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WBA0843_v1.0
Fundamentos básicos de 
geotecnia em mineração 
Resíduos de mineração e 
sistema de disposição
Definição e características dos resíduos 
estéreis e rejeitos
Bloco 1
Eduarda Pereira Barbosa 
Resíduos de mineração
A mineração é uma atividade industrial muito importante 
para economia do Brasil. Todavia, sua atividade de exploração 
de recursos naturais promove impactos ambientais, uma vez 
que gera grande volume de resíduos, na ordem de milhões 
de metros cúbicos.
Figura 1 – Produção mineral do Brasil. em 2019
Fonte: adaptada de https://www.gov.br/anm/pt-br. Acesso em: 11 jan. 2022.
Resíduos de mineração
A quantidade de resíduos gerados pela mineração depende 
de diversos fatores, como a localização da jazida, os 
processos utilizados para extração do minério e a 
concentração da substância mineral. 
A quantificação de resíduos produzidos na mineração é uma 
tarefa complexa, visto a diversidade de operações e 
tecnologias utilizadas no processo de extração e 
beneficiamento do minério.
Resíduos de mineração
Os resíduos de mineração são classificados de forma distinta 
por diversas legislações e normas. Aqui, é apresentada a 
classificação estabelecida pela Associação Brasileira de 
Normas Técnicas (ABNT, 2017a, 2017b). 
• Estéril: todo e qualquer material não aproveitável 
economicamente, cuja remoção se torna necessária 
para a lavra de minério.
• Rejeito: todo e qualquer material descartado durante o 
processo de beneficiamento de minérios.
Estéreis 
São compostos por rochas, materiais friáveis e cobertura de 
solo, que precisam ser removidas para permitir o acesso ao 
corpo de minério e garantir, assim, segurança dos trabalhos 
na área da mina.
Portanto, são os materiais inicialmente escavados que não 
possuem valor econômico durante a extração. Os estéreis 
correspondem às camadas sobrejacentes ou intercaladas ao 
corpo do minério e são individualizados no processo de lavra.
Rejeitos
São materiais originários do processo de beneficiamento a 
que o minério é submetido, no qual são realizados 
operações para remoção das impurezas (ganga), a fim de 
aumentar a qualidade ou teor do bem mineral.
O beneficiamento pode ter também como objetivo 
padronizar o produto, como é o caso da separação de rocha 
britada por granulometria ou, ainda, a separação da areia de 
material fino argiloso, para serem empregados como 
agregados na construção civil.
Resíduos de mineração
Os estéreis possuem uma composição diversa, tal que pode 
ter fragmentos de rochas e frações de solos misturados. 
Nesse sentido, sua composição está relacionada à área de 
extração sendo influenciada pela estratigrafia e geologia do 
local de implantação da mina.
Os rejeitos possuem granulometria caracteristicamente fina, 
que varia de coloides a areias, cujas dimensões dos grãos 
dependem do tipo de minério e do método de 
beneficiamento utilizado na lavra.
Resíduos de mineração
A geração de rejeitos e estéreis ocorre de forma distinta entre 
as tipologias de minérios metálicos e não metálicos.
• A mineração dos não metálicos: tem maior potencial de 
gerar estéreis, como é o caso das minas de agregados para 
construção civil.
• A mineração de minerais metálicos: tem potencial 
capacidade de gerar maior volume de rejeitos, devido, 
principalmente, à necessidade de beneficiamento mineral, 
como é o caso do beneficiamento do minério de ferro.
Potencial poluidor dos resíduos de mineração
Os resíduos estéreis, geralmente, possuem baixo ou nenhum 
potencial poluidor do meio ambiente, visto que é composto 
por materiais inertes. 
As características dos rejeitos dependem do tipo de minérios 
e das operações envolvidas em seu beneficiamento, tal que 
podem ter em sua composição metais pesados, radioativos, 
produtos químicos, entre outros, que possuem elevado 
potencial poluidor, tanto da água quanto do solo, 
dependendo de como é feita a disposição.
