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(ANDRADE, Carlos Drummond de; et al. Elenco de cronistas modernos. 8. ed. Rio de Janeiro: José Olympio,
1984. p.128-129)
Em determinando momento, o narrador afirma: “Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever,
e ele cumpriu o seu.” De acordo com o texto, pode-se afirmar que o dever cumprido pelo narrador foi:
A Conseguir a ideia para escrever uma crônica para o jornal.
B Exercer a solidariedade em relação ao homem que nadava com dificuldade.
C Não perder de vista o nadador, depois que este passou por trás das árvores.
D Testemunhar que o homem nadou sempre com firmeza e correção.
E Acompanhar o nadador até que ele atingisse o telhado vermelho.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000108880
Questão 2 Interpretação de texto literário Português
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda à questão proposta.
HOMEM NO MAR
Rubem Braga
De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O
vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns
segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da
praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que
nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada,
toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo
a transportar na água.
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê
e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro
nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se
ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei;
duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda con ança que
reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei
de vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros; isto me
parece importante; é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, e que eu o veja desaparecer
assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem
desse homem me faz bem.
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua
by: Torricelli1889
cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o
telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando "vi um homem sozinho, nadando no
mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho
que ele nadou sempre com rmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele o
atingiu”.
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo
saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de
alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e
minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.
(ANDRADE, Carlos Drummond de; et al. Elenco de cronistas modernos. 8. ed. Rio de Janeiro: José Olympio,
1984. p.128-129)
No segundo parágrafo, a palavra “justo” é usada para:
A Informar que as espumas são feitas de água, vento e luz.
B Explicar o motivo pelo qual o homem precisa dar braçadas fortes.
C Legitimar o fato de as espumas irem mais depressa do que o nadador.
D Justificar a necessidade de mais força para transportar seu corpo na água.
E Introduzir a ideia de que o homem é feito de carne e osso.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000108877
Questão 3 Interpretação de texto literário Português
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda à questão proposta.
HOMEM NO MAR
Rubem Braga
De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O
vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns
segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da
praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que
nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada,
toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo
a transportar na água.
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê
by: Torricelli1889
e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro
nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se
ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei;
duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda con ança que
reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei
de vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros; isto me
parece importante; é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, e que eu o veja desaparecer
assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem
desse homem me faz bem.
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua
cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o
telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando "vi um homem sozinho, nadando no
mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho
que ele nadou sempre com rmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele o
atingiu”.
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo
saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de
alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e
minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.
(ANDRADE, Carlos Drummond de; et al. Elenco de cronistas modernos. 8. ed. Rio de Janeiro: José Olympio,
1984. p.128-129)
Com a leitura do texto, depreende-se que o narrador:
I - Sente-se solitário e deprimido em sua residência.
Il - Contempla a beleza de um evento comum.
III - Preocupa-se com o tempo despendido na observação.
IV - Sensibiliza-se com o nadar de um desconhecido.
Estão corretas as afirmativas:
by: Torricelli1889
A I, Il e lIl.
B ll, llI e IV.
C l e Ill.
D ll e IV.
E l e IV.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000108876
Questão 4 Interpretação de texto literário
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda a questão
Assiste à demolição
– Morou mais de vinte anos nesta casa? Então vai sentir “uma coisa” quando ela for demolida. Começou a
demolição. Passando pela rua, ele viu a casa já sem telhado, e operários, na poeira, removendopotável e ao esgotamento sanitário
é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É preciso, para tanto, fazê-lo de modo nanceiramente
acessível e com qualidade para todos, sem discriminação. Também obriga os Estados a eliminarem
progressivamente as desigualdades na distribuição de água e esgoto entre populações das zonas rurais ou
urbanas, ricas ou pobres.
No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos
com abastecimento de água potável, mais da metade da população não tem acesso à coleta de esgoto, e
by: Torricelli1889
apenas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. Aproximadamente 70% da população que compõe o
dé cit de acesso ao abastecimento de água possuem renda domiciliar mensal de até ½ salário mínimo por
morador, ou seja, apresentam baixa capacidade de pagamento, o que coloca em pauta o tema do
saneamento financeiramente acessível.
Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cidades, identi cam-se avanços importantes na busca de
diminuir o dé cit já crônico em saneamento e pode-se caminhar alguns passos em direção à garantia do
acesso a esses serviços como direito social. Nesse sentido destacamos as Conferências das Cidades e a
criação da Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política urbana uma
base de participação e controle social.
Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e
PAC 2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 e seu decreto de regulamentação) e de um
Plano Nacional para o setor, o PLANSAB, construído com amplo debate popular, legitimado pelos Conselhos
Nacionais das Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por decreto presidencial em novembro
de 2013.
Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais para que a gestão dos serviços seja pautada por
uma visão de saneamento como direito de cidadania: a) articulação da política de saneamento com as
políticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua erradicação,
de proteção ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparência das ações, baseada em sistemas de
informações e processos decisórios participativos institucionalizados.
A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planejamento para o saneamento, por meio da obrigatoriedade
de planos municipais de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de
águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam
ser estabelecidos contratos de delegação da prestação de serviços e para que possam ser acessados
recursos do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo nal para sua elaboração terminando em 2017.
A Lei reforça também a participação e o controle social, através de diferentes mecanismos como:
audiências públicas, de nição de conselho municipal responsável pelo acompanhamento e scalização da
política de saneamento, sendo que a de nição desse conselho também é condição para que possam ser
acessados recursos do governo federal.
O marco legal introduz também a obrigatoriedade da regulação da prestação dos serviços de saneamento,
visando à garantia do cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à
repressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo que os serviços de saneamento são prestados em
caráter de monopólio, o que significa que os usuários estão submetidos às atividades de um único prestador.
FONTE: adaptado de http://www.assemae.org.br/artigos/item/1762-saneamento-basico-como-direito-de-
cidadania
De acordo com o texto, o Plano Nacional para o setor de saneamento tem sua gênese no
by: Torricelli1889
A reconhecimento do direito humano à água potável.
B estabelecimento de um marco regulatório, aprovado por decreto em 2013.
C amplo debate popular, legitimado pelos Conselhos Nacionais das Cidades.
D progressivo aumento de recursos para o setor de saneamento básico.
E estabelecimento da Lei 11445/2007 e respectivo decreto de regulamentação.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002639
Questão 19 Interpretação de texto Português
TEXTO DE APOIO 1:
Política pública de saneamento básico: as bases do saneamento como direito de cidadania e os debates
sobre novos modelos de gestão
Ana Lucia Britto
Professora Associada do PROURB-FAU-UFRJ
Pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles
A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário
é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É preciso, para tanto, fazê-lo de modo nanceiramente
acessível e com qualidade para todos, sem discriminação. Também obriga os Estados a eliminarem
progressivamente as desigualdades na distribuição de água e esgoto entre populações das zonas rurais ou
urbanas, ricas ou pobres.
No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos
com abastecimento de água potável, mais da metade da população não tem acesso à coleta de esgoto, e
apenas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. Aproximadamente 70% da população que compõe o
dé cit de acesso ao abastecimento de água possuem renda domiciliar mensal de até ½ salário mínimo por
morador, ou seja, apresentam baixa capacidade de pagamento, o que coloca em pauta o tema do
saneamento financeiramente acessível.
Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cidades, identi cam-se avanços importantes na busca de
diminuir o dé cit já crônico em saneamento e pode-se caminhar alguns passos em direção à garantia do
acesso a esses serviços como direito social. Nesse sentido destacamos as Conferências das Cidades e a
criação da Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política urbana uma
base de participação e controle social.
Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e
PAC 2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 e seu decreto de regulamentação) e de um
Plano Nacional para o setor, o PLANSAB, construído com amplo debate popular, legitimado pelos Conselhos
Nacionais das Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por decreto presidencial em novembro
de 2013.
by: Torricelli1889
Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais para que a gestão dos serviços seja pautada por
uma visão de saneamento como direito de cidadania: a) articulação da política de saneamento com as
políticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua erradicação,
de proteção ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparência das ações, baseada em sistemas de
informações e processos decisórios participativos institucionalizados.
A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planejamento para o saneamento, por meio da obrigatoriedade
de planos municipais de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de
águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam
ser estabelecidos contratos de delegação da prestação de serviços e para que possam ser acessados
recursos do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo nal para sua elaboração terminando em 2017.
A Lei reforça também a participação e o controle social, através de diferentes mecanismos como:
audiências públicas, de nição de conselho municipal responsável pelo acompanhamento e scalização da
política de saneamento, sendo que a de nição desse conselho também é condição para que possam ser
acessados recursos do governo federal.
O marco legal introduz também a obrigatoriedade da regulação da prestação dos serviços de saneamento,
visando à garantia do cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à
repressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo que os serviços de saneamento são prestados em
caráterde monopólio, o que significa que os usuários estão submetidos às atividades de um único prestador.
FONTE: adaptado de http://www.assemae.org.br/artigos/item/1762-saneamento-basico-como-direito-de-
cidadania
No texto, a fundamentação que desencadeia todo o debate proposto é o
A abastecimento de água potável própria e de qualidade, como direito de todos.
B aumento do tratamento do esgoto coletado, que chega a apenas 39% do total.
C acesso à coleta de esgoto nas zonas rurais ou urbanas, ricas ou pobres.
D saneamento financeiramente acessível para a população mais pobre.
E reconhecimento em 2010 do direito ao esgotamento sanitário como indispensável à vida.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002637
Questão 20 Interpretação de texto Português
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a
taxa média de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou
menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe
reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação
realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e
by: Torricelli1889
laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que
diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º
no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor
taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas
2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma
prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas,
estupradores e tra cantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino
Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e
não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é
obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação
do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena
será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma oresta, decorado com gra tes e quadros nos corredores, e no qual
as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas
e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para a xar papéis e fotos, além de
geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos
receberem os familiares, estúdio de gravação de música e o cinas de trabalho. Nessas o cinas são
oferecidos cursos de formação pro ssional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena
remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a
estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedó los, cam
em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos
próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para
o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão.
Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o
brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e
pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e,
dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade. A
diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente
não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas
essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no
massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
by: Torricelli1889
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal
atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br. ** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e
pesquisadora do Instituto Avante
Brasil. FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de reabilitacao-de-
criminosos/ Acessado em 17 de março de 2017.
Em “Alguns perguntariam ‘Por quê?’. E eu pergunto: ‘Por que não?”, as perguntas retóricas constituem:
A crítica ao senso comum, por meio do discurso subjetivo.
B linguagem apelativa, com intuito de persuadir o leitor.
C verossimilhança, por meio do discurso direto.
D diálogo entre textos, fazendo alusão ao discurso alheio.
E estratégia argumentativa, ponto de partida da análise do autor.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002549
Questão 21 Interpretação de texto Português
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a
taxa média de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou
menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe
reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação
realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e
laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que
diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º
no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor
taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas
2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma
prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas,
estupradores e tra cantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino
Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e
não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é
obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação
do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena
seráprorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada.
by: Torricelli1889
O presídio é um prédio, em meio a uma oresta, decorado com gra tes e quadros nos corredores, e no qual
as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas
e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para a xar papéis e fotos, além de
geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos
receberem os familiares, estúdio de gravação de música e o cinas de trabalho. Nessas o cinas são
oferecidos cursos de formação pro ssional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena
remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a
estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedó los, cam
em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos
próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para
o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão.
Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o
brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e
pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e,
dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade. A
diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente
não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas
essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no
massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal
atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br. ** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e
pesquisadora do Instituto Avante
Brasil. FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de reabilitacao-de-
criminosos/ Acessado em 17 de março de 2017.
Em dois momentos do texto, o redator cita Nietzsche, que teria a rmado: “a vingança é uma festa”. A partir
do que se depreende da leitura, essa “festa” significa
by: Torricelli1889
A uma notória satisfação das pessoas em geral em relação às matanças e às condições humilhantes a
que são submetidos os presos no Brasil.
B um presídio cujas celas contenham uma cama, vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas, televisão de
tela plana, composto, ainda, por ampla biblioteca, ginásio de esportes e chalés para os presos
receberem seus familiares.
C uma sinistra cultura de nada oferecer para que um criminoso possa se reabilitar e ser reinserido em
uma sociedade que conta com presídios em estado de depredação total e pouquíssimos programas
educa cionais para os detentos.
D a situação de ser considerada, a Noruega, o melhor país para se viver, com a menor taxa de
homicídios do mundo, onde o sistema carcerário chega a reabilitar cerca de 80% dos criminosos.
E a atitude dos presos no Brasil que, após o cumprimento da pena, exercem sua liberdade roubando e
matando as pessoas, comprovando que o sistema poderia ser melhor se aderisse ao adágio
“bandido bom é bandido morto”.
4000002547
Questão 22 Interpretação de texto Português
Leia o texto a seguir.
Somente uma bala
Vocês têm só uma bala na agulha para capturar a atenção dos leitores: as primeiras linhas de um texto. Se
elas não forem capazes de despertar interesse, tchau e bênção. [...] O erro pode estar na escolha dos
assuntos. Ou na qualidade dos textos. Ou nas duas coisas. Os assuntos podem ser atraentes. Se oferecidos
por meio de textos medíocres, não serão lidos. Os textos podem ser gramaticalmente corretos e contar uma
história com começo, meio e m. Se não forem instigantes, bye, bye, leitores. NOBLAT, Ricardo. A arte de
fazer um jornal diário. São Paulo, Contexto, 2003, p.86 (fragmento).
De acordo com o fragmento do texto, de Ricardo Noblat, o autor defende a ideia de que o escritor deve
A escolher muito bem o assunto do texto.
B usar o texto como uma arma.
C cativar o leitor logo no início de um texto.
D saber escrever de acordo com as normas gramaticais.
E saber narrar uma história com início, meio e fim.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002279
Questão 23 Interpretação de texto Interpretação de texto literário
by: Torricelli1889
“Era conferente da Alfândega – mas isso não tem importância.” (linha 1)
O narrador caracteriza, no trecho acima transcrito, o personagem, para, logo em seguida, dizer que tal
classificação é irrelevante. Marque a alternativa que explica a razão dessa aparente contradição.
A Não é importante mencionar o cargo que o personagem ocupava, pois a história envolve o ser
humano e seus problemas mais profundos.
B O texto trata de um indivíduo cujos problemas – tanto de saúde quanto familiares – não têm
importância, já que era conferente da Alfândega.
C O cargo que o personagem ocupava não era relevante para a história, pois não se tratava de uma
posição de destaque na sociedade.
D Não tem importância o personagem ser conferente da Alfândega porque a história é sobre a
amante.
