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ECONOMIA UNIDADE 1: ORIGEM, CONCEITOS FUNDAMENTAIS, PROBLEMAS E TEMAS RELEVANTES DA ECONIMIA Economia: palavra derivada do grego oikosnomos (oikos = casa; nomos = lei); A Ciência Econômica foca nos problemas relativos ao uso mais eficiente de recursos materiais escassos para a produção de bens; é a ciência que trata dos fenômenos relativos à produção, distribuição, acúmulo e consumo de bens. É importante, no campo de observação desta ciência, estudar: • as atividades econômicas que envolvem o emprego da moeda e troca entre indivíduos, empresas e governo; • o comportamento das empresas que produzem de modo eficiente, reduzindo custos para obter lucros; • o comportamento do consumidor, tendo em vista os preços, a renda de que dispõem e a oferta de bens e serviços. Disse Samuelson (1979, v. I, p. 3): "Economia é o estudo de como os homens e a sociedade decidem, com ou sem a utilização do dinheiro, empregar recursos produtivos escassos, que poderiam ter aplicações alternativas, para produzir diversas mercadorias ao longo do tempo e distribuí-las para consumo, agora e no futuro, entre diversas pessoas e grupos da sociedade. Ela analisa os custos e os benefícios da melhoria das configurações de alocação de recursos." Resumidamente, a economia estuda o emprego de recursos escassos entre usos alternativos, a fim de obter os melhores resultados. Exemplo: - Recurso escasso = renda mensal/salário de um indivíduo ou família; - Usos alternativos = cesta de consumo ou tudo o que se gasta. Agora, pensando em uma maior dimensão como a de uma empresa. Esta pode produzir mercadorias e vendê-las diretamente aos seus consumidores, pode apenas ser uma empresa comercial, comprando mercadorias produzidas por outras empresas e 1 vendendo diretamente aos consumidores ou ainda pode ser prestadora de algum serviço. Quando uma empresa produz alguma mercadoria, mesas, por exemplo, ela necessita de meios de produção, bens necessários à execução de sua atividade produtiva. Para produzir determinada mercadoria, necessita então adquirir meios de produção e pagará por esta aquisição. Se a empresa adquire seus próprios meios de produção, isto terá um custo. Este custo é conhecido pela multiplicação de duas variáveis: preço dos fatores adquiridos e quantidade de mercadorias adquiridas. Disso resulta o custo de produção. Uma empresa que vende sua produção, recebe a quantidade de dinheiro referente às suas vendas. Essa quantidade de dinheiro proveniente das vendas de sua produção é chamada de receita de vendas, que provém de duas variáveis: preço da mercadoria e quantidade das mercadorias vendidas. ORÇAMENTO EMPRESARIAL: tudo relativo às receitas e despesas empresariais. Depois de analisar como funciona a economia nos âmbitos individuais, familiares e de empresas, falaremos agora no governo. O governo de um país (classificado economicamente como um agente econômico particular, ou seja, exerce, por vezes, o papel das empresas e/ou das famílias) tem obrigações e direitos. Por obrigações, deve prover bens públicos como energia, transporte e saneamento básico; construir escolas, estradas e hospitais; pagar aposentadorias e pensões; etc. Por seus direitos, legisla questões trabalhistas e contratuais e também arrecada recursos da população na forma de impostos. Portanto, o governo, por meio de sua arrecadação, obtém uma receita. Mas para prover bens públicos à sociedade, também tem custos com essa provisão (do verbo prover), ou seja, gasta, tem despesa com sua atividade. Falamos então do orçamento do governo, orçamento do setor público, representado por suas receitas e suas despesas. A LEI DA ESCASSEZ A Ciência Econômica existe para dar conta de responder a um grande problema: a escassez de recursos frente à grande quantidade de mercadorias e diante da ilimitada necessidade de consumo dos indivíduos. Portanto: RECURSOS LIMITADOS X NECESSIDADES ILIMITADAS Dentro dos recursos, temos os recursos produtivos ou os fatores de produção, indispensáveis ao processo produtivo de bens materiais, que conceituaremos como: • terra: pelo recurso econômico terra, entende-se as terras destinadas à agricultura e pecuária, ou seja, terras cultiváveis, florestas, minas disponíveis àquelas produções de 2 mercadorias provenientes da utilização do solo. • trabalho: entende-se como a mão de obra empregada na produção de mercadorias ou na prestação de serviços. Portanto, o