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capítulo
16
Segundo Reinado
O novo imperador, D. Pedro II, tornou-se símbolo de um Estado que, na visão dos 
grupos dirigentes, tinha como tarefas principais preservar a unidade do país e garantir 
a ordem política e social. 
Como esse longo reinado deu conta dessas tarefas?
•	 D. Pedro II manteve essa pintura enrolada em panos e guardada por muito 
tempo, mostrando seu desagrado com a imagem. Quais razões, visíveis na 
imagem, teriam levado o imperador a desprezar a obra por ele mesmo enco-
mendada? Formule hipóteses.
Sagração de D. Pedro II. Óleo sobre tela de Manuel de Araújo Porto-Alegre, obra produzida aproximadamente em 1840.
Pertence ao acervo do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro (RJ).
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Pedro de Alcântara tornou-se imperador do Brasil 
com apenas 14 anos de idade. A imagem do novo im-
perador, coroado como D. Pedro II, foi difundida como 
símbolo de um Estado centralizado. Na visão predomi-
nante das elites da época, o Estado deveria preservar a 
unidade política do país e garantir a estabilidade social. 
De acordo com alguns historiadores, a coroação de 
D. Pedro II representava a manutenção dos privilégios 
dos grupos que até então haviam dominado o cenário 
político e econômico brasileiro. Esses grupos acredita-
vam que o imperador reuniria forças para liquidar as re-
beliões provinciais, submetendo revoltosos e desconten-
tes à ordem pública do império. Desse modo, D. Pedro II 
exerceria o poder apoiado, principalmente, por repre-
sentantes da elite comercial e agrícola. 
liberais e conservadores
O grupo político dos liberais moderados dividiu-
-se, por volta de 1837, em duas alas — regressistas e 
progressistas —, que formaram, a partir de 1840, dois 
partidos políticos. De um 
lado, estava o Partido Con-
servador, constituído pelos 
regressistas e apelidado 
de saquarema. De outro, 
havia o Partido Liberal, for-
mado pelos progressistas e 
chamado de luzia. 
Esses dois partidos do-
minaram o cenário político 
do Segundo Reinado. De 
acordo com o historiador 
José Murilo de Carvalho, 
o Partido Conservador era 
política interna
O jogo político entre liberais e conservadores
1 Cf. CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial/Teatro de sombras: a política imperial. Rio de Janeiro: UFRJ/Relume-Dumará, 1996. p. 374.
partido Representava Defendia
Conservador 
Apelido: 
• saquarema
• proprietários rurais das lavouras de exportação
• burocratas do serviço público
• grandes comerciantes
• governo imperial forte e centralizado 
Liberal 
Apelido: 
• luzia
• profissionais liberais urbanos
• proprietários rurais que produziam para o mercado interno ou 
de áreas de colonização mais recente
• governo imperial não tão centralizado, com 
a concessão de certa autonomia às províncias
Saquarema: termo 
originário da cidade de 
Saquarema, no norte da 
província do Rio de Ja-
neiro, conhecido centro 
de políticos conservado-
res na época. 
luzia: apelido provavel-
mente ligado à cidade 
de Santa Luzia, em Mi-
nas Gerais, foco de ativi-
dades dos liberais duran-
te a Revolução Liberal, 
ocorrida em 1842. 
uma aliança em que predominavam representantes de 
proprietários rurais (grandes lavouras de exportação), bu-
rocratas do serviço público (entre os quais se destacavam 
os bacharéis de Direito) e ricos comerciantes. Já o Partido 
Liberal reunia, principalmente, profissionais liberais urba-
nos e proprietários rurais que produziam para o mercado 
interno ou de áreas de colonização mais recente.1
Diferenças e semelhanças
Embora esses partidos não tivessem profundas 
divergências ideológicas, entre os conservadores pre-
dominava a defesa de um governo imperial forte e 
centralizado, enquanto entre os liberais havia uma 
tendência mais favorável à descentralização, conce-
dendo-se certa autonomia às províncias. No entanto, 
quando estavam no governo, liberais e conservadores 
não apresentavam atitudes muito diferentes. 
Por isso, em meados do século XIX, era comum 
nas conversas políticas dizer-se que “não havia nada 
mais parecido com um saquarema (conservador) do 
que um luzia (liberal) no poder”. Não era difícil, por 
exemplo, a passagem de políticos de um partido para 
outro, movidos por interesses imediatos de poder. 
