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O envelhecimento é um processo natural que o organismo passa durante o seu clico de vida, ocasionando alterações fisiológicas e funcionais nos órgãos, tecidos e sistemas. Um dos primeiros órgãos a denunciar que um determinado organismo está envelhecendo é a pele, causando em muitas pessoas incomodo e queda na autoestima. As características de uma pele envelhecida denunciam a idade e até os mesmos hábitos de vida de uma pessoa, pois as regiões que apresentam os primeiros sinais do envelhecimento são justamente aquelas que ficam mais expostas, tais como: face, pescoço e colo. Essas regiões além de sofrerem com o envelhecimento cronológico também são afetadas por fatores epigenéticos, como o sol (BIOT et al, 2012). A toxina botulínica revolucionou os tratamentos estéticos em todo o mundo para paciente de ambos os sexos. O terço superior da face é o local que recebe a maior atenção em tratamentos que utilizam a neurotoxina, obtendo-se resultados bastante satisfatórios na correção de rugas dinâmicas. Não obstante, virou consenso entre os profissionais da saúde que trabalham com a toxina que o seu uso deve ser realizado de forma moderada nos tratamentos. O objetivo é evitar o aspecto de congelamento da face (ausência de expressão) em especial nos pacientes do sexo masculino (MESKI, 2012). O uso da neurotoxina botulínica tipo A foi originado em 1970, como uma alternativa não cirúrgica, primeiramente usada para o tratamento do estrabismo. A partir daí, a lista de utilizações médicas para essa toxina em questão foi crescendo rapidamente. Como técnica estética ela foi averiguada após o tratamento de blefaroespasmo, que se observou pela primeira vez a diminuição das rugas (BERRY;STANEK, 2012). A história da neurotoxina botulínica tipo A começou entre 1817 a 1822 com o alemão Justinus Kerner, que denominou a toxina como “sausage poison”, por observar a presença dessa toxina em salsichas, enlatados e produtos com carnes mal preparadas. Meio século depois, seu compatriota Muller Latinised, denominou a doença como botulismo proveniente de “botulus” = salsicha. No entanto, a bactéria causadora dessa doença, Clostridium botulinum só foi cultivada pela primeira vez, em 1897 por Van Ermengen (ERBGUTH, 2004; VAN ERMENGEN,1897). Em 1949, foi descoberto o mecanismo de ação mais conhecido atualmente na área da estética, proveniente dessa toxina, o bloqueio neuromuscular (BURGEN; DICKENS;ZATMAN, 1949). Um dos primeiros estudos científicos sobre a neurotoxina botulínica tipo A como cosmético foi certamente relatada pelo casal de autores Carruthers em 1992, abordando a melhoria no enrugamento da pele próximo ao tratamento de blefaroespasmo (CARRUTHERS, 1992). Clostridium botulinum é uma bactéria gram positiva, anaeróbica. Apresenta-se em forma de bacilo e forma esporos, o qual produz uma potente exotoxina, direcionada neurologicamente. Existem oito tipos sorológicos de exotoxina, que são reconhecidos com base na especificidade antigênica de cada exotoxina. Estes oito tipos sorológicos são: A, B,C1,C2,D,E,F e G. No entanto, somente os sorotipos A e B são as formas disponíveis comercialmente, sendo a toxina botulínica do tipo A (mais potente). Devido a isso, ela foi utilizada primeiramente para fins terapêuticos e somente anos mais tarde foi utilizada na estética. Já a neurotoxina tipo B é indicada para tratar distúrbios neurológicos, principalmente (PECORA; FILHO, 2012). Ademais, apresentam funções semelhantes e são antigenicamente diferentes, o que permite que aqueles poucos pacientes que desenvolverem anticorpos, ainda podem se beneficiar com o tratamento da outra neurotoxina (BERRY; STANEK, 2012). É importante salientar que a ação da neurotoxina botulínica apresenta diferentes consequências quando injetada dentro da pele, no intuito de técnicas