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Teoria da Norma e do Ordenamento Jurídico V- Antinomia Jurídica Responsável: Michele de Cassia Santos Silva V.I SISTEMA JURÍDICO O Direito deve ser um sistema de bases sólidas, apto a resolver conflitos e flexível a moldar-se de acordo com época social, tecnológica e histórica, buscando a construção de normas válidas juridicamente que sigam certa ordem com caráter unitário e íntegros que promovam o bem estar social e a justiça para maior número de pessoas abrangidas possível. Porém, alguns casos são marcados pela ocorrência da chamada Antinomia Jurídica, fenômeno de caráter danoso ao sistema jurídico, fazendo-o perder parte de sua credibilidade como um todo . V.II ANTINOMIA JURÍDICA Antinomia é a presença de duas normas conflitantes, validas e emanadas de autoridade competente sem que se possa dizer qual delas merecerá aplicação em determinado caso concreto, dificultando sua interpretação. De acordo com Ulrich, a antinomia pode dar origem à lacuna de conflito ou de colisão, porque ao serem conflitantes as normas se excluem reciprocamente. Alguns fatores que contribuem para a recorrência da antinomia jurídica incluem: · Multiplicidade de fontes normativas: Em sistemas jurídicos complexos, com diversas instâncias legislativas (federal, estadual, municipal) e uma variedade de normas (constituição, leis, decretos, portarias, etc.), a probabilidade de normas conflitantes é maior. · Evolução social e legislativa: À medida que a sociedade evolui, novas leis são criadas e leis antigas podem não ser revogadas ou atualizadas de forma eficiente, levando a conflitos entre a legislação mais recente e a anterior. · Imprecisão legislativa: A linguagem jurídica nem sempre é perfeita, e ambiguidades ou generalizações excessivas podem levar a interpretações conflitantes e, consequentemente, a antinomias. · Diferentes interpretações: Mesmo normas aparentemente claras podem ser interpretadas de maneiras distintas por diferentes juristas, tribunais ou órgãos administrativos, gerando conflitos na sua aplicação. · Lacunas legislativas: A tentativa de regular todas as condutas e situações da vida em sociedade pode levar à criação de normas que, inadvertidamente, conflitam com outras existentes. Para Maria Helena Diniz, o direito deve se submeter a um subsistema relacionado a 3 critérios chave : Incompatibilidade, Indecibilidade, Necessidade de decisão. V.III CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DAS ANTINOMIAS JURÍDICAS Síntese para Classificação das normas jurídicas em relação ao: • Critério de solução: A) Antinomia Aparente : ocorre quando os critérios para uma solução forem normas integrantes do ordenamento jurídico. B) Antinomia Real : ocorrem quando não há critérios normativos na ordem jurídica para soluciona-las, sendo imprescindível a sua eliminação a edição de uma nova norma. Tércio Sampaio Ferraz Jr,conceitua “a antinomia real como uma oposição as duas normas contraditórias (total ou parcial ), emancipadas de autoridades competentes num mesmo âmbito normativo que colocam o sujeito em um âmbito insustentável pela ausência ou inconsistência de critérios aptos a permitir-lhe uma saída nos quadros de um ordenamento dado” • Conteúdo: A) Antinomia própria: existência de uma conduta que aparece ao mesmo tempo prescrita e não prescrita, proibida e não proibida. Um exemplo interessante dado por Maria Helena Diniz é quando ocorre o ordenamento por parte do capitão, de fuzilagem a um soldado de guerra, o soldado se encontra entre duas conflitantes: uma que o obriga a seguir as ordens do seu superior e outra que o proibi de matar um ser humano. B) Antinomia Imprópria: Ocorre em virtude do conteúdo matéria das normas, podendo ser subclassificas em : a) Antinomia de princípios : normas defendem ideias fundamentais opostas, como liberdade segurança. Exemplo:Quando um jornal pública uma reportagem investigativa sobre um político,alegando corrupção com base em certas evidências,ocorre uma Antinomia de conflito entre a liberdade de expressão(garante ao jornal direito de divulgar informações de interesse público)e o direito à honra e imagem (proteje o político contra acusações difamatorias que possam prejudicar sua reputação pessoal e profissional). b) Antinomia valorativa: quando o legislador não é fiel a uma valoração por ele própria realizada, como é o caso da penalização mais branda para casos de infanticídio do que o abandono de incapaz c) antinomia teológica ou técnica: Incompatibilidade entre os fins propostos por uma norma e os meios previstos por outra para consciência daqueles fins. • Âmbito de atuação : a) Antinomia de direito interno: normas de mesmo ramo do direito ou