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Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO Série HistóriaENSINO MÉDIO HISTÓRIA SÉRIE AULA 4 AS INVASÕES ESTRANGEIRAS NO BRASIL INTRODUÇÃO Muito antes da dominação espanhola, Portugal desenvolvia ativo comércio com a Holanda, que lhe trazia, do norte da Europa, equipamento para seus portos, objetos de metal, trigo, etc. Os holandeses levavam do reino luso vinhos, especiarias (vindas do Oriente), sal, açúcar e madeiras (vindos do Brasil). A partir de esse comércio passou a ser controlado pela Espanha, que entretanto não conseguiu debilitá-lo, isto porque era bastante forte o vínculo existente entre as exportações e importações holandesas e a economia por- tuguesa. Uma vez que vinha sendo muito difícil acabar com esse comércio, mesmo com as restrições já impostas, a Espanha acabou cedendo e as atividades comerciais entre lusos e batavos retomaram seu curso normal. Ocorre que os Países-Baixos e a Espanha se achavam em guerra e, no ano de haviam assinado apenas uma trégua. A situação agravou-se de tal modo que concorreu para que Isabel, rainha da Inglaterra, interviesse. Ela apoiou as províncias do Norte que, graças a esse auxílio, integraram a União de Utrecht, formando então um país independente: a República das Sete Províncias Unidas. Uma dessas províncias, a Holanda, mais tarde daria nome ao país todo recém-formado. Quanto às províncias do Sul, permaneceram sob o domínio espanhol. Guilherme de Nassau, de Orange, fora o grande batalhador da causa protestante, tendo-lhe sido conferi- do título de Stathouder (chefe de Estado), da república. Maurício de Nassau, seu sobrinho-neto, é a figura que nos interessa particularmente, pela atuação administrativa em nosso país, por ocasião do domínio holandês. A criação da Companhia das Índias Ocidentais Quando a Espanha e a Holanda reiniciaram as hostilidades, esta última tratou de organizar a "Companhia Privilegiada das Índias Orientais" e, depois, a "das Índias Ocidentais", nos mesmos moldes da anterior, para não somente promover o seu próprio desenvolvimento econômico, como também opor obstáculo aos interesses comerciais da Espanha, na América e também na África. grande objetivo da Companhia das Índias Ocidentais era a invasão do Brasil e, tendo Portugal passado ao domínio espanhol, os holandeses procuraram logo concretizar seus planos, bastante entusiasmados em relação ao Brasil, na época em fase de grande prosperidade, devido à expansão da indústria açucareira. A burguesia flamenga aguardava, ansiosa, essa invasão. No Brasil, o governador-geral, Diogo de Mendonça Furtado, que sabia dos planos de invasão dos holandeses, procurou armar-se e regimentar homens. Entretanto, o inimigo demorava-se a surgir e a mobilização de tantos homens começou a gerar séria crise na lavoura, desfalcada de uma grande quantidade de elementos. governador estava real- mente desorientado e tinha contra si a própria opinião pública, que somente ouvia o parecer do bispo D. Marcos Teixeira, segundo o qual a mobilização de tantos homens era desnecessária. Finalmente, ordena a desmobilização e, de repente, a 8 de maio de 1624, surge em Salvador a esquadra holandesa. Diogo de Mendonça Furtado resistiu bravamente ao invasor, mas, dominada a cidade, foi levado como prisioneiropara a Holanda. Os holandeses ancoraram no pontal de Santo Antônio e, tendo à frente o comandante Schouten, lançaram-se à pilhagem, na cidade abandonada. Procuraram atrair a população e propagaram sua decisão de aqui permanecerem, mas garantindo a liberdade reli- giosa; prometeram a emancipação dos índios, enfim, tratariam a todos os habitantes com o máximo respeito. Contudo, essas afirmações não tranqüilizaram a população, mesmo porque haviam sido proferidas ao terminar a pilhagem. Na velha aldeia do Espírito Santo, portugueses e brasileiros uniram-se para organizar a resistência. Aprisionado o governador, foram abertas as vias de sucessão, documento lacrado que, na época, continha o nome do sucessor do governador-geral. Indicava-se para o posto Matias de Albuquerque, capitão-mor de Pernambuco. Como este se encontrasse em Olinda, naquele momento, elegeu-se governador interino o desembargador Antão de Mesquita de Oliveira, que entretanto entregou o cargo a D. Marcos Teixeira, quase