estéticas. Isso porque, injeta-se 200 milhões de vezes menos do que a dose letal (CARTEE; MONHEIT, 2011). Existem atualmente no mercado mundial diferentes tipos de toxinas botulínicas do tipo A. No entanto, no mercado brasileiro há a comercialização de 5 marcas, são elas: Botox (toxina onabotulínica), Dysport (toxina abobotulínica), Prosigne, Xeomin (toxina incobotulínica) e Botulift (PEROCA; FILHO, 2012). A neurotoxina é formada por duas cadeias, uma leve que possui 50 KDa (kilo daltons) e uma pesada constituída por 100 KDa, elas são unidas por uma ponte de dissulfeto. Quando a toxina botulínica encontra-se na forma ativa (150 KDa) ela é envolvida por um complexo proteico constituído por hemaglutininas e não hemaglutininas (proteínas não tóxicas). Essas proteínas protegem a neurotoxina do ataque do suco gástrico quando a toxina encontra-se em algum alimento contaminado ocasionando, portanto o botulismo. (PECORA; FILHO, 2012). O tamanho do complexo proteico da toxina é obtido através da somatória da porção ativa (150 KDa) com às proteínas associadas, que são as hemaglutininas e as não hemaglutininas. Essa composição do complexo pode variar de acordo com o fabricante do produto (PECORA; FILHO, 2012). Além disso, a presença ou ausência de um complexo proteico pode interferir no tamanho do complexo de toxina e consequentemente na antigenicidade do produto (DRESSLER ; HALLETT, 2006). Quando a neurotoxina é ingerida ou injetada o seu mecanismo de ação fica limitado ao sistema nervoso periférico, ou seja, a toxina irá atacar os nervos. Pois, ela não possui a capacidade de ultrapassar a barreira hematomeníngea, ocasionando na musculatura uma paralisia flácida. Este mecanismo de ação pode ser divido em quatro etapas: 1. Ligação da toxina em um dos receptores presentes na porção terminal do neurônio alvo; 2. Penetração ou internalização na terminação nervosa do complexo presente entre a neurotoxina e o receptor do neurônico nas suas vesículas de endocitose; 3. Translocação da cadeia leve do compartimento das vesículas até o citosol da célula; 4. Realização de ataque proteolítico (protease) pela cadeia leve de uma das proteínas de ligação do fator sensível à N-etilmaleimida solúvel (SNARE), responsável pelo acoplamento da membrana e pela fusão das vesículas sinápticas que liberam a acetilcolina, ocasionando a interrupção da exocitose. A ligação entre a toxina e o neurônio alvo ocorre por meio de uma ligação altamente específica entre a cadeia pesada e os receptores que ficam expostos na superfície do neurônio durante a liberação dos neurotransmissores na fenda sináptica (PEROCA; FILHO, 2012). É interessante ressaltar que o receptor da toxina botulínica varia dependendo do sorotipo injetado, quando injetado o sorotipo A o receptor é a proteína SV2, quando injetado o B, o receptor é a sinaptotagmina. Ademais, o tempo de ação desses sorotipos também é diferente, a toxina botulínica do tipo A tem um tempo de ação de vários meses, enquanto que a do tipo B age por um tempo menor. Em alguns casos, depois de passar um tempo da aplicação da toxina botulínica, mas antes que a terminação nervosa tenha recuperado por completo sua funcionalidade, pode vir a ocorrer, a chamada neoinervação, que é o brotamento das terminações nervosas, podendo levar a antecipação da contração muscular. No entanto, isso só acontece quando ainda há ação da toxina botulínica no local, após sua finalização essa neoinvervação se retrai (POULAINA et al,2009; WORTZMAN; PICKETT, 2009). A toxina botulínica atua na placa das terminações neuromusculares colinérgicas pré-sinápticas, inibindo a liberação de vesículas de acetilcolina nessas terminações. As toxinas apresentam diferentes sítios de ação no receptor conhecido como SNARE A recuperação funcional pode ocorrer em 3 a 4 meses, depois que os brotamentos dos axônios novos substituem as