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6 Primeiros socorros em casos de traumatismos musculo-esqueléticos, de ferimentos e de hemorragias. Débora Fernanda Amaral Pedrosa Introdução Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, vocês irão aprender sobre os traumatismos musculoesqueléticos, ferimentos e hemorragias. O profissional de saúde deve estar preparado para se deparar com eventos traumáticos que, levam à vítima a sofrer ferimentos em diversos tipos de tecidos e, assim, contribuir para redução dos danos ao prestar os primeiros socorros. Desta forma, nesse capítulo, será abordado as definições, classificação, sinais e sintomas e primeiros socorros prestado à vítima pelo socorrista. Desta forma, convido vocês alunos(as) para conhecer mais sobre os traumatismos musculo- esqueléticos, os ferimentos e as hemorragias e, assim estar apto para socorrer a vítima ao aplicar os seus conhecimentos sobre os primeiros socorros. Objetivos • classificar as lesões traumáticas; • diferenciar os tipos de lesões traumáticas; • reconhecer os sinais e sintomas para cada tipo de lesão traumática; • identificar as ações de primeiros socorros aplicadas para cada tipo de lesão traumática; • classificar os ferimentos; • diferenciar os tipos de ferimentos; • identificar os tipos de sangramento; • saber como controlar as hemorragias. Esquema 6.1 Lesões Musculoesqueléticas 6.1.1 Distensão 6.1.2 Entorses 6.1.3 Luxação 6.1.4 Fratura 6.1.5 Imobilização das lesões musculoesqueléticas 6.2 Ferimentos e hemorragia 6.2.1 Lesões abertas 6.2.2 Lesões fechadas 6.2.3 Hemorragias 6.3 Conclusão 6.1 Lesões Musculoesqueléticas O sistema musculoesquelético tem a função de proteger os orgãos internos, fornecer sustentação ao corpo, dar forma e promover movimento corporal. Fazem parte do sistema musculoesquelético os músculos, o tecido conjuntivo e ossos. As lesões graves nos tecidos musculares e ósseo, ocasionada por meio de acidentes e traumas, levam à vítima à uma situação de emergência. Assim, a vítima poderá sofrer lesões em qualquer uma dessas estruturas e o profissional da saúde deve estar atento para o reconhecimento dos sinais e sintomas e para que possa oferecer os primeiros socorros e realizar a avaliação primária da vítima (ver capítulo 5). Diante disto, será apresentado as principais ocorrências relacionadas ao trauma do tecido musculoesquelético. 6.1.1 Distensão A distensão ocorrre na presença de um estiramento ou torção muscular no qual as fibras e os feixes musculares são atingidos fazendo com que eles se rompam parcialmente ou por completo (Figura 1). As lesões no sistema musculoesquelético podem ser causadas tanto por forças externas, como por forças causadas pelos próprios músculos. Dentre as forças causadas pelo próprio músculo, temos o estiramento (alongamento muscular em excesso) e a distensão (estiramento excessivo na tentídea muscular). Figura 1. Distensão. Fonte: Getty images. https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/muscle-strain-inflammation-of-the-muscles-calf- imagem-royalty-free/1278103624?adppopup=true As distensões são classificadas em três graus. No primeiro, as fibras que compõem o tendão são acometidas e causam dor intensa; no segundo, as fibras do tecido conjuntivo que compõem o tendão se rompem e levam ao quadro de dor intensa acompanhada edema e hematoma; no terceiro, ocorre a ruptura total das fibras do tendão, a vítima também sente muita dor e, o edema e o hematoma são mais intensos. Em primeiros socorros, independentemente do grau de acometimento do tendão, é indicado manter o membro elevado e colocar gelo no local a fim de diminuir a inflamação e o edema no local. Sempre é indicado procurar o médico para avaliar a lesão e indicar o tratamento definitivo. Para prevenção desse tipo de lesão, recomenda-se fortalecimento muscular e alongamento antes de iniciar a atividade que será desempenhada, principalmente antes de iniciar os exercícios físicos. 