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Primeiros socorros em casos de 
traumatismos musculo-esqueléticos, de 
ferimentos e de hemorragias. 
 
 
Débora Fernanda Amaral Pedrosa 
 
 
Introdução 
 
Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, vocês irão aprender sobre os traumatismos 
musculoesqueléticos, ferimentos e hemorragias. 
O profissional de saúde deve estar preparado para se deparar com eventos traumáticos que, 
levam à vítima a sofrer ferimentos em diversos tipos de tecidos e, assim, contribuir para 
redução dos danos ao prestar os primeiros socorros. Desta forma, nesse capítulo, será 
abordado as definições, classificação, sinais e sintomas e primeiros socorros prestado à 
vítima pelo socorrista. 
Desta forma, convido vocês alunos(as) para conhecer mais sobre os traumatismos musculo-
esqueléticos, os ferimentos e as hemorragias e, assim estar apto para socorrer a vítima ao 
aplicar os seus conhecimentos sobre os primeiros socorros. 
 
Objetivos 
 
• classificar as lesões traumáticas; 
• diferenciar os tipos de lesões traumáticas; 
• reconhecer os sinais e sintomas para cada tipo de lesão traumática; 
• identificar as ações de primeiros socorros aplicadas para cada tipo de lesão traumática; 
• classificar os ferimentos; 
• diferenciar os tipos de ferimentos; 
• identificar os tipos de sangramento; 
• saber como controlar as hemorragias. 
 
 
Esquema 
6.1 Lesões Musculoesqueléticas 
6.1.1 Distensão 
6.1.2 Entorses 
6.1.3 Luxação 
6.1.4 Fratura 
6.1.5 Imobilização das lesões musculoesqueléticas 
6.2 Ferimentos e hemorragia 
6.2.1 Lesões abertas 
6.2.2 Lesões fechadas 
6.2.3 Hemorragias 
6.3 Conclusão 
 
 
6.1 Lesões Musculoesqueléticas 
O sistema musculoesquelético tem a função de proteger os orgãos internos, fornecer 
sustentação ao corpo, dar forma e promover movimento corporal. Fazem parte do sistema 
musculoesquelético os músculos, o tecido conjuntivo e ossos. 
As lesões graves nos tecidos musculares e ósseo, ocasionada por meio de acidentes e 
traumas, levam à vítima à uma situação de emergência. Assim, a vítima poderá sofrer lesões 
em qualquer uma dessas estruturas e o profissional da saúde deve estar atento para o 
reconhecimento dos sinais e sintomas e para que possa oferecer os primeiros socorros e 
realizar a avaliação primária da vítima (ver capítulo 5). Diante disto, será apresentado as 
principais ocorrências relacionadas ao trauma do tecido musculoesquelético. 
 
6.1.1 Distensão 
A distensão ocorrre na presença de um estiramento ou torção muscular no qual as fibras e os 
feixes musculares são atingidos fazendo com que eles se rompam parcialmente ou por 
completo (Figura 1). 
As lesões no sistema musculoesquelético podem ser causadas tanto por forças externas, 
como por forças causadas pelos próprios músculos. Dentre as forças causadas pelo próprio 
músculo, temos o estiramento (alongamento muscular em excesso) e a distensão 
(estiramento excessivo na tentídea muscular). 
 
 
Figura 1. Distensão. 
Fonte: Getty images. 
https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/muscle-strain-inflammation-of-the-muscles-calf-
imagem-royalty-free/1278103624?adppopup=true 
As distensões são classificadas em três graus. No primeiro, as fibras que compõem o tendão 
são acometidas e causam dor intensa; no segundo, as fibras do tecido conjuntivo que 
compõem o tendão se rompem e levam ao quadro de dor intensa acompanhada edema e 
hematoma; no terceiro, ocorre a ruptura total das fibras do tendão, a vítima também sente 
muita dor e, o edema e o hematoma são mais intensos. 
Em primeiros socorros, independentemente do grau de acometimento do tendão, é indicado 
manter o membro elevado e colocar gelo no local a fim de diminuir a inflamação e o edema 
no local. Sempre é indicado procurar o médico para avaliar a lesão e indicar o tratamento 
definitivo. 
Para prevenção desse tipo de lesão, recomenda-se fortalecimento muscular e alongamento 
antes de iniciar a atividade que será desempenhada, principalmente antes de iniciar os 
exercícios físicos. 
 
