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a proibição em uma única rede de hotéis remove milhões de canudos em um único ano. As redes Anantara e
AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017, e a AccorHotels
estima o uso de 4,2 milhões de canudos nos Estados Unidos e Canadá também no último ano. 
 Embora utilizar um canudo não seja a melhor das hipóteses, algumas pessoas ainda os preferem ou até
necessitam deles, como aqueles com de ciências ou dentes e gengivas sensíveis. Se quiser usar um canudo,
os reutilizáveis de metal ou vidro são a alternativa ideal. A Final Straw, que diz ser o primeiro canudo retrátil
reutilizável do mercado, está arrecadando fundos através do Kickstarter. 
“A maioria das pessoas não pensa nas consequências que o simples ato de pegar ou aceitar um canudo
plástico tem em suas vidas e nas vidas das futuras gerações” diz David Laris, diretor de criação e chef do
Cachet Hospitality Group, que não utiliza canudos de plástico. “A indústria hoteleira tem a obrigação de
começar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos que gera”. 
Adaptado de https://www.nationalgeographicbrasil.com/planeta-ou-plastico/2018/07/ m-canudinho
plastico-canudo-poluicao-oceano . Acesso em 14 de março de 2019.
“A Final Straw, que diz ser o primeiro canudo retrátil reutilizável do mercado, está arrecadando fundos
através do Kickstarter.” A vírgula colocada depois do sujeito está
A incorreta, pois não se deve separar o sujeito de seu complemento.
B incorreta, porque não se separa a oração subordinada adjetiva restritiva.
C correta, porque separa uma oração subordinada adjetiva explicativa.
D correta, porque separa a oração subordinada adverbial temporal.
E correta, porque separa o vocativo, Final Straw, no início do período.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002874
Questão 2 Pontuação Português
O fim do canudinho de plástico 
 Por Devorah Lev-Tov / Quinta-feira, 5 de Julho de 2018 
Em 2015, um vídeo perturbador de uma tartaruga marinha oliva sofrendo com um canudo plástico preso em
sua narina viralizou, mudando a atitude de muitos espectadores quanto ao utensílio plástico tão conveniente
para muitos. 
Mas, como pode o canudo plástico, um item insigni cante utilizado brevemente antes de ser descartado,
causar tanto estrago? Primeiramente, ele consegue chegar facilmente aos oceanos devido a sua leveza. Ao
chegar lá, o canudo não se decompõe. Pelo contrário, ele se fragmenta lentamente em pedaços cada vez
menores, conhecidos como microplásticos, que são frequentemente confundidos com comida pelos animais
marinhos. 
by: Torricelli1889
E, em segundo lugar, ele não pode ser reciclado. “Infelizmente, a maioria dos canudos plásticos são leves
demais para os separadores manuais de reciclagem, indo parar em aterros sanitários, cursos d’água e, por
m, nos oceanos”, explica Dune Ives, diretor executivo da organização Lonely Whale. A ONG viabilizou uma
campanha de marketing de sucesso chamada “Strawless in Seattle” (ou “Sem Canudos em Seattle”) em apoio
à iniciativa “Strawless Ocean” (ou “Oceanos Sem Canudos”). 
Nos Estados Unidos, milhões de canudos de plástico são descartados todos os dias. No Reino Unido, estima-
se que pelo menos 4,4 bilhões de canudos sejam jogados fora anualmente. Hotéis são alguns dos piores
infratores: o Hilton Waikoloa Village, que se tornou o primeiro resort na ilha do Havaí a banir os canudos
plásticos no início deste ano, utilizou mais de 800 mil canudos em 2017. 
Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar em
nossos oceanos. “Nos últimos 10 anos, produzimos mais plástico do que em todo o século passado e 50% do
plástico que utilizamos é de uso único e descartado imediatamente”, diz Tessa Hempson, gerente de
operações do Oceans Without Borders, uma nova fundação da empresa de safáris de luxo & Beyond. “Um
milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos são mortos anualmente pelo plástico nos oceanos.
