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GEOTERAPIA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Cristiano Alexandre de Andrade Neiva de Lima 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Nesta aula faremos uma breve explanação sobre a fitoterapia e os 
tratamentos das diversas aplicações da Geoterapia na parte clínica. 
TEMA 1 – FITOTERAPIA APLICADA A GEOTERAPIA 
A prática da fitoterapia é realizada desde a Antiguidade. Trazida da 
sabedoria ancestral aos dias de hoje, demonstra a eficácia das propriedades 
curativas do reino vegetal e mineral nas doenças humanas. 
No final da década de 1970 do século XX, a Organização Mundial da 
Saúde validou a fitoterapia como uso terapêutico mundial, e a partir daí várias 
políticas vêm se desenvolvendo para trazer o uso racional e seguro desses 
remédios. Já no início da década de 1980, a Anvisa criou a portaria 212, junto 
ao Ministério da Saúde, para pesquisas de plantas medicinais. Atualmente temos 
milhares de estudos de fitoterápicos pelo mundo. No Brasil, temos algumas 
monografias consideradas seguras, dispostas na farmacopeia brasileira; 
encontramos também no formulário de fitoterápicos da farmacopeia brasileira, 
bem como nos mementos que são revisados anualmente. 
Na Geoterapia, utilizamos junto ao preparo das argilas as plantas 
medicinais. Elas podem ser frescas ou secas, diversificada quanto à parte da 
planta, como raiz, caule, folha, flor e folha. Para a parte mais prática no uso, 
podemos utilizar as infusões ou decoctos dessas plantas para integrar o 
tratamento tópico. 
O que caracteriza uma planta medicinal? Cada planta é identificada pelo 
seu nome científico e popular, por isso muitas vezes é melhor escolher pelo 
nome científico, se for possível. As plantas desenvolvem metabólitos primários 
para a sua sustentação e metabólitos secundários para a sua proteção, e são 
esses últimos que geralmente possuem propriedades medicinais, podendo estar 
presentes em qualquer parte da planta, da raiz às flores. Dentre alguns 
metabolitos secundários, estão princípios ativos que ativam ou inibem funções 
no corpo humano, como óleos vegetais, cumarinas, flavonoides, taninos, 
saponinas, alcaloides e óleos essenciais. 
Existe uma infinidade de monografias que podemos utilizar para nos 
direcionar a melhor planta medicinal, qual a forma que vamos extrair seus 
princípios ativos e concentração. Aqui irei me basear no formulário de 
 
 
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fitoterápicos da farmacopeia brasileira e no memento fitoterápico atualizado. 
Logicamente, você poderá continuar seus estudos; temos muitas obras de 
plantas medicinais, como o ITF (Índice Terapêutico Fitoterápico), Plantas 
Medicinais Brasileiras, Farmacognosia da Planta ao Medicamento e as 
monografias encontradas nas bases de dados científicas da internet. Deixarei 
aqui uma breve classificação para as grupos que utilizamos para Geoterapia. 
Algumas plantas podem ser apenas para uso externo; outras podem ser 
consumidas em uso interno. No final das cartilhas se encontram muitas 
referências de estudo (Anvisa, 2016; Anvisa, 2011; Ministério da Saúde, 2012). 
Para o uso na Geoterapia, preferimos o uso de infusões e decoctos, 
porém, conforme o caso, podemos adicionar tinturas, unguentos e alcoolaturas. 
Existem muitas outras formas de uso. Precauções sempre são importantes na 
gravidez, pacientes com doenças hepáticas e renais. Utilize plantas que sejam 
seguras. 
Infuso: consiste em deixar a planta em água quente para extrair seus 
princípios ativos sem ferver. Em média 10 minutos de permanência antes de 
usar. Pode ser utilizada para folhas e flores, que liberam, além dos princípios da 
planta, seus óleos essenciais que, se fervidos, haveria muita perda. De modo 
geral, utiliza-se uma colher de sopa da planta rasurada para 300ml para 
adicionar a argila. Caso se encontre na forma de pó, utilize metade. 
Decocto: consiste em ferver a planta em água para extrair os seus 
princípios ativos. Em média de 10 a 20 minutos. De modo geral, 1 colher de sopa 
da planta rasurada, geralmente caules, raízes, brotos e algumas sementes. 
Tinturas: são extratos feitos com álcool de cereais e a planta seca, 
geralmente de 10% a 20% da planta. As tinturas podem ainda ser em álcool 
absoluto, álcool e água destilada ou glicerina bidestilada. Por exemplo, para 
1 litro de tintura a 20%, teremos 200 g de planta seca e 800ml de álcool de 
cereais. 
Alcoolatura: são extratos feitos com álcool também, mas utilizamos a 
planta in natura, ou seja, verde. Para esse caso, deve-se dobrar a quantidade da 
planta devido à quantidade de água presente. 
Sumos e sucos: a planta macerada verde é misturada a argila, como é o 
caso do gengibre e cebola. 
 
