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Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO E MÉDIO SérieENSINO MÉDIO SÉRIE LITERATURA AULA 3 PROSA ROMÂNTICA - OUTROS AUTORES MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA Nasceu no Rio de Janeiro em 1831 e morreu num naufrágio, no litoral fluminense, em Era filho de um hu- milde casal de portugueses. Estudou com dificuldade, formando-se em Medicina em porém, nunca exerceu a profissão. Cursou um pouco a Escola de Belas Artes. Foi jornalista, funcionário público, os círculos literá- rios da época. Manuel Antônio de Almeida escreveu pouco e não seguiu as inovações do Romantismo; fez traduções e não ambicionou nunca a glória literária. Seu único livro, de um sargento de milícias", foi publicado anonima- mente, entre os anos de Nesse romance entram tipos das ruas daquela época, acontecimentos populares, festas, crendices, superstições, tudo descrito com bastante realismo, correspondentes à época de D. João VI. A linguagem é marcada pelo tom coloquial, próximo da fala do povo, dando mais realismo ao texto. Essa obra nos traz um precioso, levantamento do modo de vida do Brasil do século passado. A personagem central é Leonardo, filho ilegítimo do meirinho Leonardo Pataca e da saloia Maria da Hortaliça. Os pais se separam e Leonardo é criado por seu padrinho (o Compadre), que é barbeiro, e por sua madrinha (a Comadre), que é parteira. Estas personagens se envolvem em acontecimentos pitorescos, de uma maneira que prende a atenção do leitor e que ajuda a compreender os costumes, tipos e ambientes do Rio, na primeira metade do século XIX. Vejamos o trecho abaixo: Capítulo XVII Amores "Como sempre acontece a quem tem muito onde escolher, o pequeno, a quem o padrinho queria fazer clérigo mandando-o a Coimbra, a quem a madrinha queria fazer artista metendo-o na Conceição, a quem D. Maria queria fazer rábula arranjando-o em algum cartório e a quem enfim cada conhecido ou amigo queria dar um destino que julgava mais conveniente às inclinações que nele descobria, o pequeno, dizemos, tendo tantas coisas boas, escolheu a pior possível: nem foi para Coimbra, nem para Conceição, nem para cartório algum; não fez nenhuma destas coisas, nem também outra qualquer: constituiu-se um completo vadio, vadio-mestre, vadio-tipo. o padrinho desesperava com isso vinte vezes em cada dia por ver frustrado o seu belo sonho, porém não se animava mais a contrariar o afilhado, e deixava-o ir à sua vontade. A comadre tinha conseguido o seu fim, pelo que diz respeito à sobrinha; tanto fizera, que o Leonardo, pilhando a cigana em nova infelicidade, resolveu-se... e arranjou-se... Dessa época começou ele a viver sossegado: o vento da idade começava a apagar-lhe as flamas de ternura. D. Maria envelhecera sofrivelmente, porém não perdera de modo nenhum a sua mania favorita das demandas: a última que tivera foi talvez a mais desculpável, a mais razoável de todas. Teve por causa a tutoria de uma sua sobrinha que ficara por morte de seu irmão. Este irmão tinha um compadre que não gozava de boa reputação; ora, tendo a ficado senhora de alguns mil cruzados que deixara seu pai, ainda que este não tivesse feito testamento, por ser ela filha única e legítima, o compadre apresentou- se pretendendo-se ser seu tutor.CHAVE DE RESPOSTAS 1. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algu- humanas com base na religião que se colocava mas são verdadeiras, outras falsas. Indique as verdadei- como salvadora dos males sociais. ras com e as falsas com (F). Corrija as falsas. b) ( ) teoria que pregava a criação de uma sociedade igualitária, injusta e democrática. a) (V) o anarquismo pode ser entendido como a teoria c) (X) teoria fundamentada nas análises sobre a evolução que rejeita qualquer tipo de governo. das sociedades humanas e dos mecanismos de explo- b) (F) Os anarquistas acatavam as decisões propostas ração capitalista. pelo Estado. d) ) teoria que pregava a criação de uma sociedade Comentário: Está errada. Os anarquistas protestavam onde não existissem o Estado e as classes sociais. as decisões propostas pelo Estado. Os anarquistas pro- e) ( ) teoria fundamentada na criação de uma sociedade punham formar uma federação autônoma. onde o Estado intervisse nos