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DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE MINAS ESCOLA DE MINAS DA UFOP CURSO MIN 112 - OPERAÇÕES MINEIRAS PROFESSOR VALDIR COSTA E SILVA e-mail: valdir@demin.ufop.br Março, 2011. 1 1. APLICAÇÕES DA PERFURAÇÃO Os tipos de trabalho, tanto em obras de superfície como subterrâneas, podem classificar-se nos seguintes: perfuração de banco, perfuração de produção, perfuração de chaminés (raises), perfuração de poços (shafts), perfuração de rochas com capeamento e reforço das rochas. 1.1 PRINCIPAIS MÉTODOS DE PERFURAÇÃO Existem três principais métodos de perfuração para o desmonte de rochas com explosivos aplicados à mineração: perfuração rotativa com brocas tricônicas (Holler Bit); martelo de superfície (Top-Hammer, método roto-percussivo); martelo de fundo de furo ou furo abaixo (Down the Hole, método roto- percussivo). Perfuração por percussão: Também conhecido por perfuração por martelo, é o método mais comum de perfuração para a maioria das rochas, os martelos podem ser acionados a ar comprimido ou hidráulicos. A perfuração rotopercussiva é o sistema mais clássico de perfuração e o seu aparecimento coincide com o desenvolvimento industrial do século XIX. As primeiras máquinas, protótipos de Singer (1838) e Couch (1848), utilizavam vapor para o seu acionamento, mas foi com a aplicação posterior do ar comprimido como fonte de energia (1861) que este sistema evoluiu e passou a ser utilizado de forma intensa (Jimeno,1994). As perfuratrizes rotopercussivas geralmente exercem um papel menor quando comparadas com as máquinas rotativas nas operações mineiras a céu aberto. Sua aplicação é limitada à produção das pequenas minas, perfuração 2 secundária, trabalhos de desenvolvimento e desmonte controlado. Porém, o sistema de furo abaixo ou de fundo de furo (down the hole) com diâmetro de perfuração na faixa de 150 mm (6”) a 229 mm (9”) vem ganhado campo de aplicação nas rochas de alta resistência por propiciar maiores taxas de penetração quando comparadas com o método rotativo. Estas perfuratrizes possuem dois sistemas de acionamento básicos, rotação e percussão. Estas duas forças são transmitidas através da haste para a coroa de perfuração. Os martelos podem ter acionamento pneumático ou hidráulico, e são localizados na superfície sobre a lança da perfuratriz, conforme figura 1. O surgimento dos martelos hidráulicos na década de 70 deu novo impulso a este método de perfuração, ampliando o seu campo de aplicação. Figura 1 – Componentes básicos do martelo de superfície Os equipamentos roto-percussivos se classificam em dois grandes grupos, segundo a posição do martelo: martelo de superfície (Top-Hammer); martelo de fundo de furo (Down The Hole). Por muitos anos estes equipamentos foram operados, exclusivamente, usando martelos pneumáticos. Nos últimos 15 anos máquinas hidráulicas têm sido introduzidas no mercado. O alto custo de capital das perfuratrizes hidráulicas é Prof. Valdir Costa e Silva 3 compensado por um menor custo operacional e maior produtividade quando comparadas com máquinas pneumáticas (Crosby, 1998). A perfuração rotopercussiva se baseia na combinação das seguintes ações: Percussão: os impactos produzidos pelas batidas do pistão do martelo originam ondas de choque que se transmitem à rocha. Rotação: com este movimento se faz girar a broca para que se produzam impactos sobre a rocha em diferentes posições. Pressão de avanço: para se manter em contato a ferramenta de perfuração e a rocha é exercida um pressão de avanço sobre a broca de perfuração. Fluido de limpeza: o fluido de limpeza permite extrair os detritos do fundo do furo. Em resumo, na perfuração percussiva o pistão transmite energia sobre a rocha através da barra de percussão, das uniões, da haste de perfuração e da broca. O motor de rotação ao encontrar rocha nova, rompe os cortes em pedaços ainda menores. O ar comprimido efetua a limpeza dos furos e a refrigeração das brocas. Perfuratrizes Pneumáticas Um martelo acionado por ar comprimido consta de: um cilindro fechado com uma tampa dianteira que dispõe de uma abertura axial onde é fixado o punho e as hastes de perfuração; um pistão que com o seu movimento alternativo golpeia o punho de perfuração, o qual transmite a onda de choque à haste; uma válvula que regula a passagem de ar comprimido em volume fixado e de forma alternada para a parte anterior e posterior do pistão; um mecanismo de rotação para girar a haste de perfuração; 4 um sistema de limpeza do furo que permite a passagem de ar pelo interior da haste de perfuração e retirada dos detritos da rocha entre as paredes do furo e a parte externa da haste. . A profundidade máxima alcançada por este sistema não supera os 30 metros, devido as perdas de energia na transmissão das ondas de choque do martelo para a coroa. A cada haste adicionada na coluna de perfuração maior é a perda de energia devido a reflexão da energia nas conexões e luvas de perfuração. O campo de aplicação das perfuratrizes pneumáticas de martelo de superfície está se reduzindo cada vez mais, devido à baixa capacidade de perfuração em rochas duras, à profundidade (em torno de 15 m), ao diâmetro de perfuração (de 50 a 100 mm) e ao alto consumo de ar comprimido, aproximadamente, 2,4 m3/min por cada cm de diâmetro, além de apresentar alto desgaste das ferramentas de perfuração: hastes, punhos, coroas, mangueiras etc., em função da frequência de impacto e na forma de transmissão da onda de choque do pistão de grande diâmetro (Svedala Reedrill, sd.). Perfuratrizes hidráulicas No final da década de 60 e início da década de 70 houve um grande avanço tecnológico na perfuração de rochas com o desenvolvimento dos martelos hidráulicos. Uma perfuratriz hidráulica consta basicamente dos mesmos elementos construtivos de uma pneumática. A diferença mais importante entre ambas é que no lugar de se utilizar ar comprimido, gerado por um compressor acionado por um motor diesel ou elétrico, para o acionamento do motor de rotação e para produzir o movimento alternativo do pistão do martelo, utiliza-se um grupo de bombas que acionam estes componentes. As razões pela qual as perfuratrizes hidráulicas possuem uma melhor tecnologia sobre as pneumáticas são as seguintes: Prof. Valdir Costa e Silva 5 menor consumo de energia: as perfuratrizes hidráulicas consumem apenas 1/3 da energia, por metro perfurado, em comparação com os equipamentos pneumáticos; menor desgaste da broca de perfuração; maior velocidade de penetração: a energia liberada em cada impacto do martelo é superior a do martelo pneumático, resultando em maiores taxas de penetração; melhores condições ambientais: a ausência de exaustão de ar resulta em menores níveis de ruído quando comparadas com perfuratrizes pneumáticas; maior flexibilidade na operação: é possível variar a pressão de acionamento do sistema, a energia por impacto e a freqüência de percussão do martelo; maior facilidade para a automação: os equipamentos são muito mais aptos para a automação das operações, tais como a troca de haste e mecanismos antitravamento da coluna de perfuração. Martelos de Fundo (Down The Hole – DTH) Os martelos de fundo de furo foram desenvolvidos na década de 50 e, originalmente, eram utilizados para aumentar a taxa de penetração em rochas duras e muito duras. Neste método, o martelo e a broca de perfuração permanecem sempre no fundo do furo, eliminando as perdas de energia ao longo da coluna de perfuração. A principal aplicação deste método é a perfuração em rochas duras quando se usa brocas de 152 a 229 mm (6” a 9”). Para estes diâmetros, os rolamentos das brocas tricônicas são demasiadamente pequenos para suportar grandes cargas verticaisx 0,759 kg/m Q4 = 2,505 kg Número de cartuchos por furo (NC4) 5,5 610,0 5,08,3 610,0 2 4 4 NC m mm m TH NC 73 Cálculo dos demais furos da seção f) Furos do Piso (Sapateira, Levante) Afastamento prático (ar) do último quadrado (ar = 1,0 m) Cálculo do Espaçamento do levante (El) El = 1,1ar = 1,1 x 1,0 m El = 1,1 m Número de furos do piso (NFl) 122 1,1 12 2 arg l p l NF m m INT E TúneldouraL INTNF 74 O tampão dos furos de levante é calculado através da seguinte expressão: Tl = 0,2ar = 0,2 x 1,00 m Tl = 0,2 m = 20 cm Carga explosiva de cada furo do levante (Ql) Ql = (H – Tl) x RL = (3,8 m - 0,2 m) x 0,759 kg/m Ql = 2,732 kg Número de cartuchos por furo (NCl) 6 610,0 2,08,3 610,0 l l l NC m mmTH NC g) FUROS DA PAREDE Neste caso teremos que executar a técnica de “Detonação Amortecida”, utilizando a tabela 11: 75 Tabela 11 - Valores a serem aplicados na técnica de Detonação Amortecida. Diâmetro da perfuração (mm) RL (kg/m) Diâmetro do cartucho (mm) Afastamento (ap), em metros Espaçamento (Ep), em metros 25 – 32 0,11 11 0,3 – 0,5 0,25 – 0,35 25 – 48 0,23 17 0,7 – 0,9 0,50 – 0,70 51 – 64 0,42 22 1,0 – 1,1 0,80 – 0,90 76 0,50 38 1,4 1,6 Logo para D1 = 38 mm, utilizando os valores médios ap = 0,8 m e Ep = 0,6 m. Tp = 0,5ap = 0,5 x 0,8 m Tp = 0,4 m RL = 0,230 kg/m Cálculo da carga dos furos da parede (Qp) Qp = (H-Tp) x RL = (3,8 m – 0,4 m) x 0,230 kg/m Qp = 0,782 kg NCp = (H – Tp) / 0,5 = (3,8 m – 0,4 m) / 0,5 NCp = 7 821 6,0 0,128,3 21 p p l p NFx m mm INTx E aparededaAltura INTNF 76 h) Furos do teto Os furos do teto apresentam os mesmos dados que os furos da parede: at = 0,8 m; Et = 0,6 m; Qt = 0,782 kg; Tt = 0,4 m Número de furos do teto (NFt) 301 6,0 0,614,3 1 t T t NF m mx INT E R INTNF sendo R = altura da abobada. Número de furos do contorno (teto + parede) (NFc) 77 381 6,0 4,23 1 c T c NF m m INT E LD INTNF onde: LD = (altura da parede – al) x 2 + R = (3,28 m – 1,0 m) x 2 + 3,14 x 6,0 m LD = 23,4 m i) Furos intermediários laterais ao pilão Número de linhas verticais (NLV) 1 )( liE EDHhorizontalnadisponívelEspaço INTNLV 78 sendo: Eli = 1,1 x ar = 1,1 x 1,0 m Eli = 1,1 m EDH = LT – W4 – 2 x ap = 12 m - 2,28 m – 2 x 0,8 EDH = 8,12 m Sendo: LT = largura do túnel, então: 81 1,1 12,8 NLV m m INTNLV Número de linhas horizontais (NLH) 1 )( ra EDVverticalnadisponívelEspaço INTNLH sendo: ar = 1,0 m EDV = ap – al = 3,28 m – 1,0 m EDV = 2,28 m; então: 31 0,1 28,2 NLV m m INTNLH 79 Número de furos intermediários laterais ao pilão (NFil) NFil = NLV x NLH = 8 x 3 NFil = 24 Cálculo do Tampão (Til) Til = 0,5 x ar = 0,5 x 1,0 m Til = 0,5 m Cálculo da carga por furo (Qil) Qil = (H - Til ) x RL = (3,8 m – 0,5 m) x 0,759 kg/m Qil = 2,505 kg Cálculo do número de cartuchos por furo (NCil) NCil = (H - Til ) / 0,601 m = (3,8 m – 0,5 m) / 0,601 m NCil = 5,5 80 Furos Intermediários acima do pilão (Realce) ai = 1,0 m (último quadrado); Ei = 1,2 x ai = 1,2 m Número de arcos e linhas (Nal) Nal = INT(R – ap) = INT(6,0 m – 0,8 m) Nal = 5 Número de furos do 1 arco superior (NF1) 13 2,1 )8,06(14,3 1 1 1 NF m mm INT E r INTNF i Número de furos do 2 arco superior (NF2) 10 2,1 )0,18,06(14,3 2 2 2 NF m mmm INT E r INTNF i Número de furos do 3 arco superior (NF3) 8 2,1 )0,10,18,06(14,3 3 3 3 NF m mmmm INT E r INTNF i Após o 3 arco o espaço disponível na horizontal será (Eh) Eh = 12 m – 2 x 0,8 m – 4 x 1,2 m Eh = 5,6 m 81 Número de furos na horizontal (NFh) 6 2,1 6,5 h i h h NF m m INT E E INTNF Cálculo do tampão dos furos intermediários acima do pilão (Tiap) Tiap = 0,5 x ar = 0,5 x 1,0 m Tiap = 0,5 m Cálculo da carga dos furos intermediários acima do pilão (Qiap) Qiap = (H - Tiap ) x RL = (3,8 m – 0,5 m) x 0,759 kg/m Qiap = 2,505 kg Cálculo do número de cartuchos por furo (NCiap) NCiap = (H - Tiap ) / 0,610 m = (3,8 m – 0,5 m) / 0,610 m NCiap = 5,5 82 Resumo Número de furos por detonação: 127 Diâmetro dos furos carregados: 38 mm Diâmetro do furo vazio alargado: 127 mm Profundidade da perfuração por fogo: 3,8 m Avanço médio por detonação: 95 % x 3,8 m = 3,6 m Número total de detonações: 1500 m / 3,6 m por detonação = 417 detonações Volume total de rocha “in situ” por detonação (V): 3,6 m x 96 m2 = 346 m3 Sistemática de carregamento do fogo (tabela 12) Tabela 12 – Resumo das cargas utilizadas por seção. Região Número de furos Dimensões do explosivo Carga por furo (kg) Total de explosivo (kg) 1 Quadrado 4 29 mm x 200 mm 2,740 10,960 2 Quadrado 4 29 mm x 200 mm 2,778 11,110 3 Quadrado 4 29 mm x 200 mm 2,657 10,628 4 Quadrado 4 29 mm x 200 mm 2,505 10,020 Piso (sapateira) 12 29 mm x 200 mm 2,732 32,784 Paredes 8 17 mm x 500 mm 0,782 6,256 Teto 30 17 mm x 500 mm 0,782 23,460 Intermediários laterais ao pilão 24 29 mm x 200 mm 2,505 60,120 Intermediários acima do pilão 37 25 mm x 200 mm 2,505 92,685 Consumo total de explosivos por desmonte: 258,023 kg 83 Consumo total de explosivos e acessórios por detonação Cartuchos de 29 mm x 610 mm: 228,307 kg Cartuchos de 17 mm x 500 mm: 29,716 kg Espoleta não elétrica com retardo (Nonel-Túnel, Exel-T, Brinel-Túnel): 127 peças Cordel detonante: 115 m Estopim espoletado (1,2 m): 2 peças Consumo de explosivos e acessórios para o total da obra: Cartuchos de 29 mm x 610 mm: 228,307 kg / detonação x 417 detonações: 95,20 t Cartuchos de 15 mm x 500 mm: 29,716 kg / detonação x 417 detonações: 12,39 t Espoleta não elétrica com retardo: 127 peças / desmonte x 417 detonações: 52.959 peças Cordel detonante: 115 m / desmonte x 417 detonações: 47.955 m Estopim de segurança espoletado: 2 peças / desmonte x 417 detonações: 834 Razão de carregamento (RC): 258,023 kg / 346 m3 RC = 745,73 g/m3 84 Razão de carregamento (RC) em g/t: 745,73 g/m3 / densidade da rocha = 745,73 g/m3 / 2,7 t/m3 RC = 276,20 g/t Metros perfurados por detonação (MPD) MPD = 127 furos x 3,8 m MPD = 482,6 m Perfuração específica (PE) PE = MPD / V = 482,6 m / 346 m3 PE = 1,39 m/m3 Ligação da Face do Túnel (figura 31) Figura 31 – Sequência de iniciação dos furos. 