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INTRODU����O Da Origem do Estado Estado e seu Governo Como sabemos, todo Estado �� uma sociedade, a es- peran��a de um bem, seu princ��pio, assim como de toda associa����o, pois todas as a����es dos homens t��m por fim aquilo que consideram um bem. Todas as sociedades, portanto, t��m como meta alguma vantagem, e aquela que �� a principal e cont��m em si todas as outras se prop��e �� maior vantagem poss��vel. Chamamo-la Estado ou socie- dade pol��tica. Enganam-se OS que imaginam que O poder de um rei ou de um magistrado de Rep��blica s�� se diferencie do de um pai de fam��lia e de um senhor pelo n��mero maior de s��ditos e que n��o h�� nenhuma diferen��a espec��fica en- tre seus poderes. Segundo eles, se tem poucos s��ditos �� um senhor; se tem alguns a mais �� um pai de fam��lia; se tiver ainda mais �� um rei ou um magistrado de Rep��bli- ca. Como se n��o houvesse diferen��a entre uma grande fa- m��lia e um pequeno Estado, nem entre um rei e um ma- gistrado de Rep��blica. A distin����o seria que um rei go- verna sozinho perpetuamente, enquanto um magistrado de Rep��blica comanda e obedece alternadamente, em 1A Pol��tica Introdu����o virtude da Constitui����o. Tudo isso, por��m, �� errado, co- que s�� tem O seu uso �� O melhor para ela. Somente entre mo veremos ao examinar esta mat��ria segundo m��to- OS b��rbaros a mulher e escravo est��o no mesmo n��vel. do que usamos em nossas outras obras��. Assim, esses povos n��o t��m O atributo que importa natu- Como n��o podemos conhecer melhor as coisas com- ralmente a superioridade e sua sociedade s�� �� composta postas do que decompondo-as e analisando-as at�� seus de escravos dos dois sexos. Foi isso que fez com que mais simples elementos, comecemos por detalhar assim poeta acreditasse que Estado e por examinar a diferen��a das partes, e procu- Os gregos de direito, poder sobre b��r- remos saber se h�� uma ordem conveniente para tratar de baros, cada uma delas. como se, na natureza, b��rbaros e escravos se confundissem. A principal sociedade natural, que �� a fam��lia, for- mou-se, portanto, da dupla reuni��o do homem e da mu- A Forma����o da Cidade lher, do senhor e do escravo. O poeta Hes��odo tinha ra- z��o ao dizer que era preciso antes de tudo Nesta como em qualquer outra mat��ria, uma exce- A casa, e depois a mulber e boi lavrador, lente atitude consiste em remontar �� origem. �� preciso, j�� que O boi desempenha O papel do escravo entre OS po- inicialmente, reunir as pessoas que n��o podem passar bres. Assim, a fam��lia �� a sociedade cotidiana formada umas sem as outras, como O macho e a f��mea para a ge- pela natureza e composta de pessoas que comem, como ra����o. Esta maneira de se perpetuar n��o �� arbitr��ria e diz Carondas, O mesmo p��o e se esquentam, como diz n��o pode, na esp��cie humana assim como entre OS ani- Epim��nides de Creta, com O mesmo fogo. mais e as plantas, efetuar-se sen��o naturalmente. �� para A sociedade que em seguida se formou de v��rias ca- a m��tua conserva����o que a natureza deu a um coman- sas chama-se aldeia e se assemelha perfeitamente �� pri- do e imp��s a submiss��o ao outro. meira sociedade natural, com a diferen��a de n��o ser de Pertence tamb��m ao des��gnio da natureza que todos OS momentos, nem de uma freq��enta����o t��o con- mande quem pode, por sua intelig��ncia, tudo prover e, t��nua. Ela cont��m as crian��as e as criancinhas, todas ali- pelo contr��rio, que obede��a quem n��o possa contribuir mentadas com O mesmo leite. De qualquer modo, trata-se de uma col��nia tirada da primeira pela natureza. para a prosperidade comum a n��o ser pelo trabalho de Assim, as Cidades inicialmente foram, como ainda seu corpo. Esta partilha �� salutar para O senhor e para hoje O s��o algumas na����es, submetidas ao governo real, escravo. formadas que eram de reuni��es de pessoas que j�� viviam A condi����o da mulher difere da do escravo. A natu- sob um monarca. Com efeito, toda fam��lia, sendo gover- reza, com efeito, n��o age com parcim��nia, como OS arte- nada pelo mais velho como que por um rei, continuava s��os de Delfos que forjam suas facas para v��rios fins; ela a viver sob a mesma autoridade, por causa da consan- destina cada coisa a um uso cada instrumento g��inidade. Este �� O pensamento de Homero, quando diz: 2 3A Pol��tica Introdu����o Cada um, senbor absoluto de seus filbos e de suas Um ser sem lar, sem fam��lia e sem leis. Aquele que fosse assim por natureza s�� respiraria a Distribui leis a todos... guerra, n��o sendo detido por nenhum freio e, como uma Isso ocorria porque nos primeiros tempos as fam��lias ave de rapina, estaria sempre pronto para cair sobre viviam dispersas. �� ainda por esta raz��o que todos outros. homens que antigamente viveram e ainda vivem sob reis Assim, O homem �� um animal c��vico, mais social do dizem que OS deuses vivem da mesma maneira, atribuin- que as abelhas e OS outros animais que vivem juntos. A do-lhes O governo das sociedades humanas, j�� que OS natureza, que nada faz em v��o, concedeu apenas a ele imaginam sob a forma do homem. dom da palavra, que n��o devemos confundir com sons da Estes s��o apenas a express��o de sensa����es agra- d��veis ou desagrad��veis, de que outros animais s��o, Homem, "Animal C��vico" como n��s, capazes. A natureza deu-lhes um ��rg��o limi- tado a este ��nico efeito; n��s, por��m, temos a mais, sen��o A-sociedade que se formou da reuni��o de v��rias al- conhecimento desenvolvido, pelo menos O sentimento deias constitui a Cidade, que tem a faculdade de se bas- obscuro do bem e do mal, do ��til e do nocivo, do justo tar a si mesma, organizada n��o apenas para con- e do injusto, objetos para a manifesta����o dos quais nos servar a exist��ncia, mas tamb��m para buscar bem-estar. foi principalmente dado da fala. Este com��rcio Esta sociedade, portanto, tamb��m est�� nos des��gnios da da palavra �� O la��o de toda sociedade dom��stica e civil. natureza, como todas as outras que s��o seus elementos. O Estado, ou sociedade pol��tica, �� at�� mesmo O pri- Ora, a natureza de cada coisa �� precisamente seu meiro objeto a que se prop��s a O todo existe Assim, quando um ser �� perfeito, de qualquer esp��cie que antes da parte. As sociedades dom��sti- ele seja homem, cavalo, fam��lia -, dizemos que ele est�� cas e indiv��duos n��o s��o sen��o as partes integrantes da na natureza. Al��m disso, a coisa que, pela mesma raz��o, Cidade, todas subordinadas ao corpo inteiro, todas dis- ultrapassa as outras e se aproxima mais do objetivo pro- tintas por seus poderes e suas fun����es, e todas in��teis posto deve ser considerada a melhor. Bastar-se a si mes- quando desarticuladas, semelhantes ��s m��os e aos p��s ma �� uma meta a que tende toda a produ����o da nature- que, uma vez separados do corpo, s�� conservam O nome za e �� tamb��m mais perfeito estado. ��, portanto, evi- e a apar��ncia, sem a realidade, como uma m��o de pedra. dente que toda Cidade est�� na natureza e que O homem O mesmo ocorre com OS membros da Cidade: nenhum �� naturalmente feito para a sociedade pol��tica. Aquele que, pode bastar-se a si mesmo. Aquele que n��o precisa dos por sua natureza e n��o por obra do acaso, existisse sem outros homens, ou n��o pode resolver-se a ficar com eles, nenhuma p��tria seria um indiv��duo detest��vel, muito aci- ou �� um deus, ou um bruto. Assim, a inclina����o natural ma ou muito abaixo do homem, segundo Homero: leva OS homens a este g��nero de sociedade. 4 5A Pol��tica O primeiro que a instituiu trouxe-lhe maior dos bens. Mas, assim como O homem civilizado �� O melhor de to- dos animais, aquele que n��o conhece nem justi��a nem leis �� O pior de todos. N��o h�� nada, sobretudo, de mais Livro I intoler��vel do que a injusti��a armada. Por si mesmas, as armas e a for��a s��o indiferentes ao bem e ao mal: �� O Do Governo Dom��stico princ��pio motor que qualifica seu uso. Servir-se delas sem nenhum direito e unicamente para saciar suas paix��es rapaces ou l��bricas �� atrocidade e Seu uso s�� �� l��cito para a justi��a. O discernimento e O respeito ao di- reito formam a base da vida social e OS ju��zes s��o seus primeiros ��rg��os. 6Federal do Biblioteca CAP��TULO I Do Senbor e do Escravo Ap��s ter indicado quais s��o as partes que consti- tuem Estado, devemos, j�� que OS Estados s��o de fam��lias, falar primeiro do governo dom��stico. Uma fam��lia completamente organizada comp��e-se de escravos e de pessoas livres. Mas como s�� se conhece a natureza de um todo pela an��lise de suas partes inte- grantes, sem exce����o das menores, e como as partes pri- mitivas e mais simples da fam��lia s��o O senhor e O escra- vo, O marido e a mulher, O pai e OS filhos, conv��m exa- minar quais devem ser as fun����es e a condi����o de cada uma destas tr��s partes. Chamaremos despotismo poder do senhor sobre O escravo; marital, O do marido sobre a mulher; paternal, O do pai sobre OS filhos (dois poderes para OS quais gre- go n��o tem substantivos). Alguns fazem tamb��m entrar no econ��mico��� a parte relativa aos bens que comp��em patrim��nio das fam��- lias e aos meios de adquiri-los. Trata-se at��, segundo ou- tros, do elemento principal. 