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Perímetro Escrotal Heitor Romero Marques Júnior Reprodução Animal 1 • A taxa de desmama é o dos melhores índices reprodutivos para avaliar o sucesso econômico de um rebanho de corte de cria, no entanto esta é dependente da taxa de prenhez obtida que obviamente é diretamente relacionada com a fertilidade de fêmeas e touros expostos. • O sistema reprodutivo adotado na pecuária bovina privilegia a distribuição do patrimônio genético do touro, mas por outro lado aumenta o impacto individual do macho sobre a produtividade e a fertilidade do rebanho: exacerbando potenciais individuais sejam eles positivos ou negativos. • A seleção de um touro deve abranger a avaliação da sua saúde reprodutiva, do seu desempenho em ganho de peso, informações de seu pai ou irmãos e precocidade sexual. • Recentemente, à metodologia já conhecida têm se tentado agregar diversos recursos tecnológicos como métodos de avaliação dos reprodutores, tais como ultra-sonografia da genitália, métodos de avaliação da integridade e eficiência biológica da célula espermática e identificação de marcadores celulares para eficiência reprodutiva. • A avaliação por imagens ultra-sonográficas poderia ser capaz de determinar a idade da puberdade e fertilidade futura baseado no desenvolvimento de parâmetros medidos em bezerros jovens (Adbel-Razek, 2005). • Ao mesmo tempo, as medidas testicular e escrotal têm sido usadas para determinar a produção espermática e a qualidade do sêmen (Elmore et al., 1976; Kastelic et al., 2001; Brito et al., 2002). • É preciso entender a diferença de abordagem de seleção do potencial reprodutivo de um macho entre o melhoramento genético e a clínica veterinária. • Os programas de melhoramento genético procuram identificar nos indivíduos o potencial de agregar a sua progênie características reprodutivas tais como precocidade sexual, habilidade materna, facilidade de parto entre outras. • O exame clínico veterinário avalia o potencial de fertilidade do indivíduo, e procura eliminar da reprodução não só animais com patrimônio genético indesejável para reprodução como aqueles que se apresentem clinicamente inférteis ou subférteis. • São inúmeras as variáveis que influenciam a fertilidade de um touro, o que torna extremamente complexo definir qualitativamente um reprodutor quanto a este aspecto. • No entanto existem vários parâmetros biológicos já consolidados e alguns mais recentes que trazem indicativos do potencial de fertilidade do macho. • Inicialmente um animal tem que desenvolver- se, alcançar a puberdade para apresentar pelo menos um potencial mensurável clinicamente quanto à fertilidade. • Depois, alcançada a maturidade sexual o objeto de diagnóstico clínico será o de averiguar o quanto se encontra preservada a saúde da estrutura morfoanatômica e fisiológica de um touro potencialmente fértil, avaliado preferencialmente antes de desafiá- lo a campo, ou seja, na pré-estação reprodutiva. Avaliação de Touros à Puberdade • A puberdade é o início da fertilidade e o período em que se verifica rápido desenvolvimento reprodutivo e somático (Freneau, 1991). • De forma geral, começa com o aparecimento da fertilidade em seus aspectos funcional, fisiológico e comportamental. • É definida como a idade em que se obtém o primeiro ejaculado com 10 % de motilidade progressiva e 50 milhões de espermatozoides totais (Wolf et al., 1965). • Há um consenso entre os estudos realizados em torno da puberdade, demonstrando que animais de raças de origem indiana são mais tardios que animais de raças européias, quanto à cronologia deste evento (GUIMARÃES, 1993). • Este evento está diretamente relacionado a fatores genéticos, condições nutricionais pré- desmama e pós-desmama, manejo e até mesmo a linhagem dentro da raça (Garcia et al. 1987 e Hafez, 1993), o que torna a cronologia deste evento bem diferenciada entre as raças bovinas (Guimarães, 1997). • Tourinhos Nelore, dependendo da condição nutricional oferecida, podem atingir a puberdade em torno dos 12-14 meses. (Cardoso, 1977) ou mais tardiamente aos 15 meses, como observado por Guimarães (1993). • Já Lunstra et al. (1978) observaram, em raças européias de corte, que o perímetro escrotal (PE) pode predizer mais precisamente o começo da puberdade independentemente da idade, raça ou peso corporal. • Estes autores verificaram uma correlação de 0,65 entre idade à puberdade e perímetro escrotal. Segundo Lunstra e Etcherkamp (1982), o PE define o status puberal em tourinhos de corte. • Smith et al. (1989) verificaram correlações positivas entre PE e a idade à puberdade em seus descendentes, com redução de 0,796 e 0,826 dias na idade à puberdade nos machos e idade à primeira cria para as filhas, respectivamente, para cada centímetro da circunferência escrotal, com relação à média da população estudada. Biometria Testicular • No estudo da biometria testicular, o PE é um indicador do potencial reprodutivo em machos bovinos e assume importância relevante devido a sua alta repetibilidade, herdabilidade moderada a alta e também pelas estreitas relações com outras características reprodutivas, não