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Introdução ao 
Estudo do Direito
LIVRO
UNIDADE 1
Aline Regina das Neves 
Direito, Justiça, Ciência, 
Sociedade e Fontes do 
Direito
© 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, 
incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e 
transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 
Distribuidora Educacional S.A.
2015
Editora e Distribuidora Educacional S. A. 
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041 ‑100 — Londrina — PR
e‑mail: editora.educacional@kroton.com.br 
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Sumário
Unidade 1 | Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito 
Seção 1.1 - O que é Direito? Direito e justiça 
Seção 1.2 - O que é Direito? Direito e sociedade 
Seção 1.3 - O que é Direito? Direito e ciência 
Seção 1.4 - Fontes materiais e formais do direito 
7
9
27
43
61
Palavras do autor
Prezado aluno(a), 
Bem-vindo à disciplina de Introdução ao Estudo do Direito! Tenho certeza de 
que essa caminhada, apesar de longa e árdua, será extremamente fascinante. Ao 
final do curso, você olhará para trás e verá a evolução profissional e pessoal que 
este estudo lhe proporcionará. 
 Esta disciplina, como o próprio nome já sugere, tem o objetivo de apresentar 
a você as noções preliminares do direito que serão usadas no decorrer de todo o 
curso. É a base, a estrutura, para que nos próximos anos você consiga sedimentar 
seus conhecimentos nas mais diversas áreas do direito. Nosso Livro Didático (LD) 
será dividido em 4 Unidades. 
Na Unidade 1, sobre direito, Justiça, ciência, sociedade e fontes do direito, você 
estudará o direito como fenômeno jurídico, suas origens, significados e funções, 
entendendo as relações entre direito e Justiça e o posicionamento do homem na 
sociedade. Ademais, estudará aspectos da cientificidade do direito, aprendendo 
sobre a conceituação das fontes e suas classificações. 
Na Unidade 2, você estudará o conceito da norma social e jurídica, seus tipos e 
atribuições dentro do Direito Público, Privado e Transindividual. Trabalhará, ainda, 
o conceito de norma jurídica nos seus campos da validade, eficácia, exigência e 
força, observando a teoria do ordenamento jurídico e, por fim, a hermenêutica. 
Na Unidade 3 trabalharemos alguns dos elementos filosóficos e sociológicos 
do Direito, em especial a Teoria Tridimensional do Direito e os ensinamentos do 
professor Miguel Reale. Por fim, na Unidade 4, você estudará os elementos da 
Ciência Política e da Teoria Geral do Estado, explicando a tripartição de poderes e 
o processo legislativo em si. 
Espero que nosso trabalho aqui seja proveitoso. Que você consiga desenvolver 
competências gerais necessárias para sua caminhada nesse campo jurídico. Explore 
suas leituras e participe de todas as atividades. Dedique-se ao que propomos aqui e 
tenha a certeza de o que te aguarda no futuro é o sucesso! 
Unidade 1
DIREITO, JUSTIÇA, CIÊNCIA, 
SOCIEDADE E FONTES DO 
DIREITO
Prezado aluno, 
Seja bem-vindo à disciplina. Você iniciará agora a caminhada no estudo do 
Direito! Uma caminhada longa e contínua, mas fascinante e que, certamente, 
lhe será transformadora. Estamos aqui para guiá-lo nessa empreitada e para 
torná-la mais prazerosa e proveitosa. Conte sempre conosco!
Para iniciar seus estudos, é necessário que sejam apresentados conceitos e 
noções iniciais, capazes de fazê-lo entender os ensinamentos posteriores. Tudo 
tem um começo e, no direito, não poderia ser diferente.
A disciplina de Introdução ao Estudo do Direito (IED), como o próprio nome 
já sugere, tem o objetivo de apresentar a você as noções preliminares do direito, 
que serão necessárias no decorrer de todo o curso. É como se estivéssemos 
preparando o terreno e construindo as bases sobre as quais será edificado o 
seu conhecimento jurídico. Aí está a grande relevância da disciplina, que justifica 
todo o seu empenho e dedicação na execução das atividades propostas. 
Nesta primeira Unidade, estudaremos as diferentes acepções de direito, 
sua origem e função, sempre o relacionando com outros conceitos, como 
Justiça, Homem e Sociedade. Abordaremos, também, as teorias que justificam 
a formação da sociedade, tais como o Naturalismo e o Contratualismo, bem 
como os fatos sociais e jurídicos que decorrem desta vivência agregada. 
Trataremos, ainda, da acepção científica do direito e aspectos correlatos, bem 
como de suas fontes, ou seja, de onde vem o direito, debruçando-nos sobre 
cada uma delas.
Para nos auxiliar no desenvolvimento dos temas propostos, utilizaremos 
uma Situação Geradora de Aprendizagem (SGA), a ser complementada em 
cada uma das seções por uma Situação-problema (SP). É a partir delas que 
desenvolveremos todo o conteúdo programático preparado para você, sendo 
muito importante a leitura do tópico “Não Pode Faltar”, constante em seu livro.
Recomendamos que, após a leitura do “Não Pode Faltar”, com os 
conhecimentos adquiridos, você procure solucionar a SP apresentada e, em 
seguida, confira sua resposta com aquela indicada em seu livro, no tópico “Sem 
Medo de Errar”.
Iniciando nossos trabalhos nesta primeira Unidade, pensemos num fato que 
chamou a atenção de todo o país no ano 2011: foi encontrado, no município de 
Areia Branca, no Rio Grande do Norte, José Antônio Nascimento, um homem 
Convite ao estudo
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
8
com 45 anos de idade, que 
vivia há 25 anos trancado em 
um quarto de 3m2, mantido 
sob grades e acorrentado. José 
Antônio estava nestas condições 
desde os seus 20 anos, quando, 
após presenciar o assassinato 
da cunhada, começou a 
apresentar um comportamento 
extremamente agressivo e 
transtornos psiquiátricos, 
a ponto de inviabilizar seu 
convívio com outras pessoas e 
submetê-las a risco.
José Antônio vivia com seu pai, o Sr. Cícero Raimundo do Nascimento, com 
79 anos de idade naquela época, que, temendo pela própria vida e em razão da 
agressividade do filho, não viu outra saída que não o trancar. Ele abria a grade que 
mantinha o filho no quarto apenas para entregar as refeições e dar-lhe cigarros, 
que, segundo suas palavras, ajudavam a manter José Antônio mais calmo.
Fonte: Meio Norte. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 
2015.
Figura 1.1 | José Antônio em cárcere privado
Para conhecer um pouco mais acerca da história de José 
Antônio, leia a reportagem:
UOL. Pai mantém deficiente mental preso em cômodo de 3m2 
há 25 anos em Areia Branca. Notícias. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Pesquise mais
Após a descoberta do fato por uma equipe do Centro de Referência 
da Assistência Social (Cras), o Ministério Público foi comunicado para 
que tomasse eventuais medidas cabíveis. Agora, você, estagiário da 
Promotoria responsável, depara-se com essa situação e se pergunta, 
dentre outros questionamentos: a) Manter José Antônio aprisionado e 
acorrentado é uma medida justa? b) É justo deixá-lo em liberdade e expor 
todos aqueles que o rodeiam a agressões, à risco e à integridade física? 
c) Do ponto de vista social, pode José Antônio ser mantido em completo 
isolamento? d) Como o direito pode assistir José Antônio e seu pai? 
São questionamentos como estes que você, acadêmico de Direito, 
será convidado a responder ao longo de toda a Unidade 1.
Frente à SGA apresentada, analise as Situações-problema propostas 
em cada uma das seções e comece seu estudo, sem se esquecer de 
ler atentamente as informações contidas no WebRoteiro e no seu livroBuscam certezas absolutas e universais. Busca previsibilidade e está relacionado ao Direito 
Positivo em determinado tempo e espaço.
Leis de caráter informativo. Leis de caráter persuasivo.
Não há juízo de valor. Há juízo de valor.
Não há atividade de interpretação. Há atividade de interpretação.
Fonte: O autor (2015)
Quadro 1 | Distinção entre Ciências Naturais e o Direito
É justamente a presença de tais diferenças que fez com que alguns autores 
negassem a natureza científica do Direito. Tal corrente, chamada de negativista, o 
via como mera técnica, já que não era universal. Este conceito não prosperou, já 
que o Direito apresenta objeto de estudo e metodologia própria, a saber:
• Objeto de estudo: normas (FERRAZ JÚNIOR, 1980, p. 14), em sua relação 
de pertinência, vigência e aplicabilidade. Em outras palavras, estuda o fenômeno 
jurídico e como ele se concretiza no tempo e no espaço (REALE, 2002, p. 17).
• Método: analítico, compreendido por procedimentos dedutivos (que partem 
da análise do geral para o particular), indutivos (que partem do individual para o 
geral) e pela analogia, que será abordada na seção 1.4.
Assim, diante da presença dos elementos necessários para se adquirir status de 
cientificidade – objeto de estudo próprio e método –, é incontestável a existência 
da Ciência do Direito, também chamada de Jurisprudência, termo que não deve 
ser confundido com “jurisprudência” (grafada com letras minúsculas), que é o 
conjunto de decisões uniformes, objeto de estudo da próxima seção.
Longe de ser simples técnica, a Ciência do Direito é constituída de várias 
técnicas, que são os meios empregados para alcançar determinada(s) finalidade(s) 
(NADER, 2000, p. 215), numa relação de complementaridade. Ou seja, da Ciência, 
provém o conhecimento teórico, enquanto que, da técnica, advém o suporte 
prático, sendo a técnica jurídica o conjunto de meios e procedimentos que tornam 
a norma jurídica efetiva (geradora de efeitos) (NADER, 2000, p. 216).
As técnicas jurídicas, segundo Paulo Nader, classificam-se em:
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
50
- TÉCNICA DE ELABORAÇÃO: também chamada de técnica 
legislativa. São aquelas empregadas no procedimento de elaboração 
das normas (regras).
- TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO: são aquelas que estabelecem 
como as normas devem ser interpretadas, ou seja, como se revelar 
o real significado e alcance delas. Ex.: gramatical, lógica, sistemática, 
entre outras, que serão estudadas em seções posteriores.
- TÉCNICAS DE APLICAÇÃO: são aquelas que visam orientar a 
tarefa de julgar.
TÉCNICAS JURÍDICAS
Fonte: O autor (2015)
Figura 1.22 | Organograma sobre as Técnicas Jurídicas
O desenvolvimento das técnicas jurídicas e sua correta aplicação são 
indispensáveis para a Ciência do Direito, já que de nada adianta o conhecimento 
teórico se não estiver aliado à prática. E você perceberá isso ao longo do curso!
Em cada aula de seu curso, você receberá dezenas de informações novas e 
outras tantas que lhe possibilitarão construir e sedimentar o seu conhecimento. 
Para facilitar a assimilação, vamos sistematizar o que vimos até agora, nesta seção?
• Ciência é o conhecimento sistematizado sobre determinado objeto, passível 
de verificação mediante emprego de um método.
• Como o Direito se distingue das Ciências Naturais, que apresentam proposições 
meramente descritivas e informativas, teve seu caráter científico questionado e, até 
mesmo, negado (corrente chamada negativista), sob o argumento de que, por 
ele, não se poderia chegar a verdades absolutas e universais, razão pela qual foi 
considerado mera técnica.
• O Direito dispõe de objeto de estudo próprio e metodologia bem definida 
(método analítico, distinto dos métodos de experimentação empregados nas 
Ciências Naturais) e, por isso, é verdadeiramente uma Ciência (Jurisprudência).
• Como de nada adianta o desenvolvimento do arcabouço teórico se inexistir 
meios práticos de sua efetivação, a Ciência do Direito utiliza-se de várias técnicas 
que permeiam, desde o procedimento de elaboração das normas/regras jurídicas 
(técnicas de elaboração), passando por sua interpretação e atribuição de real 
significado (técnicas de interpretação) e culminando naquelas responsáveis por 
nortear os julgamentos (técnicas de aplicação).
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
51
Técnicas de elaboração Técnicas de elaboração Técnicas de elaboração
Agora que você sabe do caráter científico do Direito, fica bastante evidente 
a razão de ocupar espaço nos bancos universitários: o seu caráter científico e 
autônomo (que não se submete a nenhuma outra Ciência) e a amplitude de seu 
objeto de estudo, com vistas a esmiuçar a Ciência Jurídica. 
Há de se ressaltar, porém, que o fato de o Direito ser uma Ciência autônoma, 
que não se submete a nenhuma outra, não significa que seja completamente 
independente: ele está extremamente vinculado a outras Ciências, tais como a 
Sociologia, Filosofia, Economia e Política, áreas do conhecimento (Ciências) que 
lhe são complementares.
Que relação pode ser tecida entre a Ciência do Direito e a Economia? 
Reflita
Para entender a interdisciplinaridade do Direito e sua relação com outras 
Ciências, leia:
• DIMOULIS, Dimitri. Manual de introdução ao estudo do direito. 2. ed. 
Revista dos Tribunais: São Paulo, 2008, p. 119-129.
• REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27 ed. Saraiva: São Paulo, 
2004, p. 13-20.
Pesquise mais
Justamente em razão da amplitude e vastidão do objeto de estudo do Direito 
e, para facilitar sua ordenação de forma didática, costuma-se dividi-lo em diversos 
ramos – também chamados de disciplinas. É como se, de um único tronco (Ciência 
do Direito), partissem diversos galhos, que representam recortes no objeto a ser 
estudado:
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
52
Fonte: Vecteezy. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2015.
Figura 1.23 | Árvore e o tronco do direito
Os ramos do Direito, por sua vez, ainda para fins didáticos, são divididos em 
dois grandes grupos: Direito Público e Direito Privado. Tal divisão popularizou-se 
com Ulpiano, que elegeu, para a classificação, o critério do interesse dominante.
Assim, são ramos pertencentes ao Direito Público aqueles que se ocupam do 
estudo das relações em que o Estado é parte. Tais relações podem se dar pelo 
Estado em si mesmo ou com outros Estados. 
Exemplificando
São exemplos de ramos vinculados ao Direito Público, dentre outros:
• Direito Constitucional: aborda a estruturação do Estado, sua divisão de 
atribuições, direitos a serem assegurados pelo Estado, entre outros.
• Direito Administrativo: aborda o Estado, enquanto Administração Pública 
e Poder Executivo.
• Direito Penal: aborda as condutas consideradas ilícitas e, portanto, 
delituosas, bem como a sanção cominada àqueles que as comentem.
• Direito Internacional Público: aborda as relações entre os Estados, que 
envolvam, sobretudo, questões voltadas à soberania.
• Direito Processual: aborda o processo, como instrumento de realização 
da atividade jurisdicional.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
53
Já o Direito Privado é o grupo composto por ramos do Direito direcionados 
ao estudo das relações mantidas entre os particulares (pessoas físicas ou jurídicas 
ou, ainda, entes despersonalizados, que você estudará em Direito Civil). Engloba, 
ainda, o estudo das relações em que o Estado figure em condição de igualdade e 
não de supremacia perante os particulares.
Exemplificando
São exemplos de ramos vinculados ao Direito Privado, dentre outros:
• Direito Civil: aborda “pessoas, bens e atos jurídicos” (NADER, 2000, p. 
