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1 Diga, em até 10 linhas, se é permitido ao juiz condenar alguém utilizando- se de tipificação legal diversa da citada pelo órgão acusador na denúncia. Em tal caso, estaria o magistrado violando a proibição de julgamento ultra petita? RESPOSTA: Sim, em regra, o juiz pode dar ao fato definição jurídica diversa da acusação, sem violar o princípio da correlação entre acusação e sentença. Essa possibilidade se manifesta através da emendatio libelli (art. 383 do CPP), onde o fato narrado na denúncia permite nova classificação jurídica. Contudo, essa alteração não pode modificar a descrição do fato delituoso presente na acusação. A condenação por crime diverso, desde que o réu tenha se defendido dos fatos imputados, não implica julgamento ultra petita. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm Lima, Rodrigo José Dantas. Direito Processual Penal - Série manuais de direito. Belo Horizonte, Ed. Casa do Direito, 2023. AVENA, Norberto. Processo Penal. Método: 2018 BRASILEIRO, Renato de Lima. Manual de Processo Penal: volume único. JusPoDIVM: São Paulo, 2021 2 Discorra, em até 10 linhas, sobre a possibilidade de uso da analogia in malam partem (maléfica) no direito processual penal. RESPOSTA: A analogia in malam partem (analogia maléfica) é vedada no direito processual penal brasileiro, em consonância com o princípio da legalidade estrita Esse princípio exige que a lei defina taxativamente as condutas criminosas e as respectivas sanções, impedindo a criação de crimes ou o agravamento de penas por meio da analogia. Embora a analogia possa ser utilizada para fins de interpretação de normas processuais penais, sua aplicação não pode resultar em prejuízo para o acusado, como a instituição de novas obrigações, restrições ou a ampliação da punibilidade. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA Lima, Rodrigo José Dantas. Direito Processual Penal - Série manuais de direito. Belo Horizonte, Ed. Casa do Direito, 2023. CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 28ª ed. Saraiva, 2021 NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Processo Penal e Execução Penal. 14ª ed. Forense, 2017 3 Discorra, em até 10 linhas, sobre a sistemática de arquivamento do inquérito policial, à luz do pacote anticrime e da decisão do STF sobre o tema. RESPOSTA: O Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) alterou a sistemática do arquivamento do inquérito policial, estabelecendo que a decisão de arquivamento pelo Ministério Público deve ser homologada pelo juízo competente (art. 28 do CPP). Caso o juiz discorde do arquivamento, deve remeter o caso ao Procurador-Geral de Justiça. O STF, no julgamento do RE 593.727, reforçou a necessidade de controle judicial do arquivamento para garantir a legalidade e evitar abuso de poder. Ademais, o arquivamento pode ser revisto se surgirem novas provas, não configurando coisa julgada material. A sistemática de arquivamento do inquérito policial, após o Pacote Anticrime (Lei 13.964/19), foi significativamente alterada. A competência para requerer o arquivamento passou a ser do Ministério Público. O juiz somente atuará em caso de discordância, conforme se depreende da decisão do STF sobre o tema, que referenda essa alteração, evitando o arquivamento de ofício pelo magistrado. Essa mudança reforça o papel do MP como titular da ação penal e garante maior controle sobre o destino das investigações. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA Lima, Rodrigo José Dantas. Direito Processual Penal - Série manuais de direito. Belo Horizonte, Ed. Casa do Direito, 2023. BRASIL. Lei nº 13.964, de 24 de dezembro de 2019. Altera a legislação penal e processual penal para tornar mais célere a persecução penal e mais eficiente o combate ao crime. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 dez. 2019. Seção 1, p. 1. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/‐/lei‐no‐13.964‐de‐24‐de‐dezembro‐de‐2019‐235414843. Acesso em: 25 mar. 2025. BRASIL. Código Penal. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Disponível em: . Acesso em: 25 mar. 2025. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 593.727. Relator: Min. Ricardo Lewandowski, 12 de maio de 2015. Brasília, DF, 2015. Disponível em: https://stf.jus.br/portal/jurisprudencia. Acesso em: 25 mar. 2025.