A política desse período (e não só dele) não se 
fazia, em grande medida, em função de programas e 
objetivos ideológicos definidos. A maior preocupação 
dos políticos era chegar ao poder. De acordo com o 
historiador Boris Fausto,
[isso] significava obter prestígio e benefícios 
para si próprio e sua gente. [...] Conservadores 
e liberais utilizavam-se dos mesmos recursos 
para lograr vitórias eleitorais, concedendo fa-
vores aos amigos e empregando a violência 
com relação aos indecisos e aos adversários.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 181. 
206 UNIDADE 3 Liberdade e independência
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Governo de D. pedro II 
Ao assumir o trono, em 23 de julho de 1840, 
D. Pedro II escolheu, para seu primeiro ministério, 
um gabinete formado por políticos do Partido Liberal 
que haviam lutado pela antecipação de sua maiori-
dade, conhecido como Ministério dos Irmãos. 
A volta dos liberais ao poder aguçou a rivalidade 
com os conservadores, instalando-se uma disputa en-
tre os dois partidos, que se revezavam no poder. 
Eleições do cacete 
A primeira eleição da Câmara dos Deputados du-
rante o Segundo Reinado, em 13 de outubro de 1840, 
foi a primeira demonstração desse “estilo de fazer po-
lítica”. No dia da eleição, em certas regiões do país, 
capangas contratados pelos liberais invadiram alguns 
locais de votação, distribuindo “cacetadas” e amea-
çando adversários políticos. Houve também fraude na 
apuração dos votos, substituindo-se urnas autênticas 
por outras com votos falsos. 
Vitoriosos na eleição, os liberais acabaram acu-
sados por seus opositores de vencerem na base da 
fraude e da violência, e o episódio ficou conhecido 
como eleições do cacete. Apesar de tal denominação, 
é fato que violência e fraude não ocorreram apenas 
nas eleições de 1840. 
Revolta liberal 
A debilidade do primeiro ministério liberal, so-
mada à pressão dos conservadores, levou D. Pedro II 
a substituí-lo, em 1841, por um novo gabinete, de 
maioria saquarema. 
Os políticos do Partido Conservador obtiveram, 
assim, mais força para exigir que o imperador anulas-
se o resultado das eleições de 1840. Em 1842, antes 
que assumissem os deputados da nova legislatura, de 
maioria liberal, D. Pedro II resolveu atender aos pe-
didos dos conservadores e convocou novas eleições. 
Em reação a essa decisão, os políticos do Partido Li-
beral de São Paulo e Minas Gerais, liderados por Diogo 
Antônio Feijó (em São Paulo) e Teófilo Ottoni (em Minas 
Gerais), promoveram a Revolta Liberal de 1842, contra o 
centralismo do governo nas mãos de seus rivais saquare-
mas. Os líderes revoltosos esperavam a adesão de outras 
províncias, o que não ocorreu. 
Investigando
•	 Reflita sobre as semelhanças e as diferenças entre os partidos políticos da atualidade e os do Segundo Reinado. 
As tropas do império, comandadas outra vez 
por Luís Alves de Lima e Silva, dominaram o levante 
e prenderam seus líderes. Estes foram anistiados em 
1844, ano em que os liberais voltaram ao poder, go-
vernando até 1848. 
Instituição do parlamentarismo 
Em 1847, com a criação do cargo de presidente 
do Conselho de Ministros, teve início o parlamenta-
rismo no Segundo Reinado. Como primeiro-ministro, 
esse presidente era encarregado de organizar e che-
fiar o gabinete de governo. 
A nomeação do presidente do Conselho de Mi-
nistros era feita pelo imperador, após a realizaçãode 
uma eleição entre os líderes políticos do partido ven-
cedor. Esse líder montava o gabinete ministerial, que, 
em seguida, era apresentado à Câmara dos Deputa-
dos para obter um voto de confiança (aprovação pela 
maioria dos parlamentares). Se aprovado pela Câma-
ra, o gabinete começava a governar o país; caso não 
fosse aprovado, cabia ao imperador demiti-lo ou dis-
solver a Câmara, convocando novas eleições. 
