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INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CAMPUS NOVA VENÉCIA CURSO DE BACHARELADO EM GEOLOGIA BRUNO DO VALE MIOTTO PANORAMA MINERAL E SELEÇÃO DE ALVOS POTENCIAIS PARA PROSPECÇÃO DE ROCHAS ORNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA, ESTADO DO ESPÍRITO SANTO Nova Venécia 2023 BRUNO DO VALE MIOTTO PANORAMA MINERAL E SELEÇÃO DE ALVOS POTENCIAIS PARA PROSPECÇÃO DE ROCHAS ORNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA, ESTADO DO ESPÍRITO SANTO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenadoria do Curso de Bacharelado em Geologia do Instituto Federal do Espírito Santo, Campus Nova Venécia, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Geologia. Orientador: Prof. Me. Adilson Márcio Coelho. Coorientador (a): Profa. Ma. Viviane Viana Coelho. Nova Venécia 2023 Dedico este trabalho aos grandes heróis da minha vida, Juarez Mirandola Miotto e Mônica Cristina do Vale Miotto, por serem as pessoas que mais amo, que mais admiro e que mais me espelho neste mundo. Por todo esforço que sempre fizeram e pelo incentivo incondicional para que eu estudasse, acima de qualquer dificuldade. Dedico essa conquista a vocês! Ademais, dedico também este trabalho a um grande professor, mentor e o responsável pela minha paixão por Geologia, in memoriam do professor Wagner da Silva Andrade. AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente a Deus, por me conceder a realização deste grande sonho acadêmico, que tanto almejado, tornou-se ao longo da minha vida, um sonho pessoal e profissional, de significado imensurável. Gratidão eterna à minha família, Juarez Mirandola Miotto, Mônica Cristina do Vale Miotto e Bárbara do Vale Miotto, pelo apoio incondicional nessa longa e árdua jornada em que não caminhei sozinho e tive o abraço de quem é meu lar. Agradeço à minha companheira, Jéssica de Cássia Bergamin por me promover proteção, ajuda e compreensão em todos os momentos, sendo fundamental para mim. Essa conquista certamente é compartilhada com você. Agradeço a todos meus familiares e amigos, em que seria praticamente impossível citá-los todos aqui, a minha eterna gratidão por todos os conselhos, ajuda e cooperação. A todos que ao longo dessa jornada colaboraram, direta ou indiretamente, para meu aprendizado acadêmico e profissional. Incluo aqui todos os meus professores, colegas de trabalho pelos diferentes lugares que já passei, supervisores, gestores, coordenadores, diretores, palestrantes, alunos, estágios que já fiz, dentre tantos outros. O meu muito obrigado pelas ricas contribuições obtidas! Gratidão à minha turma de Geologia (2018/1) pelos momentos compartilhados, pela aquisição do aprendizado construído colaborativamente, pelos momentos em campo e união para superação das dificuldades. Agradeço infinitamente e certeza que todas serão excelentes geólogas e profissionais. Ao Instituto Federal do Espírito Santo, em especial ao Campus Nova Venécia, por promover educação pública, gratuita e de qualidade, oportunizando tantos a se qualificarem profissionalmente e trazendo melhorias para a região. RESUMO O trabalho que tem como área de estudo definida, o município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, visa à elaboração de panorama mineral com dados atualizados e, além disso, a seleção de alvos em áreas livres dentro da malha municipal com potencialidade para rocha ornamental, a partir de critérios preestabelecidos neste estudo. O panorama mineral contemplou o levantamento, tratamento e análise de dados do Cadastro Mineiro, portal da Agência Nacional de Mineração (ANM), para investigação de atributos dos títulos minerários ativos no município, além de dados de investimento em pesquisa mineral, valor da produção mineral, produção bruta, produção beneficiada e arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), através de dados do Anuário Mineral Brasileiro interativo e Observatório da CFEM, portais da ANM. No que concerne à prospecção preliminar de áreas potenciais para rochas ornamentais no município, destaca-se o uso dos dados do Sistema de Informações Geográficas da Mineração (SIGMINE), portal da ANM, para geoprocessamento e elaboração de mapas, executando a sobreposição das áreas já requeridas junto ao órgão competente, além de outras restrições como ambientais, por exemplo, para então filtrar as áreas livres e de maior potencialidade, sendo estas contidas na Suíte Carlos Chagas. Por meio dos diversos filtros aplicados e da análise final contemplando fotointerpretação de imagem de satélite em concomitância com análise topográfica por mapa hipsométrico, selecionou-se 7 alvos de maior interesse, com maior quantidade de maciços rochosos aflorante e, portanto, de maior potencialidade para rochas ornamentais. Os resultados desta pesquisa fornecem importantes ferramentas para iniciativa pública e privada poderem agir no fortalecimento deste setor expressivo para o município. Ademais, o conjunto de gráficos, registros de dados econômicos do setor e mapas elaborados compõem um arcabouço atualizado para toda comunidade, inclusive a acadêmica para usos diversos. De porte disto, aspira-se o fomento do setor de rochas ornamentais e de revestimento na área de estudo para potencialmente e, consequentemente, gerar avanço no desenvolvimento socioeconômico da região. Palavras-chave: Rocha ornamental e de revestimento. Panorama Mineral. Prospecção e Pesquisa Mineral. Granito. Nova Venécia-ES. ABSTRACT This research is composed by the municipality of Nova Venécia, Espírito Santo State, as the study area, and aims to outline a mineral panorama with extremely updated data and also the selection of potential targets in free areas within the municipal network with potential for ornamental rock, from pre-established criteria in this study. Thus, the mineral panorama included the survey, treatment and analysis of data from the Cadastro Mineiro, the National Mining Agency (ANM) web portal, to investigate the attributes of active mining titles in the municipality, in addition to data on mineral exploration investments, value of mineral production, gross production, benefited production and collection of Financial Compensation for Mineral Exploration (CFEM), through data from the interactive Brazilian Mineral Yearbook and CFEM Observatory, ANM web portals. Regarding to the preliminary prospecting of potential targets for ornamental rocks in the municipality, highlights the data from the Geographical Information System for Mining (SIGMINE), ANM's web portal, was used for geoprocessing and map elaboration, executing the overlapping of the areas already required with ANM, in addition to other restrictions such as environmental, for example, to then filter the free areas and those with greater potential, which are contained in the Suíte Carlos Chagas. Thus, through the various filters applied and the final analysis contemplating photointerpretation of satellite image in addition to topographic analysis by hypsometric map, 7 targets of greater interest were selected, with a greater amount of outcropping rock masses and, therefore, of greater potential for ornamental stones. It was observed that this research, with its results, can provide important tools for public and private initiative to act in order to advance this sector that is so important for the city. In addition, the framework of graphics, records of economic data from the sector and elaborated maps make up an updated framework for the entire community, including academic uses. With this in mind, we aspire to promote the ornamental and dimension stonesão pouco significantes no local, contudo, verificam-se maciços que apresentam pequenas dimensões aflorantes, com cobertura espessa de solo eluvial, ainda assim, sendo possível viabilizar a lavra, demandando maior custo operacional pela necessidade de decapeamento de solo, mas com a vantagem da topografia mais regular (VIEIRA et al., 2021). Já os depósitos por matacões têm sua gênese atrelada a processos intempéricos físicos e químicos atuantes nos maciços fraturados, no qual a disposição dos matacões é controlada pela ação gravitacional e pela pouca movimentação destes, concentrando-os em alguma área de interesse. Esse tipo de depósito permite técnicas de lavra mais simples e baratas, no entanto, o aproveitamento de material é mais baixo e o valor agregado igualmente menor que comparado com os maciços 45 rochosos (LIMA et al., 2017). Às vezes, quando as características geológicas das áreas permitem, as lavras por matacão podem avançar para o próprio maciço subjacente (VIEIRA et al., 2021). 4.4.3. Conceituação sobre o Índice de Atratividade Econômico- Geológica (IAEG) O Índice de Atratividade Econômico-Geológica (IAEG) abriga parâmetros objetivos para seleção de áreas alvo com maior potencial num contexto geológico regional, aplicado para uma sistemática de pesquisa na prospecção de rochas ornamentais. Assim, o IAEG almeja identificar e caracterizar jazimentos e potencialidades de corpos rochosos com fins de uso para rocha ornamental. Sendo esta sistemática do IAEG aplicada a rochas ornamentais do Estado de Pernambuco (PAIVA & BARBOSA, 1998; PAIVA & BARBOSA, 2000). De acordo com Vieira et al. (2021), para aplicação do IAEG no Estado do Espírito Santo, realizou-se ajustes em algumas pontuações dos fatores que compõem o referido índice, em relação aos trabalhos precursores de Paiva & Barbosa (1998) e Paiva & Barbosa (2000). Essas modificações foram personalizadas para atender as características dos litotipos do Estado do Espírito Santo e também para atualização de parâmetros quanto à atratividade comercial em relação ao mercado de rochas ornamentais. Dessa maneira, segundo Vieira et al. (2021), o IAEG aplicado a seu trabalho no Estado do Espírito Santo levou em conta nove parâmetros para classificação da potencialidade para rocha ornamental, sendo estes, o fator cor (FC) considerou pontuações voltadas à atratividade no cenário atual do mercado de rochas ornamentais. No fator textura (FT), incluíram-se texturas predominantes referentes aos litotipos do Espírito Santo. No fator homogeneidade (FH), a pontuação remete ao quantitativo de anisotropias das rochas. O fator de faturamento (FF) refere-se ao número de fraturas que ocorre nos litotipos, logo, quanto menor o (FF), maior a pontuação neste quesito. O fator modo de ocorrência (FM) é estabelecido pelo tipo de exposição e depósitos da unidade litológica. Ainda, o fator estrutura (FE) remete às estruturas presentes nas rochas das unidades, podendo ser isotrópicas ou 46 anisotrópicas, por exemplo. No fator nobreza (FN) levou-se em conta a aceitabilidade da variedade litológica no mercado de rochas atual ainda agregando questões de cor associada com texturas. No que diz respeito ao fator dureza (FD), considerou-se que quanto menor a dureza da rocha, maior a pontuação, pois seu beneficiamento será facilitado e será necessário um menor custo. Por fim, o fator de infraestrutura (FI) remeteu à distância do jazimento em relação ao maior polo beneficiador do estado, Cachoeiro de Itapemirim. Uma observação é que no fator de infraestrutura (FI), considerou-se apenas a distância até Cachoeiro de Itapemirim, como maior polo de beneficiamento do estado. No entanto, como se corrobora no trabalho de Menezes & Sampaio (2012), o noroeste capixaba é destaque na produção e também no beneficiamento de rochas ornamentais, destacado ainda pelo parque industrial de Nova Venécia e Barra de São Francisco. Portanto, pode-se inferir que os litotipos produzidos a distâncias maiores de Cachoeiro de Itapemirim tiveram a pontuação um pouco minorada no fator (FI), já que não necessariamente todo material produzido é conduzido para beneficiamento apenas no maior polo produtor do estado. Ressalta- se ainda que não há grandes prejuízos à classificação com esta observação, visto que neste quesito a maior pontuação é de 8 pontos, enquanto a menor pontuação é de 5 pontos, uma diferença pequena em relação ao valor IAEG total. Ao fim, Vieira et al. (2021), reiterou que a classificação do IAEG se deu pelo somatório das pontuações dos fatores supracitados e, portanto, o IAEG = (FC) + (FT) + (FH) + (FF) + (FM) + (FE) + (FN) + (FD) + (FI). Diante do exposto, a classificação final aplicada, foi em três classes, tipo exportação e nobres, quando a pontuação de IAEG for maior que 70; tipo mercado interno e eventualmente para mercado externo, quando a pontuação de IAEG for entre 60 e 70; e tipo exclusivo de mercado interno quando a pontuação for menor que 60 pontos. Ademais, a Figura 4.9, expõe de maneira explicativa todos os fatores que compõem o IAEG, bem como seus valores de pontuação e classificações respectivas a cada classe/fator. 47 Figura 4.9: Classificação do IAEG com pontuação e critérios por cada fator considerado. Fonte: Vieira et al. (2021). 4.4.4. Unidades Litoestratigráficas e Correlação com Índice de Atratividade Econômico-Geológica (IAEG) Este tópico baseou-se na compilação e integração de dados principalmente do Informe e Mapa de Potencialidades de Rochas Ornamentais do Estado Espírito Santo de Vieira et al. (2021) e do Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo de Vieira et al. (2018). Além de importantes contribuições dos trabalhos de Roncato Júnior (2009); de Queiroga et al. (2012); de Menezes & Sampaio (2012); de Sardou Filho et al. (2013); e de Vieira & Menezes (2015). 48 De acordo com dados de Vieira et al. (2018), a área de estudo, o município de Nova Venécia, contempla na escala do Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo, 1:400.000, onze unidades litoestratigráficas a partir de recorte do limite municipal no referido mapa. Sendo estas, Complexo Nova Venécia (NP3nv); Suíte Ataléia (NP3γ2Sat); Suíte Carlos Chagas (NP3γ2Scc); Leucogranito Carlos Chagas porfirítico (NP3γ2Scci); Suíte Montanha (NP3γ2Smt); Leucogranitos indiscriminados de textura inequigranular a porfiríticas (ε2γ3); Supersuíte Aimorés Águia Biotita Granito (εγ5lambg); Supersuíte Aimorés Charnockito Padre Paraíso (εγ5amCpp); Supersuíte Aimorés Baunilha Norito (εδ5amno); Grupo Barreiras (ENb) e Depósitos Fluviais argilo-arenosos e arenosos recentes (Q2a). A Figura 4.10 destaca o recorte do referido mapa geológico com a malha municipal da área de estudo e a distribuição das unidades presentes. Figura 4.10: Mapa Geológico de Nova Venécia-ES a partir de recorte do Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo, 1:400.000. Fonte: Modificado de Vieira et al. (2018). Melhor visualização do mapa e referência no APÊNDICE B. 49 O Quadro 4.2 apresenta dados sintetizados das unidades litoestratigráficas presentes no município de Nova Venécia-ES. A descrição das unidades leva em conta a escala do mapa de referência. Quadro 4.2: Unidades Litoestratigráficas presentes no município de Nova Venécia- ES de acordo com recorte no Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo, escala 1:400.000, de Vieira et al. (2018). UNIDADES DESCRIÇÃO SINTETIZADA DAS UNIDADES Q2a Depósitos Fluviais argilo-arenosos e arenosos recentes: Apenas um corpo é identificado na área de estudo, sendo próximo à malha urbana e está intercalado a rochas do Complexo Nova Venécia. Segundo Vieira et al. (2018, 2021), é de idade Holocênica, abrange cobertura sedimentar superficial. Trata-se basicamente de areia e cascalho aluvionar e sedimentos fluviais localizados em deltas. ENbGrupo Barreiras: Ocorre principalmente na porção à NEE do município, onde está em contato com o Complexo Nova Venécia. Há outros 2 corpos no extremo norte em contato com a Suíte Carlos Chagas e 1 próximo ao centro do município. Para Roncato Júnior (2009); Queiroga et al. (2012); Vieira et al. (2018, 2021), sua idade admitida é do Mioceno-Plioceno a Pleistoceno. Remete a rochas detríticas com grau de seleção pobre. A granulometria geral pode ser de cascalho, areia e argila, embora, destaca-se a presença de arenitos conglomeráticos, contendo porções cauliníticas e eventual cimentação e concreção ferruginosa, além de stonelines horizontais a sub-horizontais, no geral, de grânulos e seixos de quartzo. Nota-se ainda horizontes lateríticos e lente pelíticas. εδ5amno Supersuíte Aimorés Baunilha Norito: Ocorre apenas uma pequena porção de seu corpo ultrapassando o limite da área de estudo à norte da área, sendo este corpo, majoritariamente alocada em município adjacente, Vila Pavão. Segundo Vieira & Menezes (2015) e Vieira et al. (2018, 2021), unidade formada no estágio pós-orogênico, de idade Cambriana. Trata-se de norito com eventuais enderbitos, de textura equigranular fina, com estrutura isotrópica, cor negra esverdeada a verde muito escuro. Mineralogia