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Orçamento das Empresas Estatais Eixo Gestão Pública Fundação Escola Nacional de Administração Pública Título da capacitação: Orçamento das Empresas Estatais Demandante da capacitação: SEST/MGI Objetivo geral da capacitação: Qualificar a atuação dos Conselheiros de Administração das Empresas Estatais a partir do domínio de conceitos básicos de gestão orçamentária e financeira das empresas. Informações de expediente: Gestão Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional Conteudista: Maribel Alves Fierro Sevilla Michael Mendonça e Mendonça Enap, 2025 Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF Sumário 1. Conceitos orçamentários e legislação aplicada 5 1. Conceitos Orçamentários Básicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1.1. Definição de Orçamento Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 1.2. Sistema Orçamentário e Empresas Estatais . . . . . . . . . . . . 9 2. Normas Orçamentárias Básicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.1. Instrumentos Orçamentários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.2. Ciclo Orçamentário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 3. Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 4. Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 2. Ciclo orçamentário 21 1. Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais não-dependentes . 21 1.1. Cronograma anual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 1.2. Planejamento: plano de negócios e plano de trabalho do Con- selho de Administração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 1.3. Programação do Programa de Dispêndios Globais . . . . . . . . 27 1.4. Programação do Orçamento de Investimento . . . . . . . . . . . 29 1.5. Mensalização e Resultado Fiscal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 1.6. Acompanhamento da Execução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 1.7. Reprogramação/Remanejamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 1.8. Alterações Orçamentárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 2. Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais dependentes . . . . 37 2.1. Etapas do processo orçamentário . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 2.2. Planejamento e Plano de negócios . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 2.3. Elaboração da proposta orçamentária . . . . . . . . . . . . . . . . 42 2.4. Programação orçamentária e financeira . . . . . . . . . . . . . . 44 2.5. Acompanhamento da Execução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 2.6. Alterações Orçamentárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 3. Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 4. Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 5. Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 3. Indicadores Orçamentários 55 1. Indicadores Orçamentários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 1.1. Definição de indicadores orçamentários . . . . . . . . . . . . . . 56 Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 3 1.2. Relação entre orçamento e desempenho financeiro . . . . . . . 60 1.3. Principais indicadores orçamentário financeiros a serem mo- nitorados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 1.4. Avaliação e ajustes no sistema de monitoramento . . . . . . . . 63 2. Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 3. Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 4. Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 4 Módulo1 Conceitos orçamentários elegislação aplicada Seja bem-vindo ao primeiro módulo do curso Orçamento das Empresas Estatais! Estudaremos, neste módulo, os principais instrumentos que regem o processo or- çamentário das empresas estatais, a fim fornecer informações de alto nível acerca de suas principais etapas para auxiliá-lo na condução das atividades associadas à gestão da empresa. Este módulo, portanto, será apresentado em duas unidades programáticas a seguir: Unidade 1: Conceitos orçamentários básicos Unidade 2: Normas orçamentárias básicas Objetivos deste módulo: O curso de Orçamento das Estatais está organizado em três módulos com o obje- tivo de apresentar os conceitos básicos do orçamento público, as práticas essenci- ais do planejamento e execução orçamentária e os indicadores que se observam para avaliar essa execução orçamentária. Os objetivos do módulo 1, que é composto de duas unidades, são diversos e fun- damentais para a compreensão do papel das empresas estatais na economia e na Administração Pública. Emprimeiro lugar, omódulo busca proporcionar uma visão abrangente sobre o orçamento público e sua base principiológica que influencia a governança orçamentária-financeira, enfatizando a importância de práticas trans- parentes e eficientes que garantam a accountability das empresas estatais. Isso é essencial, pois essas entidades lidam com recursos públicos e, portanto, sua ges- tão deve ser pautada pela responsabilidade e pela ética. Outro objetivo central é discutir os princípios orçamentários que regem a prática das empresas estatais. O módulo 2 pretende esclarecer como a elaboração e a execução de orçamentos impactam positivamente a eficiência operacional dessas entidades. Através da análise de casos práticos e da apresentação demelhores prá- ticas, espera-se que o público compreenda como um planejamento orçamentário Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 5 eficaz pode influenciar a tomada de decisões e, consequentemente, a performance das empresas. Além disso, o módulo visa a fomentar a discussão sobre a relação entre as empre- sas estatais e o governo. A interação entre essas entidades e as políticas públicas é um aspecto crucial para a governança financeira. Ao explorar esta relação, o mó- dulo busca oferecer insights sobre como as empresas estatais podem alinhar suas estratégias aos objetivos governamentais, promovendo uma gestão que não ape- nas atenda às expectativas do governo, mas também responda às necessidades da sociedade. Outro objetivo importante é capacitar os diretores das empresas estatais com fer- ramentas e conhecimentos que possibilitem uma gestão mais eficiente. O curso Orçamento das Estatais inclui informações sobre regulamentações, compliance e práticas de governança que são essenciais para o funcionamento eficaz dessas entidades, assim como sobre os principais indicadores orçamentários. Com isso, espera-se que os conselheiros possam implementar estratégias que não apenas melhorem a eficiência financeira, mas também a reputação das empresas estatais perante a sociedade. Por fim, almeja contribuir para a formação de uma cultura de governança orçamentário-financeira nas empresas estatais. Promover um ambiente em que a transparência, a responsabilidade e a eficiência sejam priorizadas é fundamental para a confiança do público nas instituições. Este curso, portanto, não apenas visa a informar, mas também inspirar os gestores a adotarem uma postura proativa em relação à governança financeira, garantindo que as empresas estatais cumpram seu papel de maneira digna e eficaz. Assista ao vídeo. . . E confira como este curso está estruturado. Dê o play agora mesmo! 1. Conceitos Orçamentários Básicos O orçamento público é uma ferramenta essencial para planejar e direcionar os re- cursos do Estado, garantindo a execução de políticas públicas e a manutenção dos serviços essenciais. Dentro da ordem econômica estabelecida pela Constituição Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 6 https://cdn.evg.gov.br/cursos/1379_EVG/scorms/modulo01_scorm01/scormcontent/assets/mod00_u00_SB_01.mp4?v=1- Estrutura programática e funcional do orçamento Avaliação da NFGC para a Proposta Orçamentária - SOF, Órgãos Técnicos, MPO, Casa Civil/ Pre- sidência da Re- pública - Estimativa das receitas e das des- pesas que compõem a NFGC, para a proposta orçamentária Estudo, Definição e Di- vulgação dos Referenciais Monetários para a Pro- posta Setorial - SOF, MPO, Casa Civil/ Presidência da República - Divulgação dos limites para apre- sentação da proposta orçamentária dos órgãos setoriais Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 39 ETAPAS RESPONSÁVEIS PRODUTO Captação da Proposta Quantitativa do Poder Executivo - UOs, Órgãos Setoriais - Proposta quantitativa dos órgãos setoriais detalhada no SIOP Captação da Proposta Quantitativa dos “demais Poderes” - UOs, Órgãos Setoriais - Proposta quantitativa dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, doMPUedaDPUdetalhada no SIOP Análise e Ajuste da Pro- posta Quantitativa - SOF - Proposta orçamentária analisada, ajustada e definida Fechamento, Compatibili- zação e Consolidação da Proposta Orçamentária - SOF, MPO, Casa Civil/ Presidência da República - Proposta orçamentária aprovada pelo MPO e pela Presidência da República, fonteada, consolidada e compatibilizada em consonância com a CF/88, o PPA, a LDO e a LRF, além do atendimento das exigên- cias dos órgãos de controle Elaboração e Formaliza- ção da Mensagem Presi- dencial e do Projeto de Lei Orçamentária - SOF e Sest, Ór- gãos Técnicos, Casa Civil/ Pre- sidência da Re- pública - Mensagem presidencial, texto e anexos do PLOA, elaborados e en- tregues ao Congresso Nacional Elaboração e Formali- zação das Informações Complementares ao PLOA - SOF e SEST, Área Econô- mica, Órgãos Setoriais, Casa Civil/ Presi- dência da República - Informações complementares ao PLOA, elaboradas e entregues ao Congresso Nacional Quadro 2.3. Fonte: Manual Técnico do Orçamento (2024). Disponível em: https://www1 .siop.planejamento.gov.br/mto/doku.php. Acesso em: 21 nov. 2024 2.2. Planejamento e Plano de negócios Este tópico trata da etapa de planejamento, que precede a elaboração do orça- mento da empresa, e tem como principais instrumentos o Plano Plurianual (PPA) e o plano de negócios da empresa. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 40 https://www1.siop.planejamento.gov.br/mto/doku.php https://www1.siop.planejamento.gov.br/mto/doku.php O PPA é o instrumento por meio do qual se concretiza o planejamento público do país, em que se vinculam os programas estratégicos ao orçamento federal, es- tando a ele articulados os planos setoriais, conforme estatuído no art. 165, § 4.º, da Constituição Federal de 1988 (CF/88), o que lhe confere o status de principal instrumento de planejamento do governo. É por meio do PPA que se assegura a continuidade da ação estatal nos períodos de transição entre governos, na medida em que a CF/88 determina que sua vigên- cia tenha início no segundo ano da gestão e término no primeiro ano da gestão seguinte. O PPA vigente foi aprovado pela Lei n.º 14.802, de 10 de janeiro de 2024 (Lei do PPA), que define diretrizes, programas, objetivos e metas para orientar a atuação governamental no quadriênio de 2024 a 2027. A lei estabelece a forma de integração com os orçamentos da União e os se- guintes mecanismos de governança para o atingimento dos objetivos e metas estabelecidas: I.mecanismos de implementação e integração de políticas públicas; II. critérios de regionalização de políticas públicas, com vistas à redução das desigualdades regionais; III.mecanismos de monitoramento, avaliação e revisão do PPA 2024-2027; IV. processos de participação social no PPA 2024-2027. Adicionalmente, as empresas públicas precisamobservar as obrigações delineadas na Lei n.º 13.303, de 30 de junho de 2016, de sorte que compete ao Conselho de Administração aprovar o Plano de Negócios para o exercício anual seguinte e a Estratégia de Longo Prazo atualizada com análise de riscos e oportunidades para, no mínimo, os próximos cinco anos. Estas peças precisam estar alinhadas a diretrizes, objetivos e metas definidas para a Administração Pública Federal por meio do PPA, uma vez que o planejamento se materializa em ações orçamentárias da empresa, as quais devem estar vinculadas a determinado programa do PPA. As empresas estatais dependentes, assim como qualquer unidade orçamentária ou órgão setorial que recebe autorização para a realização de seus gastos de cus- teio e investimentos, precisam prestar contas de sua execução e são objeto de acompanhamento por parte do governo federal, que deve enviar à ComissãoMista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional, até Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 41 30 de setembro de cada exercício, o relatório anual de monitoramento do PPA 2024-2027, conforme definido pela Lei do PPA. Tal processo de monitoramento deve conter como resultado, em especial: (i) de- sempenho, por programa finalístico, dos indicadores dos objetivos específicos e das entregas, indicando os pontos de atenção para o cumprimento do objetivo do programa e apresentando justificativa em caso de descumprimento; (ii) demons- trativo da execução orçamentária e financeira dos investimentos plurianuais; e, (iii) análise dos programas de gestão. As empresas, portanto, são instadas a informar sua contribuição, que são avaliadas por meio de indicadores, os quais posteriormente são alvo de auditoria de órgãos de controle, o que revela o caráter estratégico do plano e indica que o Conselho de Administração deve prezar pelo atingimento das metas previstas no PPA, pois é a instância responsável por fixar a orientação geral dos negócios da companhia e fiscalizar a gestão dos diretores. Por fim, destaque-se que o Conselho de Administração tem o dever de promover anualmente a análise de atendimento das metas e resultados na execução do plano de negócios e da estratégia de longo prazo, devendo publicar suas conclu- sões e informá-las ao Congresso Nacional, conforme estabelece o art. 23 da Lei n.º 13.303/2016. 2.3. Elaboração da proposta orçamentária Este tópico trata da etapa de elaboração da proposta orçamentária das empre- sas estatais dependentes constante dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social, cujo processo é organizado pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF). O processo de elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) envolve a interação entre diversos atores do Sistema de Planejamento e de Orçamento Federal, disciplinado pela Lei n.