imediatamente. bispo procurou encabeçar a resistência ordenando, de pronto, um ataque ao inimigo; essa primeira tentativa, porém, não abalou a posição ocupada na cidade, pelos holandeses, que apenas repeliram o ataque, aí permanecendo tão estáveis quanto antes. Poucos dias transcorreram a partir desse fato e D. Marcos Teixeira morre, após ter chefiado infatigavelmente a resistência (outubro de 1624 ). Enfrentar poderoso exército holandês apresentava-se como atitude das mais imprudentes; por isso, adotou-se a tática de guerrilhas, em que ficaram famosos os Francisco Padilha, Antônio Cardoso de Barros e Lourenço Cavalcanti Albuquerque. Nos princípios do mês de dezembro de o cargo de governador-geral era entregue a D. Francisco de Moura Rolim; quanto a Matias de Albuquerque, deveria permanecer em Pernambuco, na qualidade de governador dessa Capitania, apenas. A recuperação da Bahia Repercutiu desagradavelmente na Europa a notícia de que a Bahia fora conquistada pelos holandeses e tão consternados ficaram os portugueses e espanhóis que decidiram unir seus esforços e combater o holandês, agora seu inimigo comum. Atemorizada, a burguesia lisbonense colocou à disposição dos empreendedores da reconquista a soma de 220 mil cruzados; quanto à Espanha, organizou uma armada que contava com mais de meia centena de navios, portugueses e espanhóis, e cerca de 13 000 homens. Comandava a expedição o Marquês de Valdueza. D. Fradique de Toledo Osório. É interessante ressaltar, neste ponto, que, entre os soldados portugueses e espanhóis, vinha um contingente napolitano, já que Nápolis, nessa época, integrava o império espanhol. Esse contingente era chefiado pelo Marquês de Cropani e o sargento-mor Giovani Vicenzo Sanfelice, depois, conde de Bagnoli. Foi exatamente a 29 de março de que surgiu na Bahia, bloqueando a cidade, a esquadra luso-espanhola. Milhares de homens desembarcaram, para reforço das posições que portugueses e brasileiros já haviam tomado em terra. Em curto espaço de tempo, principiaram os bombardeios, que se estenderam, segundo o historiador Frei Vicente do Salvador, por vinte e três dias consecutivos. Os holandeses não esperavam essa reação por parte dos espanhóis e portugueses e viram-se despreparados diante da situação que agora se lhes apresentava. Ademais, enfraquecidos pelas próprias desavenças entre si e pelas guerrilhas que periodicamente vinham sendo levadas a cabo pelos brasileiros, não puderam resistir por muito tempo. Os holandeses aceitaram todas as condições que lhes foram impostas por D. Fradique de Toledo Osório, referentes não apenas à entrega de ouro, prata, armas, navios, etc. que como também à volta para a Holanda sem des- ferir qualquer ataque militar à Espanha, antes de chegar a esse país. Sabedora do que vinha ocorrendo, a Holanda tratou de enviar reforços, mas a esquadra enviada, não chegou a tempo de prestar o devido socorro; aportou no Brasil a 26 de maio de Essa esquadra, é preciso frisar, não voltou de pronto à Holanda, ao ver Salvador nas mãos dos espanhóis; retirou-se para o norte, fazendo desembarcar, na baía da Traição (Paraíba), cerca de 300 homens. Entretanto, a tentativa de nova invasão foi completamente frustrada por Matias de Albuquerque, que, para repelir os holandeses, enviou para o local as suas tropas.A Segunda Invasão Holandesa Antecedentes No entanto, mesmo com o fracasso da primeira tentativa de dominação sobre o Brasil colonial, os holandeses continuaram a alimentar esperanças no sentido de usufruir das riquezas da América. Confirma-se tal intenção com um novo ataque ao litoral baiano, por parte de Pieter Heyn, em março de 627. Na foz do rio Pitanga, apossa-se o holandês de vinte e cinco navios e aí permanece, não dando oportunidade para que uma atitude mais vio- lenta contra ele fosse tomada imediatamente, devido aos armamentos e homens de que dispunha, no local. Entretanto, o capitão Francisco Padilha conseguiu afugentá-lo por algum tempo, dando a própria vida nesse combate. Em junho, Heyn volta repentinamente, apoderando-se de mais dois navios. A atitude audaciosa do holandês não tivera por finalidade um novo estabelecimento no Brasil, mas apenas a pilhagem. Um ano após, realizou ele nova proeza, nas costas de Cuba, aprisionando quinze naus, carregadas de prata, que