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2 QUATRO MIL ANOS DE CONTABILIDADE
Renascença
Resumo
Origem das palavras
Antecedentes da contabilidade
Primeiras civilizações
Influência árabe
Progressos tecnológicos e mudanças socioeconômicas
Resumo dos antecedentes
Débitos e créditos
A era da estagnação
A era do descobrimento
A Revolução Industrial
Resumo
Surgimento da profissão
American Institute of CPAs
National Association of Accountants
American Accounting Association
O futuro da contabilidade
Conclusão
Resumo
Questões
Leituras adicionais selecionadas
Objetivos do Capítulo
Ao terminar a leitura deste capítulo, você será capaz de:
Explicar os antecedentes sociais, culturais e tecnológicos que foram
necessários à invenção da contabilidade.
Descrever as principais contribuições das civilizações não ocidentais à
invenção da contabilidade.
Identificar as principais diferenças e semelhanças entre o sistema de
contabilidade existente no início do século XX e o encontrado atualmente.
Relacionar os avanços da contabilidade aos progressos da sociedade.
Reconhecer a origem antiga, nobre e multicultural da contabilidade e sua
importância para nossa sociedade.
Visão Geral do Capítulo
A Renascença
Os sistemas de partidas dobradas mais antigos são encontrados no norte da
Itália, e remontam ao século XIV. O Frei Luca Pacioli codificou tais sistemas
num apêndice a um livro publicado em Veneza em 1494.
Antecedentes da Contabilidade
A contabilidade floresceu em solo fertilizado por séculos de aprendizagem e
comércio com o Oriente, invenções tais como a vela latina, a imprensa e um
novo sistema de números. Em grande parte, esses avanços foram levados à
Europa da China e da Índia por estudiosos árabes.
A Era da Estagnação
Houve relativamente poucos avanços na contabilidade nos séculos seguintes.
Esse período foi marcado por grandes descobrimentos, como o das Américas
por Colombo e pelo início da Revolução Industrial.
O Crescimento da Profissão
Os profissionais de contabilidade começaram a surgir no final do século XVIII.
O Instituto de Contadores Registrados da Inglaterra e do País de Gales foi
fundado em 1880. O Instituto Americano seguiu-se em 1887.
O Futuro da Contabilidade
A contabilidade desenvolveu-se em resposta a mudanças no ambiente, novas
descobertas e progressos tecnológicos. Não há motivo para crer que a
contabilidade não continue a evoluir em resposta a mudanças que estamos
observando em nossos tempos.
A contabilidade é um produto do Renascimento Italiano. As forças que
conduziram a essa renovação do espírito humano na Europa foram as
mesmas que criaram a contabilidade. Alguns argumentam até que essas
forças não teriam progredido a ponto de moldar nosso mundo atual se não
tivesse havido a invenção da contabilidade por partidas dobradas, pois ela
criou uma base para o desenvolvimento do capitalismo privado, gerador da
riqueza que sustentou o artista, o músico, o religioso e o escritor.1 A história
da contabilidade é a história da nossa era; de muitas formas, a própria
contabilidade conta essa história, pois os registros contábeis fazem parte da
matéria-prima dos historiadores. Aprendemos muito a respeito de homens
como Isaac Newton e John Wesley graças aos livros contábeis que
mantiveram. Como disse a novelista Josephine Tey, “a verdade não está nas
histórias, mas nos livros de contabilidade”.* A contabilidade, se
adequadamente compreendida, pode ser considerada, portanto, como uma
das artes liberais.
O presente capítulo procura contar a história da contabilidade,
relacionando-a ao mundo que lhe deu origem. Começa com os primeiros
registros contábeis encontrados, remontando a cerca de 600 anos. A história
até a Renascença é contada novamente num esforço para explicar por que a
contabilidade foi inventada nesse momento específico. Esperamos que os
estudantes completem esta seção com uma idéia das origens da antiga e
nobre arte que praticam, sintam-se orgulhosos de se chamarem de
contadores, e estejam cientes de quanto nossa herança deve às grandes
civilizações da África e da Ásia. O capítulo prossegue com a Era dos
Descobrimentos e a Era Industrial e seu impacto sobre o mundo dos negócios
e a contabilidade em especial. O capítulo termina com a ascensão da
profissão da contabilidade pública na Grã-Bretanha, na Europa e nos Estados
Unidos no momento em que a primeira onda de industrialização atingia seu
ponto mais alto em todo o mundo.
RENASCENÇA
Não sabemos quem inventou a contabilidade. Sabemos, porém, que
sistemas de escrituração por partidas dobradas começaram a surgir
gradativamente nos séculos XIII e XIV em diversos centros de comércio no
norte da Itália. O primeiro registro de um sistema completo de escrituração por
partidas dobradas é encontrado nos arquivos municipais da cidade de
Gênova, Itália, cobrindo o ano de 1340.2 Fragmentos anteriores são
encontrados nas contas de Giovanni Farolfi & Companhia, uma empresa de
mercadores de Florença em 1299-1300, e nas de Rinieri Fini & Irmãos, que
negociavam em feiras e eram famosos em sua época na região de
Champagne, na França.3 A Ilustração 2.1 indica a localização de muitas
cidades citadas neste capítulo.
O primeiro codificador da contabilidade foi um frei franciscano chamado
Irmão Luca Pacioli, que passou a maior parte de sua vida como professor e
estudante nas universidades de Perúgia, Florença, Pisa e Bolonha. Encerrou
sua ilustre carreira lecionando Matemática na Universidade de Roma, um
posto prestigioso para o qual fora convidado pelo Papa Leão X.** Entre seus
amigos, estavam vários papas, o matemático e arquiteto Leon Battista Alberti,
e o mais íntimo de todos era Leonardo da Vinci. Era a Renascença, e Pacioli
era um de seus produtos mais autênticos.
O livro escrito por Pacioli era intitulado Summa de arithmetica, geometrica,
proportioni et proportionalitá. Apareceu em Veneza em 1494 – apenas dois
anos após a chegada de Colombo à América, e somente alguns anos após o
surgimento das primeiras prensas em Veneza, o que indica a importância de
sua obra. A Summa era principalmente um tratado de matemática, mas incluía
uma seção sobre o sistema de escrituração por partidas dobradas,
denominada Particularis de Computis et Scripturis. Esta seção foi o primeiro
material publicado que descrevia o sistema de partidas dobradas, e
apresentava o raciocínio em que se baseavam os lançamentos contábeis.
Seus comentários sobre a contabilidade são tão relevantes e atuais quanto há
quase 500 anos. Por exemplo, veja-se o que escreveu sobre o que fazer após
a confecção de um balancete:
Para que tudo fique mais claro no encerramento mencionado, é
necessário que faça esta outra comparação, a saber, somar numa folha
de papel todos os débitos de Razão+ e colocá-los do lado esquerdo, e
somar todos os créditos e colocá-los do lado direito, e depois estas
últimas somas serão ressomadas; uma das somas será o total dos
débitos, e a outra será o total dos créditos. Agora, se as duas somas
forem iguais, ou seja, uma for igual à outra, ou seja, as somas dos débitos
e dos créditos, sua conclusão será a de que seu Razão terá sido bem
mantido. (...) e encerrado pelo motivo mencionado acima no Capítulo 14;
mas, se uma das somas for maior do que outra, terá havido um erro no
seu Razão, o qual, com diligência, será melhor que o encontre com a
inteligência que Deus lhe deu, e com os recursos de raciocínio que tiver
adquirido, e que são muito necessários para o bom comerciante, como
dissemos no início; caso contrário, não sendo um bom contador em seus
negócios, andará como um cego, e muitas perdas poderão surgir. (...)4
ILUSTRAÇÃO 2.1 Europa e Oriente Próximo.
Como disse A. C. Littleton, historiador da contabilidade, fica-se
impressionado, lendo-se trechos como esse, com o pouco que acrescentamos
à contabilidade nos anos que se passaram desde então.5
O que não quer dizer que não tem havido mudanças. Algumas dessas
mudanças permitem estabelecer contrastes interessantes entre as práticas
das cidades italianas e os métodos e teorias atuais:
1. Durante o período que se estende até o século XVI,Mensuração do lucro pelo enfoque de atividades
	Conceitos de lucro no nível semântico
	Lucro como medida de eficiência
	Lucro contábil versus lucro econômico
	Lucro coletivo
	Conceitos de lucro no nível pragmático
	Lucro como ferramenta de predição
	Enfoque de mercado de capitais
	Abordagem contratual do lucro
	O que deve ser incluído no lucro?
	Conceito operacional corrente de lucro
	Conceito abrangente de lucro (lucro abrangente)
	Lucro regular e lucro extraordinário
	Ajustes de períodos anteriores
	Itens extraordinários
	Operações abandonadas
	Divulgação
	Lucro líquido para quem?
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	11 Receitas e Despesas, Ganhos e Perdas
	Receitas e ganhos
	Natureza de uma receita
	Que deve ser incluído no termo receita?
	Como deve uma receita ser medida?
	Quando as receitas são reconhecidas?
	Resumo
	Registro de receita durante a produção
	Registro de receita na conclusão da produção
	Registro de receita no momento da venda
	Registro de receita após a venda
	Despesas e perdas
	Que deve ser incluído numa despesa?
	Como devem as despesas ser medidas?
	Quando ocorrem as despesas?