6.1.2 Entorses 
No entorse ocorre perda temporária na uniformidade articular. Devido a uma torção brusca de 
uma articulação para além da sua amplitude, os ligamentos dos tendões e dos músculos são 
atingidos por estiramentos ou rupturas de ligamentos. 
O tornozelo é a região onde o entorse é mais frequemente relatado. Existem dois tipos de 
entorses no tornozelo conforme demonstrado na figura 2, um deles é causado pela inversão 
(tracionamento das estruturas laterais) e o outro por eversão (tracionamento das estruturas 
medianas). 
 
Figura 2. Tipo de entorse no tornozelo. 
Fonte: Acervo Uniube. 
Podemos classificar o entorse em três níveis (Figura 3). No Grau I ocorre apenas o 
estiramento e menos de 10% das fibras dos ligamentos são atingidas; no Grau II, as lesões 
são parciais e um maior número de fibras dos ligamentos são acometidas; o Grau III, há o 
rompimento integral das fibras dos ligamentos. 
 
Figura 3. Graus de entorse no tornozelo. 
Fonte: Acervo Uniube. 
Dentre os sinais e sintomas, apresentados pela vítima, em lesões causadas pelo entorse 
podemos citar a dor, o edema, a mobilidade prejudicada e a força diminuída. 
Em primeiros socorros, devemos aplicar gelo no local afetado e imobilização para dar o 
seguimento no atendimento à vítima em uma unidade de saúde. Manter o membro elevado, 
também auxilia na diminuição da dor e do edema. 
6.1.3 Luxação 
As articulações são formadas pelas extremidades de dois ou mais ossos e sua estabilidade 
está garantida pelos seus ligamentos e cápsulas. O líquido sinovial permite o deslizamento 
dessas extemidades sem causas atrito entre elas e o movimento da cada articulação possui 
um grau máximo de mobilidade (amplitude) e caso os movimentos excedem os limites de sua 
mobilidade, podemos ter lesões nos ligamentos. 
Podemos dizer que a luxação ocorre quando há um deslocamento parcial ou completo, de 
maneira súbita e duradoura dos ossos presentes nas articulações. Desta forma, temos a 
condição onde os ossos podem ser puxados ou empurrados dentro das articulações de modo 
que eles saiam de sua posição (desconexão articular). 
As luxações podem ser completas, onde os ossos estão totalmente desunidos; enquanto as 
luxações incompletas (subluxações), onde há redução na separação entre os ossos daquela 
articulação. A figura 4 demonstra dois tipos de luxações, a anterior e a posterior. 
 
Figura 4. Diferentes luxações de ombro. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
Os sinais e sintomas, característicos para essa condição, são dor intensa, deformidade local, 
a mobilidade e a força do membro diminuída, membro encurtado ou alongado em relação ao 
membro sadio. 
Desta forma, ao se deparar com uma vítima que sofreu uma luxação, o socorrista deverá 
imobilizar a articulação afetada na posição onde ela foi encontrada. A vítima deverá ser levada 
a unidade de saúde o mais rápido possível para que o médico possa reposicionar as 
estruturas desalinhadas. 
 
6.1.4 Fratura 
As fraturas são traumas que ocorrem quando a capacidade da resistência do osso é menor 
do que a energia exercida sobre ele. Assim, a fratura ocorre quando há o rompimento parcial 
ou total de um osso que ocorre por meio de um trauma direto ou indireto. 
Existem diversos critérios que são utilizados para classificar as fraturas e que se 
complementam: 
• Classificação segundo o isolamento: 
Fratura fechada: Quando o osso está fraturado e a pele continua íntegra, desta forma não 
haverá comunicação com o meio externo (Figura 5). 
 
Figura 5. Fratura simples ou fechada. 
Fonte: Getty images. 
https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/broken-arm-x-ray-imagem-royalty-
free/168533336?adppopup=true 
 
 
Fratura exposta: Quando o osso fraturado rompe a integridade da pele ou diferentes partes 
moles (Figura 6). 
 