E O autor propõe uma ironia: ser conferente da Alfândega e ter duas famílias.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000000818
Questão 24 Interpretação de texto literário Português
Leia as afirmações abaixo e, a seguir, responda o que se pede.
I Valoriza-se o ideal burguês da vida sustentada pelo trabalho em detrimento dos valores aristocráticos.
II Cultiva-se a naturalidade: o homem deve conhecer e exprimir sua sensibilidade e seus sentimentos.
by: Torricelli1889
III Prega-se uma vida mediana e equilibrada, longe do mundo urbano. A linguagem deve ser simples
consistindo apenas no que é essencial.
O movimento literário definido pelas afirmativas é o:
A Romantismo
B Barroco
C Parnasianismo
D Arcadismo
E Simbolismo
4000000322
Questão 25 Interpretação de texto literário Português
Quanto à literatura portuguesa, é correto afirmar que
by: Torricelli1889
A as cantigas líricas dividem-se em de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer e originaram-se na
Península Ibérica.
B a cantiga da Ribeirinha é uma cantiga trovadoresca mista, em parte lírica e em parte religiosa.
C os versos mais comuns no Cancioneiro Geral são as redondilhas, que podem ser de dois tipos
:redondilha maior e redondilha menor.
D o teatro vicentino é basicamente caracterizado pela tragédia e critica duramente o
comportamento de todas as camadas sociais.
E a poesia palaciana floresceu no meio do povo e satirizava a vida dentro dos palácios.
4000000160
Questão 26 Interpretação de texto literário Português
Encontro com Bandeira
SANT'ANNA, Affonso Romano de. Porta de colégio e outras crônicas. São Paulo: Ática. 1995)
Em "se todo autor quer ver sua obra lida e divulgada, o jovem tem uma ansiedade especi ca." (linha 10). Essa
"ansiedade específica", no texto, relaciona-se à necessidade de
by: Torricelli1889
A saber, no fundo, se tem talento para ser escritor, poeta.
B vender sua obra para conseguir algum dinheiro.
C divulgação, para ver sua obra publicada e lida.
D de ajuda, aceitação, principalmente dos donos de editoras.
E recomendação de outros escritores que já têm suas próprias editoras.4000039667
Questão 27 Interpretação de texto literário Português
Encontro com Bandeira
SANT'ANNA, Affonso Romano de. Porta de colégio e outras crônicas. São Paulo: Ática. 1995)
Nos trechos abaixo, assinale a alternativa que apresenta uma circunstância condicional.
by: Torricelli1889
A "Morando numa cidade do interior, eu olhava o Rio de Janeiro onde resplandecia a glória literária de
alguns mitos daquela época." (linhas 5 e 6)
B "Era uma maneira de ver se o candidato havia feito opção pelo verso livre por incompetência ou
com conhecimento de causa." (linhas 26 e 27)
C "A rigor não posso nem garantir se havia visto algum escritor de verdade assim tão perto. E não
estava em condições emocionais de reparar em nada." (linhas 28 a 30)
D "Bandeira se levantava de vez em quando para pegar uma coisa ou outra. E tossia." (linhas 34 e 35)
E "Não precisa deixar todos, escolha os melhores. Vou ler. Se não forem bons, eu digo, hein?!" (linhas
36 e 37)
4000039662
Questão 28 Interpretação de texto literário Português
Encontro com Bandeira
SANT'ANNA, Affonso Romano de. Porta de colégio e outras crônicas. São Paulo: Ática. 1995)
No nono parágrafo encontramos a frase: "Havia uma outra pessoa, um vulto cinza por ali, com o qual
conversava quando chegamos." A expressão em destaque indica que a pessoa presente no apartamento do
poeta Manuel Bandeira
by: Torricelli1889
A talvez estivesse aborrecida, tinha um ar triste e fechado.
B vestia-se com roupas escuras pouco expressivas, preferia não aparecer.
C ficou na lembrança do autor do texto de forma muito vaga.
D era Carlos Drummond de Andrade, grande poeta e amigo de Manuel Bandeira.
E deve ter colaborado na avaliação crítica dos textos do jovem escritor.
4000039661
Questão 29 Interpretação de texto literário Português
Texto 1
"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude de muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada."
(Luís Vaz de Camões)
Texto 2
"Faz a imaginação de um bem amado
Que nele se transforme o peito amante;
Daqui vem, que a minha alma delirante
Se não distingue já do meu cuidado."
(Cláudio Manuel da Costa)
Confrontando as escolas literárias a que pertencem os autores dos textos 1 e 2, observa-se que
A a semelhança entre os textos é reflexo da falta de originalidade do poeta árcade brasileiro, que
plagiava constantemente o poeta clássico.
B a imitação e a recriação eram procedimentos usuais entre os clássicos, retomadas pelos árcades,
mas em que o "imitador" sempre deixava sua marca original.
C Cláudio Manuel da Costa não segue a tendência principal da poesia árcade, a fuga da imitação: o
poeta é "inventor", não deve seguir modelos.
D a semelhança entre os textos é mera coincidência, visto que esse tema - amor - sempre foi
cantado em poesia, desde os clássicos até os dias atuais.
E a semelhança entre os textos é finto da verossimilhança e simplicidade, notas formais prezadas
pelos árcades, traduzidas pela poesia pastoril, em oposição à poesia clássica.
4000045885
by: Torricelli1889
Questão 30 Intertextualidade Português
Texto 1
"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude de muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada."
(Luís Vaz de Camões)
Texto 2
"Faz a imaginação de um bem amado
Que nele se transforme o peito amante;
Daqui vem, que a minha alma delirante
Se não distingue já do meu cuidado."
(Cláudio Manuel da Costa)
Comparando os textos 1 e 2, pode-se afirmar que
A o primeiro refere-se ao amor espiritual, platônico; o segundo, ao erótico, sensual.
B ambos desenvolvem o tema erótico, sensual, disfarçado em pureza de sentimentos.
C ambos desenvolvem o mesmo tema: os afetos pela amada, num plano platônico.
D ambos exprimem decepção amorosa, já que o amor é apenas fruto da imaginação.
E o segundo ironiza o primeiro, pois a visão de amor neste não passa de delírio.
4000045884
Questão 31 Interpretação de texto literário Português
by: Torricelli1889
Nesse poema, a expressão "desenho da vida" significa
A sentido da existência.
B preservação das conquistas já feitas.
C esboço de formas geométricas.
D retrato de uma paisagem.
E idade da poetisa.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000045873
Questão 32 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo e responda.
No Retiro da Figueira
(Moacyr Seliar)
1° § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais - dizia o anúncio - onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2° § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade - e
eram uns bons cinqüenta minutos - ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes - e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos - mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: "ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade". De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou - mas de maneira casual - que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3° § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu - tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4° § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo enfiado sob a porta transformou-se - como dizia
o texto - num novo estilo de vida.
by: Torricelli1889
5° § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda - uma semana após - a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6° § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores - e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque - cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem -
sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes eamigos dos moradores
- para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu - tal como
prometido no prospecto - num clima de sonho. De sonho, mesmo.
8° § Uma manhã de domingo, muito cedo - lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
cantar - soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um pouco assustados - um
pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9° § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele
domingo.
10° § - A nal - disse, em tom de gracejo - está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11° § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12° § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair - os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
bloquear a estreita estrada do Retiro.
13° § - E vocês, por que não nos acompanham? - perguntou o cirurgião.
by: Torricelli1889
14° § - E quem vai cuidar da família de vocês? - disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15° § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16° § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17° § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18° § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós -
amedrontado, pareceu-me - e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19° § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20° § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso - que eu, diga-se de
passagem, sempre achei que era bom demais.
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
"Aliás quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto
que logo pensei: 'ah. mas deve ser formado em alguma universidade'." O trecho sublinhado expressa
A adversidade
B conclusão
C explicação
D conseqüência
E causa
4000045830
Questão 33 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo e responda.
No Retiro da Figueira
(Moacyr Seliar)
1° § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
by: Torricelli1889
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais - dizia o anúncio - onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2° § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade - e
eram uns bons cinqüenta minutos - ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes - e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos - mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: "ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade". De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou - mas de maneira casual - que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3° § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu - tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4° § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo enfiado sob a porta transformou-se - como dizia
o texto - num novo estilo de vida.
5° § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda - uma semana após - a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6° § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores - e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque - cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem -
sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores
- para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu - tal como
prometido no prospecto - num clima de sonho. De sonho, mesmo.
by: Torricelli1889
8° § Uma manhã de domingo, muito cedo - lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
cantar - soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um pouco assustados - um
pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9° § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedirque não saíssemos naquele
domingo.
10° § - A nal - disse, em tom de gracejo - está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11° § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12° § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair - os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
bloquear a estreita estrada do Retiro.
13° § - E vocês, por que não nos acompanham? - perguntou o cirurgião.
14° § - E quem vai cuidar da família de vocês? - disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15° § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16° § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17° § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18° § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós -
amedrontado, pareceu-me - e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19° § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20° § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso - que eu, diga-se de
by: Torricelli1889
passagem, sempre achei que era bom demais.
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
É facultativa a crase em
A "Mas o que mais agradou à minha mulher foi..."
B "Durante todo o trajeto de volta à cidade..."
C "Às vezes penso que se morássemos..."
D "...mensagem publicitária nunca teria chegado a nós,.."
E "À pergunta de um irado cirurgião..."
4000045827
Questão 34 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo e responda.
No Retiro da Figueira
(Moacyr Seliar)
1° § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais - dizia o anúncio - onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2° § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade - e
eram uns bons cinqüenta minutos - ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes - e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos - mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: "ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade". De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou - mas de maneira casual - que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3° § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu - tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4° § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
by: Torricelli1889
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo enfiado sob a porta transformou-se - como dizia
o texto - num novo estilo de vida.
5° § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda - uma semana após - a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6° § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores - e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque - cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem -
sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores
- para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu - tal como
prometido no prospecto - num clima de sonho. De sonho, mesmo.
8° § Uma manhã de domingo, muito cedo - lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
cantar - soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um pouco assustados - um
pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9° § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele
domingo.
10° § - A nal - disse, em tom de gracejo - está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11° § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12° § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair - os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
by: Torricelli1889
bloquear a estreita estrada do Retiro.
13° § - E vocês, porque não nos acompanham? - perguntou o cirurgião.
14° § - E quem vai cuidar da família de vocês? - disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15° § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16° § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17° § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18° § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós -
amedrontado, pareceu-me - e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19° § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20° § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso - que eu, diga-se de
passagem, sempre achei que era bom demais.
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
A frase que exprime a principal razão que levou a família a se interessar pelo Retiro da Figueira é
A "o lugar era... era maravilhoso."(1º§)
B "Tínhamos de procurar um lugar seguro." (3º§)
C "Foi então que enfiaram um prospecto colorido sob nossa porta."(4º§)
D "De qualquer modo, minha mulher ficou encantada com o Retiro da Figueira." (4º§)
E "E eu acabava de ser promovido na firma" (4º§)
4000045821
Questão 35 Interpretação de texto literário Português
No Retiro da Figueira
(Moacyr Scliar)
by: Torricelli1889
1º § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais – dizia o anúncio – onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2º § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade – e
eram uns bons cinqüenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos – mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade”. De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou – mas de maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3º § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu – tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4º § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo en ado sob a porta transformou-se – como
dizia o texto – num novo estilo de vida.
5º § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6º § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores – e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem
– sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores
– para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu – tal como
by: Torricelli1889
prometido no prospecto – num clima de sonho. De sonho, mesmo.
8º § Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
cantar – soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que camos um pouco assustados –
um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9º § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele
domingo.
10º § – A nal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11º § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12º § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair – os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
bloquear a estreita estrada do Retiro.
13º § – E vocês, por que não nos acompanham? – perguntou o cirurgião.
14º § – E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15º § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16º § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17º § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18º § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas.Depois olhou para nós –
amedrontado, pareceu-me – e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19º § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20º § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
by: Torricelli1889
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso – que eu, diga-se de
passagem, sempre achei que era bom demais.
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
“Aliás quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto
que logo pensei: ‘ah, mas deve ser formado em alguma universidade’.” O trecho sublinhado expressa
A adversidade
B conclusão
C explicação
D conseqüência
E causa
4000039545
Questão 36 Interpretação de texto literário Português
No Retiro da Figueira
(Moacyr Scliar)
1º § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais – dizia o anúncio – onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2º § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade – e
eram uns bons cinqüenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos – mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade”. De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou – mas de maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3º § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu – tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4º § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
by: Torricelli1889
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo en ado sob a porta transformou-se – como
dizia o texto – num novo estilo de vida.
5º § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6º § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores – e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem
– sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores
– para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu – tal como
prometido no prospecto – num clima de sonho. De sonho, mesmo.
8º § Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
cantar – soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que camos um pouco assustados –
um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9º § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele
domingo.
10º § – A nal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11º § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12º § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair – os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
by: Torricelli1889
bloquear a estreita estrada do Retiro.
13º § – E vocês, por que não nos acompanham? – perguntou o cirurgião.
14º § – E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15º § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16º § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17º § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18º § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós –
amedrontado, pareceu-me – e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19º § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20º § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso – que eu, diga-se de
passagem, sempre achei que era bom demais.
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
É facultativa a crase em
A “Mas o que mais agradou à minha mulher foi...”
B “Durante todo o trajeto de volta à cidade...”
C “Às vezes penso quese morássemos...”
D “...mensagem publicitária nunca teria chegado a nós,...”
E “À pergunta de um irado cirurgião...”
4000039542
Questão 37 Interpretação de texto literário Português
No Retiro da Figueira
(Moacyr Scliar)
by: Torricelli1889
1º § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais – dizia o anúncio – onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2º § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade – e
eram uns bons cinqüenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos – mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade”. De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou – mas de maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3º § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu – tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4º § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo en ado sob a porta transformou-se – como
dizia o texto – num novo estilo de vida.
5º § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6º § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores – e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem
– sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores
– para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu – tal como
by: Torricelli1889
prometido no prospecto – num clima de sonho. De sonho, mesmo.
8º § Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
cantar – soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que camos um pouco assustados –
um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9º § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele
domingo.
10º § – A nal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11º § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12º § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair – os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
bloquear a estreita estrada do Retiro.
13º § – E vocês, por que não nos acompanham? – perguntou o cirurgião.
14º § – E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15º § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16º § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17º § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18º § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós –
amedrontado, pareceu-me – e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19º § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20º § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
by: Torricelli1889
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso – que eu, diga-se de
passagem, sempre achei que era bom demais.
