Prévia do material em texto
Aluna: Camila de Souza Araújo, RA: 019334 Ao Juízo de Direito da __ Vara de Execuções Penais da Comarca de _____ ALAIR, já qualificado nos autos da execução penal nº (número), por seu advogado (instrumento de mandato anexo), vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 118, §2º, da Lei de Execução Penal, interpor o presente RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO com fulcro no art. 197 da Lei nº 7.210/84 (Lei de Execução Penal), contra a decisão proferida por este Juízo em 07 de março de 2023, que reconheceu a prática de falta grave e impôs ao apenado a regressão de regime, a perda da totalidade dos dias remidos, bem como o reinício da contagem dos prazos para o livramento condicional e indulto, requerendo o recebimento e regular processamento do presente recurso, com posterior remessa ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Termos em que, Pede deferimento. ________, __ de __ de 2025. _________________________________ Advogado – OAB/UF nº ____ AO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE _______ Agravante: Alair ___ Agravado: Ministério Público Execução Penal: n° _________ RAZÕES DO RECURSO Colenda Câmara, Ilustres Desembargadores, BREVE SÍNTESE O presente recurso visa impugnar decisão que reconheceu a prática de falta grave por parte do agravante ALAIR, determinando a regressão do regime semiaberto para o fechado, a perda da totalidade dos dias remidos e o reinício da contagem dos prazos para obtenção de benefícios da execução penal, como o livramento condicional e o indulto. Todavia, a referida decisão merece reforma por ofensa a garantias constitucionais e legais do agravante. DO DIREITO 1. DA AUSÊNCIA DE DEVIDO PROCESSO LEGAL Nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. A Lei de Execução Penal, em seu art. 118, §2º, determina que “o apenado será ouvido previamente à decisão”. No caso dos autos, verifica-se que a falta grave foi reconhecida apenas com base em relatos dos agentes penitenciários, sem a oitiva do apenado. A ausência de procedimento administrativo disciplinar formal e da oitiva do apenado compromete a validade da decisão, por violar o contraditório e a ampla defesa. 2. DA NECESSIDADE DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FORMAL A jurisprudência consolidada dos tribunais superiores entende que, para o reconhecimento da falta grave, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo disciplinar com a garantia do contraditório e da ampla defesa, sob pena de nulidade. Nesse sentido, colaciona-se o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: “O reconhecimento de falta grave exige, para sua validade, a prévia oitiva do apenado em procedimento administrativo disciplinar que assegure o contraditório e a ampla defesa.” (HC 435.750/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6ª Turma, julgado em 26/06/2018) 3. DA DESPROPORCIONALIDADE NA SANÇÃO APLICADA Ainda que se admitisse, por hipótese, a prática de falta grave, a decisão que impôs a perda de todos os dias remidos e o reinício dos prazos para novos benefícios é desproporcional e desarrazoada. O art. 127 da LEP prevê que a perda dos dias remidos “será proporcional à gravidade da falta”. No presente caso, não houve qualquer fundamentação individualizada quanto à perda total da remição, o que contraria o referido dispositivo legal. 4. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer: a) o conhecimento e provimento do presente recurso, para que seja declarada a nulidade da decisão que reconheceu a prática de falta grave sem a prévia oitiva do agravante. b) subsidiariamente, caso mantida a decisão, que a sanção aplicada seja revista para que a perda dos dias remidos observe a proporcionalidade prevista no art. 127 da LEP; c) a anulação da determinação de reinício da contagem do prazo para o livramento condicional e indulto. Nestes termos, Pede deferimento. _____, __ de ___ de ___. _________________________________ Advogado – OAB/UF nº