 
Figura 6. Fratura exposta ou aberta. 
Fonte: Gettyimages. 
https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/compound-fracture-imagem-royalty-
free/187042512?adppopup=true 
 
• Classificaçãosegundo o traço: 
As fraturas podem ser completas, incompletas; simples, cominutiva, transversa, oblíqua ou 
espiralada. A figura 7 demonstra a classificação das fraturas de acordo com o tipo de ruptura. 
 
https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/compound-fracture-imagem-royalty-free/187042512?adppopup=true
https://www.gettyimages.com.br/detail/foto/compound-fracture-imagem-royalty-free/187042512?adppopup=true
 
 
Figura 7. Tipo de ruptura nas fraturas. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
 
• Classificação segundo a localização do traço: 
Diafisárias: Fraturas que ocorrem no corpo dos ossos. 
Metafisárias: Fraturas que ocorrem entre o corpo e a extremidade dos ossos. 
Epifisárias: Fraturas que ocorrem nas extremidades dos ossos. 
 
 
• Classificação segundo ao desvio da fratura: 
Plano frontal: pode ser medial, lateral, valgo ou varo. 
Plano sagital: pode ser anterior, posterior ou angular. 
Plano transversal: rotação externa ou interna. 
 
 
O principal sintoma em uma fratura é a dor intensa no local. Outros sinais e sintomas bem 
característicos são: edema, deformidade no local, mobilidade prejudicada, perda de força, 
perda da sensibilidade, crepitação, descoloração ou vermelhidão do membro afetado. 
Quanto a deformidade, o socorrista deverá comparar o membro afetado com o membro sadio. 
Dentre as diferenças que poderão ser encontradas, observe nos dois membros; o tamanho, o 
comprimento, a forma e a posição entre eles (Figura 8). 
 
 
Figura 8. Deformidade no membro fraturado. 
Fonte: Acervo Uniube. (VOLPON, 2014, p. 160) 
A remodelação ossea depende de diversos fatores e desta forma, alguns grupos de 
indivíduos, tais como idosos e mulheres em menopausa, estão mais propensos a vir a ter uma 
fratura do que outros grupos. Os atletas também estão mais sujeitos a fraturas, desta vez por 
razão das fraturas de estresse que são microfraturas causadas por sobrecarga constante em 
uma determinada região. 
É importante pensar que se houver traumatismo raquimedular, a vítima não deverá ser 
removida do local até que esteja devidamente imobilizada. 
Caso a fratura seja exposta ou aberta, o socorrista primeiramente deverá proteger a ferida 
com gaze (ou tecido limpo) com a finalidade de proteger a lesão de uma possível 
contaminação e para diminuir o sangramento. Em seguida, o membro atingido deverá ser 
imobilizado e elevado com cuidado para reduzir a dor e o edema. 
A imobilização do membro deverá ser realizada com auxílio de talas de uso profissional ou 
improvisadas com papelão, madeira ou outros materiais rígidos; após será fixada com 
ataduras ou tecido acima e abaixo das articulações do membro fraturado. 
O membro afetado será imobilizado na maneira em que se encontra, desta forma, o socorrista 
nunca deverá reduzir a fratura, ou seja, jamais tentar colocar o osso em posição anatômica, 
pois essa ação poderá contribuir com a gravidade do traumatismo e aumento das chances de 
infecção em caso de fratura exposta. 
Na fratura fechada a imobilização do membro é mais fácil já que não há exposição de tecidos. 
Entretanto, o socorrista deverá preocupar-se com os possíveis ferimentos internos que podem 
causar hemorragias ocasionado pelo rompimento de vasos sanguíneos. 
A imobilização com atadura crepe deve iniciar a partir da região distal para a região proximal 
do membro fraturado, não é recomendado apertar demasiadamente a região afetada, também 
não deixe a atadura frouxa. A manipulação ou imobilização inadequada do membro pode 
tornar a lesão mais grave, como por exemplo, tornar uma fratura fechada em fratura aberta. 
 