	Registro de despesas
	Resumo
	Regras setoriais específicas
	Indústria cinematográfica
	Vendas de imóveis
	Questões de múltipla escolha
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	12 Divulgação dos Efeitos de Variações de Preços
	Natureza das variações de preços
	Variações gerais do nível de preços
	Variações específicas de preços
	Variações relativas de preços
	Classificações monetárias e não monetárias
	Ganhos e perdas com itens monetários
	Correção em função de variações de poder aquisitivo
	Correção de itens não monetários
	Modelos de correção pelo nível de preços
	Uma avaliação de correções com base em variações de níveis de preços
	Contabilização a custos correntes
	Conceitos de preservação de capital
	Uma avaliação da contabilidade a custos correntes
	Tradução de dados em moeda estrangeira
	SFAS 8 versus SFAS 52
	Problemas e questões
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	13 Demonstração de Posição Financeira
	O instantâneo de Ripley
	Ativos e passivos
	Definições de Canning
	Pronunciamento no 4 do APB
	Boletins de terminologia contábil
	Três características essenciais dos ativos
	Três características essenciais dos passivos
	Reconhecimento
	Passivos contingentes
	Resumo
	Classificação
	Objetivos de classificação
	Críticas
	Compensação de passivos com ativos
	Conclusão
	Resumo
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	14 Ativos de sua Mensuração
	Processo de mensuração
	Preços de troca
	Reavaliação de ativos
	Medidas de entrada
	Custos históricos de entrada
	Custos correntes de entrada
	Custos futuros de entrada descontados
	Medidas de saída
	Valores realizáveis líquidos
	Equivalentes correntes a caixa
	Valores de liquidação
	Valores descontados de fluxos de caixa ou capacidade de geração de serviços futuros
	Medidas de custo ou mercado, o que for menor
	Objetivos de mensuração
	Objetivos sintáticos
	Objetivos semânticos
	Objetivos pragmáticos
	Conclusão
	Resumo
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	15 Depreciação e Manutenção
	Alocação racional e sistemática
	Redução de capacidade de geração de serviços
	Diminuição da capacidade de geração de serviços físicos
	Avaliação dos serviços: custo histórico ou custo corrente?
	Enfoque da contribuição à receita líquida
	Prós e contras
	Reparos e manutenção
	Contabilização de conjuntos de ativos
	Vidas úteis
	Reserva para reparos
	Preservação de capital
	Retorno sobre investimento
	Caso de um único ativo
	Caso de vários ativos
	Mensuração de rentabilidade
	Método dos juros
	Resumo
	Questões para discussão
	Leituras adicionais selecionadas
	16 Ativos Circulantes
	Ativos circulantes
	Ativos circulantes monetários
	Caixa
	Contas a receber
	Investimentos monetários
	Ativos circulantes não monetários
	Ações e obrigações negociáveis
	Despesas pagas antecipadamente
	Estoques
	Papel das conseqüências econômicas
	Ajuste ao valor de mercado
	Ueps versus Peps
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Problemas e questões para discussão
	Leituras adicionais selecionadas
	17 Instalações e Equipamentos Comprados e Arrendados
	Natureza e custo
	Transações não monetárias
	Juros sobre construção
	Custos gerais em ativos construídos pela própria empresa
	Arrendamento de instalações e equipamentos
	Definição de arrendamentos de capital
	Propriedade de ativos versus titularidade de direitos
	Capitalização de todos os compromissos a longo prazo não canceláveis
	Divulgação de arrendamentos
	Divulgação de arrendamentos
	Receitas e despesas de capital
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	18 Ativos Intangíveis e Investimentos Não Circulantes
	Natureza e reconhecimento de ativos intangíveis
	Reconhecimento
	Reconhecimento de goodwill
	Conclusão
	Mensuração e amortização
	Mensuração de goodwill
	Mensuração de goodwill “negativo”
	Amortização
	Problemas e aplicações
	Acordos de licenciamento de programas
	Franquias esportivas
	Custos de pesquisa e desenvolvimento
	Software
	Marcas
	Contabilização para baixo
	Investimentos não circulantes
	Investimentos não circulantes em ações
	Método da equivalência patrimonial para subsidiárias não consolidadas
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	19 Contabilização de Passivos
	Natureza dos passivos
	Contratos de compensação unilateral
	Financiamento fora do balanço
	Mensuração e reconhecimento
	Reconhecimento de passivos
	Mensuração de passivos monetários
	Mensuração de passivos circulantes não monetários
	Encerramento de passivos
	Extinção de dívidas
	Reestruturação de dívidas
	Títulos híbridos
	Debêntures conversíveis
	Contabilização de títulos híbridos
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	20 Impostos Diferidos
	Lucro tributável versus lucro divulgado
	Diferenças permanentes
	Diferenças temporárias
	Enfoque baseado no balanço
	Argumentos a favor e contra a alocação
	Argumento em favor da alocação abrangente
	Argumento contra a alocação
	Argumento em favor da alocação parcial
	Argumento em favor do cálculo de valor presente
	Estudos empíricos
	Impostos diferidos e o referencial conceitual
	Prejuízos operacionais líquidos
	São realmente ativos e passivos?
	Comparação do SFAS 96 com o APB 11
	Apresentação de resultados
	Alocação de imposto dentro de um exercício
	Método líquido do imposto
	Resumo
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	21 Pensões
	Determinação da obrigação de pagamento de pensão
	Obrigação econômica
	Ciência atuarial
	Componentes da obrigação
	Financiamento da obrigação
	Saldos e fluxos
	Obrigação líquida
	Resumo
	Contabilização das obrigações
	Custos de serviços anteriores
	Custos periódicos de pensão
	Ajustes
	Compensação
	Passivos líquidos com pensões
	Divulgação
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	22 Direitos de Propriedade
	Natureza dos direitos de propriedade
	Direitos de proprietários
	Teoria da propriedade
	Teoria da entidade
	Teoria de direitos residuais
	Teoria empresarial
	Teoria do fundo
	Posição do Fasb
	Resumo das teorias de direitos de propriedade
	Classificação de direitos em firmas individuais e sociedades de pessoas
	Classificação de direitos de acionistas
	Classificação por fonte de capital
	Divulgação do capital legal
	Divulgação de restrições à distribuição do lucro
	Divulgação de restrições a distribuições em caso de liquidação
	Resumo
	Demonstrações financeiras consolidadas
	Procedimentos de consolidação
	Finalidade e natureza
	Classificação de direitos consolidados
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Questõespara discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	23 Alterações do Patrimônio dos Acionistas
	Aumentos do capital investido
	Subscrições
	Conversão de dívidas
	Conversão de ações preferenciais
	Bonificações e desdobramentos
	Opções e warrants
	Reduções de capital investido
	Ações em tesouraria
	Combinações de empresas
	Combinações tratadas como compras
	Combinação de participações
	Uma avaliação de compras e combinações de participações
	Lucros por ação
	Cálculo do número de ações
	Cálculo do lucro
	Resumo
	Questões de múltipla escolha
	Questões para discussão
	Leituras adicionais selecionadas
	24 Divulgação de Informações Financeiras
	Divulgação para quem?
	Divulgação a grupos de interesse
	Níveis de divulgação
	Nível de divulgação
	Padrões de divulgação
	Divulgação voluntária versus divulgação compulsória
	Regulamentação da divulgação
	Formas de divulgação
	Previsões financeiras
	Políticas contábeis
	Mudanças contábeis
	Divulgação de eventos posteriores às demonstrações
	Divulgação a respeito de segmentos de uma empresa
	Métodos de divulgação
	Formato e disposição das demonstrações formais
	Terminologia e apresentações detalhadas
	Informação entre parênteses
	Notas explicativas
	Demonstrações e quadros complementares
	Parecer de auditoria
	Discussão e análise pela administração e carta do presidente
	Resumo
	Questões para discussão
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadaso principal objetivo
da contabilidade era produzir informação para o proprietário – geralmente
proprietário único. Em conseqüência, as contas eram mantidas em sigilo e
não havia pressão externa, como hoje, no sentido de exatidão ou da adoção
de padrões uniformes de divulgação.
2. Em parte, em decorrência da primeira observação, geralmente não era
feita distinção clara entre os negócios pessoais e empresariais de um
Mobile User
proprietário, ou seja, o conceito atual de entidade não havia sido
desenvolvido. Houve exceções, porém, e não era raro encontrar um
comerciante com um conjunto de contas para sua casa e outro para seu
negócio.6
3. Os conceitos de exercício contábil e empresa em funcionamento
inexistiam. Muitos empreendimentos eram de curta duração, ou continuavam
apenas após a realização de algum objetivo empresarial específico. Em
conseqüência, o lucro só era calculado quando da conclusão do
empreendimento. Sem o conceito de lucro periódico, não havia necessidade
de lançamento de receitas e despesas a realizar ou diferidas. Como os ativos
imobilizados desempenhavam papel muito pequeno nos negócios, não era
necessário calcular depreciação. Mesmo para os empreendimentos que eram
organizados por períodos mais longos, tampouco havia necessidade de
cálculo periódico de lucros, porque os proprietários estavam em contato direto
com os negócios.
4. A quarta característica decorre da ausência de uma única unidade
monetária estável. Sem um denominador comum, a escrituração por partidas
dobradas é impossível; dada a grande quantidade de unidades monetárias
existentes durante a Idade Média, as partidas dobradas eram possíveis, mas
complicadas. Assim, os lançamentos de diário, também denominado Memorial
ou Livro Diário, eram bastante descritivos, incluindo detalhes tais sobre as
mercadorias, como seu peso, seu tamanho e suas dimensões, bem como seu
preço. As propostas recentes do Fasb a respeito da divulgação relativa a
instrumentos financeiros parecem indicar que os primeiros contadores
estavam 500 anos à frente de seu tempo!
Resumo
Resumindo, por volta de 1494, quando o livro de Pacioli surgiu, quase toda
a maquinária da escrituração contábil, como a conhecemos hoje, já existia.
Quando o Congresso determinou a criação da Securities and Exchange
Commission (SEC) em 1934, com a finalidade de regulamentar a
contabilidade, não estava criando um novo sistema de informações; ao
contrário, estava simplesmente procurando regulamentar um sistema que
havia florescido por conta própria por mais de cinco séculos. Visto que a
Mobile User
administração, com a ajuda dos contadores, havia presumivelmente criado
sistemas contábeis adequados sem a ajuda da intervenção governamental, é
perfeitamente cabível que se pergunte se essa intervenção é realmente
necessária. O debate dessa questão tem sido intenso e será analisado em
capítulos futuros. Por ora, basta apenas que conheçamos a antigüidade da
disciplina.
Origem das Palavras
Débitos, créditos, lançamentos de diário, razão, contas, balancetes,
balanços e demonstrações de resultado remontam à Renascença. A
contabilidade, portanto, pode reivindicar uma linhagem tão nobre quanto
muitas das profissões liberais. Os estudantes de contabilidade podem
orgulhar-se de sua herança. Parte da herança é representada por um
vocabulário rico, quase todo ele proveniente daquele período, e em sua maior
parte de origem fascinante. Dívidas, devedores, debêntures e débitos, por
exemplo, são palavras que resultam da base debere, ou dever, cuja contração
é dr, nos lançamentos de diário. Créditos vêm da mesma raiz da palavra
credo, ou seja, algo em que se acredita, como a profissão de fé cristã
enunciada no Credo dos Apóstolos. Também pode referir-se a pessoas nas
quais se acredita, como credores – depositamos nelas nossa confiança,
emprestando-lhes dinheiro. A origem latina é credere, cuja contração é cr, nos
lançamentos de diário.