352), englobando o estudo das famílias, sucessões, obrigações e coisas, 
setores que, em tese, prevalece a autonomia da vontade.
• Direito Empresarial: abrange o estudo das diferentes espécies de pessoas 
jurídicas, títulos de crédito,falência e recuperação judicial.
• Direito do Trabalho: com origem nas obrigações, aborda o estudo das 
relações de trabalho (gênero do qual a relação de emprego é espécie, 
como você estudará oportunamente) mantidas entre duas ou mais 
pessoas.
Sendo assim, podemos dividir o direito em duas vertentes:
 Direito
Direito Público Direito Privado
- Direito Constitucional - Direito Civil
- Direito Administrativo - Direito Empresarial
- Direito Penal - Direito do Trabalho
 - Direito Processual
Faça você mesmo
Pesquise e elenque outros ramos do Direito vinculados ao Direito Público 
e outros vinculados ao Direito Privado.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
54
Embora ainda utilizada, principalmente, para sistematizar o estudo, a classificação 
dos ramos do Direito em pertencentes ao Direito Público ou ao Direito Privado 
revela-se insuficiente e não acompanha a complexidade das relações tecidas. Isso 
porque surgiram ramos do Direito de natureza controvertida, que não podem ser 
categoricamente enquadráveis como pertencentes ao Direito Público ou ao Direito 
Privado. É o que acontece com o Direito do Consumidor, Direito Econômico e 
Direito Ambiental, situados em uma espécie de zona de penumbra entre os dois 
grandes e tradicionais grupos.
Ademais, não se pode esquecer de que, sobretudo após a Constituição Federal 
de 1988, vislumbra-se uma tendência de publicação do direito privado, ou seja, 
interferência estatal sobre ramos do direito considerados eminentemente privados.
De mesma forma, vale lembrar que, também, se depara com a privatização do 
Direito Público, diante do repasse de atividades e responsabilidades tipicamente 
estatais, como ocorre nas parcerias público-privadas, que você estudará em suas 
aulas de Direito Administrativo.
Assim, a classificação em comento e seus critérios não se mostram rígidas, 
exaurientes e, tampouco, bem definidas, podendo-se falar, até mesmo, em terceiro 
grupo, que, por reunir características dos dois antecessores, é conhecido como 
“Direito Misto”.
Para saber mais sobre a insuficiência da classificação de Ulpiano, leia:
DIMOULIS, Dimitri. Manual de introdução ao estudo do direito. 2. ed. 
Revista dos Tribunais: São Paulo, 2008, p. 317-320.
Pesquise mais
SEM MEDO DE ERRAR!
Com as informações e conteúdos apresentados no item “Não Pode Faltar”, 
que tal tentarmos solucionar nossa Situação-problema (SP), exposta no “Diálogo 
Aberto”? 
A SP era a seguinte: você é estagiário da Promotoria que atua no caso de 
José Antônio, aquele homem que, por apresentar transtornos psiquiátricos e 
comportamento agressivo, é mantido, pelo próprio pai, aprisionado em um 
pequeno cômodo, já que, assim, fica impedido de causar dano à integridade física 
dos demais. 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
55
A Promotora do setor onde você é estagiário, com vistas a refletir sobre o caso 
e tomar as providências mais acertadas, pediu que você reunisse obras jurídicas e 
livros relacionados aos ramos do Direito envolvidos na situação de José Antônio 
e de seu pai.
Você vai até a biblioteca de sua Faculdade e depara-se com a seguinte divisão: 
à direita, ficam os livros de Direito Público, à esquerda, livros de Direito Privado.
E agora? Você precisa de livros pertinentes a quais ramos da Ciência do Direito? 
Eles estão à direita ou à esquerda?
Vimos que o Direito apresenta caráter científico, sendo verdadeira Ciência, já 
que apresenta objeto de estudo próprio e método. A amplitude de seu objeto de 
estudo faz com que ele seja dividido em dois ramos do direito: público e privado.
Atenção!
O Direito é uma ciência normativa, composta por proposições persuasivas, 
de finalidade prática, já que visa à apresentação de um modelo de conduta.
A classificação tradicional é insuficiente, porque há ramos do Direito 
que não se enquadram, especificamente, em nenhum dos dois grandes 
grupos (Direito Público ou Direito Privado), estando equidistante deles.
Ademais, assiste-se aos fenômenos da publicização do direito privado 
e da privatização do direito público, o que demonstra que os dois 
grandes grupos, suscitados desde momento anterior a Ulpiano, não são 
agrupamentos estanques e isolados.
Lembre-se
Posto isso, vamos investigar se o caso de José Antônio e seu aprisionamento 
por seu pai revela relação que conta com a participação do Estado, em posição de 
supremacia, ou apenas relação entre particulares, em que prevalece a autonomia 
da vontade. 
Temos de ponderar o seguinte:
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
56
a) José Antônio está tendo sua liberdade violada, já que está preso num pequeno 
cômodo, e liberdade, como você estudará em suas aulas de Direito Constitucional, 
é direito fundamental.
b) A conduta do pai de José Antônio pode ser repelida pelo Direito, sendo 
considerada delito criminal (cárcere privado).
c) O pai de José Antônio, caso o ordenamento fixe sanção a tal conduta (“se A 
é, B deve ser”), pode vir a sofrê-la.
d) Pelas assertivas supracitadas, fica claro que a participação do Estado, em 
posição de supremacia, está presente no caso discutido, pois:
• Cumpre ao Estado assegurar a liberdade de José Antônio, bem como cumpre 
ao Estado assegurar a integridade física de seu pai (Direito Constitucional).
• O Estado tem não apenas o interesse, mas o dever de fixar condutas e de 
estabelecer aqueles que lhe são contrárias (Direito Penal).
• Se for entendido que o pai de José Antônio deve ser punido, o Estado deverá 
estabelecer um instrumento para que isso se efetive, ou seja, o processo (Direito 
Processual).
Assim, ainda que outras considerações secundárias possam ser observadas, 
num primeiro momento, a solução do caso de José Antônio remete ao Direito 
Constitucional, Direito Penal e Direito Processual, ramos vinculados ao Direito 
Público.
Portanto, você estagiário, para atender à solicitação da Promotora, deverá 
procurar as obras nas prateleiras situadas à direita, na biblioteca.
Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu, transferindo seus conhecimentos para novas situações 
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois compare-as com a de 
seus colegas. 
Direito Público x Direito Privado
1. Competência de fundamento de 
área
Dividir os ramos da Ciência do Direito nos dois grandes 
agrupamentos, tradicionalmente apresentados (Direito 
Público e Direito Privado) e reconhecer a ineficiência dessa 
classificação, frente ao fenômeno da publicização do Direito 
Privado.
2. Objetivos de aprendizagem
Dar ao aluno a competência de refletir sobre a possibilidade 
de interferência do Estado em relações regidas por ramos do 
Direito Privado. 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
57
3. Conteúdos relacionados Direito Público e Direito Privado.
4. Descrição da SP
Próximo a sua casa, constrói-se uma suntuosa casa noturna, 
destinada à realização de festas. 
No início, você fica animado, já que terá uma nova opção 
de entretenimento. Contudo, assim que a boate entra em 
funcionamento, você percebe que terá muitos problemas, 
já que o som alto até o início da amanhã tem o perturbado 
bastante e atrapalhado seu sono.
Você tenta, sem sucesso, conversar com os proprietários da 
boate, mas seus pedidos de desenvolvimento de meios para 
abafar o som são todos ignorados. Sem alternativa, você 
resolve propor ação judicial que obrigue a boate a encerrar 
suas atividades mais cedo ou a fazer o chamado isolamento 
acústico do prédio, de forma a não atrapalhar o sono dos 
vizinhos.
Já no processo, a boate manifesta-se (contestação) e afirma 
que o direito de propriedade é objeto de estudo do Direito 
Civil, que, por sua vez, é ramo do Direito Privado, em que 
prevalece a autonomia da vontade, de forma que o Estado 
não pode ter interferência sobre o horário de funcionamentodo empreendimento.
O Juiz responsável pelo julgamento da ação proposta por 
você acatará seu pedido ou, reconhecendo a autonomia da 
vontade nos ramos do direito vinculados ao Direito Privado, 
acatará as alegações da boate? 
5. Resolução da SP:
O Direito Civil é, de fato, ramo do Direito Privado e, a ele, 
incumbe o estudo da propriedade.
Ocorre que, em especial, a partir de 1988, não há ramo 
do Direito Privado em que prevaleça apenas a autonomia 
da vontade dos particulares. Até mesmo o direito de 
propriedade passa a esbarrar em algumas limitações (função 
social da propriedade) face à publicização do Direito Privado. 
Assim, não se pode admitir que, com o argumento do direito 
de propriedade, a boate possa interferir na paz e sossego da 
comunidade.
O Juiz representante de uma das funções do Estado, dessa 
forma, mesmo reconhecendo que o direito de propriedade 
é objeto de estudo do Direito Civil, ramo por excelência 
do Direito Privado, lembrará a boate que o Estado pode 
intervir na relação que, a princípio, dar-se-ia apenas entre os 
particulares. Poderá determinar, por exemplo, que a boate 
proceda ao isolamento acústico do prédio, fixar horário 
de encerramento de atividades ou, ainda, a suspensão das 
atividades ou a mudança de local do empreendimento (para 
área não residencial).
Diante da sua publicização, o Direito Privado não consegue 
mais manter a autonomia da vontade ilimitada nas relações 
estabelecidas. 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
58
1. Assinale a alternativa que contenha elementos indispensáveis às 
Ciências:
a) Aplicação do método científico, passível de experimentação e 
comprovação mediante observação.
b) Autonomia e independência das demais Ciências.
c) Objeto de estudo próprio e método.
d) Objeto de estudo próprio e técnica única.
e) Objeto de estudo próprio e independência das demais Ciências.
2. Sobre o Direito, avalie as seguintes proposições:
I.O Direito não é Ciência, sendo considerado apenas técnica, já que não 
é capaz de chegar a conclusões absolutas e universais.
II. O método utilizado pelo Direito é o analítico, que engloba 
procedimentos indutivos, dedutivos, além do emprego da analogia.
III. O Direito não é técnica, mas, para seu desenvolvimento prático, 
emprega um conjunto de técnicas.
Estão corretas as seguintes proposições:
a) I e III, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) Todas as alternativas estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta. 
3. Sobre o Direito e as Ciências Naturais, pondere as seguintes alegações:
I. As proposições jurídicas são persuasivas, ao passo que as leis naturais 
são descritivas.
II. A Ciência do Direito demanda juízos de valor, ao passo que as Ciências 
Naturais prescindem deles.
III. Há identidade entre o método empregado nas Ciências Naturais e 
aquele empregado no Direito.
Está(ão) incorreta(s) a(s):
Faça valer a pena
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
59
a) I, II e III.
b) I e II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) Apenas III.
e) Nenhuma das proposições.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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60
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
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Seção 1.4
Fontes materiais e formais do direito
Nas seções anteriores, nos preocupamos com as noções introdutórias de 
Direito, estudando algumas das acepções que o vocábulo pode adquirir. As demais, 
apresentadas na seção 1.1, por questões didáticas, serão abordadas em seção posterior 
(seção 3.1).
Agora, cumpre-nos compreender de onde vem o direito, qual sua origem e seu 
centro de produção. Em outras palavras, estudaremos, nesta seção, quais as fontes do 
direito e suas respectivas classificações.
O conteúdo que lhe será apresentado é extremamente interdisciplinar, já que 
se relaciona com temáticas que serão estudadas, por você, nas aulas de Direito 
Constitucional e de Teoria Geral do Estado.
Para a absorção do conteúdo, retornemos à SGA, que traz a história de José 
Antônio, que, há anos, se encontra aprisionado num cômodo muito pequeno, sob o 
argumento de oferecer risco à sociedade, em especial, ao pai que, com ele vive e que 
não viu alternativa diversa de trancafiar seu filho.
Com base na SGA que permeia toda a nossa primeira unidade, pensemos da 
seguinte Situação-problema (SP): no pequeno município em que José Antônio e 
o pai vivem, as pessoas têm por hábito prender doentes mentais que apresentam 
comportamento violento. Frente à escassez de recursos e de assistência por parte 
do Poder Público, como meio de preservação, as famílias dos doentes os mantêm 
trancafiados e, se houver necessidade, acorrentados, exatamente como ocorre com 
José Antônio. Na cidade, além do caso de José Antônio, há cinco famílias que mantêm 
entes aprisionados.
Antes de tomar qualquer providência mais severa, a Promotoria a que o caso 
de José Antônio foi relatado e de que você, acadêmico, é estagiário, chama o pai, 
responsável pelo aprisionamento e acorrentamento do filho, para conversar. 
Ao ser questionado pela Promotora acerca da razão de manter o filho naquelas 
Diálogo aberto 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
62
condições, o pai responde com simplicidade, alegando não ter feito nada de errado: 
“Doutora, é costume nosso”. E agora?
Cabe a você, estagiário, auxiliar a Promotora a verificar se tal prática, diante da sua 
repetição no pequeno município, é um costume e, em caso afirmativo, se tal costume 
pode tornar válida e jurídica a conduta do pai de José Antônio.
Não pode faltar
O direito não é um dado pronto e acabado, imposto à sociedade. Ao contrário, 
está em constante mutação, decorrente do próprio dinamismo social. Por vezes, 
ele altera a sociedade; em outras, os contornos sociais o modificam.
Essa alteração constante, que impulsiona a evolução do direito, deriva da 
modificação de seus “centros produtores”. E quais são os centros produtores? De 
onde vem o direito?
Buscar a resposta a essas indagações significa achar quais são as fontes do 
direito, o que o faremos nesta seção. Quando falamos em fonte, automaticamente, 
nos vêm à mente os vocábulos “origem”, “começo”, não é?
Fonte provém do latim fons, lugar de surgimento da água, ou seja, nascente 
(DIMOULIS, 2008, p. 201). São, portanto, nascentes do direito os “centros 
produtores” da norma jurídica.
Fonte: Ecodreams. Disponível em: . Acesso em: 
20 dez. 2015.
Figura 1.24 | As nascentes do direito
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
63
No ordenamento jurídico brasileiro, diversas são as espécies de fontes, bem 
como os critérios utilizados para sua classificação. Vamos estudá-los, iniciando 
pelas fontes materiais e formais.
Como exposto anteriormente, a própria sociedade e as relação tecidas em seu 
âmbito, por seus membros, servem de substrato ao direito. Há fatos que estimulam 
seus centros criadores, que ensejam e justificam sua criação. Tais fatos, que podem 
ser econômicos, sociais ou de qualquer outra ordem, são chamados de fontes 
materiais do direito. Elas levantam os fatores que motivam a criação do Direito, 
mas não o são de fato. São apenas os “porquês” de sua criação.
Exemplo: durante muito tempo, o matrimônio civil era a única forma de 
constituição de entidade familiar. no entanto, isso colocava à margem diversos 
casais que não eram civilmente casados, mas que conviviam como se fossem. Para 
estender a proteção estatal sobre tais casais, acrescentou-se o parágrafo terceiro 
ao art. 226 da Constituição Federal, que reconhece a união estável como forma de 
entidade familiar. Posteriormente, já em 2011, também para estender a proteção 
estatal àqueles para quem se renegava, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a 
união estável homoafetiva.