rumavam para o México, sob o comando de Juan Benevides. Essa pilhagem foi realmente espetacular, resultando num lucro de perto de quinze milhões de florins para a Companhia das Índias Ocidentais e 50% de dividendos aos seus associados. Completamente restabelecida do prejuízo sofrido com a perda da Bahia, graças ao montante dessa captura, a Companhia pôde então preparar-se para um novo ataque ao Brasil. A hipótese de fazê-lo novamente na Bahia, centro político da colônia, foi afastada, preferindo-se dessa vez ocupar Pernambuco, centro econômico, na época em fase de grande prosperidade, graças ao açúcar. Lembre-se de que nessa capitania se concentrava a maioria dos engenhos do Brasil, o que não era, certamente, desconhecido da Companhia das Índias Ocidentais. A conquista de Pernambuco Nos princípios do mês de fevereiro de já se tinha certeza de que uma nova invasão holandesa ocorreria em Pernambuco. Um aviso a respeito chegara a Recife, por iniciativa do governador por- tuguês de Cabo Verde. Pouco tempo decorreu e, no dia 14 do referido mês, apontavam no porto de Olinda 70 navios holandeses. o governador de Pernambuco, Matias de Albuquerque, não conseguira mais que 27 soldados e algum armamen- to, de Lisboa. A esse pequeno auxílio juntou novos mas parcos recursos e, para impedir a entrada dos holandeses, construiu paliçadas à volta toda de Recife e ordenou o encalhamento de alguns navios no porto, bem como o incêndio de vários armazéns do Recife. Essas medidas acarretaram um grande prejuízo. As praias de Olinda foram guarnecidas de peças de artilharia e em toda a costa podiam-se encontrar sentinelas. Enquanto os holandeses não tinham meios de penetrar na colônia através de Recife, bombardeavam as fortifi- cações. Ao mesmo tempo o comandante do exército dirigia-se para o Norte, desembarcando na praia de Pau Amarelo, com aproximadamente 3 000 homens. Como essa região estava praticamente abandonada, a penetração foi Olinda e Recife foram alcançadas. Em vão tentou Matias de Albuquerque defender os fortes de e São Jorge, em Recife; estes também foram conquistados pelos holandeses, o que o obrigou a retirar-se com seus homens para uma localidade não próxima de Olinda e Recife, entre o rio Capibaribe e o riacho Parnamirim, que mais tarde seria conhecida como Arraial do Bom Jesus. Aí iria desenvolver sua heróica resistência. É a tática de guerrilhas, comprovando-se a bravura da gente pernambucana; emboscadas eram apli- cadas aos conquistadores, principalmente na região que ligava Recife a Olinda, provocando pânico entre as tropas inimigas, cujas comunicações se viam deveras prejudicadas. Vários fortes inimigos foram ameaçados pelos ataques dos pernambucanos. Nesses combates vão destacar-se homens como Poti (batizado com o nome de Antônio Felipe Camarão), chefe de um grupo de índios, e Henrique Dias, que comandava um batalhão de negros. Até esse período, pode afirmar-se que os holandeses dominavam totalmente o mar, embora não conseguissem expandir-se territorialmente, mesmo tendo erigido muitos fortes, como o de Orange, em o de Bruyn, o forte Ernesto, etc.A ajuda espanhola - Na Europa propagou-se rapidamente a notícia da invasão holandesa a Pernambuco. A Espanha apressou-se em auxiliar a colônia, enviando D. Antônio Oquendo à frente de 23 navios e centenas de homens. Simultaneamente, a Holanda enviava reforços ao Brasil, sob o comando de Adrian Jansen Pater. A esquadra espanhola e a holandesa defrontaram-se no litoral baiano, próximo à baia da Traição, no dia 12 de setembro de Dá-se então a famosa batalha de Abrolhos, em que, em meio a sucessivas abordagens, dezenas de vidas foram perdidas. navio em que se achava Pater incendiou-se, provocando a sua morte. Antes de morrer, parece que ele tentou a salvação, pendurando-se a um cabo preso à proa, mas não conseguindo suster-se por muito tempo caiu no mar, afo- gando-se. A lenda, entretanto, diz que Pater se atirou ao mar, gritando: "O oceano é o único túmulo digno de um almirante batavo." Um fato realmente inesperado viria a decidir a situação em favor dos holandeses: a traição de Domingos Fernandes Calabar, mameluco alagoano, natural de Porto Calvo. A atitude de Calabar foi decisiva para a luta, conse- guindo os batavos melhorar suas condições em terra, que não eram das melhores; eles