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Curso a distância BRASILEIRO Supletivo Oficial ENSINO MÉDIO SÉRIE HISTÓRIAENSINO MÉDIO HISTÓRIA SÉRIE AULA 7 A RECONSTRUÇÃO DA EUROPA DO GUERRA Sem sombra de dúvida, a Europa foi devastada pela Guerra Mundial. Sua reconstrução, no entanto, encon- traria um problema de ordem política, a divisão do mundo em duas frentes: o capitalismo e o socialismo. Os Estados Unidos despontaram como o principal país capitalista e a antiga União Soviética, como a nação que lideraria o regime socialista. Levando em consideração, que, a Rússia, no ano de 1917 teria sido o primeiro país a se tornar socialista, a partir da Revolução Bolchevique. AS NEGOCIAÇÕES DE PAZ No mês de fevereiro de 1919, reuniram-se em Paris os representantes da Alemanha e os aliados, para as negociações de paz. Todavia, a maior parte das sessões realizadas foi de certo modo porque os assuntos acabavam sendo discutidos não em conjunto, mas entre pequenas comissões. A princípio, deliberava o Conselho dos Dez (presidente e secretários dos Estados Unidos, ministros da Grä-Bretanha, França, Itália e Japão), mas acabou sendo reduzido para Conselho dos Quatro (presidente dos Estados Unidos, ministros da Inglaterra, França e Itália). No entanto, desentendimentos havidos entre o presidente dos Estados Unidos, os ministros da Inglaterra e França com o ministro italiano provocaram a retirada deste último, estabelecendo-se então o Conselho dos Três. Com a reunião dos "Três Grandes" (Woodrow Wilson, Lloyd George e Georges Clemenceau), foram definitiva- mente concluídas as negociações de paz, com a assinatura do Tratado de Versalhes, assim chamado em virtude de parte das reuniões terem se realizado em Paris, mas concluídas no subúrbio parisiense de Versalhes. Para a elaboração do referido tratado, tomaram-se como base os Catorze Pontos apresentados pelo presi- dente Wilson, em mensagem enviada ao Congresso a 8 de janeiro de 1918. De um modo geral, esses pontos são os seguintes: 1) extinção da diplomacia secreta, isto é, obrigatoriedade de publicação de todos os acordos públicos; 2) liberdade dos mares para todas as nações; 3) maior entrosamento econômico entre as nações; 4) redução dos arma- mentos, que não deveriam exceder o necessário à segurança de cada nação; 5) tomando por base os interesses dos povos das colônias, as grandes potências deveriam moderar suas ambições imperialistas, tornando-as compatíveis com a situação e os anseios das próprias colônias; 6) retirada imediata das tropas estabelecidas na Rússia; 7) resta- belecimento da independência belga; 8) devolução da Alsácia e Lorena à França; 9) remarcação das fronteiras da Itália, obedecendo-se a limites de nacionalidade definidos; 10) deixar aos povos da a incumbência de pro- moverem a própria emancipação econômica; 11) restauração da Sérvia, Rumânia e Montenegro e, para a primeira, o desejado acesso ao mar; 12) abertura dos estreitos que unem o mar Negro ao Mediterrâneo e a emancipação dos povos turcos por si mesmos; 13) independência da Polônia, povoada exclusivamente por poloneses e acesso ao mar; 14) a criação de uma Liga das Nações. Wilson afirmava que, respeitados esses pontos, estaria garantida a paz mundial. Todavia, na elaboração do Tratado de Versalhes, a maioria deles foi omitida. Realmente, concluído o acordo de paz, dos Catorze Pontos resul- taram unicamente três: a criação de uma Liga das Nações; a restituição da Lorena e Alsácia à França e a restauração da independência belga. Nenhum outro ponto se conservou tal como havia sido concebido por Wilson; alguns deles chegaram a tomar um significado totalmente diverso do primeiro, tal a extensão das modificações que lhes foram impostas. Como exemplo, podemos abordar o ponto que dispunha sobre o desarmamento mundial. Como vimos, ele deveria estender-se a todas as nações, indistintamente. No entanto, uma vez elaborado o tratado, passou a ser aplica- do, obrigatoriamente, o desarmamento total apenas aos países vencidos. Um fato trazido à baila durante as conferências de paz, acha-se ligado aos acordos secretos. Realmente, muitos deles foram descobertos quando da revolução russa, época em que os bolcheviques tentavamdestruir os arquivos pertencentes ao czar. Os acordos passaram a ser conhecidos por todos, após sua publicação pelos mais importantes jornais da época. Os ministros da França, Inglaterra e Itália não puderam ocultá-los, reve- lando, aliás, que os referidos acordos foram feitos nos princípios de 1915. Os itens mais importantes dos mes- mos se resumiam nos seguintes: reintegração da Lorena-Alsácia à França, que também teria o privilégio de domi- nar a margem esquerda do Reno; divisão das colônias que a Alemanha conquistara na África, entre a França e a Grä-Bretanha; entrega da Polônia, e de Constantinopla à Rússia; à Itália entregues, finda a guerra, territórios austríacos e turcos. Mais tarde, estabeleceram-se novos contatos secretos, que prometiam a Armênia à Rússia, parte do Império Otomano à França e à Inglaterra, bem como possessões na China e Oceania ao Japão. Descobertos esses acordos, pouco se fez para modificar o que determinavam. próprio Wilson acabou por aceitá-los, a princípio com restrições. Posteriormente, verificou-se que eles foram aceitos em sua quase totalidade, com as nações vencedoras recebendo territórios das vencidas, mais ou menos dentro das disposições dos referidos acordos. A PUNIÇÃO IMPOSTA À ALEMANHA A conclusão do Tratado de Versalhes deu-se no mês de abril de 1919, quando os delegados alemães compare- ceram ao local das conferências, para se inteirar dos termos do tratado. Como protestassem contra o rigor excessivo da pena que os aliados pretendiam impor à Alemanha, os enviados alemães conseguiram que fossem alterados alguns pontos da mesma. Pairava.sobre os alemães a ameaça de invasão do seu território, caso dessa vez se negassem a aceitar integralmente as condições do tratado. Entretanto, isso não pre- cisou ser feito, porque o novo governo provisório estabelecido naquele país concordou plenamente com a resolução dos vencedores. A assinatura do tratado deu-se a 28 de junho de exatamente cinco anos após o assassinato do arquiduque austríaco Francisco Ferdinando. A