o de liquidez. Liquidez, de acordo com o Dicionário Priberam 
(DPLP, 2021), é a “capacidade para dispor imediatamente de dinheiro ou 
para fazer pagamentos”, além de outros significados paralelos. Perceba, 
então, que se há dinheiro disponível, uma empresa tem maior liquidez. 
Na verdade, não é bem assim. Vamos explicar melhor: se uma com-
panhia dispõe de capital e este está depositado em alguma instituição 
bancária, não é garantia de que o dinheiro será suficiente para quitar 
todas as obrigações que tenha. Se lembrarmos o conceito de patrimô-
nio, devemos considerar que ele é o resultado de uma conta básica: 
Bens + Direitos – Obrigações.
A partir do cálculo para encontrar o patrimônio líquido, devemos con-
siderar que os bens, somados aos direitos, podem ser inferiores aos 
valores de compromissos assumidos com terceiros. Esses “terceiros” 
são os fornecedores, os salários a pagar, os empréstimos, os tributos e 
impostos a recolher, além de tantas outras obrigações.
Diante disso, afirmar que uma empresa que dispõe de certos valores 
monetários em um certo momento apresenta uma liquidez boa é ex-
tremamente imprudente. Assim, estudar esses conceitos de índices de 
liquidez serve para ampliarmos, e muito, a visão sobre capacidade de 
pagamento. Cada índice tem sua fórmula específica e utilidade distinta, 
conforme veremos a partir de agora.
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 Editora Senac São Paulo.
Vamos a um exemplo para elucidar este indicador usando os dados 
de uma empresa muito conhecida, a Monark, uma das principais fabri-
cantes de bicicletas do Brasil.
Tabela 1 – Balanço patrimonial Bicicletas Monark S.A. (2018 a 2020) – (R$ mil)
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
Ativo total 216.484 220.646 203.106
Ativo circulante 165.455 164.870 165.948
Caixa e equivalentes de caixa 153.406 148.804 150.534
Contas a receber 6.031 5.491 4.875
Estoques 5.281 7.234 5.583
Tributos a recuperar 635 3.266 4.878
Despesas antecipadas 102 75 78
Ativo não circulante 51.029 55.776 37.158
Ativo realizável a longo prazo 46.288 47.558 36.787
Imobilizado 4.741 8.218 371
Passivo total 216.484 220.646 203.106
Passivo circulante 5.225 6.028 3.331
Obrigações sociais e trabalhistas 563 499 449
Fornecedores 1.555 2.091 1.316
Obrigações fiscais 216 237 335
Empréstimos e financiamentos 1.865 2.283 0
Outras obrigações 1.026 918 1.231
Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301
Empréstimos e financiamentos 2.686 5.689 0
(cont.)
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
Tributos diferidos 14.497 14.747 11.336
Provisões 3.620 3.870 3.965
Patrimônio líquido 190.456 190.312 184.474
Capital social realizado 133.010 133.010 133.010
Reservas de lucros 29.306 28.677 29.459
Ajustes de avaliação patrimonial 28.140 28.625 22.005
Fonte: adaptado de Monark S.A. (2021).
Na tabela 1 temos o balanço patrimonial da Monark, sendo este o 
único demonstrativo utilizado para os cálculos de liquidez. Os itens em 
destaque (negrito) são os utilizados nas fórmulas dos indicadores de 
liquidez.
2 Liquidez corrente
A liquidez corrente (LC), como o próprio nome sugere, tem a ver com 
valores circulantes, também chamados de capitais correntes, aqueles 
que têm realização ou exigibilidade até o final do exercício social seguin-
te. Portanto, a liquidez corrente é a medida de capacidade financeira 
para quitar com os valores circulantes, caso fosse necessário, obriga-
ções também circulantes. Podemos resumir com a fórmula apresenta-
da a seguir:
Liquidez Corrente = 
Ativo Circulante
Passivo Circulante
O ativo circulante abrange o Caixa e equivalentes de caixa, os 
Estoques, as Contas a receber e outros bens e direitos realizáveis em 
curto prazo. Já o passivo circulante contém aquelas contas exigíveis em 
49Índices de liquidez
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 Editora Senac São Paulo.
curto prazo, tais como Fornecedores, Salários a pagar, Impostos e de-
mais obrigações sociais, entre outras. O resultado da equação sempre 
será um valor decimal, pois é apenas a divisão entre valores monetários.
A tabela 1 apresenta o balanço patrimonial da Bicicletas Monark S.A., 
reduzido para apenas Monark neste capítulo. A seguir, as fórmulas ga-
nharam números, os quais estão dispostos nas colunas de 2018, 2019 
e 2020, respectivamente. Veja como ficou a liquidez corrente (LC) nos 
anos relatados na tabela 1 a seguir:
Tabela 1 – Cálculo liquidez corrente
 Ativo circulante 165.455 164.870 165.948
 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331
LC (2018) = 
165.948
= 49,82
3.331
LC (2019) = 
164.870
= 27,35
6.028
LC (2020) = 
165.455
= 31,67
5.225
Como podemos reparar, os índices de liquidez estão bastante ele-
vados. Para efeitos comparativos, devemos considerar que índices 
de liquidez corrente superiores a 1 são considerados os ideais. Se na 
Monark os índices são muito maiores que 1, isso significa que a em-
presa está muito bem financeiramente? Em partes, sim, mas podemos 
analisar de forma diferente.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Primeiro, vamos explicar os valores encontrados em cada ano: 
 • 2018: o índice encontrado foi 49,82. O que isso representa? A 
cada R$ 1 de dívida circulante, a Monark tem R$ 49,82 de ativos 
circulantes. Significa que a empresa tem poucas obrigações de 
curto prazo a serem pagas e grande volume de bens e direitos 
que podem ser convertidos em dinheiro, também em curto prazo. 
Caso a Monark tivesse que pagar toda a exigibilidade corrente,seria possível fazê-lo com os valores que ela detém e ainda so-
braria muito. Muito mesmo! Para ser exato, R$ 48,82 a cada real 
de dívida.
 • 2019: a liquidez corrente foi reduzida sensivelmente neste ano, 
passando a 27,35, ou seja, a cada R$ 1 de obrigações de curto 
prazo, depois de pagas, a empresa ainda teria sobra de R$ 26,35.
 • 2020: o indicador teve uma evolução em comparação ao ano 
anterior, chegando a 31,67, o que representa sobra de R$ 30,67 a 
cada R$ 1 de passivo circulante, caso fosse necessário quitá-lo 
nesta data.
O que podemos depreender destes índices encontrados é que há 
uma preocupação acentuada em manter caixa para pagamentos, com 
aplicações financeiras que rendem alguma receita financeira. Esta ati-
tude pode significar certa estagnação no mercado, tendo em vista que 
o capital poderia ser usado em aquisição de imobilizado e expandir a 
produção. Como conclusão, podemos afirmar que “seu capital circu-
lante líquido (CCL) é positivo. Esta robustez financeira, portanto, é re-
tratada pelo CCL, que nada mais é do que a diferença entre AC e PC” 
(BAUERMANN, 2021, p. 53).
É bem provável que durante o ano, ou seja, na movimentação diária, 
esses indicadores não sofram grandes alterações, tendo em vista que 
ao final de cada exercício os indicadores permanecem elevados. Embora 
o índice de liquidez corrente esteja bem acima do recomendado, não 
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é aconselhável tomar decisões somente em função deste resultado. 
Outros indicadores, somados aos de liquidez, darão maior credibilidade 
em decisões a tomar. Conforme Almeida (2019, p. 12), “uma análise de 
liquidez mais adequada seria efetuada por meio de projeções de fluxos 
de caixa futuros”, o que pode ser bem desempenhado por analistas da 
área financeira.
3 Liquidez imediata
O segundo indicador de liquidez – a imediata (LI) – é aquele que 
depende apenas dos valores disponíveis para o pagamento das obriga-
ções que constam no passivo circulante, caso houvesse essa necessi-
dade. Assim, todo o valor que supera o índice 1 do resultado significa 
sobra de caixa. Sempre vai sobrar? Não, pois algumas empresas têm o 
caixa (disponível) com valores baixos. Para saber como se compõe e o 
motivo da composição da conta Caixa e equivalentes de caixa, as notas 
explicativas geralmente se encarregam de esclarecer. Quanto à fórmula 
a se utilizar, aí está:
Liquidez Imediata = 
Disponível
Passivo Circulante
Perceba que apenas o numerador é que mudou; o denominador 
permanece o passivo circulante. Neste caso, então, as obrigações de 
curto prazo são confrontadas com as disponibilidades, aqueles valo-
res que estão à disposição ou que podem ser disponibilizados com 
perdas insignificantes, tais como aplicações financeiras com venci-
mentos em até 90 dias. Os resultados nos três anos se dão conforme 
mostrados na tabela 2 a seguir.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Tabela 2 – Cálculo de liquidez imediata
 Caixa e equivalentes de caixa 153.406 148.804 150.534
 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331
LI (2018) = 
150.534
= 45,19
3.331
LI (2019) = 
148.804
= 24,69
6.028
LI (2020) = 
153.406
= 29,36
5.225
Percebemos que os índices de liquidez imediata pouco se alteraram 
em comparação com a liquidez corrente; isso porque a composição do 
ativo circulante tem no Caixa e equivalentes sua grande parcela. Se fi-
zermos uma análise vertical, veríamos esse percentual em mais de 90% 
em cada ano.
Analisando os índices de liquidez imediata, podemos concluir o 
seguinte:
 • 2018: chegar a 45,19 é uma marca surpreendente, que poucas 
empresas alcançam. Percebemos, pelos ínfimos valores de obriga-
ções de curto prazo, que a sobra de caixa seria gigante, neste ano.
 • 2019: 24,69 foi o índice encontrado. Representa menor sobra de 
caixa do que o ano anterior, caso fosse necessário quitar suas 
obrigações de curto prazo nesta data. A cada R$ 1 de dívidas cir-
culantes, a Monark ainda teria disponíveis R$ 23,69.
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 • 2020: neste ano, o indicador foi elevado para 29,36, isso porque 
o passivo circulante reduziu um pouco e o disponível aumentou. 
Caso fosse exigido, por alguma circunstância, que todos os com-
promissos correntes devessem ser pagos ao final de 2020, ainda 
restariam mais de R$ 28 a cada R$ 1 de dívidas.
Diante destes resultados, não se percebem tendências no índice de 
liquidez imediata, uma vez que foi reduzido em um ano e aumentado no 
outro. Podemos afirmar que essa empresa, realmente, não tem proble-
mas de caixa. Qual a política que a Monark está seguindo para manter 
níveis tão elevados do disponível não sabemos, mas deve ser em fun-
ção de expectativas em relação ao mercado, preferindo, por ora, manter 
os valores aplicados em instituições financeiras.
4 Liquidez seca 
Este indicador de liquidez pouco se altera na fórmula da liquidez cor-
rente, mas pode ter grandes diferenças em resultados, a depender do 
montante de estoques que a empresa mantém. Portanto, aqui vai se 
perceber qual a influência ou dependência dos estoques para a compo-
sição do ativo circulante. Muitas empresas, dependendo de seu ramo 
de atuação, necessitam de grandes estoques; outras podem até não 
tê-los. Se o estoque for responsável pela maior parte do circulante, pode 
dificultar o pagamento do passivo circulante. Podemos até imaginar um 
estoque obsoleto, ou prejudicado por alguma intempérie, e quanto im-
pactaria na receita para gerar caixa. A fórmula para encontrar a liquidez 
seca (LS) é a seguinte:
Liquidez Seca = 
Ativo Circulante – Estoques
Passivo Circulante
Vamos analisar o caso da Monark, nos três anos, com a aplicação 
desta fórmula (tabela 3 a seguir).
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Tabela 3 – Cálculo de liquidez seca
 Ativo circulante 165.455 164.870 165.948
Estoques 5.281 7.234 5.583
 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331
LS (2018) = 
165.948 – 5.583
= 48.14
3.331
LS (2019) = 
164.870 – 7.234
= 26.15
6.028
LS (2020) = 
165.455 – 5.281
= 30,66
5.225
Se compararmos os resultados de liquidez corrente com os de liqui-
dez seca, houve pouca alteração. Por quê? Justamente porque a Monark 
mantém pouco estoque de produtos. Na verdade, somente com o valor 
dos estoques, se fosse necessário, daria para quitar todo o passivo cir-
culante. Analisando individualmente, a cada ano temos o seguinte:
 • 2018: no primeiro ano de análise, vemos que esse índice é extre-
mamente alto, tendo em vista o baixo estoque e os elevados níveis 
de caixa e equivalentes de caixa, com a contrapartida de pequeno 
valor no passivo circulante. Assim, ainda que fosse pagar todos es-
ses compromissos, sobrariam R$ 47,14 a cada R$ 1 pago.
 • 2019: apesar de ser reduzido quase à metadedo ano anterior, 
esse índice ainda continua altíssimo, evidenciando o pequeno 
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valor de estoques em relação ao ativo circulante. Neste ano os 
passivos circulantes aumentaram mais de 80%, mas são valores 
baixos em sua totalidade. Poderia, caso algum fato exigisse, pa-
gar todas as obrigações com terceiros de curto prazo, restando, 
ainda, R$ 25,15 a cada R$ 1.
 • 2020: o último ano de análise demonstra que os estoques sem-
pre estão em níveis muito baixos, o disponível se mantém elevado 
e o passivo circulante reduzido. Isso contribui para que o índice de 
liquidez seca se mantenha em patamares muito altos. Portanto, 
ao final de 2020 a Monark teria capacidade de pagar suas obri-
gações, sem utilizar-se dos estoques, ainda sobrando R$ 29,66 a 
cada R$ 1 de dívida de curto prazo.
Diante disso, percebemos que a liquidez seca é importante, sobretu-
do para analisar a dependência dos estoques para uma eventual neces-
sidade de quitação dos compromissos assumidos com terceiros, que 
tenham exigibilidade até os próximos doze meses. Como mencionado 
anteriormente, há empresas que necessitam de estoques elevados, 
mas há aquelas que, com o pouco de estoque, conseguem atender à 
demanda de forma segura. Dependendo do ramo de atividade, essa 
configuração é distinta.
5 Liquidez geral
Considero que esse indicador é um dos mais abrangentes e com me-
nor grau de certeza. Vou explicar melhor: para encontrar a liquidez geral 
(LG), temos no numerador da fórmula a soma entre ativo circulante e o 
realizável a longo prazo. No denominador, a soma dos passivos circu-
lante e não circulante. Até aí parece tudo certo, até porque os valores 
são facilmente identificáveis. O que pode dificultar a análise tem a ver 
com os prazos implícitos, tanto no ativo realizável a longo prazo quanto 
no passivo não circulante.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
O subgrupo realizável a longo prazo estipula algum prazo máximo? 
Não. O passivo não circulante estipula algum prazo máximo? Também 
não. Diante disso, é óbvio que o resultado na fórmula vai ser encontrado, 
pois basta uma divisão para isso. No entanto, a liquidez geral pode es-
conder os prazos de realização e de exigibilidades. Podemos até exem-
plificar com um realizável a longo prazo de 20 anos e um passivo não 
circulante com prazo de 5 anos. Neste caso, se nada se alterasse nestes 
anos nas demais contas do balanço, a exigibilidade de 5 anos poderia 
ficar comprometida com a realização em apenas 20 anos, formando 
um lapso temporal de 15 anos entre cobrança e recebimento. É neste 
sentido que a observação deve ser entendida.
Mas essa parece ser a mais improvável situação das empresas, uma 
vez que há mudanças de cenários a cada ano, fazendo com que os pró-
prios índices se alterem também. Conforme Silva (2017), seria bom que 
se soubesse como se compõem os créditos, quais as finalidades des-
tes, assim como do passivo não circulante, podendo determinar melhor 
prazos para a realização dos tais créditos.
Assim, trazemos a fórmula da liquidez geral e a posterior aplicação 
no exemplo da Monark.
Liquidez Geral = 
Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo
Passivo Circulante + Passivo não Circulante
Aplicando esta aos valores de 2018 a 2020 da empresa em estudo, 
acompanhe na tabela 4.
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Tabela 4 – Cálculo de liquidez geral
Ativo circulante 165.455 164.870 165.948
Ativo realizável a longo prazo 46.288 47.558 36.787
 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331
Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301
LG (2018) = 
(165.948 + 36.787)
= 10,88
(3.331 + 15.301)
LG (2019) = 
(164.870 + 47.588)
= 7,00
(6.028 + 24.306)
LG (2020) = 
(165.455 + 46.288)
= 8,14
(5.225 + 20.803)
Vamos analisar como foi a composição do numerador e do denomi-
nador, para se chegar a tais resultados.
 • 2018: ano com maior liquidez geral (10,88), representando mais 
de 10 vezes o que se tem (bens e direitos de curto e longo prazo) 
em relação ao que se deve (obrigações de curto e longo prazo), o 
que deixa a empresa em uma situação confortável. Assim, caso 
surgisse algum fato e fosse exigido que todas as dívidas com ter-
ceiros devessem ser pagas, a Monark teria totais condições.
 • 2019: há uma redução neste indicador, mas permanece bastante 
alto, o que se depreende que não haveria nenhum problema em 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
quitar as dívidas antecipadamente, utilizando-se dos valores de 
bens e direitos de curto e longo prazo. Sobrariam, ainda, R$ 6 a 
cada R$ 1, neste caso.
 • 2020: com uma subida do índice de liquidez geral, a situação só 
melhora neste quesito. Atingir 8,14 realmente não é comum, mas 
possível, a depender das decisões administrativas e da visão que 
se tem do negócio. 
Para finalizar a análise dos índices de liquidez, segue um gráfico com 
os quatro indicadores e seus respectivos resultados, a cada ano. Esta é 
uma forma mais ampla de visualizar e, claro, muito mais rápida.
Gráfico 1 – Índices de liquidez – Monark (2018 a 2020)
2020
8.14
0.00 LG LS LI LC
10.00
20.00
30.00
40.00
50.00
60.00
2019 2018
7.00
10.88
30.66
26.15
48.14
29.36
24.69
45.19
31.67
27.35
49.82
Fonte: adaptado de Monark S.A. (2021). 
Percebeu como a visualização de um gráfico facilita a análise? Esse 
gráfico traduz, em colunas (ou barras verticais), a evolução dos índices 
de liquidez. Os resultados são, como já mencionado diversas vezes, mui-
to acima do que se espera de uma empresa saudável financeiramente. 
Podemos confirmar que haveria dinheiro, bens e direitos suficientes 
para quitar qualquer compromisso com terceiros, sejam estes de curto 
ou de longo prazo.
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A grande dúvida que pode pairar em nossa mente é: por que a Monark 
mantém índices de liquidez tão altos? Qual a estratégia aplicada? Não 
sabemos. O que sabemos, apenas, é que índices de liquidez devem ser 
observados com muita atenção, não permitindo que a capacidade de 
honrar os compromissos seja dificultada pela falta de gestão.
Considerações finais
Índices de liquidez são muito visualizados por usuários interessados 
em saber a capacidade financeira diante de compromissos assumidos. 
Bancos, instituições de crédito, fornecedores e outros podem solicitar, 
para futura aprovação de crédito, tais índices atualizados. Depende, em 
grande parte, até mesmo a aplicação de juros diferenciados para as em-
presas que apresentam melhores índices de liquidez. Afinal de contas,é 
quase uma garantia de que as futuras obrigações financeiras também 
poderão ser honradas a tempo.
Agora que você já sabe calcular, pode fazer isso onde está desempe-
nhando suas atividades. Seu trabalho, sua empresa ou até mesmo as 
condições de sua casa podem ser analisadas com os índices de liqui-
dez. Aproveite o conhecimento e aplique-os.
Referências
ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS 
e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. 
BAUERMANN, Airton A. Demonstrações contábeis: indicadores, análise e inter-
pretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2021.
MONARK S.A. Demonstrações Financeiras Padronizadas. 2021. Disponível em: 
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?Numero-
SequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso em: 24 nov. 
2021. 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA (DPLP). Liquidez. 2021. 
Disponível em: https://dicionario.priberam.org/liquidez. Acesso em: 24 nov. 2021.
SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons-
trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
https://dicionario.priberam.org/liquidez
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Capítulo 4
Estrutura de capital
Neste capítulo trataremos da composição dos grupos do balanço pa-
trimonial em sua estrutura de capital. Para isso, teremos que analisar as 
fontes de recursos (capital próprio ou de terceiros) e a proporcionalidade 
de cada uma delas, além de como estas fontes financiam o ativo, princi-
palmente o imobilizado, conhecido, ainda, por ativo permanente.
Tema extremamente relevante para quem aprecia fazer uma gestão 
de qualidade, independentemente do porte ou ramo de atividade da em-
presa. O leitor tem à disposição exemplos claros e reais de empresas 
que atuam no Brasil, listadas na Bovespa. Conhecer estes indicadores 
auxiliará nas tomadas de decisões, especialmente quanto às fontes de 
capital, trazendo equilíbrio financeiro para a entidade administrada. 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Se você examinar a sua situação financeira hoje, exatamente nes-
te dia em que você está lendo este material, como diria que ela está? 
