Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

11 
 
 
disposto no art. 34 da Lei no 4.595, de 31 de dezembro de 1964: (Redação dada pela 
Lei nº 13.506, de 2017) 
 Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: 
 I - Em nome próprio, como controlador ou na condição de administrador 
da sociedade, conceder ou receber adiantamento de honorários, remuneração, salário 
ou qualquer outro pagamento, nas condições referidas neste artigo; 
 II - De forma disfarçada, promover a distribuição ou receber lucros de 
instituição financeira. 
 Art. 18. Violar sigilo de operação ou de serviço prestado por instituição 
financeira ou integrante do sistema de distribuição de títulos mobiliários de que tenha 
conhecimento, em razão de ofício: 
 Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
 Art. 19. Obter, mediante fraude, financiamento em instituição financeira: 
 Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é 
cometido em detrimento de instituição financeira oficial ou por ela credenciada para o 
repasse de financiamento. 
 Art. 20. Aplicar, em finalidade diversa da prevista em lei ou contrato, 
recursos provenientes de financiamento concedido por instituição financeira oficial ou 
por instituição credenciada para repassá-lo: 
 Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 Art. 21. Atribuir-se, ou atribuir a terceiro, falsa identidade, para realização 
de operação de câmbio: 
 Pena - Detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm#art34
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13506.htm#art51
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13506.htm#art51
12 
 
 
 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, para o mesmo fim, 
sonega informação que devia prestar ou presta informação falsa. 
 Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de 
promover evasão de divisas do País: 
 Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. 
 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, 
promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele 
mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente. 
 Art. 23. Omitir, retardar ou praticar, o funcionário público, contra 
disposição expressa de lei, ato de ofício necessário ao regular funcionamento do 
sistema financeiro nacional, bem como a preservação dos interesses e valores da 
ordem econômico-financeira: 
 Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
 DA APLICAÇÃO E DO PROCEDIMENTO CRIMINAL 
 Art. 25. São penalmente responsáveis, nos termos desta lei, o controlador 
e os administradores de instituição financeira, assim considerados os diretores, 
gerentes (Vetado). 
 § 1º Equiparam-se aos administradores de instituição financeira (Vetado) 
o interventor, o liqüidante ou o síndico. 
 § 2º Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou co-
autoria, o co-autor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à 
autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um 
a dois terços. (Incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) 
 Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será promovida pelo 
Ministério Público Federal, perante a Justiça Federal. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9080.htm#art1
13 
 
 
 Parágrafo único. Sem prejuízo do disposto no art. 268 do Código de 
Processo Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, será 
admitida a assistência da Comissão de Valores Mobiliários - CVM, quando o crime 
tiver sido praticado no âmbito de atividade sujeita à disciplina e à fiscalização dessa 
Autarquia, e do Banco Central do Brasil quando, fora daquela hipótese, houver sido 
cometido na órbita de atividade sujeita à sua disciplina e fiscalização. 
 Art. 27. Quando a denúncia não for intentada no prazo legal, o ofendido 
poderá representar ao Procurador-Geral da República, para que este a ofereça, 
designe outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou determine o 
arquivamento das peças de informação recebidas. 
 Art. 28. Quando, no exercício de suas atribuições legais, o Banco Central 
do Brasil ou a Comissão de Valores Mobiliários - CVM, verificar a ocorrência de crime 
previsto nesta lei, disso deverá informar ao Ministério Público Federal, enviando-lhe 
os documentos necessários à comprovação do fato. 
 Parágrafo único. A conduta de que trata este artigo será observada pelo 
interventor, liqüidante ou síndico que, no curso de intervenção, liqüidação extrajudicial 
ou falência, verificar a ocorrência de crime de que trata esta lei. 
 Art. 29. O órgão do Ministério Público Federal, sempre que julgar 
necessário, poderá requisitar, a qualquer autoridade, informação, documento ou 
diligência, relativa à prova dos crimes previstos nesta lei. 
 Parágrafo único O sigilo dos serviços e operações financeiras não pode 
ser invocado como óbice ao atendimento da requisição prevista no caput deste artigo. 
 Art. 30. Sem prejuízo do disposto no art. 312 do Código de Processo 
Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, a prisão 
preventiva do acusado da prática de crime previsto nesta lei poderá ser decretada em 
razão da magnitude da lesão causada (Vetado). 
 Art. 31. Nos crimes previstos nesta lei e punidos com pena de reclusão, 
o réu não poderá prestar fiança, nem apelar antes de ser recolhido à prisão, ainda que 
14 
 
 
primário e de bons antecedentes, se estiver configurada situação que autoriza a 
prisão preventiva. 
Art. 33. Na fixação da pena de multa relativa aos crimes previstos nesta lei, o 
limite a que se refere o § 1º do art. 49 do Código Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 
2.848, de 7 de dezembro de.1940, pode ser estendido até o décuplo, se verificada a 
situação nele cogitada. 
 Art. 34. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. 
 Art. 35. Revogam-se as disposições em contrário. 
 Brasília, 16 de junho de 1986; 165º da Independência 98º da República. 
 