9A Pol��tica Livro O Poder do Senbor ou "Despotismo" to pudesse executar por si mesmo a vontade ou a inten- ����o do agente, como faziam, dizem, as marionetes de D��- Para conhecer O que �� indispens��vel �� composi����o dalo ou OS trip��s de Vulcano, que vinham por si mesmos, da fam��lia, comecemos por falar do poder desp��tico e da segundo Homero, aos combates dos deuses, se a lan��a- escravid��o, e vejamos se n��o seria poss��vel encontrar so- deira tecesse sozinha a tela, se O arco tirasse sozinho de bre esta mat��ria algo mais satisfat��rio do que j�� foi dito uma c��tara som desejado, OS arquitetos n��o mais preci- at�� O presente. sariam de oper��rios, nem OS mestres de escravos. Uns, de fato, como j�� vimos, confundem todos OS Chama-se "instrumento" que realiza O efeito, e poderes e compreendem, num s�� e ��nico sistema, O po- "propriedade dom��stica" O que ele produz. O tear, por der do mestre e a realeza, governo republicano e a ad- exemplo, e O torno, al��m do exerc��cio que nos propor- ministra����o da economia; outros consideram que O poder ciona seu uso, fornecem-nos ainda pano e camas; ao pas- senhorial n��o tem nenhum fundamento na natureza e que pano e a cama que eles nos produzem se imi- pretendem que esta nos criou a todos livres, e a escravi- tam ao nosso simples uso. d��o s�� foi introduzida pela lei do mais forte e ��, por si H�� tamb��m diferen��a entre "fazer" e "agir" e, como mesma, injusta como um puro efeito da viol��ncia. ambos precisam de instrumentos, deve haver entre seus Quanto �� economia, observo que �� viver instrumentos a mesma diferen��a. A vida consiste no uso, comodamente, ou mesmo simplesmente viver, sem O ne- n��o na produ����o. O servidor �� O ministro da a����o; cha- cess��rio, Portanto, como bens fazem parte da casa, OS mam-no propriedade da casa, como parte dela. meios de adquiri-los tamb��m fazem parte do governo A coisa possu��da est�� para O possuidor assim como dom��stico; e, assim como nenhuma das artes que t��m um a parte est�� para O todo; ora, a parte n��o �� somente dis- objeto preciso e determinado realiza sua obra sem seus tinta do todo, ela lhe pertence; O mesmo ocorre com a instrumentos pr��prios, a economia tamb��m precisa deles coisa possu��da em rela����o ao possuidor. O senhor n��o �� para chegar ao seu objetivo. sen��o O propriet��rio de seu escravo, mas n��o lhe perten- Existem dois tipos de instrumentos: uns inanimados, ce; O escravo, pelo contr��rio, n��o somente �� destinado outros animados. Assim �� que, para a navega����o, leme ao uso do senhor, como tamb��m dele �� parte. Isto basta �� O instrumento inanimado e piloto, O instrumento ani- para dar uma id��ia da escravid��o e para fazer conhecer mado. Em todas as artes, trabalhador �� uma esp��cie de esta condi����o. instrumento. O homem que, por natureza, n��o pertence a si mes- Um bem �� um instrumento da exist��ncia; as proprie- mo, mas a um outro, �� escravo por natureza: �� uma pos- dades s��o uma reuni��o de instrumentos e O escravo, se e um instrumento para agir separadamente e sob as or- uma propriedade instrumental animada, como um agen- dens de seu senhor. te preposto a todos outros meios. Se cada instrumen- 10 11A Pol��tica Livro I A Servid��o Natural e n��o O que �� degradado e sujeito �� corrup����o. O ho- mem, segundo a natureza, �� aquele que �� bem constitu��- Mas faz a natureza ou n��o de um homem um escra- do de alma e de corpo. Se nas coisas viciosas e deprava- vo? �� justa e ��til a escravid��o ou �� contra a natureza? �� das corpo n��o raro parece comandar a alma, �� certa- isto que devemos examinar agora. mente por erro e contra a natureza. O fato e a experi��ncia, tanto quanto a raz��o, nos con- �� preciso, portanto, como dissemos, considerar nos duzir��o aqui ao conhecimento do direito. seres animados a autoridade do senhor e a do magistra- N��o �� apenas necess��rio, mas tamb��m vantajoso que do: a primeira �� a da alma sobre O corpo; a segunda exer- haja mando por um lado e obedi��ncia por outro; e todos ce sobre as paix��es humanas poder da raz��o. �� claro OS seres, desde primeiro instante do nascimento, s��o, que O comando, nestas duas esp��cies, �� conforme �� natu- por assim dizer, marcados pela natureza, uns para co- reza, assim como ao interesse de todas as partes, e a mandar, outros para obedecer. igualdade ou a altern��ncia seriam muito nocivas a ambas. Entre eles, h�� v��rias esp��cies de superiores ou de O mesmo ocorre com O homem relativamente aos s��ditos, e O mando �� tanto mais nobre quanto mais ele- outros animais, tanto OS que se quanto vado �� O pr��prio s��dito. Assim, mais vale comandar ho- que permanecem selvagens, a pior das duas esp��cies. mens do que animais. O que se executa mediante me- Para eles �� prefer��vel obedecer ao homem; seu governo lhores agentes �� sempre mais bem executado, partindo ��-lhes salutar. ent��o a execu����o do mesmo princ��pio que comando; A natureza ainda subordinou um dos dois animais ao passo que, quando aquele que manda e aquele que ao outro. Em todas as esp��cies, macho �� evidentemen- obedece s��o de esp��cies diferentes, cada um sacrifica te superior �� f��mea: a esp��cie humana n��o �� exce����o. algo de seu. Assim, em toda parte onde se observa a mesma dis- Em tudo que �� composto de v��rias partes, quer t��ncia que h�� entre a alma e corpo, entre O homem e cont��nuas, quer disjuntas, mas tendentes a um fim O animal, existem as mesmas rela����es; isto ��, todos OS mum, sempre notamos uma parte eminente �� qual as ou- que n��o t��m nada melhor para nos oferecer do que tras est��o subordinadas, e isso n��o apenas nas coisas uso de seus corpos e de seus membros s��o condenados animadas, mas tamb��m nas que n��o O s��o, tais como OS pela natureza �� Para eles, �� melhor servirem objetos suscet��veis de harmonia. Mas, aqui, me afastarei do que serem entregues a si mesmos. Numa palavra, �� na- por certo de meu objetivo. turalmente escravo aquele que tem t��o pouca alma e O animal comp��e-se primeiro de uma alma, depois poucos meios que resolve depender de outrem. Tais s��o de um corpo: a primeira, por sua natureza, comanda e O que s�� t��m instinto, vale dizer, que percebem muito segundo obedece. Digo "por sua pois �� preci- bem a raz��o nos outros, mas que n��o fazem por si mes- SO considerar mais perfeito como tendo emanado dela, mos uso dela. Toda a diferen��a entre eles e OS animais �� 12 13A Livro I que estes n��o participam de modo algum da raz��o, nem cie de conven����o geral, segundo a qual a presa tomada mesmo t��m sentimento dela e s�� obedecem a suas sen- na guerra pertence ao vencedor. sa����es. Ademais, uso dos escravos e dos animais �� mais Ser�� justo? Sobre isso, jurisconsultos n��o chegam ou menos mesmo e tiram-se deles mesmos servi��os a um acordo, nem tampouco, ali��s, sobre a justi��a de para as necessidades da vida. muitas outras decis��es tomadas nas Assembl��ias popula- A natureza, por assim dizer, imprimiu a liberdade e res, contra as quais eles reclamam. Consideram cruel que a servid��o at�� nos h��bitos corporais. Vemos corpos ro- um homem que sofreu viol��ncia se torne escravo do que bustos talhados especialmente para carregar fardos e ou- O violentou e s�� tem sobre ele a vantagem da for��a. Este, tros usos igualmente necess��rios; outros, pelo contr��rio, pelo menos, �� um ponto muito controverso para eles e, mais disciplinados, mas tamb��m mais esguios e incapa- se t��m muitos contraditores, t��m tamb��m muitos partid��- zes de tais trabalhos, s��o bons apenas para a vida pol��ti- rios, mesmo entre OS fil��sofos. ca, isto ��, para OS exerc��cios da paz e da Ocorre A raz��o de duvidar e de contestar �� que a coragem, muitas vezes, por��m, contr��rio: brutos t��m a forma ex- num grau eminente, sempre permanece vencedora; que terior da liberdade e outros, sem aparentar, s�� t��m a alma a vit��ria de ordin��rio sup��e em si uma superioridade qual- de livre. quer; enfim, que a pr��pria for��a �� uma esp��cie de m��ri- Limitando-nos aos aspectos materiais, como no caso to. A d��vida s�� permanece, portanto, quanto ao direito: das est��tuas dos deuses, n��o hesitamos