Alemanha deveria restituir a Alsácia-Lorena à França, tendo sido dado a esse país o privilégio de explorar as minas de carvão da bacia do Sarre, pelo prazo de quinze anos. Se a Alemanha quisesse de volta essa região, poderia comprá-la, mas somente depois de expirado o referido prazo. Aliás, durante esse tempo o ter- ritório do Sarre teria que permanecer sob a administração da Liga das Nações, até 1935. Nesse ano, estabeleceu-se a realização de um plebiscito, que decidiria a sorte do Sarre, isto é, se ele permaneceria sob a administração da liga das Nações, se voltaria a ser dos alemães ou se seria incorporado à França. Portanto, a Alemanha perdeu parte considerável de seu território e cerca de 6 milhões de habitantes, ficando tam- bém grandemente sacrificada no tocante à extensão das áreas cultiváveis de que passou a dispor. Além disso, teve que arcar com enormes prejuízos no campo da exploração do ferro, carvão e zinco, pois as regiões onde abundavam esses minerais já não lhe pertenciam. Sua economia sofreu um duro golpe, visto que o porto de Danzig também passou a ser controlado pela liga das Nações e somente à Polônia estava facultado o domínio sobre o referido porto. Por outro lado, a Prússia Oriental acabou se separando do território alemão. Mas não se resumem nessas as perdas sofridas pelos eles foram obrigados a entregar à França, Inglaterra e Bélgica todos os seus navios mercantes, parte de seu gado, além de carvão, máquinas e outros materiais, em quantidade fabulosa. A Alemanha teve que destruir todo o material bélico existente em seu território; reduzir seu exército a ape- nas homens e a marinha, a 50 navios; e acabar definitivamente com sua aviação militar. Foi-lhe proibido erguer fortificações próximo à região do Reno, bem como aí manter tropas militares, tudo isso naturalmente para evitar que os alemães se reerguessem e desferissem novo ataque aos componentes da Tríplice Entente. A indenização que a Alemanha deveria pagar aos Aliados, por perdas e danos, foi estipulada em cerca de 350 mi- de marcos de ouro. No entanto, economistas mais experimentados já se haviam ocupado dos trabalhos de cálculo do montante dos prejuízos causados e o resultado a que chegaram é de que não foram tão astronômicos. Evi- dentemente, os Aliados também sabiam disso, mas prevalecia o desejo de arruinar à Alemanha e eles estavam dispos- tos a manter sua exigência a qualquer custo. Os franceses, particularmente, desejavam a ruína dos alemães, pois ainda não esmorecera o antigo ódio entre os dois países. Aliás, esse sentimento de aversão foi claramente demonstrado por Georges Clemenceau, durante as negociações de paz, em seus constantes ataques à Alemanha. Evidentemente, à Alemanha não dispunha da soma exigida e se passariam muitos anos até que ela saldasse sua dívida. Isso tranqüilizou sobremodo os países europeus, aos quais o poderio econômico e político alemão, nos princí- pios deste século, parecera realmente ameaçador.As da Primeira Guerra Mundial Sociais Como sociais do grande conflito de 1914, podemos apontar, em primeiro lugar, a destruição e o grande número de mortes, em todo o continente europeu. Surpreendentemente, o número de mortes civis sobrepujou ao de militares, daí se concluindo a extensão dos estragos causados pela guerra: mais de 10 milhões de pessoas mor- reram e outras 20 milhões ficaram Durante esses combates, novas táticas foram postas em vigor e armas que antes também nunca tinham sido empregadas, como o gás asfixiante, a metralhadora, o lança-chamas e outras máquinas de destruição. Todavia, não apenas os bombardeios aéreos e os combates em terra foram os responsáveis por tão grande número de mortes; as epidemias, a fome e os atos de brutalidade extrema também deram a sua contribuição à dolorosa cifra. Políticas Após a guerra, observaram-se profundas modificações no mapa da Europa (figura 1), com a criação de nações como a Polônia, a Tchecoslováquia, a lugoslávia, etc., e a separação entre a Áustria e a Hungria. FIGURA 1 A EUROPA ANTES E PÓS-GUERRA EUROPA ANTES DE 1914 EUROPA ÁPOS 1918 FINLANDIA MAR DO MAR DO RUSSIA DINAMARCA IMPÉRIO RUSSO OCEANO ATLANTICO POLONIA ALEMANHA FRANÇA PORTUGAL MAR NEGRO ESPANHA x ECIA OTOMANO Perdas da Russia X Alemanha Perdas da Alemanha 630km Austria de 1919 Fonte: FAE. Atlas histórico escolar. Perdas do Bulgaria Perdas da Bulgária Turquia As políticas também incluem a implantação do regime republicano em alguns países, embora nem sempre se tenham convertido em democracias. Podemos citar como exemplo o caso da Alemanha e da Itália, onde, sucedendo à guerra, dominou o totalitarismo, uma natural do ódio e da insegurança que ela provocara. Realmente, parecia haver desaparecido da Europa o sentimento de respeito ao indivíduo. Os governos liberais foram desprezados, para que se elevassem os regimes ditatoriais. Foi também em meio à guerra que irrompeu a revolução bolchevique na Rússia e se implantou o regime comu- nista nesse país. Aliás, exatamente em virtude dessa agitação interna a Rússia foi obrigada a retirar-se da guerra bem antes de seu término, assinando à parte o Tratado de Brest-Litovski. Econômicas A primeira econômica da guerra repousa na queda da doutrina do liberalismo econômico. Os países tiveram que enfrentar sérias dificuldades financeiras, tendo havido mesmo uma fase de socialização no que se refere ao trabalho, à produção, etc. controle econômico dos países passou a ter uma feição estrita- mente nacional, tendo aparecido nessa época as primeiras grandes aglomerações industriais. fato mais notável relacionado à mudança econômica dos países envolvidos na guerra diz respeito aos EstadosUnidos, porque forneciam produtos aos países beligerantes e, com isso, iam se firmando como uma grande potência industrial. final da guerra marcou novo surto industrial e o advento de novas máquinas agrícolas, que se esperava substi- tuíssem o grande número de camponeses mortos durante a guerra. Na Alemanha, enquanto se desenrolava a guerra, apenas a indústria de materiais bélicos passava por grande expansão; as demais haviam entrado numa espécie de crise crônica, própria desse período. Quanto aos países neutros, foram beneficiados com a guerra, bastando dizer que se intensificou bastante