essencial é de labradorita e ortopiroxênio, e ocorrendo como acessórios, quartzo, biotita e opacos. Forma do corpo é alongada com direção nordeste-sudoeste. εγ5amCpp Supersuíte Aimorés Charnockito Padre Paraíso: Ocorre basicamente no centro do município com corpos intrusivos em contato com a Supersuíte Aimorés Biotita Granito, um exemplo clássico é o contato entre a pedreira de brita da MCL Mineração e a APA da Pedra do Elefante, respectivamente destas unidades. Além disso, outros 3 corpos aparecem, um no extremo sul da área, um no centro e um no extremo nordeste. Para Vieira et al. (2018, 2021), unidade foi formada no estágio pós-orogênico, de idade de 513-502 M.a., datada pelo método U-Pb, mais próxima ao topo do Cambriano. Compreende rochas charnockíticas e enderbitos porfiríticos, metaluminosos, cálcio- alcalinos de alto potássio, são no geral mesocráticas a melanocráticas. Os principais litotipos são hiperstênio granito, allanita-biotita charnockito, biotita jotonito, biotita opdalito com berilo. A mineralogia essencial é composta por plagioclásio (40-60%); quartzo (3-45%); ortoclásio (0-16%); biotita (3-20%); hiperstênio (1-28%); diopsídio (0-7%), granada (0-10%) e hornblenda (0-10%). Já, mica branca (preenchimento de fraturas), opacos, apatita e zircão ocorrem como acessórios. Sua textura predominante é hipidiomórfica, com granulação fina a grossa. Destaca-se ainda a cor esverdeada, ocorrendo porções mais escuras. εγ5lambg Supersuíte Aimorés Águia Biotita Granito: Abrange o grande batólito situado a sul da malha urbana do município, compreendendo a APA Pedra do Elefante. Segundo Vieira et al. (2018, 2021), unidade formada no estágio pós- orogênico, de idade mais próxima ao topo do Cambriano. Remete a litotipos de cinza à bege, normalmente de textura porfirítica com fenocristais euédricos de feldspato potássico (há pertitas). Eventualmente, encontra-se autólitos máficos e xenólitos das encaixantes, podendo ter granada, por ventura, com aumento de quantidade à medida que se aproxima dos contatos com as Suítes Ataléia e Carlos Chagas. Composta de plagioclásio sódico, feldspato potássico pertítico, quartzo e biotita, já como acessórios, há apatita, allanita, magnet ita e sulfetos. ε2γ3 Leucogranitos indiscriminados de textura inequigranular a porfiríticas: Pequenos corpos intrusivos ocorrem à nordeste do município próximos à leito de rios, estabelecendo contatos principalmente com Complexo Nova Venécia e Grupo Barreiras. Para Vieira et al. (2018, 2021), essa unidade foi formada no estágio tardi-orogênico e é da base do Cambriano. Trata-se de leucogranito de textura inequigranular variando a porfirítica, do tipo S, e no geral, a granulação é média a grossa e a coloração branca. 50 NP3γ2Smt Suíte Montanha: No extremo Norte da área de estudo, apenas uma delgada porção de um corpo adentra o limite municipal. Segundo Vieira et al. (2018, 2021), unidade foi formada no estágio sin- a tardi-orogênico, sendo do topo do Ediacariano. Trata-se de granada-biotita granito e biotita granito do tipo S, com eventuais xenólitos de paragnaisse e enclaves de boitita pouco estirados, além de veios e bolsões de leucogranito. A mineralogia essencial é de microclina, plagioclásio, biotita e granada, e a os acessórios são zircão, apatita e titanita. Destaca-se ainda a presença de textura milonítica marcada pelo estiramento de quartzo e porfiroclastos de feldspato potássico formando sigmóides e rotacionados, o que gera sombras de pressão, além da foliação das biotitas orientadas. NP3γ2Scci Leucogranito Carlos Chagas porfirítico: Unidade possui um corpo no extremo sul da área, dentro da Suíte Carlos Chagas. De acordo com Vieira et al. (2018, 2021), essa unidade formou-se no estágio sin- a tardi-orogênico, pertencendo ao topo do Ediacariano. Refere-se a granada-biotita leucogranito grosso, megaporfirítico com mais que 50% de fenocristais de ortoclásio microclinizados pertítico. Sua matriz de granulação grossa é de composição tonalítica, e pode apresentar texturas protomiloníticas a miloníticas, gerando uma fácies majoritária, do tipo augen- gnaisse com marcante subgranulação dos pórfiros e recristalização da matriz. Os corpos dessa unidade são pequenos e foram separados da Suíte Carlos Chagas e da Suíte Montanha. NP3γ2Scc Suíte Carlos Chagas: Unidade que ocupa maior área do município, cortando-o praticamente de Norte a Sul, com predomínio na porção oeste. Em conformidade com Vieira et al. (2018, 2021), unidade formou-se no estágio sin- a tardi-orogênico, idades de 576 M.a. (datadas pelo método U-Pb) e, portanto, do topo do Ediacariano. Essa unidade se destaca como a maior produtora com minas ativas e inativas do estado, possuindo o maior IAEG da área de estudo e o 2º maior do estado. Suas rochas ornamentais remetem à linha branca e amarela, sendo a amarela nas porções mais basais deste extenso batólito que ocupa principalmente o noroeste do Espírito Santo, enquanto as porções amareladas estão nas porções mais superficiais dos maciços rochosos, podendo atingir 20 metros de profundidade. Essa tonalidade amarelada aumenta o valor do produto, embora tenha suas propriedades mecânicas diminuídas, visto que é fruto do intemperismo químico que gera alteração das biotitas e por vezes, da granada, facilitada por microfraturas que aumentam a porosidade e por sua vez, a percolação de fluídos nestas porções superficiais dos maciços, descolorindo os feldspatos e deixando-os com tons amarelados. A maioria das minas está associada aos significantes maciços rochosos de elevadas altitudes. Unidade compreende leucogranito de granulação média, e cor branca amarelada. Sua composição é sienogranítica, sendo de granulação grossa a muito grossa e com matriz composta de feldspato potássico (25%); quartzo (10%); plagioclásio sódico (50%); granada (5%); biotita (5%) e silimanita (1%). Os acessórios são máficos e compõem 4%, com textura lepidoblástica. Destaca- se ainda o marcante volume de fenocristais e porfiroclastos de feldspato potássico. NP3γ2Sat Suíte Ataléia: Localiza-se como uma faixa alongada de sentido NNE-SSW, entre o Complexo Nova Venécia (mais à leste) e a Suíte Carlos Chagas (mais à oeste). É cortado pela intrusão da Supersuíte Aimorés. Ainda se destaca o que o contato entre a Suíte Ataléia e a Suíte Carlos Chagas é marcada por uma zona de cisalhamento sinistral. Para Vieira et al. (2018, 2021), litotipos formados no estágio sin- a tardi-orogênico, com idades de 591 M.a., datadas pelo método Pb-Pb e, portanto, da fase superior do Ediacariano. Representa unidade transicional entre a fusão parcial dos paragnaisses do ComplexoNova Venécia, advindo de processo de anatexia em maiores profundidades, isso explica essa unidade conter restitos de paragnaisse e migmatitos. Seu aproveitamento em lavra é considerado baixo, de 10 a 12%. E suas rochas são principalmente compostas de granada-biotita granitos e leucogranitos indeformados e com pouco fraturamento. Evidencia-se presença das estruturas maciça, dobrada e orientada, tendo texturas que podem variar de granoblástica, lepidoblástica e granular hipidiomórfica. É relevante ainda citar, a foliação tectônica bem desenvolvida, que pode ocorrer pontualmente. NP3nv Complexo Nova Venécia: Ocupa a porção à leste do município fazendo contato principalmente com o Grupo Barreiras, a Suíte Ataléia e a Supersuíte Aimorés Águia Biotita Granito. Segundo Vieira et al. (2018, 2021), sua formação se deu no estágio pré-orogênico, suas rochas são Neoproterozoica datadas pelo método Pb-Pb com 631 M.a., pertencendo à base do Ediacariano. Em síntese, trata-se de silimanita-granada-cordierita-biotita gnaisse bandado em intensidades diversas de migmatização, com eventuais intercalações de rochas calcissilicáticas. A presença de cordierita gera tonalidades acinzentadas a azuladas para essas rochas. Presença de estrutura estromática sendo o mesossoma inequigranular e textura lepidoblásticas, porfiroblásticas e poiquiloblástica e leucossomas quartzo-feldspáticos, de granulação grossa, apresentando textura consertal a granoblástica, e composição granítica a granodiorítica contendo biotita, cordierita e granada. Fonte: Modificado de Vieira et al. (2018); Vieira et al. (2021). Modificações com base em Roncato Júnior (2009); Queiroga et al. (2012); Vieira & Menezes (2015). 51 Diante do exposto, levando em consideração os dados de Vieira et al. (2021), visualizou-se as unidades litoestratigráficas presentes no município de Nova Venécia a partir do recorte da malha municipal no mapa de potencialidades de rochas ornamentais do referido autor, para identificar as unidades presentes no município e sua respectiva classificação perante o IAEG. Destaca-se que as unidades com fundo e preenchimento branco se deram por não se aplicarem a classificação do IAEG, conforme explicado na Figura 4.9, e identificando estas unidades na área, listam-se os Leucogranitos indiscriminados de textura inequigranular a porfiríticas (ε2γ3); Grupo Barreiras (ENb) e Depósitos Fluviais argilo-arenosos e arenosos recentes (Q2a). A Figura 4.11 destaca o recorte do referido mapa de potencialidades das rochas ornamentais do estado do Espírito Santo de Vieira et al. (2021), com a malha municipal da área de estudo, distribuição das unidades presentes e a classificação do IAEG das respectivas unidades. Figura 4.11: Recorte do município de Nova Venécia-ES no mapa de potencialidades das rochas ornamentais do estado do Espírito Santo, de Vieira et al. (2021). Fonte: Modificado de Vieira et al. (2021). Melhor visualização do mapa e referência no APÊNDICE C. 52 O Quadro 4.3 apresenta a integração e correlação das unidades presentes na área de estudo com sua respectiva classificação do IAEG e características comerciais das unidades potenciais. Características das unidades leva em conta a escala do mapa de referência. Quadro 4.3: Unidades Litoestratigráficas presentes na área de estudo e sua classificação do IAEG. IAEG UNIDADES FATORES DE ATRATIVIDADE CARACTERÍSTICAS COMERCIAIS/INDUSTRIAIS DAS UNIDADES POTENCIAIS FC FT FH FF FM FE FN FD FI 86 NP3γ2Scc 20 6 7 10 8 5 20 5 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo exportação e nobre, destacando-se como o maior IAEG da área de estudo e o 2º maior do estado. Nomes comerciais desses litotipos são Amarelo Icaraí, Branco Samoa, Branco Dallas, Branco Everest, Branco Ipanema, Branco Marfim, Branco Palha, Branco Polar, Branco Serenata, Galaxy White, Icaraí Light, Ouro Branco, Santa Cecília Light, São Francisco Real, Santa Cecília Clássico, Arabesco, Santa Cecília White e New Veneci Ice. 82 NP3γ2Sat 20 6 3 8 10 5 20 5 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo exportação e nobre. Seus principais nomes comerciais são Granito Jaguar (de expressivo valor agregado) e Branco Romano. Destaca-se ainda que estes litotipos possuem importância econômica e o uso dos rejeitos em fábricas de porcelanato em Linhares-ES. 82 εγ5amCpp 16 8 10 8 10 0 20 5 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo exportação e nobre. Sendo que suas principais denominações comerciais são Jade Green, Bege Butterfly, Bege Pavão, Verde Labrador, Verde Butterfly, Verde Pavão, Preto São Benedito, Amêndoa Clássico e Amêndoa Jaciguá. 81 NP3γ2Scci 18 10 5 8 10 0 20 5 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo exportação e nobre. Sem registros de extração de granito, embora possua importância econômica. 80 NP3nv 14 6 6 8 10 10 15 6 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo exportação e nobre. Os principais nome comerciais desses litotipos são Purple Dunes, Blue Jaguar, Café Brasil, Marrom Café e Preto Indiano (Blue Fantasy). 72 εδ5amno 14 4 8 8 8 0 20 5 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo exportação e nobre. Esses litotipos possuem potencial para extração de rochas ornamentais, embora não haja registros de mineração ativa. 65 NP3γ2Smt 6 2 8 6 8 5 20 5 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo mercado interno e eventualmente para mercado externo. Há elevada concentração de minerais máficos nesses litotipos, por exemplo a biotita, gerando tons acinzentados, configurando uma restrição significativa para extração de rochas ornamentais. Quando as rochas estão intemperizada, a coloração pode ser em tons rosados e vermelho-amarelado. 56 εγ5lambg 6 8 8 4 10 5 5 5 5 Sua pontuação no IAEG daria classificação tipo exclusivo para mercado interno. As rochas dessa unidade possuem potencial para extração de rocha ornamental. Registra-se mineração na unidade. Fonte: Modificado de Vieira et al. (2021). 53 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1. PANORAMA MINERAL DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES O panorama mineral da área de estudo contempla o levantamento e análise dos títulos minerários ativos do município materializados por exposição gráfica de diversos atributos para caracterizar o setor mineral do município com dados atualizados. Adicionalmente, o panorama mineral abrange a compilação de dados econômicos do setor mineral como investimentos em pesquisa mineral, valor da produção mineral, valor da produção bruta, valor da produção beneficiada e arrecadação da CFEM. Relata-se que, de acordo com a ANM, no Anuário Mineral Brasileiro (AMB) interativo, os dados deste painel advêm do Portal Brasileiro de Dados Abertos, e tem como objetivo central a facilitação na visualização dos dados e transparência para o setor. Vale ressaltar que estes dados podem não ter total precisão, visto que são oriundos de fonte de declaração, como no Relatório Anual de Lavra (RAL) e Declaração de Investimento em Pesquisa Mineral (DIPEM), e, portanto, podem ter apresentação de novos relatórios, ajustes, retificações e correções, além da avaliação dos documentos perante os técnicos da ANM. 5.1.1. Compilação de Dados Dos Títulos Minerários O levantamento e tratamento de dados constatou que o município de Nova Venécia, considerada a data de corte dos dados, possui 365 processos minerários ativos e 784 inativos, totalizando 1149 títulos minerários, conforme pode ser visualizado nos Gráfico 5.1 e Gráfico 5.2. Nota-se ainda que 31,8% dos processos minerários são ativos, enquanto 68,2% são inativos, ou seja, não oneram áreas na atualidade. 54 Gráfico 5.1: Quantidade e situação dos processos minerários do município de Nova Venécia-ES. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Gráfico 5.2: Quantidade e situaçãodos processos minerários do município de Nova Venécia-ES. Destaque para os 365 processos minerários ativos foco das análises posteriores. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). 55 O tratamento de dados e análise foi realizado considerando os processos minerários ativos, visto que estes, atualmente oneram áreas do município de fato, com o objetivo central de que em algum momento, respeitando as fases do processo minerário na ANM, seus detentores possam aproveitar os recursos minerais das áreas (ANM – EXPLORAÇÃO, 2023). Dito isto, seguindo-se a análise com os processos minerários ativos, 365 títulos, o Gráfico 5.3 permite mostrar a relação dos processos minerários da área de estudo com o tipo de requerimento feito junto à ANM pelos interessados. Evidencia-se que a grande maioria, 321 processos correspondendo a 87,9% do total, seguem o rito do requerimento de autorização de pesquisa. Gráfico 5.3: Processos minerários por tipo de requerimento. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Ainda na análise dos 365 processos totais (ativos), filtrando sua distribuição por substância, mostram em detalhe todas as substâncias de interesse para a área de estudo. Nota-se que o número de processos nesta análise ultrapassa os 365 processos, visto que, um mesmo processo minerário pode ter mais de uma substância mineral de interesse (Gráfico 5.4 e Gráfico 5.5). 56 Gráfico 5.4: Gráfico de barras mostrando o número de processos minerários por substância. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Gráfico 5.5: Gráfico de pizza realçando o percentual dos processos minerários por substância. Notar a dominante participação do granito. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). 57 Considerado o exposto, constata-se que nesse quesito, as 5 principais substâncias minerais do município de Nova Venécia são compostas por granito, em 294 processos (71,7%); areia em 22 processos (5,4%); argila em 19 processos (4,6%); caulim em 19 processos (4,6%) e gnaisse em 14 processos (3,4%). Em relação à fase em que se encontram os processos ativos na tramitação junto ao órgão competente (ANM), visualizado no Gráfico 5.6, observa-se que no município há 48 processos minerários em concessão de lavra, 31 processos estão em fase de disponibilidade e 2 aptos para disponibilidade, notório ainda que 164 processos estão em fase de autorização de pesquisa e 101 na fase de requerimento de lavra. Gráfico 5.6: Processos minerários por fase atual. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Ainda em relação à fase atual dos processos, observou-se que 31 estão em fase de disponibilidade e 2 aptos para disponibilidade (Gráfico 5.7). Para Sousa (2022), estes tipos de processos, estão de certa forma, improdutivos, pois ocupam áreas, mas não estão nem em fase de pesquisa e/ou aproveitamento dos recursos minerais. 58 O procedimento de disponibilidade de áreas é definido segundo ao acesso à informação da ANM (2023): “Disponibilidade de Áreas é um procedimento, conduzido pela Agência Nacional de Mineração – ANM, que objetiva selecionar interessados em dar seguimento a projetos minerários que já haviam sido outorgados a terceiros, mas retornaram à carteira ANM por algum motivo como, por exemplo, indeferimento de requerimento, caducidade de título, abandono da jazida ou mina, desistência e renúncia ao direito minerário.” Gráfico 5.7: Processos em disponibilidade na área de estudo. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Já com relação aos processos em concessão de lavra, e analisando-os mais profundamente quanto à sua distribuição por substância mineral, observa-se que 45 processos são de granito, tendo participação de 86,5%, considerando que há um número superior a 48 processos visto que um mesmo processo minerário pode ter mais que uma substância. Reforçando a soberania do granito na participação do setor, no município (Gráfico 5.8). 59 Gráfico 5.8: Distribuição dos processos com concessão de lavra por substância mineral. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Ao se detalhar a temática da distribuição dos processos minerários ativos por tipo de uso, percebe-se a quantidade de processos por cada tipo de uso registrado no município (Gráfico 5.9). Apresenta-se 168 processos com uso não informado; seguido por 141 processos com uso identificado para revestimento; 54 para uso industrial; 20 com uso na construção civil; 14 com uso identificado como cerâmica vermelha e apenas 1 identificado como fins de gema. Salienta-se que, o somatório desses processos dá 398, superior ao número de processos ativos analisados, visto que um mesmo processo minerário também pode ter mais de um tipo de uso identificado. A distribuição das substâncias minerais por cada um dos tipos de uso identificados foi executada para aprofundamento desse fator no município estudado. Observa-se que um mesmo processo pode ter mais que uma substância mineral de interesse. No que diz respeito aos 168 processos com uso identificado como não informado, constatou-se a partir do Gráfico 5.10, as 5 principais substâncias são nessa ordem: 125 processos de granito; 15 de caulim; 9 de gnaisse; 7 de feldspato e na quinta posição, com 4 processos cada, fosfato, granodiorito e ouro. 60 Gráfico 5.9: Quantidade de processos minerários por tipo de uso. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Gráfico 5.10: Substâncias por tipo de uso: Não informado. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). No que diz respeito aos 141 processos minerários com uso identificado como revestimento, temos uma hegemonia marcante do granito com 136 processos atingindo mais de 95% de participação nesse quesito (Gráfico 5.11). 61 Gráfico 5.11: Substâncias por tipo de uso: Revestimento. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Em relação aos 54 processos minerários de uso industrial, o granito lidera novamente com 35 processos. O Gráfico 5.12 mostra a distribuição das substâncias nesse quesito. Gráfico 5.12: Substâncias por tipo de uso: Industrial. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). 62 Quanto aos processos com tipo de uso identificado com construção civil, verifica-se que a ampla maioria é de areia, com 19 processos. Há ainda, 2 processos de argila, 1 de cascalho, 1 de granito e 1 de saibro (Gráfico 5.13). Gráfico 5.13: Substâncias por tipo de uso: Construção Civil. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). Quanto ao uso identificado como cerâmica vermelha, todos os 14 processos minerários são de argila (Gráfico 5.14). Gráfico 5.14: Substâncias por tipo de uso: Cerâmica Vermelha. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). 63 Por fim, no tipo de uso identificado com fins de gema, um único processo foi aferido, sendo este composto por duas substâncias de interesse, água marinha e turmalina, como visualizado no Gráfico 5.15. Este é o único processo do município com tipo de requerimento de lavra garimpeira, conforme já visualizado previamente no Gráfico 5.3. Gráfico 5.15: Substâncias por tipo de uso: Gema. Fonte: Elaborado pelo autor com dados do Cadastro Mineiro, ANM (2023). 5.1.2. Investimentos em Pesquisa Mineral Constata-se que o investimento em pesquisa mineral no país atingiu a marca de R$ 10,95 bilhões, considerando a série histórica de apuração dos dados de 2010 a 2021, sendo liderado pelo Estado de Minas Gerais. Nota-se que a participação da pesquisa mineralna fase de autorização de pesquisa equivale a 58,19% desse valor e na fase de lavra, a 41,81% (Figura 5.1). O Estado do Espírito Santo coloca-se em 19º no país em relação aos investimentos em pesquisa mineral quando considerado todas as substâncias minerais, na série histórica já mencionada. Sendo ouro a substância mineral com maior investimento em pesquisa no país, seguido por cobre, minério de ferro e rochas (Figura 5.2). 64 Figura 5.1: Evolução do investimento em pesquisa mineral no Brasil, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Figura 5.2: Evolução do investimento em pesquisa mineral no Brasil, de 2010 a 2021, por Estado, substância mineral e município. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Mesmo as substâncias metálicas tendo investimento em pesquisa mineral muito mais significativo no país, constata-se o setor de rochas como a 4º posição geral das 65 substâncias no Brasil neste quesito. Caso houvesse filtro no AMB para o setor de rochas, que é muito amplo, por tipo de rocha e/ou por tipo uso, seria mais viável verificar os dados de pesquisa mineral, restritos a rochas ornamentais e de revestimento em abrangência nacional (SOUSA, 2022). O Estado do Espírito Santo registrou investimento em pesquisa mineral de R$ 92,09 milhões na série histórica de 2010 a 2021, com participação nacional de 0,84%. Os investimentos são majoritários na fase de autorização de pesquisa com 71,33%, enquanto que na fase de lavra 28,67%. Analisando a série histórica, nota-se um decréscimo em investimento de pesquisa mineral, tornando-se estável em 2018 a 2021 (Figura 5.3). Figura 5.3: Evolução do Investimento em Pesquisa Mineral no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Na análise, em abrangência estadual de investimento de pesquisa mineral, por substância e por município nota-se que as rochas lideram com ampla vantagem na série histórica supracitada e o município de Nova Venécia se posiciona como o 14º do estado nesse contexto (Figura 5.4). 66 Figura 5.4: Evolução do investimento em pesquisa mineral no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021, por substância mineral e município. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Ao afunilar a análise para a área de estudo, verifica-se investimentos em pesquisa mineral na ordem de R$ 1,53 milhões considerando o acumulado da série histórica (Figura 5.5). Sendo que os investimentos em pesquisa, na contramão do Estado do Espírito Santo e do país, são maiores na fase de lavra que na fase de autorização de pesquisa, com 64,05% e 35,95%, respectivamente. Adicionalmente, a série histórica mostra certa estabilidade de 2010 a 2015, um valor atípico muito alto em 2016 neste contexto, e valores crescentes de 2019 a 2021. No que concerne ao filtro por substância mineral, temos as rochas abrangendo 73,65% da participação em investimento de pesquisa mineral no município, conforme Figura 5.6. As outras substâncias registradas na série histórica, são nessa ordem, areia, argilas, areias industriais e ouro. 67 Figura 5.5: Evolução do investimento em pesquisa mineral no município de Nova Venécia-ES, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Figura 5.6: Evolução do investimento em pesquisa mineral no município de Nova Venécia-ES, de 2010 a 2021, por substância mineral. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). 68 5.1.3. Valor da Produção Mineral No período apurado, de 2010 a 2021, o Valor da Produção Mineral (VPM) do país atingiu a grande marca de R$ 1,60 trilhões, tendo uma sútil crescente nessa série. Há ampla liderança do minério de ferro, seguida por ouro, cobre e o setor de rochas, conforme Figura 5.7. Figura 5.7: Evolução do Valor da Produção Mineral (VPM) a valores nominais no país, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Analisada a evolução do investimento de pesquisa mineral em relação com o VPM em abrangência nacional, nota-se uma sútil crescente de 2018 a 2021 em ambas. Quando verificada essa mesma comparação em relação ao estado do Espírito Santo, destaca-se que o investimento em pesquisa mineral registrou maiores cifras em 2011 e 2013, tendo caído em 2014 e estabilizado até 2017, depois nova queda em 2018 com certa estabilidade até 2021, sendo de R$ 6 milhões neste ano. Quanto ao VPM da mesma série, destaca-se que houve praticamente estabilidade entre 2011 e 2016, com crescente registrada a partir de então entre 2017 e 2021. Ao se analisar o VPM no Espírito Santo (Figura 5.8), verifica-se o estado como o 7º maior do país na série acumulada de 2010 a 2021, nota-se um valor acumulado de 69 R$ 21,25 bilhões. Há também uma sútil crescente no período e um valor significativamente maior em 2021, visto que o minério de ferro foi inserido como substância beneficiada no estado neste ano. As rochas ornamentais lideram o VPM do estado, seguido pelo minério de ferro. Figura 5.8: Evolução do Valor da Produção Mineral (VPM) a valores nominais no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Refinando a análise do VPM, quando filtrado por substância, Rochas Ornamentais somado a Rochas Ornamentais – Outras, temos uma participação desse setor de R$ 17,97 bilhões em abrangência nacional no período mencionado. Com ampla liderança do Estado do Espírito Santo e com crescente no valor registrado na série histórica considerada (Figura 5.9). 70 Figura 5.9: Evolução do Valor da Produção Mineral (VPM) a valores nominais no Brasil, considerando o filtro por substância mineral para rochas ornamentais, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). 5.1.4. Produção Bruta Com relação à produção bruta, registrou-se R$ 52,88 bilhões na série histórica de 2010 a 2021 em abrangência nacional. O Estado de Minas Gerais tem ampla hegemonia neste quesito, seguido pelo Estado de São Paulo e em 3º, o Estado do Espírito Santo. Em termos das substâncias minerais nesse fator analisado, as rochas ornamentais lideram a produção bruta do país, seguida por areia e ferro, nessa ordem (Figura 5.10). 71 Figura 5.10: Evolução da produção bruta no Brasil, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). Na análise do Estado do Espírito Santo, conforme Figura 5.11, verifica-se que o valor acumulado do período supracitado é de R$ 6,84 bilhões, tendo ampla supremacia das rochas ornamentais, com cerca de R$ 5,8 bilhões no estado. Figura 5.11: Evolução da produção bruta no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). 72 Quanto à participação da produção bruta específica das rochas ornamentais ao aplicar-se este filtro, revela-se que o Espírito Santo é líder no país, seguido por Minas Gerais e Bahia. A produção bruta de rochas ornamentais do Brasil, no acumulado de 2010 a 2012, atingiu a marca de R$ 14,11 bilhões, conforme demonstrado na Figura 5.12. Figura 5.12: Evolução da produção bruta no Brasil filtrado pela substância de rochas ornamentais e rochas ornamentais - outras, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). 5.1.5. Produção Beneficiada O Brasil registrou produção beneficiada no acumulado de 2010 a 2021 de R$ 1,51 trilhões com notável estabilidade de 2010 a 2015 e uma crescente progressiva a partir de 2016, conforme analisado na Figura 5.13. O Estado de Minas Gerais lidera enquanto o Espírito Santo ocupa a 8ª posição do ranking nesse quesito. Há uma gigantesca hegemonia da produção beneficiada do Brasil para a substância de ferro, seguida por ouro, cobre, rochas e alumínio, como as 5 principais. 73 Figura5.13: Evolução da produção beneficiada no Brasil, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). No contexto estadual, a produção beneficiada capixaba registrou no período supracitado R$ 14,13 bilhões, onde minério de ferro lidera seguido pelas rochas ornamentais. Constata-se novamente um valor atípico para 2021 pela inserção de grande quantidade de minério de ferro como produção beneficiada no estado (Figura 5.14). Figura 5.14: Evolução da produção beneficiada no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). 74 Quanto à produção beneficiada nacional categorizando restritamente para as rochas ornamentais como substância (Figura 5.15), de 2010 a 2021, nota-se valor acumulado de R$ 3,86 bilhões, com supremacia do Estado do Espírito Santo. Figura 5.15: Evolução da produção beneficiada no Brasil filtrado pela substância de rochas ornamentais e rochas ornamentais - outras, de 2010 a 2021. Fonte: Anuário Mineral Brasileiro Interativo (ANM). 5.1.6. Arrecadação da CFEM Ao analisar a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em abrangência nacional, considerando o acumulado da série histórica de 2003 até 14 de Fevereiro de 2023, arrecadou-se R$ 48,6 bilhões, como destacado na Figura 5.16. 75 Figura 5.16: Arrecadação da CFEM no Brasil, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). Ao analisar os dados e ampliar a visualização da arrecadação da CFEM por substância e processo (Figura 5.17), e a arrecadação da CFEM por estado e município (Figura 5.18), constata-se que o minério de ferro é líder nesse quesito, representando 73,7% da arrecadação nacional. Sendo seguido por cobre, ouro alumínio e calcário. O granito é o sexto com 1,3% de participação. O Estado de Minas Gerais é responsável por 44,7% e o Pará por 40,8% da arrecadação nacional, tendo majoritária participação nacional. Neste quesito o Espírito Santo coloca-se apenas como 14º com 0,3% da arrecadação de CFEM nacional no acumulado da série já mencionada. 76 Figura 5.17: Arrecadação da CFEM por substância e processo, no Brasil, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). 77 Figura 5.18: Arrecadação da CFEM por Estado e município, no Brasil, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Observação é que estados com representatividade inferior a 0,1% não estão visualizadas na figura, sendo o total de CFEM arrecadado no acumulado do período de R$ 48.639.397.802,32. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). Ao aplicar o filtro da arrecadação da CFEM para o estado capixaba (Figura 5.19), nota-se uma arrecadação acumulada para o período supracitado de R$ 169,2 milhões. Nota-se a evolução histórica mostra estabilidade de 2003 a 2009, com crescente de 2010 a 2015, quando obteve o ápice de toda a série histórica. Então, seguida por três anos de queda até que a partir de 2018, uma branda crescente na arrecadação é novamente registrada. Ao ampliar a análise do âmbito estadual capixaba, para arrecadação da CFEM por substância (Figura 5.20) e para arrecadação da CFEM por município (Figura 5.21), observa-se o granito como principal responsável pela arrecadação do período, com 74,2% de participação, seguido do mármore com 6,2%, do gnaisse com 3,2%, da areia com 2,9% e do diorito com 2,8%. Competindo a Barra de São Francisco com 14,1%, Cachoeiro de Itapemirim com 11,9%, Colatina com 10,6%, Nova Venécia com 10,2% e Ecoporanga com 5,4% ocupar os postos dos 5 principais municípios capixabas na arrecadação de CFEM considerando o acumulado do período levantado. 78 Figura 5.19: Arrecadação da CFEM no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). Figura 5.20: Arrecadação da CFEM por substância e processo, no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). 79 Figura 5.21: Arrecadação da CFEM por município, no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). Para o município de Nova Venécia, na série histórica de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023, a arrecadação de CFEM acumulada foi de R$ 17,2 milhões (Figura 5.22), tendo atingido seu ápice nos anos de 2015 e 2016. Observa-se ainda que o granito corresponda a expressivos 99,2% de toda arrecadação municipal durante o período acumulado. 