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LEI-DE-LAVAGEM-DE-CAPITAIS-2024

Sumário de material sobre lavagem de dinheiro contendo histórico internacional, terminologias, crime antecedente, alteração pela Lei nº 12.683/12, gerações da disciplina, bem jurídico protegido, autolavagem, lavagem em cadeia, teoria da avestruz, fases (colocação, ocultação, integração), acessoriedade, sujeitos e tipicidade objetiva.

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SUMÁRIO 
 
1. BREVE RELATO HISTÓRICO INTERNACIONAL ................................................................... 3 
2. TERMINOLOGIAS ........................................................................................................................... 5 
3. “LAVAGEM DE DINHEIRO OU LAVAGEM DE CAPITAIS” ................................................. 6 
3.1. CRIME ANTECEDENTE ............................................................................................................. 6 
3.2. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA – LEI Nº. 12.683/12 .................................................................... 7 
3.3. TRÊS GERAÇÕES DE DISCIPLINA INCRIMINADORA DA LAVAGEM DE DINHEIRO ... 8 
3.3.1. 1° GERAÇÃO ......................................................................................................................... 9 
3.3.2. 2º GERAÇÃO.......................................................................................................................... 9 
3.3.3. 3º GERAÇÃO.......................................................................................................................... 9 
3.4. BEM JURÍDICO PROTEGIDO .................................................................................................. 10 
3.4.1. 1ª CORRENTE - MESMO BEM JURÍDICO QUE A INFRAÇÃO ANTECEDENTE .......... 11 
3.4.2. 2ª CORRENTE - ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA ............................................................. 11 
3.4.3. 3ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO FINANCEIRA ...................................................... 11 
3.4.4. 4ª CORRENTE PLURALIDADE DE BEM JURÍDICO ....................................................... 11 
3.4.5. 5ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO FINANCEIRA DE FORMA IMEDIATA E A 
ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA DE UMA FORMA MEDIATA .................................................. 12 
3.5. INCRIMINAÇÃO DA CHAMADA “AUTOLAVAGEM” ........................................................ 12 
3.6. ADMISSIBILIDADE DA “LAVAGEM EM CADEIA” ............................................................ 14 
3.7. TEORIA DAS INSTRUÇÕES DO AVESTRUZ, CEGUEIRA INTENCIONAL OU 
CEGUEIRA DELIBERADA. ............................................................................................................ 15 
3.8. ETAPAS OU FASES DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS ........................................... 16 
3.8.1. DINHEIRO SUJO ................................................................................................................. 17 
3.8.1.1. 1º Fase: Colocação/Placement ....................................................................................... 17 
3.8.1.2. 2º Fase: Ocultação/Dissimulação .................................................................................. 17 
3.8.2. DINHEIRO APARENTEMENTE LIMPO ............................................................................ 17 
3.8.2.1.3° Fase: Integração/Integration ...................................................................................... 17 
3.9. ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS ................................................................ 19 
4. NOÇÕES GERAIS ........................................................................................................................... 21 
4.1. SUJEITOS DO DELITO ............................................................................................................. 21 
4.2. TIPICIDADE OBJETIVA ........................................................................................................... 21 
4.2.1. LEGISLAÇÃO ...................................................................................................................... 21 
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4.2.2. TIPO PENAL MISTO ALTERNATIVO ................................................................................ 22 
4.2.3. ADMISSIBILIDADE DA TENTATIVA ................................................................................. 23 
4.2.4. CAUSA DE AUMENTO DE PENA ...................................................................................... 23 
4.2.5. CAUSA DE REDUÇÃO DE PENA ...................................................................................... 24 
4.2.6. PACOTE ANTICRIME ......................................................................................................... 24 
4.3. TIPICIDADE SUBJETIVA ......................................................................................................... 25 
4.3.1. DOLO DIRETO E DOLO EVENTUAL ................................................................................ 25 
4.4. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA .............................................................................................. 26 
4.5. JUSTA CAUSA DUPLICADA ................................................................................................... 27 
4.6. AÇÃO PENAL ............................................................................................................................ 28 
4.7. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO CRIME DE LAVAGEM ................................... 28 
4.8. INAPLICABILIDADE DO ART. 366 DO CPP .......................................................................... 29 
4.9. INDICIAMENTO DE SERVIDOR PÚBLICO E AFASTAMENTO ......................................... 29 
4.10. EFEITOS DA CONDENAÇÃO ................................................................................................ 30 
5. COAF ................................................................................................................................................. 31 
6. MEDIDA ASSECURATÓRIA DE INDISPONIBILIDADE DE BENS ..................................... 32 
7. AÇÃO CONTROLADA .................................................................................................................. 33 
6.1. COLABORAÇÃO PREMIADA NA LAVAGEM DE CAPITAIS ............................................. 34 
8. PACOTE ANTICRIME: ALTERAÇÕES NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS – LEI N. 
9.613/1998 .............................................................................................................................................. 34 
9. JÁ CAIU CESPE .............................................................................................................................. 37 
10. INFORMATIVOS .......................................................................................................................... 42 
11. JURISPRUDÊNCIA EM TESES .................................................................................................. 47 
12. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? ....................................................................................................alexs
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ou por meio de ativo virtual
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Destacar
 
 
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do crime, compra imóvel em seu próprio nome, onde passa a residir, ou deposita o dinheiro em conta 
de sua titularidade. 
 
4.2.3. ADMISSIBILIDADE DA TENTATIVA 
§ 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal. 
 
4.2.4. CAUSA DE AUMENTO DE PENA 
 
A lei de lavagem de capitais contempla ao teor do seu artigo primeiro, parágrafo quarto, duas 
causas de aumento, a primeira corresponde ao fato do crime ser cometido de forma reiterada, a 
segunda, por sua vez, no caso de ter sido cometido por intermédio de organização criminosa. 
O quantum do aumento é de 1/3 a 2/3. Vejamos: 
§ 4º A pena será aumentada de um a dois terços (1/3 a 2/3), se os crimes definidos nesta Lei 
forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. 
 
a) Prática de forma reiterada; 
b) Praticado por intermédio de organização criminosa. 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? 
Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-AM Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - 
MPE-AM - Promotor de Justiça Substituto. 
 
Situação hipotética 1A12-I 
Em determinado estado brasileiro, uma investigação revelou um esquema criminoso que envolvia a 
competição futebolística estadual: Cavalcante, empresário no ramo do futebol, dono do time 
Tapauense, conseguia cooptar árbitros e jogadores de clubes de outros municípios para criar situações 
em momentos críticos durante as partidas, com o objetivo de manipular resultados. A promessa era de 
que, após os jogos, o empresário faria investimentos para ajudar os envolvidos a migrar para o 
mercado de futebol no Sudeste do país. 
Quanto à comissão de arbitragem, constatou-se que seu presidente simulava os sorteios com um 
assistente e, assim, conseguia indicar árbitros que se alinhavam ao esquema. Aos árbitros honestos 
eram destinados os mais distantes jogos e as piores condições de trabalho. Para os jogadores, a 
vantagem prometida ou a transferência em dinheiro nunca eram realizadas, ao passo que aos árbitros 
era pago o dinheiro mediante a sua contratação falsa como professores de treino de uma escolinha 
particular de futebol, que sequer existia. Everton respondia pela escolinha e era professor aposentado 
da secretaria de educação e desporto do estado. 
A investigação avançou devido à colaboração do jogador de futebol Kiko Jr., que havia participado do 
esquema por indicação de Alves, um dos árbitros. Segundo o próprio jogador, Alves combinara com 
ele a marcação de um pênalti resultante de falta provocada pelo zagueiro Kiko Jr. em determinado 
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momento da partida contra o Tapauense, o que foi feito. No entanto, como não fora atendido nas 
promessas feitas dentro do esquema, Kiko Jr. se revoltou e, então, procurou a polícia, revelando os 
fatos até então desconhecidos. 
 
Tendo como referência a situação hipotética 1A12-I e a legislação especial pertinente, assinale a opção 
correta. 
A. Não ficou caracterizada organização criminosa, por ausência do critério da pluralidade de infrações 
penais. 
B. Alves praticou crime contra o consumidor. 
C. Cavalcante deve ser imputado como autor mediato do crime relativo ao esquema articulado por 
Alves com Kiko Jr. 
D. Everton não incorreu no crime de lavagem de dinheiro, porque não foi autor nem partícipe do crime 
antecedente, mas poderá ser-lhe imputado o crime de organização criminosa. 
E. Presente a conduta de lavagem de dinheiro por intermédio de organização criminosa, o juízo deverá 
aplicar causa especial de aumento de pena pelo crime de lavagem na sentença, que poderá ser 
prolatada antes mesmo de eventual sentença condenatória nos crimes antecedentes. 
Gabarito E. 
4.2.5. CAUSA DE REDUÇÃO DE PENA 
§ 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou 
semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a qualquer tempo, por pena 
restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as 
autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à 
identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores 
objeto do crime. 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? 
Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: TCE-RJ Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - 
TCE-RJ - Procurador do Ministério Público. 
Acerca da lavagem de dinheiro, julgue o seguinte item. 
Conforme previsto na Lei n.º 9.613/1998, a pena imposta pelo crime de lavagem de dinheiro poderá 
ser reduzida de um a dois terços, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la por pena 
restritiva de direitos se o autor colaborar espontaneamente para localizar bens objeto do crime. 
Gabarito CERTO. 
4.2.6. PACOTE ANTICRIME 
§ 6º Para a apuração do crime de que trata este artigo, admite-se a utilização da ação controlada 
e da infiltração de agentes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
O pacote anticrime alterou a redação do art. 1°, incluindo o § 6°, passando a prevê de forma 
expressa a possibilidade de utilização dos meios de obtenção de prova (técnicas especiais de 
investigação) – ação controlada e da infiltração de agentes – nos crimes praticados em seu 
âmbito, ou seja, no crime de Lavagem de Capitais. 
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4.3. TIPICIDADE SUBJETIVA 
O crime de lavagem de capitais é punido a título de dolo, não temos previsão em nosso 
Ordenamento Jurídico Brasileiro do crime de lavagem de capitais em sua modalidade culposa. 
 
4.3.1. DOLO DIRETO E DOLO EVENTUAL 
Após a Lei n.º 12.683/12, a lavagem de capitais pode ser punida tanto na forma de dolo direto 
ou de dolo eventual. A referida Lei suprimiu a expressão “que sabe ser provenientes de infração 
penal”. Segundo esta disposição até 2012 a doutrina só permitia a lavagem de capitais com dolo direto, 
aquele agente que fosse praticar ocultação ou dissimulação para que pudesse ser responsado teria que 
ter ciência da origem criminosa daqueles bens direitos ou valores. Em 2012 com a retirada da 
expressão supracitada, a doutrina passou a entender que é possível também na modalidade eventual, 
por mais que aquele resultado não fosse pretendido, o indivíduo assumiria o risco daquele dinheiro ser 
proveniente de atividade ilícita. 
Nos EUA adotou-se a teoria da cegueira deliberada, também chamada de instruções de avestruz 
ou teoria da evitação da consciência. O famoso “não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”. 
Aquele indivíduoque não é o próprio autor da infração antecedente, quando vai se debruçar no 
processo de ocultação ou dissimulação ele não quer saber de onde veio o dinheiro que está sendo 
lavado, ele apenas vai evitar saber daquela origem. A chamada escolha de permanecer ignorante. 
Portanto, para aplicação dessa teoria deliberada serão necessários ainda dois requisitos; 
a) Que o agente tinha escolha da elevada possibilidade de que os bens, direitos ou 
valores, eram provenientes de uma infração penal. 
b) Que esse agente agiu de modo indiferente a esse conhecimento. 
O agente não tem cautela para evitar uma possível responsabilização, se exime de saber da 
situação, igualmente como o avestruz que coloca sua cabeça na terra e não quer saber de nada. 
Candidato, a teoria da cegueira deliberada é aplicada no Brasil? A doutrina diz que é 
possível a aplicação da cegueira deliberada no Brasil, já que os indivíduos podem ser 
responsabilizados pelo dolo eventual, no entanto depende do lapso temporal da Lei n.° 12.683 de 2012, 
sendo apenas possível a aplicação após este ano. Há precedentes judiciais de grande notoriedade em 
que foi aplicada a aludida teoria, dentre os quais: o caso do furto ao Banco Central, em que foram 
levados R$ 164.000.000,00 e no outro dia foi realizada a compra de vários carros em uma 
concessionária da Mitsubishi, com dinheiro em sacos totalizando quase R$ 1.000.000,00 sendo 
deixada ainda a quantia de mais R$ 250.000,00 para compra futura, o que levou os dois empresários da 
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citada concessionária a serem processados e condenados em 1º instância por lavagem de capital com 
dolo eventual, tendo em vista que se negaram a suspeitar e desconfiar da origem ilícita do dinheiro 
(muito embora o TRF tenha absolvido ambos pelo fato ter acontecido antes de 2012, ano em que a 
teoria da cegueira deliberada foi incluída pela Lei); a ação penal n. 470 de Minas Gerais, que ficou 
nacionalmente conhecida como “O caso do mensalão”, no qual parlamentares da base aliada do 
Partido dos Trabalhadores (PT) do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram acusados de 
receber uma “mesada” para votarem segundo as orientações do Governo; e, mais recentemente, a 
aplicação da teoria da cegueira deliberada ganhou destaque na famigerada operação “Lava jato”. 
#ApostasMC! Admite-se a lavagem de capitais com dolo eventual – aplicando-se a teoria da 
cegueira deliberada. 
 
4.4. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
O delito se consuma com a ocultação ou dissimulação dos bens, direitos ou valores, 
independentemente de serem introduzidos no sistema econômico ou financeiro (crime formal). 
Ocultar ou dissimular com a intenção de reciclar o “dinheiro sujo” já caracteriza o delito. 
 
 
Lavagem de dinheiro, na modalidade “ocultar”, é crime permanente. 
O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”), 
previsto no art. 1º da Lei nº 9.613/98, quando praticado na modalidade de 
ocultação, tem natureza de crime permanente. 
A característica básica dos delitos permanentes está na circunstância de que a 
execução desses crimes não se dá em um momento definido e específico, mas 
em um alongar temporal. Quem oculta e mantém oculto algo, prolonga a ação 
até que o fato se torne conhecido. 
Assim, o prazo prescricional somente tem início quando as autoridades tomam 
conhecimento da conduta do agente. 
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 
(Info 866). 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? 
Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia. 
Em relação ao crime de lavagem de dinheiro, assinale a opção correta. 
A. A caracterização desse crime depende da comprovação do crime antecedente. 
B. A modalidade de ocultar a propriedade de bens provenientes diretamente de infração penal é 
conduta de natureza permanente, até que os objetos materiais da lavagem se tornem conhecidos. 
C. A autolavagem não é punível. 
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D. É imprescindível que o autor da lavagem de dinheiro seja também o autor do crime antecedente. 
E. A lavagem de dinheiro só persiste se o crime antecedente for um dos arrolados na Lei n.º 
9.613/1998. 
Gab. B. 
Ainda sobre o momento consumativo do delito, discorre Victor Eduardo Gonçalves (Legislação 
Penal Esquematizado): 
Tanto o tipo básico, do caput, quanto aqueles dos §§ 1 e 2 são mistos alternativos, 
configurando-se com a prática de qualquer das condutas referidas, não sendo exigida para a 
consumação, portanto, necessariamente, a conversão em ativos lícitos (TRF3, AC 
200661020013088, 5a T., u., 13/06/2011), que é uma das modalidades do crime. 
No tipo básico, as modalidades adquirir, trocar, movimentar e transferir são instantâneas de 
efeitos permanentes, enquanto são consideradas permanentes as condutas de guardar, ter em 
depósito e ocultar (TRF3, HC 19990300016717-9, Suzana Camargo, 5a T., u., 15/02/2000; 
TRF4, AC 19997103001155-3, Germano, 1a T., u., 18/12/2000). No âmbito do STF, não há, 
ainda, posição firmada a respeito do tema (STF, Inq. 2.471, Lewandowski, Pl., 29/09/2011). 
Ao contrário do crime do caput, que é material, o delito do § 1o é formal, como resulta claro 
pelo emprego da expressão para ocultar ou dissimular. Cuida-se, assim, de um tipo antecipado, 
que se 
consuma ainda que não haja efetiva ocultação ou dissimulação, sendo bastante para a 
consumação a mera conversão em ativos lícitos, ou a prática de qualquer das condutas dos 
incisos, aproximadas ao crime de receptação, para que exista o delito. 
 
 
4.5. JUSTA CAUSA DUPLICADA 
Uma das condições da ação é a justa causa, esta é entendida como o somatório de indícios 
suficientes da autoria e prova da materialidade do crime. O Ministério Público não pode ingressar em 
juízo e realizar uma acusação criminal sem elementos mínimos, isso é uma garantia do investigado e o 
papel fundamental da investigação criminal é evitar acusações infundadas, temerárias. 
Assim, nos crimes de Lavagem de Capitais, o Ministério Público, quando do oferecimento da 
denúncia deve demonstrar a existência de lastro probatório mínimo da “lavagem de dinheiro”, bem 
como do crime antecedente. Portanto, devem ser demonstrados indícios suficientes de autoria e 
materialidade tanto do crime de lavagem, como do crime cujo produto ilícito se está lavando. A isso, 
dá-se o nome de justa causa duplicada. 
Desse modo, contemplamos que se o “lastro probatório mínimo” é a Justa Causa e essa é 
exigida de maneira dúplice, está é a razão pela qual, no crime de LAVAGEM DE CAPITAIS, exigir-
se a chamada JUSTA CAUSA DUPLICADA 
Art. 2º, § 1º A denúncia será́ instruída com indícios suficientes da existência da infração 
penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ouisento de pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal antecedente. 
Nesse sentido, preleciona Gabriel Habib (Coleção Leis Especiais para Concurso, 2016) “além 
dos requisitos genéricos descritos no art.41 do Código de Processo Penal, que são os indícios 
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suficientes da existência da infração penal antecedente. Essa demonstração na denúncia é 
fundamental para viabilizar o oferecimento da denúncia”. 
 Exemplo: Agente aufere lucros pela prática do crime de contrabando. Após, comete crime de 
lavagem ao tentar dar a esse lucro uma aparência de licitude. Nesse caso, o MP deve demonstrar o 
lastro probatório mínimo tanto relacionado à lavagem, como ao contrabando. 
Para memorizar! 
Justa causa é o suporte probatório mínimo apto a ensejar o início da ação penal. Prova da 
materialidade e elementos mínimos de autoria. Contudo, essa justa causa no delito de lavagem de 
dinheiro é duplicada pois a acusação tem que demonstrar: 
i) indícios mínimos do crime antecedente (um crime produtor, que gere dinheiro sujo); 
ii) indícios mínimos da própria lavagem, do próprio processo de ocultação/dissimulação. 
 