Como o poder Moderador não havia sido extinto, 
o imperador podia impor o gabinete de sua prefe-
rência. Essa prerrogativa contrariava os princípios do 
parlamentarismo, sistema em que o poder Legislativo 
é que detém a maior influência na formação dos go-
vernos e o monarca reina, mas não governa. Por isso, 
historiadores consideram que a experiência parlamen-
tarista no Brasil foi um “parlamentarismo às avessas”. 
predomínio conservador 
Durante o Segundo Reinado (1840-1889) houve 36 
gabinetes ministeriais no governo: 21 liberais e 15 con-
servadores. Mas os conservadores permaneceram dez 
anos a mais no poder, pois realizavam uma política mais 
alinhada à autoridade centralizadora do imperador. 
Houve um período em que liberais e conservadores 
governaram em coalizão, por meio de acordos para a 
ocupação de cargos. Foi o chamado período da con-
ciliação (1853-1861). No entanto, as grandes teses de 
origem liberal (extinção do poder Moderador, fim do 
Conselho de Estado, fim da vitaliciedade no Senado, 
autonomia para as províncias) não foram “conciliadas”. 
As linhas gerais permaneceram sob o viés conservador.
207CAPÍTULO 16 Segundo Reinado
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A Revolta Praieira foi a última grande rebelião 
provincial. Ocorreu em Pernambuco, em 1848. Veja-
mos uma interpretação a respeito desse movimento. 
antecedentes gerais 
Em meados do século XIX, a produção de açúcar 
era uma das mais importantes atividades econômicas 
pernambucanas. No entanto, quase todos os enge-
nhos de açúcar da região pertenciam a algumas pou-
cas famílias, como a Cavalcanti, dona de mais de um 
terço dos engenhos da província. Daí, a origem da 
seguinte trova popular: 
Quem viver em Pernambuco 
Deve estar desenganado 
praieira 
A revolta liberal pernambucana
Formação do partido da praia 
•	 Em sua opinião, ainda existem em nosso país oligarquias locais que comandam a política e os meios de co-
municação de determinada região? Isso ocorre em sua cidade ou estado?
Investigando
Que há de ser Cavalcanti 
Ou há de ser cavalgado. 
Devido a seu poder econômico, essas poucas fa-
mílias dominavam a política pernambucana. 
O comércio, por sua vez, era a segunda fonte de 
riqueza de Pernambuco e estava concentrado princi-
palmente nas mãos de portugueses. 
Assim, o poder político-econômico de Pernam-
buco era controlado pela oligarquia rural e pelos 
comerciantes portugueses. Considerável parte da 
população urbana (profissionais liberais, pequenos 
mercadores, artesãos, padres, militares etc.) vivia em 
dificuldades econômicas e insatisfeita com a domi-
nação política local.
Em 1842, dissidentes do Partido Libe-
ral pernambucano formaram o Partido da 
Praia. Seus líderes eram ricos proprietários 
rurais, que, por não pertencerem à aristocra-
cia fundiária tradicional, não participavam 
dos acordos políticos entre liberais e conser-
vadores para ocupar os principais cargos da 
província. Insatisfeitos com essa exclusão do 
jogo do poder, acabariam unindo-se, mais 
tarde, a liberais exaltados, que defendiam 
propostas mais radicais, como o combate à 
desigualdade social na província. 
As ideias dos membros do Partido da 
Praia, chamados de praieiros, eram expres-
sas por meio do jornal Diário Novo, cuja 
sede ficava na rua da Praia, na cidade do 
Recife (daí o nome do partido).
W. BäSSler. recIfe vISta da fortaleza do BruM. 1847.
Recife vista da fortaleza do Brum. 
Litografia de W. Bässler, feita em 1847, 
pouco antes da Revolta Praieira.
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Em 1844, com a nomeação de um gabinete li-
beral no Rio de Janeiro, Antônio Pinto Chichorro 
da Gama foi designado presidente de Pernambuco. 
Aliado dos praieiros, ele não era um homem com-
prometido com a oligarquia proprietária de enge-
nhos nem com os comerciantes portugueses. Assim, 
durante seu mandato (1845-1848), os liberais praiei-
ros conseguiram chegar ao poder.
Eclosão do conflito
Em 1848, porém, um novo gabinete conservador 
assumiu o governo do império e demitiu Chichorro da 
Gama. Não aceitando a indicação feita pelos conser-
vadores para a presidência da província, os praieiros 
iniciaram o movimento que ficou conhecido como Re-
volta (ou Revolução) Praieira. 
