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Revisão Filosofia Antiga 1. (Enem PPL) A ciência ativa rompe com a separação antiga entre a ciência (episteme), o saber teórico, e a técnica (techne), o saber aplicado, integrando ciência e técnica. Do ponto de vista da ideia de ciência, a valorização da observação e do método experimental opõe a ciência ativa à ciência contemplativa dos antigos; assim também, a utilização da matemática como linguagem da física, proposta por Galileu sob inspiração platônica e pitagórica, e contrária à concepção aristotélica. MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008 (adaptado). Nesse contexto, a ciência encontra seu novo fundamento na a) utilização da prova para confirmação empírica. b) apropriação do senso comum como inspiração. c) reintrodução dos princípios da metafísica clássica. d) construção do método em separado dos fenômenos. e) consolidação da independência entre conhecimento e prática. 2. (Upe-ssa 1) Leia o texto a seguir sobre o conhecimento filosófico: No período socrático ou antropológico, no âmbito da filosofia grega, surgem os sofistas. A palavra era antigamente sinônimo de sábio. Porém, no século V a.C., toma um matiz pejorativo e se aplica a um grupo de mestres ambulantes, que recorrem aos cidadãos gregos, ensinando o que eles chamam de sabedoria. (COLOMER, Klimke. Historia de la filosofia. Madrid: Labor, 1961, p.39) Adaptado. No âmbito do conhecimento filosófico, o texto retrata que, no período socrático ou antropológico, os sofistas representam algo totalmente novo nesse cenário com relação ao estudo do homem. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. a) Os sofistas foram, na verdade, reputados como grandes mestres de cultura; inicia-se a fase antropológica. b) Os sofistas foram sábios nos estudos da natureza cosmológica e deram pouca importância ao problema antropológico. c) Com a sofística, inicia-se uma nova fase no período filosófico, o estudo de Deus. d) Os sofistas não reconheceram o valor formativo do saber e elaboraram o conceito de natureza, excluindo o homem da sua consideração. e) Os sofistas influenciaram parcialmente o curso da investigação filosófica, com seu enfoque teórico frente aos problemas prático-educativos. Highlight 3. (Upe-ssa 2) Leia o texto a seguir sobre o tema Filosofia na História: A filosofia antiga grega e greco-romana tem uma história mais que milenar. Partindo do século VI a.C., chega até o ano de 529 d.C., ano em que o imperador Justiniano mandou fechar as escolas pagãs e dispersar os seus seguidores. Nesse arco de tempo, podemos distinguir o momento das grandes sínteses de Platão e Aristóteles. (REALE, Giovanni. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 25-26). O autor na citação acima sinaliza a significância do período sistemático da filosofia antiga. No que tange à filosofia de Platão, assinale a alternativa CORRETA. a) Platão propõe a existência das ‘essências ou formas’, que estão presentes no mundo das ideias e são modelos eternos das coisas sensíveis. b) A filosofia de Platão salienta as essências do mundo sensível que são modelos para o mundo das ideias. c) O pensamento de Platão não teve papel decisivo do desenvolvimento da mística, da teologia e da filosofia cristã. d) As ideias de Platão têm a confiança absoluta no poder dos sentidos e desconfiam do conhecimento racional. e) O pensamento filosófico de Platão tem como finalidade a descoberta do mundo físico, declinando do campo da metafísica. 4. (Enem PPL) Dado que, dos hábitos racionais com os quais captamos a verdade, alguns são sempre verdadeiros, enquanto outros admitem o falso, como a opinião e o cálculo, enquanto o conhecimento científico e a intuição são sempre verdadeiros, e dado que nenhum outro gênero de conhecimento é mais exato que o conhecimento científico, exceto a intuição, e, por outro lado, os princípios são mais conhecidos que as demonstrações, e dado que todo conhecimento científico constitui-se de maneira argumentativa, não pode haver conhecimento científico dos princípios, e dado que não pode haver nada mais verdadeiro que o conhecimento científico, exceto a intuição, a intuição deve ter por objeto os princípios. ARISTÓTELES. Segundos analíticos. In: REALE, G. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1994. Os princípios, base da epistemologia aristotélica, pertencem ao domínio do(a) a) opinião, pois fazem parte da formação da pessoa. b) cálculo, pois são demonstrados por argumentos. c) conhecimento científico, pois admitem provas empíricas. d) intuição, pois ela é mais exata que o conhecimento científico. e) prática de hábitos racionais, pois com ela se capta a verdade. 5. (Enem PPL) O aparecimento da pólis, situado entre os séculos VIII e VII a.C., constitui, na história do pensamento grego, um acontecimento decisivo. Certamente, no plano intelectual como no domínio das instituições, a vida social e as relações entre os homens tomam uma forma nova, cuja originalidade foi plenamente sentida pelos gregos, manifestando-se no surgimento da filosofia. VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 2004 (adaptado). Segundo Vernant, a filosofia na antiga Grécia foi resultado do(a) a) constituição do regime democrático. b) contato dos gregos com outros povos. c) desenvolvimento no campo das navegações. d) aparecimento de novas instituições religiosas. e) surgimento da cidade como organização social. 6. (Uema) De acordo com a historiadora Maria Lúcia de Arruda Aranha, a Revolução Francesa derrubou o antigo regime, ou seja, o absolutismo real fundamentado no direito divino dos reis, derivado da concepção teocrática do poder. O término do antigo regime se consuma quando a teoria política consagra a propriedade privada como direito natural dos indivíduos. Fonte: ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003. Esse princípio político que substitui a antiga teoria do direito divino do rei intitula-se a) Contratualismo. b) Totalitarismo. c) Absolutismo. d) Liberalismo. e) Marxismo. 7. (Uema) Leia o poema do moçambicano Craveirinha, Cantiga do negro do betelão. Se me visses morrer Os milhões de vezes que nasci... Se me visses chorar Os milhões de vezes que te riste... Se me visses gritar Os milhões de vezes que me calei... Se me visses cantar Os milhões de vezes que morri... E sangrei Digo-te, irmão europeu Também tu Havias de nascer Havias de chorar Havias de cantar Havias de gritar Havias de morrer E sangrar... Milhões de vezes como eu Fonte: CRAVEIRINHA. In: Revista do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFCLH da USP. São Paulo: Edusp, 2002, p.100. O poeta constrói ou reconstrói a realidade em seus versos e o filósofo, ao ser “tocado” pela poesia, é chamado a refletir sobre ela. A primeira condição ou primeira virtude para o filosofar é a) problematizar. b) questionar. c) persuadir. d) teorizar. e) admirar. 8. (Ueg) Considerando a história contada por Platão no livro VII da República, mais conhecida como Mito da Caverna, podemos deduzir que: a) o homem, apesar de nascer bom, puro e de posse da verdade, pode desviar-se e passar a acreditar em outro mundo mais perfeito de puras ideias. b) não podemos confiar apenas na razão, pois somente guiados pelos sentimentos e testemunhos dos sentidos poderemos alcançar a verdade. c) a caverna, na alegoria platônica, representa tudo aquilo que impede o surgimento da consciência filosófica, que possibilitaria uma ascensão para o mundo inteligível. d) a razão deve submeter-se aos testemunhos dos sentidos, pois a verdade que está no mundo inteligívelsó será atingida mediante a sensibilidade. e) os homens devem se libertar da crença na existência em outro mundo e buscar resolver seus conflitos aprofundando-se em sua interioridade. 