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
Em “De fato: no decorrer da conversa ele mencionou – mas de maneira casual – que era formado em
Direito.” (2º§), em relação ao modo como o chefe dos guardas mencionara sua formação em Direito, pode-
se deduzir que
A na verdade, não era importante, para ele, mencionar o curso.
B seria mais uma estratégia, pois era importante mencionar o curso.
C era mentira, o chefe não queria se comprometer.
D não queria chamar a atenção, pois não imaginava que o curso fosse tão importante.
E aquela era só mais uma, dentre as várias mentiras.
4000039532
Questão 38 Interpretação de texto literário Português
Leia os textos abaixo e responda.
Texto 1
Sou como a pomba e como as vozes dela
É triste o meu cantar;
- Flor dos trópicos - cá na Europa fria
Eu definho, chorando noite e dia
Saudades do meu lar.
A Juriti suspira sobre as folhas secas
Seu canto de saudade;
Hino de angústia, férvido lamento,
Um poema de amor e sentimento,
Um grito d'orfandade!
Texto 2
Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuosoO palácio imperial de pórfiro luzente
E mármor da Lacônia. O teto caprichoso
Mostra, em prata incrustado, o nácar do oriente
Nero no toro erbúreo estende-se indolente...
Gemas em profusão do estrágulo custoso
by: Torricelli1889
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente,
Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso.
Examinando as características de cada texto, é possível reconhecer neles, respectivamente, exemplos das
escolas
A quinhentista e barroca.
B romântica e simbolista.
C romântica e pamasiana.
D arcádica e barroca.
E romântica e quinhentista.
4000045687
Questão 39 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
Coração Segundo
Carlos Drummond de Andrade
1º § - De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, z meu segundo coração, para
enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tomei-me, assim
homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu
coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho descon ou, mesmo porque sabem que
costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois
ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não têm arte, representam o que eu quero. Fiz um Einstein que
acharam parecido com Lampião. Para mim, era Einstein. Os garotos riam, tentando adivinhar que tipos eu
interpretara. Carlito! Não era. Às vezes, não sei por quê, admitia fosse Carlito. Nunca dei importância a leis
de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda espécie de criação.
2° § Mas como disse z meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito
mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo
horrorizar ninguém — abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao
mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também pre ro não explicar. Possuo extrema habilidade manual,
aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos do corpo e suas funções e reações, depois que
cou na moda tratar dessas coisas em jornais e revistas. Além disso, minha capacidade de resistir à dor física
sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo,
acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui
dormir.
3° § Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados
que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão
by: Torricelli1889
permanente no Canal de Suez, golpes vitoriosos ou malogrados na América Latina, bem, não senti
absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita
de leveza. No caminho, vi im corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um
automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o
meu dia. Fitei-o como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudança. E passei um dia
normal. Trabalho, refeições, sono, igualmente normais, coisa que não acontecia há anos.
4° § Meu coração fora planejado para evitar padecimento moral, e desempenhava bem a função. Assisti
impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei me pe a excelência. Mas
aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam,
passei a sentir re exos de moléstias inexistentes. Simples corte no dedo, sem in amação, a igia-me como
chaga aberta. Dor de cabeça que passa com comprimido cava durante semanas. Meu corpo tomou-se
frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Fiz checkup, não se descobriu
qualquer lesão ou distúrbio funcional. Eram apenas imotivadas, gratuitas. Meu coração n° 2 passava pela
radiografia sem ser percebido. Irredutível à dor moral, era invisível a aparelhos de precisão.
5" § Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais que a vida se tomou insuportável. A dor aparecia
especialmente em horas impróprias. Em reuniões sociais. Em concertos No escritório, ao tratar de negócios.
Então fazia caretas, emitia gemidos surdos, assumindo aspecto feroz. Assustavam-se, queriam chamar
ambulância, eu recusava. Tinha medo de que descobrissem o coração fabricado.
6° § Outra coisa: as crianças começaram a achar estranhos meus bonecos, não queriam aceita-los. Sempre
gostei de crianças. E elas me repeliam. Esmerei-me na feitura de peças que pudessem cativá-las, mas em
vão.
7° § Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o
aspecto de chão ressecado. Tive pena dele. Surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de
sua angústia e trazendo-a comigo para casa.
8° § Agora à noite decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena ssura no
isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos liguei
o antigo e fechei o cavername. Talvez pela feita de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer?
E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.
"Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais que a vida se tomou insuportável."
A frase acima poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por:
by: Torricelli1889
A Porque comecei a sofrer muito na vida, esta se tomou insuportável pelos meus males carnais.
B A vida se tomou insuportável, porque comecei a sofrer muito com os meus males carnais.
C Se comecei a sofrer muito com os meus males carnais, é porque a minha vida se tomou
insuportável.
D A vida se tomou insuportável; por isso comecei a sofrer muito com os meus males carnais.
E Já que a vida se tomou insuportável, comecei então a sofrer muito com os meus males carnais.
4000045681
Questão 40 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
Coração Segundo
Carlos Drummond de Andrade
1º § - De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, z meu segundo coração, para
enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tomei-me, assim
homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu
coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho descon ou, mesmo porque sabem que
costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois
ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não têm arte, representam o que eu quero. Fiz um Einstein que
acharam parecido com Lampião. Para mim, era Einstein. Os garotos riam, tentando adivinhar que tipos eu
interpretara. Carlito! Não era. Às vezes, não sei por quê, admitia fosse Carlito. Nunca dei importância a leis
de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda espécie de criação.
2° § Mas como disse z meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito
mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo
horrorizar ninguém — abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao
mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também pre ro não explicar. Possuo extrema habilidade manual,
aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos do corpo e suas funções e reações, depois que
cou na moda tratar dessas coisas em jornais e revistas. Além disso, minha capacidade de resistir à dor física
sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo,
acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui
dormir.
3° § Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fomecaibros.
Aquele telhado que lhe dera tanto trabalho por causa das goteiras, tapadas aqui, reaparecendo ali. Seu quarto
de dormir estava exposto ao céu, no calor da manhã. Ao fundo, no terraço, tinham desaparecido as colunas
da pérgula, e a cobertura de ramos de buganvília – dois troncos subindo do pátio lá embaixo e enchendo de
orinhas vermelhas o chão de ladrilho, onde gatos da vizinhança amavam fazer sesta e surpreender tico-
ticos.
Passou nos dias seguintes e viu o progressivo desfazer-se das paredes, que escancarava a casa de frente e
de ancos jogando-a por assim dizer na rua. Os marcos das portas apareciam emoldurando o vazio. O azul e
as nuvens circulavam pelos cômodos, em composição surrealista. E o pequeno balcão da fachada, cercado
de ar, parecia um mirante espacial, baixado ao nível dos míopes.
A demolição prosseguiu à noite, espontaneamente. Um lanço de parede desabou sozinho, para fora do
tapume, quando já cessara na rua o movimento dos lotações. Caiu discreto, sem ferir ninguém, apenas
avariando – desculpem – a rede telefônica.
A casa encolhera-se, em processo involutivo. Já agora de um só pavimento, sem teto, aspirava mesmo à
desintegração. Chegou a vez da pequena sala de estar, da sala de jantar com seu lambri envernizado a preto,
que ele passara meses raspando a poder de gilete, para recuperar a cor da madeira. E a vez do escritório,
parte pensante e sentinte de seu mecanismo individual, do eu mais íntimo e simultaneamente mais público,
eu de gavetas sigilosas, manuseadas por um pro ssional da escrita. De todo o tempo que vivera na casa, fora
ali que passara o maior número de horas, sentado, meio corcunda, desligado de acontecimentos, ouvindo,
sem escutar, rumores que chegavam de outro mundo – cantoria de bêbados, motor de avião, chorinho de
bebê, galo na madrugada.
E não sentiu dor vendo esfarinharem-se esses compartimentos de sua história pessoal. Nem sequer a
melancolia do desvanecimento das coisas físicas. Elas tinham durado, cumprido a tarefa. Chega o instante
em que compreendemos a demolição como um resgate de formas cansadas, sentença de liberdade. Talvez
sejamos levados a essa compreensão pelo trabalho similar, mais surdo, que se vai desenvolvendo em nós. E
by: Torricelli1889
não é preciso imaginar a alegria de formas novas, mais claras, a surgirem constantemente de formas
caducas, para aceitar de coração sereno o fim das coisas que se ligaram à nossa vida.
Fitou tranquilo o que tinha sido sua casa e era um amontoado de caliça e tijolo, a ser removido. Em breve
restaria o lote, à espera de outra casa maior, sem sinal dele e dos seus, mas destinada a concentrar outras
vivências. Uma ordem, um estatuto pairava sobre os destroços, e tudo era como devia ser, sem ilusão de
permanência.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. 12. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio
Editora, 1979.
Vocabulário
caibro s.m. elemento estrutural de um telhado, geralmente peças de madeira que se dispõem da cumeeira
ao frechal, a intervalos regulares e paralelas umas às outras, em que se cruzam e assentam as ripas,
frequentemente mais finas e compridas, e sobre as quais se apoiam e se encaixam as telhas
pérgula s. f. espécie de galeria coberta de barrotes espacejados assentados em pilares, geralmente
guarnecida de trepadeiras
buganvília s.f. designação comum às plantas do gênero bougainvillea, trepadeira, muito cultivadas como
ornamentais
de flanco s. m. pela lateral
marco s. m. parte xa que guarnece o vão de portas e janelas, e onde as folhas destas se encaixam,
prendendo-se por meio de dobradiças
tapume s. m. cerca ou vala guarnecida de sebe que defende uma área; anteparo, geralmente de madeira,
com que se veda a entrada numa área, numa construção
lambri s. m. revestimento interno de parede, usado com m decorativo ou para proteger contra frio,
umidade ou barulho; feito de madeira, mármore, estuque, numa só peça ou composto por painéis, que vão
até certa altura ou do chão ao teto (mais usado no plural)
caliça s.f. conjunto de resíduos de uma obra de alvenaria demolida ou em desmoronamento, formado por pó
ou fragmentos dos materiais diversos do reboco (cal, argamassa ressequida) e de pedras, tijolos desfeitos
lote s. m. porção de terra autônoma que resulta de loteamento ou desmembramento; terreno de pequenas
dimensões, urbano ou rural, que se destina a construções ou à pequena agricultura
Fonte: HOUAISS, A. e Villar, M. de S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Elaborado no Instituto
Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Objetiva, 2009.
Com base no trecho “Os marcos das portas apareciam emoldurando o vazio. O azul e as nuvens circulavam
by: Torricelli1889
pelos cômodos, em composição surrealista.”, é correto afirmar:
A Da rua, o protagonista podia ver a pintura (quadro), de composição surrealista, que havia
permanecido na casa.
B Como havia nas portas pinturas surrealistas que retratavam o céu e as nuvens, os marcos das portas
eram utilizados como molduras.
C De onde observava, o protagonista via o azul do céu e as nuvens circulando pelos cômodos do
pavimento superior, algo que se assemelhava a uma composição surrealista.
D Tendo em vista a derrubada dos marcos e das portas, o personagem percebe, gravadas nas
paredes que ainda restavam de pé, imagens surrealistas do céu azul e das nuvens.
E vazio emoldurado pelos marcos das portas causou tamanha impressão no ex-morador que ele
desejou produzir uma tela que expressasse a beleza surrealista do azul do céu e das nuvens.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000091069
Questão 5 Interpretação de texto Português
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda à questão proposta.
E a indústria de alimentos na pandemia?
O editorial da edição de 10 de junho do British Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary
University of London, na Inglaterra, propõe uma re exão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui
também: a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de
obesidade.
O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-
CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid-19
chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal
entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY.
O editorial cita uma série de outros dados e possíveis razões para a associação entre a má evolução de
certos casos de Covid-19 e a obesidade. No entanto, o que mais destaca é o ambiente obesogênico que o
novo coronavírus encontrou no planeta.
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, para citar dois exemplos, entre 65% e 70% da população apresentam
um peso maior do que o recomendado para o bem da saúde. E, assim, os autores apontam o dedo para a
indústria de alimentos que, em sua opinião, em todo o globo não parou de promover produtos
ultraprocessados, com muito açúcar, uma quantidade excessiva de sódio e gorduras além da conta.
A crítica do editorial é mesmo cortante: “Fica claro que a indústria de alimentos divide a culpa não apenas
pela pandemia de obesidade como pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências
devastadoras”, está escrito.
E os autores cobram medidas, lembrando que o con namento exigido pela Covid-19 aparentemente piorou o
by: Torricelli1889
estado nutricional das pessoas, em parte pela falta de acesso a alimentos frescos, em outra parte porque o
pânico fez muita gente estocar itens ultraprocessados em casa, já que esses costumam ter maior vida de
prateleira, inclusive na despensa.
Mas o que deixou os autores realmente desconfortáveis foram as ações de marketing de algumas marcas
nesses tempos desa adores. Todas, claro, querendo demonstrar o seu envolvimento com iniciativas de
responsabilidadeno Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados
que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão
permanente no Canal de Suez, golpes vitoriosos ou malogrados na América Latina, bem, não senti
absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita
de leveza. No caminho, vi im corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um
automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o
meu dia. Fitei-o como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudança. E passei um dia
by: Torricelli1889
normal. Trabalho, refeições, sono, igualmente normais, coisa que não acontecia há anos.
4° § Meu coração fora planejado para evitar padecimento moral, e desempenhava bem a função. Assisti
impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei me pe a excelência. Mas
aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam,
passei a sentir re exos de moléstias inexistentes. Simples corte no dedo, sem in amação, a igia-me como
chaga aberta. Dor de cabeça que passa com comprimido cava durante semanas. Meu corpo tomou-se
frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Fiz checkup, não se descobriu
qualquer lesão ou distúrbio funcional. Eram apenas imotivadas, gratuitas. Meu coração n° 2 passava pela
radiografia sem ser percebido. Irredutível à dor moral, era invisível a aparelhos de precisão.
5" § Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais que a vida se tomou insuportável. A dor aparecia
especialmente em horas impróprias. Em reuniões sociais. Em concertos No escritório, ao tratar de negócios.
Então fazia caretas, emitia gemidos surdos, assumindo aspecto feroz. Assustavam-se, queriam chamar
ambulância, eu recusava. Tinha medo de que descobrissem o coração fabricado.
6° § Outra coisa: as crianças começaram a achar estranhos meus bonecos, não queriam aceita-los. Sempre
gostei de crianças. E elas me repeliam. Esmerei-me na feitura de peças que pudessem cativá-las, mas em
vão.
7° § Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o
aspecto de chão ressecado. Tive pena dele. Surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de
sua angústia e trazendo-a comigo para casa.
8° § Agora à noite decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena ssura no
isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos liguei
o antigo e fechei o cavername. Talvez pela feita de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer?
E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.
"A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim."
O período que emprega a conjunção e com o mesmo valor sintático do período acima é:
A "fiz meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito.."
B "No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre os restos de um
automóvel."
C "...pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia."
D " Meu corpo tomou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada."
E " Possuo extrema habilidade manual, aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos do
corpo..."
4000045678
Questão 41 Interpretação de texto literário Português
by: Torricelli1889
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
by: Torricelli1889
- Mas quando pegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
Uma outra maneira de pontuar corretamente os períodos extraídos do texto, sem lhes alterar o sentido, é:
A Chegando em casa, minha mãe estranhou, que eu não estivesse muito feliz.
B Eu cursava o último ano do primário e, como estava com o diplominha garantido. Meu pai me deu
um presente muito cobiçado.
C Quem sabe,o autor, não conhecesse a fundo seus próprios personagens?
D Na página de abertura, lá estava a dedicatória do velho, com sua inconfundível letra esparramada.
E Durante a mudança, alguns livros, despencaram de uma estante improvisada.
4000045463
Questão 42 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
by: Torricelli1889
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
- Mas quando pegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
by: Torricelli1889
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
Pelo desfecho da crônica, pressupõe-se que
A o narrador não perdoou Plínio.
B a dedicatória do pai do narrador alterou-se com o tempo.
C alguém escreveu outra dedicatória no livro.
D o narrador percebeu que se equivocara,
E a relação entre Plínio e o narrador recrudesceu.
4000045451
Questão 43 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
by: Torricelli1889
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
- Mas quandopegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
" — O menino é o pai do homem — rebatia vigorosamente."
Com isso, o narrador quis dizer
by: Torricelli1889
A exatamente o que diz o provérbio "filho de peixe, peixinho é."
B que o filho será no futuro o que foi o pai.
C que as aparências enganam, como no caso de Plínio.
D que a criança revela a essência do que será o adulto no futuro.
E que Plínio é como os personagens do livro de Amicis.
4000045449
Questão 44 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
by: Torricelli1889
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
- Mas quando pegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
"Que toldara muito cedo minha crença na humanidade!"
Segundo o texto, em relação à humanidade, a passagem acima deixa clara a idéia de
A otimismo.
B fé.
C cinismo.
D pessimismo.
E ateísmo.
4000045447
Questão 45 Interpretação de texto literário Português
by: Torricelli1889
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeiravitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
by: Torricelli1889
- Mas quando pegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
'"Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho,..."
A maneira com que o narrador se refere ao pai denota
A desprezo
B respeito
C carinho
D formalidade
E desrespeito
4000045444
Questão 46 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
by: Torricelli1889
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
- Mas quando pegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
by: Torricelli1889
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
"'Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, ...". O narrador diz isso porque
A queria esquecer o que aconteceu, por isso não pegou mais o livro.
B fora Plínio quem, segundo ele, pegara o livro.
C acreditava que Amicis equivocara-se no julgamento moral de seus personagens,
D o livro era uma "verdadeira vitrina de qualidades morais".
E com o passar do tempo, foi deixando de acreditar no autor do livro.
4000045441
Questão 47 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicaçãoe
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
by: Torricelli1889
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
- Mas quando pegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
O que justificaria o feto de o narrador, de imediato, ter pensado em roubo seria
by: Torricelli1889
A ter levado um tremendo choque.
B o livro estar escondido entre os pertences de seu colega.
C o livro ser muito cobiçado pelos garotos da época.
D o livro ter sumido justo no último dia de aula.
E a dúvida em relação ao caráter de Plínio.
4000045439
Questão 48 Interpretação de texto literário Português
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
by: Torricelli1889
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
- Mas quando pegou seu livro era criança.
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
O mal-entendido presente no texto originou-se porque
A o narrador, na época, era uma criança.
B o narrador não considerou a possibilidade de existência de um outro livro,
C jamais se poderia pensar que Plínio pudesse roubar o livro,
D o narrador roubou o livro de Plínio.
E o único livro encontrado estava escondido.
4000045438
Questão 49 Interpretação de texto literário Português
Leiao texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
by: Torricelli1889
O Coração Roubado
Marcos Rey
Eu cursava o último ano do primário e como já estava com o diplominha garantido, meu pai me deu um
presente muito cobiçado: O coração, famoso livro do escritor italiano Edmondo de Amicis, best-seller
mundial do gênero infanto-juvenil, Na página de abertura lá estava a dedicatória do velho, com sua
inconfundível letra esparramada. Como todos os garotos da época, apaixonei-me por aquela obra-prima e
tanto que a levava ao grupo escolar da Barra Funda para reler trechos no recreio.
Justamente no último dia de aula, o das despedidas, depois da festinha de formatura, voltei para a classe a
m de reunir meus cadernos e objetos escolares, antes do adeus. Mas onde estava O coração? Onde?
Desaparecera. Tremendo choque. Algum colega na certa o furtara. Não teria coragem de aparecer em casa
sem ele. Ia informar à diretoria quando, passando pelas carteiras, vi a lombada do livro, bem escondido sob
uma pasta escolar. Mas... era lá que se sentava o Plínio, não era? Plínio, o primeiro da classe em aplicação e
comportamento, o exemplo para todos nós. Inclusive o mais limpinho, o mais bem penteadinho, o mais tudo.
Confesso, hesitei. Desmascarar um ídolo? Podia ser até que não acreditassem em mim. Muitos invejavam o
Plínio. Peguei o exemplar e o guardei em minha pasta. Caladão. Sem revelar a ninguém o acontecido. Lembro
do abraço que Plínio me deu à saída. Parecia estar segurando as lágrimas. Balbuciou algumas palavras
emocionadas. Mal pude retribuir, meus braços se recusavam a apertar o cínico.
Chegando em casa minha mãe estranhou que eu não estivesse muito feliz. Já preocupado com o ginásio?
Não, eu amargava minha palmeira decepção. A nal, Plínio era um colega que devíamos imitar pela vida afora,
como costumava dizer a professora. Seria mais difícil sobreviver sem o seu exemplo. Por outro lado,
considerava se não errara em não delatá-lo. "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o
caráter do Plínio. Ele roubou meu livro. E depois ainda foi me abraçar...''
Curioso, a decepção prolongou-se ao livro de Amicis, verdadeira vitrina de qualidades morais dos alunas de
uma classe de escola primária. A história de um ano letivo coroado de belos gestos. Quem sabe o autor não
conhecesse a fundo seus próprios personagens. Um ingênuo como a nossa professora. Esqueci-o.
Passados muitas anos reconheci o retrato de Plínio num jornal. Advogado, fazia rápida carreira na Justiça.
Recebia cumprimentos. Brrr. Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de m de ano! Que toldara
muito cedo minha crença na humanidade! Decidi falar a verdade. Caso alguém se referisse a ele, o que
passou a acontecer, eu garantia que se tratava de um ladrão. Se roubava já no curso primário, imaginem
agora... Sempre que o rumo de uma conversa levava j grandes decepções, aos enganos de falsas amizades,
eu contava, a quem quisesse ouvir, o episódio do embusteiro do' Grupo Escolar Conselheiro Antônio Prado,
em breve desembargador ou secretário da Justiça.
- Não piche assim o homem - advertiu-me minha mulher.
- Por que não? É um ladrão!
- Mas quando pegou seu livro era criança.
by: Torricelli1889
- O menino é o pai do homem - rebatia vigorosamente.
Plínio xara-se como iim marco para mim. Toda vez que o procedimento de alguém me surpreendia, a face
oculta de uma pessoa era revelada, lembrava-me irremediavelmente dele. Limpinho. Penteadinho. E com a
mão de gato se apoderando de meu livro.
Certa vez tomaram a sua defesa:
- Plínio, um ladrão? Calúnia! Retire-se da rainha presença!
Quando o desembargador Plínio já estava aposentado, mudei-me para meu endereço atual. Durante a
mudança alguns livros despencaram de uma estante improvisada. Um deles O coração, de Amicis. Saudades.
Havia quantos anos não o abria? Quarenta ou mais? Lembrei da dedicatória de meu falecido pai. Ele tinha
boa letra. Procurei-a na página de rosto. Não a encontrei. Teria a tinta se apagado? Na página seguinte havia
uma dedicatória. Mas não reconheci a caligrafia paterna.
"Ao meu querido filho Plínio, com todo amor e carinho de seu pai."
Segundo o texto, pode-se dizer que não houve erro de avaliação em:
A ". .vi a lombada do livro, bem escondido sob uma pasta escolar."
B ".. .meus braços se recusavam a abraçar o cínico."
C "Vocês estão todos enganados, e a senhora também, sobre o caráter do Plínio."
D "Magistrado de futuro o tal que furtara meu presente de fim de ano."
E "Plínio, o primeiro da classe em aplicação e comportamento,..."
4000045436
Questão 50 Interpretação de texto literário Português
Leia a seguir o fragmento do poema de Álvares de Azevedo para responder.
Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça á dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
(...)
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda.
by: Torricelli1889
Álvares de Azevedo foi um poeta romântico da chamada geração ultra-romântica. Nos versos transcritos,
podem ser identificadas algumas características dessa fase, e uma delas é o(a)
A tom marcadaraente nacionalista.
B presença da doença e da loucura,
C idealização da mulher, um ser inatingível.
D variedade temática em um mesmo poema.
E gosto pela atmosfera noturna.
4000045366
Questão 51 Interpretação de texto literário Português
Leia as proposições abaixo:
I. A paisagem adquire valores subjetivos, servindo à expressão das emoções e dos estados de espírito mais
contraditórios.
II. A insatisfação com a realidade humana pode receber diferentes tratamentos, positivos ou negativos, mas
sempre com exaltação emocional.
III. As assonâncias e as aliterações são alguns dos recursos que contribuem com uma de suas principais
características: a musicalidade.
As características acima pertencem, respectivamente, ao
A Romantismo - Romantismo - Simbolismo.
B Simbolismo - Arcadismo - Romantismo.
C Arcadismo - Arcadismo - Parnasianismo.
D Arcadismo - Romantismo - Simbolismo.
E Romantismo - Simbolismo - Simbolismo.
4000045364
Questão 52 Intertextualidade Português
Leia a estrofe e as proposições abaixo:
"Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,
fui honrado pastor da tua aldeia;
vestia finas lãs e tinha sempre
a minha moça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal e o manso gado,
by: Torricelli1889
nem tenho a que me encoste um só cajado.''
I. Trata-se de uma sextilha com versos decassílabos.
II. A estrofe acima, pertencente ao poema Marilia de Dirceu, é uma obra representativa da 1ª fase do
Romantismo.
III. O vocabulário e tema nos remetera ao bucolismo, uma das principais características do movimento a que
pertence o poema.
Com base no texto, está (ão) correta(s) a(s) proposição (ões)
A I apenas.
B II apenas.
C I e II.
D II e III.
E l e lll.
4000045362
Questão 53 Intertextualidade Português
Leia as proposições abaixo:
I. O romance foi amplamente cultivado no Romantismo e no Realismo.
II. O teatro foi a principal manifestação literária do Arcadismo.
III. O romance histórico não pode ser considerado como obra literária, já que se atém a fatos reais.
IV. A poesia parnasiana propunha liberdade de expressão e formas livres.
V. O conto, um texto curto de grande expressão hoje, teve em Machado de Assis um de seus grandes
expoentes.
São verdadeiras as afirmativas
A I e II.
B II e III.
C IV e V.
D l e V.
E III e IV.
by: Torricelli1889
4000045356
Questão 54 Interpretação de texto literário Português
A alternativa cuja afirmação sobre o Parnasianismo ratifica a importância de se buscar a perfeição formal é:
A "Não tragam os aprendizes para a oficina da joalheria um material indigno (...) preguiça em vez de
paciência, negligência em vez de vontade e gosto."
B "Veio-lhe, então, a idéia do clássico. O processo era simples: escrevia do modo comum, com as
palavras e o jeito de hoje; em seguida, invertia asorações, picava o período com vírgulas e substituía
"incomodar" por "molestar", "ao redor" por "derredor'... e assim obtinha o seu estilo clássico, que
começava a causar admiração aos seus pares e ao público em geral."
C "O Parnasianismo foi outra vítima da inteligência que construiu a prisão onde quis encarcerar o
poeta."
D "Só não se inventou uma máquina de fazer versos - já havia o poeta parnasiano."
E "O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz; - "Meu cancioneiro
É bem martelado"
4000044729
Questão 55 Interpretação de texto literário Português
Sobre o Arcadismo é correto afirmar que
A "Vila Rica" e "O Uraguai" são exemplos de poesia lírica desse período.
B o pastoralismo/bucolismo era uma das convenções adotadas pelos escritores desse período.
C idealização da mulher e do amor, religiosidade e misticismo são características marcantes na poesia.
D o poeta árcade manifesta seu nacionalismo através da idealização da vida urbana.
E a poesia árcade revela fortes preocupações com os ideais do Iluminismo, daí a denominação
também de Neoclassicismo para esse período.
4000044726
Questão 56 Intertextualidade Português
Considere as seguintes afirmações sobre autores e obras do Romantismo:
I - O indianismo, uma das expressões do nacionalismo romântico, é tema central da obra de Casimiro de
Abreu.
II - "O Guarani" de José de Alencar, "Inocência" de Visconde de Taunay e "Memórias de um Sargento de
Milícias" de Manuel Antônio de Almeida são romances, respectivamente, indianista, regionalista e de
costumes
by: Torricelli1889
III - Subjetivismo, egocentrismo e sentimentalismo estão presentes na poesia do UltraRomantismo, cujo
grande representante é Álvares de Azevedo.
Das afirmativas acima, estão corretas
A Somente I e III.
B Somente II e III.
C Somente II.
D Somente III.
E I, lI e III.
4000044725
Questão 57 Interpretação de texto literário Português
A alternativa cujo fragmento, em sua totalidade, remete-nos ao Romantismo é:
A "A mulher, que tinha então vinte e um anos, e morreu com vinte e três, não era muito bonita, nem
pouco mas extremamente simpática, e amava-o tanto como ele a ela."
B "Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas (mulheres) não teria amado alguém que
jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a
peça."
C "Aquela que te humilhou, aqui a tens abatida, no mesmo lugar onde ultrajou-te, nas iras da sua
paixão. Aqui a tens implorando teu perdão e feliz porque te adora, como senhor de sua alma."