4.6. AÇÃO PENAL 
Trata-se de crime de ação penal pública incondicionada. 
 
 
4.7. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO CRIME DE LAVAGEM 
Em regra, a competência para processar e julgar os crimes de lavagem de dinheiro e lavagem 
de capitais é da Justiça Estadual. Será competência da Justiça Federal quando; 
Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: 
III - são da competência da Justiça Federal: 
a) quando praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, ou em 
detrimento de bens, serviços ou interesses da União, ou de suas entidades autárquicas ou 
empresas públicas; 
b) quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça Federal. (Redação dada 
pela Lei nº 12.683, de 2012). 
A doutrina interpreta esse dispositivo de forma que será da competência da Justiça Federal 
quando atingir o sistema e a ordem econômico financeira como um todo, o interesse nacional e não 
apenas local e quando atingir bens, serviços ou interesses da União, bem como quando a infração 
antecedente for de competência da justiça federal como indica a alínea b da supracitada Lei, ou seja, 
quando se tratar de um crime antecedente de tráfico internacional de drogas, será sempre de processo e 
julgamento da Justiça Federal. 
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Súmula 122-STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes 
conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, “a”, do 
Código de Processo Penal. 
O raciocínio trazido pela súmula acerca dos crimes conexos também se aplica a lavagem de 
capitais. 
 
4.8. INAPLICABILIDADE DO ART. 366 DO CPP 
Art. 2º, § 2º No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto no art. 366 do 
Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), devendo o 
acusado que não comparecer nem constituir advogado ser citado por edital, prosseguindo o 
feito até o julgamento, com a nomeação de defensor dativo. (Redação dada pela Lei nº 12.683, 
de 2012) 
 
O art. 366 do Código de Processo Penal determina que “se o acusado, citado por edital, não 
comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, 
podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, 
decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312”. 
Ocorre que a Lei n.º 9.613/98 veda expressamente a aplicação do art. 366, CPP, e, 
consequentemente, a suspensão do processo e do curso do prazo prescricional em caso do não 
comparecimento do réu citado por edital. Assim, se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem 
constituir advogado, o processo e o curso do prazo prescricional continuarão a correr normalmente, 
não serão suspensos. 
A justificativa do Projeto de Lei que deu origem à Lei n.° 9.613/98 é que a opção pela não 
aplicação do art. 366 é medida de política criminal, pois haveria uma a gravidade especial da lavagem 
de capitais a justificar a continuidade do processo mesmo nos casos de não comparecimento do 
acusado, além disso, a suspensão do processo seria medida a incentivar a impunidade e evitar a 
descoberta de outros crimes. 
 
4.9. INDICIAMENTO DE SERVIDOR PÚBLICO E AFASTAMENTO 
Nos termos do Art. 17-D, da Lei de Lavagem de Capitais, em caso de indiciamento de servidor 
público, este será afastado, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o 
juiz competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno. 
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 Indiciamento → CONSEQUÊNCIA: afastamento → SEM prejuízo da remuneração e demais 
direitos. 
CUIDADO!! O STF entendeu que esse afastamento, pelo simples indiciamento, é inconstitucional. 
Vejamos: 
 
É inconstitucional a previsão legal que determina o afastamento do 
servidor público pelo simples fato de ele ter sido indiciado pela prática de 
crime. 
Com base nesse entendimento, o STF declarou inconstitucional o art. 17-D da 
Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/98): 
Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, 
sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz 
competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno. 
O afastamento do servidor somente se justifica quando ficar demonstrado nos 
autos que existe risco caso ele continue no desempenho de suas funções e que o 
afastamento é medida eficaz e proporcional para se tutelar a investigação e a 
própria Administração Pública. Tais circunstâncias precisam ser apreciadas 
pelo Poder Judiciário. 
STF. Plenário. ADI 4911/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 20/11/2020 (Info 1000). 
 
4.10. EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
Art. 7º São efeitos da condenação, além dos previstos no Código Penal: 
I - a perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de competência da Justiça Estadual -, 
de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes 
previstosnesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança, ressalvado o direito do 
lesado ou de terceiro de boa-fé; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
II - a INTERDIÇÃO do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de 
diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas referidas 
no art. 9º, pelo DOBRO do tempo da pena privativa de liberdade aplicada. 
§ 1o A União e os Estados, no âmbito de suas competências, regulamentarão a forma de 
destinação dos bens, direitos e valores cuja perda houver sido declarada, assegurada, quanto 
aos processos de competência da Justiça Federal, a sua utilização pelos órgãos federais 
encarregados da prevenção, do combate, da ação penal e do julgamento dos crimes previstos 
nesta Lei, e, quanto aos processos de competência da Justiça Estadual, a preferência dos órgãos 
locais com idêntica função. (Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012) 
§ 2o Os instrumentos do crime sem valor econômico cuja perda em favor da União ou do 
Estado for decretada serão inutilizados ou doados a museu criminal ou a entidade pública, se 
houver interesse na sua conservação. 
 
 
 
 
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Vamos esquematizar? 
Crime Perda Automática? Prazo de Interdição 
Organização Criminosa SIM 8 anos 
Tortura SIM Dobro da pena aplicada 
Lavagem de Capitais NÃO Dobro da pena aplicada 
Abuso de Autoridade NÃO 1 a 5 anos 
Racismo NÃO Não há previsão 
 
 
5. COAF 
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras é um órgão brasileiro, que tem várias 
funções acerca da lavagem de capitais, como adoção de soluções preventivas, realização do 
diagnóstico do crime de lavagem de capitais e é o órgão responsável pela centralização das 
informações desse crime, bem como tem a responsabilidade de informar qualquer evidência de crime 
as autoridades competentes. 
Uma série de pessoas físicas e jurídicas são obrigadas legalmente a comunicar ao COAF 
transações suspeitas, transações que evidenciem algum indicio de lavagem de capitais, conforme Art.9º 
e seus incisos da Lei 12.683/12. 
Esse conselho pode elaborar o RIF (relatório de inteligência financeira) que se apresenta das 
seguintes formas. 
a) RIF espontâneo ou de oficio; quando o COAF recebe a comunicação de uma das pessoas 
obrigadas a passar este tipo de controle, e decide fazer a investigação para encaminhar se for o 
caso para uma autoridade responsável. 
b) RIF de intercâmbio; quando autoridades competentes fazem a solicitação ao COAF por meio 
de seis sistemas eletrônicos de intercâmbio, a apresentar informações pertinentes acerca de 
pessoas em investigação. 
O RIF seja em qualquer das modalidades, é imprescindível nas investigações dos crimes de 
lavagem de capital. 
Candidato, o acesso direto de um delegado de polícia, por exemplo, ao COAF por intermédio 
do sistema de intercâmbio é uma quebra de sigilo bancário, ou seja, o delegado teria que fazer a 
solicitação por intermédio apenas de uma ordem judicial? 
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Para o STF, é constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira 
(RIF) do COAF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil (RFB) , que 
define o lançamento do tributo, com os órgãos de persecução penal para fins criminais (Polícia 
Federal, Ministério Público etc.), sem que seja necessária autorização judicial, devendo ser 
resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente instaurados e sujeitos a posterior 
controle jurisdicional. Sendo assim, é possível que o delegado de polícia obtenha acesso aos relatórios 
do COAF sem autorização judicial, através de compartilhamento.6 
Mas atenção! Em julgado posterior, o STJ, interpretou e restringiu o alcance do aludido 
julgado e fixou a tese de que é ilegal a requisição, sem autorização judicial, de dados fiscais pelos 
órgãos de persecução penal. De acordo com o Tribunal, da leitura desatenta da ementa do julgado 
acima explicitado, poder-se-ia chegar à conclusão de que o entendimento consolidado autorizaria a 
requisição direta de dados pelos órgãos de persecução penal à Receita Federal, para fins criminais. No 
entanto, a análise acurada do acórdão demonstra que tal conclusão não foi compreendida no julgado, 
que trata da Representação Fiscal para fins penais, instituto legal que autoriza o compartilhamento, 
de ofício, pela Receita Federal, de dados relacionados a supostos ilícitos tributários ou previdenciários 
após devido procedimento administrativo fiscal.7 
O STJ ainda explica que uma coisa é o órgão de fiscalização financeira, dentro de suas 
atribuições, identificar indícios de crime e comunicar suas suspeitas aos órgãos de investigação para 
que, dentro da legalidade e de suas atribuições, investiguem a procedência de tais suspeitas. Outra, é o 
órgão de investigação, a polícia ou o Ministério Público, sem qualquer tipo de controle, alegando a 
possibilidade de ocorrência de algum crime, solicitar ao COAF ou à Receita Federal informações 
financeiras sigilosas detalhadas sobre determinada pessoa, física ou jurídica, sem a prévia autorização 
judicial. 
 
6. MEDIDA ASSECURATÓRIA DE INDISPONIBILIDADE DE BENS 
Art. 4º O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação do 
delegado de polícia, ouvido o Ministério Público em 24 (vinte e quatro) horas, havendo 
indícios suficientes de infração penal, poderá decretar medidas assecuratórias de bens, direitos 
ou valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas, que sejam 
instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das infrações penais 
antecedentes. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
§ 1º Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que 
estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver 
dificuldade para sua manutenção. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
 
6 STF. Plenário. RE 1055941/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/12/2019 (repercussão geral – Tema 990) 
(Info 962) 
7 STJ. 3ª Seção. RHC 83233-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 09/02/2022 (Info 724) 
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§ 2º O juiz determinará a liberação total ou parcial dos bens, direitos e valores quando 
comprovada a licitude de sua origem, mantendo-se a constrição dos bens, direitos e valores 
necessários e suficientes à reparação dos danos e ao pagamento de prestações pecuniárias, 
multas e custas decorrentes da infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
§ 3º Nenhum pedido de liberação será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado 
ou de interposta pessoa a que se refere o caput deste artigo, podendo o juiz determinar a prática 
de atos necessários à conservação de bens, direitos ou valores, sem prejuízo do disposto no § 
1º. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
§ 4º Poderão ser decretadas medidas assecuratórias sobre bens, direitos ou valores para 
reparação do dano decorrente da infração penal antecedente ou da prevista nesta Lei ou para 
pagamento de prestação pecuniária, multa e custas. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
Art. 4º-A. A alienação antecipada para preservação de valor de bens sob constrição será 
decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou por solicitação da parte 
interessada, mediante petição autônoma, que será autuada em apartado e cujos autos terão 
tramitação em separado em relação ao processo principal. (...) 
 
A medida assecuratória de indisponibilidade de bens não se limita aos bens de origem ilícita, 
também pode atingir aqueles de origem lícita, adquiridos antes ou depois da infração. Também não 
está restrita apenas aos bens do investigado ou acusado, mas estende-se a bens em nome de interpostas 
pessoas, bem como de pessoas jurídicas ou familiares, quando houver confusão patrimonial. 
Poderá ser decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou por 
representação do delegado de polícia, quando houver indícios suficientes da prática de infração penal. 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? 
Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: PC-AM Prova: Delegado de Polícia. 
Ainda em relação às medidas assecuratórias da Lei nº 9.613/98, no que toca ao standard de prova (ou 
modelos de constatação) para o seu deferimento, é correto afirmar que a lei exige 
A. indícios veementes. 
B. indícios fortes. 
C. indícios suficientes. 
D. fundadas razões. 
E. prova cabal. 
Gab. C. 
 
7. AÇÃO CONTROLADA 
A ação controlada é um meio de prova descrito na Lei nº 12.850/13, que consiste em retardar 
a intervenção policial ou administrativa relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela 
vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se 
concretize no momento mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações. Basicamente o 
que ocorre é um retardamento da prisão em flagrante, ou seja, mesmo que a autoridade policial esteja 
diante da concretização do crime cometido por organização criminosa, aguarda o momento oportuno 
visando a obtenção de mais provas e informações para que, quando de fato ocorrer a prisão, seja 
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possível atingir um maior número de envolvidos e, especialmente, atingir a liderança do crime 
organizado. Vejamos: 
Lei n° 12.683/12 Art. 4º-B. A ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de 
bens, direitos ou valores poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando 
a sua execução imediata puder comprometer as investigações. (Incluído pela Lei nº 12.683, de 
2012). 
Este instituto é perfeitamente aplicável para a investigação da lavagem de capitais. 
 
6.1. COLABORAÇÃO PREMIADA NA LAVAGEM DE CAPITAIS 
O procedimento de colaboração premiada é autorizado na lavagem de capitais segundo 
preconiza a Lei 12.683/12: 
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou 
propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração 
penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012). 
§ 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou 
semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a qualquer tempo, por pena 
restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as 
autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à 
identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores 
objeto do crime. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012). 
Portanto, extraem-se três benefícios possíveis para o crime de lavagem de capitais, são eles; 
a) Diminuição da pena e fixação de regime inicial aberto ou semiaberto; 
b) Substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos; 
c) Extinção da punibilidade pelo perdão judicial. 
 
8. PACOTE ANTICRIME: ALTERAÇÕES NA LEI DE LAVAGEM 
DE CAPITAIS – LEI N. 9.613/1998 
Foi sancionada em 24 de dezembro de 2019, a Lei 13.964, intitulada “Pacote Anticrime”, a 
qual promove uma verdadeira reforma na legislação penal e processual penal, alterando paradigmas 
substanciais, tanto do ponto de vista processual (CPP) quanto “material” (Código Penal e Legislação 
Penal Extravagante). 
Nessa linha, a Lei n. 13.964/2019 – Pacote Anticrime – aperfeiçoa a legislação penal e 
processual penal, gerando diversas alterações no CP, CPP e Legislação Extravagante. Nesse momento, 
iremos apontar as alterações que foram produzidas na Lei de Lavagem de Capitais – Lei n. 
9.613/1998. 
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O que fez o pacote anticrime em relação a Lei de Lavagem de Capitais? Alterou a redação do art. 
1°, incluindo o §6°, passando a prevê de forma expressa a possibilidade de utilização dos meios de 
obtenção de prova (técnicas especiais de investigação) – ação controlada e da infiltração de agentes – 
nos crimes praticados em seu âmbito, ou seja, no crime de Lavagem de Capitais. 
Vejamos: 
Lei n. 13.964/2019, Art. 8º. O art. 1º da Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, passa a vigorar 
acrescido do seguinte § 6º: 
Art. 1º ................................................................... 
§ 6º Para a apuração do crime de que trata este artigo, admite-se a utilização da ação 
controlada e da infiltração de agentes. (NR) 
 
Nesse contexto, importante recordarmos a compreensão dos institutos jurídicos em comento – 
ação controlada e infiltração de agentes. 
Se a autoridade (seja ela policial ou administrativa) constatar que existe uma infração penal em 
curso, ela deverá tomar as providências necessárias para que esta prática cesse imediatamente, 
devendo até mesmo realizar a prisão da pessoa que se encontre em flagrante delito. 
A experiência demonstrou, contudo, que, em algumas oportunidades, é mais interessante, sob o 
ponto de vista da investigação, que a autoridadeaguarde um pouco antes de intervir imediatamente e 
prender o agente que está praticando o ilícito. Isso ocorre porque em determinados casos se a 
autoridade esperar um pouco mais, retardando o flagrante, poderá descobrir outras pessoas envolvidas 
na prática da infração penal, reunir provas mais robustas, conseguir recuperar o produto ou proveito do 
crime, enfim obter maiores vantagens para a persecução penal. 
O exemplo típico desta técnica de investigação é o caso do tráfico de drogas. Imagine que a 
polícia descubra que determinado passageiro irá embarcar uma grande quantidade de droga em uma 
barco que seguirá de um Estado para outro. A polícia poderia prender o traficante no instante em que 
este estivesse embarcando o entorpecente, ou ainda, no momento do transporte. Entretanto, revela-se 
mais conveniente à investigação que a autoridade policial aguarde até que o agente chegue ao seu 
destino onde poderá descobrir e prender também o destinatário da droga. Este modo de proceder é 
chamado de “ação controlada”. 
Nessa perspectiva, o art. 8° da Lei n. 12.850/2013, assim define: 
Consiste a ação controlada em retardar a intervenção policial ou 
administrativa relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela 
vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a 
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medida legal se concretize no momento mais eficaz à formação de provas e 
obtenção de informações (art. 8°, Lei n. 12.850/2013). 
Nas lições do Professor Rogério Sanches, na ação controlada, ao invés de agir de pronto, o 
agente público aguarda o momento oportuno para atuar, a fim de obter, com esse retardamento, um 
resultado mais eficaz em sua diligência. Com essa estratégia, portanto, deixa-se de prender em 
flagrante o infrator de pronto, para, prorrogando-se a ação policial, se obter uma prova mais robusta e 
mesmo uma diligência mais bem-sucedida. Daí porque se costuma denominar essa espécie de flagrante 
como retardado, diferido ou prorrogado. 
Como ensina, outrossim, Eduardo Araújo da Silva, “a prática tem demonstrado que, muitas 
vezes, é estrategicamente mais vantajoso evitar a prisão, num primeiro momento, de integrantes 
menos influentes de uma organização criminosa, para monitorar suas ações e possibilitar a prisão de 
um número maior de integrantes ou mesmo a obtenção de prova em relação a seus superiores na 
hierarquia da associação”. 
Importante frisarmos que mesmo antes da redação incluída pelo pacote anticrime, já se adotava 
o entendimento da sua admissibilidade, conforme interpretação dada ao art. 4°-B da Lei de Lavagem 
de Capitais. Vejamos: 
Por derradeiro é importante lembrar que também a Lei de Lavagem de Capitais (Lei 9.613/98), 
prevê uma espécie de “ação controlada” no seu artigo 4º-B, que assim dispõe: 
“A ordem de prisão de pessoas ou da apreensão ou sequestro de bens, direitos ou valores, 
poderá ser suspensa pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata 
possa comprometer as investigações”. 
 Além da ação controlada, passou-se a se admitir a infiltração de agentes. 
A infiltração de agentes encontra-se regulamentada ao teor dos art. 10, 11,12, 13 e 14 da Lei de 
Organização Criminosa8. 
 