6.1.5 Imobilização das lesões musculoesqueléticas 
Você estudou que em casos de entorses, luxação e fratura a imobilização da vítima é 
recomendada em primeiros socorros. Para qualquer tipo de imobilização, o socorrista 
deverá estar atento para algumas recomendações a seguir: 
• avaliar o pulso, a perfusão e a sensibilidade do local antes e após a imobilização e a 
cada quinze minutos; 
• remova as roupas e objetos que estão no local da fratura ou da lesão; 
• forrar a tala antes de imobilizar a vítima; 
• proceder com o curativo na ferida antes de imobilizar o local atingido; 
• ao imobilizar, não comprimir a circulação, os tendões e os tecidos no local; 
• não forçar a movimentação dos fragmentos ósseos; 
• imobilizar o membro na posição em que foi encontrado, nunca realinhar o osso 
fraturado; 
• aplicar a atadura crepe de modo a manter a tala firme para não deslocar o membro 
atingido; 
• a imobilização deve iniciar na região distal para terminar na próximal (Figura 9); 
• Imobilize a articulação em dois locais, logo acima e abaixo do local da fratura ou da 
lesão; 
• Após a vítima estiver imobilizada, ela poderá ser transportada para uma unidade de 
pronto atendimento. 
 
 
Figura 9. Imobilização com atadura crepe iniciando pela região distal. 
Fonte: Acervo Uniube. 
A tipoia pode ser utilizada na imobilização de braços, mãos e ombros. Embora ela não substitua 
a tala, seu tecido é resistente e suporta a imobilização dessas regiões. Prefira utilizar a tipoia 
para a manutenção do posicionamento anatômico e a tala para a imobilização do membro (Figura 
10). 
 
Figura 10. Imobilização do braço com tala improvidada e tipoia. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
As talas utilizadas para a imobilização em primeiros socorros são industrializadas, feitas de EVA 
moldável e disponibilizadas em diversos tamanhos, porém, não é em toda a situação em que 
vamos tê-las em mãos. 
As talas podem ser improvisadas ao utilizar material rígido, tais como feitas em papelão, chapas 
de madeira, metal, revistas. Mas atenção, pois as talas improvisadas devem obedecer alguns 
critérios, tais como: ter leveza, mas, ao mesmo tempo, ser rígida; deve ser longa o suficiente 
para atender o membro inteiro; possuir a largura adequada para o membro lesionado (Figura 
11). 
 
 
Figura 11. Imobilização do perna com tala improvidada. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
 
6.6 Ferimentos e hemorragia 
Podemos dizer que o ferimento é definido como a solução de continuidade na pele da vítima. 
Esse ferimento pode ser causado por meio de um trauma e atingir desde as partes mais 
superficiais quanto as mais profundas da pele além de outras estruturas internas. 
Esses tipos de lesões podem ser superficiais ou profundos, apresentar bordas regulares ou 
irregulares, maceradas ou esmagadas, também pode causar diversos graus de sangramentos, 
desde os mais discretos até hemorragias graves que pode comprometer a vida da vítima. 
Em situações de urgência ou emergência, você poderá encontrar basicamente dois tipos de 
ferimentos: as lesões abertas e as lesões fechadas que serão abordados a seguir. 
 
 
6.6.1 Lesões abertas 
Existem diferentes tipos de lesões abertas, a seguir, será demonstrada as características desse 
tipo de lesões. 
 
 
➢ Escoriação (Figura 12) 
• Ferimento em decorrência do atrito com a camada superficial da pele. 
• Apresenta sangramento discreto devido ao rompimento dos capilares. 
• Ferimento doloroso. 
 
 
Figura 12. Escoriação. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
 
➢ Incisas (Figura 13) 
• É causada por objeto cortante (faca, vidro, lâminas). 
• As bordas são regulares. 
• Ferimento com comprimento e profundidade variados. 
 
 
Figura 13. Ferida incisa. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
 
➢ Puntiformes ou perfurantes (Figura 14) 
• São lesões pequenas e profundas. 
• Causadas por objetos fino e pontiagudos (prego, furador de gelo). 
• Podem atingir órgãos. 
 
 
Figura 14. Ferida pontiforme. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
➢ Contusas (Figura 15) 
• Ocasionada por aplicação de uma força em objeto de ponta romba (pau, pedra). 
• As bordas são irregulares. 
 