Faça você mesmo
Liste outros exemplos em que, motivado por questões sociais, o direito 
foi alterado, mediante criação ou modificação legislativa.
Note que, no exemploacima, o direito surgiu de uma necessidade fática: a 
existência de, em respeito ao princípio da igualdade, reconhecer como entidade 
familiar uniões não decorrentes do matrimônio. Essa necessidade fática é a fonte 
material do direito, neste caso.
Identificada uma necessidade fática que justifique a criação do direito (no sentido 
de norma jurídica), é preciso conferir-lhe aspecto externo e força obrigatória. Eis, 
então, as fontes formais, assim chamadas porque “dão forma ao direito, formulam 
os dispositivos válidos” (DIMOULIS, 2008, p. 203).
Se a fonte material responde a pergunta “por que o direito?”, a fonte formal é 
responsável pela resposta ao “o que é o direito?”. No exemplo anterior, a fonte 
formal seria a própria Constituição Federal e a Emenda que introduziu seu art. 226, 
§ 3º. 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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64
Assimile
Fontes materiais: fatos que originam e justificam a produção do Direito 
(por que o Direito?).
Fontes formais: formas como o direito é externalizado (NADER, 2000, p. 
138) (o que é o Direito?).
Embora se recomende que, ao direito, correspondam fontes materiais, sob 
pena de haver problemas relacionados à eficiência e à aplicabilidade da norma – 
se não há fundamento fática para a norma, por que a aplicar? –, o estudo destas 
relaciona-se mais à Sociologia Jurídica ou à Filosofia do Direito, prestando a Ciência 
do Direito maior atenção às fontes formais. Tanto é assim que Miguel Reale nega 
a condição de fonte propriamente dita àquilo que, por ora, chamamos de fontes 
materiais (REALE, 2002, p. 139).
Miguel Reale apresenta um entendimento peculiar acerca das fontes, que 
vale a pena ser conferido:
REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27 ed. Saraiva: São Paulo, 
2004, p. 155-182.
Pesquise mais
E quais são as fontes formais, os instrumentos pelos quais o direito é 
externalizado?
As fontes formais são de diversas espécies, podendo ser escritas ou não 
(primeiro critério de classificação de adotaremos).
Segundo Dimitri Dimoulis (2008, p. 201-235), as fontes formais escritas 
consistem em leis em sentido amplo, jurisprudência e doutrina, enquanto que as 
não escritas são os costumes, os princípios gerais do direito e o poder negocial/
autonomia da vontade.
Veja:
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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65
Fonte: O autor (2015)
Figura 1.25 | Fontes formais do direito
Escritas
Não Escritas
Fontes formais
- Costumes
- Princípios gerais do Direito
- Poder Negocial
- Lei em sentido lato
- Jurisprudência
- Doutrina (ATENÇÃO! Veja o item 1, letra ‘c’, a seguir)
- secundum legem
- praeter legem
- contra legem
- Constituição
- lei em sentido estrito
- emenda constitucional
- medida provisória
- decreto legislativo
- resolução
- decreto e regulamento
- instrução
- portaria
Conheçamos, assim, cada uma das espécies supracitadas de fontes formais, 
ressaltando que muitas delas serão aprofundadas em suas aulas de Direito 
Constitucional e Teoria Geral do Estado.
1. Fontes formais escritas:
a) Lei em sentido lato: utiliza-se o termo lei em sentido lato, ou seja, em sentido 
amplo, para indicar todas as construções normativas que atendam aos seguintes 
requisitos (DIMOULIS, 2008, p. 204):
Fonte: O autor (2015)
Figura 1.26 | Lei em sentido lato
Lei em sentido 
lato
Emitidas por autoridade 
competente
Escritas
Adoção de procedimento 
específico para sua 
elaboração (técnica de 
elaboração)
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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66
Este tipo de denominação abarca diversas espécies:
• Constituição: é conhecida como “A Lei das leis”, já que é ocupa posição de 
prevalência no ordenamento jurídico, nos termos em que você está estudando 
em suas aulas de Direito Constitucional. Deriva do Poder Constituinte Originário e 
todo o ordenamento deve estar em conformidade com seus preceitos, sob pena 
de ser considerado inconstitucional ou, ainda, não recepcionado pela Constituição 
(quando a lei infraconstitucional é anterior ao texto constitucional e, a ele, não se 
adéqua). Não é propriamente uma lei, já que se encontra em posição superior a 
ela.
Pesquise sobre as Constituições Brasileiras e suas respectivas classificações:
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 36 ed. 
Malheiros: Rio de Janeiro, 2015.
Pesquise mais
Fonte: A5 Mzstatic. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2015.
Figura 1.27 | Constituição Federal de 1988
• Lei em sentido estrito: elaboradas do Poder Legislativo, com caráter geral, 
abstrato e impessoal, o que pressupõe que não sejam destinadas a determinadas 
pessoas, mas, sim, a todos ou a todos que se enquadrem em determinada categoria. 
Classifica-se em: 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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67
Lei Ordinária: aprovada por maioria simples (maioria dos presentes) do 
Congresso (Câmara dos Deputados e Senado e sancionada (aceita) pela Presidência 
da República).
Lei Complementar: aprovada por maioria absoluta (maioria dos integrantes 
da Casa) de votos (vide art. 69 da Constituição Federal) e refere-se a matérias 
específicas, indicadas na Constituição.
Lei Delegada: leis elaboradas, excepcionalmente, pela Presidência da República 
em razão de autorização ao Congresso Nacional (vide art. 68 da Constituição 
Federal).
A lei delegada viola a tripartição de poderes/funções (Executivo, Legislativo 
e Judiciário)? 
Reflita
Sobre as espécies legislativas, vale a pena conferir as obras de Direito 
Constitucional:
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 19 ed. Saraiva: São 
Paulo, 2015.
Pesquise mais
• Emenda Constitucional: são as reformas realizadas no Texto Constitucional, 
procedidas pelo Poder Constituinte Derivado (Congresso Nacional), com voto de 
três quintos dos integrantes do Poder Legislativo e bem observadas as técnicas de 
elaboração (procedimento legislativo).
Nem todos os dispositivos constitucionais podem ser alterados, havendo 
aqueles que são imutáveis: as chamadas cláusulas pétreas, que se encontram 
elencadas no art. 60, § 4º, da Constituição Federal.
Faça você mesmo
Pesquise o que e quais são as cláusulas pétreas na Constituição Federal 
de 1988.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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68
Há muito tempo, verificam-se, na sociedade, determinados setores que 
clamam pela redução da maioridade penal. Em agosto de 2015, a Câmara 
dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda Constitucional 171/1993, 
que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, para 
alguns delitos considerados graves.
Agora que já sabe o que é cláusula pétrea, a maioridade penal pode ser 
reduzida ou é cláusula pétrea, de acordo com a Constituição Federal? 
Reflita
• Medida provisória: atos do Chefe do Poder Executivo (presidente da 
República), sem a autorização do Poder Legislativo, que tem força de lei. 
A edição de medida provisória é possível em matérias determinadas e desde 
que presentes os requisitos de relevância e urgência.
Faça você mesmo
Pesquise sobre a edição de medidas provisórias e em quais hipóteses 
é possível sua ocorrência (sobre quais matérias se pode emitir medidas 
provisórias).
• Decreto Legislativo: decretos expedidos pelo Congresso Nacional, 
independentemente da autorização ou sanção do presidente da República 
(DIMOULIS, 2008, p. 211). Abordam assuntos de competência exclusiva do 
Congresso.
Faça você mesmo
Pesquise na Constituição Federal quais são as competências exclusivas 
do Congresso Nacional e em que casos pode emitir decreto legislativo.
• Resolução: ato normativo utilizado em questões de competência exclusiva 
da Câmara dos Deputados, do Senado ou do Congresso Nacional, sendo 
desnecessária a sanção presidencial (DIMOULIS, 2008, p. 211).
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Faça você mesmo
Pesquise sobre a diferença entre decreto legislativo e resolução.
• Decretoe regulamento: normas elaboradas pelo presidente da República, 
com vistas a viabilizar os elementos necessários para sua aplicação.
• Instrução: normas emitidas por ministros de Estado, como meio de se garantir 
a execução de leis, decretos e regulamentos.
• Portaria: normas emitidas por membros do Poder Executivo para orientar a 
atividade da administração (DIMOULIS, 2008, p. 211).
Sobre as espécies de leis lato sensu, ou seja, espécies normativas, seus 
conceitos e estrutura, leia:
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 36 ed. 
Malheiros: Rio de Janeiro, 2015.
Pesquise mais
Assimile
A lei, em sentido lato, compreende as seguintes espécies:
Constituição1.
Lei em sentido estrito, que pode ser ordinária, complementar ou delegada.
Emenda Constitucional.
Medida Provisória.
Decreto Legislativo.
Resolução.
Decreto e regulamento.
Instrução.
Portaria.
 1 Atenção para a ressalva realizada anteriormente.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
70
b) Jurisprudência: fonte formal escrita. Como fonte do direito, a jurisprudência 
indica o entendimento, manifestado pelos Tribunais e reiterado, sobre algo. Miguel 
Reale a define como “forma de revelação do direito que se processa através do 
exercício da jurisdição, em virtude de uma sucessão harmônica de decisões dos 
tribunais” (REALE, 2002, p. 167).
Assimile
Jurisprudência é o conjunto de decisões uniformes dos Tribunais, 
decorrentes da aplicação de mesmas normas para solucionar a demanda 
ou, ainda, de sua interpretação no mesmo sentido.
Repare que jurisprudência é conjunto. Assim, quando temos uma ou duas 
decisões no mesmo sentido, não há jurisprudência e, tampouco, jurisprudências 
(que não existe), mas apenas um ou dois julgados.
Veja o exemplo a seguir:
PRISÃO CIVIL – DEPOSITÁRIO INFIEL – INCOMPATIBILIDADE 
– CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS 
– PRECEDENTES DO PLENO: HC 87.585, RECURSOS 
EXTRAORDINÁRIOS Nºs 349.703 E 466.343. Conforme 
entendimento consolidado do Supremo, a prisão civil de 
depositário infiel é incompatível com a ordem jurídica em 
vigor.
(AI 526078 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira 
Turma, julgado em 22/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO 
DJe-094 DIVULG 16-05-2014 PUBLIC 19-05-2014)
O que você acabou de ver é chamado de ementa: resumo da decisão 
apresentada pelo membro do Poder Judiciário. Não é uma jurisprudência. Contudo, 
consta nesta mesma ementa que a impossibilidade de prisão do depositário infiel 
decorre de “entendimento consolidado”. Se há entendimento consolidado, há 
diversas decisões tomadas no mesmo sentido, de forma que é correto afirmar que 
a jurisprudência firmou-se no sentido de proibir a prisão do depositário infiel.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
71
Jurisprudência, por si só, já transmite a ideia de uniformidade e de conjunto, 
quando uma gama de decisões é proferida pelos Tribunais no mesmo sentido. Mas 
como pode ser a jurisprudência fonte do direito se ela não cria o direito, apenas o 
interpreta e aplica ao caso concreto? É correto dizer que a jurisprudência é fonte 
e, ainda por cima, fonte formal e escrita?
Sim. De fato, o juiz não cria normas jurídicas. Em suas decisões, deve-se pautar 
nos dispositivos integrantes do ordenamento sempre as fundamentando (art. 93, 
IX, CF). Contudo, ao interpretar e aplicar o direito e as normas jurídicas, o Poder 
Judiciário define os contornos das mesmas e cria o direito no caso concreto, 
submetido ao seu julgamento.
Atenção!
Segundo Reale (2002, p. 169):
Se uma regra é, no fundo, a sua interpretação, isto é, aquilo que se diz ser 
o seu significado, não há como negar à jurisprudência a categoria de fonte 
do direito, visto como ao juiz é dado armar de obrigatoriedade aquilo que 
declara ser “de direito” no caso concreto.
Assim, além de direcionar os julgamentos futuros, para que se realizem no 
mesmo sentido, a jurisprudência ocupa o status de legítima fonte do direito, ao 
“criá-lo”, dentro dos parâmetros do ordenamento, ao caso concreto.
A natureza de fonte do direito da jurisprudência fica ainda mais evidente com a 
edição de súmulas, que são proposições sobre a interpretação do direito, derivadas 
da jurisprudência, no mesmo tribunal, sobre temas controvertidos (DIMOULIS, 
2008, p. 215-216). Veja a Figura 1.28:
Fonte: O autor (2015)
Figura 1.28 | Situações do Direito
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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72
Os juízes não estão obrigados a aplicar a súmula dos Tribunais, a menos 
que sejam as Súmulas Vinculantes, editadas pelo Supremo Tribunal Federal, e 
que vinculam todos os órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública. 
As Súmulas Vinculantes foram introduzidas no ordenamento pela Emenda 
Constitucional n. 45/2004, que acrescentou o art. 103-A à Constituição Federal.
Faça você mesmo
Você estudará a fundo as súmulas vinculantes em suas aulas de Direito 
Constitucional. Contudo, que tal se antecipar?
Pesquise sobre as Súmulas Vinculantes e traga exemplos de algumas já 
editadas pelo STF.
Desta forma, quando você se deparar com indagações acerca da natureza 
de fonte do direito da jurisprudência, não se esqueça: jurisprudência é fonte do 
direito, sim!
c) Doutrina: é a produção intelectual dos estudiosos do Direito. Os livros que 
você utiliza para seu estudo são livros doutrinários, que refletem as pesquisas e o 
entendimento de pensadores do Direito.
Fonte: Bevilaqua. Disponível em: . Acesso em: 21 
dez. 2015.
Figura 1.29 | Doutrina
Ainda que, por muito tempo e por muitos estudiosos, a doutrina tenha sido 
considerada como fonte formal e escrita do direito, assim não mais pode ser 
considerada. É esta a razão de constar, em nosso organograma de fontes, a 
observação “atenção”. 
Por mais renomado que um doutrinador seja, suas pesquisas e trabalhos não 
terão força normativa e, sim, investigativa e persuasiva. Explicamos: ainda que o 
doutrinador defenda que determinada conduta seja lícita, caso o ordenamento 
a considere ilícita, não será possível preterir a lei para a aplicação da tese do 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
73
doutrinador. Contudo, tais entendimentos servem de fundamento para as reformas 
legislativas e para dirimir controvérsias acerca da interpretação da lei.
Como afirma Miguel Reale, “o fato de não ser fonte do direito não priva, todavia, a 
doutrina de seu papel relevantíssimo no desenrolar da experiência jurídica” (REALE, 
2002, p. 176), até porque é a responsável pelo desenvolvimento e aprofundamento 
dos alicerces teóricos do direito.
2. Fontes Formais não Escritas
a) Costumes jurídicos: cotidianamente, dizer que algo é costume é o mesmo 
que afirmar que acontece sempre. Exemplo: “tenho o costume de tomar café pela 
manhã” significa dizer que todos os dias/sempre/com frequência tomo café pela 
manhã. Costume, portanto, é uma prática reiterada.
No entanto, para que um costume seja fonte formal não escrita do direito não 
basta sua simples repetição. Deve haver a consciência da obrigatoriedade desse 
comportamento (REALE, 2002, p. 158).