placas terminais bloqueadas. A ação da toxina botulínicaem nível molecular consiste na sua ligação extracelular a estruturas glicoproteicas em terminais nervosos colinérgicos e no bloqueio intracelular da secreção de acetilcolina (DE MAIO, 2011). É interessante ressaltar que, a toxina botulínica está relacionada não somente a paralisia muscular, mas também à inibição reflexa espinal,promovendo ainda o bloqueio de fibras autonômicas para músculos lisos e glândulas exócrinas, bem como efeito analgésico por bloqueio da substância P, do glutamato e do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (DE MAIO, 2011). Além disso, a toxina apresenta efeitos indiretos sobre o SNC por não ultrapassar a barreira hematoencefálica, que são: inibição reflexa, reversão das alterações da inibição recíproca, da inibição intracortical e de potenciais evocados somatossensoriais (DE MAIO,2011). A difusão da neurotoxina no organismo é objeto de estudo de várias pesquisas clínicas. Tais estudos relatam que se a toxina for aplicada em excesso ela pode ocasionar o aparecimento de efeitos colaterais indesejados. Vários fatores podem dificultar a difusão correta da substância, tais com (PEROCA; FILHO, 2012): 1. massa molar; 2. volume elevado de soro na reconstituição da toxina; 3. altas doses; 4. conservação inadequada da toxina. De acordo com os princípios de Fick, quanto menor a massa molecular, maior será o raio de difusão de uma substância. Com isso, complexos de neurotoxinas com peso molecular baixo possuem maior raio de difusão quando comparados a complexos que possuem um peso molecular elevado (Beylot, 2009). Entretanto, esse conceito não é compartilhado por todos os pesquisadores, uma vez que outros cientistas abordam que se houver diferença na difusão será por conta da dose e volume inapropriados (PICKETT, DODD, RZANY,2008; PICKETT,2009; WOHLFARTH,2008). Ao longo dos anos a quantidade de proteína clostridial presente nos fracos de toxina foi diminuindo. Na década de 1990 o Botox apresentava 25 ng/frasco de 100 U. Atualmente, esse valor foi reduzido para 5 ng/frasco de 100 U. O valor de proteína clostridial corresponde à quantidade de toxina ativa e inativa presente no frasco. (FREVERT; DRUGS, 2010). Durante a produção e armazenamento parte da neurotoxina pode ser inativada, ademais, todas as preparações possuem alguma porcentagem de toxina inativa, consequentemente essa toxina inativa não possui efeito terapêutico, mas funciona como antígeno na produção de anticorpos neutralizantes (BEYLOT, 2009). A quantidade de toxina presente em um frasco é chamada de atividade biológica específica. Quanto menor a quantidade de neurotoxina inativa e proteína clostridial associada à toxina ativa, maior será o grau de pureza da neurotoxina. A atividade biológica é expressa em U/ng de proteína, e deve ser a maior possível. (FREVERT; DRUGS, 2010). O volume utilizado para a reconstituição da neurotoxina pode ser adaptado de acordo com as preferências do biomédico(a) esteta e necessidades do paciente. No entanto, algumas recomendações de protocolo devem ser mantidas para garantir a eficácia e segurança do tratamento (FILHO; PECORA, 2012). Toxina de qualquer marca deve sempre ser reconstituída em uma solução de cloreto de sódio (NaCL) a 0,9% sem preservativo (soro fisiológico - SF 0,9%) estéril. Algumas marcas são mais sensíveis a fortes diluições e ao turbilhonamento do frasco, pois pode provocar à fixação de toxina ativa no frasco, ocasionando perda da sua potência (FILHO; PECORA, 2012). Determinadas formulações de neurotoxinas podem levar ao desenvolvimento de anticorpos, que podem ser neutralizantes contra o complexo proteico. Os anticorpos neutralizantes são aqueles formulados para atacar a toxina botulínica ativa, causando a anulação ou redução do efeito do tratamento. Os anticorpos que atuam contra o complexo