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Poder Judiciário TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO APELAÇÃO CÍVEL Nº 5001040-02.2023.4.04.7202/SC RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO AFONSO BRUM VAZ RELATÓRIO Cuida-se de apelação interposta pela parte autora em face da sentença, publicada em 30-08-2023 (e. 50.1), que julgou improcedente o pedido de benefício por incapacidade. Sustenta, preliminarmente, a nulidade da sentença, em face do cerceamento de defesa. No mérito, pugna pelo julgamento em perspectiva de gênero pela concessão de aposentadoria por incapacidade permanente desde 31- 01-2019 ou 15-10-2019, ou, sucessivamente, o auxílio por incapacidade temporária, sem fixar prazo para sua cessação (e. 55.1). Embora intimado, o INSS não apresentou contrarrazões. Vieram os autos a esta Corte para julgamento. É o relatório. VOTO Inicialmente, tenho que improcede a preliminar de cerceamento de defesa para realização de nova perícia com especialista, haja vista que a perícia realizada informa as condições clínicas da parte autora de forma a permitir ao juízo condições de examinar a demanda com segurança em conjunto com os demais elementos probatórios. Ademais, cabe referir que o entendimento desta Corte é no sentido de que, em regra, mesmo que o perito nomeado pelo Juízo não seja expert na área específica de diagnóstico e tratamento da doença em discussão, não haveria de se declarar a nulidade da prova por se tratar de profissional médico e, portanto, com formação adequada à apreciação do caso. Não há motivo, portanto, para cogitar de anulação do laudo, que cumpriu sua função na instrução do feito. Vale lembrar, ainda, o que dizem os artigos 370 e 371 do NCPC: Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. (grifei) Assim, a produção da prova é determinada pelo juízo para construção de seu convencimento a respeito da solução da demanda proposta, e, uma vez formado esse convencimento, com decisão fundamentada, não está obrigado o magistrado a proceder à dilação probatória meramente por inconformidade de uma das partes, mormente quando tal insatisfação diz respeito precipuamente ao mérito. De outro modo, consoante muito bem referiu o julgador a quo, a parte autora, intimada a esclarecer em qual especialidade médica desejava a realização da perícia judicial (evento 7, DESPADEC1), concordou que o exame fosse agendado com clínico geral (evento 10, PET1), não podendo, agora, alegar que "apenas perícia com médicos especialistas podem contribuir para o alcance do bom direito e a justiça social" (sic - evento 48, PET1, fl. 3). Com efeito, está assentado na jurisprudência deste Colegiado (TRF4, AC nº 5022958-23.2017.404.9999, Rel. Des. Federal CELSO KIPPER, unânime, JUNTADO AOS AUTOS EM 27/10/2017), que a simples discordância da parte com a conclusão apresentada pelo experto não é motivo suficiente para nomeação de outro perito e a realização de novo laudo técnico, nem caracteriza cerceamento de defesa. Rejeito, pois, a preliminar. No mérito, observo que foi elaborada, em 05-05-2023, perícia médica pela Dra. Isabel Cristina Muller Amorin, médica do trabalho (e. 31.1): Formação técnico-profissional: Cursou o ensino médio completo Última atividade exercida: Agricultora Tarefas/funções exigidas para o desempenho da atividade: Plantio de soja e vacas leiteiras Por quanto tempo exerceu a última atividade? 21 anos Até quando exerceu a última atividade? Permanece trabalhando em algumas atividades Já foi submetido(a) a reabilitação profissional? NÃO Experiências laborais anteriores: Auxiliar de produção em fábrica de biscoito, vendedora lojista Motivo alegado da incapacidade: Depressão e lombalgia Histórico/anamnese: A autora é casada há 21 anos, seu marido é agricultor (está afastado por neoplasia hepática). Tem 03 filhos de 20, 18 e 17 anos. Mora com o esposo e os filhos em zona rural. Nega tabagismo e etilismo Nega atividades físicas. É portadora de hipertensão arterial em tratamento com Losartana e Hidroclorotiazida há 7 