Vejamos: em determinada localidade, embora não houvesse lei que fizesse tal 
determinação, as pessoas começaram a colocar espelhos retrovisores em suas 
bicicletas. A experiência foi bem recepcionada e, de repente, todos passaram a 
utilizar tais retrovisores, o que perdurou por certo tempo. Ao comprar uma bicicleta, 
as pessoas, imediatamente, já instalavam o acessório porque, dada a segurança 
que oferecia e sua utilidade, pensavam ser obrigatório. A partir do momento em 
que as pessoas tomam consciência da obrigatoriedade da conduta, moldando 
o comportamento social, um costume torna-se jurídico e é fonte formal e não 
escrita do direito.
Fonte: Clipart. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2015.Figura 1.30 | Bicicleta, retrovisores e costume
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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74
Como o costume pressupõe reiteração de conduta, além de internalização 
da obrigatoriedade dessa mesma conduta, seu surgimento é lento e gradual. Sua 
vigência coincide com sua eficácia (REALE, 2002, p. 158), ou seja, o costume 
jurídico só se torna vigente quando passa a gerar efeitos, o que o distingue da lei, 
que, primeiro se torna vigente, depois (inclusive, depois da vacatio legis, que você 
estudará em Direito Constitucional) gera efeitos. 
Em alguns países da África e do Oriente Médio, adota-se a mutilação 
genital feminina, que consiste em remover, em ritual, parte externa dos 
órgãos sexuais femininos.
Essa prática é costume em tais países, com fundamento em questões 
culturais.
Você considera que esse costume pode ser fonte do direito? 
Reflita
Os costumes classificam-se em:
Secundum legem: costume conforme a lei. Exemplo: há dispositivo legal que 
determina que uma questão será regulamentada segundo os costumes. Na Lei de 
Locações consta que, caso não haja data e forma estipulada para pagamento, o 
aluguel será pago conforme os costumes do local. Há previsão legal para adoção 
dos costumes.
Praeter legem: costume supletivo à lei, destina-se a suprir lacuna deixada 
pelas fontes escritas. Exemplo: o cheque é um título de crédito que se destina ao 
pagamento à vista. Porém, independentemente de autorização legislativa, criou-
se o costume de pré-datá-lo para depósito posterior. Não há previsão legal para a 
adoção dos princípios.
Contra legem: costume contrário à lei e que, por isso, não figura como fontes 
do direito. Exemplo: uma comunidade inteira obtém seu sustento do comércio 
ilegal de armas, prática criminalizada pelo ordenamento. O fato de a prática ser 
reiterada não a torna lícita e possível.
Assim, como fonte formal e não escrita do direito, admitem-se apenas os 
costumes secundum legem e praeter legem.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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75
Fonte: O autor (2015)
Figura 1.31 | Costumes do Direito
Costumes
Praeter legem
(Fonte)
Secundum legem
(Fonte)
Contra legem
(Não é fonte)
b) Princípios gerais do direito: são as proposições básicas do direito, 
responsáveis por nortear toda a produção jurídica. Dimitri Dimoulis esclarece que 
“princípios gerais são orientações gerais, que devem ser levadas em consideração 
na aplicação do direito por corresponder à ideologia política, às opções e valores 
dos legisladores” (DIMOULIS, 2008, p. 230).
Nos termos do art. 4º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, na 
ausência de lei, o Juiz julgará conforme a analogia, costumes e princípios gerais 
do direito, o que confere, a estes últimos, a natureza de fonte subsidiária do direito.
Sobre a fundamentação de decisões e a utilização de princípios, leia:
STRECK, Lênio Luiz. O que é isto – decido conforme minha consciência?. 
4 ed. Livraria do Advogado: Porto Alegre, 2014.
Pesquise mais
Cada ramo do direito têm princípios próprios, que lhe serão apresentados, 
gradualmente, no decorrer do curso.
Por ora, apenas não se esqueça de que os princípios são também fonte do 
direito.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
U1
76
Sobre princípios e sua distinção de regra jurídica, leia:
ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios: da definição à aplicação dos 
princípios jurídicos. 14. ed. Malheiros: São Paulo, 2013.
Pesquise mais
c) Fonte negocial: é a autonomia da vontade como elemento capaz de gerar 
direitos em determinados ramos da Ciência Jurídica.
Exemplificando
Imagine um contrato de compra e venda celebrado entre duas pessoas. 
Tal contrato prevê que uma das partes entregará um automóvel a outra, 
que, por sua vez, deverá pagar o preço ajustado por elas.
Neste caso, a autonomia da vontade, representada pelo contrato 
celebrado, criou direitos a ambas as partes: uma dispõe do direito de exigir 
o veículo, enquanto, para a outra, surge o direito de pleitear o recebimento 
do preço ajustado pelo bem.
Faça você mesmo
Ainda sobre a autonomia da vontade, mas, agora, do âmbito do Direito do 
Trabalho, elabore pesquisas sobre as Convenções Coletivas de Trabalho, 
celebradas entre Sindicatos representativos da categoria econômica e 
profissional, e Acordos Coletivos de Trabalho, celebrados, por sua vez, 
entre empregador e Sindicato representativo da categoria profissional.
São exemplos do poder negocial e da autonomia da vontade como 
fontes do direito.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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77
Agora que já vimos quais as fontes do direito e já as agrupamos entre fontes 
escritas e não escritas, vamos conhecer outros critérios de classificação. Vale 
ressaltar que não há consenso doutrinário acerca dos critérios de classificação e, 
tampouco, do enquadramento de cada uma das fontes segundo tais critérios.
a) Classificação segundo a função da fonte:
• Fontes próprias: são exclusivamente e sempre fontes do direito. Exemplo: lei 
em sentido lato, cujo procedimento de criação segue as técnicas de elaboração. 
• Fontes impróprias: apenas por excepcionalidade, assumem a condição de 
fonte. Exemplo: costume.
b) Classificação segundo a origem:
• Fontes estatais: derivadas do Estado. Exemplo: leis em sentido lato, que se 
submetem ao procedimento próprio para sua elaboração (técnicas de elaboração/
procedimento legislativo).
• Fontes não estatais: derivadas de outras instituições que não sejam o Estado. 
Exemplo: costumes que nascem na sociedade.
Miguel Reale destaca que, atualmente, as fontes estatais prevalecem sobre 
todas as demais (REALE, 2002, p. 154).
c) Classificação segundo a hierarquia:
• Fontes principais: são as que, primeiramente, são aplicadas para a resolução 
do caso em concreto, sobrepondo-se às demais.
• Fontes acessórias: são as que apresentam caráter subsidiário, ou seja, serão 
aplicadas na ausência de fontes principais adequadas ao caso.
A hierarquia de fontes altera-se segundo o modelo adotado por cada um dos 
ordenamentos. Os ordenamentos vinculados ao civil Law, por exemplo, consideram 
a lei como fonte principal, enquanto que aqueles vinculados ao common Law 
consideram os costumes como tal.
Faça você mesmo
Diferencie civil law (modelo adotado no Brasil, a título de exemplo) e 
common law (modelo adotado, por exemplo, na Inglaterra) e aponte em 
que grande grupo o ordenamento pátrio está inserido.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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SEM MEDO DE ERRAR!
Vamos solucionar nossa SP apresentada no início da seção? 
No município em que José Antônio e o pai vivem, as pessoas têm por hábito 
prender doentes mentais que apresentam comportamento violento. As famílias 
dos doentes os mantêm presos, assim como José Antônio. Já sabemos que há 
cinco famílias que mantêm entes aprisionados.
Após conversa com a Promotora, o pai de José Antônio afirma que cometeu 
tal ato, pois se tratava de um costume na região. Cabe a você, estagiário, auxiliar 
na verificação e confirmação de prática e opinar se tal costume pode tornar válida 
e jurídica a conduta do pai de José Antônio.
Vimos que, para ser costume jurídico, não basta a reiteração de condutas. Deve 
haver a aceitação daquela conduta como sendo obrigatória. A simples repetição 
de condutas, desprovida da consciência de que seja obrigatória, pode torná-la 
costume, mas não costume jurídico, criador do direito.
Um costume só se torna jurídico se forem identificadas as seguintes 
condições:
a) repetição habitual do comportamento em determinado tempo; e
b) consciência social da obrigatoriedade da conduta.
Lembre-se
Assim, em resposta à primeira indagação, temos que, de fato, no pequeno 
município em que José Antônio e o pai vivem, aprisionar os doentes mentais 
representa uma conduta repetida. Pode-se dizer, desta forma, que é um hábito, um 
costume. Tal conduta apenas será um costume jurídico se houver, na consciência 
social, a aceitação daquela conduta como obrigatória,ou seja, se todos aqueles 
que apresentam familiares com problemas de ordem psiquiátrica pensarem que 
devem segregá-los do convívio, mediante prisão.
Ademais, já em resposta à segunda indagação, devemos observar que aprisionar 
o doente e mantê-lo trancafiado e acorrentado viola a lei (lei lato sensu), já que a 
própria Constituição Federal assegura a todos a liberdade. Se não bastasse, o Direito 
Penal tipifica a conduta (trata-se do delito de manutenção em cárcere privado).
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Assim, ainda que fosse costume, tratar-se-ia de costume contra legem, contrário 
à lei e ao ordenamento, motivo pelo qual não é e nem pode ser aceito como fonte 
do direito.
Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu, transferindo seus conhecimentos para novas situações 
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois compare-as com a de 
seus colegas. 
Costumes
1. Competência de fundamento de 
área
Identificar quando o costume pode ser elevado à condição 
de fonte do direito.
2. Objetivos de aprendizagem
Dar ao aluno a competência de refletir, a partir da 
classificação dos costumes jurídicos, sobre as situações em 
que os costumes podem ser considerados como fonte do 
direito. 
3. Conteúdos relacionados Fontes do direito e costumes.
4. Descrição da SP
Em determinada localidade, pela falta de recursos financeiros 
das famílias e escassez de mão de obra, a partir dos dez 
anos, todas as crianças passam a laborar numa usina que se 
ocupa do corte de cana de açúcar e produção de etanol.
Isso acontece com todas as crianças e a comunidade vê na 
atividade proveito recíproco: representa renda para a família, 
indispensável para a subsistência de seus membros, e sana o 
problema de falta de mão de obra na Usina.
Considerando os benefícios recíprocos que a comunidade 
acredita obter, bem como o fato de isso acontecer com 
todas as crianças da comunidade, este costume é fonte do 
direito? Justifique.
Atenção! Antes de responder a questão, leia o art. 7º, inciso 
XXXIII, da Constituição Federal.
5. Resolução da SP
Não se deve reconhecer como fonte do direito costumes 
que se contraponham ao ordenamento jurídico, que, por sua 
vez, deve ser visto como um todo unitário e harmônico.
O art. 7º, inciso XXXIII, da Constituição, disciplina que:
a) é proibido o trabalho do menor de 16 anos, salvo na 
condição de aprendiz, a partir dos 14 anos; e
b) é proibido o trabalho do menor de 18 anos sob condições 
consideradas, nos termos da normatização do Direito do 
Trabalho, insalubres ou perigosas.
No exemplo citado, crianças de dez anos estão laborando 
em usinas de cana de açúcar. Independentemente de 
estarem ou não expostas a condições insalubres ou 
perigosas – oportunamente, você estudará quais são essas 
condições –, a Constituição proíbe o desempenho de 
qualquer atividade laborativa às crianças de dez anos.
Trata-se, portanto, de costume contra legem, já que se choca 
com o dispositivo constitucional e, consequentemente, não 
é fonte do direito.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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1. Sobre as fontes do direito, assinale a alternativa:
a) Fontes são os desdobramentos que a norma jurídica pré-existente 
adquire na sociedade.
b) As fontes do direito possuem sempre natureza estatal já que advêm 
do Estado.
c) Consideram-se fontes jurídicas os centros produtores do direito.
d) O ordenamento pátrio não admite fontes não escritas, já que causariam 
insegurança jurídica.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
2. As fontes do direito podem ser classificadas em materiais e formais. 
Sobre elas, considere as seguintes proposições:
I. As fontes formais são objeto de estudo da Sociologia Jurídica.
II. As fontes materiais são os fatos que justificam a elaboração das fontes 
formais.
III. A fonte material é pré-existente à fonte formal.
Assinale a alternativa que indique as proposições corretas:
a) Apenas II e III estão corretas. 
b) Apenas I e III estão corretas.
c) Apenas I e II estão corretas.
d) Todas as alternativas estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
3. Considerando o conceito de fontes formais do direito, assinale a 
alternativa que contenha apenas exemplos de fontes formais escritas:
a) Jurisprudência e princípios gerais do direito.
b) Doutrina e autonomia da vontade.
c) Fonte negocial e lei.
d) Lei e jurisprudência.
e) Princípios gerais do direito e costume. 
Faça valer a pena
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Referências
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à filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993.
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UNB, 1997.
ASSIS, Machado de. O alienista. São Paulo: L&PM EDITORES, 1998.
ASSIS, Olney Queiroz; KUMP, Vitor Frederico. Manual de antropologia jurídica. São 
Paulo: Saraiva, 2011.
ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios: da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 
14. ed. São Paulo: Malheiros, 2013.
CEZARIO, Leandro Fazollo. Naturalismo vs. Contratualismo ou a completude de duas 
teorias. Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIII, n. 76, maio 2010. Disponível em: . 
Acesso em: 04 jan. 2016.
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do estado. 24. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2005.
DIMOULIS, Dimitri. Manual de introdução ao estudo do direito. 2 ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2008. 
______. O caso dos denunciantes invejosos: introdução prática às relações entre 
direito, moral e justiça. 8 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012.
DINIZ, Maria Helena. Compêndio de introdução à ciência do direito: introdução à 
teoria geral do direito, à filosofia do direito, à sociologia jurídica e à lógica jurídica, norma 
jurídica e aplicação do direito. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
FERRAZ JÚNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, 
dominação. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
FERREIRA, Walace. Pensando a teoria da Justiça: aproximações entre as concepções 
liberal, libertária, comunitarista, igualitária e capacitária. Revista Jus Navigandi, Teresina, 
ano 18, n. 3496, 26 jan. 2013. Disponível em: . Acesso 
em: 07 jan. 2016.
FULLER, Lon L. O caso dos exploradores de cavernas. Tradução do original inglês e 
introdução por Plauto Faraco de Azevedo. Porto Alegre: Fabris, 1999.
U1
82 Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
HOBBES, Thomas. Leviatã. 2 ed. São Paulo: Martin Claret, 2008.
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. 3. ed. São Paulo: Martins Editora, 2005.
MONTORO, André Franco. Introdução à ciência do direito. 25. ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 1999. 
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000. 
REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 
______. Lições preliminares de direito. 27 ed. São Paulo: Saraiva, 2004. 
ROUSSEAU, Jean Jacques. Do contrato social. São Paulo: L&PM, 2007.
SANDEL, Michael. Justiça: o que é fazer a coisa certa. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 2012.
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 36. ed. Rio de Janeiro: 
Malheiros, 2015.
VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: parte geral. 15 ed. São Paulo: Atlas, 2015.didático. 
Vamos começar!
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Seção 1.1
O que é Direito? Direito e justiça
Nesta primeira seção da unidade, você será apresentado a conceitos ou noções de 
direito e será convidado, também, a refletir sobre em que medida o direito relaciona-se 
à Justiça.