8 Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou requerida pelo Ministério 
Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito policial, será precedida de 
circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus limites. 
§ 1º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público. 
§ 2º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. 1º e se a prova não puder ser produzida por outros 
meios disponíveis. 
§ 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações, desde que comprovada sua 
necessidade. 
§ 4º Findo o prazo previsto no § 3º , o relatório circunstanciado será apresentado ao juiz competente, que imediatamente cientificará o 
Ministério Público. 
§ 5º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério Público poderá requisitar, a 
qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração. 
Art. 11. O requerimento do Ministério Público ou a representação do delegado de polícia para a infiltração de agentes conterão a 
demonstração da necessidade da medida, o alcance das tarefas dos agentes e, quando possível, os nomes ou apelidos das pessoas 
investigadas e o local da infiltração. 
Art. 12. O pedido de infiltração será sigilosamente distribuído, de forma a não conter informações que possam indicar a operação a ser 
efetivada ou identificar o agente que será infiltrado. 
§ 1º As informações quanto à necessidade da operação de infiltração serão dirigidas diretamente ao juiz competente, que decidirá no prazo 
de 24 (vinte e quatro) horas, após manifestação do Ministério Público na hipótese de representação do delegado de polícia, devendo-se 
adotar as medidas necessárias para o êxito das investigações e a segurança do agente infiltrado. 
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http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/104073/lei-de-lavagem-de-dinheiro-lei-9613-98
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/11319344/artigo-4-da-lei-n-9613-de-03-de-marco-de-1998
 
 
37 
A infiltração de agentes consiste em um meio especial de obtenção da prova, por meio do qual, 
um ou mais agentes de polícia, com autorização judicial, ingressa em determinada organização 
criminosa, forjando a condição de integrante, com o objetivo de alcançar informações a 
respeito de seu funcionamento e de seus membros. 
 Trata-se de técnica especial de investigação por meio da qual um agente é introduzido 
dissimuladamente em uma organização criminosa, passando a agir como um de seus integrantes, 
ocultando sua verdadeira identidade, com o objetivo precípuo de identificar fontes de prova e obter 
elementos de informação capazes de permitir a desarticulação da referida associação. 
Assim, a infiltração é o procedimento por meio do qual o agente de polícia age como se fosse 
membro da organização criminosa, com o objetivo de colher provas dos crimes cometidos. 
Neste caso é necessária a autorização judicial, decidida mediante requerimento do Ministério 
Público ou representação do Delegado, ouvido o Ministério Público. 
Segundo a doutrina, não se admite a infiltração de particulares. Conforme se pode extrair da 
redação do art. 10 da Lei 12.850 (Lei de Organização Criminosa), é exclusiva de agentes policiais. 
 
9. JÁ CAIU CESPE 
JÁ CAIU CESPE: No que concerne aos crimes em espécie, julgue o item seguinte. Em crimes 
de lavagem de dinheiro, dadaa natureza do delito praticado, é incabível a tentativa. 
ERRADO!!!O crime de lavagem de dinheiro admite tentativa. Vejamos: 
Art. 1º, § 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal. (Lei nº 
9.613/98). 
JÁ CAIU CESPE: No crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, para se 
tipificar a conduta praticada, é necessário que os bens, direitos ou valores provenham de crime anterior 
e que o agente já tenha sido condenado judicialmente pelo crime previamente cometido. 
ERRADO!!! Inobstante seja o crime de lavagem de capitais crime acessório, também denominado de 
parasitário, não há necessidade de condenação judicial anterior para que o crime reste caracterizado 
e/ou seja punido pelo delito de lavagem de capitais. Nesse sentido, vejamos o que dispõe a legislação: 
 
§ 2º Os autos contendo as informações da operação de infiltração acompanharão a denúncia do Ministério Público, quando serão 
disponibilizados à defesa, assegurando-se a preservação da identidade do agente. 
§ 3º Havendo indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco iminente, a operação será sustada mediante requisição do Ministério 
Público ou pelo delegado de polícia, dando-se imediata ciência ao Ministério Público e à autoridade judicial. 
Art. 13. O agente que não guardar, em sua atuação, a devida proporcionalidade com a finalidade da investigação, responderá pelos 
excessos praticados. 
Parágrafo único. Não é punível, no âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado no curso da investigação, quando 
inexigível conduta diversa. 
Art. 14. São direitos do agente: 
I - recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada; 
II - ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 9º da Lei nº 9.807, de 13 de julho de 1999, bem como 
usufruir das medidas de proteção a testemunhas; 
III - ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua voz e demais informações pessoais preservadas durante a investigação e o processo 
criminal, salvo se houver decisão judicial em contrário; 
IV - não ter sua identidade revelada, nem ser fotografado ou filmado pelos meios de comunicação, sem sua prévia autorização por escrito. 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9807.htm#art9
 
 
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Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: II - independem do processo e 
julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz 
competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento. 
 O processo e julgamento do processo de lavagem independe do processo e julgamento da 
infração antecedente. (Teoria da Acessoriedade Limitada). 
JÁ CAIU CESPE: O processo e o julgamento dos crimes de lavagem de dinheiro independem 
do processo e do julgamento dos crimes antecedentes, ainda que praticados em outro país. 
CERTO! Conforme o art. 2º, inc. II da Lei nº 9.613/98, determina expressamente que o processo e o 
julgamento do crime de lavagem de dinheiro não dependem do processo e do julgamento do crime 
antecedente, mesmo que praticado em outro país. 
JÁ CAIU CESPE: A respeito dos crimes de lavagem de dinheiro e de abuso de autoridade, 
julgue o item subsequente. 
De acordo com a jurisprudência do STJ, o delito de lavagem de dinheiro absorve a infração penal 
antecedente. 
ERRADO!!! Em sede de lavagem ocorre a dupla imputação, não havendo absorção. 
JÁ CAIU CESPE: A respeito dos crimes de lavagem de dinheiro e de abuso de autoridade, 
julgue o item subsequente. 
A lei brasileira que criminaliza a lavagem de dinheiro classifica-se como de terceira geração, pois 
admite que o delito de lavagem de dinheiro pode ter como precedente qualquer ilícito penal. 
CERTO! Na 3ª geração – QUALQUER INFRAÇÃO PENAL pode funcionar como crime antecedente 
da lavagem de capitais, desde que de fonte produtora. 
Com as alterações oriundas da Lei nº 12.683, não há dúvidas que a atual lei de lavagem de capitais 
vigente no Ordenamento Jurídico Brasileiro é de terceira geração. 
Atualmente a única condição para que esse delito-base possa figurar como antecedente da lavagem de 
capitais, a de que se trata de infração produtora, ou seja, aquela capaz de gerar bens, direitos ou valores 
passíveis de mascaramento. 
Vamos esquematizar as demais gerações? 
1ª Geração 2ª Geração 3ª Geração 
O crime de tráfico de 
drogas era a única infração 
penal antecedente na 
lavagem de capitais. 
Existe um rol taxativo de infrações penais 
antecedentes. 
→ No Brasil, a Lei nº 9.613 de 98 era 
INICIALMENTE uma lei de segunda 
geração, pois contemplava em sua redação 
originária um rol taxativo de crimes 
antecedentes da lavagem de capitais. 
Admitem lavagem de 
dinheiro de qualquer 
infração penal 
antecedente. 
 
 
JÁ CAIU CESPE: Em se tratando de crimes de lavagem de dinheiro, o processo e o 
julgamento será da competência da justiça federal quando a infração penal antecedente for de 
competência da justiça federal. 
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CERTO! Nos termos do art. 2º, III - são da competência da Justiça Federal: b) quando a infração penal 
antecedente for de competência da Justiça Federal. 
JÁ CAIU CESPE: Para que se caracterize a prática do crime de lavagem, é necessário que o 
agente percorra todas as etapas, que são a colocação ou introdução do bem, direito ou valor no sistema 
financeiro, seguida da ocultação ou dissimulação desse bem, direito ou valor e a sua integração ao 
sistema econômico. 
ERRADO!!! Conforme já se manifestou o STF, NÃO há necessidade do preenchimento das três fases 
para que se possa configurar o delito de lavagem de capitais. 
JÁ CAIU CESPE: No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal extravagante, 
julgue o item subsequente. 
O crime de lavagem de capitais, consoante entendimento consolidado na doutrina e na jurisprudência, 
divide-se em três etapas independentes: colocação (placement), dissimulação (layering) e integração 
(integration), não se exigindo, para a consumação do delito, a ocorrência dessas três fases. 
CERTO! Segundo a Jurisprudência do STF não é necessária a ocorrência dessas três fases para a 
consumação do delito. O STF aduz que as fases são modelos doutrinários e didáticos, não exigindo o 
seu cumprimento. (RHC 80816). 
JÁ CAIU CESPE: Acerca da legislação penal especial e dos crimes contra a administração 
pública e contra a fé pública, julgue os itens subsequentes. 
Aquele que ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou 
propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal, 
praticará o delito de receptação. 
ERRADO!!! In casu, restará configurado o delito de lavagem de capitais, conforme o art. 1º da 
referidalei. Vejamos: 
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou 
propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. 
JÁ CAIU CESPE: Consoante a Lei nº 9.613/1998, que dispõe sobre os crimes de lavagem e 
ocultação de bens, direitos e valores, deverá ser decretada, em favor da União, a perda dos bens, 
direitos e valores objeto de crime de lavagem e ocultação de bens, sem qualquer ressalva. 
ERRADO!!! O erro da assertiva está relacionado ao caráter absoluto apontado, quando, em verdade, 
admite-se ressalvas. Vejamos: 
Art. 4º § 10. Sobrevindo o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, o juiz decretará, em 
favor, conforme o caso, da União ou do Estado: III - a perda dos bens não reclamados no prazo de 90 
(noventa) dias após o trânsito em julgado da sentença condenatória, ressalvado o direito de lesado ou 
terceiro de boa-fé. 
JÁ CAIU CESPE: Para a configuração do crime de lavagem ou ocultação de valores, é 
imprescindível o especial elemento subjetivo, sob pena de exclusão da tipicidade. 
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CERTO! Isso porque o crime de lavagem de capitais só é punido à titulo de dolo. Desse modo, 
exige-se o dolo, seja ele direto ou eventual, não se admitindo a lavagem de capitais na modalidade 
culposa. Não é necessário que o agente tenha conhecimento específico da infração antecedente 
praticada, bastando para a reprovação que tenha conhecimento da origem e natureza delituosa dos 
valores, bens ou direitos envolvidos. Segundo doutrina majoritária, o crime de lavagem exige especial 
fim de agir, consubstanciado na vontade de reciclar o capital sujo por meio de diversas operações 
comerciais ou financeiras com o objetivo de conferir a ele uma aparência supostamente lícita. 
JÁ CAIU CESPE: No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal extravagante, 
julgue o item subsequente. 
O crime de lavagem de capitais, delito autônomo em relação aos delitos que o antecedam, não está 
inserido no rol dos crimes hediondos. 
CERTO!. O crime de lavagem de dinheiro, por ser autônomo, não depende da instauração de processo 
administrativo-fiscal. Os fatos descritos na denúncia, se comprovados, podem tipificar o crime descrito 
na norma penal vigente, devendo, quanto a este, prosseguir a ação penal. Precedentes." (HC 85.949, 
rel. min. Cármen Lúcia, julgamento em 22-8-2006, Primeira Turma, DJ de 6-11-2006.) 
A repatriação dos valores objeto do crime de lavagem de dinheiro não tem qualquer consequência em 
relação à tipicidade da conduta, que já estava consumada quando da devolução do dinheiro ao erário 
alemão. O crime de lavagem de dinheiro em tese praticado no Brasil não se confunde com o crime 
contra o sistema financeiro nacional pelo qual o paciente está sendo processado na Alemanha. A 
lavagem de dinheiro é crime autônomo, não se constituindo em mero exaurimento do crime 
antecedente. Assim, não há bis in idem ou litispendência entre os processos instaurados contra o 
paciente no Brasil e na Alemanha." (HC 92.279, rel. min. Joaquim Barbosa, julgamento em 24-6- 
2008, Segunda Turma, DJE de 19-9- 2008). 
No mais, efetivamente não se encontra no rol dos crimes hediondos. 
JÁ CAIU CESPE: Conforme a jurisprudência do STJ, não impede o prosseguimento da 
apuração de cometimento do crime de lavagem de dinheiro a extinção da punibilidade dos delitos 
antecedentes. 
CERTO! Uma vez ocorrendo a extinção da punibilidade do crime antecedente ao de lavagem de 
capitais, não haverá impedimento para o processamento do crime de lavagem de capitais. Nesse 
sentido, vejamos o que dispõe a legislação: 
Art. 2º. § 1º A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da infração penal 
antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o 
autor, ou extinta a punibilidade da infração penal antecedente. 
JÁ CAIU CESPE: No que se refere à legitimidade para o polo passivo da ação penal por 
lavagem de capitais, é dispensável a participação do acusado do crime de lavagem de dinheiro nos 
delitos a ele antecedentes, sendo suficiente que ele tenha conhecimento da ilicitude dos valores, dos 
bens ou de direitos cuja origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade tenha sido 
ocultada ou dissimulada. 
CERTO! No Ordenamento Jurídico Brasileiro, a participação na infração antecedente não é condição 
para que se possa ser sujeito ativo do crime de lavagem de capitais. Desde que tenha conhecimento 
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quanto à origem ilícita dos valores, é perfeitamente possível que o agente responda pelo crime de 
lavagem de capitais, mesmo sem ter concorrido para a prática da infração antecedente. 
JÁ CAIU CESPE: É crime ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, 
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de 
infração penal, sendo a pena referente a esse crime aumentada de um a dois terços, caso tenha sido 
cometido de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. 
CERTO! A assertiva encontra-se em consonância ao previsto no art. 1º, §4º da Lei de lavagem de 
capitais. 
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou 
propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. § 4º 
A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de 
forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. 
JÁ CAIU CESPE: Acerca do crime de lavagem de dinheiro e da prevenção e combate a esse 
tipo de crime, julgue os itens que se seguem. 
A expressão lavagem de dinheiro surgiu nos Estados Unidos da América e era usada para se referir a 
uma rede de lavanderias usadas para facilitar a colocação em circulação de dinheiro oriundo de 
operações ilícitas. 
CERTO! 
JÁ CAIU CESPE: Se o acusado por crime de lavagem de capital, citado por edital, não 
comparecer nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, 
podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, 
decretar sua prisão preventiva. 
ERRADO!!! A assertiva encontra-se equivocada, isso porque nos termos do art. 2º, § 2º da Lei de 
lavagem de dinheiro, “no processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto no art. 366 do 
Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), devendo o acusado que 
não comparecer nem constituir advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, 
com a nomeação de defensor dativo”. 
***Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarãosuspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção 
antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos 
do disposto no art. 312. (Referido dispositivo NÃO SE APLICA no contexto da lei de lavagem de 
capitais, conforme vedação expressa). 
JÁ CAIU CESPE: As medidas assecuratórias previstas na lei sobre drogas (Lei n.º 
11.343/2006) e na que dispõe sobre lavagem de capitais (Lei n.º 9.613/1998) podem ser decretadas 
tanto na fase de inquérito policial quanto na etapa processual, impondo-se, em ambas as normas, como 
condição especial para o conhecimento do pedido de restituição de bens apreendidos, o 
comparecimento pessoal do acusado em juízo. 
CERTO! Assertiva correta, conforme dispõe a legislação. Vejamos: 
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Art. 4º. § 3º Nenhum pedido de liberação será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado 
ou de interposta pessoa a que se refere o caput deste artigo, podendo o juiz determinar a prática de atos 
necessários à conservação de bens, direitos ou valores, sem prejuízo do disposto no § 1º. 
 
10. INFORMATIVOS 
É possível que os crimes antecedentes sejam julgados em um processo e a acusação por lavagem 
seja apreciada em outro processo desmembrado, mesmo que o MP esteja imputando a causa de 
aumento descrita na parte final do § 4º do art. 1º da Lei 9.613/98. 
Caso concreto: a denúncia envolvia dezenas de réus, acusados pelos crimes de organização criminosa, 
corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O juiz decidiu desmembrar os processos e 
as imputações relacionadas com a lavagem de dinheiro estão sendo apuradas em outro processo penal, 
distinto do processo que apura as infrações penais antecedentes. 
A defesa de um dos réus alegou que não deveria ter ocorrido o desmembramento considerando que: 1) 
as condutas apuradas nos processos sobre os crimes antecedentes podem ser úteis para a comprovação 
da lavagem de dinheiro; 2) o MP imputou aos réus a causa de aumento do § 4º do art. 1º, da Lei de 
Lavagem (A pena será aumentada de um a dois terços se a lavagem de dinheiro tiver sido cometida por 
intermédio de organização criminosa), razão pela qual no processo de lavagem deve-se discutir a 
organização criminosa. 
O STJ não concordou com os argumentos da defesa. 
A reunião de processos em razão da conexão é uma faculdade do Juiz, conforme interpretação a 
contrário sensu do art. 80 do CPP que possibilita a separação de determinados processos. 
A eventual incidência da causa de aumento descrita na parte final do § 4º do art. 1º da Lei de Lavagem 
de Dinheiro não constituiu empecilho para o juiz manter a separação dos feitos, nos termos do art. 80 
do CPP. 
STJ. 5ª Turma. RHC 157077-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 03/05/2022 (Info 735). 
 
Na autolavagem não ocorre a consunção entre a corrupção passiva e a lavagem de dinheiro 
Embora a tipificação da lavagem de capitais dependa da existência de uma infração penal antecedente, 
é possível a autolavagem, isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, do delito antecedente e do 
crime de lavagem, desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos daquele que compõe a 
realização do primeiro crime, circunstância em que não ocorrerá o fenômeno da consunção. 
A autolavagem (self laundering/autolavado) merece reprimenda estatal, na medida em que o autor da 
infração penal antecedente, já com a posse do proveito do crime, poderia simplesmente utilizar-se dos 
bens e valores à sua disposição, mas reinicia a prática de uma série de condutas típicas, a imprimir a 
aparência de licitude do recurso obtido com a prática da infração penal anterior. 
Dessa forma, se for confirmado, a partir do devido processo legal, que o indivíduo deu ares de 
legalidade ao dinheiro indevidamente recebido, estará configurado o crime de lavagem de capitais. 
STJ. Corte Especial. APn 989-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/02/2022 (Info 726). 
 