chegaram inclusive a evacuar Olinda e depois permanecendo em Recife. Calabar conhecia pormenorizadamente a região e sabia de que recursos Matias de Albuquerque dispunha. Suas informações foram para os holandeses, que, a partir daí, conquistaram a vila de o forte do rio Formoso, Afogados, a de Em 633, também se apossaram do forte dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte, e a seguir invadiram a Paraíba. No ano de já haviam tomado posse de toda a região brasileira, a partir do Rio Grande do Norte até o Recife. motivo pelo qual Calabar se passou para o lado inimigo permaneceu secreto; ninguém conseguiu decifrar a razão de tal proceder. É bem possível que a ambição o tenha levado a isso, mas também não está afastada a hipótese de Calabar ter sua própria maneira de pensar com respeito ao colonizador português, preferindo o holandês. São suposições apenas, mas que podem contudo aproximar-se da verdade. Os pernambucanos só possuíam o Arraial do Bom Jesus e o forte de Nazaré, mas isso seria por pouco tempo, pois Matias de Albuquerque ordenou a retirada para o sul, face à inexistência de recursos para continuar ali. Mais ao sul, em Porto Calvo, aguardava-o um contingente holandês de cerca de 200 homens, entre eles Calabar. Através de uma cilada, os pernambucanos conseguem vencê-los e vingam-se da traição sofrida, executando Calabar. Nada representou, tanto para a Holanda como para a Espanha, a morte do mestiço luso-americano, embora sua atitude pudesse ter sido encarada como ato de patriotismo. Ocorre que tal sentimento entre as tropas estrangeiras inexistia, considerando-se que a integravam soldados mercenários de nacionalidades as mais variadas: alemães, poloneses, alsacianos, etc. Matias de Albuquerque foi acusado de traição, pela Espanha, devido ao fato de haver ordenado a retirada das tropas em direção ao sul. Seguindo para Lisboa, foi aprisionado em Castelo de São Jorge, aí permanecendo até a restauração de Portugal do domínio espanhol 640). A grande injustiça foi confirmada quando, em Matias de Albuquerque participou do próprio movimento restaurador português, demonstrando sua bravura, caráter e heroísmo na batalha de Montijo. Mais tarde, ser-lhe-ia outorgado o título de Conde de Alegrete. Maurício de Nassau - João Maurício, conde de Nassau-Siegen, chegou ao Brasil no dia 27 de janeiro de com a incumbência de aqui permanecer na qualidade de "governador, capitão e almirante-general das terras conquis- tadas ou por conquistar, pela Companhia das Índias Ocidentais, no Brasil, assim como de todas as forças de terra e mar que a Companhia aí tiver". Sua primeira medida como governador do Brasil holandês foi a retomada de Porto Calvo (março de 637), através de uma grande investida militar contra as tropas de Bagnoli, que após se dirigiram para a região de Sergipe e daí para a Bahia. Nos meados de abril, a sede administrativa da colônia também era alvo de ataque por parte dos holandeses. No entanto, a resistência organizada pelo governador-geral D. Pedro da Silva foi das mais ferrenhas e os batavosforam obrigados a retornar a Recife, fracassando totalmente o ataque à Bahia. Por essa valorosa resistência, D. Pedro foi agraciado com o título de conde de São Lourenço. Em 1638, chegou ao Brasil nova esquadra de socorro espanhola, trazendo o futuro governador-geral, ou seja, que substituiria D. Pedro: o conde da Torre, D. Fernando de Mascarenhas. A ação administrativa de Nassau - Retomando Portugal a sua autonomia política, após ter-se libertado do jugo espanhol, em sobe ao trono português o duque de Bragança, que governa com o nome de D. João IV. Nessa ocasião, o primeiro vice-rei do Brasil era D. Jorge de Mascarenhas, tendo ele próprio inteirado Nassau a respeito do retorno do Brasil ao domínio de Portugal. Nassau alegrou-se com a notícia, pois a nova situação lhe permi- tiria dedicar-se inteiramente à sua administração, sem que viessem perturbá-lo ataques por parte dos espanhóis. E foi esse, realmente, um período de relativa paz para o Brasil. Produto do Renascimento, Nassau era dotado de espírito empreendedor e dinâmico, revelando-se administrador dos mais inteligentes e atraindo a simpatia de muitos brasileiros. A economia brasileira foi beneficiada com uma série de medidas, particularmente o setor da produção