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5.1 Reinos berberes Os reinos das regiões central e oeste do norte da África se constituíram a partir dos limites de Cartago, em direção oeste. Eles resultaram de confederações formadas por povos de origem berbere. Originaram-se de três linhagens: a dos mauros (mais tarde chamados “mouros”), situada na Mauritânia, na parte mais ocidental do norte africano; a dos massilos, que faziam fronteira com Cartago a leste e com a região central da Berbéria a oeste; e a dos masesilos, que se radicou nesta última região (BUSTAMANTE, 2012; KORMIKIARI, 2007). Esses reinos foram fundados por povos de origem e tradição berbere: nômades, seminômades, alguns em processo de sedentarização. Tais povos eram originariamente compostos por pastores transumantes, cavaleiros e agricultores de zona única ou temporária que praticavam igualmente o comércio e a guerra. São classificados como indígenas ou autóctones, a depender do autor. Sua tradição é tribal, com divisões clânicas e agnastícias (que descendem de linhagem masculina) (KORMIKIARI, 2007). São guerreiros, especialmente os númidas, cuja cavalaria era famosa na Antiguidade e que também aparecem na história como mercenários. Os massilos e os masesilos são chamados pelos autores antigos de “númidas”. Após a Batalha de Zama (202 a.C.), Siphax, o rei dos masesilos, é encurralado pelos massilos e derrotado. Dessa forma, a Numídia passa a ser um reino unificado sob Massinissa (ALVES,2019). Do Sul de toda a região ocupada por Mauritânia, Numídia, Cartago e demais cidades-estados vinculadas aos fenícios, aos gregos ou à própria Cartago até as fronteiras do Egito, os gétulos, também berberes e nômades, dominam o espaço no limite setentrional do Saara. Segundo Warmington (2010, p. 474), os gétulos são “[...] os verdadeiros nômades do Saara [...]”. Além disso, há diversos outros povos e tribos berberes e descendentes de gregos, fenícios e cartagineses (residentes em cidades e colônias) que convivem e dividem esses espaços. 16 As regiões próximas à costa mediterrânea, onde ficavam os reinos da Mauritânia e o dos munidas, eram favoráveis à agricultura e forneciam frutas em quantidade. Essa boa terra, também devido à sua posição geográfica, interessou aos romanos, que acabaram por transformá-la pouco a pouco em províncias romanas, após a queda de Cartago.