em acreditar que uns n��o podem separar direito da benevol��ncia, ou- OS indiv��duos inferiores devem ser submissos. Se isto �� tros afirmam que �� da pr��pria ess��ncia do direito que verdade quando se trata do corpo, por mais forte raz��o mais valente comande. devemos diz��-lo da alma; mas a beleza de um n��o �� t��o f��cil de discernir quanto a da outra. Destas duas opini��es, a segunda n��o �� nem s��lida N��o pretendemos agora estabelecer nada al��m de nem tampouco persuasiva. A superioridade de coragem que, pelas leis da natureza, h�� homens feitos para a li- n��o �� uma raz��o para sujeitar outros. berdade e outros para a servid��o, OS quais, tanto por jus- Os que consideram a lei como justa (e ��, com efei- ti��a quanto por interesse, conv��m que sirvam. No entan- to, quando n��o ordena nada de il��cito) n��o rejeitam ab- to, �� f��cil ver que a opini��o contr��ria n��o seria inteira- solutamente a servid��o estabelecida pelas leis da guerra, mente desprovida de raz��o. mas tampouco a admitem inteiramente, pois a pr��pria guerra pode ser injusta em seu princ��pio; ora, jamais um homem de bom senso tratar�� como escravo um homem A Servid��o Convencional que n��o mereceu a escravid��o; caso contr��rio, dizem eles, se bastasse pegar as pessoas e vend��-las, ver��amos na Al��m da servid��o natural, existe aquela que chama- escravid��o personagens do mais alto n��vel, elas e seus fi- mos servid��o estabelecida pela lei; esta lei �� uma esp��- lhos que ca��ssem em poder do vencedor. Pretendem, 14 15A Pol��tica Livro I portanto, que se considerem estes homens simplesmente ra separado na exist��ncia, �� como um membro anexado como estrangeiros, mas n��o como escravos, O que, pela a seu corpo. Ambos t��m O mesmo interesse e nada impe- inten����o, se reduz ao que dissemos, que s�� s��o escravos de que estejam ligados pelo sentimento da amizade, que foram destinados �� servid��o pela natureza. quando foi a conveni��ncia natural que OS reuniu. �� preciso convir, com efeito, que certas pessoas s��o As coisas s��o diferentes quando eles s�� est��o reuni- escravas em toda parte e outras, nenhures. dos pelo rigor da lei ou pela viol��ncia dos homens. O mesmo ocorre com a nobreza. Consideram a dos povos cultivados como pura e existente em toda a parte; a dos povos b��rbaros, como local e boa somente para eles. Diferen��as entre "Despotismo" Distinguem O homem livre do escravo, a nobreza do vul- e Poder Pol��tico go pelas vantagens e v��cios de nascimento. Como diz a Helena de Teodecto: Vemos, assim, claramente que O poder "desp��tico" e Escrava, eu? Que bomem t��o audacioso Q governo pol��tico s��o, apesar da opini��o de alguns, coi- Poderia chamar assim uma dos deuses? sas muito diferentes. Um s�� existe para OS escravos; O ou- Os que partilham desta opini��o n��o diferenciam tro existe para as pessoas que a natureza honrou com a liberdade. O governo dom��stico �� uma esp��cie de mo- escravo do homem livre, O nobre do plebeu, sen��o pela dist��ncia entre O v��cio e a como homem vem narquia: toda casa se governa por uma s�� pessoa; O go- verno civil, pelo contr��rio, pertence a todos OS que s��o do homem e O animal do animal, acham que O bom s�� livres e iguais. vir do bom. N��o ��, ali��s, uma ci��ncia adquirida que faz de um Pode ser esta a inten����o da natureza. Mas, longe de ser homem senhor de um outro. Esta qualidade pode existir sempre bem-sucedida, muit��ssimas vezes ela sofre desvios. sem isso; como a liberdade e a servid��o, ela tem um ca- Embora a distin����o entre O homem livre e escravo r��ter que lhe �� natural. Sem d��vida, existe um talento para por natureza tenha seus partid��rios e seus advers��rios, comandar e para servir. Por exemplo, em Siracusa, uma pelo menos n��o resta nenhuma d��vida de que se encon- esp��cie de preceptor abriu uma escola de escravid��o e tram em todos OS lugares combina����es de pessoas nas exigia dinheiro para preparar as crian��as para este esta- quais a uma cabe servir e �� outra comandar, assumindo do, com todos OS pormenores de suas fun����es. Pode ha- O papel para qual a natureza as predestinou. O coman- ver um ensino completo dessa esp��cie de profiss��o, as- do de uma pode ser justo e ��til, e a liberdade da outra, sim como existem preceitos para a cozinha e outros injusta e funesta para ambas. g��neros de servi��o, ou mais estimados, ou mais necess��- O que conv��m ao todo conv��m tamb��m �� parte; rios, pois tamb��m servi��o tem OS seus graus. "H�� ser- que conv��m �� alma conv��m igualmente ao corpo. Ora, vi��ais e servi��ais" diz O prov��rbio -, "e h�� senhores e escravo faz, por assim dizer, parte de seu senhor: embo- senhores." 16 17A Pol��tica Quanto �� ci��ncia do senhor, como n��o �� nem na CAP��TULO II aquisi����o, nem na posse, mas no uso de seus escravos que est�� seu dom��nio, ela se reduz a saber fazer uso de- Da Propriedade e dos Meios les, isto ��, a saber ordenar-lhes O que eles devem saber fazer. N��o h�� a�� nenhum trabalho grande ou sublime, e de Adquiri-la assim que t��m meios de evitar esse estorvo desemba- ra��am-se dele com algum intendente, quer para se dedi- car �� pol��tica, quer para se dedicar �� O talento para adquirir um bem difere claramente da ci��ncia do governo ou da do servi��o. Parece-se mais com a arte militar ou com a caca. Ao expor a teoria, por��m, seguiremos O plano que tra��amos mais acima, em que escravo s�� entra como coisa ou instrumento. A arte de adquirir bens��� ser�� id��ntica ci��ncia do go- verno dom��stico? Faz parte dela ou ser�� apenas um de seus meios? E, caso seja apenas um de seus meios, ser�� como a arte de fazer lan��adeiras serve �� do tecel��o ou mo a forja do bronze serve �� arte do fundidor de est��tuas? Pois n��o �� mesmo g��nero de trabalho, j�� que uma des- sas artes fornece O instrumento e as s�� a mat��- ria. (Entendo por mat��ria aquilo de que se faz a obra, como a para O fabricante de tecidos e bronze para O fundidor de est��tuas.) �� claro que a arte de aprovisionar uma casa n��o �� a mesma coisa que a arte de governar. A primeira s�� traz OS meios, a segunda faz uso deles; pois a que pertence- ria uso dos bens da casa a n��o ser �� ci��ncia do governo dom��stico? Mas uma faz parte da outra ou �� uma esp��cie �� par- te? Isto oferece dificuldade, pois, se para adquirir for pre- 18 19Central CAP��TULO III Dos Poderes Marital e Paternal Mais acima, dividimos governo dom��stico em tr��s poderes: do senhor, de que acaba de se tratar, do pai e O do marido. O pai de fam��lia governa sua mulher e seus filhos como a seres livres, mas cada um de um modo dife- rente: sua mulher como cidad��, seus filhos como s��ditos. Na ordem natural, a menos que, como em certos luga- res, isto tenha sido derrogado por alguma considera����o particular, macho est�� acima da f��mea e O mais velho, quando atinge O termo de seu crescimento, est�� acima mais jovem, que ainda n��o alcan��ou sua plenitude. Na ordem pol��tica, tal como ela existe na maior parte dos povos, obedece-se e comanda-se To- dos OS homens livres s��o considerados iguais por natu- reza e todas as diferen��as se eclipsam; tanto que se torna preciso distinguir os que comandam dos seus inferiores por marcas exteriores, OS h��bitos e as dignidades, como disse Amasis, falando de sua bacia transformada em Quanto ao sexo, a diferen��a �� indel��vel: qualquer que seja a idade da mulher, O homem deve conservar sua superioridade. A autoridade dos pais sobre OS filhos �� uma esp��cie de realeza; todos t��tulos ali se encontram: O da gera- 33 CLASS. CUTTER TOMBO 235158A Pol��tica Livro ����o, da autoridade afetuosa e O da idade. �� at�� mesmo Em geral, s��o necess��rias as mesmas virtudes nos que prot��tipo da autoridade real; foi O que fez com que comandam e nos que obedecem, ou ent��o outras? Se as Homero dissesse de Zeus: mesmas qualidades lhes s��o necess��rias, por que ent��o �� pai imortal dos bomens e dos deuses mando cabe a um e a obedi��ncia a outro? A diferen��a e, por conseguinte, rei de todos eles. Pois um rei, se re- entre OS dois n��o �� do mais para menos, mas sim espe- cebeu da natureza alguma superioridade sobre seus s��di- c��fica e produz efeitos essencialmente diversos. N��o me- tos, continua a ter O mesmo g��nero que eles, como nos estranho seria exigir virtudes de um lado e n��o de velhos com rela����o aos jovens e como um pai com rela- outro. Se quem comanda n��o �� nem justo, nem moderado, ����o a seus filhos. como �� poss��vel que comande bem? Se aquele que obe- dece carece dessas virtudes, qual n��o ser�� a obedi��ncia de um corrompido e de um mau? �� preciso, pois, que As Virtudes Pr��prias aos Diversos ambos tenham virtudes, mas