agrí- cola embora os invasores também se tenham dedicado a atividades urbanas, como o comércio de exportação. Muitos engenhos, que no decorrer das guerras de invasão haviam sido abandonados, foram ven- didos e facilitado o seu pagamento. A burguesia holandesa punha capital à disposição dos novos donos de engenho, para que reerguessem os canaviais e produzissem mais açúcar. Mantinha-se, assim, certo equilíbrio entre o campo e a cidade. A política liberal do holandês começou a provocar suspeitas, tendo havido sérias desavenças entre ele e o Conselho dos Dezenove, que chegou, inclusive, a limitar seus privilégios e proventos. Descontente com o rumo que a situação ia tomando, Nassau demitiu-se de seu cargo e, a 22 de maio de 644, embarcou para a Europa. Muitos historiadores acreditam que, se aqui houvesse permanecido, a Companhia das Índias Ocidentais talvez continuasse por muito tempo a manter o Brasil sob seu domínio. Entretanto, se assim fosse, talvez o Brasil não lucrasse muito, falando-se em termos de colonização. A esse respeito, escreve J. Gonçalves de Melo, historiador brasileiro: "Os holandeses não se tinham apoderado do Brasil com a intenção de o colonizar, isto é, de para aqui se transferir com famílias e estabelecer uma nova pátria: movia-os, sobretudo, o interesse mercantil. Haviam-nos atraído os grandes lucros do açúcar fabricado nos engenhos que os portugueses tinham fundado nas terras tropicais." É importante ressaltarmos, ainda, que Nassau não restringiu seu governo às regiões que conquistara, de acordo com as cláusulas do armistício firmado entre Portugal e Holanda, por volta de 640. Tal armistício foi desrespeitado, pois ele enviou à África uma esquadra, apossando-se de Angola e também da ilha de São Tomé. Além disso, anexou Sergipe e Maranhão, fixando o domínio holandês até o rio Gurupi. A Insurreição Pernambucana Como veremos, essa revolta foi uma das imediatas da saída de Nassau do Brasil. Muito embora houvessem recebido de Nassau instruções prévias a respeito do modo mais razoável de se administrar a terra, os substitutos colocaram em prática uma política de intolerância e opressão. A exploração feita pelos mer- cadores flamengos estabelecidos no Recife aos senhores de engenho apressaria a eclosão da revolta. Reuniram- se em conspiração os senhores de engenho descontentes, apoiados secretamente pelo próprio governador-geral do Brasil, D. Antônio Teles da Silva, nos Montes Guararapes. É importante frisar aqui que D. João IV reconhecera o domínio holandês no Nordeste e condenava a insubordi- nação de João Fernandes Vieira, Henrique Dias, Felipe Camarão e outros, bem como a sua disposição de guerrear con- tra os holandeses. Censurava-os e evidenciava a importância de ser mantida uma política de boa vizinhança com os holandeses de Pernambuco, mas, secretamente, incentivava o movimento revolucionário. Marcara-se o início da rebilião para o dia de São João (1 645), mas, devido à ação de traidores, como FernandoVale e Sebastião de Carvalho, o motim rebentou no dia 13 de junho. No dia anterior, já os holandeses organizavam patrulhas no Recife, para aprisionar os revoltosos. Nada puderam fazer, entretanto, pois o espírito de revolta já dominava a todos. Eles puderam, então atacar o apossando-se da de Itaparica (10 de agosto de após san- grentos combates, em que se evidenciou a inteligência dos holandeses, ao obstruírem a entrada do mais importante porto baiano, o que, sem dúvida alguma, prejudicaria as relações entre a Capital e Pernambuco. A esta altura dos acontecimentos, D. João IV, bastante receoso de que a Holanda continuasse a enviar recursos militares ao Brasil, com ela mantinha contatos, a fim de adiar uma possível atitude mais drástica de sua parte, em relação ao que estava se passando em sua colônia. Ora oferecia indenizações (ofertas de compra do Brasil holandês), ora deixava transparecer suas intenções de abandonar definitivamente às mãos dos holandeses as terras que se esten- diam do Ceará à Bahia. A Batalha de Guararapes Nessa batalha, veremos a derrocada final do exército holandês. A Holanda abandonou seus homens que aqui lutavam, isto porque se achava bloqueada na Europa, face à guerra com a Inglaterra. Tal conflito iniciou-se em 1651, quando Cromwell instituiu o "Act of Navogation", golpeando