 
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Temos uma variedade de aplicações da fitoterapia, pós, cápsulas, 
xaropes, unguentos, extratos, elixires, vinagres, banhos, compressas, 
cataplasmas. 
1.1 Plantas com efeitos cicatrizantes 
• Aloe vera, Babosa – (L.) Burm. f. – gel/ mucilagem – uso externo – 
queimaduras de primeiro e segundo grau. 
• Arnica – Arnica montana L. – infusão – uso externo apenas – não aplicar 
sobre ferida aberta – tóxica. 
• Calêndula – Calendula officinalis L. – infuso das flores secas – uso externo 
e bochechos. 
• Erva-baleeira – Cordia verbenacea DC. – infuso das folhas secas – uso 
interno e externo. 
• Hamamelis – Hamamelis virginiana L. – decocto das cascas secas – uso 
interno e externo. 
1.2 Plantas com efeitos anti-inflamatórios 
• Alecrim – Rosmarinus officinalis L. – infusão das folhas secas – uso 
interno e externo. 
• Bardana – Arctium lappa L. – decocto das raízes secas – interno e 
externo. 
• Calêndula – Calendula officinalis L. – infuso das flores secas – uso externo 
e bochechos. 
• Camomila – Matricaria recutita L. – infusão inflorescências secas – uso 
interno e externo. 
• Chapéu de couro – Echinodorus macrophyllus (Kunth) Micheli – infuso das 
folhas secas – uso externo e interno. 
• Erva-baleeira – Cordia verbenacea DC. – infuso das folhas secas – uso 
interno e externo. 
• Hamamelis – Hamamelis virginiana L. – decocto das cascas secas – uso 
interno e externo. 
• Macela ou marcela-do-campo – Achyrocline satureioides (Lam.) DC. – 
Infusão das sumidades floridas secas – interno e externo. 
 
 
5 
• Quebra-pedra – Phyllanthus niruri L. – infusão das partes aéreas secas – 
uso interno e externo. 
• Salgueiro – Salix alba L. – decocto cascas do caule secas – uso interno e 
externo. 
• Gengibre – Zingiber officinale Roscoe – infusão dos rizomas secos – uso 
interno e externo. 
• Unha-de-gato – Uncaria tomentosa (Willd. DC.) – decocto da casca seca 
– uso interno e externo. 
1.3 Plantas com efeitos analgésicos 
• Erva-baleeira – Cordia verbenacea DC. – infuso das folhas secas – uso 
interno e externo. 
• Garra-do-diabo – Harpagophytum procumbens DC – decocto das raízes 
secas – uso interno e externo. 
1.4 Plantas com efeitos miorrelaxantes e sedativos 
• Macela ou marcela-do-campo - Achyrocline satureioides (Lam.) DC. – 
Infusão das sumidades floridas secas – interno e externo. 
• Camomila – Matricaria recutita L. – infusão inflorescências secas – uso 
interno e externo. 
• Capim-limão – Cymbopogon citratus (DC.) Stapf – infusão folhas secas – 
uso interno e externo. 
• Erva-cidreira-de-arbusto, Lipia – Lippia alba (Mill.) N.E. Br. ex Britton & P. 
Wilson – uso partes áreas secas – infuso – uso interno e externo. 
• Melissa – Melissa officinalis L. – infuso das sumidades floridas secas – 
uso interno e externo. 
• Valeriana – Valeriana officinalis L. – decocto das raízes – uso interno e 
externo. 
1.5 Plantas com efeitos estimulantes da circulação 
• Castanha-da-índia – Aesculus hippocastanum L.- decocto das sementes 
– uso interno e externo. 
 