Muitas dívidas de curto prazo? Se sim, prefere pagar em “suaves parce-
las” seus compromissos financeiros? Ou você não tem dívida alguma? 
E a composição dos seus bens e direitos, como está? Resumindo, como 
se compõem suas dívidas e o seu patrimônio líquido?
Perguntas assim podem ser respondidas fazendo uma análise de 
tudo o que deveria estar registrado em algum lugar, seja em papel, seja 
em uma planilha eletrônica, seja nas nuvens. O fato é que não se pode 
controlar e avaliar algo sem haver controles. Se em casa deve ser assim, 
imagina em uma empresa, onde muitos podem estar envolvidos com a 
administração e com as operações diárias. Por isso a importância de 
acompanhar a estrutura de um balanço e analisar o que pode ser ajus-
tado para promover melhores resultados.
1 Endividamento 
Também denominado de endividamento geral (EG), este indicador 
retrata como estão sendo utilizados os capitais de terceiros, de forma 
geral, no financiamento dos ativos da empresa. De acordo com Silva 
(2017) e Martins, Miranda e Diniz (2019), os indicadores de endivida-
mento servem para mostrar como são as decisões financeiras quanto à 
tomada de recursos e sua aplicação. O índice de endividamento, espe-
cificamente, não tem um limite considerado sadio para a empresa, ou 
algum número ideal. Vamos à explicação.
Cada empresa tem políticas próprias de contratação de financiamen-
tos, caso necessário, e muitas vezes é em função do tipo de atividade 
explorada. Se analisarmos friamente a utilização de capital de terceiros, 
aqueles que geralmente têm custo financeiro, podemos inferir que isso 
seja uma despesa desnecessária. No entanto, a análise não pode ser 
feita apenas com a visão do custo financeiro, mas também do retorno 
63Estrutura de capital
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que este capital utilizado pode representar, mesmo com os custos agre-
gados (a isso damos o nome de alavancagem, tema que será aborda-
do mais à frente). Por isso a importância de sempre serem analisados 
vários indicadores para tomar decisões. Esta é uma situação típica em 
que os gastos com juros podem ser ínfimos se comparados com as 
receitas derivadas de financiamentos com terceiros.
Como descobrir o nível de endividamento de uma empresa? Algo 
muito fácil e objetivo. Vamos à fórmula:
Grau de Endividamento (GE) = 
Capital de Terceiros × 100
Patrimônio Líquido
Patrimônio líquido é o capital da empresa, dos sócios, dos investi-
dores, dos quotistas. Já o capital de terceiros, o numerador da fórmula, 
é tudo o que não pertence aos sócios. Exemplos disso são todas as 
contas a pagar: impostos, salários, fornecedores, financiamentos de 
curto ou longo prazo, e assim por diante. Portanto, todas as contas que 
pertencem ao passivo circulante e não circulante são capitais de tercei-
ros, algumas exigidas dentro do próprio mês, outras podem ter prazos 
maiores, atingindo até alguns anos.
Para exemplificar, a tabela 1 a seguir tem os dados do balanço pa-
trimonial da Petrobras, empresa conhecidíssima de todos nós. Não há 
quem nunca tenha ouvido algo sobre ela. Vamos aos dados.
Tabela 1 – BP da Petrobras S.A. 2020 a 2018 (R$ Milhão)
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
Ativo total 987.419 926.011 860.473
Ativo circulante 142.323 112.101 143.606
Ativo não circulante 845.096 813.910 716.867
Ativo realizável a longo prazo 104.974 71.306 85.478
(cont.)
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
Investimentos 17.010 22.166 10.690
Imobilizado 645.434 641.949 609.829
Intangível 77.678 78.489 10.870
Passivo total 987.419 926.011 860.473
Passivo circulante 136.287 116.147 97.068
Passivo não circulante 539.982 510.727 479.862
Patrimônio líquido consolidado 311.150 299.137 283.543
Fonte: adaptado de Petrobras S.A. (2020).
Com os valores constantes na tabela 1, vamos demonstrar o resulta-
do de cada ano a seguir:
GE 2018 = 
(97.068 + 479.862) × 100
= 203,47%
283.543
GE 2019 = 
(116.147 + 510.727) × 100
= 209,56%
299.137
GE 2020 = 
(136.287 + 539.982) × 100
= 217,35%
311.150
Mediante os resultados encontrados, podemos perceber uma ten-
dência, ainda que não seja possível determinar seisso já estava acon-
tecendo em anos anteriores, pois a análise aqui corresponde a apenas 
três exercícios sociais (2018 a 2020). 
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O grau de endividamento, conforme aventado anteriormente, mostra 
a proporcionalidade do capital de terceiros em relação ao capital pró-
prio, ou seja, a soma do passivo circulante e não circulante frente ao va-
lor do patrimônio líquido. Como vemos, o capital de terceiros correspon-
de a mais que o dobro do próprio nos três anos calculados, mostrando, 
inclusive, uma tendência de aumento deste indicador.
O que dizer a respeito? Isso é bom? Naturalmente que uma empresa 
do porte da Petrobras tem um grupo de administradores que toma deci-
sões, apoiados pelo Conselho de Administração, o qual sempre analisa 
os dados para a tomada de decisões. Como já posto anteriormente, não 
podemos afirmar que um indicador isoladamente é bom ou ruim sem 
avaliar outros que o complementam. Dessa forma, um grau de endivi-
damento maior que 100% apenas indica a forma que está sendo finan-
ciado o ativo e, neste caso, mais de 2/3 o são por capitais de terceiros.
2 Composição do endividamento 
A composição do endividamento significa literalmente como está 
composta a dívida com terceiros, ou seja, quanto desta exigibilidade é 
de curto prazo em relação ao total do exigível. Muitas empresas tentam 
prolongar o prazo do pagamento destes compromissos, o que caracte-
riza uma estratégia para usar o capital tomado e gerar receitas e renda 
para a empresa e seus sócios.
O cálculo para encontrar a composição do endividamento de curto 
prazo é assim:
Composição do Endividamento (CE) = 
Passivo Circulante × 100
Capital de Terceiros
Já que estamos com os dados da Petrobras, seguimos com este 
cálculo utilizando os dados do balanço patrimonial dos três períodos. 
Confira a seguir.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
CE 2018 = 
97.068 × 100
= 16,82%
(97.068 + 479.862)
CE 2019 = 
116.147 × 100
= 18,53%
(116.147 + 510.727)
CE 2020 = 
136.287 × 100
= 20,15%
(136.287 + 539.982)
Aqui também podemos perceber uma tendência de alta, pois a com-
posição do endividamento de curto prazo partiu de 16,82% em 2018 e 
chegou a 20,15% em 2020. Significa dizer que a utilização do capital de 
terceiros de curto prazo – aquele em que é exigido o pagamento em até 
12 meses – aumentou. Nenhuma preocupação deve estar relacionada 
a estes indicadores, pois apenas demonstra que a política da empre-
sa ao financiar seus ativos está priorizando dívidas de curto prazo. Por 
outro lado, o complemento do resultado encontrado para chegar aos 
100% corresponde à participação do exigível a longo prazo. Então, em 
2018, esse percentual chegou a 83,18% (100% – 16,82%), em 2019 foi 
81,47% (100% – 18,53%) e em 2020, 79,85% (100% – 20,15%).
A composição de endividamento de curto prazo da Petrobras teve 
um aumento de quase 20% em 2020 em relação ao primeiro ano de 
análise. Como podemos encontrar essa variação? Simplesmente divi-
dindo 20,15 por 16,82. O resultado (1,1978) é o que representa 2020 
sobre 2018, ou seja, variação de 19,78%. O que se assevera, de modo 
geral, é que quanto menor for a participação do passivo circulante, me-
lhor. Neste caso, praticamente 1/5 do capital de terceiros em 2020 era 
composto pelo circulante.
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3 Imobilização do patrimônio líquido (IPL) 
O indicador de imobilização do patrimônio líquido demonstra quanto 
do patrimônio líquido é utilizado para financiar o ativo permanente. Se o 
resultado foi inferior a 100%, indica que o ativo permanente é financiado 
na sua totalidade pelo patrimônio líquido e ainda há sobra de capital pró-
prio. Se for maior que 100%, o valor do PL não é suficiente para bancar 
com o ativo permanente, necessitando também de capital de terceiros.
O grupo do ativo permanente, embora esse termo não faça mais par-
te do balanço patrimonial, é constituído pelos investimentos, imobiliza-
do e intangíveis, todos com baixa liquidez, ou seja, não existe, a priori, 
prazo para venda ou transferência destes bens tangíveis e intangíveis e 
transformá-los em dinheiro (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2019). Nestes 
grupos estão os imóveis, automóveis, equipamentos, investimentos di-
versos (até mesmo em ações de outras empresas), além do intangível, 
que abrange marcas, patentes, softwares e outros itens. 
Dessa forma, o indicador de imobilização do patrimônio líquido é 
dado pela fórmula a seguir:
Imobilização do PL (IPL) = 
Ativo Permanente × 100
Patrimônio Líquido
ou, ainda: 
Imobilização do PL (IPL) = 
(ANC – ARLP) × 100
Patrimônio Líquido
Como sabemos, se do ativo não circulante (ANC) deduzimos o ativo 
realizável a longo prazo (ARLP), resta o subgrupo dos “Is”, ou seja, in-
vestimento, imobilizado e intangível – ou ativo permanente! Afirmar que 
quanto menor este indicador é melhor pode ser uma falácia, pois algu-
mas empresas carecem de um ativo permanente elevado, enquanto ou-
tras não. E é exatamente este item que merece uma análise criteriosa.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Agora, aplicando os dados que temos do balanço da Petrobras na 
fórmula, vamos entender melhor. Vejamos como ficam:
IPL 2018 =
(10.690 + 609.829 + 10.870) × 100
= 222,68%
283.543
IPL 2019 =
(22.166 + 641.949 + 78.489) × 100
= 248,25%
299.137
IPL 2020 =
(17.010 + 645.434 + 77.678) × 100
= 237,87%
311.150
Diferentemente dos dois indicadores já analisados, o IPL não apre-
senta tendência, tendo em vista que no segundo ano aumentou, mas no 
terceiro reduziu. Em 2019 o principal item responsável pelo aumento do 
indicador foi o intangível, que passou de R$ 10.870 para R$ 78.489, fruto 
da adequação às Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC TG 06, que 
contêm as regras sobre o arrendamento mercantil. Não foi o único, mas 
foi o principal, pois os demais itens também aumentaram em 2019. 
Em 2020, pouca coisa mudou, mas o mais relevante foi a queda do 
valor dos investimentos, em torno de R$ 5 mil (lembre-se de que todos 
os valores foram divididos por um milhão). Informações relevantes a 
respeito de variações patrimoniais e composição do balanço são dispo-
nibilizadas nas notas explicativas, sendo de grande valia para entender 
os indicadores e suas especificidades.
4 Imobilização dos recursos não correntes 
(IRNC) 
Os recursos não correntes, conforme subtítulo, são as fontes de 
capital que não são exigíveis a curto prazo, ou seja, são valores não 
69Estrutura de capital
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circulantes.Neste sentido, só podem estar contemplados neste critério 
os grupos do patrimônio líquido e do passivo não circulante. A imobili-
zação dos recursos não correntes, portanto, diz respeito a quanto des-
tes correspondem ao valor investido no ativo permanente (investimen-
tos, imobilizado e intangível). Como regra geral, quanto menor, melhor. 
Vamos à fórmula:
Imobilização dos RNC (IRNC) = 
Ativo Permanente × 100
Patrimônio Líquido + PNC
A Petrobras novamente entra em cena quando usamos os dados do 
balanço de 2018 a 2020 desta empresa.
IRNC 2018 = 
(10.690 + 609.829 + 10.870) × 100
= 82,71%
(283.543 + 479.862)
IRNC 2019 = 
(22.166 + 641.949 + 78.489) × 100
= 91,69%
(299.137 + 510.727)
IRNC 2020 = 
(17.010 + 645.434 + 77.678) × 100
= 86,96%
(311.150 + 539.982)
O indicador calculado também não apresenta tendência, pois em 
2019 aumentou 10,85%, mas em 2020 este percentual caiu 4,7 pontos 
percentuais (p.p.). Estes resultados demonstram que o ativo permanen-
te é financiado por recursos não correntes, não necessitando de capital 
de curto prazo para tal finalidade. Desse modo, além de financiar o ativo 
permanente, os recursos não correntes contribuem como fontes de ca-
pital para outros ativos.
Depois dessas análises com cada indicador isolado, vamos apresen-
tar um gráfico com os quatro indicadores lado a lado, o que contribui na 
visualização destes percentuais a cada exercício social.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Gráfico 1 – Índices de estrutura de capital – Petrobras S.A. (2020 a 2018)
2020 2019 2018
0
217.35%
GE
50 100 150 200 250 300
CE
IPL
IRNC
209.56%
203.47%
20.15%
18.53%
16.82%
237.87%
248.25%
222.68%
86.96%
91.69%
82.71%
Fonte: adaptado de Petrobras S.A. (2020).
Finalizando o capítulo, vamos apresentar um relatório exibindo como 
se comportou a Petrobras no período de 2018 a 2020 quanto aos índi-
ces de estrutura de capital.
A Petrobras S.A. tem apresentado indicadores típicos de uma empre-
sa com grandes ativos; mais especificamente os ativos permanentes. A 
situação encontrada mostra que o capital próprio é inferior ao capital de 
terceiros em todo o tempo analisado, superando os valores em mais de 
duas vezes, nos três anos. A composição do endividamento mostra que 
os passivos circulantes representam em torno de 16% a 20% no período 
analisado, demonstrando claramente que a preocupação é financiar os 
ativos com capital exigível a longo prazo. Quanto à imobilização do pa-
trimônio líquido, os valores do permanente superam o patrimônio líquido 
em todos os anos analisados, e o que se conclui é que capitais de tercei-
ros foram utilizados em grande medida para financiar o ativo permanente, 
confirmado pelo índice de imobilização dos recursos não correntes.
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Considerações finais
Saber como a empresa está composta em sua estrutura de capital 
se torna cada vez mais relevante, quando a disputa e a concorrência 
são evidentes no mundo corporativo. Ao aprender como esta composi-
ção pode afetar financeiramente a situação de uma empresa, devemos 
estudar as melhores opções de estrutura do passivo, dando atenção, 
especialmente, ao montante de capital de terceiros circulantes e não 
circulantes, pois a exigibilidade influencia no fluxo de caixa. 
Dívidas de curto prazo devem ser evitadas, na medida do possível, e 
priorizadas as de longo prazo, dando tempo para a geração de riqueza e 
a consequente quitação das dívidas contraídas. Apesar de o capital de 
terceiros a longo prazo geralmente resultarem em acréscimos financei-
ros (juros), é muito provável que quem contrai essas obrigações já fez 
estudo do impacto positivo na geração de receitas.
Como sugestão de prática, que tal utilizar este conhecimento e ana-
lisar diversas empresas listadas na Bovespa? Conhecimento nunca é 
demais! Proatividade é fundamental para seu crescimento acadêmico. 
Referências
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). NBC TG 06 (R3), de 24 
de novembro de 2017. Dá nova redação à NBC TG 06 (R2) – Operações de 
Arrendamento Mercantil. 2017. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/sisweb/
SRE/docs/NBCTG06(R3).pdf. Acesso em: 17 dez. 2021. 
MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di-
dática das demonstrações contábeis. São Paulo: Atlas, 2019. 
PETROBRAS S.A. Demonstrações financeiras padronizadas. 2020. 
Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.
aspx?NumeroSequencialDocumento=102142&CodigoTipoInstituicao=1. 
Acesso em: 17 dez. 2021. 
SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons-
trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
https://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG06(R3).pdf
https://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG06(R3).pdf
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Capítulo 5
Análise do capital 
de giro
Certamente você já deve ter ouvido falar sobre capital de giro, seja na 
conversa com um amigo, um familiar ou mesmo em reportagens que fo-
cam a questão financeira/econômica em determinado empreendimento.
Ao adentrarmos na segunda metade desta obra, a pretensão é que 
você entenda e saiba aplicar os conceitos de capital circulante, capital 
de giro e saldo em tesouraria através de análise real de empresa listada 
na Bovespa. Esta aplicação vai direcionar o aprendizado teórico, dando 
condições plenas de analisar qualquer tipo de empresa, seja aqui no 
Brasil, seja em qualquer lugar do mundo. Afinal de contas, os conceitos 
e as fórmulas não são exclusivos daqui, mas internacionalizados.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
1 Capital de giro × liquidez
No capítulo 2, aprendemos como são calculados os índices de liqui-
dez. Apenas recordando, temos a liquidez corrente, a imediata, a seca e 
a geral. Todas elas têm a ver com a capacidade financeira de honrar os 
compromissos assumidos (passivos), sejam de curto ou longo prazo, 
utilizando-se, para isso, de diversas composições de bens ou direitos 
(ativo). Ao trazer a liquidez à tona, vamos perceber que o capital de giro 
está ligado com o tema de disponibilidade. Resumindo, trata-se tam-
bém de liquidez.
A empresa que irá ilustrar os indicadores a seguir é a mesma utiliza-
da no capítulo 3, a Monark S.A., o que pode facilitar a análise, tendo em 
vista que a liquidez está intrinsecamente ligada ao capital de giro.
Tabela 1 – Balanço patrimonial Bicicletas Monark S.A. (2018 a 2020) – (R$ mil)
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
 Ativo total 216.484 220.646 203.106
 Ativo circulante 165.455 164.870 165.948
 Caixa e equivalentes de caixa 153.406 148.804 150.534
 Contas a receber 6.031 5.491 4.875
 Estoques 5.281 7.234 5.583
 Tributos a recuperar 635 3.266 4.878
 Despesas antecipadas 102 75 78
 Ativo não circulante 51.02955.776 37.158
 Ativo realizável a longo prazo 46.288 47.558 36.787
 Imobilizado 4.741 8.218 371
 Passivo total 216.484 220.646 203.106
(cont.)
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DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
 Passivo circulante 5.225 6.028 3.331
 Obrigações sociais e trabalhistas 563 499 449
 Fornecedores 1.555 2.091 1.316
 Obrigações fiscais 216 237 335
 Empréstimos e financiamentos 1.865 2.283 0
 Outras obrigações 1.026 918 1.231
 Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301
 Empréstimos e financiamentos 2.686 5.689 0
 Tributos diferidos 14.497 14.747 11.336
 Provisões 3.620 3.870 3.965
 Patrimônio líquido 190.456 190.312 184.474
 Capital social realizado 133.010 133.010 133.010
 Reservas de lucros 29.306 28.677 29.459
 Ajustes de avaliação patrimonial 28.140 28.625 22.005
Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020).
1.1 Capital circulante líquido (CCL)
Quando estudamos as demonstrações contábeis, percebemos que 
são respeitados alguns critérios lógicos na estrutura de cada uma. 
Tratando especificamente a do balanço patrimonial, no ativo são dis-
postas as contas conforme liquidez, ou realização. Contas mais líquidas 
são mencionadas primeiro, findando no Intangível, o qual, além de ser 
difícil de valorar, encontra severas dificuldades de se transformar em 
dinheiro (vender).
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Em contrapartida, as fontes de recursos são classificadas consoan-
te o grau de exigibilidade, ou seja, contas com prazos menores de paga-
mento são as primeiras a constar na estrutura do passivo; contas com 
prazos mais dilatados aparecem depois.
Trazendo um conceito de Almeida (2019, p. 191), o capital circulante 
líquido (CCL) “representa a diferença entre o ativo circulante (AC) e o 
Passivo circulante (PC). O CCL pode apresentar três situações: positivo, 
nulo e negativo”; assim:
CCL = AC – PC
No exemplo, as três situações possíveis:
Tabela 2 – Situações do capital circulante líquido 
SITUAÇÃO ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE CCL
CCL positivo 600 (480) 120
CCL negativo 600 (660) (60)
CCL nulo 600 (600) 0
No primeiro caso, o AC é maior que o PC; no segundo, menor; na 
terceira situação, AC e PC são iguais. É nítido que na primeira situa-
ção há “sobra” de ativo circulante, o que demonstra que as dívidas de 
curto prazo poderiam facilmente ser saldadas com aqueles valores. 
Rememorando, a liquidez corrente seria maior que 1. Evidentemente 
que com o CCL negativo a situação se inverte, ou seja, faltariam ativos 
circulantes para quitar o passivo circulante – liquidez corrente menor 
que 1. No CCL nulo, o índice de liquidez corrente seria exatamente 1.
O CCL também pode ser chamado de capital de giro (CG), que nada 
tem de diferente, pois ambos remetem ao conceito do que é cíclico, da-
quilo que gira em períodos menores. O CG serve para fazer os pagamen-
tos de impostos e tributos, os salários, os fornecedores, além de outras 
atividades que são essenciais para que a entidade opere.