85 9. OTIMIZAÇÃO DO DESMONTE – INSTRUMENTAÇÃO 9.1 Instrumentação Na marcação dos furos (afastamento e espaçamento), para que se obtenha a máxima precisão, pode-se utilizar o GPS. Na verificação da qualidade da perfuração utiliza-se o equipamento denominado Boretrak (figura 32)permite determinar a profundidade exata dos furos e dos desvios ocorridos durante a perfuração da rocha. Figura 32 – Perfilamento do furo com o Boretrak Quando o maciço rochoso contém cavernas e grandes fendas, recomenda-se o uso da câmera de inspeção, evitando a ocorrência de ultralançamentos, principalmente quando o desmonte é realizado com explosivos bombeados. Ainda para evitar a ocorrência de ultralançamento devido a irregularidades nas faces da bancadas, deve-se fazer o perfilamento das mesmas, através do equipamento denominado Laser Profile (Quarryman) figura 33, corrigindo-se, logo em seguida, as quantidades de explosivos da primeira linha de detonação. Prof. Valdir Costa e Silva 86 Figura 33 – Perfilamento da face da bancada com o Quarryman. 9.2 Equipamentos disponíveis para geração e análise direta de dados Nas avaliações dsa distribuições granulométricas dos desmontes de rochas (figura 33) utilizam-se os sistemas de fotoanálises denominados WipFrag (Canadá) e SpliSet (Estados Unidos), que permitem quantificar a qualidade dos desmontes de rocha, sem as famosas subjetividades. Figura 33 – Curva de distribuição granulométrica obtida na fotoanálise. Prof. Valdir Costa e Silva 87 9.3 Resultados dos desmontes por explosivo Um desmonte de rocha com o uso de explosivo atinge seu objetivo quando: a) Apresenta uma boa fragmentação com um menor custo possível. b) Não danifica (backbreak) a face e a rocha remanescente do próximo banco a ser perfurado. c) Não gera grandes problemas ambientais (vibração do terreno, sobrepressão atmosférica e ultralançamento). d) Forma uma pilha mais adequada aos equipamentos de carregamento. e) Não gera grande quantidade de matacões e repés. 9.3.1 Presença de matacões na pilha de material detonado Na maioria dos desmontes, é inevitável a ocorrência de matacões devido aos seguintes fatores: - presença de blocos pré-formados pelas presenças de descontinuidades (juntas e falhas); - falta de carga nos furos, devido a entupimentos; - desvios dos furos ocorridos durante a perfuração; - alto grau de confinamento dos furos (afastamento grande ou tempo de retardo curto); - irregularidades nas malhas de perfuração. - face da bancada bastante irregular; - falhas de explosivos e/ou acessórios de iniciação; - blocos formados pela quebra-pra-trás (back break) do desmonte anterior. 88 9.3.2 Volume de material para a fragmentação secundária O volume máximo de material para a fragmentação secundária é bastante controvertido. Entretanto, alguns autores sugerem um volume máximo de 5% em relação aos fragmentos presentes na pilha. 9.3.3 Produção e interrupção do britador primário A produção do britador (t/h) e, consequentemente, dos equipamentos de transporte e moagem, são bastante afetados pelo engaiolamento de blocos no britador. Estudos desenvolvidos na Mina de Sossego, da Vale, Pará, indicaram que um aumento significativo na razão de carregamento dos fogos, reduziram o número de matacões e a produtividade do britador e dos equipamentos de transporte (caminhões), tendo com consequência, uma maior produção na moagem, contribuindo para uma operação unitária bastante lucrativa. 9.3.4 Geometria da pilha de material desmontado A geometria da pilha é fundamental para a produtividade dos equipamentos de carregamento (carregadeiras e escavadeiras). A figura 34 mostra a forma de pilha mais adequada para o equipamento de carregamento. Figura 34: a) altura de pilha apropriada para a pá carregadeira de pequeno porte; b) altura da pilha apropriada para escavadeiras a cabo e hidráulica. Prof. Valdir Costa e Silva 89 9.4 Avaliação dos explosivos utilizados Na avaliação do desempenho dos explosivos utilizados no desmonte de rocha, os seguintes fatores devem ser levados em conta: - qualidade da fragmentação; - custo da tonelada de rocha desmontada; - presença de fumaças negras ou alaranjadas (indicador de explosivo desbalanceado). - índice de falhas dos explosivos. - resistência a água (número de horas ou dias). 90 10. EFEITOS SECUNDÁRIOS DAS DETONAÇÕES A detonação de uma carga explosiva contida em um furo gera pressões instantâneas que podem atingir níveis que variam de 2 a 10 GPa, dependendo das características e quantidades do explosivo utilizado. Parte da energia gerada pelo explosivo vai trabalhar na quebra e lançamento da massa rochosa; outra parte vai passar diretamente ao maciço rochoso na forma de ondas de choque instáveis, de alta velocidade (body waves), que vai se propagar pelo maciço, sob forma ondulatória, provocando vibrações, até que a energia se dissipe; uma terceira parte da energia de detonação vai ser transmitida à atmosfera, provocando ruídos e onda aérea (sobrepressão atmosférica). A figura 35 mostra os principais problemas gerados pelos desmontes de rochas. Figura 35 - Perturbações originadas pelos desmontes de rochas. Detonações realizadas próximas a locais muitas vezes geram conflitos devido a impactos ambientais. Um dos principais problemas de atrito da comunidade com a mineração é o desmonte de rochas por explosivo. Nestas situações, os Prof. Valdir Costa e Silva 91 responsáveis pelas detonações têm, muitas vezes, pouco o que fazer, pois tentam encontrar um plano de fogo para otimizar o desmonte de rocha sem realizar uma pesquisa, com o uso adequado de instrumentação, para determinar a influencia de diversos parâmetros nos problemas ambientais gerados pelas detonações com o uso de explosivos. A maioria dos países tem normas locais, que especificam legalmente níveis aceitáveis de vibração do solo provocadas por detonações. Estas normas são baseadas em pesquisas que relacionam o pico da velocidade com os dados estruturais. No Brasil a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) estabeleceu normas, válidas a partir de 31/10/2005, através da ABNT NBR 9653 (Norma Brasileira Registrada), para reduzir os riscos inerentes ao desmonte de rocha com uso de explosivos em minerações, estabelecendo os seguintes parâmetros a um grau compatível com a tecnologia disponível para a segurança das populações vizinhas: A ABNT NBR 9653:2005 apresenta as seguintes definições: a) velocidade de vibração de partícula de pico: máximo valor instantâneo da velocidade de uma partícula em um ponto durante um determinado intervalo de tempo, considerando como sendo o maior valor dentre os valores de pico das componentes de velocidade de vibração da partícula para o mesmo intervalo de tempo; b) velocidade de vibração de partícula resultante de pico (VR): máximo valor obtido pela soma vetorial das três componentes ortogonais simultâneas de velocidade de vibração de partícula, considerado ao longo de um determinado intervalo de tempo, isto é: 2 v 2 T 2 L VVVVR onde: 92 VL, VT e VV são respectivamente os módulos de velocidade de vibração de partícula, segundo as direções L - longitudinal, T - transversal e V – vertical; c) pressão acústica: aquela provocada por uma onda de choque aérea com componentes na faixa audível (20 Hz a 20.000 Hz) e não audível, com uma duração menor do que 1 s; d) área de operação: área compreendida pela união da área de licenciamento ambiental mais a área de propriedade da empresa de mineração. e) ultralançamento: arremesso de fragmentos de rocha decorrente do desmonte com uso de explosivos, além da área de operação. f) distância escalonada (DE) ou distância reduzida: calculada através da seguinte expressão e usada para estimar a vibração do terreno: Q D DE onde: D é a distância horizontal entre o ponto de medição e o ponto mais próximo da detonação, em metros; Q é a carga máxima de explosivos a ser detonado por espera, em quilogramas.g) desmonte de rocha com uso de explosivos: operação de arrancamento, fragmentação, deslocamento e lançamento de rocha mediante aplicação de cargas explosivas. Os limites para velocidade de vibração de partícula de pico acima dos quais podem ocorrer danos induzidos por vibrações do terreno são apresentados numericamente na figura 36. 93 Figura 36 – Limites de velocidade de vibração de partícula de pico por faixas de frequências. Nível de pressão acústica: a pressão acústica, medida além da área de operação, não deve ultrapassar o valor de 100 Pa, o que corresponde a um nível de pressão acústica de 134 dBL pico. Ultralançamento: o ultralançamento não deve ocorrer além da área de operação do empreendimento, respeitadas as normas internas de segurança referentes à operação de desmonte. Na maioria das operações, os níveis de vibrações são mantidos bem abaixo dos critérios estabelecidos para evitar danos. Entretanto, o respeito às leis não exclui problemas: vibrações dentro de limite legais podem ainda aborrecer vizinhos. Estes aborrecimentos poderão induzir a problemas de relacionamento com a vizinhança, litígios e fechamento da mina. Prof. Valdir Costa e Silva 94 Situações excepcionais: quando por motivo excepcionai, houver o impedimento da realização do monitoramento sismográfico, pode ser considerada atendida essa Norma com relação à velocidade de vibração de partícula de pico, se for obedecida uma distância escalonada que cumpra com as seguintes exigências: DE 40 m/kg0,5 para D 300 m Causas dos problemas ambientais gerados pelos desmontes de rochas por explosivos Vibração do terreno Quando um explosivo detona dentro de um furo, ondas de tensão são geradas causando distorções e fissuras no maciço rochoso. Entretanto, imediatamente fora dessa vizinhança, não ocorrem permanente deformações, e sim uma rápida atenuação das ondas de tensão, fazendo com que o terreno exiba propriedades elásticas. As vibrações dos terrenos geradas pelo desmontes de rochas por explosivos se transmitem através dos materiais como ondas sísmicas, cuja frente de desloca radialmente a partir do ponto de detonação. As distintas ondas sísmicas se classificam em dois grupos: “ondas internas” e “ondas superficiais”. O primeiro tipo de onda interna é denominada “Primária ou de Compressão”, figura 37 - (a). Estas ondas se propagam dentro dos materiais, produzindo alternadamente compressões e rarefações e dando lugar a um movimento das partículas na direção de propagação das ondas. São as mais rápidas e produzem troca de volumes, sem troca de forma, no material através do qual se movimentam. 95 (O segundo tipo é constituído das “Ondas Transversais ou de Cisalhamento-S”, figura 37 - b), que dão lugar a um movimento das partículas perpendicular a direção de propagação da onda. Os materiais submetidos a esses tipos de onda experimentam trocas de forma e não de volume. Figura 37 - Efeito das ondas “P” e “S” sobre as estruturas. As ondas do tipo superficial que são geradas pelos desmontes de rochas são: as Ondas Rayleigh-R e as Ondas Love-Q. Outros tipos de ondas superficiais são as ondas Canal e as Ondas Stonelly. Na prática, a velocidade de pressão das ondas transversais é da ordem de 50 a 60% da velocidade das ondas compressionais. a) b) Prof. Valdir Costa e Silva 96 Sobrepressão atmosférica e ruído Sempre que um explosivo é detonado ondas transientes de pressões são geradas. Como o ar é compressível, absorve parte da energia da onda de pressão, à medida que essas ondas passam de um ponto a outro, a pressão do ar aumenta rapidamente a um valor acima da pressão atmosférica. Antes de essas ondas retornarem a um valor abaixo da pressão atmosférica as mesmas sofrem uma série de oscilações. A pressão máxima, isto é, acima do valor da pressão atmosférica, é conhecida como sobrepressão atmosférica ou sopro de ar. Essas pressões compreendem energia em diferentes faixas de frequências. A sobrepressão atmosférica que se transforma com a distância em relação à detonação, ao atingir a freqüência acima de 20 Hz é perceptível pela audição humana na forma de ruído, já os valores abaixo de 20 Hz são imperceptíveis, entretanto, eles podem causar uma concussão nas residências. A sobrepressão atmosférica e o ruído são medidos em decibéis (dB) ou pascal (Pa). A sobrepressão atmosférica contém uma considerável quantidade de energia de baixa frequência que pode chegar a produzir danos diretamente sobre as estruturas, entretanto são mais comuns as vibrações de alfa frequência que se manifestam como ruído das janelas, portas etc. A sobrepressão atmosférica de baixa frequência ao atingir uma residência provoca vibrações nas estruturas. Se a vibração induzida é de suficiente magnitude será percebida pelos ocupantes da residência podendo causar danos materiais. Os elementos flexíveis de uma residência (paredes, pisos, teto etc.) e os objetos fixados aos mesmos (quadros, lustres, persianas, móveis, louças etc.) são muito sensíveis as sobrepressões atmosféricas. Muitas vezes a intensidade da sobrepressão é percebida pelos residentes através de objetos situados nas mesas, armários, estante, quando estes começam a vibrar, ocorrendo assim uma vibração secundária, provocando a reação imediata dos ocupantes das residências. 97 Causas da sobrepressão atmosférica As sobrepressões atmosféricas, decorrente das atividades dos desmontes de rocha por explosivo, são causadas pela movimentação da rocha, emissão dos tampões, emissão dos gases através dos tampões e fendas da rocha, colisão dos fragmentos projetados, afastamentos incorretos e a falta de cobertura dos cordéis detonantes como mostram a figura 38. Figura 38 - Fontes de ondas aéreas nos desmonte. Os gradientes do vento e as inversões de temperatura podem afetar os níveis da sobrepressão atmosférica. Coberturas de nuvens também podem causar a reflexão da onda de pressão de volta para a superfície a uma certa distância do local do desmonte. A topografia e a geometria das formações geológicas podem conduzir a reflexão e concentração de frentes de ondas em determinados pontos. 98 Ultralançamento dos fragmentos rochosos O ultralançamento é o lançamento indesejável de fragmentos rochosos da área de desmonte, representando um grande perigo para as pessoas que vivem fora do limite da mina. Quando o afastamento da frente de uma bancada é inadequado ou quando a coluna de tamponamento é muito curta, uma cratera é formada e a rocha é ejetada da cratera e pode ser arremessada a uma distância considerável, como é mostrado na figura 39. Figura 39: Causas dos ultralançamentos dos fragmentos rochosos. 