proteico são denominados de não neutralizantes e como o próprio nome já diz não apresentam efeito direto na ação terapêutica (PEROCA; FILHO, 2012). Basicamente qualquer principio proteico não humano pode agir com antígeno, provocando a criação de anticorpos. Outro fator que deve ser levado em conta quando estamos analisando a antigenicidade da toxina é a quantidade de neurotoxina inativa presente no frasco, porque apesar de não apresentar efeito terapêutico, ela possui a capacidade de induzir a criação de anticorpos neutralizantes. Além disso, aplicações frequentes com curtos intervalos entre uma sessão e outra (Exemplo: 1 mês), com dosagens superiores a 200 U (unidades) e injeções intravenosas acidentais também ocasionam a formação de anticorpos neutralizantes (DRESSLER; HALLETT, 2006). Quando a neurotoxina é utilizada para fins estéticos, é utilizada uma reconstituição padrão. Frascos que possuem 100 U de toxina são reconstituídos em 1mL de SF a 0,9% estéril, para reduzir a possibilidade de difusão e tornar a aplicação menos dolorosa, pois quando menor o volume, menor será a distensão (FILHO; PECORA, 2012). Para outros tipos de aplicações, como ocorre no caso dos tratamentos de hiperidrose ou neuralgia pós-herpética, é indicado realizar uma reconstituição em 2mL de SF 0,9%, porque neste tipo de tratamento é preconizado que a toxina atinja uma maior dispersão (FILHO; PECORA, 2012). Classificação estética do padrão muscular segundo DE MAIO A musculatura facial é importantíssima para expressar os sentimentos de uma pessoa, sendo por meio da contração ou relaxamento muscular, ou até mesmo pela junção desses fatores é o que determina e caracteriza muitas vezes a personalidade do indivíduo. Por exemplo, existem pessoas que apresentam uma expressão ou contração mais enrijecida (forte), ou seja, cinética, enquanto outros apresentam expressões hipocinéticas. Desse modo, o tratamento com toxina botulínica deve ser adequado pela característica pessoal ser humano (DE MAIO, 2011). Cinéticos: apresentam movimentação natural, ou seja, apresentam movimentos suficientes e não exagerados, exemplo: ao sorrir, contrai-se o músculo orbicular do olho e forma-se linha de expressão natural e suave na região periorbital (DE MAIO, 2011). Hipercinéticos: apresentam movimentação excessiva de determinado grupo muscular, como por exemplo, o palhaço, que eleva excessivamente o supercílio; ou então pessoas constantemente bravas que contraia região glabelar ou o músculo frontal (DE MAIO, 2011). Hipocinético: apresentam movimentação lenta de determinado grupo muscular. Sua expressividade é baixa (DE MAIO, 2011). Tônico: apresenta o tônus muscular normal, e para sua expressividade as estruturas anatômicas estão posicionadas corretamente (DE MAIO, 2011). Hipertônicos: apresentam distorção anatômica e formação de rugas compostas, perderam a capacidade de relaxar um determinado grupo muscular. Isso é comum nas regiões frontal, glabelar, periorbital, comissuras dos lábios e pescoço, assim como as platismais (DE MAIO, 2011). Hipotônicos e/ou hipocinéticos: apresentam flacidez cutânea, relaxamento excessivo e pouca expressividade. Podem desencadear com o tempo algumas dessas características citadas, como a flacidez, por exemplo, como também podem já estar presentes. Além da flacidez pode haver ptose de determinadas estruturas anatômicas (DE MAIO,2011). Muitos indivíduos podem apresentar padrões musculares variados na face, podendo ser um grupo muscular hipercinético e outro cinético, desse modo, cada região necessitará de um tratamento específico (DE MAIO, 2011). É necessário o conhecimento minucioso da musculatura e da anatomia facial para o uso e a administração adequada da toxina botulínica. • Músculo levantador: • Músculo frontal. • Músculos abaixadores: • Músculo corrugador; • Músculo prócero; • Músculo orbicular