homem. • capital: entenderemos inicialmente o capital financeiro, ou seja, o dinheiro necessário para dar impulso a qualquer empreendimento industrial, comercial ou qualquer outro que seja. Mais do que exemplificar o dinheiro enquanto recurso produtivo, há também o capital representado pelas máquinas, pelos equipamentos, pelas instalações e pela matéria-prima. • tecnologia: compreende as técnicas de produção utilizadas pelas empresas, que também podemos chamar de know how ou knowledge, voltados à técnica de produção e ao conhecimento científico, respectivamente. • capacidade empresarial: dá-se importância aos empresários ou simplesmente àquelas pessoas disponíveis a empreender um novo investimento ou aptas a abrir uma empresa. Cada um desses fatores de produção tem a sua respectiva remuneração. • Terra - aluguel • Trabalho - salário • Capital - juros • Tecnologia - direito à propriedade • Capacidade empresarial - lucros Dentro das NECESSIDADES ILIMITADAS, temos o conceito de cesta de consumo. Esta pode ser definida como aquilo que, coletivamente ou individualmente, precisamos para satisfazer necessidades. Tipos de necessidades: COLETIVAS: segurança, defesa, educação, saneamento básico, saúde, etc. INDIVIDUAIS: - Absolutas: dormir, respirar, comer, habitar, procriar, vestir-se, etc. - Particulares: hábitos, normas, costumes, valores. 3 Para obter a satirfação dessas necessidades, temos os BENS (mercadorias, produtos + serviços). O PROBLEMA ECONÔMICO FUNDAMENTAL O problema econômico fundamental consiste em dar respostas às seguintes questões: • O que e quanto produzir? • Como produzir? • Para quem produzir? Segundo Heilbroner (1987), as tarefas da sociedade econômica são: (1) organizar um sistema que assegure a produção de bens e serviços suficientes para sua própria sobrevivência; (2) ordenar a distribuição dos frutos de sua produção, de modo que mais produção possa ter lugar. Estas duas tarefas envolvem: (i) mobilização de esforços; (ii) alocação de esforços; (iii) distribuição do produto. A primeira questão, O QUE E QUANTO PRODUZIR, diz respeito a quais os tipos de mercadorias que devem ser produzidas pelas empresas de um país e em quais quantidades. A segunda questão, COMO PRODUZIR, diz respeito a qual técnica de produção utilizar na produção de determinadas mercadorias. implica conhecer as tecnologias disponíveis às empresas para utilização na produção das mais diversas mercadorias. Esta também diz respeito à alocação de esforços (por exemplo, a diferença entre os processos de produção de automóveis e o processo de produção do pão francês na padaria). A última questão, referente ao PARA QUEM PRODUZIR, diz respeito às opções políticas que, necessariamente, devem ser feitas. A quem priorizar? A qual segmento da sociedade devemos atender? Quem precisa de mais serviços de saúde: a população dos centros urbanos ou da periferia? Dessa forma, a pergunta referente ao para quem produzir diz respeito à distribuição do produto. Diz respeito a que tipo de público deve ser atendido com determinada produção. Implica conhecer o público-alvo para determinada mercadoria, 4 e, portanto, implica conhecer que tipo de consumidor tem a renda correspondente ao consumo de determinada mercadoria. OS BENS Os bens nada mais são que os produtos, podendo também significar serviços. Enquanto os bens representarão algo material, os serviços representarão o intangível. Os BENS se dividem entre LIVRES e ECONÔMICOS. Os bens livres são aqueles que, aoserem consumidos, não ensejam qualquer contraprestação como pagamento por sua utilização. Vamos exemplificar: o ar que respiramos, o sol que nos aquece, etc. Com estes bens, a Ciência Econômica não se preocupa, justamente pelo motivo de não ensejarem a contraprestação por seu pagamento. Já os bens econômicos terão atenção especial por nossa ciência, pois requerem contraprestação (a obrigação de fornecer algo em troca de um serviço recebido) de pagamento por sua utilização. Vamos definir as diversas categorias de bens econômicos. Eles podem ser de consumo, intermediários e também podem ser classificados como de capital. BENS DE CONSUMO: são classificados como duráveis ou não duráveis. - duráveis: ex.: televisor, celular, máquina de lavar roupas. - não duráveis: ex.: comida, detergente e até mesmo roupas, calçados e canetas. Desta forma, os bens de consumo duráveis ou não duráveis atendem diretamente às necessidades de consumo