4. PRINCIPAIS CRIMES FINANCEIROS NO BRASIL 
São vários os delitos contra o sistema financeiro previstos na legislação 
citada. Porém, alguns deles são de prática comum no Brasil. Entenda quais são os 
principais crimes financeiros cometidos no país. 
Lavagem de dinheiro 
A lavagem de dinheiro talvez seja um dos crimes contra o sistema financeiro 
mais conhecido, tanto pelos profissionais do Direito, quanto pela população em geral. 
Tal se deve à sua constante divulgação nos meios de comunicação. 
A sua regulamentação se dá pela Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998. 
Conforme o art. 1º da mencionada lei, “lavar dinheiro” significa “ocultar ou dissimular 
a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, 
direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. 
Logo, trata-se da prática de disfarçar a origem de recursos ilícitos. Isso 
geralmente é feito por meio de abertura de empresas de fachada, compra e venda de 
imóveis por valores diferentes dos praticados no mercado, obtenção de empréstimos 
etc. A pena para esse crime é de reclusão, de três a dez anos, e multa. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71
15 
 
 
Falsificação de moeda, título ou valor mobiliário 
Outra prática bastante comum e que prejudica o sistema financeiro nacional 
é a falsificação de moeda, título ou valor mobiliário. No entanto, trata-sede crimes 
distintos, previstos também em normas distintas. 
No primeiro caso, fala-se em crime de moeda falsa, previsto no art. 289 do 
Código Penal, que assim o define: “falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda 
metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro”. A pena prevista 
para a forma simples é de reclusão, de três a doze anos. 
Já nos segundo e terceiro caso, a legislação pertinente à falsificação de título 
ou valor mobiliário é a já mencionada Lei nº 7.492. A norma trata do crime no art. 2º: 
“imprimir, reproduzir ou, de qualquer modo, fabricar ou pôr em circulação, sem 
autorização escrita da sociedade emissora, certificado, cautela ou outro documento 
representativo de título ou valor mobiliário”. A punição para tais atos é de reclusão, de 
dois a oito anos, e multa. 
Divulgação de informação falsa ou incompleta 
A conduta de divulgar informação falsa ou prejudicialmente incompleta a 
respeito de instituição financeira é considerada crime financeiro, nos termos do art. 3º 
da Lei 7.492. Fato é que a propagação de “boatos” que desfavoreçam a imagem de 
um agente econômico pode interferir na concorrência de forma artificial, prejudicando 
o sistema financeiro nacional. 
Qualquer pessoa pode ser agente desse delito. Ainda, diante da sua prática, 
a punição aplicável ao caso é de reclusão, que pode ser de dois a seis anos, somada 
à aplicação de uma multa. 
Gestão fraudulenta 
O art. 4º da Lei 7.492 assim dispõe a respeito da gestão fraudulenta: 
 Art. 4º Gerir fraudulentamente instituição financeira: 
Pena – Reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e multa. 
16 
 
 
Passível de prática por administradores de empresas, o crime consiste, então, 
em atos de administração que têm como finalidade a obtenção de vantagem indevida 
para si ou para outrem em prejuízo alheio. O agente, por meio de fraudes e manobras 
ardilosas, emprega atos que levam outros administradores ao erro. 
Como exemplo, podemos citar condutas como: modificação de resultados 
financeiros por meio de operações simuladas, divulgação de informações inverídicas 
para atrair investidores, desvio de ativos da empresa em benefício próprio ou de outra 
pessoa etc. Todas elas revelam um uso desonesto da sociedade para fins ilícitos. 
No entanto, o parágrafo único da mesma norma traz o crime de gestão 
temerária, punida com pena de reclusão, de dois a oito anos, e multa. Este, por sua 
vez, não abrange a análise da conduta ética do agente, mas tão somente o desvio de 
legalidade, a inobservância do dever de cuidado por parte do administrador. 
O que mudou com o novo Código Penal? 
O Direito, por ser uma ciência social, deve acompanhar as dinâmicas da 
sociedade e se adequar a elas, por meio de políticas públicas e, ainda, pela edição de 
leis novas. Porém, como manter uma legislação condizente com os novos tempos, 
tendo um Código Penal de 1940? 
O PLS nº 236/2012, o chamado “Novo Código Penal”, buscou atingir esse 
objetivo. A principal vantagem trazida pela nova norma penal é a consolidação de 
diversas normas que foram criadas esparsamente com o fim de suprir a 
desatualização do antigo Código. Aqui, inclui-se a Lei nº 7.492. 
Dessas formas, suas mudanças também abrangeram tipos e penas a respeito 
dos crimes financeiros. Como exemplo, pode-se citar o delito de gestão fraudulenta, 
cuja descrição, apesar de semelhante à anterior, passou a ser mais específica, 
trazendo maior segurança jurídica. Ademais, a sua pena ganhou um escalonamento 
de acordo com a lesividade da conduta praticada pelo agente. 
Como se pode observar, não apenas em razão de os holofotes estarem 
voltados para os crimes financeiros, mas também por sua importância jurídica, esses 
delitos merecem a atenção do advogado criminalista que almeja ter sucesso 
17 
 
 
na carreira. Por isso, é tão necessário compreender o conceito e quais são os delitos 
contra o sistema financeiro mais praticados no Brasil. 
E, mais do que isso, diante de tantas inovações trazidas pelo Novo Código 
Penal com o fito de aprimorar o tratamento do tema, é fundamental que os 
profissionais do Direito dominem, também, as novas previsões legislativas. 
Afinal, é preciso ressaltar que um bom advogado deve, sim, deter muito 
conhecimento sobre sua área de atuação, mas também estar sempre se atualizando 
com o que há de mais recente no mundo jurídico para garantir o melhor serviço ao 
seu cliente. 
 
