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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS CAMPUS I
DEPARTAMENTO DO CURSO DE SERVIÇO SOCIAL
Thelma Cristina Reinaldo de Aguiar Sampaio
	SILVA, Fabricio Rodrigues da; DAVI, Jordeana. In: SILVA, Fabrício Rodrigues da; SILVA, Adriana Alves da; ALBUQUERQUE, Cynthia Studart; OLIVEIRA, Myrla Alves de; SILVA, Luciana Sátiro (ORGS.). Trabalho e Política Social no contexto de intensificação do ajuste fiscal no Brasil. Fortaleza: EDUECE, 2021.
CAPÍTULO 01 – AJUSTE   FISCAL   PERMANENTE   NO   BRASIL:   FUNDAMENTOS   PARA COMPREENDER OS ATAQUES AO ORÇAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL.
“O Orçamento da Seguridade Social (OSS) vem se constituindo a âncora do
ajuste fiscal brasileiro. ”(P.00)
“ O ajuste fiscal no Brasil não consiste num processo datado dos anos de 1990,
o qual foi executado, de forma expressiva e exitosa, somente no governo de Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002), mas sim, como um processo permanente e em
continuação no governo de Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010) e aprofundado nos
governos Dilma Roussef (2011-2016), Michel Temer (2016-2018) e Bolsonaro (2019-
atual), provocando fortes ataques aos direitos sociais, principalmente àqueles
atinentes à Seguridade Social. ”(P.00)
“ O ajuste fiscal compreende a administração de receitas e despesas do Estado,
com vistas a orientar o gasto público haja vista os interesses em disputa na sociedade
de classes[...] ”(P.00)
“ Compreender como se configura o ajuste fiscal é uma tarefa que requisita
também analisar as prioridades adotadas pelos governos ao longo dos últimos 30 anos[...] ”(P.00)
“ É no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) (1995-2002) que se inaugura no Estado brasileiro um conjunto de reformas administrativas, tributária,fiscal e política[...] ”(P.00)
“ É neste contexto que o OSS passa a ser alvo da política econômica neoliberal, num contexto de subfinanciamento das políticas sociais e ataques aos direitos sociais. ”(P.00)
“ O processo de estabilização econômica iniciado no governo de FHC, nos anos de
1990, é resultado de um conjunto de determinações macroestruturais que tem como
propósito a recomposição das taxas de lucro do capital, em especial, das grandes
economias centrais[...] ”(P.00)
“ O ajuste fiscal é colocado pelo “acordo” firmado em 1989, por meio do Consenso
de Washington, operado pelos organismos multilaterais, sob direção do Governo dos
Estados Unidos, tais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco
Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), imposto aos países da América Latina. ”(P.00)
“ Os capitais externos que entraram livremente nas economias nacionais
dependentes passaram então a investir em todos os setores da economia, inclusive na
exploração de recursos naturais, os quais são abundantes na América Latina, em
especial no Brasil[...] ”(P.00)
“ Além das privatizações, no entanto, é o sistema da dívida pública o principal
empreendimento que atrai a entrada de capitais, tendo em vista a remuneração, pelo
Estado, por meio do fundo público, dos títulos investidos com taxas de juros altas. A
securitização da dívida pública foi uma imposição das agências internacionais do
capital para os países dependentes.’ ”(P.00)
“ No que concerne à estabilização monetária, cujo fim é o controle da inflação,
por meio do Plano Real criado por FHC, se agudizam as consequências econômicas e
sociais do País. ”(P.00)
“A política econômica assumida no governo FHC, expressa no Plano Real, sob à
luz do neoliberalismo, implicou o aprofundamento das desigualdades sociais no País,
sacrificando as condições de vida dos trabalhadores para o atendimento de interesses
da burguesia[...] ”(P.00)
“ A Seguridade Social viu-se refém da estabilização econômica operada pelo
Plano Real, em especial, o seu orçamento, já que este passou a se constituir como a
âncora do ajuste fiscal. É neste contexto que o OSS passa a se tornar como fonte
essencial para atendimento de interesses do capital relativamente à estabilização da
economia.”(P.00)
“ Em contrapartida, o Estado tem se encarregado de
criar vultosos superávits primários com os valores desvinculados pela DRU, para
garantir que ocorra a entrada de capitais externos, sob o discurso de criar
confiabilidade do País perante os investidores, quando na prática a única função de
tais superávits tem sido de alimentar a acumulação do capital financeiro, mediante o
pagamento dos serviços da dívida pública.”(P.00)
“ Esta realidade evidencia a função do Estado brasileiro em relação aos
interesses do capital que, no governo de FHC, ultrapassou todos os limites possíveis
para desempenhar o papel de “guardião das expectativas dos credores da dívida”,
oferecendo em troca o sacrifício do País, em especial, os direitos sociais.”(P.00)
“ Ocorreram mudanças, porém, no âmbito da gestão governamental, bem como
novas configurações macroestruturais que imprimiram outros contornos à
particularidade brasileira, o que implicou a mudança de alguns indicadores, como, por
exemplo, o emprego, que alcançou pequenas taxas de crescimento em comparação ao
período dos anos de 1990, apesar da desvalorização salarial[...] ”(P.00)
“[...]burguesa admite que a classe trabalhadora assuma e dirija o País, promovendo
mudanças que possibilitem, minimamente, a melhoria das suas condições de vida?