assuntos de ordem política e econômica. c) (V) Os principais líderes anarquistas foram Goldwin, Comentário: Como vimos, na questão anterior, o sis- Proudhon, Bakunin e Leon Tolstoi. tema socialista se colocou contrário ao capitalista, sobre- d) (F) As primeiras organizações sindicais propunham tudo, em relação a todas as formas de exploração, espe- reformas sociais que apoiassem o regime capitalista. cialmente aquelas destinadas à classe trabalhadora co- Comentário: Está errada. As primeiras organizações mo: jornadas extensivas de trabalho, exploração do tra- sindicais propunham reformas sociais que apoiassem o balho feminino e infantil, baixa remuneração etc. regime socialista. 4. A invenção da primeira máquina a vapor se deu com e) (V) As associações sindicais tinham por objetivo a reforma da sociedade realizada através de associações a) ( ) Edmundo Cartwright. de produtores. b) ( ) Samuel Crompton. c) (X) James Watt. 2. A filosofia marxista ou socialismo científico foi criada por d) ( ) Robert Fulton. Comentário: A máquina a vapor foi um dos grandes a) ( ) Augusto Comte. inventos do século XVIII criada por James Watt que b) ( ) Assis Chateaubriand. revolucionou sobretudo a rede de transportes, como foi o c) ( ) Georg W. Hegel. caso das ferrovias movidas a vapor. d) (X) Karl Marx. Comentário: A filosofia marxista ou socialismo científico 5. desenvolvimento da Revolução Industrial teve como foi criada por Karl Marx. característica fundamental socialismo científico propunha solucionar os conflitos entre as classes sociais, especialmente entre capitalistas e assalariados. a) (X) a substituição do trabalho braçal pelo fabril. Karl Marx idealizou uma sociedade sem classes sociais, b) ( a substituição do trabalho fabril pelo braçal. onde os meios de produção, isto é, o capital, as máquinas c) ( ) a expansão do sistema feudal e o enriquecimento e as fábricas seriam de propriedade do Estado. dos senhores feudais. No socialismo, quanto maior fosse a produção, melhor d) ( ) a expansão do sistema socialista e o enriqueci- seria o atendimento às necessidades da população, pois mento da burguesia. o lucro deixaria de ser do capitalista passando a ser de Comentário: Uma das principais da Revolu- interesse coletivo. ção Industrial foi a passagem, ou seja, a mudança do modo de produção artesanal, que usava essencialmente as mãos, 3. Com relação ao socialismo científico podemos afirmar para o fabril. que era uma Com o surgimento das máquinas, a força de trabalho uti- lizou-se essencialmente do operário que auxiliado pelas a) ( ) teoria preocupada em analisar as sociedades máquinas passou a produzir em série.D. Maria, percebendo o caso, apresentou-se também e afinal venceu: foi nomeada tutora e veio-lhe a sobrinha para casa: ela estimou isso, tanto mais que a sua idade já a fazia precisar, ainda não de um apoio, porém de uma companhia. As mais personagens continuaram no mesmo estado. Daqui em diante trataremos o nosso memorando pelo seu nome de batismo: não nos ocorre se já dis- semos que ele tinha o nome do pai; mas se o não dissemos, fique agora dito. E para que se possa saber quando falamos do pai e quando do filho, daremos a este o nome de Leonardo, e acrescentaremos o apeli- do de Pataca, já muito vulgarizado nesse tempo, quando quisermos tratar daquele. Leonardo havia pois chegado à época em que os rapazes começam a notar que o seu coração pal- pita mais forte e mais apressado, em certas ocasiões, quando se encontra com certa pessoa, com quem, sem saber porque, se sonha umas poucas de noites seguidas, e cujo nome se acode continuamente a fazer cócegas nos lábios. Já dissemos que D. Maria tinha agora em casa sua sobrinha: o compadre, como a própria D. Maria lhe pedira, continuou a e nessas visitas passavam longo tempo em conversas particulares. Leonardo acompanhava sempre o seu padrinho e fazia diabruras pela casa enquanto estava em idade disso, e, depois que lhes perdeu o gosto, sentava-se em um canto e dormia de aborrecimento. Disso resultou que detestava profundamente as visitas e que só se sujeitava a elas obrigado pelo padrinho. Em uma das últimas vezes que foram à casa de D. Maria, esta, assim que os viu entrar, dirigiu-se ao compadre e disse-lhe muito contente: Ora afinal venci a minha