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11 disposto no art. 34 da Lei no 4.595, de 31 de dezembro de 1964: (Redação dada pela Lei nº 13.506, de 2017) Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: I - Em nome próprio, como controlador ou na condição de administrador da sociedade, conceder ou receber adiantamento de honorários, remuneração, salário ou qualquer outro pagamento, nas condições referidas neste artigo; II - De forma disfarçada, promover a distribuição ou receber lucros de instituição financeira. Art. 18. Violar sigilo de operação ou de serviço prestado por instituição financeira ou integrante do sistema de distribuição de títulos mobiliários de que tenha conhecimento, em razão de ofício: Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 19. Obter, mediante fraude, financiamento em instituição financeira: Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é cometido em detrimento de instituição financeira oficial ou por ela credenciada para o repasse de financiamento. Art. 20. Aplicar, em finalidade diversa da prevista em lei ou contrato, recursos provenientes de financiamento concedido por instituição financeira oficial ou por instituição credenciada para repassá-lo: Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Art. 21. Atribuir-se, ou atribuir a terceiro, falsa identidade, para realização de operação de câmbio: Pena - Detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4595.htm#art34 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13506.htm#art51 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13506.htm#art51 12 Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, para o mesmo fim, sonega informação que devia prestar ou presta informação falsa. Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País: Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente. Art. 23. Omitir, retardar ou praticar, o funcionário público, contra disposição expressa de lei, ato de ofício necessário ao regular funcionamento do sistema financeiro nacional, bem como a preservação dos interesses e valores da ordem econômico-financeira: Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. DA APLICAÇÃO E DO PROCEDIMENTO CRIMINAL Art. 25. São penalmente responsáveis, nos termos desta lei, o controlador e os administradores de instituição financeira, assim considerados os diretores, gerentes (Vetado). § 1º Equiparam-se aos administradores de instituição financeira (Vetado) o interventor, o liqüidante ou o síndico. § 2º Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou co- autoria, o co-autor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Art. 26. A ação penal, nos crimes previstos nesta lei, será promovida pelo Ministério Público Federal, perante a Justiça Federal. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9080.htm#art1 13 Parágrafo único. Sem prejuízo do disposto no art. 268 do Código de Processo Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, será admitida a assistência da Comissão de Valores Mobiliários - CVM, quando o crime tiver sido praticado no âmbito de atividade sujeita à disciplina e à fiscalização dessa Autarquia, e do Banco Central do Brasil quando, fora daquela hipótese, houver sido cometido na órbita de atividade sujeita à sua disciplina e fiscalização. Art. 27. Quando a denúncia não for intentada no prazo legal, o ofendido poderá representar ao Procurador-Geral da República, para que este a ofereça, designe outro órgão do Ministério Público para oferecê-la ou determine o arquivamento das peças de informação recebidas. Art. 28. Quando, no exercício de suas atribuições legais, o Banco Central do Brasil ou a Comissão de Valores Mobiliários - CVM, verificar a ocorrência de crime previsto nesta lei, disso deverá informar ao Ministério Público Federal, enviando-lhe os documentos necessários à comprovação do fato. Parágrafo único. A conduta de que trata este artigo será observada pelo interventor, liqüidante ou síndico que, no curso de intervenção, liqüidação extrajudicial ou falência, verificar a ocorrência de crime de que trata esta lei. Art. 29. O órgão do Ministério Público Federal, sempre que julgar necessário, poderá requisitar, a qualquer autoridade, informação, documento ou diligência, relativa à prova dos crimes previstos nesta lei. Parágrafo único O sigilo dos serviços e operações financeiras não pode ser invocado como óbice ao atendimento da requisição prevista no caput deste artigo. Art. 30. Sem prejuízo do disposto no art. 312 do Código de Processo Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, a prisão preventiva do acusado da prática de crime previsto nesta lei poderá ser decretada em razão da magnitude da lesão causada (Vetado). Art. 31. Nos crimes previstos nesta lei e punidos com pena de reclusão, o réu não poderá prestar fiança, nem apelar antes de ser recolhido à prisão, ainda que 14 primário e de bons antecedentes, se estiver configurada situação que autoriza a prisão preventiva. Art. 33. Na fixação da pena de multa relativa aos crimes previstos nesta lei, o limite a que se refere o § 1º do art. 49 do Código Penal, aprovado pelo Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de.1940, pode ser estendido até o décuplo, se verificada a situação nele cogitada. Art. 34. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 35. Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 16 de junho de 1986; 165º da Independência 98º da República. 