de diferentes ramos jurídicos . Exemplo: imagine uma lei municipal que proíbe a construção de edifícios com mais de 10 andares em determinada área da cidade, visando preservar o patrimônio histórico. Ao mesmo tempo, uma lei estadual permite a construção de edifícios de até 20 andares em qualquer área do estado, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento urbano.Para solucionar essa antinomia, geralmente se aplicam critérios como a hierarquia das normas (a lei estadual prevaleceria sobre a municipal), a especialidade (se a lei municipal for mais específica para aquela área, poderia prevalecer) ou o critério cronológico (a lei mais recente poderia revogar a anterior). A forma de solucionar a antinomia dependerá das regras de interpretação e aplicação do direito em cada sistema jurídico. b) Antinomia de direito internacional: aparece entre convenções internacional, entre seus costumes e princípios gerais de direito. Nessas normas existem apenas hierarquias de fato, quando a caráter subordinante. Exemplo: Imagine que dois Estados firmam um tratado bilateral sobre a exploração de um recurso natural específico em uma área delimitada. Posteriormente, esses mesmos Estados e outros aderem a um tratado multilateral que estabelece um regime de proteção ambiental mais rigoroso para uma área mais ampla que inclui a área do tratado bilateral. Se as obrigações estabelecidas no tratado multilateral forem incompatíveis com as permissões concedidas no tratado bilateral, surge uma antinomia. c) Antinomia de direito interno/internacional: surgem entre normas de direito interno e normas de direito internacional, problema de relação entre ambos ordenamentos. • A extensão de contradição a) Antinomia total-total: normas que não podem ser aplicadas em nenhuma circunstâncias por gerarem conflitos com outras . b) Antinomia total- parcial : normas com campos de aplicação conflitantes com a anterior apenas em partes. Exemplo:Liberdade de Expressão e Proteção contra Difamação: A liberdade de expressão deve ser irrestrita? Ou deve haver limites para proteger a reputação das pessoas contra difamação? c) Antinomia parcial- parcial : normas que em parte entram em conflito e em outra parte não. IV MEIOS DE SOLUÇÕES DAS ANTINOMIAS JURÍDICAS Raramente haverá consenso absoluto da comunidade jurídica para resolução de autinomias entre duas normas. Em geral são traçados três critérios básicos, aplicados em diferentes situações. a) Critério Cronológico: trata-se da prevalência da norma posterior, ou seja, critério analisado em normas de dois momentos cronológicos distintos. b) Critério Hierárquico: consiste na prevalência de uma norma portadora de status hierarquicamente superior ao seu par antinômico. c) Critério Específico: baseia supremacia relativa a norma mais específica ao caso da questão. O critério hierárquico trata-se do critério mais sólido ,mas nem sempre é o mais justo. Cada especialidade de autonomia jurídica é resolvida com critérios específicos. É importante notar que, em alguns casos, pode haver conflito entre os próprios critérios (por exemplo, uma lei especial anterior e uma lei geral posterior). Nesses casos, a doutrina e a jurisprudência buscam soluções mais complexas, que podem envolver a ponderaçãodos valores e princípios envolvidos, a análise da intenção do legislador e a busca pela solução mais justa e adequada ao caso concreto. Em situações mais complexas, nas quais os critérios tradicionais não oferecem uma solução clara, podem ser utilizados outros métodos de interpretação e integração do direito, como a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito, conforme previsto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB). CONCLUSÃO O fenômeno Antinomia Jurídica é um fenômeno corrosivo ao sistema jurídico,trata-se de um desafio constante para a segurança da ordem jurídica , dividido em alguns critérios para sua classificação. Consiste em um evento constante no ordenamento jurídico que pode gerar dificuldade na aplicabilidade do Direito. O Direito busca mecanismos para solucionar as Antinomias, baseado em alguns critérios básicos, tradicionais ou em valores e principios envolvidos. Referências bibliográficas · Revista Tribunal Regional Federal da 3° região HTTPS://blog.grupogen.com.br Revista acessada 05/04/2025 17h 23min · Jusbrasil HTTPS://www.jusbrasil.com.br Site visitado 05/04/2025 15h 45min · Wikipédia https://pt.wikipedia.org/. Site visitado 06/04/2025 · Livro: Compêndio de introdução a ciência do direito- Maria Helena Diniz Livro lido entre os dias 29/03/2025 a 05/04/2025 Páginas 486 a 496 Capítulo III- 4.-Aplicação do Direito D.Correção do Direito e Antinomia Jurídicas . D2. Classificação das Antinomia