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Direito Penal – Parte Geral Professor Érico Palazzo É possível a aplicação do P. da Insignificância a reincidentes? 1ª Corrente) NÃO admite É pacífico o entendimento desta Corte no sentido de que o paciente reincidente ou possuidor de maus antecedentes indica a reprovabilidade do comportamento a afastar a aplicação do princípio da insignificância. (AgRg no HC 662264 / RS. Julgado em 17/08/2021) 2ª Corrente) ADMITE A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto (Informativo 793 do STF, HC 123108, julgado em 03/08/2015 e STF - HC 155.920/MG – 27/04/2018) Princípio da Insignificância O Delegado de Polícia pode aplicar o P. da Insignificância diante de uma situação flagrancial? 1ª Corrente) NÃO 2ª Corrente) SIM Princípio da Insignificância FURTO Aplica-se a insignificância. Entretanto, é importante observar: 1) Não se leva em consideração somente o valor da res furtiva. Deve ser analisado o caso concreto. 2) STJ tem negado a aplicação do P. da Insignificância quando o valor do bem subtraído é superior a 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos. Se for abaixo desse valor, analisa-se o caso concreto (STJ, AgRg no Resp 1.558.547/MG, 19/11/2015) 3) Furto com ingresso na residência da vítima – não aplicação em razão da violação da intimidade (STF, HC 106.045, 19/06/2012) Aplicação do Princípio da Insignificância FURTO NOTURNO (art. 155, § 1º, CP) Em regra, não se aplica o princípio da insignificância – STJ, AgRG no AREsp 463.487/MT, 01/04/2014. RESTITUIÇÃO DE BENS FURTADOS À VÍTIMA Não gera, por si só, a aplicação do princípio da insignificância (STJ, HC 213.943/MT, 05/12/2013). O agente, porém, terá a pena diminuída em razão do arrependimento posterior (art. 16, CP) Aplicação do Princípio da Insignificância FURTO QUALIFICADO Em regra, não será aplicado o princípio da insignificância. Entretanto, é possível sua aplicação a depender do caso concreto. (Info. 793 do STF, HC 123108, julgado em 03/08/2015 e STF - HC 155.920/MG – 27/04/2018) STJ. AgRg no Resp 1.814.411/RS. Julgado em 01/06/2021. “É pacífico o entendimento desta Corte no sentido de que a prática do delito de furto qualificado por escalada, por arrombamento ou rompimento de obstáculo, por concurso de agentes, ou por ser o paciente reincidente ou possuidor de maus antecedentes indica a reprovabilidade do comportamento a afastar a aplicação do princípio da insignificância (AgRg no HC 655.749/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, DJe 25/05/2021).” Aplicação do Princípio da Insignificância Não se aplica o P. da Insignificância aos seguintes crimes: 1) Roubo, extorsão e demais crimes cometidos com violência ou grave ameaça 2) Crimes previstos na lei de drogas (Lei n.º 11.343/06) – STJ, HC 240.258/SP, 06/08/2013 3) Crimes contra a fé pública (ex.: moeda falsa e falsidade documental) – STJ, AgRG no AREsp 558.790 e STF, HC 117638. 4) Crime de contrabando (art. 334-A, CP) – STJ, AgRG no Resp 1472745/PR, 01/09/2015 Aplicação do Princípio da Insignificância Não se aplica o P. da Insignificância aos seguintes crimes: 5) Estelionato contra o INSS e o FGTS – STF HC 111918 e HC 110845 6) Crimes relacionados a violência doméstica (Lei Maria da Penha, n.º 11.340/06) Súmula 589 do STJ: “É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.” 7) Crimes contra a Administração Pública Súmula 599 – STJ: O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. (Aprovada em 20/11/2017) Exceção: Crime de descaminho (art. 334, CP) Aplicação do Princípio da Insignificância Aplica-se o P. da Insignificância aos seguintes crimes: 1) Crimes contra a ordem tributária (Lei 8.137/90) e descaminho (art. 334, CP) – valor pacífico no STJ e STF: Até R$ 20.000,00 2) Apropriação indébita previdenciária e sonegação de contribuição previdenciária – STJ, AgRg no Resp 1348074/SP, 19/08/2014 3) Crimes ambientais – A doutrina é contrária, mas a jurisprudência admite a aplicação deste princípio, após uma rigorosa análise. STJ, AgRg no AREsp 654.321/SC, 09/06/2015 e STF HC 112563/SC, 21/08/2012. Aplicação do Princípio da Insignificância A questão da posse e do porte de armas de fogo e munições 1) Não se aplica o princípio da insignificância ao posse ou porte de arma de fogo, seja de calibre permitido ou restrito e ainda que não acompanhado de munição – Pacífico no STJ e STF 2) No que concerne a posse ou porte de munições, desacompanhadas de arma de fogo, tanto o STF quanto o STJ tem entendido que, a depender do caso concreto e da quantidade de munições, é possível aplicar o P. da Insignificância. A favor da aplicação: STJ, REsp 1.735.871/AM, 12/06/2018; AgRg no HC 439.593/MG, 01/02/2019 e STF, RHC 143449, 26/09/2017 Contra a aplicação: STF, HC 131.771/RJ, 19/10/2016. Aplicação do Princípio da Insignificância É possível a aplicação do princípio da insignificância aos atos infracionais? Aplicação do Princípio da Insignificância Infração bagaletar imprópria ou princípio da insignificância imprópria • É a infração que nasce com relevância para o ordenamento jurídico, mas sua punição se faz desnecessária. • O crime permanece íntegro, mas constata-se a desnecessidade da pena. • Princípio da irrelevância penal do fato • Natureza jurídica de extinção da punibilidade • Ex.: pagamento do tributo em crimes tributários materiais • Ex.2: reparação do dano no peculato culposo • Ex.3: perdão judicial pelo homicídio culposo do próprio filho