44% de todas as espécies de aves marinhas, 22% das baleias e gol nhos, todas as espécies de tartarugas, e
uma lista crescente de espécies de peixes já foram documentados com plástico dentro ou em volta de seus
corpos”. 
Mas, agora, o próprio canudo plástico começou a nalmente se tornar uma espécie ameaçada, com algumas
cidades nos Estados Unidos (Seattle, em Washington; Miami Beach e Fort Myers Beach, na Flórida; e Malibu,
Davis e San Luis Obispo, na Califórnia) banindo seu uso, além de outros países que limitam itens de plástico
descartável, o que inclui os canudos. Belize, Taiwan e Inglaterra estão entre os mais recentes países a
proporem a proibição. 
Mesmo ações individuais podem causar um impacto signi cativo no meio ambiente e in uenciar a indústria:
a proibição em uma única rede de hotéis remove milhões de canudos em um único ano. As redes Anantara e
AVANI estimam que seus hotéis tenham utilizado 2,49 milhões de canudos na Ásia em 2017, e a AccorHotels
estima o uso de 4,2 milhões de canudos nos Estados Unidos e Canadá também no último ano. 
 Embora utilizar um canudo não seja a melhor das hipóteses, algumas pessoas ainda os preferem ou até
necessitam deles, como aqueles com de ciências ou dentes e gengivas sensíveis. Se quiser usar um canudo,
os reutilizáveis de metal ou vidro são a alternativa ideal. A Final Straw, que diz ser o primeiro canudo retrátil
reutilizável do mercado, está arrecadando fundos através do Kickstarter. 
“A maioria das pessoas não pensa nas consequências que o simples ato de pegar ou aceitar um canudo
plástico tem em suas vidas e nas vidas das futuras gerações” diz David Laris, diretor de criação e chef do
Cachet Hospitality Group, que não utiliza canudos de plástico. “A indústria hoteleira tem a obrigação de
começar a reduzir a quantidade de resíduos plásticos que gera”. 
Adaptado de https://www.nationalgeographicbrasil.com/planeta-ou-plastico/2018/07/ m-canudinho
plastico-canudo-poluicao-oceano . Acesso em 14 de março de 2019.
Mas é claro que os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar em
nossos oceanos”. 
by: Torricelli1889
Assinale a alternativa em que a reescrita do fragmento está de acordo com as regras de pontuação da norma
gramatical. 
A ”Está claro que os canudos são apenas parte, da quantidade monumental, de resíduos que vão parar
em nossos oceanos”. 
B “Isto está claro: os canudos são apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar
em nossos oceanos”.
C “Está claro que os canudos são apenas parte: da quantidade monumental de resíduos, que vão parar
em nossos oceanos”.
D “Está claro, que os canudos são, apenas parte da quantidade monumental de resíduos que vão parar
em nossos oceanos”. 
E “Isto está claro, os canudos são apenas parte da quantidade monumental, de resíduos que vão parar
em nossos oceanos”.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002872
Questão 3 Português Vírgula
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos 
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a
taxa média de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou
menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia. 
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe
reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação
realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e
laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que
diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche). 
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º
no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo InstitutoAvante Brasil, o 8º país com a menor
taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas
2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma
prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas,
estupradores e tra cantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino
Unido, 50%. A média europeia é 50%. 
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e
não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é
obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação
do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena
será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada. 
by: Torricelli1889
O presídio é um prédio, em meio a uma oresta, decorado com gra tes e quadros nos corredores, e no qual
as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas
e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para a xar papéis e fotos, além de
geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos
receberem os familiares, estúdio de gravação de música e o cinas de trabalho. Nessas o cinas são
oferecidos cursos de formação pro ssional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena
remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a
estratégia. 
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedó los, cam
em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos
próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores. 
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para
o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão.
Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar. 
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o
brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e
pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança. 