do olho. Observação: os músculos corrugadores e prócero formam a glabela. O Músculo frontal origina-se na gálea óssea frontal, e se insere nas fibras do prócero, corrugador e orbicular do olho. O modo de contração desse músculo varia entre as pessoas, existem os que contraem de forma igual e outros que contrai de forma desigual. Lembrando que nos pacientes calvos a contração da musculatura é perceptível, desse modo, deve-se aplicar na área sem o cabelo (FAGIEN,1999). Os pontos devem ser marcados ao longo das linhas transversais da fronte. Em geral, utiliza-se pontos de 1 a 3 unidades adicionadas a intervalos de 1,5 cm através do meio da testa, a um mínimo de 2 cm acima da parte superior da sobrancelhas.Já pacientes que apresentam ptose de sobrancelhas ou ptose da pálpebra superior, aplicar 3 cm acima, mas as vezes a melhor opção é não tratar o músculo frontal(CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2001); • Complicações na região frontal por altas doses: • Ausência de expressão; • Dificuldade de olhar para cima; • Ptose de sobrancelha e piora na ptose de pálpebra superior. As assimetrias podem ocorrer, em geral, pela ausência de aplicação de toxina botulínica nas regiões mais laterais, causando elevação exagerada da porção lateral das sobrancelhas, conferindo um olhar diabólico (MESKI, 2012). Caso esse erro ocorra nas sobrancelhas, elas podem ser corrigidas aplicando a toxina botulínica em uma região mais alta, para que a região inferior do músculo frontal que não recebeu toxina aumente o tônus de repouso e eleve a sobrancelha (MESKI, 2012). Outro ponto chave que deve ser aplicado é acima da linha mediopupilar ou na porção média do orbicular do olho, para que a sobrancelha não fique com aspecto de acento circunflexo (CARRUTHERS; CARRUTHERS, 2007). O tratamento da aplicação de toxina botulínica na região frontal faz total diferença para o rejuvenescimento e para a prevenção do envelhecimento precoce tanto em homens quanto em mulheres, no entanto, este deve vir sempre acompanhado ao tratamento daaplicação na região glabelar, o que permite um resultado mais natural e suave na face(MESKI, 2012). Depois de aplicada a toxina botulínica, em até 15 dias podemos esperar os resultados que podem ser obtidos pela sua ação. Desse modo, deve-se tomar cuidadocom a reaplicação de toxina antes do tempo na região tratada. Na Glabela encontram-se os músculos corrugador dos supercílios e o prócero. O complexo glabelar origina-se na porção nasal do osso frontal, e se estende no sentido lateral e para cima, para inserir no terço médio da sobrancelha. O corrugador é um músculo maisprofundo na porção medial e superficial lateral. É visível uma ondulação na pele durante sua contração. O prócero é um músculo fino, estreito e superficial, é o responsável pela formação de rugas horizontais sobre o ápice nasal (KNIZE, 2000; GOODMAN,1998). Os pontos de aplicação nos músculos corrugadores geralmente são em duas partes, sendo, a parte inferior e a superior dos corrugadores. Nos homens, as doses da aplicação variam de 4 a 12 unidades na região superior e 2 a 8 unidades na região inferior. Nas mulheres de 4 a 8 e 2 a 6 U, respectivamente (MESKI, 2012). A aplicação deve ser feita 1 cm acima da margem óssea supraorbital, para se evitar complicações. Já no prócero, aplica-se de 2 a 8 U em um único ponto central, em uma linha média, abaixo da linha da junção dos supercíclios (MESKI,2012). O músculo orbicular do olho circula a região periorbitária e se insere nos tendões dos cantos interno e externo, assim como nas fibras dos músculos frontal, prócero e corrugadores dos supercílios (AVRAM et al, 2008). Pacientes que apresentam rugas na região periobicular dos olhos (pés-de-galinha) que surgem na área do canto externo dos olhos, se beneficiam com a aplicação demasiada na elevação das sobrancelhas, pois estas