99 Continuação da Figura 39. A continuação da figura 39 mostra que o ultralançamento pode ser causado pela inclinação incorreta da perfuração e por condições que permitam a fuga de gases explosivos ao longo da descontinuidade do maciço rochoso ou uma alta concentração de explosivo em virtude da presença de vazios (cavernas) na rocha. 100 11. PLANO DE FOGO PARA O DESMONTE ESCULTURAL 11.1 Introdução O desmonte escultural, também chamado de detonação controlada, pode ser considerado como a técnica de minimizar as irregularidades provocadas na rocha pelo ultra-arranque (backbreak) nos limites da escavação, quando se usa explosivos. O ultra-arranque, ou sobrescavação, ocorre quando a resistência à compressão dinâmica do maciço rochoso é excedida. Se a resistência à compressão dinâmica for igual a pressão máxima do explosivo, a mesma não produzirá a quebra da parede no limite da escavação. As consequências negativas que derivamdo ultra-arranque (quebra para trás): maior diluição do minério com o estéril, nas zonas de contato, nas minas metálicas; aumento do custo de carregamento e transporte, devido ao incremento do volume do material escavado; aumento do custo de concretagem nas obras civis: túneis, centrais hidráulicas, câmaras de armazenamento, sapatas, muralhas etc.; necessidade de reforçar a estrutura rochosa residual, mediante custosos sistemas de sustentação: tirantes, cavilhas, split set, cintas metálicas, revestimento e/ou jateamento de concreto, redes metálicas, enchimento etc.; manutenção do maciço residual com um maior risco para o pessoal da operação e equipamentos; aumento da vazão da água na zona de trabalho, devido a abertura e prolongamento das fraturas e descontinuidades do maciço rochoso. Prof. Valdir Costa e Silva 101 Nas minerações a céu aberto, no controle dos taludes finais, podem produzir as seguintes vantagens: elevação do angulo do talude, conseguindo-se um incremento nas reservas recuperáveis ou uma diminuição da relação estéril/minério; redução dos riscos de desprendimento parciais do talude, minimizando a necessidade de bermas largas, repercutindo positivamente sobre a produção e a segurança nos trabalhos de explotação; tornar seguro e estético os trabalhos de desmonte relacionados à engenharia urbana. Paralelamente, nos trabalhos subterrâneos a aplicação dos desmontes de contorno tem as seguintes vantagens: menores dimensões dos pilares nas explotações e, por conseguinte, maior recuperação do jazimento; melhora a ventilação, devido ao menor atrito entre o ar e as paredes das galerias; aberturas mais seguras com um menor custo de manutenção das paredes, tetos e pisos; menor risco de danos à perfuração prévia, no caso do método de lavra VCR (Vertical Crater Retreat). Assim, pois, os esforços destinados à aplicação do desmonte escultural, nas obras subterrâneas e a céu aberto, são justificados por motivos técnicos, econômicos e de segurança. 11.2 Pressão produzida no furo durante a detonação do explosivo O pico da pressão exercida pela expansão dos gases, depende primariamente da densidade e da velocidade de detonação do explosivo. As pressões podem ser calculadas usando a seguinte expressão: 102 4 10 2 6 VOD PF sendo: PF = pressão da carga da coluna de explosivo acoplada ao furo (GPa); = densidade do explosivo (g/cm3); VOD = velocidade de detonação de um explosivo confinado (m/s); Quanto menor a pressão da carga da coluna de explosivo, menor será o ultra- arranque. 11.3 Desacoplamento e espaçadores O ultra-arranque pode ser reduzido através do desacoplamento das cargas e espaçadores. A razão entre o diâmetro da carga de explosivo (d) e o diâmetro do furo (D) é a medida do desacoplamento entre as cargas de explosivos e as paredes dos furos (d/De banco de areia; - desenvolvimento e melhoramento de docas; - instalação de oleodutos, gasodutos e cabos de comunicação; - tomada d’água para centrais elétricas e fábricas; - escavação para concretagem nas obras civis; - explotação de jazimentos consolidados. 12.2 FATORES QUE DEVEM SER CONSIDERADOS PARA A BOA EXECUÇÃO DESTE TIPO DE DESMONTE - a perfuração e carregamento dos furos se realizam na maioria dos casos desde a superfície e com equipamentos especiais; - os consumos específicos de explosivo são de 3 a 6 vezes maiores que os utilizados em desmonte a céu aberto; - os resultados em cada um dos desmontes devem ser satisfatórios, pois, a fragmentação secundária é difícil e onerosa; - os explosivos e os sistemas de iniciação têm que ser resistentes a água e a pressão hidrostática; - os efeitos ambientais perturbadores são mais acentuados, pois as vibrações terrestres são acompanhadas de baixa freqüência, e a onda de choque hidráulica tem um raio de ação maior. As provisões especiais relacionados com o desmonte submarino incluem: Prof. Valdir Costa e Silva 108 - o efeito da onda de choque transmitida através da água próxima à instalações: - o efeito da pressão hidrostática; - necessidade de explosivos com alta resistência à água; - dificuldade de colocação dos equipamentos; - a subperfuração deve ser adequada; - para evitar a deposição da areia, as cargas devem ser detonadas logo que possível; - uso de sistemas de iniciação seguros e confiáveis; - manter as vibrações e as ondas de choque da água em níveis controláveis, através do uso de produtos adequados e esquemas de retardos bem planejados. Os métodos principais de desmonte subaquático são: - perfuração e desmonte através de um aterro (figura 44); - perfuração e desmonte a partir de uma plataforma (figura 45); - perfuração e desmonte utilizando mergulhadores (figura 46); - desmonte com cargas pré-moldadas (figura 47). Figura 40 - Perfuração e desmonte através de um aterro. 109 Figura 41 - Perfuração e desmonte a partir de uma plataforma Figura 42 - Perfuração e desmonte utilizando mergulhadores Prof. Valdir Costa e Silva 110 12.3 CÁLCULO DE CARGAS E ESQUEMAS DE PERFURAÇÃO As diferenças básicas entre um desmonte a céu aberto e um desmonte subaquático reside no fato que, geralmente, no último só se dispõe de uma face livre, a água e a areia exercem um empuxo ou pressão, e que os erros de emboque e desvios na perfuração podem provocar uma má ruptura da rocha, bem como e a transmissão da detonação entre as cargas. a) Para o cálculo da razão de carregamento (RC) as seguintes fórmulas podem ser utilizadas: RCinclinados = 1,00 + 0,01HA + 0,02HC + 0,03HR Figura 43 – Desmonte Subaquático utilizando cargas ocas. 111 RCverticais = 1,10 + 0,01HA + 0,02HC + 0,03HR Onde: RCinlinados = razão de carregamento quando os furos forem inclinados; RCverticais = razão de carregamento quando os furos forem verticais; HA = altura da lâmina d’água; HC = altura do capeamento; HR = altura da rocha. b) Razão linear da carga (RL) c) Superfície efetiva de arranque (SEA) d) Esquema de perfuração – Malha utilizada (A x E) Neste caso utiliza-se a malha quadrada: e) Subperfuração (S) e e x d RL 4000 2 RC RL SEA SEAEA Prof. Valdir Costa e Silva 112 A tabela 13 pode ser utilizada para o cálculo da Subperfuração. Tabela 13– Determinação da Subperfuração em função do afastamento Ângulo da ruptura 0 10 20 Subperfuração (m) 0,70A 0,88A A f) Tampão (T) f) Carga por furo (CF) CF = RL (Hf - T) Exemplo Deseja-se efetuar um desmonte subaquático de um banco de rocha de 12 m de altura que se encontra debaixo de uma lâmina d’água de 15 m e com um capeamento de 2 m de altura. O diâmetro de perfuração é de 100 mm e se dispõe de uma carregadeira pneumática com a qual o explosivo alcança uma densidade dentro do furo de 1,3 g/cm3. A perfuração foi efetuada com um angulo de 0 em relação à vertical. a) Cálculo da razão de carregamento (RC) RCvertical = 1,10 + 0,01HA + 0,02HC + 0,03HR 3 A T 113 RCvertical = 1,10 + 0,01 x 15 + 0,02 x 2 + 0,03 x 12 = 1,65 kg/m3 b) Razão linear de carregamento (RL) c) Superfície efetiva de arranque (SEA) d) Afastamento (A) e Espaçamento (E) e) Subperfuração (S) S = 0,70A = 0,70 x 2,5 m = 1,8 m f) Tampão (T) T = A/3 = 2,5 m/3 = 0,8 m g) Profundidade do furo (Hf) Hf = HR + S = 5 m + 1,8 m = 6,8 m mkgxx d RL e e /21,103,1 4000 )100(14,3 4000 22 2 3 19,6 /65,1 /21,10 m mkg mkg RC RL SEA mSEAEA 5,219,6 Prof. Valdir Costa e Silva 114 h) Carga por furo (CF) CF = RL (Hf - T) = 10,21 x (6,8 – 0,8) = 61,26 kg 115 13. DESMONTES EM RAMPAS O contínuo aprofundamento das explotações a céu aberto obriga a execução de rampas cada vez que se inicia a abertura de um novo nível. Difere dos desmontes em bancadas pelo fato da face livre ser horizontal. Os furos são orientados perpendicularmente à face livre e o movimento dos fragmentos é contra a gravidade. Será assumido que os diâmetros dos furos para a abertura da rampa serão os mesmos utilizados nas bancadas. Técnicas de desmonte escultural serão utilizadas quando a rampa fizer parte da parede final. A figura 44 mostra um esquema representando a abertura de uma rampa. Figuras 44 – Variáveis da abertura de uma rampa Uma certa quantidade de subperfuração deve ser utilizada para garantir que a eventual rampa satisfaça a inclinação desejada. A seqüência de iniciação deve garantir que ocorra um movimento suficiente da rocha antes da detonação dos próximos furos. Para a abertura de rampa os seguintes parâmetros devem ser definidos: - profundidade da perfuração; - malha (Afastamento x Espaçamento); Altura do banco Prof. do corte Prof. Valdir Costa e Silva 116 - carga do furo; - seqüência de iniciação. Neste cálculo 3 zonas de desmonte serão diferenciadas: a) ZONA DE DETONAÇÃO PROFUNDA A zona de detonação da bancada é caracteriza pela altura da bancada (H), conforme ilustrada na figura 45. Nessa zona as seguintes fórmulas são utilizadas: Figura 45 – Zona de Detonação Profunda A = KADe ; E = KE A ; S = KSA ; T = KT A Onde: A = afastamento; E = Espaçamento; S = Subperfuração; T = tampão; KA = constante relacionando o afastamento e o diâmetro do furo; A A S E 117 KE = constante relacionando o espaçamento e o afastamento; KS = constante relacionando a subperfuração e o afastamento; KT = constante relacionando o tampão e o afastamento. Mas A = S/KS = mS onde m = constante de proporcionalidade = 1/KS. A distância (LD) do início da rampa até quando a mesma atinge uma profundidade (H), pode ser calculada por: LD = H / G onde G = inclinação da rampa. B) ZONA RASA A zona rasa figura 50 é definida como a região de corte controlada tanto pela mínima dimensão da malha, como pela mínima perfuração. A profundidade dos furos e o tamanho da carga são constantes nesta região (figura 46). Figura 46 – Localização da Zona Rasa e Profunda.Zona Profunda Zona Rasa S 118 Figura 47 – Detalhe da carga na Zona Rasa No cálculo utilizaremos as seguintes simplificações: 1) O topo da carga é colocado no nível do greide desejado. A profundidade do corte (H’) é igual ao comprimento do tampão (T); 2) A relação entre a profundidade do corte (H’), o comprimento da carga (S’) e o diâmetro do explosivo (De) é dada por: 3) Normalmente, nessa região, explosivos encartuchados são utilizado em vez de explosivos bombeados. O comprimento S’, para um único cartucho, pode ser expresso em função do diâmetro do explosivo (De) do cartucho: S’ = KeDe, onde K é a relação entre o comprimento e diâmetro do explosivo encartuchado utilizado. Depende do tipo e do adensamento do explosivo utilizado. Para furos com diâmetro 8”, Ke varia de 2 a 3. Assumiremos um valor médio de 2,5, teremos: S’ = 2,5De 2 19 2 ' ' eDS H S’ 119 4) O afastamento (A’) é relacionado com a Subperfuração (S’): A = mS Combinando a equação do item 1 com a do item 3, teremos: H’ = 8,3De O comprimento da região rasa será (LR ): LR = H’/G C) ZONA DE TRANSIÇÃO O comprimento da região de transição (LT) - figura 48 - é dado por: LT = LD - LS Figura 49 – Detalhes das Zonas de uma rampa. Utilizando a semelhança de triângulo da figura 49 demonstra-se que: K XL SH XL SH XL SH t Tt DS '' Profunda Transição Rasa S ST S’ Prof. Valdir Costa e Silva 120 Resolvendo a equação em função de X - distância horizontal entre a linha teórica dos fundos dos furos e o começo da rampa -, teremos: A subperfuração (ST), em qualquer ponto (LT) na zona de transição, pode ser determinada usando a seguinte expressão: ST = K(LT + X) - HT HT = LT x G AT = mST Exemplo A seguir são mostrados os dados do desmonte de produção de uma certa mina. - Diâmetro de perfuração (De) = 025 m = 9 7/8” - Explosivo utilizado = ANFO; Densidade do ANFO = 850 kg/m3 - Malha utilizada ( A x E ) = 7 m x 7 m - Subperfuração (S) = 1,8 m - Altura do banco (H) = 12 m - Tampão (T) = 4,5 m - Comprimento da carga = 9,3 m - Quantidade de explosivo por furo = 391 kg A fragmentação do desmonte de produção é bastante utilizando esses parâmetros no plano de fogo. A partir dessas informações iremos projetar '' '' SHSH LSHLSH X SD Prof. Valdir Costa e Silva 121 uma rampa de 30 m de largura com uma inclinação de 8% (G = 0,08) da superfície até uma profundidade de 12 m. Etapa 1. Cálculo e resumo das variáveis da zona profunda. H = 12 m LD = H / G = 12 m / 0,08 = 150 m De = 0,25 m; A = E = 7 m; S = 1,8 m LD = A / De = 7m / 0,25 m = 28 KS = S / A = 1,8 m / 7 m = 0,26 KT = T / A = 4,5 m / 7 m = 0,64 m = A / S = 7 m / 1,8 m = 3,89 Etapa 2. Cálculo e resumo das variáveis da zona rasa. S’ = 2,4De = 2,4 x 0,25 m = 0,60 m H’ = 8,3De = 8,3 x 0,25 m = 2,08 m LS = H’ / G = 2,08 m / 0,08 = 26 m A’ S’ x m = 0,6 m x 3,89 = 2,3 m Etapa 3. Cálculo e resumo das variáveis da zona de transição. LT = LD - LS = 150 m - 26 m = 124 m '' '' SHSH LSHLSH X SD 122 Etapa 4. Os valores para qualquer ponto da zona de transição podem ser calculados. A distância LD = 50 m será selecionada como exemplo. Lt = 50 m Ht = Lt x G = 50 m x 0,08 = 4 m St = K x (Lt + X) - Ht = 0,09 (50 m + 