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Resistência dos Materiais I AULA 2- PROPRIEDADAS MECÂNICAS DOS MATERIAIS Prof. Dra. Elaine Albuquerque Depto de Engenharia Civil UFRR CONTEÚDO: 1. Ensaios de Tração 2. Ensaios de Compressão 3. Diagrama Tensão-Deformação 4. Materiais Dúcteis e Frágeis 5. Lei de Hooke 6. Energia de Deformação 7. Coeficiente de Poisson 8. Elasticidade e Plasticidade 9. Fluência, Relaxação e Fadiga 10. Tipos de Análise Propriedades Mecânicas dos Materiais Introdução O projeto de estruturas de forma que elas funcionem corretamente exige que entendamos o “comportamento mecânico” dos materiais sendo usados. Comumente, a única maneira de determinar como os materiais se comportam quando submetidos a cargas é executar experimentos em laboratório. Muitas propriedades de um material podem ser determinadas a partir de um ensaio de tração ou compressão, a partir de uma amostra do material. A maioria dos laboratórios de testes de materiais é equipada com máquinas capazes de carregar corpos de prova em uma variedade de formas, incluindo os carregamentos estáticos e dinâmicos em tração e compressão. Propriedades Mecânicas dos Materiais ENSAIOS DE TRAÇÃO Exemplo – Aço. - Corpos de Prova de formas e tamanhos padronizados - Marcas de referência inicial do corpo de prova - Determinação de A0 e L0 . - A máquina de teste aplica uma força normal e axial ao corpo de prova, alongando-o a uma taxa lenta e constante. 1- Ensaios de Tração 2- Ensaios de Compressão ENSAIOS DE COMPRESSÃO Exemplo – Concreto e Alvenaria. -O Processo de ensaio em corpos de prova de compressão é similar ao de tração - Formas e tamanhos diferentes; - Mudança no sistema de ensaio. O DIAGRAMA TENSÃO vs. DEFORMAÇÃO Através dos dados obtidos em um ensaio de tração ou de compressão, é possível calcular vários valores de tensão e das deformações correspondentes no corpo de prova e, então, construir um gráfico com esses resultados. A curva resultante desses valores é chamada de Diagrama Tensão-Deformação. 3.1- Diagrama Tensão-Deformação Convencional. Tensão nominal Da mesma maneira podemos determinar a deformação nominal Deformação nominal 3.2- Diagrama Tensão-Deformação Real. 0A P 00 0 L L L LL 3- Diagrama Tensão-Deformação 3- Diagrama Tensão-Deformação Os resultados dos testes geralmente dependem do tamanho do corpo de prova sendo ensaiado. Uma vez que é improvável que estaremos projetando estruturas tendo partes do mesmo tamanho que os corpos de prova, precisamos expressar os resultados dos testes de forma que possam ser aplicados a membros de qualquer tamanho. Um modo simples de atingir esse objetivo é converter os resultados dos testes em tensões e deformações. 3- Diagrama Tensão-Deformação INTERPRETAÇÃO DO DIAGRAMA TENSÃO vs. DEFORMAÇÃO O diagrama pode ser subdividido em 4 partes de forma que cada trecho dele representa o comportamento do material, para aquele nível de tensão e correspondente deformação. - Comportamento Elástico Trecho linear σlp - Limite de proporcionalidade. σf - Limite de elasticidade - Patamar de escoamento σE - Tensão de escoamento. Deformação permanente sob tensão constante Deformação Plástica (deformação residual ) -Endurecimento por Deformação σr - Limite de resistência Após passar pelas grandes deformações no período de escoamento o material passa por mudanças em sua estrutura cristalina, resultando em um aumento de resistência do material para mais deformação . - Estricção σrup - Ruptura Diminuição da seção transversal em região localizada Visto que a área da seção transversal está diminuindo continuamente, a área menor só pode suportar uma carga menor, sempre decrescente O diagrama curva-se para baixo e atinge σrup . 3- Diagrama Tensão-Deformação 3.2- DIAGRAMA TENSÃO - DEFORMAÇÃO REAL Em vez de sempre usar a área da seção transversal e o comprimento originais do corpo de prova para calcular a tensão e a deformação, poderíamos utilizar a área da seção transversal e o comprimento reais do corpo de prova no instante em que a carga é medida. Os valores da tensão e da deformação calculados por essas medições representam o Diagrama Tensão-Deformação Real. O diagrama apresentado anteriormente mostra as características gerais da curva de tensão- deformação para o aço mole, mas suas proporções não são realistas porque, como já mencionado, a deformação que ocorre de B até C pode ser de até dez vezes ou mais a deformação que ocorre no trecho linear. Além disso, as deformações de C até E são muita vezes maior do que aquelas do trecho BC. 3- Diagrama Tensão-Deformação Diagrama tensão-deformação para um aço estrutural típico submetido à tração (em escala). As ligas de alumínio não tem um ponto de escoamento claramente definido, como o diagrama tensão-deformação do aço doce. Entretanto elas tem uma região linear inicial com um limite de proporcionalidade reconhecível. 