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Disciplina | Apresentação www.cenes.com.br | 1 DISCIPLINA RECUPERAÇÃO E FALÊNCIA I CONTEÚDO Princípio da Supremacia da Recuperação da Empresa Disciplina | Sumário www.cenes.com.br | 2 Sumário Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 2 1 Apresentação ---------------------------------------------------------------------------------------- 3 2 Teoria Geral do Direito Concursal -------------------------------------------------------------- 3 3 Definição ---------------------------------------------------------------------------------------------- 4 4 Princípios da Preservação e da Função Social da Empresa------------------------------- 7 5 Conclusão ------------------------------------------------------------------------------------------- 10 Este documento possui recursos de interatividade através da navegação por marcadores. Acesse a barra de marcadores do seu leitor de PDF e navegue de maneira RÁPIDA e DESCOMPLICADA pelo conteúdo. Disciplina | Apresentação www.cenes.com.br | 3 1 Apresentação Juridicamente, a empresa representa uma atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços para o mercado, conforme determina o caput do art. 966, do Código Civil, no qual o empresário é o sujeito que exerce essa atividade. A empresa representa a maior parte das atividades que compõe a economia moderna e a delimitação de sua atuação encontra-se no direito empresarial, que disciplina, também, a empresa em crise. Em busca dos objetivos empresariais, como a obtenção de lucros, manutenção da clientela, conquista de mercado, etc., a atividade empresarial pode encontrar uma série de dificuldades naturais no seu exercício, culminando numa crise, que pode ter fatores externos ao empresário, mas também, pode vir diretamente de sua atuação e que precisam da atuação estatal no sentido de se criar mecanismos para que possa manter a sua atividade empresarial. 2 Teoria Geral do Direito Concursal As crises que afetam diretamente e apenas o interesse individual do empresário não ensejam maiores preocupações e, nem tão pouco um amparo estatal, mas, quando essas crises afetam interesses de terceiros (como os credores, o fisco, os trabalhadores, a comunidade, entre outros), daí haverá uma grande preocupação do mercado e do aparato estatal. Antigamente as crises empresariais eram vistas como oriundas da má-gestão do administrador, no entanto, com o desenrolar do tempo, percebeu-se que estas crises podem ser oriundas de diversos fatores. Muito desse pensamento decorreu também da percepção de que os impactos da atividade empresarial não se restringem apenas ao empresário, mas atinge também o fisco, os trabalhadores e a comunidade. As crises podem ser de ordem econômica, financeira e patrimonial, sendo estas as mais preocupantes, pois podem representar o aumento da inadimplência e do risco dos credores e a redução de empregos. Disciplina | Definição www.cenes.com.br | 4 Como há uma grande preocupação para que as crises sejam superadas e que todos os envolvidos não concorram para agravar sua situação e, consequentemente, do país, o ordenamento jurídico lança mão de alguns institutos para que a atividade empresarial seja salva, no caso, há o instituto da recuperação judicial e da recuperação extrajudicial, que são tratados pela Lei nº 14.112/2020. Os meios de solução das crises não são garantias de sua superação e, em muitos casos, a crise não poderá ser superada. Diante deste cenário, não há outro caminho senão a liquidação patrimonial e se esta liquidação não ocorrer, poderá haver prejuízos ainda maiores, caso o mercado mantenha uma empresa inviável. O instituto que cuida dessa liquidação patrimonial e a retirada da empresa do mercado empresarial é a falência. Assim, a falência é um processo de execução forçada do patrimônio do devedor com a participação do judiciário e dos credores. Havia no país a Lei nº 7.661/1945 que regulava a concordata e a falência. No entanto, após a Constituição Federal de 1988 tal legislação não atendia mais às exigências do mercado quando das situações de crise. Nesta situação, foi criada a Lei nº 14.112/2020, que veio para dar uma aplicação mais moderna para esses institutos, sem que as empresas causem maiores prejuízos, trazendo o instituto da Recuperação Judicial com o fim de tentar preservar a empresa. 