3,88 m) - 4 m = 0,85 m At = mJt = 3,89 x 0,85 m = 3,31 m Este processo pode ser repetido para qualquer ponto desejado dentro da zoa de transição. Etapa 5. O ábaco da figura 50, desenvolvido por Chung, pode ser utilizado para simplificar o processo de cálculo. Contém 4 escalas: distância horizontal (L); profundidade de escavação (H); subperfuração (S); afastamento e espaçamento. Para demonstrá-lo vamos desenhar uma linha através do ponto que representa a distância horizontal de 50 m e o alinhamento no ponto P. A linha intercepta as outras 3 escalas dando as seguintes variáveis: H = 4m; S = 0,85 m e A = 3,3 m. mX 88,3 6,008,28,112 268,1121506,008,2 09,0 88,3150 8,112 XL SH K D 123 Figura 50 – Ábaco de Chung para o cálculo das variáveis de uma rampa Etapa 6. O ábaco da figura 50 será utilizado. A abertura da rampa é dividida em duas partes. A primeira parte apresenta uma extensão de 0 a 80 m, enquanto a segunda parte está compreendida no intervalo de 80 m até 150 m. A profundidade da escavação da rampa é de 30 m. Embora existam outras combinações que podem ser utilizadas, as dimensões inteiras serão usadas o máximo possível para o afastamento e o espaçamento. No término da escavação o afastamento e o espaçamento são de 7 m. Na zona rasa eles são de 2 m. O projeto real envolve uma transição de uma malha de 7 m x 7 m, até uma malha de 2 m x 2 m. Em primeiro lugar determinaremos a distância horizontal na qual a malha é constante. É necessário o uso do bom senso nesta etapa. Linhas correspondendo aos afastamentos de 6,5; 5,5; 4,5; 3,5 e 2,5 m são traçadas no ponto de alinhamento. As correspondentes distâncias são apresentadas na tabela 13. Distância Horizontal L (m) Prof. do corte H (m) E (m) e A (m) Subperfuração S (m) 124 Tabela 13 - Afastamentos em função da distância horizontal ao longo da escavação. Afastamento (m) Distância Horizontal (m) 6,5 136 5,5 110 4,5 81 3,5 53 2,5 26 Distância Horizontal (m) Distância Horizontal (m) 125 Etapa 7. Determinação da profundidade da perfuração para cada malha. Essas profundidades são selecionadas da mesma maneira tal como para o furo mais profundo (profundidade do corte + subperfuração) usando o ábaco. Os resultados são mostrados na tabela 14 e na figura 51. Tabela 14 - Profundidade dos furos para diferentes malhas. Malha (m x m) Profundidade do furo (m) 7 x 7 13,8 6 x 6 12,4 5 x 5 10,2 4 x 4 7,8 3 x 3 5,3 2 x 2 3,1 Distância Horizontal (m) 126 Figura 51 – Resumo do cálculo do135 b) Longitude do furo (L). c) Longitude da carga de fundo (Lf ) e Tampão (T), pela tabela 17. Lf = 40D = 40 x 0,0706 m Lf = 2,8 m T = 32D = 32 x 0,0706 m T = 2,3 m d) Afastamento (A) e Espaçamento (E). Como H > 100D. Pela tabela 18 teremos: A = 35D = 35 x 0,0706 m A = 2,5 m E = 43D = 43 x 0,0706 m E = 3,0 m e) Carga de fundo (Cf) e de coluna (Cc) Cf = Lf /(24” x 0,0254 m) = 2,8 m / 0,6096 m = 4,5 cartuchos de emulsão Cc = RL x Lc = RL x (L – Cf – T) = 3,85 kg/m x (12,8 – 2,8 – 2,3) = 29,6 kg mLx m Sx H L 8,128,0 100 0 1 0cos 12 100 1 cos 0 136 15. SEGURANÇA E MANUSEIO DE EXPLOSIVOS INDUSTRIAIS 15.1 Procedimentos de segurança OPERAÇÃO Durante a atividade de carregamento nenhum veículo, exceto os contendo explosivos e acessórios, deverá trafegar na área do carregamento (figura 59). Figura 59 – Isolamento da área com fitas zebradas. É vedado o trânsito, na área de carregamento, de pessoas não autorizadas. Nunca coloque uma broca, em caso de repasse, num furo sem ter absoluta certeza de que não existe explosivo no seu interior. Quando for carregar verifique se o furo está desentupido até o fundo. Não fique próximo, ou de costas para a face livre da bancada (figura 60). Prof. Valdir Costa e Silva 137 Figura 60 – Risco de desabamento decorrente da atividade do backbreak. Sempre que estiver carregando, coloque os explosivos e os acessórios bem distantes um do outro. Não force o explosivo, principalmente o cartucho-escorva através de obstruções. Sempre faça as ligações de cordeis detonantes bem firmes, evite os cruzamentos da linha tronca sobre as derivações, e evitar ângulos reversos (figura 61). Figura 61 – Possibilidade de formação de ângulo reverso. Deve-se realizar aterramento do caminhão tanque de transporte de explosivos antes do início do carregamento do mesmo. O carregamento e o descarregamento de explosivos e acessórios devem ser feito com o veículo desligado e com as rodas calçadas. Prof. Valdir Costa e Silva 138 Antes da detonação verifique possíveis erros, esquecimentos de ligações ou sequência de iniciação fora de ordem dos acessórios que porventura tenham ocorrido. Examinar cada furo cuidadosamente antes do carregamento a fim de se conhecer a longitude e o sue estado, usando para isso uma trena. Fixar os extremos dos acessórios de detonação a uma estaca de madeira ou rocha para impedir a queda dos mesmos dentro do furo (figura 62). Figura 62 – Meio de evitar a queda do acessório dentro do furo. Não carregar os furos imediatamente após a perfuração, sem antes verificar se o mesmo está limpo e não contem pedaços de rochas ou pedaços de metal. Nunca recarregar furos que tenham sido carregados e detonados anteriormente. Comprovar a elevação (tampão) da carga dos explosivos bombeados (granulados e emocionados), e tomar as medidas pertinentes caso se detecte a presença de vazios (cavernas, fendas) que não foram observadas durante a perfuração. Confinar os explosivos nos furos por meio de detritos da perfuração, rocha britada ou outro material não combustível. Nunca utilizar atacadores metálicos de nenhuma classe. Não utilizar o atacador diretamente nos cartuchos escovardos. Realizar o tamponamento sem violência para não danificar os acessórios de detonação. Não introduzir rochas, sacos plásticos ou outros objetos juntamente com o material do tampão. 139 15.2 Transporte e armazenamento Todos os explosivos, agentes detonantes, espoletas simples e elétricas, estopins, tubos de choque, detonadores eletrônicos e retardos deverão ser armazenados em paióis especialmente construídos para esse fim e localizados segundo as leis locais existentes. Devem-se manter sempre os paióis bem trancados, abrindo-os somente para a entrada e saída do material. Normas para os paióis de explosivos e acessórios Armazene somente explosivos neste paiol. Não armazene acessórios, materiais inflamáveis, ferramentas e outros utensílios metálicos. Sempre embarque, despache e use com prioridade o estoque mais antigo Não utilize ferramentas de metal para abrir ou fechar embalagens de explosivos. Não deixe explosivos ou acessórios soltos pelo paiol. Não fume, nem porte fósforos, isqueiros ou outro material inflamável. Mantenha o interior do paiol sempre limpo e ventilado e o terreno ao redor livre de folhas, capim vegetação de qualquer espécie, lixo e detritos, a fim de evitar incêndios. Proíba a presença de pessoas estranhas dentro e nas vizinhanças do paiol. Quando necessário o uso de luz artificial, utilize unicamente lanterna de segurança ou pilha elétrica. Sinalizar adequadamente as instalações e os veículos destinados ao armazenamento e transporte de explosivos. Armazenar os produtos de mesmo tipo e classe de maneira que seja fácil identificá-los. Mantenha constante vigilância sobre as embalagens que apresentam avarias, exsudação ou defeito. Coloque-as a um lado no paiol ou nas proximidades do paiol. Deve-se fazer um inventário das quantidades de explosivos e acessórios, verificando constantemente esses valores. Relate de imediato qualquer tentativa de arrombamento do paiol ou roubo de explosivos e acessórios. Prof. Valdir Costa e Silva 140 Em caso de vestígios da presença de roedores, combata-os com veneno apropriado, bem como verifique e sele as passagens dos mesmos. Sempre utilizar e despachar os produtos mais antigos, pela ordem de entrada no paiol. Manter a temperatura do paiol entre 10 e 30º C. Utilize psicômetros nos paios. As portas e janelas devem ser abertas para fora. Tanto as janelas como os respiradores, condutos de ventilação devem ser protegidos por telas metálicas. Mantenha sistema de alarmes (sirene e celular), câmeras para avisos de possíveis invasões das áreas dos paióis. Medidas para transportar explosivos dentro das explotações Acatar rigorosamente as disposições estabelecidas pelos regulamentos vigentes. Verificar diariamente se os veículos destinados a transportar explosivos reúnem as condições exigidas pelo organismo competente. Levar nos veículos extintores de incêndio, em lugares apropriados, de fácil acesso, devendo conhecer obrigatoriamente o motorista e os ajudantes o seu uso. Desligar o motor do veículo durante as operações de carga e descarga dos explosivos. Nunca transportar os acessórios de iniciação juntamente com explosivos em veículos que não estejam de acordo com a exigência do R-105. Não permitir fumar no veículo e a presença de pessoas não autorizadas ou desnecessárias. Usar itinerários de transporte com pouco movimento de pessoal e equipamentos. Vigiar a zona de descarga de explosivos até sua colocação nos furos e amarração. 141 Verificação de Falhas (Negas) a) a constatação de uma falha na detonação poderá ser verificada através: - do resultado do desmonte; - da presença de explosivos não detonados; - de espoletas não detonadas. b) uma falha pode ser causada por: - escorvamento mal feito; - estopim, cordel detonante ou explosivo deteriorado; - ligações mal feitas ou esquecimento de realizar conexões; - avarias no circuito, na utilização de espoleta elétrica; - furos “roubados”; - falha na fabricação de materiais; - falta de supervisão. Medidas que devem ser tomadas quando da falha de furos Manter todos os acessos interditados. Sinalize o lugar onde se encontram os furos falhados. Eliminar os furos falhados antes de reiniciar os trabalhos de perfuração,carregamento e transporte em áreas próximas. Destinar o pessoal mais qualificado nos trabalhos de neutralização e eliminação de explosivos nos detonadores. Não tentar retirar os explosivos do furo por meio mecânico. Sugere-se um jato de água (ar comprimido + água) para retirar ou dessensibilizá-lo. Cuidados adicionais deverão ser tomados se o explosivo ainda estiver escovardo. Prof. Valdir Costa e Silva 142 Em caso de escovarmento com cordel detonante, tentar retirar o material do tampão e colocar um cartucho escorvado junto ao explosivo para sua destruição. Tamponar o furo com material granular fino. Se o explosivo não estiver acessível, perfurar um novo furo a uma distância superior a 10 vezes o diâmetro do furo (cuidado com a direção e o ângulo), caso o regulamento vigente permita. Recolher amostras. Solicitar assistência Técnica. Criar uma comissão interna para diagnosticar e evitar que esse tipo de falha se repita. 15.3. Destruição de explosivos A utilização de explosivos conduz frequentemente ao aparecimento de explosivos deteriorados devido a: Armazenagem em locais demasiadamente úmidos Vencimento do prazo de validade Molhagem acidental dos explosivos Tiros falhados Embalagens rasgadas ou deterioradas Exsudação da nitoglicerina/nitroglicol 143 Atenção: os explosivos não devem ser destruídos em suas embalagens de origem. Para realizar uma operação segura e dentro da lei, consulte o regulamento R-105, Título VII, Normas complementares, Capítulo 1, Generalidades sobre Destruição. O procedimento normal consiste em fazer uma cama de palha seca (figura 63) ou outros produtos com características semelhantes, com espessura suficiente para assegurar a propagação do fogo e onde se colocam os explosivos a destruir, procurando evitar o contacto entre eles. Este leito, sobretudo quando utilizado para destruir explosivos nitrados, deve ser ativado com um pouco de outro combustível similar. Figura 63 – Maneira correta de destruir os explosivos por combustão. A tabela 19 mostra as distâncias de segurança para a combustão de explosivos. Prof. Valdir Costa e Silva 144 Tabela 19 - distâncias de segurança para a combustão de explosivos 12. Consulta Bibliográfica - Britanite, Manual Básico de Utilização de Explosivos, Quatro Barras, 2006. - CASTRO, R. S. & PARRAZ, M. .M. Manual de Ferramentas de Perfuração, Sindicato Nacional dos Editores de Livro, 225p., Rio de Janeiro, 1986. - DFPC, R-105: site: www.dfpc.eb.mil.br - FERNÁNDEZ, J. C. Tecnología de los Explosivos, Universidad de Chile – Departamento Ingenieria de Minas, Santiago, 2000 - Germani, D. J., Notas do Curso de Lavra, VALER, Rio de Janeiro, 2006. - HUSTRULID, W., Blasting Principles for Open Pit Mining, Vol. 1 General Design Concepts and Vol. 2 Theoretical Foundations, Balkema, Rotterdam, 1999. - Jimeno, C. L., Jimeno E. L. & Bermúdez, P. G. Manual de Perforación y Voladura de Rocas, Madri, 2003. - Mainiero, R. J, Explosives Transport Issues, The Journal of Explosives http://www.dfpc.eb.mil.br/ 145 Engineering, Volume 26, Number 2, pages 6-11, March/April, Cleveland, 2009. - Manual de Autoproteção – Produtos Perigosos Manuseio e Transporte Rodoviário, 9ª. Edição, São Paulo, 2008. - Orica, Explosivos, Acessórios Industriais e Tecnologia Aplicada ao Desmonte de Rocha, São Paulo, 2007. - REIS, D. Apostila de Operações Mineiras – Escola de Minas da UFOP, Ouro Preto, 1992. - Silva, V. C. Apostila da Disciplina MIN112 - Operações Mineiras, Ouro Preto, 2010. - Verakis, H. & Lobb, T. Bulk Transport Vehicle Fire Safety: Preventing a Mine Site Disaster, The Journal of Explosives Engineering, Volume 26, Number 2 , pages 14-19, March/April, Cleveland, 2009.