o comércio marítimo dos holandeses. Enfraqueceu-se a resistência holandesa e entendendo que chegara a hora da rendição; assinou-a em 21 de janeiro de 1654. Além disso, não conformada com a perda da rica colônia, exigiu uma indenização de Portugal, no que foi atendida, devido às ameaças feitas. Sua artilharia lhe foi devolvida e concedidas regalias no comércio do açúcar, além de grande soma em dinheiro, sem falarmos nas terras do Oriente que lhe foram cedidas por Portugal: Ceilão e Malaca. o acordo foi firmado a 6 de agosto de no governo de D. Afonso VI (Tratado de Haia). Segundo alguns historiadores, as concessões de Portugal, sua diplomacia falha, empanaram o brilho das vitórias brasileiras. Essas vitórias, por sua vez, fizeram que Portugal olhasse a colônia com novos olhos; não eram mais grupos fragmentados que lutavam por interesses dispersos. Os brasileiros haviam trabalhado em prol de um interesse comum: a preservação da Pátria. Era o sentimento nacional que nascia. Arfavam de orgulho os colonos. Eram.eles os vencedores, e haviam provado ser os iguais, senão os superiores, dos portugueses da Europa. A partir dessa fase, o Brasil começou a ter um peso maior na política de Portugal. Na América, nasceu e começou a se desenvolver um sentimento nacional, a tomar consciência de seu valor. A Companhia de Jesus - Fundada em por Inácio de Loyola, ex-militar espanhol, a Companhia de Jesus caracterizava-se pelo espírito de combate e disciplina, inerentes às organizações militares. Seus membros denomi- navam-se soldados de Cristo e deveriam comportar-se como tais. Seu fundador elaborara estatutos que limitavam a autoridade do "geral", dando aos subordinados diretos certa autonomia. Esse "geral" era quem dirigia a companhia, assistido por um conselho especial, de que faziam parte elemen- tos indicados pelos "provinciais", ou seja, pelos religiosos que dirigiam regiões territoriais da ordem. As primeiras escolas do Brasil foram fundadas pelos cuja missão não se limitava à catequização, mas também ao ensino. Nas escolas de alfabetização, ministravam instrução primária às crianças indígenas e aos filhos dos colonos. Já os colégios se destacavam como difusores da instrução superior e neles se traduziam Ovídio, Sêneca e outros clássicos. Os não tinham grandes recursos até mas, a partir de então, receberam apoio financeiro do rei, pas- sando a desfrutar de uma parcela dos dízimos cobrados pela Coroa. Desse modo, puderam difundir instrução pelo país todo, fundando colégios em São Paraíba e Recife; no século XVIII havia novos colégios em Fortaleza, Paranaguá, Desterro (Florianópolis), na Colônia do Sacramento e em Alcântara (Maranhão). Na campanha contra a escravidão indígena, vamos notar essa mesma participação, tendo, sido os os responsáveis pela primeira lei restritiva da prática dessa escravidão, em Muitas outras leis foram feitas nesse sen-tido, mas tamanhas exceções eram apontadas que, é preciso dizer, elas se tornavam inoperantes. A própria sociedade colonial sofreu a ação dos jesuitas, que moralizaram seus costumes, procurando conter os instintos um tanto primitivos e livres que caracterizavam a terra na qual as leis não eram obedecidas. Por isso, as relações entre os colonos e os não eram das melhores; estes últimos não toleravam que fossem maltratados os seus protegidos indígenas nem que fossem escravizados, muito menos que se praticassem violências con- tra as mulheres indígenas. Muitas acusações contra os partiam dos colonos e eram ouvidas na capital da Metrópole. professor Armando Souto Maior cita, como mais relevantes, as seguintes: "a) emprego em seus engenhos, plantações, artesanatos e coleta de "drogas das florestas" de mais nativos do que o permitido, enquanto os colonos tinham permanente carência de mão-de-obra; b) refúgio dado a desertores militares em suas missões no interior; c) ampliação do comércio para desenvolvimento e manutenção das aldeias-missões em área e quantidade que prejudicavam os comer- ciantes e produtores locais; d) negligência no ensino de português aos nativos convertidos, com preferência do idioma tupi, para mantê-los sob seu controle, através de barreira entre nativos e colonos." Entre os mais famosos que trabalharam no Brasil colonial se contam: Manuel da Nóbrega, José de Anchieta, Fernão