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- -1 PRIMEIROS SOCORROS LESÕES TRAUMÁTICAS - -2 Uma vítima de trauma pode apresentar lesões multissistêmicas, podendo oferecer risco de morte isoladamente ou quando estão associadas. Podem levar a vítima a óbito a curto ou a longo prazo. Como vimos na aula anterior, as hemorragias são as principais causas de morte no trauma; elas podem matar um indivíduo rapidamente, entretanto, outros tipos de lesões poderão apresentar igualmente um quadro de gravidade. Além de morte, essas lesões poderão causar sequelas para o resto da vida do paciente, inviabilizando uma vida normal e produtiva. Alguns cuidados evitam que o quadro da vítima se agrave, ou evitam que possamos causar o que chamamos de segunda lesão ou lesões secundárias. 1 Trauma crânio-encefálico (TCE) Além do risco à vida da vítima, os traumatismos crânio-encefálicos trazem grandes riscos de sequelas neurológicas graves, que poderão repercutir de forma devastadora na vida do indivíduo. As principais causas de TCE são acidentes automobilísticos, quedas, atropelamentos e agressões, entre outras. As lesões por TCE podem ser: Primárias Quando a lesão do tecido ocorre diretamente pelo trauma e não pode ser evitada pelo socorrista. Secundárias É a lesão que ocorre nos tecidos vizinhos devido à falta de oxigênio ou à diminuição de fluxo de sangue no cérebro, pelo aumento da pressão dentro da calota craniana e podem ser minimizadas ou até mesmo evitadas pelo socorrista. • Sinais e Sintomas As alterações do nível de consciência, em uma vítima de TCE, podem variar desde uma confusão mental até o coma. Sempre que o indivíduo apresentar esquecimento, desorientação, perda da consciência mesmo que momentânea você deverá suspeitar de TCE: O que aconteceu? Quem sou eu? • - -3 Onde estou? • Lesões no couro cabeludo e face As lesões de couro cabeludo e face podem não resultar em lesão cerebral, mas sempre que identificá-las você não poderá descartá-las. Se houver mecanismo de lesão que demostre gravidade, como por exemplo, um atropelamento, colisão de veículo ou trauma por um objeto pesado, você deverá imobilizar essa vítima, assistir o ABC e aguardar socorro para removê-la ao hospital. • Sangramentos orificiais Sangramentos do ouvido e nariz podem ocorrer devido à uma lesão originada dentro do crânio. • Hematoma Periorbital (Sinal de Guaxinim) O hematoma periorbital ocorre também devido a um sangramento originado dentro do crânio, geralmente associado a uma fratura de base de crânio. • Hematoma Retroauricular Assim como o hematoma periorbital, ocorre devido à fratura de base de crânio. Outros sinais e sintomas como náuseas, vômitos, alteração do padrão respiratório, distúrbios visuais e convulsão podem estar associados ao TCE. • Abordagem O principal mecanismo de lesão no TCE é a hipóxia (falta de oxigênio nos tecidos) cerebral, sendo assim, a principal preocupação, em uma vítima, com esse tipo de lesão é a proteção da via aérea e a ventilação. Como essas vítimas normalmente apresentam o sensório rebaixado, sua via aérea fica desprotegida. O controle das hemorragias importantes também é imprescindível, pois o quadro de choque poderá piorar a hipóxia cerebral devido a diminuição na perfusão do cérebro. Sangramentos do couro cabeludo e o próprio TCE não podem causar um quadro de choque, pois não há, na cabeça, grandes vasos para causar hemorragia importante, sendo assim, mesmo que pareça vultosa, a hemostasia de lesões causadas na cabeça não são prioridade na abordagem inicial, e devem ser realizadas após a avaliação do ABCDE. • • • • • - -4 2 Trauma Raquimedular (TRM) O socorrista tem que ter em mente que toda vítima politraumatizada tem lesão medular até que se prove o contrário, sendo assim, a imobilização do paciente e a mobilização com técnica adequada são imprescindíveis. Como podemos observar, a medula espinhal, que é responsável por levar todo controle do cérebro para o corpo, passa por dentro da vértebra, quando há uma fratura na vértebra, uma espícula óssea poderá seccionar a medula, causando lesões irreversíveis. Sinais e Sintomas Os sinais e sintomas do TRM podem variar desde uma parestesia (alteração de sensibilidade/dormência), até a perda total dos movimentos. Abordagem: O objetivo do tratamento é garantir a oxigenação dos tecidos acometidos, sendo assim, garantir a permeabilidade da via aérea e uma boa respiração são prioridades. A imobilização da coluna também é importante para prevenir os agravos das lesões. Assistiremos no vídeo as técnicas de imobilização e transporte das vítimas politraumatizadas. Fique ligado Mesmo que a vítima apresente sinais de ingestão de bebida alcoólica, sempre pensar que a alteração do nível de consciência pode estar relacionada ao TCE, nunca ao álcool. - -5 3 Trauma de Tórax O traumatismo de tórax pode variar desde uma simples fratura de costela à destruição dos tecidos do pulmão, e as principais complicações são a incapacidade de realizar os movimentos ventilatórios, causando uma insuficiência respiratória e um sangramento que não poderemos controlar, levando a um quadro de choque. Durante a avaliação do padrão respiratório (B), você deverá buscar por aumento da frequência