80 Figura 5.22: Arrecadação da CFEM em Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). Em uma última avaliação da arrecadação da CFEM considerou-se apenas a substância granito (Figura 5.23), e notou-se que no Estado do Espírito Santo, o município de Nova Venécia fica na 2ª colocação no acumulado do período considerado, com 13,6% de participação na arrecadação, enquanto Barra de São Francisco liderou e teve 18,5%. Figura 5.23: Arrecadação da CFEM no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023, aplicando apenas a substância granito. Fonte: Observatório da CFEM (ANM). 81 5.2. SELEÇÃO DE ALVOS POTENCIAIS PARA PROSPECÇÃO PRELIMINAR DE ROCHAS ORNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES Este tópico dedica-se aos resultados envolvendo a seleção de alvos potenciais para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, através do uso de geoprocessamento de dados públicos. Sendo assim, destaca-se que primeiramente foram elaborados mapas de fundamental importância para o conhecimento preliminar da área de estudo, sendo estes, mapa de localização da área de estudo (APÊNDICE A); mapa geológico delimitando Nova Venécia-ES no mapa geológico do Estado do Espírito Santo, escala 1:400.000, de Vieira et al. (2018) (APÊNDICE B); mapa de potencialidades das rochas ornamentais do Estado do Espírito Santo delimitando Nova Venécia-ES no referido mapa, escala 1:400.000, de Vieira et al. (2021) (APÊNDICE C); mapa de relevo sombreado (APÊNDICE D); mapa hipsométrico (APÊNDICE E); e mapa com a fusão do mapa geológico de Nova Venécia, a partir do tratamento de dados de Vieira et al. (2018), com MDE, visando correlação litológica com dados topográficos (APÊNDICE F). Posteriormente, elaboraram-se os mapas de fato onde seriam analisados para a seleção de alvos potenciais em áreas livres para prospecção preliminar de rochas ornamentais na área de estudo, a partir dos critérios estabelecidos neste trabalho. Ressalta-se que os filtros aplicados foram sequenciais até a obtenção dos resultados finais. Adiante, o mapa do filtro 1 (APÊNDICE G) contemplou imagem de satélite do município de Nova Venécia-ES, usada como mapa base para todas as análises posteriores. Adicionalmente, nessa etapa, verifica-se que não há restrições na área de estudo, pois, de acordo com a ANM, não há no município reservas garimpeiras, terras indígenas, territórios quilombolas e outras áreas de bloqueio, como se corrobora nos relatórios gerados pelo SIGMINE também no dia 03 de Abril de 2023, sendo estes, ANEXO A, ANEXO B e ANEXO C. 82 No filtro 2, aplicou-se todos os processos minerários da área de estudo categorizados por fase do processo, sobrepondo assim estas áreas já requeridas junto à ANM na imagem de satélite dentro do limite municipal da área de estudo (APÊNDICE H). A seguir, no filtro 3 (APÊNDICE I), o mapa destacou as unidades de conservação incluindo reservas particulares do patrimônio natural da área de estudo sobrepondo a imagem de satélite no limite municipal. Sucessivamente, o filtro 4 (APÊNDICE J) foi aplicado para selecionar a Suíte Carlos Chagas (NP3γ2Scc), personalizando-a para ficar sem preenchimento de cor e transparente, com a imagem de satélite ao fundo. Este critériofoi adotado, pois, esta unidade possui a maior pontuação do IAEG no município e a 2º maior do estado inteiro, logo foi justificadamente considerada como principal alvo e de maior potencialidade. Posteriormente, integraram-se através de sobreposição os filtros 1, 2, 3 e 4 em um só mapa (APÊNDICE K) para tornar claro todas as restrições de áreas consideradas na execução desse trabalho, sendo este o mapa integrado dos filtros utilizados com a imagem de satélite ao fundo. Em seguida, aplicou-se o filtro 5 (APÊNDICE L) sendo este o mesmo mapa integrado com todas as restrições anteriores com todas estas personalizadas para que seu fundo e preenchimento estivessem na cor branca, sobrepondo assim as áreas que têm restrições consideradas, a fim de otimizar a visualização das áreas livres e potenciais a partir dos critérios estabelecidos. Dessa maneira, após a aplicação dos filtros supracitados, foi possível analisar e delimitar os alvos potenciais para os mapas finais. Ressalta-se que a seleção dos alvos foi realizada com base na análise simultânea de fotointerpretação e análise topográfica por mapa hipsométrico, visto que, como discutido por Menezes & Sampaio (2012), o relevo deve ser prioridade para análise e seleção de qualquer alvo prospectivo com fins de rocha ornamental. Logo, 83 salienta-se que terrenos com abundância de maciços rochosos, seriam preliminarmente, preferenciais, para seleção de áreas, obviamente a depender dos fatores litológicos. Cabe destacar que os alvos potenciais selecionados priorizaram maciços rochosos, por este ser o principal tipo de ocorrência e porque os matacões não poderiam ser bem analisados pela limitação na resolução da imagem de satélite, devido à relação de escala para abranger a área de estudo nos mapas. Relata-se ainda que corpos rochosos com pelo menos, uma das dimensões inferior a 10 hectares não foram considerados, justamente por priorizar-se o critério supracitado. Ademais, a delimitação de áreas, que foi realizada com linha tracejada amarela, apresentou formatos aleatórios e abrangeram os alvos onde houvesse maior número de maciços rochosos aflorantes, sendo meramente ilustrativas para termos de localização e delimitação das áreas de maior potencialidade, a partir dos termos estabelecidos neste trabalho. Logo, por este motivo não se formou poligonal nos moldes solicitadas pelo REPEM - ANM e pela legislação vigente, ou seja, segmentos de reta Norte-Sul ou Leste-Oeste, visto que sob nenhuma circunstância os dados deste conteúdo sejam considerados como sugestão, recomendação, aconselhamento e/ou indicação de investimento financeiro ou de qualquer outra natureza. Salienta-se que, os resultados aqui apresentados foram obtidos a partir da interpretação, análise de dados e metodologia específica para este trabalho. Assim, não havendo garantia de que outros filtros e variáveis não tivessem que ter sido considerados para um estudo detalhado com finalidade de mercado, como questões de superficiários, de tecnologia, outras questões ambientais, mercadológicas, dentre outras. Dessa maneira, é obrigatório ter conhecimento do exposto no AVISO. Por fim, após todas as análises foi possível elaborar os mapas com os resultados almejados nessa parte do trabalho. E então, selecionou-se e delimitou-se 7 alvos, com potencial para rochas ornamentais no município de Nova Venécia, no qual um ponto de referência foi escolhido para cada um e suas coordenadas levantadas para designar sua localização. 84 Sendo assim, o mapa final com alvos potenciais – imagem de satélite (APÊNDICE M) mostra os alvos selecionados para prospecção preliminar de rochas ornamentais na área de estudo com o fundo contendo a imagem de satélite, (Figura 5.24). Figura 5.24: Mapa final com imagem de satélite ao fundo, com alvos potenciais para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES. Fonte: Elaborado pelo autor. Melhor visualização do mapa e referências no APÊNDICE M. Já, o mapa final com alvos potenciais – hipsométrico (APÊNDICE N) mostra os alvos selecionados para prospecção preliminar de rochas ornamentais na área de estudo com o fundo contendo o mapa hipsométrico (Figura 5.25). O mapa final com destaque para os alvos (APÊNDICE O), realça a integração dos mapas finais de imagem de satélite e hipsométrico, com a demarcação dos 7 alvos potenciais e a máxima ampliação possível respeitando as questões de escala inerentes ao tamanho das áreas disponíveis para ampliação da visada de cada uma das áreas de interesse (Figura 5.26). 85 Figura 5.25: Mapa final com mapa hipsométrico ao fundo, com alvos potenciais para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES. Fonte: Elaborado pelo autor. Melhor visualização do mapa e referências no APÊNDICE N. Figura 5.26: Mapa final com destaque para os alvos potenciais para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES. Fonte: Elaborado pelo autor. Melhor visualização do mapa e referências no APÊNDICE O. 86 6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES De maneira geral, o município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, caracteriza-se como um dos principais municípios capixabas na produção e exportação de blocos e chapas de rochas ornamentais e de revestimento. No que concerne ao Panorama Mineral, destaca-se que a área de estudo possui 365 títulos minerários ativos, sendo que 87,9% do total seguem o rito do requerimento de autorização de pesquisa. Ao analisar os processos minerários por substância, considerando as cinco principais, constata-se que o granito corresponde a 71,7% dos processos; a areia a 5,4%; a argila a 4,6%; o caulim a 4,6% e o gnaisse a 3,4%. Em relação à fase atual dos processos ativos da área de estudo, destaca-se que há 48 em concessão de lavra, enquanto 31 estão em fase de disponibilidade e 2 aptos para disponibilidade. Quanto aos processos em concessão de lavra, 45 destes são de granito, correspondendo a relevantes 86,5%. No que diz respeito ao tipo de uso, aferiu-se que 168 processos têm uso não informado; 141 tem uso identificado para revestimento; 54 para uso industrial; 20 para uso na construção civil; 14 com uso identificado como cerâmica vermelha e apenas 1 identificado como fins de gema. Relativo aos investimentos em pesquisa mineral, o município de Nova Venécia-ES teve aporte de R$ 1,53 milhões, considerado o acumulado da série histórica de 2010 a 2021, sendo as rochas ornamentais e de revestimento responsáveis por 73,65% dessa quantia. No que diz respeito à arrecadação da CFEM, o município arrecadou na série histórica acumulada de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023, R$ 17,2 milhões, tendo atingido seu ápice nos anos de 2015 e 2016. Observa-se ainda que o granito corresponde a expressivos 99,2% de toda arrecadação municipal durante o período mencionado. 87 No entanto, recentes quedas na arrecadação de CFEM tem sido registradas, como em 2021, 2022 e 2023 (até 14 de Fevereiro de 2023). Adicionalmente, na apuração do primeiro trimestre de 2023, a área de estudo perdeu posições em relação aos principais municípios capixabas quanto à exportação de blocos e chapas. Por fim, com uso de geoprocessamento e tratamento de dados públicos nos termos deste trabalho, delimitou-se 7 alvos potenciais para exploração de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES, como etapa de prospecção preliminar, evidenciado os critérios estabelecidos para este estudo. Desta maneira, aspira-se que este trabalho promova contribuições para toda a comunidade uma vez que o amplo e atual conhecimento da caracterização do panorama mineral do município é fundamental para iniciativa pública e privada agirem em prol de melhorias e avanços neste setor tão importante para a região. Além doque, a metodologia aplicada na seleção dos mencionados alvos, pode ser aplicada como fomento para pesquisa de novos jazimentos e, portanto, na perspectiva e possibilidade de novos empreendimentos e desenvolvimento socioeconômico da região. No que concerne às limitações deste estudo, reverbera-se o fato de que os dados utilizados no levantamento dos títulos minerários tiveram uma data de corte, logo, considera-se que as informações provenientes deste trabalho foram desenvolvidas com os dados de até a referida data de corte. Visto que os sistemas da ANM são periodicamente atualizados conforme os processos minerários vão tramitando e novos processos surgindo. Assim, torna-se indubitável que: o download do arquivo no formato shapefile, usado como base na elaboração dos mapas, foi feito no portal SIGMINE (ANM) no dia 03 de Abril de 2023; o download do arquivo no formato de planilha .xls, usado como base no panorama mineral foi realizado no portal Sistema Cadastro Mineiro (ANM) no dia 03 de Abril de 2023; e que as informações registradas e consultadas no Anuário Mineral Brasileiro interativo, no Observatório da CFEM e no Portal da CFEM foram realizadas no dia 06 de Abril de 2023. Apresenta-se como imprescindível realçar que os 7 alvos não configuram garantia nenhuma de sucesso como prospectos de rocha ornamental, advertindo novamente 88 que o objetivo do trabalho era selecionar por meio de dados públicos e uso de geoprocessamento alvos potenciais para rochas ornamentais na área de estudo, sendo que isso consiste apenas em etapa preliminar de prospecção, não eximindo todas as outras etapas pesquisa para de fato aferição se uma ocorrência mineral pode se tornar um jazimento. Adicionalmente, o objetivo central situou-se na metodologia abordada e não propriamente nos alvos selecionados em si, porque os dados dos processos minerários foram baixados no SIGMINE (ANM) no dia 03 de Abril de 2023, logo, essas áreas selecionadas podem sequer estar mais livres, posterior a mencionada data de corte. No que tange a possibilidade de novos trabalhos, visualiza-se num horizonte bem amplo, a perspectiva de inúmeras possibilidades de novos estudos, sendo que para constar, recomenda-se as principais e consideradas de maior possibilidade de impacto e resultados significativos para a comunidade. Indica-se então: a possibilidade da replicação deste estudo em outros municípios e até mesmo em Unidades Federativas; a replicação deste estudo com inserção de técnicas de inteligência artificial principalmente voltada à varredura de áreas potenciais; a replicação deste estudo, principalmente do panorama mineral municipal para averiguar temporalmente o avanço das métricas e indicadores do setor; trabalhos de campo nos alvos selecionados; a inserção de outros parâmetros adicionais a fim de calibrar metodologia de seleção de áreas potenciais para rochas ornamentais; a inserção de outros parâmetros para utilização na prospecção de outras substâncias minerais; uma proposta de atualização dos fatores que compõem o IAEG de maneira a retificar o fator infraestrutura, dentre outros. De porte do exposto, a conclusão do presente trabalho propicia um rico arcabouço de informações geológicas e do panorama mineral do município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, com dados atualizados e abrangendo importantes variáveis do setor. Ademais, observa-se promissora capacidade na sistemática adotada para seleção de alvos potenciais para rochas ornamentais na área de estudo, uma vez que abrange uso e tratamento de dados públicos em software gratuito e livre com viés estratégico para a área de prospecção e pesquisa mineral. 89 REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO (ANM). Acesso à Informação – Disponibilidade de Áreas. Disponível em: . Acesso em: 15 de Abril de 2023. AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO (ANM). Anuário Mineral Brasileiro Interativo desenvolvido pela ANM. Disponível em: . Acesso em: 03 de Abril de 2023. AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO (ANM). Compensação Financeira pela Exploração Mineral – CFEM. Disponível em: . 2022. Acesso em: 27 de Abril de 2023. 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Magmatismo e tectônica do Orógeno Araçuaí no extremo leste de Minas e norte do Espírito Santo (18°-19°S, 41°- 40°30’W). Geonomos, 14 (1, 2): 97 – 111. 2006. PEDROSA-SOARES Antônio Carlos et al. Orógeno Araçuaí: Síntese do Conhecimento 30 Anos após Almeida 1977. Geonomos, 15 (1): 1-16. 2007. PEDROSA-SOARES, Antônio Carlos et al. Similarities and diferences between the Brazilian and African counterparts of Neoproterozoic Araçuaí-West Congo orogen. Geological Society, London, 294: 153-172. 2008. PEDROSA-SOARES, Antônio Carlos; ALKMIM, Fernando Flecha de. How many rifting events preceded the development of the Araçuaí-West Congo orogen? Geonomos, 19 (2): 244-251. 2011. PEDROSA-SOARES, Antônio Carlos et al. Late Neoproterozoic-Cambrian granitic magmatism in the Araçuaí orogen (Brazil), the Eastern Brazilian Pegmatite Province and related mineral resources. Geological Society Special Publication, London, v. 350, p. 25-51. 