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Conhecer o CCL é fundamental para que o gestor saiba que decisões 
tomar, o que pode incluir ajustar prazos de recebimentos (clientes) ou 
de pagamentos (fornecedores), equalizando e equilibrando as contas. 
Nem sempre isso é possível, pois tem a ver com negociação e aceita-
ção entre as partes. No entanto, este planejamento deve fazer parte da 
empresa, incluindo as provisões necessárias para futuros desembolsos 
(13º salário, 1/3 férias, estoques sazonais etc.).
Utilizando, conforme prática recorrente e didática, de um exemplo da 
Bovespa, voltemos aos dados da Monark S.A. referentes aos anos 2018 
a 2020.
Tabela 3 – Balanço patrimonial Bicicletas Monark S.A. (2018 a 2020) – (R$ mil)
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
Ativo total 216.484 220.646 203.106
Ativo circulante 165.455 164.870 165.948
Ativo não circulante 51.029 55.776 37.158
Passivo total 216.484 220.646 203.106
Passivo circulante 5.225 6.028 3.331
Passivo não circulante 20.803 24.306 15.301
Patrimônio líquido 190.456 190.312 184.474
Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020).
Portanto, o CCL da Monark nos anos 2018 a 2020 corresponde a:
 • CCL 2018 = 165.948 – 3.331 = 162.617
 • CCL 2019 = 164.870 – 6.028 = 158.842
 • CCL 2020 = 165.455 – 5.225 = 160.230
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Conforme já exemplificado anteriormente, a Monark apresentou al-
tos índices de liquidez, o que é o reflexo do CCL, via de regra. No entanto, 
nem sempre essa correlação é taxativa, pois a conversão de bens e di-
reitos em dinheiro pode representar certa perda financeira. Já imaginou 
precisar receber dos clientes antecipadamente? Se não houver um bom 
desconto, o cliente não terá interesse em pagar antes, o que provocaria 
redução no índice de liquidez. 
Para entendermos melhor o porquê da situação confortável da Monark, 
teríamos que analisar os demais demonstrativos e, principalmente, as no-
tas explicativas, justificando a manutenção de valores tão altos em ativos 
circulantes, principalmente no disponível. A pergunta que sempre surge é 
do tipo “Por que não aplicar em ativos que podem gerar mais receitas?”. 
Pode ser uma política conservadora da empresa, apenas.
PARA PENSAR 
Se você analisar o seu CCL, em qual das três situações ele se encon-
tra: positivo, nulo ou negativo? Faça esse cálculo com suas finanças 
pessoais. Analise o que pode melhorar e tome providências urgentes, 
caso necessário. Esse comportamento é o mesmo que se utiliza em 
uma empresa, atentando para os gastos (às vezes supérfluos ou des-
necessários) e focando em geração de renda, com ativos adequados.
 
2 Necessidade de capital de giro (NCG)
Muitos empresários não enxergam a capacidade que sua empresa 
tem para deslanchar, para crescer. Essa limitação prejudica o andamen-
to das atividades e freia o desenvolvimento. O tópico anterior (CCL) dire-
ciona, inegavelmente, para este, que trata da necessidade de capital de 
giro (NCG), que nada mais é do que a diferença entre o ativo circulante 
operacional (ACO) e o passivo circulante operacional (PCO). Resta saber 
o que compõe o ACO e o PCO.
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De acordo com Fleuriet e Zeidan (2015), é possível reestruturar o ba-
lanço patrimonial separando os itens por prazos (curto e longo prazo) 
e por natureza das transações. Este mecanismo facilita a extração de 
alguns indicadores, especialmente os de liquidez e os de estruturas fi-
nanceiras, como é o caso da NCG e do ST (saldo em tesouraria). 
A seguir,o balanço patrimonial requalificado, seguindo o Modelo de 
Fleuriet, tanto no ativo quanto no passivo: financeiro, operacional e não 
circulante.
Tabela 4 – Composição do balanço patrimonial (requalificado)
ATIVO PASSIVO
Ativo circulante financeiro Passivo circulante financeiro
Disponível Duplicatas descontadas
Aplicações financeiras Empréstimos curto prazo
Ativo circulante operacional Passivo circulante operacional
Contas a receber Salários a pagar
Estoques Impostos a pagar
Adiantamento a fornecedores Fornecedores
Ativo não circulante Passivo não circulante
Realizável a longo prazo
Investimentos
Imobilizados
Intangíveis
Exigível a longo prazo
Financiamentos
Patrimônio líquido
Capital social
Fonte: adaptado de Fleuriet e Zeidan (2015).
O ativo circulante operacional (ACO) ou ativo operacional (AO) é aque-
le que tem origem, essencialmente, em atividades envolvendo compra 
e venda, produção e estocagem de produtos ou mercadorias. As contas 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
principais são Estoques, Contas a receber, Despesas operacionais ante-
cipadas, Adiantamento a fornecedores, Impostos a recuperar, entre ou-
tras. Já o passivo circulante operacional (PCO), ou simplesmente pas-
sivo operacional (PO), comporta as contas cíclicas a pagar, dentre as 
quais Impostos e tributos, Salários e encargos, Fornecedores e outras 
dívidas, geralmente não onerosas (sem custo financeiro). 
Em resumo, “AO são aplicações de recursos decorrentes das ativi-
dades de compra/fabricação/estocagem/venda; enquanto os PO estão 
relacionados com as origens de recursos dessas atividades” (ALMEIDA, 
2019, p. 191). Portanto:
NCG = ACO – PCO
A partir do momento em que se encontra a NCG, deverá haver uma 
interpretação deste valor. Resultados negativos indicam que a empresa 
não terá necessidade de recorrer a instituições financeiras para bancar 
as dívidas de curto prazo. Se forem positivos, há um déficit no capital 
de giro, necessitando buscar apoio financeiro em capital de terceiros, 
geralmente oneroso (despesa com juros). A diferença entre manter a 
NCG positiva ou negativa pode determinar a saúde da empresa, princi-
palmente na manutenção de um fluxo de caixa adequado.
Quadro 1 – Como avaliar a necessidade de capital de giro (NCG)
ACO > PCO
Situação em que a maioria das empresas se encontra. Há uma NCG, sendo que a 
empresa pode recorrer a fontes de financiamentos.
ACO = PCO
Situação de equilíbrio, raramente acontece. Sendo a NCG nula, a empresa não 
necessita de financiamento para girar as atividades operacionais.
ACOprazos de financia-
mento, passando de curto para longo prazo. Se essa estratégia for efi-
ciente, aliada ao recebimento das vendas em menores prazos, o efeito 
pode ser inverso, ou seja, ter novamente o ST positivo.
CCLNCG
ST +
ST -
20X1
10000
8000
6000
4000
2000
0
20X2 20X3 20X4 20X5 20X6
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
4 Análise do CCL, da NCG e do ST
Assim como em outras áreas do conhecimento, ter apenas os resul-
tados pode não representar muita coisa se estiver nas mãos de leigos. 
Saber interpretar os dados que se tem é extremamente importante. A 
respeito dos indicadores aqui estudados, não é diferente, ainda que te-
nhamos a impressão de que os títulos e subtítulos já expressam tudo o 
que precisamos.
Para efeitos de análise dos indicadores estudados, temos a seguir 
o Balanço da Monark reclassificado, conforme a necessidade para os 
cálculos dos indicadores deste capítulo.
Tabela 6 – BP reclassificado – Monark S.A. – 2018 a 2020 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
ATIVO 216.484 220.646 203.106 
Ativo circulante financeiro 153.406 148.804 150.534 
Disponível 153.406 148.804 150.534 
Ativo circulante operacional 12.049 16.066 15.414 
Contas a receber 6.031 5.491 4.875 
Estoques 5.281 7.234 5.583 
Tributos a recuperar 635 3.266 4.878 
Despesas antecipadas 102 75 78 
Ativo não circulante 51.029 55.776 37.158 
Passivo 5.267 8.698 2.547 
Passivo circulante financeiro 3.712 6.607 1.231 
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(cont.)
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DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
Outras obrigações 1.026 918 1.231 
Passivo circulante operacional 2.334 2.827 2.100 
Obrigações sociais e trabalhistas 563 499 449 
Fornecedores 1.555 2.091 1.316 
Obrigações fiscais 216 237 335 
Passivo não circulante 211.259 214.618 199.775 
Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020).
Vamos às considerações e análise, uma vez que os cálculos já 
foram efetivados anteriormente, em cada tópico destacado. Confira o 
gráfico 2.
Gráfico 2 – NCG e CCL – Monark (2018 a 2020)
CCLNCG
2020
9,715 13,239 13,314
160,230 158,842 162,617
180,000
160,000
120,000
100,000
80,000
60,000
40,000
20,000
-
2019 2018
Fonte: adaptado de Monark S.A. (2020).
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Nos resultados, não encontramos grandes variações nos indicado-
res de NCG e CCL, pois os saldos dos ativos e passivos, seja em qual-
quer grupo deles, também não se alteraram muito. Percebemos que a 
Monark adotou uma política de manter o disponível elevado, possivel-
mente em aplicações financeiras, que geram uma certa renda mensal/
anual. O fato de quase não haver passivos operacionais demonstram 
que ou os pagamentos estão sendo feitos mais à vista, ou a produção 
está em níveis baixos, ou, ainda, a combinação destas duas situações.
O capital circulante líquido (CCL) se manteve próximo de R$ 160 mil 
durante todos os anos. Isso significa uma sobra financeira para liquidar 
as contas de curto prazo. Analisando pelo fator liquidez, está ótimo. 
Quanto à necessidade de capital de giro (NCG), vemos que os saldos 
são sempre positivos, ou seja, há necessidade de que ou os prazos se-
jam mais dilatados para os pagamentos das obrigações ou que os re-
cebimentos sejam comprimidos. Caso isso seja possível, a NCG tende 
a diminuir ou até mesmo se tornar negativa. Quando negativa, como vi-
mos, é indicação de que os passivos circulantes operacionais financiam 
não apenas os ativos circulantes operacionais.
Por fim, o saldo em tesouraria (ST) se mantém elevado, sempre posi-
tivo, sem nenhuma previsão de acontecer o efeito tesoura nesta empre-
sa. O que podemos inferir é que a Monark está com o pé no freio quanto 
à produção e investimentos em ativos que aumentariam esta produção. 
Pode ser efeito de alguma reestruturação ou mesmo alguma perda de 
mercado ou competitividade.
Finalmente, se olharmos simplesmente pela visão de liquidez ou 
saldos financeiros, percebemos que está muito bem. Contudo, como já 
anotado, a empresa parece carecer de algum objetivo quanto a aumen-
to de produção e faturamento com as atividades operacionais.
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Considerações finais
Uma das maiores preocupações que deve existir em uma empresa 
é a condição financeira para torná-la sempre ativa e gerando rendas. A 
forma de administrar é refletida diretamente nestas condições, seja em 
pequenas ou grandes empresas.
Diante disso, entender a necessidade de capital de giro e o saldo em 
tesouraria já são grandes passos para ter o sucesso, além de, obvia-
mente, entender e saber agir diante de situações favoráveis ou adver-
sas. Acompanhar a evolução dos indicadores mensalmente facilita a 
condução administrativa, evitando surpresas desagradáveis em relação 
à falta de dinheiro para pagar obrigações, especialmente as de curto 
prazo. Quanto mais se conhece uma empresa, mais chances de torná-la 
superavitária, desde que as decisões sejam as corretas e tomadas no 
tempo certo.
Sempre digo para usar esses conhecimentos na sua vida pessoal e 
não é neste final de capítulo que faria diferente. Usufrua do conhecimen-
to, aplique-o em sua vida e tenha sucesso, sempre!
Referências
ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS 
e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. 
FLEURIET, Michel; ZEIDAN, Rodrigo. O modelo dinâmico de gestão financeira. 
Rio de Janeiro: Alta Books, 2015.
MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem ge-
rencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MONARK S.A. Demonstrações Financeiras Padronizadas v1. 2020. 
Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.
aspx?NumeroSequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1. Acesso 
em: 16 fev. 2022. 
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=102411&CodigoTipoInstituicao=1
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Capítulo 6
Índices de atividade
Se fôssemos analisar todas as empresas do mundo, provavelmente 
todas teriam algo em comum: elas obedecem e seguem ciclos. Ciclos 
podem ser observados na vida pessoal, mas nas empresas é muito 
mais evidente e, além do mais, podem ser determinantes para a manu-
tenção das atividades que geram a riqueza.
Falar sobre ciclos é falar sobre a vida de uma entidade. Afinal de con-
tas, entra ano e sai ano, as atividades perduram, comprando, vendendo, 
pagando e recebendo.Estas são as etapas naturais, mas nem sempre 
se comportam da maneira ideal: a que traria maiores benefícios à em-
presa. Como sabemos, entre o ideal e o real pode haver muita neces-
sidade de ajuste, nem sempre fácil de executar. Neste capítulo, vamos 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
estudar sobre as etapas aqui comentadas e como poderiam trazer me-
lhores resultados, ajustando prazos e, consequentemente, os ciclos de 
uma empresa.
1 Índices de atividade na análise contábil
Se fôssemos questionar comerciantes que tiveram as portas cerra-
das nos últimos anos, em que deveriam traçar os principais motivos 
para essa interrupção das atividades, teríamos, provavelmente, respos-
tas semelhantes. Seriam retratadas as situações do cotidiano, com as 
políticas e estratégias que adotaram na condução do negócio, as falhas 
cometidas e, principalmente, a falta de uma provisão de caixa suficiente 
para manter as atividades por mais longo tempo.
Neste questionário, os índices de atividade talvez nem seriam co-
mentados, mas é de extrema importância saber como se calcula e 
como deve ser uma situação ideal, embora nem sempre seja o vivido 
pela maioria das entidades.
Assaf Neto e Lima (2009) comentam que os índices de atividade têm 
como objetivo principal analisar os processos cíclicos das empresas, 
especialmente os seguintes:
 • compras;
 • formação dos estoques;
 • pagamento das compras;
 • venda dos produtos e mercadorias;
 • recebimento das vendas.
Ainda que estas sejam as etapas gerais, algumas entidades acabam 
não passando por todas elas. Há, por exemplo, empresas que não pos-
suem estoque: fabricam ou comercializam no sistema just-in-time. 
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No entanto, se comprar, pagar, vender e receber já são comuns na 
vida de uma pessoa física, estas passam a ser essenciais nas pessoas 
jurídicas, as quais geralmente criam um padrão em relação ao tempo 
de cada atividade. E é exatamente a combinação ou correlação entre 
os períodos que formarão os tempos médios, item que vamos estudar 
a partir de agora.
PARA SABER MAIS 
Quer saber o que é o sistema just-in-time? Significa, em suma, produzir 
de acordo com a demanda; ou seja, no tempo certo, cada operação é 
desenvolvida, sem ociosidade e estoque acumulado. Muitas empresas 
utilizam esse sistema para reduzir custos e despesas, mas nem sempre 
é possível utilizá-lo. 
 
1.1 Prazos médios
Não há padrão de tempo médio a ser obedecido em determinado 
setor ou área de atuação da empresa. Cada uma terá o seu tempo, o seu 
prazo médio, construído conforme a necessidade e realidade própria, 
individual. Algumas empresas têm ciclos mais rápidos; outras, muito 
lentos. Algumas repõem os estoques a cada ano, outras a cada sema-
na. Pode depender do setor de exploração mercadológica e também da 
validade de produtos ou mercadorias. 
Silva (2017) utiliza o fator DP (dias do período) de 360 dias para 
determinar os prazos médios. É possível medir os prazos médios em 
dias (fator 360), em meses (fator 12) ou em outros períodos não tão co-
muns (trimestres, semanas), sendo mais comum a utilização do cálculo 
diário, e este será adotado neste conteúdo que você verá daqui em dian-
te. Embora alguns autores podem mencionar 365 dias ao invés de 360 
para estes cálculos, o resultado pouco se altera. Neste sentido, vamos 
usar 360 dias como fator na determinação dos prazos médios. 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
1.2 Prazo médio de estoques (PME)
Conforme Almeida (2019), o prazo médio dos estoques (PME), ou 
prazo médio da rotação dos estoques (PMRE), quantifica os dias que 
produtos ou mercadorias ficam armazenados até se concretizarem as 
vendas. 
A seguinte fórmula deve ser utilizada, observando que nesta e em to-
das as demais o fator 360 é o padrão para encontrar os prazos médios.
PME = 
Estoque Médio × 360
Custo da Mercadoria ou Produto Vendido
Ainda que conste Estoque Médio no numerador, caso os valores 
desta conta sejam pouco divergentes, é possível utilizar apenas o valor 
do estoque do ano analisado para esta definição. Divide-se, portanto, 
este pelo Custo da Mercadoria Vendida (CMV) ou pelo Custo do Produto 
Vendido (CPV). O CMV ou CPV é facilmente identificado na demonstra-
ção do resultado do exercício (DRE), mas pode ser encontrado através 
da soma do estoque inicial, mais o total de compras no período, dedu-
zindo o estoque final, conforme vemos a seguir: 
CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final
Aqui vemos um exemplo de cálculo do PME, com o estoque inicial de 
R$ 1 mil e o estoque final no valor de R$ 2 mil. Vamos considerar ainda 
que o custo das mercadorias vendidas seja R$ 12 mil. A média do esto-
que é a soma dos dois valores – inicial e final, dividido por dois. Assim, 
na fórmula, temos a demonstração:
PME = 
[(1.000 + 2.000)/2] × 360
= 45 dias
12.000
Neste caso, então, a cada 45 dias o estoque passa a se renovar. Isso 
representa oito giros do estoque no ano, pois 360/45 = 8. O giro de esto-
que deve ser analisado com cuidado, pois não são todas as mercadorias 
93Índices de atividade
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ou produtos que giram, realmente, oito vezes, a não ser que o estoque 
seja composto de apenas um item (produto ou mercadoria). Para con-
firmar a tese de que algumas mercadorias giram mais, basta ir a um 
supermercado ou loja e ver alguns itens que têm poeira ou as etiquetas 
de preço bem desgastadas. Você já viu isso? Por isso, todo o cuidado 
quando se diz “giro do estoque”. 
O giro do estoque (GE) é a razão entre o período de 360 dias (ano 
comercial) e o prazo médio de estoque, conforme a fórmula a seguir:
GE = 
360
PME
O giro é influenciado, portanto, pelo tipo de produtos que são ven-
didos (duráveis ou perecíveis), pela sazonalidade (protetor solar, por 
exemplo, é mais vendido no verão) ou pelo grau de obsolescência (liga-
dos à tecnologia, principalmente). O giro pode ser medido em cada pro-
duto ou mercadoria, e isso grande parte das empresas o fazem. Assim, 
conseguem entender as características ou perfis dos consumidores e 
adaptar suas ofertas às demandas. Quanto maior o giro, menor o PME.
1.3 Prazo médio de fabricação (PMF)
Conforme podemos inferir, o prazo médio de fabricação (PMF) só é 
utilizado em empresas em que há o processo fabril. Em comércio, este 
indicador não tem sentido, até porque não existem produtos em elabo-
ração, item básico para o cálculo, conforme vemos a seguir:
PMF = 
Estoque Médio de Produtos em Elaboração × 360
Custo de Produção
Da mesma forma que o PME, o indicador mostra quantos dias foram 
necessários para que os produtos sejam fabricados. Significa, então, 
que cada produto terá o mesmo tempo de fabricação? Claro que não, 
94 M
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iarealizar	análises	
constantes	para	ajustar	o	rumo	da	empresa	é	uma	das	grandes	preocu-
pações	dos	analistas	(SILVA,	2017).
Para	quem	já	conhece	a	estrutura	de	um	balanço	patrimonial,	da	de-
monstração	do	fluxo	de	caixa	e	outros	demonstrativos	que	a	contabilidade	
disponibiliza,	creio	que	analisar	a	relação	que	há	entre	eles	é	extremamen-
te	significativo,	o	que	favorece	a	análise	da	organização,	como	um	todo.	
Dessa	forma,	devemos	examinar	quais	informações	disponibilizadas	em	
uma	demonstração	podem	estar	presentes	também	em	outra.	Vamos	ver	
alguns	exemplos	reais	e	como	esta	inter-relação	afeta	a	análise	financeira.
É	bom	relembrar	que	os	demonstrativos	a	serem	divulgados	são	os	exi-
gidos	pelas	Leis	6404/1976	e	11.638/2007,	pela	Resolução	1.374/2011	
do	Conselho	Federal	de	Contabilidade	(CFC),	pela	Deliberação	676/2011	
da	Comissão	de	Valores	Mobiliários	(CVM)	e	pelas	Normas	Brasileiras	
de	Contabilidade	–	Gerais	–	26	(NBC-TG	26	(R5)).	Segue	a	lista:
 • balanço	patrimonial	(BP);
 • demonstração	do	resultado	do	exercício	(DRE);
9Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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 • demonstração	do	fluxo	de	caixa	(DFC);
 • demonstração	das	mutações	do	patrimônio	líquido	(DMPL);
 • demonstração	do	valor	adicionado	(DVA);
 • demonstração	do	resultado	abrangente	(DRA);
 • notas	explicativas.