 
Figura 15. Ferida contusa. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
➢ Corto-contuso 
• Ferimento superficial causado por objeto cortante e dotado de força. 
• As bordas dos ferimentos podem estar regulares ou irregulares. 
• Sangramento variado que dependerá da vascularização do local atingido.➢ Laceração 
• Lesões de tecido com bordas irregulares. 
• São causadas por meio de grandes traumas. 
 
➢ Avulsão 
• São lesões que apresentam descolamento do tecido em planos profundos. 
• Ocorre perda de tecido no local. 
 
➢ Esmagamento 
• Ocasionado por meio de trauma em decorrência da aplicação de força intensa. 
• Pode causar lesões de órgãos internos. 
 
➢ Amputação (Figura 16) 
• Remoção de um seguimento corporal. 
• Ocasionado por trauma ou cirurgia. 
• Decorre de objetos cortantes, esmagamento ou por tração. 
 
 
 
Figura 16. Amputação. 
Fonte: Acervo Uniube. 
Você conheceu os tipos de lesões abertas mais comuns que são encontradas em situações de 
Urgência e Emergência. Agora, passamos para o próximo passo que envolve os primeiros 
socorros das vítimas. 
 
• Os primeiros socorros para as lesões abertas 
Os ferimentos abertos são considerados potencialmente contaminados, pois a vítima se expõe 
a ambientes externos, sem controle do nível de contaminação, desta forma, esse tipo de 
ferimento deve ser tratado rapidamente. 
É importante ficar atento aos sinais vitais da vítima, pois alterações no pulso arterial e na 
pressão arterial podem indicar perda de grande volume de sangue e choque hipovolêmico. 
Caso o ferimento seja simples (por exemplo, a escoriação), devemos lavar o local com soro 
fisiológico ou água e sabão e, em seguida, providenciar a oclusão da ferida com gaze e fita 
adesiva. Entretanto, nas situações em que ocorrem lesões de grandes proporções, com perda 
de tecido e sangramento intenso, o socorrista deve providenciar gazes ou um tecido limpo para 
estancar o sangramento por meio da compressão (Figura 17) e ao mesmo tempo proteger o 
ferimento. 
Caso permaneça o sangramento intenso no local do ferimento, não remova as gazes ou o 
tecido do local, apenas acrescente mais gazes ou tecido por cima do ferimento e continue 
aplicando a compressão no local. 
É muito comum algumas pessoas apresentarem sangramento nasal (epistaxe) devido à 
diversos fatores, como o trauma facial, corpo estranho e ar seco. Apesar de ser uma condição 
que, na maioria das vezes, não oferece risco à vítima, mas que necessita de avaliação e 
algumas ações de primeiros socorros, dentre elas, manter a cabeça elevada e flexionada para 
frente; a compressão da narina afetada por pelo menos cinco minutos e a aplicação de 
compressas frias ou gelo no local. 
Caso houver um trauma mais severo, o sangramento for intenso ou se não cessar após a 
adoção dessas medidas, a vítima deverá ser encaminhada a uma unidade de saúde. 
Se o ferimento encontrado na vítima for do tipo penetrante ou transfixante, cujo o objeto 
causador for faca ou pedaço de madeira, o socorrista não deverá remover esse objeto, caso 
contrário, ele poderá causar maiores danos à vítima e aumentar o sangramento no local do 
ferimento. 
Quando houver membros amputados, o socorrista irá priorizar o controle da hemorragia ao 
realizar o torniquete (Figura 18). Esse tipo de procedimento envolve riscos e somente deve ser 
utilizado nos casos de amputações traumáticas com perda de membros e hemorragia de difícil 
controle. 
 
 
Figura 17. Aplicação do torniquete. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
O torniquete não é uma técnica realizada com frequência. Esse procedimento é realizado 
apenas em casos específicos em que a vítima perdeu um membro e o sangramento no local é 
intenso. Caso você quiser saber como realizar esse tipo de procedimento, procure em sua 
biblioteca virtual o livro “Tratado de primeiros socorros” de autoria de Jussara Luongo e leia 
sobre o assunto na página 194. 
 
O membro amputado deve ser recolhido e colocado em um saco plástico com soro fisiológico 
e, o saco será inserido dentro de uma caixa com gelo, porém, o membro amputado não deve 
ficar em contato direto com o gelo. A vítima e o membro amputado deverão ser encaminhados 
o mais rápido possível para uma unidade de pronto socorro. 
 