3 Definição As empresas, quando não atingem sua finalidade de cumprir as obrigações empresariais, devem ser retiradas do sistema empresarial, contudo, para se fazer isso, deve-se seguir o que determina a lei. A primeira tentativa deve ser sempre evitar o encerramento das atividades através da manutenção e recuperação da empresa. Não sendo possível, aí sim será realizada a sua liquidação. A forma padrão para a liquidação patrimonial forçada é a falência, que é um processo de execução coletiva contra o devedor empresário, cujo objetivo é o pagamento de “todos” os credores. O art. 75 da Lei nº 14.112/2020 assim registra o art. 75: “A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa.” Essas situações são estudadas pelo direito empresarial em um ramo mais Disciplina | Definição www.cenes.com.br | 5 específico que se preocupa com as tentativas estatais de solução das crises das empresas, as formas de liquidação patrimonial forçada ou a manutenção da empresa, é chamada de direito falimentar ou de direito concursal. O direito concursal/falimentar, portanto, é o conjunto de regras jurídicas relativas à execução concursal do devedor empresário, ou seja, é um processo de execução coletiva disciplinado por lei em face do devedor empresário. O direito concursal possui quatro objetivos, que são: prevenir as crises, recuperar as empresas em crise, liquidar as empresas não recuperáveis e punir os sujeitos culpados em tais crises. Verificando esses objetivos, constata-se que não se trata de um direito que regula apenas a falência ou outros concursos de credores, há a preocupação com o essencial valor da empresa em funcionamento, ou seja, a manutenção da atividade empresarial, ao invés de dar preferência aos interesses dos credores. Assim, o ordenamento jurídico relativo ao direito concursal é direcionado ao empresário, aquele definido pelo “caput” do art. 966, do CC: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.” A empresa é a atividade desenvolvida profissionalmente com habitualidade, seja por um empresário individual, seja por uma sociedade empresária de forma economicamente organizada, voltada à produção ou circulação de mercadorias ou serviços. O titular dessa atividade, ou seja, a pessoa que exerce a atividade é o empresário, que pode ser classificado em: • empresário individual (as pessoas), • Sociedades empresárias (em nome coletivo; em comandita simples ou por ações, por cotas de responsabilidade limitada; e anônimas) • Sociedade Limitada Unipessoal (Lei nº 14.195/21). Disciplina | Definição www.cenes.com.br | 6 Destaca-se, pois, que, para ser empresário, há a necessidade de se cumprir alguns requisitos, quais sejam: - o exercício de uma atividade; - a natureza econômica da atividade; - a organização dessa atividade com profissionalidade; - finalidade de produção ou troca de bens ou serviços. Entretanto, algumas pessoas são impedidas de exercer a atividade empresarial, por causa da incompatibilidade relativa à finalidade desta, que no caso, são os agentes políticos, os funcionários públicos, os estrangeiros, os falidos, os penalmente proibidos e aqueles que exercematividade intelectual (que não têm esse elemento da empresa como sua atividade essencial). No entanto, há que se ficar atento às exclusões referidas no art. 2º da Lei 14.112/2020. Neste caso, não se aplica a Lei de Recuperação e Falência quando se tratar de: • empresa pública e sociedade de economia mista; • instituição financeira pública ou privada (Lei nº 6.024/74); • cooperativa de crédito (Lei nº 5.764/71); • consórcios (Lei nº 6.404/76); • entidades de previdência complementar (Lei Complementar nº 109/01); • seguradoras (Decreto-Lei nº 73/66); Sociedades operadoras de plano de saúde (Lei nº 9.656/98). O legislador optou por não sujeitar tais entidades ao regime geral falimentar, por se tratarem de atividades específicas e de relevante interesse social e econômico, sendo aplicadas então, as leis especiais no que tange a sua insolvência. Disciplina | Princípios da Preservação e da Função Social da Empresa www.cenes.com.br | 7 4 Princípios da Preservação e da Função Social da Empresa O ordenamento jurídico brasileiro tem sua base formadora principiológica, desta feita, um princípio é o fundamento de uma norma jurídica, isto é, são as estruturas do direito que não estão definidas em nenhum diploma legal (seja lei, medida provisória ou decreto), mas, qualquer diploma legal é embasado em princípio. Os princípios possuem a função de informar, orientar e inspirar a criação de regras gerais. A aplicação prática dos princípios está pautada na criação da norma, na interpretação da norma, bem como na aplicação da norma, ou seja, os princípios criam os sistemas e institutos. Os princípios representam normas gerais com alto grau de abstração que podem ser cumpridas em diferentes graus; há que se destacar ainda que, quando os princípios entram em conflito com outros princípios, não se eliminam, mas se adaptam e convivem. A enumeração dos princípios é uma escolha doutrinária, ou seja, determinado autor pode delimitar alguns princípios, enquanto outro autor pode delimitar outros princípios, contudo, existem alguns princípios que são comuns a todos e que fundamentam a lei 14.112/2020. Na Lei nº 14.112/2020, destacam-se os princípios da função social da empresa e da preservação da empresa, encontrados nos art.47 e 170, III da LRF. Princípios Informadores do Direito Concursal: a Lei nº 14.112/20 é guiada por certos princípios, os quais servirão de guia ao intérprete, para a compreensão e aplicação de maneira adequada das normas. Disciplina | Princípios da Preservação e da Função Social da Empresa www.cenes.com.br | 8 Destacam-se alguns princípios relacionados diretamente à