só nos machos como também nas fêmeas do rebanho. • Em estudos realizados com meio-irmãs constatou-se alta correlação entre o PE e idade à puberdade das fêmeas (Brinks, 1989; Toelle e Robinson, 1985; Brinks, 1987). • Além disso, o PE é um excelente indicador do volume testicular, da capacidade de produção espermática, das características físico- químicas, da idade à puberdade e também da capacidade de fertilização de touros jovens (Coulter e Keller, 1982; Toelle e Robison, 1985 e Gressler el al., 1998). • O crescimento testicular apresenta comportamento curvilíneo com relação à idade, com aumento gradativo até a fase pré- puberal, quando, então, o aumento é acentuado na fase puberal e posteriormente torna-se novamente gradativo até a fase adulta do animal (Abdel-Raouf, 1960; Pimentel et al. 1984). • Bergmann et al. (1996) acrescentam que o coeficiente de correlação entre PE e características de crescimento é alto. • O crescimento testicular pode ser representado por uma curva sigmoide, lento inicialmente, seguido de um pico que coincide com a puberdade, retornando a um crescimento lento novamente ao atingir a maturidade sexual (Figura 1). • O ponto de máximo de crescimento do perímetro escrotal ocorreu aos 10,8 meses de idade, refletindo o maior crescimento do parênquima testicular, o que coincidiria com período pré-púbere Figura 1. Curva de crescimento do perímetro escrotal em animais Nelore (Bergmann et al., 1998 citado por Bergmann,1999) • Ortiz Pena el al. (2001), comparando os critérios de seleção de precocidade associados ao desenvolvimento de bovinos da raça Nelore, concluíram que a utilização do PE associada ao peso e idade do animal resultara na seleção de indivíduos com potencial diferenciado, melhorando o perfil genético do plantel. • Outros autores relataram correlações genéticas negativas ou não significativas entre o PE e peso corporal, e sugeriram que as mudanças no peso corporal, como resultado de seleção, não resultariam necessariamente em ganhos proporcionais no PE (Makarechian et al., 1984; Lunstra et al., 1988). • Para Barber e Almquist (1975) e Makarechian et al. (1985) a taxa de crescimento testicular torna-se muito mais lenta que a do peso corporal depois de 12 meses de idade. Apesar de Freneau (1991) afirmar que o peso corporal possui maior efeito sobre o PE que outras medidas de crescimento. • Por outro lado, Silva et al. (2002) estudando o PE e a qualidade do sêmen em touros da raça Nelore, afirmaram que esta característica em touros jovens até 18 meses de idade é um dos mais importantes critérios para seleção de reprodutores, e pode indicar a qualidade do sêmen representada pela motilidade progressiva espermática.• A maior variação da motilidade ocorreu nos touros jovens até 18 meses (5 a 80%), em um intervalo de PE de 21 a 26 cm, caracterizando o desenvolvimento destes animais que deveriam estar na fase puberal ou próximos desta e, portanto, apresentando epitélio seminífero em formação (Lunstra et al., 1978). • No entanto, a maioria dos touros (60 a 80%) apresentou taxa de motilidade alta, quando os testículos apresentaram PE acima de 26 cm (Silva et al., 2002). • A relação entre PE acima de 26 cm e idade, até 18 meses, sugere que os testículos nestas condições podem se constituir em um fator a ser utilizado na seleção de reprodutores, pois é alta a probabilidade destes reprodutores apresentarem sêmen de qualidade em função deste tamanho testicular. • Esta observação poderá complementar os critérios adotados à escolha de animais até 18 meses de idade, potenciais reprodutores, como já ocorre em algumas das propriedades selecionadoras (Silva, 1997). • Segundo Wenkoff (1988), o PE mostra uma relação alta com o peso do parênquima testicular (0,95), sendo diretamente relacionada com o potencial produtivo de células espermatogênicas, ou seja, touros, da mesma raça e idade, com perímetro escrotal grande produzem maiores produção espermática diária do que aqueles com testículos menores (Rekwot et al., 1988; Smith et al., 1989; Freneau, 1991 e Guimarães 1993). • Por todas estas características o PE apresenta- se como o único componente de um exame andrológico adotado mundialmente por Programas de Melhoramento genético. • Dada a sua importância muitas associações de raça têm determinado perímetros escrotais mínimos para registro. • Programas como o da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) já têm publicado parâmetros médios da raça, Tabela 1. • O Colégio Brasileiro de Reprodução Animal (CBRA, 1998) numa tentativa de padronizar os procedimentos de seleção biológica de reprodutores apresenta diversas tabelas que são conflitantes entre si, haja visto os valores observados na Tabela 2, sugerida por Fonseca et al. (1997), e também apresentada pelo CBRA, que comparados aos do programa da ANCP são bem menores. TABELA 1 – Classificação touros jovens (NELORE) criados a pasto, baseado no perímetro escrotal. IDADE MÉDIA MUITO BOM BOM QUESTIONÁVEL (meses) (cm) (cm) (cm) (cm) 11 -13 19,5 > 23,5 21 – 23,5 28,0 24,5 – 28 31,5 28 – 31,5 33,5 30 – 33,5 35,0 31,5 – 35 36,0 32,5 – 36 36,5 33,5 – 36,5 31 35,2 > 40,5 37 – 40,5 60 >38,0 36,0