Liderados por Pedro Ivo (comandante militar) e 
Borges da Fonseca (jornalista), os praieiros divulgaram 
seus planos em um documento intitulado Manifesto 
ao Mundo, cujas principais propostas eram: 
•	voto livre e universal para o povo brasileiro (fim do 
voto censitário); 
•	plena liberdade de imprensa; 
•	garantia de trabalho para o cidadão brasileiro; 
•	extinção do poder Moderador; 
•	exercício do comércio a varejo só para brasileiros 
(os portugueses seriam proibidos de exercer essa 
atividade);
•	garantia dos direitos individuais do cidadão; 
•	estabelecimento da federação. 
Como podemos ver, o programa político dos 
praieiros era liberal, mas não tocava na questão da 
escravidão.
Repressão e alcances
A luta armada entre os revoltosos praieiros e 
as tropas imperiais não chegou a durar um ano. Os 
praieiros não tinham muitos recursos militares, con-
tando com apenas 2 mil homens. Por isso, não resisti-
ram à repressão imperial. 
Os principais líderes da Revolta Praieira (Borges da 
Fonseca, José Inácio Abreu e Lima, Jerônimo Vilela e 
muitos outros) foram condenados à prisão perpétua 
em Fernando de Noronha, mas acabaram sendo anis-
tiados em 1851. Pedro Ivo foi preso e enviado para o 
Rio de Janeiro, de onde conseguiu fugir para a Euro-
pa, mas morreu na viagem. 
Com a derrota dos praieiros, chegava ao fim esse 
conjunto de revoltas que acompanharam e sucede-
ram o movimento de independência do Brasil. Su-
focadas as tendências separatistas, as elites sociais 
e políticas, em conjunto com o governo do império, 
consolidaram a construção de um Estado centraliza-
do. Preservaram, assim, a unidade territorial do país. 
A maioria da população brasileira, no entanto, conti-
nuou afastada da participação no poder político.
Modernização 
O impacto das transformações econômicas
Historiadores consideram que a segunda metade 
do século XIX foi marcada por certa modernização 
do país.
Nesse período, a produção do café superou a de 
todos os demais produtos agrícolas, como açúcar, ta-
baco, algodão e cacau. O café tornou-se, então, o 
principal produto da economia brasileira. 
Os cafezais expandiram-se pelo sudeste brasileiro, 
e o centro econômico do país deslocou-se das antigas 
áreas agrícolas do nordeste para essa região. 
Nas fazendas de café da província de São Paulo, 
o trabalho escravo foi sendo substituído lentamente 
pelo trabalho assalariado, com predomínio de imi-
grantes europeus (italianos, alemães etc.). 
Parte do dinheiro obtido com a exportação do 
café foi aplicada na industrialização do país. Surgi-
ram, inicialmente, indústrias de produtos alimentícios, 
de vestuário, madeireiras, entre outras. 
Também foi neste período que, nas cidades mais 
importantes, como Rio de Janeiro, Salvador, Recife, 
Belém e São Paulo, foram surgindo novos serviços pú-
blicos: iluminação das ruas, bondes, ferrovias, bancos, 
teatros etc.
209CAPÍTULO 16 Segundo Reinado
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café: a nova riqueza
O café foi introduzido no Brasil provavelmente em 
1727, mas, a princípio, era um produto sem muito 
valor comercial, utilizado como bebida destinadaape-
nas ao consumo local. Entretanto, a partir do início do 
século XIX, o hábito de beber café alcançou grande 
popularidade na Europa e nos Estados Unidos, fazen-
do crescer o consumo internacional do produto. 
Como o clima e o tipo de solo de muitas áreas do 
sudeste brasileiro favoreciam o desenvolvimento da 
lavoura cafeeira, houve deslocamento parcial da mão 
de obra escrava para a cafeicultura, a fim de atender 
à demanda externa. 
Assim, com um cenário internacional favorável e a 
disponibilidade interna de recursos para expandir a pro-
dução, o Brasil tornou-se em pouco tempo o principal 
produtor mundial de café, condição que, no império, se 
manteve de 1830 até o final do século XIX. 
Os lucros gerados pela exportação do café possibili-
taram a recuperação econômica do Brasil, que tinha suas 
finanças abaladas desde o período da independência, de-
vido à queda das exportações agrícolas e à dívida externa, 
entre outros fatores. 