Os primeiros impostos na Inglaterra representam outro exemplo. Eram
arrecadados sobre uma mesa coberta por um pano dividido em quadrados.
Fichas eram colocadas num quadrado indicando dinheiro devido; mercadorias
e dinheiro pagos eram colocados num quadrado adjacente, numa forma visual
primitiva de partidas dobradas. O pano, sendo xadrez, levou ao similar inglês
do Internal Revenue Service americano, denominado Exchequer. Mais tarde,
ao serem emitidos títulos públicos, eles se tornaram conhecidos como letras
do Exchequer, ou cheques, abreviadamente – escritos como checks nos
Estados Unidos!
VERIFICAÇÃO
1.
2.
Enumere as diferenças entre a contabilidade atual e a que era praticada
na Itália do século XIV.
Indique três mudanças importantes ocorridas na contabilidade desde os
tempos de Luca Pacioli.
ANTECEDENTES DA CONTABILIDADE
Mas por que a Itália? Por que o século XIV? O que é apresentado a seguir
conta uma história estranha e interessante de como a contabilidade
finalmente floresceu nessa época e nesse lugar. À medida que a história é
contada, torna-se rapidamente evidente que a contabilidade foi o produto de
muitas mãos e muitas terras. A história da contabilidade revela o quão
cosmopolitas foram nossos ancestrais. A história da contabilidade
rapidamente mostra que nossa cultura deriva quase inteiramente de outras
culturas. A história também serve para ressaltar o fato de que a humanidade
tem dado seus maiores passos intelectuais e sociais em períodos de paz e
tolerância.
Primeiras Civilizações
Muito antes de que a Europa emergisse de tendas e peles, economias
sofisticadas já existiam no Oriente Médio e no Extremo-Oriente. A dinastia
Shang, na China, remonta a 1600 a.C., ao passo que registros de uma cultura
sofisticada na Índia datam de 2300 a.C. As grandes pirâmides do Egito, a
primeira das quais foi construída 4 mil anos atrás, confirmam a antigüidade
dessa civilização. O conhecimento dessas civilizações antigas atingiu seu
ápice na Grécia clássica. Filósofos como Platão e Aristóteles, escritores como
Homero e Sófocles, e matemáticos como Euclides e Pitágoras ainda
influenciam nosso pensamento. Mais de dois milênios após a morte de
Hipócrates, os médicos continuam a prometer cumprir seu juramento.
Foi um dos discípulos de Aristóteles, Alexandre, o Grande, que criou o
maior império conhecido na Antigüidade – cuja extensão só foi menor do que
a do Império Britânico. Em 332 a.C., fundou a cidade de Alexandria, na qual
foi montada a mais extraordinária das bibliotecas do mundo antigo. Em 235
a.C., já continha mais de 500 mil manuscritos – literalmente um tesouro. Foi
ali, no início do século II, que Cláudio Ptolomeu, um dos maiores estudiosos
da história, desenvolveu suas teorias astrológicas. Escreveu um livro intitulado
Almagest, que condicionou o pensamento mundial em astronomia durante
séculos, e do qual decorrem os signos do zodíaco, tais como Aquário, Áries e
Peixes.7
Vários registros contábeis datam desses períodos. Por exemplo, os
agricultores egípcios nas margens do Nilo pagavam aos coletores de tributos
com cereais e linhaça pelo uso de água para irrigação. Recibos eram dados
aos agricultores desenhando-se figuras de recipientes de cereais nas paredes
de suas casas.8 Os arqueólogos crêem que as fichas de argila abundantes na
Mesopotâmia eram usadas, de maneira similar, para fins contábeis. Sistemas
contábeis sofisticados parecem ter existido na China já em 2000 a.C., e
referências intrigantes denotam uma familiaridade com o sistema de partidas
dobradas em Roma no início da era cristã. Há até controvérsias a respeito da
alegação, feita por alguns pesquisadores, de que os romanos conheciam o
conceito de depreciação.9
Apenas 100 anos após a conclusão da grande obra de Ptolomeu, uma
escassez de terras no norte e no centro da Europa fez com que milhares de
vândalos e godos atacassem o Império Romano. Roma foi saqueada em 410
d.C. e “vandalizada” em 455 d.C. Os hunos, sob a chefia de Átila, emergiram
da Rússia, forçando as tribos do norte da Europa ainda mais para oeste. Os
anglos e os saxões invadiram a Inglaterra, criando asbases da cultura
anglosaxônica. Na confusão resultante, o conhecimento dos gregos dissipou-
se. Por volta de 646 d.C., quando os árabes atingiram Alexandria, a grande
biblioteca ali existente tinha sido completamente destruída por mãos
desconhecidas. O que restava da civilização estava pendurado nos
penhascos da Irlanda. O mundo ocidental ingressava na escuridão.
Influência Árabe
Nesse momento, na distante Meca, uma pequena aldeia da atual Arábia
Saudita, nascia o profeta Maomé. Uma série de visões que se iniciaram em
610 levaram-no a escrever o Corão e a fundar o Islã. Menos de um século
após sua morte, seus seguidores haviam conquistado a maior parte do norte
da África e do Oriente Médio, e haviam penetrado na Europa, sendo freados
por Carlos Magno e seus predecessores imediatos. Em particular, a Espanha
fora tomada dos visigodos em 711 e a Sicília tornara-se uma província árabe.
Jerusalém foi capturada, e entre 685 e 705 o grande templo conhecido como
Cúpula da Rocha foi construído no local em que estivera o templo de
Salomão. Os muçulmanos haviam chegado até a Índia.
Em 765, os líderes islâmicos, representados pelo califado de Abbasid,
transferiram a capital do império do Islã à recém-fundada cidade de Bagdá, no
atual Iraque. Ali, num desses acidentes curiosos do destino que transformam
nossas vidas, o segundo califa, Al-Mansur, adoeceu. Os membros de sua
corte, em busca de cura, descobriram o mosteiro de Jundi Shapur, 200
quilômetros ao sul. O mosteiro era ocupado por seguidores de Nestorius, um
antigo patriarca de Constantinopla que fora banido pelo Concílio de Éfeso em
431, por prática de heresia. Os nestorianos haviam levado cópias de vários
manuscritos antigos em seu exílio, e com isso o conhecimento grego havia
sido preservado, praticamente por milagre.
O resultado foi o estabelecimento em Bagdá do maior centro do
conhecimento no primeiro milênio. Foi a essa instituição que os árabes
levaram da Índia uma das maiores descobertas da mente humana: o conceito
de zero. Alexandre, o Grande, havia conduzido seus exércitos até a Índia. Os
indianos eram tão fascinados pela astrologia quanto os gregos, e rapidamente
absorveram tudo o que o Ocidente tinha a ensinar-lhes, incluindo, mais tarde,
os ensinamentos de Ptolomeu. Nesse momento, passados alguns séculos
mais tarde, a Índia retribuía o favor ao Ocidente, proporcionando aos sábios
de Bagdá seus aperfeiçoamentos da obra de Ptolomeu. A combinação entre
os textos siriacos e indianos estimulou um estudioso judeu, Jacob ben Tarik, a
fundar uma escola de astrologia em Bagdá. Foi nessa escola que Musa Al-
Khwarizmi, o maior de todos os matemáticos árabes, e bibliotecário do califa
adoentado, escreveu sua obra Al-Jabr Wa’l Mugabala, da qual tiramos o termo
al-jabra, ou álgebra. A base de sua obra era a descoberta indiana do conceito
de zero e, juntamente com ele, a noção de valor de posição que havia
permitido aos estudiosos indianos o desenvolvimento do sistema numérico
que utilizamos atualmente. Dado seu uso corriqueiro, é difícil perceber quão
sofisticada é a noção de um número zero além de um nada vazio.* Também
esquecemos como era inconveniente a aritmética antes do desenvolvimento
do valor de posição.
Esse conhecimento não se limitou a Bagdá, mas espalhou-se pelo litoral
africano e chegou à Espanha, para onde o último dos califas Umayyad havia
fugido após a conquista do poder islâmico pelos Abbasids. O novo
conhecimento, como originava de tantas culturas, promoveu forte clima de
tolerância. Judeus como Samuel ibn Nagdela alcançaram altos postos nas
cortes dos califas.10 Árabes, judeus e cristãos trabalhavam harmoniosamente
nas universidades de Córdoba, Sevilha, Málaga e Granada, transformando-as
nos centros intelectuais da Europa. Entre os visitantes a Córdoba estava
Gilberto, Arcebispo de Ravena,* um dos primeiros a introduzir o sistema
numérico hindu-arábico na Europa. O estudioso inglês do século XII, Adelardo
de Bath, foi outro visitante da Córdoba, retornando à Inglaterra com uma cópia
de Euclides que orientou o ensino da matemática na Inglaterra por vários
séculos. Mas, a idade de ouro da Espanha moura não durou muito. Em 1085,
Toledo havia sucumbido aos exércitos cristãos. O grande filósofo judeu,
Maimônides, fugiu da Espanha para o Egito, onde se tornou médico de
Saladino, o vizir do Egito. Saladino foi o conquistador de Jerusalém, contra o
qual lutou Ricardo I da Inglaterra de Robin Hood. Em 1258, Bagdá foi tomada
pelos invasores mongóis chefiados por Kublai Khan.