que suas virtudes tenham Membros da Fam��lia caracteres diferentes, da mesma variedade que se obser- va nos seres nascidos para obedecer. Segue-se do precedente que governo dom��stico Isto se v�� imediatamente nas faculdades da alma. exige aten����es muito diferentes para O sustento das pes- Dentre estas, uma h�� que por sua natureza comanda �� soas e para a posse das coisas inanimadas, para seus cos- aquela que participa da raz��o e outras que obedecem: tumes e para a acumula����o de riquezas, para as pessoas s��o as que n��o participam dela. Cada uma tem um tipo livres e para OS escravos. de virtude que lhe �� pr��prio. Primeiramente, podemos exigir dos escravos, al��m O mesmo ocorre com OS seres distintos. Assim como de seus servi��os e de suas fun����es materiais, um m��rito neles se encontram diversas esp��cies de superioridade e mais eminente, por exemplo, a prud��ncia, a coragem, a de subordina����es determinadas pela natureza, h�� tam- justi��a ou outros h��bitos semelhantes? N��o basta que b��m v��rias formas de comando. A maneira de comandar eles cumpram suas fun����es? A resposta �� dif��cil de am- n��o �� a mesma do homem livre ao seu escravo, do mari- bos OS lados. Se exigirmos deles que tenham virtudes, em do �� mulher, do homem adulto a seu filho. Todos t��m que diferir��o das pessoas livres? Mas, se n��o precisarem uma alma dotada das mesmas faculdades, mas de modo delas, isto chocar�� a raz��o, de que participam como to- diferente: escravo n��o deve de modo algum deliberar; a dos OS homens. mulher tem direito a isso, mas pouco, e a crian��a, menos A mesma quest��o pode ser colocada a respeito das ainda. mulheres e das crian��as. Devemos exigir delas certas vir- Seguem suas virtudes morais a mesma grada����o: to- tudes? Por exemplo, deve uma mulher ser s��bia, corajo- dos devem possu��-las, mas somente tanto quanto con- sa e justa? Deve uma crian��a ter conten����o e sobriedade? v��m a seu estado. Quem comanda deve possu��-las todas 34 35A Pol��tica Livro no mais alto grau. Sua fun����o �� como a do arquiteto, isto da; mas a natureza que faz OS escravos n��o faz OS sapa- ��, a da pr��pria raz��o; as dos outros se regulam pela con- teiros, nem OS outros artes��os. Quando OS empregamos, veni��ncia. Todos t��m, portanto, virtudes morais, mas a n��o �� a vontade de quem OS ensinou a trabalhar, mas a temperan��a, a for��a, a justi��a n��o devem ser, como pen- do senhor que encomenda a obra que eles devem seguir. sava S��crates, as mesmas num homem e numa mulher. Ademais, seria erro proibir, mesmo aos escravos, todo A for��a de um homem consiste em se impor; a de uma racioc��nio e fazer deles, como alguns fazem, simples m��- mulher, em vencer a dificuldade de obedecer. O mesmo quinas de obedecer; �� preciso mostrar-lhes seu dever com ocorre com as demais virtudes. indulg��ncia ainda maior do que para com as crian��as. Quanto mais refletirmos, mais nos convenceremos Quanto ao homem e �� mulher, ao pai e aos filhos, disto. �� ilus��rio contentar-se com generalidades sobre esta quais s��o as virtudes pr��prias a cada um deles? Qual mat��ria e dizer vagamente que a virtude consiste nos bons deve ser a maneira de viverem juntos? O que devem bus- h��bitos da alma, ent��o no bem agir ou outras f��rmulas car ou evitar? Como devem praticar tal coisa e abster-se do g��nero. Mais vale, como G��rgias, estabelecer a lista das de outra? �� que �� indispens��vel examinar quando tra- tamos da pol��tica. Todos eles fazem parte da fam��lia, e a virtudes do que se deter em semelhantes defini����es e imi- fam��lia faz parte do Estado. Ora, m��rito da parte deve tar, no mais, a precis��o do poeta que disse que referir-se ao m��rito do todo. A educa����o das mulheres e um modesto sil��ncio �� a bonra da mulber das crian��as deve ser da al��ada do Estado, j�� que impor- ao passo que n��o fica bem no homem. ta �� felicidade do Estado que as mulheres e as crian��as Sendo a crian��a imperfeita e n��o podendo ainda en- sejam virtuosas. contrar em si mesma a regra de suas a����es, sua virtude �� Isto �� mesmo do maior interesse, j�� que as mulheres ser d��cil e submissa ao homem maduro que cuida de seu constituem a metade das pessoas livres, e as crian��as acompanhamento. ser��o OS que participar��o do governo dos neg��cios p��- O mesmo acontece com escravo relativamente a seu blicos. senhor: �� em bem fazer seu servi��o que consiste a sua virtude; virtude bem pequena que se reduz a n��o faltar aos seus deveres nem por m�� conduta, nem por covardia. Se que acabamos de dizer �� verdade, OS artes��os a que muitas vezes ocorre trocar trabalho pela farra de- vem precisar de virtude. Mas ela ser�� de uma esp��cie muito diferente, pois O escravo vive conosco. O artes��o, pelo contr��rio, est�� separado, e sua virtude n��o nos im- porta sen��o quando est�� a nosso servi��o. A este respei- to, um profissional est�� numa esp��cie de servid��o limita- 36 37Livro II Do Cidad��o e da CidadeCAP��TULO IV Do Cidad��o Para bem conhecer dos Estados e suas esp��cies, �� preciso em primeiro lugar saber que �� um Estado, pois nem sempre se est�� de acordo se se deve imputar fatos ao Estado ou aos que O governam, quer como chefes ��nicos, quer num grupo menos nu- meroso do que O resto da Cidade. Ora, Estado �� O su- jeito constante da pol��tica e do governo; a constitui����o pol��tica n��o �� sen��o a ordem dos habitantes que comp��em. Como qualquer totalidade, Estado consiste numa multid��o de partes: �� a universalidade dos cidad��os. Co- mecemos, pois, por examinar que devemos entender por cidad��o e quem podemos qualificar assim, pois se trata de uma denomina����o equ��voca e nem todos s��o un��- nimes sobre a sua aplica����o. Algu��m que �� cidad��o nu- ma democracia n��o �� numa oligarquia. Crit��rio da Cidadania Falemos aqui apenas dos cidad��os de nascimento, e n��o dos naturalizados. 41A Pol��tica Livro II N��o �� a resid��ncia que constitui cidad��o: OS estran- governo. Mas seria rid��culo contestar esta denomina����o geiros e OS escravos n��o s��o "cidad��os", mas sim "habi- de quem se pronuncia sobre OS interesses maiores do Es- tantes". tado. Ali��s, pouco importa, essa �� apenas uma quest��o de Tampouco �� a simples qualidade de julg��vel ou O di- palavras. N��o possu��mos, com efeito, um termo comum reito de citar em justi��a. Para isso, basta estar em rela����es sob O qual possamos colocar a fun����o de juiz e a de de neg��cios e ter ao mesmo tempo alguma coisa a resol- membro da Assembl��ia. Ser��, se se quiser, um poder sem ver. Mesmo assim, h�� muitos lugares em que OS estrangei- nome. Ora, chamamos "cidad��o" quem quer que seja ad- ros n��o s��o admitidos nas audi��ncias dos tribunais sen��o mitido nessa participa����o e �� por ela, principalmente, quando apresentam uma cau����o. N��o participam, ent��o, que distinguimos de qualquer outro habitante. a n��o ser de um modo imperfeito, dos direitos da Cidade. Conv��m ainda notar que nas coisas cujo sujeito per- �� mais ou menos mesmo que acontece com as tence a esp��cies diferentes, sem outra rela����o entre si, crian��as que ainda n��o t��m idade para serem inscritas na sen��o que uma �� a primeira, a outra a segunda e assim fun����o c��vica e com OS velhos que, pela idade, est��o isen- por diante, n��o h�� absolutamente nada ou muito pouco tos de qualquer servi��o. N��o podemos dizer simplesmen- em comum. �� que se observa nas formas de governo: te que eles s��o cidad��os; n��o s��o sen��o supranumer��rios; s��o de diferentes esp��cies, umas primitivas, outras pos- uns s��o cidad��os em esperan��a por causa de sua imper- teriores. Entre estas ��ltimas devem ser contadas as cor- fei����o, outros s��o cidad��os rejeitados por causa de sua de- rompidas e degeneradas, que v��m necessariamente depois crepitude. Ter��o nome que se quiser: nome n��o im- das que permaneceram s��s e intactas. (Explicaremos mais porta desde que sejamos compreendidos. Procuramos aqui adiante em que consiste a Portanto, O cidad��o n��o pode ser mesmo em todas as formas de O cidad��o puro, sem restri����es nem modifica����es. Com mais forte raz��o, devemos deliberadamente ris- governo. �� sobretudo na democracia que �� preciso pro- curar aquele de que falamos; n��o que ele n��o possa ser car desta lista OS infames e OS banidos. encontrado tamb��m nos outros Estados, mas neles n��o Portanto, que constitui propriamente cidad��o, sua se acha necessariamente. Em alguns deles, povo n��o �� qualidade verdadeiramente caracter��stica, �� direito de vo- nada. N��o h�� Assembl��ia geral, pelo menos ordin��ria, to nas Assembl��ias e de participa����o no exerc��cio do po- mas simples convoca����es