da sociedade, pois já estão prontos ao consumo. BENS INTERMEDIÁRIOS: estes serão transformados em bens de consumo por meio do processo de produção. Pense no processo de produção de um pão francês: para produzir este pão é necessária a utilização de meios de produção, de matérias-primas, de bens intermediários. A farinha, juntamente com outros ingredientes, outros bens intermediários, será transformada em pão (bem de consumo não durável). Desta forma, os bens intermediários são utilizados para satisfazer indiretamente às necessidades de consumo da sociedade, pois passarão por um processo de transformação até chegarem à categoria de bens de consumo, durável ou não. BENS DE CAPITAL: são máquinas e equipamentos utilizados para produzir outros bens, e, desta forma, também atendem indiretamente as necessidades da sociedade. Agora, pensemos de que maneira estão relacionados os bens e serviços com as necessidades de consumo da sociedade, bem como com o problema econômico fundamental. 5 CURVA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO Para compreender o próximo tema, devemos retomar os conceitos passados: "o que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir?" e, também, retornar ao objeto de estudo da ciência econômica, ou seja, a diferença entre os recursos limitados e as necessidades ilimitadas. De acordo com Wessels (2002), escassez significa que não podemos satisfazer todos os nossos desejos. Ela nos obriga a escolher quais necessidades iremos satisfazer e quais não. Mas como fazemos esta escolha? Para responder a este questionamento, utilizaremos um instrumental analítico, representado pela curva de possibilidade de produção (CPP). Esta curva de possibilidade de produção, também chamada de curva de transformação, mostra as quantidades máximas que podem ser produzidas das duas mercadorias em um sistema econômico, dadas as combinações ótimas entre todos os seus fatores de produção disponíveis. Dito de outra forma, ao simplificarmos demasiadamente a realidade, estamos supondo que para a produção de sapatos e de aviões seja necessária a utilização de quantidades de fatores de produção (neste caso, todos os recursos disponíveis a esta economia estão sendo utilizados na produção destas duas mercadorias - todas as quantidades disponíveis de terra, de trabalho, de capital, de tecnologia e de capacidade empresarial). O que representa cada um destes pontos? 6 • Os pontos a, b e c representam as quantidades máximas das duas mercadorias que essa economia pode produzir. • O ponto a mostra que todos os recursos disponíveis nessa economia foram destinados à total produção da mercadoria Y e nenhuma produção da mercadoria X. • O ponto b mostra que há produção das duas mercadorias, tanto de aviões quanto de sapatos. • O ponto c mostra que há produção das duas mercadorias, tanto de aviões quanto de sapatos, e mostra também que uma maior quantidade de X é produzida em detrimento às quantidades de Y. • Quanto ao ponto e, como ele está posicionado na origem dos dois eixos, representando também o número zero, mostra que não há qualquer produção, nem de aviões e muito menos de sapatos. Desta forma, ele representa o total desemprego de recursos. • O ponto d representa o conceito de capacidade ociosa (diferença entre a capacidade máxima de produção de uma empresa e o que é efetivamente produzido. É uma métrica que indica o potencial não utilizado de uma empresa ou atividade econômica) ou desemprego de recursos produtivos, pois seria como se por ele passasse uma CPP imaginária, ou seja, um ponto para dentro daquela CPP que representa as quantidades máximas que esta economia pode produzir diante da disponibilidade total de fatores de produção. • Por fim, temos o ponto f, posicionado à direita da curva de possibilidade de produção. Este ponto seria alcançado em uma situação de longo prazo, quando fossem aumentadas as quantidades de fatores de produção disponíveis na economia. O ponto f demonstra que houve um deslocamento das possibilidades de produção da economia em um sentido para um aumento nas quantidades produzidas das duas mercadorias, tanto em Y quanto em X, conforme representação adiante: Exemplificando com números o exemplo aplicado anteriormente, consideremos a seguinte tabela: 7 A tabela mostra que podemos produzir tanto aviões quanto sapatos. Mudando alguns pontos de lugar, pois eles são meramente ilustrativos do que representam em termos de