anos. É diabética em tratamento com metformina há cerca de 01 ano e meio. Faz uso de isoflavona para climatério e desvenlafaxina para depressão. Fez histerectomia. Refere lombalgia importante, está fazendo tratamento no posto de saúde. Refere sintomas depressivos que pioraram após a doença do marido. permanece trabalhando em atividades habituais, e esta cuidando do marido. Tem várias queixas do marido que é agressivo, que a ameaça de agressão física a ela e aos filhos. Documentos médicos analisados: Exames Complementares: a) Função Pulmonar: Realizado em 31/08/2022. Distúrbio ventilatório misto. Disturbio ventilatório obstrutivo em pequenas vias aéreas. Prova broncodilatadora positiva. Oximetria de pulo 95%. Atestados Médicos: a) Em 04/05/2022: atestado médico que está realizando fisioterapia, emitido Dra. Gabriela Rodrigues Gonçalves, CREFITO 291716-F. b) Em 20/09/2022: atestado médico de 90 dias de afastamento, CID F33.2, emitido Dr. Hoppalon Bader, CRMSC: (ilegível). c) Em 27/09/2022: atestado médico de 60 dias de afastamento, CID F32.2, emitido Dra. Tissiana M. F. Muller Posser, CRMSC: 22925. d) Em 07/11/2022: atestado médico por tempo indeterminado de afastamento, CID F33, emitido Dra. Fabieli Schneider, CRM: 16943. e) Em 22/11/2022: atestado médico de afastamento, CID F33, emitido Dra. Tissiana M. F. Muller Posser, CRMSC: 22925. Exame físico/do estado mental: Apresenta-se em bom estado geral, Exame Psíquico: Aparência: Paciente vestida adequadamente para ocasião e clima. Demonstra cuidado com higiene pessoal. Com atitudes adequadas Consciência: Normovigil Orientação: Orientada alo e autopsiquicamente (orientada quanto ao ambiente e em relação a si própria Atenção: Normotenaz Memória: Sem prejuízos Inteligência: Não avaliada formalmente Linguagem: Fluência sem alterações; Prosódia: sem alterações; Latência das respostas: sem alterações Pensamento: Curso: normal; Forma: sem alterações; Conteúdo: preservado Sensopercepção: Sem alterações Afetividade: Humor: eutimico; afeto: modulado Volição: Preservada Juízo de morbidade: presente Prospecção: Presente (tem planos para o futuro) Peso: 97 Altura: 1,49 m Deambulando normalmente. Senta e levanta da cadeira sem dificuldades. Despe-se para o exame físico sem auxílio. Membros superiores: sem sinais de atrofias ou distrofias musculares. Sem sinais de desuso muscular. Força de membros superiores presentes e simétricos. Membros Inferiores: Sem atrofias e distrofias musculares. Sem sinais de desuso muscular Eixo vertebral preservado. Ritmo lombo pélvico mantido. Reflexos presentes e simétricos. Força de membros inferiores preservadas e simétricas. Manobras especificas para a coluna Vertebral: Teste de Lasègue: negativo Teste de Kerning: negativo Diagnóstico/CID: - F33 - Transtorno depressivo recorrente - M54 - Dorsalgia Causa provável do diagnóstico (congênita, degenerativa, hereditária, adquirida, inerente à faixa etária, idiopática, acidentária, etc.): Adquirida A doença, moléstia ou lesão decorre do trabalho exercido ou de acidente de trabalho? NÃO O(a) autor(a) é acometido(a) de alguma das seguintes doenças ou afecções: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget (oesteíte deformante), S.I.D.A., contaminação por radiação ou hepatopatia grave? NÃO DID - Data provável de Início da Doença: 01/09/2022 O(a) autor(a) realiza e coopera com a efetivação do tratamento adequado ou fornecido pelo SUS para sua patologia? SIM Em caso de recebimento prévio de benefício por incapacidade, o tratamento foimantido durante a vigência do benefício? SIM Observações sobre o tratamento: Conclusão: sem incapacidade atual - Justificativa: Pericianda relata sintomas depressivos compensados. Sem sinais objetivos que determinem incapacidade laboral Diante disso, sobreveio sentença julgando improcedente a demanda (e. 50.1): No caso dos autos, não restou demonstrada a incapacidade laboral do(a) demandante, conforme se deduz da prova pericial produzida em juízo (evento 31, LAUDOPERIC1 e evento 45, LAUDOPERIC1). Assim, estando