a entra- da de ouro nos mesmos. A Holanda e a Espanha registraram esse fenômeno. A França teve suas indústrias seriamente comprometidas e na Bélgica a vida industrial sofreu verdadeiro colapso. A FORMAÇÃO DA LIGA DAS NAÇÕES Conforme já foi visto, a organização de uma Liga das Nações constituiu o sonho dourado de Woodrow Wilson, tendo sido esse, aliás, o 14° dos pontos que ele achava indispensáveis ao restabelecimento da paz no mundo. Wilson esperava que a Alemanha fosse derrotada e, com ela, o regime militarista. Somente assim se poderia estabelecer um verdadeiro controle das relações entre todas as nações do mundo e alimentar a paz; o regime de equi- líbrio de poderes era imprudente demais, segundo Wilson. Sua convicção numa derrota alemã é o que o levou a partici- par da guerra. No entanto, nem todos os países se achavam dispostos a aceitar a Liga, tal como havia sido proposta por Wilson. Ele teve que abrir muitas exceções, o que acabou desvirtuando os seus próprios ideais. Por exemplo, para manter uma atitude de cordialidade com a França, excluiu a Rússia e a Alemanha da Liga. Formada por representantes de 27 países, a Liga das Nações se propunha a efetuar reuniões anuais, sempre no mês de setembro. Nessas reuniões, levadas a efeito na Corte de Justiça de Haia, deveriam comparecer, obrigatoria- mente, os representantes dos países que formavam a Liga; eles discutiam em conjunto os problemas internacionais surgidos, procurando resolvê-los sempre por meios pacíficos. Além da Corte de Justiça estabelecida em Haia, a Liga mantinha, permanentemente reunidos, um Conselho, a Secretaria e vários órgãos secundários. Uma de suas boas realizações foi a criação da Organização Internacional do Trabalho, que visava à melhoria das condições de trabalho no mundo. Embora houvesse sido idealizada para resolver as questões que surgissem entre as varias nações, a Liga não foi bem sucedida por muito tempo. Apenas entre os pequenos países ela teve forças para afastar o perigo da guerra, como no caso da Suécia e Finlândia, na questão da disputa das ilhas Aland, e do Peru e Colômbia, que se achavam à beira do conflito, devido à disputa da província de Letícia. A intervenção da Liga logrou êxito, apenas quando tratou de problemas entre as pequenas nações e também ao combater o tráfico internacional do ópio. Auxiliando aos países menos favorecidos no combate às epidemias, sua atua- ção foi, de igual forma, decisiva. No entanto, quando uma questão envolvia uma grande potência, positivava-se o retraimento da Liga e sua inép- cia. Mas foram relevantes os serviços prestados por ela no tocante a estatísticas sobre a economia mundial e o desen- volvimento do trabalho nas diferentes áreas do globo. Inúmeros outros benefícios de caráter social também partiram da Liga e isso, naturalmente, veio a constituir um dos fundamentos da verdadeira união e colaboração entre as várias nações do mundo. Em a Polônia apoderou-se de Vilna, região então pertencente à Lituânia, tendo havido total omissão da pois a Polônia contava com a ajuda da França, enquanto a Lituânia se achava totalmente desarmada, nesse sentido. A ineficácia da Liga cada vez mais se acentuava e não foram raros os países que passaram a ignorá-la totalmente. Em o Japão tomou a Manchúria e, em a Itália agiu da mesma forma, com relação à Etiópia, sem qualquer intervenção da Liga. A partir de 1935, já eram bastante visíveis os sinais de sua decadência. Três anos depois, já não se pensava em recorrer a ela, para a solução de algum problema, fosse ele de grande extensão ou insignificante. A REVOLUÇÃO RUSSA No início do século XX, ocorria a Revolução Russa. Pela primeira vez na história mundial, um único país tentava esta- belecer um governo diferente, com base na efetiva atuação da classe trabalhadora. Estava nascendo a sociedade socialista. De acordo com os idealizadores do socialismo, Karl Marx e Friedrich Engels, não haveria diferenças econômi- cas, desigualdades sociais, prevaleceria a igualdade e uma sociedade organizada com base na coletividade.Os meios de produção: fábricas, máquinas, capitais deixariam de ser propriedade individual. Estado que repre- sentaria, o governo, seria o encarregado de ser o representante dessa coletividade, passando a intervir na produção, distribuição e consumo dos bens produzidos naquele país. Era o início de uma bela história que chegou ao fim, por volta dos anos 80, quando o mundo socialista sofreu, talvez, a sua pion crise, levando ao enfraquecimento desse regime e a transição para o capitalismo, a maioria dos países socialistas. A Rússia no início do século XX Ainda nos meados do século passado, imperava na Rússia um regime despótico já bastante deca- dente. czar Nicolau II não sabia combater a corrupção: sua fraqueza na condução dos destinos do país era revoltante. A política que ele desenvolvia, auxiliado por ministros incompetentes e desonestos, era a possível, e a derrota dos russos na guerra com o Japão agravara ainda mais a situação interna do país. As reformas processavam-se com morosidade, crescendo o desespero dos camponeses, que se encontravam constantemente ameaçados pela fome. As revoltas que por vezes estalavam eram imediatamente sufocadas pela ação de desumanos cossacos. governo de Nicolau II tornaram-se, realmente, odioso; prova disso eram as deportações para a Sibéria, as quais se faziam em número cada vez maior. A participação da Rússia na guerra de 1914, por um tempo razoável, também esteve condicionada à negligência e à falta de bom senso. Os soldados passavam por toda sorte de dificuldades, marchando para a frente sem as armas necessárias, mal vestidos e calçados. Os feridos em combate não eram satisfatoriamente socorridos e contraíam doenças. As mortes se multiplicavam. Os alimentos também escasseavam e, não obstante ter a Rússia iniciado a guerra com 15 milhões de soldados, o suficiente para mantê-la segura na condução da guerra na frente oriental, viu-se desar- mada para desempenhar seu papel, tal o número de soldados mortos em combate. Em os alemães já haviam invadido seus limites. As fases da revolução russa No mês de março de 1917, principiou a primeira fase da revolução russa, motivada principalmente pela desas- trosa atuação do país