Devemos	frisar	que	cada	um	destes	demonstrativos	têm	uma	fun-
ção	específica	na	contabilidade;	contudo,	há	uma	correlação	entre	eles,	
o	que	facilita	a	análise	e	a	interpretação	dos	dados	e	conduz	às	melho-
res	decisões	administrativas.	Na	verdade,	o	grande	objetivo	da	contabi-
lidade	é	ser	um	suporte	a	estas	decisões.	
O	demonstrativo	mais	conhecido	e,	me	arrisco	a	afirmar,	o	mais	im-
portante,	é	o	balanço	patrimonial	 (BP).	Nele	estão	 inseridos	os	dados	
da	vida	de	uma	empresa	até	determinado	momento.	Ele	é	caracterizado	
como	estático,	como	uma	fotografia,	retratando	um	momento	específi-
co	da	organização.	
Ao	visualizar	o	BP,	perceba	que	ele	tem	função	dupla:
 • demonstrar	a	situação	patrimonial	(Bens	+	Direitos	–	Obrigações);
 • identificar	as	fontes	de	recursos	(próprios	ou	de	terceiros)	e	suas	
aplicações	(ativo).
Com	base	nesta	dupla	visão	é	que	confirmo	a	utilidade	do	BP,	tanto	
contábil	como	gerencialmente.	No	entanto,	apenas	o	BP	não	é	suficien-
te	para	se	ter	a	real	movimentação	dos	fatos	e	atos	contábeis	de	uma	
empresa.	Daí	a	necessidade	dos	demais	para	complementar	as	 infor-
mações,	os	quais	serão	vistos	na	sequência.
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2 Correlação entre as demonstrações 
contábeis 
Como	exemplo	das	correlações	entre	as	demonstrações	contábeis,	
vamos	 analisar	 a	 conexão	que	 há	 entre	 o	 balanço	 patrimonial	 (BP),	
a	 demonstração	 do	 resultado	 do	 exercício	 (DRE)	 e	 a	 demonstração	
das	mutações	do	patrimônio	líquido	(DMPL),	com	dados	reais	de	uma	
empresa	listada	na	Bolsa	de	Valores	de	São	Paulo	(Bovespa),	ou,	sim-
plesmente,	[B]3.
	O	primeiro	demonstrativo	é	o	BP,	aqui	evidenciado	apenas	o	grupo	
do	patrimônio	líquido,	referente	aos	anos	2020	e	2019.
Tabela 1 – BP (patrimônio líquido) – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 2020 2019
 Patrimônio líquido consolidado 5.501.316 4.691.019
 Capital social realizado 3.805.326 3.795.634
 Reservas de capital -25.430 38.678
Opções outorgadas 94.031 74.227
Ações em tesouraria –119.461 –35.549
Reservas de lucros 1.694.515 869.896
Reserva legal 109.768 54.955
Reserva de incentivos fiscais 162.812 97.539
Dividendo adicional proposto 191 282.546
Reserva para investimento e expansão 1.421.744 434.856
Outros resultados abrangentes 26.905 –13.189
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).
11Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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 Editora Senac São Paulo.
A	seguir,	 temos	a	demonstração	do	 resultado	do	exercício	 (DRE)	
referente	aos	anos	2020	e	2019.	Relembrando:	a	DRE	contempla	os	
saldos	das	movimentações	de	receitas,	custos	e	despesas	em	deter-
minado	período,	geralmente	anual.	Tem	o	objetivo	de	apurar	o	resul-
tado	no	exercício	(lucro	ou	prejuízo),	determinando	se	a	empresa	está	
sendo	lucrativa	ou	deficitária.
Tabela 2 – DRE – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
Receita de venda de bens e/ou serviços 7.537.180 9.588.437
(–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –3.223.570 –3.730.521
= Resultado bruto 4.313.610 5.857.916
(+/–) Despesas/receitas operacionais –3.456.731 –4.181.539
 = Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 856.879 1.676.377
(+/–) Resultado financeiro 343.882 –184.395
 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 1.200.761 1.491.982
 (–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –104.492 –405.781
= Lucro/prejuízo consolidado do período 1.096.269 1.086.201
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).
Observe	o	seguinte:	o	resultado	líquido,	ou	seja,	o	lucro	apurado	no	
exercício	2020,	no	valor	de	R$ 1.096.269,	consta	na	DRE	(tabela	2).	Este	
valor	 também	está	explícito	da	DMPL:	Lucro	 líquido	do	período	 (linha	
12)	e	em	Lucros	ou	prejuízos	acumulados	(coluna	5).	Por	que	está	ali?	
Porque	a	DMPL	tem	a	função	de	demonstrar	tudo	o	que	aconteceu	em	
todo	o	grupo	do	patrimônio	líquido	durante	o	exercício;	ou	seja,	tudo	o	
que	mudou	no	PL	precisa	estar	demonstrado	na	DMPL.
 
12 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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Tabela 3 – DMPL – Lojas Renner – 2020 (R$ mil)
DESCRIÇÃO CAPITAL 
SOCIAL
RESERVAS 
DE CAPITAL
RESERVAS 
DE LUCRO
LUCROS 
OU PREJ. 
ACUM.
OUTROS 
RES. 
ABRANG.
TOTAL 
PATRIM. LÍQ. 
CONSOLIDADO
Saldos iniciais 
ajustados 
3.795.634 38.678 869.896 – – 13.189 4.691.019 
Transações de capital 
com os sócios 
9.692 –64.108 –134 –271.516 – –326.066 
Aumentos de capital 9.692 – – – – 9.692 
Ações em tesouraria 
adquiridas 
– –96.964 – – – –96.964 
Dividendos – – – –30.698 – –30.698 
Juros sobre capital 
próprio 
– – – –240.818 – –240.818 
Plano de ações restritas – 10.024 – – – 10.024 
Plano de opção de 
compra de ações 
– 22.832 – – – 22.832 
Dividendos prescritos – – 191 – – 191 
Deliberação de 
dividendo adicional 
proposto 
– – –325 – – –325 
Resultado abrangente 
total 
– – – 1.096.269 40.094 1.136.363 
Lucro líquido do período – – – 1.096.269 – 1.096.269 
Outros resultados 
abrangentes 
– – – – 40.094 40.094 
 Ajustes de 
instrumentos 
financeiros 
– – – – –22.995 –22.995 
 Tributos s/ ajustes 
instrumentos 
financeiros 
– – – – 7.818 7.818 
(cont.)
13Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
pois alguns podem ser mais elaborados, enquanto outros são simples. 
Uns podem demorar minutos para fabricar e, outros, horas ou dias. 
Pense na Embraer, empresa de aviação do Brasil. Quanto tempo se 
leva para terminar um modelo de avião? Muitas semanas ou meses. E 
quanto a uma fábrica de talheres? Provavelmente em alguns segundos 
esteja pronto um exemplar de colher ou faca. A gestão do prazo de fa-
bricação é essencial para uma indústria, pois isso determina sua posi-
ção ou manutenção em um determinado nicho.
Vamos a um exemplo, considerando que esta indústria tenha os se-
guintes dados: a) estoque inicial e final de produtos em elaboração, res-
pectivamente: R$ 10 mil e R$ 20 mil; custo de produção: R$ 80 mil. Com 
isto, vamos ao cálculo do prazo médio de fabricação:
PMF = 
[(10.000 + 20.000)/2] × 360
= 67,5 dias
80.000
Neste caso, o prazo médio de fabricação dos itens da indústria é de 
67,5 dias.
1.4 Prazo médio de vendas
Tão logo uma indústria encerre o processo de fabricação dos produ-
tos e haja a consequente venda destes é que se determina o prazo mé-
dio de vendas (PMV). Este prazo compreende todo o tempo de estoca-
gem, se assemelhando ao PME. A fórmula para encontrarmos o PMV é:
PMV = 
Estoque Médio de Produtos Acabados × 360
Custo dos Produtos Vendidos
Para chegarmos ao custo dos produtos vendidos, é importante so-
mar todos os custos: diretos e indiretos. Para um acompanhamento mais 
preciso, o ideal é realizar estes cálculos com cada item dos estoques in-
dividualmente e, se possível, em prazos mais curtos (mês ou trimestre).
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Imaginemos os seguintes dados de uma empresa industrial: estoque 
inicial e final de produtos acabados, respectivamente, valendo R$ 10 mil 
e R$ 40mil, e R$ 100 mil de custos dos produtos vendidos. Vamos apli-
cá-los na fórmula e descobrir qual o prazo médio de vendas:
PMV = 
[(10.000 + 40.000)/2] X 360
= 90 dias
100.000
Noventa dias, ou três meses, foi o prazo médio para que, após a fa-
bricação dos produtos, estes fossem vendidos, depois de terem perma-
necidos estocados. 
1.5 Prazo médio de cobrança
O Prazo Médio de Cobrança (PMC), também denominado de Prazo 
Médio de Recebimento (PMR), Prazo Médio de Recebimento de Vendas 
(PMRV), Prazo Médio de Recebimento de Clientes (PMRC), mostra o 
tempo para que o crédito das vendas a prazo seja efetivamente recebi-
do (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2019). No balanço patrimonial a conta 
Clientes a receber, Duplicatas a receber, Clientes ou Contas a receber in-
dicam o numerador da equação utilizada para este cálculo. São direitos 
que a empresa tem a receber. 
O cálculo deste prazo se dá assim:
PMC = 
Média de Clientes a Receber × 360
Receita Operacional Bruta
Para exemplificar, vamos definir os valores que são usados na fór-
mula: a conta clientes a receber teve saldo inicial de R$ 50 mil e final de 
R$ 32 mil. A receita operacional bruta, extraída da DRE, chegou a R$ 527 
mil. Neste caso hipotético, o cálculo fica assim:
PMC = 
[(50.000 + 32.000)/2] × 360
= 28 dias
527.000
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Neste caso, são necessárias quatro semanas, em média, para que a 
empresa receba todos os créditos de seus clientes. É um prazo bastan-
te favorável, se considerarmos apenas este indicador. Por isso, quando 
analisamos estes indicadores de atividade, temos que olhar o conjun-
to todo, especialmente o prazo médio de pagamento a fornecedores 
(PMPF). Se há desalinhamento entre estes prazos, pode existir dificul-
dades no pagamento das compras. Além disso, despesas financeiras 
serão consequentes se pagas em atraso ou utilizando capital oneroso.
1.6 Prazo médio de pagamento a fornecedores
Conforme mencionado no parágrafo anterior, este indicador deve ser 
correlacionado com o PMC. O prazo médio de pagamento a fornece-
dores (PMPF) é identificado como o tempo médio que uma empresa 
demora para pagar os valores das compras (SILVA, 2017). Quanto maior 
este prazo, melhor para a empresa, desde que o PMC seja menor.
Podemos utilizar uma inequação para ilustrar o plano ideal, ainda 
que muitas vezes não seja seguido, por razões óbvias (dificuldade na 
negociação por prazos maiores com fornecedores ou imposição de pra-
zos menores com os clientes):
PMCO cálculo é realizado pelo valor do estoque total, independentemente 
da quantidade ou variedade de produtos ou mercadorias, este abrange 
diversos produtos.
Já o ciclo operacional (CO) corresponde “a todas as ações necessá-
rias e exercidas para o desempenho de cada atividade. É o processo de 
gestão de cada atividade, que inclui o planejamento, execução e contro-
le” (PADOVEZE, 2012, p. 102). Este processo corresponde, portanto, às 
compras da matéria-prima, à elaboração dos produtos, à estocagem, à 
venda destes produtos e ao efetivo recebimento por estas vendas.
A fórmula para este cálculo se dá pela soma do ciclo econômico e o 
prazo médio de cobrança:
Ciclo Operacional = CE + PMC
O ciclo operacional pode se apresentar de duas formas: com déficit 
ou superávit no tempo. Quando o prazo de pagamento das compras for 
inferior ao prazo para receber os valores de vendas, então será deficitário, 
havendo dificuldades para a gestão dos pagamentos; caso estes prazos 
sejam invertidos, será superavitário, ou seja, há uma folga financeira.
Por fim, o ciclo financeiro (CF) retrata todo o tempo entre o pagamen-
to da matéria-prima ou mercadorias para revenda e o recebimento das 
vendas efetuadas (ALMEIDA, 2019), também conhecido como Ciclo de 
Caixa. Quanto menor o prazo de recebimento dos clientes e maior o pra-
zo de pagamento dos fornecedores, melhor. Essa combinação altera o 
saldo de caixa, deixando-o maior e evitando o uso de capital de terceiros 
para a manutenção das atividades operacionais.
O ciclo financeiro se calcula pela simples diferença entre o ciclo ope-
racional e o prazo médio de pagamentos a fornecedores:
Ciclo Financeiro = CO – PMPF
Na figura 1, temos uma ilustração de como se comportam as ativi-
dades normais de uma empresa: comprar, vender, pagar as compras e 
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receber as vendas. Obviamente que essa pode não ser a sequência de 
todas as empresas, ou seja, pode haver as compras e já o pagamento, 
ou as vendas e o recebimento à vista. Por isso, apenas uma representa-
ção do que é mais comum.
Figura 1 – Representação das atividades e ciclos de uma empresa
Compras
Ciclo Econômico
Ciclo Operacional
Ciclo Financeiro
Vendas Pagamento das compras Recebimento das vendas
Fonte: adaptado de Bauermann (2021, p. 81).
Gerir um negócio não é algo para amadores. Esta máxima vale para 
todos os segmentos e para todos os portes de empresas. Quanto maior, 
claro, maiores as responsabilidades, seja com os sócios, seja com os co-
laboradores, seja com todos aqueles que dependem da continuidade da 
empresa. E, voltando a lembrar, uma análise isolada não representa qua-
se nada, mas uma análise conjunta traz muitos benefícios. Por isso, sem-
pre utilize o máximo possível de indicadores. Dessa forma, terá mais se-
gurança ao tomar decisões, e estas podem valer a vida de uma entidade.
Considerações finais
Análises individuais tendem a ser insuficientes; análises conjuntas, 
eficientes. Quando se analisa apenas os prazos médios, conforme es-
tudado neste capítulo, a possibilidade de interpretações errôneas é evi-
dente. Nenhuma hipótese deve ser descartada, em momento algum, 
para que a saúde da empresa seja sempre das melhores.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Conforme posto ao longo deste estudo, prazos mais dilatados de 
pagamento de fornecedores sempre serão mais vantajosos, e se com-
binados com prazos menores de recebimento dos clientes, haverá sobra 
financeira, pelo menos teoricamente. Os ciclos econômico, operacional e 
financeiro também devem ser administrados de forma coerente e segura. 
Uma análise completa dos demais indicadores, como liquidez, por exem-
plo, darão um diagnóstico bem mais apurado. Acima de tudo, o compro-
metimento e o profissionalismo devem imperar na vida de um gestor. 
Referências
ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS 
e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book.
ASSAF NETO, Alexandre; LIMA, Fabiano Guasti. Curso de administração finan-
ceira. São Paulo: Atlas, 2009.
BAUERMANN, Airton A. Demonstrações contábeis: indicadores, análise e inter-
pretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2021. 
MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di-
dática das demonstrações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. 
PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria estratégica e operacional. 3. ed. São 
Paulo: Cengage Learning, 2012.
SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons-
trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 
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Capítulo 7
Índices de 
rentabilidade
Neste capítulo, vamos tratar de algo que todos procuram, em al-
gum momento da vida (ou sempre): rentabilidade. Se você tem di-
nheiro aplicado no banco, comprou algum imóvel, investiu em cripto- 
moedas ou aplicou na Bolsa de Valores, com certeza está interessado 
no retorno em curto, médio ou longo prazo. O importante é saber in-
vestir e analisar onde e quanto aplicar. Para isso, estudar as diversas 
formas de geração de renda e, especialmente, as empresas em que se 
vai investir é fundamental.
O estudo deste conteúdo lhe dará melhores condições para analisar 
e decidir em quais empresas investir. Seja com pouco ou com muito ca-
pital, o importante é estar satisfeito com os retornos que estes aportes 
financeiros lhe trarão.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
1 Índices de rentabilidade 
Comumente vemos anúncios em plataformas digitais sobre aplica-
ções e rentabilidade. Quanto mais procuramos por este tipo de assunto 
na internet, mais anúncios teremos em nossa caixa de e-mail, nas pre-
ferências de vídeos nas redes sociais e assim por diante. Os algoritmos 
fazem esse papel, o de direcionar conteúdo conforme o nosso perfil de-
monstrado. Nada mal se esses conteúdos fossem todos de fácil aplica-
ção e com a garantia de retorno que prometem.
Aplicar e ter retorno imediato não é algo tão fácil assim. Exige muita 
disciplina, estudo, análises e estratégias. Quando vamos aplicar o nosso 
suado dinheiro, então, devemos antes pensar muito bem. Quando falo 
em aplicação, não está inclusa a poupança, pois esta remunera o capital 
conforme indicadores oficiais do governo, o que, no final, não pode ser 
considerado um investimento.
A rentabilidade é algo inerente a toda empresa, pois o lucro faz parte 
da sobrevivência e da ampliação dos negócios. Para lucrar, deve haver 
estratégias específicas no ambiente empresarial. Não basta saber com-
prar e saber vender, mas deve-se analisar outras variáveis, especialmen-
te os custos e as despesas incorridos.
A rentabilidade é um dos principais indicadores que os investidores 
analisam ao escolherem uma empresa para aportar capital.Ter o co-
nhecimento destes indicadores e saber interpretá-los pode ser definitivo 
para o crescimento de um negócio, tanto visto pela empresa quanto 
pelos investidores.
1.1 Retorno sobre investimentos (ROI)
O ROI (return on investment), ou retorno sobre os investimen-
tos, representa o resultado obtido com os investimentos feitos em 
103Índices de rentabilidade
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determinada empresa (MARTINS; MIRANDA; DINIZ, 2019). Sabemos 
que os investimentos podem ser originários de capital próprio ou de 
terceiros. A aplicação é realizada nos ativos da empresa. O ROI é um 
indicador que não tem limite máximo, pois quanto maior, melhor, assim 
como um investimento em instituição financeira. 
O ROI é calculado da seguinte forma:
Retorno sobre Investimentos = 
Lucro Líquido × 100
Ativo Total
Para exemplificar as fórmulas a serem utilizadas neste capítulo, va-
mos utilizar os dados da Iguatemi S.A., empresa brasileira administra-
dora de shoppings e atividades afins.
Tabela 1 – DRE da Iguatemi S.A. – 2018 a 2020 (R$ Mil)
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
 Receita de venda de bens e/ou serviços 676.664 755.353 722.606
(–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –275.319 –252.215 –217.331
= Resultado bruto 401.345 503.138 505.275
(+/–) Despesas/receitas operacionais –67.067 –20.231 –70.205
= Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 334.278 482.907 435.070
(+/–) Resultado financeiro –88.935 –111.178 –125.875
= Resultado antes dos tributos sobre o lucro 245.343 371.729 309.195
 (–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –69.263 –86.141 –69.531
= Lucro/prejuízo consolidado do período 176.080 285.588 239.664
Fonte: adaptado de Iguatemi S.A. (2020).
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
A seguir, o balanço patrimonial da Iguatemi:
Tabela 2 – BP da Iguatemi S.A. – 2018 a 2020 (R$ Mil)
DESCRIÇÃO 2020 2019 2018
Ativo total 7.013.831 5.748.047 5.394.908
Ativo circulante 1.858.917 1.171.236 871.505
Ativo não circulante 5.154.914 4.576.811 4.523.403
Passivo total 7.013.831 5.748.047 5.394.908
Passivo circulante 797.422 281.823 279.056
Obrigações sociais e trabalhistas 15.786 32.305 30.295
Fornecedores 23.460 32.305 30.295
Obrigações fiscais 22.259 17.703 24.076
Empréstimos e financiamentos 680.077 133.107 131.527
Outras obrigações 55.480 83.757 77.486
Provisões - 188 179
Passivo não circulante 3.042.395 2.442.454 2.260.812
Patrimônio líquido consolidado 3.174.014 3.023.770 2.855.040
Fonte: adaptado de Iguatemi S.A. (2020).
Com os dados da DRE e do Balanço, confira o ROI nestes três anos:
ROI (2018) = 
239.664 × 100
= 4,44%
5.394.908
ROI (2019) = 
285.588 × 100
= 4,97%
5.748.047
ROI (2020) = 
176.080 × 100
= 2,51%
7.013.831
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Assim, o ROI em 2018 foi de 4,44%, seguido de 4,97% em 2019 e 
caindo substancialmente em 2020, para 2,51%. Até poderíamos dizer 
que uma tendência estaria sendo desenhada se em 2020 a rentabilida-
de tivesse subido, mas isso não ocorreu. Provavelmente o ROI foi im-
pactado, assim como outros indicadores, pela redução nos fluxos em 
shoppings, ocasionada pela pandemia da Covid-19. Os percentuais en-
contrados não são elevados e devem ser analisados em conjunto com 
informações relacionadas, tais como a receita de vendas, as despesas 
operacionais e financeiras e o substancial aumento do ativo total.