º 10.180/2001, entre os quais as empresas estatais atuam como Unidades Orçamentárias. Este processo envolve um conjunto articulado de tarefas complexas organizadas em um cronograma que compreende a participação do órgão central, dos órgãos setoriais e das unidades orçamentárias. Tais tarefas são dinâmicas e podem variar de um ano para outro, mas, essencialmente, são constituídas de dois momentos distintos, em que são captadas as informações qualitativas, dispostas em ações orçamentárias, e quantitativas, quando essas ações são valoradas. A título de exemplo, a elaboração do PLOA-2025, no âmbito do Poder Executivo, ocorreu em duas fases: Fase I - captação da proposta orçamentária setorial; Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 42 Fase II - destinada apenas a ajustes da proposta decorrentes de alterações no referencial monetário ou nas diretrizes de alocação de recursos. O processo, portanto, se inicia com a captação da proposta qualitativa, que ocorre, geralmente, entre osmeses demaio e junho, em que se realiza a atualização, inclu- são e exclusão de atividades, projetos e operações especiais do cadastro de ações orçamentárias, e de seus atributos. Estes ajustes são realizados por meio do Sistema Integrado de Planejamento e Or- çamento (SIOP), pelas Unidades Orçamentárias (UOs), e segue para análise dos Órgãos Setoriais (OSs) que, no caso das empresas estatais federais, são os minis- térios supervisores aos quais elas estão vinculadas. Já a fase de captação daproposta quantitativa depende da disponibilização do refe- rencialmonetário pela SOF e varia conformeo tipo de despesa, como, por exemplo, despesas com pessoal, encargos e benefícios, e sentenças judiciais, cujos referen- ciais são antecipados. O referencial monetário refere-se aos limites que cada Órgão Setorial recebe para a elaboração da proposta orçamentária setorial. Esse referencial é calculado por meio da Necessidade de Financiamento do Go- verno Central (NFGC) e envolve a análise de diversos componentes, que são agrupados em receitas e despesas primárias, além de receitas e despesas fi- nanceiras. De posse dos limites, os ministérios supervisores fixam, de acordo com as prio- ridades setoriais, os referenciais monetários que serão disponibilizados para a apresentação das propostas orçamentárias das empresas e das demais unida- des orçamentárias vinculadas. Na fase quantitativa, realiza-se a previsão da alocação de recursos, mediante o pre- enchimento do valor físico e financeiro, no SIOP, da proposta orçamentária para o PLOA, pelas UOs e pelos OSs, até o limite referencial monetário informado, em conformidade com as necessidades de planejamento do órgão, com vistas ao atin- gimento dos objetivos e resultados dos programas. Ressalte-se que a alocação dos recursos deve indicar a localização geográfica da despesa no nível mais detalhado possível, por meio do subtítulo (localizador de gasto). Ademais, destaque-se que as ações orçamentárias podem ter especificidades em Planos Orçamentários (POs), os quais permitem que a elaboração e execução do orçamento ocorram em nível mais detalhado do que a ação e localizador de gasto. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 43 Assim, os POs representam uma importante ferramenta gerencial que confere transparência ao orçamento da empresa e, consequentemente, maior controle ao gestor, na medida em que comunica de maneira pormenorizada a realização das despesas mediante entregas intermediárias que contribuem para o alcance da produção final pretendida para a ação. Por fim, para o PLOA-2025, iniciou-se novo processo que consiste na captação da proposta orçamentária setorial de médio prazo, denominado de Marco Orçamen- tário de Médio Prazo (MOMP), fundamentado no § 14 do Art. 165 da Constituição Federal de 1988, que prevê a possibilidade de a Lei Orçamentária Anual conter previsões de despesas para exercícios seguintes. Segundo oManual Técnico de Orçamento de 2025, o MOMP consiste em relevante aprimoramento da gestão orçamentária, fundamentado nas melhores práticas internacionais na condução de aspectos do orçamento público que ultrapassam um exercício financeiro, expandindo o horizonte da discussão alocativa e eviden- ciando os efeitos futuros das escolhas presentes, trazendo maior transparência e consistência do gasto público no médio prazo. Trata-se, portanto, de uma ferramenta de relevante importância para que a alta administração da empresa avalie os impactos de suas decisões no médio prazo e antecipe problemas futuros relacionados às questões econômico-financeiras, com vistas a aprimorar sua gestão e atingir os objetivos de políticas públicas, em atendimento ao interesse coletivo ou ao imperativo de segurança nacional que justificou a autorização para a sua criação. 2.4. Programação orçamentária e financeira Este tópico trata da etapa de programação orçamentária e financeira das empre- sas estatais dependentes, que consiste na definição do cronograma de execução mensal de desembolso do Poder Executivo federal mediante limites estabelecidos para empenho e pagamento das suas despesas. Destaque-se que, diferentemente das empresas estatais não dependentes do Te- souro Nacional, que utilizam sistema próprio e têm autonomia orçamentária e fi- nanceira, as empresas estatais dependentes executam seu orçamento por meio Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 44 do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), observando os limites definidos no Decreto de Programação Orçamentária e Financeira (DPOF). Os Decretos de Programação Orçamentária e Financeira podem ser acessados por meio do seguinte link: Decreto de Programação Orçamentária e Financeira (DPOF) - 2024 - 4º bimestre — Tesouro Transparente. Visando ao cumprimento do disposto nos arts. 8.º e 9.º da Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o DPOF é publicado no início do ano após a publicação dos orçamentos e atualizado bimestralmente, podendo sinalizar limitações de empenho emovimentação financeira quando veri- ficado que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento dasmetas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais. Importa acrescentar que a Lei de Responsabilidade Fiscal determina que a lei de diretrizes orçamentárias estabeleça critério para a limitação de empenho e movi- mentação financeira. Tais limites estão dispostos nos anexos do DPOF, discriminando por órgão (i) os limites de movimentação e empenho para cada tipo de despesa primária discrici- onária; (ii) os valores autorizados para pagamento de despesas discricionárias de determinadas fontes de recursos do tesouro; e, (iii) cronograma de pagamento das despesas primárias obrigatórias. Cabe ressaltar que esta dinâmica se apresenta como um desafio adicional para a alta administração da empresa, namedida em que a execução de seus investimen- tos e demais gastos fica condicionada à liberação de recursos diretos do governo federal que, a depender da condição fiscal do País, podem resultar em interrup- ções na sua disponibilização e impactar o planejamento orçamentário e financeiro da estatal dependente do Tesouro Nacional. Diante do exposto, o gestor precisa atuar estrategicamente e avaliar cenários para mitigar riscos que afetem o desempenho da empresa e implementar práticas de governança que incentivem a eficiência na gestão orçamentária. 2.5. Acompanhamento da Execução Este tópico trata da etapa de acompanhamento da execução orçamentária das empresas estatais dependentes. Inicialmente, cabe frisar que o Congresso Nacional, por meio de emendas à Consti- tuição Federal de 1988 (CF/88), estabeleceu a impositividade orçamentária para as Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 45 https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/decreto-de-programacao-orcamentaria-e-financeira-dpof/2024/184 https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/decreto-de-programacao-orcamentaria-e-financeira-dpof/2024/184 despesas primárias discricionárias dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. Desta forma, conforme estatui o art. 165, § 10, da CF/88, a Administração tem o de- ver de executar as programações orçamentárias, adotando as medidas e os meios necessários, com o propósito de garantir a efetiva entrega de bens e serviços à sociedade. Segundo oManual Técnico doOrçamento de 2024, entende-se comoprogramação orçamentária o detalhamento da despesa por função, subfunção, unidade orça- mentária, programa, ação e subtítulo. O dever de execução, portanto, corresponde à obrigação do gestor de adotar asmedidas necessárias para executar as dotações orçamentárias disponíveis. Ressalte-se que, conforme dispõe a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a inexecução das programações orçamentárias primárias discricionárias enseja a necessidade de justificativas por parte dos gestores responsáveis pela execução das respecti- vas programações. Tais explicações devem compor os relatórios de prestação de contas anual dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União. Adicionalmente, destaque-se que as empresas que programarem ações orçamen- tárias com localizador de gasto 0001 (Nacional) no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) devem obrigatoriamente informar, por meio do processo de Acom- panhamento Orçamentário, o local de execução da ação orçamentária em nível mais específico do que o indicado no PLOA ou apresentar as justificativas para a manutenção do localizador0001 (Nacional) tambémna fase de execução orçamen- tária, em atenção ao Acórdão n.º 562/2023 – TCU – Plenário. O processo de Acompanhamento Físico-Financeiro do Orçamentário é organizado anualmente pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF), por meio do qual se ava- lia o alcance das metas especificadas para os produtos das ações e dos planos orçamentários. O módulo do acompanhamento orçamentário do Sistema Integrado de Planeja- mento e Orçamento (SIOP) foi desenvolvido para registrar informações que possi- bilitem verificar o andamento da entrega dos bens e serviços à sociedade, decla- Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 46 https://www1.siop.planejamento.gov.br/mto/lib/exe/fetch.php/mto2024:mto2024.pdf rados por meio dos produtos das ações, bem como as justificativas de inexecução total do orçamento destinado às despesas discricionárias. A captação da execução física e financeira ocorre nas ações e nos planos orça- mentários com produto definido, inclusive naqueles planos orçamentários cuja ação correspondente não tem produto definido. Essa captação é realizada no decorrer e ao final do exercício, por unidade orçamentária e em nível de subtí- tulo (localizador do gasto) das ações. Fonte:Manual Técnico do PDG (2024). Disponível em https://www1.siop.pl anejamento.gov.br/mto/doku.php/mto2024. Acesso em: 26 nov. 2024. Por fim, o Conselheiro de Administração pode acompanhar o orçamento da em- presa de maneira tempestiva por meio do Painel do Orçamento Federal, que é atualizado diariamente, apresentando os dados referentes à base SIAFI do dia an- terior. Apresenta-se, a seguir, o passo a passo para montar consultas no Painel do Orçamento. Assista ao vídeo. . . E descubra como utilizar o Sistema Integrado de Planejamneto e Orçamento. Dê o play agora mesmo! 2.6. Alterações Orçamentárias Este tópico trata da etapa de alterações orçamentárias das empresas estatais de- pendentes. A elaboração da peça orçamentária é realizada no exercício anterior ao período de referência, com um lapso temporal de, aproximadamente, quatro a cinco meses até o início da execução das programações constantes da Lei Orçamentária Anual – LOA. Desta forma, é natural que as dotações inicialmente aprovadas na LOA se revelem inadequadas ou insuficientes para a realização dos programas de trabalho, o que pode motivar alterações orçamentárias de diversas ordens, a fim de adequar a lei orçamentária à real necessidade de execução do órgão. A legislação orçamentária Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 47 https://www1.siop.planejamento.gov.br/mto/doku.php/mto2024 https://www1.siop.planejamento.gov.br/mto/doku.php/mto2024 https://cdn.evg.gov.br/cursos/1379_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/mod02_u05_vid_apres-SIOP.mp4?v=1 prevê uma série de situações nas quais para realizar tais alterações, quepodemser, essencialmente, agregadas em: (i) créditos adicionais; (ii) reabertura de créditos adicionais; e, (iii) outras alterações orçamentárias. Cabe atentar que as alterações orçamentárias são consideradas compatíveis com o dever de execução das programações tratado na unidade anterior. Tal dever também não obsta a escolha das programações que serão objeto de anulação, cancelamento ou redução e suplementação, aplicação ou acréscimo, por meio das alterações orçamentárias. Anualmente, a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) publica portaria discipli- nando o processo de alterações orçamentárias, que são organizadas em tipos de alterações, de acordo com as regras relacionadas a cada autorização, sejam aquelas dispostas na Lei de Diretrizes Orçamentárias ou na Lei Orçamentária Anual. Há prazos definidos no decorrer do exercício para realizar determinados tipos de alterações orçamentárias. Para o processo de 2024, estes prazos estão sin- tetizados no seguinte documento: https://www1.siop.planejamento.gov.br/siopdoc/lib/exe/fetch. php/alteracoes_orcamentarias:prazos_creditos_2024.pdf O processo de alterações orçamentárias dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social é complexo e repleto de especificidades no que se refere a anulação ou can- celamento de programações orçamentárias e bloqueios de crédito, que devem ser objeto de aprofundamento para um público específico, distinto dos Conselheiros de Administração, que requerem um nível mais alto de informação com vistas a entender o macroprocesso e tomar as decisões necessárias para o cumprimento de sua função. Portanto, interessa ao conselheiro conhecer os fluxos do processo e a informação sobre os principais tipos de alterações, sua finalidade e o ato legal por meio do qual estes ajustes no orçamento são efetivados, que se encontram dispostos a seguir: Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 48 https://www1.siop.planejamento.gov.br/siopdoc/lib/exe/fetch.php/alteracoes_orcamentarias:prazos_creditos_2024.pdf https://www1.siop.planejamento.gov.br/siopdoc/lib/exe/fetch.php/alteracoes_orcamentarias:prazos_creditos_2024.pdf Figura 2.4. Fluxo geral das Alterações Orçamentárias Fonte: Manual Técnico de Orçamento (2024) Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 49 3. Glossário Nº Termo Definição / Significado 1 Processo Orçamentário Conjunto de etapas que envolvem a elaboração, aprovação e execução do orçamento. 2 Cronograma Anual Plano comas atividades e prazos para execução das despesas e receitas ao longo do ano. 3 Plano de Negócios Documento que define os objetivos, estratégias e projeções financeiras de uma organização. 4 Mensalização Distribuição das receitas e despesas ao longo dos meses do ano fiscal, para permitir o planejamento e controle adequado do fluxo financeiro. 5 Resultado Fiscal Balanço entre as receitas e as despesas do período, analisando a saúde financeira e a execução orça- mentária. 6 Acompanhamento da Execução Monitoramento contínuo da implementação do or- çamento para garantir que as metas financeiras se- jam cumpridas. 7 Reprogramação/RemanejamentoAlteração no orçamento para realocar recursos en- tre diferentes áreas ou atividades. 8 Alterações Orçamentá- rias Modificação do orçamento durante sua execução, ajustando receitas e despesas conforme necessi- dade. 9 Holding Empresa que controla outras empresas, consoli- dando seus orçamentos para otimizar a gestão fi- nanceira. Quadro 2.4. Glossário de termos Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 50 Nº Termo Definição / Significado 10 Empenho Compromisso formal de que uma despesa será paga, garantindo a reserva de recursos no orça- mento. 11 SIOP Sistema Integrado de Orçamentos e Planejamento: Sistema utilizado para o planejamento e acompa- nhamento da execução orçamentária no setor pú- blico. 12 SIEST Sistema Integrado de Execução de Serviços Técni- cos: Plataforma que auxilia na gestão e controle de serviços técnicos no âmbito do setor público. 