4. PRINCIPAIS CRIMES FINANCEIROS NO BRASIL São vários os delitos contra o sistema financeiro previstos na legislação citada. Porém, alguns deles são de prática comum no Brasil. Entenda quais são os principais crimes financeiros cometidos no país. Lavagem de dinheiro A lavagem de dinheiro talvez seja um dos crimes contra o sistema financeiro mais conhecido, tanto pelos profissionais do Direito, quanto pela população em geral. Tal se deve à sua constante divulgação nos meios de comunicação. A sua regulamentação se dá pela Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998. Conforme o art. 1º da mencionada lei, “lavar dinheiro” significa “ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. Logo, trata-se da prática de disfarçar a origem de recursos ilícitos. Isso geralmente é feito por meio de abertura de empresas de fachada, compra e venda de imóveis por valores diferentes dos praticados no mercado, obtenção de empréstimos etc. A pena para esse crime é de reclusão, de três a dez anos, e multa. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art49%C2%A71 15 Falsificação de moeda, título ou valor mobiliário Outra prática bastante comum e que prejudica o sistema financeiro nacional é a falsificação de moeda, título ou valor mobiliário. No entanto, trata-sede crimes distintos, previstos também em normas distintas. No primeiro caso, fala-se em crime de moeda falsa, previsto no art. 289 do Código Penal, que assim o define: “falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro”. A pena prevista para a forma simples é de reclusão, de três a doze anos. Já nos segundo e terceiro caso, a legislação pertinente à falsificação de título ou valor mobiliário é a já mencionada Lei nº 7.492. A norma trata do crime no art. 2º: “imprimir, reproduzir ou, de qualquer modo, fabricar ou pôr em circulação, sem autorização escrita da sociedade emissora, certificado, cautela ou outro documento representativo de título ou valor mobiliário”. A punição para tais atos é de reclusão, de dois a oito anos, e multa. Divulgação de informação falsa ou incompleta A conduta de divulgar informação falsa ou prejudicialmente incompleta a respeito de instituição financeira é considerada crime financeiro, nos termos do art. 3º da Lei 7.492. Fato é que a propagação de “boatos” que desfavoreçam a imagem de um agente econômico pode interferir na concorrência de forma artificial, prejudicando o sistema financeiro nacional. Qualquer pessoa pode ser agente desse delito. Ainda, diante da sua prática, a punição aplicável ao caso é de reclusão, que pode ser de dois a seis anos, somada à aplicação de uma multa. Gestão fraudulenta O art. 4º da Lei 7.492 assim dispõe a respeito da gestão fraudulenta: Art. 4º Gerir fraudulentamente instituição financeira: Pena – Reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e multa. 16 Passível de prática por administradores de empresas, o crime consiste, então, em atos de administração que têm como finalidade a obtenção de vantagem indevida para si ou para outrem em prejuízo alheio. O agente, por meio de fraudes e manobras ardilosas, emprega atos que levam outros administradores ao erro. Como exemplo, podemos citar condutas como: modificação de resultados financeiros por meio de operações simuladas, divulgação de informações inverídicas para atrair investidores, desvio de ativos da empresa em benefício próprio ou de outra pessoa etc. Todas elas revelam um uso desonesto da sociedade para fins ilícitos. No entanto, o parágrafo único da mesma norma traz o crime de gestão temerária, punida com pena de reclusão, de dois a oito anos, e multa. Este, por sua vez, não abrange a análise da conduta ética do agente, mas tão somente o desvio de legalidade, a inobservância do dever de cuidado por parte do administrador. O que mudou com o novo Código Penal? O Direito, por ser uma ciência social, deve acompanhar as dinâmicas da sociedade e se adequar a elas, por meio de políticas públicas e, ainda, pela edição de leis novas. Porém, como manter uma legislação condizente com os novos tempos, tendo um Código Penal de 1940? O PLS nº 236/2012, o chamado “Novo Código Penal”, buscou atingir esse objetivo. A principal vantagem trazida pela nova norma penal é a consolidação de diversas normas que foram criadas esparsamente com o fim de suprir a desatualização do antigo Código. Aqui, inclui-se a Lei nº 7.492. Dessas formas, suas mudanças também abrangeram tipos e penas a respeito dos crimes financeiros. Como exemplo, pode-se citar o delito de gestão fraudulenta, cuja descrição, apesar de semelhante à anterior, passou a ser mais específica, trazendo maior segurança jurídica. Ademais, a sua pena ganhou um escalonamento de acordo com a lesividade da conduta praticada pelo agente. Como se pode observar, não apenas em razão de os holofotes estarem voltados para os crimes financeiros, mas também por sua importância jurídica, esses delitos merecem a atenção do advogado criminalista que almeja ter sucesso 17 na carreira. Por isso, é tão necessário compreender o conceito e quais são os delitos contra o sistema financeiro mais praticados no Brasil. E, mais do que isso, diante de tantas inovações trazidas pelo Novo Código Penal com o fito de aprimorar o tratamento do tema, é fundamental que os profissionais do Direito dominem, também, as novas previsões legislativas. Afinal, é preciso ressaltar que um bom advogado deve, sim, deter muito conhecimento sobre sua área de atuação, mas também estar sempre se atualizando com o que há de mais recente no mundo jurídico para garantir o melhor serviço ao seu cliente. 