campanha. veio ontem para o meu poder a menina o tal velhaco do compadre de meu irmão não levou a sua avante. Muitos parabéns, muitos parabéns! respondeu o compadre. Leonardo deu pouca atenção a isso; há muito tempo que ouvia falar da tal sobrinha; sentou a um canto, e começou a bocejar como de costume. Depois de mais algumas palavras trocadas entre os dois, D. Maria chamou por sua S obrinha, e esta apareceu. Leonardo lançou-lhe os olhos, e a custo conteve o riso. Era a sobrinha de D. Maria já muito desenvolvida, porém que, tendo perdido as graças de menina, ainda não tinha adquirido a beleza de moça; era alta, magra, pálida: andava com o queixo enterrado no peito, trazia as pálpebras sempre baixas, e olhava a furto; tinha os braços finos e compridos; o cabelo cortado, dava-lhe apenas até o pescoço, e como andava mal penteada e trazia a cabeça sempre baixa, uma grande porção lhe caía sobre a testa e olhos, como uma viseira. Trajava nesse dia um vestido de chita roxa muito comprido, quase sem roda, e de cintura muito curta: tinha ao pescoço um lenço encarnado de Alcobaça. Por mais que o compadre a questionasse, apenas murmurou algumas frases ininteligíveis em voz rouca e sumida. Mal a deixaram livre desapareceu sem olhar para ninguém. Vendo-a ir-se, Leonardo tornou a rir-se interiormente. Quando se retiraram, riu-se ele pelo caminho à sua vontade. o padrinho indagou a causa da sua hilaridade; respondeu-lhe que não se podia lembrar da menina sem rir-se. Então lembras-te dela muito a miúdo, porque muito a miúdo te ris. Leonardo viu que esta observação era verdadeira. Durante alguns dias umas poucas de vezes falou na sobrinha da D. Maria; e apenas o padrinho lhe anunciou que teriam de fazer a visita do costume, sem saber porque, pulou de contente, e, ao contrário dos outros dias, primeiro a vestir-se e dar-se por e encaminharam-se para o seu destino." BERNARDO JOAQUIM DA SILVA Nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, em 1825, e morreu em 1884. Completou seus estudos básicos em suaterra natal, e matriculou-se na Academia de Direito de São Paulo (1847). Foi jornalista, crítico literário, professor de retórica e poética, poeta e romancista. Em 1859 fixou-se no Rio de Janeiro, onde dirigiu "A Atualidade", jornal político, e colaborou em outros como "Bom senso", "Ensaios literários", "Jornal do comércio", etc. Obras: "Cantos da solidão" (1852), seu primeiro livro de versos publicado; "O ermitão de Muquém" (1865); "O Índio Afonso" (1873); "O garimpeiro" (1872), romance sentimental e campesino; "O seminarista" (1872), onde o autor demonstra fortes influências de Alexandre Herculano; "Maurício" (1877), história da descoberta e exploração do ouro das Minas Gerais; "A escrava Isaura" (1875), sua melhor obra. Bernardo Guimarães é o iniciador do sertanismo no nosso romance. Descreveu hábitos e costumes dos tropeiros. Foi romancista de linguagem e versos fáceis. Possuía um estilo bastante colorido e agradável. A escrava Isaura é um romance de tese abolicionista. Bernardo explorou o drama do mestiço, que era muito grave, visto ser um problema social e moral. Ele faz do mestiço a perfeição moral. No final de sua obra dá a vitória aos simples e oprimidos e a derrota ao branco opressor. Até os nossos dias, essa é uma das obras mais lidas do nosso Romantismo. Vejamos: A escrava Isaura É bem parvo e descortês o tal sultanete, disse Geraldo depois de ter percorrido rapidamente a carta, que Álvaro lhe apresentou; - mas o certo é, que pondo de parte a Pela qual há de dar completa e solene satisfação, eu o protesto. Pondo de parte a insolência, se nada tens de valioso a apresentar em favor da liberdade da tua protegida, ele tem o incontestável direito de reclamar e apreender a sua escrava onde quer que se ache. Infame e cruel direito é esse, meu caro Geraldo. É já um escárnio dar-se o nome de direito a uma instituição bárbara, contra a qual protestam altamente a civilização, a moral e a religião. Porém, tolerar a sociedade que um senhor tirano e brutal, levado por motivos infames e vergonhosos, tenha o direito de tor- turar uma frágil e inocente criatura, só porque teve a desdita de nascer escrava, é o requinte da celeradez e da abominação. Não é tanto assim, meu caro Álvaro; esses excessos e abusos