2011. PORTAL DA CFEM. Arrecadação e Distribuição de CFEM por Município/Ano, desenvolvido pela ANM. Disponívelsector in the study area to potentially and consequently generate advances in socioeconomic development in the region. Keywords: Ornamental rocks (Dimension Stones). Mineral Panorama. Mineral Prospecting and Exploration. Granite. Nova Venécia-ES. AVISO As informações contidas nos mapas deste trabalho foram elaboradas a partir de dados públicos. As 7 áreas selecionadas como potencial para prospecção preliminar de rocha ornamental foram destacadas a partir da interpretação, análise de dados e metodologia adotada específicas deste presente trabalho. Assim, não havendo garantia de que outros filtros e variáveis tivessem que ter sido considerados para um estudo detalhado com finalidade de mercado, como questões de superficiários, de tecnologia, outras questões ambientais, mercadológicas, dentre outras. Salienta-se que sob nenhuma circunstância, os dados deste trabalho representam sugestão, recomendação, aconselhamento e/ou indicação de investimento financeiro ou de qualquer outra natureza. Os dados dos processos minerários da ANM, que compõe um dos filtros utilizados como restrição para a seleção de alvos potenciais em áreas livres, foram baixados no portal SIGMINE da ANM no dia 03/04/2023, logo, todo o conteúdo possui essa data de corte, sendo assim, como o referido sistema recebe atualizações periódicas, é possível que, inclusive, as áreas selecionadas como alvos potenciais não estejam mais livres posteriormente à referida data. Assim sendo, reitera-se que o conteúdo e metodologia proposta fazem referência à data do download, de 03/04/2023. É de extrema importância que os mapas do trabalho não sejam analisados individualmente, e sim conjuntamente com todos os outros mapas do projeto e metodologia proposta à luz de informações contidas nos mesmos. Logo, qualquer usuário que faça uso deste trabalho e mapas, deve ter ciência destas informações. Adicionalmente, este conteúdo é informativo e com viés acadêmico. Qualquer interpretação de terceiros deve ser de própria responsabilidade fazendo seu próprio tratamento e interpretação de dados. O Ifes, seus representantes e o autor deste trabalho não podem ser responsabilizados sob nenhuma circunstância pelo uso ou tomada de decisões de terceiros. LISTA DE FIGURAS Figura 1.1: Mapa de Localização da área de estudo, município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. .......................................................................................... 20 Figura 3.1: Página inicial do endereço eletrônico do Sistema Cadastro Mineiro da ANM, onde filtrou-se os processos minerários do município de Nova Venécia-ES no dia 03/04/2023. .......................................................................................................... 23 Figura 3.2: Página inicial do Anuário Mineral Brasileiro interativo, no qual registrou- se diversos dados do setor em 06/04/2023. .............................................................. 23 Figura 3.3: Página inicial do Observatório da CFEM, no qual registrou-se diversas informações no dia 06/04/2023. ................................................................................ 24 Figura 3.4: Página inicial do aplicativo web de distribuição e arrecadação de CFEM por município. ............................................................................................................ 24 Figura 3.5: Portal SIGMINE, no qual gerou-se relatórios e foi feito o download de arquivo shapefile para elaboração dos mapas deste trabalho, no dia 03/04/2023. ... 25 Figura 3.6: Tela inicial do software QGIS, LTR 3.16 utilizado para elaboração dos mapas deste trabalho. ............................................................................................... 26 Figura 3.7: Tela inicial do software Google® Earth Pro.............................................. 26 Figura 3.8: Fluxograma compreendendo as etapas de geoprocessamento para a seleção de alvos potenciais para prospecção de rochas ornamentais no município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo................................................................... 30 Figura 4.1: Principais estados exportadores de rochas naturais com apuração de Janeiro à Novembro de 2022, em milhão de dólares. ............................................... 33 Figura 4.2: Evolução das Exportações de Rochas Ornamentais e de Revestimento dos últimos 6 meses e a respectiva participação capixaba no cenário nacional. ...... 34 Figura 4.3: Principais municípios capixabas nas exportações de blocos e chapas com apuração de Janeiro a Dezembro de 2022. ....................................................... 35 Figura 4.4: Localização do Espírito Santo ocupando o domínio interno da Província Mantiqueira, inserido no Orógeno Araçuaí. ............................................................... 39 Figura 4.5: Situação das folhas mapeadas pelos contratos CPRM-UFMG no Orógeno Araçuaí. ...................................................................................................... 40 Figura 4.6: Representação esquemática do Cráton São Francisco, ligado pela ponte Cratônica Bahia-Gabão, destacando o Orógeno Araçuaí e a Faixa Congo Ocidental. .................................................................................................................................. 40 Figura 4.7: Perfil dos componentes geotectônicos do Orógeno Araçuaí. .................. 41 Figura 4.8: Correlação das supersuítes orogênicas com sua ambiência tectônica. Caracterização das suítes G1, G2, G3, G4 e G5, de acordo com Pedrosa-Soares et al., 2001, 2011 e o ambiente tectônico das granitogêneses (γ1, γ2, γ3 e γ5; Vieira et al. 2014, 2018). ......................................................................................................... 42 Figura 4.9: Classificação do IAEG com pontuação e critérios por cada fator considerado. .............................................................................................................. 47 Figura 4.10: Mapa Geológico de Nova Venécia-ES a partir de recorte do Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo, 1:400.000. .................................................. 48 Figura 4.11: Recorte do município de Nova Venécia-ES no mapa de potencialidades das rochas ornamentais do estado do Espírito Santo, de Vieira et al. (2021). .......... 51 Figura 5.1: Evolução do investimento em pesquisa mineral no Brasil, de 2010 a 2021. ......................................................................................................................... 64 Figura 5.2: Evolução do investimento em pesquisa mineral no Brasil, de 2010 a 2021, por Estado, substância mineral e município. ................................................... 64 Figura 5.3: Evolução do Investimento em Pesquisa Mineral no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. ............................................................................................. 65 Figura 5.4: Evolução do investimento em pesquisa mineral no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021, por substância mineral e município. .................................... 66 Figura 5.5: Evolução do investimento em pesquisa mineral no município de Nova Venécia-ES, de 2010 a 2021. .................................................................................... 67 Figura 5.6: Evolução do investimento em pesquisa mineral no município de Nova Venécia-ES, de 2010 a 2021, por substância mineral. .............................................. 67 Figura 5.7: Evolução do Valor da Produção Mineral (VPM) a valores nominais no país, de 2010 a 2021. ................................................................................................ 68 Figura 5.8: Evolução do Valor da Produção Mineral (VPM) a valores nominais no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. ............................................................... 69 Figura 5.9: Evolução do Valor da Produção Mineral (VPM)em: 95 . Acesso em: 03 de Abril de 2023. QGIS. Sistema de Informação Geográfica Livre e Aberta. Versão LTR 3.16. Disponível em: . QUEIROGA, Gláucia Nascimento et al. Geologia e recursos minerais da folha Nova Venécia SE.24-Y-B-IV, estado do Espírito Santo, escala 1:100.000. Luiz Carlos da Silva (Org). Belo Horizonte: CPRM. 76p. 2012. RONCATO JÚNIOR, Jorge Geraldo. As suítes graníticas tipo-S do norte do Espírito Santo na região das folhas Ecoporanga, Mantena, Montanha e Nova Venécia. Dissertação de Mestrado, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais, 102p. 2009. RONCATO JÚNIOR, Jorge Geraldo et al. Geologia e recursos minerais da folha Montanha SE.24-Y-B-I, estados do Espírito Santo e Bahia, escala 1:100.000. Luiz Carlos da Silva (Org). Belo Horizonte: CPRM. 64p. 2012. SANTOS, Yolacir Carlos de Souza. A HISTÓRIA DA MINERAÇÃO CAPIXABA À LUZ DOS REQUERIMENTOS PROTOCOLADOS NA AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO. Disponível em: . Acesso em: 02 de Maio de 2023. 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SINDICATO DA INDÚSTRIA DE ROCHAS ORNAMENTAIS, CAL E CALCÁRIOS DO ESPÍRITO SANTO (SINDIROCHAS). Relatório de Exportações de Rochas. https://geo.anm.gov.br/portal/apps/webappviewer/index.html?id=c92683edf03e46148454150021c4eecb https://geo.anm.gov.br/portal/apps/webappviewer/index.html?id=c92683edf03e46148454150021c4eecb https://qgis.org/pt_BR/site/ https://ojs.ifes.edu.br/index.php/ric/article/view/2015/1011 https://geo.anm.gov.br/portal/apps/webappviewer/index.html?id=6a8f5ccc4b6a4c2bba79759aa952d908 https://geo.anm.gov.br/portal/apps/webappviewer/index.html?id=6a8f5ccc4b6a4c2bba79759aa952d908 https://www.sindirochas.com/relatorio-exportacoes-rochas.php https://www.sindirochas.com/relatorio-exportacoes-rochas.php 96 Março de 2023. Disponível em: . Acesso em: 10 de Abril de 2023. SOUSA, Lucas Nascimento. Panorama mineral do setor produtivo de rochas ornamentais e de revestimento do estado do Rio de Janeiro. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação. IGEO/UFRJ, Rio de Janeiro. 2022. 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VIEIRA, Valter Salino. Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo: escala 1:400.000. SUPERVISÃO TÉCNICA REGIONAL: Valter Salino Vieira,Geólogo DSc. EQUIPE EXECUTORA: Geólogo DSc. Valter Salino Vieira, Geólogo MSc. Márcio Antônio da Silva e Estagiários em Geologia Tomás Romualdo Corrêa e Nilo Henrique Balzani Lopes. APOIO TÉCNICO: Geólogo DSc. Luiz Carlos da Silva, Geofísico Michael Gustav Peter Drews (in memorian), Diego Guilherme da Costa Gomes, Erison Soares Lima e Gustavo Moreira. COLABORAÇÃO EXTERNA: Geólogo MSc. Luiz Carlos Chaves Novais (PETROBRAS), Prof. Paulo de Tarso Ferro de Oliveira Fortes (UFES), Prof. Juan Alfredo Ayala Espinoza (UFES), Prof. Roberto Sacks de Campos (UFES), Prof. Luiz Machado Filho (UFES). Belo Horizonte: CPRM, Disponível em: . Acesso em: 10 de Abril de 2023. 2018. VIEIRA, Valter Salino; LOMBELLO, Júlio Cesar; GOMES, Diego G. da Costa; OLIVEIRA, Sérgio A. M.; Rochas Ornamentais do estado do Espírito Santo - Mapa de Potencialidades: Texto e Mapa, Escala 1: 400.000. Serviço Geológico do Brasil-SGB - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais-CPRM, 88p: il. Color; 01 recurso eletrônico- PDF. (Coleção Informes de Recursos Minerais. Série Rochas e Minerais Industriais, nº32). Disponível em , 2021. https://www.sindirochas.com/relatorio-exportacoes-rochas.php https://www.sindirochas.com/relatorio-exportacoes-rochas.php https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/19662 http://www.dsr.inpe.br/topodata/index.php https://ngmdb.usgs.gov/fgdc_gds/geolsymstd.php 97 APÊNDICE A – MAPA DE LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES 98 APÊNDICE B – MAPA GEOLÓGICO – RECORTE DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES 99 APÊNDICE C – MAPA DE POTENCIALIDADES DE ROCHA ORNAMENTAL - RECORTE DE NOVA VENÉCIA-ES 100 APÊNDICE D – MAPA DE RELEVO SOMBREADO PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA 101 APÊNDICE E – MAPA HIPSOMÉTRICO PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES 102 APÊNDICE F – FUSÃO DE MAPA GEOLÓGICO COM MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO 103 APÊNDICE G – FILTRO 1 – MAPA COM IMAGEM DE SATÉLITE NO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES 104 APÊNDICE H – FILTRO 2 – MAPA COM PROCESSOS MINERÁRIOS CATEGORIZADOS DE NOVA VENÉCIA-ES 105 APÊNDICE I – FILTRO 3 – MAPA COM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA 106 APÊNDICE J – FILTRO 4 – MAPA FILTRANDO A UNIDADE GEOLÓGICA DE NOVA VENÉCIA COM MAIOR IAEG 107 APÊNDICE K – MAPA INTEGRADO COM UNIÃO DOS FILTROS 1, 2, 3 E 4 108 APÊNDICE L – FILTRO 5 – MAPA INTEGRADOS DOS FILTROS COM FUNDO E PREENCHIMENTO BRANCO 109 APÊNDICE M – MAPA FINAL COM ALVOS POTENCIAIS – IMAGEM DE SATÉLITE 110 APÊNDICE N – MAPA FINAL COM ALVOS POTENCIAIS – HIPSOMÉTRICO 111 APÊNDICE O – MAPA FINAL COM DESTAQUE PARA OS ALVOS 112 ANEXO A – RELATÓRIO GERADO PELO SIGMINE (ANM) COM PROCESSOS MINERÁRIOS E RESTRIÇÕES PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES 113 ANEXO B – RELATÓRIO GERADO PELO SIGMINE (ANM) COM ÁREAS RESTRITAS PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES 114 ANEXO C – RELATÓRIO GERADO PELO SIGMINE (ANM) COM CONFLITO DE ÁREAS PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES 115a valores nominais no Brasil, considerando o filtro por substância mineral para rochas ornamentais, de 2010 a 2021. ............................................................................................................. 70 Figura 5.10: Evolução da produção bruta no Brasil, de 2010 a 2021. ....................... 71 Figura 5.11: Evolução da produção bruta no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. ......................................................................................................................... 71 Figura 5.12: Evolução da produção bruta no Brasil filtrado pela substância de rochas ornamentais e rochas ornamentais - outras, de 2010 a 2021. .................................. 72 Figura 5.13: Evolução da produção beneficiada no Brasil, de 2010 a 2021. ............. 73 Figura 5.14: Evolução da produção beneficiada no Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2021. ............................................................................................................. 73 Figura 5.15: Evolução da produção beneficiada no Brasil filtrado pela substância de rochas ornamentais e rochas ornamentais - outras, de 2010 a 2021. ....................... 74 Figura 5.16: Arrecadação da CFEM no Brasil, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. 75 Figura 5.17: Arrecadação da CFEM por substância e processo, no Brasil, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. .......................................................................................... 76 Figura 5.18: Arrecadação da CFEM por Estado e município, no Brasil, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. Observação é que estados com representatividade inferior a 0,1% não estão visualizadas na figura, sendo o total de CFEM arrecadado no acumulado do período de R$ 48.639.397.802,32. .................................................... 77 Figura 5.19: Arrecadação da CFEM no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. .................................................................................................... 78 Figura 5.20: Arrecadação da CFEM por substância e processo, no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. ................................................. 78 Figura 5.21: Arrecadação da CFEM por município, no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. .............................................................................. 79 Figura 5.22: Arrecadação da CFEM em Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023. .............................................................................. 80 Figura 5.23: Arrecadação da CFEM no Estado do Espírito Santo, de 2003 a 14 de Fevereiro de 2023, aplicando apenas a substância granito. ..................................... 80 Figura 5.24: Mapa final com imagem de satélite ao fundo, com alvos potenciais para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES. . 84 Figura 5.25: Mapa final com mapa hipsométrico ao fundo, com alvos potenciais para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES. . 85 Figura 5.26: Mapa final com destaque para os alvos potenciais para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES. ..................... 85 LISTA DE QUADROS Quadro 3.1: Filtros, critérios e respectivos mapas elaborados. ................................. 28 Quadro 4.1: Principais países exportadores de rochas ornamentais no mundo com dados de 2019, em milhões de dólares. .................................................................... 32 Quadro 4.2: Unidades Litoestratigráficas presentes no município de Nova Venécia- ES de acordo com recorte no Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo, escala 1:400.000, de Vieira et al. (2018). ............................................................................. 