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Receita Federal e compartilhamento de dados com o Ministério Público. 
1. É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e da íntegra do 
procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil (RFB), que define o lançamento do tributo, 
com os órgãos de persecução penal para fins criminais, sem a obrigatoriedade de prévia autorização 
judicial, devendo ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente instaurados 
e sujeitos a posterior controle jurisdicional. 
2. O compartilhamento pela UIF e pela RFB, referente ao item anterior, deve ser feito unicamente por 
meio de comunicações formais, com garantia de sigilo, certificação do destinatário e estabelecimento 
de instrumentos efetivos de apuração e correção de eventuais desvios. 
STF. Plenário. RE 1055941/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/12/2019 (repercussão geral – 
Tema 990) (Info 962) 
 
ATENÇÃO! Posteriormente, o STJ interpretou e restringiu o alcance do precedente acima: 
 
É ilegal a requisição, sem autorização judicial, de dados fiscais pelo Ministério Público. 
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário 1.055.941/SP, em sede de 
repercussão geral, firmou a orientação de que é constitucional o compartilhamento dos relatórios de 
inteligência financeira da UIF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil 
- em que se define o lançamento do tributo - com os órgãos de persecução penal para fins criminais 
sem prévia autorização judicial, devendo ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos 
formalmente instaurados e sujeitos a posterior controle jurisdicional (Tema 990). 
Da leitura desatenta da ementa do julgado, poder-se-ia chegar à conclusão de que o entendimento 
consolidado autorizaria a requisição direta de dados pelo Ministério Público à Receita Federal, para 
fins criminais. No entanto, a análise acurada do acórdão demonstra que tal conclusão não foi 
compreendida no julgado, que trata da Representação Fiscal para fins penais, instituto legal que 
autoriza o compartilhamento, de ofício, pela Receita Federal, de dados relacionados a supostos ilícitos 
tributários ou previdenciários após devido procedimento administrativo fiscal. 
Assim, a requisição ou o requerimento, de forma direta, pelo órgão da acusação à Receita Federal, com 
o fim de coletar indícios para subsidiar investigação ou instrução criminal, além de não ter sido 
satisfatoriamente enfrentada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 1.055.941/SP, não se 
encontra abarcada pela tese firmada no âmbito da repercussão geral em questão. Ainda, as poucas 
referências que o acórdão faz ao acesso direto pelo Ministério Público aos dados, sem intervenção 
judicial, é no sentidode sua ilegalidade. 
Em um estado de direito não é possível se admitir que órgãos de investigação, em procedimentos 
informais e não urgentes, solicitem informações detalhadas sobre indivíduos ou empresas, informações 
essas constitucionalmente protegidas, salvo autorização judicial. 
Uma coisa é órgão de fiscalização financeira, dentro de suas atribuições, identificar indícios de crime e 
comunicar suas suspeitas aos órgãos de investigação para que, dentro da legalidade e de suas 
atribuições, investiguem a procedência de tais suspeitas. Outra, é o órgão de investigação, a polícia ou 
o Ministério Público, sem qualquer tipo de controle, alegando a possibilidade de ocorrência de algum 
crime, solicitar ao COAF ou à Receita Federal informações financeiras sigilosas detalhadas sobre 
determinada pessoa, física ou jurídica, sem a prévia autorização judicial. 
Assim, é ilegal a requisição, sem autorização judicial, de dados fiscais pelo Ministério Público. 
STJ. 3ª Seção. RHC 83233-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 09/02/2022 (Info 724) 
 
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A indisponibilidade de bens da Lei 9.613/98 pode atingir também bens de origem lícita, bens 
adquiridos antes mesmo do crime e bens da pessoa jurídica ou mesmo de um familiar não 
denunciado, desde que haja indícios de que houve confusão patrimonial 
Segundo o art. 4º da Lei nº 9.613/98, havendo indícios suficientes de infração penal, o juiz poderá 
decretar medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores do investigado ou acusado, ou existentes 
em nome de interpostas pessoas, que sejam instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos 
nesta Lei ou das infrações penais antecedentes. 
O § 4º do art. 4º complementa o caput ao dizer que a medida assecuratória pode recair sobre bens, 
direitos ou valores com duas possíveis finalidades: 
a) para reparação do dano decorrente da infração penal (seja o antecedente ou a própria lavagem); ou 
b) para pagamento de prestação pecuniária, multa e custas. 
De acordo com o STJ, a medida assecuratória de indisponibilidade de bens, prevista no art. 4º, § 4º, da 
Lei nº 9.613/98, pode atingir bens de origem lícita ou ilícita, adquiridos antes ou depois da infração 
penal, bem como de pessoa jurídica ou familiar não denunciado, quando houver confusão patrimonial. 
STJ. Corte Especial. Inq 1190-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 15/09/2021 (Info 710). 
 
É inconstitucional a previsão legal que determina o afastamento do servidor público pelo simples 
fato de ele ter sido indiciado pela prática de crime 
É inconstitucional a determinação de afastamento automático de servidor público indiciado em 
inquérito policial instaurado para apuração de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e 
valores. Com base nesse entendimento, o STF declarou inconstitucional o art. 17-D da Lei de Lavagem 
de Dinheiro (Lei nº 9.613/98): Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será 
afastado, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente 
autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno. O afastamento do servidor somente se justifica 
quando ficar demonstrado nos autos que existe risco caso ele continue no desempenho de suas funções 
e que o afastamento é medida eficaz e proporcional para se tutelar a investigação e a própria 
Administração Pública. Tais circunstâncias precisam ser apreciadas pelo Poder Judiciário. STF. 
Plenário. ADI 4911/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado 
em 20/11/2020 (Info 1000). 
 
Não configura o crime de lavagem a conduta do agente que esconde as notas de dinheiro 
recebido como propina nos bolsos do paletó, na cintura e dentro das meias 
Não configura o crime de lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei nº 9.613/98) a conduta do agente que 
recebe propina decorrente de corrupção passiva e tenta viajar com ele, em voo doméstico, escondendo 
as notas de dinheiro nos bolsos do paletó, na cintura e dentro das meias. Também não configura o 
crime de lavagem de dinheiro o fato de, após ter sido descoberto, dissimular (“mentir”) a natureza, a 
origem e a propriedade dos valores. STF. 1ª Turma. Inq 3515/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado 
em 8/10/2019 (Info 955). 
 
Na denúncia pelo crime de lavagem de dinheiro, não é necessário que o Ministério Público faça 
uma descrição exaustiva e pormenorizada da infração penal antecedente 
Se o Ministério Público oferece denúncia por lavagem de dinheiro, ele deverá narrar, além do crime de 
lavagem (art. 1º da Lei nº 9.613/98), qual foi a infração penal antecedente cometida. Importante 
esclarecer, contudo, que não é necessário que o Ministério Público faça uma descrição exaustiva e 
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pormenorizada da infração penal antecedente, bastando apontar a existência de indícios suficientes de 
que ela tenha sido praticada e que os bens, direitos ou valores que foram “lavados” (ocultados ou 
dissimulados) sejam provenientes desta infração. Assim, a aptidão da denúncia relativa ao crime de 
lavagem de dinheiro não exige uma descrição exaustiva e pormenorizada do suposto crime prévio, 
bastandoa presença de indícios suficientes de que o objeto material da lavagem seja proveniente, direta 
ou indiretamente, de infração penal. STJ. Corte Especial. APn 923-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 23/09/2019 (Info 657). 
 
Não se deve reconhecer a consunção entre corrupção passiva e lavagem quando a propina é 
recebida no exterior por meio de transação envolvendo offshore na qual resta evidente a 
intenção de ocultar os valores 
Eduardo Cunha foi condenado pelos crimes de corrupção passiva lavagem de dinheiro e evasão de 
divisas, por ter solicitado e recebido dinheiro de uma empresa privada para interferir em um contrato 
com a Petrobrás. A propina teria sido acertada entre o indivíduo chamado “IC”, proprietário da 
empresa beneficiada, e “JL”, ex-Diretor Internacional da Petrobrás. O pagamento foi realizado 
mediante transferências para contas secretas no exterior. O STF entendeu que não se podia reconhecer 
a consunção entre a corrupção passiva e a lavagem, considerando que não houve simples pagamento 
da propina para interposta pessoa, mas sim pagamento mediante utilização de contas secretas no 
exterior em nome de uma offshore, de um lado, e de um trust, de outro, e da realização de transação 
por meio da qual a propina foi depositada e ocultada em local seguro. Logo, ficou demonstrada da 
autonomia entre os delitos. STF. 2ª Turma. HC 165036/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 
9/4/2019 (Info 937). 
 
Simples fato de ter recebido a propina em espécie não configura lavagem de dinheiro 
O mero recebimento de valores em dinheiro não tipifica o delito de lavagem, seja quando49 
13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 58 
 
 
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LAVAGEM DE CAPITAIS 
Lei nº 9.613/1998 
ATUALIZADO em 17/01/20241 
 
 
Prezado aluno, passaremos nesse momento ao estudo da Lei de Lavagem de Capitais. O 
presente material tem por objetivo reunir todas as informações que o candidato precisa para resolver 
questões dos certames públicos. Dessa forma, nosso material trouxe uma abordagem doutrinária sobre 
o tema objeto de estudo, a legislação, questões já cobradas em concurso público pelas diversas bancas, 
os informativos, e, por fim, jurisprudência em teses. 
 
1. BREVE RELATO HISTÓRICO INTERNACIONAL 
 
A doutrina diverge quanto à data precisa de quando surgiu esse tipo de crime, mas acredita-se, 
no entanto, que pela década de 1920/1930 com a máfia norte americana. Mas por que Lavagem de 
Capitais, excelência? Candidato, os mafiosos na verdade precisavam ocultar ou dissimular todo o 
lucro exorbitante proveniente da prática criminosa, criando, portanto, lavanderias de roupas, 
exatamente porque não existe forma de se ter um controle externo da quantidade de roupas lavadas, ou 
seja, se a empresa está rendendo muito, não há o que se discutir no sucesso do negócio. 
Em Portugal, Itália e Espanha surgiu a expressão “branqueamento de capitais” que seria um 
sinônimo para lavagem de dinheiro, aquele dinheiro sujo e escuro iria sendo clareado, iria sendo, 
portanto, limpo. Esse termo não foi utilizado no ordenamento brasileiro, tendo em vista o cunho 
“preconceituoso”, “racista” que supostamente teria, afirmando ser um dinheiro limpo/legal apenas 
aquele que fosse branco, enquanto o dinheiro sujo/ilegal seria o preto, escuro. 
O Brasil foi signatário de três importantes tratados internacionais que tinham objeto de reprimir 
a lavagem de capitais: 
- Convenção das Nações Unidas contra o tráfico de entorpecentes e substâncias 
psicotrópicas – A criminalização da Lavagem de Capitais surgiu na CONVENÇÃO DAS NAÇÕES 
UNIDAS contra o TRÁFICO DE ILÍCITO DE ENTORPECENTES, celebrado no ano de 1988, em 
Viena. Na referida Convenção, chegou-se à conclusão de que seria impossível o combate ao tráfico, se 
não houvesse uma repressão às movimentações financeiras realizadas pelo tráfico de drogas. É a 
partir de então que surge a criminalização da Lavagem de Capitais. 
 
1 Revisto, atualizado e editado em 17/01/2024. O manual caseiro é constantemente atualizado e aperfeiçoado. Caso o 
aluno identifique algum ponto que demande atualização, entre em contato através do nosso e-mail: 
manualcaseir@outlook.com. Nossa Equipe encontra-se à disposição para juntos sempre melhorarmos o material. 
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A Convenção de 1988 teve como objetivo promover a cooperação entre os Estados para tratar 
de forma mais eficaz o tráfico de drogas, acabar com os lucros de organizações criminosas através da 
produção de drogas ilícitas e do tráfico e fornecer novas ferramentas aos governos. A Convenção 
também buscou reduzir o sofrimento humano e pediu que os Estados adotassem medidas efetivas nas 
áreas de prevenção, tratamento e reabilitação. 
Desse modo, temos que a criminalização da lavagem de capitais surge da Convenção das 
Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes. Celebrada em Viena em dezembro de 1988. 
Somente após dez anos, em 1998 surge a lei brasileira que regulamentou a lavagem de capitais no 
Ordenamento Jurídico Brasileiro. 
 
- Convenção de Palermo - A Convenção é complementada por três protocolos que abordam 
áreas específicas do crime organizado: o Protocolo Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do 
Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças; o Protocolo Relativo ao Combate ao Tráfico de 
Migrantes por Via Terrestre, Marítima e Aérea; e o Protocolo contra a fabricação e o tráfico ilícito de 
armas de fogo, suas peças e componentes e munições. 
 
- Convenção de Mérida - A Convenção da ONU contra a Corrupção foi assinada em 9 de 
dezembro de 2003, na cidade de Mérida (México) e por isso, é também conhecida como a Convenção 
de Mérida. Teve como principal objetivo promover e fortalecer as medidas para prevenir e combater 
mais eficaz e eficientemente a corrupção. 
A preocupação das Nações em criminalizar a lavagem de capitais, foi exatamente porque esse 
tipo de crime representa um sério risco a atividade do Estado formal. Os delitos são provenientes de 
grandes quantias monetárias e todas estas são ocultadas do Estado para que não sejam descobertas as 
práticas criminosas. A Lavagem de Capitais, portanto, nada mais é que o processo de ocultação ou 
dissimulação de bens, direitos e valores, provenientes de uma infração penal, crime ou contravenção, 
com o objetivo de trazer aparência limpa/lícita a esses recursos. 
O primeiro crime que chamou a atenção e determinou a preocupação das Nações foi o tráfico 
de drogas, desta feita, as primeiras reuniões e tratados, tinham como preocupação inicial a lavagem de 
capitais relacionados ao tráfico de drogas. 
Para memorizar! 
A incriminação da lavagem de dinheiro, veiculada pela Lei n.° 9.613/98, é resultado de 
compromisso assumido pelo Brasil no plano internacional, ao firmar a Convenção de Viena, a 
Convenção de Palermo e a Convenção de Mérida. 
Desse modo, a criminalização posterior da lavagem de capitais é fruto da observância dos 
chamados mandados internacionais de criminalização. 
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2. TERMINOLOGIAS 
 
 
 
A expressão “lavagem de dinheiro” tem origem nos EUA, em 1920, conhecida como “Money 
Laundering”. A origem remonta a cidade de Chicago, na década de 20/30 do século passado, quando 
vários líderes do crime organizado (destaque para Al Capone) abriram lavanderias de fachada nas 
quais superfaturavam os lucros a fim de justificar seus ganhos ilícitos. Cumpre destacarmos ainda que, 
na Espanha e em Portugal utiliza-se a expressão “branqueamento de capitais”. 
Lavagem de dinheiro (ou branqueamento de capitais) é uma expressão que se refere a 
práticas econômico-financeiras que têm por finalidade dissimular ou esconder a origem ilícita 
de determinadosrecebido 
pelo próprio agente público, seja quando recebido por interposta pessoa. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, 
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904). 
 
Recebimento de propina em depósitos bancários fracionados pode configurar lavagem 
Pratica lavagem de dinheiro o sujeito que recebe propina por meio de depósitos bancários fracionados, 
em valores que não atingem os limites estabelecidos pelas autoridades monetárias à comunicação 
compulsória dessas operações. Ex: suponhamos que, na época, a autoridade bancária dizia que todo 
depósito acima de R$ 20 mil deveria ser comunicado ao COAF; diante disso, um Deputado recebia 
depósitos periódicos de R$ 19 mil para burlar essa regra. Para o STF, isso configura o crime de 
lavagem. Trata-se de uma forma de ocultação da origem e da localização da vantagem pecuniária 
recebida pela prática do crime antecedente. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, 
julgado em 29/5/2018 (Info 904). 
 
Lavagem de dinheiro, na modalidade “ocultar”, é crime permanente 
O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”), previsto no art. 1º da Lei nº 
9.613/98, quando praticado na modalidade de ocultação, tem natureza de crime permanente. A 
característica básica dos delitos permanentes está na circunstância de que a execução desses crimes 
não se dá em um momento definido e específico, mas em um alongar temporal. Quem oculta e mantém 
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oculto algo, prolonga a ação até que o fato se torne conhecido. Assim, o prazo prescricional somente 
tem início quando as autoridades tomam conhecimento da conduta do agente. STF. 1ª Turma. AP 
863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866). 
 
Culpabilidade de parlamentar que exerce mandato há muitos anos é mais intensa 
Na primeira fase da dosimetria em caso de condenação por lavagem de dinheiro, o órgão julgador 
poderá aumentar a pena-base do Deputado Federal que exerce mandato há muitos anos, sob o 
argumento de que sua culpabilidade é mais intensa. A transgressão da lei por parte de quem 
usualmente é depositário da confiança popular para o exercício do poder enseja juízo de reprovação 
muito mais intenso do que seria cabível em se tratando de um cidadão comum. STF. 1ª Turma. AP 
863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866). 
 
Pena pode ser aumentada se a lavagem de dinheiro ocorreu por meio de várias transações 
financeiras envolvendo diversos países 
A pena-base pode ser aumentada, no que tange às “circunstâncias do crime”, se a lavagem de dinheiro 
ocorreu num contexto de múltiplas transações financeiras e de múltipla transnacionalidade, o que 
interfere na ordem jurídica de mais de um Estado soberano. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. 
Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866). 
 
Pena pode ser aumentada se o crime de lavagem envolveu grandes somas de valores 
Se a lavagem de dinheiro envolveu valores vultosos, a pena-base poderá ser aumentada 
(“consequências do crime”) tendo em vista que, neste caso, considera-se que o delito violou o bem 
jurídico tutelado de forma muito mais intensa do que o usual. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. 
Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866). 
 
Forma de impugnação contra a decisão que decreta a medida assecuratória prevista no art. 4º da 
Lei de Lavagem de Dinheiro 
É possível a interposição de apelação, com fundamento no art. 593, II, do CPP, contra decisão que 
tenha determinado medida assecuratória prevista no art. 4º, caput, da Lei nº 9.613/98 (Lei de lavagem 
de Dinheiro), a despeito da possibilidade de postulação direta ao juiz constritor objetivando a liberação 
total ou parcial dos bens, direitos ou valores constritos (art. 4º, §§ 2º e 3º, da mesma Lei). O indivíduo 
que sofreu os efeitos da medida assecuratória prevista no art. 4º da Lei nº 9.613/98 tem a possibilidade 
de postular diretamente ao juiz a liberação total ou parcial dos bens, direitos ou valores constritos. No 
entanto, isso não proíbe que ele decida não ingressar com esse pedido perante o juízo de 1º instância e 
queira, desde logo, interpor apelação contra a decisão proferida, na forma do art. 593, II, do CPP. STJ. 
5ª Turma. REsp 1585781-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 28/6/2016 (Info 587). 
 
Fonte: os informativos acima foram extraídos do site www.dizerodireito.com.br, versão resumida. 
 