Você se recorda da SGA descrita no início da Unidade? Nela, apresentamos a 
você o caso de José Antônio, homem que há 25 anos é mantido, pelo próprio pai, 
aprisionado em um cômodo minúsculo e em condições precárias, sob o argumento 
de apresentar comportamento agressivo e colocar em risco a integridade física 
daqueles que o rodeiam. O comportamento agressivo, como vimos, é decorrente de 
distúrbios de ordem psiquiátrica, o que o torna, segundo o pai, incapaz de se controlar 
e refletir sobre os efeitos de sua conduta, justificando, segundo o genitor, o fato de 
permanecer trancafiado e acorrentado.
Depois da descoberta do caso pela assistente social, você, na condição de 
estagiário, se vê diante de uma situação bastante complexa e que o leva à seguinte 
reflexão: dada a sua agressividade, é justo manter José Antônio aprisionado em um 
cômodo de 3m2 que o pai o trancou? 
Cumpre a você auxiliar a Promotora da qual é estagiário a viabilizar a conferência, 
ao caso, da solução mais condizente com os parâmetros do direito e da Justiça. Para 
responder a SP da primeira seção, desenvolveremos as noções introdutórias de direito 
e Justiça.
Diálogo aberto 
Não pode faltar
A língua portuguesa é riquíssima e bastante intrigante. Por vezes, há vários 
vocábulos com mesmo significado (sinônimos) e, por outras, um mesmo termo 
pode apresentar significados diferentes. São as palavras plurívocas e “direito” é uma 
delas.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Fonte Sou do Nordeste. Disponível em: . Acesso 
em: 20 dez. 2015.
Fonte: Livraria Saraiva. Disponível em: . 
Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.2 | Dicionário, Palavras Plurívocas e Direito
Figura 1.3 | Lições Preliminares do Direito
Quando pensamos em direito, a primeira ideia que nos vêm à cabeça é a de 
correção: direito é aquilo que é correto, contrário ao errado, o que vai ao encontro 
da própria origem do termo, já que o vocábulo provém do latim directum ou 
rectum, cujo significado é “reto” ou “aquilo que é como uma régua” (FERRAZ 
JÚNIOR, 2007, p. 32-34; MONTORO, 1999, p. 31).
Dentro dessa concepção, o direito é responsável por fixar as condutas 
consideradas corretas em determinado tempo e espaço, podendo, inclusive, 
impor sanções àqueles que ajam em desacordo com elas. Miguel Reale afirma que 
o direito é, “aos olhos do homem comum, [...] um conjunto de regras obrigatórias 
que garante a convivência social graças ao estabelecimento de limites a cada um 
de seus membros” (REALE, 2002, p. 1), sendo, portanto, conforme ensinamentos 
de Santi Romano, referenciados pelo próprio Reale, a realização da convivência 
ordenada (REALE, 2002, p. 1).
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Conforme as primeiras noções mencionadas anteriormente, se o direito assume 
o papel de regulamentador da convivência social, ele só existe se considerarmos 
uma pluralidade de indivíduos, afinal, não haveria necessidade de regulamentar a 
conduta de quem quer que fosse se esta pessoa não tivesse com quem interagir, 
correto?
É por esta razão que se consagrou o provérbio “ubi jus, ibi societas” (onde está o 
Direito, está a sociedade), já que não se pode conceber a ideia de direito apartado, 
separado da convivência social.
Assimile
Ubi jus, ibi societas (onde está o Direito, está a sociedade) é utilizada, pois 
a função do direito é coordenar de forma harmônica a convivência social. 
Para entender melhor a relação entre direito e sociedade, que será objeto de 
estudo de nossa seção 1.2, assista ao filme:
ZEMECKIS, Robert et al. Náufrago. [Filme-vídeo]. Produzido por Jack Rapke, 
Robert Zemericks, Steve Starkey e Tom Hanks. Dirigido por Robert Zemericks. 
Estados Unidos, 2001, Fox Century/Dream Works. Duração: 144min. 
Protagonizado por Tom Hanks, o filme conta a história de um homem que, 
após ser o único sobrevivente de um acidente aéreo, passa a viver sozinho numa 
ilha do Oceano Pacífico, tendo apenas a “companhia” de uma bola de vôlei e 
de uma fotografia. O trailer do filme pode ser encontrado no link disponível em: 
. Acesso em: 20 dez. 2015.
Assista ao filme! Você vai gostar e vai te auxiliar a compreender melhor a relação 
de interdependência entre direito e sociedade.
Fonte: Gstatic. Disponível em: . Acesso em: 20 
dez. 2015.
Figura 1.4 | O Náufrago
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Dando continuidade sobre as noções de direito anteriormente expostas, não 
podemos nos esquecer de que se trata de um vocábulo plurívoco, apresentando, 
assim, outras acepções. Portanto, a seguir, listamos algumas acepções diferentes, 
que também são atribuídas, pela doutrina, ao direito. De acordo com Montoro 
(1999) e Reale (2002):
a) Direito enquanto norma: o direito não permite dirigir embriagado. Na verdade, 
o que se pretende dizer com o exemplo acima é que a norma não permite dirigir 
embriagado. Trata-se, como estudaremos, em capítulos posteriores, da acepção 
chamada de “direito objetivo”.
b) Direito enquanto faculdade, prerrogativa, possibilidade: todos têm o direito 
de ir e vir, ou seja, todos podem e têm a prerrogativa de ir e vir. Conforme veremos 
oportunamente, esta acepção é chamada de “direito subjetivo”.
c) Direito enquanto Ciência: o direito deve se ocupar do estudo da atividade 
jurisdicional. O que se pretendeu dizer é que a Ciência do Direito deve estudar a 
atividade jurisdicional. É comum que, ao fazer referência do direito como ciência, 
encontraremos a grafia em letras maiúsculas (Direito).
d) Direito enquanto fato social: o direito deve ser estudado pela Sociologia. 
Dessa forma, o vocábulo direito é entendido como fato cultural, fenômeno da vida 
coletiva, aspecto em que também nos aprofundaremos nas seções desta unidade.
e) Direito enquanto ideal de justiça: receber aquilo que lhe devem é direito 
seu. Aqui, o direito é utilizado no sentido valorativo, axiológico, como sendo aqui 
que “é devido por justiça” (MONTORO, 1999, p. 39).
Assim, temos que, além das breves noções apresentadas no início deste tópico, 
podemos utilizar o termo “direito” nos seguintes sentidos ou acepções:
Norma
Faculdade/prerrogativa
Ciência
Fato social
Justiça
Direito
Fonte: O autor (2015)
Figura 1.5 | Acepções do Direito
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Atenção!
Direito é palavra que pode dispor de diversos significados. 
Entender o sentido atribuído à palavra, inserida em determinado contexto, 
é de suma relevância.
Cada uma das diferentes acepções de direito será estudada no decorrer desta 
Unidade. Agora, interessa-nos apenas a acepção mencionada na letra ‘e’, ou seja, 
Direito enquanto Justiça ou ideal de justo. 
Para saber mais sobre a noção de direito e suas diferentes acepções, não 
deixe de ler:
• REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27 ed. Saraiva: São Paulo, 
2002, p. 1-10; 59-68.
• NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito. 20 ed. Forense: Rio de 
Janeiro, 2000, p. 71-80.
• MONTORO, André Franco. Introdução à ciência do direito. 25 ed. 
Revista dos Tribunais: São Paulo, 1999, p. 33-60.
• DIMOULIS, Dimitri. Manual de introdução ao estudo do direito. 2 ed. 
Revista dos Tribunais: São Paulo, 2008, p. 17-34.
Pesquise mais
Para identificarmos direito como sendo justiça, é necessário, ao menos, termos 
uma noção prévia do que ela significa. Mas o que é Justiça? Quais os critérios 
podem ser utilizados para seconsiderar algo como justo ou injusto e como esses 
critérios se relacionam com o direito? 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Fonte: Que Conceito. Disponível em: . Acesso em: 20 
dez. 2015.
Figura 1.6 | A Justiça
Você já percebeu que a Justiça é uma tarefa bastante árdua, que tem desafiado 
juristas e filósofos ao longo dos tempos. 
Faça você mesmo
Para aferir a dificuldade da tarefa, responda com os conhecimentos 
adquiridos até agora: O que é Justiça? O que você considera justo?
Compartilhe sua resposta com seus colegas.
E aí? Foi fácil? 
A partir do item “Faça você mesmo”, é provável que tenha vindo a sua mente 
dezenas de exemplos de situações que podem lhe parecer justas e de outras 
tantas que lhe pareçam injustas. Porém, a exemplificação não é suficiente para nos 
fornecer um conceito ou uma definição sobre o termo, de forma que o problema 
persiste: o que é justiça?
O conceito de justiça é mais facilmente obtido mediante seu anticonceito. 
Explicamos: se não é tarefa simples conceituar Justiça, reconhecemos prontamente 
situações cotidianas que, por suas peculiaridades e pelos pré-conceitos que nos 
acompanham, são tomadas como injustas. Em outras palavras, ainda que, num 
primeiro momento, possamos ter dificuldade em formar definição acerca da Justiça, 
sabemos o que, por nossas próprias convicções pessoais, não consideramos justo. 
Nosso objetivo não é lhe fornecer um conceito – ou uma definição – definitiva 
sobre Justiça. Queremos dar-lhe os subsídios necessários para que você obtenha 
suas próprias conclusões. Para tanto, apresentaremos a forma como algumas 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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correntes de pensamento encararam a Justiça, pendendo ora pela valorização da 
virtude, ora da liberdade ou do bem-estar.
Para Aristóteles, justiça é dar às pessoas o que elas merecem, ou seja, dar a 
cada um aquilo que é seu (SANDEL, 2012, p. 17). Porém, a partir desta definição, 
algumas indagações podem surgir: o que cada um merece? O que é digno de 
merecimento?
Fonte: Palavras, Todas Palavras. Disponível em: . 
Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.7 | Aristóteles
Como você pode ver, a acepção de Justiça trazida por Aristóteles embasou-se 
em concepções particulares e valorativas. Se cada um deve receber aquilo que é 
merecido, precisamos avaliar o que é objeto de merecimento e, portanto, valorar 
condutas, o que ocasiona certo relativismo.
Para evitar que os princípios da Justiça se fundamentassem em concepções 
particulares, desenvolveram-se noções diversas para a palavra, ressaltando que as 
correntes de pensamento que lhe serão apresentadas a seguir não estão expostas, 
necessariamente, em ordem cronológica.
Na tentativa de fugir dos relativismos que poderiam emergir do fato de se 
relacionar justiça ao merecimento e à virtude, surgiram pensadores que passaram a 
defender que a Justiça consistia em propiciar a máxima felicidade ao maior número 
de pessoas (SANDEL, 2012, p. 47). A isso se deu a denominação de “utilitarismo”, 
cujo principal representante foi Jeremy Benthan.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.8 | Jeremy Benthan
Para os utilitaristas, algo seria justo se propiciasse a maior utilidade – aqui, 
entendida como aquilo que produz prazer ou felicidade (SANDEL, 2012, p. 48) 
– para a maioria. Avaliar se algo seria justo ou não passava por uma espécie de 
operação matemática, pela análise de seu custo e de seu benefício: seria justo se 
propiciasse felicidade e bem-estar à maioria, ainda que sob sacrifício da minoria.
No entanto, tal forma de raciocínio pode ensejar situações bastante delicadas. 
Ao pensarmos que o indivíduo, sob a perspectiva do utilitarismo, não é relevante 
quando sozinho, mas apenas ganha importância quando em grupo e quando seu 
grupo representa a maioria, chegaremos às seguintes conclusões:
a) Em casos de catástrofes naturais e isolamento, estando várias pessoas 
submetidas à situação de risco de morte por falta de alimentos, é justo que se 
sacrifique uma delas para que sirva de alimento às demais.
b) Se houver várias pessoas aguardando por transplantes de órgãos diferentes 
(uma necessita do transplante de coração, outra de rim e uma terceira de fígado), 
todas correndo risco de morte, caso não seja realizado o procedimento cirúrgico 
com urgência, é justo sacrificar uma delas para salvar as demais.
Leia o livro:
FULLER, Lon L. O caso dos exploradores de cavernas. Tradução do original 
inglês e introdução por Plauto Faraco de Azevedo. 10ª reimpressão. Fabris: 
Porto Alegre, 1999. 
Vale muito a pena a leitura desta obra, pois aborda de forma bastante 
didática os conflitos que estão sendo discutidos nesta seção.
Pesquise mais
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Note que, em ambos os exemplos, sacrifica-se uma pessoa para que um 
número maior delas sobreviva. Partindo de critérios numéricos e sob a perspectiva 
do utilitarismo, salvar mais pessoas é melhor do que salvar apenas uma!
Porém, se pensarmos desta forma, sempre as minorias serão oprimidas e 
sufocadas, não serão? Você acha que isso é correto?
É justo sacrificar uma minoria em prol do bem-estar ou da satisfação dos 
interesses da maioria?
Reflita
Cada pessoa é dotada de garantias e direitos que não podem, sob qualquer 
justificativa, ser sacrificados. A opressão de minorias, como você estudará durante 
o curso, choca-se com os ideais de democracia e com os princípios fundamentais 
que regem nosso ordenamento jurídico.
Então, opondo-se aos utilitaristas, existem os libertários, defensores do chamado 
“libertarismo”. Para eles, todos têm direito à liberdade (SANDEL, 2012, p. 78), sendo 
a pessoa a única proprietária de si mesma (SANDEL, 2012, p. 84) e que, portanto, 
não deve se sacrificar pelo bem de quem quer que seja. Assim, para os libertários, 
justo é aquilo que não viola a liberdade humana, ressaltando que tal liberdade não 
pode acarretar prejuízo aos outros.
Sob essa perspectiva, por exemplo, é justo dirigir embriagado, desde que em 
estrada deserta, já que não haveria meios de causar danos a ninguém, a não ser 
ao próprio motorista embriagado, que, utilizando-se de sua liberdade, optou por 
assumir o risco de sua conduta. Também, segundo o libertarismo, as determinações 
de pagamento de tributos são injustas, uma vez que violam a liberdade do indivíduo 
de gastar seu dinheiro como quiser.
As aulas de Direito Constitucional ensinarão a você que a liberdade, de fato, é 
direito fundamental em nosso ordenamento (veja o art. 5º, caput, da Constituição 
Federal de 1988), mas não é o único, de forma que, se resolvermos aplicá-la sempre 
e de maneira irrefletida, podemos violar outros direitos igualmente fundamentais, 
como a vida ou o princípio da dignidade da pessoa humana. 
Você consegue pensar numa situação em que isso poderia acontecer? Pense 
no seguinte caso: em respeito à liberdade individual, admite-se que alguém venda 
seus órgãos, já que estes lhe pertencem. Essa pessoa poderia vender um órgão 
vital, o que lhe levaria à morte? A liberdade e a propriedade de seu próprio corpo 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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poderiam prevalecer sobre a vida? Por certo não, já que, como você pode observar 
no mesmo art. 5º, da Constituição Federal, a vida também é direito fundamental.
Convicto dos problemas mencionados anteriormente, além de outros 
relacionados à Teoria Libertária de Justiça, já no século XX, um filósofo chamado 
John Rawls passou a defender a Justiça como sendo a garantia de distribuição 
igualitária de valores sociais, tais como renda e oportunidades. Segundo Ferreira(2015, p. 15), “Rawls considera que uma sociedade somente será justa se todos 
os valores sociais, tais como liberdade e oportunidades, ingressos e riquezas, 
forem distribuídos de maneira igual, a menos que uma distribuição desigual gere 
benefícios a todos”.
