Prévia do material em texto
Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO Série LiteraturaENSINO MÉDIO LITERATURA SÉRIE AULA 6 PÓS-MODERNISMO parte) As manifestações artísticas que ocorreram de 1945 até os nossos dias são denominadas Nessa aula, vamos tratar das manifestações compreendidas entre 945 e Inicialmente, vamos destacar os principais fatos históricos que marcam esse período. Em 945, terminou a Segunda Guerra Mundial, que se iniciara em com expectativas de paz. Foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas) e, pouco depois, se publicou a Declaração dos Direitos do Homem. Na história do Brasil, 1945 é lembrado como a data do fim da ditadura de Getúlio Vargas, que possibilitou o início da redemocratização. Em 946, Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente. Em 950, Getúlio Vargas foi eleito presidente pelo voto popular e assumiu a presidência em Mas foi um período muito conturbado e Getúlio suicidou-se em Café Filho assumiu seu lugar provisoriamente. Em Juscelino Kubitschek foi eleito para a presidência da República e tomou posse no ano seguinte. Realizou várias mudanças na economia do país com o objetivo de superar o subdesenvolvimento. A maior parte dessas mudanças foi feita com a utilização de moeda estrangeira, o que gerou um crescimento pouco inflacionário. Uma das medidas mais significativas foi o incentivo à indústria automobilística. Em os principais fatos foram a inauguração da cidade de Brasília e a eleição de Jânio Quadros para a presidência da República. Em termos houve inovações na pintura, arquitetura, literatura, e principalmente no teatro. A partir de 950, foram montados dois grupos de teatro: o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e o Teatro de Arena, que foram muito atuantes. Mas a inovação no teatro iniciou-se realmente em com a montagem da peça "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, sob a direção de Ziembinsky, um judeu radicado no Brasil. Quanto à literatura, alguns estudiosos costumam reunir os autores desse período sob o título de Geração de 45 ou Terceira Geração do Modernismo. Essa classificação não é muito adequada porque a obra dos autores desse período é muito diversificada para que se possa falar numa "geração". Por isso, preferimos a denominação "Pós- Modernismo" que é mais ampla e compreende assim a diversidade que marca o período mais recente da Literatura Brasileira. Vamos estudar a poesia e a prosa desse primeiro período pós-modernista. POESIA Além da continuidade de autores de fases anteriores, que seguiam escrevendo e se renovando, destaca-se o surgimento de novos autores nos anos 40. Dentre os autores da Segunda Fase do Modernismo que continuaram a publicar, destacam-se Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Morais. Surge um grupo de escritores que se autodenominaram "Geração de 45", na qual sobressairam-se Péricles Eugênio da Silva Ramos, Ledo Ivo, Paulo Bonfim, Geir Campos, Thiago de Mello. Esses poetas fundaram duas revistas para divulgar a sua obra: a Revista Brasileira de Poesia, em São Paulo, e a revista Orfeu, no Rio de Janeiro. A poesia desses autores caracteriza-se pelo abandono do verso livre e pela retomada da versificação. Eles criti- cavam a "Geração de 22", considerando como excessos o que eles realizavam em suas obras, e propunham, em oposição, o uso da linguagem precisa, a valorização da forma e do abandono do Também condenavam o poema-piada e o abrasileiramento da linguagem, classificando esse último como falso. Defendiam a abordagem de temas universais em oposição ao regionalismo. Por esses procedimentos, alguns críticos chamaram esse grupo de poetas neoparnasianos. principal autor desse período não pertenceu à chamada "Geração de 45". Como já dissemos, o termo geração não é empregado aqui de forma muito precisa, pois esse grupo não é homogêneo. Esse autor desenvolveu sua obra de forma muito particular e segue até hoje como nosso maior poeta vivo. Trata- se de João Cabral de Melo Neto, que estudaremos a seguir.João Cabral de Melo Neto João Cabral de Melo Neto nasceu em 920, em Recife. Passou a infância em engenhos de e estudou com os Irmãos Maristas. A sua primeira obra, Pedra do sono, de 1942 tem influência de Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Esse livro caracterizou-se pela presença de elementos do Surrealismo. sono, que já aparece no título, e o sonho são temas nessa obra. Em 1 945, ingressou na carreira diplomática, a qual seguiu por mais de 40 anos. Isso deu-lhe a oportunidade de viajar muito e morar em vários países, o que se refletiu em sua obra, já que ele traz para os seus textos elementos das culturas com as quais teve contato, principalmente a cultura espanhola. o Engenheiro, publicado em ainda traz elementos surrealistas e reúne também os elementos que cons- tituem a sua concepção de poesia: a atitude racional, de controle das emoções, no processo de criação do poema. Em Psicologia da composição, de 1945, vemos amadurecida a concepção de poesia apresentada na obra anterior. poeta rejeita e defende a objetividade no ato de escrever. Faz poemas em que reflete sobre a criação poética questionando-a, e utiliza uma linguagem lógica, racional, que revela grande preocupação com a forma. Em o sem plumas, de 950, e Morte e vida Severina, de temos a abordagem da questão social com a reflexão sobre a realidade do Nordeste. Em Paisagem com figuras, de o autor faz um paralelo entre Pernambuco, seu estado natal, e a Espanha, que ele conheceu muito bem. A Espanha volta a aparecer em Crime na calle Relatos, de 1987, e Sevilha andando, de 990. Agrestes, de é uma coletânea que reúne poemas de temas diversos. Escreveu ainda Os 3 mal-amados 943), o rio 954), Uma faca só lâmina (1 956), Dois Parlamentos e Quadorna ambos publicados em A educação pela pedra (1 966), Museu de tudo (1975), A escola das facas 1980), e o Auto do frade, publicado em 985, cujo tema é Frei Caneca. De forma geral, a poesia de João Cabral caracterizou-se pela objetividade, por um olhar sobre a realidade na ten- tativa de desvendá-la. Volta-se para os objetos, as paisagens, os fatos sociais, evita a exposição do eu e jamais se vale do sentimentalismo. Seus principais temas são: o nordeste com sua gente, suas tradições e seus problemas; a Espanha e suas pai- sagens; e a própria arte, escrevendo sobre pintores, sobre outros poetas e sobre o processo de criação artística. Sua linguagem é enxuta e concisa como a linguagem do sertanejo. João Cabral foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras em Em 1992, recebeu dois prêmios: o Prêmio Casa das Américas e o Neustadt International Prize for Literature da Universidade de Oklahoma. Em 993 recebeu o Prêmio Jabuti, instituído pela Academia Brasileira de Letras. Aposentado, vive atualmente no Rio de Janeiro. Vamos ler alguns poemas do autor. As Nuvens As nuvens são cabelos crescendo como rios; são os gestos brancos da cantora muda; são estátuas em vôo à beira mar; a flora e a fauna leves de países de vento; são o olho pintado escorrendo imóvel; a mulher que se debruça nas