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11. JURISPRUDÊNCIA EM TESES 
Jurisprudência em Teses do STJ 
EDIÇÃO N. 167: LAVAGEM DE CAPITAIS II 
1) No crime de lavagem de dinheiro que envolve grande quantidade de agentes residentes em diversas 
unidades da federação, a regra de competência do local onde se realizaram as operações irregulares 
será afastada para, em homenagem aos princípios da razoável duração do processo e da celeridade de 
sua tramitação, dar lugar ao foro do domicílio do investigado. 
2) A autoridade judiciária brasileira é competente para julgar os crimes de lavagem ou ocultação de 
dinheiro cometidos, mesmo que parcialmente, no território nacional, bem como na hipótese em que os 
crimes antecedentes tenham sido praticados em prejuízo da administração pública, ainda que os atos 
tenham ocorrido exclusivamente no exterior. 
3) Compete ao juízo processante do crime de lavagem de dinheiro, apreciar e decidir a respeito da 
união dos processos (art. 2º, II, da Lei nº 9.613/98), examinando caso a caso, com objetivo de otimizar 
a entrega da prestação jurisdicional. 
4) O reconhecimento da extinção da punibilidade pela prescrição da infração penal antecedente não 
implica atipicidade do delito de lavagem (art. 1º da Lei nº 9.613/98). 
5) O delito de evasão de divisas é autônomo e antecedente ao crime de lavagem de capitais, não 
constituindo este mero exaurimento impunível daquele, nem consunção entre os abordados crimes. 
6) A prática de organização criminosa (art. 1º, VII, da Lei nº 9.613/98) como crime antecedente da 
lavagem de dinheiro é atípica antes do advento da Lei nº 12.850/2013, por ausência de descrição 
normativa. 
7) Por ser atípico, não se pode invocar a substituição do crime de organização criminosa por 
associação criminosa (art. 288 do Código Penal - CP), pois este não estava incluído no rol taxativo da 
redação original da Lei nº 9.613/1998. 
8) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, é legítima a exasperação da pena-
base pela valoração negativa das consequências do crime em decorrência da movimentação de 
expressiva quantia de recursos envolvidos que extrapole o elemento natural do tipo. 
9) A incidência simultânea do reconhecimento da continuidade delitiva (art. 70 do CP) e da majorante 
prevista no § 4º do art. 1º da Lei nº 9.613/98, nos crimes de lavagem de dinheiro, acarreta bis in idem.10) Os familiares e parentes próximos de pessoas que ocupem cargos ou funções públicas relevantes - 
consideradas pessoas politicamente expostas - PPE, nos termos do art. 2º, da Resolução nº 29, de 
19/12/2017, do COAF - sujeitam-se ao controle estabelecido nos arts. 10 e 11 da Lei nº 9.613/98 a fim 
de ser apurada a possível prática de lavagem de dinheiro. 
11) O art. 1º, § 5º, da Lei nº 9.613/98 trata da delação premiada, ato unilateral, praticado pelo agente 
que, espontaneamente, opta por prestar auxílio tanto à atividade de investigação, quanto à instrução 
procedimental, independente de prévio acordo entre as partes interessadas, cujos benefícios não podem 
ultrapassar a fronteira objetiva e subjetiva da demanda, dada sua natureza endoprocessual. 
12) A atuação de promotores auxiliares ou de grupos especializados, como o Grupo de Atuação 
Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), na investigação de infrações penais, a exemplo 
do crime de lavagem de dinheiro, não ofende o princípio do promotor natural, não havendo que se 
falar em designação casuística. 
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13) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, a autoridade policial e o 
Ministério Público têm acesso, independentemente de autorização judicial, aos dados meramente 
cadastrais de investigados que não são protegidos pelo sigilo constitucional (art. 17-B da Lei nº 
9.613/98). 
14) É possível o deferimento de medida assecuratória em desfavor de pessoa jurídica que se beneficia 
de produtos decorrentes do crime de lavagem, ainda que não integre o polo passivo de investigação ou 
ação penal. 
15) Não há óbice à aplicação imediata das medidas assecuratórias previstas no art. 4º da Lei nº 
9.613/98 e implementadas pela Lei nº 12.683/2012, por se tratarem de institutos de direito processual a 
luz do princípio tempus regit actum. 
 
Jurisprudência em Teses do STJ 
EDIÇÃO N. 167: LAVAGEM DE CAPITAIS I 
1) É desnecessário que o autor do crime de lavagem de dinheiro tenha sido autor ou partícipe da 
infração penal antecedente, basta que tenha ciência da origem ilícita dos bens, direitos e valores e 
concorra para sua ocultação ou dissimulação. 
2) Nos crimes de lavagem de dinheiro, a denúncia é apta quando apresentar justa causa duplicada, 
indicando lastro probatório mínimo em relação ao crime de lavagem de dinheiro e à infração penal 
antecedente. 
3) A aptidão da denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro não exige uma descrição exaustiva 
e pormenorizada do suposto crime prévio, bastando, com relação às condutas praticadas antes da Lei nº 
12.683/2012, a presença de indícios suficientes de que o objeto material da lavagem seja proveniente, 
direta ou indiretamente, de um daqueles crimes mencionados nos incisos do art. 1º da Lei nº 9.613/98. 
4) O crime de lavagem de dinheiro, antes das alterações promovidas pela Lei n. 12.683/2012, estava 
adstrito aos crimes descritos no rol taxativo do art. 1º da Lei n. 9.613/1998. 
5) O tipo penal do art. 1º da Lei nº 9.613/98 é de ação múltipla ou plurinuclear, consumando-se com a 
prática de qualquer dos verbos mencionados na descrição típica e relacionando-se com qualquer das 
fases do branqueamento de capitais (ocultação, dissimulação, reintrodução), não exigindo a 
demonstração da ocorrência de todos os três passos do processo de branqueamento. 
6) O crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificado no art. 1º da Lei nº 
9.613/1998, constitui crime autônomo em relação às infrações penais antecedentes. 
7) Embora a tipificação da lavagem de dinheiro dependa da existência de uma infração penal 
antecedente, é possível a autolavagem - isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, da infração 
antecedente e do crime de lavagem -, desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos 
daquele que compõe a realização da primeira infração penal, circunstância na qual não ocorrerá o 
fenômeno da consunção. 
8) O crime de lavagem de bens, direitos ou valores, quando praticado na modalidade típica de ocultar, 
é permanente, protraindo-se sua execução até que os objetos materiais do branqueamento se tornem 
conhecidos. 
9) A aquisição de bens em nome de pessoa interposta caracteriza-se como conduta, em tese, de 
ocultação ou dissimulação, prevista no tipo penal do art. 1º da Lei n. 9.613/1998, sendo suficiente, 
portanto, para o oferecimento da denúncia. 
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10) A realização, por período prolongado, de sucessivos contratos de empréstimo pessoal para 
justificar ingressos patrimoniais como se renda fossem - sem que se esclareça a forma e a fonte de 
pagamento das parcelas, acrescidas de juros, e sem que isso represente, em nenhum momento, uma 
correspondente redução do padrão de vida do devedor - é apta a configurar, em tese, ato de 
dissimulação da origem ilícita de valores, elemento constituinte do delito de lavagem de dinheiro, que 
extrapole o mero recebimento de vantagens indevidas. 
 
12. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? 
 
1. (Ano: 2022 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: MPE-MS Prova: Promotor de Justiça 
Substituto). Em conformidade com o entendimento consolidado pelo STJ quanto à Lavagem de Bens, 
informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a 
sequência correta. 
( ) É desnecessário que o autor do crime de lavagem de dinheiro tenha sido autor ou partícipe da 
infração penal antecedente, basta que tenha ciência da origem ilícita dos bens, direitos e valores e 
concorra para sua ocultação ou dissimulação. 
( ) O crime de lavagem de bens, direitos ou valores, quando praticado na modalidade típica de ocultar, 
é permanente, protraindo-se sua execução até que os objetos materiais do branqueamento se tornem 
conhecidos. 
( ) A prática de organização criminosa (art. 1º, VII, da Lei nº 9.613/1998) como crime antecedente da 
lavagem de dinheiro é atípica antes do advento da Lei nº 12.850/2013, por ausência de descrição 
normativa. 
( ) Embora a tipificação da lavagem de dinheiro dependa da existência de uma infração penal 
antecedente, é possível a autolavagem – isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, da infração 
antecedente e do crime de lavagem –, desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos 
daquele que compõe a realização da primeira infração penal, circunstância na qual não ocorrerá o 
fenômeno da consunção. 
( ) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, a autoridade policial e o Ministério 
Público não têm acesso, independentemente de autorização judicial, a todos os dados cadastrais de 
investigados, pois são protegidos pelo sigilo constitucional (art. 17-B da Lei nº 9.613/1998). 
A. F – V – F – F – V. 
B. V – V – V – V – F. 
C. V – F – F – V – F. 
D. F – F – V – F – V. 
E. V – V – F –V – V. 
 
2. (Ano: 2022 Banca: FAURGS Órgão: TJ-RS Prova: Juiz Substituto). Em uma sociedade por 
ações "A", dois executivos desenvolvem estratégia para obter importante contrato com uma sociedade 
de economia mista “M”. Eles decidem que a maneira mais “eficiente” de o conseguir é procurar um 
diretor da empresa “M” e oferecer-lhe 10% do valor do contrato. O valor equivalente a essa 
porcentagem seria repassado a uma conta de uma empresa "fantasma", em nome de "laranja", para que 
depois pudesse ser reinvestido no mercado de bitcoins. E assim foi feito. Nesse cenário global, pode-se 
identificar o cometimento dos seguintes crimes: 
A. peculato e lavagem de dinheiro. 
B. corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 
C. organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 
D. organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 
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E. organização criminosa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. 
 
3. (Ano: 2022 Banca: FAURGS Órgão: TJ-RS Prova: Juiz Substituto). Cinco agentes, formando 
uma organização criminosa, em 2007, praticaram condutas caracterizadoras do crime de lavagem de 
dinheiro, previsto no art. 1º da Lei nº 9.613/98. O caso veio a julgamento em 2014. Considerando a 
jurisprudência do STF e STJ em matéria penal, assinale a afirmativa correta. 
A. Os agentes devem ser punidos pelo crime de lavagem de dinheiro, tendo como delito antecedente o 
delito de organização criminosa previsto na Lei nº 12.850/13. 
B. Os agentes devem ser punidos pelo crime de lavagem de dinheiro, tendo como delito antecedente o 
delito de organização criminosa tal qual definido na Convenção de Palermo. 
C. Os agentes devem ser punidos pelo crime de lavagem de dinheiro, dada a extinção do rol de delitos 
antecedentes com o advento da Lei nº 12.683/12. 
D. Os agentes não devem ser punidos pelo crime de lavagem de dinheiro, por força da reserva 
constitucional absoluta de lei em sentido formal (CF, art. 5º, inciso XXXIX; CP, art. 1º). 
E. Os agentes devem ser punidos pelo crime de lavagem de dinheiro, considerando-se o crime de 
formação de quadrilha como equiparável ao delito de organização criminosa. 
 
4. Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: MPE-GO Prova: Promotor de Justiça Substituto). A medida 
assecuratória de indisponibilidade de bens prevista no Art. 4º, §4º, da Lei nº 9.613/1998 permite a 
constrição de: 
A. bens, direitos ou valores oriundos da prática criminosa apenas para reparação do dano decorrente do 
crime; 
B. quaisquer bens, direitos ou valores para reparação do dano decorrente do crime ou para pagamento 
apenas de pena de multa; 
C. bens, direitos ou valores oriundos da prática criminosa apenas para pagamento de prestação 
pecuniária, pena de multa e custas processuais; 
D. quaisquer bens, direitos ou valores para reparação do dano decorrente do crime ou para pagamento 
de prestação pecuniária, pena de multa e custas processuais; 
E. bens, direitos ou valores oriundos da prática criminosa para reparação do dano decorrente do crime 
ou para pagamento de prestação pecuniária, pena de multa e custas processuais. 
 
5. (Ano: 2018. Banca: FUMARC. Órgão: PC-MG. Prova: Delegado de Polícia Substituto). Em 
relação aos aspectos processuais da lei de lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98), pode-se afirmar: 
A. A alienação de bens objeto de medidas assecuratórias depende da existência de trânsito em julgado 
de sentença condenatória. 
B. A competência para o julgamento do delito de lavagem de dinheiro será da justiça federal. 
C. A denúncia deverá ser instruída com indícios suficientes da existência de infração penal 
antecedente. 
D. A persecução penal em juízo depende da comprovação, mediante sentença condenatória, de 
infrações penais antecedentes. 
 
6. (Ano: 2018. Banca: FUNDATEC. Órgão: PC-RS. Prova: Delegado de Polícia). Considerando a 
disciplina das leis de Proteção a Vítimas e a Testemunhas, Lavagem de Dinheiro e Organizações 
Criminosas, assinale a alternativa correta. 
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A. Em caso de vítimas ou testemunhas de crimes que estejam coagidas ou expostas a grave ameaça em 
razão de colaborarem com a investigação ou processo criminal, deverá o delegado de polícia, 
independente de anuência da pessoa protegida, ou de seu representante legal, providenciar a sua 
inclusão em programas especiais organizados para a proteção especial a vítimas e a testemunhas. 
B. Para a punição dos crimes previstos na Lei nº 9.613/1998, exige-se a punibilidade da infração penal 
antecedente, ainda que desconhecida a sua autoria. 
C. Não constitui direito do agente infiltrado recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada conforme 
disposto na Lei nº 12.850/2013. 
D. Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem 
sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua 
manutenção, ouvido o proprietário ou possuidor direto do bem objeto da medida assecuratória, nos 
termos da Lei nº 9.613/1998. 
E. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem prejuízo de remuneração e 
demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente autorize, em decisão fundamentada, o seu 
retorno, nos termos da Lei nº 9.613/1998. 
 
7. (Ano: 2018. Banca: FUNDATEC. Órgão: PC-RS. Prova: Delegado de Polícia). A respeito das 
condutas incriminadas pela Lei nº 9.613/1998, denominada Lei de Lavagem de Dinheiro, analise as 
assertivas que seguem: 
I. De acordo com o entendimento atual do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, o crime de 
lavagem de bens, direitos ou valores, praticado na modalidade de ocultação, tem natureza de crime 
permanente, logo, a prescrição somente começa a contar do dia em que cessar a permanência. 
II. O crime de lavagem de bens, direitos ou valores é composto por três fases: a colocação (placement), 
a ocultação (layering) e a integração (integration), devendo todas estarem configuradas para o 
enquadramento da conduta na figura criminosa. 
III. A pena será aumentada de um a dois terços, quando forem constatadas várias transações 
financeiras, soma de grandes valores e, além disso, houver prova de que o sujeito integre organização 
criminosa. 
Quais estão corretas? 
A. Apenas I. 
B. Apenas II. 
C. Apenas III. 
D. Apenas I e III. 
E. I, II e III. 
 
8. (Ano: 2018. Banca: CESPE. Órgão: PC-MA. Prova: Delegado de Polícia Civil). A colaboração 
premiada nos casos de lavagem de capitais 
A. será válida somente se o colaborador indicar a autoria do crime antecedente que originou a lavagem 
de ativos. 
B. será nula se não contar com a participação do órgão julgador na elaboração do acordo. 
C. tem como benefício, entre outros, a substituição da pena privativa de liberdadeE
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pratica também a lavagem de capitais —, por entender que esse seria um caso de mero exaurimento do 
fato antecedente. 
 
19. (Ano: 2017. Banca: CESPE. Órgão: DPU. Prova: Defensor Público Federal). Em assalto a 
uma agência bancária, Lúcio conseguiu alta monta financeira. Com parte do dinheiro, ele comprou 
imóvel em nome próprio, tendo declarado na escritura de compra e venda valor inferior ao que foi 
efetivamente pago pelo imóvel. Em seguida, 
Lúcio vendeu o bem pelo valor de mercado, o que tornou lícito o proveito econômico do crime 
praticado. 
Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte à luz da legislação e da doutrina pertinentes à 
lavagem de dinheiro e à extinção de punibilidade. 
Conforme a legislação específica, para que Lúcio seja condenado pelo crime de lavagem de dinheiro, é 
necessário que haja condenação, ao menos em primeiro grau, pelo crime de roubo à agência bancária. 
 
20. (Ano: 2017. Banca: CESPE. Órgão: DPU. Prova: Defensor Público Federal). Em cada um do 
item seguinte é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada à luz das 
disposições constitucionais e legais a respeito de competência. 
Ricardo foi denunciado pela prática do crime de lavagem de capitais provenientes do tráfico 
internacional de drogas. Nessa situação, o crime de lavagem de capitais será processado e julgado pela 
justiça federal, haja vista a competência constitucional do crime antecedente. 
 
21. (Ano: 2017. Banca: MPE-RS. Órgão: MPE-RS. Prova: Promotor de Justiça).O detentor de 
recursos provenientes da exploração do jogo do bicho, usando empresa da qual é proprietário, emite 
títulos de crédito frios em favor de seu parceiro, com a finalidade específica de dar aparência de 
licitude à parte deste nos lucros da atividade ilegal. Propositadamente, os títulos não são pagos no 
vencimento e encaminhados a cartório para protesto. Notificado, o proprietário da empresa liquida os 
títulos usando dinheiro em espécie, recebido pelo cartório, que não questiona a origem dos recursos e 
os deposita em sua própria conta bancária, o que faz com que a instituição financeira também não 
questione a origem dos recursos, pois provenientes da liquidação de títulos em cartório. Por fim, o 
cartório credita os valores na conta do credor. 
Com base no fato descrito acima, assinale a alternativa correta. 
A. De acordo com o art. 1º da Lei n. 9.613/98, “Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, 
disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou 
indiretamente, de infração penal” constitui-se em crime de lavagem de dinheiro, punido com reclusão, 
de três a 10 (dez) anos, e multa, desde que não extinta a punibilidade da infração antecedente. 
B. O atual tratamento legal ao crime de lavagem de dinheiro no Brasil insere-se na doutrinariamente 
designada terceira fase ou terceira geração da repressão penal a tal tipo de delito. 
C. No caso hipotetizado na questão, apesar da intenção específica dos envolvidos em emprestar 
aparência de licitude aos recursos através de tais manobras, o crime de lavagem de dinheiro não estaria 
configurado em virtude de terem sido os recursos provenientes da prática de contravenção penal. 
D. Na hipótese de participação delitiva do funcionário do cartório no crime de lavagem de dinheiro, 
que exatamente por isso não questionava a origem dos recursos em espécie dados em pagamento dos 
títulos, consequência legal imediata e automática de seu indiciamento pela autoridade policial seria a 
do afastamento do cargo, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até o trânsito 
em julgado da sentença penal. 
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E. Não há crime de lavagem de dinheiro se o agente deposita o dinheiro obtido com a corrupção em 
sua própria conta bancária e o consome em viagens, passeios e restaurantes. O simples aproveitamento 
econômico do produto de uma infração penal não configura o delito de lavagem. Mas, a utilização 
culposa, na atividade econômica ou financeira, de bens, direitos ou valores provenientes de infração 
penal, configura espécie de crime de lavagem de dinheiro. 
 
22. (Ano: 2016. Banca: MPE-SC. Órgão: MPE-SC. Prova: Promotor de Justiça – Matutina). Nos 
crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, previstos na Lei n. 9.613/98 (Lavagem 
de Dinheiro), incorre nas mesmas penas quem participa de escritório tendo conhecimento de que sua 
atividade principal ou, até mesmo secundária, é dirigida à prática de crimes previstos na 
supramencionada legislação repressiva. 
 
23. (Ano: 2012. Banca: MPE-GO. Órgão: MPE-GO. Prova: Promotor de Justiça). Em matéria de 
lavagem de capitais, é correto afirmar que: 
A. Quando o crime antecedente for de competência da Justiça Federal, disciplina o art. 2º, inciso III, 
"b", da Lei nº 9.613/98, que a competência para o julgamento, excepcionalmente será da Justiça 
Estadual. 
B. A lavagem de capitais segundo a Lei nº 9.613/98 somente poderá ocorrer na modalidade culposa em 
uma única situação. 
C. Os ingressos de quantidades pequenas de dinheiro em contas bancárias configura modalidade de 
reciclagem de dinheiro conhecida como "pitufeo" ou "smurfing". 
D. Na Lei nº 9.613/98 não é admissível a delação premiada. 
 
24. (Ano: 2017. Banca: CESPE. Órgão: TJ-PR. Prova: Juiz Substituto). Considerando a 
jurisprudência do STF e do STJ sobre os princípios informativos do direito penal e da teoria geral da 
pena, assinale a assertiva. 
Devido ao fato de o crime de lavagem de capitais ser de caráter acessório, a participação do agente no 
crime antecedente é indispensável à configuração daquele crime. 
 