13 Créditos Adicionais Valores suplementares ao orçamento original, auto- rizados para cobrir despesas imprevistas oumodifi- cações. Quadro 2.5. Glossário de termos 4. Conclusão Neste módulo, aprendemos que o ciclo orçamentário das empresas estatais é um processo composto por etapas essenciais que garantem o planejamento, a execu- ção e o controle eficaz dos recursos públicos. Foram estudadas as especificidades das empresas estatais não-dependentes do Tesouro Nacional e das dependentes, permitindo compreender suas diferenças estruturais e operacionais no que diz respeito ao orçamento. Na Unidade 1, focada nas empresas estatais não-dependentes, foram abordadas oito etapas fundamentais: o cronograma anual do processo orçamentário; o plano de negócios e o papel do Conselho de Administração; a programação do Programa de Dispêndios Globais (PDG); o Orçamento de Investimento (OI); a mensalização e o resultado fiscal; o acompanhamento da execução; e osmecanismos de reprogra- mação, remanejamento e alterações orçamentárias. Com destaque para o papel coordenador da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), o módulo evidenciou como essas etapasse articulam para garantir que os recursos sejam alocados com base em estratégias claras, metas monitoradas e cri- térios legais. Na Unidade 2, dedicada às empresas estatais dependentes, foram detalhadas seis etapas: as fases do processo orçamentário; o planejamento e o plano de negócios; a elaboração da proposta orçamentária; a programação orçamentária e financeira; Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 51 o acompanhamento da execução; e as alterações orçamentárias. A Secretaria de Orçamento Federal (SOF) aparece como o órgão central da coordenação do pro- cesso, e o módulo destaca a obrigatoriedade de alinhamento entre o Plano Pluri- anual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Também foi enfatizado o papel da alta administração na observância dos prazos, cumprimento das metas e responsabilidade pela boa governança. De forma geral, o módulo proporcionou uma visão abrangente e comparativa do ciclo orçamentário das empresas estatais, promovendo a compreensão de seus instrumentos de planejamento, execução, controle e revisão, fortalecendo a atuação dos gestores públicos e conselheiros de administração em prol da responsabilidade fiscal e da eficiência na alocação de recursos. Ouça o podcast. . . E confira uma recapitulação dos principais temas abordados neste módulo. Dê o play agora mesmo! 5. Referências • BRASIL. Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: https://www.pl analto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm. Acesso em: 12 nov. 2024.• BRASIL. Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal (Lei de Responsabilidade Fiscal). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cc ivil_03/leis/lcp/Lcp101.htm. Acesso em: 12 nov. 2024.• BRASIL. Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/le is/l6404consol.htm. Acesso em: 12 nov. 2024.• BRASIL. Lei n.º 13.303, de 30 de junho de 2016. Dispõe sobre o estatuto jurídicoda empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/l ei/l13303.htm. Acesso em: 12 nov. 2025. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 52 https://cdn.evg.gov.br/cursos/1379_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/pod02_mod02.mp3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp101.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp101.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13303.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13303.htm • BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento. Síntese dos prazos aplicá- veis às alterações orçamentárias. Disponível em: https://www1.siop.plan ejamento.gov.br/siopdoc/lib/exe/fetch.php/alteracoes_orcamen tarias:prazos_creditos_2024.pdf. Acesso em: 13 nov. 2024.• BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento. Manual Técnico de Orça- mento – MTO 2024. Disponível em: https://www1.siop.planejamento.g ov.br/mto/doku.php/mto2024. Acesso em: 25 nov. 2024.• BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento. Portaria SOF/MPO nº 34, de 8 de fevereiro de 2024. Estabelece procedimentos e prazos para alterações or- çamentárias nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União para o exer- cício de 2024. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/port aria-sof/mpo-n-34-de-8-de-fevereiro-de-2024-542779624. Acesso em: 25 mar. 2025. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 53 https://www1.siop.planejamento.gov.br/siopdoc/lib/exe/fetch.php/alteracoes_orcamentarias:prazos_creditos_2024.pdf https://www1.siop.planejamento.gov.br/siopdoc/lib/exe/fetch.php/alteracoes_orcamentarias:prazos_creditos_2024.pdf https://www1.siop.planejamento.gov.br/siopdoc/lib/exe/fetch.php/alteracoes_orcamentarias:prazos_creditos_2024.pdf https://www1.siop.planejamento.gov.br/mto/doku.php/mto2024 https://www1.siop.planejamento.gov.br/mto/doku.php/mto2024 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-sof/mpo-n-34-de-8-de-fevereiro-de-2024-542779624 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-sof/mpo-n-34-de-8-de-fevereiro-de-2024-542779624 Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 54 Módulo3 Indicadores Orçamentários Seja bem-vindo ao terceiro módulo do curso Orçamento das Empresas Estatais! Neste módulo, vamos estudar como acompanhar os principais indicadores orça- mentários, de modo a auxiliá-lo na condução das atividades associadas à gestão da empresa. Este módulo possui somente uma unidade. 1. Indicadores Orçamentários Indicadores orçamentários são ferramentas fundamentais para a Administração Pública, para a gestão empresarial e para a sociedade em geral. Eles permitem avaliar o desempenho da gestão financeira da empresa, bem como monitorar o cumprimento de políticas públicas e metas estabelecidas. Além disso, são impor- tantes para a transparência e fiscalização do uso e resultados dos recursos aplica- dos. Para trabalhar com os indicadores orçamentários das empresas estatais federais, é necessário compreender os conceitos fundamentais do orçamento público e do Programa de Dispêndios Globais (PDG), já tratados no Módulo 1, assim como o ciclo orçamentário, tratado no Módulo 2. Em uma breve síntese, vimos que o orçamento é um instrumento de planejamento que detalha a previsão dos recursos a serem arrecadados e a destinação desses re- cursos a cada ano. Essa previsão, para as empresas estatais federais dependentes, é realizada pormeio do ProgramaPlurianual de Ações (PPA) e, para as empresas es- tatais federais não dependentes, do Programa de Dispêndios Globais (PDG). Neste último caso, englobam-se receitas e despesas e o PDG é peça-chave para a gestão orçamentária-financeira das empresas estatais. Os elementos do orçamento público incluem a previsão de receitas, a fixação de despesas, a autorização para realização de programas e projetos e a definição de metas e objetivos. O desempenho orçamentário da empresa, monitorado pelos in- dicadores orçamentários, afeta e é influenciado pelo desempenho financeiro. Há uma relação próxima entre o desempenho orçamentário e financeiro, que será Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 55 apresentada a seguir. No entanto, este módulo trata apenas do desempenho or- çamentário da empresa. O Módulo 3 traz alguns exemplos de indicadores orçamentários e como eles são usados para informar a tomada de decisão dos administradores das empresas estatais. 1.1. Definição de indicadores orçamentários Os indicadores orçamentários são ferramentas essenciais para a gestão financeira de qualquer organização, independentemente de seu porte ou segmento de atu- ação. Eles permitem que os gestores acompanhem e analisem o desempenho fi- nanceiro em relação ao orçamento estabelecido, possibilitando a identificação de desvios e a tomada de decisões corretivas em tempo hábil. A definição desses in- dicadores deve considerar aspectos como a clareza nas metas financeiras, a rele- vância dos dados coletados e a periodicidade da análise. Com uma boa definição, é possível garantir que os indicadores reflitam fielmente a realidade da empresa. A definição de indicadores de qualidade deve observar certas características. Em 1981, o consultor norte-americano George T. Doran apresentou o conceito S.M.A.R.T em um artigo intitulado "There’s a S.M.A.R.T. Way to Write Manage- ment’s Goals and Objectives"publicado na revista Management Review. A meto- dologia SMART é utilizada até os dias atuaispara se definir metas e objetivos de forma clara e eficaz que são consubstanciados em indicadores. A sigla SMART representa cinco critérios essenciais que esses indicadores devem atender:• Específico (Specific): A meta deve ser clara e específica, sem ambiguidades. Por exemplo, em vez de "melhorar as vendas", uma meta específica seria "au- mentar as vendas em 10% no próximo trimestre".•Mensurável (Measurable): É importante que a meta possa ser medida para acompanhar o progresso. Isso pode incluir métricas como números, porcen- tagens ou datas.• Atingível (Attainable): A meta deve ser realista e alcançável, considerando os recursos e limitações disponíveis.• Relevante (Relevant): A meta deve ser relevante para os objetivos gerais da organização ou do projeto, garantindo que ela tenha um impacto significativo.• Temporal (Time-bound): A meta deve ter um prazo definido para ser alcan- çada, o que ajuda a manter o foco e a motivação. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 56 Esses critérios ajudam a garantir que as metas sejam bem definidas e que pos- sam ser acompanhadas e alcançadas de maneira eficaz. Um dos principais objetivos dos indicadores orçamentários é medir a eficiência e a eficácia do uso dos recursos financeiros disponíveis. Isso inclui a análise de des- pesas, receitas e o orçamento de investimentos em relação ao que foi planejado. Com essamedição, os gestores podem identificar áreas que necessitam de ajustes e otimizações, além de facilitar a previsão de resultados futuros. Os indicadores orçamentários podem ser classificados em diferentes categorias, como, por exemplo, os indicadores de processo ou de resultado. Os indicadores or- çamentários de processo demonstram dados de execução orçamentária ao longo do período de competência, apontando para a sazonalidade de receitas e despe- sas. Já os indicadores de resultado orçamentário, por exemplo, ajudam a avaliar a capacidade da empresa de prever suas receitas e despesas e executá-las, con- forme programado. Como um dos objetivos das empresas é gerar lucros em re- lação às suas vendas ou ao capital investido, o indicador de execução orçamentá- ria relaciona-se com os indicadores financeiros de rentabilidade da empresa (por exemplo, Margem de Lucro Líquida, Retorno sobre o Investimento (ROI) etc.). Esta segmentação permite uma análise precisa e direcionada, possibilitando a identifi- cação de pontos críticos na saúde financeira da empresa, que devem ser conside- rados para umamelhor programação orçamentária. Esse processo é cíclico, como desenvolvido no Módulo 2. Os indicadores orçamentários do exercício anterior da empresa são insumos para o planejamento dos anos subsequentes, assim como o desempenho mensal da empresa é insumo para revisão do que se espera como resultado de receitas e despesas no final do exercício. A Fig. 1 ilustra a execução de uma empresa estatal nos últimos quatro anos. Observa-se que a empresa previu receitas superiores às despesas executadas para todos os anos, exceto em 2023, quando as despesas superaram os valores de receitas programadas. Lembre-se que a programação das receitas e despesas do PDG obedecem ao regime de competência, ou seja, registra receitas e despesas ocorridas em ano específico. Os outros módulos do PDG são elaborados seguindo o regime de caixa. Este exemplo mostra claramente um erro na previsão de receitas em 2023. A empresa perdeu o prazo de reprogramação do PDG e não foi capaz de ajustar os valores. No exemplo apresentado, o erro foi menor que 5%, ou seja, dentro de umamargem de erro aceitável. Agora, em termos operacionais, em 2024, a taxa de execução de 83% é baixa, demonstrando que algo que tinha sido planejado deixou de ser executado. Esta informação é importante para os membros do Conselho de Administração avaliarem a execução do plano de ação Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 57 aprovado originalmente. Figura 3.1. Elaborado pela autora (2025) Outro aspecto importante na definição de indicadores orçamentários é a integra- ção com outras áreas da gestão empresarial. A colaboração entre departamentos como vendas, marketing e operações, pode enriquecer a análise, proporcionando uma visão mais ampla sobre as variáveis que impactam o desempenho orçamen- tário e influenciam a tomada de decisões. Um exemplo disso é a relação entre o planejamento e a área fim na gestão do orçamento de investimentos. Uma baixa execução do orçamento de investimento, entre várias hipóteses possíveis, pode estar relacionada à reduzida capacidade operacional da área fim. A Fig. 2 mostra execução do orçamento de investimento previsto inferior ao programado no ano de 2020 de uma empresa estatal. Os recursos foram orçados, estavam disponíveis, mas só um terço do previsto foi executado. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 58 Figura 3.2. Elaborado pela autora (2025) Neste exemplo, a empresa objetivava expandir seus negócios, adquirindo mais equipamentos, mas, por causa dos prazos apertados, a diretoria operacional não realizou pesquisa de mercado suficiente e definiu proposta técnica, que levou a umprocesso licitatório deserto. Não houve nenhum fornecedor interessado. A em- presa gastou 28% dos recursos da ação nas atividades preparatórias para a aquisi- ção, mas deixou de adquirir os equipamentos, resultando em uma baixa execução do orçamento de investimento. Se o equipamento deveria produzir mais ou gerar serviços, isso deixou de acontecer, impactando os resultados da empresa. No que se refere à relação entre o planejamento orçamentário e a área operaci- onal, não foi considerada a capacidade técnica, em termos de horas de trabalho disponíveis, para concluir dentro do prazo exigido a pesquisa de preços e o levanta- mento de fornecedores, fundamentais para a elaboração de uma proposta técnica competitiva no mercado. Ou seja, projetou-se uma atividade necessária para a ex- pansão da empresa, os recursos estavam disponíveis, mas não se negociou com a área operacional se o processo de execução era viável em termos operacionais ou não se observaram os riscos da operação. Todas essas ações relacionadas à execução orçamentária informam o Conselheiro de Administração e a Diretoria Executiva sobre questões a serem consideradas para uma boa gestão empresarial. Por fim, a implementação de um sistema de indicadores orçamentários eficaz deve ser acompanhada de uma cultura organizacional que valorize a transparên- cia e a responsabilidade financeira. Os líderes devem promover um ambiente em que todos os colaboradores compreendam a importância dos indicadores e Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 59 se sintam motivados a contribuir para o alcance das metas estabelecidas. Desta forma, os indicadores orçamentários deixam de ser meros números em relatórios e se tornam ferramentas estratégicas para o sucesso financeiro da empresa. 