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Terapia ocupacional no tratamento da ansiedade
Flaelma Almeida da Silva - 6211085
Vitoria
João Eduardo Pimentel Jesus Borges – 5650683
Rosineide Antunes Cabral – 6106676
Videnilsa Gonçalves da Silva Valente - 6107148
TERAPIA OCUPACIONAL NO TRATAMENTO DA ANSIEDADE
Introdução
A ansiedade, caracterizada como um estado psíquico de apreensão ou medo provocado pela antecipação de situações desagradáveis ou perigosas, representa um desafio significativo para a saúde mental em diversas fases da vida.
Este trabalho busca explorar a complexidade desse fenômeno, destacando suas manifestações ao longo do desenvolvimento humano, desde a infância até a senescência DESTACANDO como a TERAPIA OCUPACIONAL pode contribuir no tratamento.
Entendendo o conceito de ‘Ansiedade’
A etimologia da palavra "ansiedade", derivada do latim anxietas, que significa "angústia" e "ansiedade", evidencia a natureza perturbadora e desconfortável associada a esse estado emocional, onde o termo anxius sugere um sentimento de perturbação e desconforto, originado de anguere, que significa "apertar" e "sufocar”.
A ansiedade, definida como um estado psíquico de apreensão ou medo provocado pela antecipação de situações desagradáveis ou perigosas, é um fenômeno complexo que impacta significativamente a saúde mental (CASTILLO, 2000).
Sintomas da ansiedade:
Segundo Castillo et al. (2000) o quadro de ansiedade manifesta-se através de sintomas de tensão, sendo o foco do perigo antecipado tanto interno quanto externo. Embora seja, em certa medida, uma reação natural do ser humano, auxiliando na adaptação e resposta a situações de medo ou expectativa, a ansiedade torna-se patológica quando atinge um valor extremo, com caráter sistemático e generalizado, interferindo no funcionamento saudável da vida do indivíduo.
Diversas condições médicas e transtornos psicológicos podem desencadear ansiedade patológica, tais como: hipertiroidismo, ansiedade generalizada, crises de pânico, fobias, perturbação obsessivo-compulsiva, síndrome de pós-stress traumático, depressão, psicoses e perturbação maníaco-depressiva.
Tipos de ansiedade:
Existem diferentes tipos de ansiedade, cada um apresentando características específicas:
- Ansiedade Generalizada: Caracterizada por preocupação excessiva e irrealista diante de situações rotineiras da vida, como emprego, saúde e pequenos problemas do cotidiano.
- Fobias: Manifesta-se como um medo excessivo e irracional em relação a um objeto ou situação específica.
- Perturbação de Pânico: Envolve a ocorrência de ataques de pânico repetidos sem causa aparente.
- Perturbação Obsessivo-Compulsiva: Caracterizada pela presença de ideias, pensamentos, impulsividade ou imagens invasivas e inapropriadas que provocam ansiedade, mas a pessoa sente-se incapaz de controlar.
- Síndrome de Pós-Stress Traumático: Surge após a exposição a um evento extremamente estressante e traumático, manifestando-se por meio de um conjunto de sintomas característicos.
Terapia Ocupacional no tratamento da ansiedade
De acordo com Santos (2022), a terapia ocupacional demonstra resultados positivos ao abordar questões como a regulação emocional, a promoção de habilidades sociais e a redução de comportamentos ansiosos. Essa abordagem holística considera as atividades diárias como instrumentos terapêuticos, permitindo aos indivíduos desenvolverem competências para enfrentar os desafios associados à ansiedade.
Na infância
Segundo Koneski (2023) o desenvolvimento da criança é formado por várias adversidades que podem desencadear uma série de sentimentos, como a angústia e a ansiedade. Como exemplo dessas adversidades podemos citar, o primeiro dia de aula, a busca por aceitação social na escola, mudança em sua rotina diária, ausência de pessoas e até mesmo afeto. Com o acontecimento desses eventos aumenta-se a possibilidade do desenvolvimento de alguns transtornos no comportamento da criança e assim comprometendo seu crescimento, aprendizado e também seu desenvolvimento social.