49 Quadro 4.3: Unidades Litoestratigráficas presentes na área de estudo e sua classificação do IAEG................................................................................................ 52 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 5.1: Quantidade e situação dos processos minerários do município de Nova Venécia-ES. .............................................................................................................. 54 Gráfico 5.2: Quantidade e situação dos processos minerários do município de Nova Venécia-ES. Destaque para os 365 processos minerários ativos foco das análises posteriores. ................................................................................................................ 54 Gráfico 5.3: Processos minerários por tipo de requerimento. .................................... 55 Gráfico 5.4: Gráfico de barras mostrando o número de processos minerários por substância. ................................................................................................................ 56 Gráfico 5.5: Gráfico de pizza realçando o percentual dos processos minerários por substância. Notar a dominante participação do granito. ............................................ 56 Gráfico 5.6: Processos minerários por fase atual. ..................................................... 57 Gráfico 5.7: Processos em disponibilidade na área de estudo. ................................. 58 Gráfico 5.8: Distribuição dos processos com concessão de lavra por substância mineral....................................................................................................................... 59 Gráfico 5.9: Quantidade de processos minerários por tipo de uso. ........................... 60 Gráfico 5.10: Substâncias por tipo de uso: Não informado. ...................................... 60 Gráfico 5.11: Substâncias por tipo de uso: Revestimento. ........................................ 61 Gráfico 5.12: Substâncias por tipo de uso: Industrial. ............................................... 61 Gráfico 5.13: Substâncias por tipo de uso: Construção Civil. .................................... 62 Gráfico 5.14: Substâncias por tipo de uso: Cerâmica Vermelha. .............................. 62 Gráfico 5.15: Substâncias por tipo de uso: Gema. .................................................... 63 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABIROCHAS Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ANM Agência Nacional de Mineração AMB Anuário Mineral Brasileiro CETEM Centro de Tecnologia Mineral CFEM Compensação Financeira pela Exploração Mineral DIPEM Declaração de Investimento em Pesquisa Mineral ES Estado do Espírito Santo FNDCT Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico IAEG Índice de Atratividade Econômico-Geológica IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IEMA Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística M.a. Milhões de anos atrás Mt Milhões de toneladas RAL Relatório Anual de Lavra REPEM Requerimento Eletrônico de Pesquisa Mineral RPPN Reserva Particular do Patrimônio Natural SGB/CPRM Serviço Geológico do Brasil SIGMINE Sistema de Informações Geográficas da Mineração SINDIROCHAS Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo PAE Plano de Aproveitamento Econômico PIB Produto Interno Bruto UF Unidade Federativa do Brasil SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................ 17 1.1. JUSTIFICATIVA .............................................................................................. 19 1.2. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ......................................................... 19 2. OBJETIVOS GERAIS ..................................................................................... 21 2.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ...........................................................................21 3. MATERIAIS E MÉTODOS .............................................................................. 22 4. REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................. 31 4.1. CONCEITUAÇÃO DE ROCHA ORNAMENTAL E DE REVESTIMENTO ....... 31 4.2. COMPILAÇÃO DE DADOS COMERCIAIS E DE PRODUÇÃO DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS E DE REVESTIMENTO ................................................. 32 4.3. CONCEITOS BÁSICOS DA LEGISLAÇÃO MINERAL BRASILEIRA .............. 35 4.4. GEOLOGIA...................................................................................................... 38 4.4.1. Geologia Regional e Contexto Geotectônico................................................ 38 4.4.2. Granitogênese, Tipos de Depósitos e Modo de Ocorrência das Rochas Ornamentais .............................................................................................................. 43 4.4.3. Conceituação sobre o Índice de Atratividade Econômico-Geológica (IAEG).........................................................................................................................45 4.4.4. Unidades Litoestratigráficas e Correlação com Índice de Atratividade Econômico-Geológica (IAEG) ................................................................................... 47 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................... 53 5.1. PANORAMA MINERAL DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES ................. 53 5.1.1. Compilação de Dados Dos Títulos Minerários ............................................. 53 5.1.2. Investimentos em Pesquisa Mineral ............................................................. 63 5.1.3. Valor da Produção Mineral ........................................................................... 68 5.1.4. Produção Bruta ............................................................................................ 70 5.1.5. Produção Beneficiada .................................................................................. 72 5.1.6. Arrecadação da CFEM ................................................................................. 74 5.2. SELEÇÃO DE ALVOS POTENCIAIS PARA PROSPECÇÃO PRELIMINAR DE ROCHAS ORNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES ...................... 81 6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ......................................................... 86 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 89 APÊNDICE A – MAPA DE LOCALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES .................................................................................................. 97 APÊNDICE B – MAPA GEOLÓGICO – RECORTE DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES .................................................................................................. 98 APÊNDICE C – MAPA DE POTENCIALIDADES DE ROCHA ORNAMENTAL - RECORTE DE NOVA VENÉCIA-ES ............................................................ 99 APÊNDICE D – MAPA DE RELEVO SOMBREADO PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA .......................................................................................... 100 APÊNDICE E – MAPA HIPSOMÉTRICO PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES ................................................................................................ 101 APÊNDICE F – FUSÃO DE MAPA GEOLÓGICO COM MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO ............................................................................................ 102 APÊNDICE G – FILTRO 1 – MAPA COM IMAGEM DE SATÉLITE NO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES ........................................................... 103 APÊNDICE H – FILTRO 2 – MAPA COM PROCESSOS MINERÁRIOS CATEGORIZADOS DE NOVA VENÉCIA-ES .............................................. 104 APÊNDICE I – FILTRO 3 – MAPA COM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA .......................................................... 105 APÊNDICE J – FILTRO 4 – MAPA FILTRANDO A UNIDADE GEOLÓGICA DE NOVA VENÉCIA COM MAIOR IAEG ..................................................... 106 APÊNDICE K – MAPA INTEGRADO COM UNIÃO DOS FILTROS 1, 2, 3 E 4 ...................................................................................................................... 107 APÊNDICE L – FILTRO 5 – MAPA INTEGRADOS DOS FILTROS COM FUNDO E PREENCHIMENTO BRANCO ..................................................... 108 APÊNDICE M – MAPA FINAL COM ALVOS POTENCIAIS – IMAGEM DE SATÉLITE .................................................................................................... 109 APÊNDICE N – MAPA FINAL COM ALVOS POTENCIAIS – HIPSOMÉTRICO .......................................................................................... 110 APÊNDICE O – MAPA FINAL COM DESTAQUE PARA OS ALVOS ......... 111 ANEXO A – RELATÓRIO GERADO PELO SIGMINE (ANM) COM PROCESSOS MINERÁRIOS E RESTRIÇÕES PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES..................................................................................... 112 ANEXO B – RELATÓRIO GERADO PELO SIGMINE (ANM) COM ÁREAS RESTRITAS PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES ....................... 113 ANEXO C – RELATÓRIO GERADO PELO SIGMINE (ANM) COM CONFLITO DE ÁREAS PARA O MUNICÍPIO DE NOVA VENÉCIA-ES ..... 114 17 1. INTRODUÇÃO O setor produtivo de rochas ornamentais e de revestimento tem grande importância para o país e é destaque no setor mineral, uma vez que o Brasil, figura como um dos maiores produtores e exportadores de rochas no cenário mundial (CHIODI FILHO, 2021; MONTANI, 2021). O Estado do Espírito Santo possui presença fundamental no cenário nacional e mantém supremacia como maior polo produtor de rochas ornamentais do país. Em março de 2023, o estado atingiu participação de 81,58% no faturamento total do setor no Brasil (SINDIROCHAS, 2023). O setor de rochas gerou em 2021, cerca de 1,1 bilhão de dólares em negócios, o que faz com que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba seja abarcado por este importante segmento (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, 2022). O grande destaque do estado no setor deve-se à presença de fatores geológicos favoráveis para a ocorrência de jazidas de rochas ornamentais consideradas nobres e com alto valor agregado. É importante enfatizar ainda, o pioneirismo do estado no desenvolvimento do setor, não obstante, o estado se sobressai tanto na cadeia produtiva de extração quanto no beneficiamento e exportação. Deste modo, estas conjunções de fatores possibilitam ainda que um dos eventos mais importantes do mundo para o setor, a Vitória Stone Fair, seja sediada na capital do estado (VIEIRA et al., 2021). Inserido neste cenário, a área de estudo, o município de Nova Venécia, localizado no Noroeste do Estado do Espírito Santo, tanto por suas minerações, quanto pelo polo industrial de beneficiamento, ocupa importante posição na produção e exportação de rochas ornamentais e de revestimento, figurando como 8º lugar entre as cidades capixabas nas exportações de blocos e o 11º no que se referem a exportações de chapas, ambas com apuração de janeiro a dezembro de 2022 (SINDIROCHAS, 2022). Neste contexto macro, é possível corroborar a importância do município estudado para o setor produtivo apontado. 18 Contudo, o setor é muito dinâmico e passa por constantes desafios tecnológicos e ligados a tendências de mercado. Existe ainda uma forte concorrência ligada a novos materiais alternativos (ABIROCHAS, 2021). A grande maioria das lavras é fechada por questões de aceitação e tendência de mercado, não necessariamente por exaustão das reservas (COSTA, 2021a). Registrou-se que o município de Nova Venécia, no primeiro trimestre de 2023, não figurou entre os 10 principais municípios capixabas na exportação de blocos, além de cair uma posição, ficando em 12º, entre os principais municípios na exportação de chapas(SINDIROCHAS, 2023). Sendo assim, este trabalho surge da necessidade de analisar o panorama mineral do município e buscar áreas livres com potencial para rochas ornamentais, salientando-se que essa constitui apenas uma etapa preliminar de prospecção. O desenvolvimento se deu por meio de levantamento, tratamento e interpretação de dados públicos e por uso de ferramentas de geoprocessamento. A construção inicial do trabalho foi motivada e norteada por indagações como: quantos títulos minerários ativos existem no município de Nova Venécia; destes títulos, quantos desses são para rochas ornamentais e de revestimento; quantos títulos são para granitos; dos títulos minerários ativos, para quais substâncias estão distribuídas; será que existe algum indicador geológico a respeito do potencial de rochas ornamentais; será que existe alguma unidade geológica no município de maior destaque no setor de rochas ornamentais; será que existe alguma área livre nesta unidade geológica de maior relevância; dentre outras. Diante do exposto, espera-se que os mapas elaborados no presente trabalho e as informações que os acompanham, além de, ao reunir dados atualizados e métricas importantes sobre o panorama mineral no município de Nova Venécia, possam contribuir para o fomento do setor e, por conseguinte, com o desenvolvimento socioeconômico na região. 19 1.1. JUSTIFICATIVA O município de Nova Venécia, área de estudo, é uma das principais cidades capixabas no setor de rochas ornamentais e de revestimento. Tendo o Espírito Santo participação hegemônica em âmbito nacional, com cerca de 80% do faturamento do país neste segmento (SINDIROCHAS, 2022). Considerando a lei de criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (BRASIL, 2008), o artigo 6º torna evidente que os Institutos Federais têm por finalidade e característica o desenvolvimento de ações voltadas a atender demandas e peculiaridades regionais para o desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional. Justifica-se dessa maneira, levando em conta a grande importância do setor de mineração para o município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, somado ao fundamental papel dos Institutos Federais para buscar ações voltadas ao desenvolvimento regional, a temática deste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Geologia, que visa levantar e conhecer o panorama mineral do município para aferir métricas e indicadores do setor, bem como adotar sistemática para seleção de áreas-alvo na tentativa de alavancar e fomentar novas ocorrências minerais na região com potencialidade para exploração de rochas ornamentais, podendo assim, possivelmente amplificar a participação municipal no setor e principalmente promover desenvolvimento socioeconômico na região. 1.2. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Nova Venécia localiza-se na mesorregião Noroeste do Estado do Espírito Santo (Figura 1.1), com população estimada em 50.751 habitantes em 2021, com área territorial de 1.439,571 km² em 2022 e área urbanizada de 10,77 km² em 2019. 20 Figura 1.1: Mapa de Localização da área de estudo, município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. Fonte: Elaborado pelo autor. Melhor visualização do mapa e referências no APÊNDICE A. 21 2. OBJETIVOS GERAIS O trabalho tem como objetivos centrais o levantamento de panorama mineral do município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo e a sistematização de uma metodologia com uso de ferramentas de geoprocessamento e dados públicos para seleção de alvos com potencial exploratório para rochas ornamentais como forma de prospecção preliminar, aplicado ao município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. Diante do exposto, almeja-se verificar métricas e indicadores de dados minerários e de produção da área de estudo, além de fomentar a pesquisa de novas áreas no município, focando na potencialidade de possíveis novos empreendimentos minerários que podem culminar na geração de empregos e desenvolvimento socioeconômico para a região. 2.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS No que concerne ao panorama mineral municipal, almeja-se: • Elaboração de gráficos a partir dos títulos minerários com base em dados do Sistema Cadastro Mineiro. • Levantamento, consultas e registros de indicadores e métricas no Anuário Mineral Brasileiro Interativo (AMB) para verificação e levantamento de dados relativos aos investimentos em pesquisa mineral, valor da produção mineral, produção bruta, produção beneficiada e arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Quanto à seleção de alvos com potencial exploratório para rochas ornamentais na área de estudo, objetiva-se: • Elaboração de mapas georreferenciados para integração de dados e composição da estratégia definida neste trabalho. 