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e,
dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade. A
diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente
não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas
essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no
massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche). 
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal
atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br. ** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e
pesquisadora do Instituto Avante 
Brasil. FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de reabilitacao-de-
criminosos/ Acessado em 17 de março de 2017. 
Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula é opcional.
A “Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.”
B "O detento é obrigado a mostrar progressos, para provar que pode ser reincluído na sociedade."
C “Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência, o Reino Unido, 50%.”
D “ Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades de educação é a estratégia.”
E “Cada bloco contém uma cozinha, comida fornecida pela prisão e preparada pelos presos.”
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002573
by: Torricelli1889
Questão 4 Pontuação Português
Marque a alternativa correta quanto ao emprego da vírgula, de acordo com as normas gramaticais.
A Ele pediu, ao motorista que parasse no hotel.
B A vida como diz o ditado popular é breve.
C Da sala eu vi sem ser visto todo o crime acontecendo.
D Atletas de várias nacionalidades, participarão da maratona.
E Meus olhos, devido à fumaça intensa, ardiam muito.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000002275
Questão 5 Pontuação Português Relações de coordenação e subordinação
Marque a opção que justi ca a colocação do ponto e vírgula e da vírgula utilizados por José de Alencar no
período.
“Depois Iracema quebrou a echa homicida; deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta
farpada.”
A O ponto e vírgula indica citação e a vírgula indica locução.
B O ponto e vírgula separa oração coordenada e a vírgula separa oração reduzida.
C O ponto e vírgula indica citação e a vírgula separa termos da oração.
D O ponto e vírgula separa oração coordenada e a vírgula marca mudança de sujeito.
E O ponto e vírgula indica enumeração e a vírgula separa termos da oração.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000001510
Questão 6 Pontuação Português
A alternativa que apresenta trecho corretamente pontuado é:
A A intensa exploração de recursos naturais, constitui uma ameaça ao planeta.
B Esperanza discordou da decisão do chefe, e pediu demissão do cargo.
C Dona Elza pediu, ao diretor do colégio, que colocasse o filho em outra turma.
D Os animais, que se alimentam de carne, chamam-se carnívoros.
E Van Gogh, que pintou quadros hoje muito valiosos, morreu na miséria.
Essa questão possui comentário do professor no site 4000001180
Questão 7 Português Vírgula
Em “Uns diziam que se matou, outros, que fora para o Acre.”, a vírgula em destaque, colocada depois da
palavra “outros”, foi empregada do mesmo modo na alternativa:
by: Torricelli1889
A “O amor, isto é, o mais forte e sublime dos sentimentos...”
B “A História, diz Cícero, é a mestra da vida.”
C “O dinheiro, Jaime o trazia escondido nas mangas do paletó.”
D “Eis que, aos poucos, lá para as bandas do oriente, clareia um cantinho do céu.”
E “As mãos eram pequenas e os dedos, finos e delicados.”
Essa questão possui comentário do professor no site 4000000946
Questão 8 Pontuação Português Relações de coordenação e subordinação
O período abaixo foi escrito por Machado de Assis em seu Conto de Escola. A alternativa que apresenta a
pontuação de acordo com a norma culta é:
A Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a
um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
 
B Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a
um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. 
C Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo não o tendo aprendido, recorria a
um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
 
D Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que, o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria;
a um meio que, lhe pareceu útil, para escapar ao castigo do pai. 