interpretação e aplicação da Lei nº 14.112/20, evidenciando-se, principalmente, princípio da viabilidade da empresa, os princípios da unidade, indivisibilidade e universalidade do juízo da falência, que possuem uma importância relevante para se entender a prática dos pedidos feitos perante o juiz. Não menos importantes e também relacionados à atual lei de recuperação e falência, tem-se os princípios da publicidade, da supremacia da recuperação da empresa, da manutenção da fonte produtora e do emprego dos trabalhadores, da manutenção dos interesses dos credores e do rigor na punição dos crimes falimentares, conforme relacionado no parecer da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, sob a relatoria do Senador Ramez Tebet, sobre o Projeto de Lei da Câmara nº 71, de 2003, que originou a Lei 14.112/2020. Princípio da Publicidade: possui caráter obrigatório e público, tendo em vista que a falência e a recuperação judicial são processadas e homologadas perante um juiz (poder judiciário) e, de acordo com o inciso LV, do art. 5º, da CF/88, é assegurado aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, o contraditório e a ampla defesa, na qual o processo é instrumentalizado, para as partes envolvidas no processo e seus procuradores judiciais, pelo art. 93, IX, da CF/88, que exige publicidade e fundamentação de todos os julgados dos órgãos do Poder Judiciário, sob pena de nulidade. Assim, há a necessidade de que os atos no processo falimentar sejam de conhecimento geral, pois permite que todos os credores se habilitem e possam fazer valer seus direitos. Desta feita, há a necessidade de convocação dos credores de forma Disciplina | Princípios da Preservação e da Função Social da Empresa www.cenes.com.br | 9 genérica para que participem do processo, tanto na falência, quanto na recuperação, e, caso isto não seja feito, haverá benefício de alguns e prejuízo para outros, afetando a isonomia que deve ser respeitada no processo concursal. A Lei nº 14.112/20 fixa, nos arts. a seguir, a necessidade de publicidade, como nos arts. 51, III e 52, § 1º, I e II, em que deverá haver a relação nominal completa de todos os credores, ordenando-se que haja publicação no órgão oficial da relação de credores. Quando há pedido de autofalência, tem-se o art. 105, III, que determinada a relação nominal dos credores com suas qualificações e individualizações, e também, a convocação para assembleia-geral de credores com convocação feita pelo juiz por edital publicado no órgão oficial e em jornais de grande circulação, conforme determina o art. 36, caput e § 1º. Também se aplica o princípio da publicidade para a recuperação extrajudicial, quando há a determinação de que a alienação dos bens em quaisquer das modalidades prevista na lei e mencionada no art. 142 será antecedida por publicação de anúncios em jornal de ampla circulação, conforme determina o § único do art. 142. Estes registros destacados da Lei nº 14.112/20 são exemplos de aplicação necessária do princípio da publicidade contido na atual lei de recuperação e falência. Existindo outros dispositivos que caminham no mesmo sentido, o da publicidade. Princípio da Supremacia da Recuperação da Empresa: o Estado deve dar condições e instrumentos para que haja a recuperação da empresa, no qual haverá estímulo para a atividade empresarial, mas não são em todos os casos, tão somente quando for possível a manutenção da atividade empresarial ou societária, ainda que com modificações, ou seja, a recuperação somente será possível quando a empresa for viável. Disciplina | Conclusão www.cenes.com.br | 10 Assim, o critério analisado pelo juiz quando do pedido da recuperação da empresa é o da viabilidade. Caso a empresa ou o empresário individual apresente problemas crônicos na sua atividade ou na sua administração, esses devem ser retirados do mercado, pois sua recuperação será inviável, assim o Estado promoverá de forma rápida e eficiente esta retirada, para evitar a potencialização dos problemas e agravar a situação dos que negociam com pessoas ou sociedade com insanáveis dificuldades na condução do negócio. 5 Conclusão O papel das empresas é o de produzir bens e serviços para que possam atender as demandas dos mercados nos quais elas atuam. Com essa atuação o mercado gera empregos, impostos e bem-estar para a sociedade e para o próprio Estado que arrecada impostos na produção e na comercialização. E a Recuperação Judicial busca manter esse ciclo vivo. A empresa que não consegue se manter quitando seus débitos devem recorrer ao Instituto e nesse ponto a Lei nº 14.112/20 exerce importante papel fornecendo o procedimento para que tais empresas possam se recuperar. Sem ela, as empresas simplesmente desapareceriam e, com isso, todo o mercado, governo e sociedade sofreriam. É disto que esta unidade tratou. Esperamos que tenha gostado. Bons estudos! Disciplina | Conclusão www.cenes.com.br | 11 Sumário 1 Apresentação 2 Teoria Geral do Direito Concursal 3 Definição 4 Princípios da Preservação e da Função Social da Empresa 5 Conclusão