22 3. MATERIAIS E MÉTODOS O estudo caracteriza-se como pesquisa quali-quantitativa visto que ambas foram aplicadas nos objetivos centrais dessa produção. No panorama mineral, os dados levantados, tratados e analisados, levaram a quantificação de diversos parâmetros e indicadores relativos ao setor na área de estudo, e posteriormente, estes resultados foram interpretados qualitativamente. Adicionalmente, na prospecção preliminar de alvos potenciais em áreas livres e com potencial exploratório para rochas ornamentais no município, também foi utilizada uma abordagem quali-quantitativa. Como etapa preliminar, para embasar de maneira robusta a introdução, objetivos e referencial teórico com conceitos e definições fundamentais para o desenvolvimento do trabalho, levantou-se dados de fontes consagradas como Agência Nacional de Mineração (ANM), Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (ABIROCHAS), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (SINDIROCHAS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), além de renomados autores da área. Algumas das principais legislações vigentes acerca de conceitos aplicáveis a esta pesquisa também foram devidamente levantadas no referencial teórico. Os dados geológicos foram estudados, compilados e integrados de trabalhos importantes para o avanço do conhecimento geocientífico e de recursos minerais da região. Ressalta-se o trabalho do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), que foi uma das grandes inspirações para essa pesquisa, o Informe e Mapa de Potencialidades de Rochas Ornamentais do Estado Espírito Santo de Vieira et al. (2021). Não obstante, evidencia-se ainda o Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo de Vieira et al. (2018), os trabalhos de Roncato Júnior (2009); de Queiroga et al. (2012); de Menezes & Sampaio (2012); de Sardou Filho et al. (2013); Silva & Machado (2014); e de Vieira & Menezes (2015), dentre outros. Com esse arcabouço de conceitos fundamentais construído, partiu-se para a coleta de dados para posterior tratamento e análise dos produtos do trabalho. Sendo assim, para elaboração do panorama mineral do município de Nova Venécia, elaborou-se 15 gráficos para análise, através do Google® Sheets, a partir do 23 tratamento de dados do download de arquivo (com dados brutos) no formato de planilha .xls, no dia 03 de abril de 2023, dos processos minerários da área de estudo, no portal Sistema Cadastro Mineiro da ANM (Figura 3.1). Adicionalmente, consultou-se e registrou-se inúmeras informações, na data de 06 de abril de 2023, do Anuário Mineral Brasileiro Interativo (Figura 3.2), do Observatório da CFEM (Figura 3.3) e do Portal da CFEM (Figura 3.4). Figura 3.1: Página inicial do endereço eletrônico do Sistema Cadastro Mineiro da ANM, onde filtrou-se os processos minerários do município de Nova Venécia-ES nodia 03/04/2023. Fonte: ANM. Figura 3.2: Página inicial do Anuário Mineral Brasileiro interativo, no qual registrou- se diversos dados do setor em 06/04/2023. Fonte: ANM. 24 Figura 3.3: Página inicial do Observatório da CFEM, no qual registrou-se diversas informações no dia 06/04/2023. Fonte: ANM. Figura 3.4: Página inicial do aplicativo web de distribuição e arrecadação de CFEM por município. Fonte: ANM. 25 Mediante as informações levantadas foi possível analisar o município com uso de dados atualizados dos títulos minerários e parâmetros econômicos como investimento em pesquisa mineral, valor da produção mineral, produção bruta, produção beneficiada e arrecadação de CFEM. Posteriormente, na etapa de delimitação e seleção de alvos em áreas livres, como etapa preliminar da prospecção, com potencial para exploração de rochas ornamentais na área de estudo, aplicou-se diversos filtros com critérios estabelecidos para este trabalho. A coleta de dados foi realizada com o download do arquivo com processos minerários no formato shapefile do portal Sistemas de Informações Geográficas da Mineração (SIGMINE) (Figura 3.5), realizado no dia 03 de abril de 2023. Outros dados foram utilizados nessa etapa, como dados territoriais do IBGE (2022), dados topográficos e modelo digital de elevação do TOPODATA (INPE), unidades de conservação e RPPN do IEMA (2022) e dados geológicos de Vieira et al. (2018). Figura 3.5: Portal SIGMINE, no qual gerou-se relatórios e foi feito o download de arquivo shapefile para elaboração dos mapas deste trabalho, no dia 03/04/2023. Fonte: ANM. 26 Dessa maneira, elaborou-se 15 mapas no software QGIS, versão LTR 3.16 (Figura 3.6). Outro software utilizado para algumas consultas foi o Google® Earth Pro (Figura 3.7). Figura 3.6: Tela inicial do software QGIS, LTR 3.16 utilizado para elaboração dos mapas deste trabalho. Fonte: QGIS. Figura 3.7: Tela inicial do software Google® Earth Pro. Fonte: Google®. 27 Ressalta-se que os dados e até mesmo procedimentos da ANM são atualizados periodicamente, logo, informações podem diferir caso pesquisas sejam realizadas em datas diferentes da data usada como base (data de corte) para o desenvolvimento de um estudo contemplando os processos minerários (SANTOS, 2023; SOUSA, 2022). Portanto, salienta-se que os dados dos processos minerários da ANM, que compõe um dos filtros utilizados como restrição para a seleção de alvos potenciais em áreas livres foram baixados no portal SIGMINE da ANM no dia 03 de abril de 2023, logo, todo o conteúdo possui essa data de corte, sendo assim, como o referido sistema recebe atualizações periódicas, é possível que, inclusive, os alvos selecionados não estejam mais livres posteriormente à referida data. Mais detalhes e instruções de uso estão contidos no AVISO. Ainda no Portal SIGMINE, 3 importantes relatórios foram gerados, que compõem os ANEXOS deste trabalho. Diante do exposto, a sistemática utilizada fez uso de geoprocessamento para selecionar os alvos de acordo com critérios definidos por filtros, estabelecidos para este trabalho. Baseando-se nos trabalhos pioneiros de Paiva & Barbosa (1998) e Paiva & Barbosa (2000), onde se aplicou o Índice de Atratividade Econômico- Geológica (IAEG), pormenorizado no REFERENCIAL TEÓRICO deste trabalho, para rochas ornamentais do Estado de Pernambuco, e posteriormente, e principalmente no trabalho de Vieira et al. (2021), com IAEG atualizado e aplicado para o Estado do Espírito Santo, como um dos critérios para a seleção dos alvos. Como discutido por Barroso (2018), o uso de geoprocessamento pode ser ferramenta fundamental na prospecção estratégica e tática para seleção de áreas com relevante interesse para mineração. No trabalho em questão, o geoprocessamento compreendeu etapas para seleção de áreas potenciais de pegmatitos. Por conseguinte, remetendo à seleção dos alvos para rochas ornamentais conforme já explicado, o Quadro 3.1 organiza de maneira sequencial os critérios e métodos utilizados associados aos mapas elaborados para este fim. 28 Quadro 3.1: Filtros, critérios e respectivos mapas elaborados. FILTRO EXPLICAÇÃO DO CRITÉRIO PRODUTO ASSOCIADO MAPAS DE CONHECIMENTO PRELIMINAR Localização da área de estudo, município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. APÊNDICE A Delimitação do município de Nova Venécia no mapa geológico do Estado do Espírito Santo, escala 1:400.000, de Vieira et al. (2018). APÊNDICE B Delimitação do município de Nova Venécia no mapa de potencialidades das rochas ornamentais do Estado do Espírito Santo, escala 1:400.000, de Vieira et al. (2021). APÊNDICE C Mapa de relevo sombreado – Modelo Digital de Elevação (MDE) do município de Nova Venécia. APÊNDICE D Mapa Hipsométrico do município de Nova Venécia com MDE, almejando reconhecimento topográfico. APÊNDICE E Fusão do mapa geológico de Nova Venécia, a partir do tratamento de dados de Vieira et al. (2018), com MDE, visando correlação litológica com dados topográficos. APÊNDICE F FILTRO 1 Imagem de Satélite usada como mapa base do município de Nova Venécia. Destaca-se que nesse FILTRO 1, a imagem de satélite aparece sem nenhuma área de restrição pois na área de estudo não há, segundo a ANM, reservas garimpeiras, terras indígenas, territórios quilombolas e outras áreas de bloqueio, como pode ser corroborado no ANEXO A, ANEXO B e ANEXO C. APÊNDICE G FILTRO 2 Processos minerários da área de estudo categorizados por fase do processo, sobrepondo imagem de satélite no limite municipal. APÊNDICE H FILTRO 3 Unidades de conservação incluindo reservas particulares do patrimônio natural da área de estudo sobrepondo a imagem de satélite no limite municipal. APÊNDICE I FILTRO 4 Filtro da Suíte Carlos Chagas (NP3γ2Scc) sem preenchimento de cor e transparente com imagem de satélite ao fundo. Critério adotado, pois, esta unidade possui a maior pontuação IAEG no município e a 2º do estado inteiro, logo considerada como principal alvo e de maior potencialidade. APÊNDICE J INTEGRAÇÃO DOS FILTROS 1, 2, 3 E 4 Mapa integrado unindo os filtros 1, 2, 3 e 4 com imagem de satélite, no limite municipal, ao fundo. APÊNDICE K 29 FILTRO 5 Mapa integrado com todas as restrições anteriores sendo que todas estas estão com fundo e preenchimento na cor branca para sobrepor as áreas que tem restrições consideradas neste trabalho, a fim de otimizar a visualização das áreas livres e potenciais a partir dos critérios estabelecidos. APÊNDICE L MAPA FINAL COM ALVOS POTENCIAIS – IMAGEM DE SATÉLITE Mapa final com alvos potenciais selecionados para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES na imagem de satélite, a partir dos critérios estabelecidos neste trabalho, com base na análise simultânea de fotointerpretação e análise topográfica por mapa hipsométrico. APÊNDICE M MAPA FINAL COM ALVOS POTENCIAIS – HIPSOMÉTRICO Mapa final com alvos potenciais selecionados para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES no mapa hipsométrico, a partir dos critérios estabelecidos neste trabalho, com base na análise simultânea de fotointerpretação e análise topográfica por mapa hipsométrico. APÊNDICE N MAPA FINAL COM DESTAQUE PARA OS ALVOS Mapa final com destaque e zoom para os alvos potenciais selecionados para prospecção preliminar de rochas ornamentais no município de Nova Venécia-ES. Salienta-se que a seleção das áreas foi realizada com base na análise simultânea de fotointerpretação e análise topográfica por mapa hipsométrico. Visto que, como solidificado por Menezes & Sampaio (2012), o relevo deve ser prioridade para análise e seleção de qualquer alvo prospectivo com fins de rochaornamental. Logo, salienta-se que terrenos com abundância de maciços rochosos, seriam preliminarmente, preferenciais, para seleção de áreas, obviamente a depender dos fatores litológicos. Ainda, se esclarece que as áreas potenciais selecionadas priorizaram maciços rochosos, por ser o principal tipo de ocorrência e porque matacões não poderiam ser bem analisados pela limitação na resolução da imagem de satélite, já que a área de estudo é significativamente grande, um município. Ademais, relata-se ainda que corpos rochosos com pelo menos, uma das dimensões inferior a 10 hectares não foram considerados, justamente por priorizar-se o critério supracitado e corroborado por Menezes & Sampaio (2012). APÊNDICE O Fonte: Elaborado pelo autor. 30 Paralelamente, ainda remetendo a seleção de alvos potenciais para rochas ornamentais na área de estudo, ilustrou-se através de fluxograma (Figura 3.8) para organizar cronologicamente os filtros e critérios adotados neste trabalho. Destaca-se que a explicação de cada um dos respectivos critérios consta no Quadro 3.1. Figura 3.8: Fluxograma compreendendo as etapas de geoprocessamento para a seleção de alvos potenciais para prospecção de rochas ornamentais no município de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. Fonte: Elaborado pelo autor na versão gratuita do site Lucidchart®. 31 4. REFERENCIAL TEÓRICO 4.1. CONCEITUAÇÃO DE ROCHA ORNAMENTAL E DE REVESTIMENTO De acordo com a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), NBR 15.012:2013, o conceito de rocha ornamental é definido como “material pétreo natural, utilizado em revestimentos internos e externos, estruturas, elementos de composição arquitetônica, decoração, mobiliária e arte funerária” (ABNT, 2013, p. 1). A norma supracitada também define rocha de revestimento como “rocha ornamental submetida a diferentes graus ou tipos de beneficiamento, utilizada no revestimento de superfícies, especialmente pisos, paredes e fachadas” (ABNT, 2013, p.1). De acordo com Sousa (2022), ressalta-se que os fatores que envolvem o valor de mercado destes materiais são designados pela estética dos diferentes litotipos e são dados por sua mineralogia, textura, estrutura e aspectos tecnológicos de beneficiamento. Para Chiodi Filho & Chiodi (2020), as rochas ornamentais e de revestimento também podem ser nomeadas como pedras naturais, rochas lapídeas, rochas dimensionais e materiais de cantaria. Sendo estas, definidas como materiais geológicos naturais capazes de serem lavrados em blocos ou placas, cortados em diferentes formatos e beneficiados através de esquadrejamento, polimento, lustro, dentre outras formas. A principal forma de aplicação fica por conta de uso em edificações, seja em revestimentos internos ou externos, além de usos mais específicos como esculturas, mesas e arte funerária no geral. Essa vasta aplicação pode ser explicada pela grande durabilidade e pelas propriedades físico-mecânicas específicas desses materiais. Ademais, as rochas ornamentais e de revestimento são qualificadas e precificadas comercialmente com base nos seus atributos mineralógicos e petrográficos, cromáticos e estruturais bem como por suas interações, que advém da singularidade de estéticas únicas e exclusivas geradas pela grande gama de ambientes geológicos geradores e às singularidades espaço-temporais de evolução da crosta, 32 o que produz infinitos padrões texturais e cromáticos associados a cada litologia e, inclusive, para cada afloramento de um mesmo maciço rochoso (CHIODI FILHO & CHIODI, 2020). 4.2. COMPILAÇÃO DE DADOS COMERCIAIS E DE PRODUÇÃO DO SETOR DE ROCHAS ORNAMENTAIS E DE REVESTIMENTO No que tange ao setor produtivo de rochas ornamentais e de revestimento, em termos globais, o Brasil figura como um dos grandes protagonistas mundiais. Com dados de 2020, o país produziu cerca de oito milhões de toneladas (Mt) de rochas ornamentais e de revestimento (MONTANI, 2021). O Brasil posiciona-se como o quinto maior produtor e exportador de rochas no cenário mundial. Quanto aos países líderes em produção, com dados de 2019, a China lidera com 50 Mt de rochas produzidas; seguida de Índia, com 26,5 Mt; em terceiro, a Turquia, com 11,8 Mt; em quarto, o Irã, com 8,3 Mt e em quinto, o Brasil, com 8,2 Mt (CHIODI FILHO, 2021). Quanto aos principais líderes exportadores mundiais de rochas ornamentais, com dados de 2019, o Brasil também ocupa a quinta colocação mundial. O Quadro 4.1 destaca em milhões de dólares os principais exportadores (CHIODI FILHO, 2021). Quadro 4.1: Principais países exportadores de rochas ornamentais no mundo com dados de 2019, em milhões de dólares. Países / Ano 2017 2018 2019 China 5.624,7 5.485,2 5.078,0 Itália 2.181,4 2.175,7 1.991,8 Turquia 2.044,4 1.902,2 1.859,0 Índia 1.845,8 1.885,5 1.865,5 Brasil 1.073,0 954,6 972,1 Espanha 868,1 863,0 774,2 Portugal 384,4 448,9 475,2 Outros 6.572,7 6.430,0 6.120,0 Total 20.595 20.145 19.135 Fonte: Modificado de CHIODI FILHO, 2021. 