9. (Uece) “Talvez [...] a verdade nada mais seja do que uma certa purificação das paixões e seja, portanto, a temperança, a justiça, a coragem; e a própria sabedoria não seja outra coisa do que esse meio de purificação.” PLATÃO. Fédon, 69b-c, adaptado. Nessa fala de Sócrates, a “purificação” das paixões ocorre na medida em que a alma se afasta do corpo pela “força” da sabedoria. Com base nisso, assinale a afirmação FALSA. a) As virtudes são a eliminação das paixões através da sabedoria. b) Temperança, justiça e coragem resultam da purificação das paixões. c) A sabedoria é a potência da alma pela qual as virtudes se constituem. d) A alma atinge a verdade através da virtude da sabedoria. 10. (Uel) Sócrates, Giordano Bruno e Galileu foram pensadores que defenderam a liberdade de pensamento frente às restrições impostas pela tradição. Na Apologia de Sócrates, a acusação contra o filósofo é assim enunciada: Sócrates [...] é culpado de corromper os moços e não acreditar nos deuses que a cidade admite, além de aceitar divindades novas (24b-c). Ao final do escrito de Platão, Sócrates diz aos juízes: Mas, está na hora de nos irmos: eu, para morrer; vós, para viver. A quem tocou a melhor parte, é o que nenhum de nós pode saber, exceto a divindade. (42a). (PLATÃO. Apologia de Sócrates. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2001. p. 122- 23; 147.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a disputa entre filosofia e tradição presente na condenação de Sócrates, assinale a alternativa correta. a) O desprezo socrático pela vida, implícito na resignação à sua pena, é reforçado pelo reconhecimento da soberania do poder dos juízes. b) A aceitação do veredito dos juízes que o condenaram à morte evidencia que Sócrates consentiu com os argumentos dos acusadores. c) A acusação a Sócrates pauta-se na identificação da insuficiência dos seus argumentos, e a corrupção que provoca resulta das contradições do seu pensamento. d) A crítica de Sócrates à tradição sustenta-se no repúdio às instituições que devem ser abandonadas em benefício da liberdade de pensamento. e) A sentença de morte foi aceita por Sócrates porque morrer não é um mal em si e o livre pensar permite apreender essa verdade. 11. (Uel) Leia o texto a seguir. Eis com efeito em que consiste o proceder corretamente nos caminhos do amor ou por outro se deixar conduzir: em começar do que aqui é belo e, em vista daquele belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas ciências até que das ciências acabe naquela ciência, que de nada mais é senão daquele próprio belo, e conheça enfim o que em si é belo. (PLATÃO. Banquete, 211 c-d. José Cavalcante de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1972. (Os Pensadores) p. 48). Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Platão, é correto afirmar que a) a compreensão da beleza se dá a partir da observação de um indivíduo belo, no qual percebemos o belo em si. b) a percepção do belo no mundo indica seus vários graus que visam a uma dimensão transcendente da beleza em si. c) a compreensão do que é belo se dá subitamente, quando partimos dele para compreender os belos ofícios e ciências. d) a observação de corpos, atividades e conhecimentos permite distinguir quais deles são belos ou feios em si. e) a participação do mundo sensível no mundo inteligível possibilita a apreensão da beleza em si. 12. (Upe-ssa 1) Leia o texto a seguir sobre o pensamento grego: Platão escreveu diálogos filosóficos, verdadeiros dramas em prosa. Foi um dos maiores escritores de todos os tempos, e ninguém conseguiu, como ele, unir as questões filosóficas à tamanha beleza literária. As ideias filosóficas de Platão é a primeira grande síntese do pensamento antigo. (Adaptado) (REZENDE, Antonio. Curso de Filosofia, Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 46.) No tocante a essa temática, assinale a alternativa CORRETA sobre o pensamento de Platão. a) Enfatiza as ideias no mundo sensível, buscando a verdade na natureza. b) Retrata a doutrina das ideias e salienta a existência do mundo ideal para fazer possível a verdadeira ciência. c) Prioriza a verdade do mundo concreto com a confiança no conhecimento dos sentidos. d) Sinaliza o valor dos sentidos como condição para o alcance da verdade. e) Atenta para o significado da razão no plano da existência da realidade sensível. 13. (Upe-ssa 3) Na temática da Lógica, leia o texto a seguir sobre os tipos de inferência: A dedução e a indução são conhecidas com o nome de inferência, isto é, concluir alguma coisa a partir de outra já conhecida. Sobre a indução e a dedução, entende-se como inferências mediatas. (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1996, p. 68.) Adaptado. A autora acima enfatiza a singularidade dos tipos de inferência no âmbito da razão discursiva. Sobre isso, observe a seguinte inferência: Sócrates é homem e mortal Platão é homem e mortal Aristóteles é homem e mortal Logo, todos os homens são mortais. A inferência expressa o raciocínio a) dedutivo. b) dialético. c) disjuntivo. d) indutivo. e) conjuntivo. 14. (Ufu) Considere o seguinte trecho "No diálogo Mênon, Platão faz Sócrates sustentar que a virtude não pode ser ensinada, consistindo-se em algo que trazemos conosco desde o nascimento, defendendo uma concepção, segundo a qual temos em nós um conhecimento inato que se encontra obscurecido desde que a alma encarnou-se no corpo. O papel da filosofia é fazer-nos recordar deste conhecimento" MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. p. 31. Nesse trecho, o autor descreve o que ficou conhecido como a) a teoria das ideias de Platão. b) a doutrina da reminiscência de Platão. c) a ironia socrática. d) a dialética platônica. 15. (Unioeste) Segundo a conhecida alegoria da caverna, que aparece no Livro VII da República, de Platão, há prisioneiros, voltados para uma parede em que são projetadas as sombras de objetos que eles não podem ver. Esses prisioneiros representam a humanidade em seu estágio de mais baixo saber acerca da realidade e de si mesmos: a doxa, ou “opinião”. Um desses prisioneiros é libertado à força, num processo que ele quer evitar e que lhe causa dor e enormes dificuldades de visão (conhecimento). Gradativamente, ele é conduzido para fora da caverna, a um estágio em que pode ver as coisas em si mesmas, isto é, os fundamentos eternos de tudo o quê, antes, ele via somente mediante sombras. Esses fundamentos são as Formas. Para além das Formas, brilha o Sol, que representa a Forma das Formas, o Bem, fonte essencial de todo ser e de todo conhecer e unicamente acessível mediante intuição direta. Com base nisso, responda à seguinte questão: se chegamos ao conhecimento das Formas mediante a dialética, que é o estabelecimento de fundamentos que possibilitam o conhecimento das coisas particulares (sombras), é CORRETO dizer: a) para Platão, a dialética é o conhecimento imediato (doxa) dos objetos particulares. b) o Bem é um objeto particular, que pode ser conhecido sensivelmente, de modo imediato e indolor, por todos os seres humanos. c) as Formas são somente suposições teóricas, sem realidade nelas mesmas. d) a dialética, que não é o último estágio do ser e do conhecer, permite chegar, mediante um processo difícil, que exige esforço, às coisas em si mesmas (Formas). e) a dialética, último estágio do ser e do conhecer, permite chegar, mediante um processo difícil, ao conhecimento do Bem.16. (Unioeste) Considere os seguintes excertos: “Dionísio já havia sido afugentado do palco trágico e o fora através do poder demoníaco que falava pela boca de Eurípedes. Também Eurípedes foi, em certo sentido, apenas máscara: a divindade, que falava por sua boca, não era Dionísio, tampouco Apolo, porém um demônio de recentíssimo nascimento, chamado Sócrates”. Nietzsche, F. O Nascimento da Tragédia ou Helenismo e Pessimismo. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. “O Nascimento da tragédia tem dois objetivos principais: a crítica da racionalidade conceitual instaurada na filosofia por Sócrates e Platão; a apresentação da arte trágica, expressão das pulsões artísticas dionisíaca e apolínea, como alternativa à racionalidade”. Machado, R. “Arte e filosofia no Zaratustra de Nietzsche” In: Novaes, A. (org.) Artepensamento. São Paulo. Companhia das Letras, 1994. Os trechos acima aludem diretamente à crítica nietzschiana referente à atitude estética que a) subordina a beleza à racionalidade. b) cultua os antigos em detrimento do contemporâneo. c) privilegia o cômico ao trágico. d) concebe o gosto como processo social. e) glorifica o gênio em detrimento da composição calculada. 