Indivíduos e cidades foram perdidos, mas não o conhecimento. Houve
pessoas como Leonardo Fibonacci de Pisa (circa 1180-1250), que cresceu no
norte da África, onde, como criança, aprendeu tanto a língua quanto a
matemática dos árabes. Quando sua família retornou a Pisa, escreveu o Liber
Abacci, que muito contribuiu para popularizar o sistema numérico arábico na
Europa. A reação aos números nem sempre foi favorável, contudo. A Igreja
considerou seu uso como heresia, e em 1299 sua utilização foi banida em
Florença. A proibição não durou muito, porém. À época em que Pacioli
escreveu seu livro, já instruía seus leitores a usarem os números arábicos
exceto por títulos nos quais “... você escreverá primeiro no Razão o ano à
maneira antiga; ou seja, alfabeticamente do seguinte modo: MCCCCLXXXXIII
(...) e assim dirá: ‘usemos as letras antigas, pelo menos por uma questão de
beleza’.”11 Muitos de nós ainda fazem o mesmo atualmente. E cada vez que
preenchemos um cheque tanto em letras quanto em números arábicos,
estamos mantendo subconscientemente uma desconfiança milenar em
relação aos novos números.
Progressos Tecnológicos e Mudanças Socioeconômicas
O Oriente proporcionou mais do que o conhecimento contido nos livros. Na
batalha de Samarkand em 751, os exércitos árabes capturaram uma fábrica
de papel dos chineses. Em pouco tempo, Xativa, uma cidade ao sul de
Valência, transformouse no centro de produção de papel da Europa. A
pólvora, inventada pelos chineses no século IX, foi aproveitada pelos mongóis
para fins bélicos, e logo chegou à Europa. Em 1180, Alexander Neckham,
meio-irmão do Rei Ricardo, e Abade de Cirencester, descreveu uma bússola
utilizada na China. Menos de um século mais tarde, Alfonso, o Sábio, rei
espanhol de Leão e Castela, tornava seu uso obrigatório na navegação.
O maior progresso, porém, foi a invenção de uma vela triangular, a
chamada vela latina, que por volta de 1250 havia superado a vela quadrada
dos romanos. A vela quadrada era ideal quando o vento era de popa, mas
relativamente inútil se assim não o fosse. A vela latina possibilitava navegar
contra o vento. Antes de sua invenção, o comércio limitavase à navegação
numa direção em uma época do ano, navegando-se na direção oposta em
outra época; a vela latina permitiu viajar em qualquer época do ano. Essa
vela, juntamente com o leme na popa, provavelmente transmitido pelos
árabes a partir dos chineses, permitiu a invenção da caravela portuguesa – a
embarcação que levou Bartolomeu Dias ao Cabo da Boa Esperança, em 1488
e foi a predecessora do galeão que transportou Colombo à América. A
Ilustração 2.2 mostra a vela latina e o leme na popa claramente. As “dhows”,
sobreviventes modernas desses navios, ainda navegam as águas árabes.12
Os navios proporcionaram os meios de transporte, mas a necessidade
imediata de tal tipo de transporte resultou da tomada de Jerusalém pelos
turcos em 1079. Essa tomada fez com que o Papa Urbano II, apenas 16 anos
mais tarde, declarasse uma guerra santa conhecida por nós como Primeira
Cruzada. Do final do século XI ao final do século XIII, cruzadas sucessivas
impulsionaram o desenvolvimento do comércio, principalmente entre as
cidades italianas e o Oriente. Os cruzados precisavam de navios e
suprimentos, e traziam do Oriente produtos que ajudaram a estimular sua
demanda. Sedas, especiarias e corantes fluíram à Europa; sal, madeira,
cereais e lã eram dela exportados. Mercadores baseados em portos como
Gênova, Amalfi e Veneza enriqueceram com esse comércio.
À medida queo comércio se expandia e a riqueza era acumulada, a
negociação individual ia sendo substituída pelo comércio por meio de
representantes e associações. O uso de sociedades permitia que os riscos da
navegação marítima de longo curso fossem compartilhados e que a riqueza
do capitalista fosse combinada à audácia dos jovens mercadores.
Na sociedade silenciosa, denominada commenda, o capital fornecido pelo
sócio inativo (o commendator) era como um empréstimo ao sócio ativo
(tractator), um esquema que evitava o pagamento de juros, uma prática
censurada pela Igreja nessa época. A sociedade, portanto, foi importante no
desenvolvimento da contabilidade porque levou ao reconhecimento da firma
como entidade separada e distinta das pessoas de seus proprietários. A
relação de representação foi importante porque exigiu a prestação de contas.
Também foi importante no desenvolvimento posterior da sociedade por ações,
pois a responsabilidade do commendator era tipicamente limitada ao
montante investido.
ILUSTRAÇÃO 2.2 Uma caravela portuguesa.13
Um efeito colateral trágico do aumento do comércio foi a facilidade com a
qual as doenças podiam viajar pelo mundo conhecido. Os marinheiros que
retornavam a Marselha de Caffa no Mar Negro, em 1347, trouxeram consigo
uma infecção bacteriológica conhecida como pasteurella pestis, ou peste
bubônica, uma epidemia que afligiria a Europa e ficou conhecida como Peste
Negra. Dentro de um prazo incrivelmente curto, a doença havia-se espalhado
por toda a Europa. Antes de desaparecer, um terço da população da Europa
havia sido eliminado. O que era um desastre de proporções devastadoras
para alguns foi um momento de grande oportunidade para outros. Fazendas,
lares e negócios foram abandonados pelos que morriam. Fortunas foram
deixadas aos felizes sobreviventes. A escassez de mão-de-obra fez com que
os salários subissem. O sistema feudal começou a declinar à medida que os
camponeses deixavam os campos em busca de salários mais altos. Uma
economia monetária começou a tomar o lugar das velhas obrigações de
classe. A propriedade privada começou a suplantar a posse conjunta da Idade
Média. Em síntese, estavam sendo lançadas as bases de nossa sociedade.
Um dos efeitos secundários curiosos da peste foi um substancial aumento
do custo de produção de manuscritos por força da morte de tantos indivíduos
literatos. Como costuma acontecer, a necessidade promoveu a invenção,
pois, no início do século XV, Johannes Gensfleisch, mais conhecido por seu
nome materno, Gutenberg, revolucionou o mundo com a invenção do tipo
móvel. Em 1457, o primeiro livro, um livro de salmos, foi publicado em Mainz
pelo exsócio de Gutenberg, Johann Fust. Trinta e sete anos mais tarde, o
primeiro livro de contabilidade foi publicado. Veneza havia-se transformado
então no centro mundial da imprensa. O líder era Aldus Manutius, que até sua
morte em 1515 havia traduzido todo autor grego conhecido, para que nunca
mais a destruição de uma biblioteca significasse o fim do conhecimento
humano. E foi assim que em Veneza Pacioli encontrou um editor para seu
texto.
Resumo dos Antecedentes
Essse, portanto, foi o mundo no qual a contabilidade nasceu. Como foi
observado por Littleton, era um mundo no qual vários eventos, por ele
chamados de antecedentes, haviam convergido.14 Um conjunto de
antecedentes foi a capacidade de expressão: a arte da escrita, o
desenvolvimento da aritmética, e o uso generalizado da moeda como
denominador comum. Outro conjunto foi de natureza institucional e incluía o
conceito de propriedade privada, o desenvolvimento do crédito e a
acumulação de capital. Entre esses antecedentes, o empreendimento
conjunto e a empresa em sociedade, como instituições para facilitar a
acumulação e o uso de capital, talvez tenham sido as influências mais fortes
quanto à criação da necessidade do conceito de entidade contábil e do
cálculo de lucros. A Itália do século XIV foi o país afortunado no qual esses
eventos convergiram. Foi o destinatário da sabedoria acumulada por gerações
de estudiosos da Mesopotâmia, do Egito, da Índia e do Oriente Médio.
Mudanças políticas e doenças haviam destruído a antiga ordem social e
1.
2.
lançado as bases de uma nova ordem. A contabilidade moderna, portanto, é
tanto um produto do renascimento da Europa, a chamada Renascença,
quanto a arte de Michelangelo, Da Vinci e Ticiano.
Débitos e Créditos
Mas, por que especificamente a escrituração por partidas dobradas? O
conceito de dualidade freqüentemente utilizado para justificar as partidas
dobradas apenas exige que sejam reconhecidos dois lados de cada
transação. Isto poderia ser com igual facilidade feito numa única coluna,
usando sinais positivos e negativos, quanto em duas colunas com débitos e
créditos. Por exemplo, ao se usar caixa para adquirir estoque, por que não
simplesmente colocar um número positivo na coluna estoque e um número
negativo na coluna caixa numa planilha? Por que falar de debitar uma conta e
creditar a outra? Por que toda essa maquinaria complexa? O fato curioso é o
de que, embora os inventores da contabilidade dispusessem de conceitos tais
como moeda, capital próprio e despesas, não dispunham de números
negativos! Havia a noção de números negativos, mas, ainda em 1544,
matemáticos como o alemão Michael Stifel os consideravam absurdos e
fictícios. Na verdade, não foram utilizados em matemática antes do século
XVII.15 As contas sob a forma de T foram desenvolvidas, portanto, para indicar
aumentos de um lado e reduções de outro. O saldo era obtido por uma
técnica de “subtração por oposição”, ou, como dizia Pacioli, verificando-se “se
o crédito foi superado por seu débito”.16 Em outras palavras, toda a
maquinaria de débitos e créditos é uma solução engenhosa para um problema
inexistente!
VERIFICAÇÃO
Apresente os três antecedentes mencionados por Littleton para a
introdução das partidas dobradas, pela ordem decrescente de
importância que você acha que possuem.
Enumere três contribuições de culturas não européias à Europa, que
possibilitaram a invenção das partidas dobradas.
3. Compare os progressos tecnológicos à época da Renascença com os
deste século.
A ERA DA ESTAGNAÇÃO
A partir do final do século XV, as cidades italianas começaram a decair
tanto politicamente quanto como centros de comércio. Com o descobrimento
do Novo Mundo e a abertura de novas rotas de comércio, os centros
comerciais deslocaram-se para Espanha e Portugal, e posteriormente para
Antuérpia e aos Países Baixos. Era natural, portanto, que o sistema italiano
de partidas dobradas se espalhasse a esses outros países. Escritores como o
matemático holandês, Simon Stevin, popularizaram as idéias de Pacioli em
seu livro Vorstelicke Boukhouding, publicado em Leyden, em 1607, e mais
tarde traduzido para o francês. Poucas mudanças foram feitas nas técnicas de
escrituração; entretanto, essas obras começaram a indicar modificações. De
acordo com Peragallo, no período de 1458 a 1558,
os autores preocupavam-se com a apresentação do mecanismo de
escrituração desenvolvido nos negócios. Ninguém se interessou em
desenvolver uma teoria das partidas dobradas e ninguém foi além das
necessidades de escrituração da empresa mercantil. No segundo ciclo, de
1559 a 1795, surgiu um novo elemento – a crítica da escrituração. Esse
também foi o período no qual as partidas dobradas estenderam sua
aplicação a outros tipos de organizações, tais como mosteiros e o estado.