 
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• Gingko – Ginkgo biloba L. – infusão das folhas secas – uso interno e 
externo. 
TEMA 2 – GEOTERAPIA PARA DOENÇAS DE PELE 
Estudaremos agora a psoríase, uma doença autoimune que interfere na 
autoestima, renovação e cicatrização. A psoríasenão é contagiosa e existem 
vários tipos de psoríase, mas a mais comum são as placas que aparecem ao 
redor das articulações e face. 
Figura 1 – Psoríase 
Crédito: Kristina Igumnova26/Shutterstock. 
Figura 2 – Psoríase 
Crédito: Fuss Sergey/Shutterstock. 
Nos casos de doenças crônicas e graves, lembrem-se de utilizar a argila 
abdominal sobre as regiões lesionadas. 
Outras doenças inflamatórias relacionadas à pele, como rosácea, acnes, 
herpes simples e zoster podem se beneficiar com a Geoterapia. 
Infusões de camomila, calêndula e bardana podem auxiliar na psoríase 
para acalmar a inflamação, adicionando-as no preparo da argila e em forma de 
compressas. O uso da aloe vera também é efetivo para hidratar as placas e 
 
 
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reduzir a sensação de queimadura. Pode-se utilizar ainda a tintura ou cápsulas 
com o pó de passiflora e ou valeriana para consumo interno para auxiliar nos 
distúrbios do sistema nervoso, bem como essências florais que equilibrem o 
stress emocional dessa personalidade. 
Para finalizar a aplicação, poderá se valer da aromaterapia. O óleo 
essencial de Lavandula angustifolia (lavanda francesa) é uma das essências 
mais estudadas, com muitos artigos científicos escritos sobre sua eficácia em 
distúrbios da pele, principalmente na França, onde a aromaterapia é tratada em 
uso tópico e interno. Para fazer um óleo calmante tópico para as placas, pode-se 
utilizar uma concentração de 5% a 10% do óleo essencial de Lavandula 
angustifolia, ou seja, para 100 ml de óleo vegetal ou creme, utilizar 5 ml a 10 ml 
de óleo essencial. Lembrando que 1 ml equivale a aproximadamente 22 gotas 
de óleo essencial. Após a aplicação da argila, utilizar o óleo nas placas, três 
vezes ao dia (Franchomme et al., 2001). Pode ser utilizada nas mesmas 
proporções ou misturada à resina de copaíba, muito utilizada como antisséptico 
e na cicatrização de enfermidades da pele. Também é sugerido utilizar água com 
enxofre e a talassoterapia, terapia com água salgada ou do mar (Vila y 
Campania, 2000). 
Esse tipo de distúrbio exige um apoio multidisciplinar e requer vários 
profissionais, como dermatologistas, psicoterapeutas e terapeutas. 
Atualmente, sabe-se que a luz ultravioleta pode auxiliar no tratamento de 
psoríase e seu tratamento pode ser realizado em clínicas especializadas. 
Lembrando que a maior fonte de ultravioleta é o sol, além de ativar a produção 
da vitamina D, essencial a saúde da pele. 
TEMA 3 – DISFUNÇÕES MUSCULOESQUELÉTICAS 
Depois dos distúrbios da pele, a Geoterapia é muito buscada por 
pacientes que sofrem de distúrbios musculoesqueléticos. Dentre os distúrbios 
mais comuns: 
3.1 Doenças inflamatórias osteoarticulares 
Dentre as doenças ósseas mais comuns, estão as artrites e as artroses. 
A artrite é a inflamação da articulação, relacionada às articulações móveis, e 
 
 
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pode ser influenciada por múltiplas causas, desde traumas a doenças 
autoimunes como psoríase ou febre reumática. 
Figura 3 – Artrite 
 
Crédito: Elenabsl/ Shutterstock. 
Quando a artrite se torna crônica, degenerando as cartilagens das 
articulações, denomina-se artrose. Fatores genéticos, hormonais e obesidade 
são contribuintes das osteoartroses. É considerada doença crônica e sem cura. 
A Geoterapia irá contribuir para o quadro agudo, auxiliando na redução da 
inflamação e da dor. A aplicação deve ser fria na fase aguda e geralmente as 
articulações estão quentes, inflamadas. Caso o paciente tenha muito frio, 
pode-se utilizar argila morna, o quarto da terapia deve estar aquecido, cobertores 
e bolsas de água quente são importantes. Nas fases crônicas, a argila morna a 
quente é mais efetiva. 
Nos casos agudos, pode-se aplicar duas a três vezes na semana. Quando 
reduzir a inflamação da articulação, poderá ser espaçado para uma vez na 
 