 
6.6.2 Lesões fechadas 
As lesões fechadas podem atingir diferentes estruturas do corpo, tais como, o tecido muscular, 
articular, tendões, ligamentos, nervos, ossos e vasos. Nesse tipo de ferimento, não há 
extravasamento de sangue para o meio externo, isso não significa que a vítima não possa 
apresentar gravidade, desta forma, é imprescindível que o socorrista analise a cena, faça a 
sequência do ABCDE e aferição dos sinais vitais para estabelecer as condições da vítima. 
Nesses casos, a vítima irá apresentar sinais de hemorragia interna e choque hipovolêmico, 
desta forma o socorrista deverá estar atento aos sinais vitais alterados, tais como, a 
taquicardia, a hipotensão, a hipotermia e a dispneia, além de observar vertigens, suor frio, pele 
pegajosa, palidez, náuseas, vômitos, agitação, confusão mental e até mesmo o desmaio por 
falta de irrigação cerebral adequada. 
 
Os primeiros socorros para vítimas de traumatismos com lesões fechadas. 
Ao detectar a hemorragia interna, as medidas adotadas em primeiros socorros são: 
• manter a vítima deitada, em repouso, 
• manter a cabeça mais baixa em relação ao corpo, com exceção de trauma raquimedular ou 
de fratura em calota craniana; 
• resfriar o local onde está ocorrendo a hemorragia; 
• não oferecer líquidos ou alimentos a vítima; 
• acompanhar o estado da vítima com frequência para detectar possíveis alterações. 
 
Antes da vítima receber os primeiros socorros, é importante que seja acionado o SME para que 
a vítima seja encaminhada o mais rápido possível para o atendimento médico de emergência. 
 
6.6.3 Hemorragias 
O sistema circulatório, composto por artérias, veias e capilares, são responsáveis pela 
oxigenação de tecidos e órgãos. O volume de sangue para um adulto, com cerca de 70 quilos, 
é de 5 litros, ou seja, 7% de seu peso corporal; isso não significa que um obeso terá muito mais 
sangue circulante, desta forma, se a vítima for obesa, o socorrista deverá considerar o volume 
de sangue circulante para o peso ideal. 
A hemorragia é o extravasamento de sangue para fora ou dentro do corpo ocasionado pelo 
rompimento de capilares, veias ou artérias. Ao fluir para fora do corpo, o sangue percorre 
orifícios naturais (nariz, boca, ouvidos e outros) ou por orifícios em decorrência de trauma 
(ferimentos ou lesões). 
A intensidade da hemorragia irá depender do calibre do vaso atingido e existem maneiras de 
tentar identificar o tipo de vaso que foi acometido pelo trauma (Figura 18). Quando a 
hemorragia é arterial, o sangue é vermelho vivo, sai em forma de jato e em grande volume; em 
hemorragia de origem venosa, o sangue é vermelho mais escuro e escorre lentamente, de 
forma contínua e sem interrupções; no sangramento de um capilar, o sangue sai muito 
lentamente, em formas de gotas. 
 
 
Hemorragia: perda aguda de volume sanguíneo. 
Choque hipovolêmico: diminuição da oferta de oxigênio sanguíneo em decorrência da 
perda excessiva de sangue. 
 
 
 
 
Figura 18. Tipos de sangramento. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
As hemorragias são classificadas em classes segundo os sinais e sintomas apresentados pelas 
vítimas. O quadro 1 mostra a classificação das hemorragias. 
 
Quadro 1. Perda estimada de sangue para um adulto de 70 kg. 
Fonte: Colégio Americano de Cirurgiões (modificado). 
 