5. INESTIGAÇÕES E PREVENÇÕES AOS DELITOS FINANCEIROS 
O Brasil é membro do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), 
organização intergovernamental cuja finalidade é o desenvolvimento de uma 
estratégia global de prevenção e combate à lavagem de dinheiro, à corrupção e ao 
financiamento do terrorismo (PCLD). O país também é signatário de diversas 
Convenções Internacionais, no âmbito das quais assumiu o compromisso de prevenir 
e combater estas atividades delituosas. 
O GAFI, além de outros organismos internacionais que tratam do tema, como 
a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e 
a Organização Mundial das Aduanas (OMA), consideram como meios mais utilizados 
de movimentação financeira para lavagem de dinheiro (LD): 
 Sistemas financeiros, regulares e alternativos; 
 Operações no comércio internacional (importação e exportação); 
 Transações envolvendo a prestação de serviços; 
 Transporte transfronteiriço de moeda e de outros instrumentos 
negociáveis ao portador. 
Para tais organismos, os ilícitos tributários e aduaneiros, a lavagem de 
dinheiro e demais crimes financeiros são delitos que ameaçam os interesses 
18 
 
 
estratégicos, políticos e econômicos de diversas nações, podendo privar o Estado dos 
recursos financeiros necessários a seu desenvolvimento de forma sustentável e 
abalando a confiança dos cidadãos na capacidade de seus dirigentes promoverem a 
justiça fiscal. 
Avaliam ainda que tais atividades delituosas possuem características variadas 
e peculiares que são constantemente aperfeiçoadas e exploradas em novas 
oportunidades de ganhos ilícitos, o que as coloca muitas vezes um passo à frente das 
medidas legislativas para combatê-las. Assim, entendem ser essencial encontrar 
formas mais eficazes de reprimi-las, principalmente em tempos de crise econômica, 
quando perdas de receita penalizam o Estado, empresas e particulares. 
Neste contexto, OCDE, GAFI e OMA, dentre outras organizações e 
especialistas que tratam do tema, consideram que as autoridades tributárias e 
aduaneiras têm papel primordial na identificação dos meios mais comuns de 
movimentação financeira para lavagem de dinheiro, principalmente em função de 
possuírem ampla gama de atribuições e de instrumentos operacionais em seus 
campos de atuação. 
Esta visão impõe destacada responsabilidade à Receita Federal do Brasil 
(RFB), um dos órgãos brasileiros de fiscalização e controle que compõem o sistema 
nacional de PCLD, principalmente no que se refere à criação de mecanismos 
preventivos, ao gerenciamento de riscos e de dados estatísticos e ao aperfeiçoamento 
de instrumentos de comunicação de indícios dos ilícitos em questão a outras 
autoridades do sistema. 
O papel da RFB ganha destaque ainda com o disposto na Lei nacional de 
lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98, com nova redação dada pela Lei nº 12.683/2012), 
que elenca qualquer infração penal, o que conceitualmente inclui ilícitos tributários e 
aduaneiros, dentre as ações antecedentes que podem ocasionar, em tese, a prática 
de crimes de lavagem de dinheiro. 
A relevância atribuída pela RFB a este complexo fenômeno é traduzida em 
seu Regimento Interno, que estabelece a repressão ao crime de lavagem de dinheiro 
como uma de suas finalidades (art. 1º, inciso XX). Neste dispositivo, a Receita Federal 
institucionaliza o emprego de sua ampla estrutura administrativa, operacional, base 
19 
 
 
de dados e recursos tecnológicos, ativos precipuamente direcionados para o combatede ilícitos tributários e aduaneiros, igualmente para o combate à lavagem de dinheiro. 
No campo operacional, a relevância dada pela RFB à matéria se reflete no 
desenvolvimento de investigações em cooperação técnica com outros órgãos 
(relações institucionais com o DPF, MPF e Poder Judiciário, por exemplo), com o 
objetivo de desarticular organizações criminosas que, por meio da lavagem de 
dinheiro, tentam dar aparência legal a recursos provenientes de diversas atividades 
ilícitas. 
Dadas as características e dimensão do problema, observa-se que a RFB 
desempenha atualmente relevante missão institucional no esforço do Estado para 
identificar e combater organizações que, de forma organizada, praticam o crime de 
lavagem de dinheiro, cujas características, abrangência e amplitude têm merecido 
atenção e iniciativas de diversas nações. 
O especialista em Direito Constitucional e representante da Controladoria- 
Geral da União (CGU), Flávio Rezende Dematté, falou sobre a Lei 12.846/13, também 
conhecida como Lei Anticorrupção. O especialista inicia seu discurso declarando que 
“a parceria CGU e Polícia Federal no combate à corrupção é uma das de maiores 
sucesso dentro da organização estatal brasileira”. 
 
Segundo ele, as duas instituições apresentaram resultados bastantes 
significativos no que diz respeito à luta contra desvio de dinheiro público. Só em 2013, 
as operações da Polícia Federal relacionadas ao desvio de recursos federais 
suplantaram as operações ligadas ao tráfico de drogas. E a CGU vem atuando, na 
esfera disciplinar e na esfera de responsabilização de empresas. Do total de 
penalidades aplicadas pelo CGU, em 11 anos de atuação, cerca de 68% são ligadas 
à corrupção. Em média, um servidor público foi punido por dia por alguma infração. 
No âmbito das pessoas jurídicas, não é diferente. Empresas sofreram penalidades 
pela descoberta de fraudes e todas as punições partiram de operações com a PF. 
 
20 
 
 
Agora, um novo instrumento chega na luta contra a corrupção: a Lei 
12.846/13. Dematté explica que essa lei se fundamenta em três eixos normativos: 
prioridade na responsabilização de pessoa jurídica, foco no viés econômico da 
corrupção e mudança na forma de combater a corrupção. “Estado e setor privado 
devem atuar juntos no combate à corrupção”, declara o representante da CGU. 
Segundo ele, a lei é de esfera administrativa e civil, não penal, mas vai multar 
empresas em que forem descobertas fraudes. 
 
O juiz federal, Walter Nunes da Silva Junior, abordou a questão da delação 
premiada no contexto da Lei 12.850/13. A delação acontece quando os integrantes 
das organizações criminosas se arrependem e colaboram com o Estado. O grande 
problema neste tipo de acordo era que não havia uma lei que regulamentasse o ato. 
A legislação apenas concebia diminuição da pena, ou o perdão judicial, mas não 
existia nada disciplinando como se deveria proceder na ação. 
 