varandas do sono; São a morte (a espera da) atrás dos olhos fechados; a medicina branca! nossos dias brancos.engenheiro A luz, o sol, o ar livre envolvem o sonho do engenheiro. engenheiro sonha coisas claras: superfícies, tênis, um copo de água. lápis, o esquadro, o papel; o desenho, o projeto, o número: o engenheiro pensa o mundo justo, mundo que nenhum véu encobre. (Em certas tardes nós subíamos ao edifício. A cidade diária, como um jornal que todos liam, ganhava um pulmão de cimento e vidro). A água, o vento, a claridade, de um lado o rio, no alto das nuvens, situavam na natureza o edifício crescendo de suas forças simples. o Poema A tinta e a lápis escrevem-se todos os versos do mundo. Que monstros existem nadando no poço negro e fecundo? Que outros deslizam largando o carvão de seus ossos? Como o ser vivo que é um verso, um organismo com sangue e sopro, pode brotar de germes mortos? papel nem sempre é branco como a primeira manhã. É muitas vezes o pardo e pobre papel de embrulho;é de outras vezes da carta aérea, leve de nuvem. Mas é no papel, no branco asséptico, que o verso rebenta. Como um ser vivo pode brotar de um chão mineral? PSICOLOGIA DA COMPOSIÇÃO A Antônio Rangel Bandeira Saio de meu poema Como quem lava as mãos. Algumas conchas tornaram-se, que o sol da atenção cristalizou; alguma palavra que desabrochei, como a um pássaro. Talvez alguma concha dessas (ou pássaro) lembre, côncava, o corpo do gesto extinto que o ar já preencheu; talvez, como a camisa vazia, que despi. A Ivo Esta folha branca me proscreve o sonho, me incita ao verso nítido e preciso. Eu me refugio nesta praia pura onde nada existe em que a noite pouse. Como não há noite cessa toda fonte; como não há fonte cessa toda a fuga; como não há fuga nada lembra o fluir de meu tempo, ao vento que nele sopra o tempo.III Neste papel pode teu sal virar cinza; pode o limão virar pedra; o sol da pele, o trigo do corpo virar (Teme, por isso, a jovem manhã sobre as flores da véspera.) Neste papel logo fenecem as roxas, mornas flores morais; todas as fluidas flores da pressa; todas as úmidas flores do sonho. (Espera, por isso, que a jovem manhã te venha revelar as flores da véspera.) (...) VII É mineral o papel onde escrever o verso; o verso que é possível não fazer. São minerais as flores e as plantas, as frutas e os bichos quando em estado de palavra. É mineral a linha do horizonte, nossos nomes, essas coisas feitas de palavras. É mineral, por fim, qualquer livro: que é mineral a palavra escrita, a fria natureza da palavra escrita. (...)A EDUCAÇÃO PELA PEDRA Uma educação pela pedra: por lições; para aprender da pedra, captar sua voz inenfática, impessoal (pela de dicção ela começa as aulas). A lição de moral, sua resistência fria ao que flui e a fluir, a ser maleada; a de poética, sua candura concreta; a de economia, seu adensar-se compacta: lições da pedra (de fora para dentro, cartilha muda), para quem soletrá-la. Outra educação pela pedra: no Sertão (de dentro para fora, e pré-didática). No Sertão a pedra não sabe lecionar, e se lecionasse não ensinaria nada; lá não se aprende a pedra: lá a pedra, uma pedra de nascença, estranha a alma. Tecendo a manhã Um galo sozinho não tece uma manhã; ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão. o ÚLTIMO POEMA Não sei quem me manda a poesia nem sei Quem disso a chamaria. Mas quem quer que seja, quem for esse Quem (eu mesmo, meu suor?), Seja mulher, paisagem ou o não de que há que preencher os vãos, fazer, por exemplo, a muleta que faz andar minha alma esquerda, ao Quem que se dá à inglória pena peço: que meu último poema mande-o ainda em poema perverso, de antilira, feito em antiverso.Agora você vai ler o poema "Morte e Vida Severina" que é o texto mais popular de João Cabral de Melo Neto. Constitui-se de várias passagens que são as etapas da longa caminhada de Severino, um retirante. Ele atravessa o sertão, o agreste, a zona da mata e a cidade litorânea, caminhando em direção ao mar em busca da vida. Encontra quase sempre a morte e, em sua conversa com o carpina, temos a apresentação da dura vida do reti- rante e dos problemas do nordeste. Depois de assistir a muitos enterros e já desesperançado, o retirante assiste ao nascimento de uma criança, que simboliza a esperança. o RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI meu nome é Severino, na mesma cabeça grande não tenho outro de pia. que a custo é que se equilibra, Como há muitos Severinos, no mesmo ventre crescido que é santo de romaria, sobre as mesmas pernas finas, deram então de me chamar e iguais também porque o sangue Severino de Maria; que usamos tem pouca tinta. como há muitos Severinos E se somos Severinos com mães chamadas Maria, iguais em tudo na vida, fiquei sendo o da Maria morremos de forma igual, do finado Zacarias. mesma morte severina: Mas isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, que é morte de que se morre por causa de um coronel de velhice antes dos trinta, que se chamou Zacarias em emboscada antes dos vinte, e que foi o mais antigo de fome um pouco por dia senhor desta sesmaria. (de fraqueza e de doença é que a morte severina Como então dizer quem fala ataca em qualquer idade, ora a Vossas Senhorias? e até gente não nascida). Vejamos: é o Severino Somos muitos Severinos da Maria do Zacarias, iguais em tudo e na sina: lá da serra da Costela, e de abrandar estas pedras limites da Paraíba. Suando-se muito em cima, Mas isso ainda diz pouco: e de tentar despertar se ao menos mais cinco havia terra sempre mais extinta, com nome de Severino a de querer arrancar filhos de tantas Marias algum roçado da cinza. mulheres de outros tantos, Mas, para que me conheçam já finados, Zacarias, melhor Vossas Senhorias vivendo na mesma serra e melhor possam seguir magra e ossuda em que eu vivia. a história da minha vida Somos muitos Severinos passo a ser o Severino iguais em tudo na vida: que em vossa presença emigra.ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE o QUE DIZEM DO MORTO os AMIGOS QUE o LEVARAM AO CEMITÉRIO - Essa cova em que estás, - Trabalhando nessa terra, com palmos de medida, tu sozinho tudo empreitas: é a conta menor serás semente, adubo, colheita. que tiraste em vida. Trabalharás numa terra - É de bom tamanho, que também te abriga e te veste: nem largo nem fundo, embora com o brim do Nordeste. é a parte que te cabe - Será de terra deste latifúndio. tua derradeira camisa: - Não é cova grande, te veste, como nunca em vida. é cova medida, - Será de terra é a terra que querias e tua melhor camisa; ver dividida. te veste e ninguém cobiça. - É uma cova grande - Terás de terra para teu corpo defunto, compieto agora o teu fato: mas estarás mais ancho e pela primeira vez, sapato. que estavas no mundo. - Como és homem, - É uma cova grande a terra te dará chapéu: para teu defunto parco, fosses mulher, xale ou véu. porém mais do que no mundo Tua roupa melhor te sentirás largo. será de terra e não de fazenda: - É uma cova grande não se rasga nem se remenda. para tua carne pouca, - Tua roupa melhor mas a terra dada e te ficará bem cingida: não