6.1.2 Entorses No entorse ocorre perda temporária na uniformidade articular. Devido a uma torção brusca de uma articulação para além da sua amplitude, os ligamentos dos tendões e dos músculos são atingidos por estiramentos ou rupturas de ligamentos. O tornozelo é a região onde o entorse é mais frequemente relatado. Existem dois tipos de entorses no tornozelo conforme demonstrado na figura 2, um deles é causado pela inversão (tracionamento das estruturas laterais) e o outro por eversão (tracionamento das estruturas medianas). Figura 2. Tipo de entorse no tornozelo. Fonte: Acervo Uniube. Podemos classificar o entorse em três níveis (Figura 3). No Grau I ocorre apenas o estiramento e menos de 10% das fibras dos ligamentos são atingidas; no Grau II, as lesões são parciais e um maior número de fibras dos ligamentos são acometidas; o Grau III, há o rompimento integral das fibras dos ligamentos. Figura 3. Graus de entorse no tornozelo. Fonte: Acervo Uniube. Dentre os sinais e sintomas, apresentados pela vítima, em lesões causadas pelo entorse podemos citar a dor, o edema, a mobilidade prejudicada e a força diminuída. Em primeiros socorros, devemos aplicar gelo no local afetado e imobilização para dar o seguimento no atendimento à vítima em uma unidade de saúde. Manter o membro elevado, também auxilia na diminuição da dor e do edema. 6.1.3 Luxação As articulações são formadas pelas extremidades de dois ou mais ossos e sua estabilidade está garantida pelos seus ligamentos e cápsulas. O líquido sinovial permite o deslizamento dessas extemidades sem causas atrito entre elas e o movimento da cada articulação possui um grau máximo de mobilidade (amplitude) e caso os movimentos excedem os limites de sua mobilidade, podemos ter lesões nos ligamentos. Podemos dizer que a luxação ocorre quando há um deslocamento parcial ou completo, de maneira súbita e duradoura dos ossos presentes nas articulações. Desta forma, temos a condição onde os ossos podem ser puxados ou empurrados dentro das articulações de modo que eles saiam de sua posição (desconexão articular). As luxações podem ser completas, onde os ossos estão totalmente desunidos; enquanto as luxações incompletas (subluxações), onde há redução na separação entre os ossos daquela articulação. A figura 4 demonstra dois tipos de luxações, a anterior e a posterior. Figura 4. Diferentes luxações de ombro. Fonte: Acervo Uniube. Os sinais e sintomas, característicos para essa condição, são dor intensa, deformidade local, a mobilidade e a força do membro diminuída, membro encurtado ou alongado em relação ao membro sadio. Desta forma, ao se deparar com uma vítima que sofreu uma luxação, o socorrista deverá imobilizar a articulação afetada na posição onde ela foi encontrada. A vítima deverá ser levada a unidade de saúde o mais rápido possível para que o médico possa reposicionar as estruturas desalinhadas. 6.1.4 Fratura As fraturas são traumas que ocorrem quando a capacidade da resistência do osso é menor do que a energia exercida sobre ele. Assim, a fratura ocorre quando há o rompimento parcial ou total de um osso que ocorre por meio de um trauma direto ou indireto. Existem diversos critérios que são utilizados para classificar as fraturas e que se complementam: • Classificação segundo o isolamento: Fratura fechada: Quando o osso está fraturado e a pele continua íntegra, desta forma não haverá comunicação com o meio externo (Figura 5). Figura 5. Fratura simples ou fechada. Fonte: Getty images. https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/broken-arm-x-ray-imagem-royalty- free/168533336?adppopup=true Fratura exposta: Quando o osso fraturado rompe a integridade da pele ou diferentes partes moles (Figura 6). Figura 6. Fratura exposta ou aberta. Fonte: Gettyimages. https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/compound-fracture-imagem-royalty- free/187042512?adppopup=true • Classificaçãosegundo o traço: As fraturas podem ser completas, incompletas; simples, cominutiva, transversa, oblíqua ou espiralada. A figura 7 demonstra a classificação das fraturas de acordo com o tipo de ruptura. https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/compound-fracture-imagem-royalty-free/187042512?adppopup=true https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/compound-fracture-imagem-royalty-free/187042512?adppopup=true Figura 7. Tipo de ruptura nas fraturas. Fonte: Acervo Uniube. • Classificação segundo a localização do traço: Diafisárias: Fraturas que ocorrem no corpo dos ossos. Metafisárias: Fraturas que ocorrem entre o corpo e a extremidade dos ossos. Epifisárias: Fraturas que ocorrem nas extremidades dos ossos. • Classificação segundo ao desvio da fratura: Plano frontal: pode ser medial, lateral, valgo ou varo. Plano sagital: pode ser anterior, posterior ou angular. Plano transversal: rotação externa ou interna. O principal sintoma em uma fratura é a dor intensa no local. Outros sinais e sintomas bem característicos são: edema, deformidade no local, mobilidade prejudicada, perda de força, perda da sensibilidade, crepitação, descoloração ou vermelhidão do membro afetado. Quanto a deformidade, o socorrista deverá comparar o membro afetado com o membro sadio. Dentre as diferenças que poderão ser encontradas, observe nos dois membros; o tamanho, o comprimento, a forma e a posição entre eles (Figura 8). Figura 8. Deformidade no membro fraturado. Fonte: Acervo Uniube. (VOLPON, 2014, p. 160) A remodelação ossea depende de diversos fatores e desta forma, alguns grupos de indivíduos, tais como idosos e mulheres em menopausa, estão mais propensos a vir a ter uma fratura do que outros grupos. Os atletas também estão mais sujeitos a fraturas, desta vez por razão das fraturas de estresse que são microfraturas causadas por sobrecarga constante em uma determinada região. É importante pensar que se houver traumatismo raquimedular, a vítima não deverá ser removida do local até que esteja devidamente imobilizada. Caso a fratura seja exposta ou aberta, o socorrista primeiramente deverá proteger a ferida com gaze (ou tecido limpo) com a finalidade de proteger a lesão de uma possível contaminação e para diminuir o sangramento. Em seguida, o membro atingido deverá ser imobilizado e elevado com cuidado para reduzir a dor e o edema. A imobilização do membro deverá ser realizada com auxílio de talas de uso profissional ou improvisadas com papelão, madeira ou outros materiais rígidos; após será fixada com ataduras ou tecido acima e abaixo das articulações do membro fraturado. O membro afetado será imobilizado na maneira em que se encontra, desta forma, o socorrista nunca deverá reduzir a fratura, ou seja, jamais tentar colocar o osso em posição anatômica, pois essa ação poderá contribuir com a gravidade do traumatismo e aumento das chances de infecção em caso de fratura exposta. Na fratura fechada a imobilização do membro é mais fácil já que não há exposição de tecidos. Entretanto, o socorrista deverá preocupar-se com os possíveis ferimentos internos que podem causar hemorragias ocasionado pelo rompimento de vasos sanguíneos. A imobilização com atadura crepe deve iniciar a partir da região distal para a região proximal do membro fraturado, não é recomendado apertar demasiadamente a região afetada, também não deixe a atadura frouxa. A manipulação ou imobilização inadequada do membro pode tornar a lesão mais grave, como por exemplo, tornar uma fratura fechada em fratura aberta. 