 
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semana. Recomenda-se a aplicação abdominal na artrose e artrite com causas 
endógenas, origem autoimune e febre interna. 
Um artigo de Varzaityte et al. (2020) verificou efeito positivo da aplicação 
de argila e água com cloreto de sódio (peloterapia), balneoterapia e fisioterapia 
na osteoartrite de joelho. Os efeitos reduziram a dor, a rigidez e melhoraram o 
estado funcional. 
Decoctos de erva-baleeira, garra-do-diabo e unha-de-gato podem ser 
adicionada as massas de argilas, bem como uso interno. Os decoctos devem ser 
usados por 7 dias e espaçar 3 dias, repetir o quanto for necessário. Aqui, uma 
nota importante: por mais que fitoterápicos sejam naturais e expressem um 
extrato aquoso leve, seguem o mesmo efeito farmacológico, ou seja, o efeito 
anti-inflamatório também pode afetar o estômago. Portanto, caso seja 
necessário, utilizar protetores gástricos, como aloe vera, espinheira-santa ou 
camomila, separadamente dos decoctos. 
Caso queira utilizar a aromaterapia, após ou junto à Geoterapia, os óleos 
essenciais de alecrim e hortelã-pimenta são excelentes analgésicos, anti-
inflamatórios e estimulam a circulação local. Recomenda-se utilizar 
concentrações de 5% em óleo vegetal apropriado. Um óleo vegetal carreador 
com efeito regenerador é o óleo de abacate prensado a frio. Pode-se, inclusive, 
preparar um óleo medicinal. Não utilizar o óleo de alecrim para hipertensos sem 
controle ou tratamento. 
3.1.1 Blend anti-inflamatório e analgésico 
Iremos precisar de 1 litro de óleo de abacate, 100 g de erva-baleeira, 
100 g de garra-do-diabo, 100 g de unha-de-gato, 1 óleo essencial de boa 
procedência de alecrim e hortelã-pimenta. 
Adicionar num frasco âmbar, de preferência, ou transparente envolvido 
com papel alumínio, as plantas e 700 ml de óleo de abacate. Deixe descansar 
pelo menos um mês em local seco e escuro. Uma vez por dia, agite o óleo. Após 
os 30 dias, utilizo a validade do óleo de abacate. Para incluir os óleos essenciais, 
prefira utilizar em porções menores do óleo de plantas preparado, como por 
exemplo, 100 ml, pois os óleos essenciais são muito voláteis e podem perder o 
efeito quando utilizados em grande volume de outros óleos. 
Modo de uso: aplicar no local 3 vezes ao dia. Um ciclo de tratamento é 21 
dias e descansar 1 semana. 
 
 
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Caso queira, utilizar o azeite de plantas medicinais internamente, não 
utilizar com os óleos essenciais diluídos nessa proporção. Uso: 1 colher de 
sobremesa, 2 a 3 x ao dia. 
3.2 Osteoporose 
A osteoporose é uma patologia que está relacionada com a perda óssea. 
O cálcio presente nos ossos se desloca para fora deles e deixa o tecido 
fragilizado, ocasionando fraturas. É uma doença crônica; seu início se chama 
osteopenia e está relacionado a fatores genéticos e hormonais. 
Há pouco tempo, relata-se a importância do colágeno para a formação de 
todo arcabouço do corpo. Existem basicamente seis tipos de colágeno; entre 
eles, o tipo 2 (UCII) é um dos mais utilizados para as cartilagens e articulações. 
O tratamento de reposição de colágeno a longo prazo é uma profilaxia adequada 
contra a osteoporose e deve ser adequado a uma reeducação alimentar. Deve 
incluir também vitaminas e minerais que auxiliem a absorção e estabilização 
desse colágeno. 
Para a reposição de cálcio e magnésio, a Geoterapia sugere a água de 
argila, diariamente de dolomita ou carbonato de cálcio e magnésio. Também é 
vendida em farmácias em forma de cápsulas. 
O tratamento local também pode auxiliar na analgesia e remineralização. 
É um tratamento coadjuvante com muitas outras terapias e intervenções e a 
longo prazo. Inclui reeducação alimentar, tratamentos do sistema endócrino, 
exercícios físicos, banhos de sol, entre outros. 
3.3 Lombalgia 
A Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à 
Saúde (CID10) classifica as dores nas costas como dorsalgias (dorso), e a 
lombalgia se enquadra nelas como dor na coluna baixa ou lombar, afetando até 
65% das pessoas anualmente, causada pela maioria das vezes por 
sedentarismo e aos fatores ocupacionais (Nascimento et al., 2015). A lombalgiapode ser aguda ou crônica e engloba várias doenças, desde uma luxação dos 
músculos paravertebrais ou dorsais a uma hérnia de disco, que causa uma dor 
severa, constante e que irradia para outras regiões. Em casos mais agudos e 
leves, o alívio da dor e melhora do movimento é mais efetivo, enquanto nas 
 