1.2. Relação entre orçamento e desempenho financeiro A relação entre orçamento e desempenho financeiro é um aspecto fundamental para o sucesso de qualquer organização. O orçamento não apenas serve como um plano financeiro,mas como uma ferramenta de controle que permite que os gesto- res avaliemodesempenho real em comparação comas expectativas estabelecidas. Quando um orçamento é elaborado de forma cuidadosa, ele fornece diretrizes cla- ras sobre como os recursos devem ser alocados, facilitando a tomada de decisões informadas e estratégicas. Da mesma forma, um resultado financeiro positivo de umano impacta o orçamento do próximo exercício, informando a capacidade para investimentos, ou, ao contrário, se for observado um déficit financeiro, isso exigirá da empresa refletir sobre novas formas de geração de receitas nos anos posteri- ores. Estes novos valores, para sanar o déficit, deverão ser orçados e compor o orçamento. O alinhamento entre as metas orçamentárias e os resultados financei- ros é crucial para a saúde financeira de uma empresa e para o compliance com as normas estatutárias da Lei das Estatais. No tocante aoPrograma de Dispêndios Globais, trimestralmente é publicada pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais – Sest/MGI, Portaria Trimestral do programa com a execução das empresas estatais não- dependentes, o que constitui um instrumento para avaliação pelo Conselho de Administração e Diretorias Executivas sobre o desempenho das estatais. Um exemplo disso é o cotejamento dos dados do orçamento aprovado com o que foi realizado. Ao executar uma despesa, o impacto financeiro tende a mostrar nú- meros mais reais, pois a esperada receita, na prática, será aumentada ou reduzida pelo superávit ou déficit financeiro do ano anterior. É assim porque os resultados financeiros têm natureza extraorçamentária, ou seja, não compõem os orçamen- tos sobre os quais pesará a renúncia fiscal ou a nova despesa. Neste passo, um saldo descoberto não executado (déficit financeiro) afeta a receita coletada no exercício corrente, restringindo a execução da despesa orçada para o mesmo período; já, em rumo diverso, um excedente de caixa (superávit financeiro) eleva as possibilidades orçamentárias do ano corrente. Exemplo: a empresa espera arrecadar R$20 milhões, mas precisa saldar débitos descobertos referentes ao ano anterior (R$2 milhões). Se assim for, baseando-se Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 60 emR$20milhões, calcula-se o impacto orçamentário, enquanto parcela diferencial de R$18 milhões, e se verifica o impacto financeiro (R$20 milhões – R$2 milhões). Desta forma, o desempenho orçamentário está relacionado à capacidade de pre- visão e planejamento do gestor da empresa, enquanto o desempenho financeiro com a gestão empresarial, com os resultados empresariais de uma forma geral. Em breve síntese, a análise de desempenho financeiro em empresas deve ser ba- seada em indicadores que reflitam a eficiência e a eficácia do uso dos recursos. Indicadores como margem de lucro, retorno sobre investimento (ROI) e liquidez corrente são essenciais para entender a capacidade da empresa de gerar lucro e manter suas obrigações financeiras. Aomonitorar esses indicadores em relação ao orçamento, os gestores podem identificar desvios significativos que exigem aten- ção imediata e reprogramar as alocações orçamentárias a fim de promover me- lhores resultados financeiros. Esta análise permite ajustes proativos, garantindo que a organização permaneça no caminho certo em direção aos seus objetivos financeiros. A seguir, temos outro exemplo de análise de desempenho financeiro e orçamen- tário. Na gestão de custos e despesas de empresas públicas, a relação entre orça- mento e desempenho financeiro se torna evidente. Muitas vezes, essas empresas operam commargens de lucro apertadas, o que torna a gestão eficiente dos recur- sos ainda mais crítica. Um orçamento bem estruturado permite que os dirigentes e gerentes tenham uma visão clara das despesas e possam identificar áreas em que os custos possam ser reduzidos sem comprometer a qualidade dos produtos ou serviços. Esta abordagemmelhora não apenas o desempenho financeiro, como contribui para a sustentabilidade da empresa a longo prazo. Por fim, o monitoramento de fluxo de caixa é um elemento essencial que se inter- conecta com o orçamento e o desempenho financeiro. A gestão do fluxo de caixa permite que as empresas mantenham a liquidez necessária para operar e crescer. Um orçamento que leva em consideração as entradas e saídas de caixa ajuda a evitar surpresas financeiras desagradáveis. Através de uma análise rigorosa do fluxo de caixa em relação ao orçamento, os gestores podem assegurar que a empresa atinja suas metas financeiras e mantenha sua solvência e capacidade de investimento com as devidas projeções orçamentárias para oportunidades futuras. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 61 1.3. Principais indicadores orçamentário financeiros a se- rem monitorados Os principais indicadores orçamentários e financeiros são ferramentas fundamen- tais para a gestão eficiente e eficaz de qualquer organização. Para os proprietários de empresas, Chief Executive Officers (CEOs) e Chief Financial Officers (CFOs), o monitoramento desses indicadores não é apenas uma prática recomendada, mas uma necessidade estratégica. Entre os indicadores mais relevantes, destacam-se os relacionados à capacidade de execução da empresa, da gestão do fluxo de caixa, da inexecução do que foi programado pela empresa e do acompanhamento de obrigações legais. Vamos ver alguns exemplos. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 62 Indicadores Orçamentários Definição Taxa de Execução Orçamentária Mede o percentual do orçamento que foi efetivamente executado em relação ao total planejado. Desvio Orçamentário Avalia a diferença entre o orçamento pla- nejado e o realizado, indicando se houve superávit ou déficit. Eficiência de Despesas: Analisa a relação entre os gastos realiza- dos e os resultados obtidos, verificando a eficiência do uso dos recursos. Índice de Cumprimento de Metas Orçamentárias: Verifica o grau de cumprimento das me- tas estabelecidas no orçamento. Saldo Orçamentário: Indica o saldo disponível no orçamento após a execução das despesas. Taxa de Liquidação de Empenhos das empresas dependentes: Mede o percentual de empenhos que fo- ram liquidados em relação ao total empe- nhado. Índice de Execução de Receitas Avalia o percentual de receitas arreca- dadas em relação ao previsto no orça- mento. Resultado Fiscal Avalia a diferença entre as receitas e des- pesas da empresa, excluindo juros de dí- vidas. Mede se a empresa gasta mais do que arrecada, sem considerar os custos com o pagamento de juros. Quadro 3.1. Exemplo de Indicadores Orçamentários Elaborado pela autora (2025) 1.4. Avaliação e ajustes no sistema de monitoramento A avaliação e os ajustes no sistema de monitoramento são fundamentais para ga- rantir que os indicadores de desempenho orçamentário-financeiro estejam sem- pre alinhados com os objetivos estratégicos da organização. Eles devem refletir as prioridades e metas da organização. Para os CEOs e CFOs, este processo deve ser contínuo, permitindo que a empresa reaja às mudanças no ambiente de negócios e antecipe tendências e desafios. Um sistema de monitoramento eficaz deve ser Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 63 capaz de fornecer informações precisas, em tempo real, que ajudem na tomada de decisões informadas. A Diretoria de Orçamento e Qualidade dos Gastos das Estatais da Sest/MGI mo- nitora os seguintes indicadores: Taxa de Execução Orçamentária do PDG; Taxa de ExecuçãoOrçamentária doOI; Taxa deGasto emPublicidade e Propaganda; Déficit Orçamentário e Desvio Orçamentário. Com esses poucos indicadores orçamentá- rios, a Sest acompanha as empresas, mantendo constante comunicação com os técnicos de planejamento responsáveis. Por fim, ao se definir ou revisar os indicadores de monitoramento no conselho de administração da empresa, a diretoria executiva deve promover a divulgação e engajamento das diretorias de atividades meio e de atividades fim na empresa para que todos se apropriem das metas e métricas adotadas. A comunicação interna sobre os ajustes realizados no sistema de monitoramento é essencial para o engajamento das equipes e a eficácia do processo. Todos os stakeholders devem estar cientes das alterações e da importância dos indicadores para a estratégia da organização. 2. Conclusão Neste módulo, discutiu-se a importância dos indicadores como ferramentas es- senciais para medir o sucesso das organizações. Indicadores orçamentários são essenciais para a Administração Pública, Gestão Empresarial e Sociedade, permi- tindo avaliar a gestão financeira, monitorar políticas públicas e metas, e garantir transparência e fiscalização. Tratou-se dos conceitos fundamentais referentes às empresas estatais: o Orça- mento público, instrumento de planejamento que detalha a previsão de recursos e sua destinação anual; e o Programa de Dispêndios Globais (PDG), peça orçamen- tária utilizada paraempresas estatais federais não dependentes, englobando re- ceitas e despesas. Falou-se sobre a definição de Indicadores Orçamentários como ferramentas de gestão financeira, que permitem acompanhar e analisar o desempenho financeiro em relação ao orçamento; cujos objetivos incluem medir eficiência e eficácia do uso dos recursos financeiros, analisar despesas, receitas e investimentos plane- jados. Apresentamos os indicadores orçamentários, que podem ser classificados em indicadores de processo (execução orçamentária ao longo do período) e de resultado (capacidade de prever e executar receitas e despesas). Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 64 Por fim, por meio de exemplos, mostramos que os indicadores orçamentários e financeiros são fundamentais para a tomada de decisões informadas, permitindo que os administradores avaliem a saúde financeira de suas empresas estatais. 3. Glossário Nº Termo Definição / Significado 1 Margem de lucro líquida Representa a porcentagem do faturamento de uma empresa que efetivamente se transforma em lucro, após a dedução de todas as despesas operacionais, impostos, juros e outros custos. Quanto maior a margem de lucro líquida, maior a eficiência da em- presa em controlar custos e maximizar sua rentabi- lidade. 2 Retorno sobre o Investi- mento (ROI) É um dos indicadores mais utilizados para medir a eficiência e a rentabilidade de um investimento. Ele compara o lucro obtido com o valor investido, de- monstrando quanto a empresa ganhou (ou perdeu) em relação ao que foi aplicado. 3 Regime de Competência É um princípio contábil que determina que recei- tas e despesas devem ser registradas no momento em que são geradas, independentemente do paga- mento ou recebimento efetivo. 4 Análise de Desempenho Financeiro É o processo de avaliação da saúde financeira e da eficiência operacional de uma empresa, baseado na interpretação de diversos indicadores, como lucrati- vidade, liquidez, endividamento e eficiência na ges- tão de recursos. Quadro 3.2. Glossário de Termos 4. Referências • BRASIL. Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 mar. 1964. Retificado em 9 abr. 1964 e 3 jun. 1964. Disponível em: https: //www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm. Acesso em: 25 mar. 2025. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 65 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm • BRASIL. Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal (Lei de Responsabilidade Fiscal). Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 231, Seção 1, p. 2, 5 maio 2024. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/lcp/Lcp101.htm. Acesso em: 12 nov. 2024.• BRASIL. Decreto n.º 12.280, de 29 de novembro de 2024. Aprova o Programa de Dispêndios Globais - PDG das empresas estatais federais para o exercício fi- nanceiro de 2025. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 231, Seção 1, p. 2, 2 dez. 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20 23-2026/2024/decreto/D12280.htm. Acesso em: 25 mar. 2025.• DORAN, G. T. There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and ob- jectives. Management Review, v. 70, p. 35-36, nov. 1981. Disponível em: https: //community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S. M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf. Acesso em: 25 mar. 2025.•MACIEL, P. J. Finanças públicas no Brasil: uma abordagem orientada para políticas públicas. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 47, n. 5, p. 1213-1241, set./out. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rap/ a/qRsvHf8WRRfydJnwhCxwC5Q/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 25 mar. 2025. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 66 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp101.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp101.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/decreto/D12280.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/decreto/D12280.htm https://community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S.M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf https://community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S.M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf https://community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S.M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf https://www.scielo.br/j/rap/a/qRsvHf8WRRfydJnwhCxwC5Q/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rap/a/qRsvHf8WRRfydJnwhCxwC5Q/?format=pdf&lang=pt 1 Conceitos orçamentários e legislação aplicada 1 Conceitos Orçamentários Básicos 1.1 Definição de Orçamento Público 1.2 Sistema Orçamentário e Empresas Estatais 2 Normas Orçamentárias Básicas 2.1 Instrumentos Orçamentários 2.2 Ciclo Orçamentário 3 Glossário 4 Conclusão 2 Ciclo orçamentário 1 Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais não-dependentes 1.1 Cronograma anual 1.2 Planejamento: plano de negócios e plano de trabalho do Conselho de Administração 1.3 Programação do Programa de Dispêndios Globais 1.4 Programação do Orçamento de Investimento 1.5 Mensalização e Resultado Fiscal 1.6 Acompanhamento da Execução 1.7 Reprogramação/Remanejamento 1.8 Alterações Orçamentárias 2 Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais dependentes 2.1 Etapas do processo orçamentário 2.2 Planejamento e Plano de negócios 2.3 Elaboração da proposta orçamentária 2.4 Programação orçamentária e financeira 2.5 Acompanhamento da Execução 2.6 Alterações Orçamentárias 3 Glossário 4 Conclusão 5 Referências 3 Indicadores Orçamentários 1 Indicadores Orçamentários 1.1 Definição de indicadores orçamentários 1.2 Relação entre orçamento e desempenho financeiro 1.3 Principais indicadores orçamentário financeiros a serem monitorados 1.4 Avaliação e ajustes no sistema de monitoramento 2 Conclusão 3 Glossário 4 ReferênciasFederal de 1988, ele também define como as empresas estatais devem atuar, seja na prestação de serviços públicos ou na exploração de atividades econômicas. Estas empresas possuem um regime jurídico próprio, que equilibra a autonomia e a necessidade de seguir princípios como transparência, eficiência e responsabi- lidade fiscal. Isso garante que sua atuação esteja alinhada aos interesses sociais e ao desenvolvimento econômico do país. Além disso, o controle orçamentário dessas entidades é fundamental para evitar desperdícios e garantir que o dinheiro público seja utilizado de forma eficiente e voltada para o bem comum. Direito fundamental. CF/1988, art. 1, IV, são fundamentos da República Federa- tiva do Brasil: - os valores sociais do trabalho; - os valores sociais da livre-iniciativa. Essa é a finalidade da ordem econômica constitucional sob a qual se solidifica a atuação das empresas estatais. Admite-se, pois, a intervenção do Estado no domí- nio econômico. Toda atuação empresarial funda-se nos pilares da ordem econômica. Esses pilares se aplicam às empresas estatais e são essenciais para a compreensão do papel que essas entidades desempenham na administração pública. As empresas estatais, ao serem criadas e regulamentadas pela Constituição, devem seguir princípios que garantam a transparência, a eficiência e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos. Além disso, a prática orçamentária deve alinhar-se aos princípios do orçamento, que são os seguintes: (1) princípio da exclusividade; (2) princípio da programação; (3) princípio do equilíbrio orçamentário; (4) princípio da anualidade; (5) princípio da unidade; (6) princípio da universalidade ou da globalização; (7) princípio da le- galidade; (8) princípio da não vinculação orçamentária. 