Com a crítica e a ampliação da esfera da escrituração, teve início a
pesquisa teórica sobre o assunto.17
O historiador Raymond de Roover considerou o período de 1494 a 1800
uma fase de estagnação da contabilidade.18 Essa caracterização é um pouco
injusta, porque esse período se iniciou como uma era de descobrimento e
encerrou-se como uma era de revolução. O mundo foi transformado, e isso
condicionou a contabilidade.
A Era do Descobrimento
A Era do Descobrimento foi provocada pelo poder das cidades-estado
italianas, que impediam a participação do restante da Europa no comércio do
Mediterrâneo. Os portuguesesapontaram o caminho navegando ao longo da
costa da África em suas frágeis caravelas. Em 1492, apenas dois anos antes
do aparecimento do livro de Pacioli, Cristóvão Colombo navegou para oeste
num galeão espanhol, o sucessor das caravelas. É bom notar que Colombo
havia nascido em Gênova, a localização dos mais antigos registros contábeis
conhecidos. E, menos surpreendentemente ainda, ele foi acompanhado em
sua viagem por um auditor nomeado pela corte espanhola para “fiscalizar as
tapeações de Colombo quando começasse a calcular o custo do ouro e das
especiariais que acumulasse”.19 Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, John
Cabot e muitos outros seguiriam Dias e Colombo na exploração do mundo.
Empresas de Capital Conjunto. As necessidades financeiras das viagens
desses grandes exploradores levaram ao desenvolvimento da empresa de
capital conjunto, que teria uma importância muito grande para a contabilidade.
Essas empresas podiam ser vistas como extensões das commendas italianas
e predecessoras das modernas sociedades por ações. Os indivíduos reuniam-
se para financiar um empreendimento, cada um recebendo direitos de
participação proporcionais a seus investimentos. No final do empreendimento,
os investidores eram reembolsados pelo total dos resultados, daí o termo
participação de liquidação.
Uma das primeiras empresas de capital conjunto a serem formadas foi a
Companhia das Índias Orientais na Inglaterra em 1600.* Um dilema imediato
era o de que geralmente não havia dinheiro suficiente, ao final de uma
viagem, para entregar aos investidores, que recebiam participações na
viagem seguinte, em lugar de dinheiro: o antecessor do dividendo em ações.
Ao se sobreporem participações de liquidação a participações de liquidação,
tornava-se necessária alguma contabilidade extremamente complexa. Propôs-
se então que fossem feitos investimentos em participações para diversas
viagens. Isto era igualmente insatisfatório do ponto de vista contábil. Em 19-
10-1657, um novo acordo foi firmado, permitindo que participações
permanentes fossem autorizadas, representando um investimento conjunto
em todas as viagens por um prazo futuro indefinido. Um dos efeitos da
substituição de participações de liquidação por participações permanentes foi
a prática crescente de cálculo de lucros e perdas ao final de cada ano, em vez
de ao final de cada empreendimento. Em 1673, o Código Comercial francês
exigia que todas as empresas fizessem um balanço pelo menos a cada dois
anos.20 Com a possibilidade de transferência, estabelecia-se o mundo do
investidor, o principal usuário da prática moderna de divulgação financeira.21
A Bolha dos Mares do Sul. As companhias de capital conjunto teriam um fim
espetacular. Havia poucas oportunidades de investimento no início do século
XVIII. As que existiam atraíam multidões de investidores, que corriam a
participar de novas emissões de direitos de participação, o que fazia com que
seus preços dobrassem ou até triplicassem. O caso mais conhecido foi da
Companhia dos Mares do Sul, supostamente constituída para tirar proveito do
tráfico de escravos entre a África e a América do Sul. Dizemos
“supostamente” porque jamais foram publicados prospectos ou
demonstrativos financeiros. Inevitavelmente, os castelos de papel que haviam
sido erigidos desmoronaram, custando milhares de libras em perdas à família
real britânica e muitos outros nobres ricos, o que equivaleria hoje a muitos
milhões.** Em conseqüência disso, certificados de participação foram banidos
da Grã-Bretanha por mais de um século.
A Revolução Industrial
A Era da Estagnação acabou com o segundo avanço muito importante
para a contabilidade neste período: o advento da Revolução Industrial. É difícil
indicar uma data exata na qual essa revolução começou, ou apontar suas
causas exatas. Sua origem talvez tenha sido um período de bom tempo na
Inglaterra, que permitiu a ocorrência de uma série de boas colheitas, fazendo
com que os preços dos alimentos caíssem, e com isso a sociedade
desfrutasse de melhor nutrição e saúde. Ao mesmo tempo, o reconhecimento
dos fundamentos de higiene pessoal fez com que declinasse a incidência da
peste, após quatro séculos de morte. Com isso, elevaram-se a população e a
demanda de alimentos. A manufatura desenvolveu-se para atender a
demanda e invenções começaram a transformar o local de trabalho.*** Para
atender a demanda crescente e sustentar a população cada vez maior,
fazendas e fábricas maiores (originalmente denominadas “manufaturas”),
exigindo mais equipamento, tornaram-se comuns. Mais capital era necessário
e os bancos foram surgindo para fornecê-lo. Em 1800, havia 80 bancos
somente em Londres, e quase 400 em todo o país. Em 1773, foi criada a
Bolsa de Valores de Londres, seguindo-se a de New York logo depois, em
1792.*
O século XIX e o início do século XX presenciaram uma expansão enorme
da indústria, particularmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. Para citar
apenas um exemplo, a produção anual de aço nos Estados Unidos aumentou
de aproximadamente 20 mil toneladas, em 1867, para cerca de 24 milhões de
toneladas em 1914, e aproximadamente 56 milhões em 1929. As invenções
mecânicas do século XVIII foram aperfeiçoadas e colocadas em uso
generalizado no século XIX. O tear motorizado de Cartwright, por exemplo, foi
patenteado em 1787, mas não foi inteiramente bem-sucedido em suas
aplicações práticas senão 30 anos mais tarde. O comércio também se
expandiu, em parte como resultado das doutrinas da Riqueza das nações de
Adam Smith, publicada em 1776, um livro que ajudou a estabelecer um
comércio mais livre e conduziu ao tratado de comércio entre a França e a
Grã-Bretanha em 1786.
Efeitos sobre a Contabilidade. Os efeitos sobre a contabilidade foram tanto
diretos quanto indiretos. Por exemplo, o advento do sistema fabril e da
produção em massa resultou na transformação de ativos fixos em custo
significativo do processo de produção e distribuição, tornando o conceito de
depreciação mais importante. À medida que aumentava a necessidade de
informação gerencial sobre os custos de produção e os custos a serem
atribuídos à avaliação de estoques, o mesmo acontecia com a necessidade
de sistemas de contabilidade de custos. A exigência de grandes volumes de
capital, demandando a separação entre investidor e administrador, significou
que um dos principais objetivos da contabilidade passou a ser a elaboração
de relatórios a proprietários ausentes. As informações financeiras, que tinham
sido geradas principalmente para fins de gestão, passaram a ser demandadas
cada vez mais por acionistas, investidores, credores e pelo governo. Portanto,
o lucro como retorno aos investidores precisava ser distinguido de um retorno
do capital aos proprietários. As grandes exigências de capital também
conduziram à criação da sociedade por ações e, com o tempo, a auditorias
obrigatórias.
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6.
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3.
4.
Resumo
Assim, ao final do século XIX várias mudanças haviam feito com que o
sistema contábil estabelecido por Pacioli assumisse uma forma mais
adequada às necessidades das grandes sociedades anônimas industriais que
caracterizam nosso mundo.
Formas iniciais de empresa haviam sido inventadas, distinguindo-se
de seus proprietários.
Tinham sido criados direitos de participação nessas empresas.
Era conhecida a distinção entre capital e lucro.
O conceito de empresa em funcionamento havia sido lançado.
Havia bolsas de valores em atividade.
A indústria e o comércio estavam crescendo.
VERIFICAÇÃO
O que foi a Era da Estagnação e o que a encerrou?
Que efeitos exerceu a Era dos Descobrimentos sobre a contabilidade?
Enumere três efeitos da Revolução Industrial sobre o desenvolvimento da
contabilidade.
Qual é a diferença entre participação de liquidação e participação
permanente?
SURGIMENTO DA PROFISSÃO
Como o advento da Revolução Industrial, começaram a surgir
especialistas em contabilidade. O caminho foi aberto em Edinburgo, cujo
anuário municipal de 1773 indicava a existência de sete contadores. No início
do século XIX, aindahavia menos de 50 contadores públicos registrados nas
listas das principais cidades da Inglaterra e da Escócia. Esses números
cresceriam rapidamente em conseqüência da aprovação da Lei das
Companhias em 1844, que passou a exigir balanços aprovados por auditores.
Uma lei semelhante, em 1862, alcunhada de “amiga do contador”, exigiu o
uso de contadores em caso de falência, representando a maior parte do
trabalho inicial dos contadores. Esta lei fez com que o Juiz Quain protestasse,
em 1875, que “todo o trabalho de falência foi entregue a um conjunto de
homens ignorantes, chamados contadores, um dos maiores abusos jamais
introduzidos por lei”.22 Formou-se uma Sociedade de Contadores em
Edinburgo em 1854, com base numa autorização real que lhes permitia
apresentarem-se como “contadores autorizados”. Outras sociedades locais se
seguiram rapidamente até que, em 1880, o Instituto de Contadores
Registrados da Inglaterra e do País de Gales foi aprovado pela Rainha
Vitória.**
American Institute of CPAs
A industrialização dos Estados Unidos foi acompanhada por enorme afluxo
de capital estrangeiro, e particularmente da Grã-Bretanha, a maior potência
econômica da época. Era natural, portanto, que contadores autorizados
britânicos acabassem indo para os Estados Unidos como auditores. Tanto a
Price Waterhouse & Co. quanto a KPMG Peat Marwick podem atribuir suas
raízes à Grã Bretanha. A Haskins and Sells (atualmente, parte da Deloitte &
Touche) é uma das mais antigas empresas americanas, tendo sido fundada
por Charles Waldo Haskins e Elijah Watt Sells em 1895. Em 1887, os
profissionais americanos, embora pouco numerosos, tinham-se sentido
suficientemente confiantes para formar a Associação Americana de
Contadores Públicos (American Association of Public Accountants – AAPA),
predecessora do atual Instituto Americano de Contadores Públicos
Registrados (American Institute of Certified Public Accountants), tendo o
Journal of Accountancy como seu órgão oficial. Entretanto, passariam 50 anos
até que a profissão assumisse a liderança na fixação de políticas de
divulgação financeira, e 100 anos até que pudesse ter os 290 mil membros
que possui hoje – certamente muito mais do que seus 10 fundadores.