25. (Ano: 2021 Banca: FUNDEP Órgão: MPE-MG Prova: Promotor de Justiça Substituto). A 
respeito do delito de lavagem de dinheiro, é INCORRETO afirmar: 
A. A condenação pelo delito de lavagem de dinheiro não pressupõe a determinação da autoria do delito 
antecedente. 
B. O delito de lavagem de dinheiro pode ter por antecedente uma contravenção penal, pois o sistema 
brasileiro opera com o chamado rol aberto de infrações anteriores. 
C. Se o agente participa do delito principal antecedente, a subsequente lavagem de dinheiro configura 
um post factum impunível. 
D. Na legislação brasileira, o delito de lavagem de dinheiro não é punível na modalidade culposa, 
sendo exigível o dolo em todas as modalidades típicas. 
 
26. ( Ano: 2021 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-PA Provas: Escrivão de Polícia Civil). 
Assinale a alternativa correta segundo a Lei de “Lavagem” ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores 
(Lei nº 9.613/1998). 
A. A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nessa Lei forem cometidos de 
forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. 
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B. No crime de lavagem de dinheiro, não se admite a tentativa. 
C. Para a apuração do crime de lavagem, admite-se a utilização da ação controlada, vedada a 
infiltração de agentes. 
D. A pena poderá ser reduzida até a metade e ser cumprida em regime aberto, se o autor colaborar 
espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das 
infrações penais. 
E. O processo e o julgamento dos crimes previstos nessa Lei são da competência da Justiça Federal. 
 
27. (Ano: 2021 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal). Em 
relação ao disposto na Lei n.º 9.613/1998, que se refere à lavagem de dinheiro, julgue o item a seguir. 
No que se refere ao investigado, a autoridade policial terá acesso a dados cadastrais relativos à 
qualificação pessoal, à filiação e ao endereço mantidos nos bancos de dados da justiça eleitoral, de 
empresas telefônicas, de instituições financeiras, de provedores de Internet e de administradoras de 
cartão de crédito, independentemente de autorização judicial. 
 
28. Ano: 2021 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal). Em 
relação ao disposto na Lei n.º 9.613/1998, que se refere à lavagem de dinheiro, julgue o item a seguir. 
É requisito específico da denúncia a existência de indícios suficientes da ocorrência do crime 
antecedente cuja punibilidade não esteja extinta. 
 
29. (Ano: 2021 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal). Em 
relação ao disposto na Lei n.º 9.613/1998, que se refere à lavagem de dinheiro, julgue o item a seguir. 
Ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional do acusado citado por edital que não 
comparecer nem constituir advogado. 
 
30. (Ano: 2021 Banca: IDECAN Órgão: PC-CE Prova: Escrivão de Polícia Civil). Acerca da Lei 
9.613/1998 e consoante entendimento dos tribunais superiores, assinale a alternativa correta. 
A. O processo e o julgamento pelo crime de lavagem de dinheiro ficam condicionados ao julgamento 
das infrações penais antecedentes. 
B. A infração penal antecedente não influencia na fixação da competência do delito de lavagem de 
capitais. 
C. Para o crime de lavagem de capitais, precisam estar presentes, cumulativamente, a colocação, a 
integração e a ocultação. 
D. Sendo o delito de lavagem de dinheiro crime material, somente se consuma se os valores forem 
efetivamente introduzidos no sistema financeiro. 
E. O delito de lavagem de dinheiro só admite a modalidade dolosa. 
 
 
 
GABARITO 
 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
B B D D C E A C E A 
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11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 
C E C C E C C E E C 
21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 
B C C E C A C E E E 
 
 
Sugerimos a leitura dos dispositivos abaixo da Lei de Lavagem de Capitais pois foram fundamento 
de respostas das questões já cobradas no concurso de Delegado. 
 
Ver art. 1º. §3 §4 §5 da Lei n. 9.613/98; 
Ver art. 2º, II da Lei n. 9.613/98; 
Ver art. 2º, III da Lei n. 9.613/98 – hipóteses de competência da Justiça Federal; 
Ver art. 2º § 1º da Lei n. 9.613/98 – justa causa duplicada. 
Ver art. 2º § 2º da Lei n. 9.613/98 – inaplicabilidade do art. 366 do CPP na Lavagem de Capitais. 
Ver art. 4º da Lei n. 9.613/98 – possibilidade de decretação das medidas assecuratórias de OFÍCIO 
pelo juiz. 
Ver art. 4º §2º da Lei n. 9.613/98; 
Ver art. 4º §3º da Lei n. 9.613/98; 
Ver art. 14 §3º da Lei n. 9.613/98; 
Ver art. 17-D §3º da Lei n. 9.613/98 – afastamento do cargo em virtude de indiciamento por crime de 
lavagem de capitais: possibilidade, sem prejuízo da remuneração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar/?categoria=11&subcategoria=124&ass
unto=285&palavra-chave=lavagem&criterio-pesquisa=e 
 
www.dizerodireito.com.br 
 
https://www.qconcursos.com/questoes-de-
concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=9&scholarity_ids%5B%5D=3&subject_ids%5B%5D=17
71 
 
https://nacoesunidas.org/convencao-da-onu-contra-trafico-de-entorpecentes-e-substancias-
psicotropicas-faz-25-anos/ 
 
https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/articulacao-internacional/convencao-da-onu 
 
https://jus.com.br/artigos/21395/breves-comentarios-sobre-a-teoria-da-cegueira-deliberada-willful-
blindness-doctrine 
https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1380321/qual-e-o-conceito-de-lavagem-de-capitais 
 
https://www.youtube.com/watch?v=OVrFwNJhn4o 
. 
 
Questões de concursos extraídas da plataforma Qconcursos www.qconcursos.com.br 
 
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20
MISTO%20ALTERNATIVO 
 
https://www.youtube.com/watch?v=MtUGe_pRm70 
 
GABRIEL HABIB, Leis Penais Especiais. Volume único. 10a ed. 2018. Editora Juspodivm. 
 
LEIS PENAIS EXTRAVAGANTES. Teoria, jurisprudência e questões comentadas – Análise artigo 
por artigo. Cláudia Barros Portocarrero; Wilson Luiz Palermo Ferreira. 5ª edição Revista, atualizada e 
ampliada. 2020. Editora Juspodivm. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lavagem_de_dinheiro#:~:text=Lavagem%20de%20dinheiro%20(ou%20
branqueamento,que%2C%20pelo%20menos%2C%20a%20origem . 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar/?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285&palavra-chave=lavagem&criterio-pesquisa=e
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar/?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285&palavra-chave=lavagem&criterio-pesquisa=ehttp://www.dizerodireito.com.br/
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=9&scholarity_ids%5B%5D=3&subject_ids%5B%5D=1771
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=9&scholarity_ids%5B%5D=3&subject_ids%5B%5D=1771
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=9&scholarity_ids%5B%5D=3&subject_ids%5B%5D=1771
https://nacoesunidas.org/convencao-da-onu-contra-trafico-de-entorpecentes-e-substancias-psicotropicas-faz-25-anos/
https://nacoesunidas.org/convencao-da-onu-contra-trafico-de-entorpecentes-e-substancias-psicotropicas-faz-25-anos/
https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/articulacao-internacional/convencao-da-onu
https://jus.com.br/artigos/21395/breves-comentarios-sobre-a-teoria-da-cegueira-deliberada-willful-blindness-doctrine
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https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1380321/qual-e-o-conceito-de-lavagem-de-capitais
https://www.youtube.com/watch?v=OVrFwNJhn4o
http://www.qconcursos.com.br/
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20MISTO%20ALTERNATIVO
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20MISTO%20ALTERNATIVO
https://www.youtube.com/watch?v=MtUGe_pRm70
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lavagem_de_dinheiro#:~:text=Lavagem%20de%20dinheiro%20(ou%20branqueamento,que%2C%20pelo%20menos%2C%20a%20origem
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lavagem_de_dinheiro#:~:text=Lavagem%20de%20dinheiro%20(ou%20branqueamento,que%2C%20pelo%20menos%2C%20a%20origem
	1. BREVE RELATO HISTÓRICO INTERNACIONAL
	2. TERMINOLOGIAS
	3. “LAVAGEM DE DINHEIRO OU LAVAGEM DE CAPITAIS”
	3.1. CRIME ANTECEDENTE
	3.2. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA – LEI Nº. 12.683/12
	3.3. TRÊS GERAÇÕES DE DISCIPLINA INCRIMINADORA DA LAVAGEM DE DINHEIRO
	3.3.1. 1 GERAÇÃO
	3.3.2. 2º GERAÇÃO
	3.3.3. 3º GERAÇÃO
	3.4. BEM JURÍDICO PROTEGIDO
	3.4.1. 1ª CORRENTE - MESMO BEM JURÍDICO QUE A INFRAÇÃO ANTECEDENTE
	3.4.2. 2ª CORRENTE - ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA
	3.4.3. 3ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA
	3.4.4. 4ª CORRENTE PLURALIDADE DE BEM JURÍDICO
	3.4.5. 5ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA DE FORMA IMEDIATA E A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA DE UMA FORMA MEDIATA
	3.5. INCRIMINAÇÃO DA CHAMADA “AUTOLAVAGEM”
	3.5.1 AUTOLAVAGEM
	3.5.1 RESERVA DE AUTO LAVAGEM
	3.6. ADMISSIBILIDADE DA “LAVAGEM EM CADEIA”
	3.7. TEORIA DAS INSTRUÇÕES DO AVESTRUZ, CEGUEIRA INTENCIONAL OU CEGUEIRA DELIBERADA.
	3.8. ETAPAS OU FASES DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS
	3.8.1. DINHEIRO SUJO
	3.8.1.1. 1º Fase: Colocação/Placement
	3.8.1.2. 2º Fase: Ocultação/Dissimulação
	3.8.2. DINHEIRO APARENTEMENTE LIMPO
	3.8.2.1.3 Fase: Integração/Integration
	3.9. ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS
	4. NOÇÕES GERAIS
	4.1. SUJEITOS DO DELITO
	4.2. TIPICIDADE OBJETIVA
	4.2.1. LEGISLAÇÃO
	4.2.2. TIPO PENAL MISTO ALTERNATIVO
	4.2.3. ADMISSIBILIDADE DA TENTATIVA
	4.2.4. CAUSA DE AUMENTO DE PENA
	4.2.5. CAUSA DE REDUÇÃO DE PENA
	4.2.6. PACOTE ANTICRIME
	4.3. TIPICIDADE SUBJETIVA
	4.3.1. DOLO DIRETO E DOLO EVENTUAL
	4.4. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA
	4.5. JUSTA CAUSA DUPLICADA
	4.6. AÇÃO PENAL
	4.7. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO CRIME DE LAVAGEM
	4.8. INAPLICABILIDADE DO ART. 366 DO CPP
	4.9. INDICIAMENTO DE SERVIDOR PÚBLICO E AFASTAMENTO
	4.10. EFEITOS DA CONDENAÇÃO
	5. COAF
	6. MEDIDA ASSECURATÓRIA DE INDISPONIBILIDADE DE BENS
	7. AÇÃO CONTROLADA
	6.1. COLABORAÇÃO PREMIADA NA LAVAGEM DE CAPITAIS
	8. PACOTE ANTICRIME: ALTERAÇÕES NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS – LEI N. 9.613/1998
	9. JÁ CAIU CESPE
	10. INFORMATIVOS
	11. JURISPRUDÊNCIA EM TESES
	12. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR?
	13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASativos financeiros ou bens patrimoniais, de forma a que tais ativos aparentem 
uma origem lícita ou a que, pelo menos, a origem ilícita seja difícil de demonstrar ou provar. 
Em outras palavras, lavar dinheiro é simular uma operação financeira para justificar valores 
obtidos por meios ilícitos ou não declarados. Um exemplo seria a emissão de notas fiscais 
falsas (por advogados, consultores, médicos...) de serviços não prestados de fato (logo, notas 
falsas) para justificar o recebimento de valores que, na verdade, foram recebidos por propina, 
venda de drogas ou simplesmente não declarados ao fisco no momento correto. É uma forma 
de se justificar a existência de valores ou bens obtidos de forma inidônea através de falsas 
operações idôneas. 
 
No Ordenamento Jurídico Brasileiro, de modo a se evitar uma conotação “racista” 
(branqueamento de capitais), optou-se pelo emprego da expressão “lavagem de capitais”. 
Nesse contexto, a expressão “lavagem” não constitui o ato de lavar o dinheiro utilizando-se 
água e produtos químicos. A metáfora simboliza, na verdade, a necessidade de o dinheiro sujo, cuja 
origem corresponde ao produto de determinada infração penal, ser lavado por várias formas na 
ordem econômico-financeira com o objetivo de conferir a ele uma aparência lícita (limpa), sem deixar 
rastro de sua origem espúria. 
 
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3. “LAVAGEM DE DINHEIRO OU LAVAGEM DE CAPITAIS” 
 
O próprio artigo 1º da Lei n. 9.613/98 define a lavagem de dinheiro como “ocultar ou 
dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, 
direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal”. 
No tocante a doutrina, segundo Março Antônio de Barros2, “lavagem é o método pelo qual uma 
ou mais pessoas, ou uma ou mais organizações criminosas, processam os ganhos financeiros ou 
patrimoniais obtidos com determinadas atividades ilícitas. Sendo assim, lavagem de capitais consiste 
na operação financeira ou transação comercial que visa ocultar ou dissimular a incorporação, 
transitória ou permanente, na economia ou no sistema financeiro do país, de bens, direitos ou valores 
que, direta ou indiretamente, são resultado de outros crimes, e a cujo produto ilícito se pretende dar 
lícita aparência”. 
 
3.1. CRIME ANTECEDENTE 
A prática do crime de lavagem de capitais pressupõe a prática de uma outra infração penal, essa 
outra infração penal é denominada pela doutrina como infração penal antecedente, tornando o crime 
de lavagem de capitais um crime acessório. 
O crime parasitário, de fusão ou acessório, é o que depende da prática de um crime anterior. 
Assim, é um crime que não tem existência autônoma, já que depende de um crime antecedente. Tem-
se como exemplo a receptação (art. 180, CP), o favorecimento pessoal (art. 348, CP), favorecimento 
real (art. 349, CP), e, por fim, a lavagem de capitais. 
Diz-se assim que o crime de lavagem de capitais depende da existência de um crime 
antecedente. Ou seja, para que o dinheiro se torne “sujo” e, a partir daí, seja passível do processo de 
lavagem, é necessária uma prática criminosa anterior para obter o mesmo. Dessa forma, antes que 
ocorra a lavagem de dinheiro, sempre teremos um crime relacionado. 
Observação 1: a participação no delito antecedente não é condição para que possa o agente ser 
sujeito ativo da lavagem de dinheiro. 
Observação 2: na atual redação da lei brasileira, não há rol de crimes antecedentes, pois bens, 
direitos ou valores provenientes de qualquer infração penal poderão ser objeto de lavagem de dinheiro, 
de modo a abranger até mesmo as contravenções penais, nomeadamente o jogo do bicho e o jogo de 
azar (LCP, arts. 58 e 50). 
 
 
2 (Lavagem de capitais e obrigações civis correlatas - com comentários, artigos por artigos, à Lei 9.613/98. São Paulo: 
Malheiros, 2004. P. 53). 
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Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? 
Ano: 2023 Banca: MPE-RS Órgão: MPE-RS Prova: MPE-RS - 2023 - MPE-RS - Promotor de 
Justiça. Considere as seguintes afirmações sobre os crimes de lavagem de dinheiro (Lei no 9.613, 
de 03 de março de 1998). 
 
I - Atualmente, a legislação brasileira admite qualquer infração penal capaz de produzir ativos 
financeiros como antecedente para o crime de lavagem de dinheiro, inclusive as contravenções penais. 
II - Ao sujeito ativo do crime de lavagem de dinheiro não é exigido que tenha participado ou 
concorrido do crime antecedente, e sim basta que tenha conhecimento, de qualquer modo, que os bens 
ocultados tenham uma origem ilícita. 
III - Somente é possível o crime de lavagem de dinheiro se houver uma infração penal antecedente. 
Entretanto, basta a comprovação de indícios suficientes da existência da infração penal antecedente, 
não exigindo a legislação pátria a condenação do(s) autor(es) pela prática do delito antecedente, sendo 
que, mesmo extinto o processo da infração penal antecedente pela prescrição da pretensão punitiva do 
Estado, permanece a possibilidade de punição pelo crime de lavagem de dinheiro vinculado a ela. 
IV - A Lei no 9.613 (Lavagem de Dinheiro), de 03 de março de 1998, trata, essencialmente, de delitos 
dolosos, não prevendo tipo penal culposo. 
Quais afirmações estão corretas? 
Alternativas 
A. Apenas IV. 
B. Apenas I e II. 
C. Apenas I, II e III. 
D. Apenas II, III e IV. 
E. I, II, III e IV. 
Gabarito E. 
3.2. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA – LEI Nº. 12.683/12 
Em sua redação original, o crime do art. 1°, da Lei n.º 9.613/98 previa como crime a conduta de 
ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de 
bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime. Contudo, após a alteração na 
redação atual, a conduta criminosa consiste em “ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, 
disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou 
indiretamente, de infração penal”. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012). 
Denota-se que a lei anterior previa que só haveria o delito de lavagem se houvesse a prática de 
um crime antecedente. Com a nova redação dada ao art. 1º, o delito de lavagem depende da prática de 
uma infração penal que o preceda, que pode ser um crime ou uma contravenção como, por exemplo, 
o jogo do bicho e a exploração de máquinas caça-níqueis. 
Com a nova redação do art. 1º, “caput”, da Lei n.º 9.613/98, alterada pela Lei n.º12.683/12, fora 
revogado todos os tipos penais antecedentes da caracterização da lavagem de capitais. Assim: 
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a) revogou-se todos os crimes antecedentes; e 
b) ampliação para o termo para infração penal; 
Além da revogação dos incisos do art. 1º, o caput do art. 1º sofreu também alteração, 
modificando a expressão crime por infração penal. Vale lembrar, a expressão infração penal, inclui o 
crime e a contravenção penal. 
Anteriormente, só se tipificava a lavagem de capitais se o crime antecedente fosse um dos 
elencados na lei de lavagem de capitais. Com a referida modificação, passou-se a admitir quaisquer 
infrações penais como crime antecedente. 
 