A tabela a seguir mostra os principais produtos agríco-
las brasileiros exportados, entre os anos de 1831 e 1900. 
Além do café, o açúcar, o algodão, o tabaco e o cacau ocu-
pavam posições significativas nas exportações do período. 
principais produtos agrícolas brasileiros para exportação (em porcentagem sobre o valor global) (1831-1900) 
período café açúcar algodão tabaco cacau outros
1831-1840 43,8 24,0 10,8 1,9 0,6 18,9
1841-1850 41,4 26,7 7,5 1,8 1,0 21,6
1851-1860 48,8 21,2 6,2 2,6 1,0 20,2
1861-1870 45,5 12,3 18,3 3,0 0,9 20
1871-1880 56,6 11,8 9,5 3,4 1,2 17,5
1881-1890 61,5 9,9 4,2 2,7 1,6 20,1
1891-1900 64,5 6,0 2,7 2,2 1,5 23,1
Fonte: Anuário Estatístico do Brasil, 1939. 
Investigando
1. Quais são os principais produtos exportados atualmente pelo Brasil? Pesquise. 
2. O que mudou em relação aos produtos exportados pelo país no século XIX?
Colhedores de cafŽ. Óleo 
sobre tela de Clóvis 
Graciano, produzido 
no século XX. Graciano 
foi pintor, desenhista, 
gravador, figurinista 
e ilustrador. Em suas 
obras destacavam-se os 
temas sociais. 
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Investigando
1. Você conhece pessoas que imigraram para o Brasil ou seus descendentes? De onde eles vieram? O que motivou 
sua decisão de vir para o país?
2. Debata a seguinte frase com seus colegas: “o Brasil é um país de imigrantes”.
Novo centro político-econômico 
Considerando a riqueza que o produto gerava, o 
escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948) com-
parou os pés de café a uma árvore que “dá ouro em 
bagos vermelhos”. E como dinheiro e poder estão ge-
ralmente associados, os cafeicultores tornaram-se o 
grupo mais rico e influente da sociedade brasileira na 
época, de tal forma que o centro do poder político e 
econômico do país transferiu-se do nordeste para o 
sudeste do território brasileiro. 
Inicialmente, o café era cultivado na Baixada Flu-
minense e no vale do Paraíba (que abrangia áreas das 
províncias de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Pau-
lo). A partir de 1870, as fazendas de café expandiram-
-se para o oeste da província de São Paulo, onde se 
encontrava um tipo de solo extremamente favorável 
ao seu desenvolvimento: a terra roxa. 
Considerando essa “marcha para o oeste”, é 
possível dizer que a lavoura cafeeira está diretamente 
vinculada à história de várias cidades paulistas, como 
Campinas, Ribeirão Preto, Araraquara e São José do 
Rio Preto. 
primeiros imigrantes 
Com a proibição do tráfico negreiro, em 1850, e 
a necessidade de conseguir mão de obra para a la-
voura, os cafeicultores viram-se obrigados a recorrer 
ao trabalho de imigrantes europeus, como italianos, 
espanhóis, alemães e outros. 
O senador paulista Nicolau de Campos Vergueiro 
foi o primeiro fazendeiro a trazer imigrantes europeus 
para trabalhar na cafeicultura. Entre os anos de 1847 
e 1857, levou para sua fazenda de Ibicaba, no interior 
de São Paulo, os primeiros grupos de alemães, suíços 
e belgas. 
Os imigrantes eram contratados pelo sistema de 
parceria: davam ao proprietário da fazenda uma par-
te da colheita e ficavam com o restante. No entanto, 
acabaram enganados pelos fazendeiros, que os trata-
vam e exploravam como se fossem escravos. 
Por isso, muitos deles iniciaram revoltas, que ti-
veram como consequência o fracasso do sistema de 
parceria e o desestímulo à vinda de novos imigrantes. 
O fluxo migratório europeu só voltaria a crescer no 
Brasil no final do século XIX.