3- Diagrama Tensão-Deformação Diagrama tensão-deformação típico para uma liga de alumínio submetida à tração (em escala). Quando um material como o alumínio não tem um ponto de escoamento óbvio e ainda sofre grandes deformações depois que o limite de proporcionalidade é excedido, uma tensão de escoamento arbitrária pode ser determinada pelo método de equivalência. Como essa tensão é determinada por uma regra arbitrária e não é uma propriedade física inerente do material, deve ser distinguida da tensão de escoamento verdadeira referindo-se a ela como Tensão de Escoamento Equivalente. 3- Diagrama Tensão-Deformação Diagrama tensão-deformação típico para uma liga de alumínio submetida à tração (em escala). Diagrama tensão-deformação típico para uma liga de alumínio submetida à tração (em escala). Diagrama Tensão x Deformação (cont...) A figura abaixo apresenta um diagrama tensão-deformação de um aço usualmente utilizado na engenharia, no qual pode-se distinguir diferentes regiões. Diagrama Tensão x Deformação (cont...) O comportamento do corpo-de-prova pode ser de diferentes formas, dependendo da intensidade da carga aplicada e do seu grau de deformação. Diagrama Tensão x Deformação (cont...) Diagrama Tensão x Deformação (cont...) A figura abaixo apresenta um diagrama tensão-deformação de um concreto usualmente utilizado na engenharia, no qual pode-se distinguir o comportamento predominantemente frágil em tração e um comportamento mais dúctil na região de compressão. Diagrama Tensão x Deformação Basicamente, iremos trabalhar com dois tipos de materiais: os materiais dúcteis e os frágeis. Materiais Dúcteis Qualquer material que possa ser submetido a grandes deformações antes de sofrer ruptura é denominado material dúctil. 4- Materiais Dúcteis e Frágeis Diagrama tensão-deformação para um aço estrutural típico submetido à tração (em escala). Outros materiais , como latão, molibdênio e zinco, também podem exibir características de tensão- deformação dúctil semelhantes às do aço e, por isso, passam por comportamento de tensão-deformação elástica, escoamento a tensão constante, endurecimento por deformação e, por fim, estricção até ruptura. Aço Temperado Aço com alto teor de carbono Aço com baixo teor de carbono Aço puro Materiais Frágeis Materiais que exibem pouco ou nenhum escoamento antes da ruptura são denominados materiais frágeis. 4- Materiais Dúcteis e Frágeis Diagrama tensão-deformação típico para um material frágil mostrando o limite de proporcionalidade (ponto A) e a tensão de ruptura (ponto B). O concreto, assim como o ferro fundido é classificado como material frágil e também tem baixa capacidade de resistência à tração. Diagrama tensão-deformação do concreto 5- Coeficiente de Poisson (ν) Quando submetido a um esforço de tração axial, um corpo deformável não apenas se alonga, mas também se contrai lateralmente. -Século XIX , Siméon Denis Poisson -A razão entre as deformações Transversais e Longitudinais é constante dentro do regime elástico; -Essarazão tem o nome de Coeficiente de Poisson é obtida por : -O Coeficiente de Poisson é adimensional e, para a maioria dos sólidos não-porosos, seu valor encontra-se em geral, entre 0,25 e 0,33. long trans 5,00 Imagine um corpo sujeito a tensões normais uniformemente distribuídas Corpo sujeito apenas a σx ∆L = alongamento da barra ∆b = contração em z L = comprimento inicial da barra h = altura inicial da barra x y z P DL L h b b-Db h-Dh b = largura inicial da barra ∆h = contração em y Se P fosse de compressão: haveria encurtamento da barra e expansão nas direções y e z!!! L L x h h y b b z Coeficiente de Poisson para Materiais Isótropos Módulo de Elasticidade e coeficiente de Poisson para alguns materiais Comprova-se teoricamente que para materiais