na guerra de 1914. Os gastos que essa guerra exigiu foram exorbitantes, acarretando a inflação, a falta de alimentos e alta no custo de vida em geral; a situação no campo era desesperadora e muitos camponeses, fu- gindo à fome, dirigiam-se para as cidades à procura de melhor sorte. A agitação imperava em toda a Rússia'e a oposição ao regime político vigente cada vez mais se fortalecia, princi- palmente pelas constantes manifestações dos radicais. Outro fator que contribuía para essa agitação era o clima de ódio deixado pela revolta de Nesse ano, a miséria entre os trabalhadores era tamanha que eles decidiram se unir e dialogar com czar, expondo suas reivindicações. Não puderam, entretanto, levar a cabo a missão a que haviam se proposto, porque os soldados do czar entraram em ação, dispersando os manifestantes a bala. Houve muitas mortes e um número incontável de feridos, ficando esse dia tristemente conhecido como o "domingo sangrento". Um ano antes desses acontecimentos, já haviam sido decretadas a liberdade de imprensa, a tolerância religiosa e a autonomia do poder judiciário, mas isso era pouco, dada a situação de extrema penúria em que viviam os operários. Por esse motivo, esperavam eles benfeitorias sindicais, reivindicando-as perante o czar. A morte de muitos deles agravou ainda mais a situação, eclodindo nova revolta interna, organizada pela Marinha. Nas ruas, o povo se reunia para emitir ataques ao regime czarista e as greves se sucediam nos principais veículos de divulgação do país. governo lançou mão da repressão violenta para aplacar esses tumultos e firmar sua autoridade. Até sentenças de morte foram decretadas nessa ocasião. Outrossim, procurando restabelecer a ordem, Nicolau II criou a Duma, uma espécie de assembléia, à qual pode- riam ter acesso indivíduos dotados de tendências políticas diferentes. Estava assim estabelecido o regime monárquico constitucional na Rússia, que, entretanto, não minorou as dificuldades internas do país. Por outro lado, as tropas russas não estavam em condições de continuar a guerra, mas Nicolau queria que os russos prosseguissem combatendo, malgrado as péssimas condições em que se encontravam. Foi a bancarrota para a Rússia e o verdadeiro início da revolução, tendo sido Nicolau forçado a abdicar. Entretanto, bem antes que isso se consumasse, exatamente em 1912, a corte russa passou a ser por um monge sem escrúpulos e mistificador, de nome Rasputin, que granjeou toda a simpatia da esposa de Nicolau II. Elavia Rasputin como um ser superior e não hesitou em tomá-lo por conselheiro. czar era um homem fraco, destituído de iniciativa própria, não tardando para que também se influenciasse pelo perigoso monge, cujo prestígio aumentava dia a dia. Aos poucos, foi conseguindo cargos públicos para a maioria de seus amigos, homens dotados de tantas qualidades morais quanto ele, os quais acabaram influindo indiretamente em todas as decisões do governo. A corrupção havia tomado conta dos setores públicos, quando a influência perniciosa do monge foi definitiva- mente vencida, em virtude de seu assassinato, ocorrido nos fins do ano de 1916. Evidentemente, a eliminação de Rasputin não poderia, por si só, melhorar a situação interna da Rússia, porque na verdade os problemas que a afligiam eram muitos e bastante complexos. Deposto Nicolau II, em março de 1917, os chefes políticos da Duma constituíram um governo provisório, contan- do com a colaboração dos trabalhadores de Petrogrado, através de seus representantes. Esse governo não foi ainda de caráter socialista, tendo sido formado por elementos liberais, mas pertencentes à classe média superior e também à nobreza. No cargo de primeiro-ministro colocou-se o Lvov; no de ministro da justiça, Alexandre Kerenski e no de ministro das relações exteriores, Paulo Milyukov. Kerenski era um social-revolucionário, ao passo que todos os demais ministros eram burgueses liberais. o governo provisório tinha intenções de formar um regime semelhante àquele que vigorava na Bretanha. Mais do que nunca se enalteceu a liberdade dos cidadãos, tendo havido libertação de milhares de presos políticos, bem como o retorno de exilados à pátria, No entanto, a idéia de prosseguirem os russos na guerra ainda era sustentada principalmente por Milyukov. Ele afirmava que a Rússia havia assumido esse dever, ainda no governo de Nicolau II, e deveria respeitar os acordos inter- nacionais, continuando a lutar até o final da guerra. Na verdade, não apenas o senso do dever e da honra motivava seu pensamento. Milyukov era apenas o porta- voz dos elementos imperialistas do governo, que ambicionavam anexar Constantinopla à Rússia, assim que a guerra tivesse fim. povo russo era o grande ausente nas discussões que se faziam a esse respeito, mas era evidente que não participava da opinião de Milyukov, pois já se cansara dos sofrimentos e da miséria, de todas as dificuldades que a guerra vinha acumulando. Milyukov foi tão combatido que algum tempo depois renunciou ao cargo de ministro do exterior. Aliás, todo o go- verno passou por uma reestruturação e Kerenski converteu-se em primeiro-ministro, ao renunciar ao posto Lvov. novo gabinete passou a contar com marxistas moderados e social-revolucionários Na qualidade de ditador, Kerenski não conseguiu negociar a paz, tendo sido recusada sua proposta de acordo sim- ples, sem indenizações ou anexação de territórios. Por isso, ele também achou que a Rússia deveria continuar a guerra e novos tumultos e manifestações de desagrado ocorreram, culminando na grande revolução socialista de outubro. A ascensão dos bolcheviques A os bolcheviques formavam um único partido político, o Gradativamente, porém, começaram a surgir algumas divergências entre seus próprios membros, até que em 1903 já se apresentavam divididos em dois grupos distintos: os bolcheviques e os mencheviques. Os primeiros constituíam a maioria; eram os marxistas ortodoxos, também chamados vermelhos, ao passo que os mencheviques (brancos) eram os marxistas revisionistas. Desde que o czar fora deposto, os bolcheviques organizavam os planos de sua revolução socialista. No próprio Soviete de Petrogrado, que nada mais era senão o conselho de deputados dos trabalhadores e soldados, os