A AAPA não era a única associação de contadores nos Estados Unidos.
Associações estaduais independentes haviam surgido por todo o país. O
primeiro reconhecimento legal de seus membros ocorreu no Estado de New
York em 1896, o que permitiu aos indivíduos denominarem-se contadores
públicos registrados (Certified Public Accountants – CPAs), quando
obtivessem um certificado dos diretores da universidade estadual. Outros
estados aprovaram leis semelhantes na década seguinte. Em conseqüência,
era possível ser CPA sem ser membro da AAPA. De maneira idêntica, era
possível ser membro da AAPA sem ser um CPA. A solução desse conflito não
era fácil, pois o reconhecimento legal dos contadores era visto como uma
questão de direitos dos estados. Além disso, muitos temiam o domínio da
associação do Estado de New York. Levando em conta esse debate, a AAPA
reorganizou-se em 1917 como American Institute of Accountants (AIA),
estabelecendo requisitos educacionais mais estritos para admissão;
entretanto, a posse de um certificado de CPA ainda não era obrigatória.
Quatro anos mais tarde, uma dissidência formou a Sociedade Americana de
Contadores Públicos Registrados (American Society of Certified Public
Accountants), sendo o único critério para admissão a posse de um certificado
emitido por um estado. Por 15 anos, enquanto ocorriam os eventos mais
importantes da história da regulamentação da contabilidade, essas duas
organizações lutaram pela representação dos contadores americanos.
Eventualmente, em 1936, as organizações fundiram-se, mantendo o nome de
Instituto, mas adicionando a suas exigências a posse de um “certificado válido
e não revogado de contador público registrado”. Foi somente em 1957 que o
AIA acrescentou a palavra registrados e transformou-se no American Institute
of Certified Public Accountants (AICPA). A longa e árdua batalha de muitos
por exigências educacionais apropriadas para a prática por contadores
públicos registrados apresenta interesse adicional, nos dias que correm,
porque os contadores de muitos estados pretendem implantar uma regra de
150 horas.
A contabilidade pública não foi a única área da contabilidade a organizar-
se: outras, nos Estados Unidos, incluíram a Associação Nacional de
Contadores de Custos (National Association of Cost Accountants), mais tarde
transformada em National Association of Accountants (NAA); a Associação
Americana de Instrutores Universitários (American Association of University
Instructors), mais tarde American Association of Accountants (AAA); e o
Instituto de Controladores da América (Controllers Institute of America), mais
tarde Financial Executives Institute (FEI). Duas organizações internacionais, o
Comitê Internacional de Padrões Contábeis (International Accounting
Standards Committee – IASC) e o Comitê Internacional de Coordenação da
Profissão Contábil (International Co-ordination Committee for the Accountancy
Profession – ICCAP) foram criadas numa tentativa de chegar a certa
uniformidade na contabilidade de empresas multinacionais e outras firmas que
possuem acionistas ou outros tipos de investidores em mais de um país.
National Association of Accountants
A NAA foi criada em 1919 para representar os interesses de contadores
gerenciais. Seu secretário por muitos anos, Dr. Stuart C. Macleod, insistia que
a NAA devia ser principalmente um instrumento educacional, o que é até hoje.
Em 1972, fundou o Institute of Management Accounting, gere, ou administra,
ou supervisiona o ensino preparatório para os exames que levamao
Certificado de Contador Gerencial (Certificate of Management Accounting –
CMA). Ainda menos conhecido do que o certificado de CPA, está lentamente
adquirindo uma boa reputação como alternativa para os que não se dirigem
para a contabilidade pública. Desde seu início, a associação também tem
patrocinado uma série de pesquisas na área de contabilidade de custos,
proporcionando aos administradores uma base para a escolha da melhor
prática para suas empresas. A associação também publica uma revista
mensal, Management Accounting.
American Accounting Association
A American Association of University Instructors in Accounting foi criada
em 1916, mudando seu nome para American Association of Accountants
(AAA) em 1935. Desde o início, essa organização procurou estimular e
patrocinar a pesquisa e o desenvolvimento de princípios e padrões de
contabilidade, buscando sua aceitação pela prática. O enfoque geral do
comitê executivo foi o de recomendar princípios básicos e amplos nos quais
se poderiam apoiar as demonstrações financeiras das empresas. Seu objetivo
era o de ver demonstrações financeiras que fossem suficientemente
uniformes e compreensíveis para justificar pareceres a respeito da situação
financeira e do desempenho de uma empresa. Esse enfoque geral foi adotado
principalmente em função dos recursos limitados da associação e da
1.
2.
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6.
7.
8.
orientação teórica de seus membros. Apóia duas publicações principais, a
mais antiga das quais é The Accounting Review; a mais nova é Accounting
Horizons. Além disso, tem patrocinado numerosas pesquisas, revistas
representativas de interesses específicos de seus membros, e publicado uma
série de monografias. Muitos desses estudos são citados ao longo deste livro.
VERIFICAÇÃO
Esta seção apresentou uma série de organizações que atuam no
desenvolvimento da contabilidade. Escreva cada uma das abreviaturas por
extenso e descreva sucintamente a natureza da organização correspondente.
AAPA
AAA
AIA
FEI
NAA
IASC
AICPA
ICCAP
O FUTURO DA CONTABILIDADE
Nos 500 anos desde que Pacioli escreveu seu livro, a contabilidade
propriamente dita tem permanecido virtualmente constante. Pacioli se sentiria
muito confortável com os sistemas contábeis que encontramos hoje. Sem
dúvida, vários instrumentos financeiros o surpreenderiam,mas, uma vez que
lhe fosse explicado que simplesmente representam novas formas de crédito a
serem lançados no lado direito do balanço, ele não teria dificuldade alguma.
Enquanto isso, porém, o mundo sofreu uma revolução informacional que
deveria ter afetado a contabilidade de maneira dramática. Entretanto, tal como
aconteceu na Revolução Industrial, tem havido uma defasagem entre as
invenções e as aplicações. Os autores de livros-textos ainda explicam como
os débitos ficam à esquerda e o créditos à direita, e ensinam aos alunos a
técnica de subtração por oposição que se tornou obsoleta em aritmética três
séculos atrás. A partir daí, os programadores procuram refletir fielmente essas
idéias medievais nas telas dos computadores modernos. A contabilidade
ainda está para tirar proveito das novas invenções que prometem revolucionar
a divulgação financeira como hoje a conhecemos.
Em lugar de razonetes, haverá bases de dados das quais os dados
financeiros serão apenas uma parte. Os administradores terão acesso
imediato a essas bases de dados usando rotinas de busca apoiadas por
sistemas especialistas. Uma versão simplificada dessas bases de dados será
transmitida por linha telefônica aos usuários para transferência a seus discos
compactos, que conterão algum pacote genérico de análise, incluindo menus
que lhes permitam produzir o tipo de demonstração financeira que desejam.
As empresas não precisarão escolher um método de reconhecimento de
receita, por exemplo, mas serão capazes de oferecer uma variedade de
métodos aos acionistas para suas análises. Gráficos dinâmicos de todos os
tipos estarão disponíveis, permitindo aos usuários que acompanhem
visualmente o crescimento da empresa numa tela. Haverá inclusão de
hipertexto para que os usuários possam buscar o nível de informação básica
apropriado para a análise que desejam fazer. Terá havido uma verdadeira
revolução na contabilidade quando toda essa informação for acessível aos
investidores. Tudo o que é necessário para transformá-la em realidade é
aplicar a tecnologia disponível.
CONCLUSÃO
À medida que a história da contabilidade ia sendo apresentada neste
capítulo, várias coisas devem ter ficado evidentes. Em primeiro lugar, a
contabilidade não é uma novidade no mundo dos negócios. Há registros que
datam de milhares de anos. Em segundo lugar, contabilidade não é o mesmo
que contabilidade pública. Praticamente, todo seu desenvolvimento inicial
esteve relacionado às necessidades de informação de administradores, e não
investidores. Em terceiro lugar, a contabilidade não é uma criação de homens
brancos, anglo-saxões e protestantes. Seu desenvolvimento dependeu, de
maneira crucial, de eventos ocorridos na África, na Índia, no Iraque, no Irã e
em outros lugares. A contabilidade é, sem dúvida, um produto do mundo
inteiro. Em quarto lugar, a contabilidade é o produto de uma colaboração
intelectual extraordinária entre judeus, cristãos e muçulmanos; é um
empreendimento verdadeiramente multicultural. Em quinto lugar, o
desenvolvimento da contabilidade foi estimulado por avanços tecnológicos
pelo menos tão dramáticos quanto os que observamos em nossos tempos.
O período coberto neste capítulo, desde os primórdios da contabilidade até
o final do século XIX, é particularmente fascinante para o teórico moderno da
contabilidade, pois é o período no qual a contabilidade não era
regulamentada. Com isso, portanto, é possível ter uma idéia do que seria a
contabilidade na ausência de regulamentação governamental.
Seus termos e técnicas funcionam como símbolos vivos de que somos
filhos de nossos ancestrais, que somos um único mundo e que os períodos
intelectualmente mais ricos sempre foram os períodos nos quais as culturas
compartilharam suas heranças, como na Espanha Mourisca. Os períodos
intelectualmente mais pobres têm sido aqueles nos quais ditadores têm
procurado cercear a curiosidade natural da humanidade.