Entre as novidades trazidas com a Lei 12.850/13, estão o perdão judicial, a 
redução de até terços da pena, a substituição de pena por restritiva de direitos, e até 
mesmo a possibilidade de o Ministério Público não oferecer a denúncia. Um aspecto 
importante da lei é que o juiz não pode participar da negociação entre as partes. Esta 
deve ser feita entre o delegado de polícia ou o Ministério Público e o investigado. 
 
A Lei 12.850/13 classifica a colaboração como meio de prova, elemento 
informativo e meio de defesa. A legitimidade da proposta tem sido discutida. A respeito 
da questão, o juiz afirma não ver nenhuma inconstitucionalidade. “O primeiro contato 
deve ser feito entre o delegado e o agente do crime, no entanto, não é saudável que 
o delegado conduza toda questão adiante sem o conhecimento do Ministério Público”, 
explica. 
 
O tema lavagem de dinheiro foi apresentado por Isalino Antônio Giacomet 
Junior, delegado de polícia federal atuando na Delegacia de Retenção a Crimes 
Financeiros e Desvio de Recursos Públicos e coordenador-geral de Recuperação de 
21 
 
 
Ativos do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica 
Internacional (DRCI), 
 
O delegado federal explica que lavagem de dinheiro é a conduta em que o 
criminoso tenta afastar o dinheiro que ele obteve de maneira ilícita dando-lhe 
aparência de licitude. O tipo é classificado como crime acessório, ou seja, que decorre 
de um crime antecedente, mas também é um crime autônomo e pode ser investigado, 
desde que haja indícios do crime antecedente. Em aspectos práticos, a autoridade 
policial vai ter que determinar a autoria e a materialidade delitiva e, muitas vezes, vai 
ter que fazer uma investigação patrimonial sobre o alvo investigado. 
 
“Há quem diga que crimes financeiros não devem ser classificados como 
crimes, por não serem tão comuns como os crimes que escutamos todos os dias. Mas 
a criminalidade econômica existe e precisa ser combatida”, declarou o delegado. 
 
O delegado conclui reafirmando a importância do enfoque patrimonial no caso 
da ação. “Nós, da Polícia Federal, devemos pensar em mecanismos de investigação 
da lavagem de dinheiro, pois essa é a nossa meta. A parceria com órgãos como a 
CGU e bancos financeiros são ótimos facilitadores desse processo”, declarou. 
 
Para encerrar o primeiro painel do VI CNDPF, o secretário de Assuntos 
Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira, falou dos avanços 
legislativos recentes no país. “O Brasil, na última década, tem adotado uma postura 
bastante rígida no combate ao crime organizado e à corrupção, e isso decorre de 
investimentos, de inovação normativa e da dedicação de servidores, principalmente 
dos que estão aqui presentes”, inicia o secretário. 
 
Ele citou os avanços legislativos dos últimos anos, como a lei de combate as 
organizações criminosas, lei de combate à corrupção, a lei que consolida o papel do 
delegado na condução da investigação criminal, a lei que criou banco de perfis 
22 
 
 
genéticos e base de dados que facilita o trabalho da perícia, a lei que tipificou os 
crimes informáticos, lei de combate à fraude em concursos públicos, a lei que cria 
indenização de fronteiras, entre outras. 
 
O secretário ressaltou que o diálogo é o principal instrumento para avançar 
ainda mais na legislação. Temos grandes desafios pela frente, mas é preciso que os 
atores tragam as demandas. O Congresso Nacional aberto às questões da sociedade 
que são sinônimo de democracia”, garante. 
Com efeito, diz o art. 129 da Constituição Federal que são funções do 
Ministério Público, dentre outras: 
“I – Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei.” 
“II - Zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de 
relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as 
medidas necessárias a sua garantia.” (grifo nosso). 
“VI - Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua 
competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei 
complementar respectiva.” (grifo nosso). 
“VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, 
indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; 
“IX - Exercer outras funções que lhe sejam conferidas, desde que compatíveis 
com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica 
de entidades públicas.” (idem). 
Efetivamente, a Lei n.º 8.625/93 (Lei Orgânica da Instituição), no seu art. 26, 
dispõe caber ao Ministério Público (os grifos são nossos): 
“I - Instaurar inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos 
pertinentes e, para instruí-los: (omissis);” 
23 
 
 
“II - Requisitar informações e documentos a entidades privadas, para instruir 
procedimentos ou processo em que oficie;” 
“V - Praticar atos administrativos executórios, de caráter preparatório;”Portanto, é viável que o juiz determine, com base na referida lei, a quebra do 
sigilo das informações dos criminosos para buscar dados telefônicos (conta telefônica 
29 
 
 
do autor identificando as chamadas e mensagens efetuadas e recebidas), 
documentos (qualquer documento oficial que comprove os crimes, tipo notas fiscais, 
contratos sociais, estatutos, entre outros), informações fiscais (imposto de renda, 
informações junto ao Fisco), bancárias (dados referentes as contas bancárias, como 
aplicações financeiras, saldos, extratos, entre outros) e eleitorais (informações 
mantidas no cadastro dos tribunais eleitorais, tais como endereço, telefone). 
Dessa forma, a quebra dos sigilos é um instrumento útil à atividade de 
investigação policial nos crimes de lavagem de dinheiro, mediante autorização judicial, 
preservando os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal que, segundo 
o Supremo Tribunal Federal, não são absolutos e podem ser restringidos em favor da 
coletividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
 