se abre a boca. como roupa feita à medida. - Viverás, e para sempre, - Esse chão te é bem conhecido na terra que aqui aforas: (bebeu teu suor vendido). e terás enfim tua roça. - Esse chão é bem conhecido - ficarás para sempre, (bebeu o moço antigo). livre do sol e da chuva, Esse chão te é bem conhecido criando tuas saúvas. (bebeu tua força de marido). - Agora trabalharás - Desse chão és bem conhecido, só para ti, não a meias, (através de parentes e amigos). como antes em terra alheia. - Desse chão és bem conhecido - Trabalharás uma terra (vive com tua mulher, teus filhos). da qual, além do senhor, - Desse chão, és bem conhecido serás homem de eito e trator. (te espera de recém-nascido).ASSISTE AO NASCIMENTO DE UM MENINO FALAM os VIZINHOS, AMIGOS, PESSOAS QUE VIERAM COM PRESENTES - De sua formosura De sua formosura já venho dizer: deixai-me que diga: é um menino magro, é belo como o coqueiro de muito peso não é, que vence a areia marinha. mas tem o peso do homem, De sua formosura de obra de ventre de mulher. deixai-me que diga: De sua formosura belo como avelós deixai-me que diga: contra agreste cinza. é uma criança pálida, De sua formosura é uma criança franzina, deixai-me que diga: mas tem a marca do homem, belo como a palmatória marca de humana oficina. na caatinga sem saliva. De sua formosura Sua formosura deixai-me que diga: deixai-me que cante: é tão belo como um sim É um menino guenzo numa sala negativa. como todos os desses mangues, E tão belo como a soca mas a máquina de homem que o canavial multiplica. já bate nele, incessante. Belo porque é uma porta Sua formosura abrindo-se em mais saídas. eis aqui descrita: Belo como a última onda é uma criança pequena enclenque e setemesinha que o fim do mar sempre adia. É tão belo como as ondas mas as mãos que criam coisas nas suas já se adivinha. em sua adição infinita. Belo porque tem do novo É belo porque com novo a surpresa e a alegria. todo o velho contagia. - Belo como a coisa nova Belo porque corrompe na prateleira até então vazia. com sangue novo a anemia. Como qualquer coisa nova Infecciona a miséria inaugurando o seu dia. com vida nova sadia. Ou como o caderno novo Com oásis, o deserto, quando a gente o principia. com ventos, a o CARPINA FALA COM o RETIRANTE QUE ESTEVE DE FORA Severino, retirante, com sua presença viva. deixe agora que eu lhe diga: E não há melhor resposta eu não sei bem a resposta que o espetáculo da vida: da pergunta que fazia, vê-la desfiar seu fio, se não vale mais saltar que também se chama vida, fora da ponte e da vida; ver a fábrica que ela mesma, nem conheço essa resposta, teimosamente, se fabrica, se quer mesmo que eu lhe diga. vê-la brotar como há pouco É difícil defender, em nova vida explodida; só com palavras, a vida, mesmo quando é assim pequena ainda mais quando ela é a explosão, como a ocorrida; esta que vê, severina; mesmo quando é uma explosão mas se responder não pude como a de há pouco, franzina; à pergunta que fazia, mesmo quando é a explosão ela, a vida, a respondeu de uma vida severina.PROSA A prosa desse período dá continuidade a várias tendências que já vinham se desenvolvendo na segunda fase do Modernismo. Observamos porém que ocorre uma renovação formal. Vemos desenvolver-se a chamada prosa intimista, em que se faz a análise do mundo interior das personagens em textos bastante complexos. A principal representante dessa tendência é Clarice Lispector. Há também a prosa regionalista que, iniciada no século XIX no Romantismo, chega a seu ponto máximo de ino- vação e ousadia com Guimarães Rosa, que é considerado o grande renovador de nosso regionalismo. Além desses autores, os da Segunda fase continuam escrevendo nesse período. Vamos conhecer os principais nomes da prosa dessa fase do Pós-Modernismo. Clarice Lispector Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de na aldeia de Tchetchenilk, na Ucrânia. No ano seguinte, veio com a família para o Brasil e nunca mais voltou à aldeia natal. Foram morar em Recife, onde Clarice passou a infância. Quando tinha 12 anos, mudaram-se para o Rio de Janeiro. Nessa época, sua mãe já havia falecido. Fez o curso secundário, cursou Direito, formou-se e começou a escrever. Em 1944, então com 19 anos, publicou o seu primeiro livro: Perto do coração selvagem, que foi muito bem recebido pela crítica. Depois, viveu vários anos fora do Brasil pois seu marido, um ex-colega de faculdade com quem se casara em era diplomata. Nessa época, dedicou-se apenas à literatura. Mas separou-se do marido e voltou ao Brasil nos anos 50, indo morar no Rio de Janeiro. Sempre fora muito mística e supersticiosa e, em 1976, foi convidada para representar o Brasil no Congresso Mundial de Bruxaria, na Colômbia. Em novembro de 1977, soube que sofria de câncer. Em dezembro, na véspera de seu aniversário, faleceu. Seus textos pertencem à tendência intimista da literatura, caracterizando-se pelo questionamento do ser, pela reflexão sobre o estar no mundo. Destacam-se a apresentação psicológica das personagens, o tempo psicológico - já que o narrador segue o fluxo do pensamento das personagens - e o conflito entre a personagem e o contexto social. Sua obra é marcada por antiteses, pela oscilação entre o ser e o não-ser, entre o eu e o não-eu. Utiliza metáforas e aliterações, valorizando muito a precisão no emprego das palavras e, as entrelinhas do texto. Quer atingir a camada mais profunda do ser humano, buscando o significado da vida e do ato de escrever. De sua obra, destacamos os romances Perto do coração selvagem 1944), o lustre (1 946), A maçã no escuro (1961), A paixão segundo G.H. 1964), Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969), Água viva (1973), A hora da estrela (1977). Contos: Laços de família (1960), A legião estrangeira (1964), Felicidade Clandestina (1971), Imitação da rosa (1973), A via-crúcis do corpo, Onde estivestes noite e A bela e a fera 974). Escreveu ainda literatura infantil: o mistério do coelhinho pensante (1 A mulher que matou os peixes 968), A vida íntima de Laura (1974) e Quase de verdade (1 978). Vamos ler alguns de seus contos:Feliz Aniversário A família foi pouco a pouco chegando. Os que quando aquela angústia muda: quando acompanhava, vieram de Olaria estavam muito bem vestidos porque fascinada e impotente, o vôo da mosca em torno do a visita significava ao mesmo tempo um passeio a bolo. (...) Copacabana. A nora de Olaria apareceu de azul-ma- Os músculos do rosto da aniversariante não a rinho, com enfeites de paetês e um drapejado dis- interpretavam mais, de modo que ninguém podia farçando a barriga sem cinta. marido não veio por saber se ela estava alegre. Estava era posta à cabe- razões óbvias: não queria ver os irmãos. Mas man- ceira. Tratava-se de uma velha grande, magra, impo- dara sua mulher para que nem todos os laços fossem nente e morena. Parecia oca. cortados - e esta vinha com o seu melhor vestido Oitenta e nove anos, sim senhor! disse José, para mostrar que não precisava de nenhum deles, acompanhada dos três filhos: duas meninas já de filho mais velho agora que Jonga tinha morrido. peito