Fonte: Web Britannica. Disponível em: . 
Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.9 | John Rawls
Para Rawls, são justos os princípios que os indivíduos elegem sem conhecer 
a posição que ocupam na sociedade (exemplo: pobre ou rico), partindo de uma 
posição de igualdade (SANDEL, 2012, p. 188), de forma a não se deixar influenciar 
por seus interesses pessoais. Esse estado de desconhecimento de sua própria 
posição é chamado de “véu da ignorância”, como se as pessoas tivessem seus 
olhos cobertos por um véu que as impossibilitasse de ver a posição ocupada e 
seus interesses individuais. Justiça, portanto, para Rawls, parte do pressuposto 
de distribuição igualitária entre os indivíduos, sendo as desigualdades admitidas 
apenas em benefício dos menos favorecidos (SANDEL, 2012, p. 189).
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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19
Assimile
Definições de Justiça, segundo as teorias estudadas:
- Utilitarismo: é justo aquilo que gera o máximo de felicidade ao maior 
número de pessoas.
- Libertarismo: é justo aquilo que respeita a liberdade do indivíduo.
- Liberalismo igualitário: é justo o que seja equânime e viabilize a 
distribuição igualitária. 
Essas breves noções acerca de algumas das Teorias da Justiça, desenvolvidas 
pelos pensadores ao longo dos tempos, pretendem apenas demonstrar a você as 
diferentes formas de se conceber a justiça e de se classificar algo como justo ou 
injusto. 
Qual das teorias da justiça você considera mais adequada?
Reflita
Durante sua caminhada no estudo do Direito, essa questão será retomada 
diversas vezes, inclusive após a sua graduação. Assim, o aprofundamento da 
matéria é mais do que recomendado!
Para que você complemente e aprofunde seus estudos acerca das Teorias 
da Justiça, recomendamos as seguintes obras:
DIMOULIS, Dimitri. O caso dos denunciantes invejosos: introdução prática 
às relações entre direito, moral e justiça. 8. ed. Revista dos Tribunais: São 
Paulo, 2012.
SANDEL, Michael J. Justiça: o que é fazer a coisa certa. 9. ed. Civilização 
Brasileira: Rio de Janeiro, 2012. 
YOUTUBE. A Justiça com Michael Sandel. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
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Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Sobre a ampla variação do conceito de Justiça, sobretudo, a partir da ponderação 
de diferentes teorias, qualquer noção atual dela que você vise estruturar, deve 
ponderar certas características essenciais (MONTORO, 1999, p. 130): 
a) Alteridade: a aplicação da Justiça pressupõe a existência de outra pessoa, 
o que remete à alteridade. Franco Montoro explana que “ninguém é justo ou 
injusto para consigo mesmo” (MONTORO, 1999, p. 130), sendo, portanto, a justiça 
predicado daquilo que se destina ao outro, razão pela qual é correto dizer que 
justiça é uma virtude social.
b) Exigibilidade: justo é dar aquilo que é devido e que disponha de lastro legal. 
Não se deve apenas por questões morais, mas, sim, com fulcro em obrigatoriedade 
imposta pelo bem da coletividade (bem-comum). A esta exigibilidade, dá-se o nome 
de atributividade: qualidade de atribuir a quem for lesado pelo descumprimento da 
norma a faculdade de exigir do violador o cumprimento dela (MONTORO, 1999, 
p. 133).
c) Igualdade: a igualdade é pressuposto de justiça, já que remete à ideia de 
equivalência entre todos os homens.
Assimile
De acordo com André Franco Montoro, qualquer noção e/ou definição 
hodierna que se pretenda atribuir à Justiça deve apresentar as seguintes 
características:
• Alteridade.
• Exigibilidade ou atributividade.
• Igualdade (não apenas numérica, mas, sobretudo, relacionada ao 
fundamento de igualdade material dos homens).
Como vimos, a formulação de noção de justiça é tarefa árdua e relativa, sendo 
você convidado, com base nos conhecimentos adquiridos, a estabelecer a sua 
própria.
Depois de conhecer algumas acepções do vocábulo Justiça, resta perguntar: 
como Justiça e direito se relacionam? Por que direito também é tomado como 
sinônimo de Justiça?
Logo nas primeiras linhas desta seção, falamos que o direito visa à regulamentação 
da convivência social. Espera-se, assim, que tal regulamentação se dê de forma 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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harmônica, justa, sendo o direito, portanto, verdadeira exigência da justiça (NADER, 
1999, p. 123), cuja noção é alterada conforme o momento histórico e os valores 
da sociedade. Sendo assim, a justiça deve nortear a elaboração do direito e ele só 
será legítimo se atender aos anseios de justiça de cada povo e de cada momento 
histórico. 
Independentemente das demais acepções do vocábulo “direito”, todas 
igualmente corretas e válidas e que serão estudadas nas seções seguintes, como 
acadêmico do curso de Direito e futuro profissional da área, nunca se esqueça 
de que, acima de outras definições e objetivos, o direito tem de buscar o ideal de 
Justiça. E é para isso que você está se preparando!
Exemplificando
Agora que você já foi apresentado a algumas das teorias da justiça, pense 
na seguinte situação: a História do Brasil é marcada pela escravidão 
de diversos povos (índios e negros). Tais povos, com seu trabalho 
compulsório, foram responsáveis pelo desenvolvimento, seja do Brasil-
Colônia, seja após a Independência, ocorrida em 1822. Considerando as 
teorias da justiça apresentadas, a escravidão pode ser considerada justa?
A classificação da escravidão como sendo justa ou injusta depende da 
acepção de justiça adotada. Veja:
a) Para a teoria utilitarista, considerando os benefícios advindos da 
escravidão para o desenvolvimento do Brasil, enquanto Colônia de 
Portugal, ou após a proclamação da independência, poderíamos 
considerar a prática de escravizar pessoas justa, já que atenderia aos 
interesses da maioria (mais utilidade/felicidade para o maior número de 
pessoas).
b) Para a teoria libertária, a escravidão é injusta, já que limita a liberdade 
daquele que é escravizado, privando-lhe, até mesmo, do direito de ir e vir 
e de dispor da sua força de trabalho.
c) Para a teoria liberal igualitária, a escravidão jamais poderia ser justa, já 
que, sob o véu da ignorância, nenhum indivíduo, assim, a consideraria. 
Ademais, a escravidão confere tratamento desigual (de recursos, 
oportunidades, entre outros) entre as pessoas. 
Vale lembrar que, nos termos dos ordenamentos vigentes, inclusive o do 
Brasil, qualquer forma de escravidão viola o direito fundamental e, além de 
injusta, é inadmissível!
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Faça você mesmo
Pense agora em alguma situação considerada, segundo a teoria utilitarista, 
justa, sendo, contudo, injusta para a teoria libertária. Compartilhe seu 
exemplo com seus colegas.
SEM MEDO DE ERRAR!
Agora que já absorvemos as noções constantes no tópico “Não Pode Faltar”, 
convidamos você a solucionar a Situação-problema (SP) apresentada no “Diálogo 
Aberto”. Recorda-se dela?
Em síntese, a Situação Geradora de Aprendizagem (SGA) refere-se à história 
de José Antônio, que, em razão de seu comportamento altamente agressivo, 
decorrente de distúrbios mentais apresentados após presenciar o assassinato da 
cunhada, é mantido preso e acorrentado pelo seu pai.
Após a assistente social verificar a situação em que José Antônio se encontrava, 
os fatos foram levados ao conhecimento do Ministério Público. Você, então, na 
condição de estagiário, se vê diante de situação bastante complexa e que o leva 
à reflexão: dada a sua agressividade, é justo manter José Antônio aprisionado por 
seu pai em um ambiente de 3m
2
? 
Cumpre a você auxiliar a Promotora a viabilizar a soluçãomais condizente com 
os parâmetros do Direito e da Justiça. 
Sua sugestão variará conforme a Teoria da Justiça que for adotada, pois:
a) Para o utilitarismo, a manutenção em cárcere privado (manter aprisionado) é 
justa, já que José Antônio é agressivo e oferece risco ao seu pai e à sociedade (a 
todos aqueles que o rodeiam). Sua prisão tem maior utilidade a um maior número 
de pessoas do que mantê-lo em liberdade.
b) Para o libertarismo, a manutenção em cárcere privado é injusta, já que fere a 
liberdade – inclusive, de locomoção – de José Antônio, garantia máxima de todo 
e qualquer indivíduo.
c) Para o liberalismo igualitário, a manutenção em cárcere privado é injusta, já 
que confere tratamento desigual a José Antônio, impedindo-o de desenvolver suas 
aptidões. De acordo com a celebração de contrato social (trataremos mais a fundo 
deste contrato na próxima seção), sob o véu da ignorância, ninguém jamais toleraria 
o cárcere privado, já que não poderia saber se, a exemplo de José Antônio, não 
seria acometido por distúrbios psiquiátricos, que lhe imporiam comportamento 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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agressivo. Ninguém correria o risco de, futuramente, ser mantido aprisionado e 
acorrentamento, independentemente de ameaçar, ou não, a integridade física dos 
demais.
Atenção!
As teorias de justiça são o utilitarismo, libertarismo e o liberalismo igualitário. 
Para resolver a Situação-problema, é necessário ter uma compreensão 
conjunta das três teorias. 
Confrontando as Teorias da Justiça com nosso ordenamento, sobretudo, com 
os dispositivos constitucionais, tem-se que, independentemente de sua conduta e 
da agressividade dela, a manutenção de José Antônio sob cárcere privado é injusta 
e juridicamente inaceitável, pois viola o princípio da dignidade da pessoa humana.
A melhor solução que você, como estagiário da Promotora, poderia sugerir, é 
o encaminhamento de José Antônio a tratamento médico adequado, medida que 
contribuiria para o bem-estar de todos, além de respeitar o direito social à saúde, 
previsto no art. 6º, caput, da Constituição Federal de 1988.
A noção de Justiça não é única e universal. Ela depende da corrente que 
se julgue mais adequada. 
Lembre-se
Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu, transferindo seus conhecimentos para novas situações 
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois compare-as com a de 
seus colegas. 
“Noções de Direito e de Teorias da Justiça”
1. Competência de fundamento de 
área
Conhecer e relacionar os fundamentos filosóficos e teóricos 
gerais e do direito.
2. Objetivos de aprendizagem
Dar ao aluno a competência de refletir sobre o ordenamento 
jurídico vigente e encontrar suas bases e correspondência 
no passado, por meio do estudo dos Fundamentos 
Históricos do Direito.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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3. Conteúdos relacionados Noções de direito e de Teorias da Justiça.
4. Descrição da SP
A Polícia Federal recebeu uma denúncia anônima de que há 
uma bomba instalada num movimentado shopping center 
de São Paulo, bem como do local onde o responsável por 
ela estaria escondido. Os policiais conseguem localizar o 
acusado, porém, ele se recusa a dizer onde está a bomba, 
revelando apenas que ela está prestes a explodir, sequer 
havendo tempo de evacuar o local. É justo e autorizado pelo 
direito torturar o acusado para que ele revele onde está a 
bomba e a forma de desarmá-la? Considere as disposições 
constitucionais de nosso ordenamento.
5. Resolução da SP:
Para o utilitarismo, é justo e juridicamente possível, já que 
se espera que, mediante tortura, o acusado revele o local 
em que se situa a bomba, bem como o meio de desarmá-
la. A medida se justifica para salvar as pessoas que estão 
no shopping e nos seus arredores e que, com a eventual 
explosão, correrão risco de morte.
Para o libertarismo e o liberalismo igualitário, não se 
admitiria a tortura, já que feriria as garantias fundamentais, 
irrenunciáveis e inafastáveis do acusado. Ressalta-se que, 
segundo o liberalismo igualitário, a tortura somente seria 
permitida sob o véu da ignorância, se fosse autorizada em 
tais hipóteses (de risco de morte a outras pessoas).
• Utilitarismo: é justo aquilo que gera o máximo de felicidade ao maior 
número de pessoas.
• Libertarismo: é justo aquilo que respeita a liberdade do indivíduo.
• Liberalismo igualitário: é justo o que seja equânime e que viabilize a 
distribuição igualitária.
Lembre-se
Faça você mesmo
Em casa, pesquise outras acepções de Justiça que utilizem teorias 
diferentes das que lhe foram apresentadas nesta seção.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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1. Qual o objetivo principal do direito e de todo o ordenamento jurídico?
a) Servir de instrumento de dominação de um grupo, por outro que se 
situe em condições mais favoráveis.
b) Possibilitar a convivência social ordenada e harmoniosa.
c) Impor conceitos e valores e repreender aqueles que não se enquadrem 
nos conceitos impostos.
d) Impedir que as minorias tenham acesso às mesmas garantias que as 
maiorias.
e) O direito não apresenta função ou objetivo específico.
2. Direito é vocábulo plurívoco, ou seja, pode apresentar diversas 
acepções. Assinale a alternativa que não contenha uma das acepções 
que podem ser atribuídas ao direito:
a) Direito enquanto norma jurídica.
b) Direito enquanto ideal de Justiça.
c) Direito enquanto prerrogativa, faculdade.
d) Direito enquanto instrumento de dominação.
e) Direito enquanto Ciência.
3. Sob as noções e definições de Justiça, assinale a alternativa correta:
a) A Justiça é um conceito e um parâmetro universal, havendo consenso 
sobre o que é justo ou não.
b) A noção de Justiça é atemporal, permanecendo a mesma no 
transcorrer dos tempos.
c) Os critérios de aferição de Justiça são bastante diversificados, 
inexistindo definição única e unânime.
d) A noção de Justiça, em nada relaciona-se ao direito, de forma que 
está correto dizer que “o direito é injusto”.
e) O conceito de justiça é relativo, já que, para que algo seja justo a um 
indivíduo, necessariamente, será injusto a outro.
Faça valer a pena
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Seção 1.2
O que é Direito? Direito e sociedade.
Em nossa primeira seção, você foi apresentado à breve noção de direito, vocábulo 
que pode ser empregado em diversas acepções. Vimos, ainda, que a principal função 
do direito é a pacificação social, de forma que sua existência pressupõe a existência 
da sociedade, razão pela qual se fala ubi jus, ibi societas (onde está o Direito, está a 
sociedade), não havendo direito onde não haja a última.
Nesta seção, iremos estudar, conforme o pensamento de teóricos importantes, 
as razões pelas quais o homem se reúne em grupos e forma a sociedade, o que 
impulsiona a criação do direito. Estudaremos, também, como a interação social enseja 
o estabelecimento de fatos diversos (sociais e jurídicos). O conteúdo desta seção 
fornecerá elementos para que você vá edificando seu conhecimento jurídico, o que 
demanda a compreensão do papel que o direito ocupa no âmbito social.
Recapitulemos a nossa SGA, exposta no início da unidade: José Antônio, em 
decorrência dos riscos que oferece à integridade física daqueles que o rodeiam, há 
anos é mantido preso e acorrentado em um cômodo de 3m2. Segundo seu pai, 
responsável pela manutenção de José Antônio sob tais condições, não há meios do 
filho conviver com outras pessoas, sem que represente um perigo a elas.