CONCLUSÃO 
Diante do exposto, fica evidente que a quantidade de crimes de lavagem de 
dinheiro aumenta exponencialmente, devido principalmente à globalização e às 
inovações tecnológicas, em especial na área de comunicação. Adicionalmente, 
constata-se que esse tipo de crime se encontra estreitamente vinculado à 
criminalidade organizada, pois, em grande número de casos, seu cometimento requer 
uma estrutura complexa e bem orquestrada. 
A consequência dessa organização e profissionalização da organização 
delituosa é que os métodos de lavagem de dinheiro mudam rapidamente e são cada 
vez mais difíceis de serem desvendados. 
As atividades delitivas de lavagem de dinheiro acabam participando da vida 
econômica do país por meio de operações financeiras e da constituição de empresas 
destinadas a receber fluxo de dinheiro “sujo”. 
É imperioso o combate incessante a este tipo de crime, devido aos efeitos 
devastadores provocados pela sua prática na economia e no desenvolvimento 
nacional. O fluxo de dinheiro movimentado por meio do processo de lavagem de 
dinheiro é tão grande que pode afetar taxas de câmbio de países, forçar mudanças 
em taxas de juros, criar bolhas de valorização de ativos e até mesmo derrubar 
sistemas bancários. 
Como surgem novas formas de “lavar” dinheiro constantemente, é necessária a 
especialização das organizações policiais e das técnicas de investigação, uma vez 
que somente a edição de novas leis penais não é suficiente para deter essa prática 
delitiva. 
 
 
31 
 
 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n° 9.034, de 03 de maio de 1995. Dispõe sobre a utilização de 
meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por 
organizações criminosas. Disponível em: . Acesso em: 
25 set. 2015. 
BRASIL. Lei n° 9.613, de 03 de março de 1998. Dispõe sobre os crimes de 
“lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do 
sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de 
Atividades Financeiras – COAF, e dá outras providências. Disponível em: 
. Acesso em: 25 set. 2015. 
BRASIL. Lei n° 12.683, de 09 de julho de 2012. Altera a Lei no 9.613, de 03 de 
março de 1998, para tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem 
de dinheiro. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2015. 
CASTELLAR, João Carlos. Lavagem de dinheiro: a questão do bem jurídico. 
Rio de Janeiro, Revan, 2004. Tese de mestrado. 
FRANCO, Alberto Silva. “Crimes Hediondos.” São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 1992. 
LILLEY, Peter. Lavagem de dinheiro: negócios ilícitos transformados em 
atividades legais. São Paulo, Editora Futura, 2001. 
MATAIS, Andreza e FABRINI, Fábio. Corrupção turbina indústria bilionária de 
lavagem de dinheiro no País. Estadão, São Paulo, em 04 de julho de 2015. 
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Tópicos essenciais de lavagem de dinheiro. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, maio 2001, in Castellar, João Carlos. 
______. Lavagem de Dinheiro – a questão do bem jurídico. Rio de Janeiro: 
Revan, 2004. 
NAÍM, Moisés. Ilícito: o ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do 
tráfico à economia global. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 2006. 
32 
 
 
PEREIRA, Flávio Cardoso. “Limites Constitucionais da Investigação”. São 
Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2009. 
SILVA, Cesar Antonio. “Lavagem de dinheiro, uma nova perspectiva 
penal”. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2001. 
VILARDI, Celso Sanchez. “O crime de lavagem de dinheiro e o início de sua 
execução.” Revista Brasileira de Ciências Criminais. Revista dos Tribunais. São 
Paulo, 2004. 
 
33de ilícitos tributários e aduaneiros, igualmente para o combate à lavagem de dinheiro. 
No campo operacional, a relevância dada pela RFB à matéria se reflete no 
desenvolvimento de investigações em cooperação técnica com outros órgãos 
(relações institucionais com o DPF, MPF e Poder Judiciário, por exemplo), com o 
objetivo de desarticular organizações criminosas que, por meio da lavagem de 
dinheiro, tentam dar aparência legal a recursos provenientes de diversas atividades 
ilícitas. 
Dadas as características e dimensão do problema, observa-se que a RFB 
desempenha atualmente relevante missão institucional no esforço do Estado para 
identificar e combater organizações que, de forma organizada, praticam o crime de 
lavagem de dinheiro, cujas características, abrangência e amplitude têm merecido 
atenção e iniciativas de diversas nações. 
O especialista em Direito Constitucional e representante da Controladoria- 
Geral da União (CGU), Flávio Rezende Dematté, falou sobre a Lei 12.846/13, também 
conhecida como Lei Anticorrupção. O especialista inicia seu discurso declarando que 
“a parceria CGU e Polícia Federal no combate à corrupção é uma das de maiores 
sucesso dentro da organização estatal brasileira”. 
 
Segundo ele, as duas instituições apresentaram resultados bastantes 
significativos no que diz respeito à luta contra desvio de dinheiro público. Só em 2013, 
as operações da Polícia Federal relacionadas ao desvio de recursos federais 
suplantaram as operações ligadas ao tráfico de drogas. E a CGU vem atuando, na 
esfera disciplinar e na esfera de responsabilização de empresas. Do total de 
penalidades aplicadas pelo CGU, em 11 anos de atuação, cerca de 68% são ligadas 
à corrupção. Em média, um servidor público foi punido por dia por alguma infração. 
No âmbito das pessoas jurídicas, não é diferente. Empresas sofreram penalidades 
pela descoberta de fraudes e todas as punições partiram de operações com a PF. 
 
20 
 
 
Agora, um novo instrumento chega na luta contra a corrupção: a Lei 
12.846/13. Dematté explica que essa lei se fundamenta em três eixos normativos: 
prioridade na responsabilização de pessoa jurídica, foco no viés econômico da 
corrupção e mudança na forma de combater a corrupção. “Estado e setor privado 
devem atuar juntos no combate à corrupção”, declara o representante da CGU. 
Segundo ele, a lei é de esfera administrativa e civil, não penal, mas vai multar 
empresas em que forem descobertas fraudes. 
 