 
E Compreende-se que: o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria;
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
Essa questão possui comentário do professor no site 4000000545
Questão 9 Pontuação Português
Leia o fragmento abaixo, extraído da obra O cortiço, de Aluísio Azevedo (as letras maiúscu-las foram,
intencionalmente, trocadas por minúsculas) e, a seguir, responda o que se pede.
não obstante ( ) as casinhas do cortiço ( ) à proporção que se atamancavam ( ) enchiam-se logo ( )sem
mesmo dar tempo aque as tintas secassem ( ) havia grande avidez em alugá-las ( ) aquele era omelhor ponto
do bairro para a gente do trabalho ( ) os empregados da pedreira ( ) preferiam todos morar lá ( ) porque
ficavam a dois passos da obrigação ( )
Assinale a alternativa que, seqüencialmente, completa corretamente os sinais de pontuação do fragmento. O
"X" corresponde a nenhuma pontuação:
by: Torricelli1889
A X / vírgula / vírgula / ponto / dois-pontos / vírgula / dois-pontos / vírgula / ponto / ponto de
exclamação
B vírgula / X / vírgula / ponto / vírgula / dois-pontos / ponto-e-vírgula / vírgula / ponto de interrogação
/ ponto de exclamação
C X / vírgula / vírgula / ponto / X / vírgula / dois-pontos / vírgula / ponto / ponto de interrogação
D vírgula / vírgula / vírgula / vírgula / ponto / ponto-e-vírgula / ponto / X / vírgula / ponto final
E vírgula / vírgula / ponto-e-vírgula / vírgula / vírgula / ponto / ponto / vírgula / vírgula / ponto final
Essa questão possui comentário do professor no site 4000000308
Questão 10 Demais sinais diacríticos Português
Leia o texto abaixo e responda.
No Retiro da Figueira
(Moacyr Seliar)
1° § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais - dizia o anúncio - onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2° § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade - e
eram uns bons cinqüenta minutos - ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes - e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos - mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: "ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade". De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou - mas de maneira casual - que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3° § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu - tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4° § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo enfiado sob a porta transformou-se - como dizia
o texto - num novo estilo de vida.
by: Torricelli1889
5° § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda - uma semana após - a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6° § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores - e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque - cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem -
sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores
- para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu - tal como
prometido no prospecto - num clima de sonho. De sonho, mesmo.
8° § Uma manhã de domingo, muito cedo - lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
cantar - soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um pouco assustados - um
pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9° § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele
domingo.
10° § - A nal - disse, em tom de gracejo - está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11° § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12° § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair - os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
bloquear a estreita estrada do Retiro.
13° § - E vocês, por que não nos acompanham? - perguntou o cirurgião.
by: Torricelli1889
14° § - E quem vai cuidar da família de vocês? - disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15° § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16° § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17° § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18° § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós -
amedrontado, pareceu-me - e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19° § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20° § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso - que eu, diga-se de
passagem, sempre achei que era bom demais.
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
Em "...explicou o motivo da reunião: é que havia marginais nos matos..." (9º§) os dois pontos são empregados
paraA iniciar a fala da personagem no discurso direto.
B anunciar uma citação.
C separar oração com sentido apositivo.
D introduzir oração predicativa.
E separar oração causal.
4000045832
Questão 11 Demais sinais diacríticos Português
No Retiro da Figueira
(Moacyr Scliar)
1º § Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como
dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais – dizia o anúncio – onde você
pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também
by: Torricelli1889
constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de
aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
2º § Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade – e
eram uns bons cinqüenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletri cada, das torres de vigia, dos
holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos – mas
amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão
inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade”. De fato: no
decorrer da conversa ele mencionou – mas de maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez
aumentar o entusiasmo de minha mulher.
3º § Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e
porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e
espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu – tínhamos de
mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
4º § Foi então que en aram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num
edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas
isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher cou encantada com o Retiro da
Figueira. Meus lhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na rma. As coisas todas
se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo en ado sob a porta transformou-se – como
dizia o texto – num novo estilo de vida.
5º § Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita
e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos
guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa,
pro ssionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido
pelo lugar por causa da segurança.
6º § Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de
pessoas. Na minha rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção
cuidadosa de futuros moradores – e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando
tudo muito bom. Bom demais.
7º § Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã
começavam seu a nado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A
brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de
alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem
– sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava
festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores
– para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu – tal como
prometido no prospecto – num clima de sonho. De sonho, mesmo.