5. INESTIGAÇÕES E PREVENÇÕES AOS DELITOS FINANCEIROS O Brasil é membro do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), organização intergovernamental cuja finalidade é o desenvolvimento de uma estratégia global de prevenção e combate à lavagem de dinheiro, à corrupção e ao financiamento do terrorismo (PCLD). O país também é signatário de diversas Convenções Internacionais, no âmbito das quais assumiu o compromisso de prevenir e combater estas atividades delituosas. O GAFI, além de outros organismos internacionais que tratam do tema, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização Mundial das Aduanas (OMA), consideram como meios mais utilizados de movimentação financeira para lavagem de dinheiro (LD): Sistemas financeiros, regulares e alternativos; Operações no comércio internacional (importação e exportação); Transações envolvendo a prestação de serviços; Transporte transfronteiriço de moeda e de outros instrumentos negociáveis ao portador. Para tais organismos, os ilícitos tributários e aduaneiros, a lavagem de dinheiro e demais crimes financeiros são delitos que ameaçam os interesses 18 estratégicos, políticos e econômicos de diversas nações, podendo privar o Estado dos recursos financeiros necessários a seu desenvolvimento de forma sustentável e abalando a confiança dos cidadãos na capacidade de seus dirigentes promoverem a justiça fiscal. Avaliam ainda que tais atividades delituosas possuem características variadas e peculiares que são constantemente aperfeiçoadas e exploradas em novas oportunidades de ganhos ilícitos, o que as coloca muitas vezes um passo à frente das medidas legislativas para combatê-las. Assim, entendem ser essencial encontrar formas mais eficazes de reprimi-las, principalmente em tempos de crise econômica, quando perdas de receita penalizam o Estado, empresas e particulares. Neste contexto, OCDE, GAFI e OMA, dentre outras organizações e especialistas que tratam do tema, consideram que as autoridades tributárias e aduaneiras têm papel primordial na identificação dos meios mais comuns de movimentação financeira para lavagem de dinheiro, principalmente em função de possuírem ampla gama de atribuições e de instrumentos operacionais em seus campos de atuação. Esta visão impõe destacada responsabilidade à Receita Federal do Brasil (RFB), um dos órgãos brasileiros de fiscalização e controle que compõem o sistema nacional de PCLD, principalmente no que se refere à criação de mecanismos preventivos, ao gerenciamento de riscos e de dados estatísticos e ao aperfeiçoamento de instrumentos de comunicação de indícios dos ilícitos em questão a outras autoridades do sistema. O papel da RFB ganha destaque ainda com o disposto na Lei nacional de lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98, com nova redação dada pela Lei nº 12.683/2012), que elenca qualquer infração penal, o que conceitualmente inclui ilícitos tributários e aduaneiros, dentre as ações antecedentes que podem ocasionar, em tese, a prática de crimes de lavagem de dinheiro. A relevância atribuída pela RFB a este complexo fenômeno é traduzida em seu Regimento Interno, que estabelece a repressão ao crime de lavagem de dinheiro como uma de suas finalidades (art. 1º, inciso XX). Neste dispositivo, a Receita Federal institucionaliza o emprego de sua ampla estrutura administrativa, operacional, base 19 de dados e recursos tecnológicos, ativos precipuamente direcionados para o combatede ilícitos tributários e aduaneiros, igualmente para o combate à lavagem de dinheiro. No campo operacional, a relevância dada pela RFB à matéria se reflete no desenvolvimento de investigações em cooperação técnica com outros órgãos (relações institucionais com o DPF, MPF e Poder Judiciário, por exemplo), com o objetivo de desarticular organizações criminosas que, por meio da lavagem de dinheiro, tentam dar aparência legal a recursos provenientes de diversas atividades ilícitas. Dadas as características e dimensão do problema, observa-se que a RFB desempenha atualmente relevante missão institucional no esforço do Estado para identificar e combater organizações que, de forma organizada, praticam o crime de lavagem de dinheiro, cujas características, abrangência e amplitude têm merecido atenção e iniciativas de diversas nações. O especialista em Direito Constitucional e representante da Controladoria- Geral da União (CGU), Flávio Rezende Dematté, falou sobre a Lei 12.846/13, também conhecida como Lei Anticorrupção. O especialista inicia seu discurso declarando que “a parceria CGU e Polícia Federal no combate à corrupção é uma das de maiores sucesso dentro da organização estatal brasileira”. Segundo ele, as duas instituições apresentaram resultados bastantes significativos no que diz respeito à luta contra desvio de dinheiro público. Só em 2013, as operações da Polícia Federal relacionadas ao desvio de recursos federais suplantaram as operações ligadas ao tráfico de drogas. E a CGU vem atuando, na esfera disciplinar e na esfera de responsabilização de empresas. Do total de penalidades aplicadas pelo CGU, em 11 anos de atuação, cerca de 68% são ligadas à corrupção. Em média, um servidor público foi punido por dia por alguma