D " Murmuravam as brisas; as fontes correram; tomaram a palavra os sabiás; surgiram palmeiras em
repuxo; houve revoadas de juritis, de beija-flores; todas essas coisas, de que se alimentavam versos
comuns e de que morrem à fome os versejadores."
E "Nenen dezessete. Espigada, franzina e forte, com uma proazinha de orgulho da sua virgindade,
escapando como enguia por entre o dedo dos rapazes que a queriam sem ser para casar."
4000044723
Questão 58 Interpretação de texto literário Português
Considere as seguintes afirmações:
I - Castro Alves, conhecido como poeta condoreiro, escreveu também poemas de amor. Neles, a mulher é
sempre um anjo, distante, inatingível; o amor não e concretizado
II - A primeira geração dos poetas românticos no Brasil caracterizou-se pela ênfase no sentimento
nacionalista, tematizando o índio, a natureza e o amor à pátria.
III - No Ultra-Romantismo, a poesia deixa de ser apenas um lamento sentimental para ser um grito de
protesto, de reivindicação social.
by: Torricelli1889
Das afirmativas acima, está(ão) correta(s)
A apenas I.
B apenas II.
C apenas III.
D apenas I e II.
E I, II e III.
4000044721
Questão 59 Interpretação de texto literário Português
Letra para uma valsa romântica
A tarde agoniza
Ao santo acalanto
Da noturna brisa.
E eu, que também morro,
Morro sem consolo,
Se não vens, Elisa!
Ai nem te humaniza
O pranto que tanto
Nas faces desliza
Do amante que pede
Suplicantemente
Teu amor, Elisa!
Ri, desdenha, pisa!
Meu canto, no entanto.
Mais te diviniza,
Mulher diferente,
Tão indiferente,
Desumana Elisa!
(Manuel Bandeira)
Segundo o poema,
by: Torricelli1889
A Elisa não se humaniza porque é divinizada pelo eu-lírico,
B a ordem direta dos versos 8, 9 e 10 seria: Nas faces do amante o pranto que tanto desliza.
C há apenas dois adjetivos referentes a Elisa.
D Elisa, ante a súplica do eu- lírico, reage com menosprezo.
E no quarto verso da primeira estrofe ("E eu, que também morro,"), o vocábulo também" se justifica
pela afirmação do primeiro verso.
4000044680
Questão 60 Intertextualidade Português
Leia as afirmações abaixo:
I. A análise crítica de Quincas Borba se resume à conclusão de que o destino de Rubião se limita a comprovar
a tese cienti cista do autor, no caso o Humanitismo, onde o fraco precisa ser eliminado para a sobrevivência
do forte, segundo a teoria da evolução das espécies por seleção natural, que surgiu no século XIX.
II. So a, dissimulada, sedutora e manhosa, é uma das personagens mais fortes de nossa literatura. Vive entre
a virtude e o pecado com a maior naturalidade.
III. O narrador de Quincas Borba. personagem-título, é o próprio Quincas Borba, que já havia aparecido em
Memórias póstumas de Brás Cubas c que é o autor da filosofia chamada Humanitismo.
Em relação ao romance Quincas Borba é correto afirmar que
A a afirmação I é verdadeira,
B as afirmações I e II são verdadeiras,
C as afirmações I e III são verdadeiras,
D a afirmação II é verdadeira,
E todas as afirmações são verdadeiras.
4000044675
Questão 61 Interpretação de texto literário Português
No romance Quincas Borba temos a união de dois temas caros a Machado de Assis. São eles:
by: Torricelli1889
A o humor e os monólogos interiores.
B a exploração dos sentimentos alheios, como forma de chantagem para obtenção de dinheiro e
poder, e a loucura.
C o jogo entre aparência e essência, e a religião como máscara para encobrir o egoísmo dos
indivíduos.
D a hipocrisia humana e a ironia.
E a falta de análise psicológica das personagens e a ordem linear da narrativa.
4000044672
Questão 62 Interpretação de texto literário Português
A obra do Manuel Antonio de Almeida deixa de lado as principais características românticas. Assinale a
alternativa que vai ao encontro tanto da a rmação acima, como também do trecho abaixo extraído do
romance Memórias de um Sargento de Milícias
"Deixemos aos noivos o gozo tranqüilo da lua-de-mel; deixemos D.Maria desfazer-se em carinhos e
conselhos à sua sobrinha, que os recebia indiferentemente, e em atenções para com José Manoel, cuja
cabeça se tinha tornado repentinamente uma aritmética completa, toda algarismos, toda cálculos, toda
multiplicação:..."
A Ênfase na necessidade de sobrevivência como meio motivador das ações humanas e não o amor.
B Descrição pormenorizada de um hábito social da época.
C Presença de heróis que alternam seu comportamento entre bom e mau.
D Presença de personagens extraídos das camadas mais baixas da população.
E Linguagem em tom coloquial, próxima da fala do povo.
4000044670
Questão 63 Interpretação de texto literário Português
Na obra Memórias de um Sargento de Milícias, apesar de todas as peripécias, Leonardo acabou como
sargento de milícias, casado com Luisinha e ainda com a herança de seu padrinho. Tudo que conseguiu foi
devido
A a seu esforço e dedicação à carreira.
B à sorte e à ajuda daqueles que lhe bem queriam.
C às relações amorosas e a sua integridade,
D ao tempo em que trabalhou na ucharia real.
E a seu pai que sempre o apoiou.
4000044669
by: Torricelli1889
Questão 64 Interpretação de texto literário Português
No romance O Seminarista, diante do problema da vocação de Eugênio para o sacerdócio, é certo a rmar
que
A ele não soube ser fiel a sua vocação, abandonando o seminário por causa de Margarida.
B ele fora devidamente preparado para o sacerdócio pelos padres e pela família, mas não conseguiu
manter-se padre por muito tempo,em virtude do assédio que lhe impunha Margarida.
C ele fora forçado a abraçar a carreira sacerdotal, pela família e pelos padres.
D ele correspondeu à vocação dada por Deus, contra a vontade dos pais.
E sua atração pela vida religiosa era mais forte que o amor por Margarida, por isso foi fiel a sua
vocação, tomando-se sacerdote.
4000044667
Questão 65 Intertextualidade Português
Leia os textos a seguir atentamente.
l. ''O romantismo sobreviveu a todas as formas de revoluções de comportamento. Ele pode ter emprestado
as vestes da modernidade, mas, despido, ainda tem as velhas formas que emocionam todas as gerações.
Não há como negar. Não há quem não queira ser o te do Eu te amo
II. "Além, muito além da serra
Que ainda azula no horizonte,
Inventou a donzela insonte.
Símbolo da nossa terra,
E escreveu o que é mais poema
Que romance, e poema menos
Que um mito, melhor que Vênus;
A doce, a meiga Iracema."
(insonte:inocente)
III. "Pálida, à luz da lâmpada sombria
Sobre o leito de flores reclinada
como a lua por noite embalsamada.
Entre as nuvens do amor, ela dormia!"
Após a análise dos fragmentos acima, é correto a rmar que pertence(m) ao Romantismo, estética literária
do século XIX,
by: Torricelli1889
A os fragmentos I e II.
B os fragmentos I e III.
C os fragmentos II e III.
D o fragmento III.
E todos os fragmentos.
4000044662
Questão 66 Interpretação de texto literário Português
Narrador onisciente é aquele que revela não só as ações como também os pensamentos das personagens.
Assinale a alternativa abaixo que revela o narrador onisciente.
A Rubião suspirou, cruzou as pernas e bateu com as borlas do chambre sobre os joelhos;
B Era real o desvelo de Rubião, paciente, risonho, múltiplo, ouvindo as ordens do médico, dando
remédios às horas marcadas.
C Vem comigo, leitor, vamos vê-lo, meses antes, à cabeceira do Quincas Borba;
D Durou o cargo de enfermeiro mais cinco meses, perto de seis;
E Deixemos Rubião na sala de Botafogo, batendo com as borlas do chambre sobre os joelhos e
cuidando na bela Sofia;
4000044661
Questão 67 Interpretação de texto literário Português
Sobre literatura e realidade, em linhas gerais, é correto afirmar que
A a literatura não precisa ser fiel à realidade; o que vale é a coerência interna da obra.
B a literatura nada tem a ver com realidade; ela nasce exclusivamente da cabeça do seu autor.
C o Romantismo, como o próprio nome indica, não expressou os sinais da sociedade da época.
D as personagens dos romances realistas/naturalistas - como se pode ver em Quincas Borba - são
todas interesseiras e hipócritas, expressando a realidade da época.
E no século passado, como não havia televisão e outros meios de comunicação de massa, a
quantidade de leitores era bem maior que hoje.
4000044658
by: Torricelli1889
Respostas:
1 E 2 C 3 D 4 C 5 E 6 E 7 B 8 D 9 E 10 A 11 A
12 D 13 B 14 A 15 C 16 D 17 D 18 C 19 E 20 E 21 A 22 C
23 A 24 D 25 C 26 A 27 E 28 C 29 B 30 C 31 A 32 D 33 A
34 B 35 D 36 A 37 B 38 C 39 B 40 D 41 D 42 D 43 D 44 D
45 C 46 C 47 C 48 B 49 E 50 C 51 A 52 E 53 D 54 A 55 B
56 B 57 C 58 B 59 E 60 D 61 B 62 A 63 B 64 C 65 D 66 E
67 A
by: Torricelli1889social, mas dando tiros que, para olhos mais atentos, decididamente saíram pela culatra. Por
exemplo, quando uma indústria bem popular na Inglaterra distribuiu nada menos do que meio milhão de
calóricos donuts para profissionais na linha de frente do National Health Service britânico.
A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez
mais acometida pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de
promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte do seu portfólio. As mortes por Covid-19 dão a pista
de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento.
Fonte: Adaptado de https://abeso.org.br/e-a-industria-de-alimentos-na-pandemia. Publicado em 30 de junho
de 2020. Acessado em 09 Mar 21.
GLOSSÁRIO: O termo “ambiente obesogênico” foi criado pelo professor de Bioengenharia da Universidade
da Califórnia, nos EUA, Bruce Blumberg. Segundo ele, são os Obesogênicos os responsáveis por contribuir no
ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando.
O editorial de edição 10 de junho, assinado pelos professores da Queen Mary University of London foi
publicado pelo
A site https.//abeso.org.br/e-a-industria-na-pandemia.
B National Health Service britânico.
C site da Organização Mundial da Saúde (OMS).
D Open SAFELY
E British Medical Journal.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000072405
Questão 6 Interpretação de texto Português
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda à questão proposta.
E a indústria de alimentos na pandemia?
O editorial da edição de 10 de junho do British Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary
University of London, na Inglaterra, propõe uma re exão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui
também: a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de
obesidade.
by: Torricelli1889
O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-
CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid-19
chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal
entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY.
O editorial cita uma série de outros dados e possíveis razões para a associação entre a má evolução de
certos casos de Covid-19 e a obesidade. No entanto, o que mais destaca é o ambiente obesogênico que o
novo coronavírus encontrou no planeta.
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, para citar dois exemplos, entre 65% e 70% da população apresentam
um peso maior do que o recomendado para o bem da saúde. E, assim, os autores apontam o dedo para a
indústria de alimentos que, em sua opinião, em todo o globo não parou de promover produtos
ultraprocessados, com muito açúcar, uma quantidade excessiva de sódio e gorduras além da conta.
A crítica do editorial é mesmo cortante: “Fica claro que a indústria de alimentos divide a culpa não apenas
pela pandemia de obesidade como pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências
devastadoras”, está escrito.
E os autores cobram medidas, lembrando que o con namento exigido pela Covid-19 aparentemente piorou o
estado nutricional das pessoas, em parte pela falta de acesso a alimentos frescos, em outra parte porque o
pânico fez muita gente estocar itens ultraprocessados em casa, já que esses costumam ter maior vida de
prateleira, inclusive na despensa.
Mas o que deixou os autores realmente desconfortáveis foram as ações de marketing de algumas marcas
nesses tempos desa adores. Todas, claro, querendo demonstrar o seu envolvimento com iniciativas de
responsabilidade social, mas dando tiros que, para olhos mais atentos, decididamente saíram pela culatra. Por
exemplo, quando uma indústria bem popular na Inglaterra distribuiu nada menos do que meio milhão de
calóricos donuts para profissionais na linha de frente do National Health Service britânico.
A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez
mais acometida pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de
promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte do seu portfólio. As mortes por Covid-19 dão a pista
de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento.
Fonte: Adaptado de https://abeso.org.br/e-a-industria-de-alimentos-na-pandemia. Publicado em 30 de junho
de 2020. Acessado em 09 Mar 21.
GLOSSÁRIO: O termo “ambiente obesogênico” foi criado pelo professor de Bioengenharia da Universidade
da Califórnia, nos EUA, Bruce Blumberg. Segundo ele, são os Obesogênicos os responsáveis por contribuir no
ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando.
De acordo com o texto, a probabilidade de uma pessoa morrer de Covid-19 chega a ser 27% maior entre os
indivíduos com
by: Torricelli1889
A obesidade grau 1 em comparação com os indivíduos com obesidade severa, isto é, com índice de
massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado.
B índice de massa corporal entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado em comparação com os
indivíduos com obesidade grau 1.
C índice de massa corporal maior do que 34,9 quilos por metro quadrado em comparação com os
indivíduos com obesidade severa.
D obesidade severa em comparação com indivíduos com índice de massa corporal superior a 34,9
quilos por metro quadrado.
E índice de massa corporal bem superior a 34,9 quilos por metro quadrado em comparação com
indivíduos com obesidade grau 1.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000072404
Questão 7 Interpretação de texto Português
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda à questão proposta.
E a indústria de alimentos na pandemia?
O editorial da edição de 10 de junho do British Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary
University of London, na Inglaterra, propõe uma re exão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui
também: a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de
obesidade.
O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-
CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid-19
chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal
entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY.
O editorial cita uma série de outros dados e possíveis razões para a associação entre a má evolução de
certos casos de Covid-19 e a obesidade. No entanto, o que mais destaca é o ambiente obesogênico que o
novo coronavírus encontrou no planeta.
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, para citar dois exemplos, entre 65% e 70% da população apresentam
um peso maior do que o recomendado para o bem da saúde. E, assim, os autores apontam o dedo para a
indústria de alimentos que, em sua opinião, em todo o globo não parou de promover produtos
ultraprocessados, com muito açúcar, uma quantidade excessiva de sódio e gorduras além da conta.
A crítica do editorial é mesmo cortante: “Fica claro que a indústria de alimentos divide a culpa não apenas
pela pandemia de obesidade como pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências
devastadoras”, está escrito.