devem ser coibidos; mas como poderá a justiça ou o poder público devassar o interior do lar doméstico, e ingerir-se no governo da casa do cidadão? que abomináveis e hediondos mistérios, a que a escravidão dá lugar, não se passam por esses engenhos e fazendas, sem que, já não digo a justiça, mas nem mesmo os vizinhos, deles tenham conhecimento? Enquanto houver escravidão, hão de se dar esses exemplos. Uma instituição má produz uma infinidade de abusos, que só poderão ser extintos cortando-se o mal pela raiz. É desgraçadamente assim; mas se a sociedade abandona desumanamente essas vítimas ao furor de seus algozes, ainda há no mundo almas generosas que se incumbem de protegê-las ou vingá-las. Quanto a mim protesto, Geraldo, enquanto no meu peito pulsar um Coração, hei de disputar Isaura à escravidão com todas as minhas forças e espero que Deus me favorecerá em tão justa e santa causa. Pelo que vejo, meu Álvaro, não procedes assim só por espírito de filantropia, e ainda amas muito a essa escrava. Tu o disseste, Geraldo; amo-a muito, e hei de amá-la sempre; nem disso faço mistério algum. E será coisa estranha ou vergonhosa amar-se uma escrava? o patriarca amou sua escrava Agar, e por ela abandonou Sara, sua mulher. A humildade de sua condição não pode despojar Isaura da cândida e brilhante auréola, de que a via e até hoje a vejo circundada. A beleza e a inocência são astros que mais refulgem quando engolfados na profunda escuridão do infortúnio. É bela a tua filosofia, e digna de teu nobre coração; mas que queres? as leis civis, as con- venções sociais, são obras do homem, imperfeitas, injustas, e muitas vezes cruéis. anjo padece e geme sob o jugo da escravidão, e o demônio exalta-se ao fastígio da fortuna e do poder."Vocabulário adido: funcionário agregado a outro, a corporação ou a quadro para auxiliar. algoz: carrasco; pessoa cruel, desumana. anonimamente: ocultando o próprio nome. auge: o ponto mais elevado. campesino: campestre; que é próprio do campo. cândida: alva; pura; ingênua. celeradez: perversidade; maldade. clérigo: sacerdote. coibir: reprimir; impedir. desdita: infelicidade. despojar: roubar; saquear. destra: a mão direita. dialético: relacionado à habilidade no diálogo ou discussão. escárnio: zombaria; menosprezo. fastígio: o ponto mais elevado. fauna: conjunto dos animais próprios de uma região ou de um período geológico. filantropia: amor à humanidade. flora: conjunto das espécies vegetais de uma determinada localidade. fúnebre: relacionado à morte. hediondo: horrendo; pavoroso. hilaridade: alegria; riso. infortúnio: infelicidade. insolência: atrevimento; ousadia. jugo: opressão; domínio. jurisconsulto: jurista; homem conhecedor do Direito, que dá parecer sobre questões jurídicas. lapa: grande pedra. legislatura: espaço de tempo durante o qual os legisladores exercem seus poderes. mercê: você. matutino: relativo ao período da manhã. meirinho: antigo funcionário judicial. memorando: memorável; célebre; notável. outrora: antigamente. parvo: tolo. publicista: especialista em direito público; escritor político. rábula: advogado de cultura limitada; indivíduo que advoga sem possuir o diploma. saloia: mulher rústica, grosseira; camponesa dos arredores de Lisboa. serão: tempo que decorre de logo após o jantar até a hora de dormir. tirano: governante cruel ou opressor; indivíduo que abusa da autoridade; indivíduo cruel. tordilha: da con do tordo (pássaro). tropeiro: condutor de tropa, de caravana de animais de carga. tutoria: exercício de tutela; proteção a uma pessoa menor de idade. ungir: aplicar óleos sagrados. Importante José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo, autores estudados na apostila 2, são importantes escritores românticos. primeiro destaca-se no nosso Romantismo não apenas pela importância, mas ainda pela extensão e diversidade de sua obra. José de Alencar escreveu romances indianista, históricos, regionalistas e urbanos. segundo escreveu, entre outras obras, "A Moreninha", que é considerada nosso primeiro romance de grande qualidade literária. Os exercícios desta aula, bem como o teste final, incluem as obras dos autores românticos estudados até aqui.É muito importante que se tenha uma visão global da produção literária dos autores mais expressivos. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Complete as frases abaixo usando a palavra romance do-lhe a valentia, mas a- ou Romantismo. presenta-o de forma ideali- zada. Constitui-se numa a) Normalmente, as pessoas associam Romantismo e forma de valorizar nossas romance. origens. Romance é uma espécie literária que pertence ao gênero narrativo e que já existia antes da escola literária conhecida como Romantismo. Voltando um pouco ao que você estudou nessa lição, observe que apenas José de Alencar dedicou-se às qua- b) Na Europa, o romance existia já no século XVIII. No tro modalidades do romance. Os demais autores escre- Brasil, o surgimento do romance coincide com a ocorrên- veram romances de uma ou de outra dessas modalida- cia do movimento literário conhecido como Romantismo. des. Revendo os trechos de romances que você leu, classifique-os adequadamente, associando as colunas c) Romantismo inicia-se no Brasil em 1836, com a abaixo: publicação de "Suspiros poéticos e saudades", de Gonçalves de Magalhães. (a) romance urbano ( b romance regionalista d) Costuma-se considerar como o nosso primeiro ver- ( ) romance histórico dadeiro romance o livro "A moreninha", de Joaquim (d) romance indianista Manoel de Macedo, publicado em 1844. (a) "A moreninha" 2. A prosa do Romantismo no Brasil desenvolveu-se d) "Iracema" paralelamente ao desenvolvimento das cidades, em (a) de um sargento de milícias" especial o Rio de Janeiro. Nas cidades, viviam as pes- b "A escrava Isaura" soas das classes ricas e as jovens dessas classes dedi- cavam-se à leitura de romances e folhetins. Os folhetins Leia, a seguir, dois trechos do romance A Moreninha. eram capítulos de romances publicados em jornais. Muitas histórias foram publicadas primeiro em folhetim e só depois em livros. Capítulo I - Aposta imprudente (fragmento) De acordo com o assunto tratado, nossos romances (...) classificam-se em: Que vaidoso!... te digo eu, exclamou Filipe. Ora, esta não é má! Então vocês querem gover- Romance urbano retrata a vida social nas gran- nar o meu des cidades, seus problemas Não; porém eu torno a afirmar que tu amarás sociais e morais. uma de minhas primas durante todo o tempo que for da vontade dela. Romance regionalista focaliza a vida e os hábitos Que mimos de amor que são as primas deste das pessoas que viviam distan- senhor!. te das cidades. Eu te mostrarei. Juro que não. Romance histórico apresenta fatos e personagens Aposto que sim. de nossa história, apresen- Aposto que não. tando o nosso passado Papel e tinta, escreve-se a aposta. de forma a valorizá-lo, Mas tu me dás muita vantagem e eu rejeitarei a mas, às vezes, o idealiza. menor. Tens apenas duas primas: é um número de feiti- ceiras muito limitado. Não sejam só elas as únicas Romance indianista retrata o índio valorizan- magas que em teu favo invoquem para me encantar.Meus sentimentos ofendem, talvez, a vaidade de Muito bem! muito bem! disse por fim Filipe; todas as belas, e todas as belas, pois, tenham o di- quem pôs o fogo ao pé da pólvora fui eu, eu que reito de te fazer ganhar a aposta, meu valente cam- obriguei Augusto a vir passar o dia de Sant'Ana peão do amor constante! conosco. Como quiseres, mas escreve. Então está arrependido? E quem perder?. Não, por certo, apesar de me roubares minha Pagará a todos nós um almoço no Pharoux, Finalmente para este tesouro sempre teria de disse Fabrício. haver um ladrão: ainda bem que foste tu que o ga- Qual almoço! acudiu Leopoldo. Pagará um camarote no primeiro drama novo que representar o Mas, meu maninho, ele perdeu ganhando... - Como ? nosso João Caetano. Nem almoço nem camarote, concluiu Filipe; se Estamos no dia 20 de agosto: um mês! É verdade! um mês... exclamou Filipe. perderes, escreverás a história da tua derrota, e se ganhares, escreverei o triunfo da tua inconstância. Um gritaram Fabrício e Leopoldo. Eu não entendo isto! disse a senhora D. Ana. Bem, escrever-se-á um romance, e um de nós - Minha boa avó, acudiu a noiva, isto quer dizer dois, o infeliz, será o autor. que, finalmente, está presa a borboleta. Augusto escreveu primeira, segunda e terceira vez Minha boa avó, exclamou Filipe, isto quer dizer o termo da aposta, mas depois de longa e vigorosa que Augusto deve-me um romance. discussão, em