infração. No âmbito das pessoas jurídicas, não é diferente. Empresas sofreram penalidades pela descoberta de fraudes e todas as punições partiram de operações com a PF. 20 Agora, um novo instrumento chega na luta contra a corrupção: a Lei 12.846/13. Dematté explica que essa lei se fundamenta em três eixos normativos: prioridade na responsabilização de pessoa jurídica, foco no viés econômico da corrupção e mudança na forma de combater a corrupção. “Estado e setor privado devem atuar juntos no combate à corrupção”, declara o representante da CGU. Segundo ele, a lei é de esfera administrativa e civil, não penal, mas vai multar empresas em que forem descobertas fraudes. O juiz federal, Walter Nunes da Silva Junior, abordou a questão da delação premiada no contexto da Lei 12.850/13. A delação acontece quando os integrantes das organizações criminosas se arrependem e colaboram com o Estado. O grande problema neste tipo de acordo era que não havia uma lei que regulamentasse o ato. A legislação apenas concebia diminuição da pena, ou o perdão judicial, mas não existia nada disciplinando como se deveria proceder na ação. Entre as novidades trazidas com a Lei 12.850/13, estão o perdão judicial, a redução de até terços da pena, a substituição de pena por restritiva de direitos, e até mesmo a possibilidade de o Ministério Público não oferecer a denúncia. Um aspecto importante da lei é que o juiz não pode participar da negociação entre as partes. Esta deve ser feita entre o delegado de polícia ou o Ministério Público e o investigado. A Lei 12.850/13 classifica a colaboração como meio de prova, elemento informativo e meio de defesa. A legitimidade da proposta tem sido discutida. A respeito da questão, o juiz afirma não ver nenhuma inconstitucionalidade. “O primeiro contato deve ser feito entre o delegado e o agente do crime, no entanto, não é saudável que o delegado conduza toda questão adiante sem o conhecimento do Ministério Público”, explica. O tema lavagem de dinheiro foi apresentado por Isalino Antônio Giacomet Junior, delegado de polícia federal atuando na Delegacia de Retenção a Crimes Financeiros e Desvio de Recursos Públicos e coordenador-geral de Recuperação de 21 Ativos do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), O delegado federal explica que lavagem de dinheiro é a conduta em que o criminoso tenta afastar o dinheiro que ele obteve de maneira ilícita dando-lhe aparência de licitude. O tipo é classificado como crime acessório, ou seja, que decorre de um crime antecedente, mas também é um crime autônomo e pode ser investigado, desde que haja indícios do crime antecedente. Em aspectos práticos, a autoridade policial vai ter que determinar a autoria e a materialidade delitiva e, muitas vezes, vai ter que fazer uma investigação patrimonial sobre o alvo investigado. “Há quem diga que crimes financeiros não devem ser classificados como crimes, por não serem tão comuns como os crimes que escutamos todos os dias. Mas a criminalidade econômica existe e precisa ser combatida”, declarou o delegado. O delegado conclui reafirmando a importância do enfoque patrimonial no caso da ação. “Nós, da Polícia Federal, devemos pensar em mecanismos de investigação da lavagem de dinheiro, pois essa é a nossa meta. A parceria com órgãos como a CGU e bancos financeiros são ótimos facilitadores desse processo”, declarou. Para encerrar o primeiro painel do VI CNDPF, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira, falou dos avanços legislativos recentes no país. “O Brasil, na última década, tem adotado uma postura bastante rígida no combate ao crime organizado e à corrupção, e isso decorre de investimentos, de inovação normativa e da dedicação de servidores, principalmente dos que estão aqui presentes”, inicia o secretário. Ele citou os avanços legislativos dos últimos anos, como a lei de combate as organizações criminosas, lei de combate à corrupção, a lei que consolida o papel do delegado na condução da investigação criminal, a lei que criou banco de perfis 22 genéticos e base de dados que facilita o trabalho da perícia, a lei que tipificou os crimes informáticos, lei de combate à fraude em concursos públicos, a lei que cria indenização de fronteiras, entre outras. O secretário ressaltou que o diálogo é o principal instrumento para avançar ainda mais na legislação. Temos grandes desafios pela frente, mas é preciso que os atores tragam as demandas. O Congresso Nacional aberto às questões da sociedade que são sinônimo de democracia”, garante. Com efeito, diz o art. 129 da Constituição Federal que são funções do Ministério Público, dentre outras: “I – Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei.” “II - Zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia.” (grifo nosso). “VI - Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva.” (grifo nosso). “VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; “IX - Exercer outras funções que lhe sejam conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.” (idem). Efetivamente, a Lei n.