Cardim, Antônio Vieira, Azpiculta Navarro, João Antônio Andreoni (Antonil, o historiador), Francisco Vilhena, Bartolomeu de Gusmão ("o voador"). A expulsão dos jesuitas - Antes de tratar diretamente dos do Brasil, é necessário recorrermos aos antecedentes do fato. Quando governava Portugal D. José I (1 750), o cargo de primeiro-ministro era ocupado por Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e marquês de Pombal. D. José era um monarca sem iniciativa e negligente. Durante vinte e sete anos, a vida política e econômica da nação permaneceu nas mãos de Pombal. Vivia-se a época dos déspotas esclarecidos, em que prevaleciam as idéias dos filósofos franceses, de que se originou um absolutismo de ca- racterísticas diferentes. Imbuído dessas idéias e procedendo como verdadeiro monarca, Pombal perseguiu duramente a nobreza de seu país e, de modo especial, os Na América, entre Laguna (Estado de Santa Catarina) e Buenos Aires, havia uma faixa litorânea que há muito vinha sendo objeto de disputa entre portugueses e espanhóis. Nessa região, existiam algumas "reduções" de índios guaranis, chefiadas por espanhóis. Esses índios trabalhavam na lavoura, colhendo erva-mate e cultivando o algodão, e dedicavam-se também à pecuária, orientados pelos padres. Com o produto desse trabalho, estes últimos podiam erguer suas igrejas e, enfim, manter certa estabilidade econômica na própria "redução". Entretanto, como anteriormente algumas tribos guaranis haviam sido alvo de ataques para apresamento, por parte dos bandeirantes, existia ódio profundo dessas tribos em relação a portugueses e brasileiros. Quando da assinatura do Tratado de Madri (1 750), Portugal e Espanha estabeleceram seus limites na América, revogando o Tratado de Tordesilhas e os acordos posteriores. Portugal e Espanha acabaram unindo-se para combater os guaranis insatisfeitos com os limites fixados pelo Tratado de Madri, ocorrendo então as chamadas guerras guaraníticas, que deixaram um saldo de mais de mil índios mortos. Aliás, era de se esperar uma derrota pois, com seus instrumentos de guerra por demais rudimentares; jamais poderiam ter enfrentado a contento as bem organizadas tropas que os foram combater. Por outro lado, quando em se tentou contra a vida do rei português, Pombal acusou imediatamente os tas de terem participado dessa conspiração; após seguidas perseguições, foram expulsos de Portugal. Algum tempo depois eram também banidos do Brasil e confiscados os seus bens. Vocabulário Armistício: Trégua, suspensão de guerra. Batavo: Holandês. Crucial: Terminante; decisivo. Empanar: Ofuscar; obscurecer; encobrir.Escabino: Membro das câmaras municipais criadas pelos holandeses, no Brasil. Na Holanda, eram os magistrados adjuntos do burgomestre. Evacuar: Sair de; desocupar. Florim: Moeda de prata ou ouro, em diversos países; unidade monetária na Holanda e Hungria. Impor-se: Mostrar-se soberbo, desdenhoso; orgulhar-se. Inoperante: Que não opera; que não produz o efeito necessário. Paliçadas: Estacas defensivas. Parco: Que economiza ou poupa; sóbrio. Predecessor: Antecessor; aquele que vem antes. Redimir-se: Livrar-se; remir-se. Secessão: Separação; Sitiada: Cercada; assediada. Subsídio literário: Imposto cuja arrecadação era destinada ao pagamento de professores, no Brasil colonial. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algu- estão verdadeiras, outras falsas. Indique as verdadeiras mas são corretas, outras, erradas. Indique as corretas com (V) e as falsas com (F). Corrija as falsas. com (C) e as erradas com (E). Corrija as erradas. a) (V) A companhia de Jesus foi fundada em por a) A insurreição pernambucana representou a luta vários destacamos, o padre Manuel da Nóbrega dos colonos contra os estrangeiros, mais precisamente, e Padre José de Anchieta. os holandeses. b) (V) Os objetivos da Companhia de Jesus eram a ca- b) Felipe Camarão foi um dos lideres da insurreição tequização, mas também o ensino primário, nas escolas pernambucana na luta contra o domínio holandês no nordeste. de alfabetização. c) o "ato de navegação" proposto por Oliver Crom- c) (V) A expulsão da Companhia de Jesus do Brasil well em prejudicou o comércio marítimo dos ho- deve-se a atuação do primeiro-ministro, Marquês de landeses. Pombal. d) (V) o Marquês de Pombal foi um representante do 2. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algumas despotismo esclarecido no Brasil. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER Marque com um (X), a única alternativa que estiver cor- holandeses reta, para os testes propostos abaixo. a) ( ) no pau-brasil. 1. Os dois estados brasileiros que foram alvo de inva- b) ( ) na cana-de-acúcar. holandesas, no século XVII foram c) ( ) na mineração. d) ( ) no café. a) ( ) São Paulo e Rio de Janeiro. b) ( ) Bahia e São Paulo. 3. movimento de contestação dos senhores de enge- c) ( ) Pernambuco e Rio de Janeiro. nho contra os holandeses que motivou a ocorrência das d) ( ) Bahia e Pernambuco. batalhas nos Montes Guararapes, ficou conhecido como 2. motivo que levou a Holanda a invadir o Brasil, na a) ( ) a resolução pernambucana. época colonial, deve-se principalmente ao interesse dos b) ( ) rebelião pernambucana.c) ) insurreição pernambucana. b) à invasão holandesa no Brasil, no periódo da União d) ( protesto pernambucano. c) ) ao holandês na América e a criação de uma 4. Leia texto. sociedade moderna, influenciada pelo renascimento. "Maurício de Nassau chegou em e partiu em d) às invasões francesas no litoral fluminense, em busca deixando a marca de administrador. Seu período é o mais da nossa principal riqueza: o pau-brasil. brilhante da presença estrangeira. Por aqui, se instalou e pretendeu conquistar novas terras, através da Companhia 5. Marque com um (X), a única alternativa que completa das Índias Ocidentais... corretamente a frase a seguir. Pensou em fazer melhorias para o povo, melhorando- lhes as condições do porto e do núcleo o país europeu que fazia comércio com Portugal e era o (História do Brasil, Francisco responsável pela distribuição de açúcar na Europa era a) ) a Inglaterra. Esse texto refere-se b) ) a Itália a) ( ) à chegada dos espanhóis na em busca c) ( ) a de progresso econômico. d) ( ) a França. CHAVE DE RESPOSTAS 1. d) (X) Bahia e Pernambuco. financeiros realizados com os holandeses. senhor de Comentário: Os dois estados brasileiros que foram alvo engenho que não pagasse suas dívidas teria suas terras de invasões holandesas no século XVII foram Bahia e confiscadas pela Companhia das Índias Pernambuco. Com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, as demais 4. b) (X) à invasão holandesa no Brasil, no período da nações européias que não fizeram parte desse tratado União reagiram contra os países ibéricos: Portugal e Espanha Comentário: A União Ibérica (1580 1640) significou a invadindo suas colônias, na América, como foi caso união das duas coroas, a de Portugal e Espanha. da Holanda, interessada no comércio da Com a morte do rei D. Sebastião, este, não havia deixa- realizado no Brasil. do herdeiros. Sendo assim, Portugal ficou submetido a Espanha durante 60 anos. 2. b) (X) na Conseqüentemente, a Espanha ao exercer sob Comentário: motivo que levou a Holanda a invadir o reino lusitano passou a controlar também suas Brasil, na época colonial deve-se principalmente ao inte- mais precisamente, o Brasil. resse dos holandeses na como comen- As invasões holandesas no Brasil podem ser justifi- tamos no exercício 1. cadas, porque a Espanha vai passar a interferir e dificul- Lembrando que os holandeses é que financiaram a tar o comércio realizado entre Holanda e Brasil. implantação dos engenhos de açúcar no Brasil, sendo A Holanda era país responsável pelo transporte, refina- eles os responsáveis pelo refino e comercialização mento e distribuição da para a Europa. desse produto na Europa. Não encontrando outra solução para esse problema, os holandeses decididamente resolveram invadir o Brasil. 3. c) insurreição pernambucana. Comentário: movimento de contestação dos se- c) (X) a Holanda. de engenho contra os holandeses, que motivou a Comentário: A burguesia flamenga era quem financiava ocorrência das batalhas nos Montes Guararapes, ficou a produção açucareira no Brasil. Portugal desenvolvia conhecido como insurreição pernambucana. Este mo- um ativo comércio com a Holanda. Esta por sua vez era vimento ocorreu em Pernambuco devido a alta dos a responsável pelo refinamento do açúcar e pela sua dis- impostos sobre o açúcar e a cobrança dos empréstimos tribuição nos mercados europeus.

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