o(a) autor(a) apto(a) ao trabalho, não há cogitar a concessão do(s) benefício(s) postulado(s) na inicial.Ressalte-se que as conclusões da prova pericial não foram obtidas de modo aleatório, mas pautadas em avaliação clínica, laudo(s) médico(s) e/ou exame(s) complementar(es), apresentando a devida fundamentação de que a parte autora pode, efetivamente, trabalhar. Eventual discordância do(a) demandante em relação a tais conclusões não infirma o(s) laudo(s) do(s) perito(s), tampouco determina a realização de nova(s) avaliação(ões) técnica(s) pelo(s) mesmo(s) ou por outro(s) profissional(is). [...] Registre-se, outrossim, que o juiz deve "assegurar às partes igualdade de tratamento" (art. 139, inc. I, do CPC), não podendo, em regra, priorizar laudos e atestados médicos particulares em detrimento da perícia oficial, realizada por profissional de sua confiança e equidistante dos interesses envolvidos no processo. [...]Peço vênia para divergir da solução adotada pelo julgador a quo, pois, não obstante as considerações esposadas pelo expert, sabe-se que o juízo não está adstrito às conclusões do laudo médico pericial, nos termos do artigo 479 do CPC, podendo discordar, fundamentadamente, das conclusões do perito em razão dos demais elementos probatórios coligidos aos autos. Pois bem. No caso em tela, além da obesidade grau II da segurada, evidenciada pelos indicadores da perícia judicial (Peso: 97 Kg e Altura 1,49m, IMC 43,69), a parte autora juntou aos autos a documentação clínica que não deixa dúvidas acerca da violência doméstica vivenciada e acompanhada nas unidades do SUS (Sistema Única de Saúde) ao menos desde o segundo semestre de 2022 (e. 1.8): Ora, o Conselho Nacional de Justiça preconiza o julgamento em perspectiva de gênero em matéria previdenciária1: A percepção que envolve o posicionamento das atividades de reprodução social como suficientes à realização laboral das mulheres tem consequências em termos de acesso a benefícios por incapacidade parcial ou total, como auxílio- doença ou aposentadoria por invalidez, ou mesmo de acesso ao Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social. Como é de praxe em casos envolvendo incapacidade, a controvérsia suscita a necessidade de avaliação pericial. No entanto, é comum o perito, à luz da condição de trabalhadora doméstica (comumente designada como sendo “do lar”), posicionar a mulher como capacitada. A despeito de o mal que a aflige impossibilitá-la de exercer outras ocupações, utiliza-se muitas vezes o argumento de que elas ainda estariam aptas a realizar afazeres domésticos e de cuidado. Esse mesmo argumento, entretanto, não encontra lugar quando o incapacitado para realizar atividades outras é homem. Há a necessidade, portanto, de que o Poder Judiciário seja sensível a essa circunstância, perquirindo se a capacidade aferida mediante prova pericial se restringe ao âmbito das atividades de reprodução social. Caso assim o seja, de maneira que a mulher persista incapaz para atividades no âmbito da produção social (mercado de trabalho), é fundamental o reconhecimento quanto à sua incapacidade, uma vez o conceito de realização laboral da mulher não poder ser restringido ao círculo de atividades domésticas. [...] A massividade da judicialização da previdência deve ser compreendida como elemento que favorece a utilização de categorias e estereótipos nas audiências e decisões judiciais, os quais são conformados por vieses de raça e gênero. Ademais, o INSS poderá ajuizar ação regressiva contra os responsáveis pela violência doméstica, consoante preclara disposição do artigo 120, inciso II, da Lei 8.213/91: Art. 120. A Previdência Social ajuizará ação regressiva contra os responsáveis nos casos de: (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019) I - negligência quanto às normas padrão de segurança e higiene do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva; (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019) II - violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019) Art. 121. O