conceito, teremos que no ponto A, enquanto esta economia hipotética produz 14 unidades de pares de sapatos, nenhuma produção de aviões é possível, pois todos os fatores de produção (terra, trabalho, capital, tecnologia e capacidade empresarial) foram empregados para a produção de sapatos. No ponto B, temos uma diminuição na quantidade produzida de pares de sapatos para ocorrer um aumento na quantidade produzida de aviões. Neste caso, a produção de pares de sapatos foi diminuída em duas unidades para que fosse aumentada uma unidade da produção de aviões. Na passagem do ponto B para o ponto C, uma nova situação é verificada. Em B temos um avião sendo produzido e 12 pares de sapatos. Em C, temos a produção de 2 aviões e 10 pares de sapatos. Ao passarmos a economia para o ponto D, temos uma nova combinação da produção dessas duas mercadorias. Agora são três aviões para a produção de sete pares de sapatos. Finalmente, em E, teremos quatro aviões para nenhum sapato, situação contrária à do ponto A, ou seja, em E, todos os fatores de produção foram destinados à produção de aviões e nenhum para a produção de sapatos. Da curva de possibilidade de produção e da tabela anteriormente apresentada, chegamos a mais um conceito importante para a Ciência Econômica, o conceito de custo de oportunidade. Segundo Wessels, [...] o custo de qualquer recurso (incluindo dinheiro, tempo, energia e bens) é o que os economistas chamam de custo de oportunidade: o valor mais alto daquilo que os mesmos recursos poderiam ter se produzidos em outro lugar. De maneira mais simplória, o CUSTO DE OPORTUNIDADE diz respeito às quantidades de uma mercadoria que são deixadas de serem produzidas para que sejam produzidas maiores quantidades de outra mercadoria. "Para satisfazer às necessidades de consumo da sociedade por uma maior quantidade de uma mercadoria, devemos sacrificar esta mesma sociedade com a menor produção de alguma outra mercadoria". Isso ocorre devido à escassez. À esse fenômeno damos o nome de trade-off(compensações), ou seja, 8 podemos fazer alguma coisa, mas não outras. FLUXO CIRCULAR DA RENDA De volta às questões "o que e quanto produzir? Comoproduzir? Para quem produzir?", devemos pensar a respeito da organização da atividade econômica. A seguir vemos o funcionamento de uma economia de mercado de forma simplificada. FLUXO REAL: É possível observar que, na parte de cima do fluxo circular da renda, há o destino de bens e serviços das empresas às famílias (A), ao mesmo tempo em que há também o destino de fatores de produção das famílias às empresas (C). A estes movimentoschamaremos de fluxo real. FLUXO MONETÁRIO: Na parte de baixo do fluxo da renda há a geração de receitas, por parte das famílias, às empresas (B), ao mesmo tempo em que há a geração de rendas, por parte das empresas, às famílias (D). A estes movimentos chamaremos de fluxo monetário. A seguir analisaremos as formas de organização da sociedade econômica ou então de que forma as sociedades se organizam para poder cumprir o fluxo circular da renda. ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA E FUNDAMENTOS LEGAIS DO MERCADO 9 Há duas formas de organização da atividade econômica: a descentralizada, predominante nas economias ocidentais, e a forma centralizada, predominante no caso cubano. ECONOMIA DESCENTRALIZADA: também chamada de economia de mercado, reúne três principais características: livre iniciativa, presença do Estado e elementos de uma economia capitalista. - LIVRE INICIATIVA: aqui, nenhum agente econômico (ex.: empresas, como produtoras ou vendedoras de mercadorias, ou famílias, como fornecedoras de fatores de produção e consumidores de mercadorias) se preocupa em desempenhar o papel de gerenciar o bom funcionamento do sistema de preços. Preocupa-se em resolver isoladamente seus próprios negócios. Considerando este modelo de economia, uma das principais questões da economia acerca do que e quanto produzir é resolvido pela procura dos consumidores no mercado. Portanto, o agente principal neste processo é o consumidor. A questão sobre como produzir é determinada pela concorrência entre os produtores, pelo emprego do método de fabricação mais eficiente ou mais barato. No caso, aquele produtor mais eficiente derrotará o produtor mais ineficiente. Por fim, a questão sobre para quem produzir será respondida pela oferta e demanda no mercado de fatores de produção, ou seja, pelo montante de renda