(pressão de avanço), o que se traduz em baixa taxa de penetração e altos custos. Este método possui as seguintes características: devido a posição do martelo e da broca evita a perda de energia ao longo das hastes de perfuração; Prof. Valdir Costa e Silva 6 necessita de moderada força de avanço (250 a 500 lbf/in de diâmetro de bit) em comparação com o método rotativo (3000 a 7000 lbf/in). Elimina a necessidade de hastes pesadas e altas pressões de avanço; os impactos produzidos pelo pistão do martelo no fundo do furo podem provocar o desmoronamento e travamento da coluna de perfuração em rochas não consolidadas ou muito fraturadas; requer menor torque de rotação e a velocidade de rotação (rpm) é muito menor em comparação com o método rotativo. A faixa normal de operação é de 10 a 60 rpm; Rotação/Trituração Foi inicialmente usada na perfuração de petróleo, porém, atualmente, é também usada em furos para detonação, perfuração de chaminés verticais de ventilação e abertura de túneis. Esse método é recomendado em rochas com resistência à compressão de até 500 MPa. Quando perfuramos por este método, usando brocas tricônicas, a energia é transmitida para a broca por um tubo, que gira e pressiona o bit contra a rocha. Os botões de metal duro são pressionados na rocha, causando o fraturamento desta, de acordo basicamente com o mesmo princípio da perfuração por percussão. A velocidade normal de rotação é de 50 a 90 rev/min. 1.2 CARACTERÍSTICAS DOS FUROS Os furos são geralmente caracterizados por quatro parâmetros: diâmetro, profundidade, retilinidade e estabilidade. 7 Diâmetro dos furos O diâmetro do furo depende da finalidade do mesmo. Em furos para detonações, há vários fatores que influem na escolha do diâmetro, por exemplo, o tamanho desejado dos fragmentos, após a detonação; o tipo de explosivo a ser utilizado, a vibração admissível do terreno durante a detonação etc. Em grandes pedreiras e outras minerações a céu aberto, furos de grande diâmetro apresentam menores custos de perfuração e detonação por m3 ou tonelada de rocha escavada. Nas minas subterrâneas, as dimensões dos equipamentos de perfuração são determinadas pelo método de lavra adotado. Em trabalhos menores, o diâmetro do furo pode também ser determinado pelo tamanho do equipamento disponível para perfuração, carregamento e transporte. A eleição do diâmetro dos furos depende, também, da produção horária, do ritmo da escavação e da resistência da rocha. A figura 2 mostra a relação entre os diâmetros e o número de furos, porte dos equipamentos de escavação, altura da pilha e granulometria dos fragmentos rochosos após a detonação. Figura 2: Influência do diâmetro no n.º de furos, na fragmentação da rocha, na altura da pilha e no porte do equipamento de carregamento. Prof. Valdir Costa e Silva 8 A figura 3 mostra a relação entre o diâmetro de perfuração e a seção do túnel ou galeria e o tipo de equipamento de perfuração. Figura 3 - Influência do diâmetro da perfuração no tamanho da seção da galeria Malhas de perfuração a céu aberto A geometria das malhas de perfuração pode ser quadrada, retangular, estagiada, triângulo equilátero ou malha alongada: A E a) malha quadrada b) malha retangular Prof. Valdir Costa e Silva 9 c) malha estagiada (pé de galinha) Malhas quadradas (A=E) e retangulares (E>A): devido a sua geometria é de fácil perfuração (menor tempo de locomoção de furo a furo). Malhas estagiadas: devido a geometria de furos alternados dificulta a perfuração (maior tempo de locomoção furo a furo), porém possui melhor distribuição do explosivo no maciço rochoso. Malha Triângulo Equilátero: são malhas estagiadas com a relação E/A = 1,15. São indicadas para rochas compactas e duras. Possuem ótima distribuição da energia do explosivo na área de influencia do furo, maximizando a fragmentação. O centro do triângulo equilátero, o ponto mais crítico para fragmentação, recebe igual influência dos três furos circundantes. Malhas alongadas: Conforme a relação E/A as malhas podem assumir várias configurações. As malhas alongadas possuem elevada relação E/A, geralmente acima de 1,75. São indicados para rochas friáveis/macias aumentando o lançamento por possuírem menor afastamentos. 10 1.3. ASPECTOS TEÓRICOS DAS DETONAÇÕES 1.3.1 Combustão, Deflagração e Detonação. Qualquer matéria ao ser excitada por calor, impacto ou onda de choque, pode apresentar as seguintes reações: - Combustão: processo lento de liberação de energia (calor), normalmente, a velocidade de reação é de alguns mm/s. - Deflagração: Decomposição química por transferência térmica. A reação atinge velocidades de detonação variando de 100 a 1500 m/s, podendo atingir uma pressão de detonação de 50 MPa e temperaturas na faixa de 1270 a 2270 ºC. - Detonação: Decomposição química produzida por uma onda de choque. A reação atinge velocidades de detonação variando de 2 a 8 km/s, podendo atingir pressões de detonação de 5 a 15 GPa e temperaturas na faixa de 2230 a 4500 ºC. Prof. Valdir Costa e Silva 11 2. TIPOS DE EXPLOSIVOS 2.1 Explosivos nitroglicerinados Os altos explosivos (figura 4) possuem na sua composição química a nitroglicerina Figura 4 – Explosivos a base de nitroglicerina. Dinamite simples Resultante da mistura: Nitroglicerina + Serragem + Oxidante + Estabilizante. Como se vê, a serragem substitui o kieselguhr como absorvente e nitrato de sódio é, em geral, o oxidante usado. Como estabilizante, ou antiácido, usa-se o carbonato de cálcio, com cerca de 1%. A dinamite simples produz boa fragmentação. Em contrapartida, apresenta um alto custo e gera gases tóxicos. Dinamites amoniacais O alto custo da dinamite simples e as qualidades indesejáveis já citadas permitiram o desenvolvimento das dinamites amoniacais. As dinamites amoniacais são similares em composição, às dinamites simples, mas a nitroglicerina e o nitrato de sódio são parcialmente substituídos por nitrato de amônio. Prof. Valdir Costa e Silva 12 Gelatinas A gelatina também foi descoberta por Alfred Nobel, em 1875. A gelatina é um explosivo bastante denso de textura plástica, parecendo uma goma de mascar, constituída de nitroglicerina + nitrocelulose + nitrato de sódio. São utilizadas apenas em casos especiais. Geram gases nocivos. Tem grande velocidade de detonação, produz boa fragmentação e ótimo adensamento no furo. Gelatinas amoniacais As gelatinas amoniacais têm formulações semelhantes àquelas das gelatinas, porém o nitrato de amônio substitui, parcialmente, a nitroglicerina e o nitrato de sódio. Essas gelatinas foram desenvolvidas para substituir as gelatinas, com maior segurança no manuseio e custo menor de produção, porém menos resistentes à água. Semigelatinas Constituem um tipo intermediário entre as gelatinas e as dinamites amoniacais, combinando a baixa densidade das amoniacais com a resistência à água e a coesão das gelatinas, em grau mais atenuado. As composições são semelhantes àquelas das gelatinas amoniacais, com variações nas proporções de nitroglicerina, nitrato de sódio e nitrato de amônio, este em porcentagens mais altas. Os gases variam de excelentes a pouco tóxicos. Existem diversas variantes comerciais. 2.2 AGENTES EXPLOSIVOS SECOS 2.2.1 ANFO Entre os explosivossecos ou granulados, há um universalmente conhecido, formado pela mistura pura e simples de nitrato de amônio (94,5%) e óleo diesel (5,5%) denominado ANFO, sigla esta resultante dos vocábulos ingleses Ammonium Nitrate e Fuel Oil. As proporções acima, consideradas ideais, foram 13 determinadas pelos americanos Lee e Akre, em 1955. A figura 5 mostra os explosivos granulados ensacados. Figura 5 – Explosivos granulados em embalagens de 25 kg. As maiores vantagens do ANFO são: ocupar inteiramente o volume do furo, grande insensibilidade aos choques, poucos gases tóxicos e redução do preço global do explosivo (US$ 0,40/kg). As maiores desvantagens: falta de resistência à água, baixa densidade (0,85 g/cm3) e necessidade de um iniciador especial. A reação ideal do ANFO (N2H403 - Nitrato de amônio e CH2 - Óleo diesel) quando o balanço de oxigênio é zero, pode ser expressa por: 3N2H403 + CH2 CO2 + 7H2O + 3N2 + 900 cal/g. Outros explosivos granulados, fabricados por diferentes produtores, nada mais são do que formulações similares à do ANFO, com adição de outros ingredientes, explosivos ou sensibilizantes, combustíveis (óleo queimado, serragem, palha de arroz etc.) oxidantes e absorventes. A Vale fabrica, em Itabira, Minas Gerais, explosivo granulado constituído de óleo queimado, palha de arroz e nitrato de amônio. 2.2.2 Principais parâmetros que afetam o desempenho do AN/FO Os explosivos granulados, tipo ANFO, tem o desempenho comprometido pelos seguintes parâmetros: Prof. Valdir Costa e Silva 14 - presença de água nos furos (os explosivos granulados não tem resistência a água); - forma de iniciação quanto menor for a massa do iniciador (cartucho ou Booster) menor será a velocidade de detonação; - diâmetro da perfuração (quanto menor o diâmetro, menor será a VOD); - forma da mistura (quanto menos homogênea, menor será o desempenho). 2.2.3 Condições de armazenagem e validade Os explosivos secos devem ser armazenados, durante um ano, em paios com boa ventilação e umidade adequada para que não tenham os seus desempenhos comprometidos. 2.3 AGENTES EXPLOSIVOS ÚMIDOS 2.3.1 Emulsões O interesse em explosivos em emulsão deu-se no início da década de 60. Explosivos em emulsão são do tipo “água-em-óleo” (water-in-oil). Eles consistem de microgotículas de solução oxidante supersaturada dentro de uma matriz de óleo. Para maximizar o rendimento energético, enquanto minimiza custos de produção e preço de venda, o oxidante dentro das microgotículas consiste principalmente de nitrato de amônio. Dentro de um ponto de vista químico, uma emulsão se define com uma dispersão estável de um líquido imiscível em outro, o qual se consegue mediante agentes que favorecem este processo (agentes emulsificantes) e uma forte agitação mecânica. A figura 6 mostra a emulsão encartuchada, enquanto a tabela 4 mostra a composição básica de um explosivo em emulsão. 15 Figura 6 – Emulsão encartuchada. Tabela 4 - Composição típica de um explosivo em emulsão. INGREDIENTE PERCENTAGEM EM MASSA Nitrato de Amônio Água Óleo diesel Agente Emulsificante: Oleato de sódio ou Monoleato de ezorbitol 77,3 16,7 4,9 1,1 _____ 100,0 Fonte: Silva, V. C., 2008 ANFO PESADO (HEAVY ANFO) A primeira patente utilizando ANFO como agente redutor de densidade foi concedida em 1977 (Clay, 1977) desde que os prills (grãos ou pérolas) e os interstícios do ANFO podem ser utilizados para aumentar a sensibilidade da emulsão e ao mesmo tempo aumentar a densidade do ANFO. A blendagem da emulsão com o ANFO ou Nitrato de amônio é conhecida como ANFO Pesado (tabela 5). A densidade do ANFO Pesado resultante situa-se na faixa de 1,00 a 1,33 g/cm3. A resistência à água do ANFO pesado é moderada. Prof. Valdir Costa e Silva 16 Para uma blendagem de ANFO/Emulsão: 60/40, a uma densidade de 1,33 g/cm3, o ANFO pesado passa a apresentar resistência à água, porém a escorva mínima de iniciação deve apresentar uma massa acima de 450 g. A Mina de Sossego, da Vale, localizada em Canaã dos Carajás, é a maior consumidora do Brasil de ANFO Pesado, fabricado pela empresa DEXPOL que produz, aproximadamente, 3000 toneladas por mês. Tabela 5 - Composição típica do ANFO Pesado com resistência à água. INGREDIENTE PERCENTAGEM EM MASSA Nitrato de Amônio Nitrato de Cálcio Água Óleo diesel Alumínio Agente Emulsificante: Oleato de sódio ou Monoleato de ezorbitol 59,1 19,7 7,2 5,9 7,0 1,1 _____ 100,0 Fonte: Silva, V. C., 2008 2.4 PROPRIEDADES DOS EXPLOSIVOS Densidade de um explosivo Densidade é a relação entre a massa e o volume dessa massa, medida em g/cm3. A densidade dos explosivos comerciais varia de 0,6 a 1,45 g/cm3. A densidade dos explosivos é um fator importante para a escolha do explosivo. Os explosivos com densidade inferior ou igual a 1 não devem ser utilizados em Prof. Valdir Costa e Silva 17 furos contendo água, para evitar que os mesmos bóiem. Para detonações difíceis, em que uma fina fragmentação é desejada, recomenda-se um explosivo denso. Para rochas fragmentadas “in situ”, ou onde não é requerida uma fragmentação demasiada, um explosivo pouco denso será suficiente. Energia de um explosivo A finalidade da aplicação de um explosivo em um desmonte é gerar trabalho útil. A energia liberada pelo explosivo em um furo é utilizada da seguinte forma: pulverização da rocha nas paredes do furo, rompimento da rocha, produção de calor e luz, movimento da rocha, vibração do terreno e sobrepressão atmosférica. No passado, a energia de um explosivo era medida em função da porcentagem de nitroglicerina (NG) contida no mesmo. Um explosivo que possuía 60% de (NG) em peso era qualificado como tendo força de 60%. Acontece que os modernos explosivos, especialmente os agentes detonantes, não possuem NG nas suas formulações, daí a necessidade de se estabelecer um novo padrão de comparação. Na atualidade, os seguintes conceitos são utilizados: - RWS - Relative Weight Strength (Energia relativa por massa): é a energia disponível por massa de um explosivo x, comparada com a energia disponível por igual massa de um explosivo tomado como padrão. Normalmente o ANFO é tomado como o explosivo padrão. O cálculo do RWS é feito através da seguinte expressão: RWS ETx ETp onde: ETx e ETp são as energias termoquímicas do explosivo x e padrão, respectivamente. 