E os autores cobram medidas, lembrando que o con namento exigido pela Covid-19 aparentemente piorou o
estado nutricional das pessoas, em parte pela falta de acesso a alimentos frescos, em outra parte porque o
by: Torricelli1889
pânico fez muita gente estocar itens ultraprocessados em casa, já que esses costumam ter maior vida de
prateleira, inclusive na despensa.
Mas o que deixou os autores realmente desconfortáveis foram as ações de marketingde algumas marcas
nesses tempos desa adores. Todas, claro, querendo demonstrar o seu envolvimento com iniciativas de
responsabilidade social, mas dando tiros que, para olhos mais atentos, decididamente saíram pela culatra. Por
exemplo, quando uma indústria bem popular na Inglaterra distribuiu nada menos do que meio milhão de
calóricos donuts para profissionais na linha de frente do National Health Service britânico.
A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez
mais acometida pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de
promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte do seu portfólio. As mortes por Covid-19 dão a pista
de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento.
Fonte: Adaptado de https://abeso.org.br/e-a-industria-de-alimentos-na-pandemia. Publicado em 30 de junho
de 2020. Acessado em 09 Mar 21.
GLOSSÁRIO: O termo “ambiente obesogênico” foi criado pelo professor de Bioengenharia da Universidade
da Califórnia, nos EUA, Bruce Blumberg. Segundo ele, são os Obesogênicos os responsáveis por contribuir no
ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando.
Segundo o texto, o editorial do British Medical Journal mostra que a indústria de alimentos
A revela-se verdadeiramente preocupada com a saúde da população e cita o exemplo de uma
empresa que distribuiu alimentos aos profissionais na linha de frente do tratamento de saúde.
B é responsável, em parte, pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências devastadoras,
já que continua a promover produtos ultraprocessados, com muito açúcar e excesso de gorduras.
C aproveitou a pandemia para promover itens um pouco saudáveis e reformulou boa parte de seu
portfólio, pois as mortes por Covid-19 deram a pista de que essa causa precisava ser abraçada.
D mostra seu envolvimento com excelentes iniciativas de responsabilidade social a partir de ações de
marketing, como o oferecimento de calóricos donuts aos profissionais de saúde.
E é a principal culpada não somente pela pandemia de obesidade, mas também pelos casos mais
severos de Covid-19, pois muita gente passou a estocar itens ultraprocessados em casa.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000072403
Questão 8 Interpretação de texto Português
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda à questão proposta.
E a indústria de alimentos na pandemia?
O editorial da edição de 10 de junho do British Medical Journal, assinado por professores da Queen Mary
University of London, na Inglaterra, propõe uma re exão tão interessante que vale provocá-la entre nós, aqui
também: a pandemia de Covid-19 deveria tornar ainda mais urgente o combate à outra pandemia, a de
by: Torricelli1889
obesidade.
O excesso de peso, por si só, já é um fator de risco importante para o agravamento da infecção pelo Sars-
CoV 2, como lembram os autores. A probabilidade de uma pessoa com obesidade severa morrer de Covid-19
chega a ser 27% maior do que a de indivíduos com obesidade grau 1, isto é, com um índice de massa corporal
entre 30 e 34,9 quilos por metro quadrado, de acordo com a plataforma de registros OpenSAFELY.
O editorial cita uma série de outros dados e possíveis razões para a associação entre a má evolução de
certos casos de Covid-19 e a obesidade. No entanto, o que mais destaca é o ambiente obesogênico que o
novo coronavírus encontrou no planeta.
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, para citar dois exemplos, entre 65% e 70% da população apresentam
um peso maior do que o recomendado para o bem da saúde. E, assim, os autores apontam o dedo para a
indústria de alimentos que, em sua opinião, em todo o globo não parou de promover produtos
ultraprocessados, com muito açúcar, uma quantidade excessiva de sódio e gorduras além da conta.
A crítica do editorial é mesmo cortante: “Fica claro que a indústria de alimentos divide a culpa não apenas
pela pandemia de obesidade como pelos casos mais graves de Covid-19 e suas consequências
devastadoras”, está escrito.
E os autores cobram medidas, lembrando que o con namento exigido pela Covid-19 aparentemente piorou o
estado nutricional das pessoas, em parte pela falta de acesso a alimentos frescos, em outra parte porque o
pânico fez muita gente estocar itens ultraprocessados em casa, já que esses costumam ter maior vida de
prateleira, inclusive na despensa.
Mas o que deixou os autores realmente desconfortáveis foram as ações de marketing de algumas marcas
nesses tempos desa adores. Todas, claro, querendo demonstrar o seu envolvimento com iniciativas de
responsabilidade social, mas dando tiros que, para olhos mais atentos, decididamente saíram pela culatra. Por
exemplo, quando uma indústria bem popular na Inglaterra distribuiu nada menos do que meio milhão de
calóricos donuts para profissionais na linha de frente do National Health Service britânico.
A impressão é de que as indústrias de alimentos verdadeiramente preocupadas com a população, cada vez
mais acometida pela obesidade, deveriam aproveitar a crise atual para botar a mão na consciência, parar de
promover itens pouco saudáveis e reformular boa parte do seu portfólio. As mortes por Covid-19 dão a pista
de que essa é a maior causa que elas poderiam abraçar no momento.
Fonte: Adaptado de https://abeso.org.br/e-a-industria-de-alimentos-na-pandemia. Publicado em 30 de junho
de 2020. Acessado em 09 Mar 21.
GLOSSÁRIO: O termo “ambiente obesogênico” foi criado pelo professor de Bioengenharia da Universidade
da Califórnia, nos EUA, Bruce Blumberg. Segundo ele, são os Obesogênicos os responsáveis por contribuir no
ganho de peso sem que o indivíduo tenha consciência de que está engordando.
Após a leitura, pode-se inferir que o termo “ambiente obesogênico” refere-se a um local que
by: Torricelli1889
A propicia melhores condições financeiras, o que leva as pessoas a ter maior facilidade para comprar
alimentos, levando-as inevitavelmente à obesidade, como é o caso do Reino Unido.
B apresenta mais de 60% de sua população com peso maior do que o recomendado pela Organização
Mundial de Saúde, como acontece com os Estados Unidos, por exemplo.
C leva as pessoas a estocar alimentos ultraprocessados por motivos de força maior, como guerras e
epidemias, em que as pessoas são obrigadas ao confinamento para conseguirem sobreviver.
D favorece a maior ingestão extra de alimentos pobres em nutrientes, mas ricos em açúcares e
gorduras em comidas processadas e geralmente de baixo custo.
E possui habitantes cuja obesidade severa é causada principalmente por causas ligadas à genética e
que piora com a ingestão de alimentos ultraprocessados e com grandes quantidades de açúcar.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000072402
Questão 9 Interpretação de texto Português
Sobre a importância da ciência
Parece paradoxal que, no início deste milênio, durante o que chamamos com orgulho de “era da ciência”,
tantos ainda acreditem em profecias de m de mundo. Quem não se lembra do bug do milênio ou da
enxurrada de absurdos ditos todos os dias sobre a previsão maia de fim de mundo no ano 2012?
Existe um cinismo cada vez maior com relação à ciência, um senso de que fomos traídos, de que promessas
não foram cumpridas. A nal, lutamos para curar doenças apenas para descobrir outras novas. Criamos
tecnologias que pretendem simpli car nossas vidas, mas passamos cada vez mais tempo no trabalho. Pior
ainda: tem sempre tanta coisa nova e tentadora no mercado que ca impossível acompanhar o passo da
tecnologia.
Os mais jovens se comunicam de modo quase que incompreensível aos mais velhos, com Facebook, Twitter e
textos em celulares. Podemos ir à Lua, mas a maior parte da população continua mal nutrida.
Consumimos o planeta com um apetite insaciável, criando uma devastação ecológica sem precedentes. Isso
tudo graças à ciência? Ao menos, é assim que pensam os descontentes, mas não é nadadisso.
Primeiro, a ciência não promete a redenção humana. Ela simplesmente se ocupa de compreender como
funciona a natureza, ela é um corpo de conhecimento sobre o Universo e seus habitantes, vivos ou não,
acumulado através de um processo constante de refinamento e testes conhecido como método científico.
A prática da ciência provê um modo de interagir com o mundo, expondo a essência criativa da natureza.
Disso, aprendemos que a natureza é transformação, que a vida e a morte são parte de uma cadeia de
criação e destruição perpetuada por todo o cosmo, dos átomos às estrelas e à vida. Nossa existência é parte
desta transformação constante da matéria, onde todo elo é igualmente importante, do que é criado ao que é
destruído.
A ciência pode não oferecer a salvação eterna, mas oferece a possibilidade de vivermos livres do medo
by: Torricelli1889
irracional do desconhecido. Ao dar ao indivíduo a autonomia de pensar por si mesmo, ela oferece a liberdade
da escolha informada. Ao transformar mistério em desa o, a ciência adiciona uma nova dimensão à vida,
abrindo a porta para um novo tipo de espiritualidade, livre do dogmatismo das religiões organizadas.
A ciência não diz o que devemos fazer com o conhecimento que acumulamos. Essa decisão é nossa, em
geral tomada pelos políticos que elegemos, ao menos numa sociedade democrática. A culpa dos usos mais
nefastos da ciência deve ser dividida por toda a sociedade. Inclusive, mas não exclusivamente, pelos
cientistas. A nal, devemos culpar o inventor da pólvora pelas mortes por tiros e explosivos ao longo da
história? Ou o inventor do microscópio pelas armas biológicas?
A ciência não contrariou nossas expectativas. Imagine um mundo sem antibióticos, TVs, aviões, carros. As
pessoas vivendo no mato, sem os confortos tecnológicos modernos, caçando para comer. Quantos optariam
por isso?
A culpa do que fazemos com o planeta é nossa, não da ciência. Apenas uma sociedade versada na ciência
pode escolher o seu destino responsavelmente. Nosso futuro depende disso.
Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College (EUA).
Fonte: www.ufrgs.br /blogdabc/sobre-importancia-da-ciencia/(postado em 18/10/2010). Acesso em: 5 abr.
2020.
“Os mais jovens se comunicam de modo quase que incompreensível aos mais velhos, com Facebook, Twitter
e textos em celulares.” O termo sublinhado complementa uma ideia presente em qual palavra da frase?
A jovens
B comunicam
C modo
D quase
E incompreensível
Essa questão possui comentário do professor no site 4000003405
Questão 10 Interpretação de texto jornalístico
Sobre a importância da ciência
Parece paradoxal que, no início deste milênio, durante o que chamamos com orgulho de “era da ciência”,
tantos ainda acreditem em profecias de m de mundo. Quem não se lembra do bug do milênio ou da
enxurrada de absurdos ditos todos os dias sobre a previsão maia de fim de mundo no ano 2012?
Existe um cinismo cada vez maior com relação à ciência, um senso de que fomos traídos, de que promessas
não foram cumpridas. A nal, lutamos para curar doenças apenas para descobrir outras novas. Criamos
tecnologias que pretendem simpli car nossas vidas, mas passamos cada vez mais tempo no trabalho. Pior
by: Torricelli1889
ainda: tem sempre tanta coisa nova e tentadora no mercado que ca impossível acompanhar o passo da
tecnologia.
Os mais jovens se comunicam de modo quase que incompreensível aos mais velhos, com Facebook, Twitter e
textos em celulares. Podemos ir à Lua, mas a maior parte da população continua mal nutrida.
Consumimos o planeta com um apetite insaciável, criando uma devastação ecológica sem precedentes. Isso
tudo graças à ciência? Ao menos, é assim que pensam os descontentes, mas não é nada disso.
Primeiro, a ciência não promete a redenção humana. Ela simplesmente se ocupa de compreender como
funciona a natureza, ela é um corpo de conhecimento sobre o Universo e seus habitantes, vivos ou não,
acumulado através de um processo constante de refinamento e testes conhecido como método científico.
A prática da ciência provê um modo de interagir com o mundo, expondo a essência criativa da natureza.
Disso, aprendemos que a natureza é transformação, que a vida e a morte são parte de uma cadeia de
criação e destruição perpetuada por todo o cosmo, dos átomos às estrelas e à vida. Nossa existência é parte
desta transformação constante da matéria, onde todo elo é igualmente importante, do que é criado ao que é
destruído.
A ciência pode não oferecer a salvação eterna, mas oferece a possibilidade de vivermos livres do medo
irracional do desconhecido. Ao dar ao indivíduo a autonomia de pensar por si mesmo, ela oferece a liberdade
da escolha informada. Ao transformar mistério em desa o, a ciência adiciona uma nova dimensão à vida,
abrindo a porta para um novo tipo de espiritualidade, livre do dogmatismo das religiões organizadas.
A ciência não diz o que devemos fazer com o conhecimento que acumulamos. Essa decisão é nossa, em
geral tomada pelos políticos que elegemos, ao menos numa sociedade democrática. A culpa dos usos mais
nefastos da ciência deve ser dividida por toda a sociedade. Inclusive, mas não exclusivamente, pelos
cientistas. A nal, devemos culpar o inventor da pólvora pelas mortes por tiros e explosivos ao longo da
história? Ou o inventor do microscópio pelas armas biológicas?
A ciência não contrariou nossas expectativas. Imagine um mundo sem antibióticos, TVs, aviões, carros. As
pessoas vivendo no mato, sem os confortos tecnológicos modernos, caçando para comer. Quantos optariam
por isso?
A culpa do que fazemos com o planeta é nossa, não da ciência. Apenas uma sociedade versada na ciência
pode escolher o seu destino responsavelmente. Nosso futuro depende disso.
Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College (EUA).
Fonte: www.ufrgs.br /blogdabc/sobre-importancia-da-ciencia/ (postado em 18/10/2010). Acesso em 5 de
abril de 2020.
Depois de ler o texto, compreende-se que a importância da ciência está, principalmente, em poder
by: Torricelli1889
A escolher, enquanto sociedade, nosso destino de forma responsável.
B estabelecer as diferenças principais entre a ciência e o charlatanismo.
C explicar que a ciência não pode oferecer a salvação eterna, porque não prova a existência divina.
D abrir a porta para um novo tipo de espiritualidade.
E direcionar a conduta humana em relação ao conhecimento obtido.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000003397
Questão 11 Interpretação de texto Interpretação de texto jornalístico
Sobre a importância da ciência
Parece paradoxal que, no início deste milênio, durante o que chamamos com orgulho de “era da ciência”,
tantos ainda acreditem em profecias de m de mundo. Quem não se lembra do bug do milênio ou da
enxurrada de absurdos ditos todos os dias sobre a previsão maia de fim de mundo no ano 2012?