8º § Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a
by: Torricelli1889
cantar – soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que camos um pouco assustados –
um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago.
Quase todos ainda de roupão ou pijama.
9º § O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar,
ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia
marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele
domingo.
10º § – A nal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de
tênis...
11º § Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
12º § Contrariados caram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos
de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o
chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair – os marginais
continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado
cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam
bloquear a estreita estrada do Retiro.
 
13º § – E vocês, por que não nos acompanham? – perguntou o cirurgião.
14º § – E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
15º § Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com
homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o
chefe dos guardas estava com a razão.
16º § Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam
até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
17º § Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
18º § Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós –
amedrontado, pareceu-me – e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
19º § O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta
aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal.
Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
20º § Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por
nosso resgate. Uma quantia su ciente para construir dez condomínios iguais ao nosso – que eu, diga-se de
passagem, sempre achei que era bom demais.
by: Torricelli1889
(Os melhores contos. 2. Ed. São Paulo, Global, 1968.)
Em “...explicou o motivo da reunião: é que havia marginais nos matos...” (9º§) os dois pontos são empregados
para
A iniciar a fala da personagem no discurso direto.
B anunciar uma citação.
C separar oração com sentido apositivo.
D introduzir oração predicativa.
E separar oração causal.
4000039547
Questão 12 Português Vírgula
Adjunto adverbial deslocado e oração subordinada adjetiva explicativa são as justi cativas para as vírgulas,
respectivamente, em:
A "E noite de Natal, e estou só na casa de um amigo..."/ "... tem a vida misteriosa das moitas perdidas,
um gosto de roça..."
B "...vou lá dentro, abro a geladeira..." / "...evoco-a neste momento, sozinho..."
C "Há também, no fundo da paisagem escura e desarrumada desse ano, uma clara mancha de sol." /
"...e estou só na casa de um amigo, que foi para a fazenda."
D "Sinto-me bem, oferecendo-me este copo..." / "É um pequeno espaço folhudo e florido de cores,
que parece respirar..."
E "Doualguns telefonemas, abraço à distância alguns amigos." / "Mas vou me deixando ficar sozinho,
numa confortável melancolia..."
4000045697
Questão 13 Português Vírgula
Adjunto adverbial deslocado e oração subordinada adjetiva explicativa são as justi cativas para as vírgulas,
respectivamente, em:
by: Torricelli1889
A "É noite de Natal, e estou só na casa de um amigo..."/ "... tem a vida misteriosa das moitas perdidas,
um gosto de roça..."
B "...vou lá dentro, abro a geladeira..." / "...evoco-a neste momento, sozinho..."
C "Há também, no fundo da paisagem escura e desarrumada desse ano, uma clara mancha de sol." /
"...e estou só na casa de um amigo, que foi para a fazenda."
D "Sinto-me bem, oferecendo-me este copo..." / "É um pequeno espaço folhudo e florido de cores,
que parece respirar..."
E "Dou alguns telefonemas, abraço à distância alguns amigos." / "Mas vou me deixando ficar sozinho,
numa confortável melancolia..."
4000039497
Questão 14 Português Vírgula
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
Coração Segundo
Carlos Drummond de Andrade
1º § - De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, z meu segundo coração, para
enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tomei-me, assim
homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu
coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho descon ou, mesmo porque sabem que
costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois
ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não têm arte, representam o que eu quero. Fiz um Einstein que
acharam parecido com Lampião. Para mim, era Einstein. Os garotos riam, tentando adivinhar que tipos eu
interpretara. Carlito! Não era. Às vezes, não sei por quê, admitia fosse Carlito. Nunca dei importância a leis
de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda espécie de criação.
2° § Mas como disse z meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito
mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo
horrorizar ninguém — abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao
mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também pre ro não explicar. Possuo extrema habilidade manual,
aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos do corpo e suas funções e reações, depois que
cou na moda tratar dessas coisas em jornais e revistas. Além disso, minha capacidade de resistir à dor física
sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo,
acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui
dormir.
3° § Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados
que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão
permanente no Canal de Suez, golpes vitoriosos ou malogrados na América Latina, bem, não senti
absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita
by: Torricelli1889
de leveza. No caminho, vi im corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um
automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o
meu dia. Fitei-o como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudança. E passei um dia
normal. Trabalho, refeições, sono, igualmente normais, coisa que não acontecia há anos.
4° § Meu coração fora planejado para evitar padecimento moral, e desempenhava bem a função. Assisti
impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei me pe a excelência. Mas
aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam,
passei a sentir re exos de moléstias inexistentes. Simples corte no dedo, sem in amação, a igia-me como
chaga aberta. Dor de cabeça que passa com comprimido cava durante semanas. Meu corpo tomou-se
frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Fiz checkup, não se descobriu
qualquer lesão ou distúrbio funcional. Eram apenas imotivadas, gratuitas. Meu coração n° 2 passava pela
radiografia sem ser percebido. Irredutível à dor moral, era invisível a aparelhos de precisão.
5" § Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais que a vida se tomou insuportável. A dor aparecia
especialmente em horas impróprias. Em reuniões sociais. Em concertos No escritório, ao tratar de negócios.
Então fazia caretas, emitia gemidos surdos, assumindo aspecto feroz. Assustavam-se, queriam chamar
ambulância, eu recusava. Tinha medo de que descobrissem o coração fabricado.
6° § Outra coisa: as crianças começaram a achar estranhos meus bonecos, não queriam aceita-los. Sempre
gostei de crianças. E elas me repeliam. Esmerei-me na feitura de peças que pudessem cativá-las, mas em
vão. 
7° § Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o
aspecto de chão ressecado. Tive pena dele. Surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de
sua angústia e trazendo-a comigo para casa.
8° § Agora à noite decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena ssura no
isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos liguei
o antigo e fechei o cavername. Talvez pela feita de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer?
E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.
"Machado de Assis, um dos maiores nomes da nossa literatura, foi tipógrafo."
A alternativa em que as vírgulas foram empregadas pela mesma razão que na frase acima é:
A "Às vezes, não sei por quê, admitia fosse Carlito!"
B 'Possuo extrema habilidade, aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos..."
C 'Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias
inexistentes."
D "Surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando..."
E "... fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria
condições de resistir."
by: Torricelli1889
4000045680
Questão 15 Português Vírgula
Leia o texto abaixo. Ele servirá de base para se responder.
Coração Segundo
Carlos Drummond de Andrade
1º § - De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, z meu segundo coração, para
enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tomei-me, assim
homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu
coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho descon ou, mesmo porque sabem que
costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois
ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não têm arte, representam o que eu quero. Fiz um Einstein que
acharam parecido com Lampião. Para mim, era Einstein. Os garotos riam, tentando adivinhar que tipos eu
interpretara. Carlito! Não era. Às vezes, não sei por quê, admitia fosse Carlito. Nunca dei importância a leis
de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda espécie de criação.
2° § Mas como disse z meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito
mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo
horrorizar ninguém — abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao
mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também pre ro não explicar. Possuo extrema habilidade manual,
aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos do corpo e suas funções e reações, depois que
cou na moda tratar dessas coisas em jornais e revistas. Além disso, minha capacidade deresistir à dor física
sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo,
acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui
dormir.
3° § Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados
que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão
permanente no Canal de Suez, golpes vitoriosos ou malogrados na América Latina, bem, não senti
absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita
de leveza. No caminho, vi im corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um
automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o
meu dia. Fitei-o como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudança. E passei um dia
normal. Trabalho, refeições, sono, igualmente normais, coisa que não acontecia há anos.