 Classe I Classe II Classe III Classe IV 
Perda 
sanguínea (ml) 
Até 750 750-1500 1500-2000 >2000 
Perda 
sanguínea (%) 
Até 15% 15%-30% 30%-40% >40% 
Frequência de 
pulso (BPM) 
140 
Pressão arterial 
(mmHg) 
Normal ou 
aumentada 
Diminuída Diminuída Diminuída 
Frequência 
respiratória 
14-20 20-30 30-40 >35 
Estado mental Levemente 
ansioso 
Moderadamente 
ansioso 
Ansioso, 
confuso 
Confuso, 
letárgico 
 
 
Desta forma, para o controle da hemorragia o socorrista poderá utilizar três estratégias. 
• Compressão manual direta (Figura 19). 
É a compressão diretamente sobre o local atingido utilizando gazes, compressas ou tecidolimpo (toalha, lenço, fronha, etc). essa estratégia tem como objetivo evitar o sangramento no 
local. 
• Compressão manual indireta. 
Trata-se de comprimir a artéria que irriga o local afetado pelo sangramento com a finalidade de 
diminuir o aporte sanguíneo para a região afetada pelo ferimento. 
• Elevação do membro afetado. 
Nesse caso, o socorrista irá elevar o membro da vítima acima do nível do coração dificultando 
a chegada do sangue até o ferimento. 
 
 
Figura 19. Compressão direta do ferimento. 
Fonte: Acervo Uniube. 
 
O controle da hemorragia será apenas as primeiras abordagens realizadas na cena, pois, em 
muitas situações, será necessário que a vítima receba outras intervenções, como a reposição 
do volume perdido por meio de terapia intravenosa. 
 
 
6.7 Conclusão 
Ao finalizar o estudo deste capítulo, podemos concluir que existem diversos tipos de traumas 
que podem atingir diversas estruturas, tais como, a pele, tendões, nervos, músculos, ossos, 
dentre outros. Dentre os procedimentos de primeiros socorros que poderão ser adotados para 
as lesões musculoesqueléticas destacam-se a aplicação de terapia térmica, a elevação e a 
imobilização do membro afetado. As lesões causadas pelo trauma podem ser classificadas em 
abertas ou fechadas e podem apresentar diversos graus de sangramento. Basicamente, os 
primeiros socorros para essas situações será a compressão manual direta ou indireta e a 
elevação do membro afetado. 
 
 
Resumo 
 
A principal função do sistema musculoesquelético é de proteger os órgãos internos. Diversos 
tipos de lesões, desde as mais simples, até as de maior gravidade, podem surgir em 
decorrência de traumatismos. O estiramento ou a torção das fibras musculares causam seu 
rompimento, parcial ou total, levando a Distensão. Já o Entorse é causado por uma torção 
brusca da articulação causando lesões nos ligamentos. Quando temos uma luxação, 
percebemos a ocorrência de um deslocamento, parcial ou completo, dos ossos presentes nas 
articulações. A fratura ocorre quando há o rompimento parcial ou total de um osso. 
Dependendo da estrutura afetada no sistema musculoesquelético por traumatismos, a vítima 
irá apresentar diferentes sinais e sintomas tais como a dor, edema local, mobilidade 
prejudicada, perda de força, deformidade local. Os primeiros socorros consistem 
principalmente na proteção e imobilização do local afetado. 
Quando o trauma leva ao ferimento na vítima, a solução de continuidade da pele pode ser 
superficial ou profunda. Em muitas situações, é detectado sangramento ativo devido ao 
rompimento de capilares, veias ou artérias. Existem diversos tipos de lesões abertas, a 
escoriação ocorre devido ao atrito com a camada superficial da pele; as lesões incisas são 
causadas por objetos cortantes; as puntiformes por objetos fino e pontiagudos; as contusas 
pela aplicação de uma força; as feridas corto-contuso são causadas por objeto cortante e 
dotado de força; a laceração é causada devido à grandes traumas; na avulsão a vítima perde 
tecido no local do traumatismo; o esmagamento ocorre devido a aplicação de força intensa 
sobre o membro afetado e a amputação é quando a vítima perde um seguimento corporal. As 
lesões fechadas podem atingir diferentes estruturas corporais, entretanto não é observado 
extravasamento de sangue para o meio externo, entretanto, a vítima pode ter sangramento 
interno. Os primeiros socorros consistem em cessar a hemorragia ao utilizar diversos 
procedimentos, tais como, a compressão manual direta e indireta, a elevação do membro 
afetado e a aplicação do torniquete em casos muito específicos. 
 
Leitura(s) 
 
 
Referências 
 
BARBIERI, João Francisco; BULGARELLI, Pedro Luiz. Primeiros atendimentos em 
educação física. Porto Alegre: SAGHA, 2018. 
 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção 
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