RESUMO
Este capítulo conta a história da contabilidade desde seus primórdios ao
final do século XIX. Existem registros de transações financeiras de quatro mil
anos atrás, mas foi apenas na Itália do século XIV que surgiu o sistema de
partidas dobradas que utilizamos atualmente. O capítulo explicou por que a
contabilidade moderna nasceu na Itália. Esse fato foi atribuído a uma série de
avanços da matemática, levados da Índia à Europa pelos Árabes, a uma
variedade de progressos tecnológicos ocorridos em grande parte na China e
ao desmantelamento do sistema feudal na Europa por força de guerras e
doenças.
Nos séculos que se passaram desde sua invenção, a tecnologia básica da
contabilidade tem mudado muito pouco, embora vários aspectos, como a
divulgação de dados financeiros, tenham se transformado. Por exemplo, à
medida que empreendimentos comerciais foram dando lugar a companhias
permanentes, e mais capital era exigido para empreendimentos industriais, as
contas de capital dos proprietários e as demonstrações de lucro adquiriram
maior importância e a contabilidade começou a produzir relatórios periódicos
aos proprietários. Poucas empresas abertas existiam antes do século XIX,
quando a formação de sociedades por ações passou a ser possível. Os
britânicos condicionaram o registro de sociedades por ações a uma auditoria
anual obrigatória, mas tal exigência não foi feita nos Estados Unidos. A
auditoria britânica conduziu ao surgimento da profissão de contador nesse
país. Os contadores ingleses e escoceses vieram aos Estados Unidos
examinar companhias nas quais os britânicos tinham investido, o que
impulsionou o surgimento da profissão de contador nesse país.
Todos esses avanços ocorreram num ambiente basicamente liberal. Esse
período teve um final abrupto em 1929, com a crise do mercado de ações e a
depressão subseqüente. O próximo capítulo relata o papel que os contadores,
e particularmente os contadores públicos, têm desempenhado no
desenvolvimento da contabilidade no século XX. Outro capítulo trata
especificamente da história e dos mecanismos de regulamentação surgidos
nos Estados Unidos para controlar a divulgação de dados financeiros.
QUESTÕES
1. Em vista do que foi exposto neste capítulo, discuta em que sentido
poderíamos falar de uma civilização “ocidental”.
2. Construa uma escala de tempo, com duas colunas, enumerando os
principais eventos da história mundial numa coluna, e os avanços da
contabilidade na outra. Procure projetar sua escala para o futuro.
3. Como projeto de grupo, levando em conta os interesses específicos dos
membros do grupo, elabore escalas de tempo para arte, música, ciência,
matemática e medicina, e compare-as a uma escala de tempo dos principais
avanços da contabilidade.
4. Muitas propriedades feudais eram dirigidas por mulheres enquanto seus
maridos lutavam em suas guerras intermináveis. Analise a literatura feminista
em busca de evidência de contribuições das mulheres ao desenvolvimento
inicial da contabilidade.
5. Compare e contraste a contabilidade usada para os empreendimentos
mercantis medievais à empregada para contratos modernos de consultoria ou
construção. Em que sentido essa contabilidade de projetos simplifica a
divulgação de dados financeiros?
6. É possível a escrituração por partidas dobradas num país comunista
como a China? Por quê?
7. Eugene H. Flegm, controlador-assistente na General Motors
Corporation, critica bastante o atual predomínio dos contadores públicos.
Recorda aos leitores que a contabilidade “desenvolveu-se essencialmente
como contabilidade gerencial”. Tratase de uma “arte antiga, que surgiu de
uma necessidade básica de um sistema disciplinado de escrituração e análise
de transações, e não como decorrência da busca de riqueza e valor intrínseco
proposta por economistas. É importante lembrar essa gênese”.
Pergunta-se:
Você concorda com a interpretação da história pelo Sr. Flegm? Discuta por
que os contadores gerenciais poderiam considerar a história tão importante
assim.
8. A. C. Littleton escreveu: “Podemos observar agora como a contabilidade
é diferente das práticas de escrituraçãodo século XV, quão amplo é o seu
campo, atualmente, quão refinados são suas definições e seus conceitos.
Mas, raramente se percebe que acrescentamos pouco à estrutura, além de
um corpo teórico; excetuando-se as técnicas de auditoria, e de determinação
de custos e elaboração de orçamentos, relativamente pouco têm contribuído
os modernos do ponto de vista prático. E tudo isto – o melhor e o máximo que
pode ser mostrado – não se compara, como contribuição efetiva, aos
primeiros passos dados tanto tempo atrás.”
Pede-se:
Discuta as mudanças que você considera terem ocorrido na contabilidade
desde “os primeiros passos dados tanto tempo atrás”.
9. Ao escreverem este capítulo, os autores selecionaram determinados
eventos que julgaram ser importantes para contar a história da contabilidade.
Um dos motivos dessa seleção foi a limitação de espaço. Outro motivo foi o
aparente significado desses eventos para o entendimento de material que
será apresentado mais adiante neste livro. A contabilidade é freqüentemente
comparada à história.
Pergunta-se:
Os contadores selecionam eventos específicos? Se achar que sim, então
indique de que maneira selecionam esses eventos. Selecionam tais eventos à
luz do que esperam que seja o restante da história financeira da empresa?
10. A. C. Littleton apresenta a seguinte conta, extraída de um livro-texto
escrito por Gotlieb em 1546.
1545 1545
Encerrando-se esta conta, é o seguinte o que
está disponível em 17 de julho:
Encerrando-se esta conta, é o seguinte o que
devo pagar em 17 de julho:
a dinheiro 2.229,10,3 meu capital 2.000, 0,0
a dívidas 20, 0,0 outros credores 44,16,0
a mercadorias 16, 0,0 
 Em conjunto, 2.044,16,0
 Subtraídos do lado esquerdo
dão o lucro
220,14,3
No total, esta riqueza vale 2.265,10,3 Juntamente com o lucro
mencionado, tem-se
2.265,10,3
Pede-se:
Converta esses dados num balanço moderno. Em que sentido a versão de
Gotlieb difere da sua? Em que aspectos é semelhante? Há muitas vantagens
ou desvantagens na apresentação de Gotlieb, em comparação com a sua?
LEITURAS ADICIONAIS SELECIONADAS
A literatura sobre a história da contabilidade é volumosa. As referências
apresentadas a seguir, juntamente com aquelas fornecidas no texto,
oferecerão ao leitor um ponto de partida nessa literatura, na melhor das
hipóteses. Recomendamos, em especial, Accounting Historians Journal como
fonte de material adicional.
História dos Primórdios da Contabilidade
1.
AMERICAN ACCOUNTING ASSOCIATION. Report of the committee on accounting history.
Suplemento,The Accounting Review, p. 53-64, 1970.
CHATFIELD, Michael. A history of accounting thought. Edição revista. New York : Robert E.
Krieger, 1977.
De ROOVER, Raymond. New perspectives on the history of accounting. The Accounting
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FRISHKOFF, Paul. Capitalism and the development of bookkeeping: a reconsideration. The
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KEISTER, Orville. Commercial record-keeping in ancient Mesopotamia. The Accounting
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LEE, Geoffrey Alan. The development of italian bookkeeping, 1211-1300. Abacus, p. 137-155,
Dec. 1973.
_____. The coming of age of double entry: the Giovanni Farolfi ledger of 1299-1300. The
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LITTLETON, A. C., ZIMMERMAN, V. K. Accounting theory: continuity and change. Englewood
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LITTLETON, A. C., YAMEY, Basil S. (Eds.). Studies in the history of accounting. Homewood,
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PERAGALLO, Edward. Origin and evolution of double-entry bookkeeping. New York :
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WINJUM, James O. Accounting and the rise of capitalism: an accountant’s view. Journal of
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YAMEY, Basil. Accounting and the rise of capitalism: further notes on a theme by sombart.
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Desenvolvimento da Teoria da Contabilidade antes de Meados da Década de
1930
CAREY, John L. The rise of the accounting profession. AICPA, 1969. v. 1.
DANIELS, Mortimer B. Corporation financial statements. Ann Arbor : University of Michigan,
1934.
PREVITS, Gary John, MERINO, Barbara Dubis. A history of accounting in America. New York
: John Wiley, 1979.
NOTAS DE FINAL DE CAPÍTULO
SOMBART, Werner. Der moderne kapitalismus. 6. ed. Munique: Dunker
& Humblot, 1924. v. 2. p. 118-119. Para uma visão discordante, ver
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
YAMEY, Basil. Accounting and the rise of capitalism: further notes on a
theme by sombart. Journal of Accounting Research, p. 132, outono
1964.
ROOVER, Raymond de. The development of accounting prior to Luca
Pacioli according to the account-books of medieval merchants. In:
LITTLETON, A. C. YAMEY, B. S. Studies in the history of accounting.
Homewood, Ill. : Richard D. Irwin, 1956. p. 115.
LEE, Geoffrey Alan. The coming of age of double entry: the Giovanni
Farolfi ledger of 1299-1300. The Accounting Historians Journal, v. 4, no
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PACIOLI, Frater Luca. An original translation of the treatise on double-
entry book-keeping por Pietro Crivelli para o Institute of Book-keepers.
New York : Harper & Row, 1924. p. 100.
LITTLETON, A. C. Accounting evolution to 1900. New York : American
Institute Publishing, 1933. p. 77.
GREEN, Wilmer L. History and survey of accountancy. New York :
Standard Text Press, 1930. p. 101.
BURKE, James Connections. Boston : Little, Brown, 1978. p. 21.
NYSTROMER, Bertil Four thousand years in the office. Estocolmo :
National Office, Management Association, Estocolmo, Suécia, 1940.
Reproduzido em World of Business, Harvard Business School. New York
: Simon & Schuster, 1962. v. 1, p. 62.
LAMARR, De Lyndon. Rate making for public utilities. New York:
McGraw-Hill, 1923. p. 51. Apud Drexel Institute Monograph, por C. J.
Tilden, 16 Feb. 1916.
James PARKES, A history of the jewish people. Middlesex, Inglaterra :
Pelican Books, 1964. p. 48-53.
Pacioli, An original translation. p. 36.
BURKE, James. Connections, p. 25. (N.T. – Navios costeiros do Golfo
Pérsico de um mastro e uma vela latina.)