17. (Pucpr) Na primeira parte da Apologia de Sócrates, escrita por Platão, Sócrates apresenta a sua defesa diante dos cidadãos atenienses, afirmando que: “(...) considerai o seguinte e só prestai atenção a isto: se o que digo é justo ou não. Essa de fato é a virtude do juiz, do orador (...)” (PLATÃO, 2000\2003, p.4). A partir da análise do fragmento, qual é, segundo Sócrates, a virtude do juiz, do orador, a que se refere o texto em questão? a) Lidar com a mentira. b) Dizer a verdade. c) Tergiversar a verdade. d) Convencer-se das acusações. e) É deixar-se guiar somente pela defesa. 18. (Uel) Leia os textos a seguir. Exercita-te primeiro, caro amigo, e aprende o que é preciso conhecer para te iniciares na política; antes, não. Então, primeiro precisarás adquirir virtude, tu ou quem quer que se disponha a governar ou a administrar não só a sua pessoa e seus interesses particulares, como a cidade e as coisas a ela pertinentes. Assim, o que precisas alcançar não é o poder absoluto para fazeres o que bem entenderes contigo ou com a cidade, porém justiça e sabedoria. PLATÃO, O primeiro Alcebíades. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2004. p. 281- 285. Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu entendimento sem a direção de outro indivíduo... Sapere Aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. KANT, I. Resposta à pergunta: que é ‘Esclarecimento’ (‘Aufklärung’). Trad. Floriano de Souza Fernandes, 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1985. p. 100-117. Tendo em vista a compreensão kantiana do Esclarecimento (Aufklärung) para a constituição de uma compreensão tipicamente moderna do humano, assinale a alternativa correta. a) Fazer uso do próprio entendimento implica a destruição da tradição, na medida em que o poder da tradição impede a liberdade do pensamento. b) A superação da condição de menoridade resulta do uso privado da razão, em que o indivíduo faz uso restrito do próprio entendimento. c) A saída da menoridade instaura uma situação duradoura, pois as verdadeiras conquistas do Esclarecimento se afiguram como irreversíveis. d) A menoridade é uma tendência decorrente da natureza humana, sendo, por esse motivo, superada no Esclarecimento, com muito esforço. e) A condição fundamental para o Esclarecimento é a liberdade, concebida como a possibilidade de se fazer uso público da razão. 19. (Upe-ssa 3) Leia o texto a seguir sobre o Pensamento Ético-político: O que enaltece e enobrece a política de Platão é que ela, no fundo, quer uma só coisa: uma sociedade e um cidadão justos, ou seja, a harmonia social alcançada pela perfeição moral dos cidadãos. É evidente que até hoje lutamos para realizar essas metas, não mais no restrito âmbito de uma polis grega, mas no mundo globalizado. PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 35. Na citação acima, o autor retrata a significância do pensamento ético-político como fundamento para uma sociedade justa. Essa linha de pensamento expressa que a) no mundo globalizado, a dimensão ético-política tem a confluência do que é justo. b) a política de Platão enaltece o cidadão justo, declinando da harmonia social. c) enobrecer a política de Platão é priorizar o espaço restrito no âmbito da pólis grega. d) a baliza central do estado é tornar os cidadãos melhores com alcance da ordem justa na esfera pública. e) a harmonia social, alcançada na esfera política, independe da perfeição moral do cidadão. 20. (Upe-ssa 3) Leia o texto a seguir sobre a Filosofia e a Ética. Toda a obra de Platão tem um profundo sentido ético. Três poderiam ser os eixos centrais, que comandam a ética platônica: primeiro, a justiça na ordem individual e social; segundo, a transcendência do Bem; terceiro, as virtudes humanas e a ordem política presididas pela justiça. PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 25-26. (Adaptado). O autor acima demarca alguns pontos singulares dos temas centrais da ética de Platão. Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que a) as virtudes humanas estão em conexão com a transcendência do bem e desvinculadas da ordem política, presidida pela justiça. b) o sentido ético-político na filosofia de Platão prioriza a ordem individual em detrimento do plano social. c) Platão defende um ideal ético, centrado na sabedoria, declinando da ordem política presidida pela justiça. d) a justiça e o bem se realizam na ordem individual, e a virtude, na ordem política. e) na ética de Platão, a virtude é prática da justiça. 21. (Uece) Se na Ética a Nicômaco Aristóteles visa encaminhar o indivíduo à felicidade, na Política ele tem por finalidade alcançar o bem comum, o bem viver. Por isso, ele compreende que a origem da polis está na necessidade natural do homem em buscar a felicidade. A comunidade natural mais incipiente é a família, na qual seus membros se unem para facilitar as atividades básicas de sobrevivência. E várias famílias se ligam para formar a aldeia. E as aldeias se juntam para instituir a polis. Sobre isso, é correto afirmar que a) o homem não é naturalmente um animal político, mas é, por natureza, um membro da família. b) a polis não é uma noção artificial, mas natural, pois é o lugar do homem desenvolver as suas potencialidades em vista ao bem-viver. c) a felicidade do homem está nas condições que permitem sua sobrevivência no âmbito da família. d) a polis se constitui independente das famílias e das aldeias, pois é a única comunidade natural a que o homem pertence. 22. (Uece) “Chamo de princípio de demonstração às convicções comuns das quais todos partem para demonstrar: por exemplo, que todas as coisas devem ser afirmadas ou negadas e que é impossível ser e não ser ao mesmo tempo.” ARISTÓTELES. Metafísica, 996b27-30. Em sua Metafísica, Aristóteles apresenta um conjunto de princípios lógico-metafísicos que ordenam a realidade e nosso conhecimento acerca dela. Dentre eles está o princípio de não contradição, o qual a) indica que afirmações contraditórias são lógica e metafisicamente aceitáveis, pois a contradição faz parte da realidade. b) estabelece que é possível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias. c) afirma que é impossível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias. d) é normativo, oumoral; portanto, deve ser rejeitado como antimetafísico, ou seja, não caracteriza a realidade. 23. (Enem PPL) Vimos que o homem sem lei é injusto e o respeitador da lei é justo; evidentemente todos os atos legítimos são, em certo sentido, atos justos, porque os atos prescritos pela arte do legislador são legítimos e cada um deles é justo. Ora, nas disposições que tomam sobre todos os assuntos, as leis têm em mira a vantagem comum, quer de todos, quer dos melhores ou daqueles que detêm o poder ou algo desse gênero; de modo que, em certo sentido, chamamos justos aqueles atos que tendem a produzir e a preservar, para a sociedade política, a felicidade e os elementos que a compõem. ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010 (adaptado). De acordo com o texto de Aristóteles, o legislador deve agir conforme a a) moral e a vida privada. b) virtude e os interesses públicos. c) utilidade e os critérios pragmáticos. d) lógica e os princípios metafísicos. e) razão e as verdades transcendentes. 