que qualquer dos quatro falou duas Já está pronto, respondeu o noivo. vezes sobre a matéria, uma para responder e dez - Como se intitula? ou doze pela ordem; depois de se oferecerem "A moreninha". quinze emendas e vinte artigos aditivos, caiu tudo por grande maioria, e entre bravos, apoiados e Nos itens 3 a 7, assinale a alternativa correta com base aplausos, foi aprovado, salvo a redação, o seguinte no texto que você acabou de ler termo: "No dia 20 de julho de na sala parlamentar 3. autor de "A Moreninha" é da casa da rua sendo testemunhas os estudantes Fabrício e Leopoldo, acordaram Filipe a) ( ) José de Alencar e Augusto, também estudantes, que, se até o dia b) ( ) Bernardo Guimarães 20 de agosto do corrente ano, o segundo acor- c) (X) Joaquim Manuel de Macedo dante tiver amado a uma só mulher durante d) ( ) Teixeira e Sousa quinze dias ou mais, será obrigado a escrever um 4. assunto desse romance é uma aposta feita por 2 romance em que tal acontecimento confesse; e, jovens: no caso contrário, igual pena sofrerá o primeiro acordante. Sala parlamentar 20 de julho de 18.. Augusto aposta com Filipe que, se ficasse apaixonado Salva a redação." por uma jovem por quinze dias ou mais, escreveria um Como testemunhas: Fabrício e Leopoldo. romance contando tal paixão. o que acontece? E eram oito horas da noite quando se levantou a sessão. a) ) Filipe se apaixona por Carolina e escreve o ro- (...) mance. b) ( ) Augusto se apaixona por Carolina, perde a apos- Epílogo ta, mas é Filipe que escreve o romance. A chegada de Filipe, Fabrício e Leopoldo veio dar c) ( Augusto perde a aposta porque se apaixona por ainda mais viveza ao prazer que reinava na gruta. uma prima de Filipe. projeto de casamento de Augusto e D. Carolina não d) (X) Augusto se apaixona por Carolina, irmã de Feli- podia ser um mistério para eles, tendo sido, como foi, pe, e perde a aposta. Escreve um romance que se cha- elaborado por Filipe, de acordo com o pai do noivo, ma "A moreninha", outra forma de chamar Carolina. que fizera a proposta, e com o velho amigo, que ainda no dia antecedente viera concluir os ajustes 5. Podemos dizer que Fabrício e Leopoldo com a senhora D. Ana; e, portanto, o tempo que se a) ( ) também se apaixonam por Carolina. gastaria em explicações, passou-se em abraços. b) ( ) perdem a aposta.c) (X) são amigos de Augusto e Filipe e testemunham a e a briga entre Filipe e Augusto. aposta feita por estes dois. d) ( ) a briga entre D. Ana e Filipe e a perda da aposta d) ( não gostam de Augusto. por Augusto. 6. No final do livro, temos dois fatos importantes. Quais 7. Podemos dizer que ocorre nesse romance, como é são? próprio do Romantismo a) ( ) a briga entre Filipe e Augusto e a escritura do romance "A Moreninha". a) (X) um final feliz. b) (X) a proposta de casamento de Augusto e Carolina b) ( ) um final trágico. e a escritura do romance "A Moreninha". c) ( ) uma história sem final. c) ( ) a proposta de casamento de Augusto e Carolina d) ( ) uma história sem começo e sem final. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER TEXTO PARA LEITURA Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o Era no tempo do rei. Uma das quatro esquinas que formam as ruas do ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, no pé direito. A Maria, como se já esperasse por chamava-se nesse tempo o canto dos meirinhos aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e -; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo lugar de encontro favorito de todos os indivíduos nas costas da mão esquerda. Era isto uma dessa classe (que gozava então de não pequena declaração em forma, segundo os usos da terra: consideração). (...) levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoite- (...) Quem passasse por aí em qualquer dia útil cer passou-se a mesma cena de pisadela e dessa abençoada época veria sentado em assentos com a diferença de serem desta vez um pouco mais baixos, então usados, de couro, e que se denomi- fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes navam cadeiras de campanha um grupo mais ou tão estremosos e familiares, que pareciam sê-lo de menos numeroso dessa nobre gente conversando muitos anos. pacificamente em tudo sobre que era lícito conver- Quando saltaram em terra começou