bolcheviques acabaram superando os mencheviques em número. Formaram a Guarda Vermelha e tomaram os princi- pais pontos da cidade. A seguir, dirigiram-se para os edifícios públicos e aprisionaram todos os membros do governo, a exceção de Kerenski, que logrou fugir. Portanto, sem terem recorrido a uma luta prolongada ou difícil, os bolcheviques tomaram o poder, mas isso aconteceu principalmente porque a autoridade de Kerenski havia decaído bastante. "Paz, Terra e Pão" com esse lema os bolcheviques estavam certos de que todo o povo russo iria unir-se a eles, pois a paz era ardentemente desejada pelos soldados fatigados; a terra, pelos camponeses famintos; e o pão, por todos aqueles que padeciam de fome, nas cidades. Dois líderes bolcheviques devem ser apreciados à parte: Lênin e Trotski. Vladimir llych Ulianov era o nome verdadeiro de Lênin, que nasceu no ano de Seus estudos secundários iniciaram-se na Universidade de Kazan, mas foram inter- rompidos, em virtude de haver o jovem Vladimir sido acusado de participar atividades subversivas. Posteriormente, reto-mou os estudos, dessa vez na Universidade de São Petesburgo, formando-se em direito no ano de 1891. A partir de então, passou a pregar seus ideais socialistas. Perseguido a princípio, viveu algum tempo na Alemanha e na Inglaterra, dirigin- do um jornal bolchevique. Aliás, foi nesse período de sua vida que adotou um pseudônimo como faziam todos os revolucionários russos da época. Em 1917, no princípio da revolução socialista, Lênin sentiu que não poderia alhear-se por mais tempo aos proble- mas de sua pátria. Ajudado por amigos alemães, logrou penetrar na Rússia e pode, então, tomar a dianteira do movimento revolucionário que mal se iniciava. Excelente orador e político astuto, Lênin não se defrontou com grandes dificuldades para impor suas idéias e, por julgá-las as únicas corretas, combateu tenazmente os que se manifestavam contra as mes- mas. grande colaborador de Lênin foi Trotski, que na verdade se chamava Lyov Bronstein, tendo nascido em 1879. Antes da revolução Trotski não tomara parte ativa na política nacional, embora nunca houvesse ocultado suas tendên- cias de marxista independente. Trotski esteve implicado no levante de 1905, tendo sido deportado para a Sibéria, de onde fugiu algum tempo depois. Sua vida, a partir de então, foi uma verdadeira aventura pelas capitais da Europa. Somente retornou à Rússia após a abdicação de Nicolau II, por haver Kerenski intercedido em seu favor junto a funcionários ingleses que o haviam aprisionado em Halifax. Pisando novamente em solo russo, Trotski colocou-se ao lado dos bolcheviques, organizando a Guarda Vermelha e afastando, um a um, todos os mencheviques que ainda exerciam influência no soviete de Petrogrado. Mais tarde, durante o governo desempenhou as funções de ministro das relações exteriores e nesse mesmo governo, algum tempo depois, representou o governo na pasta da guerra. o governo bolchevique Afastados os últimos do antigo governo, os revolucionários bolcheviques lançaram-se ao trabalho de alteração radical na estrutura política e econômica vigente, iniciando-se com eles a segunda fase da revolução. Organizaram as eleições da Assembléia Constituinte, mas o resultado das mesmas exasperou-os, pois apontava os deputados da oposição como detentores da maioria de votos. Frisando que a meta da revolução era a ditadura do prole- tariado, Lênin dissolveu a Assembléia, afastando os reacionários do novo governo que se iniciava. Tal era a sua preocu- pação nesse sentido que não hesitaram em assinar o Tratado de Brest-Litovski, em março de 1918, não obstante o mesmo impusesse aos russos condições Eles teriam que reconhecer a independência da Ucrânia; ordenar a retirada de suas tropas da Finlândia e Estônia; e deixar que as Potências Centrais se incumbissem de deter- minar os limites dos Estados da Polônia, Letônia e Lituânia, tendo por base a origem, costumes, língua, etc. da popu- lação habitante nessas regiões. Mesmo considerando esses termos do tratado, não seriam de grande monta as perdas que a Rússia iria sofrer, porque os países mencionados não acatavam o bolchevismo e, naturalmente, não se sujeitariam a permanecer unidos à Rússia nesse mesmo regime. Devemos salientar, ainda, que os termos do tratado não se resumiam nos citados; a Rússia também deveria pa- gar aos aliados a indenização de um bilhão e meio de dólares, devido à negligência que vinha caracterizando sua atua- ção na frente oriental, e também por abandonar a guerra antes que ela terminasse. A Guerra Civil Satisfeitos por terem conseguido firmar paz, os bolcheviques prepararam-se para voltar à sua obra de reorgani- zação interna do país, quando se levantaram contra eles os grandes latifundiários e capitalistas, que haviam sido despo- jados de seus bens e terras. Estes decidiram combater os bolcheviques, certos de que poderiam contar com o auxílio dos Aliados, os quais também pretendiam castigar ainda mais a Rússia, cujo novo regime os atemorizava. Os reacionários mencheviques, contando então com o auxilio das tropas enviadas pelos Aliados, imediatamente se lançaram à guerra contra os bolcheviques. A luta transcorreu do modo mais violento possível, porque os bolcheviques também haviam organizado um exército Os atos de extrema crueldade não foram caracte- rísticos de um ou outro partido; ambos queriam fazer valer sua opinião e massacravam impiedosamente os que se mani- festassem em contrário. mesmo regime de terror que havia sido posto em prática durante a Revolução Francesa se repetia na Rússia, através dos atos dos vermelhos. Eles organizaram uma comissão especial, cujo objetivo era aprisionar e castigarsumariamente os anticomunistas ou os suspeitos de conspirarem contra os bolcheviques. Apesar da ajuda que haviam recebido dos aliados, os brancos não conseguiram vencer os bolcheviques e, nos fins de 1920, a guerra já podia ser considerada terminada, com a vitória bolchevique. A Rússia após a guerra civil A mais importante das consequências da guerra civil foi o estabelecimento definitivo do regime comunista no país. ano de 1920 marcou verdadeira crise econômica na Rússia e, para contornar a situação, o governo revolu- cionário aboliu os salários e estabeleceu