6.1.5 Imobilização das lesões musculoesqueléticas Você estudou que em casos de entorses, luxação e fratura a imobilização da vítima é recomendada em primeiros socorros. Para qualquer tipo de imobilização, o socorrista deverá estar atento para algumas recomendações a seguir: • avaliar o pulso, a perfusão e a sensibilidade do local antes e após a imobilização e a cada quinze minutos; • remova as roupas e objetos que estão no local da fratura ou da lesão; • forrar a tala antes de imobilizar a vítima; • proceder com o curativo na ferida antes de imobilizar o local atingido; • ao imobilizar, não comprimir a circulação, os tendões e os tecidos no local; • não forçar a movimentação dos fragmentos ósseos; • imobilizar o membro na posição em que foi encontrado, nunca realinhar o osso fraturado; • aplicar a atadura crepe de modo a manter a tala firme para não deslocar o membro atingido; • a imobilização deve iniciar na região distal para terminar na próximal (Figura 9); • Imobilize a articulação em dois locais, logo acima e abaixo do local da fratura ou da lesão; • Após a vítima estiver imobilizada, ela poderá ser transportada para uma unidade de pronto atendimento. Figura 9. Imobilização com atadura crepe iniciando pela região distal. Fonte: Acervo Uniube. A tipoia pode ser utilizada na imobilização de braços, mãos e ombros. Embora ela não substitua a tala, seu tecido é resistente e suporta a imobilização dessas regiões. Prefira utilizar a tipoia para a manutenção do posicionamento anatômico e a tala para a imobilização do membro (Figura 10). Figura 10. Imobilização do braço com tala improvidada e tipoia. Fonte: Acervo Uniube. As talas utilizadas para a imobilização em primeiros socorros são industrializadas, feitas de EVA moldável e disponibilizadas em diversos tamanhos, porém, não é em toda a situação em que vamos tê-las em mãos. As talas podem ser improvisadas ao utilizar material rígido, tais como feitas em papelão, chapas de madeira, metal, revistas. Mas atenção, pois as talas improvisadas devem obedecer alguns critérios, tais como: ter leveza, mas, ao mesmo tempo, ser rígida; deve ser longa o suficiente para atender o membro inteiro; possuir a largura adequada para o membro lesionado (Figura 11). Figura 11. Imobilização do perna com tala improvidada. Fonte: Acervo Uniube. 6.6 Ferimentos e hemorragia Podemos dizer que o ferimento é definido como a solução de continuidade na pele da vítima. Esse ferimento pode ser causado por meio de um trauma e atingir desde as partes mais superficiais quanto as mais profundas da pele além de outras estruturas internas. Esses tipos de lesões podem ser superficiais ou profundos, apresentar bordas regulares ou irregulares, maceradas ou esmagadas, também pode causar diversos graus de sangramentos, desde os mais discretos até hemorragias graves que pode comprometer a vida da vítima. Em situações de urgência ou emergência, você poderá encontrar basicamente dois tipos de ferimentos: as lesões abertas e as lesões fechadas que serão abordados a seguir. 6.6.1 Lesões abertas Existem diferentes tipos de lesões abertas, a seguir, será demonstrada as características desse tipo de lesões. ➢ Escoriação (Figura 12) • Ferimento em decorrência do atrito com a camada superficial da pele. • Apresenta sangramento discreto devido ao rompimento dos capilares. • Ferimento doloroso. Figura 12. Escoriação. Fonte: Acervo Uniube. ➢ Incisas (Figura 13) • É causada por objeto cortante (faca, vidro, lâminas). • As bordas são regulares. • Ferimento com comprimento e profundidade variados. Figura 13. Ferida incisa. Fonte: Acervo Uniube. ➢ Puntiformes ou perfurantes (Figura 14) • São lesões pequenas e profundas. • Causadas por objetos fino e pontiagudos (prego, furador de gelo). • Podem atingir órgãos. Figura 14. Ferida pontiforme. Fonte: Acervo Uniube. ➢ Contusas (Figura 15) • Ocasionada por aplicação de uma força em objeto de ponta romba (pau, pedra). • As bordas são irregulares. Figura 15. Ferida contusa. Fonte: Acervo Uniube. ➢ Corto-contuso • Ferimento superficial causado por objeto cortante e dotado de força. • As bordas dos ferimentos podem estar regulares ou irregulares. • Sangramento variado que dependerá da vascularização do local atingido.