3.3. TRÊS GERAÇÕES DE DISCIPLINA INCRIMINADORA DA LAVAGEM 
DE DINHEIRO 
 
 
O tema gerações da lavagem de capitais é um conteúdo recorrente em provas de Delegado, 
exigindo do candidato um estudo atencioso. 
Destaca-se que essas gerações não são da lavagem, e sim das Leis de Lavagens, as diferentes 
visões do legislador durante o tempo acerca do tema. 
Nesse sentido, existem três gerações das leis que tratam do tema lavagem de dinheiro. 
As leis de primeira geração são aquelas que trazem apenas o delito de tráfico de drogas como 
infração penal antecedente. As leis de segunda geração estabelecem um rol das denominadas 
infrações penais antecedentes, das quais se pode lavar dinheiro. Por fim, as denominadas leis de 
terceira geração são aquelas que admitem qualquer infração penal como antecedente. A lei brasileira 
surge inicialmente como uma lei de segunda geração, uma vez que trazia no seu art. 1º um rol de 
infrações penais antecedentes das quais poderia haver a lavagem de dinheiro proveniente delas. 
Entretanto, com a alteração operada pela Lei n.° 12.683/2012, ocorreu a revogação desse rol de 
infrações penais antecedentes, passando a ser possível a lavagem do produto de qualquer infração 
penal, razão pela qual se conclui que a lei brasileira passou a ser uma lei de terceira geração. 
1° Geracão
2° Geracão
3° Geracão
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3.3.1. 1° GERAÇÃO 
Tinha como infração antecedente apenas o tráfico de drogas. Se o indivíduo fizesse ocultação 
ou dissimulação de um dinheiro proveniente de um roubo de carga, por exemplo, nesta geração não 
tínhamos um crime de Lavagem de Capitais. Desse modo, temos que o crime de tráfico de drogas 
era a única infração penal antecedente na lavagem de capitais. Inclusive, a criminalização da 
lavagem surgiu na Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico de entorpecentes em Viena. Assim, 
logo após a Convenção de Viena, as primeiras leis que incriminaram a lavagem de capitais traziam 
apenas o tráfico ilícito de drogas como crime antecedente, razão pela qual ficaram conhecidas como 
legislações de primeira geração. 
 
3.3.2. 2º GERAÇÃO 
Com a evolução da preocupação e a constatação de que não era apenas o tráfico de drogas uma 
infração passível de ocultação ou dissimulação, foram criados um rol taxativo de infrações 
antecedentes. Exemplo: Lei n.° 9.613/98 em sua redação original. 
Em decorrência da relevância e necessidade de se coibir a movimentação financeira do produto 
financeiro de outros delitos, também considerados graves, houve uma ampliação do rol dos crimes 
antecedentes numerus clausus), ou seja, um ROL TAXATIVO, dando origem, assim, às legislações 
de segunda geração. 
No Brasil, a Lei nº 9.613 de 98 era em sua redação original uma lei de segunda geração, pois 
contemplava em sua redação originária um rol taxativo de crimes antecedentes da lavagem de capitais. 
 
3.3.3. 3º GERAÇÃO 
Aboliu o rol taxativo e permitiu que qualquer infração penal possa ser infração antecedente 
para Lavagem de Capitais, crime ou contravenção. Nossa atual legislação, é classificada como de 
terceira geração. Exemplo: a contravenção penal que possui vasta geração de bens e valores, “jogo do 
bicho”. 
JÁ CAIU CESPE: 
(Ano: 2015 Órgão: TCE-RN Prova: Auditor). A respeito dos crimes de lavagem de dinheiro e de 
abuso de autoridade, julgue o item subsequente. 
A lei brasileira que criminaliza a lavagem de dinheiro classifica-se como de terceira geração, pois 
admite que o delito de lavagem de dinheiro pode ter como precedente qualquer ilícito penal. 
Gab. CERTO. 
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Vamos Esquematizar? 
1° Geração 2° Geração 3° Geração 
Apenas o tráfico de drogas 
era infração penal 
antecedente do crime de 
lavagem de capitais. 
Amplia-se o rol dos crimes 
antecedentes, agora, poderá 
ser infração penal antecedente 
não apenas o crime de tráfico 
de drogas. Temos um rol 
taxativo de infrações penais 
antecedentes. 
Amplia-se mais ainda esse “rol”. 
Agora, qualquer infração penal 
possa ser infração antecedente 
para Lavagem de Capitais, crime 
ou contravenção. 
 
 Para memorizar!!! 
a) Lei de 1° Geração: é aquela lei que em se prevê o tráfico de drogas como a única infração penal 
antecedente. 
b) Lei de 2° Geração: são as leis que surgiram posteriormente e que, além do tráfico ilícito de drogas, 
trouxeram um rol taxativo de crimes antecedentes, ampliando a repressão à lavagem. 
c) Lei de 3° Geração: são leis estabelecem que qualquer ilícito penal pode ser antecedente da lavagem 
de dinheiro. 
 
Candidato, é possível afirmamos que toda e qualquer infração penal pode ser infração 
antecedente ao crime de Lavagem de Capitais? Segundo a doutrina, NÃO! Essa infração tem que ser 
produtora, ou seja, capaz de gerar bens, direitos e valores passível de ocultação ou dissimulação. 
Exemplo. Contravenção penal de vias de fato, alguém empurra outra pessoa, vai ser possível a 
Lavagem de Capitais em razão dessa infração antecedente? Certamente que não. Apesar de possuir um 
termo permissível legal, na prática não serão todas as infrações que antecedem o crime em estudo. 
Vale ressaltar que a Lavagem de Capitais não necessariamente será um crime complexo, por 
exemplo; em uma situação hipotética, o traficante de drogas quer comprar uma moto importada que 
custa R$ 50.000,00 mas sabe que se comprar em nome próprio irá ser confiscada em poucos instantes, 
para tanto solicita a um familiar que seja servidor público de alto escalão e que tenha rendimentos 
justificáveis, que compre o veículo em seu nome e o deixe de posse do traficante, uma atitude simples, 
mas que dissimulou um bem de valor proveniente do tráfico com aparência de licitude. 
 
3.4. BEM JURÍDICO PROTEGIDO 
Neste âmbito temos em tese cincocorrentes: 
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3.4.1. 1ª CORRENTE - MESMO BEM JURÍDICO QUE A INFRAÇÃO ANTECEDENTE 
A primeira corrente defende que o bem jurídico tutelado no crime de lavagem de capitais 
deverá ser o mesmo da infração penal antecedente. Assim, se a lavagem de capitais é proveniente do 
tráfico de drogas o bem jurídico a ser tutelado seria a saúde pública. A doutrina afirma ser uma 
corrente com posicionamento equivocado, tendo em vista que se as Leis Penais de Lavagem de 
Capitais da 1ª geração somente puniam a lavagem proveniente do tráfico, então o posicionamento que 
a lavagem também tutela a saúde pública não tinha muita discussão prática, haveria um visível bis in 
idem, a Lavagem de Capitais seria um novo crime para tutelar o mesmo bem jurídico. 
 
3.4.2. 2ª CORRENTE - ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA 
Para uma segunda corrente, o bem jurídico tutelado seria a Administração da Justiça, já que 
seria espécie de crime contra a administração pública. A Lavagem de Capitais viola a capacidade do 
Estado de realizar a persecução penal, então quando alguém oculta ou dissimula viola a administração 
da justiça. Tal corrente é adotada por alguns, como o professor Gustavo Badaró. No entanto a doutrina 
questiona essa corrente por uma razão muito simples. Se for considerar a administração da justiça 
como bem jurídico, é possível que estaríamos tutelando de uma forma muito mais gravosa uma 
conduta que lese a administração da justiça do que a infração penal antecedente. Imaginemos um furto 
que virou lavagem de capitais, a pena do furto é de 1 a 4 anos e a lavagem de capitais em teses estaria 
tutelando a dificuldade que o Estado tem para chegar naquele dinheiro, punindo com uma pena muito 
superior. É uma corrente mais forte, mas não será adotada em prova. 
 
3.4.3. 3ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA 
Uma terceira corrente, por sua vez, defende que o bem jurídico tutelado pelo crime de lavagem 
de capitais é a ordem econômico-financeira. Se alguém oculta ou dissimula e insere um dinheiro sujo 
no mercado, está violando a livre concorrência, a livre iniciativa de mercado e consequentemente 
causando desestabilização no sistema econômico. Esta é a corrente majoritária e utilizada pelos 
Tribunais Superiores. Corrente adotada pelo OJ Brasileiro. 
 
3.4.4. 4ª CORRENTE PLURALIDADE DE BEM JURÍDICO 
Por fim, uma quarta corrente entende que há uma pluralidade de bens jurídicos tutelados. Tudo 
seria bem tutelado, sendo minoritária por não chegar em um bem jurídico específico. O direito penal 
não pode ser duvidoso, tem que ser direto, claro, específico. 
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3.4.5. 5ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA DE FORMA IMEDIATA E 
A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA DE UMA FORMA MEDIATA 
O professor Fausto Martins De Sanctis acredita que são dois bens jurídicos, afirmando que 
aquele crime de lavagem de capitais pode não lesar sempre a ordem econômico financeira, mas atinja 
também a administração da justiça. Exemplo; um traficante entrega R$ 200.000,00 ao seu tio, que 
compra um barco na loja pelo preço que ele vale, respeitando a livre iniciativa de mercado, 
estabilização do mercado e está usando o barco, esta conduta não lesa em tese a ordem econômico 
financeira, mas lesa a administração da justiça de uma forma, tendo em vista que o Estado tem 
dificuldade para alcançar que aquele barco é proveniente de dinheiro ilícito. 
 
Para memorizar! 
a) 1ªCorrente – Tutela-se o mesmo bem jurídico protegido pela infração penal antecedente. 
b) 2ªCorrente – O bem jurídico tutelado é a Administração da Justiça. 
c) 3ªCorrente – Visa proteger o sistema econômico-financeiro. 
d) 4ª Corrente – Pluralidade de bens jurídicos. 
e) 5ª Corrente – Protege-se a ordem econômico-financeira de forma imediata e a administração da 
justiça de uma forma mediata. 
 
3.5. INCRIMINAÇÃO DA CHAMADA “AUTOLAVAGEM” 
3.5.1 AUTOLAVAGEM 
Candidato, é possível que o mesmo autor da infração antecedente seja o autor da lavagem de 
capitais? A convenção de Palermo tem uma disposição especifica que diz “ Se o direito interno do 
estado parte não permitir que a mesma pessoa figure como autor da infração antecedente e autor da 
lavagem de capitais, esta última não será punida nesse caso”. A convenção neste ponto concede um 
salvo conduto, ou seja, se a regra de direito interno de cada estado parte exigir que o mesmo autor da 
infração penal antecedente não seja punido pela lavagem cometida por ele mesmo, ele não será punido. 
Tem estado parte que considera a lavagem como mero exaurimento, diferente do Brasil, segundo o 
STF (Inq 2471) é possível a autolavagem, ou seja, o mesmo autor da infração penal antecedente 
responder pela lavagem de capitais. Vale reafirmar que no Brasil a Lavagem não se trata de mero 
exaurimento. 
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Nesse sentido, o STF: 
HC 92.279. O Supremo Tribunal Federal tem precedentes no sentido de que o crime de 
lavagem de capitais não funciona como mero exaurimento da infração antecedente, já que a Lei 
n. 9.613/98 não exclui a possibilidade de que o ilícito penal antecedente e a lavagem de capitais 
subsequente tenham a mesma autoria, sendo aquele independente em relação a esta (STF, 
Plenário, Inq. 2.471/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 29/09/2011). 
No sentido de que a lavagem de dinheiro é crime autônomo, não se constituindo em mero 
exaurimento da infração antecedente, razão pela qual não haverá bis in idem ou litispendência 
entre os processos instaurados contra o mesmo acusado pelo branqueamento de capitais e pela 
infração penal antecedente: STF, 2ª Turma, HC 92.279/RN, Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 
24/06/2008, DJe 177 18/09/2008. 
Na mesma linha, segundo o STJ, é possível que o autor da infração antecedente responda por 
lavagem de dinheiro, dada à diversidade dos bens jurídicos atingidos e à autonomia deste 
delito: STJ, 5ª Turma, REsp 1.234.097/PR, Rel. Min. Gilson Dipp, j. 03/11/2011, DJe 
17/11/2011. 
 
 
Na autolavagem não ocorre a consunção entre a corrupção passiva e a 
lavagem de dinheiro. 
Embora a tipificação da lavagem de capitais dependa da existência de uma 
infração penal antecedente, é possível a autolavagem, istoé, a imputação 
simultânea, ao mesmo réu, do delito antecedente e do crime de lavagem, desde 
que sejam demonstrados atos diversos e autônomos daquele que compõe a 
realização do primeiro crime, circunstância em que não ocorrerá o fenômeno 
da consunção. 
A autolavagem (self laundering/autolavado) merece reprimenda estatal, na 
medida em que o autor da infração penal antecedente, já com a posse do 
proveito do crime, poderia simplesmente utilizar-se dos bens e valores à sua 
disposição, mas reinicia a prática de uma série de condutas típicas, a imprimir a 
aparência de licitude do recurso obtido com a prática da infração penal 
anterior. 
Dessa forma, se for confirmado, a partir do devido processo legal, que o 
indivíduo deu ares de legalidade ao dinheiro indevidamente recebido, estará 
configurado o crime de lavagem de capitais. 
STJ. Corte Especial. APn 989-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
16/02/2022 (Info 726). 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? 
Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: TJ-DFT Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - 
TJ-DFT - Juiz de Direito Substituto. 
De acordo com a legislação e a jurisprudência dos tribunais superiores a respeito do crime de lavagem 
de capitais, assinale a opção correta. 
A. Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, não é legítima a exasperação da 
pena-base pela valoração negativa das consequências do crime em decorrência da movimentação de 
expressiva quantia de recursos envolvidos. 
B. O crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores tipificado na Lei n.º 9.613/1998 não 
constitui crime autônomo em relação a infrações penais antecedentes. 
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C. Não acarreta bis in idem a incidência simultânea do reconhecimento da continuidade delitiva e da 
majorante relativa ao cometimento dos crimes de lavagem de dinheiro de forma reiterada ou por 
intermédio de organização criminosa. 
D. Embora a tipificação da lavagem de dinheiro dependa da existência de uma infração penal 
antecedente, é possível a imputação simultânea, ao mesmo réu, do crime de lavagem e da infração 
antecedente, desde que demonstrados atos diversos e autônomos daquele que compõe a realização da 
primeira infração penal, circunstância na qual não ocorrerá o fenômeno da consunção. 
E. O crime de lavagem de bens, direitos ou valores, quando praticado na modalidade típica de ocultar, 
não é permanente. 
Gabarito D. 
 
3.5.1 RESERVA DE AUTO LAVAGEM 
 
A reserva de auto lavagem trata-se de instituto previsto na Convenção de Palermo. É a 
possibilidade de não punição pelo crime de lavagem de capital quando praticada pelo autor do crime 
antecedente. 
Cumpre recordamos que o Brasil não adota essa orientação, sendo possível a punição do agente 
por ambos os crimes, o principal e o acessório (lavagem de capital). No Brasil não existe a reserva de 
autolavagem, adotamos a possibilidade da chamada autolavagem (é possível a autolavagem, ou seja, o 
mesmo autor da infração penal antecedente responder pela lavagem de capitais). 
 
3.6. ADMISSIBILIDADE DA “LAVAGEM EM CADEIA” 
Com a ampliação do rol dos crimes antecedentes na lavagem de capitais (leis de segunda 
geração), bem como, posterior possibilidade da qualquer infração penal ser crime antecedente da 
lavagem de capitais (leis de terceira geração), passou-se a admitir que um crime de lavagem de capitais 
fosse infração penal antecedente, a esse fenômeno denomina-se lavagem em cadeia. 
Nesse sentido, podemos definir a lavagem em cadeia como “lavagem da lavagem”, ou seja, 
uma vez consumada a primeira lavagem de capitais, teríamos uma segunda operação de lavagem, 
tendo por objeto (infração penal antecedente) a lavagem anterior. 
Para melhor compreensão do tema, indicamos a visualização do vídeo: 
https://www.youtube.com/watch?v=OVrFwNJhn4o, ministrado pelo prof. Pedro Coelho. 
Para memorizar! 
Admite-se, ainda, que a própria lavagem de dinheiro seja considerada o crime 
antecedente, na chamada lavagem de lavagem ou lavagem em cadeia, desde que comprovado o 
crime antecedente da primeira. 
 
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3.7. TEORIA DAS INSTRUÇÕES DO AVESTRUZ, CEGUEIRA 
INTENCIONAL OU CEGUEIRA DELIBERADA. 
A teoria da cegueira deliberada é também denominada de Teoria das Instruções do Avestruz, 
Evitação da Consciência ou ainda, ato de ignorância consciente. A teoria em estudo é recorrentemente 
cobrada em provas de concursos, o que demanda de nós um estudo atencioso sobre o tema. 
E o que preconiza a teoria em estudo? 
Também denominada de Teoria das instruções do Avestruz, essa teoria tem origem na 
jurisprudência norte americana e consiste na análise do aspecto subjetivo da conduta do agente, isso 
é, verificação do elemento subjetivo do tipo legal de crime de lavagem de dinheiro, mais 
especificamente o dolo indireto eventual. A expressão Teoria do Avestruz decorre do fato do 
avestruz, ao menor sinal de perigo, enterra a sua cabeça na terra e não vê o que está se passando ao 
redor. 
Nesse sentido, Cláudia Barros e Wilson Luiz: 
Cuida-se a teoria usada nos Estados Unidos quando o agente finge não enxergar a ilicitude da 
procedência de bens, direitos e valores, colocando-se, de forma voluntária, em posição de 
alienação, repetindo justamente o que faz a avestruz ao colocar sua cabeça na terra, para não 
ver o que se passa ao seu redor, fato reprovável3. 
 
Corroborando ainda: 
A Teoria da Cegueira Deliberada é uma doutrina criada pela Suprema Corte dos Estados 
Unidos e também é conhecida no meio jurídico com muitos nomes, tais como “Willful 
Blindness Doctrine” (Doutrina da cegueira intencional), “Ostrich Instructions” (instruções 
de avestruz), “Conscious Avoidance Doctrine” (doutrina do ato de ignorância consciente), 
“Teoria das Instruções da Avestruz”, entre outros. Essa doutrina foi criada para as situações em 
que um agente finge não enxergar a ilicitude da procedência de bens, direitos e valores com o 
intuito de auferir vantagens. Dessa forma, o agente comporta-se como uma avestruz, que 
enterra sua cabeça na terra para não tomar conhecimento da natureza ou extensão do seu ilícito 
praticado. Sendo assim, para a aplicação da Teoria da Cegueira Deliberada, é necessário que o 
agente tenha conhecimento da elevada possibilidade de que os bens, direitos ou valores sejam 
provenientes de crimes e que o agente tenha agido de modo indiferente a esse conhecimento. 
Em síntese, pode-se afirmar que a Teoria da Cegueira Deliberada busca punir o agente que se 
coloca, intencionalmente, em estado de desconhecimento ou ignorância, para não conhecer 
detalhadamente as circunstâncias fáticas de uma situação suspeita4. 
 
 
Imagemdemonstrativa, para não esquecer hein?! 
 
 
3 LEIS PENAIS EXTRAVAGANTES. Teoria, jurisprudência e questões comentadas – Análise artigo por artigo. Cláudia 
Barros Portocarrero; Wilson Luiz Palermo Ferreira. 5ª edição Revista, atualizada e ampliada. 2020. Editora Juspodivm. 
4 .ABRAMOWITZ, Elkan Abramowitz & BOHRER, Barry A. Conscious Avoidance: A Substitute for Actual Knowledge? New York 
Law Journal. Disponível em: . 
 
