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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – CAMPUS MACAÉ 
PSICOLOGIA 
 
 
TÓPICO ESPECIAL EM PSICOLOGIA E PROCESSOS CLÍNICOS I 
PROF. ODITON AZEVEDO 
 
 
 
 
AV1 – PERGUNTA E RESPOSTA SOBRE DEPRESSÃO 
 
 
 
 
 
TATIANE SANTOS OLIVEIRA 
201301137154 
 
 
 
 
 
 
 
 
MACAÉ, 2017 
2 
 
Diante da restrição de possibilidades de exploração de identidade e de 
preparação para o futuro profissional, a gravidez na adolescência é vista como uma 
situação de risco biopsicossocial. Discorra brevemente sobre a depressão em 
adolescentes grávidas e seus fatores de risco. 
 
No Brasil, o fenômeno da gestação na adolescência tornou-se mais visível com o 
aumento da proporção de nascimentos em mães menores de 20 anos que se observou a 
partir dos anos 2000. Sendo a adolescência considerada um período de transição entre a 
infância e a vida adulta, onde a preparação para o trabalho e a construção de um senso 
pessoal de identidade seriam elementos centrais, a gravidez nesta etapa da vida tornou-se 
uma questão de saúde pública (DIAS e TEIXEIRA, 2010). No Brasil, a gravidez é a 
primeira causa de internações de adolescentes (10 a 19 anos), e cerca de um quarto do total 
de partos feitos no país é desta população (PEREIRA e LOVISI, 2008). 
A gestação em adolescentes é caracterizada como uma gestação de risco, devido às 
características fisiológicas e psicológicas da adolescência. Há evidências de que gestantes 
adolescentes podem sofrer mais intercorrências médicas durante e após gravidez que 
gestantes de outras faixas etárias. Além disso, este fenômeno alcança muitos e diferentes 
âmbitos do desenvolvimento psicossocial da jovem ao provocar mudanças (não 
necessariamente negativas) nas formas de se relacionar com seus familiares, com o pai da 
criança, e consigo mesma (OLIVEIRA-MONTEIRO et al, 2011). 
Segundo Pereira e Lovisi (2008), se o período de gestação nem sempre é marcado 
por alegrias e realizações mesmo em mulheres adultas e que desejaram a gravidez, em 
adolescentes o quadro tende a ser pior. A gestação e o pós-parto são períodos da vida da 
mulher que envolvem inúmeras alterações físicas, hormonais, psíquicas e de inserção 
social, as quais podem refletir diretamente em sua saúde mental. A depressão, um sério 
problema de saúde publica que atinge cerca de 154 milhões de pessoas no mundo todo, é o 
transtorno mental mais frequente durante a gravidez e o período puerperal, com cerca de 
um quinto das mulheres nestes períodos apresentando o transtorno. Contudo, a frequência 
de depressão tende a ser mais alta entre as grávidas adolescentes do que em gestantes 
adultas. 
A depressão durante a gestação pode afetar também a saúde do bebê, causando a 
prematuridade, o baixo peso ao nascer e problemas no desenvolvimento da criança. 
Mulheres com quadros depressivos não tratados durante a gravidez tendem a diminuir sua 
3 
 
frequência nas consultas pré-natais, o que tem sido fortemente associado à mortalidade 
neonatal. Além disso, aumentam o risco de exporem-se a tabaco, álcool e outras drogas. 
Os fatores de risco relacionados à depressão em gestantes adolescentes podem ser 
vários. Pereira et al (2010) citam: antecedentes psiquiátricos, principalmente história 
pregressa de depressão; fatores relacionados à pobreza, como baixa renda, dependência 
financeira; baixa escolaridade, evasão escolar e desemprego; ser solteira; ausência de apoio 
social, como o familiar e o conjugal; eventos estressantes, como conflitos nos 
relacionamentos; gravidez não desejada; dependência de álcool, tabaco e outras drogas; e 
histórico de violência. 
Há estudos nacionais que revelam prevalências de 13% a 26% de depressão em 
grávidas adolescentes. Este grande intervalo entre as prevalências se dá devido a diferentes 
resultados entre vários estudos, pois eles dependem dos instrumentos utilizados em sua 
avaliação. Os estudos que seguiram critérios diagnósticos do CID-10 ou DSM-IV 
encontraram frequências abaixo de 15%. Já as pesquisas que utilizaram escalas e 
inventários para o rastreamento de sintomas depressivos encontraram prevalências 
maiores, em torno de 25% a 30%. Explica-se esta diferença pelo fato de que sintomas 
depressivos tendem a ser mais frequentes na população do que o transtorno depressivo 
propriamente dito (PEREIRA et al, 2010). 
 
 
Referências 
 
DIAS, A. C. G.; TEIXEIRA, M. A. Pereira. Gravidez na adolescência: um olhar 
sobre um fenômeno complexo. Paidéia (Ribeirão Preto), Ribeirão Preto, v. 20, n. 45, p. 
123-131, abr. 2010. Disponível em: 
. 
 
OLIVEIRA-MONTEIRO, N. R. et al. Gravidez e maternidade de adolescentes: 
fatores de risco e de proteção. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum., São Paulo, v. 21, 
n. 2, p. 198-209, 2011. Disponível em: 
. 
4 
 
 
PEREIRA, P. K. et al. Complicações obstétricas, eventos estressantes, violência e 
depressão durante a gravidez em adolescentes atendidas em unidade básica de saúde. Rev. 
psiquiatr. clín., São Paulo, v. 37, n. 5, p. 216-222, 2010. Disponível em: 
. 
 
PEREIRA, P. K.; LOVISI, G. M. Prevalência da depressão gestacional e fatores 
associados. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 35, n. 4, p. 144-153, 2008. Disponível em: 
.

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