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Universidade Estadual de Feira de Santana
Departamento de Saúde
Curso: Odontologia
Componente curricular: Odontologia para pacientes especiais - OPNE
Docentes: Marcio Campos, Jener Farias, Maria Emilia Ramos e Thais Feitosa
Discente: Ramilly Santos Silva
Odontologia para pacientes especiais
AULA 1
Objetivos: Apresentação da disciplina, conceitos sobre pacientes especiais, classificação, manejo do paciente PNE, tipos de atendimento (ambulatorial, domiciliar e hospitalar).
CONCEITO:
Prática voltada para todo usuário, com uma ou mais limitações, temporárias ou permanentes, que necessite de uma atenção odontológica diferenciada, estabelecendo “como pilares a empatia, o acolhimento, o compromisso para com o outro e com a evidência científica”. 
 
A PNE foi configurada como uma especialidade da Odontologia a partir de 2001. 
Pessoas com deficiência são aqueles que têm impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. (ONU, 2011.
CONTEXTO HISTÓRICO
Historicamente, os pacientes especiais não possuíam suporte, eram totalmente excluídos, escondidos ou abandonados. Ainda há segregação em espaços específicos, separados por deficiência.
PNE
A PNE é uma odontologia jovem, com apenas 19 anos, é uma especialidade que necessita de uma atenção odontológica diferenciada, estabelecendo a empatia, o acolhimento e o compromisso para com o outro e com a evidência científica. 
A rede de cuidados à pessoa com deficiência – RCPD determina que as pessoas com deficiência devem ter acesso à educação, inclusão social, atenção à saúde e acessibilidade. Ademais, o cirurgião-dentista foi comtemplando desde o início como profissional indispensável ao tratamento de pacientes com necessidades especiais. 
A ODONTOLOGIA PARA PACIENTES ESPECIAIS CONTEMPLA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (PcD) E GRUPOS ESPECIAIS
CLASSIFICAÇÃODAS NECESSIDADES ESPECIAIS SEGUNDO A IADH (Internacional of Dentistry for Disabilities and Oral Health)
Desvios de Inteligência
Superdotados
Normal (QI: 70)
Limítrofe
Infradotado
Deficiente Mental
Desvios físicos
- Afetam o SNS: Paralisia infantil, Acidente vascular cerebral, Doença de Parkinson
- Afetam o SNP: Paralisia infantil
- Afetam o sistema neuromuscular:
Distrofia muscular progressiva, Miastemia grave
- Afetam o sistema esquelético:
Artrite, Escoliose, Malformações congênitas
Desvios de comportamento
Disfunção cerebral mínima
Medo, ansiedade, birra, timidez, agressividade
Autismo
Desvios psíquicos
- Neuroses: Claustrofobia
- Psicoses: Esquizofrenia, 
bipolaridade
Deficiências sensoriais e de autocomunicação
Distúrbios de comunicação oral
Distúrbios de autocomunicação
Distúrbios visuais
Doenças sistêmicas
Hemopatias
Cardiopatias
Nefropatias
Pneumopatias
Transtornos convulsivos
Neoplasias
AIDS
Doenças endócrino metabólicas
Hiper ou hipofunção das glândulas
Hipofunção do pâncreas – Diabetes melito
Desvios sociais
Favelados
Alcoolistas
Toxicômanos
Asilados
Estados fisiológicos especiais
Gestantes
Idosos
É importante que os profissionais de saúde devam estar desprovidos de preconceitos, atendendo a todos os indivíduos, evitando a exclusão daqueles que têm algo que os diferencia dos demais.
CONDUTAS
É importante envolver a família e/ou cuidadores no tratamento como facilitadores e entender lidar bem com a situação diferenciada no atendimento. 
Dessa forma, a abordagem do profissional deve ser feita baseado ao estado emocional, neurológico, fisiológico modificado ou moléstia sistêmica. 
TÉCNICAS DE MANEJO 
Educacionais, procedimentos de ajuda, contenção física e contenção química (técnicas farmacológicas).
Ambulatório com intervenção comportamental, estabilização, sedação consciente e ambiente hospitalar sob anestesia geral.