pagamento de prestações pela Previdência Social em decorrência dos casos previstos nos incisos I e II do caput do art. 120 desta Lei não exclui a responsabilidade civil da empresa, no caso do inciso I, ou do responsável pela violência doméstica e familiar, no caso do inciso II. (Redação dada pela Lei nº 13.846, de 2019) De outra banda, devem ser observadas as diretrizes dos enunciados 21, 27 e 28 da I Jornada de Direito da Seguridade Social do Conselho da Justiça Federal (CJF): ENUNCIADO 21: Quando demonstrada a presença de várias patologias, a circunstância de individualmente não serem consideradas incapacitantes não afasta a possibilidade de, numa visão sistêmica, conduzirem à impossibilidade, temporária ou definitiva, do desempenho de atividade laborativa. ENUNCIADO 27: Com base no princípio da precaução, entendendo o perito que há riscos ocupacionais suscetíveis de agravar a condição clínica do segurado e riscos potenciais para este e para terceiros, caso seja mantido o labor, deve considerá-lo incapaz para fins previdenciários. ENUNCIADO 28: A incapacidade para fins previdenciários é aquela em relação à atividade habitual do periciado, devendo o perito fazer o registro das informações declaradas pelo segurado de forma a caracterizar adequadamente a rotina de trabalho, suas tarefas e exigências profissionais inerentes. ENUNCIADO 47: Em ações judiciais que versem sobre benefícios previdenciários, especialmente quando figurarem no polo ativo mulheres seguradas trabalhadoras rurais, donas de casa, empregadas domésticas e faxineiras, na valoração da prova, inclusive de laudos médicos, além da observância do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça, previsto na Resolução CNJ n. 492/2023, as julgadoras e os julgadores devem rechaçar conclusões que tratem das atividades domésticas e de cuidado como improdutivas ou como tarefas leves, isto é, como se não demandassem esforço físico médio ou intenso. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13846.htm#art24 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13846.htm#art24 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13846.htm#art24 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13846.htm#art24 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13846.htm#art24 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13846.htm#art24 Diante desse contexto de violência doméstica, é forçoso reconhecer que não subsiste a conclusão pericial pela aptidão laboral verificada na espécie. Ao contrário, revela-se imprescindível a concessão da prestação previdenciária requestada, inclusive como forma de viabilizar a emancipação feminina, assegurando condições econômicas para libertar a mulher do relacionamento abusivo a que se encontra submetida. Nesse sentido, recentemente, este Colegiado referendou decisão do juízo especializado em violência doméstica e familiar, que ao aplicar a medida protetiva de urgência do art. 9º, § 2º, II, da Lei nº 11.340/06 determinou, por analogia, a incidência das regras do auxílio-doença - como forma de operacionalização da medida e suprimento da omissão Estatal quanto ao ponto -, não está eivada de manifesta ilegalidade, abusode poder ou teratologia, mas, ao contrário, resta devidamente amparada na jurisprudência pátria sobre o tema. (MS nº 5035678-02.2024.4.04.0000, 9ª Turma, Rel. para acórdão Juiz Federal JOSÉ ANTONIO SAVARIS, por maioria, j. 13-03-2025). Portanto, ainda que o laudo pericial realizado tenha concluído pela aptidão laboral da parte autora, a confirmação da existência da moléstia incapacitante referida na exordial (depressão proveniente de violência doméstica, obesidade e dorsalgia), corroborada pela documentação clínica, associada às suas condições pessoais - habilitação profissional (agricultora) e idade atual (45 anos de idade) - demonstra a efetiva incapacidade temporária para o exercício da atividade profissional, o que enseja, indubitavelmente, a concessão de auxílio por incapacidade temporária, desde 30-09-2022 (DER do NB 640.886.261-0), no