Para saber se a rentabilidade sobre os investimentos está em um pa-
tamar aceitável, a análise deve ser feita com dados de outras empresas 
de mesmo nicho de mercado, comparando-os. Esta forma de analisar 
vai indicar se os índices encontrados são compatíveis com os concor-
rentes ou se está abaixo/acima da média.
1.2 Giro do ativo (GA)
Giro indica rotação. Isto é facilmente rememorado quando pensa-
mos no painel de instrumentos de um carro. Ali tem o ‘conta-giros’, que 
indica quantas rotações o motor dá em um minuto. Na contabilidade, o 
giro do ativo (GA) é o quociente da razão entre o faturamento líquido e o 
ativo médio. Se a empresa vende o mesmo valor do ativo médio, então 
esse giro é 1 (um). 
Os resultados são maiores à medida que a diferença positiva en-
tre as vendas líquidas e a média do ativo também aumentar. E quanto 
maiores estes resultados, melhor para a empresa. Este é um indicador 
importante, pois avalia se o ativo está sendo bem aplicado para gerar 
riqueza por meio das vendas de bens ou serviços.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
A fórmula para calcular o giro do ativo está demonstrada a seguir:
Giro do Ativo = 
Vendas Líquidas
Ativo médio
Uma empresa que consegue utilizar bem o ativo terá maiores resul-
tados no GA, ou seja, quanto maior o GA, melhor. No caso da Iguatemi, 
vamos ver como ela se saiu neste indicador nos anos 2019 e 2020, igno-
rando o ano 2018 em função de ausência do valor do ativo total do ano 
2017 para a composição da média. 
GA (2019) = 
755.353
= 0,14
(5.394.908 + 5.748.047) / 2
GA (2020) = 
676.664
= 0,11
(5.748.047 + 7.013.831) / 2
Diferentemente do ROI e alguns outros indicadores, o giro do ativo é 
dado em valor decimal, pois é a simples divisão entre dois valores. Neste 
exemplo da Iguatemi, os resultados foram de 0,14 em 2019 para 0,11 
em 2020, ou seja, as vendas líquidas equivaleram, no máximo, a 14% do 
valor do ativo total nestes anos. Há pouco você leu que quanto maior o 
indicador, melhor. As características específicas desta empresa fizeram 
com que o GA seja baixo, diferente de um comércio cíclico, em que as 
vendas são maiores, mesmo com poucos investimentos no ativo. 
1.3 Margem operacional (MO)
Martins, Miranda e Diniz (2019) explicam que a margem operacional 
representa o lucro operacional que foi gerado através das receitas líqui-
das (ou vendas líquidas). Aquela pergunta que você já deve ter ouvido 
ou até mesmo fez, “Qual a margem líquida do negócio?”, cabe direiti-
nho aqui. No entanto, quando se refere à margem líquida, o cálculo é 
outro: lucro líquido dividido pelas receitas líquidas. Com isso, podemos 
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deduzir que quanto maior a margem, melhor, independentemente se for 
a líquida ou a operacional. 
A seguinte equação é utilizada para o cálculo da MO:
Margem Operacional = 
Lucro Operacional × 100
Receita Líquida
Os dados da Iguatemi S.A., conforme DRE anteriormente apresenta-
da, nos fornecem os seguintes resultados para a MO:
MO (2018) = 
435.070 × 100
= 60,21%
722.606
MO (2019) = 
482.907 × 100
= 63,93%
755.353
MO (2020) = 
334.278 × 100
=49,40%
676.664
Explicando os resultados, avista-se a notória queda em 2020, e esta 
se deve, primariamente, à queda nas receitas, tendo na pandemia o seu 
principal fator de queda. Nos anos anteriores, 2018 e 2019, o compor-
tamento foi melhor, tendo maiores lucros operacionais, o que resultou 
em 60,21% e 63,93% de margem operacional, respectivamente. Não há 
menção na literatura sobre quais são os resultados considerados ideais, 
mas os gestores devem estar atentos às influências dos custos e des-
pesas, contando sempre com a elevação das receitas anuais.
O método comparativo talvez seja um dos melhores para saber se 
os resultados encontrados são os mais próximos da média ou até su-
perem em sua avaliação. Comparar períodos maiores também é uma 
boa estratégia de avaliação de desempenho de qualquer companhia, 
por menor que seja.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
1.4 Retorno sobre o patrimônio líquido (ROE)
Este é um grande sinalizador de atratividade para uma empresa, es-
pecialmente as de capital aberto. Se o indicador for satisfatório, possi-
velmente mais injeção de capital terá por parte dos sócios ou de novos 
investidores. A sigla ROE vem do inglês return on equity, ou retorno so-
bre o patrimônio líquido. É, literalmente, quanto de rentabilidade está 
tendo o capital próprio. É medido pela razão entre o lucro líquido e o pa-
trimônio líquido. Se for atribuir ao resultado um percentual, o quociente 
deve ser multiplicado por 100, como vemos na fórmula a seguir:
Retorno sobre Patrimônio Líquido = 
Lucro Líquido × 100
Patrimônio Líquido
De acordo com Silva (2017), esse indicador deve ser comparado 
a outros ganhos no mercado financeiro para decidir o que compensa 
para o investidor. No entanto, nenhuma garantia de ganho futuro é dada, 
mesmo que o histórico do ROE seja bastante atrativo. Medidas adota-
das pela empresa, influência da política e economia nacional e interna-
cional, incidentes e surpresas, como a pandemia da Covid-19, podem 
afetar negativamente todos os índices de avaliação de desempenho e 
rentabilidade. Por isso, ao investir, devemos diversificar o capital investi-
do, aportando percentuais do total em algumas empresas ou produtos 
financeiros. Esta estratégia tende a minimizar as perdas se algo inespe-
rado acontecer.
Utilizando os dados da Iguatemi nestes cálculos, teremos o seguinte:
ROE (2018) = 
239.664 × 100
= 8,39%
2.855.040
ROE (2019) = 
285.588 × 100
= 9,44%
3.023.770
ROE (2020) = 
176.080 × 100
= 5,55%
3.174.014
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O comentado anteriormente realmente aconteceu em 2020: queda 
no ROE por ocasião de eventos fora de controle. O ROE de 2018 foi de 
8,39%, sendo elevado a 9,44% no ano seguinte, pois o lucro aumentou 
mais que o PL, proporcionalmente. Contudo, em 2020, a queda foi senti-
da com a redução significativa do lucro da Iguatemi S.A. Muitas empre-
sas, senão todas, sofreram impacto semelhante, e tantas tiveram pre- 
juízos em vez de lucro; outras tantas encerraram as atividades por não 
terem capacidade de se alavancar. A sábia distribuição em investimen-
tos pode garantir uma eficiência no retorno conjunto.
1.5 Alavancagem financeira (AF)
A palavra destacada no parágrafo anterior se conecta a este as-
sunto – a alavancagem financeira. Muitas vezes usada indevida e in-
discriminadamente, a palavra alavancagem representa uma estratégia 
de aumentar o retorno sobre o patrimônio líquido utilizando fontes de 
terceiros, geralmente financiamentos bancários ou outros recursos 
provenientes de fontes onerosas (ALMEIDA, 2019). Apesar de parecer 
simples, uma empresa que contrai dívidas pode, em determinado mo-
mento, ter dificuldades em saldá-las, pois tudo depende dos resultados, 
os quais podem ser positivos (lucros) ou negativos (prejuízos).
Talvez isso possa ser explicado melhor em uma situação pes- 
soal. Suponhamos que você descubra uma forma de ter um rendimento 
de 5% ao mês, mas não há capital próprio para investir neste negócio. 
Ao consultar as taxas de um empréstimo pessoal do seu banco, estas 
são de 3% ao mês. Você pode decidir, neste caso, tomar emprestado o 
dinheiro e investir naquele que rende 5% ao mês, reinvestindo o lucro 
também, a cada mês. Pronto! Você entendeu o que é alavancagem fi-
nanceira! Utilizou capital de terceiros para obter rendimentos maiores. 
Será que alguém já tentou fazer isso alguma vez?
A seguinte fórmula é para encontrar a alavancagem financeira (AF):
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Alavancagem Financeira = 
Retorno sobre Patrimônio Líquido
Retorno sobre Investimento
IMPORTANTE 
Como interpretar os índices do AF:
• AF = 1  índice nulo, pois inexiste alavancagem financeira ao se 
contrair dívidas e usar estes recursos no ativo.
• AF > 1  índice favorável, pois existe vantagem financeira em usar 
capitais de terceiros na aplicação do ativo.
• AFempresas. Por isso, os planejamen-
tos financeiro e operacional, com os devidos ajustes durante o exercício, 
são pontos essenciais para a manutenção das atividades empresariais, 
o que vai depender do gestor ou do time completo.
A seguir (gráfico 1), vamos demonstrar em gráfico os resultados 
do ROE, MO e ROI, conforme cálculos apresentados e já comentados 
anteriormente.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Gráfico 1 – ROE, MO e ROI – Iguatemi S.A. (2018 a 2020)
0.00%
ROE
10.00% 20.00%
2020
5.55%
9.44%
8.39%
49.40%
63.93%
60.21%
30.00% 40.00% 50.00% 60.00% 70.00%
MO
ROI
2019 2018
2.51%
4.97%
4.44%
Considerações finais
Pegar dinheiro emprestado nem sempre é um mau negócio. Isso é o 
que podemos perceber neste capítulo, além de termos aprendido mais 
sobre os indicadores de retorno dos investimentos que os acionistas/
sócios executam em suas empresas. 
Nem todas as empresas possuem um giro superior ao próprio valor 
do ativo, mas deve ser perseguido um giro do ativo cada vez maior, 
elevando as vendas e, se possível, com menos ativo. A margem ope-
racional, como visto, determina quanto o lucro operacional representa 
das receitas líquidas, e quanto maior esse indicador, melhor. O dinhei-
ro emprestado, conforme mencionado, se bem aplicado, é fonte de 
renda e lucros para a empresa. Por isso, muitas empresas, até mesmo 
as grandes, tomam capital de terceiros para alavancar seus negócios.
As estratégias que cada gestor tenta implementar devem estar 
baseadas em relatórios contábeis de vários períodos, preferencialmen-
te. Isso pode dar mais segurança e certeza nas decisões a tomar, e es-
tas devem levar aos ganhos pretendidos pelos sócios e ao desenvolvi-
mento e à ampliação das operações na empresa.
113Índices de rentabilidade
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Referências
ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Análise das demonstrações contábeis em IFRS 
e CPC. São Paulo: Atlas, 2019. E-book. 
IGUATEMI S.A. Demonstrações financeiras padronizadas v1. 2020. 
Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.
aspx?NumeroSequencialDocumento=100876&CodigoTipoInstituicao=1. 
Acesso em: 10 fev. 2022. 
MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di-
dática das demonstrações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. 
SILVA, Alexandre Alcântara da. Estrutura, análise e interpretação das demons-
trações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100876&CodigoTipoInstituicao=1
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100876&CodigoTipoInstituicao=1
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Capítulo 8
Mensuração do valor 
da empresa
Talvez uma das tarefas mais difíceis para um analista ou profissional 
da contabilidade seja avaliar o valor de uma empresa. Muitas variáveis 
estão presentes; algumas são nítidas, outras são intangíveis. Apesar 
desta dificuldade, há alguns indicadores que sinalizam se uma deter-
minada entidade pode ser bem avaliada. Há parâmetros específicos 
para se ter essa mensuração do desempenho econômico, operacional 
e financeiro.
O último capítulo desta obra vai abordar alguns indicadores que são 
essenciais para um investidor, pois é a partir destes que se pode ter 
maior assertividade ao participar como acionista em algum empreen-
dimento. Siglas como EVA, MVA, EBIT e EBITDA serão explicadas com 
a aplicação de exemplos. Mesmo assim, todas as fórmulas estudadas 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
nos capítulos anteriores fazem parte de uma boa análise. Querer se 
basear em apenas parte delas pode levar o analista a falsas expecta-
tivas e não ter os retornos esperados. Por isso, a melhor estratégia é 
analisar o maior número de indicadores que puder.
1 Os métodos de avaliação da performance 
das empresas
O objetivo principal de qualquer empresa do segundo setor é o lucro. 
Uma empresa que não aufere lucros está fadada à descontinuidade. 
Sem lucro não há expansão de mercado, não há ampliação das unida-
des fabris ou comerciais, não há contentamento dos sócios e muitos 
problemas podem se desencadear.
Alguns métodos de avaliação do desempenho podem ser utilizados 
para acompanhar uma vida inteira de uma empresa, como é o caso do 
EVA e do MVA. Durante as análises em uma organização, o que vai se 
perceber é que o acompanhamento da implantação de planos estraté-
gicos tem a mesma importância que o seu estabelecimento (SANTOS; 
WATANABE, 2005), ou seja, o progresso e o sucesso dependem, em 
grande medida, dos ajustes que se realizam durante a execução de pla-
nos. Se há sintomas de que os indicadores estão fora de rota, o gestor 
deve providenciar métodos para alinhá-los novamente ao desejado.
A seguir, alguns métodos de análise de desempenho muito utiliza-
dos, embora também existam outros, com suas aplicações específicas.
1.1 EVA e cálculo
Não se tem certeza da origem da utilização deste método, mas é 
possível que tenha surgido há mais de cem anos na Alemanha. O EVA, 
termo originário do inglês economic value added, identifica se há ganho 
ou perda de valor da empresa em determinado período. 
117Mensuração do valor da empresa
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O EVA, traduzido para o português como valor econômico adiciona-
do (ou apenas valor adicionado), representa o custo de oportunidade de 
um empreendimento, analisando os riscos a que um investimento está 
sujeito (ASSAF NETO, 2010). Para o mesmo autor, “o Valor Econômico 
Agregado (VEA) é uma medida da criação de valor identificada no de-
sempenho operacional da própria empresa, conforme retratada pelos 
relatórios financeiros” (ASSAF NETO, 2010, p. 180). Em outras palavras, 
com o EVA é possível verificar se os sócios, investidores e executivos 
estão sendo bem remunerados com os investimentos feitos em certo 
tempo. Ele mede, portanto, a eficiência de um investimento.
Levando em consideração que a legislação contábil brasileira inclui 
as despesas financeiras (derivada de financiamentos, por exemplo), te-
mos a seguinte fórmula do EVA:
EVA = LOLAI – (CCP% × PL)
Em que:
 • LOLAI é o lucro operacional líquido após os impostos. Corresponde 
ao NOPAT (net operating profit after taxes, em inglês). Neste indi-
cador, a partir do lucro líquido devem ser ajustadas as despesas e 
receitas financeiras, eliminando o efeito da perda ou ganho finan-
ceiro. Pode ser calculado assim: EBIT × (1 – %Impostos).
 • CCP% é o custo do capital próprio, em percentual, retorno exigido 
pelos acionistasno uso do seu capital.
 • PL é o patrimônio líquido.
Com isto, vamos a um exemplo de aplicação:
Consideremos que a Cia. Invest+ tem os seguintes dados contábeis, 
referentes a 20x1:
 • Lucro operacional líquido, após IR: 100.000
 • Investimento total (capital próprio): 240.000
 • Custo do capital: 13,5%
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Com estes dados dispostos na fórmula, se chega ao EVA:
EVA = 100.000 – (13,5% × 240.000) = 67.600
Diferentemente do lucro líquido, o resultado indica um acréscimo de 
valor à empresa. O valor de R$ 67.600,00 é o ganho econômico neste 
período, ou o luro econômico residual. O resultado dentro dos parênte-
ses (R$ 32.400,00) determina o custo de oportunidade, ou seja, o custo 
que teve a empresa ao tomar o capital dos sócios. O EVA também pode 
ser negativo, desde que o custo de oportunidade seja superior ao lucro 
operacional líquido. A empresa usa os recursos próprios, tem o custo 
envolvido nesta transação e este custo não é suportado pelo lucro apre-
sentado. Dito isso, o EVA está ligado diretamente ao valor da empresa, 
pois se o resultado econômico for superior ao custo do capital este vai 
agregar valor à empresa; se o resultado for inferior, haverá destruição 
de valor.
O EVA é, então, o que resta do lucro contábil após a dedução dos 
custos financeiros, sejam estes de terceiros (que são as despesas fi-
nanceiras), ou o custo de oportunidade, sobre o capital próprio.
1.2 MVA e cálculo
O MVA (market value added) representa a diferença entre o valor de 
mercado da empresa e o que foi investido nela, com todas as formas 
de financiamento. Foi concebido este indicador pela necessidade de 
condutas gerenciais mais eficientes. O MVA tem a ver com projeção de 
valores futuros de mercado e serve como parâmetro para o EVA. Tudo 
deve estar voltado para a maximização dos lucros e do retorno aos pro-
prietários, sócios ou acionistas (ARAÚJO; ASSAF NETO, 2003). 
Segundo Stewart (1991), o MVA é a diferença entre o valor de merca-
do da empresa e o capital investido.
119Mensuração do valor da empresa
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A fórmula utilizada para calcular o MVA é:
MVA = Valor de Mercado – Capital investido
O valor de mercado de uma empresa é atribuído com a multiplicação 
da quantidade de ações pelo valor da ação em determinada data. Este 
valor se altera constantemente, tendo em vista a oscilação do preço das 
ações, determinada pelo mercado. Assim, ao imaginar que uma empre-
sa tem 2 milhões de ações, ao preço atual de R$ 16, seu valor de merca-
do é R$ 32 milhões. Já o capital investido corresponde à diferença entre 
o ativo operacional e o passivo operacional (FREZATTI, 2001).
Tomando como exemplo uma empresa fictícia, a Evapora S.A., 
vamos ver como se comportou o MVA ao final de 2019 e de 2020.
Tabela 1 – Valor de mercado Evapora S.A. – 2019 e 2020
DATA PREÇO 
DA AÇÃO
QUANT. 
DE 
AÇÕES
TOTAL (R$) VALOR DE 
MERCADO
30 de dez. de 2020 (ON) 2,42 4.435.000 10.732.700 
21.731.500 
30 de dez. de 2020 (PN) 2,48 4.435.000 10.998.800 
30 de dez. de 2019 (ON) 3,09 4.435.000 13.704.150 
28.206.600 
30 de dez. de 2019 (PN) 3,27 4.435.000 14.502.450 
Observe que, assim como outras tantas empresas reais, listadas na 
Bolsa, há ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) que compõem a 
estrutura acionária. Basicamente o que difere estes dois tipos de ações 
é que as ordinárias dão direito a voto nas assembleias, enquanto as 
preferenciais dão a preferência no recebimento dos lucros e dividendos. 
O valor de mercado deve ser considerado como a média ponderada 
dos valores destes dois tipos de ações, conforme se vê no exemplo da 
tabela 1. 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Na sequência, vamos atribuir os valores do investimento, R$ 13 mi-
lhões em 2019 e R$ 14 milhões no ano seguinte. O valor do investimen-
to é a diferença entre o ativo operacional e o passivo operacional.
A partir do valor de mercado que consta na tabela 1 e dos valores 
de investimento atribuídos, conseguimos usar a fórmula e encontrar 
o MVA:
 • MVA 2019 = 28.206.600 – 13.000.000 = 15.206.600
 • MVA 2020 = 21.731.500 – 14.000.000 = 7.731.500
O MVA encontrado em 2019 é de pouco mais de R$ 15 milhões, ou 
seja, foi agregado valor à empresa, além do investimento feito. O valor 
em 2020 caiu praticamente pela metade, tendo em vista que o valor 
das ações caiu e o valor do investimento aumentou. Essa combinação 
resultou, então, em MVA menor em 2020.
1.3 EBIT e EBITDA e cálculos
Os dois indicadores são muito utilizados em análises financeiras e de 
desempenho empresarial. O termo EBIT vem do inglês (earning before 
interest and taxes). Semelhante ao LOLAI, o EBIT representa o lucro lí-
quido antes dos juros e impostos. Os juros, na verdade, poderiam ser 
definidos como o resultado financeiro, que é a diferença entre despesas 
e receitas financeiras. Se os juros pagos forem superiores às receitas 
financeiras, teremos um resultado negativo; se ao contrário, positivo. 
Os impostos aqui tratados são os sobre o resultado líquido (imposto de 
renda e contribuição social sobre o lucro líquido, no Brasil).
Este indicador é importante na medida em que exclui do resultado 
a influência destes custos que podem ser muito diferentes nos demais 
países. Por isso, o EBIT pode ser utilizado em qualquer país, servindo 
este como um indicador de geração de caixa operacional.
121Mensuração do valor da empresa
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Figura 1 – Composição do EBIT
Resultado Líquido
+ Juros
+ Impostos
EBIT
Vamos analisar a Cia. Terrasol S.A. (empresa fictícia) com os seguin-
tes dados, nos períodos de 2019 e 2020.