24. (Uel) Leia o texto a seguir. Alguns julgam que a grandeza de uma cidade depende do número dos seus habitantes, quando o que importa é prestar atenção à capacidade, mais do que ao número de habitantes, visto que uma cidade tem uma obra a realizar. [...] A cidade melhor é, necessariamente, aquela em que existe uma quantidade de população suficiente para viver bem numa comunidade política. [...] resulta evidente, pois, que o limite populacional perfeito é aquele que não excede a quantidade necessária de indivíduos para realizar uma vida autossuficiente comum a todos. Fica, assim, determinada a questão relativa à grandeza da cidade. (ARISTÓTELES, Política 1326b6-25 Edição bilíngue. Tradução e notas de António C. Amaral e Carlos C. Gomes. Lisboa: Vega, 1998. p. 495- 499.) Com base no texto e considerando o papel da cidade-estado (pólis) no pensamento ético- político de Aristóteles, assinale a alternativa correta. a) As dimensões da pólis determinam a qualidade de seu governo: quanto mais cidadãos, maior e melhor será a sua participação política. b) A pólis não é natural, por isso é importante organizá-la bem em tamanho e quantidade de cidadãos para que a sociedade seja autossuficiente. c) O ser humano, por ser autossuficiente, pode prescindir da pólis, pois o bem viver depende mais do indivíduo que da sociedade. d) A pólis realiza a própria obra quando possui um número suficiente de cidadãos que possibilite o bem viver. e) O ser humano, como animal político, tende a realizar-se na pólis, mesmo que esta possua quantidade excessiva de cidadãos. 25. (Ufu) "O filósofo natural e o dialético darão definições diferentes para cada uma dessas afecções. Por exemplo, no caso da pergunta "O que é a raiva?", o dialético dirá que se trata de um desejo de vingança, ou algo deste tipo; o filósofo natural dirá que se trata de um aquecimento do sangue ou de fluidos quentes do coração. Um explica segundo a matéria, o outro, segundo a forma e a definição. A definição é o "o que é" da coisa, mas, para existir, esta precisa da matéria." Aristóteles. Sobre a alma, I,1 403a 25-32. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2010. Considerando-se o trecho acima, extraído da obra Sobre a Alma, de Aristóteles (384-322 a.C.), assinale a alternativa que nomeia corretamente a doutrina aristotélica em questão. a) Teoria das categorias. b) Teoria do ato-potência. c) Teoria das causas. d) Teoria do eudaimonismo. 26. (Upe-ssa 2) Sobre o problema político e social, atente ao texto a seguir: O homem verdadeiramente político também goza a reputação de haver estudado a virtude acima de todas as coisas, pois que ele deseja fazer com que os seus concidadãos sejam bons e obedientes às leis. Mas a virtude que devemos estudar é, fora de qualquer dúvida, a virtude humana; porque humano era o bem e humana a felicidade que buscávamos. Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo, 1973, p. 263. Na citação acima, Aristóteles retrata que a) a virtude humana é a busca da felicidade e não diz respeito à dimensão política que é da esfera do social. b) o verdadeiro homem prudente no âmbito político busca e faz uso do equilíbrio da vida pessoal e social. c) os cidadãos são bons e obedientes às leis, isto é, declinam do valor da virtude humana. d) o homem verdadeiramente político deve buscar o bem e a felicidade na esfera individual. e) a virtude humana é um projeto individual e indiferente no âmbito da convivência político- social. 27. (Upe-ssa 3) Sobre a Lógica, observe o texto a seguir: Para Aristóteles, a lógica não era uma ciência teorética nem prática ou produtiva, mas um instrumento para as ciências. Eis por que o conjunto das obras lógicas aristotélicas recebeu o nome de Órganon, palavra grega que significa instrumento. CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 1996, p. 183. A autora retrata a dimensão que tem a lógica como instrumento do pensamento no plano das obras da filosofia de Aristóteles. Com relação a esse assunto, é CORRETO afirmar que a) a lógica na concepção de Aristóteles é um instrumento que não pode ser utilizado pelas ciências. b) a lógica para Aristóteles possui um caráter instrumental e preocupa-se primordialmente com o aspecto informal de um argumento. c) Aristóteles, na sua lógica clássica, concebe como instrumento do pensamento três funções básicas: conceber, julgar e raciocinar. d) a dimensão lógica para Aristóteles não é um estágio preparatório que antecede ao conhecimento propriamente dito. e) na lógica clássica de Aristóteles, a ciência prática ou produtiva se sobrepõe ao caráter instrumental do pensamento. 28. (Unisc) Aristóteles, na obra Etica a Nicômaco, procura o fim último de todas as atividades humanas, uma vez que tudo o que fazemos visa alcançar um bem, ou o que nos parece ser um bem. Pergunta-se, então, pelo “sumo bem”, aquele que em si mesmo é um fim, e não um meio para o que quer que seja. Para Aristóteles, na Ética a Nicômaco, o sumo bem está a) na honra. b) na riqueza. c) na fama. d) na vida feliz. e) na lealdade. 29. (Enem (Libras)) TEXTO I Aquele que não é capaz de pertencer a uma comunidade ou que dela não tem necessidade, porque se basta a si mesmo, não é em nada parte da cidade, embora seja quer um animal, quer um deus. ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Martins Fontes, 2002. TEXTO II Nenhuma vida humana, nem mesmo a vida de um eremita em meio à natureza selvagem, é possível sem um mundo que, direta ou indiretamente, testemunhe a presença de outros seres humanos. ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense, 1995. Associados a contextos históricos distintos, os fragmentos convergem para uma particularidade do ser humano, caracterizada por uma condição naturalmente propensa à a) atividade contemplativa. b) produção econômica. c) articulação coletiva. d) criação artística. e) crença religiosa. 30. (Uel) Leia os textos a seguir. A arte de imitar está bem longe da verdade, e se executa tudo, ao que parece, é pelo facto de atingir apenas uma pequena porção de cada coisa, que não passa de uma aparição. Adaptado de: PLATÃO. A República. 7.ed. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p.457. O imitar é congênito no homem e os homens se comprazem no imitado. Adaptado de: ARISTÓTELES. Poética. 4.ed. Trad. De Eudoro de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p.203. Coleção “Os Pensadores”. Com base nos textos, nos conhecimentos sobre estética e a questão da mímesis em Platão e Aristóteles, assinale a alternativa correta. a) Para Platão, a obra do artista é cópia de coisas fenomênicas, um exemplo particular e, por isso, algo inadequado e inferior, tanto em relação aos objetos representados quanto às ideias universaisque os pressupõem. b) Para Platão, as obras produzidas pelos poetas, pintores e escultores representam perfeitamente a verdade e a essência do plano inteligível, sendo a atividade do artista um fazer nobre, imprescindível para o engrandecimento da pólis e da filosofia. c) Na compreensão de Aristóteles, a arte se restringe à reprodução de objetos existentes, o que veda o poder do artista de invenção do real e impossibilita a função caricatural que a arte poderia assumir ao apresentar os modelos de maneira distorcida. d) Aristóteles concebe a mímesis artística como uma atividade que reproduz passivamente a aparência das coisas, o que impede ao artista a possibilidade de recriação das coisas segundo uma nova dimensão. e) Aristóteles se opõe à concepção de que a arte é imitação e entende que a música, o teatro e a poesia são incapazes de provocar um efeito benéfico e purificador no espectador. 31. (Uel) Leia o texto a seguir. É pois manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras (pois dizemos que conhecemos cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, causa diz-se em quatro sentidos: no primeiro, entendemos por causa a substância e a essência (o “porquê” reconduz-se pois à noção última, e o primeiro “porquê” é causa e princípio); a segunda causa é a matéria e o sujeito; a terceira é a de onde vem o início do movimento; a quarta causa, que se opõe à precedente, é o “fim para que” e o bem (porque este é, com efeito, o fim de toda a geração e movimento). Adaptado de: ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A. Cultural, 1984. p.16. (Coleção Os Pensadores.