a Maria a sar: na vida dos fidalgos, nas notícias do Reino e nas astúcias policiais do Vidigal. Entre os termos sentir certos enojos: foram os dois morar juntos: e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos que formavam essa equação meirinhal pregada na esquina havia uma quantidade constante, era o da pisadela e do sete meses depois teve a Leonardo-Pataca. Chamavam assim a uma rotunda Maria um filho, formidável menino de quase três pal- e gordíssima personagem de cabelos brancos e mos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, carão avermelhado, que era o decano da corpo- esperneador e chorão; o qual, logo depois que ração, o mais antigo dos meirinhos que viviam nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o nesse peito. E este nascimento é certamente de tudo o que Sua história tem pouca coisa de notável. Fora temos dito o que mais nos interessa, porque o meni- Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; abor- no de quem falamos é o herói desta história. (...) recera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui Passemos por alto sobre os anos que decorreram chegando, não se sabe por proteção de quem, desde o nascimento e batizado do nosso memo- alcançou o emprego de que o vemos empossado, e rando, e vamos encontrá-lo já na idade de sete anos. que exercia, como dissemos, desde tempos remo- tos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei Digamos unicamente que durante todo este tempo o fazer o quê, uma certa Maria da Hortaliça, qui- menino não desmentiu aquilo que anunciara desde tandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e que nasceu: atormentava a vizinhança com um bonitota. Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não choro sempre em oitava alta; era colérico; tinha ojeri- era nesse tempo de sua mocidade mal-apessoado, e za particular à madrinha, a quem não podia encarar, sobretudo era maganão. Ao sair do Tejo, estando a e era estranhão até não poder mais.Logo que pôde andar e falar tornou-se um flage- Não chames mais pelo meu nome, não cha- lo: quebrava e rasgava tudo que lhe vinha à mão. mes. que tranco-te essa boca a socos... Tinha uma paixão decidida pelo chapéu armado do - Safe-se daí! Quem lhe mandou pôr-se aos se este o deixava por esquecimento em namoricos comigo a bordo? algum lugar ao seu alcance, tomava-o imediata- Isto exasperou o Leonardo; a lembrança do amor mente, espanava com ele todos os móveis; punha- aumentou-lhe a dor da traição, e o ciúme e a raiva lhe dentro tudo que encontrava, esfregava-o em de que se achava possuído transbordaram em uma parede, e acabava por varrer com ele a casa; socos sobre a Maria, que depois de uma tentativa até que a Maria, exasperada pelo que aquilo lhe inútil de resistência desatou a correr, a chorar e a havia de custar aos ouvidos, e talvez às costas, gritar: arrancava-lhe das mãos a vítima infeliz. Era, além ai acuda, Sr. compadre. Sr. de traquinas, guloso; quando não traquinava, comia. Porém o compadre ensaboava nesse momento a A Maria não lhe perdoava; trazia-lhe bem maltratada cara de um freguês, e não podia largá-lo. Portanto a uma região do corpo; porém ele não se emendava, Maria pagou caro e por junto todas as contas. que era também teimoso, e as travessuras recome- Encolheu-se a choramingar em um canto. çavam mal acabava a dor das palmadas. menino assistira a toda essa cena com imper- Assim chegou aos sete anos. turbável sangue-frio: enquanto a Maria apanhava e Afinal de contas a Maria sempre era saloia, e o o Leonardo esbravejava, aquele ocupava-se tran- Leonardo começava a arrepender-se seriamente de qüilamente em rasgar as folhas dos autos que este tudo que tinha feito por ela e com ela. E tinha razão, tinha largado ao entrar, e em fazer delas uma porque, digamos depressa e sem mais cerimônias, grande coleção de cartuchos. havia ele desde certo tempo concebido fundadas Quando, esmorecida a raiva, o Leonardo pôde suspeitas de que era atraiçoado. Havia alguns ver alguma coisa mais do que seu ciúme, reparou então na obra meritória em que se ocupava o meses atrás tinha notado que um certo sargento pequeno. Enfurece-se de novo: suspendeu o menino passava-lhe muitas vezes pela porta, e enfiava pelas orelhas, fê-lo dar no ar uma meia-volta, ergue