qual reportados problemas psiquiátricos - e.5.4 /fl. 04 e e. 6.1/fl. 06), o qual deverá ser mantido até ulterior reavaliação pelo INSS, a qual deve ocorrer em prazo não inferior a 1 (um) ano do presente julgamento. Dos consectários Segundo o entendimento das Turmas previdenciárias do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, estes são os critérios aplicáveis aos consectários: Correção monetária A correção monetária incidirá a contar do vencimento de cada prestação e será calculada pelos índices oficiais e aceitos na jurisprudência, quais sejam: - INPC no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91, conforme deliberação do STJ no julgamento do Tema 905 (REsp mº 1.495.146 - MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, D DE 02-03-2018), o qual resta inalterada após a conclusão do julgamento de todos os EDs opostos ao RE 870947 pelo Plenário do STF em 03-102019 (Tema 810 da repercussão geral), pois foi rejeitada a modulação dos efeitos da decisão de mérito. Juros moratórios Os juros de mora incidirão à razão de 1% (um por cento) ao mês, a contar da citação (Súmula 204 do STJ), até 29/06/2009. A partir de 30/06/2009, incidirão segundo os índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, conforme art. 5º da Lei 11.960/09, que deu nova redação ao art. 1º-F da Lei 9.494/97, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo STF ao julgar a 1ª tese do Tema 810 da repercussão geral (RE 870.947), julgado em 20/09/2017, com ata de julgamento publicada no DJe n. 216, de 22/09/2017. SELIC A partir de dezembro de 2021, a variação da SELIC passa a ser adotada no cálculo da atualização monetária e dos juros de mora, nos termos do art. 3º da Emenda Constitucional nº 113/2021: "Nas discussões e nas condenações que envolvam a Fazenda Pública, independentemente de sua natureza e para fins de atualização monetária, de remuneração do capital e de compensação da mora, inclusive do precatório, haverá a incidência, uma única vez, até o efetivo pagamento, do índice da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), acumulado mensalmente." Honorários advocatícios Invertidos os ônus sucumbenciais, estabeleço a verba honorária em 10% (dez por cento) sobre as parcelas vencidas (Súmula 111/STJ), considerando as variáveis dos incisos I a IV do § 2º do artigo 85 do CPC. Custas Processuais O INSS é isento do pagamento de custas (art. 4º, inciso I, da Lei nº 9.289/96 e Lei Complementar Estadual nº 156/97, com a redação dada pelo art. 3º da LCE nº 729/2018). Tutela específica - implantação do benefício Considerando a eficácia mandamental dos provimentos fundados nos artigos 497 e 536 do NCPC, quando dirigidos à Administração Pública, e tendo em vista que a presente decisão não está sujeita, em princípio, a recurso com efeito suspensivo, determino o cumprimento do acórdão no tocante à implantação do benefício da parte autora, especialmente diante do seu caráter alimentar e da necessidade de efetivação imediata dos direitos sociais fundamentais. TABELA PARA CUMPRIMENTO PELA CEAB Cumprimento Implantar Benefício NB 6408862610 Espécie Auxílio por Incapacidade Temporária DIB 30/09/2022 DIP Primeiro dia do mês da decisão que determinou a implantação/restabelecimento do benefício DCB RMI A apurar Conferência de autenticidade emitida em 27/06/2025 11:50:37. Identificações de pessoas físicas foram ocultadas Segurado Especial Não Observações Deverá ser mantido até ulterior reavaliação pelo INSS, a qual deve ocorrer em prazo não inferior a 1 (um) ano do presente julgamento. Requisite a Secretaria da 9ª Turma, à CEAB-DJ-INSS-SR3, o cumprimento da decisão e a comprovação nos presentes autos, no prazo de 20 (vinte) dias. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar parcial provimento à apelação da parte autora, bem como determinar a imediata implantação do benefício, via CEAB. Documento eletrônico assinado por PAULO AFONSO BRUM VAZ, Desembargador Federal Relator, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40005118553v17 e do código CRC 8d29a4e0. Informações adicionais da assinatura: Signatário (a): PAULO AFONSO BRUM VAZ Data e Hora: 15/05/2025, às 17:43:57 1. (Conselho Nacional de Justiça (Brasil). Protocolo para julgamento com perspectiva de gênero [recurso eletrônico] / Conselho Nacional de Justiça. — Brasília : Conselho Nacional de Justiça – CNJ; Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados — Enfam, 2021, p. 81. Disponível em protocolo-18-10-2021-final.pdf (cnj.jus.br), acesso em 19-04-2021. 5001040-02.2023.4.04.7202 40005118553 .V17 Poder Judiciário TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO APELAÇÃO CÍVEL Nº 5001040-02.2023.4.04.7202/SC RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO AFONSO BRUM VAZ EMENTA PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE. VINCULAÇÃO RELATIVA AO LAUDO. PROVA INDICIÁRIA. CONDIÇÕES PESSOAIS. DEPRESSÃO RELACIONADA À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. OBESIDADE. DORSALGIA. AGRICULTORA. JULGAMENTO EM PERSPECTIVA DE GÊNERO. AUXÍLIO POR INCAPACIDADE TEMPORÁRIA CONCEDIDO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. O juízo não está adstrito às conclusões do laudo médico pericial, nos termos do artigo 479 do CPC, podendo discordar, fundamentadamente, das conclusões do perito, em razão dos demais elementos probatórios coligidos aos autos. 2. Hipótese em que o acervo probatório permite relativizar as conclusões do jusperito para conceder auxílio por incapacidade temporária, em decorrência de comorbidades (depressão relacionada à violência doméstica, obesidade e dorsalgia), a segurada que atua profissionalmente como agricultora. 3. Constatada violência doméstica, revela-se imprescindível a concessão da prestação previdenciária adequada, inclusive como forma de viabilizar a emancipação feminina, assegurando condições econômicas para libertar a mulher do relacionamento abusivo a que se encontra submetida. 4. Recurso parcialmente provido para reformar a sentença e conceder o benefício desde o terceiro requerimento na esfera administrativa. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 9ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da parte autora, bem como determinar a imediata implantação do benefício, via CEAB, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Florianópolis, 14 de maio de 2025. Documento eletrônico assinado por PAULO AFONSO BRUM VAZ, Desembargador Federal Relator, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40005118554v8 e do código CRC 465bfbfa.Informações adicionais da assinatura: Signatário (a): PAULO AFONSO BRUM VAZ Data e Hora: 15/05/2025, às 17:43:57 5001040-02.2023.4.04.7202 40005118554 .V8 Conferência de autenticidade emitida em 27/06/2025 11:50:37. Identificações de pessoas físicas foram ocultadas Conferência de autenticidade emitida em 27/06/2025 11:50:37. Identificações de pessoas físicas foram ocultadas Poder Judiciário TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO EXTRATO DE ATA DA SESSÃO VIRTUAL DE 07/05/2025 A 14/05/2025 APELAÇÃO CÍVEL Nº 5001040-02.2023.4.04.7202/SC RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO AFONSO BRUM VAZ PRESIDENTE: DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO AFONSO BRUM VAZ PROCURADOR(A): WALDIR ALVES Certifico que este processo foi incluído na Pauta da Sessão Virtual, realizada no período de 07/05/2025, às 00:00, a 14/05/2025, às 16:00, na sequência 458, disponibilizada no DE de 25/04/2025. Certifico que a 9ª Turma, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, proferiu a seguinte decisão: A 9ª TURMA DECIDIU, POR UNANIMIDADE, DAR PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO DA PARTE AUTORA, BEM COMO DETERMINAR A IMEDIATA IMPLANTAÇÃO DO BENEFÍCIO, VIA CEAB. RELATOR DO ACÓRDÃO: DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO AFONSO BRUM VAZ VOTANTE: DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO AFONSO BRUM VAZ VOTANTE: DESEMBARGADOR FEDERAL CELSO KIPPER VOTANTE: DESEMBARGADOR FEDERAL SEBASTIÃO OGÊ MUNIZ ALEXSANDRA FERNANDES DE MACEDO Secretária