Koneski (2023, p.02), define os sintomas como:
A ansiedade faz com que a criança apresente mais de um sintoma específico: inquietação, agitação, sensação de nervosismo ou tensão, medos e em alguns casos enjoos e dor de barriga acompanhado com diarreia, alterações no apetite, dificuldades no sono, queda no rendimento escolar, falta de motivação, preocupações excessivas, dores de cabeça com tonturas, isolamento social, pesadelos recorrentes, irritabilidade ou apatia.
A TO na ansiedade infantil
A intervenção da terapia ocupacional no tratamento da ansiedade em crianças representa um campo dinâmico e vital. Por meio de abordagens lúdicas e adaptadas ao desenvolvimento infantil, os terapeutas ocupacionais podem empregar estratégias que promovem o engajamento ativo das crianças em atividades significativas. Por exemplo, a utilização de jogos terapêuticos pode fornecer uma plataforma segura para a expressão de emoções, facilitando a comunicação sobre preocupações e medos. Além disso, a terapia ocupacional pode incluir atividades sensoriais que visam modular a resposta ao estresse, como a utilização de técnicas de integração sensorial, promovendo o equilíbrio emocional e a autorregulação.
A TO na ansiedade infantil
Ao integrar-se no contexto escolar, a terapia ocupacional também pode focar no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Por meio de atividades de grupo e projetos colaborativos, as crianças podem aprender a lidar com desafios interpessoais, construindo relações positivas e adquirindo ferramentas para enfrentar situações estressantes. Em suma, a terapia ocupacional oferece uma abordagem abrangente e adaptável, permitindo que as crianças desenvolvam habilidades para enfrentar a ansiedade de forma construtiva, promovendo um ambiente propício ao crescimento emocional saudável.
Na adolescência
Esta fase da vida desempenha um papel crucial no desenvolvimento de hábitos, valores e habilidades socioemocionais, tais como empatia e inteligência emocional, que são fundamentais para o bem-estar futuro. A adolescência, marcada por eventos significativos, destaca-se pela ocorrência da puberdade, momento em que mudanças físicas, emocionais e psicológicas se manifestam, tornando essa etapa simultaneamente empolgante e confusa. A busca por identidade, os primeiros relacionamentos amorosos, a influência das amizades, as primeiras conquistas e o aumento de responsabilidades são elementos que permeiam o universo dos adolescentes. No entanto, em meio a tantas experiências inéditas, a ansiedade pode se manifestar e influenciar as ações e decisões dos jovens.
Ansiedade na adolescência
A ansiedade na adolescência, embora compartilhe sintomas semelhantes à ansiedade na vida adulta, se manifesta de maneira única devido ao baixo alcance emocional característico dessa fase. Muitos adolescentes, desconhecendo a ligação entre seus sentimentos e a ansiedade, interpretam-nos como traços de personalidade, respondendo defensivamente a comentários externos. A aquisição de conhecimento sobre a ansiedade e suas formas de administração possibilita aos adolescentes a identificação de sinais comportamentais, facilitando a busca por tratamento adequado (PIMENTA, 2021).
Os sintomas típicos de ansiedade, que incluem preocupação excessiva, fadiga, dificuldade para dormir, dores musculares, alterações no apetite, falta de ar, constante apreensão com o futuro, dificuldade social, baixa autoestima, comportamentos como roer unhas e arrancar cabelo, desatenção e perda de memória, tristeza, e perda de interesse em atividades anteriormente apreciadas, podem se agravar quando não reconhecidos e tratados a tempo
Pimenta (2021, p.01) relata que para a vencer a ansiedade é necessário dar um passo de cada vez, respeitando os limites da pessoa ansiosa e fazendo encorajamentos constantes. Podendo ser aplicada as seguintes alternativas terapêuticas:
1.Incentivar a prática de exercícios físicos - os exercícios físicos são ótimos para controlara ansiedade, reduzir o estresse oriundo das constantes preocupações e promover a diversão individual ou em grupo. Se o adolescente não quiser participar de um esporte coletivo ou fazer academia, incentive-o a fazer caminhada ou se exercitar em casa. Participe com ele dessas atividades para demonstrar apoio.