atenuam as mesmas (MESKI, 2012). É importante saber diferenciar as rugas das linhas que formam no sorriso pela contração dos músculos zigmáticos que elevam a região malar. Isso porque o excesso de toxina neste local pode indicar um efeito artificial e, em homens pode causar aspecto feminine (WIEDER; MOY, 1998). Os pontos de aplicação no músculo periocular, geralmente são de 2 a 5 pontos variando de 2 a 4 unidades por ponto. Os pontos de aplicação são determinados com o paciente forçando ao máximo o sorriso. As aplicações são realizadas nas áreas que se formam as rugas, distanciando 1 a 2 cm da margem óssea orbital, para se evitar complicações (MESKI, 2012). A complicação mais evidente nessa área é a formação de hematomas, por isso a injeção deve ser bem superficial, intradérmica (MESKI, 2012). A musculatura da face deve ser analisada com um conjunto de forças vetoriais que atuam de forma sinérgica e antagônica. Desse modo, deve-se ter cuidado, por exemplo, com a cauda do supercílio que poderá ser cada vez mais elevada quanto mais fracafor à força de ação da porção temporal depressora do músculo orbicular do olho ou quanto mais fortes forem as fibras laterais do músculo frontal. Contudo, essa força de ação resultante pode ser modificada com o tempo, no processo de envelhecimento (DE MAIO, 2011). A partir da mímica podemos notar que a ação de um músculo ou de um grupo muscular interfere em outros músculos da mesma região. Isso acontece por conta das fibras dosmúsculos que atuam sobre uma área específica, ou seja, a contração de ummúsculo provoca relaxamento de seu antagonista e vice-versa. Com o envelhecimento o vetor gravitacional (descendente), supera os vetores responsáveis pelo aspecto natural e jovem da estrutura facial, observando queda de estruturas anatômicas em sentido caudal (DE MAIO, 2011). As toxinas mais utilizadas na prática clínica são o Botox® e o Dysport®. Segundo os fabricantes o tempo de uso destes compostos é de 24h e 8h após aberto, respectivamente, no entanto, sabe-se que na prática clínica a toxina botulínica normalmente é armazenada no refrigerador por dias até semanas. Com o passar do tempo, tende a diminuir sua eficácia e aumentar o risco de contaminação (DE MAIO, 2011). Diferente do preenchimento que há diversas técnicas de aplicação. A toxina apresenta apenas dois tipos de aplicações. A técnica padrão e a microinjeção. Na técnica Padrão injeta-se no músculo um volume de 0,05 mL ou mais a depender do tipo do músculo conforme já visto nos capítulos anteriores, com uma agulha de calibre 30 ou 32, em ângulo perpendicular ou oblíquo. Esta técnica apresenta um risco de comprometimento menor de músculos vizinhos (DE MAIO, 2011; AVRAM et al,2008). Na técnica de Microinjeção injetam-se na derme pequenas quantidades de toxina botulínica, ou seja, quantidades menores a 0,025 mL a uma distância média de 1 cm, muito superficialmente também com uma agulha no calibre de 30 ou 32. A fim de proporcionar o efeito de mesobotox (AVRAM et al,2008). Fronte O paciente deve fazer a contração do músculo frontal, elevando as sobrancelhas, para observar as assimetrias e linhas de expressão. O objetivo é diminuir as rugas da fronte provocadas pela contração do músculo occipitofrontal. Geralmente, faz um total de 4 a 6 pontos, a dose depende do tipo de musculatura e do produto que estiver usando. Em média dose de Botox® de 10 a 15 UI e de Dysport® de 25 a 40 UI (DE MAIO, 2011). Os pontos laterais determinam o grau de movimento das sobrancelhas, assim quanto mais medial a aplicação, maior o movimento lateral (sobrancelha arqueada). A injeção deve ser feita profundamente, sem contato com o periósteo (AVRAM et al, 2008). Para aplicação da toxina botulínica o paciente deverá apresentar rugas dinâmicas,ouseja, rugas que só podem ser observadas ao contrair a musculatura da face, através