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O PACTO NACIONAL
O Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial consiste 
na adoção de programas, projetos e iniciativas a serem de-
senvolvidas em todos os segmentos da Justiça e em todos 
os graus de jurisdição, com o objetivo de combater e corrigir 
as desigualdades raciais, por meio de medidas afirmativas, 
compensatórias e reparatórias, para eliminação do racismo 
estrutural no âmbito do Poder Judiciário.
O Pacto Nacional tem por objetivo central o fortalecimen-
to de uma cultura pela equidade racial no Poder Judiciário, 
a partir de um agir consciente, intencional e responsável, 
visando à desarticulação do racismo estrutural por meio 
da adoção de medidas específicas e concretas, de caráter 
temporário, que assegurem a representação e o desenvol-
vimento de grupos raciais historicamente privados de con-
dições de igualdade de oportunidades.
PREMISSAS 
NORMATIVAS DO PACTO
Este Pacto, que se apresenta no contexto da proclamada Década 
Internacional de Afrodescendentes (2015-2024) pela Organização 
das Nações Unidas (ONU), está pautado sob as premissas dos mais 
importantes instrumentos internacionais de Direitos Humanos, dos 
quais o Brasil é signatário, como a Convenção Internacional sobre 
a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial (Decreto 
n. 65.810/1969), a Convenção n. 111 da Organização Internacional 
do Trabalho (OIT) sobre Discriminação em matéria de Emprego e 
Profissão e a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Dis-
criminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância (Decreto n. 
10.932/2022). Ademais, a Constituição Federal de 1988 estabele-
ce, como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, 
a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, 
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Em sede de legislação infraconstitucional, o Estatuto da Igualdade 
Racial (Lei n. 12.288/2010) determina, em seu caput e §2º do artigo 
39, que o poder público deverá promover ações que assegurem a 
igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a popu-
lação negra, inclusive mediante a implementação de medidas vi-
sando à promoção da igualdade nas contratações do setor público. 
Prevê-se, ainda, que as ações visando a promover a igualdade de 
oportunidades na esfera da administração pública far-se-ão por 
meio de normas estabelecidas ou a serem estabelecidas em legis-
lação específica e em seus regulamentos.
O CENÁRIO NO 
PODER JUDICIÁRIO
No ano de 2015, o Conselho Nacional de Justiça aprovou a Resolu-
ção CNJ n. 203, que dispõe sobre a reserva de vagas aos negros, no 
âmbito do Poder Judiciário. Em 2020, para lastrear uma intervenção 
nacional mais ampliada, o CNJ instituiu Grupo de Trabalho (GT), por 
meio da Portaria n. 108/2020, destinado à elaboração de estudos 
e indicação de soluções com vistas à formulação de políticas ju-
diciárias sobre a igualdade racial no âmbito do Poder Judiciário, e 
contou com o aporte de acadêmicos(as) e representantes da so-
ciedade civil.
O fruto desse trabalho foi consolidado no Relatório para a Igualdade 
Racial no Judiciário, que, além de variadas ações propostas, proje-
tou, a partir de pesquisa realizada, que apenas no ano 2044 haverá 
o atingimento de, pelo menos, 22% dos cargos da magistratura de 
todos os tribunais brasileiros ocupados por magistradas e magis-
trados negros.
Nesse contexto, o Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial 
surge como compromisso formal e solidário dos tribunais brasi-
leiros pelo cumprimento de diversas normas e jurisprudências in-
ternacionais e nacionais pela igualdade racial no seio do Judiciário 
brasileiro.
O QUE PACTUAMOS
Para a transformação do cenário de desigualdade e da cultura insti-
tucional permeável a práticas naturalizadas de racismo estrutural, 
este Pacto busca estabelecer o compromisso do Poder Judiciário 
de adotar medidas de igualdade, equidade, inclusão, combate e 
prevenção ao racismo estrutural e institucional sob os seguintes 
eixos de atuação:
Eixo 1 – Promoção da equidade racial no Poder Judiciário 
 � Fomento à representatividade racial no Judiciário;
 � Regulamentação de Comissões de Heteroidentificação nos 
Tribunais;
Eixo 2 – Desarticulação do racismo institucional
 � Formação inicial e continuada de magistrados em questões 
raciais;
 � Ações de prevenção e combate à discriminação racial no âmbito 
do Judiciário;
Eixo 3 – Sistematização dos dados raciais do Poder Judiciário
 � Aperfeiçoamento da gestão dos bancos de dados visando 
à devida e necessária implementação de politicas públicas 
judiciárias de equidade racial baseadas em evidências.
Eixo 4 – Articulação interinstitucional e social para a garantia 
de cultura antirracista na atuação do Poder Judiciário
 � Adoção e compartilhamento de práticas e ações voltadas à 
correção das desigualdades raciais, ampliando a capacidade do 
Poder Judiciário de diálogo com os demais órgãos do Sistema 
de Justiça e de interlocução com os movimentos sociais 
organizados.

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