extraordin��rias. Tudo se deci- der p��blico em sua p��tria. de pelos diversos magistrados, segundo suas atribui����es. H�� dois tipos de poderes: uns s��o tempor��rios, s�� s��o Na cerim��nia, por exemplo, OS ��foros tratam dos contra- atribu��dos por certo tempo e n��o se podem obter duas ve- tos; OS senadores, dos homic��dios; as outras magistratu- zes em seguida; outros n��o t��m tempo fixo, como O de ras, das outras mat��rias. Acontece O mesmo em Cartago, julgar nos tribunais ou de votar nas assembl��ias. onde alguns magistrados decidem sobre tudo. talvez, que estes ��ltimos n��o s��o ver- A defini����o do cidad��o, portanto, �� suscet��vel de maior dadeiros poderes e n��o participam de modo algum do ou menor extens��o, conforme O g��nero do governo. H�� 42 43Livro II A Pol��tica alguns em que O n��mero e O poder dos ju��zes e dos ti��a ou n��o. Podemos, tamb��m, duvidar se eles se torna- membros da Assembl��ia n��o �� ilimitado, mas restrito pela ram cidad��os de forma legal, n��o existindo ent��o nenhu- constitui����o. O direito de julgar e deliberar cabe a todos ma diferen��a entre a ilegalidade e erro. Existe, no en- ou apenas a alguns, e isso sobre todas as mat��rias, ou tanto, uma distin����o muito real. Com efeito, vemos pessoas somente sobre algumas. Por a�� se pode ver a quem con- que alcan��am a magistratura por meios ilegais, e n��o v��m O nome de cidad��o em cada lugar. �� cidad��o aquele deixamos, por��m, de cham��-los de magistrados, mas ma- que, no pa��s em que reside, �� admitido na jurisdi����o e na gistrados ileg��timos. Sendo, portanto, cidad��o caracte- delibera����o. �� a universalidade deste tipo de gente, com rizado pelo atributo do poder (pois �� pela participa����o no riqueza suficiente para viver de modo independente, que poder p��blico que O definimos), nada impede de contar constitui a Cidade ou Estado. entre OS cidad��os as criaturas de Cl��stenes. Comumente, O costume �� dar O nome de cidad��o A quest��o de sua cidadania depende tamb��m do ou- apenas ��quele que nasceu de pais cidad��os. De nada ser- tro problema anunciado acima, se devemos ou n��o im- viria que O pai O fosse, se a m��e n��o for. Em alguns luga- putar ao Estado a sua admiss��o, O que n��o �� f��cil de de- res, vai-se ainda mais longe, at�� dois av��s ou a um grau cidir quando Estado passa da oligarquia ou da tirania maior. Surge, ent��o, a dificuldade de saber como ser��o para a democracia. Pois ent��o novo Estado n��o quer eles mesmos cidad��os, este terceiro e este quarto av��. G��r- nem pagar as d��vidas contra��das anteriormente, conside- gias de Leonte dizia, n��o se sabe se a s��rio ou por brin- rando-as como feitas n��o pela Cidade, mas pelo tirano cadeira, que, assim como OS caldeireiros fazem caldeiras, que recebeu O dinheiro, nem quer manter OS outros com- assim tamb��m OS habitantes de Larissa fabricavam laris- promissos, pretendendo que certos Estados s�� subsistem sianos, e que era preciso que OS larissianos fabricados ti- por viol��ncia e n��o pelo interesse se vessem OS seus fabricantes. De acordo com nossa defini- mesmo v��cio ocorrer na democracia, ser�� preciso dizer ����o, a coisa �� simples. Se participarem do poder p��blico, de seus atos O que se diz dos da oligarquia e da monar- ser��o cidad��o. A outra defini����o, que exige que se tenha quia absoluta ou tir��nica. nascido de um cidad��o ou de uma cidad��, excluiria des- ta categoria, em contrapartida, OS primeiros habitantes e As Diversas Esp��cies de Cidad��os OS pr��prios fundadores da Cidade. maior incerteza a respeito daqueles a quem foi concedido direito �� cidadania durante uma revolu����o, Resta ainda uma d��vida sobre t��tulo de cidad��o. como fez Cl��stenes em Atenas, quando, ap��s a expuls��o Apenas s��o verdadeiros cidad��os OS que s��o admiti- dos tiranos, formou v��rias tribos novas de estrangeiros e dos nas fun����es p��blicas, ou esta qualidade pode convir at�� de escravos imigrados. Quanto a eles, a quest��o n��o aos oper��rios? Se OS contarmos entre OS cidad��os, sem �� saber se s��o cidad��os, mas se se tornaram tais com jus- lhes conferirmos OS cargos, esta prerrogativa n��o ser�� 45 44universidade A Pol��tica Livro II mais O car��ter distintivo do cidad��o; se n��o OS contar- tude s��o impratic��veis para quem quer que leve uma vida mos, em que classe OS colocaremos? N��o s��o nem estran- mec��nica e mercen��ria. geiros, nem naturalizados. Classifica-los-emos da mesma Na oligarquia, em que O bem conhecido como rique- forma? N��o haveria inconvenientes. �� assim que exclu��- za abre as portas para OS melhores cargos, povo mi��- mos OS escravos e OS libertos do n��mero dos cidad��os. do n��o �� admitido na classe dos cidad��os. Mas OS arte- Pois n��o se deve julgar que sejam cidad��os todos s��os n��o est��o inclu��dos. Eles podem enriquecer-se e se aqueles de que a Cidade n��o pode prescindir. Quanto a tornar cidad��os uma vez que tiverem feito fortuna. Em esta denomina����o, distinguiremos at�� entre as crian��as e Tebas, pr��prio com��rcio dificulta O acesso �� cidadania. OS homens adultos: estes s��o cidad��os pura e simples- Havia uma lei que exigia que se tivesse fechado a loja e mente, aqueles n��o s��o sen��o em esperan��a ou imper- deixado de vender h�� dez anos para ser admitido. feitamente. Existem, em compensa����o, outros Estados em que a Antigamente, entre alguns povos, artes��o e O oper��- lei atrai OS estrangeiros pela perspectiva do direito de ci- rio estavam no mesmo p�� que escravo e estrangeiro. dadania, pelo menos para seus filhos. Em certas demo- Ainda acontece O mesmo atualmente em muitos lugares, e cracias, por exemplo, basta para ser um cidad��o ter nas- cido de uma m��e do lugar. Em outros lugares, por falta jamais um Estado bem constitu��do far�� de um artes��o um de cidad��os leg��timos, OS bastardos s��o admitidos como cidad��o. Caso isso ocorra, pelo menos n��o devemos espe- tais. A falta de homens for��a-os a usar desse recurso. Mas, rar dele O civismo de que falaremos: esta virtude n��o se quando a popula����o chega �� sua justa quantidade, pou- encontra em toda parte; ela sup��e um homem n��o apenas CO a pouco se despedem, primeiro as crian��as nascidas livre, mas cuja exist��ncia n��o fa��a precisar dedicar-se aos de m��e ou de pai escravos, depois OS que s�� se ligam �� trabalhos servis. Ora, que diferen��a h�� entre OS artes��os ou p��tria pela m��e, e ent��o s�� se reconhecem como cida- outros mercen��rios e OS escravos, a n��o ser que estes per- d��os OS que foram gerados por dois compatriotas. tencem a um particular e aqueles ao p��blico? Por pouco Resulta de tudo isso que h�� v��rias esp��cies de cida- que prestemos aten����o a ela, esta verdade se manifestar��; d��os, mas OS verdadeiros s��o apenas OS que participam desenvolvimento s�� pode torn��-la mais evidente. dos cargos. Quando Homero fala de um fugitivo ou de J�� dissemos que h�� v��rias esp��cies de constitui����o e um vagabundo, �� pela exclus��o dos cargos p��blicos que de governo; h��, certamente, portanto, v��rios tipos de ci- caracteriza. dad��os, sobretudo entre que chamamos de s��ditos, Tratado sem nenbum respeito, exclu��do da Cidade. Existem constitui����es pelas quais oper��rios e OS mer- Quem quer que n��o participe dela, com efeito, �� co- cen��rios devem ser cidad��os, mas existem outras pelas mo um estrangeiro que acaba de chegar. quais isto �� imposs��vel, por exemplo, na aristocracia, se Se em algum lugar escondem esta distin����o, fechando �� que ela existe, assim como em qualquer outro Estado olhos sobre OS domiciliados que usurpam a qualidade em que se honrem m��rito e a virtude. As obras da vir- de cidad��o, �� para iludi-los e disfar��ar sua malignidade. 