2. Se oferecer para superar um medo em conjunto - os medos das pessoas ansiosas costumam ser de situações corriqueiras, as quais praticamente todos os indivíduos devem vivenciar em algum momento. Deste modo, se ofereça para ajudar o seu filho adolescente a superar um medo junto com ele. Pode ser algo simples, como fazer uma compra na padaria do bairro. As situações não são tão assustadoras quando vividas em conjunto.
Utilizando uma abordagem centrada no adolescente, os terapeutas ocupacionais podem incorporar atividades que estimulam a expressão criativa, como a escrita terapêutica, artes visuais ou música, proporcionando uma plataforma para que os adolescentes processem suas emoções e preocupações.
Além disso, estratégias de gerenciamento do tempo e planejamento de atividades diárias podem ser implementadas para promover uma rotina equilibrada, contribuindo para a estabilidade emocional.
Um exemplo prático seria a incorporação de atividades de mindfulness e técnicas de respiração durante as sessões de terapia ocupacional, auxiliando os adolescentes a desenvolverem habilidades de autorregulação.
A TO com adolescentes ansiosos
Na fase adulta
Como podemos observar a ansiedade são transtornos que vão acontecendo no decorrer da vida do ser humano em fases diferentes e com níveis distintos.
Em cada estágio da vida a ansiedade apresenta diferentes sintomas e estão relacionados ao momento a que o ser humano está vivendo.
Quando se vive com ansiedade sente-se um medo indefinido e constante, um desconforto em vários locais ou situações, pensamentos negativos obsessivos dos quais não se tem controle. Esse nervosismo intenso e exagerado impede a tomada de decisão, a realização de projetos.
Ansiedade em adultos
Um transtorno de ansiedade pode ser desencadeado em eventos de vida muito estressantes como problemas no ambiente de trabalho, fim de uma relação, traumas decorrentes de acidentes, uma doença, traumas que ocorreram quando criança e existem também quadros de ansiedades desenvolvidos por abusos sexuais quando criança.
A contribuição da TO
A terapia ocupacional desempenha um papel fundamental no tratamento da ansiedade em adultos, proporcionando uma abordagem holística que visa a restauração do equilíbrio emocional e funcional. Por meio de técnicas personalizadas e centradas no indivíduo, os terapeutas ocupacionais colaboram com os pacientes para identificar atividades significativas e construtivas que possam integrar em suas rotinas diárias.
Essas atividades, adaptadas às necessidades específicas de cada pessoa, visam promover a expressão saudável de emoções, proporcionar um senso de realização e melhorar a resiliência diante do estresse. Além disso, a terapia ocupacional enfoca o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento, promovendo a conscientização sobre os gatilhos da ansiedade e fornecendo estratégias práticas para lidar com eles. Ao direcionar a atenção para a ocupação significativa, a terapia ocupacional não apenas aborda os sintomas manifestos da ansiedade, mas também fortalece a capacidade do indivíduo de enfrentar desafios, promovendo uma abordagem terapêutica abrangente e eficaz.
Na senescência
A senescência, fase do envelhecimento humano, é frequentemente acompanhada por uma variedade de desafios de saúde mental, entre os quais a ansiedade se destaca como uma preocupação significativa. Os sintomas de ansiedade na senescência podem manifestar-se de maneira única, incluindo preocupações excessivas com a saúde, insônia, irritabilidade e medo de eventos futuros. Além disso, fatores como a perda de entes queridos, alterações na saúde física e as limitações funcionais associadas ao envelhecimento contribuem para o aumento da vulnerabilidade emocional nessa população.
Contribuição da TO na velhice
A terapia ocupacional surge como uma abordagem promissora no tratamento da ansiedade na senescência. Esse profissional busca promover a saúde mental e o bem-estar por meio do engajamento em atividades significativas e significativas para o indivíduo. Ao abordar as barreiras físicas e emocionais que acompanham o envelhecimento, os terapeutas ocupacionais adaptam estratégias terapêuticas às necessidades específicas do idoso, promovendo a autonomia e a qualidade de vida. Atividades terapêuticas, como arteterapia, musicoterapia e programas de exercícios adaptados, têm demonstrado eficácia na redução dos sintomas de ansiedade em idosos.