Técnicas de manejo educacionais através da comunicação e comportamental
- Falar-Mostrar-Fazer
- Modelagem
- Controle de voz
- Distração
- Facilitadores (Abridor de boca de metal – Moulth, espátulas de madeira, afastador de bochecha e abridores de boca) 
Obs: Pode ser feita a confecção de abridor de boca com espátulas de madeira ou sugadores espilhadas enrolados com uma fita adesiva.
Métodos de estabilização
Física: Usado para pacientes com movimentos involuntários, constantes e com desordens que impedem seu posicionamento na cadeira odontológica, pacientes mentais que não colaboram ou paralíticos cerebrais atetóides globais. 
Algumas técnicas:
- Terapia do abraço (Criança no colo da mãe, técnica joelho com joelho, mão posicionada ao lado da criança, mãe sentada em sela: as pernas da criança se abrem na cintura).
- Estabilização física mecânica (Macri, cadeiras, estabilizador de Godoy, colar cervical e almofada, faixas)
Obs: Algumas condições que utilizam estabilização são: Distúrbio neuromotor, síndromes genéticas, mal de Parkinson, deficiência mental...
Há comprometidos da mobilidade que precisa de atenção quanto ao posicionamento na cadeira odontológica, entre eles: Amputados de membros inferiores, plegias (paralisia) e paresias (déficit força ou fraqueza muscular, alteração da coordenação motora)
Química: Técnicas farmacológicas: Sedação oral, venosa, analgesia (N2O/O2) e anestesia geral. 
 Obs: Deve-se considerar a cooperação, drogas em uso família e procedimentos ao realizar a escolha. 
- Sedação: Controle na ansiedade.
Drogas mais utilizadas: Benzodiazepínicos, sedativos-hipnóticos, anti-histamínicos, opioides, neurolépticos e propofol.
Obs: Os benzodiazepínicos são os mais eficientes, pois contribuem com a diminuição do metabolismo basal, retardando a absorção dos anestésicos locais, relaxamento da musculatura, redução do fluxo salivar e do reflexo de vômito, indução de amnésia retrógada e manutenção da PA e glicemia, prevenção da lipotimia.
O óxido nitroso é um gás usado em combinação com oxigênio puro que reduz a ansiedade. Quando inalado e absorvido pelo corpo, promove uma calma natural durante todo o procedimento odontológico.
Na sedação consciente a respiração é espontânea, com reflexos involuntários inalterados, respondendo normalmente a comandos verbais e estímulos físicos. 
Segundo o CFO, o cirurgião-dentista pode operar pacientes submetidos a qualquer um dos meios de anestesia geral, desde que acompanhado pelo médico anestesista e em ambiente hospitalar ou que disponha de indispensáveis condições comuns ao ambiente cirúrgico. 
Obs: Deve-se atentar aos perigos ao uso da anestesia geral: Dentista não preparado para emergência, consultório não preparado, anamnese deficiente, paciente não monitorado e excesso de sedativo. 
A estabilização física ou química somente deve ser feita como recurso terapêutico, diante da ineficiência dos métodos psicológicos disponíveis para trabalhar o paciente na adequação ao tratamento odontológico realizado de forma convencional. 
PLANO DE TRATAMENTO
A moléstia de base pode determinar e/ou adequar o plano e o curso do tratamento. 
1. Anamnese
2. Exame clínico (se possível)
3. Avaliação médica
4. Avaliação laboratorial
É importante haver o TCLE – Autorização por escrito pelo responsável para realização do procedimento.
Obs: A avaliação clínica é de extrema importância para identificar as medicações prévias ao tratamento, os medicamentos contraindicados ou que devem ter as doses ajustadas, e se há alteração bucal decorrente do uso contínuode algum medicamento. 
CLASSIFICAÇÃO DO ESTADO FÍSICO
ASA I - Paciente com saúde normal, exceto a patologia
ASA II - Paciente com doença sistêmica leve. Distúrbio sistêmico moderado por patologia geral ou cirúrgica. 
ASA III – Paciente com doença sistêmica grave não incapacitante, distúrbio sistêmico severo ou patologia geral ou cirúrgica.
ASA IV – Paciente com doença sistêmica que é uma constante à vida. 
ASA V – Paciente moribundo que não se espera que sobreviva sem cirugia. 
ASA VI – Paciente com morte cerebral declarada cujos órgãos estão sendo removidos por doação.

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