33 Em termos de abrangência nacional, as exportações brasileiras de rochas ornamentais alcançaram balanço positivo em todos os indicadores no 1º semestre de 2022, quando comparado com o mesmo período de 2021, com faturamento de US$ 634,7 milhões, apresentando assim uma variação positiva de 10,9% frente ao mesmo período do ano anterior (ABIROCHAS, 2022). O Estado do Espírito Santo possui destaque e hegemonia nacional na produção e exportação de rochas ornamentais e de revestimento. A Figura 4.1 destaca que o estado continua liderando com ampla vantagem na apuração de Janeiro a Novembro de 2022 (ABIROCHAS, 2022). Figura 4.1: Principais estados exportadores de rochas naturais com apuração de Janeiro à Novembro de 2022, em milhão de dólares. Fonte: ABIROCHAS, 2022. Esse domínio do Espírito Santo é convertido em torno de 80% da produção e exportação nacional. Dados ainda mais recentes, de Março de 2023, mostram que o estado atingiu participação no faturamento total do Brasil na exportação de rochas 34 de 81,58%, tendo faturado US$ 77.909.760 com a exportação de 91.180.369 Kg de rochas (SINDIROCHAS, 2022). A Figura 4.2 evidencia a evolução das exportações nacionais de rochas e a comparação com a participação do Estado do Espírito Santo em relação ao total brasileiro. Figura 4.2: Evolução das Exportações de Rochas Ornamentais e de Revestimento dos últimos 6 meses e a respectiva participação capixaba no cenário nacional. Fonte: SINDIROCHAS, 2022. Essa íntima relação do estado capixaba com as rochas ornamentais tem laços, inclusive, históricos e reflete-se no grande número de processos minerários para granito, chegando a 16.019 de um total de 24.598, considerando todos os processos do estado desde a promulgação do primeiro Código de Mineração em 1934 até 2022 (SANTOS, 2023). No que concerne ao cenário estadual do maior produtor e exportador do Brasil, o Estado do Espírito, o município de Nova Venécia colocou-se entre os principais municípios capixabas na produção e exportação de blocos e chapas de rochas ornamentais e de revestimento, tendo sido classificado como 8º do estado na exportação de blocos e como 11º referente à exportação de chapas, conforme Figura 4.3, com dados relativos à apuração de Janeiro a Dezembro de 2022 (SINDIROCHAS, 2022). Entretanto, o município de Nova Venécia-ES não se posicionou entre os 10 principais municípios do Estado na exportação de blocos, adicionalmente, caiu uma posição entre os principais municípios na exportação de chapas, colocando-se como 12º, com dados relativos à apuração de Janeiro a Março de 2023 (SINDIROCHAS, 2023). 35 Figura 4.3: Principais municípios capixabas nas exportações de blocos e chapas com apuração de Janeiro a Dezembro de 2022. Fonte: SINDIROCHAS, 2022.4.3. CONCEITOS BÁSICOS DA LEGISLAÇÃO MINERAL BRASILEIRA Os recursos minerais brasileiros, constitucionalmente, são de propriedade da União e, portanto, distintos da propriedade do superficiário do solo, de acordo com o Art. 176 da Constituição Federal (BRASIL, 1988). A União pode conceder o direito aos interessados, de pesquisa e/ou aproveitamento mineral de áreas com minérios potenciais, a brasileiros, pessoas físicas ou jurídicas, legalmente habilitadas mediante de requerimento do interessado através do órgão competente, Agência Nacional de Mineração (ANM) (COSTA, 2021b). Desde que se cumpram os requisitos estabelecidos no Código de Mineração (DECRETO-LEI Nº 36 227, DE 28 DE FEVEREIRO DE 1967) e no Regulamento do Código de Mineração (DECRETO Nº 9.406, DE 12 DE JUNHO DE 2018), além de outras legislações vigentes (ANM – EXPLORAÇÃO MINERAL, 2023; SANTOS, 2023). De maneira geral, um dos primeiros requisitos a ser analisado é saber se a área de interesse está livre. É resguardado o direito de prioridade ao interessado conforme disposto no Art. 7º do DECRETO Nº 9.406, DE 12 DE JUNHO DE 2018: “Ao interessado cujo requerimento de direito minerário tenha por objeto área considerada livre para a finalidade pretendida na data da protocolização do requerimento na ANM é assegurado o direito de prioridade para a obtenção do título minerário, atendidos os demais requisitos estabelecidos no Decreto-Lei nº 227, de 1967 - Código de Mineração, neste Decreto e na legislação correlata.” Segundo o Art. 8º do Regulamento do Código de Mineração (DECRETO Nº 9.406, DE 12 DE JUNHO DE 2018) uma área é considerada livre desde que não se enquadre em nenhuma das hipóteses dispostas neste artigo (BRASIL, 2018). De maneira resumida e simplificada, a ANM define área livre como toda área livre de interferências com outras áreas já oneradas ou por restrições, seja de caráter ambiental, terras indígenas ou qualquer outro tipo de bloqueio (ANM – REPEM, 2023). Sendo assim, a depender da substância mineral, do grau de dificuldade do beneficiamento, destino de sua produção e aspectos sociais, são estabelecidos diferentes tipos de regimes de aproveitamento mineral que podem ser requeridos pelos interessados junto à ANM (COSTA, 2021b; SANTOS, 2023). O Art. 2º do Código de Mineração (DECRETO-LEI Nº 227, DE 28 DE FEVEREIRO DE 1967), estabelece os tipos de regimes de aproveitamento mineral. Sendo estes, o regime de autorização e concessão, previsto para todas as substâncias, exceto aquelas aplicáveis ao regime de monopolização; o regime de licenciamento, voltado para substância com emprego imediato na construção civil, como rochas, areia, cascalho, saibro e argila; o regime de permissão de lavra garimpeira, aplicável a 37 substâncias garimpáveis como diamante, ouro e gemas no geral; o regime de extração, restrito para substâncias de emprego imediato na construção civil pelos órgãos da administração direta ou autárquica da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com finalidade exclusiva de serem utilizados em obras públicas diretamente executadas pelos mesmos; e o regime de monopolização, exclusivo da execução direta ou indireta do Governo Federal (BRASIL, 1967). Vale destacar que como definido pelo Regulamento do Código de Mineração e pela LEI No 6.567, DE 24 DE SETEMBRO DE 1978, respectivamente, as rochas ornamentais podem ser enquadradas no regime de autorização e concessão com áreas de até 1.000 hectares, e também no regime de licenciamento, no entanto, com áreas limitadas a 50 hectares (BRASIL, 1978; BRASIL, 2018). Em se tratando de requerimento de pesquisa, substâncias permitidas para áreas de até 2.000 hectares podem ser requeridas como artifício legal e com objetivos especulativos, não generalizando todos os casos. Um movimento que pode ser exemplo disso, em partes, no Estado do Espírito Santo entre 1970 e 1999, nos termos da legislação vigente à época, notou-se que o caulim foi o segundo em número de requerimentos no estado, ultrapassando o mármore e ficando atrás apenas do granito (SANTOS, 2023). No que concerne a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), apresenta-se que esta é estabelecida pela Constituição Federal de 1988, no Art. 20, § 1º (BRASIL, 1988): “É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.” Sendo que suas alíquotas incidentes sobre a base de cálculo variam conforme a substância mineral, como disposto na LEI Nº 13.540, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2017. Assim sendo, 1% é aplicável para rochas, areias, cascalhos, saibros e demais 38 substâncias minerais quando destinadas ao uso imediato na construção civil; rochas ornamentais; águas minerais e termais. Aplica-se 1,5% para ouro. Aplica-se 2% para diamante e demais substâncias minerais. Já para bauxita, manganês, nióbio e sal- gema são 3%. E por fim, 3,5% para ferro (BRASIL, 2017). Após o recolhimento da CFEM, a ANM distribui esses recursos de maneira específica como forma de contraprestação do aproveitamento econômico dos recursos minerais nos respectivos territórios. As alíquotas de distribuição compreendem 10% para a União, sendo subdivididos em 7% para o órgão regulador da mineração, ANM; 1% para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT); 1,8% para o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) e 0,2% para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA); 15% são destinados para os estados onde ocorreu a produção; 60% são destinados para o município produtor e 15% para os municípios quando afetados pela mineração, mesmo que a produção não ocorra de fato em seus territórios, mas que sejam cortados por infraestrutura para transporte ferroviário ou dutoviário do minério, que sejam afetados por operações portuárias de transporte do minério e onde há pilhas de estéril, barragens de rejeito e instalações usadas no beneficiamento mineral, bem como outras previstas no Plano de Aproveitamento Econômico (PAE) (ANM, 2022). Ademais, quanto ao uso dos recursos da CFEM, as legislações vigentes determinam e direcionam, excetuando as vedações legais pertinentes, para uso direto ou indireto que sejam revertidos em favor das comunidades locais, culminando na melhora da qualidade de infraestrutura, ambiental, saúde e educação. Logo, os valores decorrentes desta arrecadação, não devem ser usados pelos entes para quitação de dívida ou no pagamento do quadro funcional permanente (ANM, 2022). 4.4. GEOLOGIA 4.4.1. Geologia Regional e Contexto Geotectônico De acordo com Brito Neves et al. (2003), o Estado do Espírito Santo tem contexto geotectônico interligado aos processos de desintegração do Supercontinente 39 Rodínia e a movimentação tectônica gerada por estes eventos. Posteriormente, destacam-se ainda os processos de aglutinação que culminaram na formação do Gondwana Ocidental (ALKMIN et al., 2006). Para Campos Neto (2000) e Hasui (2010), na porção correspondente ao Brasil, as províncias estruturais Tocantins e Mantiqueira são duas grandes orogêneses, produto do Evento Tectônico Brasiliano do Gondwana Ocidental. O Estado do Espírito Santo, predominantemente, ocupa o domínio interno da Província Mantiqueira, que compreende o Orógeno Araçuaí (PEDROSA-SOARES et al., 1998, 2001, 2007; ALKMIM et al., 2007). Desta maneira, o município de Nova Venécia, área de estudo deste trabalho, está inserido no contexto geotectônico do Orógeno Araçuaí (Figura 4.4), ocupando a porção mais orientale abrangendo rochas metamórficas de alto grau advindas de bacias orogênicas pretéritas e plutonismo granitóide que representam o núcleo do Orógeno (HEILBRON et al., 2004), representado pela Figura 4.5. Figura 4.4: Localização do Espírito Santo ocupando o domínio interno da Província Mantiqueira, inserido no Orógeno Araçuaí. Fonte: Vieira et al. (2021). Modificado de Heilbron et al. (2004) por Vieira et al. (2021). 40 Figura 4.5: Situação das folhas mapeadas pelos contratos CPRM-UFMG no Orógeno Araçuaí. Fonte: Roncato Júnior et al. (2012). De acordo com Almeida (1977), preteritamente, o Orógeno Araçuaí já foi denominado como Faixa de Dobramentos Araçuaí, em conjunto com a porção deste correspondente à África, Faixa Oeste Congolesa, onde unificadamente é denominado como Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental, conforme Figura 4.6 (PEDROSA-SOARES et al., 2001). Figura 4.6: Representação esquemática do Cráton São Francisco, ligado pela ponte Cratônica Bahia-Gabão, destacando o Orógeno Araçuaí e a Faixa Congo Ocidental. Fonte: Pedrosa-Soares et al. (2007). 41 O Orógeno Araçuaí se estende do limite leste do Cráton do São Francisco até a margem atlântica, representando o setor setentrional da Província Mantiqueira, sua formação ocorreu no Neoproterozóico e Cambriano, compondo o sistema orogênico Brasiliano-Panafricano do Paleocontinente Gondwana (BRITO NEVES et al. 1999; PEDROSA-SOARES et al. 2001, 2008; HEILBRON et al., 2004). O Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental é definido como do tipo confinado e localiza-se na reentrância do Cráton São Francisco-Congo. A sua natureza confinada é atribuída ao fato de que o Cráton São Francisco e o Cráton Congo permaneceram parcialmente ligados ao norte desde a Tafrogênese na base do Neoproterozoico, até que, no Cretáceo, o Atlântico Sul fosse aberto, através da ponte Bahia-Gabão, restringindo a abertura da Bacia Macaúbas. Além disso, a formação do grande golfo ensiálico ao norte e oceanizado ao sul, que desembocaria no Oceano Adamastor, é considerada uma consequência da ação precursora do Orógeno Araçuaí-Congo Ocidental (TORQUATO & CORDANI, 1981; BRITO NEVES et al., 1999; PEDROSA- SOARES et al., 2001; CORDANI et al., 2003). O Orógeno Araçuaí caracteriza-se como do tipo colisional, sendo sucessor de um Orógeno do tipo de margem ativa, através das evidências de componentes geotectônicos (Figura 4.7), como os remanescentes ofiolíticos, que indicam que houve subducção no sentido de oeste para leste, os depósitos de margem passiva, a zona de sutura, o arco magmático, os granitos sin-colisionais e plutonismo pós- colisional (PEDROSA-SOARES et al., 1999, 2007). Figura 4.7: Perfil dos componentes geotectônicos do Orógeno Araçuaí. Fonte: Pedrosa-Soares et al. (2007). 42 Como já mencionado, a área de estudo localiza-se no domínio interno do Orógeno Araçuaí, correspondendo ao seu núcleo, onde é possível encontrar o arco magmático pré-colisional e bacias associadas, que apresentam metamorfismo dominante de fácies anfibolito alto a granulito. Além disso, as demais unidades são suítes graníticas identificadas como G1 a G5 (ALKMIN et al., 2007). À medida que se dava a evolução do Orógeno Araçuaí, quatro episódios de magmatismo orogênico ocorreram e foram caracterizados como granitogênese pré- colisional (ca. 630-580 Ma); sincolisional (ca. 580-560 Ma); tardicolisional (ca. 560- 530 Ma) e pós-colisional (ca. 530-490 Ma), que são representadas como supersuítes G1, G2, G3, G4 e G5, sendo estes registros dos estágios iniciais e finais do fechamento da Bacia Macaúbas e da evolução do Orógeno Araçuaí-Congo e seu colapso gravitacional posterior. Uma observação importante é que a supersuíte G4 não ocorre no Espírito Santo (PEDROSA-SOARES et al., 2001, 2008, 2011; SILVA et al., 2005; GONÇALVES et al., 2010; VIEIRA et al., 2021). A Figura 4.8 compila e correlaciona os magmatismos orogênicos com sua ambiência tectônica. Figura 4.8: Correlação das supersuítes orogênicas com sua ambiência tectônica. Caracterização das suítes G1, G2, G3, G4 e G5, de acordo com Pedrosa-Soares et al., 2001, 2011 e o ambiente tectônico das granitogêneses (γ1, γ2, γ3 e γ5; Vieira et al. 2014, 2018). Fonte: Vieira et al. (2021). 43 Em contraponto ao modelo proposto que envolve subducção de crosta oceânica (PEDROSA-SOARES et al., 1998, 2001, 2007; ALKMIM et al., 2007), os autores Cavalcante et al. (2018) e Fossen et al. (2020) apresentam modelo evolutivo alternativo ao Orógeno Araçuaí, visto que sugerem que há problemas fundamentais no modelo supracitado e que não havia crosta oceânica ou que era muito limitada em termos da Bacia Macaúbas. Este modelo orogênico, denominado como intracontinental do tipo Hot, remete a uma evolução onde houve aquecimento durante o espessamento crustal que contribuiu para que a cerca de 600 M.a. houvesse extensa fusão parcial. Para esses autores, esse modelo alternativo está condizente com restrições cinemáticas de um ambiente orogênico semiconfinado. Ao final do Ciclo Brasiliano, no Cretáceo Inferior, aconteceu a abertura do Atlântico Sul, iniciando a deposição da unidade sedimentar Barreiras. O Grupo Barreiras, datado do Mioceno ao Pleistoceno, estende-se pelo litoral brasileiro, do Amapá ao Rio de Janeiro, e compreende uma deposição siliciclástica continental e marinha de atitude horizontal a sub-horizontal, com associação a sistemas deposicionais de leques aluviais e fluviais entrelaçados conjugados com deposição de ambientes transicionais e marinho raso. Adicionalmente, a gênese dessas rochas está relacionada com atuação de dinâmica fluvial e com ciclos de variações eustáticas de nível global, principalmente no Quaternário, como transgressões e regressões marinhas e também a eventos climáticos e tectônicos provenientes de glaciações e movimentos epirogenéticos, respectivamente (ARAI, 2006; NUNES et al., 2011; QUEIROGA et al., 2012; MOREIRA & NEVES, 2020). 4.4.2. Granitogênese, Tipos de Depósitos e Modo de Ocorrência das Rochas Ornamentais Os municípios da região noroeste capixaba, Ecoporanga, Barra de São Francisco, Pancas, Água Doce do Nordeste, Baixo Guandu, Vila Pavão e Nova Venécia, são responsáveis conjuntamente pela exportação de 70% de todo granito com fins de uso como rocha ornamental (OLIVEIRA, 2012). 44 Em termos de gênese de jazidas para rochas ornamentais no Estado do Espírito Santo, praticamente todas as ocorrências estão intimamente relacionadas ao magmatismo de idade Neoproterozoica a Cambriana, conforme já apresentado na Figura 4.8, excetuando apenas os mármores do Grupo Italva e as rochas do Complexo Nova Venécia (VIEIRA et al., 2021). Os maciços rochosos são o tipo de depósito de rocha ornamental mais comum na área de estudo, afloram majoritariamente em corpos ígneos como stocks e batólitos. Embora que, quando há valor agregado ao material e quantidade satisfatória, a lavra por matacões também pode ocorrer. O método de lavra para explotação é predominantemente a céu aberto, com grande maioria alocada nos flancos de maciços rochosos (MENEZES & SAMPAIO, 2012; SARDOU FILHO et al., 2013; VIEIRA et al., 2021). Destaca-se ainda que as jazidas de granito são as mais comuns pela grande durabilidade e resistência, em adição com a grande variedade litológica que confere padrões estéticos diferenciados e numerosas formas de paginação dos materiais (ALENCAR, 2013). Os maciços rochosos são o tipo de depósito de melhor custo-benefício devido a projeções de maior qualidade e quantidade das rochas lavradas, sendo as características litológicas e estruturais associadas aos fatores geomorfológicos do relevo determinantes para verificação de ocorrência nas áreas de interesse. Ademais, esse tipo de depósito pode apresentar grandes dimensões aflorantes quando os fatores climáticos e intempéricos