4° § Meu coração fora planejado para evitar padecimento moral, e desempenhava bem a função. Assisti
impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei me pe a excelência. Mas
aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam,
passei a sentir re exos de moléstias inexistentes. Simples corte no dedo, sem in amação, a igia-me como
chaga aberta. Dor de cabeça que passa com comprimido cava durante semanas. Meu corpo tomou-se
frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Fiz checkup, não se descobriu
qualquer lesão ou distúrbio funcional. Eram apenas imotivadas, gratuitas. Meu coração n° 2 passava pela
by: Torricelli1889
radiografia sem ser percebido. Irredutível à dor moral, era invisível a aparelhos de precisão.
5" § Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais que a vida se tomou insuportável. A dor aparecia
especialmente em horas impróprias. Em reuniões sociais. Em concertos No escritório, ao tratar de negócios.
Então fazia caretas, emitia gemidos surdos, assumindo aspecto feroz. Assustavam-se, queriam chamar
ambulância, eu recusava. Tinha medo de que descobrissem o coração fabricado.
6° § Outra coisa: as crianças começaram a achar estranhos meus bonecos, não queriam aceita-los. Sempre
gostei de crianças. E elas me repeliam. Esmerei-me na feitura de peças que pudessem cativá-las, mas em
vão. 
7° § Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o
aspecto de chão ressecado. Tive pena dele. Surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de
sua angústia e trazendo-a comigo para casa.
8° § Agora à noite decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena ssura no
isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos liguei
o antigo e fechei o cavername. Talvez pela feita de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer?
E vale a pena fazer? A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.
Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo estas, sempre me vulneraram.
Ao mudar a posição da última virgula, em relação ao trecho do 2" parágrafo, conseqüentemente, o significado
da oração
A não foi alterado, pois se trata de uma enumeração.
B não se alterou — mas a virgula naquela posição está incorreta.
C foi alterado — estas não mais se refere a toda a enumeração anterior.
D não mudou, estas continua se referindo às dores do mundo,
E sofreu alteração mínima, já que os termos enumerados são sinônimos.
4000045676
Questão 16 Português Vírgula
Assinale a alternativa que, ao ser corretamente pontuada, admite o emprego de apenas duas vírgulas.
by: Torricelli1889
A — Não senhor eu não sei o que é mas posso descobrir.
B O filho presenteou a mãe e a filha o pai.
C Hoje se fará a convocação dos Jogadores e a palavra do técnico não foi a única ouvida.
D — Leonardo que espécie de homem é você que apesar das provas ainda se recusa a acreditar no
que vê?
E O amor ardente do sol queimaria o mundo e a lua com suas lagrimas inundaria toda a terra.
4000045332
Questão 17 Português Vírgula
Assinale a alternativa que, ao ser corretamente pontuada, admite o emprego de apenas duas vírgulas.
A — Não senhor eu não sei o que é mas posso descobrir.
B O filho presenteou a mãe e a filha o pai.
C Hoje se fará a convocação dos jogadores e a palavra do técnico não foi a única ouvida.
D — Leonardo que espécie de homem é você que apesar das provas ainda se recusa a acreditar no
que vê?
E O amor ardente do sol queimaria o mundo e a lua com suas lágrimas inundaria toda a terra.
4000039173
Questão 18 Demais sinais diacríticos Português
Considere o texto e as afirmativas abaixo:
"Todo homem que te procura vai pedir-te alguma coisa: o rico, a amizade de tua conversação; o triste, um
consolo; o débil, um estímulo; o que luta, uma ajuda moral."
I - os dois pontos figuram no período para assinalar uma explanação do que foi afirmado antes.
II - as vírgulas assinalam a elipse de um verbo.
III - os ponto-e-vírgulas separam orações coordenadas numa explicação lógica para dar maior destaque à
idéia inicial.
Em relação às afirmativas acima.
by: Torricelli1889
A somente a I é correta.
B somente a l e a II estão corretas.
C somente a I e a III estão corretas.
D somente a II e a III estão corretas.
E todas estão corretas.