O juiz federal, Walter Nunes da Silva Junior, abordou a questão da delação 
premiada no contexto da Lei 12.850/13. A delação acontece quando os integrantes 
das organizações criminosas se arrependem e colaboram com o Estado. O grande 
problema neste tipo de acordo era que não havia uma lei que regulamentasse o ato. 
A legislação apenas concebia diminuição da pena, ou o perdão judicial, mas não 
existia nada disciplinando como se deveria proceder na ação. 
 
Entre as novidades trazidas com a Lei 12.850/13, estão o perdão judicial, a 
redução de até terços da pena, a substituição de pena por restritiva de direitos, e até 
mesmo a possibilidade de o Ministério Público não oferecer a denúncia. Um aspecto 
importante da lei é que o juiz não pode participar da negociação entre as partes. Esta 
deve ser feita entre o delegado de polícia ou o Ministério Público e o investigado. 
 
A Lei 12.850/13 classifica a colaboração como meio de prova, elemento 
informativo e meio de defesa. A legitimidade da proposta tem sido discutida. A respeito 
da questão, o juiz afirma não ver nenhuma inconstitucionalidade. “O primeiro contato 
deve ser feito entre o delegado e o agente do crime, no entanto, não é saudável que 
o delegado conduza toda questão adiante sem o conhecimento do Ministério Público”, 
explica. 
 
O tema lavagem de dinheiro foi apresentado por Isalino Antônio Giacomet 
Junior, delegado de polícia federal atuando na Delegacia de Retenção a Crimes 
Financeiros e Desvio de Recursos Públicos e coordenador-geral de Recuperação de 
21 
 
 
Ativos do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica 
Internacional (DRCI), 
 
O delegado federal explica que lavagem de dinheiro é a conduta em que o 
criminoso tenta afastar o dinheiro que ele obteve de maneira ilícita dando-lhe 
aparência de licitude. O tipo é classificado como crime acessório, ou seja, que decorre 
de um crime antecedente, mas também é um crime autônomo e pode ser investigado, 
desde que haja indícios do crime antecedente. Em aspectos práticos, a autoridade 
policial vai ter que determinar a autoria e a materialidade delitiva e, muitas vezes, vai 
ter que fazer uma investigação patrimonial sobre o alvo investigado. 
 
“Há quem diga que crimes financeiros não devem ser classificados como 
crimes, por não serem tão comuns como os crimes que escutamos todos os dias. Mas 
a criminalidade econômica existe e precisa ser combatida”, declarou o delegado. 
 
O delegado conclui reafirmando a importância do enfoque patrimonial no caso 
da ação. “Nós, da Polícia Federal, devemos pensar em mecanismos de investigação 
da lavagem de dinheiro, pois essa é a nossa meta. A parceria com órgãos como a 
CGU e bancos financeiros são ótimos facilitadores desse processo”, declarou. 
 
Para encerrar o primeiro painel do VI CNDPF, o secretário de Assuntos 
Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira, falou dos avanços 
legislativos recentes no país. “O Brasil, na última década, tem adotado uma postura 
bastante rígida no combate ao crime organizado e à corrupção, e isso decorre de 
investimentos, de inovação normativa e da dedicação de servidores, principalmente 
dos que estão aqui presentes”, inicia o secretário. 
 
Ele citou os avanços legislativos dos últimos anos, como a lei de combate as 
organizações criminosas, lei de combate à corrupção, a lei que consolida o papel do 
delegado na condução da investigação criminal, a lei que criou banco de perfis 
22 
 
 
genéticos e base de dados que facilita o trabalho da perícia, a lei que tipificou os 
crimes informáticos, lei de combate à fraude em concursos públicos, a lei que cria 
indenização de fronteiras, entre outras. 
 
O secretário ressaltou que o diálogo é o principal instrumento para avançar 
ainda mais na legislação. Temos grandes desafios pela frente, mas é preciso que os 
atores tragam as demandas. O Congresso Nacional aberto às questões da sociedade 
que são sinônimo de democracia”, garante. 
Com efeito, diz o art. 129 da Constituição Federal que são funções do 
Ministério Público, dentre outras: 
“I – Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei.” 
“II - Zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de 
relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as 
medidas necessárias a sua garantia.” (grifo nosso). 
“VI - Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua 
competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei 
complementar respectiva.” (grifo nosso). 
“VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, 
indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; 
“IX - Exercer outras funções que lhe sejam conferidas, desde que compatíveis 
com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica 
de entidades públicas.” (idem). 
Efetivamente, a Lei n.º 8.625/93 (Lei Orgânica da Instituição), no seu art. 26, 
dispõe caber ao Ministério Público (os grifos são nossos): 
“I - Instaurar inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos 
pertinentes e, para instruí-los: (omissis);” 
23 
 
 
“II - Requisitar informações e documentos a entidades privadas, para instruir 
procedimentos ou processo em que oficie;” 
“V - Praticar atos administrativos executórios, de caráter preparatório;”24 
 
 
Figura 1; 
 