Tabela 2 – DRE – Cia Terrasol S.A. – 2019 e 2020 (R$)
DESCRIÇÃO 2020 2019
Receita de venda de bens e/ou serviços 1.331.800 1.114.300
(–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –871.400 –751.700
= Resultado bruto 460.400 362.600
(–) Despesas/receitas operacionais –344.800 –287.500
(–) Despesas com vendas –319.100 –306.400
(–) Despesas gerais e administrativas –44.900 –40.900
(+) Outras receitas operacionais 19.200 59.800
(–) Depreciação e amortização –59.800 –54.700
=Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 55.800 20.400
(+/–) Resultado financeiro –12.000 –8.600
= Resultado antes dos tributos sobre o lucro 43.800 11.800
(–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –6.800 –1.800
= Resultado líquido 37.000 10.000
Aplicando os valores da tabela 2 ao conceito do EBIT, temos o 
seguinte:
 • EBIT 2019 = 10.000 + 1.800 + 8.600 = 20.400
 • EBIT 2020 = 37.000 + 6.800 + 12.000 = 55.800
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
O EBIT desta empresa avaliada gerou estes valores como um parâ-
metro de eficiência e capacidade produtiva; isso porque não considera 
os efeitos dos custos financeiros e dos impostos sobre o resultado, mas 
contempla as despesas de depreciação e amortização.
Diferente do EBIT, o EBITDA é também uma medida de eficiência, 
mas desconsiderando os efeitos contábeis da depreciação e amor-
tização, valores que não saem do caixa, mas são contabilizados para 
efeitos econômicos. O EBITDA, portanto, significa earnings before inte-
rest, taxes, depreciation and amortization; traduzido para nossa língua: 
lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, também 
mencionado como LAJIDA (ASSAF NETO, 2010).
O EBITDA, assim como o EBIT, é uma das formas de mensurar o lu-
cro operacional, pois descarta fatores que diminuem esse lucro. Como 
cada país tem suas regras e normas tributárias, esse indicador pode ser 
utilizado em qualquer ambiente empresarial, não importando o porte, o 
ramo, o tipo ou o local. Por este motivo, o EBITDA é considerado como 
um dos principais indicadores financeiros/operacionais, dando opções 
ao investidor para aplicar em qualquer empresa.
Figura 2 – Composição do EBITDA
+ Juros
+ Impostos
+ Depreciação
EBITDA
+ Amortização
Resultado Líquido
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Quando se analisa uma empresa, um dos métodos utilizados é a 
comparação com outras, especialmente as ligadas ao mesmo ramo. 
Os valores históricos também são extremamente úteis, tendo em vista 
que se uma empresa não tem esse acompanhamento, não há como sa-
ber se melhorou ou piorou seu desempenho. Importante observar que 
estas análises podem ser feitas em períodos menores, como semestres 
ou trimestres, o que, de fato, é prática recorrente e até obrigatória nas 
empresas de capital aberto. Essa metodologia transmite transparência e 
confiança e imprime responsabilidade da gestão para com os acionistas.
Utilizando as informações disponíveis na tabela 2, o EBITDA terá uma 
diferença em relação ao EBIT – a soma da depreciação e amortização. 
Neste caso, o valor está em conjunto.
Tabela 3 – DRE – Cia Terrasol S.A. – 2019 e 2020 (R$)
DESCRIÇÃO 2020 2019
Receita de venda de bens e/ou serviços 1.331.800 1.114.300
(–) Custo dos bens e/ou serviços vendidos –871.400 –751.700
= Resultado bruto 460.400 362.600
(–) Despesas/receitas operacionais –344.800 –287.500
(–) Despesas com vendas –319.100 –306.400
(–) Despesas gerais e administrativas –44.900 –40.900
(+) Outras receitas operacionais 19.200 59.800
(-) Depreciação e amortização –59.800 –54.700
= Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos 55.800 20.400
(+/–) Resultado financeiro –12.000 –8.600
= Resultado antes dos tributos sobre o lucro 43.800 11.800
(–) Imposto de renda e contribuição social sobre o lucro –6.800 –1.800
= Resultado líquido 37.000 10.000
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Aplicando os valores da tabela 3 ao conceito do EBITDA, temos o 
seguinte:
 • EBITDA 2019 = 10.000 + 1.800 + 8.600 + 54.700 = 75.100
 • EBITDA 2020 = 37.000 + 6.800 + 12.000 + 59.800 = 115.600
Aqui vemos os valores do EBITDA, com o acréscimo ao valor do EBIT 
de R$ 54.700 em 2019 e R$ 59.800 em 2020, valores da depreciação 
e amortização. As demonstrações financeiras das empresas, principal-
mente as listadas na Bovespa, já contemplam os indicadores EBIT e 
EBITDA, o que facilita a análise dos investidores e dos demais usuários 
das informações. Essas demonstrações são disponibilizadas na área 
de relação com investidores (RI) nos sites das próprias empresas. Ali 
também constam relatórios de desempenho, com as devidas explica-
ções e justificativas para os resultados. Vale a pena fazer uma pesquisa!
1.4 Valor patrimonial por ação
O valor patrimonial por ação (VPA) é a razão entre o patrimônio líqui-
do e a quantidade de ações da empresa. O VPA também é conhecido 
como o valor contábil da empresa, tendo em vista que a fórmula dá 
essa condição. Obviamente que esta fórmula só pode ser resolvida se 
a empresa está dividida por ações, o que acontece com as de capital 
aberto, tais como Petrobras, Vale, Bradesco, Itaú etc. Nesse caso, então, 
usa-se a fórmula a seguir:
VPA = 
Patrimônio Líquido
Quantidade de Ações
A situação aqui apresentada é da Portobello S.A., empresa que for-
nece materiais para construção civil. Vejamos os anos de 2019 e 2020.
125Mensuração do valor da empresa
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Tabela 4 – PL e quantidade de ações – Portobello S.A. – 2019 e 2020
DESCRIÇÃO 2020 2019
patrimônio líquido consolidado (R$) 417.184.000 367.636.000
quantidade de ações (mil) 158.488 158.488 
Os cálculos estão a seguir: 
VPA 2019 = 
367.636.000
= 2,32
158.488.000
VPA 2020 = 
417.184.000
= 2,63
158.488.000
A razão entre PL e quantidade de ações em 2019 trouxe um VPA de 
R$ 2,32. Em 2020, esse valor subiu para R$ 2,63. Como a quantidade 
de ações permaneceu inalterada durante os dois anos e apenas o PL 
aumentou, essa proporção de aumento se reflete no VPA: mais de 13%. 
Um detalhe muito importante a observar na hora do cálculo é se há 
informação de que a quantidade de ações é a quantidade total ou dividi-
da por mil, por exemplo. No caso da Portobello, a quantidade declarada 
foi de 158.488, mas com a observação de que deveria ser multiplicada 
por mil para ter a quantidade total. 
Como resumo para saber interpretar o VPA, deixo aqui duas situações:
 • VPA > 1,00 = a ação está sendo negociada com ágio, comparado 
ao valor patrimonial.
 • VPAem 
uma empresa que tenha um ROE de 10% apenas por ter VPA alto? E 
se aplicar em uma com ROE de 20% e VPA baixo? Aqui, se confirma 
novamente a necessidade de usar o máximo de indicadores para se 
ter melhores análises. 
Considerações finais
Estudar as demonstrações contábeis e analisar os diversos indicado-
res é uma tarefa árdua e deve ser precisa. Não pode haver erros, sejam 
de cálculos ou de interpretações, pois estes trazem as consequências 
mais desastrosas imagináveis. Para ser analista de mercado, especial-
mente o de ações, se exige conhecimento, prática e boa capacidade de 
interpretação.
Investidores buscam retornos, seja por meio da rentabilidade das 
ações, seja através dos dividendos, que são parte do lucro dividido entre 
os acionistas. Estratégias são pessoais, particulares, mas todos com o 
mesmo objetivo: ter retorno financeiro, o maior possível e o mais rápido 
possível. É isso o que você deve perseguir também.
Conhecer os indicadores que medem o desempenho de empresas 
é um passo a mais na avaliação e análise tão complexa. Espero que o 
127Mensuração do valor da empresa
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conteúdo aqui estudado tenha contribuído para o crescimento intelec-
tual na área de análise das demonstrações contábeis. Ficaria satisfeito 
se esse conhecimento fosse, de fato, aplicado em sua vida profissional.
Referências
ARAÚJO, Adriana Maria Procópio de; ASSAF NETO, Alexandre. A contabilida-
de tradicional e a contabilidade baseada em valor. Revista Contabilidade & 
Finanças, São Paulo, n. 33, p. 16-32, set./dez. 2003.
ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 
2010.
FREZATTI, Fábio. Contribuição para o estudo do Market Value Added como 
indicador de eficiência na gestão do valor: uma análise das empresas 
brasileiras com ações negociadas em bolsa de valores no ambiente brasileiro 
pós-plano real. Tese (Livre Docência) – Faculdade de Economia, Administração 
e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001. Disponível em: 
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/12/tde-07022011-
091220/?&lang=pt-br. Acesso em: 30 nov. 2021.
SANTOS, José Odálio dos; WATANABE, Roberto. Uma análise da correlação 
entre o EVA e o MVA no contexto das empresas brasileiras da capital aber-
to. Caderno de pesquisa em administração, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 19-32, 
jan./mar. 2005.
STEWART, G. Benett. The quest for value. New York: Harper Business, 1991.
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Sobre o autor
Airton A. Bauermann possui mestrado em contabilidade e con-
troladoria pela Fecap, especialização em gestão empresarial 
pela SPEI e graduação em ciências contábeis pela Ulbra. Atuou 
nas áreas de RH, contabilidade e administração financeira esco-
lar durante 15 anos. Desde 2013 atua como docente no Centro 
Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho 
(Unasp-EC) nos cursos de graduação em ciências contábeis, ad-
ministração, gestão da tecnologia da informação, processos ge-
renciais e análise e desenvolvimento de sistemas. É também 
orientador de estágios e TCCs em contábeis e administração e 
autor de e-books sobre análise das demonstrações contábeis 
(Unasp, 2020; Senac, 2021).
	ANA_DEM_FIN_01_ACE_2022
	ANA_DEM_FIN_02_ACE_2022
	ANA_DEM_FIN_03_ACE_2022
	ANA_DEM_FIN_04_ACE_2022
	ANA_DEM_FIN_05_ACE_2022
	ANA_DEM_FIN_06_ACE_2022
	ANA_DEM_FIN_07_ACE_2022
	ANA_DEM_FIN_08_ACE_2022Lei. ©
 Editora Senac São Paulo.
DESCRIÇÃO CAPITAL 
SOCIAL
RESERVAS 
DE CAPITAL
RESERVAS 
DE LUCRO
LUCROS 
OU PREJ. 
ACUM.
OUTROS 
RES. 
ABRANG.
TOTAL 
PATRIM. LÍQ. 
CONSOLIDADO
 Equiv. patrim. s/result. 
abrang. Coligadas 
 – – – – 253 253 
 Ajustes de conversão 
do período 
 – – – – 55.018 55.018 
Mutações internas do 
patrimônio líquido 
 – – 824.753 –824.753 – – 
Constituição de 
reservas 
 – – 824.753 –824.753 – – 
 Saldos finais 3.805.326 –25.430 1.694.515 – 26.905 5.501.316 
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).
Antes	de	seguirmos	com	explicações	sobre	as	correlações,	 impor-
tante	destacar	que	os	valores	constantes	nas	 tabelas	são	 resultados	
da	divisão	por	mil.	Exatamente!	Veja	a	seguinte	informação	que	há	no	
título	de	todas	as	tabelas:	“(R$ mil)”.	É	o	aviso	de	que	os	valores	foram	
divididos	por	mil	(R$ mil).	Assim,	eles	devem	ser	multiplicados	por	mil	
para	se	chegar	ao	valor	real.	Esta	metodologia	é	utilizada,	geralmente,	
para	 facilitar	a	visualização,	até	porque	alguns	valores	estão	na	casa	
dos	bilhões!	Detalhe	importante	é	que	nem	sempre	são	divididos	ape-
nas	por	mil,	mas	até	por	milhão.	Nos	demonstrativos	deve	haver	esta	
informação	sempre	que	for	usada	esta	estratégia
Como	você	pode	perceber,	as	demonstrações	foram	disponibilizadas	
nesta	etapa	para	que	se	encontrassem	vínculos	entre	elas.	E	é	claro	que	
não	poderia	ser	diferente,	pois	dados	que	estão	no	grupo	do	PL	(BP),	por	
exemplo,	devem	estar	demonstrados	detalhadamente	na	DMPL.
Observe	na	 tabela	3	os	saldos	 iniciais	e	finais	de	 todas	as	contas	
da	DMPL	 (primeira	e	última	 linha,	 respectivamente).	Estes	estão	con-
cordando	 com	 os	 valores	 demonstrados	 na	 tabela	 1	 (BP).	 Analise,	
também,	como	se	alterou	o	saldo	da	conta	Capital	social,	passando	de	
14 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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.R$ 3.795.634	em	2019	para	R$ 3.805.326	em	2020.	Este	aumento	de	
R$ 9.692	está	explicitado	na	DMPL.	
Mais	uma	constatação	que	pode	ser	feita,	dentre	outras:	a	tabela	4	
(DRA)	a	seguir	e	a	 tabela	2	 (DMPL)	apresentam	os	valores	referentes	
ao	resultado	abrangente.	Acredito	que	você	já	ouviu	falar	sobre	a	DRA,	
mas	aqui	vai	um	breve	conceito.	De	acordo	com	o	CPC	26,	a	DRA	inclui	
todas	as	mudanças	no	patrimônio	durante	algum	período,	com	exceção	
daquelas	resultantes	de	 investimentos	dos	sócios	e	distribuições	aos	
sócios,	ou	seja,	 são	alterações	ocorridas	por	outros	eventos	que	não	
sejam	derivadas	dos	sócios.	
Na	sexta	coluna	da	DMPL,	portanto,	estão	relacionados	os	valores	
que	a	DRA	contém	em	sua	completude.	A	relação	é	clara!	O	saldo	de	
R$ 1.136.363,	no	ano	mais	recente,	está	devidamente	desmembrado	na	
DRA,	conforme	se	vê	a	seguir.
Tabela 4 – DRA – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
 Lucro líquido consolidado do período 1.096.269 1.086.201
 Outros resultados abrangentes 40.094 –15.337
 Hedge de fluxo de caixa –22.612 274
 Impostos relacionados com resultado do hedge de fluxo de caixa 7.688 –93
 Ajustes cumulativos de conversão de moeda estrangeira 55.018 –15.518
 Resultado abrangente consolidado do período 1.136.363 1.070.864
 Atribuído a sócios da empresa controladora 1.136.363 1.070.864
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).
15Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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 Editora Senac São Paulo.
PARA SABER MAIS 
Se você quiser saber um pouco mais sobre a estrutura das demons-
trações contábeis, ou até mesmo para relembrar alguns conceitos 
relacionados à área contábil/financeira, consulte publicação do Conse-
lho Regional de Contabilidade do Paraná, disponível na internet: 
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO PARANÁ (CRC-
PR). Demonstrações Contábeis: Aspectos Práticos – Elaboração e 
Apresentação conceitual de acordo com o IFRS. Conselho Regional de 
Contabilidade do Paraná. [201-]. Disponível em: https://www3.crcpr.org.
br/crcpr/conteudo/downloads/05-demonstracoes-contabeis-aspectos-
praticos-elaboracao-e-apresentacao-conceitual-de-acordo-com-o-ifrs.
pdf. Acesso em: 14 out. 2021. 
 
A	seguir,	parte	do	BP	(ativo	circulante)	referente	aos	anos	2020	e	2019.
Tabela 5 – BP (ativo circulante) – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 2.020 2.019
 Ativo total 14.642.583 11.552.902
 Ativo circulante 8.896.766 6.656.209
 Caixa e equivalentes de caixa 2.066.781 980.954
 Aplicações financeiras 605.572 391.348
 Contas a receber 3.811.668 3.825.961
 Estoques 1.381.662 1.124.506
 Tributos a recuperar 961.997 258.396
 Outros ativos circulantes 69.086 75.044
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).
16 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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.Ao	 identificarmos	os	valores	de	Caixa	e	equivalentes	de	caixa,	por	
exemplo	(R$ 980.954	em	2019	e	R$ 2.066.781	em	2020),	percebemos	
que	a	diferença	é	R$ 1.085.827,	valor	que	está	na	DFC,	demonstrada	a	
seguir.	O	aumento	do	capital	social,	percebido	no	PL,	também	visto	na	
DMPL,	na	DFC	está	estampado	de	igual	forma.	Estes	são	valores	que	
movimentaram	 o	 disponível,	 ou	 seja,	 não	 são	 lançamentos	 isolados,	
mas	que	refletem	em	outros	demonstrativos.
A	DFC,	 para	 relembrar,	mostra	 todos	 os	 saldos	movimentados	 na	
conta	Caixa	ou	equivalentes	de	caixa,	ou	seja,	tudo	aquilo	que	foi	pago	
ou	recebido	em	algum	momento	do	exercício.	Os	movimentos	contá-
beis	desta	conta	são	lançados	no	livro	diário,	mas	a	soma	do	período	
consta	neste	demonstrativo.
Tabela 6 – DFC – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
Caixa líquido atividades operacionais 608.379 1.581.687
Caixa gerado nas operações 981.028 2.552.695
Lucro líquido do período 1.096.269 1.086.201
Depreciações e amortizações 791.036 694.712
Despesas de juros sobre empréstimos, debêntures e custo de 
estruturação 
238.548 208.449
Juros de financiamentos de serviços operacionais 29.708 0
Imposto de renda e contribuição social 104.492 405.781
(Reversão) perdas estimadas em ativos, líquidas 117.371 91.705
Outros ajustes do lucro líquido 95.560 65.847
Exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, líquido dos 
impostos e honorários 
–1.363.029 0
Descontos – arrendamentos a pagar –128.927 0
(cont.)
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DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
Variações nos ativos e passivos 197.199 –832.745
Contas a receber de clientes –95.712 –783.799
Estoques –265.461 28.993
Tributos a recuperar 75.502 –44.574
Outros ativos –1.287 –26.814
Financiamentos – operações serviços financeiros 0 –360.220
Fornecedores 419.457 59.255
Obrigações fiscais –124.919 –83.629
Obrigações com administradoras de cartões 207.870 291.302
Outras obrigações –18.251 86.741
Outros –569.848 –138.263
Pagamentode imposto de renda e contribuição social –296.099 –302.474
Juros pagos sobre empréstimos e debêntures –49.224 –43.675
Juros pagos sobre financiamentos de serviços operacionais –10.301 0
Aplicações financeiras –214.224 207.886
Caixa líquido atividades de investimento –543.829 –750.273
Aquisições de imobilizado e intangível –543.976 –751.428
Recebimentos por vendas de ativos fixos 147 1.155
Caixa líquido atividades de financiamento 1.013.300 –647.713
Aumento do capital social 9.692 46.111
Recompra de ações –96.964 4
Captações de empréstimos 3.467.279 724.681
(cont.)
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DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
Amortização de empréstimos e debêntures –1.787.961 –632.928
Contraprestação de arrendamento mercantil financeiro –334.911 –376.500
Juros sobre capital próprio e dividendos pagos –243.835 –409.081
Variação cambial sobre caixa e equivalentes 7.977 12.123
Aumento (redução) de caixa e equivalentes 1.085.827 195.824
Saldo inicial de caixa e equivalentes 980.954 785.130
Saldo final de caixa e equivalentes 2.066.781 980.954
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).	
Ao	identificarmos	os	valores	de	Caixa	e	equivalentes	de	caixa	na	DFC	
(R$ 980.954	em	2019	e	R$ 2.066.781	em	2020),	por	exemplo,	relacio-
namos	com	a	mesma	conta	do	BP,	com	um	aumento	de	R$ 1.085.827	
entre	esses	anos.	Outro	item	para	observar:	Obrigações	com	adminis-
tradoras	de	cartões,	com	diferença	entre	2019	e	2020	de	R$ 207.780,	
explícito	na	DFC	e	no	BP	(passivo	circulante),	a	seguir.
Tabela 7– BP (passivo circulante parcial) – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
 Outras obrigações 2.113.283 1.778.274
 Outros 2.113.283 1.778.274
 Dividendos e JCP a pagar 244.389 237.259
 Outras obrigações 145.835 94.413
 Participações estatutárias 1.880 5.855
 Obrigações com administradoras de cartões 1.193.168 985.298
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).	
19Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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A	seguir	 temos	a	DVA,	a	qual	demonstra	como	foi	gerada	a	 rique-
za	da	empresa,	assim	como	a	sua	distribuição,	seja	com	empregados,	
governo,	 instituições	financeiras	ou	os	próprios	acionistas/sócios,	em	
cada	período.