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica, corretamente, a ordem em que Aristóteles apresentou as causas primeiras. a) Causa final, causa eficiente, causa material e causa formal. b) Causa formal, causa material, causa final e causa eficiente. c) Causa formal, causa material, causa eficiente e causa final. d) Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final. e) Causa material, causa formal, causa final e causa eficiente. 32. (Enem PPL) A utilidade do escravo é semelhante à do animal. Ambos prestam serviços corporais para atender às necessidades da vida. A natureza faz o corpo do escravo e do homem livre de forma diferente. O escravo tem corpo forte, adaptado naturalmente ao trabalho servil. Já o homem livre tem corpo ereto, inadequado ao trabalho braçal, porém apto à vida do cidadão. ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985. O trabalho braçal é considerado, na filosofia aristotélica, como a) indicador da imagem do homem no estado de natureza. b) condição necessária para a realização da virtude humana. c) atividade que exige força física e uso limitado da racionalidade. d) referencial que o homem deve seguir para viver uma vida ativa. e) mecanismo de aperfeiçoamento do trabalho por meio da experiência. 33. (Uea) A sabedoria do amo consiste no emprego que ele faz dos seus escravos; ele é senhor, não tanto porque possui escravos, mas porque deles se serve. Esta sabedoria do amo nada tem, aliás, de muito grande ou de muito elevado; ela se reduz a saber mandar o que o escravo deve saber fazer. Também todos que a ela se podem furtar deixam os seus cuidados a um mordomo, e vão se entregar à política ou à filosofia. (Aristóteles. A política, s/d. Adaptado.) O filósofo Aristóteles dirigiu, na cidade grega de Atenas, entre 331 e 323 a.C., uma escola de filosofia chamada de Liceu. No excerto, Aristóteles considera que a escravidão a) é um empecilho ao florescimento da filosofia e da política democrática nas cidades da Grécia. b) permite ao cidadão afastar-se de obrigações econômicas e dedicar-se às atividades próprias dos homens livres. c) facilita a expansão militar das cidades gregas à medida que liberta os cidadãos dos trabalhos domésticos. d) é responsável pela decadência da cultura grega, pois os senhores preocupavam-se somente em dominar os escravos. e) promove a união dos cidadãos das diversas pólis gregas no sentido de garantir o controle dos escravos. 34. (Enem PPL) Ao falar do caráter de um homem não dizemos que ele é sábio ou que possui entendimento, mas que é calmo ou temperante. No entanto, louvamos também o sábio, referindo-se ao hábito; e aos hábitos dignos de louvor chamamos virtude. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova CuIturaI, 1973. Em Aristóteles, o conceito de virtude ética expressa a a) excelência de atividades praticadas em consonância com o bem comum. b) concretização utilitária de ações que revelam a manifestação de propósitos privados. c) concordância das ações humanas aos preceitos emanados da divindade. d) realização de ações que permitem a configuração da paz interior. e) manifestação de ações estéticas, coroadas de adorno e beleza. 35. (Uel) No livro Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, a Rainha Vermelha diz uma frase enigmática: “Pois aqui, como vê, você tem de correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar.” (CARROL, L. Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. p.186.) Já na Grécia antiga, Zenão de Eleia enunciara uma tese também enigmática, segundo a qual o movimento é ilusório, pois “numa corrida, o corredor mais rápido jamais consegue ultrapassar o mais lento, visto o perseguidor ter de primeiro atingir o ponto de onde partiu o perseguido, de tal forma que o mais lento deve manter sempre a dianteira.” (ARISTÓTELES. Física. Z 9, 239 b 14. In: KIRK, G. S.; RAVEN, J. E.; SCHOFIELD, M. Os Pré- socráticos. 4.ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p.284.) Com base no problema filosófico da ilusão do movimento em Zenão de Eleia, é correto afirmar que seu argumento a) baseia-se na observação da natureza e de suas transformações, resultando, por essa razão, numa explicação naturalista pautada pelos sentidos. b) confunde a ordem das coisas materiais (sensível) e a ordem do ser (inteligível), pois avalia o sensível por condições que lhe são estranhas. c) ilustra a problematização da crença numa verdadeira existência do mundo sensível, à qual se chegaria pelos sentidos. d) mostra que o corredor mais rápido ultrapassará inevitavelmente o corredor mais lento, pois isso nos apontam as evidências dos sentidos. e) pressupõe a noção de continuidade entre os instantes, contida no pressuposto da aceleração do movimento entre os corredores. 36. (Ufu) [...] após ter distinguido em quantos sentidos se diz cada um [destes objetos], deve- se mostrar, em relação ao primeiro, como em cada predicação [o objeto] se diz em relação àquele. Aristóteles, Metafísica. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2002. De acordo com a ontologia aristotélica, a) a metafísica é “filosofia primeira” porque é ciência do particular, do que não é nem princípio, nem causa de nada. b) o primeiro entre os modos de ser, ontologicamente, é o “por acidente”, isto é, diz respeito ao que não é essencial. c) a substância é princípio e causa de todas as categorias, ou seja, do ser enquanto ser. d) a substância é princípio metafísico, tal como exposto por Platão em sua doutrina. 37. (Enem) A felicidade é portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade. ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010. Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como a) busca porbens materiais e títulos de nobreza. b) plenitude espiritual a ascese pessoal. c) finalidade das ações e condutas humanas. d) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas. e) expressão do sucesso individual e reconhecimento público. 38. (Enem PPL) O termo injusto se aplica tanto às pessoas que infringem a lei quanto às pessoas ambiciosas (no sentido de quererem mais do que aquilo a que têm direito) e iníquas, de tal forma que as cumpridoras da lei e as pessoas corretas serão justas. O justo, então, é aquilo conforme à lei e o injusto é o ilegal e iníquo. ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural: 1996 (adaptado). Segundo Aristóteles, pode-se reconhecer uma ação justa quando ela observa o a) compromisso com os movimentos desvinculados da legalidade. b) benefício para o maior número possível de indivíduos. c) interesse para a classe social do agente da ação. d) fundamento na categoria de progresso histórico. e) princípio de dar a cada um o que lhe é devido. 39. (Uff) Aristóteles considerava que era melhor para a sociedade a soberania política ser entregue ao povo, como ocorre na democracia, do que a alguns homens notáveis, como na oligarquia ou aristocracia. Ele argumentava que, mesmo que um indivíduo isoladamente não fosse muito competente no ato de julgar, quando unido a outros cidadãos julga melhor, porque a união reúne as qualidades de cada um. A vantagem da democracia, segundo o ponto de vista de Aristóteles, seria a de a) combinar as qualidades de muitos e neutralizar seus defeitos. b) garantir que os defeitos do povo sejam corrigidos pela elite. c) proporcionar à maioria as vantagens da corrupção. d) permitir que os grandes homens falem em nome de todos. e) promover o anonimato das opiniões e decisões. 