Resíduos de mineração e 
sistema de disposição
Sistema de disposição dos resíduos estéreis 
e rejeitos
Bloco 2
Eduarda Pereira Barbosa 
Sistema de disposição dos resíduos estéreis e rejeitos
A atividade de mineração gera resíduos e seu 
armazenamento representa um dos mais complexos fatores 
que preocupa a sociedade técnica e civil, principalmente, 
devido aos acidentes ocasionados nos últimos anos, por 
falhas em barragens de mineração.
O sistema adotado para disposição dos estéreis e rejeitos 
depende das características físicas e químicas do resíduo. 
Além disso, deve ser levado em conta também as 
peculiaridades das áreas a serem utilizadas para disposição 
temporária ou permanente dos materiais.
Sistema de disposição dos resíduos estéreis e rejeitos
A disposição dos resíduos de mineração deve ser feita de 
acordo com o projeto técnico, conforme estabelecido na 
Norma Reguladora de Mineração n. 19 do constante, na 
Portaria no 237 do DNPM, de 18 de outubro de 2001.
A Norma Reguladora de Mineração n. 19, define oito critérios 
técnicos que devem ser atendidos em projeto. Em suma, 
esses critérios indicam medidas que devem ser atendidas e 
observadas quanto a preservação ambiental, preservação 
dos recursos hídricos e limites de segurança para operação e 
manutenção dos dispositivos de armazenamento dos 
resíduos.
Sistema de disposição dos resíduos estéreis e rejeitos
Para atender aos requisitos constantes na Portaria n. 237 do 
DNPM, a ABNT introduz duas normas para a elaboração e 
apresentação de projeto de disposição dos resíduos de 
mineração:
• NBR 13028: norma destinada a disposição de rejeitos de 
beneficiamento, contenção de sedimentos gerados por 
erosão e reservação de água em mineração (ABNT, 2017a).
• NBR 13029: norma destinada a disposição de estéril
gerado por lavra de mina a céu aberto ou de mina 
subterrânea (ABNT, 2017a).
Sistema de disposição dos estéreis
Os materiais estéreis, por serem considerados resíduos sem 
reatividade com o solo e possuir baixo grau de saturação, 
são comumente dispostos em pilhas.
As pilhas de estéreis podem ser formadas por dois métodos:
• Método ascendente: possui geometria pré-estabelecida e 
previsão de sistema de drenagem, garantindo, assim, 
estabilidade ao maciço.
• Método descendente: não faz qualquer controle 
geotécnico, visto que o material é depositado de forma 
direta a partir da altura final da pilha.
Sistema de disposição dos rejeitos
A disposição dos rejeitos pode ser por diferentes sistemas:
• Subaquático.
• Subterrâneo.
• A céu aberto:
• Superfície.
• Reservatório. 
Sistema de disposição subaquática dos rejeitos
É um método em desuso, pois pode gerar impactos 
ambientais irreversíveis, principalmente, aos ecossistemas 
aquáticos.
Recomendável quando o rejeito possui elevado teor de finos 
e que contém, em sua composição, sulfetos. Dessa forma, a 
deposição subaquática evita que o rejeito oxide em contato 
com o ar e, consequentemente, mobilize metais e forme 
drenagem ácida.
Sistema de disposição subterrânea dos rejeitos
Quando se formam câmaras devido a extração do minério, o 
rejeito pode ser depositado neste espaço por bombeamento 
até seu preenchimento completo.
Recomendável utilizar este método quando o rejeito se 
apresenta como inerte e sem perigos em potenciais de 
contaminação do solo e da água.
O uso dessa técnica permite que o rejeito seja utilizado como 
piso de trabalho durante a exploração do minério e suporte 
para as paredes das escavações.
Sistema de disposição a céu aberto em superfície dos rejeitos
• Pilha de rejeito: demanda que seja extraído a água da 
polpa. Em seguida, o material é depositado de forma 
direta em bancos de areias e praias e deixado para secar 
exposto ao ar.
• Em pit: o rejeito é depositado a úmido, tal que pode ser de 
maneira paralela a extração do minério ou após a 
conclusão da extração. 