Reconhecimento da TO
É fundamental reconhecer a importância da terapia ocupacional como parte integrante de uma abordagem holística para o tratamento da ansiedade na senescência. A personalização das intervenções terapêuticas, aliada à compreensão das necessidades individuais, permite uma abordagem abrangente que visa não apenas mitigar os sintomas, mas também fortalecer a resiliência emocional e melhorar a qualidade de vida dos idosos. Dessa forma, a integração da terapia ocupacional no cuidado geriátrico pode proporcionar benefícios substanciais, contribuindo para a promoção da saúde mental e o enfrentamento eficaz da ansiedade nessa fase da vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A terapia ocupacional, baseada em evidências científicas, destaca-se como uma intervenção valiosa, oferecendo estratégias personalizadas para enfrentar os desafios emocionais e comportamentais associados à ansiedade. Sua abordagem centrada na pessoa e nas atividades diárias contribui para a melhoria significativa da qualidade de vida dos indivíduos afetados, ressaltando a importância de integrar essa modalidade terapêutica no arsenal de tratamentos disponíveis para a ansiedade.
Obrigada!
A Terapia Ocupacional não é ocupar para ocupar. É potencializar recursos para 'ocupar-se’ [paciente e ambiente] é utilizar o 'ocupar' [significativo] para conhecer, transformar, treinar, aprender, adaptar -se e ganhar novas habilidades para promover a independência e autonomia na realização 'ocupacional' do cotidiano em toda sua complexidade. É uma arte!
REFERÊNCIAS
ABRAHÃO, Taís Batizaco; LOPES, Alda Penha Andrello. Principais Causas do Estresse e da Ansiedade na Sociedade Contemporânea e suas Consequências na Vida do Indivíduo. Contradição-Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas e Sociais, v. 3, n. 1, 2022.
BARNHILL, John W. MD, New York-Presbyterian Hospital. Traduzido por Manual MSD. Agorafobia. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-de-sa%C3%BAde-mental/ansiedade-e-transtornos-relacionados-ao-estresse/agorafobia. Acesso em: 10 nov 2023.
CASTILLO, Ana Regina GL; RECONDO, Rogéria; Asbahr, Fernando R; MANFRO, Gisele G. Transtornos de ansiedade. Braz. J. Psychiatry 22 (suppl 2). Dez 2000. Scielo. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1516-44462000000600006. Acesso em: 3 nov 2023.
KONESKI, Julio. Ansiedade infantil: principais sintomas e quando buscar auxílio médico. Revista Neurológica. Disponível em: https://www.neurologica.com.br/blog/ansiedade-infantil-principais-sintomas-e-quando-buscar-auxilio-medico/ . Acesso em: 15 nov 2023.
NOVELLI, Marcia Maria Pires Camargo. Treino cognitivo para idosos sem déficit cognitivo: uma intervenção da terapia ocupacional durante a pandemia da COVID- 19. Artigo Scielo. Cad. Bras. Ter. Ocup. 30-2022.Disponível em: https://www.scielo.br/j/cadbto/a/qX7sQxJxPDZyzkf9YM3vQnB/. Acesso em: 10 nov 2023.
PIMENTA, Tatiana. Ansiedade na adolescência: quais os sinais e como ajudar?. Viitude. Blog de Saúde Mental. 2021. Disponível em: Acesso em: https://www.vittude.com/blog/ansiedade-na-adolescencia-sinais-como-ajudar/. Acesso em: 15 nov 2023.
SANTOS, Raionaria Figueiredo. Significados e questionamentos sobre o medo e a ansiedade: um olhar por meio da terapiaocupacional. UFSE. 2022.Disponível em:
VIANA, Max Denisson Maurício et al. Potencial ansiolítico do gênero Citrus: revisão integrativa da literatura. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 20, n. 1, 2016.
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