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DGEI 2022-2_5º Período 
DH&RI_Prova 1 _ 04OUT2024 
Marcelo Adahir Vieira Ferrera 
Questão 1 
Para apoiar um defensor de direitos humanos ameaçado de morte, é essencial 
utilizar algumas ferramentas e estratégias para assegurar sua segurança, dar visibilidade 
ao caso e garantir a proteção de seus direitos, tais como: 
1. Avaliação de Risco e Proteção Imediata: 
 - Deverá ser feita avaliação minuciosa de risco, a fim de compreender a natureza 
e a gravidade das ameaças; 
 - Em sendo seguro, efetuar contato com as autoridades locais, como a polícia, 
ou organizações internacionais que possam fornecer suporte emergencial; e 
 - Garantir um local seguro para o defensor, por meio de parceiros ou redes de 
apoio. 
2. Rede de Apoio: 
 - Mobilizar organizações de direitos humanos (ONGs) e ativistas locais e 
internacionais para apoiar o defensor; e 
 - Informar grupos como Anistia Internacional, Human Rights Watch e a própria 
ONU/OEA, por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a fim 
de peticionar a denúncia e exercer pressão política. 
3. Advocacia e Imprensa: 
 - Elaborar um comunicado de imprensa que descreva as ameaças recebidas e a 
relevância do trabalho do defensor; 
 - Utilizar canais tradicionais e redes sociais para divulgar o caso e aumentar sua 
visibilidade, a fim de buscar apoio ao defensor e pressionar as autoridades; e 
 - Elaborar petição pública solicitando medidas de proteção ao defensor, assinada 
por cidadãos, outros defensores e, se possível, por figuras públicas. 
4. Assistência Jurídica e Psicológica: 
 - Procurar defensores públicos ou advogados especializados em direitos 
humanos para orientação legal, bem como obter assessoria jurídica, para assegurar que o 
defensor possa fazer denúncias com segurança, e obter medidas protetivas, como ordens 
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judiciais de afastamento dos agressores. Em paralelo, apoio psicológico deverá ser 
prestado ao defensor, face ao estresse provocado pelas ameaças sofridas. 
5. Contato com Instituições Nacionais e Internacionais: 
 - Denunciar as ameaças às instituições nacionais responsáveis pela proteção dos 
defensores de direitos humanos; e 
 - Apresentar o caso a fóruns internacionais, como a Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos (CIDH) ou ao Conselho de Direitos Humanos/Corte Internacional de 
Justiça da ONU que poderão fazer recomendações, ou mesmo emitir decisões judiciais e 
quase-judiciais às autoridades locais. 
Todo o processo deverá ser devidamente documentado, a fim de servir como fonte 
primária de consulta no caso de futuros questionamentos, ou mesmo de novos casos. A 
combinação destas ferramentas é fundamental para aumentar a segurança do defensor, 
garantir visibilidade ao caso e pressionar as autoridades a tomarem medidas efetivas, 
demonstrando que a comunidade internacional está atenta e que, caso surjam novos casos, 
os mesmos receberão o tratamento sério devido. 
 
Questão 2: 
Sim, é possível tramitar um caso como este na Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos (CIDH). Para tanto, alguns requisitos deverão ser atendidos: 
1. Esgotamento dos Recursos Internos: todos os recursos judiciais disponíveis no 
país devem ter sido esgotados, a menos que os recursos sejam ineficazes, ou que haja uma 
demora injustificada no julgamento dos recursos internos. 
2. Prazo para Submissão: o caso deverá ser apresentado à CIDH dentro de seis 
meses a partir da notificação da decisão final que esgotou os recursos internos. Caso os 
recursos não tenham sido eficazes, ou não tenham sido esgotados, poderá haver exceções 
ao prazo. 
3. Não-Duplicidade de Procedimentos Internacionais: o caso não poderá ser 
analisado simultaneamente por outro tribunal internacional, evitando, assim a 
litispendência. 
4. Violação de Direitos Humanos Protegidos: o caso deverá se basear na alegação 
da violação de direitos protegidos pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos, 
como o direito à vida, à integridade, à liberdade e à segurança pessoais, além do direito a 
garantias e proteção judiciais. O desaparecimento dos adolescentes, bem como o 
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arquivamento do caso, poderá ser enquadrado como violação a esses direitos 
fundamentais. 
Há mecanismos no sistema ONU que também poderão ser acionados sem causar 
litispendência, ou mesmo prejudicar a tramitação do caso na CIDH, tais como: 
1. Procedimentos Especiais: 
 Poderá ser apresentada uma denúncia ao Relator Especial da ONU, ou ao Grupo 
de Trabalho, ou ao Comitê Consultivo sobre violação aos Direitos Humanos, ou a algum 
outro comitê, específico, tais como: comitê contra a tortura, para eliminação de todas as 
formas de discriminação contra as mulheres, para eliminação de todas as formas de 
discriminação racial, sobre os direitos das crianças e sobre os direitos das pessoas com 
deficiência. Tais mecanismos têm como objetivo atrair a atenção das autoridades 
nacionais e aumentar a pressão internacional para uma resposta adequada, sem 
comprometer o procedimento formal, que estará sendo conduzido junto à CIDH. 
2. Reclamações no Conselho de Direitos Humanos: 
 Se o Estado membro da ONU tiver reconhecido a competência do Conselho de 
Direitos Humanos para receber comunicações individuais, a família poderá apresentar 
uma queixa ao Conselho. Será instituída, então, uma Comissão de Investigação e Missões 
de Determinação de Fatos em Direitos Humanos e Humanitários, que investigará o fato, 
garantindo a máxima proteção às vítimas. Entretanto, deve-se garantir que isso não resulte 
em duplicidade de procedimentos com a CIDH. 
3. Revisão Periódica Universal (RPU): 
 A RPU consiste em um processo de revisão do histórico de direitos humanos de 
cada país, realizado pelo Conselho de Direitos Humanos. O caso em tela poderá ser 
relatado e apresentado durante a RPU, a fim de aumentar a pressão sobre o governo, por 
meio de relatórios 
 Assim, o caso dos adolescentes desaparecidos poderá sim ser apresentado à 
CIDH, desde que os requisitos sejam cumpridos. Além disso, mecanismos da ONU 
também poderão ser acionados sem prejudicar o processo na CIDH, contribuindo para 
que seja dada a devida visibilidade ao caso e ao clamor internacional por justiça. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
Notas de aula fornecidas em agosto e setembro de 2024.

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