a distribuição de alimentos aos trabalhadores, observando a necessidade mínima de cada pessoa. Foi uma época de grandes privações, em que se impediu o desenvolvimento de qualquer comércio particular. Os camponeses foram intimados a entregar ao Estado tudo o que produzissem além do estrita- mente necessário, para não perecerem de fome. Com isso, procuravam os bolcheviques arruinar definitivamente os burgueses e prover da melhor forma possível o seu exército; ele deveria estar sempre em ótimas condições, para qualquer eventualidade. Em 1921, foi estabelecida uma nova política econômica, que iria vigorar pelo espaço de sete anos. Afirmando que daria "um passo atrás para poder dar dois passos à frente", Lênin pôs em prática a sua Nova Política Econômica. Foram restabelecidos os salários e dada uma permissão para que se erguessem pequenas indústrias particulares. Os camponeses também receberam permissão para negociar no mercado o trigo que produzissem. Em 1928, essa política foi abolida, passando a vigorar os famosos Planos ou seja, planejamentos econômicos pelo prazo de cinco anos. objetivo desses planos era a socialização agrícola e industrial, capaz de anular o retrocesso havido em 1921. êxito da economia planejada foi completo. De 1928 a 1933, enquanto esteve em vigor o primeiro Plano a Rússia passou por grandes progressos, em quase todos os seus setores econômicos, controlados por grupos. Parte das terras pertencia ao Estado e o restante, a cooperativas. A morte de Lênin deu-se em e foi motivo para que ocorresse ferrenha disputada do poder entre Joséf Stálin e Trotski, seus auxiliares mais diretos. Stálin nasceu em tendo sido parcialmente educado num seminário. Aos dezessete anos, foi expulso do mesmo, sob a alegação de não contar com a necessária vocação religiosa. Ainda em tenra idade, Stálin sonhava com a causa revolucionária, o que, aliás, o levou ao exílio por seis vezes consecutivas. governo provisório que sucedeu ao do czar foi o responsável por sua libertação, na sexta vez. Sempre entusiasmado pelas atividades revolucionárias, em 1917 Stálin firmou-se como principal figura da secre- taria geral do partido comunista. Disso se aproveitou para organizar seu próprio grupo partidário e, quando da morte de aguardou ansioso o momento de assumir a chefia do partido. Entre Stálin e Trotski havia uma divergência fundamental, de ordem política. primeiro objetivava firmar o socia- lismo primeiramente na Rússia, para depois procurar expandi-lo por todo o mundo. Trotski, ao contrário, considerava difícil a vitória do regime socialista na Rússia, dada a existência de inúmeros países capitalistas ao seu redor. Entendia que os esforços pró-socialismo não deveriam restringir-se à Rússia; ela deveria, desde o início, ser a orientadora de uma revolução mundial, nesse sentido. Stálin usou de todos os meios para desembaraçar-se de seu mais acirrado inimigo, vindo a consegui-lo em 1927, quando Trotski foi expulso do partido comunista e exilado da pátria. A partir de 1934, a revolução russa atingiu nova fase, com o regime bolchevique se desviando de sua primitiva orien- tação, para chegar a um ponto mais conservador. Realmente, notou-se o estabelecimento de alguns processos peculiares ao regime capitalista, tais como a emissão de obrigações com lucros e juros sobre depósitos monetários. Por outro lado, evidenciou-se a desigualdade nos ordenados; disso pode ser citada como exemplo a remuneração percebida pelos mem- bros do partido comunista, que era bem mais elevada em comparação à conferida a todos os demais trabalhadores russos. A própria engrenagem social sofreu modificações, a partir de 1934, quando da implantação do segundo Plano tendo-se incentivado a natalidade e decretado novas leis, mais rigorosas, sobre casamento e divórcio. Outrossim, a Rússia interessou-se novamente pela política internacional e, nesse mesmo ano (1934), passou a integrar a Liga das Nações; no ano seguinte, efetuou um pacto militar com a França, querendo evidentemente, com isso, firmar-se na qualidade de elemento influente entre a Alemanha e a Inglaterra e França. Em 1938, os russos firmaram um pacto de não-agressão com a Alemanha, por suspeitarem que tanto ingleses como franceses prestavam secreto auxílio a Hitler, em sua expansão para o Oriente.Durante a época de Stálin, novas manifestações de nacionalismo se verificaram e o militarismo sofreu outra ascensão. exército passou a ser mais bem remunerado, tendo sido, também, totalmente remodelado, à maneira oci- dental. o patriotismo, antes tão combatido e apontado como sentimento próprio dos países capitalistas, foi novamente cultivado, passando a ser, a partir de então, verdadeira virtude soviética. Consolidando sua posição de chefe do governo soviético, com poderes absolutos, Stálin intensificou os expurgos políticos, isto é, lançou-se à eliminação dos que estivessem contra o regime, pretendendo acabar com todos os vesti- gios de oposição. Não foram poupados os trotskistas, os social-revolucionários e os socialistas de esquerda. Foi pro- movido então verdadeiro regime de terror, estendendo-se o chamado Grande Expurgo de 1936 a 1938. pretexto de que se serviu Stálin para pôr em prática a repressão foi o assassinato de um líder político de Leningrado, Serge Kirov, possivelmente ordenado pelo próprio Stálin. Grande Expurgo superou todos os precedentes, tanto pela brutalidade que o caracterizou, quanto pelas transformações radicais que acarretou na direção do governo. o número de desapare- cidos chegou a centenas de milhares, não se sabendo ao certo quantos foram eliminados simplesmente ou quantos pereceram nos campos de trabalho forçado. Os pontos de divergência entre o bolchevismo e o marxismo bolchevismo, que hoje se acha mais divulgado sob o nome de comunismo, teve em Lênin seu principal par- tidário. Ele deu uma interpretação pessoal à obra marxista, positivando-se alguns pontos de dessemelhança entre o seu próprio pensamento e o de Marx. Uma dessas diferenças repousa no fato de haver Marx afirmado que o capitalismo prepara terreno para o socialis- mo e ter rejeitado tal afirmação, mostrando-se convicto de que a Rússia poderia emergir de sua economia feudal e entrar diretamente na socialista, sem passar