1. Princípio da exclusividade - Veda que a lei orçamentária contenha dispositivo estranho à fixação da despesa e à previsão da receita, não incluindo, porém, na proibição: (a) a autorização para abertura de créditos suplementares; e (b) a contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei (Art. 165, § 8.º, CRFB 1988). 2. Princípio da programação orçamentária - Está ligado, como vimos, ao plano de ação governamental. É exigido pela Constituição, quando se vincula os instru- mentos normativos orçamentários e os planos e programas nacionais, regionais e setoriais nela previstos (Art. 165 e seus §§ 1.º a 5.º). Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 7 3. Princípio do equilíbrio orçamentário - A alocação de recursos deve ser feita de forma sustentável, conciliando receitas próprias e transferências do Tesouro, a fim de conciliar receitas e despesas (Arts. 48, II, 195, II, e § 5.º, e 166). 4. Princípio da anualidade - O orçamento é previsão, programação de atividades e projetos a serem realizados no futuro em um determinado período que, no caso do Brasil, é o exercício fiscal que coincide com o ano civil. Está consagrado na Constituição, ao mencionar conteúdo específico da lei orçamentária anual (Arts. 48, II, 195, II, e § 5.º, e 166) e, mais especificamente, como se vê do Art. 165, § 9.º, I, que cita a necessidade de lei complementar para dispor sobre o exercício financeiro. Atualmente, de acordo com a Lei n.º 4.320/64, o exercício financeiro vai de 1.º de janeiro a 31 de dezembro. 5. Princípio da unidade - O orçamento deve ser único, consolidando todas as re- ceitas e despesas públicas. Isso não implica um único documento, mas um orça- mento multidocumental, ou seja, dentro do orçamento geral, desde a distinção entre orçamento ordinário e orçamento extraordinário, orçamento corrente e orçamento de capital, orçamento anual e orçamento plurianual. 6. Princípio da universalidade - Todas as receitas e despesas devem constar do orçamento bruto, que integra todos os orçamentos (fiscal, de investimento, das empresas, da seguridade social) e tipos de receitas e despesas orçamen- tárias. A universalidade adquire característica de totalização, de globalização, transformando-se em princípio do orçamento global (Art. 165, § 5.º), que tem proximidade com o princípio da unidade. 7. Princípio da legalidade - Todas as receitas e despesas devem constar do orça- mento bruto subordinado aos ditames da lei. Constitui exigência constitucional expressa que leis de iniciativa do Presidente da República estabelecerão: o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais (Art. 165); estes são aqueles que integram a lei orçamentária anual, a saber: o orçamento fiscal, o orçamento de investimento das empresas e o orçamento da seguridade social (Art. 165, § 52, CRFB). 8. Princípio da não vinculação orçamentária - O princípio da não vinculação ou da não afetação da receita está traduzido no Art. 167, IV, que veda a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos e outros temas definidos explicitamente na Constituição (Parágrafo único do Art. 204 e o § 6.º do Art. 216, CRFB). A responsabilidade fiscal, por exemplo, é um princípio que deve ser integrado à atuação das empresas estatais. As normas constitucionais e infraconstitucionais Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 8 demandam que essas entidades sigam diretrizes que promovam a sustenta- bilidade financeira e o equilíbrio nas contas públicas. Assim, os diretores das empresas estatais precisam estar atentos às suas obrigações fiscais e orçamen- tárias, garantindo que suas decisões não comprometam a saúde financeira do Estado e que contribuam para a efetiva aplicação dos recursos públicos em benefício da sociedade. 1.1. Definição de Orçamento Público O orçamento público é o instrumento utilizado para a gestão financeira do Estado, pois estabelece as diretrizes e os limites para a arrecadação e a aplicação dos recur- sos públicos. Ele é um reflexo das prioridades do governo e deve ser elaborado de formaa atender as demandas da sociedade, garantindo a transparência e a respon- sabilidade na administração dos recursos financeiros. Para as empresas estatais, o orçamento público não é apenas uma questão administrativa, mas também um mecanismo essencial para alinhar suasmetas e objetivos com as políticas públicas. A definição de orçamento público envolve a previsão de receitas e despesas para um determinado período, geralmente um ano fiscal. Essa previsão deve ser reali- zada com base em análises objetivas e realistas das condições econômicas, sociais e políticas do país. Além disso, o orçamento deve considerar as necessidades espe- cíficas de cada setor, incluindo as empresas estatais, que desempenham um papel crucial na economia e na oferta de serviços essenciais à população. Para as empresas estatais, isso implica uma gestão rigorosa e responsável dos recursos, que atenda as necessidades do setor específico em que atuam, uma vez que elas são responsáveis não apenas perante seus acionistas, mas também perante a sociedade como um todo. 1.2. Sistema Orçamentário e Empresas Estatais O orçamento público, também conhecido como Orçamento Geral da União (OGU), integra múltiplas unidades orçamentárias que representam tanto a administração direta quanto indireta, incluindo as empresas estatais. Esta estrutura reflete o ca- ráter abrangente e interdependente das finanças públicas, englobando entidades com diferentes graus de autonomia e fontes de financiamento, mas alinhadas ao interesse público e às políticas nacionais.• Plano Plurianual (PPA) - Direciona os objetivos e metas da Administração Pú- blica para um período de quatro anos (Arts. 165, § 1.º, e 166, § 6.º, CFRB). Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 9 • Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) - Define as metas e prioridades da Ad- ministração Pública para o ano seguinte (Art. 165, § 2.º).• Lei Orçamentária Anual (LOA) - Estima a receita e fixa as despesas para o ano. A lei orçamentária anual engloba três orçamentos: (1) o orçamento fiscal referente aos poderes da União, seus fundos, órgãosda divulgação de informações sobre os dis- pêndios, as diretorias conseguem demonstrar a responsabilidade fiscal e a boa governança. Esta transparência é fundamental para fortalecer a confiança dos sta- keholders, incluindo o governo, os cidadãos e os investidores. O acompanhamento rigoroso dos dispêndios também permite identificar áreas de desperdício e inefici- ência, possibilitando uma gestão responsável e focada em resultados. Além disso, o PDG deve ser integrado ao processo de planejamento orçamentário das empresas estatais. Isso implica que as diretorias financeiras devam trabalhar em colaboração com as áreas de planejamento estratégico para garantir que os recursos estejam alinhados com as prioridades da organização. Um planejamento orçamentário coeso, que leve em conta as projeções do PDG,maximiza a utilização dos recursos e minimiza o risco de insuficiência financeira em projetos essenciais. A avaliação periódica do PDG é outra prática recomendada, pois permite que as empresas estatais ajustem suas estratégias de gastos com base em dados reais de desempenho. Por meio de indicadores de desempenho e análises comparativas, os diretores podem identificar quais áreas estão gerando os melhores resultados e quais necessitam de reavaliação. Essa abordagem orientada por dados não ape- nas melhora a eficácia do programa, mas também fornece insights valiosos para a tomada de decisões futuras. Por fim, a capacitação dos gestores e das equipes envolvidas na execução do PDG é crucial para o sucesso do programa. Investir em treinamento e desen- Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 13 volvimento de habilidades relacionadas à gestão financeira e análise de dados capacita os diretores a tomarem decisões mais informadas e estratégicas. Com um PDG robusto e bem implementado, as empresas estatais podem não apenas melhorar sua eficiência financeira, mas também contribuir de maneira signifi- cativa para o desenvolvimento econômico e social das comunidades que atendem. Orçamento de Investimento O Orçamento de Investimento (OI) é uma ferramenta essencial para a gestão fi- nanceira de empresas estatais não-dependentes, pois permite planejar e alocar recursos de forma eficiente para projetos que visam ao crescimento e à moder- nização das operações. Este tipo de orçamento abrange não apenas a aquisição de novos ativos, mas também a manutenção e a melhoria dos ativos existentes. A correta elaboração do orçamento de investimento é fundamental para garantir que os recursos públicos sejam utilizados de maneira transparente e responsável, refletindo as prioridades e necessidades da sociedade. Confira a seguir as etapas de elaboração do orçamento de investimento.•Mapeamento das Necessidades de Investimento - Uma das primeiras etapas na elaboração do orçamento de investimento é a identificação das necessidades de investimento da empresa. Isso envolve uma análise detalhada das operações atuais, bem como das projeções de demanda futura. É necessário considerar fatores como a capacidade de produção, a eficiência operacional e as tendências do mercado. Além disso, a participação de diferentes setores da empresa no processo de planejamento é crucial, pois assegura que todas as áreas tenham suas necessidades e preocupações consideradas.• Priorização Estratégica com Foco Sustentável - Após a identificação das ne- cessidades, o próximo passo é a priorização dos projetos de investimento. Isso deve ser feito combase em critérios que consideremnão apenas o retorno finan- ceiro esperado, mas também o impacto social e ambiental dos investimentos. A governança financeira deve garantir que os projetos selecionados estejam ali- nhados com as diretrizes estratégicas da empresa e com os objetivos de desen- volvimento sustentável. A transparência, neste processo, é vital para construir a confiança entre os stakeholders e para justificar as escolhas feitas.• Planejamento Orçamentário e Análise de Viabilidade - Uma vez priorizados os projetos, a elaboração do orçamento de investimento deve incluir estimativas detalhadas de custos e prazos. Essas estimativas devem ser realistas e baseadas em dados históricos e análises de mercado. A implementação de metodologias Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 14 de avaliação de projetos, como o valor presente líquido (VPL) e a taxa interna de retorno (TIR), pode ajudar na análise da viabilidade econômica dos investimen- tos. Além disso, é importante considerar as possíveis fontes de financiamento, incluindo recursos próprios, empréstimos e parcerias público-privadas.• Execução, Monitoramento e Governança do Orçamento - Por fim, a execu- ção e o monitoramento do orçamento de investimento são etapas críticas que não podem ser negligenciadas. É fundamental que haja um acompanhamento contínuo dos gastos e dos resultados dos projetos, permitindo ajustes rápidos quando necessário. A prestação de contas e a transparência na execução do or- çamento são essenciais para garantir a legitimidade do processo e a satisfação dos cidadãos. A adoção de boas práticas de governança financeira contribui para a eficiência do uso dos recursos públicos e para a sustentabilidade das empresas estatais a longo prazo. Orçamento Fiscal e da Seguridade Social O orçamento fiscal da União é um dos três componentes da Lei Orçamentária Anual (LOA) e tem como principal objetivo viabilizar a arrecadação e a aplicação dos recursos financeiros necessários para a execução das políticas públicas e o funcionamento do Estado. Ele abrange tanto a administração direta quanto a indi- reta, englobando os gastos dos órgãos da União, autarquias, fundações públicas e empresas estatais dependentes – aquelas que necessitam de recursos do Te- souro Nacional para cobrir despesas com pessoal, custeio e investimentos. No que diz respeito à integração com as empresas estatais dependentes, o or- çamento fiscal contempla aquelas que necessitam de aportes do Tesouro Nacio- nal para manter suas operações. Esses aportes exigem que os orçamentos dessas empresas sejam submetidos à aprovação do Congresso Nacional, seguindo nor- mas rigorosas de execução e prestação de contas. Esta dependência financeira demanda um planejamento orçamentário detalhado, garantindo que os recursos sejamalocados demaneira sustentável e emalinhamento às políticas públicas defi- nidas pelos órgãos setoriais do governo. Emgeral, o orçamento fiscal das empresas estatais é expresso em termos de ações orçamentárias no âmbito de programas orçamentários dos Ministérios Setoriais. Em síntese, no caso das empresas estatais não-dependentes, suas informações orçamentárias são realizadas no Programa de Dispêndios Globais e no Orçamento de Investimento, quando são previstos recursos destinados à sua expansão e mo- dernização, o que pode incluir receitas próprias, captação no mercado financeiro e eventuais aportes do governo. Já no caso das empresas estatais dependentes, Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 15 sua inclusão no orçamento fiscal da União (Orçamento Fiscal e da Seguridade Social) significa que suas receitas e despesas são monitoradas de perto pelos órgãos de controle. 2.2. Ciclo Orçamentário O ciclo orçamentário é um processo fundamental na governança financeira das empresas estatais, uma vez que envolve a elaboração, a execução e o controle dos orçamentos públicos. Esse ciclo é composto por várias etapas interligadas que garantem a transparência e a eficiência na utilização dos recursos públicos. Para os diretores de empresas estatais, compreender este ciclo é essencial para alinhar as estratégias da empresa aos objetivos de desenvolvimento econômico e social estabelecidos pelo governo. Confira as etapas a seguir.