40. (Ueg) Aristóteles é considerado por muitos estudiosos como o primeiro crítico literário. Sua vasta produção, além de abordar Política, Biologia, Metafísica e Ética, também trata de Poética. Acreditava que um grande poeta, como Homero, deveria ser considerado também um filósofo. Nesse sentido, Aristóteles defendia que a Poesia é superior à História porque a) a beleza formal dos versos poéticos não poderia ser igualada ao texto informativo dos historiadores. b) a poesia lida com conceitos universais, enquanto a narrativa histórica precisa focar um tema específico. c) a poesia poderia ser transformada em peças dramáticas, enquanto textos de história só poderiam ser lidos. d) o número de leitores de poesia era muito superior ao de leitores de textos sobre história, na Grécia Antiga. Gabarito: Resposta da questão 1: [A] O paradigma científico da ciência ativa, conforme apresentado no texto, encontra na utilização da prova seu critério de confirmação empírica. Ou seja, é considerado verdadeiro aquilo que, através de um método, pode ser provado. Resposta da questão 2: [A] O período destacado pelo texto é caracterizado por uma prática filosófica voltada para a reflexão das questões relacionadas ao indivíduo, cujos primeiros expoentes são Sócrates e os filósofos sofistas. Nesse contexto, atribui-se aos sofistas a introdução da retórica, que possibilitou o desenvolvimento da habilidade de convencimento através do discurso, de modo que se aponta os sofistas como mestres da oratória. Resposta da questão 3: [A] Para responder à questão, o aluno deve conhecer o pensamento filosófico platônico, segundo o qual o verdadeiro conhecimento humano se daria a partir da passagem do “mundo das aparências” para o “mundo das essências” ou “mundo das ideias”. Para Platão, as formas e conceitos só existiriam em suas formas puras e imutáveis no plano das ideias, o que possibilitaria um conhecimento autêntico de todas as coisas. As impressões advindas dos sentidos, por sua vez, levariam a ideias ilusórias, de modo que no mundo sensível estariam presentes cópias imperfeitas e mutáveis dos conceitos, tal como indicado pela alternativa [A]. Resposta da questão 4: [D] Aristóteles atribui, para as formas racionais de apreensão da realidade destacadas no texto - o cálculo, a opinião, o conhecimento científico e a intuição - uma hierarquização que classifica as duas últimas como sendo sempre verdadeiras. Dentre essas formas de conhecimento racional que somente admitem o que é verdadeiro, ele atribui, ainda, maior grau de exatidão à intuição, sendo essa, portanto, a única forma de conhecimento adequada para formular juízos acerca dos princípios. Resposta da questão 5: [E] O surgimento da filosofia grega está intimamente relacionado com o aparecimento da pólis. Assim é que um pensamento racional e sistemático passou a ter lugar dentro da Grécia antiga. Resposta da questão 6: [D] O filósofo que inaugura a o conceito de propriedade privada como direito natural é John Locke. Segundo este pensador, os princípios de sua filosofia são: a liberdade (ação por deliberação pessoal, sem nenhuma influência); a propriedade privada (iniciando a partir do próprio corpo que se possui e por aquilo que se consegue pelo trabalho); e a igualdade (mesmas condições para que todos possam usufruir dos recursos e leis da natureza). Por meio destes referenciais, Locke estabelece que se vivemos em natureza e seguimos as suas leis, estas mesmas leis devem servir de modelo para a constituição do Estado. O papel do governo consiste exclusivamente em fazer respeitar o direito natural de cada indivíduo determinado em conformidade com as leis da natureza. Portanto, o governo civil é o remédio apropriado para os inconvenientes do estado de natureza que pode se tornar um estado de guerra. Ele não deve ser um ditador ou alguém que deva ser obedecido, mas alguém que administra um empreendimento social onde os interesses e liberdades individuais determinam os rumos que a sociedade deve seguir, sendo que seu poder é temporal e limitado. Daí o governo não deve estabelecer aquilo que acredita ser melhor no modo de condução, mas deve concordar em servir a um interesse maior a garantia dos direitos de igualdade, liberdade e propriedade privada. A liberdade é o fundamento da vida em sociedade, servindo como justificativa para a disposição como se aprouver da propriedade privada que os indivíduos estabelecem. Esta é garantida pela igualdade entre todos para que pela apropriação dos recursos da natureza possam adquirir condições de sobreviverem segundo a melhor maneira que lhes aprouver. Esta concepção exposta, com mínima interferência do governo nos rumos, com a valorização da liberdade e propriedade privada garantida pela igualdade é conhecida como liberal. Resposta da questão 7: [E] Desde o surgimento da filosofia a característica mais marcante em toda sua trajetória foi o espanto que o mundo gerava. Devido às condições políticas e históricas que possibilitaram o surgimento de um novo modo de pensar o mundo que se revelava aos homens, isto fez com que os homens buscassem explicações ante os fenômenos naturais que aconteciam a sua volta e tentassem compreender sua origem e significado. A filosofia em seus primórdios buscava explicações que não dependessem do sobrenatural, mas que pudessem ser mais próximas a realidade ao qual estava inserida. Os pré-socráticos buscaram por meio da “physis” (natureza) encontrar o “arché” (princípio). Nesta busca, o “cosmos” (universo) fascinava os humanos e conduzia-os, primeiramente a uma condição de espanto ante a realidade. Como surgimento de explicações mais ligadas a realidade vivida levou-os a admiração pelo encadeamento e funcionamento da natureza. O caráter problematizador e questionador eram recursos utilizados para se produzir teorias que seriam expostas no intuito de persuadir os interlocutores ante as descobertas realizadas. Mas isto somente surge posteriormente. A admiração é o motor para se desejar filosofar e compreender mais sobre a realidade e sobre ohomem. Resposta da questão 8: [C] Na alegoria platônica, a caverna é a representação das “sombras” do mundo sensível, que remetem às opiniões ilusórias dos homens e impedem o desenvolvimento do pensamento racional, ou seja, da consciência filosófica, que possibilitaria a aproximação com o mundo inteligível das ideias. Resposta da questão 9: [A] A partir da análise do texto, percebe-se que a letra [A] apresenta uma afirmativa incorreta, haja vista que o desenvolvimento da razão e a sabedoria levaria, não à eliminação das paixões, mas a um uso comedido delas. Portanto, as virtudes levariam à “purificação” das paixões mencionadas no texto, mas não à sua eliminação, como proposto pelo item. Resposta da questão 10: [E] De acordo com a filosofia socrática, a vida no mundo sensível afasta a alma do conhecimento verdadeiro e imutável, apenas disponíveis no mundo das ideias puras. Para Sócrates, os filósofos estão preparados para o processo da morte, pois desejam atingir o conhecimento na sua forma pura, o que só seria possível a partir do afastamento do mundo material, ideia presente na alternativa [E]. Resposta da questão 11: [B] Para Platão, a percepção da beleza no mundo sensível estaria relacionada à uma maior reminiscência do mundo das ideias puras, onde a beleza existiria em sua forma plena. Dessa forma, algumas almas seriam mais aptas a perceberem a beleza que, em sua forma pura, transcende o mundo sensível. Resposta da questão 12: [B] Segundo a filosofia platônica, o conhecimento humano se dá a partir da passagem do mundo das aparências para o mundo das essências. Platão explica as essências a partir da doutrina das ideias, segundo a qual os conceitos puros somente existiriam no plano das ideias, atingível por meio da razão. Assim, o verdadeiro conhecimento só seria possível no mundo das ideias, ou mundo ideal, transcendente às percepções sensoriais. Resposta da questão 13: [D] A Lógica tem com objeto de estudo inferências expressas a partir de argumentos demonstrativos que, por sua vez, diferenciam-se em dois tipos: dedutivos e indutivos. Para responder a questão, o aluno deve saber que inferências que indicam um raciocínio dedutivo partem de uma sentença geral para concluir uma outra, que está contida na primeira. Já inferências que indicam raciocínios indutivos partem de sentenças particulares para concluir uma sentença geral. A inferência apresentada pela questão chega à uma conclusão geral, pois diz respeito a todos os homens, a partir de sentenças particulares, que se referem a