Existe um cinismo cada vez maior com relação à ciência, um senso de que fomos traídos, de que promessas
não foram cumpridas. A nal, lutamos para curar doenças apenas para descobrir outras novas. Criamos
tecnologias que pretendem simpli car nossas vidas, mas passamos cada vez mais tempo no trabalho. Pior
ainda: tem sempre tanta coisa nova e tentadora no mercado que ca impossível acompanhar o passo da
tecnologia.
Os mais jovens se comunicam de modo quase que incompreensível aos mais velhos, com Facebook, Twitter e
textos em celulares. Podemos ir à Lua, mas a maior parte da população continua mal nutrida.
Consumimos o planeta com um apetite insaciável, criando uma devastação ecológica sem precedentes. Isso
tudo graças à ciência? Ao menos, é assim que pensam os descontentes, mas não é nada disso.
Primeiro, a ciência não promete a redenção humana. Ela simplesmente se ocupa de compreender como
funciona a natureza, ela é um corpo de conhecimento sobre o Universo e seus habitantes, vivos ou não,
acumulado através de um processo constante de refinamento e testes conhecido comométodo científico.
A prática da ciência provê um modo de interagir com o mundo, expondo a essência criativa da natureza.
Disso, aprendemos que a natureza é transformação, que a vida e a morte são parte de uma cadeia de
criação e destruição perpetuada por todo o cosmo, dos átomos às estrelas e à vida. Nossa existência é parte
desta transformação constante da matéria, onde todo elo é igualmente importante, do que é criado ao que é
destruído.
A ciência pode não oferecer a salvação eterna, mas oferece a possibilidade de vivermos livres do medo
irracional do desconhecido. Ao dar ao indivíduo a autonomia de pensar por si mesmo, ela oferece a liberdade
da escolha informada. Ao transformar mistério em desa o, a ciência adiciona uma nova dimensão à vida,
abrindo a porta para um novo tipo de espiritualidade, livre do dogmatismo das religiões organizadas.
A ciência não diz o que devemos fazer com o conhecimento que acumulamos. Essa decisão é nossa, em
by: Torricelli1889
geral tomada pelos políticos que elegemos, ao menos numa sociedade democrática. A culpa dos usos mais
nefastos da ciência deve ser dividida por toda a sociedade. Inclusive, mas não exclusivamente, pelos
cientistas. A nal, devemos culpar o inventor da pólvora pelas mortes por tiros e explosivos ao longo da
história? Ou o inventor do microscópio pelas armas biológicas?
A ciência não contrariou nossas expectativas. Imagine um mundo sem antibióticos, TVs, aviões, carros. As
pessoas vivendo no mato, sem os confortos tecnológicos modernos, caçando para comer. Quantos optariam
por isso?
A culpa do que fazemos com o planeta é nossa, não da ciência. Apenas uma sociedade versada na ciência
pode escolher o seu destino responsavelmente. Nosso futuro depende disso.
Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College (EUA).
Fonte: www.ufrgs.br /blogdabc/sobre-importancia-da-ciencia/ (postado em 18/10/2010). Acesso em 5 de
abril de 2020.
Ao comentar sobre o cinismo, o autor faz menção a uma falta de compreensão geral em relação à ciência,
que consiste, de acordo com o texto, em
A entender a ciência como uma espécie de religião, que faz promessas de cura e redenção
B acreditar que a ciência deveria ter se ocupado das profecias de fim do mundo com o objetivo de
evitar as consequências ali descritas.
C julgar a ciência pelo método científico por ela utilizado.
D reduzir a ciência a um número limitado de respostas que ela pode dar sobre a natureza.
E culpar os seres humanos pelos usos indevidos e desastrosos da ciência.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000003395
Questão 12 Interpretação de texto Interpretação de texto jornalístico
Sobre a importância da ciência
Parece paradoxal que, no início deste milênio, durante o que chamamos com orgulho de “era da ciência”,
tantos ainda acreditem em profecias de m de mundo. Quem não se lembra do bug do milênio ou da
enxurrada de absurdos ditos todos os dias sobre a previsão maia de fim de mundo no ano 2012?
Existe um cinismo cada vez maior com relação à ciência, um senso de que fomos traídos, de que promessas
não foram cumpridas. A nal, lutamos para curar doenças apenas para descobrir outras novas. Criamos
tecnologias que pretendem simpli car nossas vidas, mas passamos cada vez mais tempo no trabalho. Pior
ainda: tem sempre tanta coisa nova e tentadora no mercado que ca impossível acompanhar o passo da
tecnologia.
Os mais jovens se comunicam de modo quase que incompreensível aos mais velhos, com Facebook, Twitter e
by: Torricelli1889
textos em celulares. Podemos ir à Lua, mas a maior parte da população continua mal nutrida.
Consumimos o planeta com um apetite insaciável, criando uma devastação ecológica sem precedentes. Isso
tudo graças à ciência? Ao menos, é assim que pensam os descontentes, mas não é nada disso. Primeiro, a
ciência não promete a redenção humana. Ela simplesmente se ocupa de compreender como funciona a
natureza, ela é um corpo de conhecimento sobre o Universo e seus habitantes, vivos ou não, acumulado
através de um processo constante de refinamento e testes conhecido como método científico.
A prática da ciência provê um modo de interagir com o mundo, expondo a essência criativa da natureza.
Disso, aprendemos que a natureza é transformação, que a vida e a morte são parte de uma cadeia de
criação e destruição perpetuada por todo o cosmo, dos átomos às estrelas e à vida. Nossa existência é parte
desta transformação constante da matéria, onde todo elo é igualmente importante, do que é criado ao que é
destruído.
A ciência pode não oferecer a salvação eterna, mas oferece a possibilidade de vivermos livres do medo
irracional do desconhecido. Ao dar ao indivíduo a autonomia de pensar por si mesmo, ela oferece a liberdade
da escolha informada. Ao transformar mistério em desa o, a ciência adiciona uma nova dimensão à vida,
abrindo a porta para um novo tipo de espiritualidade, livre do dogmatismo das religiões organizadas.
A ciência não diz o que devemos fazer com o conhecimento que acumulamos. Essa decisão é nossa, em
geral tomada pelos políticos que elegemos, ao menos numa sociedade democrática. A culpa dos usos mais
nefastos da ciência deve ser dividida por toda a sociedade. Inclusive, mas não exclusivamente, pelos
cientistas. A nal, devemos culpar o inventor da pólvora pelas mortes por tiros e explosivos ao longo da
história? Ou o inventor do microscópio pelas armas biológicas?
A ciência não contrariou nossas expectativas. Imagine um mundo sem antibióticos, TVs, aviões, carros. As
pessoas vivendo no mato, sem os confortos tecnológicos modernos, caçando para comer. Quantos optariam
por isso?
A culpa do que fazemos com o planeta é nossa, não da ciência. Apenas uma sociedade versada na ciência
pode escolher o seu destino responsavelmente. Nosso futuro depende disso.
Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College (EUA).
Fonte: www.ufrgs.br /blogdabc/sobre-importancia-da-ciencia/ (postado em 18/10/2010). Acesso em 5 de
abril de 2020.
De acordo com o texto, nesta chamada “era da ciência” em que nos orgulhamos de viver, pode-se inferir que
é paradoxal acreditar em profecias de fim de mundo porque a ciência
by: Torricelli1889
A se ocupa de compreender como funciona a natureza, mas não promete a redenção humana.
B é um corpo de conhecimento sobre o Universo e seus habitantes, vivos ou não.
C provê um modo de interagir com o mundo, expondo a essência criativa da natureza.
D oferece a possibilidade de vivermos livres do medo irracional do desconhecido.
E não diz o que devemos fazer com o conhecimento que acumulamos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000003394
Questão 13 Interpretação de texto Interpretação de texto jornalístico
O fim do canudinho de plástico
Por Devorah Lev-Tov / Quinta-feira, 5 de Julho de 2018
Em 2015, um vídeo perturbador de uma tartaruga marinha oliva sofrendo com um canudo plástico preso em
sua narina viralizou, mudando a atitude de muitos espectadores quanto ao utensílio plástico tão conveniente
para muitos.
Mas, como pode o canudo plástico, um item insigni cante utilizado brevemente antes de ser descartado,
causar tanto estrago? Primeiramente, ele consegue chegar facilmente aos oceanos devido a sua leveza. Ao
chegar lá, o canudo não se decompõe. Pelo contrário, ele se fragmenta lentamente em pedaços cada vez
menores, conhecidos como microplásticos, que são frequentemente confundidos com comida pelos animais
marinhos.
E, em segundo lugar, ele não pode ser reciclado. “Infelizmente, a maioria dos canudos plásticos são leves
demais para os separadores manuais de reciclagem, indo parar em aterros sanitários, cursos d’água e, por
m, nos oceanos”, explica Dune Ives, diretor executivo da organização Lonely Whale. A ONG viabilizou uma
campanha de marketing de sucesso chamada “Strawless in Seattle” (ou “Sem Canudos em Seattle”) em apoio
à iniciativa “Strawless Ocean” (ou “Oceanos Sem Canudos”).
Nos EstadosUnidos, milhões de canudos de plástico são descartados todos os dias. No Reino Unido, estima-
se que pelo menos 4,4 bilhões de canudos sejam jogados fora anualmente. Hotéis são alguns dos piores
infratores: o Hilton Waikoloa Village, que se tornou o primeiro resort na ilha do Havaí a banir os canudos
plásticos no início deste ano, utilizou mais de 800 mil canudos em 2017.
Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar em
nossos oceanos. “Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado e 50% do
plástico que utilizamos é de uso único e descartado imediatamente”, diz Tessa Hempson, gerente de
operações do Oceans Without Borders, uma nova fundação da empresa de safáris de luxo & Beyond. “Um
milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos são mortos anualmente pelo plástico nos oceanos.
44% de todas as espécies de aves marinhas, 22% das baleias e gol nhos, todas as espécies de tartarugas, e
uma lista crescente de espécies de peixes já foram documentados com plástico dentro ou em volta de seus
corpos”.
Mas, agora, o próprio canudo plástico começou a nalmente se tornar uma espécie ameaçada, com algumas
by: Torricelli1889
cidades nos Estados Unidos (Seattle, em Washington; Miami Beach e Fort Myers Beach, na Flórida; e Malibu,
Davis e San Luis Obispo, na Califórnia) banindo seu uso, além de outros países que limitam itens de plástico
descartável, o que inclui os canudos. Belize, Taiwan e Inglaterra estão entre os mais recentes países a
proporem a proibição.
Mesmo ações individuais podem causar um impacto signi cativo no meio ambiente e in uenciar a indústria:
a proibição em uma única rede de hotéis remove milhões de canudos em um único ano. As redes Anantara e
AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017, e a AccorHotels
estima o uso de 4,2 milhões de canudos nos Estados Unidos e Canadá também no último ano.
Embora utilizar um canudo não seja a melhor das hipóteses, algumas pessoas ainda os preferem ou até
necessitam deles, como aqueles com de ciências ou dentes e gengivas sensíveis. Se quiser usar um canudo,
os reutilizáveis de metal ou vidro são a alternativa ideal. A Final Straw, que diz ser o primeiro canudo retrátil
reutilizável do mercado, está arrecadando fundos através do Kickstarter.
“A maioria das pessoas não pensa nas consequências que o simples ato de pegar ou aceitar um canudo
plástico tem em suas vidas e nas vidas das futuras gerações” diz David Laris, diretor de criação e chef do
Cachet Hospitality Group, que não utiliza canudos de plástico. “A indústria hoteleira tem a obrigação de
começar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos que gera”.
Adaptado de https://www.nationalgeographicbrasil.com/planeta-ou-plastico/2018/07/ m-canudinho
plastico-canudo-poluicao-oceano . Acesso em 14 de março de 2019.
Marque a alternativa correta de acordo com o texto.
A O vídeo da tartaruga marinha oliva foi o que levou as grandes redes hoteleiras a proporem o fim dos
canudos de plástico.
B Os canudos plásticos são muito leves e, por isso, acabam escapando dos separadores manuais de
reciclagem.
C Nos Estados Unidos, estima-se que pelo menos 4,4 bilhões de canudos sejam jogados fora
anualmente.
D Pessoas com alguma deficiência ou com gengivas sensíveis são os principais causadores da
epidemia de uso de canudos plásticos.
E David Laris, principal produtor de canudos plásticos no mundo, pensa nas consequências de sua
atitude.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002868
Questão 14 Interpretação de texto Interpretação de texto jornalístico
O fim do canudinho de plástico
Por Devorah Lev-Tov / Quinta-feira, 5 de Julho de 2018
Em 2015, um vídeo perturbador de uma tartaruga marinha oliva sofrendo com um canudo plástico preso em
by: Torricelli1889
sua narina viralizou, mudando a atitude de muitos espectadores quanto ao utensílio plástico tão conveniente
para muitos.
Mas, como pode o canudo plástico, um item insigni cante utilizado brevemente antes de ser descartado,
causar tanto estrago? Primeiramente, ele consegue chegar facilmente aos oceanos devido a sua leveza. Ao
chegar lá, o canudo não se decompõe. Pelo contrário, ele se fragmenta lentamente em pedaços cada vez
menores, conhecidos como microplásticos, que são frequentemente confundidos com comida pelos animais
marinhos.
E, em segundo lugar, ele não pode ser reciclado. “Infelizmente, a maioria dos canudos plásticos são leves
demais para os separadores manuais de reciclagem, indo parar em aterros sanitários, cursos d’água e, por
m, nos oceanos”, explica Dune Ives, diretor executivo da organização Lonely Whale. A ONG viabilizou uma
campanha de marketing de sucesso chamada “Strawless in Seattle” (ou “Sem Canudos em Seattle”) em apoio
à iniciativa “Strawless Ocean” (ou “Oceanos Sem Canudos”).
Nos Estados Unidos, milhões de canudos de plástico são descartados todos os dias. No Reino Unido, estima-
se que pelo menos 4,4 bilhões de canudos sejam jogados fora anualmente. Hotéis são alguns dos piores
infratores: o Hilton Waikoloa Village, que se tornou o primeiro resort na ilha do Havaí a banir os canudos
plásticos no início deste ano, utilizou mais de 800 mil canudos em 2017.
Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar em
nossos oceanos. “Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado e 50% do
plástico que utilizamos é de uso único e descartado imediatamente”, diz Tessa Hempson, gerente de
operações do Oceans Without Borders, uma nova fundação da empresa de safáris de luxo & Beyond. “Um
milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos são mortos anualmente pelo plástico nos oceanos.
44% de todas as espécies de aves marinhas, 22% das baleias e gol nhos, todas as espécies de tartarugas, e
uma lista crescente de espécies de peixes já foram documentados com plástico dentro ou em volta de seus
corpos”.