4000044697
Questão 19 Demais sinais diacríticos Português
O período que está corretamente pontuado é:
A O quadro, que está tendo seu verniz restaurado ainda não foi vendido. E permanece no rio. A outra
tela, pertence a uma coleção paulista.
B De agora em diante, dificilmente algum quadro de Post, mudará de mãos. Por valor menor que o
preço mínimo de 1,7 milhão de dólares.
C Ao contrário dos Estados Unidos, cuja memória paisagística tem apenas cerca de 200 anos, o Brasil,
nesse quesito, é um país rico.
D Além dos pintores, viajantes os ricos brasileiros, também estão investindo pesado, em arte
modernista brasileira.
E Recentemente o empresário, carioca Luis Antonio de Almeida Braga; um dos herdeiros do banco
Icatu; pagou mais de 600.000 reais pelo quadro Devaneio.
4000044695
Questão 20 Demais sinais diacríticos Português
Considere o texto e as afirmativas abaixo:
“Todo homem que te procura vai pedir-te alguma coisa: o rico, a amizade de tua conversação; o triste, um
consolo; o débil, um estímulo; o que luta, uma ajuda moral.”
I - os dois pontos figuram no período para assinalar uma explanação do que foi afirmado antes.
II - as vírgulas assinalam a elipse de um verbo.
III - os ponto-e-vírgulas separam orações coordenadas numa explicação lógica para dar maior destaque à
idéia inicial.
Em relação às afirmativas acima,
by: Torricelli1889
A somente a I é correta.
B somente a I e a II estão corretas.
C somente a I e a III estão corretas.
D somente a II e a III estão corretas.
E todas estão corretas.
4000039052
Questão 21 Demais sinais diacríticos Português
O período que está corretamente pontuado é:
A O quadro, que está tendo seu verniz restaurado ainda não foi vendido. E permanece no rio. A outra
tela, pertence a uma coleção paulista.
B De agora em diante, dificilmente algum quadro de Post, mudará de mãos. Por valor menor que o
preço mínimo de 1,7 milhão de dólares.
C Ao contrário dos Estados Unidos, cuja memória paisagística tem apenas cerca de 200 anos, o Brasil,
nesse quesito, é um país rico.
D Além dos pintores, viajantes os ricos brasileiros, também estão investindo pesado; em arte
modernista brasileira.
E Recentemente o empresário, carioca Luis Antonio de Almeida Braga; um dos herdeiros do banco
Icatu; pagou mais de 600.000 reais pelo quadro Devaneio.
4000039051
Questão 22 Português Vírgula
l. Por trás dos atletas de carne e osso, são dois os heróis alegóricos de toda Olimpíada: a força da juventude
e o triunfodo corpo humano.
II. (...) - o mundo inteiro sabe que, nas pistas ou quadras, não existe meia-vitória.
III. Além de ganhar, o néctar mais sublime para um atleta está em derrotar o adversário em grande estilo,
com um arabesco de arroubo, em vez de eliminá-lo de forma "burocrática" e previsível.
IV. Se conseguir, entrará não apenas para a historia olímpica dos medalhados — 0,00018% da população
mundial - mas para o panteão dos atletas mais sublimes, cujos nomes são invocados de geração a geração.
Assinale a alternativa correta quanto à pontuação.
by: Torricelli1889
A Em I, os dois pontos podem ser eliminados, para que não separem o predicativo do verbo ser.
B Em I e em II, as vírgulas foram empregadas com a mesma finalidade: separar adjuntos adverbiais
deslocados.
C Em III, são opcionais as vírgulas cm "com um arabesco de arroubo".
D As vírgulas após ganhar (III) e conseguir (IV) separam orações com função explicativa em início de
período.
E Em IV, os travessões não podem ser substituídos por parênteses.
4000044644
Respostas:
1 C 2 B 3 B 4 E 5 B 6 E 7 E 8 B 9 D 10 C 11 C
12 C 13 C 14 E 15 C 16 B 17 B 18 E 19 C 20 E 21 C 22 B
by: Torricelli1889

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