Interpretar fonte Condições	de	vida	dos	primeiros	imigrantes	
O relato (posteriormente transformado em livro) feito pelo imigrante suíço Thomas Davatz, que veio 
para São Paulo nesse período, expõe a situação vivida por esses primeiros imigrantes, como podemos ver 
neste trecho: 
Os colonos abaixo assinados vêm, por meio desta, afirmar que sua situação está bem longe 
de ser tão excelente e vantajosa quanto o prometiam as notícias divulgadas aqui na Europa, 
que vivem sujeitos a arbitrariedades de toda ordem e que sua situação é antes de lamentar 
do que de causar inveja. Por isso decidiram firmemente fazer valer seus direitos [...]. Solici-
tando um inquérito que lance luz sobre toda a situação [...]. Esperam [...] que de parte dos 
senhores Vergueiro e Cia. sejam cumpridas todas as obrigações expressas nos contratos e 
também não sejam cometidos contra nenhum colono atos de violência, como sejam expul-
são da fazenda, prisão etc. 
DAVATZ, Thomas. Memórias de um colono no Brasil (1858). São Paulo: Livraria Martins/Edusp, 1972. p. 206. 
•	 Com base no texto de Thomas Davatz, explique quais eram as condições de vida dos primeiros imigrantes 
europeus que vieram ao Brasil durante o século XIX.
211CAPÍTULO 16 Segundo Reinado
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Fim do tráfico negreiro internacional
Desde a independência, o império brasileiro era pressionado pelo governo in-
glês para que pusesse fim ao tráfico negreiro. Em 1831, uma lei do império esta-
belecia que os escravos importados a partir dessa data fossem considerados livres.
Entretanto, essa lei de 1831 não foi cumprida, mesmo com toda a pressão 
dos sucessivos governos ingleses. Assim, os traficantes mantiveram o comércio de 
escravos com o governo brasileiro durante praticamente mais duas décadas.
A partir de 1845, a pressão inglesa transformou-se em ameaça militar, com 
a promulgação do Bill Aberdeen, ato que declarava o direito inglês de aprisionar 
navios negreiros, mesmo se estivessem em águas territoriais brasileiras, e de julgar 
seus comandantes por seus crimes. Tal medida gerou uma crise nas relações entre 
Brasil e Inglaterra.
Depois de tanta pressão, a Inglaterra finalmente conseguiu que o governo de 
D. Pedro II promulgasse, em 4 de setembro de 1850, a Lei Eusébio de Queirós, que 
proibia a entrada, no Brasil, de africanos traficados e autorizava a expulsão dos 
traficantes. A partir de então, o comércio de escravos importados foi duramente 
reprimido pelas autoridades brasileiras.
Entre as consequências da nova lei, além da própria extinção do tráfico exter-
no de escravos, podemos destacar:
•	crescimento do tráfico negreiro interno – escravos de regiões como o nor-
deste do país (produtoras de cana-de-açúcar) passaram a ser vendidos para 
regiões do centro-sul em expansão econômica, como as áreas cafeeiras de 
São Paulo. A tabela ao lado mostra como a importação de escravos não foi 
imediatamente contida;
•	liberação de capitais 
para outras ativida-
des – grandes somas 
de dinheiro, até então 
aplicadas na importa-
ção de escravos, pas-
saram a ser destinadas 
a outros setores da 
economia.
Desembarque de 
escravos no Brasil 
(1836-1855) 
anos
total de 
escravos 
importados 
1836-1840 240 600
1841-1845120 000
1846-1850 257 500
1851-1855 6 100
Fonte: KLEIN, Herbert. In: 
Estatísticas históricas do Brasil. 
Rio de Janeiro: IBGE, 1987. 
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Negras Depois do Trabalho, 
fotografia colorizada feita pelo 
francês Victor Frond, durante 
visita ao Brasil. Foi tirada 
em 1861, após a promulgação 
da Lei Eusébio de 
Queirós. 
212 UNIDADE 3 Liberdade e independência
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lei de terras (1850)
No mesmo ano em que, pela Lei Eusébio de Quei-
rós, foi extinto o comércio de escravos africanos para 
o Brasil, também foi aprovada a Lei de Terras. Essa lei 
estabelecia que, apesar da imensidão do território, o 
meio normal de adquirir a propriedade da terra era a 
compra e não mais a posse (ocupação) da área. 
A nova norma instalava-se precisamente nessa 
fase de transição do trabalho escravo para o trabalho 
livre, quando as populações que iam conquistando a 
liberdade mais necessitavam de terras para se instalar 
e trabalhar, a fim de conseguir seu sustento. 