Mas, agora, o próprio canudo plástico começou a nalmente se tornar uma espécie ameaçada, com algumas
cidades nos Estados Unidos (Seattle, em Washington; Miami Beach e Fort Myers Beach, na Flórida; e Malibu,
Davis e San Luis Obispo, na Califórnia) banindo seu uso, além de outros países que limitam itens de plástico
descartável, o que inclui os canudos. Belize, Taiwan e Inglaterra estão entre os mais recentes países a
proporem a proibição.
Mesmo ações individuais podem causar um impacto signi cativo no meio ambiente e in uenciar a indústria:
a proibição em uma única rede de hotéis remove milhões de canudos em um único ano. As redes Anantara e
AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017, e a AccorHotels
estima o uso de 4,2 milhões de canudos nos Estados Unidos e Canadá também no último ano.
Embora utilizar um canudo não seja a melhor das hipóteses, algumas pessoas ainda os preferem ou até
necessitam deles, como aqueles com de ciências ou dentes e gengivas sensíveis. Se quiser usar um canudo,
os reutilizáveis de metal ou vidro são a alternativa ideal. A Final Straw, que diz ser o primeiro canudo retrátil
reutilizável do mercado, está arrecadando fundos através do Kickstarter.
“A maioria das pessoas não pensa nas consequências que o simples ato de pegar ou aceitar um canudo
by: Torricelli1889
plástico tem em suas vidas e nas vidas das futuras gerações” diz David Laris, diretor de criação e chef do
Cachet Hospitality Group, que não utiliza canudos de plástico. “A indústria hoteleira tem a obrigação de
começar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos que gera”.
Adaptado de https://www.nationalgeographicbrasil.com/planeta-ou-plastico/2018/07/ m-canudinho
plastico-canudo-poluicao-oceano . Acesso em 14 de março de 2019.
Assinale a alternativa correta.
“Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos plásticos que vão
parar em nossos oceanos”.
O fragmento,transcrito do texto “O fim do canudinho de plástico”, permite concluir que:
A além dos canudos, há outros resíduos plásticos que vão parar em nossos oceanos.
B os canudos caracterizam a maior parte dos resíduos plásticos que vão parar em nossos oceanos.
C apenas os canudos que se tornam resíduos plásticos vão parar em nossos oceanos.
D os resíduos plásticos que vão parar em nossos oceanos são compostos essencialmente por
canudos.
E há uma quantidade monumental de canudos plásticos em nossos oceanos que são compostos de
resíduos plásticos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002867
Questão 15 Interpretação de texto Interpretação de texto jornalístico
O fim do canudinho de plástico
Por Devorah Lev-Tov / Quinta-feira, 5 de Julho de 2018
Em 2015, um vídeo perturbador de uma tartaruga marinha oliva sofrendo com um canudo plástico preso em
sua narina viralizou, mudando a atitude de muitos espectadores quanto ao utensílio plástico tão conveniente
para muitos.
Mas, como pode o canudo plástico, um item insigni cante utilizado brevemente antes de ser descartado,
causar tanto estrago? Primeiramente, ele consegue chegar facilmente aos oceanos devido a sua leveza. Ao
chegar lá, o canudo não se decompõe. Pelo contrário, ele se fragmenta lentamente em pedaços cada vez
menores, conhecidos como microplásticos, que são frequentemente confundidos com comida pelos animais
marinhos.
E, em segundo lugar, ele não pode ser reciclado. “Infelizmente, a maioria dos canudos plásticos são leves
demais para os separadores manuais de reciclagem, indo parar em aterros sanitários, cursos d’água e, por
m, nos oceanos”, explica Dune Ives, diretor executivo da organização Lonely Whale. A ONG viabilizou uma
campanha de marketing de sucesso chamada “Strawless in Seattle” (ou “Sem Canudos em Seattle”) em apoio
à iniciativa “Strawless Ocean” (ou “Oceanos Sem Canudos”).
by: Torricelli1889
Nos Estados Unidos, milhões de canudos de plástico são descartados todos os dias. No Reino Unido, estima-
se que pelo menos 4,4 bilhões de canudos sejam jogados fora anualmente. Hotéis são alguns dos piores
infratores: o Hilton Waikoloa Village, que se tornou o primeiro resort na ilha do Havaí a banir os canudos
plásticos no início deste ano, utilizou mais de 800 mil canudos em 2017.
Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar em
nossos oceanos. “Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado e 50% do
plástico que utilizamos é de uso único e descartado imediatamente”, diz Tessa Hempson, gerente de
operações do Oceans Without Borders, uma nova fundação da empresa de safáris de luxo & Beyond. “Um
milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos são mortos anualmente pelo plástico nos oceanos.
44% de todas as espécies de aves marinhas, 22% das baleias e gol nhos, todas as espécies de tartarugas, e
uma lista crescente de espécies de peixes já foram documentados com plástico dentro ou em volta de seus
corpos”.
Mas, agora, o próprio canudo plástico começou a nalmente se tornar uma espécie ameaçada, com algumas
cidades nos Estados Unidos (Seattle, em Washington; Miami Beach e Fort Myers Beach, na Flórida; e Malibu,
Davis e San Luis Obispo, na Califórnia) banindo seu uso, além de outros países que limitam itens de plástico
descartável, o que inclui os canudos. Belize, Taiwan e Inglaterra estão entre os mais recentes países a
proporem a proibição.
Mesmo ações individuais podem causar um impacto signi cativo no meio ambiente e in uenciar a indústria:
a proibição em uma única rede de hotéis remove milhões de canudos em um único ano. As redes Anantara e
AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017, e a AccorHotels
estima o uso de 4,2 milhões de canudos nos Estados Unidos e Canadá também no último ano.
Embora utilizar um canudo não seja a melhor das hipóteses, algumas pessoas ainda os preferem ou até
necessitam deles, como aqueles com de ciências ou dentes e gengivas sensíveis. Se quiser usar um canudo,
os reutilizáveis de metal ou vidro são a alternativa ideal. A Final Straw, que diz ser o primeiro canudo retrátil
reutilizável do mercado, está arrecadando fundos através do Kickstarter.
“A maioria das pessoas não pensa nas consequências que o simples ato de pegar ou aceitar um canudo
plástico tem em suas vidas e nas vidas das futuras gerações” diz David Laris, diretor de criação e chef do
Cachet Hospitality Group, que não utiliza canudos de plástico. “A indústria hoteleira tem a obrigação de
começar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos que gera”.
Adaptado de https://www.nationalgeographicbrasil.com/planeta-ou-plastico/2018/07/ m-canudinho
plastico-canudo-poluicao-oceano . Acesso em 14 de março de 2019.
Marque a alternativa correta de acordo com o texto.
by: Torricelli1889
A Em nossos oceanos, os resíduos plásticos são compostos praticamente por canudos.
B Pessoas com deficiências ou indivíduos com dentes e gengivas sensíveis são o fator responsável
por ainda não ter ocorrido proibição do uso de canudos plásticos.
C O descarte indiscriminado de canudos plásticos constitui uma ameaça para a vida marinha, mas já
existem iniciativas para a solução desse problema.
D Estados Unidos e Reino Unido são os países que mais lançam canudos plásticos nos oceanos.
E Os canudos vão parar nos oceanos por serem uma quantidade monumental de resíduos plásticos.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002866
Questão 16 Interpretação de texto Interpretação de texto teórico e científ ico
TEXTO DE APOIO 1:
Política pública de saneamento básico: as bases do saneamento como direito de cidadania e os debates
sobre novos modelos de gestão
Ana Lucia Britto
Professora Associada do PROURB-FAU-UFRJ
Pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles
A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário
é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É preciso, para tanto, fazê-lo de modo nanceiramente
acessível e com qualidade para todos, sem discriminação. Também obriga os Estados a eliminarem
progressivamente as desigualdades na distribuição de água e esgoto entre populações das zonas rurais ou
urbanas, ricas ou pobres.
No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos
com abastecimento de água potável, mais da metade da população não tem acesso à coleta de esgoto, e
apenas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. Aproximadamente 70% da população que compõe o
dé cit de acesso ao abastecimento de água possuem renda domiciliar mensal de até ½ salário mínimo por
morador, ou seja, apresentam baixa capacidade de pagamento, o que coloca em pauta o tema do
saneamento financeiramente acessível.
Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cidades, identi cam-se avanços importantes na busca de
diminuir o dé cit já crônico em saneamento e pode-se caminhar alguns passos em direção à garantia do
acesso a esses serviços como direito social. Nesse sentido destacamos as Conferências das Cidades e a
criação da Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política urbana uma
base de participação e controle social.
Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e
PAC 2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 e seu decreto de regulamentação) e de um
Plano Nacional para o setor, o PLANSAB, construído com amplo debate popular, legitimado pelos Conselhos
Nacionais das Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por decreto presidencial em novembro
by: Torricelli1889
de 2013.
Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais para que a gestão dos serviços seja pautada por
uma visão de saneamento como direito de cidadania: a) articulação da política de saneamento com as
políticas de desenvolvimento urbanoe regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua erradicação,
de proteção ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparência das ações, baseada em sistemas de
informações e processos decisórios participativos institucionalizados.
A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planejamento para o saneamento, por meio da obrigatoriedade
de planos municipais de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de
águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam
ser estabelecidos contratos de delegação da prestação de serviços e para que possam ser acessados
recursos do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo nal para sua elaboração terminando em 2017.
A Lei reforça também a participação e o controle social, através de diferentes mecanismos como:
audiências públicas, de nição de conselho municipal responsável pelo acompanhamento e scalização da
política de saneamento, sendo que a de nição desse conselho também é condição para que possam ser
acessados recursos do governo federal.
O marco legal introduz também a obrigatoriedade da regulação da prestação dos serviços de saneamento,
visando à garantia do cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à
repressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo que os serviços de saneamento são prestados em
caráter de monopólio, o que significa que os usuários estão submetidos às atividades de um único prestador.
FONTE: adaptado de http://www.assemae.org.br/artigos/item/1762-saneamento-basico-como-direito-de-
cidadania
Segundo a pesquisadora, o tema do saneamento financeiramente acessível é colocado em pauta porque
A uma parcela equivalente a setenta por cento da população compõe o déficit de acesso ao
abastecimento de água.
B mais da metade da população não tem acesso à coleta de esgoto e apenas trinta e nove por cento
de todo o esgoto gerado são tratados
C trinta e cinco milhões de brasileiros não são atendidos com abastecimento de água potável e mais
da metade da população não dispõe de saneamento básico.
D aproximadamente dois terços da população que não têm acesso regular ao abastecimento de água
ganham até meio salário mínimo.
E dispor a água potável própria e de instalações sanitárias é um direito do homem, indispensável para
o pleno gozo do direito à vida.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002642
Questão 17 Interpretação de texto Interpretação de texto teórico e científ ico
TEXTO DE APOIO 1:
Política pública de saneamento básico: as bases do saneamento como direito de cidadania e os debates
by: Torricelli1889
sobre novos modelos de gestão
Ana Lucia Britto
Professora Associada do PROURB-FAU-UFRJ
Pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles
A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário
é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É preciso, para tanto, fazê-lo de modo nanceiramente
acessível e com qualidade para todos, sem discriminação. Também obriga os Estados a eliminarem
progressivamente as desigualdades na distribuição de água e esgoto entre populações das zonas rurais ou
urbanas, ricas ou pobres.
No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos
com abastecimento de água potável, mais da metade da população não tem acesso à coleta de esgoto, e
apenas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. Aproximadamente 70% da população que compõe o
dé cit de acesso ao abastecimento de água possuem renda domiciliar mensal de até ½ salário mínimo por
morador, ou seja, apresentam baixa capacidade de pagamento, o que coloca em pauta o tema do
saneamento financeiramente acessível.
Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cidades, identi cam-se avanços importantes na busca de
diminuir o dé cit já crônico em saneamento e pode-se caminhar alguns passos em direção à garantia do
acesso a esses serviços como direito social. Nesse sentido destacamos as Conferências das Cidades e a
criação da Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política urbana uma
base de participação e controle social.
Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e
PAC 2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 e seu decreto de regulamentação) e de um
Plano Nacional para o setor, o PLANSAB, construído com amplo debate popular, legitimado pelos Conselhos
Nacionais das Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por decreto presidencial em novembro
de 2013.
Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais para que a gestão dos serviços seja pautada por
uma visão de saneamento como direito de cidadania: a) articulação da política de saneamento com as
políticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua erradicação,
de proteção ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparência das ações, baseada em sistemas de
informações e processos decisórios participativos institucionalizados.
A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planejamento para o saneamento, por meio da obrigatoriedade
de planos municipais de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de
águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam
ser estabelecidos contratos de delegação da prestação de serviços e para que possam ser acessados
recursos do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo nal para sua elaboração terminando em 2017.
A Lei reforça também a participação e o controle social, através de diferentes mecanismos como:
audiências públicas, de nição de conselho municipal responsável pelo acompanhamento e scalização da
política de saneamento, sendo que a de nição desse conselho também é condição para que possam ser
acessados recursos do governo federal.
by: Torricelli1889
O marco legal introduz também a obrigatoriedade da regulação da prestação dos serviços de saneamento,
visando à garantia do cumprimento das condições e metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à
repressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo que os serviços de saneamento são prestados em
caráter de monopólio, o que significa que os usuários estão submetidos às atividades de um único prestador.
FONTE: adaptado de http://www.assemae.org.br/artigos/item/1762-saneamento-basico-como-direito-de-
cidadania
No quinto parágrafo, a pesquisadora a rma que o marco regulatório para o setor de saneamento “traz
aspectos essenciais para que a gestão dos serviços seja pautada por uma visão de saneamento como direito
de cidadania”. Assinale a alternativa que, segundo o texto, traz um aspecto que evidencia essa visão.
A Transparência de processos decisórios específicos em relação à promoção da saúde dentro de uma
sistemática informacional
B Desenvolvimento de ações decisórias em processos participativos de saneamento básico e sua
erradicação das políticas públicas urbanas e regionais
C Necessidade de planejamento para o saneamento, com ações de coleta e tratamento de esgotos,
além de manejo de resíduos sólidos
D Estabelecimento de relações entre as políticas de habitação, de combate à pobreza e de prote ção
ambiental e a política de saneamento
E Ampliação de recursos para o setor de saneamento básico, legitimada pelos Conselhos Nacionais
das Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002641
Questão 18 Interpretação de texto Interpretação de texto teórico e científ ico
TEXTO DE APOIO 1:
Política pública de saneamento básico: as bases do saneamento como direito de cidadania e os debates
sobre novos modelos de gestão
Ana Lucia Britto
Professora Associada do PROURB-FAU-UFRJ
Pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles
A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que o acesso à água