olhares curiosos através das rótulas: uma ocasião, o pé direito, assenta-lhe em cheio sobre os glúteos recolhendo-se, parecera-lhe que o vira encostado à atirando-o sentado a quatro braças de distâncias. janela. Isto porém passou sem mais novidade. És filho de uma pisadela e de um Depois começou a estranhar que um certo cole- mereces que um pontapé te acabe a casta. ga seu o procurasse em casa, para tratar de negó- cios do ofício, sempre em horas desencontradas: porém isto também passou em breve. Finalmente Vocabulário aconteceu-lhe por três ou quatro vezes esbarrar-se junto de casa com o capitão do navio em que tinha mutuamente: um ao outro. vindo de Lisboa, e isto causou-lhe sérios cuidados. meirinho: antigo funcionário judicial. Um dia de manhã entrou sem ser esperado pela lícito: legal; justo; permitido. porta adentro; alguém que estava na sala abriu pre- astúcias: habilidade em enganar; malícia. cipitadamente a janela, saltou por ela para a rua, e rotunda: arredondada. desapareceu. decano: o mais antigo ou mais velho dos membros de À vista disso nada havia a duvidar: o pobre uma classe. homem perdeu, como se costuma dizer, as estribei- saloia: camponesa dos arredores de Lisboa. ras; ficou cego de ciúme. Largou apressado sobre enojo: um banco uns autos que trazia embaixo do braço, e memorando: célebre, notável. endireitou para a Maria com os punhos cerrados. ojeriza: aversão. - flagelo: pessoa que causa grande calamidade. E a injúria que ia soltar era tão grande que o exasperada: irritada. engasgou e pôs-se a tremer com todo o corpo. traquinas: travesso. A Maria recuou dois passos e pôs-se em guarda, traquinar: fazer travessuras. pois também não era das que receava com qualquer rótula: grade que ocupa o vão de uma janela. coisa. perder as estribeiras: perder a paciência. Tira-te lá, ó Leonardo! auto: registro escrito.injúria: insulto. belo, perfeito e o não é a alta safar-se: livrar-se. sociedade carioca; as personagens são cartucho: cone de papel. meritória: louvável. a) autor herói ricos glúteos: nádegas. b) ( ) heró autor - ambientes braça: antiga unidade de comprimento. c) ( herói - ambiente elementos populares casta: raça; linhagem. d) ( ambiente - autor heróis Assinale a alternativa que completa adequadamente as 3. Por suas características, a personagem principal do romance classifica-se como frases nos itens 1 a 4 de acordo com o texto que você acabou de ler. a) um herói romântico b) ( um anti-herói 1. Podemos identificar o texto como um trecho do romance c) ( uma personagem qualquer de d) ( um herói idealizado a) ( ) "A moreninha" Joaquim Manuel de Macedo. 4. A caracterização dos pais da personagem principal e as b) ( ) de um sargento de José de circunstâncias em que Leonardo foi concebido mostram Alencar. grande e oposição aos c) ( ) "Leonardo" Manuel Antônio de Almeida. d) "Memórias de um sargento de milícias" Manuel Antônio de Almeida. a) ) ironia - padrões românticos b) ( ) amor heróis nacionais 2. Comparado ao texto lido no exercício 8, verificamos c) ( ) ironia malandros que este é bastante diferente. não é d) ( ) amor - populares CHAVE DE RESPOSTAS Assinale a alternativa que completa adequadamente as c) (X) herói ambiente - elementos populares frases nos itens 1 a 4 de acordo com o texto que você d) ambiente autor heróis acabou de ler. 3. Por suas a personagem principal do 1. Podemos identificar o texto como um trecho do romance romance classifica-se como de a) um herói romântico a) ( ) "A moreninha" Joaquim Manuel de Macedo. b) (X) um anti-herói b) ( ) de um sargento de milícias"- José de c) uma personagem qualquer Alencar. d) um herói idealizado c) ( ) "Leonardo" Manuel Antônio de Almeida. d) (X) "Memórias de um sargento de milícias" - Manuel 4. A caracterização dos pais da personagem principal e as Antônio de circunstâncias em que Leonardo foi concebido mostram grande e oposição aos 2. Comparado ao texto lido no exercício 8, verifica- mos que este é bastante diferente. não é belo, perfeito e o não é a alta a) (X) ironia padrões românticos sociedade carioca; as personagens são b) amor heróis nacionais c) ironia malandros a) ( ) autor herói ricos d) amor elementos populares b) ( ) herói - autor - ambientes

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