Mapas mentais, 2020 
 
25 
 
 
6. MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO 
Os órgãos responsáveis pela investigação dos crimes de lavagem de dinheiro 
devem ser bastante especializados, devido ao alto grau de dificuldade na investigação 
desse tipo de delito. Com o objetivo de maximizar a elucidação dos crimes de lavagem 
de dinheiro, o Brasil vem autorizando e desenvolvendo técnicas e mecanismos 
especiais de investigação criminal para esta modalidade. 
Para a investigação desta modalidade criminosa, utilizam-se poderosos meios 
de investigação como a ação controlada, a delação premiada, a quebra de sigilo 
telefônico e bancário, entre outros. Além disso, diversos órgãos governamentais e 
privados auxiliam a polícia judiciária na identificação dos autores e na prova da 
materialidade desse tipo de crime. 
A seguir, serão analisadas as mais importantes formas de investigação policial 
dos crimes de lavagem de dinheiro, a saber: 
 Infiltração Policial e Ação Controlada 
A ação controlada é uma técnica de investigação policial também conhecida 
como Flagrante Retardado, Prorrogado ou Diferido, e foi inserida no ordenamento 
jurídico por meio do artigo 2º da Lei Federal 9.034/95, lei de combate ao Crime 
Organizado, conforme segue: 
“Artigo 2º Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos, sem prejuízo 
dos já previstos em lei, os seguintes procedimentos de investigação e formação de 
provas: (…) 
II – a ação controlada, que consiste em retardar a interdição policial do que se 
supõe ação praticada por organizações criminosas ou a ela vinculados, desde que 
mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize 
no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de 
informações.“ 
Essa técnica consiste no retardamento da atuação policial no momento da 
repressão a um flagrante delito, com o intuito de aguardar o momento mais propício 
26 
 
 
para a intervenção e a prisão de criminosos. Diz-se flagrante retardado, pois o 
flagrante não ocorre no momento da execução de um crime, esperando o melhor 
momento para atuação com o objetivo de prender uma maior quantidade de pessoas, 
além de conseguir apreender e recuperar uma maior quantidade de ativos que foram 
“lavados”. 
No artigo 4º-B da Lei 12.638/2012, que dispõe sobre os crimes de lavagem de 
dinheiro, no seu caput, tem-se a seguinte redação: 
“Artigo 4º-B. – A ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de 
bens, direitos e valores, poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, 
quando a execução imediata possa comprometer as investigações.” 
Dessa forma, a legislação dos crimes de lavagem de dinheiro informa que os 
agentes policiais podem permitir que bens de origem ilícita ou suspeita sejam 
introduzidos ou saiam do território nacional, com o conhecimento e sob a supervisão 
das autoridades competentes, com o objetivo de identificar as pessoas envolvidas 
com o cometimento de delitos sob investigação, no país de origem, de trânsito ou de 
destino. 
Esse procedimento policial nos crimes de lavagem de dinheiro normalmente é 
executado quando há um agente infiltrado na organização criminosa, uma vez que a 
execução da lavagem de dinheiro ocorre principalmente por meios eletrônicos. 
A Infiltração Policial é uma técnica especial de investigação policial que consiste 
na infiltração de um agente da polícia em uma organização delitiva por meio da 
assunção de uma identidade fictícia, com o fim de obter evidências e informações 
relacionadas ao crime de lavagem de dinheiro. 
De acordo com Flávio Cardoso Pereira, vê-se que: 
“Hodiernamente, as infiltrações policiais possuem como alvo potencial o 
combate ao crescimento absurdo e sem limites da criminalidade organizada, a qual 
possui como característica principal o fato de que sua estrutura logística e seu modus 
operandi são mantidos em absoluto segredo por seus membros, dificultando, 
sobremaneira, a atuação das instituições policiais.” (PEREIRA, Flávio Cardoso, 2009) 
27 
 
 
É importante ressaltar que o agente policial infiltrado tem como missão primordial 
detectar a ocorrência de delitos e coletar dados para, no futuro, desarticular a 
organização criminosa. Assim, verifica-se que o agente infiltrado não recebe amparo 
legal para o cometimento de delitos, que só poderá ocorrer diante de alguma das 
excludentes de ilicitude, definidas no Código Penal Brasileiro. 
Colaboração Premiada 
O instituto da colaboração premiada refere-se ao oferecimento de benesses ou 
prêmios legais aos criminosos que auxiliarem os órgãos policiais através de 
informações relevantes prestadas sobre o fato delituoso. Essa colaboração difere do 
instituo da delação premiada, pois esta é uma espécie de colaboração na qual um 
terceiro é incriminado, ou seja, o acusado delata a existência da organização 
criminosa na qual atuava, possibilitando o seu desmantelamento. 
No artigo 1º da Lei 12.638/2012, que dispõe sobre os crimes de lavagem de 
dinheiro, em seu parágrafo 5º, tem-se a seguinte redação: 
“Artigo 1º […] 
§ 5.º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime 
aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a 
qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe 
colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que 
conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e 
partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.“ 
O autor Alberto Silva Franco conceitua a colaboração premiada como: 
“(…) Dá-se o prêmio punitivo por uma cooperação eficaz com a autoridade, 
pouco importando o móvel real do colaborador, de quem não se exige nenhuma 
postura moral, mas antes, uma atitude eticamente condenável. Na equação "custo-
benefício", só se valora as vantagens que possam advir para o Estado com a cessação 
da atividade criminosa ou com a captura de outros delinquentes, e não se atribui 
relevância alguma aos reflexos que o custo possa representar a todo o sistema legal 
28 
 