Tabela 8 – DVA – Lojas Renner – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
 Receitas 9.995.026 11.981.576
 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 9.574.750 12.257.917
 Outras receitas 832.912 104.708
 Provisão/reversão de créditos de liquidação duvidosa –412.636 –381.049
 Insumos adquiridos de terceiros –5.406.310 –5.773.244
 Custos de produtos, mercadorias e serviços vendidos –3.658.781 –4.219.379
 Materiais, energia, serviços de terceiros e outros –1.668.259 –1.467.856
 Perda/recuperação de valores ativos –79.270 –86.009
 Valor adicionado bruto 4.588.716 6.208.332
 Retenções –791.036 –694.712
 Depreciação, amortização e exaustão –791.036 –694.712
 Valor adicionado líquido produzido 3.797.680 5.513.620
 Valor adicionado recebido em transferência 742.096 76.054
 Receitas financeiras 742.096 76.054
 Valor adicionado total a distribuir 4.539.776 5.589.674
 Distribuição do valor adicionado 4.539.776 5.589.674
 Pessoal 1.099.119 1.259.051
 Impostos, taxas e contribuições 1.808.080 2.681.990
(cont.)
20 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020
01/01/2019 A 
31/12/2019
 Remuneração de capitais de terceiros 536.308 562.432
 Remuneração de capitais próprios 1.096.269 1.086.201
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).
Aqui,	 na	 DVA,	 perceba	 os	 valores	 da	 última	 linha,	 referentes	 à	
Remuneração	de	capitais	próprios:	estes	correspondem	aos	que	apare-
cem	na	DFC	como	Lucro	líquido	do	período,	que	é	o	mesmo	que	a	DRE	
traz	como	Lucro	líquido	do	período,	além	de	constar	na	DRA.
Por	fim,	uma	das	notas	explicativas	referentes	aos	valores	que	com-
põem	a	conta	Caixa	e	equivalentes	de	caixa	do	BP	(ativo	circulante).	As	
notas	explicativas	têm	a	função	de	detalhar	os	itens	que	merecem	uma	
complementação	informativa,	tais	como	as	políticas	adotadas	pela	em-
presa	 em	alguma	contabilização,	mensuração	ou	 simplesmente	para	
desmembrar	valores	que	estão	unificados	em	contas	mais	abrangen-
tes,	como	no	caso	do	disponível
Tabela 9 – Nota explicativa – Lojas Renner – 2020 (R$ mil)
Indexador
Taxa média 
ponderada a.a.
Consolidado
31/12/2020 31/12/2019
Reapresentado (*)
Caixa e bancos
Moeda nacional 95.958 136.655
Moeda estrangeira 44.345 45.028
Equivalentes de caixa
CDB CDI
103,0% a 
104,5%
1.830.736 676.527
Fundos de investimento CDI 17,6% 77.927 100.919
(cont.)
21Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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Indexador
Taxa média 
ponderada a.a.
Consolidado
31/12/2020 31/12/2019
Compromissadas em debêntures CDI 86.5% 5.486 23
Aplicação automática CDI 10.0% 12.301 21.758
Fundo – BACEN Jud CDI 61.3% 28 41
Total 2.066.781 980.954
(*)	Reapresentação	dos	saldos	comparativos	em	razão	da	alteração	de	política	contábil	de	classificação	de	
fundos	de	investimento	exclusivo,	conforme	descrito	na	nota	explicativa	3.6.1.2.
Fonte:	adaptado	de	CVM	(2020).
A	seguir,	a	transcrição	da	nota	explicativa	3.6.1.2,	conforme	mencio-
nado	no	parágrafo	anterior:
3.6.1.2	 Classificação	 do	 Fundo	 Exclusivo	 de	 Investimento.	 Ana-
lisando	a	composição	do	saldo	do	fundo	Brasil	Plural	Retail	FI,	a	 
Administração	 identificou	 a	 necessidade	 de	 alterar	 a	 forma	 de	
apresentação	do	fundo	de	investimento.	O	fundo	Brasil	Plural	Retail	
FI	possui	parte	da	alocação	dos	seus	ativos	em	títulos	cuja	liquidez	
não	é	garantida	via	compromisso	de	recompra	pelo	emissor,	mas	
sim	através	de	mercado	secundário	e	por	esta	razão,	em	benefício	
da	comparabilidade	com	demais	ativos	com	mesmas	caracterís-
ticas,	como	títulos	públicos,	a	Companhia	reclassificou	de	equiva-
lentes	de	caixa	para	aplicações	financeiras.	Vale	dizer	que	referida	
reclassificação	não	tem	qualquer	alteração	na	gestão	de	caixa	da	
Companhia,	bem	como	na	gestão	de	capital	e	covenants	de	dívida.	
(LOJAS	RENNER,	2020,	p.	51)
Dessa	forma,	as	notas	explicativas	servem	justamente	para	clarear	
os	dados	que	constam	em	algum	demonstrativo,	o	que	significa	dizer	
que	a	transparência	deve	ser	prioridade	em	qualquer	tipo	de	empresa.	
Acionistas,	 sócios,	 administradores	 e	 demais	 usuários	 destes	 relató-
rios	avaliam	sempre	as	notas	explicativas	para	entender	a	política	da	
empresa,	dos	eventuais	incidentes	de	baixa	ou	alta	de	algum	saldo,	de	
possíveis	ajustes	necessários,	mesmo	após	a	publicação	inicial	dos	re-
latórios	contábeis.
22 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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.Assim,	a	comparação	e	interligação	dos	diversos	demonstrativos	fi-
cam	evidentes	e	percebemos	que	isso	se	torna	necessário	no	mundo	
corporativo,	especialmente	em	empresas	de	capital	aberto.
PARA PENSAR 
Você já tinha parado para pensar que muitas informações dos demons-
trativos contábeis/financeiros estavam intrinsecamente ligadas? Pois é, 
essa reflexão é importante, pois o que se percebe é que um lançamento 
contábil, constante no livro diário, alimenta vários documentos, os quais 
se complementam e colaboram para a tomada de decisões. Estudar fi-
nanças é, de fato, um desafio e tanto!
 
3 Objetivos da análise das demonstrações
Vamos	imaginar	uma	empresa	sem	nenhum	controle	contábil/finan-
ceiro.	Pronto.	Já	pensou	em	alguma?	Que	 tal	a	própria	Lojas	Renner,	
analisada	neste	capítulo?	Então,	definida	a	empresa,	o	seguinte	passo	
é:	o	gestor	precisa	saber	se	as	vendas	aumentaram	em	relação	ao	ano	
passado.	Opa...	mas	se	a	empresa	não	 tem	controle,	 como	 fará	esta	
comparação?	Impossível!	
De	fato,	nenhuma	empresa,	por	menor	que	seja,	consegue	sobreviver	
sem	controles,	ainda	que	sejam	aqueles	mais	rudimentares,	como	as	
anotações	de	venda	a	prazo	na	tal	“caderneta”,	em	que	os	clientes,	em	
determinado	dia,	vêm	para	fazer	o	pagamento.	Rudimentares	ou	não,	
o	 importante	e	essencial	para	a	sobrevivência	de	qualquer	empresa	é	
manter	registros	e	controles	adequados.
O	grande	objetivo	das	análises	das	demonstrações	contábeis/finan-
ceiras	é	justamente	saber	o	que	aconteceu	em	determinado	prazo	ou	in-
tervalo,	assim	como	fazer	as	comparações	temporais,	ou	mesmo	com-
parações	 com	outras	 empresas.	Nos	capítulos	 seguintes	 as	análises	
23Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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comprovarão	o	papel	fundamental	que	elas	têm	para	os	gestores,	para	
os	investidores	e	para	você.	Não	importa	se	você	ainda	não	investe,	se	
você	ainda	não	gere	alguma	empresa	ou	se	nunca	se	viu	como	um	em-
presário.	O	importante	é	saber	que	sem	análises	não	é	possível	investir,	
não	é	possível	gerir	e	muito	menos	ser	um	empresário.
Voltando	ao	caso	das	Lojas	Renner,	sabemos	que	esta	mantém	rí-
gidos	controles	financeiros,	com	vários	colaboradores	na	linha	de	fren-
te,	tentando	demonstrar	que	investir	nesta	empresa	pode	render	bons	
retornos,	seja	através	da	valorização	das	ações,	seja	pelos	dividendos	
que	ela	distribui	periodicamente.	Caso	não	houvesse	material	suficiente	
para	as	comparações	entre	períodos,	não	seria	possível	afirmar	nada	a	
respeito	da	situação	atual.	
Análises	horizontais,	 verticais,	 índices	de	 liquidez,	de	 rentabilidade,	
de	ações	e	tantos	outros	indicadores	dão	credibilidade	e	confiança	na	
hora	de	investir,	seja	para	o	pequeno	ou	para	o	grande	investidor.	O	im-
portante	é,	além	de	calcular	os	indicadores,	saber	como	interpretá-los.	
Aí	 está	a	essência	da	análise:	 saber	usar	as	 ferramentas	que	se	 tem	
para	se	tirar	o	maior	proveito	possível.
Considerações finais
Este	capítulo	apresentou	algumas	correlações	existentes	e	visíveis	
a	respeito	das	diversas	demonstrações	contábeis.	Não	tratamos	aqui	
da	estrutura	de	cada	demonstrativo,	até	porque	não	foi	o	objetivo,	mas	
acredito	que	alguns	pontos	ficaram	mais	claros	e	mostraram	sentido	
quando	apresentados.
Acredito	 que	 muitos	 passam	 por	 alto	 a	 questão	 das	 correlações	
que	existem	entre	BP,	DRA,	DMPL,	DRE,	DFC,	DVA	e	notas	explicativas.	
Tendo	um	olhar	atento	e	primoroso,	você	conseguirá	relacionar	o	que	
deve	 estar	 presente	 em	uma	ou	outra	demonstração,	 e,	 ainda,	 o	 que	
obrigatoriamente	é	exigido	estar	em	duas,	três	ou	até	mais.
24 Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática M
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.Alguns	valores	foram	destacados	neste	capítulo,	talvez	os	mais	evi-
dentes	e	fáceis	de	encontrar,	o	que	não	significa	que	você	deva	se	limi-
tar	aos	que	aqui	foram	apresentados.	Sugiro	que,	com	tempo	adequa-
do,	sejam	comparados	mais	dados	“duplicados”,	fazendo	um	paralelo	e	
se	questionando	o	porquê	de	existirem	tais	semelhanças.	
Referências
BRASIL. Lei nº	 6404/1976,	 de	 15	 de	 dezembro	 de	 1976.	 Dispõe	 sobre	 as	
Sociedades	por	Ações.	Diário Oficial da União:	Brasília,	DF,	p.	1,	17	dez.	1976.	
Disponível	 em:	 www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm.	 Acesso	
em:	4	set.	2021.
BRASIL. Lei nº	 11.638/2007,	 de	 28	 de	 dezembro	 de	 2007.	 Altera	 e	 revoga	
dispositivos	da	Lei	nº	6.404,	de	15	de	dezembro	de	1976,	e	da	Lei	nº 6.385, de 
7	de	dezembro	de	1976,	e	estende	às	sociedades	de	grande	porte	disposições	
relativas	à	elaboração	e	divulgação	de	demonstrações	financeiras.	Diário Oficial 
da União,	Brasília,	DF,	p.	2,	28	dez.	2007.	Disponível	em:	www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm.	Acesso	em:	20	nov.	2021.	
COMISSÃO	DE	VALORES	MOBILIÁRIOS	(CVM).	Deliberação	CVM	nº 676, de 13 
de	dezembro	de	2011.	Aprova	o	Pronunciamento	Técnico	CPC	26(R1)	do	Comitê	
de	Pronunciamentos	Contábeis,	que	trata	da	Apresentação	das	Demonstrações	
Contábeis.	 2011.	 Disponível	 em:	 http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/
legislacao/deliberacoes/anexos/0600/deli676.pdf.	Acesso	em:	20	nov.	2021.	
COMISSÃO	 DE	 VALORES	 MOBILIÁRIOS	 (CVM).	 DFP	 –	 Demonstrações	
Financeiras	Padronizadas	–	Lojas	Renner.	2020.	Disponível	em:	https://www.
rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocu-
mento=100134&CodigoTipoInstituicao=1.	Acesso	em:	21	nov.	2021.
CONSELHO	 FEDERAL	 DE	 CONTABILIDADE	 (CFC).	 Resolução	 nº 1.374, de 8 
de	dezembro	de	2011.	Dá	nova	redação	à	NBC	TG	ESTRUTURA	CONCEITUAL	
–	 Estrutura	 Conceitual	 para	 Elaboração	 e	 Divulgação	 de	 Relatório	 Contábil–	
Financeiro.	Disponível	em:	https://www3.semesp.org.br/portal/pdfs/juridico2011/
Resolucoes/res_CFC_1374(08_12).pdf.	Acesso	em:	20	nov.	2021.	
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm
http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0600/deli676.pdf
http://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0600/deli676.pdf
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100134&CodigoTipoInstituicao=1
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100134&CodigoTipoInstituicao=1
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100134&CodigoTipoInstituicao=1
https://www3.semesp.org.br/portal/pdfs/juridico2011/Resolucoes/res_CFC_1374(08_12).pdf
https://www3.semesp.org.br/portal/pdfs/juridico2011/Resolucoes/res_CFC_1374(08_12).pdf
25Definições, conceito e objetivos dos demonstrativos
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CONSELHO	 FEDERAL	 DE	 CONTABILIDADE	 (CFC).	 NBC	 TG	 26	 (R5)	 –	
Apresentação	 das	 demonstrações	 contábeis.	 2017.Disponível	 em:	 https://
www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG26(R5).pdf.	 Acesso	 em:	 21	 nov.	
2021.
CONSELHO	 REGIONAL	 DE	 CONTABILIDADE	 DO	 PARANÁ	 (CRC-PR).	
Demonstrações Contábeis:	 Aspectos	Práticos	–	Elaboração	 e	Apresentação	
conceitual	 de	 acordo	 com	 o	 IFRS.	 Conselho	 Regional	 de	 Contabilidade	 do	
Paraná.	 [201-].	 Disponível	 em:	 https://www3.crcpr.org.br/crcpr/conteudo/
downloads/05-demonstracoes-contabeis-aspectos-praticos-elaboracao-e-
apresentacao-conceitual-de-acordo-com-o-ifrs.pdf.	Acesso	em:	14	out.	2021.
SILVA,	 Alexandre	 Alcântara	 da.	 Estrutura, análise e interpretação das 
demonstrações contábeis.	5.	ed.	São	Paulo:	Atlas,	2017.	
27
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Capítulo 2
Análise vertical e 
horizontal
Qual é a sua altura hoje se comparada àquela quando tinha dez anos 
de idade? Acredito, pela lógica, que deve ser maior. Certo? Como po-
demos saber disso? Você tem registrado sua altura antiga? Você foi 
acompanhando ano a ano esta evolução e pensando: “Nossa! Como 
eu cresci!”? Pois é, na gestão de uma empresa, isto não é diferente; ou 
seja, haverá comparações. Estas podem ser diárias, semanais, mensais, 
trimestrais, anuais... O que pode ser diferente em relação à sua altura é 
que muitas vezes o tal “crescimento” de uma empresa pode não existir.
Bem, neste segundo capítulo, como você já percebeu, vamos abor-
dar métodos comparativos das demonstrações contábeis: as análises 
vertical e horizontal. Tenho convicção de que será um tema relevante 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
e muito útil para a gestão financeira de qualquer empresa, seja um 
grande conglomerado ou uma microempresa individual. Por isso, foco 
no conteúdo! 
1 Análise horizontal
As perguntas iniciais, na introdução, têm o objetivo de você lembrar 
do seu passado e de como sua altura foi evoluindo ao longo do tempo. 
Claro que algumas pessoas têm crescimento mais acelerado em deter-
minadas épocas, as chamadas “fases de crescimento”. Eu passei por 
isso! Até pensavam que minha altura não seria superior a 1,70 m, mas 
passou dos 1,80 m. Se eu comparasse esta minha altura de hoje com a 
de cinco anos atrás, não teria diferença alguma. Se comparada com a 
dos meus 10 anos, realmente eu cresci bastante. 
Por que fiz o comparativo? Justamente pela relação que vejo com as 
empresas de todos os segmentos no Brasil e no mundo. Isso é visível 
e está à nossa frente, nos noticiários, na internet, nas redes sociais tão 
disseminadas. Ou vai dizer que nunca ouviu falar em crescimento do 
PIB do Brasil, da evolução do valor de mercado de alguma empresa, 
das perdas que outras estão demonstrando? Tudo isso faz parte das 
análises financeiras.
Quando se fala em Análise Horizontal (AH), uma linha horizontal pode 
ser imaginada, o que está em total consonância com o título. Tomando 
como parâmetro Martins, Miranda e Diniz (2019), estes afirmam que 
este tipo de análise é de suma importância ao longo dos anos, pois 
nos mostra as variações, identificando, inclusive, possíveis tendências. 
Disto isso, percebemos que a Análise Horizontal deve ser tomada como 
uma prática constante e perene em uma entidade.
A Análise Horizontal se utiliza da técnica comparativa entre períodos. 
Geralmente as empresas utilizam meses, trimestres ou anos para esta 
análise. Pode ser feita diariamente? Pode, a depender da necessidade 
29Análise vertical e horizontal
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do gestor e em algumas situações e contas específicas. Mas comparar 
o quê, afinal de contas?
As análises ocorrem em diversos relatórios contábeis, tais como 
o balanço patrimonial (BP), demonstração do resultado do exercício 
(DRE), demonstração do fluxo de caixa (DFC) e outros. Poderíamos ana-
lisar a conta Caixa, por exemplo, no ativo circulante. Ela pode dispor hoje 
de muito dinheiro, mas talvez não tenha sido esta a situação no trimes-
tre anterior. A conta Fornecedores, no passivo circulante, também pode 
ter sofrido muitas variações ao longo do tempo. Na verdade, todas as 
contas podem ser analisadas horizontalmente.
A análise pode ocorrer de duas formas: anual ou encadeada. Anual 
é dita da análise que compara um período com o ligeiramente anterior. 
Relembrando: também pode ser um trimestre com o outro, por exem-
plo. Já a encadeada é aquela que compara um período com aquele que 
serve de base para todos os outros. Para clarear, anual pode ser com-
parando 2020 com 2019, 2019 com 2018, e assim por diante. Na enca-
deada, 2020 e 2019 seriam analisados em relação ao ano 2018. Neste 
caso, então, o ano de 2018 é o período base.
A análise horizontal pode ser realizada, portanto, desta forma:
AH% = 
Valor atual
× 100
Valor base
Há, ainda, o formato sem o percentual, o que resultaria em um número 
decimal, bastando para isto excluir a multiplicação do cálculo. Por fim, 
ainda existe como mostrar somente a variação percentual entre os valo-
res. Para ser apresentada dessa maneira, é só aplicar a seguinte fórmula:
∆AH% = [ ( Valor atual ) –1 ] × 100
 Valor base
Antes de tomarmos um exemplo da Bolsa de Valores de São Paulo 
(Bovespa), lanço um questionamento para você pensar: os seus 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
rendimentos atuais, recebidos de trabalhos prestados, produtos vendi-
dos, aplicações em bolsa de valores, compra e venda de criptomoedas 
ou qualquer outra fonte de recursos, são superiores aos do ano ante-
rior? Que tal fazer esse simples exercício para saber como está a evolu-
ção dos seus “negócios”? 
Agora, sim, vamos ao exemplo para aplicação, deixando claro que 
todos são oriundos da Bovespa ou da empresa consultada, na área de 
Relações com Investidores (RI). Você pode fazer isto e confirmar os da-
dos posteriormente. 
Tabela 1 – Análise Horizontal Anual da DRE – Atacadão (2018 a 2020) – (R$ mil)
DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020 AH % 01/01/2019 A 
31/12/2019 AH % 01/01/2018 A 
31/12/2018 AH %
Receita de venda 
de bens e/ou 
serviços 
71.191.000 118,53% 60.064.000 110,68% 54.267.000 100
(—) Custo dos 
bens e/ou serviços 
vendidos 
—57.273.000 120,28% —47.615.000 111,03% —42.886.000 100
= resultado bruto 13.918.000 111,80% 12.449.000 109,38% 11.381.000 100
(+/—) Despesas/
receitas 
operacionais 
—9.414.000 97,37% —9.668.000 116,99% —8.264.000 100
= Result. antes do 
res. financ. e dos 
tributos 
4.504.000 161,96% 2.781.000 89,22% 3.117.000 100
(+/—) Resultado 
financeiro 
—579.000 115,34% —502.000 139,06% —361.000 100
= Resultado antes 
dos tributos sobre 
o lucro 
3.925.000 172,22% 2.279.000 82,69% 2.756.000 100
(cont.)
