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Resumo Completo e Didático para Prova de Direito Digital
 1. LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018)
A LGPD (Lei nº 13.709/2018) é a principal legislação brasileira sobre privacidade e proteção de dados. Inspirada no
Regulamento Europeu (GDPR), ela regula como dados pessoais devem ser tratados, promovendo transparência,
controle e segurança.
Conceitos-chave:
Dado pessoal: Ex: nome, CPF, IP, e-mail, localização, foto.
Dado sensível: Ex: religião, opinião política, etnia, saúde.
Tratamento: Toda operação com dados (coleta, uso, arquivamento, exclusão etc.).
Titular: Pessoa natural a quem os dados se referem.
Controlador: Pessoa ou empresa que decide como os dados são usados.
Operador: Terceiro que processa os dados em nome do controlador.
Encarregado (DPO): Canal de comunicação entre as partes e a ANPD.
Princípios da LGPD (Art. 6º):
Finalidade, necessidade, adequação, livre acesso, qualidade dos dados, segurança, prevenção, não discrimina-
ção, responsabilização.
Bases legais para o tratamento (Art. 7º):
Consentimento, obrigação legal, execução de contrato, exercício regular de direitos, proteção da vida, legítimo in-
teresse, entre outras.
Exemplo prático:
Uma clínica médica coleta dados de pacientes. A clínica é controladora, e o sistema de prontuário eletrônico é o
operador. O DPO garante que o paciente possa acessar, corrigir ou excluir seus dados.
 2. Transferência Internacional de Dados (Arts. 33 a 36 da LGPD)
A transferência internacional só é permitida nas hipóteses do art. 33, que são taxativas, ou seja, a exceção precisa
estar prevista expressamente em lei.
Regras principais (Art. 33 da LGPD):
O país destinatário precisa oferecer grau de proteção de dados equivalente ao da LGPD;
É preciso garantir cláusulas contratuais específicas de proteção;
Uso de normas corporativas globais (BCRs), selos de certificação ou códigos de conduta;
Pode haver consentimento do titular com ciência dos riscos;
Autorização da ANPD em caso de execução de políticas públicas ou obrigações legais;
Execução de contrato ou políticas públicas (Art. 7º, incisos II, V e VI).
Art. 34:
A ANPD poderá requisitar garantias judiciais, administrativas e institucionais como condição para autorizar a
transferência.
Art. 35:
A ANPD pode:
Definir o conteúdo das cláusulas-padrão;
Fiscalizar normas corporativas e certificações;
Autorizar ou vetar operações internacionais.
Art. 36:
Os controladores e operadores devem manter documentação das operações internacionais, demonstrando sua
conformidade com a legislação.
 3. Sanções Administrativas – Art. 52 da LGPD
Aplicadas pela ANPD aos agentes de tratamento (controlador e operador), mediante processo administrativo com
contraditório e ampla defesa.
Sanções previstas no caput do Art. 52:
1º Advertência, com prazo para adoção de medidas corretivas;
2º Multa simples, até 2% do faturamento da empresa (máximo R$ 50 milhões por infração);
3º Multa diária, também limitada ao mesmo teto;
4º Publicização da infração, após investigação confirmada;
5º Bloqueio dos dados pessoais relacionados à infração;
6º Eliminação dos dados pessoais relacionados à infração;
7º Suspensão parcial do funcionamento do banco de dados por até 6 meses (prorrogável);
8º Suspensão parcial do exercício da atividade de tratamento de dados por até 6 meses (prorrogável);
9º Proibição total ou parcial do exercício de atividades relacionadas ao tratamento de dados.
Regras dos §§ 2º a 7º do Art. 52:
As sanções consideram: gravidade, natureza da infração, reincidência, boa-fé, condição econômica, grau do
dano e vantagem obtida;
Sanções podem ser isoladas ou cumulativas;
Não substituem sanções civis ou penais já previstas em outras leis, como o CDC (Lei nº 8.078/90).
 4. ANPD – Autoridade Nacional de Proteção de Dados (Arts. 55-A
a 55-L da LGPD)
Criada pela LGPD (arts. 55-A a 55-L), é a entidade reguladora e fiscalizadora da proteção de dados no Brasil.
Funções principais – Art. 55-B:
Regulamentar a LGPD, interpretando e detalhando a lei;
Fiscalizar empresas públicas e privadas;
Aplicar sanções administrativas (art. 52);
Autorizar transferência internacional de dados (arts. 33 a 36);
Estimular boas práticas de governança em dados;
Promover a educação e conscientização sobre privacidade.
Estrutura:
Composta por um Conselho Diretor, Corregedoria, Órgão de Assessoramento Jurídico e Conselho Nacional de
Proteção de Dados.
A atuação da ANPD é fundamental para garantir a efetividade da LGPD, sendo um órgão-chave no modelo regula-
tório brasileiro.
 5. Crimes Digitais
Com base na Lei Carolina Dieckmann (12.737/2012) e no Marco Civil da Internet (12.965/2014), os crimes digitais
envolvem condutas ilícitas praticadas em ambientes virtuais.
Dispositivos legais:
 Art. 154-A do Código Penal:
“Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de me-
canismo de segurança…”
Pena: reclusão de 3 meses a 1 ano e multa
Agravantes: se houver prejuízo econômico, uso de informações sigilosas ou se a vítima for autoridade pública.
 Art. 171, §2º-A (Estelionato eletrônico):
“Fraude por meio eletrônico para obter vantagem ilícita.”
Pena: reclusão de 4 a 8 anos e multa.
 Art. 218-C do Código Penal (Lei nº 13.718/2018):
"Oferecer, trocar, transmitir, vender ou divulgar, por qualquer meio, inclusive por meio da internet ou de rede social,
fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual contendo cena de sexo, nudez ou pornografia, sem o consentimento da
vítima."
Outros crimes relevantes:
Phishing;
Ransomware;
Roubo de identidade digital;
Espionagem cibernética;
Cyberbullying (arts. 138 a 140 do CP);
Vazamento de dados pessoais;
Pornografia infantil (Art. 241 do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente).
 6. Cybersegurança
É o conjunto de medidas técnicas, administrativas e jurídicas para proteção dos ativos digitais. Seu objetivo é pre-
venir e responder a incidentes, como ataques cibernéticos e falhas humanas.
Fundamento legal:
Art. 46 da LGPD: “O controlador deverá adotar medidas de segurança técnicas e administrativas aptas a proteger
os dados pessoais...”.
Art. 48 da LGPD: Incidentes de segurança devem ser comunicados à ANPD e ao titular, com descrição da nature-
za dos dados, riscos e medidas adotadas.
Boas práticas:
1º Uso de senhas fortes e 2FA;
2º Atualização constante de sistemas e antivírus;
3º Backups frequentes (principalmente contra ransomware);
4º Evitar redes públicas não seguras;
5º VPNs para conexões seguras;
6º Política de educação digital contínua;
7º Monitoramento de sistemas e gestão de vulnerabilidades.
易 Quadro de Resumo Rápido:
Tema Artigos Principais Palavra-chave
Transferência internacional Arts. 33 a 36 da LGPD Hipóteses legais e ANPD
Sanções administrativas Art. 52 da LGPD Multa, bloqueio, proibição
Competência da ANPD Arts. 55-A a 55-L da LGPD Fiscalização e regulamentação
Crimes digitais Art. 154-A e 171, §2º-A do CP; Art.
218-C CP; Art. 241 ECA
Invasão, vazamento, golpes
Cibersegurança Arts. 46 a 48 da LGPD + boas práti-
cas
Proteção e prevenção

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