nascendo, infantilizadas em babados cor-de- Oitenta e nove anos, sim senhor! disse esfregando as rosa e anáguas engomadas, e o menino acovardado mãos em admiração pública e como sinal impercepti- pelo terno novo e pela gravata. (...) vel para todos. Depois veio a nora de Ipanema com dois netos e A velha não se manifestava. a babá. o marido viria depois. (...) Alguns não lhe haviam trazido presente nenhum. E à cabeceira da mesa grande a aniversariante Outros trouxeram saboneteira, uma combinação de que fazia hoje oitenta e nove anos. jérsei, um broche de fantasia, um vasinho de cáctus - Zilda, a dona da casa, arrumara a mesa cedo, nada, nada que a dona da casa pudesse aproveitar enchera-a de guardanapos de papel colorido e copos para si mesma ou para seus filhos, nada que a própria de papelão alusivos à data, espalhara sugados aniversariante pudesse realmente aproveitar consti- pelo teto; em alguns estava escrito "Happy Birthday!", tuindo assim uma economia: a dona da casa guarda- em outros "Feliz Aniversário!" No centro havia dispos- to o enorme bolo açucarado. Para adiantar o expe- va os presentes, amarga, irônica. diente, enfeitara a mesa logo depois do almoço, Oitenta e nove anos! repetiu Manoel aflito, encostara as cadeiras à parede, mandara os meninos olhando para a esposa. brincarem no vizinho para que não desarrumassem a A velha não se manifestava. mesa. Então, como se todos tivessem tido a prova final E, para adiantar o expediente, vestira a aniver- de que não adiantava se esforçarem, com um levantar sariante logo depois do almoço. Pusera-lhe desde de ombros de quem estivesse junto de uma surda, então a presilha em torno do pescoço e o broche, bor- continuaram a fazer a festa sozinhos, comendo os rifara-lhe um pouco de para disfarçar primeiros sanduíches de presunto mais como prova aquele seu cheiro de guardado, sentara-a à mesa. E de animação que por apetite, brincando de que todos desde as duas horas a aniversariante estava sentada estavam morrendo de fome. ponche foi servido, à cabeceira da longa mesa vazia, tesa na sala silen- Zilda suava, nenhuma cunhada ajudou propriamente, ciosa. De vez em quando consciente dos guardana- a gordura quente dos croquetes dava um cheiro de pos coloridos. Olhando curiosa um ou outro balão piquenique; e de costas para a aniversariante, que estremecer aos carros que passavam. E de vez em não podia comer frituras, eles riamNa cabeceira da mesa já suja, os corpos macula- braços moles e rostos ansiosos? Ela, a forte, que dos, só o bolo inteiro - ela era a mãe. A aniversariante casara em hora e tempo devidos com um bom homem piscou os olhos. a quem, obediente e independente, respeitara: a E quando a mesa estava imunda, as mães ener- quem respeitara e que lhe fizera filhos e lhe pagara os vadas com o barulho que os filhos faziam, enquanto partos, lhe honrara os resguardos. tronco fora bom. as se recostavam complacentes nas cadeiras, Mas dera aqueles azedos e infelizes frutos, sem então fecharam a inútil luz do corredor para acender a capacidade sequer para uma boa alegria. (...) vela do bolo, uma vela grande com um papelzinho (...) Pareciam ratos se acotovelando, a sua colado onde estava escrito "89". (...) família. Incoercível, virou a cabeça e com força insus- Na cabeceira da mesa, a toalha manchada de peita cuspiu no chão. (...) coca-cola, o bolo desabado, ela era a mãe. A aniver- Todos se entreolharam polidos, sorrindo cega- sariante piscou. mente, abstratos como se um cachorro tivesse feito Eles se mexiam agitados, rindo, a sua família. E pipi na sala. (...) ela era a mãe de todos. E se de repente não se E por assim dizer, de novo a festa estava termi- ergueu, como um morto se levanta devagar e obriga nada. mudez e terror aos vivos, a aniversariante ficou mais As pessoas ficaram sentadas benevolentes. dura na cadeira, e mais alta. Ela era a mãe de todos. E como a presilha a sufocasse, ela era a mãe de Algumas com a atenção voltada para dentro de si, à todos e, impotente à cadeira, desprezava-os. E olha- espera de alguma coisa a dizer. Outras vazias e va-os piscando. Todos aqueles seus filhos e netos e expectantes, com um sorriso amável, o estômago bisnetos que não passavam de carne de seu joelho, cheio daquelas porcarias que não alimentavam mas pensou de repente como se cuspisse. Rodrigo, o neto tiravam a fome. As crianças, já incontroláveis, gri- de sete anos, era o único a ser a carne de seu tavam cheias de vigor. Umas já estavam de cara coração. Rodrigo, com aquela carinha dura, viril e imunda; as outras, menores, já molhadas; a tarde caía despenteada, cadê Rodrigo? Rodrigo com olhar sono- rapidamente. (...) Acenderam o resto das luzes para lento e intumescido naquela cabecinha ardente, con- precipitar a tranqüilidade da noite, as crianças fusa. Aquele seria um homem. Mas, piscando, ela começavam a brigar. Mas as luzes eram mais pálidas olhava os outros, a aniversariante. Oh o desprezo que a tensão pálida da tarde. E o crepúsculo de pela vida que falhava. Como?! como tendo sido tão Copacabana, sem ceder, no entanto se alargava cada forte pudera dar à luz aqueles seres opacos, com vez mais e penetrava pelas janelas como um As caridades odiosas Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa enganchava na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a um menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança o que me ceifara os pensamentos. - Um doce, moça, compre um doce para mim. Acordei finalmente. que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água. Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum co- inhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino. De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim, terminasse logo. Perguntei-lhe: que doce Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelezinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse. - Que outro doce você quer? perguntei ao menino escuro. Este, mexendo as mãos e a boca ainda esperava com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisava de outro não. Ele poupava a minha bondade. - Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para a frente. menino hesitou e disse: aquele amarelo de Recebeu um doce em cada mão, levantando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los. Mesmo os doces estavam tão acima do menino escuro. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeirinha olhava tudo:Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas que passavam, mas ninguém quis dar. Fui embora, com o rosto corado de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o Sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de E para isso fora necessário um menino magro e escuro... E para isso fora necessário que outros não lhe tivessem dado um doce. E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sobre os outros sentimentos. agora, sozinha, meus pensamentos voltavam lentamente a ser os anteriores, só que História de coisa telefone pertence ao mundo das coisas. É um objeto vivo faço questão de que seja "objecto" e não "c" é o osso duro do telefone. Ele é um ser doido. É valsa de A autópsia do telefone dá pedaços de coisas. vezes, quando disco um número, toca, toca, toca sem parar e ninguém atende: comunico-me pálida com o silêncio de uma casa oca. Até que não agüento a tensão e, nervosa, de súbito desligo, nós dois com taquicardia. telefone é insolúvel. telefone é sempre emergente. As palavras não são coisas, são telefone não fala objectos, fala espírito. Mas eu duvido da minha própria dúvida - e não sei mais o que é coisa e o que é eu diante da coisa. Ou se trata da tirania das palavras? Tomo cuidado para não pensar demais. Faz mal às palavras. Mas o telefone obedece a uma lei inalterável e a um princípio eterno e dinâmico. Eu me ajusto à minha incerteza, certa da certeza do telefone. Apesar de tantas conversas e palavras - o telefone é solitário. E mantém segredo. Indiscrição? Solitude. telefone é uma estrela. Ele se estrela todo estridente em gritos ao soar de repente em casa. Atendo, digo "Alô" e ninguém fala. Ficou ouvindo a respiração de quem me ama e não tem coragem de falar comigo. E quando o telefone nunca toca? A grande solidão: eu olho para ele e ele olha para mim. Ambos em estado de alerta. Até que não agüento mais e disco o número de um amigo. Para quebrar o silêncio grande. E quando eu me comunico com o sinal de comunicação? É um enigma: eu me comunico com um "não". Quando disco e dá sinal de ocupado, estou me comunicando com o sinal de comunicação. Com o próprio enigma, pois estou me comunicando com "não, não, não, não, não, não". E espero angustiada que o "não, não, não" se transforme em "sim, sim e sim". sinal abençoado da chamada positiva de repente é: alô? de onde fala? Eu queria saber se existe o número 777-7777. Se existe comunico-me com o além. telefone é como a girafa: nunca se deita. E, apesar de ser usual, é como a girafa: inusitado. Sinto o telefone me esperar quando ele não estabelece logo uma ligação. Ouço uma respiração contida, contida, contida. telefone é um ser infeliz. Ele pode se desesperar e de repente transmitir uma notícia ruim que pega a gente desprevenida. Mas quando pode, dá notícia alegre. Eu então rio baixinho. Não adianta me explicarem como funciona o telefone. Como é que eu disco um número em casa e outra casa responde? Raio laser? Não. Astronauta, sim. Como é que na Idade Média e na Renascença as pessoas se comuni- cavam? Na a gente pede à telefonista para nos acordar a tal e tal hora. E também tem um serviço ótimo: a gente pergunta uma pergunta que só uma boa enciclopédia responderia. A telefonista pede para aguardar um prazo e depois telefona informando. No Brasil demora meses ou até anos para a gente conseguir obter um telefone. Em New York um brasileiro pediu à telefonista para adquirir um telefone com muita urgência. Ela disse que não podia dar com urgência. brasileiro desanimado perguntou quando conseguiria. Para seu pasmo, ela disse: só daqui a três dias. Não digo o número de meu telefone porque é de grande segredo. Meu telefone é vermelho. Eu sou vermelha. Tenho que interromper porque o telefone está tocando.Rosa João Guimarães Rosa nasceu no dia 27 de Junho de 1908 em Cordisbugo, Minas Gerais. Passou a infância nessa cidade e depois foi para Belo Horizonte, onde fez o curso secundário e a Faculdade de Medicina. Depois de formado, trabalhou em várias cidades do interior de Minas Gerais, demonstrando grande interesse pela natureza, pelos sertanejos e pelo estudo de línguas. Em 1934, iniciou sua carreira diplomática e trabalhou em vários países como Alemanha, Colômbia e França. Em 958, foi nomeado Ministro do Exterior. Publicou seu primeiro livro em 1946, o livro de contos Sagarana, com o qual se iniciou a renovação do regionalis- mo. Há uma valorização da linguagem regional, recriando-a com o uso de neologismos e a valorização da fala do ser- tanejo. Guimarães Rosa conseguiu também uma universalização do regional com a ampliação de temas particulares e, ao mesmo tempo, o tratamento de questões universais como vida e morte, Deus e Diabo, Bem e Mal, o amor e a violên- cia, a partir de situações que envolvem o sertão e sertanejo. Tratou assim de problemas que afligem o ser humano em qualquer tempo e lugar. Em seus textos, o sertão equi- vale ao próprio universo. Seus textos são narrados como se estivesse "contando casos" e ele explora o ritmo, usa muitas aliterações e interrogações. Guimarães Rosa foi devidamente reconhecido como escritor com a publicação de Corpo de baile e Grande sertão: veredas em 1956. Em 1963, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, mas tomou posse em 16 de novembro de 1967. Três dias depois, morreu no Rio de Janeiro. romance Grande sertão: veredas, do qual vamos ler alguns trechos a seguir, pode ser considerado a principal obra da literatura brasileira contemporânea. Construído a partir de casos, histórias curtas e anedotas, constitui uma nar- rativa cujo enredo é o seguinte: Riobaldo, ex-jagunço, agora um fazendeiro na região do rio São Francisco, relata a uma personagem não identifi- cada sua vida como jagunço no norte de Minas e no sul da Bahia. Ele foi chefe de um bando e tinha como objetivo destruir líder do bando inimigo e responsável pelo assassinato à traição do ex-chefe dos jagunços, Joca Ramiro, o que ele quer vingar. Para alcançar seu objetivo, Riobaldo teria feito um pacto com o Diabo, oferecendo sua alma em troca. Paralelamente a isso, desenvolve-se uma grande amizade entre Riobaldo e Reinaldo, um dos jagunços do grupo, conhecido como Diadorim. Riobaldo sente forte atração por Diadorim que é correspondida e isso desperta nele enormes conflitos. No desenrolar da história, o grupo de Riobaldo vence os inimigos. Porém, Reinaldo/Diadorim é assassinado. Quando Riobaldo assiste à preparação do corpo de Diadorim para o enterro, tem a revelação de que Diadorim era uma mulher, filha de Joca Ramiro, que estava disfarçada para vingar a morte do pai. Riobaldo então abandona a vida de jagunço e vai viver como fazendeiro, estando sempre atormentado pela dúvi- da sobre a existência do Diabo e sobre a possibilidade de se fazer o pacto. A narração dos fatos não obedece a ordem cronológica pois é feita a partir das lembranças de Riobaldo. Ao contá-los, ele faz uma reflexão sobre os mistérios da vida. Outras obras de Guimarães Rosa são: Primeiras estórias (1962), Tutaméia: terceiras estórias (1967), Estas estórias (1969), Ave palavra 1970), todos livros de contos. A partir da terceira edição, Corpo de baile passou a ser publicado em três volumes: Manuelzão e Miguilin; No Urubuquaquá, no Pinhém; Noites do sertão. Vamos ler alguns trechos de Grande sertão: veredas. porto. Desde aquele dia é que somos amigos". [Diadorim conta um segredo a Riobaldo] Que era, eu confirmei. E ouvi: "Pois então: meu nome, verdadeiro, é "Riobaldo, pois tem um particular que eu Diadorim... Guarda este meu segredo. Sempre, quan- careço de contar a você, e que esconder mais não do sozinho a gente estiver, é de Diadorim que você posso... Escuta; eu não me chamo Reinaldo, de ver- deve de me chamar, digo e peço, dade. Este é nome apelativo, inventado