Imagine agora que José Antônio alterne momentos de extrema agressividade com 
momentos de lucidez e perceba, exatamente, seu potencial ofensivo e o risco que 
oferece a sua família nos momentos de descontrole. Ciente dessas premissas, ele 
decide que, para zelar pelo bem-estar daqueles que lhe são próximos, nãoquer mais 
viver em sociedade e expõe seu desejo à Promotoria em que você estagia. Cumpre a 
você, estagiário da Promotoria, verificar a possibilidade de atender a vontade de José 
Antônio, considerando se haveria violação a algum preceito básico, inerente a toda 
pessoa.
Diálogo aberto 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Não pode faltar
Na seção passada, vimos que, caso os homens não convivessem, não haveria a 
necessidade de existência do direito, já que este visa à ordenação da vida agregada. 
A essa agregação, ao conjunto de indivíduos reunidos e vinculados por traços 
culturais semelhantes, dá-se o nome de sociedade.
Fonte: Notícias Universia. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.10 | Operários, Tarsila do Amaral
Assimile
Sociedade é o conjunto de indivíduos que, dispondo de traços culturais 
em comum, vivem de forma agregada, relacionando-se entre si, de forma 
coordenada pelo direito.
É claro que, embora traços culturais em comum sejam, historicamente, 
elementos sociais identificadores, não podemos nos esquecer de que, 
considerando a complexidade do homem, as diferenças entre os indivíduos e os 
grupos comunitários são enormes, o que não é – e jamais pode ser – fundamento 
para desarmonia e, muito menos, intolerância. 
No decorrer de suas aulas de Direito Constitucional, você aprenderá que todos 
são iguais perante a lei e, como iguais, devem ser tratados e respeitados, sem 
qualquer hierarquia ou sobreposição de valores individuais. 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Atenção!
As diferenças entre os membros que compõem a sociedade não podem 
ensejar tratamentos discriminatórios ou desrespeitosos. Conforme 
preceitos constitucionais, todos devem ser respeitados em sua 
individualidade, o que culmina na construção de uma sociedade mais 
harmônica e inclusiva. Atente-se para a redação do art. 3º, da Constituição 
Federal:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do 
Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades 
sociais e regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, 
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988, on-
line). 
Mas, por qual razão a sociedade se forma? Por que o homem se reúne em 
agrupamentos (família, comunidade) que culminam na formação da sociedade? 
Quais as justificativas você encontra para tal agregação, já que parece tão tentadora 
a ideia de viver sozinho?
Vários foram os pensadores que, em momentos históricos distintos, tentaram 
explicar os fundamentos da formação da sociedade. 
Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, considerava que “a vida individual 
estava imbricada na vida comunitária” (ARANHA; MARTINS, 1993, p. 195), sendo o 
homem um animal social (ARISTÓTELES, 1997, p. 15). 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.11 | Aristóteles
Portanto, ele acreditava que o homem disporia de uma tendência natural de 
agrupamento, não podendo se esquivar da vivência coletiva, a não ser em duas 
situações: pela total ignorância ou por um estado de quase santidade (CEZÁRIO, 
2010).
Aristóteles é considerado, portanto, o pai da Teoria Naturalista, que considera 
como fato natural a associação do homem ser gregário por natureza e que apenas 
por situações adversas permanece em isolamento.
Para saber mais sobre o pensamento aristotélico, vale a pena ler:
ARISTÓTELES. Política. Tradução e notas de Mario da Gama Kury. 3. ed. 
UNB: Brasília, 1997. 
Pesquise mais
Por sua vez, São Tomás de Aquino, teórico católico do século XIII e vinculado 
à filosofia cristã chamada de escolástica, cujos ensinamentos são chamados 
de aristotélico-tomistas, afirma que apenas em três situações o homem vive 
isoladamente:
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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31
a) Excellentia naturae: quando o homem vive em plena comunhão com Deus.
b) Corruptio naturae: casos de anomalia mental.
c) Malafortuna: casos de desastre e fortuitos, como o relatado no filme Náufrago.
Fonte: Resenhas de Filosofia. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.12 | São Tomás de Aquino
Como podemos ver, o ponto de contato entre o pensamento dos teóricos 
vinculados à Teoria Naturalista, sob a influência de Aristóteles, é o reconhecimento 
de que há a tendência humana inerente à vivência coletiva.
Assimile
Para os teóricos do Naturalismo, o homem é, por sua própria natureza, 
um ser social e gregário.
Em contraposição à Teoria Naturalista, surgem diversos teóricos que refutam 
ser a sociabilidade uma qualidade inata do homem. Tais teóricos pertencem, 
em que pesem as particularidades dos estudos de cada um, à chamada Teoria 
Contratualista.
Para os contratualistas, o homem reúne-se e forma a sociedade, em razão 
de um contrato, ou seja, de um acordo multilateral de vontades. Seria, portanto, 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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32
o consenso que originaria a sociedade. A razão de tal acordo, respeitadas as 
variantes do pensamento de cada teórico da corrente contratualista, seriam as 
eventuais vantagens que os homens auferem pela vivência coletiva, nos termos 
dos ensinamentos de Dalmo de Abreu Dallari:
[…] é a negativa do impulso associativo natural, com a 
afirmação de que só a vontade humana justifica a existência 
da sociedade, o que vem a ter influência fundamental nas 
considerações sobre a organização social, sobre o poder 
social e sobre o próprio relacionamento dos indivíduos com a 
sociedade (DALLARI, 2005, p. 12).
Assimile
Para os contratualistas, o homem se reúne aos demais, formando a 
sociedade e, consequentemente, o Estado, em razão da própria vontade. 
É o consenso, e não a tendência natural do homem, o elemento 
indispensável para a associação.
Existem três principais teóricos do contratualismo: Thomas Hobbes, John 
Locke e Jean Jacques Rousseau.
Thomas Hobbes entendia que o homem, em seu estado natural – denominado 
de estado de natureza –, vivia de forma desordenada e em “guerra de todos contra 
todos”. Assim, os homens celebram entre si o contrato social, mediante o qual 
todos cedem direitos a um ente único e soberano, chamado de Leviatã (Estado), 
na tentativa de garantir a paz e a ordem. 
A formação da sociedade e, via de consequência, do Estado, dar-se-ia para 
retirar o homem do estado de guerra, considerando que ele era, por si só, mau e 
causava prejuízo aos demais (“o homem é o lobo do homem”).
Como o Leviatã seria o ente supremo, os estudos de Thomas Hobbes foram o 
fundamento dos Estados Absolutistas.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Fonte: Stefano Justo. Disponível em: . 
Acesso em: 20 dez. 2015.
Fonte: Stefano Justo. Disponível em: . 
Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.13 | O Leviatã
Figura 1.14| O Leviatã
Já John Locke, diferentemente de Hobbes, não acreditava que o homem, no 
estado de natureza, poderia viver em guerra, mas o considerava indefeso e com 
medo. Para ele, embora o homem, ainda no estado de natureza, dispusesse do 
direito à liberdade, ele preferiria a celebração do contrato social para consolidar 
tais direitos, em especial a propriedade privada e a própria liberdade. É como 
se, pelo contrato social e pela passagem do estado de natureza ao estado civil, 
cada homemtransferisse um pouco de sua liberdade ao Estado, para que este a 
assegurasse em plenitude.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Dada a relevância que confere à garantia de liberdade, John Locke é 
considerado o pai do Liberalismo Político e Econômico, corrente que defende a 
não intervenção estatal em questões diversas da manutenção da segurança e da 
propriedade privada.
Negando que o homem vivesse, durante o estado de natureza, em guerra e, 
contrapondo-se à ideia inicial de Thomas Hobbes, Jean Jacques Rousseau, um 
dos grandes teóricos da Revolução Francesa, defendia que, no estado de natureza, 
o homem é bom – o bom selvagem – e que renuncia a vontade individual para a 
sobreposição da vontade geral, celebrando o contrato social. Ao chamar o homem 
de o bom selvagem, Rousseau remete-se às qualidades superiores que o homem 
dispõe no estado de natureza.
Ocorre que, ao celebrar o pacto, o homem, que antes era bom, se corrompe. 
Essa é razão pela qual Rousseau não vê com bons olhos a celebração desse pacto, 
pois a forma como o fora acordado entre os homens acentua a desigualdade.
Fonte: E-books Brasil. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 
2015.
Figura 1.15 | Do Contrato Social, Jean-Jacques Rousseau
Para conhecer de forma mais aprofundada o pensamento dos 
contratualistas, confira as seguintes obras:
• HOBBES, Thomas. Leviatã. 3. ed. Ícone: São Paulo, 2008.
• LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. Martins: São Paulo, 2005.
• ROUSSEAU, Jean Jacques. Do contrato social. L&PM: São Paulo, 2007.
Pesquise mais
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Como você pode constatar, há diversidade de razões, segundo a óptica de cada 
um dos pensadores, para justificar a formação da sociedade, havendo, entretanto, 
consenso quanto à impossibilidade do homem, ressalvadas condições adversas, 
viver sozinho. 
Hoje, essas condições adversas que ensejam a vivência isolada têm de ser 
encaradas com muito cuidado. Não se pode admitir nenhum tipo de segregação e 
de isolamento, sob pena de violação de direitos humanos e dos próprios objetivos 
fundamentais da República Federativa do Brasil (art. 3º da Constituição Federal), 
que você estudará oportunamente em suas aulas de Direito Constitucional. As 
únicas condições adversas admitidas são aquelas que Tomás de Aquino chamou 
de malafortuna (má sorte), que são transitórias e decorrentes de casos fortuitos.
Pode ser considerada justa uma sociedade excludente? Segregar o 
diferente está em conformidade com os preceitos constitucionais?
Reflita
Você já viu que o homem agrupa-se e passa a viver em sociedade. Além disso, 
é fato público e notório que pessoas mantidas em cárcere privado e, portanto, 
em condição de isolamento, apresentam déficit de desenvolvimento mental 
(MENDONÇA, 2009). E também é certo que essa vivência coletiva impõe o 
relacionamento intersubjetivo entre os membros que compõem a sociedade, 
concorda?
Vivendo em sociedade, o homem altera o meio em que se encontra e molda 
a forma como se porta e comporta, exercendo, assim, intensa atividade criadora. 
Atribui-se o nome de cultura a essa intensa atividade criadora do homem. Para 
facilitar a memorização, lembre-se do vocábulo “agricultura”, em que agro remete 
à terra, à modificação realizada pelo homem sobre a terra (REALE, 2004, p. 25). 
Assim, segundo os ensinamentos de Miguel Reale, “cultura é tudo aquilo que, nos 
planos material e espiritual, o homem constrói sobre a base da natureza, quer para 
modificá-la, quer para modificar-se a si mesmo” (REALE, 2004, p. 25-26).
Assimile
Cultura é o reflexo da atividade criadora do homem.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Embora o direito seja expressão cultural, não é o responsável pelo estudo dos 
fenômenos e atividades culturais, incumbência atribuída à Antropologia, ciência 
que tem por objeto de estudo “a forma da vida, das crenças, das estruturas sociais 
e das instituições desenvolvidas pelo homem no processo de civilizações” (REALE, 
2004, p. 26).
Para conhecer mais sobre os fenômenos culturais e Antropologia, leia:
• ASSIS, Olney Queiroz; KUMP, Vitor Frederico. Manual de antropologia 
jurídica. Saraiva: São Paulo, 2011.
• REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27 ed. Saraiva: São Paulo, 
2004, p. 23-30.
Pesquise mais
Dentro dessa perspectiva de desempenho de atividade transformadora e, 
portanto, cultural, a vivência em sociedade faz surgir fatos, considerados como 
qualquer transformação da realidade ou do mundo exterior (NADER, 2000, p. 316). 
Esses fatos podem ser puramente sociais (serão abordados na seção 3.4 do seu 
material, momento em que estudaremos a Sociologia Jurídica e Émile Durkheim) 
e, por sua vez, econômicos, artísticos ou jurídicos. Estes últimos nada mais são do 
que fatos regulados pelo direito, que geram, modificam ou extinguem relações 
jurídicas (NADER, 2000, p. 316).
Assimile
Fatos jurídicos são acontecimentos da vida social a que se conferem 
efeitos jurídicos. 
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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37
Fonte: O autor (2015)
Figura 1.16 | Fatos Sociais
- Fatos Econômicos
- Fatos Artísticos
- Fatos Jurídicos
 Fatos Sociais
- Direito
- resultado da atividade transformadora 
do homem CULTURA
É pelo fato de haver fatos sociais que são regulados pelo direito, que este pode 
ser entendido na acepção de fato social. Veja um exemplo para que o entendimento 
fique mais simples.
Exemplificando
Pense no nascimento. Trata-se de um acontecimento do mundo fático e, 
portanto, é um fato. Contudo, o nascimento enseja efeitos para o mundo 
jurídico, já que o art. 2º, do Código Civil, estabelece que a personalidade da 
pessoa começa do nascimento com vida, embora, desde a concepção, 
já se resguardem os direitos do nascituro. Assim, o nascimento é um 
acontecimento importante para o direito e que é, por ele, regulamentado, 
motivo pelo qual, além de ser um simples fato (gênero), é um fato jurídico 
(espécie). 
Faça você mesmo
Pense agora em outros fatos jurídicos e, dentro do conhecimento 
que você já obteve em suas aulas, exponha, junto a seus colegas, suas 
reflexões.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Os fatos jurídicos servem de substrato à regra jurídica, como você verá na 
seção 2.1. Isso porque, quando se diz que a “fórmula” da regra jurídica é “se A é, 
B deve ser”, o A nada mais é do que um fato a que se acresce uma consequência 
(B), fazendo com que seja regulado pelo direito. O fato regulado pelo direito é o 
fato jurídico.
É importante ressaltar que os fatos jurídicos, sua classificação, seus vícios e 
efeitos serão estudados de forma pormenorizada em suas aulas de Direito Civil, 
quando você adentrar a Teoria de Validade dos Atos/Fatos Jurídicos. Tal Teoria 
abordará os fatos, atos e negócios jurídicos, bem como a nulidade, anulabilidade 
e inexistência de cada um deles, o que não o impede de se antecipar e expandir 
seus conhecimentos.
Sobre a Teoria de Validade dos Atos/Fatos Jurídicos, que será estudada 
em suas aulas de Direito Civil, não deixe de ler:
• NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito. 20 ed. Forense: Rio de 
Janeiro, 2000, p. 315 – 338.
• REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27 ed. Saraiva: São Paulo, 
2004, p. 199-226.
• VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: parte geral. 15 ed. Atlas: São Paulo, 
2015.
Pesquise mais
SEM MEDO DE ERRAR!
Agora que já absorvemos as noções constantes no tópico “Não Pode Faltar”, 
convidamos você a solucionar a Situação-problema (SP) apresentada no “Diálogo 
Aberto”. Recorda-se dela?
Em síntese, você é o estagiário da Promotoria que atua junto ao caso de José 
Antônio, narrado no início da unidade, e tem de resolver a seguinte questão: 
José Antônio pode, conscientemente, pleitear viver isoladamente, em razão das 
patologias que lhe acometem?