➢ Laceração • Lesões de tecido com bordas irregulares. • São causadas por meio de grandes traumas. ➢ Avulsão • São lesões que apresentam descolamento do tecido em planos profundos. • Ocorre perda de tecido no local. ➢ Esmagamento • Ocasionado por meio de trauma em decorrência da aplicação de força intensa. • Pode causar lesões de órgãos internos. ➢ Amputação (Figura 16) • Remoção de um seguimento corporal. • Ocasionado por trauma ou cirurgia. • Decorre de objetos cortantes, esmagamento ou por tração. Figura 16. Amputação. Fonte: Acervo Uniube. Você conheceu os tipos de lesões abertas mais comuns que são encontradas em situações de Urgência e Emergência. Agora, passamos para o próximo passo que envolve os primeiros socorros das vítimas. • Os primeiros socorros para as lesões abertas Os ferimentos abertos são considerados potencialmente contaminados, pois a vítima se expõe a ambientes externos, sem controle do nível de contaminação, desta forma, esse tipo de ferimento deve ser tratado rapidamente. É importante ficar atento aos sinais vitais da vítima, pois alterações no pulso arterial e na pressão arterial podem indicar perda de grande volume de sangue e choque hipovolêmico. Caso o ferimento seja simples (por exemplo, a escoriação), devemos lavar o local com soro fisiológico ou água e sabão e, em seguida, providenciar a oclusão da ferida com gaze e fita adesiva. Entretanto, nas situações em que ocorrem lesões de grandes proporções, com perda de tecido e sangramento intenso, o socorrista deve providenciar gazes ou um tecido limpo para estancar o sangramento por meio da compressão (Figura 17) e ao mesmo tempo proteger o ferimento. Caso permaneça o sangramento intenso no local do ferimento, não remova as gazes ou o tecido do local, apenas acrescente mais gazes ou tecido por cima do ferimento e continue aplicando a compressão no local. É muito comum algumas pessoas apresentarem sangramento nasal (epistaxe) devido à diversos fatores, como o trauma facial, corpo estranho e ar seco. Apesar de ser uma condição que, na maioria das vezes, não oferece risco à vítima, mas que necessita de avaliação e algumas ações de primeiros socorros, dentre elas, manter a cabeça elevada e flexionada para frente; a compressão da narina afetada por pelo menos cinco minutos e a aplicação de compressas frias ou gelo no local. Caso houver um trauma mais severo, o sangramento for intenso ou se não cessar após a adoção dessas medidas, a vítima deverá ser encaminhada a uma unidade de saúde. Se o ferimento encontrado na vítima for do tipo penetrante ou transfixante, cujo o objeto causador for faca ou pedaço de madeira, o socorrista não deverá remover esse objeto, caso contrário, ele poderá causar maiores danos à vítima e aumentar o sangramento no local do ferimento. Quando houver membros amputados, o socorrista irá priorizar o controle da hemorragia ao realizar o torniquete (Figura 18). Esse tipo de procedimento envolve riscos e somente deve ser utilizado nos casos de amputações traumáticas com perda de membros e hemorragia de difícil controle. Figura 17. Aplicação do torniquete. Fonte: Acervo Uniube. O torniquete não é uma técnica realizada com frequência. Esse procedimento é realizado apenas em casos específicos em que a vítima perdeu um membro e o sangramento no local é intenso. Caso você quiser saber como realizar esse tipo de procedimento, procure em sua biblioteca virtual o livro “Tratado de primeiros socorros” de autoria de Jussara Luongo e leia sobre o assunto na página 194. O membro amputado deve ser recolhido e colocado em um saco plástico com soro fisiológico e, o saco será inserido dentro de uma caixa com gelo, porém, o membro amputado não deve ficar em contato direto com o gelo. A vítima e o membro amputado deverão ser encaminhados o mais rápido possível para uma unidade de pronto socorro. 