 
enquanto construído com base na dignidade da pessoa humana”. (FRANCO, Alberto 
Silva, 1992) 
A colaboração premiada é um dispositivo importante, mas o criminoso deve 
cooperar de maneira voluntária e oportuna, e as informações prestadas devem ser 
necessárias ao desmantelamento da organização delitiva. O colaborador deve 
apresentar dados, nomes, datas, locais, relatórios ou quaisquer outros documentos 
comprobatórios que possam levar à apuração do delito de lavagem de dinheiro. 
Quebra de Sigilo Telefônico, Bancário, Financeiro e Eleitoral 
A quebra do sigilo telefônico, bancário, financeiro e eleitoral refere-se à obtenção 
desses dados pela polícia, com a finalidade de colher informações e provas a respeito 
da prática dos delitos sob investigação. 
A lei que dispõe sobre os crimes de lavagem de dinheiro não trouxe previsão 
legal para a quebra dos sigilos, mas tal previsão foi inserida no ordenamento jurídico 
por meio do artigo 2º da Lei Federal 9.034/95, lei de combate ao Crime Organizado, 
conforme segue: 
“Artigo 2º Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos, sem prejuízo 
dos já previstos em lei, os seguintes procedimentos de investigação e formação de 
provas: (…) 
III – o acesso a dados, documentos e informações fiscais, bancárias, financeiras 
e eleitorais;” 
A Constituição Federal, no seu artigo 5º inciso X, assegura aos cidadãos o direito 
à intimidade e à vida privada, significando que o Estado não está autorizado a 
fiscalizar a vida da população. Entretanto, as infrações praticadas por organizações 
criminosas, que é o caso de quase a totalidade dos crimes de lavagem de dinheiro 
(pela sua complexidade), requerem técnicas especiais de investigação para apuração 
de sua materialidade e para identificar o maior número possível de autores.Portanto, é viável que o juiz determine, com base na referida lei, a quebra do 
sigilo das informações dos criminosos para buscar dados telefônicos (conta telefônica 
29 
 
 
do autor identificando as chamadas e mensagens efetuadas e recebidas), 
documentos (qualquer documento oficial que comprove os crimes, tipo notas fiscais, 
contratos sociais, estatutos, entre outros), informações fiscais (imposto de renda, 
informações junto ao Fisco), bancárias (dados referentes as contas bancárias, como 
aplicações financeiras, saldos, extratos, entre outros) e eleitorais (informações 
mantidas no cadastro dos tribunais eleitorais, tais como endereço, telefone). 
Dessa forma, a quebra dos sigilos é um instrumento útil à atividade de 
investigação policial nos crimes de lavagem de dinheiro, mediante autorização judicial, 
preservando os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal que, segundo 
o Supremo Tribunal Federal, não são absolutos e podem ser restringidos em favor da 
coletividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
 
CONCLUSÃO 
Diante do exposto, fica evidente que a quantidade de crimes de lavagem de 
dinheiro aumenta exponencialmente, devido principalmente à globalização e às 
inovações tecnológicas, em especial na área de comunicação. Adicionalmente, 
constata-se que esse tipo de crime se encontra estreitamente vinculado à 
criminalidade organizada, pois, em grande número de casos, seu cometimento requer 
uma estrutura complexa e bem orquestrada. 
A consequência dessa organização e profissionalização da organização 
delituosa é que os métodos de lavagem de dinheiro mudam rapidamente e são cada 
vez mais difíceis de serem desvendados. 
As atividades delitivas de lavagem de dinheiro acabam participando da vida 
econômica do país por meio de operações financeiras e da constituição de empresas 
destinadas a receber fluxo de dinheiro “sujo”. 
É imperioso o combate incessante a este tipo de crime, devido aos efeitos 
devastadores provocados pela sua prática na economia e no desenvolvimento 
nacional. O fluxo de dinheiro movimentado por meio do processo de lavagem de 
dinheiro é tão grande que pode afetar taxas de câmbio de países, forçar mudanças 
em taxas de juros, criar bolhas de valorização de ativos e até mesmo derrubar 
sistemas bancários. 
Como surgem novas formas de “lavar” dinheiro constantemente, é necessária a 
especialização das organizações policiais e das técnicas de investigação, uma vez 
que somente a edição de novas leis penais não é suficiente para deter essa prática 
delitiva. 
 
 
31 
 
 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n° 9.034, de 03 de maio de 1995. Dispõe sobre a utilização de 
meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por 
organizações criminosas. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 
25 set. 2015. 
BRASIL. Lei n° 9.613, de 03 de março de 1998. Dispõe sobre os crimes de 
“lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do 
sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de 
Atividades Financeiras – COAF, e dá outras providências. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 25 set. 2015. 
BRASIL. Lei n° 12.683, de 09 de julho de 2012. Altera a Lei no 9.613, de 03 de 
março de 1998, para tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem 
de dinheiro. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 25 set. 2015. 
CASTELLAR, João Carlos. Lavagem de dinheiro: a questão do bem jurídico. 
Rio de Janeiro, Revan, 2004. Tese de mestrado. 
FRANCO, Alberto Silva. “Crimes Hediondos.” São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 1992. 
LILLEY, Peter. Lavagem de dinheiro: negócios ilícitos transformados em 
atividades legais. São Paulo, Editora Futura, 2001. 
MATAIS, Andreza e FABRINI, Fábio. Corrupção turbina indústria bilionária de 
lavagem de dinheiro no País. Estadão, São Paulo, em 04 de julho de 2015. 
MENDRONI, Marcelo Batlouni. Tópicos essenciais de lavagem de dinheiro. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, maio 2001, in Castellar, João Carlos. 
______. Lavagem de Dinheiro – a questão do bem jurídico. Rio de Janeiro: 
Revan, 2004. 
NAÍM, Moisés. Ilícito: o ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do 
tráfico à economia global. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 2006. 
32 
 
 
PEREIRA, Flávio Cardoso. “Limites Constitucionais da Investigação”. São 
Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2009. 
SILVA, Cesar Antonio. “Lavagem de dinheiro, uma nova perspectiva 
penal”. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2001. 
VILARDI, Celso Sanchez. “O crime de lavagem de dinheiro e o início de sua 
execução.” Revista Brasileira de Ciências Criminais. Revista dos Tribunais. São 
Paulo, 2004. 
 
33

Mais conteúdos dessa disciplina