Sobre a nova lei, comentou o antropólogo Darcy 
Ribeiro (1922-1997): 
Se alguém pretendia ser proprietário, tinha 
de comprar suas terras do Estado ou do parti-
cular que as tivesse por título hábil. É certo que 
a lei estabelecia uma exceção: a chamada usu-
capião. Se alguém pudesse provar, diante de 
autoridade competente, que ocupou continua-
mente, por 10 ou 20 anos, um pedaço de terra, 
talvez conseguisse que o cartório o registrasse 
como sua propriedade. Mas [...] quase ninguém 
do povo adquiria propriedade por essa via. Em 
consequência, as boas terras do país permane-
ceram concentradas nas mãos dos antigos pro-
prietários, que puderam fazer de seus filhos e 
netos outros tantos fazendeiros latifundiários.
RIBEIRO, Darcy. Sobre o óbvio. In: Revista Civilização Brasileira, 
n. 1, jul. 1978. p.15-16. 
Em outras palavras, a Lei de Terras contribuiu para 
preservar o domínio patrimonial dos velhos fazendei-
ros, os únicos que, de modo geral, tinham recursos 
financeiros e poder para satisfazer à nova legislação, 
podendo, portanto, manter e aumentar seus latifún-
dios. Essa lei também dificultou a desconcentração da 
propriedade da terra em nosso país, questão que per-
siste até os dias atuais.
Em destaque Escravos	africanos	no	Rio	de	Janeiro
Até a extinção do tráfico negreiro, o número de escravos existentes em todo o país correspondia 
a cerca de 33% da população. No Rio de Janeiro, entretanto, os cativos representavam de 40 a 50% 
do total de habitantes durante o século XIX. Leia, a seguir, a interpretação do historiador brasileiro Luiz 
Felipe de Alencastro sobre essa situação.
Considerando que a população do município praticamente dobrou nos anos 1821-1849, 
a corte agregava nessa última data, em números absolutos, a maior concentração urbana 
de escravos existentes no mundo desde o final do Império Romano: 110 mil escravos para 
266 mil habitantes. No entanto, ao contrário do que sucedia na Antiguidade, o escravismo 
moderno, e particularmente o brasileiro, baseava-se na pilhagem de indivíduos de uma só 
região [...]. Em outras palavras, no moderno escravismo do continente americano a oposição 
senhor/escravo desdobra-se numa tensão racial que impregna toda a sociedade. 
Tamanho volume de escravos dá à corte as características de uma cidade [...] meio afri-
cana. [...] 
Entranhado no Estado centralizado, difundido em todo o território, na corte e nas pro-
víncias mais prósperas como nas mais remotas, o escravismo brasileiro ameaçava a esta-
bilidade da monarquia e fazia o país perigar. E a elite imperial sabia disso: [...] o Brasil será 
— até 1850 — o único país independente a praticar o tráfico negreiro, assimilado à pirataria 
e proibido pelos tratados internacionais e pelas próprias leis nacionais.
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. Vida privada e ordem privada no império. In: NOVAIS, Fernando A. (Org.). 
História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. v. 2. p. 24-25, 28-29. 
1. Como Luiz Felipe de Alencastro caracteriza o escravismo brasileiro, em comparação com o escravismo 
antigo (grego, romano etc.)? 
2. Por que, para o autor, o escravismo brasileiro “ameaçava a estabilidade da monarquia e fazia o país perigar”? 
213CAPÍTULO 16 Segundo Reinado
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crescimento industrial
As grandes somas de dinheiro resultantes das exportações de café não foram 
aplicadas apenas na expansão da própria cafeicultura. Em certa medida, também 
financiaram a instalação de indústrias e a modernização de algumas cidades brasi-
leiras, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. 
Além do dinheiro da cafeicultura, o crescimento industrial também foi favo-
recido, como vimos, pelos capitais antes destinados ao tráfico internacional de 
escravos. Mas houve uma medida propriamente de política econômica, adotada 
pelo governo brasileiro, que começou a incentivar a industrialização no país: o 
aumento das taxas de importação. 
tarifa alves Branco 
Em 1844, anos antes da extinção do tráfico negreiro, o ministro da Fazenda, 
Manuel Alves Branco, decretou a cobrança de uma nova tarifa alfandegária sobre 
os produtos importados, que ficou conhecida como tarifa Alves Branco. 
Até então, o imposto sobre importação era de apenas 15%. Com a tarifa 
Alves Branco, a maioria dos produtos importados passou a ser tributada em 30%. 