Sistema de disposição a céu aberto em superfície dos rejeitos
Figura 2 – Método de deposição de rejeito em pit em paralelo a extração do minério
Fonte: adaptada de Ritcey (1986).
Sistemade disposição a céu aberto em superfície dos rejeitos
Figura 3 – Método de deposição de rejeito em pit após a extração completa do minério
Fonte: adaptada de Ritcey (1986).
Sistema de disposição a céu aberto em reservatório dos rejeitos
É o método de deposição de rejeito mais utilizado no Brasil, 
no qual utiliza-se de barragens ou diques para alocar os 
rejeitos.
Demanda por uma construção de reservatório estanque para 
conter o resíduo e impedir que ocorra infiltração dos 
efluentes nocivos. Além disso, deve ser assegurada a 
drenagem e estabilidade do maciço construído.
Resíduos de mineração e 
sistema de disposição
Métodos construtivos para alteamentos 
sucessivos
Bloco 3
Eduarda Pereira Barbosa 
Métodos construtivos para alteamentos sucessivos
O alteamento é um método para aumentar a capacidade das 
barragens de rejeitos. Em função da direção dos alteamentos 
em relação ao dique inicial, o alteamento pode ser feito por 
três métodos diferentes:
• Método de montante.
• Método de jusante.
• Método da linha de centro.
Método de montante
Figura 4 – Método de montante para alteamento da barragem de rejeito
Fonte: adaptada de Vick (1981).
Método de montante
Vantagens:
• Menor volume de material (empréstimo, estéreis ou 
rejeitos) para realizar os alteamentos.
• Maior velocidade de alteamento.
• Facilidade de operação.
• O alteamento pode ser feito em topografias íngremes.
Método de montante
Desvantagens:
• Baixa segurança, visto que a linha freática se forma 
próximo ao talude da jusante.
Figura 5 – Linha freática elevada na barragem de rejeito alteada pelo 
método de montante
Fonte: adaptada de Silveira e Reades (1973).
Método de montante
Desvantagens:
• Susceptibilidade à liquefação devido as operações ou 
vibrações naturais (sismos), causadas por equipamentos.
• A superfície crítica de deslizamento pode passar pelos 
rejeitos sedimentados.
Figura 6 – Superfície provável de ruptura passa pelos rejeitos 
na barragem de rejeito alteada pelo método de montante
Fonte: adaptada de Silveira e Reades (1973).
Método de montante
Desvantagens:
• Possibilidade de ocorrência de piping devido à linha 
freática estar muito próxima do talude de jusante.
Figura 7 – Risco de ruptura por piping na barragem de rejeito alteada 
pelo método de montante
Fonte: adaptada de Silveira e Reades (1973).
Método de jusante
Figura 8 – Método de jusante para alteamento da barragem de rejeito
Fonte: adaptada de Vick (1981).
Método de jusante
Figura 9 – Método de jusante para alteamento da barragem de rejeito com enrocamento
Fonte: adaptada de Nieble e Rocha (1976).
Método de jusante
Vantagens:
• Sistemas de drenagem contínuos permite o controle das 
superfícies freáticas.
• Não é susceptível à liquefação devido as operações ou 
vibrações naturais (sismos), causadas por equipamentos 
durante a construção e manutenção das barragens.
• As operações permitem a compactação de toda 
estrutura.
• Nos alteamentos podem ser utilizados resíduos estéreis.
Método de jusante
Desvantagens:
• Demanda por grandes volumes de material nas primeiras 
etapas da construção.
• Necessidade de sistema de drenagem eficiente.
• Investimento inicial pode ser elevado em função da 
complexidade dos diques de partida e de enrocamento e 
dos sistemas de drenagens.
Método da linha de centro
Figura 10 – Método da linha de centro para alteamento da barragem de rejeito
Fonte: adaptada de Nieble e Rocha (1976).
Método da linha de centro
Vantagens:
• Facilidade na construção.
• Eixo dos alteamentos permanece constante.
• Redução do quantitativo de material em relação ao 
método de jusante.
Método da linha de centro
Desvantagens:
• Demanda por sistemas de drenagem e sistemas de 
contenção a jusante.