Como destaca Oliveira (2018), até que estas questões não se contraponham à
exploração capitalista e, acrescentamos: até que elas não impliquem a contestação da
dominação e nem coloquem em risco todos os arranjos necessários para o perfeito
processo de acumulação capitalista, em outras palavras, desde que a maior fatia do
bolo, ou ele todo, continue sendo da burguesia.”(P.00)
“Essa realidade de expansão das exportações das commodities, no entanto, foi,
em grande parte, a responsável pelo dinamismo da economia interna no governo Lula,
ocasionando o aumento da arrecadação de tributos, tais como impostos e
contribuições sociais, relacionados às atividades extrativas de matérias-primas e de
exportação, fortalecendo o Orçamento Geral da União (OGU)[...] ”(P.00)
“ Apesar desse dinamismo econômico, reafirmou-se definitivamente a posição da
economia brasileira sobre a base exportadora de matérias-primas, rebaixada na
divisão internacional do trabalho, bem como o aprofundamento das importações em
detrimento do projeto de industrialização interna[...]”(P.00)
“ O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi um dos
principais instrumentos usados pelo governo Lula no financiamento dos investimentos
do capital privado.”(P.00)
“ O BNDS investiu, por meio de empréstimos, nas grandes
empresas do ramo de exportação de bens de alto valor agregado. Essa prática trouxe
sérios prejuízos aos cofres públicos e às políticas sociais, cujo aprofundamento do
financiamento da iniciativa privada em tempos de crise mundial de 2008 levou à
valorização do investimento privado em detrimento do próprio investimento das
políticas sociais e públicas. ”(P.00)
“ Em grande parte, essas medidas aprofundavam a captura do fundo público pelo
capital, tendo em vista que a maior parte dos investimentos públicos é dirigida
diretamente ao capital privado, além de eles serem transferidos ao rentismo por meio
do sistema da dívida pública.”(P.00)
“A ampliação dos programas assistenciais, especialmente, por via das
transferências de renda, compôs o carro-chefe da política social no governo Lula. ”(P.00)
“ Apesar, porém, da focalização sobre os pobres, reiteramos que não há como
desconsiderar a importância de tal expansão diante de um contingente populacional
miserável, que historicamente foi negligenciado pelo Estado e que nesse período
passou a acessar o consumo e suprir suas necessidades básicas, além da expansão do
acesso à educação, em especial, o ensino superior, saúde, política habitacional, entre
outras.”(P.00)
“ A continuidade da política econômica regressiva e do ajuste fiscal no governo
Dilma Roussef (2011- 2016) enveredou por caminhos dramáticos. Foi nesteperíodo
que se intensificou o ajuste fiscal, sobretudo, a utilização dos instrumentos das
renúncias tributárias no âmbito das contribuições sociais [...]”(P.00)
“ O governo Dilma Roussef não contou com as mesmas determinações
macroestruturais, favoráveis para o dinamismo interno da economia, com as quais o
seu antecessor havia contado. ”(P.00)
“ O enfraquecimento das exportações das commodities com preços favoráveis
passou a refutar gradualmente as possibilidades de o Estado sustentar a dinâmica de
intervenção que vinha sendo mantida no período anterior, já que, nesta conjuntura, a
arrecadação de tributos passou a ser objeto de um enfraquecimento, culminando na
perda de potencial de investimento governamental, comparada ao período anterior. ”(P.00)
“ Como a inflação, na narrativa governamental, é causada pelo descontrole das
contas públicas, foi decisivo o aprofundamento do arrocho fiscal sobre as despesas
públicas. ”(P.00)
“ A cada descontrole inflacionário, o governo
aprofundava ainda mais o ajuste fiscal sobre as despesas públicas, causando um
subfinanciamento em setores em que o Estado vinha intervindo e que dinamizavam a
economia interna, além de asfixiar o financiamento das políticas sociais, essenciais
para o atendimento das demandas da sociedade. ”(P.00)
“ A política social, em especial, a Política de Assistência Social e Educação, que
vinham sendo o “cartão postal” dos governos do PT, passaram a ser alvo de uma forte
compressão, haja vista a diminuição de alocação de recursos[...] ”(P.00)
“ No governo Dilma Roussef, as despesas com os serviços da dívida pública
foram superiores à soma total dos valores anuais investidos na previdência social,
saúde, assistência social, educação e trabalho, com exceção apenas do ano de 2018,
em que o percentual do valor destinado à dívida pública foi inferior a 40% do
Orçamento Geral da União. ”(P.00)
“ Assim, apesar do aprofundamento do ajuste fiscal, com todos os efeitos
negativos sobre os direitos sociais, este se mostrou ineficaz, sem conseguir reverter o
aprofundamento da recessão econômica, como apontam os dados a seguir,
demostrando o fracasso do arrocho da austeridade fiscal: apesar do aprofundamento
do ajuste fiscal[...] ”(P.00)
“ Seria, entretanto, um equívoco não destacar que, mesmo não conseguindo
agradar as duas faces da mesma moeda, trabalho e capital, este último sempre teve
seus interesses atendidos[...] ”(P.00)
“ Não restam dúvidas de que o impeachment representou a conspiração de
frações da burguesia na sanha por mais assalto ao Estado, por meio do fundo público,
mesmo diante de tantas concessões realizadas pelo Governo Dilma Roussef. ”(P.00)
“ O período que se constitui após o golpe de 2016 marca a intensificação do
ataque aos direitos sociais, da agudização da recessão econômica e do agravamento
das condições de vida dos trabalhadores, pelo fato de que, “desde o Golpe de 2016, há
um novo momento do neoliberalismo no Brasil[...] ”(P.00)
“ ”(P.00)
“ ”(P.00)
“ ”(P.00)
“ ”(P.00)
“ ”(P.00)
“ ”(P.00)
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