46 47Livro II A Pol��tica As Virtudes que Fazem o Cidad��o que cada um execute melhor poss��vel suas fun����es. Uma e Homem de Bem vez que parece imposs��vel que todos OS cidad��os se asse- melhem, n��o pode mesmo g��nero de virtude fazer O bom cidad��o e homem de bem. Mas todos devem ser Os objetos que acabamos de tratar levam-nos agora a examinar se as mesmas virtudes fazem homem de bons cidad��os. �� da�� que prov��m a bondade intr��nseca do bem e bom cidad��o. E, j�� que esta quest��o vale a pe- Estado, sem que seja necess��rio que haja entre todos igual- dade de O m��rito de um homem de bem e de na, tentemos de in��cio tra��ar um ligeiro esbo��o das virtu- um bom cidad��o s��o, portanto, coisas distintas. des c��vicas. O Estado, ali��s, �� um composto de partes desseme- Podemos comparar OS cidad��os aos marinheiros: am- bos s��o membros de uma comunidade. Ora, embora OS lhantes, aproximadamente como animal se comp��e da marinheiros tenham fun����es muito diferentes, um em- alma e do corpo; a alma, de raz��o e de paix��es; a fam��- purrando O remo, outro segurando leme, um terceiro lia, do homem e da mulher; a casa, do senhor e do escra- vigiando a proa ou desempenhando alguma outra fun- Abrangendo Estado todas estas partes e muitas ����o que tamb��m tem seu nome, �� claro que as tarefas de outras de esp��cie diferente, n��o pode haver, portanto, cada um t��m sua virtude pr��pria, mas sempre h�� uma mesmo g��nero de virtudes para uns e para outros. As- que �� comum a todos, dado que todos t��m por objetivo sim, num grupo de dan��arinos, �� preciso mais talento para a seguran��a da navega����o, �� qual aspiram e concorrem, O papel de corifeu do que para O de corista. A desigual- cada um �� sua maneira. De igual modo, embora as fun- dade de m��rito ��, pois, evidente. Mas n��o h�� nenhum lugar em que a virtude do bom ����es dos cidad��os sejam dessemelhantes, todos trabalham para a conserva����o de sua comunidade, ou seja, para a cidad��o seja a mesma que a do homem de bem? Quando falamos de um bom comandante, entendemos por isso um salva����o do Estado. Por conseguinte, �� a este interese co- mum que deve relacionar-se a virtude do cidad��o. homem de ju��zo e de honra; exigimos sobretudo a pru- Portanto, se h�� v��rias esp��cies de governo, �� impos- d��ncia naquele que governa. Alguns exigem ainda outras s��vel que as virtudes c��vicas e civismo perfeito sejam OS qualidades no governante m��ximo. Vemo-lo pela educa- mesmos em toda parte, ou que eles se confundam com ����o dos filhos de reis, que s��o criados no adestramento a virtude absoluta, pela qual distinguimos as pessoas de cavalos e na disciplina militar: nobres. E evidente que se pode ser bom cidad��o sem pos- Que n��o me ostentem todos esses talentos vulgares, suir virtudes t��o eminentes. Que mostrem ao Estado as virtudes necess��rias, Por��m, para melhor discutir esta quest��o, conv��m si- O que sup��e um treinamento particular para as pessoas desse n��vel. Se entre OS altos funcion��rios mesmo m��ri- tuarmo-nos no melhor governo poss��vel. Veremos, por um to faz O homem de bem e bom cidad��o; se, ademais, a lado, que �� imposs��vel que O Estado seja composto inteira- mente de homens perfeitos, e, por outro, que �� preciso qualidade de s��dito n��o exclui a de cidad��o, a virtude c��- 49 48Biblioteca Central Livro A vica n��o ser��, por��m, a mesma coisa que que chamamos chama O governo civil. S�� se aprende come��ando por obe- pura e simplesmente de m��rito. Haver�� sinon��mia ape- decer. Assim, pelo pr��prio servi��o sob as ordens do hi- nas em alguns cidad��os, vale dizer, nos que est��o no go- parca, se aprende a comandar a cavalaria; servindo sob verno do Estado. Em qualquer outra classe, as qualidades O general e OS demais oficiais da infantaria, aprende-se a ser��o distintas. Talvez tenha sido isso que fez Jas��o dizer: comandar OS diversos graus militares. Existe at�� uma m��- S�� conbe��o uma arte e s�� sei reinar. xima quanto a isto, que diz que n��o �� poss��vel bem co- No entanto, �� bom saber igualmente mandar e obe- mandar se antes n��o se tiver obedecido. Ora, estes s��o decer, e um cidad��o experimentado �� aquele que �� ca- dois g��neros diferentes de m��rito, e �� preciso que um bom paz de ambos OS pap��is. Suponhamos um homem de bem cidad��o adquira ambos, saiba obedecer e esteja em con- que s�� saiba comandar e um cidad��o que saiba um e di����es de comandar. outro: eles n��o ter��o O mesmo valor; j�� que, desses dife- Ambos tamb��m conv��m ao homem de bem, embo- rentes pap��is, �� preciso que homem destinado ao co- ra de modo diferente, pois a temperan��a e a justi��a dife- mando aprenda um e seus s��ditos outro, cidad��o que rem at�� entre pessoas livres, das quais uma �� superior e participa de ambos deve aprend��-los de igual modo e a outra inferior, por exemplo, entre homem e mulher. A conhecer OS diversos tipos de comando. coragem de um homem se aproximaria da pusilanimida- Pois h�� inicialmente comando do senhor, que se de se fosse apenas igual �� de uma mulher, e a mulher exerce sobre que chamamos de empregados necess��- passaria por atrevida se n��o fosse mais reservada do que rios. N��o �� preciso que aquele que exerce saiba fazer um homem em suas palavras. A administra����o dom��sti- OS trabalhos servis, basta que saiba utiliz��-los; cabe a seus ca, em ambos OS casos, tamb��m deve apresentar alguma servidores saber a execu����o. Assim como h�� v��rios tipos diferen��a, sendo um encarregado de comprar, outro de de fun����es servis, h�� tamb��m v��rios tipos de escravos. economizar e de conservar. Entre as pessoas que est��o em servid��o, �� preciso contar O m��rito especial do que comanda �� a prud��ncia. trabalhadores manuais que vivem, como indica seu As outras virtudes lhe s��o comuns com que obede- nome, do trabalho de suas m��os e os artes��os que se cem. Estes n��o precisam de prud��ncia, mas sim de con- ocupam dos of��cios s��rdidos. Assim, em alguns lugares, fian��a e de docilidade; s��o como OS instrumentos ou ent��o antigamente, antes que povo chegasse �� extrema licen- como fabricante de ala��des, O homem que comanda ��a, cargos ou poderes p��blicos n��o eram conferidos a �� como executante que OS toca. esse tipo de gente. Suas ocupa����es n��o conv��m nem ao Sabemos, agora, se as qualidades do homem de bem homem de bem, nem ao alto funcion��rio, nem ao bom e do bom cidad��o s��o ou n��o as mesmas, como elas se cidad��o, se n��o for para seu uso pessoal, caso em que assemelham e em que diferem. ele �� ao mesmo tempo senhor e servo. Mas h�� um outro tipo de comando que tem por s��di- tos as pessoas livres e de mesma condi����o: �� que se 51 50CAP��TULO V Da Finalidade do Estado O homem ��, por sua natureza, como dissemos desde O come��o ao falarmos do governo dom��stico e do dos escravos, um animal feito para a sociedade civil. Assim, mesmo que n��o tiv��ssemos necessidade uns dos outros, n��o deixar��amos de desejar viver juntos. Na verdade, interesse comum tamb��m nos une, pois cada um a�� en- contra meios de viver melhor. Eis, portanto, nosso fim principal, comum a todos e a cada um em particular. Reunimo-nos, mesmo que seja s�� para p��r a vida em se- guran��a. A pr��pria vida �� uma esp��cie de dever para aque- les a quem a natureza a deu e, quando n��o �� excessiva- mente cumulada de mis��rias, �� um motivo suficiente pa- ra permanecer em sociedade. Ela conserva ainda OS en- cantos e a do��ura neste estado de sofrimento, e quantos males n��o suportamos para prolong��-la! Mas n��o �� apenas para viver juntos, mas sim para bem viver juntos que se fez O sem O qu��, a so- ciedade compreenderia OS escravos e at�� mesmo OS ou- tros animais. Ora, n��o �� assim. Esses seres n��o partici- pam de forma alguma da felicidade p��blica, nem vivem conforme suas pr��prias vontades. Os homens tampouco se reuniram para formar uma sociedade militar e se precaver contra as agress��es, nem 53Livro II A para estabelecer contratos e fazer trocas de coisas ou ou- Suponhamos, at��, alguns homens: um carpinteiro, tros servi��os. Caso contr��rio, OS tirrenianos e OS cartagi- outro lavrador, outro sapateiro, um quarto de alguma ou- neses e todos OS outros povos que comerciam uns com tra profiss��o. Suponhamos, se se quiser, dez mil deles, re- OS outros seriam membros de uma mesma Eles sidindo separadamente, mas n��o a uma dist��ncia t��o gran- possuem tratados redigidos por escrito, com base nos quais de que n��o se possam comunicar. Eles fizeram um pacto importam e exportam suas mercadorias, garantem-nas de n��o-agress��o no que toca a seus com��rcios e at�� pro- uns aos outros, prometendo defend��-las a m��o armada. meteram tomar armas para sua m��tua defesa, mas n��o Mas n��o t��m, quanto a esses objetos, nenhum magistrado t��m outra comunica����o a n��o ser com��rcio e seus tra- que lhes seja comum. Cada um desses povos tem seus tados. Mais uma vez, esta n��o ser�� uma sociedade civil. em seu pr��prio territ��rio. Eles n��o se preocupam com Por qu��, ent��o? Nesta hip��tese, n��o se dir�� que estejam que OS outros s��o, nem com que fazem, se s��o injus- afastados demais para se comunicarem. Aproximando-se tos corrompidos como particulares, s�� fazendo quest��o assim, a casa de cada um deles assumiria papel de ci- da garantia que ambos OS povos se deram mutuamente de dade e eles se prestariam, gra��as �� sua confedera����o, aju- n��o se lesarem. da contra as agress��es injustas. No entanto, se n��o tives- Aqueles, pelo contr��rio, que se prop��em dar aos Es- sem nessa aproxima����o uma comunica����o mais impor- tados uma boa constitui����o prestam