de expressões faciais. Exemplificação de Rugas dinâmicas Padrão total É o mais frequente, apresentam rugas (rítides) horizontais por toda a região frontal sendo que avançam lateralmente além das linhas mediopupilares, até o final da cauda das dossupercílios. Sugere-se ponto de aplicação ao longo de toda a musculatura, com doses maiores na região central e menores na região lateral (Figura X) (BRAZ; SAKUMA, 2010). Padrão Médial As rugas horizontais se concentram na região central da fronte, geralmente até a região mediopupilar. Para estes pacientes sugere pontos de aplicação, variando de um a três, na região medial da fronte. Quando utilizam três pontos formam-se um triângulo ao contrário (BRAZ; SAKUMA, 2010). Padrão lateral É o tipo menos frequente, as rugas horizontais apresentam-se nas laterais da fronte, a maioria após a linha mediopupilar. Geralmente apresentam sobrancelhas arqueadas diferentes das demais. Para esses pacientes sugerimos pontos de aplicação nas regiões laterais, com doses baixas, para não comprometer o movimento da cauda da sobrancelha,muitas vezes não é necessário pontos na região central (BRAZ; SAKUMA, 2010). Glabela Normalmente esta é a primeira região a ser tratada com a toxina botulínica. O paciente deve fazer a contração dos músculos corrugador e prócero, fazendo uma feição enfurecida, por exemplo. O objetivo é reduzir as linhas verticais proporcionadas pelos músculos corrugadores e as linhas horizontais originadas pelo músculo prócero. As possíveis complicações são: ptose palpebral e alargamento entre as sobrancelhas. A injeção deve ser feita profundamente, sem contato com o periósteo (DE MAIO, 2011; AVRAM et al, 2008). Orbicular (pés de galinha e pálpebra inferior) O paciente deve fazer a contração do orbicular dos olhos, sorrindo por exemplo. Estas rugas são estáticas e dinâmicas localizando na parte lateral da pálpebra inferior. São injetados superficialmente. A injeção na pálpebra inferior deve ser feita com cautela para evitar resultados indesejáveis, como ressecamento ocular, lagoftalmo (incapacidade total ou parcial da pálpebra fechar) e aparecimento de bolsas palpebrais. As complicações podem ser: equimoses e hematomas (DE MAIO, 2011; AVRAM et al, 2008). A avaliação clínica é primordial para o sucesso do tratamento, desse modo, o exame da função da musculatura facial é feito pela observação do paciente em repouso, com verificação do tônus muscular, da simetria, de contrações e espasmos musculares e das linhas e expressão facial, incluindo sulco nasogeniano. A função motora também é testada. Deve solicitar ao paciente que eleve os supercílios, feche os olhos firmemente, mostre os dentes, contraia os lábios entre outras expressões/mímicas (DE MAIO, 2011). Conforme o paciente realizar as mímicas citadas acima e as linhas de expressão aparecer, com um lápis de maquiagem branco, por exemplo, o profissional irá demarcar a área que será aplicada a toxina fazendo pontos entre as linhas que surgirem. Estes pontos devem ser feitos em locais precisos para que no ocorra ptose, como já comentado em capítulos anteriores (DE MAIO, 2011; AVRAM et al, 2008). Pacientes com esclerose lateral amioatrófica, Miastenia gravis, Esclerose múltipla, e Síndrome de Eaton Lambert todas estas patologias apresentam transmissão neuromuscular que podem se agravar em contato com a toxina botulínica (DE MAIO, 2011). Pacientes que apresentam hipersensibilidade ou alergia à classe de toxina botulínica ou seus incipientes (DE MAIO, 2011). Interações medicamentosas, algumas substâncias como: aminoglicosídeos, ciclosporinas, D-penicililamida, quinidina, sulfato de magnésio, lincosamidas e aminoquinolonas podem interferir na transmissão neuromuscular ou neuroglandular se associadas com a toxina botulínica (DE MAIO, 2011; AVRAM et al, 2008). Além disso, o profissional deve ter cuidado com