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Conforme ensina Gabriel Habib (Leis Penais Especiais. Volume único. 10 ed. 2018. Editora 
Juspodivm): 
A Teoria da Cegueira Deliberada possui, como sinônimos, todas as expressões acima citadas. 
Essa teoria tem origem na jurisprudência norte americana e consiste na análise do aspecto 
subjetivo da conduta do agente, isso é, a verificação do elemento subjetivo do tipo legal de 
crime, mais especificamente o dolo indireto eventual. Em situações nas quais o agente não age 
com dolo direito, e fica muito difícil a constatação de ter agido com dolo eventual, a Teoria da 
Cegueira Deliberada surge como mecanismo que permite concluir pelo dolo eventual do 
agente. 
(...) 
O substrato dessa teoria reside no fato de que caso o agente possa ter a consciência sobre 
origem ilícita do dinheiro e escolha não buscar essa informação de forma mais aprofundada, 
demonstra nitidamente indiferença em relação ao bem jurídico protegido, da mesma forma que 
demonstra indiferença quem age com dolo eventual por fazer a representação mental do 
resultado e, embora não o queira diretamente, assume o risco de produzi-lo. Essa semelhança 
de comportamento do agente possibilita a punição de quem deliberadamente cega-se para a 
origem ilícita do dinheiro. 
 
Para aprofundamento sobre o tema, indicamos ainda, como forma de complementação do 
estudo a visualização do vídeo abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=MtUGe_pRm70. 
 
 
3.8. ETAPAS OU FASES DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
 
Colocação/ Placement
Ocultação/
Dissimulação 
(Layering)
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3.8.1. DINHEIRO SUJO 
3.8.1.1. 1º Fase: Colocação/Placement 
A fase de colocação ou placement: (expressão permanece em inglês por conta da herança da 
doutrina norte-americana), tem o objetivo de inserir o dinheiro sujo no mercado através de 
fracionamento de depósitos em nomes de terceiros, por exemplo. 
 
3.8.1.2. 2º Fase: Ocultação/Dissimulação 
 Após inserido o dinheiro no mercado, busca-se afastar da origem, evitar o rastreamento. Nessa 
segunda fase o objetivo é fazer uma série de movimentações, por exemplo, mandar o dinheiro para 
vários lugares, passando por uma série de contas diferentes até chegar em uma remessa estrangeira por 
exemplo, confundir o rastreamento. 
 
3.8.2. DINHEIRO APARENTEMENTE LIMPO 
3.8.2.1.3° Fase: Integração/Integration 
Uma vez que o dinheiro foi colocado no mercado, afastou da origem e evitou o rastreamento é 
necessário devolver com uma aparência de licitude ao mercado formal. Exemplo: Clássico da época 
mensalão, pegava-se o dinheiro proveniente de propina, simulava contrato de publicidade e 
propaganda, pagava com esses valores e depois as empresas de alguma forma faziam contratos com 
outras empresas “amigas” e esse dinheiro voltava com aparência de licitude. 
Em resumo, o dinheiro é inserido no mercado, misturado para confundir e depois integrado ao 
mercado como se lícito fosse. 
Cuidado. Para o professor e desembargador Fausto Martins De Sanctis existe uma 4º fase, 
chamada de Reciclagem. Consiste em apagar todos os registros das fases anteriores. Essa corrente não 
é majoritária, mas pode cair em prova! 
Candidato, para que haja crime de Lavagem de Capitais seria necessário o cumprimento 
de todas as fases? NÃO! Segundo o STF (RHC 80816) a lavagem de capitais não reclama sequer o 
êxito definitivo da ocultação, ou seja, não é necessário chegar à fase da integração ou da reciclagem. 
 
 Exaurimento de Delito Lavagem de Capitais 
No campo penal, demonstra a fase do crime 
após a consumação. 
Expressão que se refere a práticas econômico-
financeiras que têm por finalidade dissimular 
ou esconder a origem ilícita de determinados 
ativos financeiros ou bens patrimoniais. 
Exemplo: Exemplo: 
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Traficante usa dinheiro adquirido ilicitamente 
com o tráfico de drogas para comprar em seu 
próprio nome um carro importado. 
Traficante usa dinheiro adquirido ilicitamente 
com o tráfico de drogas e compra em nome de 
terceiro um carro importado. 
 
 
Para memorizar!!! 
 
a) 1ª Fase: Colocação (“Placement”): trata-se da fase de introdução do dinheiro ilícito no sistema 
financeiro. Ex: Técnica do fracionamento ou “Smurfing”. 
b) 2ª Fase: Dissimulação ou Ocultação (“Layering”): nesta etapa acontece o disfarce das 
movimentações para dificultar o rastreamento dos recursos. Após a colocação do dinheiro no sistema 
financeiro os criminosos realizam diversas operações complexas, tanto no país como no exterior, para 
que se perca seu rastro e dificulte a verificação da sua origem. O objetivo é cortar a cadeia de 
evidências. 
c) 3ª Fase: Integração (“Integration”): por fim, nesta fase, os bens, já com aparência lícita, são 
incorporados ao patrimônio do criminoso. O dinheiro já “lavado” volta a reintegrar o mercado 
financeiro. 
 Vamos esquematizar? 
 
1ª Fase 
COLOCAÇÃO/ 
INTRODUÇÃO 
2ª Fase 
OCULTAÇÃO/ 
ESTRATIFICAÇÃO/ 
CAMUFLAGEM 
3ª Fase 
INTEGRAÇÃO 
 
A primeira etapa consiste na 
ação de inserir o dinheiro 
no sistema econômico, 
através de depósitos 
bancários, no Brasil ou fora 
dele ou compra de bens para 
futura negociação. (intenção 
de reciclagem). 
A fase seguinte é formada por 
ações tendentes a dificultar 
a procura contábil por 
ativos financeiros 
provenientes da infração 
penal. Cuida-se de uma 
quebra de vínculos que 
naturalmente existem entreos 
produtos e os seus crimes 
correspondentes. 
Depois de distanciado o produto da 
sua fonte ilícita, o agente prossegue 
com a terceira etapa, revestindo os 
bens com a forma legal. 
Transformados os produtos, 
incorpora-os ao seu patrimônio, por 
meio de aquisições de outros bens, de 
aparência lícita, por meio dos 
intrumentos jurídicos reconhecidos 
pelo sistema, a exemplo de escrituras 
de compra e venda de imóveis, 
investimentos em sociedades 
empresárias e declaracao em informe 
de imposto de renda. 
Fonte: Legislação Criminal para concursos, 2020, Ed. Juspodivm. 
 Segundo a Jurisprudência do STF não é necessária a ocorrência dessas três fases para a 
consumação do delito. O STF aduz que as fases são modelos doutrinários e didáticos, não exigindo o 
seu cumprimento. (RHC 80816). 
 
 
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JÁ CAIU CESPE: 
(Ano: 2014 Órgão: Câmara dos Deputados Prova: Analista Legislativo). Para que se caracterize a 
prática do crime de lavagem, é necessário que o agente percorra todas as etapas, que são a colocação 
ou introdução do bem, direito ou valor no sistema financeiro, seguida da ocultação ou dissimulação 
desse bem, direito ou valor e a sua integração ao sistema econômico. 
Gab. ERRADO. 
Conforme já se manifestou o STF, NÃO há necessidade do preenchimento das três fases para que se 
possa configurar. 
 
3.9. ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS 
O legislador estabelece uma autonomia entre os processos, aquele que vai apurar a infração 
antecedente e aquele que vai apurar a lavagem de capitais, ou seja, eles não precisam estar unificados, 
podem tramitar em processos, varas distintas. 
De acordo com o art. 2°, II, da Lei 9.613/98, com redação dada pela Lei n.° 12.683/12, o 
processo e julgamento dos crimes de lavagem de capitais independe do processo e julgamento das 
infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para 
os crimes previstos na Lei de Lavagem a decisão sobre a unidade de processo e julgamento. 
Vejamos: 
Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: 
II - independem do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que 
praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a 
decisão sobre a unidade de processo e julgamento; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012). 
No entanto essa autonomia é relativa, pois o crime de Lavagem de Capitais é um crime 
acessório, vai depender necessariamente de uma infração penal antecedente. Portanto a tramitação 
pode ocorrer em um processo distinto, mas se ficar comprovado que a infração penal antecedente não 
existiu, não será possível a punição pelo crime de Lavagem de Capitais. 
Cuidado, é possível a punição da lavagem de capitais desde que a infração penal antecedente 
seja típica e ilícita. Não é necessário saber quem foi o autor da infração penal antecedente, não é 
necessário analisar os critérios de culpabilidade e de punibilidade. Vejamos: 
Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: 
§ 1º A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da infração penal 
antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ou isento de 
pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal antecedente. (Redação dada pela 
Lei nº 12.683, de 2012). 
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Se a infração penal antecedente estiver prescrita é possível a punição da Lavagem de 
Capitais. A única exigência é que a infração penal antecedente seja típica e ilícita como já citado 
anteriormente. 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? 
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: MPE-SP Prova: VUNESP - 2023 - MPE-SP - Promotor de 
Justiça Substituto. Em relação à Lei nº 9.613/98, que prevê as condutas que caracterizam o crime 
de lavagem de dinheiro, com as alterações trazidas pela Lei nº 12.683/12, assinale a afirmação 
correta. 
A. A pena pelo crime de lavagem de dinheiro será aumentada de um a dois terços, se os crimes forem 
cometidos de forma reiterada, por intermédio de organização criminosa armada ou por meio da 
utilização de ativo virtual. 
B. A possibilidade de redução da pena, nos crimes da Lei nº 9.613/1998, condiciona-se à colaboração 
espontânea do partícipe com os autores, sendo vedado idêntico benefício ao coautor. 
C. O reconhecimento da extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva referente à 
infração penal antecedente não implica atipicidade do delito de lavagem. 
D. As condutas de ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou 
propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal, 
tipificadas na Lei nº 9.613/98, são crimes próprios, já que a lei exige especial qualidade dos sujeitos 
ativos. 
E. A exemplo do que ocorre em outros países, a legislação brasileira não admite imputar à mesma 
pessoa a responsabilidade pela lavagem de dinheiro e pela infração antecedente, caso tenha concorrido 
para ambas. 
Gabarito C. 
 JÁ CAIU CESPE: 
 
(Ano: 2016 Órgão: TRT - 8ª Região Prova: Analista Judiciário). No crime de lavagem ou 
ocultação de bens, direitos e valores, para se tipificar a conduta praticada, é necessário que os bens, 
direitos ou valores provenham de crime anterior e que o agente já tenha sido condenado judicialmente 
pelo crime previamente cometido. 
Gab. ERRADO. 
Inobstante seja o crime de lavagem de capitais crime acessório, também denominado de parasitário, 
não há necessidade de condenação judicial anterior para que o crime reste caracterizado e/ou seja 
punido pelo delito de lavagem de capitais. Ademais, os processos podem tramitar em separado. 
Nesse sentido, vejamos o que dispõe a legislação: 
Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: II - independem do processo e 
julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao 
juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo 
e julgamento. 
 O processo e julgamento do processo de lavagem independe do processo e julgamento da 
infração antecedente. (Teoria da Acessoriedade Limitada). 
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Máquina de escrever
definidos nesta lei
 
 
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Obs.1: Apesar de haver uma conexão probatória entre a infração antecedente e a lavagem de capitais, 
a reunião dos processos não é obrigatória. Se possível, poderá ser determinada, cabendo essa decisão 
ao juízo competente para o julgamento da lavagem de capitais. 
 
4. NOÇÕES GERAIS 
4.1. SUJEITOS DO DELITO 
O sujeito ativo do crime de lavagem de capitais pode ser qualquer pessoa, logo, trata-se de 
crime comum. Noutra banda, o sujeito passivo direto é a coletividade e indiretamente o Estado. 
 
4.2. TIPICIDADE OBJETIVA 
4.2.1. LEGISLAÇÃO 
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou 
propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração 
penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
III - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
IV - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
V - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
VI - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
VII - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
VIII - (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 
12.683, de 2012) 
§ 1º Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou 
valores provenientes de infração penal: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 
2012) 
 I - os converte em ativos lícitos; 
 II - os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, 
movimenta ou transfere; 
III - importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros. 
§ 2º Incorre, ainda, na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 
2012) 
I - utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de 
infração penal; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade 
principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
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§ 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal. 
§ 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei forem 
cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. (Redação 
dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
§ 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou 
semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a qualquer tempo, por pena 
restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as 
autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à 
identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores 
objeto do crime. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
§ 6º Para a apuração do crime de que trata este artigo, admite-se a utilização da ação controlada 
e da infiltração de agentes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
Inicialmente, ao analisarmos a redação do art. 1º, contemplamos que o tipo penal em estudo se 
trata de tipo penal misto alternativo. 
 
4.2.2. TIPO PENAL MISTO ALTERNATIVO5 
É aquele em que o tipo penal possui dois ou mais verbos nucleares, que define a conduta do 
agente. No caso, a prática de somente uma ou mais dessas condutas, é suficiente para a caracterização 
do crime. 
Sua conduta consiste em OCULTAR ou DISSIMULAR a natureza, origem, localização, 
disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou 
indiretamente, de infração penal. Assim, seus verbos (núcleos do tipo) são OCULTAR ou 
DISSIMULAR. 
Vejamos: 
▪ Ocultar: significa esconder a origem da coisa. A ocultação, de per si, não é apta a 
configurar o crime de lavagem. Deve ela se dar sempre num contexto de reciclagem (ligado 
ao dolo do crime de lavagem de dinheiro). 
▪ Dissimular: deve ser interpretado como ocultação com fraude. Para caracterização da 
lavagem de dinheiro, não é necessária nenhuma operação de engenharia financeira ou algo 
mais sofisticado do que a mera fraude. 
 
Lembre-se: sem que tenha ocorrido a ocultação ou dissimulação, não há lavagem de dinheiro 
(STJ, AP 458, Dipp, CE, m., 16/09/2009), como nas hipóteses em que o agente, valendo-se do produto 
 
5http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20MISTO%20ALTER
NATIVO 
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12683.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art8
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20MISTO%20ALTERNATIVO
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20MISTO%20ALTERNATIVOhttp://www.dizerodireito.com.br/
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=9&scholarity_ids%5B%5D=3&subject_ids%5B%5D=1771
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=9&scholarity_ids%5B%5D=3&subject_ids%5B%5D=1771
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https://nacoesunidas.org/convencao-da-onu-contra-trafico-de-entorpecentes-e-substancias-psicotropicas-faz-25-anos/
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https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/articulacao-internacional/convencao-da-onu
https://jus.com.br/artigos/21395/breves-comentarios-sobre-a-teoria-da-cegueira-deliberada-willful-blindness-doctrine
https://jus.com.br/artigos/21395/breves-comentarios-sobre-a-teoria-da-cegueira-deliberada-willful-blindness-doctrine
https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1380321/qual-e-o-conceito-de-lavagem-de-capitais
https://www.youtube.com/watch?v=OVrFwNJhn4o
http://www.qconcursos.com.br/
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20MISTO%20ALTERNATIVO
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarTesauro.asp?txtPesquisaLivre=TIPO%20PENAL%20MISTO%20ALTERNATIVO
https://www.youtube.com/watch?v=MtUGe_pRm70
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lavagem_de_dinheiro#:~:text=Lavagem%20de%20dinheiro%20(ou%20branqueamento,que%2C%20pelo%20menos%2C%20a%20origem
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	1. BREVE RELATO HISTÓRICO INTERNACIONAL
	2. TERMINOLOGIAS
	3. “LAVAGEM DE DINHEIRO OU LAVAGEM DE CAPITAIS”
	3.1. CRIME ANTECEDENTE
	3.2. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA – LEI Nº. 12.683/12
	3.3. TRÊS GERAÇÕES DE DISCIPLINA INCRIMINADORA DA LAVAGEM DE DINHEIRO
	3.3.1. 1 GERAÇÃO
	3.3.2. 2º GERAÇÃO
	3.3.3. 3º GERAÇÃO
	3.4. BEM JURÍDICO PROTEGIDO
	3.4.1. 1ª CORRENTE - MESMO BEM JURÍDICO QUE A INFRAÇÃO ANTECEDENTE
	3.4.2. 2ª CORRENTE - ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA
	3.4.3. 3ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA
	3.4.4. 4ª CORRENTE PLURALIDADE DE BEM JURÍDICO
	3.4.5. 5ª CORRENTE ORDEM ECONÔMICO-FINANCEIRA DE FORMA IMEDIATA E A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA DE UMA FORMA MEDIATA
	3.5. INCRIMINAÇÃO DA CHAMADA “AUTOLAVAGEM”
	3.5.1 AUTOLAVAGEM
	3.5.1 RESERVA DE AUTO LAVAGEM
	3.6. ADMISSIBILIDADE DA “LAVAGEM EM CADEIA”
	3.7. TEORIA DAS INSTRUÇÕES DO AVESTRUZ, CEGUEIRA INTENCIONAL OU CEGUEIRA DELIBERADA.
	3.8. ETAPAS OU FASES DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS
	3.8.1. DINHEIRO SUJO
	3.8.1.1. 1º Fase: Colocação/Placement
	3.8.1.2. 2º Fase: Ocultação/Dissimulação
	3.8.2. DINHEIRO APARENTEMENTE LIMPO
	3.8.2.1.3 Fase: Integração/Integration
	3.9. ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS
	4. NOÇÕES GERAIS
	4.1. SUJEITOS DO DELITO
	4.2. TIPICIDADE OBJETIVA
	4.2.1. LEGISLAÇÃO
	4.2.2. TIPO PENAL MISTO ALTERNATIVO
	4.2.3. ADMISSIBILIDADE DA TENTATIVA
	4.2.4. CAUSA DE AUMENTO DE PENA
	4.2.5. CAUSA DE REDUÇÃO DE PENA
	4.2.6. PACOTE ANTICRIME
	4.3. TIPICIDADE SUBJETIVA
	4.3.1. DOLO DIRETO E DOLO EVENTUAL
	4.4. CONSUMAÇÃO E TENTATIVA
	4.5. JUSTA CAUSA DUPLICADA
	4.6. AÇÃO PENAL
	4.7. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO CRIME DE LAVAGEM
	4.8. INAPLICABILIDADE DO ART. 366 DO CPP
	4.9. INDICIAMENTO DE SERVIDOR PÚBLICO E AFASTAMENTO
	4.10. EFEITOS DA CONDENAÇÃO
	5. COAF
	6. MEDIDA ASSECURATÓRIA DE INDISPONIBILIDADE DE BENS
	7. AÇÃO CONTROLADA
	6.1. COLABORAÇÃO PREMIADA NA LAVAGEM DE CAPITAIS
	8. PACOTE ANTICRIME: ALTERAÇÕES NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS – LEI N. 9.613/1998
	9. JÁ CAIU CESPE
	10. INFORMATIVOS
	11. JURISPRUDÊNCIA EM TESES
	12. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR?
	13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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