pela fase capitalista. Outro ponto de divergência entre o marxismo e o bolchevismo de Lênin acha-se ligado ao governo do proletaria- do. interpretava a "ditadura do proletariado" como governo de uma minoria privilegiada, que dominava, e governa- va não apenas a classe burguesa, como também o próprio proletariado. Essa minoria selecionada não é outra senão o partido comunista, cujos membros desfrutam de certas regalias em relação a todos os demais cidadãos. Portanto, são bem diversas as considerações sobre a ditadura do proletariado, de das de Marx. Este último, quando se referiu a ela, teve em mente o governo realmente desempenhado por toda a classe operária, sem exceção; o operariado deveria lutar incansavelmente por seus direitos e combater a burguesia, até suplantá-la por completo. governo russo desde 1918 A primeira constituição que os russos tiveram a partir da revolução bolchevique foi a da República Socialista Soviética Federativa Russa (R.S.S.F.R.), posta em vigor em Dessa R.S.S.F.R. fazia parte não só a Grande Rússia, como também a Sibéria Ocidental. A constituição em apreço estabelecia os Conselhos Locais, de operários, soldados, camponeses, marinheiros, etc., que eram a base do governo, ou seja, os Sovietes. Ao lado dos Sovietes, mas em mesmo nível de importância no governo, colocava-se um Conselho de Comissários do Povo; era esse conselho o real governador da Rússia de então. Os comissários do povo eram eleitos pelos sovietes. Em 923, novas modificações vieram incidir sobre o governo, em da expansão do comunismo para outros países. Estabeleceu-se então uma nova constituição: a da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (U.R.S.S), que não estabelecia uma forma de governo diferente da primeira A.U.R.S.S contava com a Geórgia, Armênia, Rússia Branca, Ucrânia e o Cada um dos novos membros da U.R.S.S. deveria ter seus próprios Sovietes e Conselho de Comissários do Povo: Acima de toda essa estrutura haveria o Congresso Pan-Soviético, o Comitê Executivo Central (eleito pelo Congresso) e o Conselho de Comissários da União (eleito pelo Comitê). Em 936, foi redigida uma nova constituição, tendo a mesma entrado em vigor dois anos após, quando uma votação popular a aprovou definitivamente. Essa Constituição vigorou até 07/10/77, data da Nova Constituição. Ela esta- belece o sufrágio universal, dando direito ao voto (secreto) a todos os maiores de dezoito anos. De caráter liberal, a constituição de 1936 consta de uma declaração de direitos, que dá aos cidadãos a liberdade de palavra, de imprensa, de reunião e religião. Existem também o direito ao emprego, à assistência durante a velhice, ou em caso de invalidez, e também o direito a férias. Todavia; essas disposições, é preciso ressaltar, são apenas nominais, pois desde a implantação do regime comu- nista foi cerceada a liberdade dos cidadãos. verdadeiro poder da nação está nas mãos do Partido ComunistaSoviético, e somente esse partido é admitido no país; logo, inexiste a liberdade total, contrariamente às disposições da própria constituição do país. partido comunista é que praticamente dirige a nação, pois os demais órgãos do governo nada mais são do que meros transmissores das opiniões que ele emite. Compõe-se e o Partido Comunista Soviético de um Comitê Central, que por sua vez se forma de 125 membros. Esse comitê se incumbe de escolher um Presidium de 25 elementos e 11 suplentes, de importância secundária. Consequências da revolução As modificações trazidas pela revolução bolchevique foram marcantes e refletiram-se não apenas no cenário político do país, como também no econômico e social. No campo econômico, houve a abolição do comércio privado e das fábricas de mesmo caráter. Por volta de 1939, já se achavam sob o controle do Estado as fábricas, as estradas de ferro, as minas, enfim, todos os setores da atividade econômica do país. Os armazéns se dividiam; uma parte pertencia ao governo, enquanto outra era administrada por produtores e consumidores, sob a forma de cooperativas. Do mesmo modo, parte das terras era de propriedade do Estado, ao passo que o restante era distribuído em fazendas coletivas, dentro de um regime cooperativista. Foi a partir da implantação do regime comunista que a Rússia apresentou sensível melho- ra em sua produção agrícola, graças aos modernos métodos que o novo regime colocou em ação. Dentro do sistema de economia planejada, a que também fora submetida a agricultura, a indústria soviética sofreu um grande surto; conseguindo superar a crise que abalara o país, por ocasião da guerra civil. No setor social, as alterações trazidas pelo regime comunista também foram grandes. A religião passou a ocupar um lugar secundário na vida da maioria da população. Estado não perseguia os que professassem algum culto, mas proibia terminantemente aos religiosos a participação em qualquer atividade ligada à educação, bem como noutras funções sociais. Além disso, reduziram-se a um número irrisório as igrejas existentes e estabeleceu-se como condição das mais importantes, aos membros do partido comunista, que fossem ateus. Negando-se a crer no sobrenatural, o comunismo adotou uma nova moral. A concepção negativa do pecado pessoal foi definitivamente afastada. As virtudes pregadas pelo comunismo são: a dedicação ao trabalho, o amor à pátria e ao socialismo e o respeito pela sociedade. Esses sentimentos devem sobrepujar a todos os demais, na mente de cada cidadão soviético. aumento do custo de vida foi realmente vertiginoso. Como a socialização exigisse um número muito grande de máquinas e tratores, para que o país suprisse as próprias necessidades internas por si só, as demais indústrias, como as de calçados, roupas, utensílios domésticos etc., passaram para um plano secundário. Durante certo tempo, a pro- dução desses artigos passou a ser muito limitada, sacrificando bastante o trabalhador, na aquisição dos mesmos. Vocabulário Alegação: Apresentação de um fato em defesa ou justificativa. Astronômicos: Muito elevados; fantásticos. Bancarrota: Quebra; falência. Bélico: Relativo à guerra. Cerceada: Restringida; limitada; destruída. Colapso: Enfraquecimento repentino. Comitê: Reunião de membros escolhidos numa assembléia, para examinar determinadas