º 8.625/93 (Lei Orgânica da Instituição), no seu art. 26, dispõe caber ao Ministério Público (os grifos são nossos): “I - Instaurar inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos pertinentes e, para instruí-los: (omissis);” 23 “II - Requisitar informações e documentos a entidades privadas, para instruir procedimentos ou processo em que oficie;” “V - Praticar atos administrativos executórios, de caráter preparatório;”Portanto, é viável que o juiz determine, com base na referida lei, a quebra do sigilo das informações dos criminosos para buscar dados telefônicos (conta telefônica 29 do autor identificando as chamadas e mensagens efetuadas e recebidas), documentos (qualquer documento oficial que comprove os crimes, tipo notas fiscais, contratos sociais, estatutos, entre outros), informações fiscais (imposto de renda, informações junto ao Fisco), bancárias (dados referentes as contas bancárias, como aplicações financeiras, saldos, extratos, entre outros) e eleitorais (informações mantidas no cadastro dos tribunais eleitorais, tais como endereço, telefone). Dessa forma, a quebra dos sigilos é um instrumento útil à atividade de investigação policial nos crimes de lavagem de dinheiro, mediante autorização judicial, preservando os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal que, segundo o Supremo Tribunal Federal, não são absolutos e podem ser restringidos em favor da coletividade. 30 CONCLUSÃO Diante do exposto, fica evidente que a quantidade de crimes de lavagem de dinheiro aumenta exponencialmente, devido principalmente à globalização e às inovações tecnológicas, em especial na área de comunicação. Adicionalmente, constata-se que esse tipo de crime se encontra estreitamente vinculado à criminalidade organizada, pois, em grande número de casos, seu cometimento requer uma estrutura complexa e bem orquestrada. A consequência dessa organização e profissionalização da organização delituosa é que os métodos de lavagem de dinheiro mudam rapidamente e são cada vez mais difíceis de serem desvendados. As atividades delitivas de lavagem de dinheiro acabam participando da vida econômica do país por meio de operações financeiras e da constituição de empresas destinadas a receber fluxo de dinheiro “sujo”. É imperioso o combate incessante a este tipo de crime, devido aos efeitos devastadores provocados pela sua prática na economia e no desenvolvimento nacional. O fluxo de dinheiro movimentado por meio do processo de lavagem de dinheiro é tão grande que pode afetar taxas de câmbio de países, forçar mudanças em taxas de juros, criar bolhas de valorização de ativos e até mesmo derrubar sistemas bancários. Como surgem novas formas de “lavar” dinheiro constantemente, é necessária a especialização das organizações policiais e das técnicas de investigação, uma vez que somente a edição de novas leis penais não é suficiente para deter essa prática delitiva. 31 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n° 9.034, de 03 de maio de 1995. Dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2015. BRASIL. Lei n° 9.613, de 03 de março de 1998. Dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2015. BRASIL. Lei n° 12.683, de 09 de julho de 2012. Altera a Lei no 9.613, de 03 de março de 1998, para tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2015. CASTELLAR, João Carlos. Lavagem de dinheiro: a questão do bem jurídico. Rio de Janeiro, Revan, 2004. Tese de mestrado. FRANCO, Alberto Silva. “Crimes Hediondos.” São Paulo: Revista dos Tribunais, 1992. LILLEY, Peter. Lavagem de dinheiro: negócios ilícitos transformados em atividades legais. São Paulo, Editora Futura, 2001. MATAIS, Andreza e FABRINI, Fábio. Corrupção turbina indústria bilionária de lavagem de dinheiro no País. Estadão, São Paulo, em 04 de julho de 2015. MENDRONI, Marcelo Batlouni. Tópicos essenciais de lavagem de dinheiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, maio 2001, in Castellar, João Carlos. ______. Lavagem de Dinheiro – a questão do bem jurídico. Rio de Janeiro: Revan, 2004. NAÍM, Moisés. Ilícito: o ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do tráfico à economia global. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 2006. 32 PEREIRA, Flávio Cardoso. “Limites Constitucionais da Investigação”. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2009. SILVA, Cesar Antonio. “Lavagem de dinheiro, uma nova perspectiva penal”. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2001. VILARDI, Celso Sanchez. “O crime de lavagem de dinheiro e o início de sua execução.” Revista Brasileira de Ciências Criminais. Revista dos Tribunais. São Paulo, 2004. 33de ilícitos tributários e aduaneiros, igualmente para o combate à lavagem de dinheiro. No campo operacional, a relevância dada pela RFB à matéria se reflete no desenvolvimento de investigações em cooperação técnica com outros órgãos (relações institucionais com o DPF, MPF e Poder Judiciário, por exemplo), com o objetivo de desarticular organizações criminosas que, por meio da lavagem de dinheiro, tentam dar aparência legal a recursos provenientes de diversas atividades ilícitas. Dadas as características e dimensão do problema, observa-se que a RFB desempenha atualmente relevante missão institucional no esforço do Estado para identificar e combater organizações que, de forma organizada, praticam o crime de lavagem de dinheiro, cujas características, abrangência e amplitude têm merecido atenção e iniciativas de diversas nações. O especialista em Direito Constitucional e representante da Controladoria- Geral da União (CGU), Flávio Rezende Dematté, falou sobre a Lei 12.846/13, também conhecida como Lei Anticorrupção. O especialista inicia seu discurso declarando que “a parceria CGU e Polícia Federal no combate à corrupção