Pesquisa do desenho pela Portuguese Sail Training Association. Réplica
construída por Samuel & Filhos, Vila do Conde, Portugal, lançada em
17-6-1987 para a comemoração do quinto centenário da viagem de
Bartolomeu Dias (1488-1988), organizada pelo National Festival
Committee, Cidade do Cabo, África do Sul, e atualmente exposta no
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
Dias Museum, em Mossel Bay, África do Sul, onde Dias aportou pela
primeira vez.
LITTLETON, A. C. Accounting evolution to 1900. Para um exemplo
fascinante de como a história se repete, leia “East of Eden”, em The
Economist, 12-8-1989, a respeito de como a Europa Oriental está
atualmente procurando desenvolver os mesmos antecedentes como
pré-requisito para uma transição ao capitalismo.
Florian CAJORI, A history of mathematics. 2. ed. New York : Macmillan,
1922. p. 139-141.
Pacioli, An original translation. p. 84.
PERAGALLO, Edward Origin and evolution of double-entry bookkeeping.
New York : American Institute Publishing, 1938. p. 54.
ROOVER, Raymond de. New perspectives on the history of accounting.
The Accounting Review, p. 418, July 1955.
COOKE, Alistair America. New York : Alfred A. Knopf, 1973. p. 32-33. Os
contadores preferem o título menos descritivo “verba para despesas”.
BOWDEN, Witt, KARPOVICH, Michael, USHER, Abbott P. An economic
history of europe since 1750. New York : American Book, 1937. p. 36.
WINJUM, James O. The role of accounting in the economic development
of England: 1500-1750. Champaign : Center for International Education
and Research in Accounting,University of Illinois, 1972. p. 214.
EDWARDS, James Don History of public accounting in the United
States. Michigan State University Press, 1960. p. 14.
*
**
*
*
*
**
***
“A verdadeira história é escrita de maneira que não vise ser
transformada em história. Contas de despesa com vestuário, relatórios
de despesas, cartas pessoais, testamentos. Se alguém disser, por
exemplo, que Lady Fulana nunca teve um filho, e você encontrar num
livro de contabilidade, a inscrição: ‘Para o filho dado à luz por minha
senhora na véspera de Michaelmas: cinco jardas de tecido azul, quatro
centavos e meio’, pode-se deduzir, com segurança, que minha senhora
teve um filho na véspera de Michaelmas.” The daughter of time. (New
York : Collier Books, 1951. p. 90-91.
A ligação entre a contabilidade e a matemática continuou até o século
dezenove com a publicação de the principles of double-entry
bookkeeping por Arthur Cayley (1821-1895), um professor de
Matemática na Universidade de Cambridge, Inglaterra.
Há indícios de que tanto os babilônios quanto os maias desenvolveram
o conceito de zero. Nenhuma outra nação parece ter sido tão sofisticada
em seu pensamento matemático – nem mesmo os gregos.
Gilberto mais tarde tornou-se o Papa Silvestre II.
“A Rainha Elizabeth I era uma acionista importante do consórcio que
havia financiado a expedição Drake: com seus direitos nos resultados
pagou toda a dívida externa da Inglaterra, equilibrou seu orçamento, e
ainda sobraram-lhe 40.000 libras. Esse dinheiro ela investiu na
Companhia do Levante, que também foi bem-sucedida. Com os lucros
da Companhia do Levante, foi fundada a Companhia das Índias
Orientais; e os lucros desse grande empreendimento foram a base do
subseqüente investimento inglês no estrangeiro.” (J. M. Keynes,
Economic possibilities for our grandchildren. Saturday Evening Post, 11
Oct. 1930, p. 160, citado em Littleton, Accounting evolution to 1900, p.
209.)
Dada a natureza do empreendimento proposto, não deixa de haver certa
justiça poética nesta debacle financeira.
A palavra manufatura vem de manu, ou mão, e factor significa trabalho,
de modo que originalmente se referia a trabalho manual. Somente mais
tarde é que as máquinas substituíram as mãos. Entre as máquinas mais
*
**
importantes, estão a bobina de Kay (1773), a máquina de fiar de
Hargreaves (1764), e o motor a vapor de Watt (1769).
A glória da primazia vai para a Bolsa de Amsterdã (1602). A Bolsa de
Paris (1726) foi seguida de perto pela de Filadélfia (1746).
Green, History and Survey of Accountants, p. 139, menciona que a
primeira sociedade de contadores foi formada em Veneza em 1581.
	Frontispício
	GEN
	Página de rosto
	Créditos
	Sumário
	Prefácio
	1 Introdução e Metodologia da Contabilidade
	Enfoques à teoria da contabilidade
	Enfoque fiscal
	Enfoque legal
	Enfoque ético
	Enfoques econômicos
	Enfoque comportamental
	Enfoque estrutural
	Classificação das teorias da contabilidade
	Teoria como linguagem
	Teoria como raciocínio
	Teoria como decreto
	Verificação de teorias
	Conclusão
	Resumo
	Problemas e casos
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	2 Quatro Mil Anos de Contabilidade
	Renascença
	Resumo
	Origem das palavras
	Antecedentes da contabilidade
	Primeiras civilizações
	Influência árabe
	Progressos tecnológicos e mudanças socioeconômicas
	Resumo dos antecedentes
	Débitos e créditos
	A era da estagnação
	A era do descobrimento
	A Revolução Industrial
	Resumo
	Surgimento da profissão
	American Institute of CPAs
	National Association of Accountants
	American Accounting Association
	O futuro da contabilidade
	Conclusão
	Resumo
	Questões
	Leituras adicionais selecionadas
	3 O Século do CPA
	Origem da regulamentação
	Interstate Commerce Commission
	Criação da Associação Americana de Contadores Públicos
	Federal Trade Commission
	Regulamentação na Grã-Bretanha
	A crise de 1929
	Obrigatoriedade de pareceres de auditoria
	O New Deal
	Securities and Exchange Commission
	Comitê de procedimentos contábeis
	A expansão do pós-guerra
	Alternativas de contabilização
	Ajustes em função do nível de preços
	Debate sobre capacidade de geração de lucro
	Exigências de comparabilidade
	Formação do Conselho de Princípios Contábeis (Accounting Principles Board – APB)
	A turbulência dos anos sessenta
	Pareceres definitivos
	A era moderna
	Formação do Conselho de Padrões de Contabilidade Financeira (Fasb)
	Estrutura e funções
	Um órgão independente
	Redefinição de “autoridade substantiva”
	Processo definido de produção de normas
	Força-tarefa para questões emergentes
	Conselho de padrões de contabilidade governamental
	Discordância continuada
	Conclusão
	Resumo
	Questões
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	4 A Busca de Princípios
	A busca começa
	Primeiros esforços
	Bases iniciais
	A ascensão do investidor
	Outros esforços dignos de nota
	A busca acelera-se
	A divisão de pesquisa em contabilidade
	A busca desloca-se
	A Statement of Basic Accounting Theory
	Pronunciamento número 4 do APB
	Referencial conceitual
	A busca em retrospecto
	A teoria da contabilidade é complexa
	A contabilidade possui conseqüências econômicas
	Verdade ou conseqüências?
	Resumo
	Questões
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	5 Referencial Conceitual
	Hierarquia de elementos
	Objetivos da contabilidade
	Grupos de usuários
	Objetivos de usuários
	Responsabilidade
	Resumo
	Características qualitativas
	Benefícios e custos
	Relevância
	Confiabilidade
	Comparabilidade
	Materialidade
	Fundamentos
	Entidade
	Empresa em funcionamento
	Periodicidade
	Incerteza e conservadorismo
	Unidade monetária
	Conclusão
	Resumo
	Questões
	Problemas
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	6 Ambiente Econômico da Contabilidade
	Uma economia privada
	Acionistas vs. grupos de interesse
	Mercados de títulos
	Eficiência de mercado
	Forma fraca da HME
	Forma forte da HME
	Forma semiforte da HME
	Algumas implicações para a contabilidade
	Algumas concepções errôneas
	Custos históricos
	Avaliação de títulos
	Teoria de carteiras
	Modelo de mercado
	Capital Asset Pricing Model
	Algumas implicações do CAPM
	Utilizando o CAPM
	Formação de preços de opções
	Algumas implicações
	Conclusão
	Resumo
	Questões
	Leituras adicionais selecionadas
	7 Tomada de Decisões
	Um enfoque prescritivo
	Análise parcial
	Teoria da escolha
	Economia da informação
	Teoria de agency
	Teoria de decisão para várias pessoas
	Um enfoque descritivo
	Políticas de divulgação por empresas
	Análise financeira individual
	Uma síntese
	Um enfoque ético
	Utilitarismo
	Direitos humanos
	Justiça
	Um enfoque positivo à ética
	Resumo
	Questões
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	8 Fixação de Política Contábil
	As alternativas
	Formulação de políticas no nível da empresa
	Formulação de políticas acima do nível da empresa
	Comparações internacionais
	Resumo das alternativas
	Conseqüências sociais e econômicas da política contábil
	Usuários afetados
	Regulamentação contábil: prós e contras
	Falhas do mercado
	Regulamentação: cura ou maldição?
	Conclusão
	Gestão da política contábil
	Governo pelo povo
	Papel do Fasb
	Conclusão
	Resumo
	Questões
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	9 Caixa, Capital e Lucro
	O objetivo da informação sobre fluxos de caixa
	Valores presentes e valores de mercado
	Liquidez, solvência e flexibilidade financeira
	Apresentação e predição de informações sobre fluxos de caixa
	Fluxo de caixa da entidade
	Predição de fluxos futuros de caixa
	Mensuração do lucro
	Capital versus lucro
	Conceitos de lucro em termos de preservação de riqueza
	Preços históricos de fatores
	Preços correntes de entrada
	Preservação de poder aquisitivo constante
	Equivalentes correntes a caixa
	Cálculo de valor presente
	Cálculo do valor de mercado da empresa
	Conclusão
	Resumo
	Questões
	Fontes primárias
	Leituras adicionais selecionadas
	10 Conceito de Lucro para Fins de Divulgação Financeira
	Introdução
	Conceitos de lucro no nível sintático
	Mensuração do lucro pelo enfoque de transações

Mais conteúdos dessa disciplina