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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DAS EXECUÇÕES CRIMINAIS DA COMARCA DE SÃO PAULO, Execução Penal nº xxxxxxxxxx GUILHERME SILVA, já qualificado nos autos em epígrafe, por seu advogado que esta subscreve, procuração em anexo, vem, respeitosa e tempestivamente, à presença de Vossa Excelência, interpor RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO com fulcro no artigo 197 da Lei 7.210/84. Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação, nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão, requer seja encaminhado o presente, já com as razões inclusas, ao Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo para o devido processamento. Nestes termos, pede deferimento. Local, 15 de Julho de 2019 Marcos da Silva Rabelo, OAB/TO n. 4.230 RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO Egrégio Tribunal de Justiça Colenda Câmara, Douta Procuradoria, Em que pese o ilibado saber jurídico do MM juízo a quo, a respeitável decisão não merece prosperar, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: I – DOS FATOS O Agravante foi condenado pela prática do crime de lesão corporal seguida de morte, sendo-lhe aplicada a pena de 06 anos de reclusão em regime fechado. Após cumprir 1 ano da pena, foi encontrado no colchão do Agravante um aparelho de telefone celular, reconhecendo-se assim a prática de falta grave. O Ministério Público apresentou a promoção ao juízo da Vara de Execução da Comarca de São Paulo, requerendo a perda de benefícios da execução da pena. O magistrado decidiu pela A) regressão de regime de cumprimento da pena para o fechado; b) perda da totalidade dos dias remidos; c) reinício da contagem do prazo de livramento condicional; d) reinício da contagem do prazo do indulto. A defesa técnica foi intimada da decisão no dia 09 de julho de 2019. II – DO DIREITO A) Da Invalidade do Reconhecimento de Falta Grave O Magistrado regrediu o regime de cumprimento de pena para o fechado. Todavia, para o reconhecimento da falta grave é necessário o regular procedimento administrativo disciplinar (PAD), com o intuito de assegurar o direito ao exercício do princípio da ampla defesa e contraditório, conforme Súmula 533 do Superior Tribunal de Justiça. Logo, o diretor do estabelecimento carcerário reconheceu a pratica de falta grave sem instaurar procedimento administrativo e sem garantir o direito de defesa, violando os princípios constitucionais. Assim, não havendo o reconhecimento da prática de falta grave, não será possível aplicar a regressão do cumprimento da pena para o regime fechado, nos termos do artigo 118, inciso I da Lei de Execução Penal e Súmula 534 do Superior Tribunal de Justiça. B) Da Invalidade da perda total dos dias remidos O magistrado considerou em sua sentença a perda da totalidade dos dias remidos. Todavia, não é possível considerar a perda da totalidade, ainda que válido o reconhecimento da falta grave, o juiz poderia somente decretar a perda de 1/3 dos dias remidos, conforme artigo 127 da Lei de Execução Penal. Logo, equivocada a decisão do Magistrado determinando a perda de todos os dias remidos. C) Da contagem do prazo do livramento condicional O Magistrado considerou em sua sentença o reinício da contagem do prazo de livramento condicional. Todavia, tal decisão não encontra respaldo na lei, já que não há previsão dessa sanção em decorrência da falta grave. Dessa forma, a decisão proferida pelo magistrado violou o princípio da legalidade, não gerando, portanto, a falta greve reinicio da contagem do prazo do livremente condicional, conforme se extrai da Súmula 441 do Superior Tribunal de Justiça. D) Da contagem do prazo do indulto O Magistrado considerou em sua sentença o reinicio da contagem do prazo do indulto. Todavia, a prática de falta grave não gera reinicio da contagem do prazo do indulto, nos termos da Súmula 535 do Superior Tribunal de Justiça. Logo, a decisão proferida pelo magistrado violou o princípio da legalidade, não gerando, portanto, a falta grave reinicia da contagem do prazo do indulto. III – PEDIDOS Ante o exposto, requer que seja conhecido e provido o presente recurso, com a reforma da decisão, para o fim de afastar o reconhecimento da falta grave e suas consequências impostas na sentença. Nestes termos, pede deferimento. Local, 15 de Julho de 2019 Marcos da Silva Rabelo, OAB/TO n. 4.230