18 Exemplo 1: Considere como o explosivo padrão, o ANFO que apresenta as seguintes propriedades: densidade = 0,85 g/cm3; Energia termoquímica = 900 cal/g. Cálculo da Energia Relativa por Massa (RWS) do explosivo emulsão que apresenta as seguintes propriedades: densidade = 1,15 g/cm3; Energia termoquímica = 850 cal/g. g/cal900 g/cal850 ETp ETx RWS RWS = 0,944 ou RWS = 94,4. Uma unidade de massa da emulsão possui 5,6 % a menos de energia quando comparada com a mesma unidade de massa do ANFO. - RBS - Relative Bulk Strength (Energia relativa por volume): é a energia disponível por volume de um explosivo x, comparada com a energia disponível por igual volume de um explosivo tomado como padrão. Isto é: RBS ETx ETp x x p RWS x x p onde: x e p são as densidades do explosivo x e p, respectivamente. Exemplo 2: Utilizando os dados do exemplo anterior; cálculo da EnergiaRelativa por Volume (RBS): 19 3 3 cm/g85,0 cm/g15,1 x g/cal900 g/cal850 p x x ETp ETx RBS RBS = 1,28 ou RBS = 128. Uma unidade de volume da emulsão possui 28% a mais de energia quando comparada com a mesma unidade de volume do ANFO. Gases gerados pelos explosivos A classificação dos fumos é primordialmente importante na seleção de explosivos para desmontes subterrâneos ou utilização em túneis em que as condições de ventilação e renovação do ar são limitadas. Quando o explosivo detona, decompõe-se em estado gasoso. Os principais componentes são Dióxido de Carbono, Monóxido de Carbono, Oxigênio, Óxidos de Nitrogênio e Gás Sulfídrico. Os gases nocivos ao ser humano, quanto ao nível de toxidade, são classificados como: - Classe 1 - não tóxicos (menor que 22,65 l/kg); - Classe 2 - mediamente tóxicos (de 22,65 a menos de 46,7 l/kg); - Classe 3 - tóxicos (de 46,7 a menos de 94,8 l/kg). A toxidez dos gases da explosão é avaliada pelo balanço de oxigênio (BO). Isto quer dizer que, o oxigênio que entra na composição do explosivo pode estar em falta ou em excesso, estequiometricamente, resultando uma transformação completa ou incompleta. Quando a transformação é completa, os produtos resultantes são CO2, H2O e N2, todos não tóxicos. Na realidade pequenas proporções de outros gases (NO, CO, NH3 e CH4 etc.) também são gerados, mas não comprometem a boa qualidade dos produtos finais. A pesquisa do BO de um explosivo apresenta uma grande importância prática, não só do ponto de vista da formação dos gases tóxicos, mas, porque ela está correlacionada com a energia da explosão, o poder de ruptura e outras 20 propriedades do explosivo usado. O máximo de energia é conseguido quando o BO é zero. Na prática, esta condição é utópica (Reis, 1992). Balanço de Oxigênio de um explosivo e Energia de explosão (Hf) A maioria dos ingredientes dos explosivos é composto de oxigênio, nitrogênio, hidrogênio e carbono. Para misturas explosivas, a liberação de energia é otimizada quando o balanço de oxigênio é zero. Balanço zero de oxigênio é definido como o ponto no qual uma mistura tem suficiente oxigênio para oxidar completamente todos os combustíveis (óleo diesel, serragem, carvão, palha de arroz etc.) presentes na reação, mas não contém excesso de oxigênio que possa reagir com o nitrogênio na mistura para formação de NO e NO2 e nem a falta de oxigênio que possa gerar o CO, pois além de altamente tóxicos para o ser humano, esses gases reduzem a temperatura da reação e, conseqüentemente, diminuem o potencial energético e a eficiência do explosivo. Teoricamente, os gases produzidos na detonação a balanço zero de oxigênio são: CO2, H2O e N2 e na realidade pequenas quantidades de NO, CO, NH2, CH4 e outros gases. Como exemplo, considere a mistura ideal do nitrato de amônio (N2H403) com o óleo diesel (CH2), a tabela 6 mostra a necessidade de oxigênio para equilibrar a equação: N2H403 + CH2 CO2 + H2O + N2 Tabela 6 - Cálculo da necessidade de oxigênio para equilibrar a equação. Composto Fórmula Produtos desejados na reação Necessidade (-) ou excesso (+) de oxigênio Nitrato de amônio Óleo diesel N2H403 CH2 N2, 2H2O CO2, H2O + 3 - 2 = + 1 - 2 - 1 = - 3 Necessidades de oxigênio: -3 Prof. Valdir Costa e Silva 21 O resultado é uma deficiência de 3 átomos de oxigênio por unidade de CH2. Desde que cada molécula do nitrato de amônio apresenta excesso de um átomo de oxigênio, 3 unidades de nitrato de amônio são necessárias para o balanço de cada unidade de óleo diesel na mistura de AN/FO. Equilibrando a equação: 3N2H403 + CH2 CO2 + 7H2O + 3N2 Cálculo das percentagens de N2H403, CH2 por massa de mistura de AN/FO: Usando as massas moleculares da tabela 7, podemos calcular a soma das massas moleculares dos produtos a partir das massas atômicas: C = 12; O = 16; H = 1; N = 14. Tabela 7 - Cálculo da soma da massa molecular dos produtos da reação. Composição Massa molecular (g) 3N2H403 3 x 80 = 240 CH2 14 Total 254 A percentagem do nitrato de amônio na mistura, será: (240 : 254) x 100% = 94,5% Então sabemos que 240 g de nitrato de amônio reagem com 14 g de carbono quando o balanço é perfeito, quer dizer, o óleo deve representar, em massa: (14 : 254) x 100% = 5,5% Prof. Valdir Costa e Silva 22 Calor de Formação ou Energia de Explosão (Hf) Por definição, a energia da explosão (Hf) é a diferença entre o calor de formação dos produtos (Hp) e o calor de formação dos reagentes (Hr), isto é: Hf = Hp - Hr Utilizando os valores da entalpia da tabela 8, teremos: Tabela 8 - Entalpia de Formação para diferentes compostos Composto Hf (kcal/mol) N2H4O3 (nitrato de amônio) -87,30 H20 -57,80 CO2 -94,10 CH2 (óleo diesel) - 7,00 CO -26,40 N 0 NO + 21,60 NO2 + 8,10 Al2O3 (alumina) -399,00 Hp = -94,10 + 7(-57,80) + 3(0) Hp = -498,7 kcal Hp = 3(-87,30) - 7 Hp = -268,9 kcal Hf = Hp - Hr = -498,7 kcal - (-268,9) kcal = -229,8 kcal 23 Transformando para cal/g: -229,8 x 1000 / 254 g Hf = - 905 cal/g Velocidade e Pressão de detonação de um explosivo A velocidade de detonação de um explosivo (VOD) é o índice mais importante do desempenho do mesmo, desde que a pressão de detonação de um explosivo é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade de detonação, conforme a expressão abaixo. Uma maneira de avaliar o desempenho de um explosivo é pela comparação da pressão produzida no furo durante a detonação. Caso a pressão produzida no furo durante a detonação não supere a resistência dinâmica da rocha, a mesma não será fragmentada, entretanto a energia não utilizada no processo de fragmentação e deslocamento da rocha se propagará no terreno sob a forma de vibração. O pico da pressão exercida pela expansão dos gases depende primariamente da densidade e da velocidade da detonação. As pressões podem ser calculadas usando a seguinte equação: 6 2 10x 4 VOD PF sendo: PF = pressão produzida no furo, quando o explosivo está completamente acoplado ao furo (GPa); = densidade do explosivo (g/cm3); VOD = velocidade de detonação de um explosivo confinado (m/s). Para a medição da VOD do explosivo, pode-se equipamento denominado de MicroTrap, de fabricação da MREL do Canadá (detalhes no site www.mrel.com). Prof. Valdir Costa e Silva 24 A medição da velocidade de detonação dos explosivos tem os seguintes objetivos: determinar a velocidade de detonação do explosivo, para que a partir da mesma seja calculada a pressão produzida no furo durante a detonação; comparar o desempenho do explosivo quando iniciado com diferentes escorvas, acessórios e diferentes materiais utilizados para o confinamento do tampão; verificar se os explosivos e acessórios estão detonando de acordo com o valor fornecido pelos fabricantes. 2.5. Seleção dos explosivos Na seleção deexplosivos, os seguintes itens devem ser observados: a) Presença de água nos furos. b) Custo unitário. c) Tonelagem a ser consumida. d) Possibilidade de fabricação na própria mina. e) Resistência da rocha e tipos litológicos. f) Presença de fendas e cavernas no maciço rochoso. g) Diâmetro da perfuração. h) Interferências com o meio ambiente. 2.6 Preços dos explosivos Como qualquer produto, o preço do explosivo é influenciado pelo volume a ser adquirido. A tendência, entre as grandes companhias, é de terceirizar o 25 carregamento dos fogos, principalmente em operações de grande porte, onde são necessários caminhões bombeadores de explosivo. Em muitos contratos, a mineradora fornece as matérias primas necessárias (nitrato de amônio, óleo combustível, emulsificantes, nitrito de sódio, ácido nítrico etc.) pagando pelo serviço prestado (R$/kg). O preço do explosivo não pode ser analisado isoladamente, pois um explosivo mais caro (mais potente) permite o uso de uma maior malha de perfuração e, consequentemente, a redução do custo do desmonte de rocha por tonelada desmontada. 2.7 Métodos de desaguamento Em algumas operações, quando a altura da coluna d’água é pequena (até 0,5 m) utiliza-se bombas d’água para retirar a mesma, permitindo assim, o uso de explosivos secos (granulados), figura 7 (esquerda). Recomenda-se que após a retirada da água os furos sejam encamisados (filme plástico), para que o explosivo não venha a ser contaminado e, consequentemente, venha falhar figura 7 (direita). Figura 7 – Método de desaguamento e encamisamento do furo. Em furos de pequeno diâmetro (até 76 mm) pode-se ensalsichar os explosivos granulados com filmes plásticos (figura 8). 26 Figura 8 – Ensalsichamento do explosivo granulado. Prof. Valdir Costa e Silva 27 3. ACESSÓRIOS DE INICIAÇÃO MAIS COMUNS 3.1 Estopim e espoleta comum Acessório desenvolvido para mineração, por William Bickford, na Inglaterra, no ano de 1831. O estopim de segurança, ou estopim, conduz chama com velocidade uniforme a um tempo de queima constante de 140 s ( 10 s) por metro, para ignição direta de uma carga de pólvora ou detonação de uma espoleta simples. Constituída de um núcleo de pólvora negra, envolvida por materiais têxteis que, por sua vez, são envolvidos por material plástico ou outro, visando sua proteção e impermeabilização. Para se iniciar o estopim (figura 9), poder-se-á usar palitos de fósforos comuns e isqueiros. Figura 9 – Espoleta simples e estopim de segurança. Espoleta simples A espoleta simples consta de um tubo, de alumínio ou cobre, com uma extremidade aberta e outra fechada, contendo em seu interior uma carga detonante constituída por uma carga chama primária, ou de ignição, cujo explosivo é a azida de chumbo Pb (N3)2, e uma carga básica de PETN - Tetranitrato de pentaeritritol (C2H4N2O6). A razão destas duas cargas é devido ao fato de que a azida de chumbo é um explosivo fulminante que pode ser iniciado à custa de uma fagulha. A azida de chumbo, uma vez iniciada pela Espoleta Simples Estopim de Segurança Prof. Valdir Costa e Silva 28 faísca do estopim, faz detonar a carga de PETN. Os tipos mais comuns das espoletas encontradas no mercado são do tipo n.º 6 (massa de 0,325 g de PETN e 0,3 g de misto iniciador) e a n.º 8 (massa de 0,5 g de PETN e 0,3 g de misto iniciador). A cápsula de cobre só é usada para casos particulares, porque a presença de umidade contendo gás carbônico, a azida de chumbo pode se transformar em azida de cobre, que é muito mais sensível e, portanto, mais perigosa. 3.2 Cordel detonante O cordel detonante é um acessório de detonação consistindo, essencialmente, de um tubo de plástico com um núcleo de explosivo de alta velocidade - nitropenta (C5H8N4O12) - e de materiais diversos que lhe dão confinamento e resistência mecânica (figura 10). Figura 10 – Bobinas de cordel detonante. O cordel detonante é usado para iniciar cargas explosivas simultaneamente, ou com retardos em lavra a céu aberto e/ou subsolo. A sua velocidade de detonação é de, aproximadamente, 7000 m/s. Muito embora a alta velocidade e violência de explosão, o cordel detonante é muito seguro no manuseio e impermeável. Vantagens do cordel detonante em relação às espoletas elétricas: a) As correntes elétricas não o afetam. 29 b) Permite o carregamento das minas em regime descontínuo, com o uso de espaçadores. c) É muito seguro, pois, não detona por atrito, calor, choques naturais ou faíscas. d) Detona todos os cartuchos, ao longo dos quais está em contato. A iniciação do cordel se faz com espoletas simples ou instantâneas, firmemente fixadas ao lado do cordel detonante com fita adesiva, e com sua parte ativa, isto é, o fundo, voltado para a direção de detonação. Exemplos de gramaturas dos cordeis detonantes mais utilizadas: NP-10 (10 g/m de Nitropenta 10%), NP-5 (5 g/m de Nitropenta 10%), NP-3 (3 g/m de Nitropenta 10%). Retardo Bidirecional não elétrico para Cordel Detonante O retardo de cordel é um tubo metálico, revestido de plástico, iniciado em um dos extremos pelo cordel, ao passar pelo dispositivo, sofre uma queda de velocidade, enquanto queima o misto de retardo. Terminada esta queima, ele detona o cordel na sua extremidade. Os retardos de cordel, denominados “osso de cachorro”, são fabricados com os seguintes tempos de retardos: 5 ms, 10 ms, 20 ms, 30 ms, 50 ms, 75 ms, 100 ms e 200, 300 ms. Os conectores de superfície de milisegundos (MS Conectors) vem substituindo o retardo de superfície, tipo osso de cachorro, devido a sua facilidade na amarração dos furos (figura 11). Figura 11 – Conectores bidirecionais para cordel detonante. Prof. Valdir Costa e Silva 30 3.3 Tubo de choque – tipo nonel O sistema não elétrico de iniciação, com linha silenciosa (figura 12), foi desenvolvido por P. A. Person, nos laboratórios da empresa Nitro Nobel, na Suécia, entre 1967 e 1968. Consiste basicamente de uma espoleta comum, não elétrica, conectada a um tubo de plástico transparente, altamente resistente, com diâmetro externo e interno de 3 mm e 1,5 mm, respectivamente. O tubo plástico contém, em média, uma película de PETN pulverizada de 20 mg/m de tubo ou 20 g/km, que, ao ser iniciada, gera uma onda de choque, causada pelo calor e expansão dos gases dentro do tubo, que se propaga com uma velocidade, aproximadamente, de 2000 m/s. Essa reduzida carga explosiva, geradora da onda de choque, que se desloca através do tubo, não chega a afetar o lado externo do mesmo, porém, inicia a espoleta instantânea ou de retardo. O sistema oferece inúmeras vantagens quando comparado a outros acessórios. Entre elas, baixo ruído, é insensível à corrente elétricas e parasitas, não destrói parte da coluna de explosivo dentro do furo, diferentemente do cordel, seu tubo não detona nenhum tipo de explosivo comercial, permite a iniciação pontual, contribuindo para diminuir a carga por espera. Figura 12 – Tubo de choque (linha silenciosa) Esse sistema apresenta a seguinte desvantagem em relação ao cordel detonante: quando a coluna de explosivos encartuchados perde o contato, a depender do “Air Gap” (figura 13), alguns cartuchos podem não ser iniciados. 