por necessi- Assim eu ouvi, era tão singular. Muito fiquei dade minha, carece de você não me perguntar por quê. Tenho meus fados. A vida da gente faz sete repetindo em minha mente as palavras, modo de me voltas se diz. A vida nem é da gente..." acostumar com aquilo. E ele me deu a mão. Daquela Ele falava aquilo sem rompante e sem entonos, mão, eu recebia certezas. Dos olhos. Os olhos que mais antes com pressa, quem sabe se com tico de ele punha em mim, tão externos, quase tristes de pesar e vergonhosa suspensão. grandeza. Deu alma em cara. Adivinhei o que nós "Você era menino, eu era menino.. dois logo eu disse: "Diadorim.. Atravessamos o rio de canoa... Nos topamos naquele Diadorim" com uma força de afeição.Ele sério sorriu. E eu gostava dele, gostava, também só soube Que Diadorim era o corpo de uma gostava. Aí tive o fervor de que ele carecesse de mulher, moça Estarreci. A dor não pode minha proteção, toda a vida: eu terçando, garantindo, mais do que a surpresa. A côice d'arma, de coronha punindo por ele. Ao mais os olhos me perturbavam; Ela era, tal que assim se desencantava, num mas sendo que não me enfraqueciam. Diadorim. Sol- encanto tão e levantei mão para me benzer se-pôr, saímos e tocamos dali, para o Canabrava e o mas com tapei foi um soluçar, e enxuguei as lágri- Barra. Aquele dia fora meu, me pertencia. por mas maiores. Uivei. Diadorim! Diadorim era uma mu- um plâino de varjas; lua lá vinha. Alimpo de lua. Diadorim era mulher como o sol não acende a Visinhança do sertão - esse Alto-Norte brabo água do rio como eu solucei meu desespero. começava. - Estes rios têm de correr bem! eu demim senhor não repare. Demore, que eu conto. A dei. Sertão é isto, o senhor sabe; tudo incerto, tudo vida da gente nunca tem termo real. certo. Dia da lua. luar que a noite inchada. Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e Reinaldo, Diadorim, me dizendo que este era real o nome dele - foi como dissesse notícia do que em estremeci, retirando as mãos para trás, terras longes se passava. Era um nome, ver o que. abaixei meus olhos. E a mulher estendeu a toalha, Que é que é nome? Nome não dá: nome recebe. Da recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e razão desse encoberto, nem resumi curiosidades. as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que Caso de algum crime arrependido, fosse, fuga de cortou com tesoura de Cabelos que, no só ser, alguma outra parte; ou devoção a um santo forte. Mas haviam de dar para baixo da cintura. E eu não sabia havendo o que ele querer que só eu soubesse, e que por que nome chamar; eu exclamei me doendo: só eu esse nome verdadeiro pronunciasse. Entendi "Meu amor!..." aquele valor. Amizade nossa ele não queria aconteci- Foi assim. Eu tinha me debruçado na janela, da simples, no comum, sem enlaço. E amizade dele, para poder não presenciar o mundo. ele me dava. E amizade dada é amor. Eu vinha pen- A mulher lavou o corpo, que revestiu com a. me- sando, feito toda a alegria em brados pede: pensando Ihor peça de roupa que ela tirou da trouxa dela por prolongar. Como toda a alegria, no mesmo do mesma. No peito, entre as mãos postas, ainda deposi- momento, abre saudade. Até aquela - alegria sem tou o cordão com o escapulário que tinha sido meu, e licença, nascida esbarrada. Passarinho cai de voar, um rosário, de coquinhos de ouricuri e contas de lágri- mas bate suas asinhas no chão. Só faltou - ah! - a pedra-de- ametista, tanto trazida. o Quipes veio, com as velas, que acendemos em quadral. Essas coisas se pas- [Riobaldo assiste à preparação do corpo de savam perto de mim. Diadorim para o enterro e descobre quem ele era na Como tinham ido abrir a cova, Pelo realidade] repugnar e revoltar, primeiro eu quis: se- parado dos outros, num aliso de vereda, adonde Eu dizendo que a Mulher ia lavar o corpo dele. ninguém ache, nunca se Tal que disse, doi- Ela rezava rezas da Bahia. Mandou todo o mundo sair. Eu fiquei. E a Mulher abanou brandamente a dava. no marcar do sofrer. Em real me vi, que cabeça, consoante deu um suspiro simples. Ela me com a Mulher junto abraçado, nós dois chorávamos mal-entendia. Não me mostrou de propósito o corpo. extenso. E todos meus jagunços decididos choravam. E disse. Daí, fomos, e em sepultura deixamos, no cemitério do Diadorim nu de tudo. E ela disse: Paredão enterrada, em campo do sertão. - "A Deus dada. Pobrezinha..." Ela tinha amor em mim. E disse. Eu conheci! Como em todo o tempo E aquela era a hora do mais tarde. o céu vem antes eu não ao senhor - e mercê peço: - mas abaixando. Narrei ao senhor. No que narrei, o senhor para o senhor divulgar comigo, a par, justo o travo de talvez até ache mais do que eu, a minha verdade. Fim tanto segredo, sabendo somente no átimo em que eu que foi. Agora vamos ler um conto de Guimarães Rosa. Observe antes a nota da editora responsável pela publicação de suas obras: NOTA DA EDITORA - ORTOGRAFIA DE J. G. R.: ADVERTÊNCIA NECESSÁRIA Em todos os seus escritos, João Guimarães Rosa fez questão de usar grafia própria, divergente em muitos pontos da ortografia oficial. Respeitando a vontade do autor, continuamos a publicar sua obra conforme o texto originalmente fixado.Sorôco, sua mãe, sua filha Aquele carro parara na linha de resguardo, desde a véspera, tinha vindo com expresso do Rio, e estava lá, no desvio de dentro, na esplanada da estação. Não era um vagão comum de passageiros, de primeira, só que mais vis- toso, todo novo. A gente reparando, notava as diferenças. Assim repartido em dois, num dos cômodos as janelas sendo de grades, feito as de cadeia, para os presos. A gente sabia que, com pouco, ele ia rodar de volta, atrelado ao expresso de baixo, fazendo parte da composição. la servir para levar duas mulheres, para longe, para sempre. trem do sertão passava às 12h 45m. As muitas pessoas já estavam de ajuntamento, em beira do carro, para esperar. As pessoas não queriam poder ficar se entristecendo, conversavam, cada um porfiando no falar com sensatez, como sabendo mais do que os outros a prática do acontecer das coisas. Sempre chegava mais povo - o movimento. Aquilo quase no fim da esplanada, do lado do curral de embarque de bois, antes da guarita do guarda-chaves, perto dos empilhados de lenha. Sorôco trazer as duas, conforme. A mãe de Sorôco era de idade, com para mais de uns setenta. A filha, ele só tinha aquela. Sorôco era viúvo. Afora essas, não se conhecia dele o parente nenhum. A hora era de muito sol - povo achava jeito de ficarem debaixo da sombra das árvores de cedro. o carro lem- brava um canoão no seco, navio. A gente olhava: nas reluzências do ar, parecia que ele estava torto, que nas pontas se empinava. borco bojudo do telhadilho dele alumiava em preto. Parecia coisa de invento de muita distância, sem piedade nenhuma, e que a gente não pudesse imaginar direito nem se acostumar de ver, e não sendo de ninguém. Para onde ia, no levar as mulheres, era um lugar chamado Barbacena, longe. Para o pobre, os lugares são mais longe. o Agente da estação apareceu, fardado de amarelo, com o livro de capa preta e as bandeirinhas verde e