Sócrates, Platão e Aristóteles, o que caracteriza, portanto, uma inferência do tipo indutiva. Resposta da questão 14: [B] Segundo a filosofia platônica, antes de habitar o corpo material no mundo sensível, a alma humana encontrava-se no mundo inteligível, ou mundo das ideias, onde os conceitos existiriam em sua forma pura. Para Platão, o conhecimento verdadeiro contemplado pela alma no mundo inteligível permanece “adormecido” nos indivíduos, sendo a filosofia o meio pelo qual seria possível recordar esse conhecimento, ideia que ficou conhecida como Teoria da Reminiscência, opção apresentada pela alternativa [B]. Nessa teoria, o conhecimento é concebido como um processo de recordação, ou seja, em uma perspectiva inatista. Resposta da questão 15: [D] De acordo com o pensamento de Platão, a dialética é o instrumento que possibilita ao indivíduo o alcance da verdade. A dialética platônica serve para mostrar as contradições e falhas fundamentais das ideias do senso comum. Assim, o método dialético admite as contradições para poder superá-las, através do questionamento das ideias pré-concebidas, para, a partir de então, poder buscar o conhecimento verdadeiro. Resposta da questão 16: [A] A estética socrática relaciona a arte à lógica, uma vez que, para Sócrates, a produção artística deve ter como essência uma postura crítica racional, subordinando a ideia de beleza à de racionalidade. Já para Nietzsche, a estética não se limita à verificação do que é lógico, mas se relaciona ao subjetivo, ou seja, à essência do indivíduo. Assim, Nietzsche faz uma crítica à atitude estética proposta por Sócrates, defendendo a estética como expressão de pulsões artísticas que não estariam subordinadas à racionalidade conceitual. Resposta da questão 17: [B] Para Sócrates, a ação virtuosa tem como pressuposto a consciência do agente moral. Ou seja, é virtuoso e ético o indivíduo que conhece a origem de suas ações e da finalidade das mesmas. Assim, aquele que conhece o que é bom e justo, só pode agir virtuosamente. Nesse sentido, a virtude do juiz seria, segundo Sócrates, avaliar se o que está sendo defendido é justo ou não, dizendo, a partir dessa percepção, a verdade. Resposta da questão 18: [E] Para Kant, o esclarecimento pressupõe a capacidade do indivíduo de fazer uso da sua própria razão de forma autônoma, ou seja, a partir do uso de seu próprio entendimento de maneira independente do entendimento alheio. A autonomia de pensamento característica do esclarecimento implica, por sua vez, a liberdade, o que inclui a possibilidade do indivíduo de se expressar livremente, realizando o uso público da sua razão, como constatado na alternativa [E]. Resposta da questão 19: [D] Ao condicionar o alcance da harmonia social à uma política ética e justa, o autor estabelece que a gestão social, que nas sociedades ocidentais contemporâneas está sob a competência do Estado, deve ter essa finalidade atrelada à ordem pública, de modo a tornar os cidadãos melhores, como aponta a alternativa [D]. Resposta da questão 20: [E] Para Platão, como apontado no texto, a concepção de ética não está desvinculada da ação pública, incluindo a gestão da vida coletiva. Com efeito, as ações virtuosas, tanto no âmbito privado como no coletivo, tornariam o governante apto para conduzir a política de forma justa, de modo que a virtude seria a prática da justiça, como apontado pela alternativa [E]. Resposta da questão 21: [B] A partir da leitura do texto, o aluno deve identificar que, no pensamento de Aristóteles, a pólis tem origem na natureza humana, como resultado da necessidade natural do indivíduo de buscar a felicidade A política, presente na pólis, seria um espaço social onde os indivíduos buscam gerir a vida coletiva de modo a alcançar o bem comum, noção que se fundamenta também na busca natural pela felicidade. O único item que apresenta uma afirmação de acordo com essas considerações é a letra [B]. Resposta da questão 22: [C] O princípio da não contradição aristotélico afirma que duas afirmações que se contradizem não podem ser, ambas, verdadeiras ao mesmo tempo e em referência à mesma coisa. Ou seja, não seria possível que algo tenha uma característica e não a tenha ao mesmo tempo, sob as mesmas circunstâncias, tal como indica a alternativa [C]. Resposta da questão 23: [B] O legislador deve, segundo Aristóteles, agir em função do bem comum, perseguindo, portanto, o exercício da virtude. Resposta da questão 24: [D] Questão filosófica que envolve a grandeza de uma cidade onde o texto destaca que uma cidade melhor para se viver é aquela em que existe uma quantidade de população suficiente que não excede a quantidade necessária para realizar uma vida autossuficiente comum a todos. A alternativa que mantém a ideia central do texto é da letra [D]. Resposta da questão 25: [C] Segundo a metafísica aristotélica, a aparência dos objetos diz respeito a como os objetos estão em determinado momento. Para compreender o que as coisas são em sua essência seria preciso investigar os princípios que fazem as coisas serem como são. Assim, Aristóteles formulou a Teoria das causas, segundo a qual existiriam princípios fundamentais, ou seja, causas primeiras, que constituiriam o ser enquanto ser, ou a essência que faz o objeto ser talcomo ele é. Resposta da questão 26: [B] Para Aristóteles, ao homem apto à condução da vida política, é fundamental o domínio da virtude, que, para esse filósofo, se relaciona à justa medida, ou seja, ao equilíbrio tanto na vida pessoal quanto na pública. Resposta da questão 27: [C] A lógica Aristotélica é um importante instrumento para estruturar o discurso e o pensamento de forma racionalmente válida, e as operações de conceber (apreender uma ideia), julgar (perceber e negar ou afirmar uma relação entre ideias) e raciocinar (inferir uma ideia) são entendidas, por esse pensador, como operações do intelecto sobre as quais a lógica se torna aplicável. Resposta da questão 28: [D] Na obra citada pelo texto da questão, Aristóteles defende que a eudaimonia é a finalidade da vida e de todas as ações humanas, ou seja, todas as atividades humanas seriam motivadas pela busca da eudaimonia, que em grego é o equivalente à “felicidade”. A questão, no entanto, não traz textos ou análises de casos a partir dos quais o aluno possa identificar o conceito cobrado ou levantar reflexões sobre o mesmo, fazendo com que, para responder a questão, o aluno precise fazer uso apenas da memorização. Resposta da questão 29: [C] Retomando a reflexão clássica em relação ao espaço público e à política, Hannah Arendt desenvolve a ideia de mundo comum, que corresponde ao espaço em que estamos em companhia dos outros e onde há um interesse comum, ou seja, onde há um articulação coletiva. Resposta da questão 30: [A] Platão defendeu a teoria de que o conhecimento verdadeiro se encontra no mundo inteligível (Mundo das Ideias), representado pelas ideias perfeitas que não sofrem a corrupção, captadas pelo pensamento. Neste mundo, as ideias estão organizadas hierarquicamente das mais elevadas a de menor perfeição, sendo o bem, o belo e o justo as ideias mais elevadas. Oposto ao Mundo das Ideias está o Mundo Sensível (Mundo da Matéria). Neste mundo residem os objetos que temos acesso, porém estes são cópias imperfeitas captadas pelos sentidos. Desta forma, qualquer representação das ideias ou da beleza são apenas imitações (mimesis) das coisas sensíveis e não das verdadeiras ideias. Assim, a arte é uma imitação inferior da perfeição das ideias, sendo considerada como uma mera ilusão para os sentidos. De forma diferente, embora Aristóteles concorde que a arte é imitação, isto não ocorre da mesma forma que Platão. Para este filósofo, a arte é uma imitação de coisas possíveis que não tem realidade, mas podem vir a ter. A mimesis é algo natural dos seres humanos, como forma de invenção da realidade. Portanto, a arte representa possibilidade de compreensão e conhecimento da realidade, servindo também como aprimoramento do ser humano na busca