31 Figura 13 – Possibilidade de falha devido à ocorrência de Air Gap demasiado. Booster (Reforçador) Carga explosiva destinada a iniciar explosivos bombeados de baixa sensibilidade (Granulados, Emulsões e ANFO Pesado) ou furos contendo explosivos encartuchados com diâmetro superior a 3”. O Booster possui carga pirotécnica constituída de Nitro Penta e TNT (50/50 e 60/40), figura 14. Figura 14 – Reforçadores com massas diferentes. Detonador Eletrônico Acompanhando a evolução tecnológica,o mercado desenvolveu o Sistema de Retardo Eletrônico (figura 15), que consiste de uma espoleta de retardo eletrônico, fácil de usar, programável, para todo tipo de desmonte em Air Gap Prof. Valdir Costa e Silva 32 mineração e na construção civil, podendo ser usado tanto em obras a céu aberto como subterrâneas. Figura 15 – Detalhes do Retardo Eletrônico. O detonador eletrônico apresenta o mesmo layout e diâmetro de uma espoleta elétrica de retardo convencional. A grande diferença reside em que cada espoleta pode ter seu tempo de retardo programado individualmente. Contém, em média, 790 mg de PETN (Tetra Nitrato de Penta Eritritol), como carga de base, e 90 mg de azida de chumbo, como carga primária, ponte de fio de alta resistência (inflamador) e um circuito eletrônico que contém um microchip inteligente e dois capacitores eletrônicos - um para assegurar a autonomia do detonador e o segundo para iniciar o inflamador. Ideal para uso nos altos explosivos comerciais sensíveis à espoleta, podendo também, ser usado para a detonação de boosters. DETONADOR ELETRÔNICO 33 4. DESMONTE DE ROCHAS 4.1. Plano de fogo a céu aberto A figura 16 mostra as variáveis geométricas de um plano de fogo. Figura 16 – Variáveis de um plano de fogo para bancada. Afastamento (A) - É a menor distância que vai do furo à face livre da bancada ou a menor distância de uma linha de furos a outra. De todas as dimensões do plano de fogo essa é a mais crítica. AFASTAMENTO MUITO PEQUENO - A rocha é lançada a uma considerável distância da face. Os níveis de pulsos de ar são altos e a fragmentação poderá ser excessivamente fina. Prof. Valdir Costa e Silva 34 AFASTAMENTO MUITO GRANDE - A sobreescavação (backbreak) na parede é muito severa. AFASTAMENTO EXCESSIVO - Grande emissão de gases dos furos contribuindo para um ultralançamento dos fragmentos rochosos a distâncias consideráveis, crateras verticais, alto nível de onda aérea e vibração do terreno. A fragmentação da rocha pode ser extremamente grosseira e problemas no pé da bancada podem ocorrer. Outras variáveis do plano de fogo são mais flexíveis e não produzirão efeitos drásticos nos resultados tal como os produzidos pelo erro na estimativa da dimensão do afastamento. O valor do afastamento (A) é função do diâmetro dos furos, das características das rochas e dos tipos de explosivos utilizados. Os valores do afastamento oscilam entre 33 e 39 vezes o diâmetro do furo, dependendo da resistência da rocha e da altura da carga de fundo. Uma fórmula empírica e bastante útil para o cálculo do afastamento (A) é expressa por: e r e dxA 5,120123,0 sendo: e = densidade do explosivo (g/cm3); r = densidade da rocha (g/cm3); de = diâmetro do explosivo (mm). 35 Considerações sobre o desmonte de rochas Um dos fatores que interferem na qualidade do desmonte de rocha é a razão entre a altura da bancada (Hb) e o afastamento (A). A tabela 9 tece alguns comentários acerca desta relação. Tabela 9 - Comentários a respeito da relação Hb e Afastamento (A). Hb/A Fragmentação Onda aérea Ultralança- Mento Vibração Comentários 1 Ruim Severa Severo Severa Quebra para trás. Não detonar. Recalcular o plano de fogo. 2 Regular Regular Regular Regular Recalcular, se possível. 3 Boa Boa Bom Boa Bom controle e boa fragmentação 4 Excelente Excelente Excelente Excelente Não há aumento em benefícios para Hb/A > 4. Se Hb/A > 4 A bancada é considerada alta. Se Hb /A 4), dois casos devem ser observados: - os furos são iniciados instantaneamente, a seguinte expressão pode ser usada: E = 2 x A - os furos são detonados com retardados, a seguinte expressão pode ser usada: E = 1,4 x A O espaçamento nunca deve ser menor que o afastamento, caso contrário, o número de matacões será excessivo. Observação: as Malhas Alongadas possuem elevada relação E/A, geralmente acima de 1,75. São indicadas para rochas friáveis/macias. c) SUBPERFURAÇÃO (S) - É o comprimento perfurado abaixo da praça da bancada ou do greide a ser atingido. A necessidade da subperfuração decorre do engasgamento da rocha no pé da bancada. Caso não seja observada esta subperfuração, a base não será arrancada segundo um angulo de 90 e o pé da bancada não permanecerá horizontal, mas formará o que é conhecido como “repé”. O repé exigirá perfurações secundárias de acabamento, grandemente onerosa e de altos riscos para os operários e os equipamentos. S = 0,3 A 8 )7( AH E b 37 d) PROFUNDIDADE DO FURO (Hf) - É o comprimento total perfurado que, devido a inclinação e a subperfuração (S), será maior que a altura da bancada. O comprimento do furo aumenta com a inclinação, entretanto, a subperfuração (S) diminui com esta. Para calcular (Hf) utiliza-se a seguinte expressão: Sx H H b f 100 1 cos e) TAMPÃO (T) - É a parte superior do furo que não é carregada com explosivos, mas sim com terra, areia ou outro material inerte bem socado a fim de confinar os gases do explosivo. O ótimo tamanho do material do tampão (OT) apresenta um diâmetro médio (D) de 0,05 vezes o diâmetro do furo, isto é: OT = D / 20 O material do tampão deve ser angular para funcionar apropriadamente. Detritos de perfuração devem ser evitados. O adequado confinamento é necessário para que a carga do explosivo funcione adequadamente e emita a máxima de energia, bem como para o controle da sobrepressão atmosférica e o ultralançamento dos fragmentos rochosos. A altura do tampão pode ser calculada pela seguinte expressão: T = 0,7 A T A produzirá mais matacões, entretanto o lançamento será menor ou eliminado. Prof. Valdir Costa e Silva 38 f) VOLUME DE ROCHA POR FURO (V) - O volume de rocha por furo é obtido multiplicando-se a altura da bancada (Hb) pelo afastamento (A) e pelo espaçamento (E): V = Hb x A x E g) PERFURAÇÃO ESPECÍFICA (PE) - É a relação entre a quantidade de metros perfurados por furo e o volume de rocha por furo (V), isto é: PE H V f h) CÁLCULO DAS CARGAS Razão Linear de Carregamento (RL) RL d xe e 2 4000 onde: de = diâmetro do explosivo (mm); e = densidade do explosivo (g/cm3). Altura da carga de fundo (Hcf ) A carga de fundo é uma carga reforçada, necessária no fundo do furo onde a rocha é mais presa. 39 Alguns autores sugerem que Hcf deve ser um valor entre 30 a 40% da altura da carga de explosivos (Hc). A tendência, a depender dos resultados dos desmontes, é de reduzi-la cada vez mais para diminuir os custos com explosivos. Hcf = 0,3 x Hc = 0,3 x (Hf - T) Altura da carga de coluna (Hcc ) Carga de coluna é a carga acima da de fundo; não precisa ser tão concentrada quando a de fundo, já que a rocha desta região não é tão presa. A altura da carga de coluna é igual a altura total da carga (Hc) menos a altura da carga de fundo (Hcf): Hcc = Hc - Hcf Carga Total (CT) A carga total seráa soma da carga de fundo mais a de coluna: CT = CF + CC h) RAZÃO DE CARREGAMENTO (RC) )/( 3mg V CT RC ou )/( tg V CT RC r 40 Exemplos de cálculo de plano de fogo Exemplo 1 Dados: Rocha: calcário Altura da bancada: 15,0 m Diâmetro da perfuração: 101 mm (4”) Angulo de inclinação dos furos: 20 Explosivo utilizado: ANFO (94,5/5,5); = 0,85 g/cm3 Densidade da rocha: 2,7 g/cm3 = 2,7 t/m3 Condição de carregamento: furos secos. a) Cálculo do Afastamento (A) e r e Dx5,120123,0A mxA 6,21015,1 7,2 85,0 20123,0 Cálculo da Subperfuração (S) S = 0,3 x A = 0,3 x 2,6 m = 0,8 m Prof. Valdir Costa e Silva 41 b) Cálculo da profundidade do furo (Hf) mxSx H H b f 6,168,0 100 20 1 20cos 15 100 1 cos d) Cálculo do Espaçamento (E) Como Hb/A = 5,8 Hb/A > 4, e utilizaremos elementos de retardos entre os furos de uma mesma linha, a seguinte expressão será aplicada: E = 1,4 x A = 1,4 x 2,6 = 3,6 m e) Cálculo do Tampão (T) T = 0,7 x A = 0,7 x 2,6 m = 1,8 m f) Cálculo da razão linear de carregamento (RL) RL d xe e 2 4000 Para o ANFO: mKgxx d RL e e ANFO /8,685,0 4000 10114,3 4000 22 42 Cálculo da altura da carga de explosivo (He) He = Hf - T = 16,6 – 1,8 = 14,8 m h) Cálculo da carga de explosivo (CE) CE = RLANFO x He = 6,8 Kg/m x 14,8 m = 100,64 kg g) Cálculo do volume de rocha por furo (V) V = Hb x A x E = 15 x 2,6 x 3,6 = 140,4 m3 j) Cálculo da razão de carregamento (RC) tg mtxm kg mg m kg V CE RC /48,265 /7,24,140 64,100 /81,716 4,140 64,100 33 3 3 l) Cálculo da Perfuração Específica (PE) t m 04,0 m/t7,2 m/m12,0 oum/m12,0 m4,140 m6,16 V H PE 3 3 3 3 f 43 Exemplo 2 Considere os dados do problema anterior, assuma que um total de 4481 m3 de rocha deve ser escavada. Dados: Custo com explosivos e acessórios: ANFO: R$ 0,9/kg Boosters de 150 g (um por furo): R$ 7,0 / unidade Retardos de superfície de 25 e 42 ms: R$ 6,0 / unidade Cordel detonante: R$ 0,60/m Estopins espoletados: R$ 0,80 Custo da perfuração da rocha / m: Acessórios da perfuratriz: R$ 0,81 Mão de obra: R$ 1,50 Custo do equipamento e compressor: R$ 2,01 Combustível, graxas, lubrificantes etc. : R$ 1,20 Total: R$ 5,52 / m Determinar o custo do desmonte por m3 e tonelada (perfuração + explosivos + acessórios). a) Cálculo do número de furos necessários (NF) NF = (m3 necessários) : (volume de rocha por furo) = 4481 m3: 140,4 m3 /furo= 32 furos Prof. Valdir Costa e Silva 44 b) Cálculo do total de metros perfurados (MP) MP = NF x Hf = 32 x 16,6 = 531,2 m c) Cálculo do total de explosivos (TE) TE = NF x CE = 32 x 100,64 kg = 3220,48 kg d) Cálculo do custo dos explosivos e acessórios (CEA) Custo com explosivo (CCE): CCE = ANFO = R$ 0,9 x 3220,48 Kg = R$ 2.898,43 Custo com acessório (CA): Boosters: 32 furos x R$7,0/furo = R$224,00 Cordel Detonante (estimando um total de 581 m): 581/m x R$0,6 = R$348,60 Estopins espoletados (2 por motivo de segurança): 2 x R$0,8 = R$1,60 Retardos de superfície (total de 12): 20 x R$6,0 = R$120 CA = R$ 224 + R$ 348,60 + R$ 1,6 + R$ 120 = R$ 694,20 45 Custo com explosivo e acessório (CEA) CEA = CCE + CA = R$ 2.898,43 + R$ 694,20 = R$ 3.592,63 e) Cálculo do custo da perfuração (CP) CP = MP x custo/m = 531,2 m x R$ 5,52/m = R$ 2.932,22 f) Cálculo do Custo Total do Desmonte (Perfuração + Explosivos e acessórios) [CTD] CTD = CP + CEA = R$ 2.932,22 + R$ 3.592,63 = R$ 6.524,85 g) Custo por m3 (R$ 6.524,85 : 4481 m3) = R$ 1,46 / m3 h) Custo por tonelada [R$ 6.524,85 : (4481 m3 x 2,7 t/m3)] = R$ 0,54 / t 46 Exemplo 3 Cálculo do Plano de Fogo usando Cartuchos Dados: Rocha: granito Altura da bancada: 7,5 m Diâmetro da perfuração: 76 mm (3”) Angulo de inclinação dos furos: 15 Explosivo utilizado: Emulsão encartuchada; = 1,15 g/cm3; Furos com água. Dimensões dos cartuchos: 2½” x 24” (64 mm x 610 mm) Densidade da rocha: 2,5 g/cm3 = 2,5 t/m3. a) Cálculo do Afastamento (A) mxA 0,2645,1 5,2 15,1 20123,0 b) Cálculo da Subperfuração (S) S = 0,3 x A = 0,3 x 2,0 m = 0,6 m 47 c) Cálculo da profundidade do furo (Hf) mxSx H H b f 2,86,0 100 20 1 15cos 5,7 100 1 cos d) Cálculo do Espaçamento (E) Como Hb/A =3,8 Hb/A- aumento no tempo do bate choco - aumento nos custos da manutenção - sobreescavação do maciço Meio Ambiente Prof. Valdir Costa e Silva 50 - excessivo pulso de ar - maior ultralançamento - excessiva poeira e gases - excessiva vibração - riscos de danos às instalações, estruturas, equipamentos e operários A fragmentação pode ser melhora nos seguintes aspectos: menor espaçamento entre os furos; menor afastamento; furos mais rasos ou melhor distribuição da carga dentro do furo; maior controle e supervisão na perfuração; uso de maiores tempos de retardo; uso de explosivos mais energéticos. Para realizar uma avaliação global de um desmonte de rocha, os seguintes aspectos devem ser analisados: fragmentação e compactação da pilha da rocha desmontada; geometria da pilha, altura e deslocamento; estado do maciço residual e piso do banco; presença de blocos na pilha de material; vibrações, projeções dos fragmentos e onda aérea produzida pelo desmonte. A figura 17 analisa os diversos perfis de uma pilha de rocha desmontada. 51 Figura 17 - Perfis de pilhas de rochas desmontadas. (As figuras 18-(a) e 15-b) mostram a altura da pilha apropriada para a pá carregadeira, e para a escavadeira a cabo e hidráulica, respectivamente. Prof. Valdir Costa e Silva 52 Figura 18: a) altura de pilha apropriada para a pá carregadeira de pequeno porte; b) altura da pilha apropriada para escavadeiras a cabo e hidráulica. 6. EFEITO DOS RETARDOS NOS DESMONTES DE ROCHAS A iniciação simultânea de uma fila de furos permite um maior espaçamento e conseqüentemente o custo por m3 de material desmontado é reduzido. Os fragmentos poderão ser mais grossos. Os tempos dos retardos produzem os seguintes efeitos: a) menores tempos de retardo causam pilhas mais altas e mais próximas à face; Prof. Valdir Costa e Silva 53 b) menores tempos de retardo causam mais a quebra lateral do banco (end break); c) menores tempos de retardo causam onda aérea; d) menores tempos de retardo apresentam maior potencial de ultralançamento (fly rock); e) maiores tempos de retardo diminuem a vibração do terreno; f) maiores tempos de retardo diminuem a incidência da quebra para trás (backbreak). As figuras 19, 20 e 21 mostram diferentes tipos de ligação. Figura 19: a) ligação em um banco que apresenta apenas uma face livre; b) ligação em um banco que apresenta duas faces livres. 54 Figura 20 - Ligação em “V” utilizada para se obter uma pilha mais alta e uma melhor fragmentação, utilizando o sistema de iniciação de tubos de choque. Figura 21 - Sistema de iniciação “down -the-hole” utilizada para evitar cortes na ligação. 7. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DO DESMONTE DE ROCHA Prof. Valdir Costa e Silva 55 Nas operações mineiras utilizam-se os seguintes métodos: análise quantitativa visual; método fotográfico; método fotogramétrico; fotografia ultra-rápida estudo da produtividade dos equipamentos; curva granulométrica completa (Fragmentation Photoanalysis System – WipFrag e SplitSet); volume do material que requer fragmentação secundaria (fogacho); interrupções pela presença de matacões no britador primário. 