ventilatória, dificuldade para respirar, assimetria dos movimentos do tórax ou qualquer outra alteração durante a respiração, caso encontre, você deverá olhar o tórax e o pescoço buscando por possíveis lesões. • Escoriação A presença de escoriações não representa gravidade, entretanto, significa que o tórax da vítima foi atingindo no momento do trauma, sendo assim, ela poderá apresentar outros traumas mais graves. Costumamos utilizar a Teoria do Iceberg para falar das lesões superficiais que encontramos no exame da vítima, pois essas lesões podem ser apensas “a ponta do iceberg”. • Objeto empalado Na presença de um objeto empalado, seja no tórax ou em qualquer outra região do corpo, ele nunca deverá ser retirado, pois poderá estar ocluindo um vaso; se for retirado ocorrerá uma hemorragia que você não poderá controlar. Apenas estabilize-o para que não se mova. Nem sempre será fácil identificar uma fratura de costela, e sua principal complicação é levar a uma diminuição da função ventilatória devido a dor. Quando a fratura acomete várias costelas, em um mesmo seguimento, a instabilidade ventilatória será maior, podendo gerar uma insuficiência respiratória, nessa situação a intervenção será ventilar a vítima com bolsa- máscara (ambu). Como falamos anteriormente, existem diversas outras lesões que poderão ser encontradas no tórax, entretanto, são de difícil diagnóstico e as suas respectivas intervenções só poderão ser feitas pelo socorro avançado. 4 Trauma de Abdome O trauma abdominal envolve o risco de choque hipovolêmico devido a lesão de vísceras maciças como baço e fígado, entretanto a vítima poderá apresentar trauma de abdome sem nenhum sinal aparente. Ao avaliar o abdome observe as seguintes lesões: • • • • - -6 • Equimose e Escoriações Indicam que o abdome foi atingido durante o trauma. • Objeto empalado Não retirar, apenas fixar o objeto. • Evisceração Não reintroduza as vísceras no abdome, apenas proteja com um saco plástico limpo. Figura 1 - Equimose e Escoriações Figura 2 - Objeto empalado • • • - -7 Figura 3 - Evisceração 5 Trauma músculo esquelético As lesões músculo esqueléticas nem sempre oferecem risco à vida do indivíduo. É importante discernir se a lesão de extremidade está associada a traumas multi-sistêmicos, nessa situação a abordagem da vítima será sistematizada com a estratificação das prioridades como já vimos anteriormente (ABCDE). Fraturas nem sempre são fáceis de identificar, mas têm como caracterísca presença de dor, hematoma, edema, deformidade do membro e creptação à palpação. A seguir veremos algumas das lesões músculo esqueléticas mais comuns. • Fraturas fechadas As fraturas fechadas não apresentam ruptura da pele, mas precisam ser manipuladas de forma adequada, paraque não evolua com uma lesão vascular. Para manipularmos uma fratura devemos imobilizar as articulações mais próximas dela. • Fraturas abertas A fratura aberta é quando há a ruptura da pele. Nem sempre a parte óssea estará exposta, sendo assim, ao visualizarmos uma lesão, em forma de ferida, próxima à fratura, podemos pensar em fratura aberta. A abordagem é a mesma que a fratura fechada, imobilizar as articulações mais próximas, entretanto, se for possível, lavar a lesão aberta com água limpa para retirar as sujidades e cobri-la com gaze e atadura. • Luxação A luxação acontece quando a articulação se desloca de seu lugar normal. O membro luxado não deverá ser alinhado, e sim imobilizado na mesma posição que se encontra. • Trauma contuso • • • • - -8 É um trauma fechado, que pode ou não estar associado à uma fratura. Se não estiver associado à fratura e nem a traumas multissístêmicos, está indicada a aplicação de gelo local. • Ferimento corto-contuso É caracterizado por ruptura da pele com bordas regulares. O grande problema desse tipo de lesão é quando acomete algum vaso maior, provocando uma hemorragia, sendo assim, nessa situação, a prioridade é parar o sangramento (hemostasia) com compressão direta. Se não há sangramento, a ferida deverá ser lavada com água filtrada ou soro fisiológico e coberta com gaze e atadura. Figura 4 - Fraturas fechadas • - -9 Figura 5 - Fraturas abertas Figura 6 - Luxação - -10 Figura 7 - Trauma contuso Figura 8 - Ferimento corto-contuso 6 Receita de bolo Essas são as principais lesões encontradas no atendimento às vítimas de trauma, e é importante ressaltar que independente da lesão, a abordagem a essa vítima é como uma “receita de bolo”, as prioridades sempre serão: • Avaliar a segurança da cena e o mecanismo de trauma. • Realizar a bioproteção • Avaliar o ABCDE. • • • - -11 Essa avaliação sistematizada permite que o socorrista não deixe que as lesões mais chamativas desviem sua atenção das lesões que podem matar, mesmo não estando aparentes. 1 Trauma crânio-encefálico (TCE) Sinais e Sintomas Lesões no couro cabeludo e face Sangramentos orificiais Hematoma Periorbital (Sinal de Guaxinim) Hematoma Retroauricular Abordagem 2 Trauma Raquimedular (TRM) 3 Trauma de Tórax Escoriação Objeto empalado 4 Trauma de Abdome Equimose e Escoriações Objeto empalado Evisceração 5 Trauma músculo esquelético Fraturas fechadas Fraturas abertas Luxação Trauma contuso Ferimento corto-contuso 6 Receita de bolo