• Necessidade operações complexas para disposição 
mecânica a jusante.
• Investimentos globais inicias podem ser elevados por 
conta da necessidade de equipamentos específicos.
Métodos construtivos para alteamentos sucessivos
A escolha do método construtivo deve levar em conta as 
características do material e os mais diversos fatores 
envolvidos, uma vez que cada método apresenta vantagens e 
limitações.
Para tanto, cabe ao profissional de engenharia comparar os 
métodos e avaliar e ponderar entre aspectos técnicos, 
econômicos e ambientais, a fim de adotar um alternativa 
mais adequada para o alteamento das barragens de rejeitos.
Teoria em Prática
Bloco 4
Eduarda Pereira Barbosa 
Reflita sobre a seguinte situação
Suponha que você é o (a) engenheiro (a) que foi contratado 
(a) para elaborar o projeto de disposição do rejeito de 
mineração de ferro, em uma mina localizada Carajás (PA.) 
Ao avaliar os processos de beneficiamento do minério, 
constatou que o resíduo gerado era filtrado ao final do 
processo, no intuito de reduzir significativamente a 
quantidade de água da polpa. Você constatou, tanto em 
projeto topográfico quanto em campo, que a área licenciada 
para disposição do rejeito era muito plana.
Diante dessa situação, argumente e aponte qual tipo 
geométrico de pilha é mais adequado para disposição final 
desse rejeito.
Norte para a resolução...
Dados:
Rejeito filtrado: o material produzido não necessita de 
sistema de drenagem sofisticado para secagem do resíduo.
Topografia plana: o terreno destinado a disposição do rejeito 
possui superfície plana.
Diante desta situação, é possível escolher:
• Pilha de encosta.
• Pilha de crista.
• Pilha em formato de pirâmide.
Norte para a resolução...
Decisão mais adequada é a pilha bolo de noiva, visto que essa geometria permite que o 
material seja disposto em taludes com inclinações relativamente elevadas, pois o 
terreno é plano e o resíduo filtrado, geralmente, possui ângulo de repouso natural 
elevado. Além disso, deve ser verificada a possibilidade de realizar a base com menor 
razão entre largura e comprimento para permitir maiores taxas de alteamentos.
Fonte: adaptada de Hawley e Cunning (2017).
Figura 11 – Pilha em formato de pirâmide (bolo de 
noiva)
Dica do (a) Professor (a)
Bloco 5
Eduarda Pereira Barbosa 
Dica da professora
• Assista ao vídeo do engenheiro Felipe Rodrigues, de 
31 de janeiro de 20219, que mostra como foi feita a 
barragem de Brumadinho (MG).
• Acesse o Youtube e busque pelo vídeo em O Canal 
da Engenharia.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13028 –
Mineração: elaboração e apresentação de projeto de barragens para 
disposição de rejeitos, contenção de sedimentos e reservação de 
água - Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2017a.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13029 –
Mineração: elaboração e apresentação de projeto de disposição de 
estéril em pilha. Rio de Janeiro: ABNT, 2017b.
BRASIL. Agência Nacional de Mineração. Anuário Mineral Brasileiro: 
principais substâncias metálicas. Brasília: ANM, 2020.
HAWLEY, M.; CUNNING, J. Guidelines for mine waste dump and 
stockpile design. CSIRO Publishing, 2017.
Referências
NIEBLE, C. M.; ROCHA, R. dos S. Método construtivo usa rejeitos 
para construir barragem de deposição. Construção Pesada, v. 6, n. 
70, p. 90-96. São Paulo, 1976.
RITCEY, G. M. Tailings management: problems and solutions in the 
mining industry. Amsterdam: Elservier Science Publishers, 1989.
SILVEIRA, E. B. da S.; READES, D. W. Barragens para contenção de 
rejeitos. In: IX Seminário Nacional de Grandes Barragens. Anais... 
SNGB, tema, v. 2, 1973.
VICK, S. G. Planning, design and analysis of tailings dams. New York: 
Wiley International, 1983.
Bons estudos!
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