é uma das de maiores sucesso dentro da organização estatal brasileira”. Segundo ele, as duas instituições apresentaram resultados bastantes significativos no que diz respeito à luta contra desvio de dinheiro público. Só em 2013, as operações da Polícia Federal relacionadas ao desvio de recursos federais suplantaram as operações ligadas ao tráfico de drogas. E a CGU vem atuando, na esfera disciplinar e na esfera de responsabilização de empresas. Do total de penalidades aplicadas pelo CGU, em 11 anos de atuação, cerca de 68% são ligadas à corrupção. Em média, um servidor público foi punido por dia por alguma infração. No âmbito das pessoas jurídicas, não é diferente. Empresas sofreram penalidades pela descoberta de fraudes e todas as punições partiram de operações com a PF. 20 Agora, um novo instrumento chega na luta contra a corrupção: a Lei 12.846/13. Dematté explica que essa lei se fundamenta em três eixos normativos: prioridade na responsabilização de pessoa jurídica, foco no viés econômico da corrupção e mudança na forma de combater a corrupção. “Estado e setor privado devem atuar juntos no combate à corrupção”, declara o representante da CGU. Segundo ele, a lei é de esfera administrativa e civil, não penal, mas vai multar empresas em que forem descobertas fraudes. O juiz federal, Walter Nunes da Silva Junior, abordou a questão da delação premiada no contexto da Lei 12.850/13. A delação acontece quando os integrantes das organizações criminosas se arrependem e colaboram com o Estado. O grande problema neste tipo de acordo era que não havia uma lei que regulamentasse o ato. A legislação apenas concebia diminuição da pena, ou o perdão judicial, mas não existia nada disciplinando como se deveria proceder na ação. Entre as novidades trazidas com a Lei 12.850/13, estão o perdão judicial, a redução de até terços da pena, a substituição de pena por restritiva de direitos, e até mesmo a possibilidade de o Ministério Público não oferecer a denúncia. Um aspecto importante da lei é que o juiz não pode participar da negociação entre as partes. Esta deve ser feita entre o delegado de polícia ou o Ministério Público e o investigado. A Lei 12.850/13 classifica a colaboração como meio de prova, elemento informativo e meio de defesa. A legitimidade da proposta tem sido discutida. A respeito da questão, o juiz afirma não ver nenhuma inconstitucionalidade. “O primeiro contato deve ser feito entre o delegado e o agente do crime, no entanto, não é saudável que o delegado conduza toda questão adiante sem o conhecimento do Ministério Público”, explica. O tema lavagem de dinheiro foi apresentado por Isalino Antônio Giacomet Junior, delegado de polícia federal atuando na Delegacia de Retenção a Crimes Financeiros e Desvio de Recursos Públicos e coordenador-geral de Recuperação de 21 Ativos do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), O delegado federal explica que lavagem de dinheiro é a conduta em que o criminoso tenta afastar o dinheiro que ele obteve de maneira ilícita dando-lhe aparência de licitude. O tipo é classificado como crime acessório, ou seja, que decorre de um crime antecedente, mas também é um crime autônomo e pode ser investigado, desde que haja indícios do crime antecedente. Em aspectos práticos, a autoridade policial vai ter que determinar a autoria e a materialidade delitiva e, muitas vezes, vai ter que fazer uma investigação patrimonial sobre o alvo investigado. “Há quem diga que crimes financeiros não devem ser classificados como crimes, por não serem tão comuns como os crimes que escutamos todos os dias. Mas a criminalidade econômica existe e precisa ser combatida”, declarou o delegado. O delegado conclui reafirmando a importância do enfoque patrimonial no caso da ação. “Nós, da Polícia Federal, devemos pensar em mecanismos de investigação da lavagem de dinheiro, pois essa é a nossa meta. A parceria com órgãos como a CGU e bancos financeiros são ótimos facilitadores desse processo”, declarou. Para encerrar o primeiro painel do VI CNDPF, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo de Castro Pereira, falou dos avanços legislativos recentes no país. “O Brasil, na última década, tem adotado uma postura bastante rígida no combate ao crime organizado e à corrupção, e isso decorre de investimentos, de inovação normativa e da dedicação de servidores, principalmente dos que estão aqui presentes”, inicia o secretário. Ele citou os avanços legislativos dos últimos anos, como a lei de combate as organizações criminosas, lei de combate à corrupção, a lei que consolida o papel do delegado na condução da investigação criminal, a lei que criou banco de perfis 22 genéticos e base de dados que facilita o trabalho da perícia, a lei que tipificou os crimes informáticos, lei de combate à fraude em concursos públicos, a lei que cria indenização de fronteiras, entre outras. O secretário ressaltou que o diálogo é o principal instrumento para avançar ainda mais na legislação. Temos grandes desafios pela frente, mas é preciso que os atores tragam as demandas. O Congresso Nacional aberto às questões da sociedade que são sinônimo de democracia”, garante. Com efeito, diz o art. 129 da Constituição Federal que são funções do Ministério Público, dentre outras: “I – Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei.” “II - Zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia.” (grifo nosso). “VI - Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva.” (grifo nosso). “VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; “IX - Exercer outras funções que lhe sejam conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.” (idem). Efetivamente, a Lei n.