de sua realização moral, nas palavras do filósofo é uma “catarse” que por meio da educação dos sentidos conduz o ser humano ao equilíbrio. A alternativa [A] é a única que se enquadra nas teorias explicitadas. Resposta da questão 31: [C] A teoria do conhecimento em Aristóteles busca explicar a mutabilidade da realidade. Para este filósofo, para que se desenvolva um conhecimento verdadeiro, deve-se compreender as etapas que constituem a realidade, objetivando com isto, compreender o processo como um todo. Os conceitos desenvolvidos por ele buscam conhecer a mutabilidade da realidade através da potencialidade (potência), a capacidade para se transformar em um determinado objeto e o processo de transformação (ato), a realização da transformação. Soma-se a isto a relação estabelecida pelo filósofo entre matéria e forma. Assim, quanto maior for a compreensão da relação entre ato e potência e matéria e forma, maior será a compreensão da verdade. No livro “Metafísica” para ele descreve a teoria das 4 causas como sendo: causa material - do que a coisa é feita; causa eficiente - aquilo que produz a coisa; causa formal - a forma, os contornos, a aparência, aquilo que a coisa vai ser; e causa final - a finalidade, aquilo para o qual a coisa é feita. Resposta da questão 32: [C] A partir da associação entre a estrutura corporal de indivíduos escravizados, o trabalho braçal realizado por eles e a suposta inaptidão para o exercício da cidadania, Aristóteles considera esse tipo de trabalho um trabalho puramente físico que dispensa o uso de atividade intelectual, legitimando, dessa forma, um aspecto de natureza cultural da ordem social vigente em sua época a partir do uso de argumentos de natureza biológica. Resposta da questão 33: [B] Aristóteles era pertencente à aristocracia e com isto defendia um sistema de pensamento que considerava a escravidão algo natural. Para ele, cada ser, somente poderia realizar-se em plenitude, seguindo suas aptidões naturais, isto é, seguindo uma natureza que lhes seria própria, assim, Aristóteles realizou a divisão da sociedade em classes. Nesta sociedade idealizada: a classe dos comerciantes era responsável por prover a cidade daquilo que fosse necessário para a sobrevivência; a classe dos guerreiros era responsável por proteger a cidade e a classe dos administradores que tinha como função determinar os melhores rumos para a realização de todos os habitantes da cidade de acordo com suas aptidões naturais. Assim, Aristóteles comparava o escravo a um bem, um instrumento, não sendo diferenciado dos animais, não sendo nem ao menos enquadrados em seu sistema de classes. Uma vez que a escravidão estava garantida, segundo a concepção deste autor, o senhor, o dono do escravo, poderia dedicar-se a atividades próprias aos cidadãos, aos homens livres, ou seja, colaborar para o desenvolvimento pleno da cidade. Resposta da questão 34: [A] De acordo com o pensamento aristotélico, as virtudes éticas se desenvolvem a partir do hábito, ou seja, de uma prática constante de ações moralmente boas, condizentes, portanto, com o bem comum. Resposta da questão 35: [C] O argumento de Zenão problematiza a tese de que o espaço, conceitualmente dado, é divisível. Portanto, o seu argumento parte da suposição da verdade dessa qualidade do espaço, sua divisibilidade, para provar o seu absurdo. Se considerarmos possível a divisão do espaço, então teremos que assumir, por exemplo, que é impossível Aquiles ultrapassar a tartaruga em uma corrida, pois para Aquiles ultrapassar a tartaruga ele teria antes que ultrapassar a metade da distância entre eles, e depois a metade da metade, e depois a metade da metade, assim por diante infinitamente, de modo que Aquiles nunca sairia do seu lugar de origem. Como isso é absurdo, então o espaço não é efetivamente divisível e sim uno; também, o movimento é ilusório, pois não existe um percurso que se percorre, afinal não se pode realmente dividir o espaço. Resposta da questão 36: [C] Em Categorias, Aristóteles concebe a substância apenas como indivíduos e define distinções lógicas importantes entre tipos de atributos que se referem a estas substâncias, já em Metafísica, o filósofo engendra uma análise fundante sobre a substância mesma e a posiciona diferentemente como um complexo de matéria e forma. De maneira geral podemos tomar a substância como o ser dito de várias maneiras: 1) ela é o princípio da realidade e do conhecimento, 2) é a causa por excelência sendo em todos os sentidos causa formal, material, eficiente e final, 3) é o suporte de propriedades essenciais e 4) é a essência, ou seja, aquilo sem o qual a coisa deixa de ser o que é. Resposta da questão 37: [C] Aristóteles parte do senso comum para afirmar que todas as atividades humanas, pragmáticas ou teóricas, miram um bem qualquer, de modo que o bem pode ser definido como aquilo a que todas as ações tendem. Todavia, nem todas as atividades do homem tendem para o bem da mesma maneira, pois algumas ações são seus próprios fins e outras são meios através dos quais se atinge alguma finalidade desejada. O homem é capaz de muitasatividades e, por conseguinte, é capaz de atingir muitos fins. Alguns destes fins estão subordinados a outros – por exemplo, a finalidade da agricultura é a alimentação – e, consequentemente, se não podemos dizer que cultivamos apenas por cultivarmos, ao contrário podemos dizer que nos alimentamos apenas por nos alimentarmos. Entretanto, a questão é que poderíamos considerar todas as nossas atividades, até a alimentação, em função de outras, e o fim visado pela primeira tornar-se-ia o começo da segunda. Se assim considerássemos, a sequência seguiria infinitamente, nos fazendo transitar de uma ação para outra nunca nos tranquilizando. Ora, a atividade humana deve visar o bem tendo em vista aquela atividade mais excelente, o sumo bem. Conhecer tal sumo é, então, de grande importância, pois afetaria a maneira como agimos e facilitaria a realização da nossa felicidade nos dando um bom termo para nossas ações. Segundo o filósofo grego, a política é a arte mestra, pois é decisiva para a determinação dos conteúdos de todas as ciências, isto é, todos os conhecimentos se subordinam à finalidade da política; se considerarmos que o bem é a felicidade e o sumo bem é a felicidade de todos, então a política se torna a mais decisiva das ciências por ser a atividade que realiza o último fim, o sumo bem. Portanto, se a felicidade é a atividade da alma em conformidade com a virtude perfeita, e esta virtude perfeita é adquirida através de um bom hábito dirigido pela ciência política, então a felicidade é algo divino, pois ela é o que de melhor existe no mundo, ou seja, ela é a felicidade de todos os cidadãos atingida pela boa direção da alma de cada um. Resposta da questão 38: [E] A ideia de justiça é fundamental dentro da filosofia aristotélica, sendo, na concepção desse filósofo, uma virtude associada às relações entre os indivíduos da polis. Para Aristóteles, a justiça é relativa à ação correta de um indivíduo em relação à outro a partir da noção de uma justiça distributiva baseada na equidade, cujo fundamento básico é a distribuição à cada um daquilo que lhe é proporcional de acordo com seu mérito individual. Dessa forma, justo é aquilo que é proporcional, sendo tudo o que recebido em excesso ou em pobreza, injusto. Resposta da questão 39: [A] A resposta para esta questão encontra-se no próprio texto do enunciado. A afirmação de que “a união reúne as qualidades de cada um” está em nítida relação com a alternativa [A], a única alternativa correta. Vale ressaltar que a proposta política de Aristóteles pode ser considerada como o inverso da visão platônica. Resposta da questão 40: [B] Segundo Aristóteles, a diferença básica entre a história e a poesia é que a primeira trata de acontecimentos particulares, que já ocorreram, enquanto que a poesia trata do universal, do que poderia ocorrer. É por esse mesmo motivo que a poesia é considerada superior à história.