31Análise vertical e horizontal
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DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020 AH % 01/01/2019 A 
31/12/2019 AH % 01/01/2018 A 
31/12/2018 AH %
(-) Imposto de 
renda e contrib. 
social s/ lucro 
-1.081.000 113,67% –951.000 106,49% –893.000 100
= Lucro/prejuízo 
consolidado do 
período 
2.844.000 214,16% 1.328.000 71,28% 1.863.000 100
Atribuído a sócios 
da empresa 
controladora 
2.671.000 263,67% 1.013.000 61,02% 1.660.000 100
Atribuído a sócios 
não controladores 
173.000 54,92% 315.000 155,17% 203.000 100
Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). 
A DRE do Atacadão, muito conhecido por ser um mercado de “ataca-
rejo” (atacado e varejo), tem a DRE analisada horizontalmente, na forma 
anual, ou seja, comparando períodos com os anteriores. A DRE, como 
todos sabem, traz as movimentações de vendas, custos, despesas e 
resultado ao final do exercício. Vamos à análise.
O ano 2018 foi o parâmetro para o ano 2019. As receitas de ven-
das de bens e/ou serviços tiveram um aumento de 10,68% e o lucro 
reduziu quase 29%. Esses percentuais estão implícitos, pois a análise 
horizontal, da forma como apresentamos, indica quanto 2019 represen-
ta de 2018. Se o percentual foi 110,68%, significa que houve aumento 
de 10,68%. No caso do lucro, este atingiu apenas 71,28% em 2019 do 
que foi demonstrado em 2018. Pela regra matemática, devemos dedu-
zir dos 100% os 71,28%, chegando a exatos 28,72% de redução; ou seja, 
sempre que o percentual foi superior a 100, esta diferença a mais repre-
senta exatamente a variação positiva. Caso não alcance os 100%, a di-
ferença será uma variação negativa. Dessa forma, apesar de as vendas 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
terem aumentado mais de 10%, despesas e custos influenciaram nega-
tivamente, reduzindo o lucro em 2019.
Ao analisarmos os mesmos itens em 2020, comparados com 2019, 
temos que as receitas aumentaram 18,53% e o lucro aumentou 114,16%, 
ou seja, mais do que o dobro de 2019! E é exatamente aí que devemos 
analisar as demais contas da DRE, pois isoladamente elas podem per-
der um pouco de sentido. Vejamos outras.
Os custos dos bens e/ou serviços vendidos tiveram variação de 
11,03% e 20,28%, em 2019 e 2020, respectivamente. Já nas despesas/
receitas operacionais, aumento de 16,99% (2019) e redução de 2,63% 
(2020). O resultado financeiro, que é a diferença entre receitas e des-
pesas financeiras, teve variação de 39,06% e 15,34%, respectivamente, 
em 2019 e 2020. Veja que estes percentuais são reflexos de consumo 
de capital, geralmente pagamento de juros de financiamentos, o que é 
muito comum nas empresas, servindo até como alavancagem para os 
negócios. Por fim, o imposto de renda e a contribuição social consumi-
ram 6,49% a mais em 2019, em comparação com 2018, e 13,67% em 
2020, em comparação com 2019.
Estes dados, por si só, podem direcionar a tomada de decisões por 
parte dos gestores, sem refletir, no entanto, a melhor decisão. Afirmamos 
isto em função de uma máxima que existe na gestão de empresas: ne-
nhuma decisão deve ser tomada com dados isolados; ou seja, analisar 
a DRE é parte de um “combo” de demonstrações, aquelas que já foram 
relembradas no capítulo anterior.
Voltando à análise horizontal, que tal demonstrarmos a forma en-
cadeada? Então, vamos lá! Para isso, a mesma DRE do Atacadão será 
objeto de análise.
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Tabela 2 – Análise Horizontal Encadeada da DRE – Atacadão (2018 a 2020) – (R$ mil)
DESCRIÇÃO 01/01/2020 A 
31/12/2020 AH % 01/01/2019 A 
31/12/2019 AH % 01/01/2018 A 
31/12/2018 AH %
 Receita de venda de 
bens e/ou serviços 
71.191.000 131,19% 60.064.000 110,68% 54.267.000 100
(–) Custo dos bens e/ou 
serviços vendidos 
–57.273.000 133,55% –47.615.000 111,03% –42.886.000 100
= Resultado bruto 13.918.000 122,29% 12.449.000 109,38% 11.381.000 100
(+/–) Despesas/receitas 
operacionais 
–9.414.000 113,92% –9.668.000 116,99% –8.264.000 100
= Result. antes do res. 
financ. e dos tributos 
4.504.000 144,50% 2.781.000 89,22% 3.117.000 100
(+/–) Resultado 
financeiro 
–579.000 160,39% –502.000 139,06% –361.000 100
= Resultado antes dos 
tributos sobre o lucro 
3.925.000 142,42% 2.279.000 82,69% 2.756.000 100
(–) Imposto de renda e 
contrib. social s/ lucro 
–1.081.000 121,05% –951.000 106,49% –893.000 100
= Lucro/prejuízo 
consolidado do período 
2.844.000 152,66% 1.328.000 71,28% 1.863.000 100
Atribuído a sócios da 
empresa controladora 
2.671.000 160,90% 1.013.000 61,02% 1.660.000 100
Atribuído a sócios não 
controladores 
173.000 85,22% 315.000 155,17% 203.000 100
Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020).
Já conseguiu visualizar a diferença? Pois bem, a diferença está na 
coluna AH% entre 2020 e 2019. Por quê? Porque aqui se muda a base 
de cálculo, ou seja, ao invés de utilizar como base o ano de 2019, agora 
é o ano de 2018 o parâmetro para análise.
https://www.rad.cvm.gov.br
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Analisando os mesmos itens iniciais, receita de vendas e lucro do pe-
ríodo, podemos observar que aquele sofreu um acréscimo de 31,19% e 
este 52,66%, pois aqui se comparam dados de 2020 com 2018. Nestes 
dois itens, as variações na análise horizontal anual foram, respectiva-
mente, 18,53% e 114,56%, ou seja, na comparação de 2020 com 2019. 
Na análise horizontal encadeada, portanto, as receitas de vendas de 
2020 variaram mais do que na análise horizontal anual. Já no lucro do 
período, foi o inverso: a variação foi bem menor. Isso se deve porque o 
lucro foi reduzido em 2019, fazendo com que a base na análise horizon-
tal anual fosse um valor menor do que na encadeada.
Perceba, portanto, que a análise horizontal sempre deve ser realiza-
da de acordo com as necessidades da entidade, podendo ser anual ou 
encadeada. Lembrando que, apesar do nome “anual”, esta pode ser feita 
mensalmente ou trimestralmente, por exemplo, o que poderíamos cha-
mar de análise horizontal trimestral ou conforme o período em análise. 
E, por fim, não há como comparar e fazer análises entre itens/contas 
distintas: lucro só pode ser comparado com lucro; vendas com vendas, 
e assim por diante. Embora aqui não conste o exercício prático, outras 
demonstrações são comumente analisadas com esta técnica, principal-
mente o balanço patrimonial, o qual será utilizado na análise vertical, na 
sequência do conteúdo.
IMPORTANTE 
Existem duas formas de fazer a análise horizontal:
• Anual: a comparação se dá entre períodos sequenciais.
• Encadeada: a comparação usa uma única base, sempre a mais 
antiga, para todos os cálculos.
 
A análise horizontal tem ainda algumas características e critérios im-
portantes a serem observados:
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 • Quando há valores com sinais diferentes (+/–), a análise fica pre-
judicada, pois a fórmula não contempla estas exceções. É só ima-
ginar uma empresa com um prejuízo de R$ 1 mil em um período 
e no seguinte um lucro de R$ 2 mil. Como ficaria? A resposta ma-
temática seria “–200%”. Ou o contrário: lucro de R$ 1 mil e na se- 
quência prejuízo de R$ 2 mil. O resultado seria o mesmo! Portanto, 
análise horizontal somente com sinais iguais (+/+; –/–).
 • Se o período base for de valor zero, também não é possível fazer 
a análise horizontal, pois a regra matemática afirma que inexiste 
o resultado para um denominador nulo.
2 Análise vertical
A análise vertical, também fazendo jus ao nome, analisa a participa-
ção de cada item em um determinado grupo ou subgrupo das demons-
trações contábeis. O cálculo é realizado através da divisão do item em 
análise pelo valor do grupo/subgrupo (resultado é um número decimal), 
podendo multiplicar por 100 (resultado é em percentual). Geralmente, 
a base de análise no balanço patrimonial é o grupo do Ativo Total. Isso 
significa que todos os subgrupos ou contas do BP, inclusive as contas 
do passivo e patrimônio líquido, têm no valor do total do ativo seu parâ-
metro de análise. Contudo, se utilizar os valores do passivo total como 
base, em nada será alterado o percentual, pois o ativo e o passivo total 
têm valores iguais. Já na DRE, o valor definido para a análise vertical é 
o das receitas com vendas líquidas. Tanto a forma percentual quanto a 
decimal são válidas e podem ser usadas, de acordo com a preferência 
do usuário. Veja como ficam as fórmulas da AV% e AV:
AV%=
Valor do item
× 100
Valor base
AV =
Valor do item
Valor base
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Como exemplo, vamos tomar parte do BP do Atacadão para apre-
sentar esse tópico.
Tabela 3 – Análise Vertical do BP – Atacadão – 2020 e 2019 (R$ mil)
DESCRIÇÃO AV% 2020 AV% 2019
Ativo total 100,00% 51.824.000 100,00% 44.912.000
Ativo circulante 49,04% 25.413.000 49,33% 22.155.000
Caixa e equivalentes de caixa 10,94% 5.672.000 11,85% 5.322.000
Aplicações financeiras 0,00% - 0,64% 287.000
Contas a receber 20,74% 10.747.000 21,45% 9.632.000
Estoques 14,88% 7.709.000 13,25% 5.949.000
Tributos a recuperar 1,60% 827.000 1,46% 655.000
Outros ativos circulantes 0,88% 458.000 0,69% 310.000
Ativo não circulante 50,96% 26.411.000 50,67% 22.757.000
Ativo realizável a longo prazo 15,66% 8.115.000 15,54% 6.979.000
Investimentos 0,98% 508.000 1,19% 535.000
Imobilizado 29,84% 15.465.000 28,76% 12.915.000
Intangível 4,48% 2.323.000 5,18% 2.328.000
Passivo total 100,00% 51.824.000 100,00% 44.912.000
Passivo circulante 47,70% 24.720.000 44,66% 20.059.000
Obrigações sociais e trabalhistas 1,72% 891.000 1,54% 690.000
Fornecedores 27,83% 14.423.000 27,14% 12.187.000
Obrigações fiscais 1,22% 632.000 1,16% 521.000
Empréstimos e financiamentos 1,38% 713.000 0,45% 201.000
(cont.)
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DESCRIÇÃO AV% 2020 AV% 2019
Outras obrigações 15,55% 8.061.000 14,38% 6.460.000
Passivo não circulante 19,41% 10.059.000 22,60% 10.148.000
Empréstimos e financiamentos 9,77% 5.065.000 9,54% 4.283.000
Outras obrigações 0,51% 264.000 2,27% 1.018.000
Tributos diferidos 1,16% 602.000 1,19% 534.000
Provisões 7,97% 4.128.000 9,60% 4.313.000
Patrimônio líquido consolidado 32,89% 17.045.000 32,74% 14.705.000
Capital social realizado 14,76% 7.649.000 17,02% 7.643.000
Reservas de capital 3,69% 1.911.000 4,22% 1.896.000
Reservas de lucros 11,85% 6.143.000 8,83% 3.966.000
Ajustes de avaliação patrimonial 0,01% 6.000 0,00% –1.000
Participação dos acionistas não controladores 2,58% 1.336.000 2,67% 1.201.000
Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). 
No balanço patrimonial do Atacadão podemos perceber que duas 
colunas são dispostas ao lado dos anos dos movimentos (2019 e 
2020). Observe que na primeira linha (ativo total) o percentual ficou em 
100%. Nada mais óbvio que isso, pois ao se dividir o valor do item pelo 
valor da base de análise, vemos que são os mesmos valores; ou seja, o 
ativo total corresponde a 100% do ativo total. Este percentual se repete 
no passivo total, pela mesma razão anterior.
Ao segregarmos os itens, partindo do ativo circulante, veja que ele cor-
responde a 49,33% em 2019 e 49,04% em 2020, do ativo total, com pou-
quíssima variação nestes dois anos (0,29 pontos percentuais). O passivo 
circulante, por outro lado, representa 44,66% e 47,70% do ativo total (ou 
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
passivo total), referentes a 2019 e 2020, respectivamente. Já no subgru-
po do ativo não circulante, chegamos a 50,67% (2019) e 50,96% (2020). 
Perceba que a soma dos percentuais de ativo circulante e ativo não circu-
lante só pode resultar em 100%, pois corresponde ao ativo total. No passi-
vo não acontece o mesmo, pois além do circulante e não circulante ainda 
há o subgrupo do patrimônio líquido (PL) para ser somado, resultando 
no passivo total. Neste caso, então, o passivo não circulante representa 
22,60% do passivo total em 2019 e 19,41% no ano seguinte.
Para exercitar a fórmula, vamos usar o item Estoques no ano de 
2019, sabendo que a fórmula pode ser criada na própria planilha eletrô-
nica, o que viabiliza o cálculo de todos os itens.
AV% = 
5.949.000 
× 100 = 13,25%
44.912.000 
Percebeu como é fácil? A conta Estoques representa pouco mais de 
13% do ativo total em 2019. Em 2020 esse percentual sobe para 14,88%, 
ou seja, a participação desta conta no total do ativo tem aumentado. 
Quando se analisa vários períodos é possível sugerir se há alguma ten-
dência, tanto em acréscimos quanto em reduções destes percentuais. 
Em dois anos, como aqui, não é possível traçar qualquer tendência.
Como dito anteriormente, apenas um tipo de análise não é suficiente 
para detectar se a empresa precisa, por exemplo, tomar novos rumos, 
alterar a política de compra de matéria-prima, se concentrar nas vendas 
internas ou reduzir os custos de produção. Decisões eficientes são re-
sultados de análises detalhadas de demonstrações financeiras e suas 
correlações. Por isso, a análise em conjunto é a mais eficiente, sempre.
Uma das vantagens em se ter planilhas como as apresentadas é a 
rápida visualização do que realmente interessa. Alguma conta especí-
fica pode ser facilmente detectada, com os percentuais já destacados. 
Na atual era da informática, quando tudo precisa ser resolvido muito 
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rapidamente, nada melhor que a contabilidade auxiliar nestas análises. 
Mas ela pode ir além das tabelas. Os gráficos têm uma eficiência maior 
ainda. Por isso, vamos demonstrar dois exemplos de como são úteis.
Gráfico1 – Distribuição do Passivo total – Atacadão – 2019 e 2020
0.00%
2019 2020
44.66%
Passivo Circulante
10.00% 20.00% 30.00% 40.00% 50.00% 60.00%
Passivo Não Circulante
Patrimônio Líquido Consolidado
47.70%
22.60%
19.41%
32.74%
32.89%
Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020). 
Gráficos são práticos e versáteis, uma vez que podemos utilizar di-
versos tipos, cada um de acordo com os dados informados. No gráfico 
1 foram utilizadas as barras agrupadas, demonstrando a composição 
do passivo total, ou seja, o passivo circulante, o não circulante e o pa-
trimônio líquido nos anos 2019 e 2020. A soma dos percentuais das 
barras com cores iguais deve chegar a 100%, que é o passivo total.
Acompanhe a seguir o segundo gráfico, com os custos, despesas e 
o lucro do ano 2020.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
Gráfico 2 – Custos, despesas e lucro do período – Atacadão – 2020 (R$ mil)
Custo dos Bens e/ ou Serviços Vendidos
Despesas/Receitas Operacionais
Resultado Financeiro
Imposto de Renda e Contrib. 
Social sobre Lucro
Lucro/Prejuízo Consolidado do
Período
-52,273,000
-9,414,000
-579,000
2,844,000
-1,081,000
Fonte: adaptado de Atacadão S.A. (2020).
O gráfico 2, em formato de pizza, é uma das possibilidades de apre-
sentação dos dados encontrados, auxiliando gestores na tomada de 
decisões. É um apelo visual que deve ser utilizado intensamente. Ele 
simplesmente traz os dados das tabelas para um formato mais aprazí-
vel de visualizar e com compreensão mais rápida.
3 Interpretação das análises horizontal e 
vertical
O papel dos contadores e analistas financeiros é apontar as tendên-
cias, explicar os dados encontrados e até sugerir caminhos a seguir, 
mas que devem ser definidos pela administração. As análises horizontal 
e vertical, quando sabiamente interpretadas, podem direcionar as de-
cisões a tomar. Contadores e analistas apontam as tendências, inter-
pretam os dados encontrados e até sugerem aos gestores quais alter-
nativas são mais viáveis para obter melhores resultados. Contador, na 
verdade, deve ser considerado como um parceiro dos negócios.
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Tabelas e gráficos, carregados de dados e informações, devem ser 
utilizados como método comparativo não apenas internamente, mas 
com dados externos. O fato de existir um acompanhamento constan-
te nestas análises não significa sucesso na empresa. O processo de 
análise deve compreender, também, comparativo dos indicadores com 
outras empresas. Preferencialmente, estas devem ser do mesmo seg-
mento, porte semelhante e localizadas na mesma região. E um detalhe 
muito importante: as demonstrações contábeis precisam estar com 
suas estruturas padronizadas, sem o que demandaria muito mais traba-
lho e dificuldades em métodos comparativos. E se o que pretendemos é 
conquistar agilidade e precisão, padrões devem ser seguidos.
Podemos sugerir um exemplo aqui para demonstrar como é impor-
tante ter características semelhantes no método comparativo. Suponha 
que sua empresa ou aquela em que você trabalha seja do setor indus-
trial. Talvez uma indústria de calçados. A estrutura dos relatórios con-
tábeis pode conter alguns itens que uma empresa comercial não tem. 
Matéria-prima, produtos semiacabados, produtos prontos para serem 
vendidos são alguns dos itens que uma indústria possui em estoque. Já 
em um comércio de equipamentos eletrônicos nada disso há. Este é o 
primeiro ponto a se considerar em relação a comparar indicadores com 
empresas de segmentos divergentes. 
Outro item importante é o porte das empresas. Analisar uma peque-
na entidade comparando-a com uma gigante trará distorções também 
gigantes. Portanto, quando comparar com outras, que sejam de tama-
nho equivalente.
Por fim, a região tem certa influência em custos, despesas e recei-
tas. Alguns locais são privilegiados, com acesso fácil, matéria-prima 
em abundância, clientela com maior poder aquisitivo; outras já têm 
dificuldades nestes quesitos. Por esta razão, também é importante es-
tarem localizadas em regiões próximas, mas talvez esse seja o fator 
menos relevante.
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Análise das demonstrações financeiras: uma abordagem prática
A análise horizontal, conforme aplicada na DRE do Atacadão, per-
mite visualizar a evolução do valor das contas ao longo dos exercícios. 
Com isso, podemos responder a perguntas como “As vendas aumen-
taram?” ou “O resultado líquido foi maior que no ano anterior?”. Já a 
análise vertical mostra a participação de cada elemento da demons-
tração analisada no contexto de um total, podendo ser o ativo, no BP, 
ou as vendas líquidas, na DRE. Nesta, inclusive, podemos encontrar 
a margem líquida (resultado líquido dividido pelas vendas líquidas), 
tema de um capítulo posterior.
Considerações finais
Este capítulo tratou de duas importantes análises: a vertical e a hori-
zontal, e a devida interpretação dada a elas. Através de métodos que não 
demandam muito conhecimento, pudemos ver, na prática, como podem 
ser aplicados na realidade de uma empresa. O Atacadão foi nosso mo-
delo, com os dados colhidos da Bovespa. Serviu para analisar o quanto 
a empresa evoluiu nas suas contas da demonstração do resultado do 
exercício e qual a participação de cada conta do balanço patrimonial.
Estas foram as primeiras análises desenvolvidas nesta obra, mas já 
na expectativa de trazer outras nos demais capítulos, formando um ar-
cabouço de fórmulas e suas devidas interpretações. É importante ter 
em mente, sempre, que quanto mais dados e informações disponíveis, 
melhores serão as decisões tomadas.
Com esta base de análise, você já pode fazer uso desses conheci-
mentos em sua vida financeira. Tente. Vai ser muito gratificante.
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Referências
ATACADÃO S.A. DFP – Demonstrações Financeiras Padronizadas. 2020. 
Disponível em: https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.
aspx?NumeroSequencialDocumento=100225&CodigoTipoInstituicao=1. 
Acesso em: 23 nov. 2021. 
MARTINS, Eliseu; MIRANDA, Gilberto José; DINIZ, Josedilton Alves. Análise di-
dática das demonstrações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100225&CodigoTipoInstituicao=1
https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE.aspx?NumeroSequencialDocumento=100225&CodigoTipoInstituicao=1
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Capítulo 3
Índices de liquidez
Índices de liquidez são importantes indicadores de saúde financeira 
de uma empresa. O objetivo deste

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