individual. RESUMIDAMENTE: - O que e quanto? - Resposta a partir do consumidor. - Como? - A partir da concorrência entre produtores e método de fabricação (mais eficiente ou mais barato vence o menos eficiente) - Para quem? - Oferta e demanda (baseando-se na renda individual) 10 * O mercado de fatores de produção é o local onde são alocados os recursos produtivos, como terra, trabalho e capital. *Na economia, receita é o dinheiro que uma empresa ou um governo recebe através da venda de produtos ou serviços, ou de outras atividades. No que diz respeito à presença do Estado, dadas as imperfeições apresentadas pelo sistema de preços da livre iniciativa, ele surge para regulamentar essas atividades. ECONOMIA CAPITALISTA É uma organização econômica baseada na propriedade privada dos meios de produção. Os elementos são: • capital; • propriedade privada dos meios de produção, dada a existência do capitalista; • divisão do trabalho por meio da especialização do trabalho e da mecanização da produção; • moeda; Na economia de mercado em que vivemos, as trocas, de fato, ocorrem, não mercadoria por mercadoria, mas sim mercadoria por dinheiro (vendas de trabalho) e dinheiro por mercadoria (compras). 11 ECONOMIA CENTRALIZADA: Quem responde ao problema econômico fundamental é um órgão planejador central, ou seja, se prevê o que cada um deve contribuir/consumir de acordo com sua capacidade e com seu trabalho. Temos, ainda, o conceito de economia mista, onde o governo desepenha um papel significativo na alocação dos recursos ainda que esta seja primordialmente uma economia de mercado com a maioria das decisões econômicas sendo resultantes da interação entre compradores e vendedores em mercados. Para concluir, entende-se por Ciência Econômica a que investiga como fatores escassos de produção são alocados para a produção de bens e serviços que se destinam a saciar necessidades ilimitadas. Em contrapartida, economia de mercado representa a forma pela qual, nas sociedades capitalistas, a reprodução material das sociedades passou a acontecer por meio de instituições orientadas para objetivos econômicos, como os mercados. TEORIA DE MALTHUS Na Europa oitocentista, o pensador Adam Smith daria início à chamada Escola Clássica, onde consolidou-se a concepção de uma riqueza nacional, como decorrência evidente da própria consolidação do Estado burguês da época. Os principais pensadores dessa escola foram Ricardo, Jean-Baptiste Say e Thomas Malthus. Para este último, o que o atormenta é a fome e a imensa miséria dos trabalhadores e está extremamente preocupado com o destino da espécie humana, ainda que este não acredite que qualquer tipo de ajuda a esse grupo fosse mudar seu destino. Malthus (1996) analisa o crescimento populacional e o aumento da produção de alimentos, explicando que a população cresce a taxas geométricas, enquanto a produção de alimentos cresce a uma taxa aritmética. 12 Em meados do século XIX, essa aparente coesão no núcleo central de ideias da Escola Clássica seria abalada por dois movimentos: (a) uma crítica às teses da Economia Política elaborada por Karl Marx e Friedrich Engels e (b) a formação de um grupo de economistas defensores da teoria do valor-utilidade, desmascarando a exploração da classe burguesa sobre os trabalhadores. Fundando então o chamado marxismo, Marx em sua clássica obra O Capital, de 1867, ao desenvolver conceitos como mais-valia, capital variável, capital constante, exército industrial de reserva e composição orgânica do capital, entre outras contribuições, modifica a análise do valor, principalmente a teoria do valor do trabalho. Para este filósofo, o valor da força de trabalho é determinado, como no caso de qualquer outra mercadoria, pelo tempo e trabalho necessário à produção, e consequentemente, à reprodução de tal mercadoria. Neste aspecto, analisa a acumulação de capital, a distribuição da renda, as crises econômicas e, por fim, as contradições do capitalismo enquanto sistema de produção de mercadorias. - MAIS-VALIA: a diferença entre dinheiro recebido pela troca das mercadorias produzidas e dinheiro gasto com salários, gerada no processo de produção e que tinha como origem o fato de os capitalistas comprarem um conjunto de mercadorias (fatores de produção, incluindo o trabalho que o operário vendia como mercadoria) por um valor abaixo daquele representado pelo conjunto de mercadorias vendidas (resultantes do processo produtivo). 13 14