isótropos: 0transversal após a aplicação da carga. O material comporta-se elasticamente. Exercício 4: Da tabela para o aço A-36, Eaço = 200 GPa 32,0aço v (Resposta) m28,1 (Resposta) m56,2 y x Um corpo de liga de titânio é testado em torção e o diagrama tensão-deformação de cisalhamento é mostrado na figura ao lado. Determine o módulo de cisalhamento G, o limite de proporcionalidade e o limite de resistência ao cisalhamento. Determine também a máxima distância d de deslocamento horizontal da parte superior de um bloco desse material, se ele se comportar elasticamente quando submetido a uma força de cisalhamento V. Qual é o valor de V necessário para causar esse deslocamento? Exercício 5: (Resposta) kN 700.2V MATERIAIS ELÁSTICOS NÃO LINEARES Exemplos: Alguns tipos de borracha Leis mais gerais de comportamento MATERIAIS ANELÁSTICOS O elemento retoma a geometria inicial quando descarregado, mas a curva de descarga não coincide com a curva de carga. Exemplos: alguns tipos de borrachas. Usadas para Amortecimento de vibrações Leis mais gerais de comportamento MATERIAIS COM ENDURECIMENTO Endurecimento (strain hardening) propriedade definida pelo aumento contínuo da tensão axial com a evolução da deformação axial após o ponto de escoamento. Trajetórias carga-descarga praticamente retas e coincidentes, paralelas ao ramo elástico linear inicial. Após descarga e carga consecutivas, ocorre um aumento da tensão de escoamento. 2Y 1Y Y Y 1Y 2Y Y Leis mais gerais de comportamento (cont.) MATERIAIS COM ENDURECIMENTO Energia dissipada Na realidade as trajetórias carga-descarga consecutivas não são coincidentes. Leis mais gerais de comportamento (cont.) F F Teste de tração quase-estático em temperatura moderada rígido elástico linear rígido plástico perfeito elástico linear, perfeitamente plástico COMPORTAMENTO UNIAXIAL IDEALIZADO Leis mais gerais de comportamento (cont.) elástico linear, plástico com endurecimento linear (bilinear) rígido, plástico com endurecimento linear elástico linear, plástico com endurecimento não linear COMPORTAMENTO UNIAXIAL IDEALIZADO F F Leis mais gerais de comportamento (cont.) G0 G0 au- a E1 E1 ep au- a p Leis mais gerais de comportamento (cont.) COMPORTAMENTO UNIAXIAL IDEALIZADO elástico linear, plástico com encruamento negativo (bilinear) Exemplos: tração uniaxial e cisalhamento puro no concreto Leis mais gerais de comportamento (cont.) COMPORTAMENTO UNIAXIAL IDEALIZADO Modelos para material com fissuração e plasticidade Exemplos: concreto fissurado em compressão ou tração Leis mais gerais de comportamento (cont.) COMPORTAMENTO UNIAXIAL IDEALIZADO Modelo para Material com fissuração apenas Exemplos: concreto fissurado em tração E=E0(1-D) e Modelo para Material com fissuração e plasticidade Exemplos: concreto fissurado em tração ou compressão Tipos de Análise Com relação à variação das ações com o tempo Com relação à posição da estrutura onde o equilíbrio é estabelecido Com relação ao comportamento adotado para o material Estática Dinâmica Primeira Ordem Segunda Ordem Elástica Linear Inelástica 10. Tipos de Análise Tipos de Análise Análise Linear Análise Não-Linear -Tensões proporcionais às deformações - Esforços proporcionais aos deslocamentos -Não existe a proporcionalidade entre os elementos acima citados Tipos de Análise (cont.) Na Análise Linear a Lei de Hooke é válida Análise Elástica Linear (maioria dos casos práticos de dimensionamento de estruturas) Constante Tipos de Análise (cont.) Análise Não-Linear Análise Não-Linear Física (NLF) Análise Não-Linear Geométrica (NLG) ou de Segunda ordem Análise Não-Linear Física -Comportamento do material -O Módulo de Elasticidade E não é constante Análise Não-Linear Geométrica -Comportamento da Estrutura - Condição de Equilíbrio é imposta na posição deslocada da estrutura Tipos de Análise (cont.) Na prática, o dimensionamento é feito com a Análise Estática Linear Elástica com a utilização de coeficientes de segurança. Avanço Mecânica Computacional Mecânica dos Materiais -Métodos Numéricos -Técnicas de Cálculo - Modelos Matemáticos -Novas terias sobre materiais -Novos materiais - Melhoria no conhecimento sobre materiais já existentes REFLEXO NAS NORMAS TÉCNICAS ATUAIS !!! ESTRUTURAS MAIS EFICIENTES !!! PROBLEMAS COM A EXECUÇÃO !!! Tipos de Análise (cont.) APLICAÇÕES !!!