Responderemos a questãode acordo com as Teorias Naturalistas e 
Contratualistas, embasadas nos pensadores apresentados no decorrer da seção.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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39
Já vimos que, para os naturalistas, viver em sociedade é uma característica 
inerente ao homem que, apenas não o faz em situações adversas, que justificam 
o isolamento. Assim, segundo os ensinamentos de Aristóteles, em que a total 
ignorância, que inclui as demências, serve para negar a característica humana de 
vivência em sociedade, José Antônio poderia viver isoladamente. O mesmo se 
tem quanto aos ensinamentos de São Tomás de Aquino, considerando que José 
Antônio apresenta quadro de doença psiquiátrica, e, assim, enquadrar-se-ia nos 
exemplos de corruptio naturae, o que também rompe com a tendência humana 
ao agrupamento.
Contudo, ponderando a Teoria Contratualista, segundo a qual o homem não 
é predisposto ao agrupamento, mas o prefere fazer em razão da celebração do 
contrato social, não há meios de José Antônio viver de forma isolada, já que a 
celebração social é anterior a ele, que, por sua vez, não dispõe de meios de negá-
lo.
Atenção!
A formação da sociedade é explicada de forma diferente pela corrente 
naturalista e contratualista, o que deve ser levado em consideração em 
sua resposta.
Ponderando os preceitos constitucionais, sobretudo o art. 3º, da CF-88, que 
elenca a construção de sociedade livre, justa e solidária, bem como o art. 6º, que 
consagra o direito social à saúde, José Antônio não pode viver em isolamento 
por apresentar patologias psiquiátricas, ainda que manifeste comportamento 
agressivo. Recolhê-lo ao isolamento ou permitir que ele o faça, violaria o princípio 
da dignidade da pessoal humana.
A República Federativa do Brasil, segundo todo o texto Constitucional, 
assume o compromisso de inclusão e não tolera nenhum tipo de 
segregação.
Lembre-se
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Avançando na prática
Pratique mais!
Instrução
Desafiamos você a praticar o que aprendeu, transferindo seus conhecimentos para novas situações 
que pode encontrar no ambiente de trabalho. Realize as atividades e depois compare-as com a de 
seus colegas. 
Sociedade
1. Competência de fundamento de 
área
Conhecer e relacionar os fundamentos doutrinários das 
Teorias Naturalistas e Contratualistas.
2. Objetivos de aprendizagem
Dar ao aluno a competência de refletir sobre a formação 
da sociedade e justificá-la, mediante a adoção das Teorias 
Naturalistas e Contratualistas. 
3. Conteúdos relacionados Naturalismo e Contratualismo.
4. Descrição da SP
Naturalismo e Contratualismo.
No livro O Alienista, Machado de Assis conta a história de um 
médico, Dr. Bacamarte, que resolve construir, na cidade de 
Itaguaí, a Casa Verde, local destinado a abrigar todos aqueles 
que o médico considerasse louco. O objetivo era o simples 
abrigo e não o tratamento.
Em pouco tempo, ponderando os critérios do Dr. Bacamarte, 
a Casa Verde estava lotada, já que 75% da cidade de Itaguaí 
lá se encontrava.
Diante do número de internamentos, Dr. Bacamarte passa 
a pensar que, se a maioria estava internada, loucos seriam 
aqueles que apresentavam o padrão comportamental 
esperado inicialmente pelo doutor: o comportamento de 
pessoas loucas. Ou seja, a maioria ditou os padrões de 
normalidade.
Pensando na conhecida obra de Machado de Assis, 
nas Teorias Naturalistas e Contratualistas, bem como 
na Constituição Federal, pode Dr. Bacamarte retirar os 
chamados “loucos” do convívio social? Justifique.
5. Resolução da SP
De acordo com Aristóteles e São Tomás de Aquino, Dr. 
Bacamarte pode aprisionar os loucos na Casa Verde, já que 
se enquadrariam nas hipóteses chamadas de corruptio 
naturae (a leitura da obra demonstra que Dr. Bacamarte 
passa a utilizar critérios bastante estranhos para considerar 
uma pessoa como louca ou não).
Contudo, para os contratualistas, tal aprisionamento, que não 
tinha por função o tratamento dos considerados loucos, mas 
apenas a segregação deles, não pode se dar ante a prévia 
opção pela celebração do contrato social.
Conforme a Constituição Federal, a medida, não seria 
possível, ante seu art. 3º, inciso I, e art. 6º, que assegura a 
todos o direito social à saúde.
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Fonte: Gstatic. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.17 | O Alienista, Machado de Assis
A grande distinção entre os teóricos do Naturalismo e do Contratualismo 
é que os primeiros atribuem a formação da sociedade a uma tendência 
natural do homem ao agrupamento, enquanto que os segundos 
fundamentam seus posicionamentos na existência de um contrato social, 
negando a tendência humana ao agrupamento.
Lembre-se
Faça você mesmo
Em casa, pesquise outros exemplos de representantes das Teorias 
Naturalistas e Contratualistas, fazendo uma síntese do pensamento de 
cada um dos pensadores pesquisados.
1. Sobre Direito e Sociedade, assinale a alternativa incorreta:
a) O Direito tem a função de ordenação e pacificação social.
b) Não há sociedade que dispensa a presença de regramento, ainda que 
mínimo, para a manutenção da vivência harmônica.
c) O Direito é preexistente à sociedade.
Faça valer a pena
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d) Sociedade e Direito são instituições relacionadas e interdependentes 
uma da outra.
e) O surgimento do Direito é concomitante, ou posterior, ao surgimento 
da sociedade.
2. Sobre a teoria de formação da sociedade chamada de naturalista, 
analise as assertivas a seguir:
I. A Teoria Naturalista defende ser inerente ao homem a vivência isolada, 
já que é ser agressivo e irracional.
II. A Teoria Naturalista defende ser inerente ao homem a convivência e a 
tendência ao agrupamento, não havendo hipóteses de vivência isolada.
III. A Teoria Naturalista defende ser inerente ao homem a convivência e 
a tendência ao agrupamento, havendo, contudo, hipóteses de vivência 
isolada.
IV. Aristóteles é defensor da Teoria Naturalista.
Assinale a alternativa correta:
a) Estão corretas as assertivas II e IV, apenas.
b) Estão corretas as assertivas III e IV, apenas.
c) Está correta a assertiva IV, apenas.
d) Estão corretas as assertivas I e IV, apenas.
e) Nenhuma das assertivas está correta.
3. Aristóteles, discípulo de Platão, defendia que o homem é um animal 
social, sendo o precursor da teoria naturalista. Sobre Aristóteles, assinale 
a alternativa correta:
a) Para Aristóteles, em hipótese nenhuma, o homem poderia viver 
sozinho, já que é um animal político.
b) Aristóteles afirmava que somente seres supremos poderiam viver 
isoladamente, a exemplo dos monges.
c) Os ensinamentos aristotélicos não influenciaram pensadores que o 
sucederam, sendo pouco estudados atualmente.
d) Aristóteles atribuía a condição de patologia à vontade que o homem 
médio poderia ter de permanecer sozinho por determinado período.
e) Os ensinamentos de Aristóteles serviram de base aos de São Tomás 
de Aquino. 
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Seção 1.3
O que é Direito? Direito e ciência
Desde a primeira seção, estamos conhecendo diferentes acepções do direito e 
explorando sua função e relação intrínseca com a sociedade, motivo pelo qual você 
foi apresentado ao provérbio ubi jus, ibi societas (Onde está o Direito, está a sociedade). 
Assim, já estudamos a noção de direito como sendo aquilo que é justo (seção 1.1) e 
direito como fato social (seção 1.2).
Cumpre a nós, nesta seção, o estudo da acepção do Direito enquanto Ciência, 
bem como a abordagem de suas técnicas, cujas considerações serão aprofundadas 
posteriormente, em seções próprias. Com as informações obtidas aqui, você terá 
condições de melhor visualizar a amplitude e a relevância do fenômeno jurídico.
Vamos, de início, recapitular nossa SGA, sobre a qual nos debruçamos nesta 
unidade:José Antônio vive preso em um pequeno cômodo, em decorrência de sua 
agressividade, que, por sua vez, deriva de problemas psiquiátricos. A prisão é ensejada 
pelo pai, senhor de idade, que não vê alternativa para conter o comportamento 
agressivo e perigoso do filho. 
Você é o estagiário da Promotoria responsável pela análise e tomada de providências 
pertinentes ao caso de José Antônio. Assim, ponderando a SGA apresentada, analise 
a seguinte SP: a Promotora de Justiça do setor onde você é estagiário solicita a 
separação de obras jurídicas que contemplem a temática em comento. Atendendo à 
determinação da Promotora, você se dirige até a biblioteca de sua Faculdade e depara-
se com as seguintes indicações: à direita, “obras de Direito Público” e, à esquerda, 
“obras de Direito Privado”.
Diálogo aberto 
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Fonte: Roteiros Literários. Disponível em: . 
Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.18 | Biblioteca
Para atender ao pedido de sua superiora, você deve se localizar na biblioteca, 
optando pela busca de livros à direita ou à esquerda. E agora? Você precisa de 
livros pertinentes a quais ramos da Ciência do Direito? Os ramos do Direito a serem 
investigados pertencem ao Direito Público ou ao Direito Privado?
Não pode faltar
Quando você se apresenta como estudante de Direito ou quando afirma que 
seu sonho é graduar-se em Direito, está conferindo um significado à palavra 
“direito” diferente daqueles explorados até agora.
Nos exemplos anteriores, Direito remete à área do conhecimento: “eu sou 
estudante de uma área do conhecimento chamada de Direito”, “meu sonho é 
graduar-me em área do conhecimento chamada Direito”, sempre concebendo 
o conhecimento sob o viés científico, já que se pode falar em diversas formas de 
conhecimento, desde o vulgar, até o científico, conforme você estudará nas aulas 
de Filosofia e de Metodologia.
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Fonte: Kroton. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.19 | Graduação em Direito
Em que pese a utilização corriqueira do termo nesse sentido. No entanto, 
precisamos nos questionar se, de fato, o Direito é verdadeiramente uma Ciência ou 
se consiste em simples técnica, agregada às Ciências Sociais e Humanas diversas.
Para responder a tais indagações, precisamos, inicialmente, entender o que é 
uma Ciência e, a partir da identificação de seus elementos, classificar ou não o 
Direito enquanto tal.
Tércio Sampaio Ferraz Júnior define Ciência como sendo o “conjunto de 
enunciados que visa transmitir de modo adequado informações verdadeiras sobre 
o que existe, existiu ou existirá” (FERRAZ JÚNIOR, 1980, p. 10). A Ciência, portanto, 
busca verdades sobre algo, assertivas demonstradas ou demonstráveis, verificadas 
ou verificáveis, mediante a utilização de um método que as evidenciem.
Assimile
Ciência é uma verificação de conhecimentos e um sistema de 
conhecimentos verificados (REALE, 2002, p. 10).
Assim, são elementos indispensáveis à Ciência o objeto de estudo próprio 
e o método, considerados como princípios de avaliação da evidência (FERRAZ 
JÚNIOR, 1980, p. 11), compatível com o que se deseja analisar. Com tais elementos, 
adquire-se a feição e autonomia de Ciência, apartando-se de outras.
Contudo, a noção de Ciência atrelada à verificação e à obtenção de verdades 
universais, bem como seus elementos, foi talhada para atender às Ciências Naturais, 
em que se pode mais facilmente proceder à experimentação, a testes, entre outros 
métodos, com vistas à certificação das proposições. 
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Na Química, na Física e na Biologia, pode-se realizar testes para chegar à 
conclusão de algo que, efetivamente, é. Não há que se falar em juízo de valor, 
sendo, portanto, as leis naturais meramente descritivas de algo que, mediante 
pesquisas, é perceptível. Para as Ciências Naturais, portanto, a comunicação tem 
sentido informativo (FERRAZ JÚNIOR, 2007, p. 40).
Fonte: Alunos Online. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.
Figura 1.20 | Ciências Naturais
No direito, contudo, não se revela possível obter verdades universais, 
inquestionáveis e, tampouco, proceder a experimentações nos moldes realizados 
nas Ciências Naturais. Isso porque, no direito, é indispensável a atividade de 
interpretação e, consequentemente, valoração, ou seja, deve-se realizar juízos de 
valor.
Sobre os juízos de valor realizados no âmbito do Direito, tem-se que, sendo 
este essencialmente persuasivo, revela interesses contidos em seu discurso. Este 
discurso evidencia valores que, por sua vez, manifestam interesses, como explica 
Maria Helena Diniz, ao afirmar que a ideologia é responsável por escolher os valores 
que pautarão o discurso jurídico (DINIZ, 2014, p. 231). Como os interesses variam, 
os discursos também o fazem, de acordo com os valores escolhidos e valorados 
ideologicamente.
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Atenção!
Se o discurso jurídico reflete interesses escolhidos e valorados 
ideologicamente, a escolha de valores equivocados e a defesa de 
interesses escusos pode fazer com que o direito seja instrumento de 
dominação.
Hodiernamente, em razão dos preceitos constitucionais e dada a 
multiplicidade social não se pode entender a seleção de valores realizada 
pela ideologia como sinônimo de imposição de valores. Dessa forma, 
é necessário saber e aprender a conviver harmonicamente com as 
diferenças.
Para entender o risco de se utilizar valores equivocados como norteadores 
do direito, pesquise sobre a ideologia prevalecente na Alemanha Nazista e 
como o direito lhe serviu de instrumento de dominação.
Pesquise mais
Fonte: 2BP. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2015.
Figura 1.21 | Hitler e Nazismo
Não apenas, mas também, pela variação dos valores escolhidos para nortear 
o discurso jurídico, o direito não é único em todo o tempo e lugar. Conforme 
afirma Miguel Reale, o direito “é enquanto deve ser” (2002, p. 86), o que sugere 
sua contínua evolução. Sua análise está vinculada ao ordenamento vigente em 
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determinado espaço e local, o que afasta a possibilidade de obtenção de verdades 
universais (veremos adiante, quando estudarmos o direito natural, que também há 
verdades universais no campo jurídico).
Assimile
O Direito é a Ciência que estuda o direito positivado no espaço e no 
tempo, sempre sendo analisado em concreto. Nas palavras de Miguel 
Reale, “é forma de conhecimento positivo da realidade social, segundo 
normas e regras objetivadas, ou seja, tornadas objetivas, no decurso do 
processo histórico” (REALE, 2002, p. 17).
Entretanto, as particularidades do Direito não são suficientes para afastar sua 
cientificidade, tornando-o apenas distinto das Ciências Naturais, passíveis, por sua 
vez, de experimentação e obtenção de certezas absolutas (REALE, 2002, p. 82).
Enquanto as Ciências Naturais são descritivas, o Direito é diretivo: dirige a conduta 
humana, impondo modelo de comportamento que, se descumprido, ensejará a 
aplicação de uma sanção. Tendo como finalidade influenciar o comportamento 
das pessoas, o Direito é persuasivo, objetiva convencer e não meramente informar.
Atenção!
“A Ciência Jurídica não apenas informa, mas conforma o objeto que 
estuda” (FERRAZ JR, 2007, p. 40).
O Direito, portanto, distingue-se das Ciências Naturais, em síntese, pelas 
seguintes razões:
Direito, justiça, ciência, sociedade e fontes do direito
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Ciências Naturais Direito
As leis naturais ocupam-se daquilo que é. As leis jurídicas ocupam-se do que é enquanto 
devem ser.

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