pacientes dismórficos, pois esses são excessivamente preocupados com defeitos reais ou imaginários. Desse modo, cabe ao profissional que irá realizar a aplicação esclarecer todos os possíveis resultados do procedimento, ainda mais quando sabe que o mesmo não será atingido (DE MAIO, 2011). Até o presente momento não foram publicados dados confiáveis sobre efeitos teratogênicos da toxina botulínica em humanos, mesmo assim devemos evitar tratamentos com mulheres grávidas, lactantes ou pacientes em tratamentos oncológicos (DE MAIO, 2011; AVRAM et al, 2008). Equimoses Os lugares mais comuns do ocorrer são na região frontal e na região periobicular. Para evitarmos esse evento logo após a aplicação pode-se colocar uma compressa gelada no local fazendo pressão. Além disso, o paciente pode ser orientado a suspender o uso de anti-inflamatório não hormonal, alfa-tocoferol e Ginkgo biloba 10 dias antes da aplicação (FILHO; PECORA, 2012). Cefaleia A toxina botulínica pode induzir cefaleia em alguns casos, principalmente quando aplicado na região frontal, com etiologia desconhecida, podendo durar até quatro semanas sendo necessário a administração de analgésicos(FILHO; PECORA, 2012). Muscular A toxina botulínica em excesso pode acarretar em perda de expressão facial, paralisia muscular incompleta, paralisia de músculos inadequados por dispersão da toxina para grupos musculares indesejados (FILHO; PECORA, 2012). Ptose palpebral Pode ocorrer dispersão da toxina botulínica por meio forame orbital, com acometimentodo músculo levantador da pálpebra superior, levando ao aparecimento de ptose palpebralentre 2 a 10 dias. Para evitar essa complicação deve-se respeitar a distância de 1 cm da margem óssea orbital superior, assim como evitar a injeção muito baixa na lateral do nariz, com dispersão da toxina por meio do septo orbital e acometimento do músculo levantados da pálpebra superior. Esse evento geralmente desaparece por volta de um mês. O que pode melhorar e antecipar o estímulo da musculatura é carboxiterapia, eletroestimulação no local da ptose. Colírio de Tartarato de Brimonidina 0,2%, e agonista alfa-adrenérgico, que estimula o músculo Müller também ajuda (1 gota no olho acometido a cada 8 horas) (FILHO; PECORA, 2012). Ptose de sobrancelha Ocorre geralmente com altas doses nos pontos da região frontal. Nessa região a aplicação da toxina botulínica deve ser de 2,5 cm acima da sobrancelha, mantendo sempre algumaativida de do músculo frontal diminuindo o aspecto de congelamento, lembrando queos pontos devem ser sempre entre as linhas hemipupilares (FILHO; PECORA, 2012). Sinal Mefisto Quando o paciente apresenta a sobrancelha com aspecto demoníaco. A correção desse evento indesejado se faz com aplicação posterior de 1 ou 2 U de toxina botulínica (Botox®) nas fibras laterais da região frontal (FILHO; PECORA, 2012). Bunny Lines Consiste na intensificação ou aparecimento de linhas nasais após a aplicação de toxina botulínica tipo A na glabela, evidenciada no sorriso. Pode ser corrigida aplicando 2 UI de Botox® de cada lado da lateral do nariz, no músculo nasal. No entanto, deve ter atençãonessa aplicação, o ideal é aplicar acima da linha nasofacial, evitando o acometimentodo músculo levantador do lábio superior e da asa nasal, com consequente ptose labial (FILHO; PECORA, 2012). Biomédica Esteta (Brasil) Pós graduada em Estética Avançada (Brasil) Especialista em Procedimentos Minimamente Invasivos Fresh Frozen Cadaver MPPIS (USA) Cosmiatra e Cosmetóloga (Peru) Expert em Dermocosmética (Itália) Neurocosmética (Espanha) Docente de Pós Graduação Saúde Estética Palestrante e Speaker Internacional Científica Coautora de 5 livros científicos Criadora do Conceito Doutoras da Beleza® Criadora da Plataforma Pressurizada + 4.000 Alunos formados Membro da Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética.