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CENTRO UNIVERSITARIO SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – UNISOCIESC FACULDADE SOCIESC de CURITIBA ALICE MARMITT AMANDA RIZZI HELLEN CRISTINA LIMA THAYNARA ESCOBAR O TRATAMENTO DOS RESÍDUOS DAS FIBRAS TÊXTEIS QUE CONTÉM HIDRÓXIDO DE SÓDIO - NaOH CURITIBA 2015/1 2 CENTRO UNIVERSITARIO SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – UNISOCIESC FACULDADE SOCIESC de CURITIBA ALICE MARMITT AMANDA RIZZI HELLEN CRISTINA LIMA THAYNARA ESCOBAR O TRATAMENTO DOS RESÍDUOS DAS FIBRAS TÊXTEIS QUE CONTÉM HIDRÓXIDO DE SÓDIO - NaOH Este trabalho será apresentado a faculdade SOCIESC DE CURITBA, nas Disciplinas de Introdução a Engenharia Química, ministrada pela Professora Alessandra Novais Bassetto Berton e na disciplina de Comunicação e Expressão ministrada pela professora Ângela De Fatima Taline De Souza, no curso de Bacharelado em Engenharia Química, turma EGQ311, como requisito para a 2ª Parcial. CURITIBA 2015/1 3 1. TEMA A mercerização é um processo de beneficiamento das fibras da indústria têxtil. As fibras adquirem propriedades especiais para sua devida aplicação. Contudo, um dos maiores problemas deste processo, o qual é um tratamento químico, que se utiliza do hidróxido de sódio (NaOH), também conhecida como soda caustica, podendo ocorrer que parte desta fibras ou a agua de lavagem do processo contaminem esgoto se tornando um poluente, além de corrosivo. Devido a essa problemática pretende-se propor um a melhoria neste procedimento que seja ambientalmente correto. 1.1. DELIMITAÇÃO DE TEMA O tratamento dos resíduos das fibras de mercerização têxtil que contém hidróxido de sódio – NaOH. 1.2. PROBLEMATIZAÇÃO Como o processo de descarte está sendo feito? O que é mercerização? Como melhorar este processo? O que são fibras? Porque a soda cáustica é necessária? Tem como substituí-la? 1.3. OBJETIVOS 1.3.1. Objetivo geral Identificar um método de controle no descarte de resíduos das fibras têxteis tratadas no processo de mercerização, visando um menor impacto ambiental. 1.3.2. Objetivos específicos Definir a finalidade do composto NaOH no processo de mercerização. Descobrir como o processo de descarte está sendo realizado. Estudar a possibilidade do resíduo gerado da mercerização ser recuperado e retomar ao processo; definir o quanto desta solução pode ser recuperada. 4 1.4. JUSTIFICATIVA Sustentabilidade, um dos temas mais debatidos ao redor do mundo, visa um equilíbrio entre o homem e o meio ambiente. Homem que em sua evolução e na busca de novas tecnologias afetou direta e indiretamente o equilíbrio da natureza. Em busca de preservar e recuperar o meio ambiente, ocorre conferências mundiais para que seja estabelecido padrões e medidas para cada país. O foco tende ao destino de materiais recicláveis e não recicláveis, produtos químicos, liberação de poluentes das industriais. No Brasil há projetos que visam a sustentabilidade nas indústrias fazendo estas serem corretas em relação aos descartes dos resíduos de produção. O processo de mercerização é um dos mais utilizados hoje em dia para o preparo de tecidos. Ao expor a fibra têxtil em lixivia de soda caustica, há uma diminuição em seu tamanho, torna-se mais resistente. No entanto esse tratamento gera um resíduo de fibras com soda caustica, que em contato com o meio ambiente provoca danos. Neste projeto tem-se por objetivo tratar e fazer o descarte ambientalmente correto, podendo ter como solução o reaproveitamento destes resíduos. Atualmente o maior pólo de indústria têxtil na região sul do país, encontra-se no estado de Santa Catarina, no qual aproximadamente 65% da matéria prima consumida é o algodão. A maioria das indústrias preferem tecnologias de tratamento que tornam possível reciclar no processo de produção, tanto água quanto os produtos químicos utilizados. Têm sido realizados estudos com o propósito de minimizar o impacto ambiental causado pelo descarte indevido das fibras mercerizadas. O propósito é a recuperação do composto de NaOH, tendo como resultado a uti lização deste composto como matéria prima reutilizável, diminuindo o consumo de matéria- prima, e facilitando o tratamento posterior com menor quantidade. 1.5. HIPÓTESES A mercerização é um processo de beneficiamento na indústria têxtil onde os tecidos são tensionados e tratados com grandes quantidades de soda cáustica (hidróxido de sódio). O excesso de soda cáustica é extraído do substrato têxtil, por lavagem na própria mercerizadeira é normalmente lançada no efluente, o qual requer consideráveis adições de ácido para sua neutralização. 5 O principal problema deste processo se encontra nos seus resíduos, que causam impactos ambientais de poluição. Seja a poluição do solo, característico pela geração de resíduos de fibras retiradas do material têxtil, durante as operações de impregnação de álcali e lavagem. Ou poluição da água devido a geração de efluentes líquidos decorrentes do banho residual fortemente alcalino e das águas de lavagem provenientes do material têxtil e dos equipamentos. Como resultado, poderia-se permanentemente reduzir custos operacionais referentes a mercerização, pois há uma redução de custos de neutralização e tratamento do efluente. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. FIBRAS TÊXTEIS Segundo a resolução do CONMETRO 02/2008, entende-se por fibra têxtil ou filamento têxtil constituído de macromoléculas lineares, toda matéria natural, de origem vegetal, animal ou mineral, assim como toda matéria artificial ou sintética, que por sua alta relação entre seu comprimento e seu diâmetro, e ainda, por suas características de flexibilidade, suavidade, elasticidade, resistência, tenacidade e finura está apta as aplicações têxteis. 2.1.1. Fibras têxteis naturais As fibras naturais provem da natureza e podem ser de origem vegetal (extraídas de plantas) como linho; origem animal como por exemplo seda e lã; assim como origem mineral (proveniente de rochas com estrutura fibrosa), amianto. 2.1.2. Fibras têxteis não naturais – manufaturadas As fibras de origem não natural são obtidas artificialmente a partir de produtos naturais produzindo por exemplo acetato de celulose; ou sinteticamente, obtidas através da síntese química, como por exemplo o poliéster. 6 2.2. PROCESSO PRODUTIVO O processo produtivo da fibra têxtil ocorre através de 5 etapas como descritas adiante e demonstradas na figura 01. Figura 01 – Processo produtivo têxtil em etapas. Fonte: Guia técnico ambiental da indústria têxtil Fiação: etapa de obtenção do fio a partir das fibras têxteis que pode ser enviado para o beneficiamento ou diretamente para tecelagens e malharias. Beneficiamento: etapa de preparação dos fios para seu uso final ou não, envolvendo tingimento, engomagem, retorção (linhas, barbantes) e tratamentos especiais. Tecelagem e/ou Malharia: etapas de elaboração de tecido plano, tecidos de malha circular ou retilínea, a partir dos fios têxteis. Enobrecimento: etapa de preparação, tingimento, estamparia e acabamento de tecidos, malhas ou artigos confeccionados. Confecções: nesta etapa o setor tem aplicação diversificada de tecnologias para os produtos têxteis, acrescida de acessórios incorporados nas peças. 7 2.3. BENEFICIAMENTO TÊXTIL A funçãodo beneficiamento têxtil, etapa no qual há a indução de produtos químicos a produção, é a de proporcionar ao produtos têxteis, fibras, fios e tecidos (os últimos a serem produzidos) que apresentarem aspectos ligeiramente brutos, com manchas e sem cor, processos que visem dar características de utilização, cor, beleza, maciez. Os beneficiamentos podem ser divididos em: Primário - operações de preparação do substrato têxtil para que se possa melhor receber coloração. Secundário – operações que visam dar cor ao substrato têxtil Final – operações executadas nos substratos têxteis, visando torna-lo próprio ou mais adequado a sua aplicação. 2.4. MERCERIZAÇÃO TÊXTIL Pertencente a um dos processos de beneficiamento primário, a mercerização é um processo químico do material têxtil com objetivo de melhorar propriedades físico- químicas da fibra (brilho, aumento da afinidade por corante, estabilidade dimensional e aparência). O tratamento alcalino é realizado com um banho soda caustica – NaOH concentrado de sob estiramento, seguido por uma lavagem ácida para neutralizar o pH. Este processo às fibras têxteis se deve a descoberta de John Mercer em 1848 que notou que um tecido de algodão, quando tratado por soluções alcalinas concentradas, modificava-se dimensionalmente encolhendo e tornando se mais grosso ao mesmo tempo em que adquiria propriedades até então não notadas, o tecido tornou se mais absorventes, mais transparente, brilhoso e resistente. Contudo, o processo adquiriu grande valor comercial depois da descoberta de Horance Lowell no ano de 1889, impedindo o encolhimento, mediante a aplicação de tensão durante o processo de mercerização e com isso conseguindo também um brilho pronunciado. Na figura 02, na próxima página, tem-se a fotografia do processo de mercerização. 8 Figura 02: Máquina Mercerizadeira Fonte: http://www.exatacor.com.br/operacao-de-tratamento-previo-substrato.php Figura 03: Desenho interno de uma Mercerizadeira. Fonte: http://www.exatacor.com.br/operacao-de-tratamento-previo-substrato.php 2.4.1. Lavagem e neutralização Após o tratamento alcalino deve se proceder à retirada da solução cáustica sobre a fibra. Esta retirada é normalmente feita com o auxílio de água e neutralização com ácido, podendo ser ácido cítrico, ácido poliácrilico, acético ou fórmico). Uma má lavagem ou neutralização, pode implicar em defeitos irreversíveis sobre o material têxtil. 9 2.4.2. Recuperação de soda cáustica Para evitar essa poluição novas medidas haveriam de ser realizadas. Como por exemplo a recuperação de Hidróxido de Sódio – NaOH. As plantas de recuperação de soda cáustica podem transformar grande parte da lixívia fraca em soda cáustica concentrada reutilizável - lixívia forte. Consiste em 3 estágios evaporativos. No primeiro estágio (1) geram-se vapores para o segundo estágio (2), com o objetivo de aquecimento e concentração da lixívia. O condensado do primeiro estágio retorna para o sistema produtivo. Os vapores gerados no segundo estágio (2) aquecem o terceiro estágio (3). Já os vapores do último estágio, no caso o (3), passam pelo condensador (K), que troca calor com água de arrefecimento (gerando água quente para o processo). Devido ao processo de recuperação, não há a preocupação em descartar a lixivia fraca (subproduto da mercerização, “soda cáustica diluída”) beneficiando diretamente o meio ambiente. Assim como a economia relacionada ao curso de soda caustica, com capacidade para processar 128.000L de lixívia/dia, ou 24.000kg de soda/dia no sistema há o retorno mínimo de 80% do Hidróxido de Sódio reciclado. Na figura 04 e 05 é demonstrado a planta de recuperação de soda caustica e como ocorre este sistema de recuperação da lixivia de soda caustica nos 3 estágios. Figura 04: Planta de recuperação de soda cáustica Fonte: https://www.koerting.de/pt/produtos/limpeza-de-g%C3%A1s-residual- tecnologia-ambiental/plantas-de-recupera%C3%A7%C3%A3o-de-soda-c%C3%A1ustica 10 Figura 05: Sistema recuperação de lixívia de soda com 3 estágios Fonte: https://www.koerting.de/pt/produtos/limpeza-de-g%C3%A1s-residual- tecnologia-ambiental/plantas-de-recupera%C3%A7%C3%A3o-de-soda-c%C3%A1ustica Figura 06: Lixívia fraca (esquerda), lixívia forte antes da limpeza (centro), lixívia forte após limpeza (direita) Fonte: https://www.koerting.de/pt/produtos/limpeza-de-g%C3%A1s-residual-tecnologia- ambiental/plantas-de-recupera%C3%A7%C3%A3o-de-soda-c%C3%A1ustica 11 Na tabela 1 tem-se os parâmetros de referência para a recuperação de soda caustica. Tabela 1 - Parâmetros de dimensionamento - Recuperadora de lixívia de soda Parâmetros Valores de referência Tipo de soda (NaOH) Qualquer tipo- solução aquosa Tempo de amortização investimento (meses) 24-48 Material de evaporadores Aço inox – 304 e 316 Concentração – solução de impregnação (ºBé) 28-32 Residual no tecido ou fio (ºBé) 1-2 Concentração da lixívia fraca (ºBé) 6-10 Concentração da lixívia forte (ºBé) 38-40 Número de estágios ideais (unidade) 2-4 Taxa de recuperação (%) 80-95 Temperatura de agua quente (ºC) 50-60 Temperatura de lixivia forte (ºC) 50-60 Consumo de vapor (kg vapor/kg NaOH/dia) 4-6 Tempo de operação (horas/dia) 14-18 Produção mínima investimento (Kg NaOH/dia) 3.000 Custo da ETE – neutralização 200-500 Tempo de retorno direto (dia) 184 Tempo de retorno – redução na ETE (dia) 151 Custo do processo (US$/kg NaOH 100%.dia) 40-60 12 2.5. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL Decreto nº 26643 .1934 - Art. 109. A ninguém é licito conspurcar ou contaminar as águas que não consome, com prejuízo de terceiros. Decreto nº 26643 .1934 Art. 110. Os trabalhos para a salubridade das águas serão executados à custa dos infratores, que, além da responsabilidade criminal, si houver, responderão pelas perdas e danos que causarem e pelas multas que lhes forem impostas nos regulamentos administrativos. CONAMA, RESOLUÇÃO nº 430, DE 13 DE MAIO DE 2011 - Art. 24. Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados, direta ou indiretamente, nos corpos de água, após o devido tratamento e desde que obedeçam às condições, padrões e exigências dispostos nesta resolução e em outras normas aplicáveis. Algumas condições de lançamento de efluentes: Ausência de materiais flutuantes. Óleos e graxas: óleos minerais: até 20mg/L; óleos vegetais e gorduras animais: até 50mg/l. pH entre 5 a 9; Regime de lançamento do efluente com vazão máxima de até 1,5 vezes a vazão média do período; Temp. inferior a 40ºC, a variação de temperatura não deverá exceder a 3ºC. 3. METODOLOGIA Este projeto utilizou como metodologia o processo de pesquisa bibliográfica que é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. 4. CUSTOS Não houve mensuração de custos para a realização deste projeto. 13 5. CRONOGRAMA Tarefas Data Desenvolvimento de pesquisa em laboratório de informática, biblioteca. 06/04/2015 – 15/06/2015 Prévia da entrega e apresentação dos resultados 18/06/2015 Entrega e apresentação dos resultados finais 06/07/2015 14 REFERÊNCIAS Beneficiamento têxtil. Disponível em: < http://www.forumtextil.com.br/benef.htm>.Acesso em: 16/06/2015. CARREIRA, Manoel. Sistemas de tratamento de efluentes têxteis. Universidade Federal de Santa Catarina. 2006, p.165-170. Curso de beneficiamentos têxteis. Disponível em: < http://www.winstongomes.com.br/wp-content/uploads/Beneficiamentos- T%C3%AAxteis.pdf>. Acesso em 15/06/2015 FREITAS, Kátya. Caracterização e reuso de efluentes. Universidade Federal de Santa Catarina, 2002, p. Guia técnico ambiental da indústria têxtil. Sindicato das indústrias têxteis do Estado de São Paulo, 2009, p.6,21-23. MEDEIROS, Mitiko. Beneficiamento têxtil. Universidade Anhembi Morumbi, p.1-3 Ministério do desenvolvimento, indústria e comércio exterior conselho nacional de metrologia, normalização e qualidade industrial– CONMETRO. Disponível em: <http://www.quepia.org.br/site/portaria/2010_1808/Conmetro022008.pdf > Acesso em: 02/07/2015 Plantas de recuperação de soda caustica. Disponível em: <https://www.koerting.de/pt/produtos/limpeza-de-g%C3%A1s-residual-tecnologia- ambiental/plantas-de-recupera%C3%A7%C3%A3o-de-soda-c%C3%A1ustica>. Acesso em 17/06/2015. Reciclagem de lixivia de soda cáustica por evaporação. Disponível em: < http://www.abtt.org.br/boletim/boletim07/reciclagem.htm> Acesso em: 15/06/2015 ROSA, Jorge. Sustentabilidade no beneficiamento têxtil: produção de tingimento com reuso de efluente. Tese de mestrado, 2010, p.24-30. Tecnologia Têxtil II. Disponível em: < http://www.abqct.com.br/artigost/tecnologia_textil_basica.pdf > Acesso em: 15/06/2015.