 
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hérnias de disco, pode auxiliar momentaneamente ou o tratamento deve ser a 
longo prazo coadjuvante a outras técnicas terapêuticas. 
Aplicar argila em camada de 1 a 2 cm sobre toda a região lombar, 
incluindo coluna e musculatura. Deixar de 1 a 2 horas. Verificar a melhor postura 
para o paciente, adequando com rolinhos ou travesseiros; às vezes será 
necessário adequar a postura de lado com as pernas flexionadas. Caso 
desconfie da inflamação advinda de outras regiões musculares ou vertebrais, 
aplicar por toda a coluna e costas. 
Podemos utilizar os mesmos decoctos para inflamações das articulações 
para incluir no tratamento da lombalgia. 
TEMA 4 – DISTÚRBIOS DO SISTEMA NERVOSO 
Estão inclusos distúrbios que envolvem os nervos motores e sensitivos. 
Entre as mais comuns são a lombociatalgia e a fibromialgia. 
4.1 Lombociatalgia 
A lombociatalgia é a dor da coluna baixa com a inflamação do nervo 
isquiático, também conhecido como ciático. O nervo ciático tem suas raízes 
nervosas na coluna lombar; ele desce e se ramifica para a região sacral e desce 
pelos membros inferiores posterior e lateralmente até os pés. Os nervos vão 
mudando de nome conforme local e suas ramificações. 
A aplicação sobre a região lombar completa e ao longo dos membros 
inferiores pelo menos uma hora. Na fase aguda, pode-se fazer diariamente, até 
reduzir a inflamação. Argila fria, de 1 a 2 cm, no mínimo 1 hora de aplicação. 
4.2 Fibromialgia 
A fibromialgia é uma doença moderna e crônica, classificada atualmente 
como dor primária crônica, sem diagnóstico definido e que precisa de uma 
equipe multidisciplinar para dar suporte aos diversos sintomas e fatores que 
fazem essa síndrome aparecer. O paciente sente dores crônicas, muitas vezes 
incapacitantes, mas não apresentam exames diagnósticos alterados como VHS 
ou Proteína C reativa, indicativos de inflamação. Desde o início dos estudos da 
fibromialgia, os diagnósticos estão se modificando. Utilizam áreas de dor que o 
paciente sentiu (cintura escapular, quadril [nádega, trocânter], mandíbula, parte 
 
 
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superior das costas, parte inferior das costas, braço, perna superior, tórax, 
pescoço, abdômen, antebraço, e perna — todas essas áreas devem ser 
consideradas bilateralmente), fadiga de leve a grave. Ainda, se o paciente sente 
dor abdominal, depressão e enxaqueca, são fatores que vão pontuando até se 
chegar a esse diagnóstico (Maffei, 2020). 
Um estudo multicêntrico realizado em quatro spas na Itália pelo 
departamento de um instituto de reumatologia em 2007 observou um efeito 
positivo na qualidade de vida dos pacientes com fibromialgia em até 6 meses 
com o uso de compressas quentes de argila, seguidas de balneoterapia (águas 
termais). O experimento consistiu em realizar compressas quentes (4°-45°) de 
argila em todo o corpo diariamente por 15 minutos, seguido de banho de águas 
termais quentes (37°-38°) por 10 minutos, durante 12 dias. A conclusão do 
estudo menciona o valor do efeito térmico sobre as dores crônicas, reduzindo 
espasmos e aumento o limiar da dor. Sugere ainda um estímulo neuroendócrino 
em resposta ao calor, liberando hormônios que aliviam as dores, como as 
endorfinas (Fioravanti et al., 2007). 
Na revisão sistêmica de Maffei (2020), encontrou-se um estudo que 
relacionou o supercrescimento de bactérias do intestino delgado, afetando a 
permeabilidade e o eixo cérebro-intestino, o que também se relaciona com a 
visão naturista da ligação das doenças crônicas, ligação cérebro e intestinos. 
TEMA 5 – COADJUVANTES TRADICIONAIS DA GEOTERAPIA 
Dentro dessa terapia empírica, o uso da cebola, inhame e gengibre para 
atenuar as dores e as inflamações locais se instaurou, e se o terapeuta não tiver 
outras ferramentas como as plantas e óleos essenciais, poderá utilizar a cebola 
e o gengibre misturado. Durante meu estágio no Hospital Oásis, fazíamos 
decoctos em panelas grandes de cebolas cortadas e ralávamos os gengibres 
para misturarmos na massa de argila, mas também podem ser feitas 
cataplasmas com elas puras, porém, deve-se cuidar com peles sensíveis e 
pessoas alérgicas. 
5.1 Cebola 
A cebola (Allium cepa L.) é um alimento utilizado desde as mais antigas 
civilizações. É rica em vitamina tiamina (B1), riboflavina (B2), vitamina C, 
 