º 8.625/93 (Lei Orgânica da Instituição), no seu art. 26, dispõe caber ao Ministério Público (os grifos são nossos): “I - Instaurar inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos pertinentes e, para instruí-los: (omissis);” 23 “II - Requisitar informações e documentos a entidades privadas, para instruir procedimentos ou processo em que oficie;” “V - Praticar atos administrativos executórios, de caráter preparatório;”24 Figura 1; Mapas mentais, 2020 25 6. MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO Os órgãos responsáveis pela investigação dos crimes de lavagem de dinheiro devem ser bastante especializados, devido ao alto grau de dificuldade na investigação desse tipo de delito. Com o objetivo de maximizar a elucidação dos crimes de lavagem de dinheiro, o Brasil vem autorizando e desenvolvendo técnicas e mecanismos especiais de investigação criminal para esta modalidade. Para a investigação desta modalidade criminosa, utilizam-se poderosos meios de investigação como a ação controlada, a delação premiada, a quebra de sigilo telefônico e bancário, entre outros. Além disso, diversos órgãos governamentais e privados auxiliam a polícia judiciária na identificação dos autores e na prova da materialidade desse tipo de crime. A seguir, serão analisadas as mais importantes formas de investigação policial dos crimes de lavagem de dinheiro, a saber: Infiltração Policial e Ação Controlada A ação controlada é uma técnica de investigação policial também conhecida como Flagrante Retardado, Prorrogado ou Diferido, e foi inserida no ordenamento jurídico por meio do artigo 2º da Lei Federal 9.034/95, lei de combate ao Crime Organizado, conforme segue: “Artigo 2º Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: (…) II – a ação controlada, que consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por organizações criminosas ou a ela vinculados, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações.“ Essa técnica consiste no retardamento da atuação policial no momento da repressão a um flagrante delito, com o intuito de aguardar o momento mais propício 26 para a intervenção e a prisão de criminosos. Diz-se flagrante retardado, pois o flagrante não ocorre no momento da execução de um crime, esperando o melhor momento para atuação com o objetivo de prender uma maior quantidade de pessoas, além de conseguir apreender e recuperar uma maior quantidade de ativos que foram “lavados”. No artigo 4º-B da Lei 12.638/2012, que dispõe sobre os crimes de lavagem de dinheiro, no seu caput, tem-se a seguinte redação: “Artigo 4º-B. – A ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de bens, direitos e valores, poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a execução imediata possa comprometer as investigações.” Dessa forma, a legislação dos crimes de lavagem de dinheiro informa que os agentes policiais podem permitir que bens de origem ilícita ou suspeita sejam introduzidos ou saiam do território nacional, com o conhecimento e sob a supervisão das autoridades competentes, com o objetivo de identificar as pessoas envolvidas com o cometimento de delitos sob investigação, no país de origem, de trânsito ou de destino. Esse procedimento policial nos crimes de lavagem de dinheiro normalmente é executado quando há um agente infiltrado na organização criminosa, uma vez que a execução da lavagem de dinheiro ocorre principalmente por meios eletrônicos. A Infiltração Policial é uma técnica especial de investigação policial que consiste na infiltração de um agente da polícia em uma organização delitiva por meio da assunção de uma identidade fictícia, com o fim de obter evidências e informações relacionadas ao crime de lavagem de dinheiro. De acordo com Flávio Cardoso Pereira, vê-se que: “Hodiernamente, as infiltrações policiais possuem como alvo potencial o combate ao crescimento absurdo e sem limites da criminalidade organizada, a qual possui como característica principal o fato de que sua estrutura logística e seu modus operandi são mantidos em absoluto segredo por seus membros, dificultando, sobremaneira, a atuação das instituições policiais.” (PEREIRA, Flávio Cardoso, 2009) 27 É importante ressaltar que o agente policial infiltrado tem como missão primordial detectar a ocorrência de delitos e coletar dados para, no futuro, desarticular a organização criminosa. Assim, verifica-se que o agente infiltrado não recebe amparo legal para o cometimento de delitos, que só poderá ocorrer diante de alguma das excludentes de ilicitude, definidas no Código Penal Brasileiro. Colaboração Premiada O instituto da colaboração premiada refere-se ao oferecimento de benesses ou prêmios legais aos criminosos que auxiliarem os órgãos policiais através de informações relevantes prestadas sobre o fato delituoso. Essa colaboração difere do instituo da delação premiada, pois esta é uma espécie de colaboração na qual um terceiro é incriminado, ou seja, o acusado delata a existência da organização criminosa na qual atuava, possibilitando o seu desmantelamento. No artigo 1º da Lei 12.638/2012, que dispõe sobre os crimes de lavagem de dinheiro, em seu parágrafo 5º, tem-se a seguinte redação: “Artigo 1º […] § 5.