6.6.2 Lesões fechadas As lesões fechadas podem atingir diferentes estruturas do corpo, tais como, o tecido muscular, articular, tendões, ligamentos, nervos, ossos e vasos. Nesse tipo de ferimento, não há extravasamento de sangue para o meio externo, isso não significa que a vítima não possa apresentar gravidade, desta forma, é imprescindível que o socorrista analise a cena, faça a sequência do ABCDE e aferição dos sinais vitais para estabelecer as condições da vítima. Nesses casos, a vítima irá apresentar sinais de hemorragia interna e choque hipovolêmico, desta forma o socorrista deverá estar atento aos sinais vitais alterados, tais como, a taquicardia, a hipotensão, a hipotermia e a dispneia, além de observar vertigens, suor frio, pele pegajosa, palidez, náuseas, vômitos, agitação, confusão mental e até mesmo o desmaio por falta de irrigação cerebral adequada. Os primeiros socorros para vítimas de traumatismos com lesões fechadas. Ao detectar a hemorragia interna, as medidas adotadas em primeiros socorros são: • manter a vítima deitada, em repouso, • manter a cabeça mais baixa em relação ao corpo, com exceção de trauma raquimedular ou de fratura em calota craniana; • resfriar o local onde está ocorrendo a hemorragia; • não oferecer líquidos ou alimentos a vítima; • acompanhar o estado da vítima com frequência para detectar possíveis alterações. Antes da vítima receber os primeiros socorros, é importante que seja acionado o SME para que a vítima seja encaminhada o mais rápido possível para o atendimento médico de emergência. 6.6.3 Hemorragias O sistema circulatório, composto por artérias, veias e capilares, são responsáveis pela oxigenação de tecidos e órgãos. O volume de sangue para um adulto, com cerca de 70 quilos, é de 5 litros, ou seja, 7% de seu peso corporal; isso não significa que um obeso terá muito mais sangue circulante, desta forma, se a vítima for obesa, o socorrista deverá considerar o volume de sangue circulante para o peso ideal. A hemorragia é o extravasamento de sangue para fora ou dentro do corpo ocasionado pelo rompimento de capilares, veias ou artérias. Ao fluir para fora do corpo, o sangue percorre orifícios naturais (nariz, boca, ouvidos e outros) ou por orifícios em decorrência de trauma (ferimentos ou lesões). A intensidade da hemorragia irá depender do calibre do vaso atingido e existem maneiras de tentar identificar o tipo de vaso que foi acometido pelo trauma (Figura 18). Quando a hemorragia é arterial, o sangue é vermelho vivo, sai em forma de jato e em grande volume; em hemorragia de origem venosa, o sangue é vermelho mais escuro e escorre lentamente, de forma contínua e sem interrupções; no sangramento de um capilar, o sangue sai muito lentamente, em formas de gotas. Hemorragia: perda aguda de volume sanguíneo. Choque hipovolêmico: diminuição da oferta de oxigênio sanguíneo em decorrência da perda excessiva de sangue. Figura 18. Tipos de sangramento. Fonte: Acervo Uniube. As hemorragias são classificadas em classes segundo os sinais e sintomas apresentados pelas vítimas. O quadro 1 mostra a classificação das hemorragias. Quadro 1. Perda estimada de sangue para um adulto de 70 kg. Fonte: Colégio Americano de Cirurgiões (modificado). Classe I Classe II Classe III Classe IV Perda sanguínea (ml) Até 750 750-1500 1500-2000 >2000 Perda sanguínea (%) Até 15% 15%-30% 30%-40% >40% Frequência de pulso (BPM) 140 Pressão arterial (mmHg) Normal ou aumentada Diminuída Diminuída Diminuída Frequência respiratória 14-20 20-30 30-40 >35 Estado mental Levemente ansioso Moderadamente ansioso Ansioso, confuso Confuso, letárgico Desta forma, para o controle da hemorragia o socorrista poderá utilizar três estratégias. • Compressão manual direta (Figura 19). É a compressão diretamente sobre o local atingido utilizando gazes, compressas ou tecidolimpo (toalha, lenço, fronha, etc). essa estratégia tem como objetivo evitar o sangramento no local. • Compressão manual indireta. Trata-se de comprimir a artéria