 
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potássio (K), fósforo (P), enxofre (S) e cálcio (Ca), e era utilizada como 
depurativo do sangue, contra enjoos, prevenir infecções, para reumatismo e 
furúnculos. A naturopatia tem a cebola como emoliente e depurativa, que vem 
sendo usada para auxiliar nos tratamentos de asma, ascite, enxaqueca, 
reumatismo e outras doenças febris. Ainda devido ao seu ácido sulfuro de alilo, 
tem ação laxativa, diurética, bactericida e sudorífera. Já foi utilizada na 
Antiguidade para tratar tuberculose e sífilis. A glucoquinina é um excelente 
hipoglicemiante (Balbach; Boarim, 1993). 
Balbach e Boarim (1993) citam ainda a cebola em compressas e 
cataplasmas para auxiliar nos tratamentos de tumores, inflamações, abscessos, 
furúnculo, picadas de insetos, dermatoses. Internamente, é útil nos cálculos 
renais e de vesícula, vermes, calmante, alcalinizante, anticoagulante e 
hipoglicemiante. 
Peretto (2000) recomenda o cataplasma com cebola nas congestões das 
partes superiores do corpo e febre. Utilize uma película fina de cebola sobre 
feridas abertas que não podem entrar em contato com a argila diretamente, 
auxiliando na proteção e assepsia. 
5.2 Inhame 
Existem vários tipos de inhame, mas apenas alguns são comestíveis. O 
inhame-da-índia e o inhame-gigante são considerados tóxicos. O inhame 
comestível (Colocasia esculenta, L Schott) é rico em tiamina (B1), riboflavina 
(B2) e vitamina C, e possui grande quantidade de potássio, sódio, fósforo e 
cálcio. Dentre as raízes, é uma das que possui mais ferro (Fe). Considerado um 
vegetal com propriedades exsudativas é muito utilizado em cataplasmas nas 
erupções cutâneas, precedidas de compressas de unguento de gengibre. Para 
o consumo interno, deve ser bem cozido, pois é indigesto se consumido cru. 
Peretto (2000) inclui o cataplasma de inhame com meia cabeça de 
gengibre para dores em geral. Também menciona: na falta de argila e inhame, 
pode-se utilizar cará-branco ou batata e acrescentar gengibre para os 
cataplasmas. Também se utiliza muito em furúnculos e abscessos, com 
compressas de gengibre e cebola ou alho e depois o cataplasma de inhame. 
 
 
 
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5.3 Gengibre 
O rizoma do gengibre (Zingiber officinale R.) é usado desde a Idade Média 
como digestivo, e seus principais ativos parecem estar principalmente nos seus 
óleos essenciais voláteis. Conforme ITF (2008), alguns dos seus ativos, como 
óleos essenciais gingerol e chugaol, possuem propriedades diaforética, 
antipirético, expectorante, antitussígeno, analgésico, imunoestimulante, 
digestivo, carminativo, antiemético, carminativo, colagogo, cardiotônico, 
antitrombolítico (anticoagulante), antibacteriano (estafilococos, estreptococos, 
escherechia coli proteus), antioxidante, antiespasmódico, estimulante da 
circulação periférica, profilática para náusea ou vomito por cinetose e de 
gestação, afecções reumáticas e fungicida. Diante de tantas propriedades, não 
é difícil de imaginar por que esse rizoma foi escolhido para atuar junto dos 
cataplasmas da Geoterapia. 
Borges (2002), sugere o cataplasma de argila (1,5 kg), 1 inhame médio, 1 
gengibre grande e 1 pimenta vermelha para inflamações em geral. Recomenda 
não aplicar nos pulmões e nem no coração. O gengibre e a pimenta podem 
provocar reações alérgicas; observar. O gengibre é um excelente analgésico. 
Excelente paradores articulares e ciático. 
Balbach e Boarim (1993) recomendam, junto do cataplasma de inhame e 
argila, realizar um cataplasma de gengibre. Para tal, recomenda-se ferver 
7 copos de água e ralar 1/3 de xícara de gengibre, fazer uma trouxinha com um 
pano de algodão ou outro pano fino e permeável, deixar o gengibre em infusão 
por 10 minutos com a panela tampada. Fazer compressas com essa água de 
gengibre ainda quente por 10 minutos, trocando cada vez que esfriar. Depois 
descascar e ralar dois inhames médios adicionar farinha e o gengibre ralado, 
misturar e aplicar sobre o local afetado. Essa técnica é utilizada para furúnculos 
e abscessos. 
NA PRÁTICA 
Nessa parte prática, vou mostrar no vídeo como fazer um cataplasma no 
joelho. O paciente pode ir embora com o cataplasma e ficar em média duas horas 
e depois descartar no lixo orgânico. Poder ser feito diariamente, até a dor aguda 
reduzir. Se o paciente puder ficar imóvel é melhor. 
 
 
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Se você tem um espaço onde é possível fazer os infusos e decoctos para 
utilizar com a argila, recomendo o uso. Existem muitas formas de utilizar as 
argilas com a fitoterapia, com os óleos essenciais e com os elementos 
tradicionais, como cebola, inhame e gengibre. Utilize e verifique o seu efeito. 
No segundo vídeo vou aplicar a Geoterapia para uma dor lombar aguda. 
Essa paciente concordou em dar o seu relato após a terapia, sentiu muitas 
reações durante a sessão e ao finalizar sentiu melhor. Ficou durante 40 minutos 
com aplicação de argila cinza. 
Assista o vídeo Aplicação da Geoterapia no joelho e na dor lombar. No 
final, a paciente dá um relato sobre as sensações que teve. 
FINALIZANDO 
Se você gosta da fitoterapia aliada à Geoterapia, além das plantas citadas 
acima do memento fitoterápico, existe uma infinidade de plantas que podem 
auxiliar nos tratamentos internos e externos. 
Mesmo sendo uma terapia empírica, devemos sempre estar informados 
sobre o desenvolvimento das doenças e tratamentos, para que possamos 
acompanhar a melhora do nosso paciente com cada vez mais consciência. 
Os coadjuvantes tradicionais mencionados são os mais utilizados, junto 
das massas de argilas nos hospitais e spas naturistas, mas são utilizados muitos 
outros, como couve, banana e alho, entre outros. Basta estudar seus efeitos 
terapêuticos e incluir na sua prática. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
ANVISA. Formulário de fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Brasília, 
2011. Disponível em: 
. Acesso em: 8 jul. 
2021. 
_____. Memento fitoterápico. Farmacopeia brasileira. Brasília, 2016. 
BALBACH, A.; BOARIM, D. As hortaliças na medicina natural. São Paulo: Vida 
Plan., 1993. 
BORGES, E. P. Geoterapia. Argiloterapia. Material apostilado do centro de 
tratamento alternativo. Vitória: 2002. 
FIORAVANTI A. et al. Effects of mud-bath treatment on fibromyalgia patients: a 
randomized clinical trial. Rheumatol Int., n. 12, 2007, p.1157-61. 
FRANCHOMME, J et al. L’aromathérapie exactement. Paris: Roger Jollois, 
2001. 
ITF – Índice Terapêutico Fitoterapêutico. Ervas medicinais. Petrópolis: EPUB, 
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Panamericana de la Salud. Organización Mundial de la Salud. Programa 
Nacional de Medicina Complementária. Peru. Textos completos, 2000. 
	Conversa inicial
	TEMA 1 – FITOTERAPIA APLICADA A GEOTERAPIA
	TEMA 2 – Geoterapia para doenças de pele
	TEMA 3 – Disfunções musculoesqueléticas
	TEMA 4 – DISTÚRBIOS DO SISTEMA NERVOSO
	TEMA 5 – COADJUVANTES TRADICIONAIS DA GEOTERAPIA
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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