verme- debaixo do braço. - "Vai ver se botaram água fresca no carro..." ele mandou. Depois, o guarda-freios andou me- xendo nas mangueiras de engate. Alguém deu aviso: Eles vêm!..." Apontavam, da Rua de baixo, onde morava Sorôco. Ele era um brutalhudo de corpo, com a cara grande, uma barba, fiosa, encardida em amarelo, e uns pés, com alpercatas: as crianças tomavam medo dele; mais, da voz, que era quase pouca, grossa, que em segui- da se afinava. Vinham vindo, com trazer da comitiva. paravam. A filha a moça tinha pegado a cantar, levantando os braços, a cantiga vigorava certa, nem no tom nem no se-dizer das palavras - nenhum. A moça punha os olhos no alto, que nem os santos e os espanta- dos, vinha enfeitada de disparates, num aspecto de admiração. Assim com panos e papéis, de diversas cores, uma carapuça em cima dos espantados cabelos, e enfunada em tantas roupas ainda de mais misturas, tiras e faixas dependuradas - virundangas: matéria de maluco. A velha só estava de preto, com um fichu preto, ela batia com a cabeça nos docementes. Sem tanto que diferentes, elas se assemelhavam. Sorôco estava dando o braço a elas, uma de cada lado. Em mentira, parecia entrada em igreja, num casório. Era uma tristeza. Parecia enterro. Todos ficavam de parte, a chusma de gente não querendo afirmar as vistas, por causa daqueles transmodos e despropósitos, de fazer risos, e por conta de Sorôco - para não parecer pouco caso. Ele hoje estava calçado de botinas, e de com chapéu grande, botara sua roupa melhor, os maltrapos. E esta- va reportado e atalhado, humildoso. Todos diziam a ele seus respeitos, de dó. Ele respondia: "Deus vos pague essa despesa..." o que os outros se diziam: que Sorôco tinha tido muita paciência. Sendo que não ia sentir falta dessas transtor- nadas pobrezinhas, era até um alívio. Isso não tinha cura, elas não iam voltar, nunca mais. De antes, Sorôco agüen- tara de repassar tantas desgraças, de morar com as duas, pelejava. com os anos, elas pioraram, ele não dava mais conta, teve de chamar ajuda, que foi preciso. Tiveram que olhar em socorro dele, determinar de dar providên- cias, de mercê. Quem pagava tudo era o Governo, que tinha mandado o carro. Por forma que, por força disso, agora iam remir com as duas, em o se seguir. De repente, a velha se desapareceu do braço de Sorôco, foi, se sentar no degrau da escadinha do carro. - "Ela não faz nada, seo Agente..." a voz de Sorôco estava muito branda: "Ela não acode, quando a gente A moça, tornou a cantar, virada para o povo, o ao ar, a cara dela era um repouso estatelado, não dar-lhe em espetáculo, mas representava de outroras grandezas, impossíveis. Mas a gente viu a velha olhar para ela, com um encanto de pressentimento muito antigo - um amor extremoso. E, principiando baixinho, mas depois puxando pela voz, ela pegou a cantar, também, tomando o exemplo, a cantiga mesma da outra, que ninguém não entendia. Agora elas cantavam junto, não paravam de cantar. que já estava chegando a horinha do trem, tinham de dar fim aos aprestes, fazer as duas entrar para o carro de janelas enxequetadas de Assim, num consumiço, sem despedida nenhuma, que elas nem haviam de poder entender. Nessa diligência, os que iam com elas, por bem-fazer, na viagem comprida, eram despachado e animoso, e o José Abençoado, pessoa de muita cautela, estes serviam para ter mão nelas, em toda juntura. E subiam também no carro uns rapazinhos, carregando as trouxas e malas, e as coisas de comer, muitas, que não iam fazer os embrulhos de pão. Por derradeiro, o Nenêgo ainda se apareceu na plataforma, para os gestos de que tudo ia em ordem. Elas não haviam de dar trabalhos.Agora, mesmo, a gente só escutava era o do canto, das duas, aquela chirimia, que avocava: que era um constado de enormes diversidades desta vida, que podiam doer na gente, sem jurisprudência de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes, pelo depois. Sorôco. Tomara aquilo se acabasse. trem chegando, a máquina manobrando sozinha para vir pegar o carro. trem apitou, e passou, se foi, o de sempre. Sorôco não esperou tudo se sumir. Nem olhou. Só ficou de chapéu na mão, mas de barba quadrada, surdo - o que nele mais espantava. o triste do homem, lá, decretado, embargando-se de poder falar algumas suas palavras. Ao sofrer o assim das coisas, ele, no OCO sem beiras, debaixo do peso, sem queixa, exemploso. E lhe falaram: "O mundo está dessa forma..." Todos, no arregalado respeito, tinham as vistas neblinadas. De repente, todos gostavam demais de Sorôco. Ele se sacudiu, de um jeito arrebentado, desacontecido, e virou, para ir-s'embora. Estava voltando para casa, como se estivesse indo para longe, fora de conta. Mas, parou. Em tanto que se esquisitou, parecia que perder o de si, parar de ser. Assim num excesso de espírito, fora de sentido. E foi o que não se podia prevenir; quem ia fazer siso naquilo? Num rompido - ele começou a cantar, alteado, forte, mas sozinho para si - e era a cantiga, mesma, de desatino, que as duas tanto tinham cantado. Cantava continuando. A gente se esfriou, se afundou - um instantâneo. A gente... E foi sem combinação, nem ninguém entendia o que se fizesse: todos, de uma vez, de dó de Sorôco, principiaram também a acompanhar aquele canto sem razão. E com as vozes tão altas! Todos caminhando com ele, Sorôco, e canta que cantando, atrás dele, os mais de trás quase que corriam, ninguém deixasse de cantar. Foi o de não sair mais da memória. Foi um caso sem comparação. A gente estava levando agora o Sorôco para a casa dele, de verdade. A gente, com ele, ia até aonde que ia aquela cantiga. Vocabulário Aceiro: agudo; penetrante. Achaque: Mal-estar sem gravidade. Alento; ânimo; excitação. Anágua: Saia usada sob o vestido. Aprestes: Aprestos; petrechos; pertences. Aproar: Pôr a proa da embarcação em uma dada direção. Asceta: Devoto; místico. Asséptico: Que não tem germes. Átimo: instante; momento. Autópsia: exame de si mesmo; necropsia. Avelós: Planta. Borrifar: Molhar com pequeninas gotas. Bubuiar: Flutuar. Cabaça: Cuia. Calmaria: Calma; ausência de ventos. Carnadura: Parte carnosa do corpo. Carpina: Carpinteiro. Ceifar: Cortar; tirar a vida. Chusma: Grande quantidade de pessoas. Cingida: Rodeada; cercada; limitada. Complacente: Benevolente. Côncavo: Menos elevado no meio que nas bordas. Conciso: Sucinto; resumido. Cordura: Bom-senso; prudência. Croa: Rebaixamento no curso dos rios. Cumular: Acumular. Dicção: Maneira de dizer ou falar. Diluso:Drapejado: Ondulado. Cito: roça. Emaranhado: Embaraçado; enredado. Emboscada: Ato de esperar o inimigo às escondidas para assaltá-lo. Enclenque: Enfraquecido; mole. Enervada: Irritada. Enfrasar: Organizar em frase. Enigma: Coisa obscura ou difícil de compreender. Entono: Soberba; arrogância; orgulho; vaidade. Enxequetado: Enxadrezado; dividido em quadrados como tabuleiro de xadrez. Ermo: Deserto. Esconjurar: Fazer imprecação contra; amaldiçoar. Esconso: Oculto; escondido. Escrúpulo: Cuidado; zelo. Estarrecer: Assustar; apavorar; aterrorizar. Estridente: Agudo; penetrante. Estúrdio: Esquisito; excêntrico; estravagante. Expectante: Que espera, observando. Fado: Destino. Fenecer: Terminar; acabar; extinguir-se. Fichu: Cobertura triangular para a cabeça pescoço e ombros de senhora. Fímbria: Franja, orla. Franzino: Delgado; frágil; fraco. Freguesia: Povoação. Gameleira: Árvore. Qualidade do que tem linguagem erguida, elevada. Grota: Abertura produzida pelas enchentes na ribanceira ou nas margens de um rio; vale profundo. Guenzo: Muito magro; adoentado; fraco. Que não se percebe; que não se pode distingüir. Incitar: Instigar; estimular; provocar. Incoercível: Que não pode ser reprimido. Inenfática: Sem ênfase. Interino: Provisório; temporário. Intumescido: Inchado. Inusitado: Incomum; estranho. Juntura: reunião; articulação. Lacuna: Vácuo; falha. Maculado: Manchado; enodoado; sujo. Malsinar: Delatar; descobrir; denunciar; desvirtuar; censurar; condenar. Matula: Alforje para viagem. Mefistófeles: Demônio intelectual das lendas germânicas e personagem do Fausto, drama de Goethe. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Complete as frases a seguir escolhendo entre as romance que conta a história de Diadorim, narrada por palavras que estão no quadro: Riobaldo, e várias situações que envolveram os dois per- sonagens. Clarice Lispector - Guimarães Rosa - João Cabral de c) Sagarana é o primeiro livro de Guimarães Rosa e foi Melo Neto - Sagarana - Perto do coração selvagem publicado em 1 946. Morte e vida severina - Grande sertão: veredas d) Perto do coração selvagem, publicado em 1 944, é o primeiro livro de Clarice Lispector. a) No poema Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, temos a abordagem da questão social. e) A hora da estrela e A paixão segundo G.H. são b) Grande sertão: veredas, de Rosa, é um alguns dos principais romances de Clarice Lispector.2. Leia o texto e, em seguida, assinale a alternativa correta: 3. Podemos apontar como características do texto anterior João era fabulista? a) a linguagem popular e a reflexão sobre o que se fabuloso? conta. fábula? b) ( ) a crítica aos problemas do nordeste e a questão Sertão místico disparando política. no exílio da linguagem comum? c) ( ) a reflexão sobre o ser humano e a tristeza. a) ( ) Os versos referem-se a João Cabral de Melo d) ( ) o retrato da sociedade e a linguagem elaborada. Neto, que escreveu um romance sobre o sertão. b) (X) Os versos acima foram escritos em homenagem 4. o narrador aponta dois elementos importantes na a João Guimarães Rosa, que escreveu vários textos construção do romance do qual destacamos o trecho sobre o sertão, sendo o principal deles Grande sertão: anterior. São eles: veredas. c) ( ) Este trecho pertence ao poema Morte e vida se- a) ) a reflexão sobre a morte e a discussão sobre a verina, de João Cabral de Melo Neto. família. d) ( ) Este trecho pertence ao romance Perto do b) ( ) a ignorância e a defesa do conto. coração selvagem de Clarice Lispector. c) (X) o desenvolvimento não-cronológico da narrativa e o contar histórias que estrutura o romance. Texto para as questões, 3 a 5. d) ( ) a referência à religião e a passagem do tempo. "Essas coisas todas se passaram tempos depois. Falhei de avanço em minha história. o senhor tolere 5. Assinale a alternativa em que estão indicados correta- minhas más devassas no contar. É ignorância. Eu mente o autor e a obra do texto lido: não converso com ninguém de fora, quase. Não sei contar direito. Aprendi um pouco foi com o compadre a) ( ) Morte e vida severina, de João Cabral de Melo meu mas ele quer saber tudo diverso: Neto. quer não é o caso inteirado em si, mas a sobre-coisa, b) ( ) A hora da estrela, de Clarice Lispector. a outra coisa. Agora, neste dia nosso, com o senhor c) (X) Grande sertão: veredas, de João Guimarães mesmo me escutando com devoção assim é que Rosa. aos poucos vou indo aprendendo a contar corrigido." d) ( ) Vidas secas, de Graciliano EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER 1. Nas alternativas abaixo, assinale (C) para as certas e do Nordeste e da Espanha. (E) para as erradas. 2. "Sou um ser humano. (...) sou mais saudável do que a) ( ) As manifestações literárias que ocorreram em muita gente pensa. (...) Eu acho que escrevendo, a torno de 1945 recebem a denominação geral de Terceira gente entende o mundo mais um pouquinho do que não geração do Modernismo ou escrevendo. b) ( ) A Terceira geração do Modernismo reúne apenas Não sei classificar a minha obra. Em cada livro eu textos em prosa. renasço. E experimento o gosto do novo." c) ( ) Guimarães Rosa é considerado o renovador do regionalismo. d) ( ) Clarice Lispector caracterizou-se por retratar o ser- Por seu estilo, podemos dizer que essas afirmações tanejo e os problemas no Nordeste em seus poemas. foram feitas por e) ( ) João Cabral de Melo Neto trata em seus poemas a) ( ) João Cabral de Melo.b) ( ) Clarice Lispector. É mineral, por fim, c) ( ) Guimarães Rosa. qualquer livro: d) ( ) Rachel de Queiroz que é mineral a palavra escrita, a natureza Texto para as questões 3 e 4 da palavra escrita Psicologia da Composição 3. o tema desse poema é É mineral o papel a) ( ) a natureza. Onde escrever b) ( ) a vida. o verso; o verso c) ( ) a seca. que é possível não fazer. d) ( ) a São minerais 4. Podemos afirmar que as flores e as plantas, as frutas, os bichos a) ( ) o autor relaciona a aridez do mundo em que vive quando em estado de palavra. à escrita do poema. b) ( ) o autor critica o tratamento dado à questão social É mineral no Brasil. a linha do horizonte c) ( ) o autor critica a exploração mineral. nossos nomes, essas coisas d) ) o autor fala sobre Minas Gerais e suas riquezas feitas de palavras. naturais. CHAVE DE RESPOSTAS 1. Nas alternativas abaixo, assinale (C) para as certas e Por seu estilo, podemos dizer que essas afirmações (E) para as erradas. foram feitas por a) ( ) João Cabral de Melo. a) As manifestações literárias que ocorreram em b) (X) Clarice Lispector. torno de 1945 recebem a denominação geral de c) ( ) Guimarães Rosa. Terceira geração do Modernismo ou d) ( ) Rachel de Queiroz. b) (E) A Terceira geração do Modernismo reúne apenas textos em prosa. 3. o tema desse poema é c) Guimarães Rosa é considerado o renovador do regionalismo. a) ( ) a natureza. d) (E) Clarice Lispector caracterizou-se por retratar o ser- b) ( ) a vida. tanejo e os problemas no Nordeste em seus poemas. c) ( ) a seca. Comentário: Clarice Lispector escreveu romances que d) (X) a criação se caracterizam pela tendência intimista e pela reflexão sobre o ser humano. e) João Cabral de Melo Neto trata em seus poemas 4. Podemos afirmar que do Nordeste e da Espanha. a) (X) o autor relaciona a aridez do mundo em que vive 2. "Sou um ser humano. (...) sou mais saudável do que à escrita do poema. muita gente pensa. (...) Eu acho que escrevendo, a b) ( o autor critica o tratamento dado à questão social gente entende o mundo mais um pouquinho do que não no Brasil. escrevendo. c) ( ) o autor critica a exploração mineral. Não sei classificar a minha obra. Em cada livro eu d) ( o autor fala sobre Minas Gerais e suas riquezas renasço. E experimento o gosto do novo." naturais.