aten����o principal- tante do que a que t��m quando separados, esta ainda n��o mente nas virtudes e nos v��cios que interessam �� socie- seria exatamente uma Cidade ou uma sociedade dade civil, e n��o h�� nenhuma d��vida de que a verdadeira Cidade, portanto, n��o �� precisamente uma comunidade Cidade (a que n��o O �� somente de nome) deve estimar acima de tudo a virtude. Sem isso, n��o ser�� mais do que de lugar, nem foi institu��da simplesmente para se defen- der contra as injusti��as de outrem ou para estabelecer uma liga ou associa����o de armas, diferindo das outras li- com��rcio. Tudo isso deve existir antes da forma����o do Es- gas apenas pelo lugar, isto ��, pela circunst��ncia indife- rente da proximidade ou do afastamento respectivo dos tado, mas n��o basta para A Cidade �� uma sociedade estabelecida, com casas e membros. Sua lei n��o �� sen��o uma simples conven����o de garantia, capaz, diz sofista Licefron, de mant��-los no fam��lias, para viver bem, isto ��, para se levar uma vida dever rec��proco, mas incapaz de torn��-los bons e hones- perfeita e que se baste a si mesma. Ora, isto n��o pode tos cidad��os. acontecer sen��o pela proximidade de habita����o e pelos Para tornar isto mais claro, suponhamos que aproxi- casamentos. Foi para mesmo fim que se institu��ram nas mamos lugares e que as cidades de Megara e Corinto cidades as sociedades particulares, as corpora����es reli- se toquem; esta proximidade n��o far�� com que OS dois giosas e profanas e todos OS outros la��os, afinidades ou Estados se confundam, mesmo que se acertassem casa- maneiras de viver uns com OS outros, obra da amizade, mentos entre uma e outra cidade, apesar de este ser um dos assim como a pr��pria amizade �� efeito de uma escolha la��os mais ��ntimos para a comunica����o m��tua. rec��proca. 54 55A Pol��tica Livro II O fim da sociedade civil ��, portanto, viver bem; to- n��o �� pelos bens exteriores que se adquirem e conser- das as suas institui����es n��o s��o sen��o meios para isso, e vam as virtudes, mas sim que �� pelos talentos e virtudes a pr��pria Cidade �� apenas uma grande comunidade de que se adquirem e conservam OS bens exteriores e que, fam��lias e de aldeias em que a vida encontra todos estes quer se fa��a consistir a felicidade no prazer ou na virtu- meios de perfei����o e de sufici��ncia. �� isto que chama- de, ou em ambos, OS que t��m intelig��ncia e costumes ex- mos uma vida feliz e honesta. A sociedade civil ��, pois, celentes a alcan��am mais facilmente com uma fortuna menos uma sociedade de vida comum do que uma so- med��ocre do que OS que t��m mais do que O necess��rio e ciedade de honra e de carecem dos outros bens. Por pouco que atentemos a isto, a raz��o basta para nos convencer. Os bens exteriores s��o apenas instrumen- As Condi����es da Felicidade Particular tos ��teis, conformes a seu fim, mas semelhantes a qual- quer outro instrumento, cujo excesso necessariamente �� Cremos ter estabelecido suficientemente em outro nocivo ou, pel�� menos, in��til a quem OS manipula. Os lugar em que consiste a felicidade da Contentar-nos- bens da alma, pelo contr��rio, n��o s��o apenas honestos, mas emos aqui em fazer a aplica����o de nossos princ��pios. tamb��m ��teis, e quanto mais excederem a medida co- Ningu��m contestar�� a divis��o, habitual entre OS fil��- mum, mais ter��o utilidade. sofos, dos bens em tr��s classes: da alma, OS do corpo Em geral, as melhores disposi����es e maneiras de ser e OS exteriores. Todos estes bens devem ser encontrados seguem entre si as mesmas propor����es e despropor����es junto ��s pessoas felizes. que seus sujeitos; se, alma, por sua natureza Jamais se contar�� entre elas um homem que n��o tem e relativamente a n��s, tem um valor muito diferente do coragem, nem temperan��a, nem justi��a, nem prud��ncia; corpo e dos bens, seus bons costumes ultrapassam igual- quem tem medo at�� do v��o das moscas no ar; quem se mente OS dessas outras subst��ncias, Tais bens s�� s��o de- entrega a todos OS excessos da bebida e da comida; quem, sej��veis por ela, e todo homem OS deseja para a alma, e pelo mais vil interesse, mataria seus melhores amigos; n��o a alma para eles. Consideremos, pois, como certo que quem demonstra ter t��o pouca raz��o quanto as crian��as cada um cabe uma felicidade proporcional �� virtude e �� e OS furiosos. prud��ncia que tiver, e na medida em que age conforme- Mas, embora estejamos de acordo sobre isso, diferi- mente a elas. Exemplo e prova disto �� Deus, que �� feliz mos quanto ao mais e quanto ao menos. A maioria, pen- n��o por algum bem exterior, mas por si mesmo e por sando que lhes basta ter um pouco de virtude, deseja ul- seus atributos essenciais. A felicidade �� muito diferente trapassar infinitamente OS outros em riqueza, em poder, da boa fortuna. V��m-nos da fortuna OS bens exteriores, em gl��ria e outros que tais. Sobre isto, �� f��cil saber O que mas ningu��m �� justo ou prudente gra��as a ela, nem por pensar: basta consultar a experi��ncia. Todos vemos que seu meio. 56 57A Pol��tica Livro II Dos mesmos princ��pios depende a felicidade do Es- verno e dos neg��cios p��blicos ou a vida retirada e livre tado. �� imposs��vel que um Estado seja feliz se dele a ho- de todos OS embara��os do g��nero? nestidade for banida. N��o h�� nada de bom a esperar dele, N��o entra no plano da Pol��tica determinar O que po- nem tampouco de um particular, sem a virtude e a pru- de convir a cada indiv��duo, mas sim O que conv��m �� d��ncia; a coragem, a justi��a e a prud��ncia t��m no Estado pluralidade. Em nossa ��tica, ali��s, tratamos do primeiro O mesmo car��ter e a mesma influ��ncia que nos particu- ponto. Portanto, n��s omitiremos aqui para nos deter- lares; s��o exatamente OS mesmos que merecem de n��s a mos no outro. reputa����o de corajosos, justos e prudentes. N��o h�� nenhuma d��vida de que O melhor governo Que isto nos sirva de pref��cio. N��o podemos deixar seja aquele no qual cada um encontre a melhor maneira de lembrar estes princ��pios. Como, por��m, eles perten- de viver feliz. Mas aqueles mesmos que concordam em cem a uma outra teoria, n��o nos estenderemos mais aqui preferir a vida virtuosa n��o chegam a um acordo sobre sobre eles����. Basta-nos agora ter estabelecido que a me- se devemos preferir a vida ativa e pol��tica �� vida contem- lhor exist��ncia para cada um em particular e para todos plativa e livre da confus��o dos neg��cios humanos, vida OS Estados �� a virtude com bastante riqueza para poder pra- esta que alguns consideram como a ��nica digna do fil��- tic��-la. sofo. Com efeito, estes dois g��neros de vida, a vida filos��- Se algu��m quiser contest��-lo, n��s lhe daremos em se- fica e a carreira pol��tica, foram escolhidos por todos OS guida uma mais ampla satisfa����o. que, tanto antigos quanto modernos, tiveram a ambi����o de se distinguir por seus m��ritos. E certamente n��o �� de pouca import��ncia saber onde est�� a verdade. Felicidade Privada e Felicidade P��blica �� pr��prio da sabedoria, tanto a de cada homem em particular quanto a de todo Estado em geral, dirigir suas Resta-nos explicar se a felicidade �� id��ntica para O Estado e para cada particular. Que devemos coloc��-la en- a����es e sua conduta para melhor fim. Ora, muitos pen- tre OS mesmos g��neros de bem �� um ponto sobre O qual sam que comandar seus semelhantes, se praticado com todos est��o de acordo. Os que colocam a felicidade do despotismo, �� uma grande injusti��a, mas que, se se co- homem nas riquezas s�� consideram felizes OS Estados ri- manda politicamente, n��o �� uma injusti��a, mas somente Os que a colocam no despotismo e na for��a preten- um obst��culo �� pr��pria tranq��ilidade. Alguns, pelo con- dem que a suprema felicidade do Estado �� dominar v��- tr��rio, julgam que a vida ativa e consagrada aos neg��cios rios outros. Os que n��o v��em outra felicidade para O ho- p��blicos �� a ��nica digna do homem e que jamais se acha- mem que n��o a virtude chamam feliz apenas Estado em r��o na vida privada tantas ocasi��es de exercer cada vir- que a virtude �� honrada. tude quanto no trato dos neg��cios p��blicos e no governo Mas desde o primeiro passo surge uma quest��o para do Estado. Outros chegam a sustentar que despotismo ser examinada: que vida preferir, a que toma parte do go- e imp��rio da for��a s��o, para um povo, a ��nica manei- 58 59A Pol��tica Livro II de ser feliz. Vemos, com efeito, que em alguns Estados derar a domina����o como O objeto da pol��tica, e aquilo governo e as leis tendem �� preocupa����o ��nica de do- que n��o cremos nem justo nem ��til para n��s n��o temos minar OS vizinhos. Por mais que consideremos todas as vergonha de tentar