º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.“ O autor Alberto Silva Franco conceitua a colaboração premiada como: “(…) Dá-se o prêmio punitivo por uma cooperação eficaz com a autoridade, pouco importando o móvel real do colaborador, de quem não se exige nenhuma postura moral, mas antes, uma atitude eticamente condenável. Na equação "custo- benefício", só se valora as vantagens que possam advir para o Estado com a cessação da atividade criminosa ou com a captura de outros delinquentes, e não se atribui relevância alguma aos reflexos que o custo possa representar a todo o sistema legal 28 enquanto construído com base na dignidade da pessoa humana”. (FRANCO, Alberto Silva, 1992) A colaboração premiada é um dispositivo importante, mas o criminoso deve cooperar de maneira voluntária e oportuna, e as informações prestadas devem ser necessárias ao desmantelamento da organização delitiva. O colaborador deve apresentar dados, nomes, datas, locais, relatórios ou quaisquer outros documentos comprobatórios que possam levar à apuração do delito de lavagem de dinheiro. Quebra de Sigilo Telefônico, Bancário, Financeiro e Eleitoral A quebra do sigilo telefônico, bancário, financeiro e eleitoral refere-se à obtenção desses dados pela polícia, com a finalidade de colher informações e provas a respeito da prática dos delitos sob investigação. A lei que dispõe sobre os crimes de lavagem de dinheiro não trouxe previsão legal para a quebra dos sigilos, mas tal previsão foi inserida no ordenamento jurídico por meio do artigo 2º da Lei Federal 9.034/95, lei de combate ao Crime Organizado, conforme segue: “Artigo 2º Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: (…) III – o acesso a dados, documentos e informações fiscais, bancárias, financeiras e eleitorais;” A Constituição Federal, no seu artigo 5º inciso X, assegura aos cidadãos o direito à intimidade e à vida privada, significando que o Estado não está autorizado a fiscalizar a vida da população. Entretanto, as infrações praticadas por organizações criminosas, que é o caso de quase a totalidade dos crimes de lavagem de dinheiro (pela sua complexidade), requerem técnicas especiais de investigação para apuração de sua materialidade e para identificar o maior número possível de autores.Portanto, é viável que o juiz determine, com base na referida lei, a quebra do sigilo das informações dos criminosos para buscar dados telefônicos (conta telefônica 29 do autor identificando as chamadas e mensagens efetuadas e recebidas), documentos (qualquer documento oficial que comprove os crimes, tipo notas fiscais, contratos sociais, estatutos, entre outros), informações fiscais (imposto de renda, informações junto ao Fisco), bancárias (dados referentes as contas bancárias, como aplicações financeiras, saldos, extratos, entre outros) e eleitorais (informações mantidas no cadastro dos tribunais eleitorais, tais como endereço, telefone). Dessa forma, a quebra dos sigilos é um instrumento útil à atividade de investigação policial nos crimes de lavagem de dinheiro, mediante autorização judicial, preservando os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal que, segundo o Supremo Tribunal Federal, não são absolutos e podem ser restringidos em favor da coletividade. 30 CONCLUSÃO Diante do exposto, fica evidente que a quantidade de crimes de lavagem de dinheiro aumenta exponencialmente, devido principalmente à globalização e às inovações tecnológicas, em especial na área de comunicação. Adicionalmente, constata-se que esse tipo de crime se encontra estreitamente vinculado à criminalidade organizada, pois, em grande número de casos, seu cometimento requer uma estrutura complexa e bem orquestrada. A consequência dessa organização e profissionalização da organização delituosa é que os métodos de lavagem de dinheiro mudam rapidamente e são cada vez mais difíceis de serem desvendados. As atividades delitivas de lavagem de dinheiro acabam participando da vida econômica do país por meio de operações financeiras e da constituição de empresas destinadas a receber fluxo de dinheiro “sujo”. É imperioso o combate incessante a este tipo de crime, devido aos efeitos devastadores provocados pela sua prática na economia e no desenvolvimento nacional. O fluxo de dinheiro movimentado por meio do processo de lavagem de dinheiro é tão grande que pode afetar taxas de câmbio de países, forçar mudanças em taxas de juros, criar bolhas de valorização de ativos e até mesmo derrubar sistemas bancários. Como surgem novas formas de “lavar” dinheiro constantemente, é necessária a especialização das organizações policiais e das técnicas de investigação, uma vez que somente a edição de novas leis penais não é suficiente para deter essa prática delitiva. 31 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n° 9.034, de 03 de maio de 1995. Dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 25 set. 2015. BRASIL. Lei n° 9.613, de 03 de março de 1998. Dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 25 set. 2015. BRASIL. Lei n° 12.683, de 09 de julho de 2012. Altera a Lei no 9.613, de 03 de março de 1998, para tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 25 set. 2015. CASTELLAR, João Carlos. Lavagem de dinheiro: a questão do bem jurídico. Rio de Janeiro, Revan, 2004. Tese de mestrado. 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