8. PLANO DE FOGO NA LAVRA SUBTERRÂNEA Prof. Valdir Costa e Silva 56 Ciclo da escavação da rocha O objetivo da escavação com o uso de explosivos é de desenvolver um ciclo de operações compatível com os recursos e as condições de trabalho para que se atinja uma taxa de avanço máximo. Isso inclui a combinação do tempo de perfuração (número e comprimento dos furos) com o tempo de limpeza (tipo de carregadeiras e/ou escavadeiras e equipamentos de transporte) e as necessidades de reforço da rocha (tempo de instalação e o comprimento do túnel a ser reforçado). Nos últimos anos, várias tentativas para eliminar o ciclo natural da perfuração e detonação vêm sendo tentadas, porém com limitado sucesso. O ciclo básico das escavações dos túneis/galerias é composto das seguintes operações: marcação da posição dos furos perfuração dos furos; carregamento dos furos; conexão dos acessórios e disparo do desmonte; espera até que a ventilação retire a poeira e os fumos; verificação de possíveis falhas dos explosivos e acessórios batimento de choco; carregamento e transporte do material desmontado; reforço da rocha (se necessário); levantamento topográfico; preparação do novo desmonte. Formas de ataque mais comuns (sistemas de avanço) Em rochas competentes os túneis com seções inferiores a 100 m2 podem ser escavados com perfuração e desmonte à seção plena. As escavações por fase 57 são utilizadas na abertura de grandes túneis onde a seção é demasiada grande para ser coberta pelo equipamento de perfuração ou quando as características geomecânicas das rochas não permitem a escavação à plena seção. As cinco formas de ataque mais comuns são: Seção Plena; Galeria Superior e Bancada; Galeria Lateral; Abertura Integral da Galeria Superior e Bancada; Galerias múltiplas. Seção Plena Sempre que possível o sistema conhecido por sistema inglês ou da seção plena avanço integral da seção é escolhido para realizar um determinado avanço de uma só vez. As principais vantagens da abertura de túneis por seção plena constituem que esse tipo de avanço permite a aplicação de equipamento de alta capacidade, e conseqüentemente é o procedimento que atinge as maiores velocidades de avanço nas frentes. Existem sérias restrições quando as seções são maiores principalmente em áreas de grande tensão tectônica, quando a descompressão da rocha pode causar sérios problemas de explosão da rocha (“rock bursting”). Galeria Superior e Bancada 58 A área total é retirada em duas seções, sendo a superior uma galeria de seção em forma de arco (parte da pata de cavalo) sempre em primeiro lugar, ficando sempre à frente da bancada inferior. As principais vantagens desta forma de ataque estão na redução de armações, pois sempre há bancadas para trabalhar em cima. O avanço da bancada inferior fica condicionado ao avanço da abertura da galeria superior, assim algum problema que ocorra na parte superior se reflete no avanço inferior. A figura 22 mostra detalhes dessa forma de ataque. Figura 22 – Forma mista de ataque do túnel e galeria Galeria Lateral O sistema de ataque que abre a metade da área da seção do túnel, porém subdividindo o mesmo em duas galerias que são detonadas em separado, é também conhecido pelo nome de sistema belga. 59 Na escolha da forma de ataque ou método de escavação deve-se levar em conta o sistema de suporte a ser empregado. Esta seleção de método sempre consiste de num compromisso de entre uma tentativa de acelerar ao máximo a operação de abertura e a necessidade de suportar a rocha antes que esta caia no túnel originando problemas de segurança ou estabilidade. Por isso o método de ataque depende do comportamentoe da dimensão e forma da seção transversal do túnel, e principalmente do tipo e natureza e comportamento mecânico estrutural da rocha. A figura 23 a) mostra os tipos de sistemas de avanços, enquanto a figura 23 b) mostra as perfurações e um túnel com avanço em duas seções. Já a figura 24 mostra uma perfuração de um túnel/galeria efetuada por um jumbo. Figura 23 - a) tipos de sistemas de avanços; b) túnel com avanço em duas seções. Prof. Valdir Costa e Silva 60 Figura 24 - Perfuração de um túnel sendo efetuada por um jumbo. Pilões Para um desmonte ser econômico, e necessário que a rocha a ser desmontada tenha face livre. Em algumas aplicações de desmontes essas faces livres inexistem. É o caso do desenvolvimento de túneis, poços (shafts), e outras aberturas subterrâneas, onde se torna necessário criar faces livres artificialmente. Isto é feito preliminarmente no desmonte principal, através da perfuração e detonação de uma abertura na face da perfuração. Essa abertura é denominada “pilão” (cut). A seleção do pilão depende não somente das características da rocha e da presença de juntas e planos de fraquezas, mas também da habilidade do operador, do equipamento utilizado, do tamanho da frente e da profundidade do desmonte. Os principais tipos de pilão são: Pilão em centro ou em pirâmide (Center Cut) – figura 25 Pilão em V (Wedge Cut) – figura 26 Pilão Norueguês (The Draw Cut) – figura 27 Pilão Coromant – figura 28 61 Pilão queimado ou estraçalhante (The Burn Cut) – figura 29 Pilão em Cratera Pilão Circular ou Pilão de Furos Grandes Pilão em Pirâmide O pilão em pirâmide, também conhecido por pilão alemão, caracteriza-se por ter os 3 ou 4 furos centrais convergentes a um ponto. Usa-se principalmente em poços e chaminés. Em trechos horizontais este pilão não tem sido muito utilizado devido aos furos desviados para baixo. Figura 25 - Pilão em Centro ou em Pirâmide 62 Pilão em V ou em Cunha Não mais são necessários os furos descarregados de diâmetro grande, pois o alívio da rocha, dado o ângulo do furo em relação à face livre, faz-se não mais em direção a um furo descarregado, mas em direção à própria face livre. Figura 26 - Pilão em V (em cunha) Prof. Valdir Costa e Silva 63 Pilão Norueguês O pilão norueguês consta de uma combinação do pilão em V com o pilão em leque. Apresenta-se simétrico em relação ao eixo vertical do túnel e tem sido utilizado com sucesso em rochas com fissuramento horizontal. Figura 27 - Pilão Norueguês 64 Pilão Coromant Consiste na perfuração de dois furos secantes de igual diâmetro, que constituem a face livre em forma de 8 para as primeiras cargas Figura 28 – Pilão Coromant Pilão em Cratera Esse tipo de pilão desenvolvido originalmente por Hino no Japão, aproveitando o efeito cratera que as cargas de explosivo concentradas no fundo dos furos produzem sobre a superfície livre mais próxima. Esta metodologia se aplica mais nas escavações de chaminés do que em túneis. 65 Pilão Queimado (Burn Cut) O pilão queimado é o mais utilizado na abertura de túneis e galerias. É assim chamado porque consta de uma série de furos, dos quais um ou mais não são carregados. A detonação da carga se faz por fogos sucessivos, servindo os furos não carregados como pontos de concentração de tensões. As figuras 29 e 30 mostram o esquema de um pilão queimado. Figura 29 - Pilão queimado de quatro seções Figura 30 – Vista Lateral do Pilão Queimado 66 Exemplo prático Pretende-se realizar a escavação, em maciço rochoso, dum túnel. As dimensões do túnel são de 12 m de vão ou largura, 3,28 m de parede e 6 m de altura de abóbada. A área da seção é de 96 m2. O túnel de 1500 m de extensão apresenta os seguintes dados de projeto: Diâmetro da perfuração (D1) = 38 mm = 0,038 m Diâmetro do furo central vazio do pilão - alargado (D2) = 127 mm = 0,127 m Ângulo de saída dos furos de contorno () = 3 Explosivo a ser utilizado: Emulsão com as seguintes dimensões = 29 mm x 610 mm; Explosivo (petecas): 22 mm x 500 mm; densidade da peteca () = 1,0 g/cm3 Rocha e densidade: calcário; = 2,7 g/cm3 = 2,7 t/m3 Pede-se dimensionar o plano de fogo e o consumo de explosivos e acessórios necessários para a execução da obra. Prof. Valdir Costa e Silva 67 Solução: a) Cálculo da profundidade do furo (H) e do Avanço (X) 2 22 4,391,3415,0 DDH mHH 8,3127,04,39127,01,3415,0 2 Avanço (X) mXmxHX 6,38,395,095,0 b) Cálculo do 1 Quadrado do Pilão Cálculo da distância “a” (centro a centro) entre os furos de carga do 1 quadrado e o furo alargado: a = 1,5D2 = 1,5 x 0,127 m a = 0,19 m = 19 cm 68 Cálculo da razão linear (RL) para de = 29 mm mkgRLxx d RL e /759,015,1 4000 2914,3 4000 22 Tampão (T1) T1 = a = 0,19 m = 19 cm Carga explosiva por furo do 1 Quadrado (Q1) Q1 = (H – T1) x RL = (3,8 m - 0,19 m) x 0,759 kg/m Q1 = 2,740 kg Número de cartuchos por furo do 1 quadrado (NC1) 6NC m610,0 m19,0m8,3 cartuchodoocompriment TH NC 1 1 1 Distância entre os furos do 1 Quadrado ou Superfície Livre (W1) cmmWxmaW 2727,04142,119,02 11 69 c) Cálculo do 2 Quadrado do Pilão A detonação do 1 Quadrado ocasionará uma abertura de 0,27 m x 0,27 m. Cálculo da distância entre o centro do furo alargado e o centro do furo do 2 Quadrado (dcc2): dcc2 = 1,5W1 = 1,5 x 0,27 m dcc2 = 0,405 = 41 cm Cálculo do lado do 2 Quadrado (W2) cm57m57,0W4142,1xm405,02dW 22cc2 T2 = 0,5W1 = 0,5 x 0,27 m T2 = 0,14 m = 14 cm 70 Carga explosiva por furo do 2 Quadrado (Q2) Q2 = (H – T2) x RL = (3,8 m - 0,14 m) x 0,759 kg/m Q2 = 2,778 kg Número de cartuchos por furo (NC2) 6 61,0 14,08,3 610,0 2 2 2 NC m mm m TH NC d) Cálculo do 3 Quadrado A detonação do 2 Quadrado dará uma abertura de 0,57 m x 0,57 m. dcc3 = 1,5W2 = 1,5 x 0,57 m dcc3 = 0,86 m = 86 cm mWxmdW cc 22,14142,186,02 333 71 T3 = 0,5W2 = 0,5 x 0,56 m T3 = 0,3 m = 30 cm Carga explosiva por furo do 3 Quadrado (Q3) Q3 = (H – T3) x RL = (3,8 m - 0,3 m) x 0,759 kg/m Q3 = 2,657 kg Número de cartuchos por furo (NC3) 6 61,0 3,08,3 610,0 2 3 3 NC m mm m TH NC e) Cálculo do 4 Quadrado A detonação do 3 Quadrado dará uma abertura de 1,22 m x 1,22 m. dcc4 = ar + 0,5 x W3; sendo ar o afastamento recomendado 72 Pela tabela 10, ar = 1,0 m Tabela 10- Valores do afastamento para diversos diâmetros da perfuração Diâmetro da perfuração Afastamento recomendado - ar (m) 25 mm = 1” 0,75 29 mm = 1 1/8” 0,80 32 mm = 1 ¼” 084 38 mm = 1 ½” 1,00 51 mm = 2” 1,18 dcc4 = 1 + 0,5 x 1,22 dcc4 = 1,61 m mWxmdW cc 28,24142,161,12 444 T4 = 0,5ar = 0,5 x 1,00 m T4 = 0,5 m = 50 cm Carga explosiva por furo do 4 Quadrado (Q4) Q4 = (H – T4) x RL = (3,8 m - 0,5 m)carregamento e transporte em áreas próximas. Destinar o pessoal mais qualificado nos trabalhos de neutralização e eliminação de explosivos nos detonadores. Não tentar retirar os explosivos do furo por meio mecânico. Sugere-se um jato de água (ar comprimido + água) para retirar ou dessensibilizá-lo. Cuidados adicionais deverão ser tomados se o explosivo ainda estiver escovardo. Prof. Valdir Costa e Silva 142 Em caso de escovarmento com cordel detonante, tentar retirar o material do tampão e colocar um cartucho escorvado junto ao explosivo para sua destruição. Tamponar o furo com material granular fino. Se o explosivo não estiver acessível, perfurar um novo furo a uma distância superior a 10 vezes o diâmetro do furo (cuidado com a direção e o ângulo), caso o regulamento vigente permita. Recolher amostras. Solicitar assistência Técnica. Criar uma comissão interna para diagnosticar e evitar que esse tipo de falha se repita. 15.3. Destruição de explosivos A utilização de explosivos conduz frequentemente ao aparecimento de explosivos deteriorados devido a: Armazenagem em locais demasiadamente úmidos Vencimento do prazo de validade Molhagem acidental dos explosivos Tiros falhados Embalagens rasgadas ou deterioradas Exsudação da nitoglicerina/nitroglicol 143 Atenção: os explosivos não devem ser destruídos em suas embalagens de origem. Para realizar uma operação segura e dentro da lei, consulte o regulamento R-105, Título VII, Normas complementares, Capítulo 1, Generalidades sobre Destruição. O procedimento normal consiste em fazer uma cama de palha seca (figura 63) ou outros produtos com características semelhantes, com espessura suficiente para assegurar a propagação do fogo e onde se colocam os explosivos a destruir, procurando evitar o contacto entre eles. Este leito, sobretudo quando utilizado para destruir explosivos nitrados, deve ser ativado com um pouco de outro combustível similar. Figura 63 – Maneira correta de destruir os explosivos por combustão. A tabela 19 mostra as distâncias de segurança para a combustão de explosivos. Prof. Valdir Costa e Silva 144 Tabela 19 - distâncias de segurança para a combustão de explosivos 12. Consulta Bibliográfica - Britanite, Manual Básico de Utilização de Explosivos, Quatro Barras, 2006. - CASTRO, R. S. & PARRAZ, M. .M. Manual de Ferramentas de Perfuração, Sindicato Nacional dos Editores de Livro, 225p., Rio de Janeiro, 1986. - DFPC, R-105: site: www.dfpc.eb.mil.br - FERNÁNDEZ, J. C. Tecnología de los Explosivos, Universidad de Chile – Departamento Ingenieria de Minas, Santiago, 2000 - Germani, D. J., Notas do Curso de Lavra, VALER, Rio de Janeiro, 2006. - HUSTRULID, W., Blasting Principles for Open Pit Mining, Vol. 1 General Design Concepts and Vol. 2 Theoretical Foundations, Balkema, Rotterdam, 1999. - Jimeno, C. L., Jimeno E. L. & Bermúdez, P. G. Manual de Perforación y Voladura de Rocas, Madri, 2003. - Mainiero, R. J, Explosives Transport Issues, The Journal of Explosives http://www.dfpc.eb.mil.br/ 145 Engineering, Volume 26, Number 2, pages 6-11, March/April, Cleveland, 2009. - Manual de Autoproteção – Produtos Perigosos Manuseio e Transporte Rodoviário, 9ª. Edição, São Paulo, 2008. - Orica, Explosivos, Acessórios Industriais e Tecnologia Aplicada ao Desmonte de Rocha, São Paulo, 2007. - REIS, D. Apostila de Operações Mineiras – Escola de Minas da UFOP, Ouro Preto, 1992. - Silva, V. C. Apostila da Disciplina MIN112 - Operações Mineiras, Ouro Preto, 2010. - Verakis, H. & Lobb, T. Bulk Transport Vehicle Fire Safety: Preventing a Mine Site Disaster, The Journal of Explosives Engineering, Volume 26, Number 2 , pages 14-19, March/April, Cleveland, 2009.