contra OS outros. Eles n��o querem constitui����es espalhadas por diversas regi��es, se suas leis, justi��a no governo a n��o ser para eles pr��prios, mas, se em sua maioria bastante confusas, t��m um fim particular, se trata de comandar OS outros, ela �� a coisa com que me- este fim sempre �� dominar. Na Lacedem��nia e em Creta, nos se preocupam; absurdo revoltante, a menos que a a quase totalidade de sua disciplina e de suas numerosas natureza n��o tenha destinado uns a dominar e n��o tenha regras �� dirigida para a guerra. Em todas as na����es que recusado a outros esta aptid��o. Se ela estabeleceu esta t��m O poder de crescer, entre citas, entre OS persas, distin����o, pelo menos n��o se deve tentar dominar a to- entre OS tr��cios, entre OS celtas, n��o h�� nenhuma profis- dos, mas apenas aos que s�� servem para serem submeti- s��o mais estimada do que a das armas. Em alguns luga- dos. �� assim que n��o se vai �� ca��a para pegar OS homens res, existem leis para estimular a coragem guerreira. Em e com��-los ou mat��-los, mas apenas para pegar OS ani- Cartago, as pessoas s��o decoradas com tantos an��is quan- mais selvagens que s��o tas foram as campanhas que fizeram. Na Maced��nia, N��o existe Estado feliz por si mesmo sen��o O que se uma lei pretendia que aqueles que n��o houvessem mata- constitui sobre as bases da honestidade. �� poss��vel en- do nenhum inimigo tivessem que andar de cabresto. En- contrar algum cuja posi����o n��o permita nem guerrear, tre OS citas, aquele que estivesse nesse caso sofria a nem pensar em vencer. Sua felicidade n��o deixar�� de afronta de n��o beber �� roda, na ta��a das refei����es sole- estar garantida, desde que ele use de civilidade e de leis nes. A Ib��ria, na����o belicosa, levanta ao redor das tum- virtuosas. Portanto, se devemos considerar honestos OS bas tantos obeliscos quantos inimigos defunto matou. exerc��cios militares, n��o �� enquanto fim ��ltimo, mas Em outras partes, encontramos institui����es semelhantes, mo estabelecidos para um fim melhor. ordenadas pelas leis ou estabelecidas pelo costume. Um legislador s��bio s�� deve considerar, no Estado, Contudo, se quisermos prestar aten����o a isto, pare- no g��nero humano ou nas sociedades particulares de que cer�� muito absurdo que a pol��tica ensine a dominar seus �� composto, a sua aptid��o �� vida feliz e g��nero de feli- vizinhos, com ou sem a for��a. Com efeito, como erigir em cidade de que s��o capazes. Isto n��o significa que deva m��xima de Estado ou em lei que n��o �� nem mesmo haver a mesma constitui����o e as mesmas leis em toda �� l��cito comandar sem nenhum direito e ainda parte. Se houver povos vizinhos, �� prudente cuidar da mais contra todo direito. Uma vit��ria injusta n��o pode maneira de se comportar para com eles, dos exerc��cios ser um motivo justo. Este absurdo n��o se observa em ne- militares que esta circunst��ncia exige e dos servi��os que nhuma outra ci��ncia. N��o �� of��cio nem do m��dico, nem podemos prestar-lhes. do piloto persuadir ou fazer viol��ncia, um a seus doentes, �� O que examinaremos logo mais, ao tratar do fim a O outro a seus marinheiros. Mas muitos parecem consi- que deve tender uma boa constitui����o. 60 61A Pol��tica Livro II A Vida Ativa, Fonte das Duas Felicidades amigos a seus amigos, sem se preocupar com todas estas considera����es; que devemos desejar exclusivamente N��o tratamos aqui sen��o dos que concordam com O que h�� de melhor, e n��o h�� nada compar��vel �� felicida- princ��pio de que devemos preferir a vida virtuosa a qual- de que nos proporcionam, mesmo contra nossa vontade. quer outra, mas que n��o est��o de acordo sobre sua apli- Isso poderia ser verdade, se as empresas e atos de ca����o. autoridade que nos chocam pudessem proporcionar-nos Uns n��o d��o nenhuma import��ncia aos cargos pol��ti- efetivamente O que para n��s �� mais desej��vel. Ora, isso �� COS e consideram a vida de um homem livre muito supe- imposs��vel, e esses pretensos governos iludem-se a si mes- rior �� que se leva na confus��o do governo; outros prefe- mos. Para que seus procedimentos fossem toler��veis, rem a vida pol��tica, n��o acreditando que seja poss��vel n��o seria preciso pelo menos que eles tivessem sobre n��s O fazer nada, nem portanto ser feliz quando n��o se faz nada, mesmo poder que tem marido sobre a mulher, O pai nem que se possa conceber a felicidade na ina����o. sobre OS filhos, senhor sobre OS escravos. Sem isso, qual- Uns e outros t��m raz��o at�� certo ponto e se enga- quer que seja sucesso ulterior, n��o podem justificar a nam sobre O resto. inj��ria que nos fizeram antecipadamente ao violar nossa Os primeiros t��m raz��o ao dizer que mais vale viver liberdade. livre do que mandar. N��o h�� nada de magn��fico em se ser- Entre semelhantes, a honestidade e a justi��a consis- vir de um escravo, enquanto escravo, nem em ditar a lei tem em que cada um tenha a sua vez. Apenas isto con- a pessoas que s��o for��adas a obedecer. Mas n��o se deve serva a igualdade. A desigualdade entre iguais e as dis- acreditar que todo mando seja domina����o. O dom��nio exer- tin����es entre semelhantes s��o contra a natureza e, por cido sobre homens livres difere tanto do exercido sobre conseguinte, contra a honestidade. escravos quanto homem nascido para a liberdade dife- Se, por��m, se encontrasse algu��m que ultrapassasse re do homem naturalmente escravo, cuja defini����o de- todos OS outros em m��rito e em poder e tivesse provado mos no come��o deste livro. Al��m disso, n��o �� exato ele- seu valor com grandes fa��anhas, seria belo ceder a ele e var a ina����o acima da vida ativa, j�� que a felicidade con- justo obedecer-lhe. Mas n��o basta ter m��rito, �� preciso ter siste em a����o, e as a����es dos homens justos e modera- bastante energia e atividade para estar certo do ��xito. dos t��m sempre fins honestos. Isto posto, sendo, ali��s, indubit��vel que a felicidade N��o devemos concluir da��, como fazem OS segundos, consiste na a����o, a melhor vida, tanto para Estado in- que nada disso ocorre quando se tem nas m��o O poder, teiro como para cada um em particular, ��, sem d��vida, a meio mais seguro de executar projetos honestos; que, vida ativa. assim, aquele que pode mandar n��o deve deixar man- Ademais, n��o devemos, como alguns imaginam, res- do com um outro, mas antes deve tom��-lo dele, mesmo tringir a vida ativa apenas ��s a����es que terminam fora, nem que seja pai aos seus filhos, OS filhos ao seu pai, OS aos projetos que nascem da ocasi��o. Ela abarca tamb��m 62 63A Pol��tica as medita����es que tratam dessas a����es e desses projetos CAP��TULO VI e que, al��m do contentamento que por si mesmos pro- porcionam, ainda tornam a execu����o mais perfeita. Jamais Da Eugenia e da Educa����o somos t��o senhores da a����o exterior do que quando ela foi precedida de exame e de reflex��o; �� assim que, em arquitetura, m��rito das obras procede da profunda me- dita����o sobre as plantas. Os Estados mais isolados n��o podem permanecer na ociosidade mesmo que queiram, a n��o ser por fra����es de tempo e por intervalos. Se n��o t��m comunica����o com O exterior, h�� ao menos comunica����o necess��ria de uma Como �� a pr��pria virtude que, em nosso sistema, faz parte a outra. O mesmo ocorre com as cidades e com OS bom cidad��o, bom magistrado e homem de bem, indiv��duos entre si. Nem mesmo pr��prio Deus e mun- e como �� preciso come��a obedecendo antes de coman- do inteiro seriam felizes se, al��m de seus atos internos, dar, legislador deve cuidar principalmente de formar eles n��o se manifestassem exteriormente pelos seus be- pessoas honestas, procurar saber por quais exerc��cios nef��cios. nar�� honestos OS cidad��os e sobretudo conhecer bem qual ��, portanto, claro que a fonte da felicidade �� a mes- �� ponto capital da vida feliz. ma para OS Estados e para OS particulares. H�� na alma duas partes distintas, das quais uma, por si mesma, possui a raz��o, e outra n��o participa dela, mas pode Pertencem a estas duas partes as vir- tudes que caracterizam homem de bem Conforme esta distin����o f��cil em qual das duas reside fim a que todo homem se deve propor. bom est�� sempre subordinado ao melhor por sua Observa-se isto tanto nas obras de ar- te quanto nas da natureza. Ora, parte que goza da raz��o d��vida a melhor. nosso sistema esta parte se subdivide em duas outras: a parte ativate a parte contemplativa. Ora, atos devem corresponder a suas faculdades e seguir a mesma divis��o. Aqueles que prov��m da parte mais exce- s��o, por prefer��veis, quer OS compare- mos em bloco, quer confronto se fa��a de um por um. 64 65

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