questões. Concepção: Ato de fazer idéia; conhecimento. Cooperativa: Sociedade em que são capitalistas os associados e que tem por fim o benefício deles, seja pela redução de preços, seja pela facilitação de empréstimos. Cossacos: Povos cavaleiros naturais das estepes do sul da Rússia. Crônica: Que dura há muito tempo; persistente. Deportação: Desterro; exílio. Desvirtuando: Tomando em mau sentido. Dianteira: Frente; vanguarda. Entrosamento: Encaixe; união.Estatística: Conjunto de elementos numéricos relativos a um fato social. Estrutura: Sistema político, econômico ou social variável com as condições de tempo e de lugar. Eventualidade: Acaso; acontecimento incerto. Exceder: Ser superior a; superar, ultrapassar. Expirado: Esgotado; terminado. Gabarito: Categoria; classe. Incorporaria: Ligaria; uniria. Inépcia: Falta absoluta de aptidão. Inflação: Emissão exagerada de papel-moeda, provocando sua desvalorização. Levante: Motim; sublevação. Mandato: Missão confiada a uma grande potência, de administração de um território determinado. Mistificador: Aquele que mistifica, isto é, abusa da crueldade de. Mutilados: Aqueles a que faltam membros, a que faltam partes. Nominais: Que não são reais, existindo apenas no nome. Omissão: Ausência de ação; inércia. Parcialmente: Apenas em parte. Pasta: Cargo de ministro de Estado. Peculiares: Próprios de. Penúria: Miséria extrema. Porta-voz: Aquele que fala em nome de outrem. Reivindicação: Reclamação; petição, exigência. Repressão: Contenção; ato de impedir que algo se desenvolva. Restauração: Restabelecimento; reconstituição. Restituir: Devolver. Totalitarismo: Sistema de governo em que um grupo político centraliza todos os poderes administrativos, não per- mitindo a existência de outros partidos políticos, e sobrepondo aos interesses e direitos individuais os da coletividade. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algu- 2. Marque com um (X), a única alternativa que completa mas estão certas e outras, erradas. Indique as certas corretamente a frase abaixo. com (C) e as erradas com (E). Corrija as erradas. Em 1917, foi o precursor do movimento revolu- a) Após a primeira fase da revolução russa cionário na Rússia. Nesse mesmo ano, a Rússia foi a (1917-1921), Lênin iniciou a nova política econômica primeira nação a se tornar (NEP) que autorizou a organização da pequena indústria particular. b) A disputa pelo poder na Rússia entre Trotsky e a) ( ) capitalista. Stálin, foi iniciada a partir da expansão ou da revolução b) ( ) anarquista. socialista no mundo, como forma de consolidar interna- c) ( ) monarquista. mente o regime socialista. d) (X) socialista. c) (E) Os Planos criados em 1928 tinham Comentário: socialismo adotado na Rússia, a partir como objetivos, o planejamento econômico da Rússia, da Revolução de 1917, defendia os princípios e ideais no período de dez anos. socialistas pregados por Karl Marx. Comentário: Está errada. Os planos cria- sistema socialista aplicado pelos russos era caracteri- dos em 1928 tinham como objetivos, o planejamento zado pela propriedade coletiva dos meios de produção, econômico da Rússia, no período de cinco anos. pois era controlada pelo Estado que estabelecia a quan- d) A partir do ano de 1934, a Rússia entrou para a tidade e a qualidade do que deveria ser produzido e a Liga das Nações e firmou um pacto de não-agressão remuneração, ou salário pago, seria de acordo com o com a Alemanha. trabalho realizado.EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER 1. Marque com um (X), a única alternativa que completa b) ( ) japoneses. corretamente a frase abaixo. c) ( ) d) ( ) italianos. A Rússia pré-revolucionária, isto é, antes da revolução russa tinha como forma de regime 4. Um dos mais importantes tratados do pós-guerra, a) ( a monarquia despótica ficou conhecido como, tratado da(e): b) ( a monarquia c) ( o despotismo a) Liga das Nações. d) ( ) a democracia b) Duma. c) ( ) Versalhes. 2. A política econômica criada por para organizar a d) ( ) NEP. Rússia após a revolução socialista era chamada de 5. Marque com um (X), a única alternativa que completa a) ( ) Duma. corretamente a frase abaixo. b) ( ) NEP. c) ( ) Sovietes. Comitê onde eram discutidas e votadas as decisões d) ( ONU. políticas a serem tomadas pelos revolucionários era chamado de 3. tratado de Brest-Litovski estabelecia um pacto de a) ( Conselho Executivo Central. não-agressão entre russos e b) ( ) Duma. c) ( ) Soviética. d) ) Conselho de Ministros. a) belgas. CHAVE DE RESPOSTAS a) (X) monarquia despótica. pacto de não-agressão entre russos e alemães. Os rus- Comentário: A situação da Rússia, antes de 1917 era se retiraram antes do final da Primeira Guerra muito precária. Este país era governado por um impe- Mundial, por causa da revolução bolchevique que der- rador ou czar que governava com poderes absolutos. rubou a monarquia e o czar em seu Apesar de ser um país essencialmente agrícola, a pro- dução de alimentos era insuficiente para garantir a subsis- 4. c) (X) o Tratado de Versalhes. tência da população, devido o uso de técnicas de plantio Comentário: o tratado de paz após a Primeira Guerra e produção ultrapassadas. Não é a toa, que a Rússia Mundial foi assinado através do Tratado de Versalhes, pré-revolucionária se encontrava em crise política, em Paris. Foram estabelecidas várias penalidades à econômica e social. o poder do czar era rígido, bem ca- Alemanha considerada por seus rivais, a responsável racterístico de uma monarquia despótica. pelo início da Primeira Guerra Mundial, sendo Tratado 2. b) (X) NEP. de Versalhes, o mais importante tratado assinado no Comentário: A política econômica criada por Lênin para pós-guerra. organizar a Rússia após a revolução socialista era cha- mada de NEP que significava a Nova Política Econômica 5. c) (X) Sovietes. que incentivava a implantação das pequenas indústrias Comentário: o lema da época era: "todo o poder aos particulares no país. Sovietes", que representava uma espécie de Comitê máximo que reunia todos os revolucionários para discu- 3. c) (X) alemães. tirem questões de ordem política ligadas ao interesse do Comentário: o Tratado de Brest-Litovski estabelecia um país.

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