• Elaboração do Orçamento com Base Estratégica - A primeira fase do ciclo or- çamentário é a elaboração do orçamento. Esta etapa inicia-se com a definição das diretrizes orçamentárias, que orientam a formulação do orçamento de cada entidade. No contexto das empresas estatais, é crucial que os diretores partici-pem ativamente deste processo, apresentando suas necessidades e prioridades. A elaboração do orçamento deve ser baseada em um planejamento estratégico que considere a missão da empresa, as demandas da sociedade e as limitações financeiras do Estado.• Aprovação Legislativa e Legitimaçãodos Recursos - Após a elaboração, o orça- mento passa pela fase de aprovação, que geralmente ocorre na esfera legislativa. A aprovação do orçamento é ummomento de grande importância, pois legitima os recursos destinados às empresas estatais. Durante essa fase, os diretores de- vem estar preparados para justificar suas propostas, demonstrando como os investimentos contribuirão para a eficiência operacional e o cumprimento das metas estabelecidas. A transparência e a comunicação eficaz com os legislado- res são fundamentais para garantir a aprovação do orçamento proposto.• Execução Orçamentária e Gestão dos Recursos - Uma vez aprovado, o orça- mento entra na fase de execução, onde os recursos são efetivamente utilizados em conformidade com o planejamento. É nesta etapa que se materializam as ações planejadas e se realizam os investimentos. Para os diretores, a gestão da execução orçamentária requer um acompanhamento rigoroso, assegurando que as despesas estejam dentro dos limites estabelecidos e que os objetivos de Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 16 desempenho sejam alcançados. A implementação de controles internos e a uti- lização de ferramentas de gestão podem facilitar tal acompanhamento.• Controle, Avaliação e Prestação de Contas - Por fim, o ciclo orçamentário se completa com a fase de controle e avaliação. Nesta etapa, é importante que as empresas estatais realizem a prestação de contas e a análise dos resultados obti- dos em relação aoque foi planejado.Os diretores devempromover umambiente de accountability, em que todos os stakeholders possam ter acesso às informa- ções sobre a execução orçamentária e seus impactos. Esta prática não apenas fortalece a confiança da sociedade nas instituições públicas, como também con- tribui para a melhoria contínua da gestão orçamentária nas empresas estatais. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 17 3. Glossário Nº Termo Definição / Significado 1 Orçamento Público Previsão de receitas e fixação de despesas que o go- verno deve executar durante um período determi- nado. 2 Plano Plurianual (PPA) Planejamento estratégico de longo prazo que esta- belece as diretrizes e prioridades do governo para um período de quatro anos. 3 Lei de Diretrizes Orça- mentárias (LDO) Lei que define as metas e prioridades para o orça- mento anual e orienta a elaboração da LeiOrçamen- tária Anual (LOA). 4 Lei Orçamentária Anual (LOA) Lei que autoriza a previsão de receitas e a fixação das despesas para um exercício financeiro. 5 Receitas Valores que o governo arrecada, geralmente prove- nientes de tributos, impostos, contribuições, e ou- tras fontes. 6 Despesas Gastos públicos necessários para a manutenção e operação da administração pública, bem como para a execução de projetos e investimentos. 7 Execução Orçamentária Processo de implementação das despesas e arreca- dação das receitas previstas no orçamento. 8 Programa de Dispêndios Globais Programação que detalha a alocação dos recursos financeiros, abrangendo as diferentes áreas e ações orçamentárias do governo. Quadro 1.1. Glossário de Termos 4. Conclusão As reflexões finais sobre a governança financeira em orçamentos públicos e em- presas estatais ressaltam a importância de um modelo de gestão que priorize a transparência e a eficiência. A implementação de práticas sólidas de governança é fundamental para garantir que os recursos públicos sejam utilizados de maneira adequada, promovendo a responsabilidade e a prestação de contas. Os diretores das empresas estatais desempenham um papel crucial neste processo, pois suas Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 18 decisões impactam não apenas a saúde financeira das organizações, mas também a confiança da sociedade nas instituições públicas. Ouça o podcast. . . E confira uma recapitulação dos principais temas abordados neste módulo. Dê o play agora mesmo! Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 19 https://cdn.evg.gov.br/cursos/1379_EVG/scorms/modulo01_scorm01/scormcontent/assets/mod01_u02_POD_01.mp3 Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 20 Módulo2 Ciclo orçamentário Seja bem-vindo ao segundo módulo do curso. Estudaremos, neste módulo, o ciclo orçamentário das empresas estatais, que tem como objetivo fornecer informações de alto nível acerca de suas principais etapas, de modo a auxiliá-lo na condução das atividades associadas à gestão da empresa. Trata-se, essencialmente, das etapas de planejamento, programação e acompa- nhamento da execução orçamentária, que serão analisadas de forma a observar as especificidades das empresas estatais dependentes do Tesouro Nacional e da- quelas não-dependentes. Este módulo, portanto, será apresentado em duas unidades programáticas que abordam as etapas do ciclo orçamentário, subdivididas em tópicos desenvolvidos para o entendimento dessas fases, considerando-se a relação de dependência das empresas estatais federais. 1. Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais não-dependentes Nesta unidade, você conhecerá as principais etapas do ciclo orçamentário, organi- zadas em oito tópicos: i. Cronograma anual ii. Planejamento: plano de negócios iii. Programa de Dispêndios Globais iv. Lei Orçamentária Anual - Orçamento de Investimento v.Mensalização e Resultado Fiscal vi. Acompanhamento da Execução vii. Reprogramação/Remanejamento viii. Alterações Orçamentárias Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 21 1.1. Cronograma anual Este tópico aborda o cronograma anual do processo orçamentário das empresas estatais não-dependentes, o qual orienta o calendário de deliberações do Conse- lho de Administração, especificamente, em relação ao planejamento e orçamento da empresa. As empresas estatais federais são vinculadas à estrutura organizacional dos órgãos setoriais que seguem a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a quem compete coordenar a elaboração do Programa de Dispên- dios Globais (PDG) do Orçamento de Investimento (OI) das empresas estatais e do Demonstrativo da Política de Aplicação das Instituições Financeiras Oficiais de Fomento, conforme estatuído no art. 39 do Decreto n.º 12.102, de 8 de julho de 2024. Importante ressaltar que tais atribuições, em termos orçamentários, restringem-se às empresas estatais federais não-dependentes, uma vez que as empresas estatais federais dependentes, cujas programações se encontram integralmente incluídas nos Orçamentos Fiscal ou da Seguridade Social, devem seguir as diretrizes estabe- lecidas pela Secretaria de Orçamento Federal. Não obstante, dado o princípio orçamentário da Unidade ou Totalidade, o orça- mento deve ser uno, o qual cada ente governamental deve elaborar um único or- çamento. Desta forma, todas as receitas previstas e despesas fixadas, em cada exercício financeiro, devem integrar um único documento legal dentro de cada nível federativo, qual seja, a Lei Orçamentária Anual (LOA), que consolida os Orça- mentos Fiscal e da Seguridades Social (incluídos, aqui, o orçamento das empresas estatais federais dependentes) e o Orçamento de Investimento, que agrega os in- vestimentos das empresas estatais federais não-dependentes. Cabe observar que oOrçamento de Investimento (OI) reflete o gasto realizado com o ativo imobilizado das empresas estatais federais não-dependentes, o qual consta da principal peça orçamentária - o Programa de Dispêndios Globais (PDG), que compreende as fontes de recursos e os dispêndios previstos para o ano de referên- cia, mantendo-se o alinhamento aos registros contábeis das respectivas empresas em um Plano de Contas Único que possibilita a padronização ea sistematização da troca de informações econômico-financeiras. O PDG representa importante instrumento para a coordenação e o monitora- mento da atuação das estatais federais não dependentes ao captar informações que permitem conhecer o desempenho das empresas no que se refere à geração de receitas e resultados, gestão de despesas, produtividade, entre outros. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 22 Tais informações direcionam a atuação da Sest, como secretaria responsável pela coordenação e governança das empresas estatais, para a melhoria do resultado dessas empresas, bem como para a maior eficiência na execução dos investimen- tos da União em benefício da sociedade. Além disso, a Constituição Federal determina, nos termos do art. 165, § 5.º, inciso II, que o Orçamento de Investimento de cada empresa em que a União, direta ou in- diretamente, detenha amaioria do capital social com direito a voto seja submetido à consideração do Congresso Nacional até 31 de agosto de cada ano. Assim, para a elaboração da proposta de OI, é indispensável que a Sest disponha da previsão do PDG das empresas estatais federais não dependentes nas datas estabelecidas. Neste sentido, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea “a” da Constituição, o Presidente da República aprova, anualmente, por meio de decreto presidencial, o PDG das empresas estatais federais. Este decreto prevê também os prazos para apresentação de propostas de reprogramação e remanejamento de valores entre rubricas orçamentárias do PDG. Com vistas a organizar a etapa de elaboração da Lei Orçamentária Anual, a Se- cretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) disponibiliza anualmente o cronograma por meio do qual são definidas as etapas que as em- presas e ministérios supervisores precisam observar para fins de consolidação da proposta orçamentária das empresas estatais federais não-dependentes. A Fig. 1, a seguir, apresenta as macroetapas do processo orçamentário que devem ser observadas pelas empresas e ministérios supervisores. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 23 Figura 2.1. Cronograma do processo orçamentário das empresas estatais não- dependentes Elaborado pelo autor (2025). 1.2. Planejamento: plano de negócios e plano de trabalho do Conselho de Administração Este tópico trata da etapa de planejamento que precede à elaboração do orça- mento da empresa, bem como o plano de trabalho do Conselho de Administração que precisa ser bem estruturado, visando ao cumprimento, em especial, das de- mandas relacionadas à programação orçamentária da empresa. Destaque-se que as empresas públicas precisam observar diversas obrigações delineadas na Lei n.º 13.303, de 30 de junho de 2016. Esta lei, conhecida por Lei das Estatais, estabelece que compete ao Conselho de Administração aprovar o plano de negócios para o exercício anual seguinte e a estratégia de longo prazo atualizada com análise de riscos e oportunidades para, no mínimo, os próximos cinco anos, os quais devem ser apresentados pela diretoria até a última reunião ordinária do colegiado do ano anterior. O plano de negócios da empresa norteia as ações de curto prazo das empresas públicas e, em boamedida, algumas de médio prazo, bem como orienta os investi- mentos que estão consubstanciados na proposta orçamentária. Trata-se de impor- tante instrumento de gestão da empresa para o período a que se refere e precisa Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 24 estar alinhado com o que foi previamente planejado, quando da elaboração do Programa de Dispêndios Globais e do Orçamento de Investimento. Você deve notar que o art. 23 da Lei das Estatais atribui ao Conselho de Administra- ção a competência de promover anualmente a análise de atendimento das metas e resultados da execução do plano de negócios e da estratégia de longo prazo, sob pena de seus integrantes responderem por omissão, devendo publicar suas conclusões e informá-las ao Congresso Nacional e ao Tribunais de Contas. Reflita: A agenda de trabalho do Conselho de Administração possui uma ex- tensa lista de matérias que demandam sua deliberação ou que precisam ser levadas ao seu conhecimento no decorrer do ano, entre elas:•Matérias atinentes ao Planejamento: aprovação do Plano de Negócios e a Estratégia de Longo Prazo; análise das metas e resultados na execução do plano de negócios e da estratégia de longo prazo; fixação da orientação geral dos negócios da empresa.• Fiscalização dos atos de gestão: exame das Atas das reuniões de Diretoria Executiva, do Conselho Fiscal e do Comitê de Auditoria; tomar conhecimento das Atas das reuniões da Assembleia Geral Eventual; tomar conhecimento dos contratos celebrados ou em via de celebração.• Elaboração e acompanhamento da execução orçamentária: aprovação dos orçamentos anuais e plurianuais; acompanhamento da execução orça- mentária; aprovação de eventuais reprogramações.• Desempenho econômico-financeiro: análise dos balancetes e demais de- monstrações financeiras do período.• Estrutura de controle: acompanhamento do atendimento às recomenda- ções ou determinações dos Órgãos de Controle; aprovação do Plano Anual de Atividades da Auditoria Interna (PAINT); tomar ciência dos resultados dos trabalhos da Auditoria Interna por meio do Relatório Anual das Atividades da Auditoria Interna (RAINT); acompanhamento do Plano da Auditoria Interna, de sua execução e do atendimento às suas recomendações. Observe-se que o rol de competências e atribuições do colegiado não é taxativo, pois há outras relacionadas à gestão de risco corporativo, governança corpora- tiva, entre outras, o que exige que o plano de trabalho do Conselho de Admi- nistração seja bem definido, de forma a atender os prazos legais impostos pela legislação abordada no Módulo 1. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 25 De forma a alertar sobre as principais atribuições que precisam de atenção no tempo devido, apresenta-se, a seguir, a Fig. 2 com as etapas que devem ser deliberadas pelo colegiado no decorrer do exercício, relacionadas à questão orçamentário-financeira. Figura 2.2. Planejamento do Conselho de Administração Elaborado pelo autor (2025) Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 26 1.3. Programação do Programa de Dispêndios Globais Este tópico aborda a etapa de programação do Programa de Dispêndios Globais (PDG) que ocorre nos meses de maio e julho do exercício financeiro anterior à sua execução. Com vistas a dar cumprimento ao disposto no art. 165, § 5.º, inciso II da Constitui- ção Federal e no art. 107 da Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964, a Secretaria de Coordenação eGovernança das Empresas Estatais (Sest) inicia o processo de elabo- ração da proposta orçamentária das empresas não-dependentes do Tesouro Na- cional em que a União, direta ou indiretamente, detém a maioria do capital social com direito a voto, juntamente com o processo de elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA). Isso ocorre porque o Orçamento de Investimento (OI), peça integrante da LOA, re- flete os gastos realizados pelas estatais não-dependentes no ativo imobilizado das empresas. Tais investimentos, portanto, estão refletidos no PDG aprovado por De- creto Presidencial anualmente entre os meses de novembro e dezembro prévios ao exercício financeiro de referência. Adicionalmente, deve-se atentar para os procedimentos que serão detalhados no próximo tópico, em especial, quanto às informações de projetos de investimentos, a fim de avaliar o grau de maturidade dos projetos que deverão compor a carteira de investimentos da empresa que estarão refletidos no OI. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 27 O processo de elaboração do PDG se inicia nas empresas não-dependentes, ge- ralmente, em abril, quando as estas recebem as orientações da Sest acerca do processo de elaboração da proposta orçamentária para o exercício seguinte. No caso do Programa de Dispêndios Globais (PDG), a estrutura organizacional responsávelpela coordenação, elaboração e execução é formada pelos seguin- tes órgãos:• Órgão Central: atua na orientação normativa, coordenação do processo e consolidação das propostas. É exercido pelo Ministério da Gestão e da Inova- ção em Serviços Públicos (MGI), por intermédio da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest).•Ministérios Supervisores: (ministério ao qual a empresa estatal está vincu- lada): exercem a função de supervisão técnica nos limites da legislação aplicá- vel, com ênfase na compatibilidade entre o planejamento setorial e o objeto social da empresa estatal federal vinculada.• Empresas Estatais: entidade dotada de personalidade jurídica de direito pri- vado, cuja maioria do capital votante pertence direta ou indiretamente à União. São responsáveis pela prestação de informações relacionadas às fon- tes de recursos e aos dispêndios da empresa na estrutura do plano de contas do PDG. O processo de elaboração do PDG segue o seguinte fluxo, na Fig. 3: Figura 2.3. Fluxo do processo de elaboração do PDG Fonte: Manual Técnico do PDG. Disponível em https://www.gov.br/gestao/pt-b r/assuntos/estatais/central-de-conteudo/manuais/modulo-pdg Acesso em: 20 nov. 2024. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 28 https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/estatais/central-de-conteudo/manuais/modulo-pdg https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/estatais/central-de-conteudo/manuais/modulo-pdg A captaçãodaproposta da empresa é realizada pormeio do Sistemade Informação das Estatais (Siest), nos meses demaio e junho, seguindo para análise e aprovação do ministério supervisor em julho, quando é encaminhado para a Sest para fins de consolidação da proposta e apuração do resultado primário, o qual integra a Mensagem Presidencial que acompanha o Projeto de Lei Orçamentária Anual, en- viado ao Congresso Nacional até 31 de agosto, em atenção ao disposto no art. 35, § 2.º, inciso III, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988. Ressalte-se que os valores alocados a título de Remuneração Variável de Adminis- tradores, Participação nos Lucros e Resultados, Equacionamento de Déficit de Pla- nos de Previdência Complementar ou Planos de Demissão Voluntária, ainda que constemda peça orçamentária, carecemde aprovação daDiretoria de Governança e Avaliação de Estatais e da Diretoria de Política de Pessoal e Previdência Comple- mentar de Estatais, respectivamente, da Sest para que sejam efetivamente execu- tados. Determinadas rubricas orçamentárias são estratégicas e demandamatenção espe- cial, uma vez que pleitos referentes a determinadasmatérias devem ter aprovação do Conselho de Administração, conforme estabelece a Portaria Sest n.º 1.122, de 28 de janeiro de 2021. Tais matérias têm impacto orçamentário identificados por meio de diversas rubricas no PDG. Observe-se que os administradores da empresa, entre eles os membros do Con- selho de Administração, são responsáveis por tomar decisões financeiras estraté- gicas sobre investimentos e avaliar a melhor forma de financiamento de suas ope- rações. Portanto, o PDG representa um importante instrumento para o monitora- mento de aspectos econômico-financeiros da entidade com um olhar prospectivo, e propicia a avaliação da materialização do plano de negócios e da estratégia de longo prazo da empresa. Por fim, destaque-se que omódulo final do curso abordará “Indicadores Orçamen- tários” que podem auxiliar nesta tarefa, visando a otimizar a alocação de recursos e maximizar o resultado da empresa. 1.4. Programação do Orçamento de Investimento Este tópico aborda a etapa de programação do Orçamento de Investimento (OI) das empresas estatais não-dependentes, que é realizada no momento da elabora- ção dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social que compõem o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e está alinhado ao Programa de Dispêndios Globais. O Orçamento de Investimento (OI) é uma peça fundamental que reflete o planeja- Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 29 mento das empresas estatais não-dependentes para a realização de gastos com o ativo imobilizado. A elaboração do OI deve estar alinhada ao Programa de Dis- pêndios Globais (PDG) e seguir as diretrizes estabelecidas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para a elaboração da Lei Orçamentária Anual. Este processo tem comoÓrgão Central a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), conforme disposto no Decreto n.º 12.102/2024, a quem compete coordenar sua elaboração. A Constituição Federal de 1988 estabelece que o OI deve ser submetido à consi- deração doCongressoNacional até 31 de agosto de cada ano. Portanto, ressalte- se a necessidade de antecipar o processo de planejamento que estará consubs- tanciado no Plano de Negócios, o qual é aprovado anualmente até a última reu- nião ordinária do Conselho de Administração, em especial, no que se refere ao plano de investimentos. Um aspecto importante a ser observado refere-se ao grau de maturidade dos pro- jetos que comporão a carteira de investimentos da empresa. O Conselho de Administração, no cumprimento de sua função precípua de fixar a orientação geral dos negócios da companhia, conforme disposto no art. 142 da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, deve fazê-lo de forma a otimizar a alocação de seus recursos. Parte do processo de captação da proposta orçamentária das empresas envolve in- formações de natureza gerencial, relevantes para a análise orçamentária dos pro- jetos constantes dos orçamentos da União, tendo em vista qualificar a alocação e o acompanhamento orçamentário relacionados aos ativos de infraestrutura da União que sejam financiados por meio de ações do tipo projeto do orçamento fe- deral. Assim, no momento da programação orçamentária da empresa, cabe avaliar se os projetos apresentados pela direção para o PLOA possuem Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA); licença prévia, de instalação ou de opera- ção; anteprojeto; projeto básico; e, projeto executivo. Desta forma, tem-se a real medida do grau de maturidade dos projetos que devem constar do projeto de lei orçamentária anual. Por fim, o OI deve ser compatível com o PDG, que agrupa todas as despesas operacionais e de capital das empresas estatais. A compatibilidade entre o OI e o PDG é essencial para garantir a coerência e a eficiência na alocação de recursos. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 30 Etapa Descrição Período Planejamento A Sest inicia o processo de planejamento da elaboração do Orçamento de Investimento, definindo cronograma e diretrizes. Fevereiro/Abril Fase qualitativa A primeira fase visa a captar a programação qualitativa das empresas referente às ações orçamentárias que constarão do Orçamento de Investimento, em que são informadas as classificações institucional, funcional e progra- mática. A estrutura programática do OI é a mesma aplicada para as demais esferas da LOA, ou seja, o OI é estruturado em progra- mas orientados para a realizaçãodos objetivos estratégicos definidos para o período do PPA (quatro anos). Maio/Junho Fase quantitativa Fase na qual as empresas quantificam os in- vestimentos emetas físicas para o exercício se- guinte. Junho/Julho Quadro 2.1. Etapas iniciais do processo de elaboração do Orçamento de Investimento Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 31 Etapa Descrição Período Projetos Orça- mentários Momento em que as empresas informam o status dos projetos de investimento, que en- volve percentual de execução físico-financeira acumulado, custo total do empreendimento, datas de início e término, projeções para os próximos três exercícios, EVTEA, Licencia- mento e Projetos (anteprojeto, básico e execu- tivo). Julho Análise Período de análise e eventuais ajustes por parte dos Ministérios Setoriais e da Sest refe- rente às propostas das empresas sob sua su- pervisão. Junho/Julho Consolidação Consolidação realizada pela Sest referente às propostas orçamentáriasdas empresas esta- tais não-dependentes do Tesouro. Agosto Informações Complementares Fase de captação das informações comple- mentares ao PLOA, com detalhamento dos custos unitários médios utilizados na elabora- ção dos orçamentos para investimentos em obras de infraestrutura, alocados em projetos, com justificativa dos valores adotados. Agosto Quadro 2.2. Etapas do processo de elaboração do Orçamento de Investimento das empre- sas estatais não-dependentes 1.5. Mensalização e Resultado Fiscal Este tópico aborda a etapa de detalhamento mensal (mensalização) dos valores orçados, bem como trata de aspectos relacionados à apuração do resultado fiscal. O processo de mensalização do Programa de Dispêndios Globais (PDG) é uma etapa organizada pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Es- tatais (Sest), que tem como parte de suas atribuições acompanhar a execução or- çamentária das empresas estatais não-dependentes. É pormeio deste acompanhamento que a Sest apura o resultado primário do PDG, cuja meta é definida anualmente pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de sorte que a elaboração, a aprovação e a execução do Programa de Dispêndios Glo- bais devem ser compatíveis com a obtenção da referida meta. Destaque-se que o Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 32 resultado fiscal é apurado pela Sest pormeio do PDG combase no regime de caixa, no qual são consideradas apenas as receitas genuinamente arrecadadas pelas em- presas e descontadas todas as despesas correntes e de capital efetivamente pagas, inclusive dispêndios com investimentos. Excluem-se as amortizações de operações de crédito e as receitas e despesas financeiras. Este resultado é mensalmente confrontado com aquele apurado pelo Banco Cen- tral, que consolida as estatísticas fiscais e abrange, conforme dispõe o Manual de Estatísticas Fiscais dessa autarquia, o setor público não-financeiro, base das estatís- ticas divulgadas, que compreende a administração direta e indireta do Governo Fe- deral (inclusive Previdência Social), a administração direta e indireta dos governos regionais (estados e municípios), o Banco Central do Brasil e as empresas estatais não-financeiras das três esferas de governo. Adicionalmente, além do propósito de apuração do resultado fiscal para fins de consolidação das estatísticas fiscais oficiais calculadas pelo Banco Central, o detalhamento mensal da proposta deve refletir a previsão da execução orçamentária, considerando as sazonalidades do exercício, de forma a evitar a distribuiçãomensal linear dos valores, o que impacta a reprojeção do resultado fiscal nos relatórios de avaliação de receitas e despesas primárias que são publicados bimestralmente. Tais relatórios são elaborados em atenção ao disposto no art. 9.º da Lei Comple- mentar n.º 101, de 4 de maio de 2000, Lei de Responsabilidade Fiscal, para fins de análise do cumprimento da meta fiscal e identificação do espaço fiscal disponível para a abertura de créditos adicionais, que serão abordados emmais detalhes no tópico específico que trata das alterações orçamentárias. Reflita: Conforme disposto no art. 23, § 2.º, da Lei n.º 13.303, de 30 de junho de 2016, “compete ao Conselho de Administração, sob pena de seus integran- tes responderem por omissão, promover anualmente análise de atendimento das metas e resultados na execução do plano de negócios e da estratégia de longo prazo, devendo publicar suas conclusões e informá-las ao Congresso Na- cional, às Assembleias Legislativas, à Câmara Legislativa do Distrito Federal ou às Câmaras Municipais e aos respectivos tribunais de contas, quando houver.” Assim, o detalhamento mensal do orçamento da empresa resulta em um im- portante instrumento de gestão, namedida em que o acompanhamento de sua execução, conjugado com a análise econômico-financeira, permite a antecipa- ção de medidas estratégicas por parte do colegiado, no sentido de cumprir os objetivos de políticas públicas para os quais a empresa foi criada. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 33 1.6. Acompanhamento da Execução Este tópico aborda a etapa de acompanhamento da execução orçamentária que é realizada mensalmente por meio do Sistema de Informação das Estatais (Siest), em relação ao Programa de Dispêndios Globais (PDG), e do Sistema de Planeja- mento e Orçamento (SIOP), no que tange às ações orçamentárias do Orçamento de Investimento. As informações sobre a execução orçamentária das empresas são um importante instrumento por meio do qual a União, ente controlador das empresas estatais federais, supervisiona sua atuação com vistas ao cumprimento dos objetivos de políticas públicas, em atendimento ao interesse coletivo ou ao imperativo de segu- rança nacional que justificou a autorização para sua criação. Cabe observar que as informações de execução das receitas e despesas das em- presas constam dos blocos orçamentários do PDG, quais sejam: (i) Discriminação das Origens de Recursos (DICOR) e Discriminação das Aplicações dos Recursos (DI- CAR), que refletem os ingressos e saídas de recursos, respectivamente, conforme o regime contábil de competência; e, (ii) Demonstração do Fluxo de Caixa (DFLUX), que registra toda a movimentação de caixa da empresa no período de referência, indicando os ingressos e as saídas dos recursos financeiros da empresa. Ainda, por meio do SIOP, acompanha-se a execução mensal das ações orçamentá- rias, as quais são bimestralmente publicizadas por meio do Relatório de Execução do Orçamento de Investimento, em atenção ao disposto no art. 165, § 3.º, da Cons- tituição Federal de 1988. Por fim, o art. 88 da Lei n.º 13.303/2016 estabelece que as empresas públicas e as sociedades de economia mista devem disponibilizar para conhecimento público, por meio eletrônico, informação completa, mensalmente atualizada, sobre a execução de seus contratos e de seu orçamento, o que favorece a transparência quanto à alocação dos recursos e permite o acompanhamento da sociedade. Assista ao vídeo. . . E entenda como as empresas estatais realizam o acompanhamento da exe- cução do orçamento. Dê o play agora mesmo! Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 34 https://cdn.evg.gov.br/cursos/1379_EVG/scorms/modulo02_scorm01/scormcontent/assets/mod02_u02-5_SB_02.mp4?v=1 1.7. Reprogramação/Remanejamento Este tópico aborda as etapas de reprogramação e remanejamento, realizadas no decorrer do exercício financeiro. As empresas estatais federais não dependentes podem, eventualmente, ter neces- sidade de readequar o seu orçamento, consubstanciado no Programa de Dispên- dios Globais (PDG), em virtude da dinâmica da execução orçamentária, de mudan- ças no cenário macroeconômico, bem como da revisão do planejamento de suas atividades no decorrer do exercício. Essa readequação no processo de acompanhamento orçamentário do PDG pode ocorrer de duas maneiras, quais sejam: por "reprogramação", que, basicamente, consiste em alterações nos limites globais de dispêndios e de recursos aprovados inicialmente para cada empresa e tem reflexos diretos nameta de resultado primá- rio estabelecida para o conjunto das empresas estatais federais; ou por "remaneja- mento", que consiste na transferência de valores entre itens orçamentários, man- tidos o limite global de dispêndios e de recursos aprovados para cada empresa, e mantida a meta de resultado primário estabelecida. Ressalte-se que, no item orçamentário “Imobilizado” (2.107.010.000), que reflete o Orçamento de Investimento (OI) da empresa, constante da Lei Orçamentária Anual, a transferência de valores é permitida apenas entre os subitens orçamentários que o compõem e desde que não altere o valor total do item. No caso da reprograma- ção, as alterações no “Imobilizado” (2.107.010.000) devem, necessariamente, ser compatibilizadas com o limite das ações constantes do OI, incluídos créditos adi- cionais aprovados por meio de portaria, decreto ou projeto de lei no exercício. O fluxo, os momentos e os parâmetros são semelhantes ao da elaboração da pro- posta,resultando na alteração do anexo do decreto do PDG, sendo a reprogra- mação efetivada por meio de Portaria do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). A organização destas etapas está disposta no decreto que aprova o PDG, o qual prevê dispositivos que estabelecem prazos para que as empresas estatais enviem aos seus respectivos ministérios supervisores propostas de reprogramações orça- mentárias e remanejamentos. A primeira reprogramação deve ocorrer nomês de fevereiro, cujo objetivo é dispor de uma base atualizada para a definição da meta fiscal definida no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para o exercício seguinte. Além desse propó- sito, permite à Sest exercer o papel de coordenação e governança das empresas estatais, provida de informações mais fidedignas quanto à situação atual das em- Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 35 presas, dada a defasagem que ocorre entre o momento de elaboração da peça orçamentária e o início de sua execução. As janelas de reprogramação e remanejamento permanecem abertas no decorrer do ano, mas o prazo limite para essas etapas expira em outubro e novembro, respectivamente, quando as empresas enviam aos seus respectivos ministérios supervisores suas propostas de revisão orçamentária. 1.8. Alterações Orçamentárias Este tópico aborda a etapa de alterações orçamentárias, em que as empresas so- licitam alterações no Orçamento de Investimento das empresas estatais federais não-dependentes do Tesouro Nacional. A abertura de créditos adicionais ao Orçamento de Investimento (OI) deve obser- var o disposto na seção III (“Da autorização para a abertura de créditos suplementa- res”) do capítulo da LOA, que trata especificamente doOrçamento de Investimento. Adicionalmente, a Lei deDiretrizesOrçamentárias dispõe de regras para alterações na Lei Orçamentária e nos créditos adicionais. Estas regras são consolidadas anualmente pela Secretaria de Coordenação e Go- vernança das Empresas Estatais (Sest) que estabelece, por meio de portaria, pro- cedimentos e prazos para solicitação de alterações das ações orçamentárias cons- tantes da Lei Orçamentária Anual (LOA). Esta portaria apresenta em anexo uma tabela com os tipos de alterações orçamen- tárias, com o fundamento legal de cada tipo e o instrumento por meio do qual as alterações são efetuadas. Um modelo de portaria, referente ao exercício de 2024, está disponível nas referências. Os créditos adicionais, independentemente da origem da fonte utilizada para viabilizá-los, são classificados nas seguintes espécies: i. Suplementares: destinados à alteração de despesa de subtítulo constante da Lei Orçamentária Anual. ii. Especiais: destinados a despesas para as quais não há dotação na Lei Orça- mentária Anual. iii. Extraordinários: destinados ao atendimento de despesas imprevisíveis e urgentes. A solicitação para abertura de crédito adicional suplementar e especial deve ser re- alizada pela empresa estatal mediante inserção dos dados no Sistema Integrado Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 36 de Planejamento e Orçamento (SIOP), seguindo para o ministério setorial, que en- caminha a proposta à Sest, acompanhada das justificativas. Observe-se que os pleitos de abertura de créditos que tenham fontes de financi- amento oriundas de repasses da União em exercícios anteriores ou inscritos em "Restos a Pagar"devem indicar os instrumentos legais que destinaram os respecti- vos recursos nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. Ainda, na hipótese de a abertura de crédito ser financiada com o cancelamento de dotações aprovadas em outras ações, a empresa deverá encaminhar informações sobre os efeitos das respectivas alterações no seu desempenho no exercício de referência. Já quando a proposta de alteração não envolve o cancelamento de outras ações, o que altera o volume inicial de investimentos aprovados na LOA, torna-se neces- sário reprogramar o PDG para que os gastos com o Ativo Imobilizado constantes dessa peça orçamentária reflitam o volume total do Orçamento de Investimento após a efetivação do crédito. Além dos créditos adicionais, outras modificações podem ser realizadas em: I. fontes de financiamento; II. identificadores de uso; III. identificadores de resultado primário; IV. esferas orçamentárias; V. denominações das classificações orçamentárias, desde que constatado erro de ordem técnica ou legal; VI. codificação orçamentária, decorrentes da necessidade de adequação à classi- ficação vigente, desde que não impliquemmudança de valores e de finalidade da programação. Por fim, destaque-se que as metas físicas relativas aos projetos constantes de créditos adicionais deverão ser informadas ou atualizadas a cada solicitação de crédito especial ou suplementar no SIOP. 2. Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais de-pendentes Nesta unidade, você será apresentado às principais etapas do ciclo orçamentário, organizadas em seis tópicos: I. Etapas do processo orçamentário Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 37 II. Planejamento e plano de negócios III. Elaboração da proposta orçamentária IV. Acompanhamento da Execução V. Programação orçamentária e financeira VI. Alterações Orçamentárias 2.1. Etapas do processo orçamentário Este tópico aborda as principais etapas do processo orçamentário das empresas estatais dependentes. Inicialmente, destaque-se que compete à Secretaria de Orçamento Federal (SOF) coordenar, consolidar e supervisionar a elaboração da proposta orçamentária da União, compreendidos os orçamentos fiscal e da seguridade social, conforme es- tatuído no art. 20 do Decreto n.º 11.353, de 1.º de janeiro de 2023. Importante ressaltar que tais atribuições, em termos orçamentários, restringem- se às empresas estatais federais dependentes, cujas programações se encontram integralmente incluídas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. Desta forma, toda a estrutura de sua programação orçamentária deve seguir as classificações da receita e despesa, o que resulta em uma dinâmica distinta da- quela atinente às empresas estatais não-dependentes. Anualmente, a SOF organiza o processo de elaboração do Projeto de Lei Orçamen- tária Anual (PLOA) no âmbito do Sistema de Planejamento e deOrçamento Federal, que é disciplinado pela Lei n.º 10.180, de 6 de fevereiro de 2001. Este processo envolve um conjunto articulado de tarefas complexas e um crono- grama gerencial e operacional com especificação de etapas, de produtos e da parti- cipação dos agentes, que compreende a participação do órgão central, dos órgãos setoriais e das unidades orçamentárias, incluídas nestas as empresas estatais de- pendentes. O cronograma é dinâmico, podendo ser alterado de um exercício para o outro, e mesmo dentro de um mesmo exercício, caso necessário. No entanto, segue uma estrutura semelhante às estatais não-dependentes, no que se refere ao Orça- mento de Investimento, sendo distribuída em captação das propostas qualitativa e quantitativa. Os quadros a seguir destacam as etapas do processo: Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 38 ETAPAS RESPONSÁVEIS PRODUTO Planejamento do Pro- cesso de Elaboração - SOF - Definição da estratégia do pro- cesso de elaboração; etapas, produ- tos e agentes responsáveis no pro- cesso; papel dos agentes; metodo- logia de projeção de receitas e des- pesas; fluxo do processo; instruções para detalhamento da proposta se- torial; publicação de Portaria comos principais prazos e procedimentos do processo Definição de Macrodire- trizes e parâmetros fis- cais - SOF, Órgãos Técnicos, MPO, Casa Civil/ Pre- sidência da Re- pública - Diretrizes para a elaboração do PLOA: LDO; parâmetros macroe- conômicos; metas fiscais; riscos fis- cais; objetivos das políticas monetá- ria, creditícia e cambial; demonstra- tivo da estimativa da margem de ex- pansão das despesas obrigatórias de caráter continuado Proposta Qualitativa: Re- visão da Estrutura Progra- mática e Funcional - SOF e Sest, Ór- gãos Setoriais, UOsempresas estatais federais não dependentes, englobando re- ceitas e despesas. Falou-se sobre a definição de Indicadores Orçamentários como ferramentas de gestão financeira, que permitem acompanhar e analisar o desempenho financeiro em relação ao orçamento; cujos objetivos incluem medir eficiência e eficácia do uso dos recursos financeiros, analisar despesas, receitas e investimentos plane- jados. Apresentamos os indicadores orçamentários, que podem ser classificados em indicadores de processo (execução orçamentária ao longo do período) e de resultado (capacidade de prever e executar receitas e despesas). Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 64 Por fim, por meio de exemplos, mostramos que os indicadores orçamentários e financeiros são fundamentais para a tomada de decisões informadas, permitindo que os administradores avaliem a saúde financeira de suas empresas estatais. 3. Glossário Nº Termo Definição / Significado 1 Margem de lucro líquida Representa a porcentagem do faturamento de uma empresa que efetivamente se transforma em lucro, após a dedução de todas as despesas operacionais, impostos, juros e outros custos. Quanto maior a margem de lucro líquida, maior a eficiência da em- presa em controlar custos e maximizar sua rentabi- lidade. 2 Retorno sobre o Investi- mento (ROI) É um dos indicadores mais utilizados para medir a eficiência e a rentabilidade de um investimento. Ele compara o lucro obtido com o valor investido, de- monstrando quanto a empresa ganhou (ou perdeu) em relação ao que foi aplicado. 3 Regime de Competência É um princípio contábil que determina que recei- tas e despesas devem ser registradas no momento em que são geradas, independentemente do paga- mento ou recebimento efetivo. 4 Análise de Desempenho Financeiro É o processo de avaliação da saúde financeira e da eficiência operacional de uma empresa, baseado na interpretação de diversos indicadores, como lucrati- vidade, liquidez, endividamento e eficiência na ges- tão de recursos. Quadro 3.2. Glossário de Termos 4. Referências • BRASIL. Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 mar. 1964. Retificado em 9 abr. 1964 e 3 jun. 1964. Disponível em: https: //www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm. Acesso em: 25 mar. 2025. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 65 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4320.htm • BRASIL. Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal (Lei de Responsabilidade Fiscal). Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 231, Seção 1, p. 2, 5 maio 2024. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/lcp/Lcp101.htm. Acesso em: 12 nov. 2024.• BRASIL. Decreto n.º 12.280, de 29 de novembro de 2024. Aprova o Programa de Dispêndios Globais - PDG das empresas estatais federais para o exercício fi- nanceiro de 2025. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 231, Seção 1, p. 2, 2 dez. 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20 23-2026/2024/decreto/D12280.htm. Acesso em: 25 mar. 2025.• DORAN, G. T. There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and ob- jectives. Management Review, v. 70, p. 35-36, nov. 1981. Disponível em: https: //community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S. M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf. Acesso em: 25 mar. 2025.•MACIEL, P. J. Finanças públicas no Brasil: uma abordagem orientada para políticas públicas. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 47, n. 5, p. 1213-1241, set./out. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rap/ a/qRsvHf8WRRfydJnwhCxwC5Q/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 25 mar. 2025. Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 66 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp101.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Lcp101.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/decreto/D12280.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/decreto/D12280.htm https://community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S.M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf https://community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S.M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf https://community.mis.temple.edu/mis0855002fall2015/files/2015/10/S.M.A.R.T-Way-Management-Review.pdf https://www.scielo.br/j/rap/a/qRsvHf8WRRfydJnwhCxwC5Q/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/rap/a/qRsvHf8WRRfydJnwhCxwC5Q/?format=pdf&lang=pt 1 Conceitos orçamentários e legislação aplicada 1 Conceitos Orçamentários Básicos 1.1 Definição de Orçamento Público 1.2 Sistema Orçamentário e Empresas Estatais 2 Normas Orçamentárias Básicas 2.1 Instrumentos Orçamentários 2.2 Ciclo Orçamentário 3 Glossário 4 Conclusão 2 Ciclo orçamentário 1 Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais não-dependentes 1.1 Cronograma anual 1.2 Planejamento: plano de negócios e plano de trabalho do Conselho de Administração 1.3 Programação do Programa de Dispêndios Globais 1.4 Programação do Orçamento de Investimento 1.5 Mensalização e Resultado Fiscal 1.6 Acompanhamento da Execução 1.7 Reprogramação/Remanejamento 1.8 Alterações Orçamentárias 2 Etapas do ciclo orçamentário: Empresas estatais dependentes 2.1 Etapas do processo orçamentário 2.2 Planejamento e Plano de negócios 2.3 Elaboração da proposta orçamentária 2.4 Programação orçamentária e financeira 2.5 Acompanhamento da Execução 2.6 Alterações Orçamentárias 3 Glossário 4 Conclusão 5 Referências 3 Indicadores Orçamentários 1 Indicadores Orçamentários 1.1 Definição de indicadores orçamentários 1.2 Relação entre orçamento e desempenho financeiro 1.3 Principais indicadores orçamentário financeiros a serem monitorados 1.4 Avaliação e ajustes no sistema de monitoramento 2 Conclusão 3 Glossário 4 Referências