Caso produtos semelhantes fossem fabricados no Brasil, a tarifa chegava a 60%. 
Isso acarretou o aumento do preço desses produtos, forçando o consumidor bra-
sileiro a procurar similares nacionais. Com o estímulo dessa medida, passou a ser 
mais vantajoso investir os capitais disponíveis no país na criação de indústrias, 
bancos, empresas de navegação, ferrovias, companhias de seguros, mineradoras 
etc. Como resultado, na última década do império (1880-1889), o Brasil já contava 
com 600 indústrias, que empregavam quase 55 mil operários nos setores têxtil, 
alimentício, madeireiro, metalúrgico e de vestuário.
Investigando
1. Quais são os principais produtos importados pelo Brasil atualmente? Pesquise. 
2. Você consome produtos importados? Quais? Por quê?
Navio sendo carregado com 
contêiner no porto de Santos 
(SP). Atualmente, esse é o 
principal porto do Brasil e um 
dos mais movimentados do 
mundo. Por ele passam, todos 
os dias, diversos produtos 
importados e exportados. 
Fotografia de 2012.
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214 UNIDADE 3 Liberdade e independência
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alcances e limites das transformações
Em destaque Barão	de	Mauá:	um	empresário	no	império
Isso não ocorreu, por exemplo, nos Estados Uni-
dos, um país que se assemelha ao nosso tanto em ter-
mos da vastidão de seu território, como em relação ao 
período em que ocorreu sua colonização e ocupação. 
Na interpretação de Darcy Ribeiro, nos Estados Unidos 
— com exceção dos estados sulistas —,
a forma normal de obtenção da proprieda-
de rural era a posse (ocupação das terras) para 
aqueles que fossem para o oeste — como se 
vê nos filmes de faroeste. [...] O resultado é 
que nos Estados Unidos se multiplicou um 
imenso sistema de pequenas e médias pro-
priedades, criando e generalizando para mi-
lhões de modestos granjeiros uma prosperi-
dade geral.
RIBEIRO, Darcy. op. cit. p.16. 
No período de crescimento industrial e modernização econômica do Brasil imperial, merece 
destaque a figura de Irineu Evangelista de Sousa, barão e, depois, visconde de Mauá (1813-1889). 
Homem de iniciativa e visão empresarial, Mauá foi responsável por grandes empreendimentos 
econômicos no Segundo Reinado. Fundou empresas de construção de navios a vapor e fundição 
de ferro. Construiu a primeira ferrovia brasileira (ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis)e a primeira 
linha de bondes do Rio de Janeiro. Foi responsável pela instalação da iluminação a gás nessa cidade, 
pela construção de linhas de telégrafo no país e de um cabo submarino intercontinental, ligando a 
Europa e o Brasil. 
Há várias interpretações sobre o sucesso e, depois, o 
fracasso de Mauá. Uma delas diz que o sucesso de Mauá 
durou até suas empresas serem abaladas pela concorrên-
cia dos produtos importados (principalmente ingleses) e 
passarem a sofrer diversos atentados e sabotagens. Pela 
pressão de empresários estrangeiros, as empresas de 
Mauá foram à falência.
•	 De acordo com o texto, qual é a importância de Mauá 
para nossa história?
Todas essas mudanças repercutiram no desenvol-
vimento urbano e econômico do país, propiciando a 
expansão dos setores de serviços, comércio e indústria.
No entanto, cabe ressaltar que essas transformações 
não beneficiaram igualmente todas as regiões do Brasil. 
Como a expansão do café, o crescimento das cidades 
e a industrialização ocorreram principalmente na região 
sudeste, foi esta a maior favorecida pelo desenvolvimen-
to socioeconômico desse período. 
Por outro lado, o crescimento dos setores industrial 
e de serviços não foi suficiente para renovar, de modo 
amplo e profundo, a face tradicional de nossa econo-
mia, que ainda se apoiava no latifúndio e na agricultu-
ra de exportação. Apesar dos avanços, a Lei de Terras, 
promulgada em 1850, acabou reafirmando a socieda-
de latifundiária brasileira e a exclusão social da maioria 
da população. 
Cartaz de Mauá: o imperador 
e o rei (direção de Sérgio 
Rezende, Brasil, 1999, 135 min.), 
filme que retrata a infância, o 
enriquecimento e a falência 
do empresário. 
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215CAPÍTULO 16 Segundo Reinado
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