que irriga o local afetado pelo sangramento com a finalidade de diminuir o aporte sanguíneo para a região afetada pelo ferimento. • Elevação do membro afetado. Nesse caso, o socorrista irá elevar o membro da vítima acima do nível do coração dificultando a chegada do sangue até o ferimento. Figura 19. Compressão direta do ferimento. Fonte: Acervo Uniube. O controle da hemorragia será apenas as primeiras abordagens realizadas na cena, pois, em muitas situações, será necessário que a vítima receba outras intervenções, como a reposição do volume perdido por meio de terapia intravenosa. 6.7 Conclusão Ao finalizar o estudo deste capítulo, podemos concluir que existem diversos tipos de traumas que podem atingir diversas estruturas, tais como, a pele, tendões, nervos, músculos, ossos, dentre outros. Dentre os procedimentos de primeiros socorros que poderão ser adotados para as lesões musculoesqueléticas destacam-se a aplicação de terapia térmica, a elevação e a imobilização do membro afetado. As lesões causadas pelo trauma podem ser classificadas em abertas ou fechadas e podem apresentar diversos graus de sangramento. Basicamente, os primeiros socorros para essas situações será a compressão manual direta ou indireta e a elevação do membro afetado. Resumo A principal função do sistema musculoesquelético é de proteger os órgãos internos. Diversos tipos de lesões, desde as mais simples, até as de maior gravidade, podem surgir em decorrência de traumatismos. O estiramento ou a torção das fibras musculares causam seu rompimento, parcial ou total, levando a Distensão. Já o Entorse é causado por uma torção brusca da articulação causando lesões nos ligamentos. Quando temos uma luxação, percebemos a ocorrência de um deslocamento, parcial ou completo, dos ossos presentes nas articulações. A fratura ocorre quando há o rompimento parcial ou total de um osso. Dependendo da estrutura afetada no sistema musculoesquelético por traumatismos, a vítima irá apresentar diferentes sinais e sintomas tais como a dor, edema local, mobilidade prejudicada, perda de força, deformidade local. Os primeiros socorros consistem principalmente na proteção e imobilização do local afetado. Quando o trauma leva ao ferimento na vítima, a solução de continuidade da pele pode ser superficial ou profunda. Em muitas situações, é detectado sangramento ativo devido ao rompimento de capilares, veias ou artérias. Existem diversos tipos de lesões abertas, a escoriação ocorre devido ao atrito com a camada superficial da pele; as lesões incisas são causadas por objetos cortantes; as puntiformes por objetos fino e pontiagudos; as contusas pela aplicação de uma força; as feridas corto-contuso são causadas por objeto cortante e dotado de força; a laceração é causada devido à grandes traumas; na avulsão a vítima perde tecido no local do traumatismo; o esmagamento ocorre devido a aplicação de força intensa sobre o membro afetado e a amputação é quando a vítima perde um seguimento corporal. As lesões fechadas podem atingir diferentes estruturas corporais, entretanto não é observado extravasamento de sangue para o meio externo, entretanto, a vítima pode ter sangramento interno. Os primeiros socorros consistem em cessar a hemorragia ao utilizar diversos procedimentos, tais como, a compressão manual direta e indireta, a elevação do membro afetado e a aplicação do torniquete em casos muito específicos. Leitura(s) Referências BARBIERI, João Francisco; BULGARELLI, Pedro Luiz. Primeiros atendimentos em educação física. Porto Alegre: SAGHA, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção para o SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS: Advanced Trauma Life Support for Doctors. 10 ed., 2018. LUONGO, Jussara. Tratado de primeiros socorros. São Paulo: Rideel, 2014. KARREN, Keit J.; HAFEN, Brent Q.; LIMMER, Daniel; MISTOVICH, Joseph J. 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