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Gestão Fiscal Municipal Orçamento municipal1 M ód ul o 2Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Enap, 2021 Enap Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF Fundação Escola Nacional de Administração Pública Equipe Responsável Flávio Martins Alves (Conteudista, 2021). Diretoria de Desenvolvimento Profissional. Curso produzido em Brasília 2021. 3Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1. A importância do orçamento como instrumento de planejamento e gestão .............................................................................................. 5 1.1 A elaboração do orçamento com base na análise do plano de governo ................................................................................................. 5 1.2 A elaboração de mecanismos de organização, planejamento e controle ................................................................................................. 6 2. Como traduzir o plano de governo em orçamento público ............ 8 2.1 Instrumentos legais de planejamento das leis orçamentárias ........ 9 2.1.1 Planejamento Plurianual (PPA) .............................................. 9 2.1.2 Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ................................ 10 2.1.3 Lei Orçamentária Anual (LOA) ............................................. 11 Referências ..................................................................................... 11 Sumário 4Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 5Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública O módulo está estruturado da seguinte maneira: Unidade 1: A importância do orçamento como instrumento de planejamento e gestão 1.1 A elaboração do orçamento com base na análise do plano de governo 1.2 A elaboração de mecanismos de organização, planejamento e controle Unidade 2: Como traduzir o plano de governo em orçamento público 2.1 Instrumentos legais de planejamento das leis orçamentárias 2.1.2 Planejamento Plurianual (PPA) 2.1.3 Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2.1.4 Lei Orçamentária Anual (LOA) 1. A importância do orçamento como instrumento de planejamento e gestão Objetivo de aprendizagem Reconhecer a importância da execução de controles continuados a fim de corrigir distorções durante o exercício, evitando assim problemas com os órgãos de controle. 1.1 A elaboração do orçamento com base na análise do plano de governo O objetivo foi alcançado. As urnas confirmaram o seu sonho e permitiram que você assumisse o posto de chefe do poder executivo municipal. E agora, o que fazer? Dúvidas e inquietações surgem nessa fase. Embora o plano de governo tenha sido aprovado pela maioria da população, um novo desafio acabou de nascer: como colocar em prática tal plano? Um plano de governo é um instrumento que define quais são as prioridades da gestão. É segmentado por áreas como Saúde e Educação, tendo como premissa informar ao eleitor as ações executadas pelo(a) candidato(a). Foram meses de estudos, debates e muita discussão. Seja com a comunidade, seja com os adversários políticos, tais discussões contribuíram para dar forma final ao seu plano de governo, o qual, para que seja executado, precisará ser transformado em objetivos, metas e ações distribuídas nos próximos quatro anos de governo. M ód ul o Orçamento municipal1 6Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Tal plano será muito importante, pois as informações e diretrizes nele contidas serão úteis na elaboração de todo o planejamento orçamentário de curto e médio prazos do seu Governo. Mas o que é o orçamento público municipal? O orçamento público municipal é um instrumento legal utilizado para organizar a gestão dos recursos financeiros por meio da estimativa de receitas e da fixação das despesas para um ano. Ele está previsto na Constituição Federal de 1988, na Lei de Responsabilidade Fiscal (101/2000), na Lei 4.320/1964 e, ainda, no Decreto-Lei 200/1967. Como ficou claro, os dois instrumentos serão fundamentais nos próximos quatro anos. O plano de governo referenda o plano político. Já o orçamento público será a forma técnica e legal pela qual serão executadas suas propostas! 1.2 A elaboração de mecanismos de organização, planejamento e controle O dia a dia de uma prefeitura é repleto de grandes desafios. Seja em decorrência de problemas históricos de infraestrutura, fatores climáticos inesperados, demandas judiciais, pressões do funcionalismo ou até mesmo por conta de uma pandemia. Algumas dessas circunstâncias são visivelmente imprevisíveis, entretanto outras e tantas mais que surgirão em seu mandato podem ser previstas. E suas decisões terão um papel decisivo para atenuar ou resolver tais situações. As 21 irrefutáveis leis da liderança No livro As 21 irrefutáveis leis da liderança, John C. Maxwell destaca que é necessário ser capaz de ver os fatos de modo realista, sem minimizar os obstáculos e, ainda assim, conseguindo liderar eficazmente. Se não seguir de olhos abertos, estará vulnerável, conforme o autor. Neste sentido, estudos aplicados em Administração abordam a necessidade de se elaborar um processo de planejamento o mais amplo possível, visando garantir a previsibilidade e, posteriormente, os modos de controle. Muitos gestores se perguntam qual a melhor ferramenta para a realização do planejamento e 7Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública dos controles relativos à integração do plano de governo com o orçamento público. Mais importante que um software de referência ou quaisquer ferramentas tecnológicas de última geração é que seja utilizado um método de planejamento e controle acessível aos melhores profissionais disponíveis no seu quadro de gestão. Soluções simples como um planejamento utilizando a ferramenta 5W2H (conforme modelo abaixo), cronogramas ou modelos denominados gestão à vista podem ser utilizados pelas mais diversas prefeituras, independentemente de sua estrutura. Modelo de plano de controle 5W2H. Fonte: Elaboração própria (2021). A organização em uma prefeitura é essencial e pode ser alcançada tanto com base em ações estruturantes (como reformas administrativas) como por ações cotidianas, promovidas por meio da otimização de fluxos de processos gerenciais. Uma boa forma de não perder o foco nessa fase (e evitar problemas com os prazos) é desenvolver um calendário de obrigações para os primeiros meses do seu governo. Modelo de calendário de obrigações. Fonte: Elaboração própria (2021). 8Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 2. Como traduzir o plano de governo em orçamento público Objetivo de aprendizagem Reconhecer o orçamento como uma ferramenta de planejamento de governo. Para minimizar os efeitos dessa complexidade e alcançar êxito no planejamento da gestão municipal, uma ferramenta comumente usada nas prefeituras chama-se Triângulo de Governo, que é parte da metodologia denominada Planejamento Estratégico Situacional (PES). Governabilidade: Determina as reais condições existentes para elaborar e implementar o plano de governo desdobrado em projetos e planos de ação. Também define o nível de controle que o governante possui sobre os cenários interno e externo à Prefeitura, como a capacidade de articulação com a Câmara e instituições representativas, a fim de mensurar quais as chances efetivas de aprovação dos projetos que fazem parte do plano e que precisam de aprovação do poder legislativo. Projeto de Governo: Plano de governo que define a direção e as prioridades que serão executadas durante os quatro anos de mandato do prefeito. Sua análise permite que, no decorrer da fase de planejamento, seja desdobrado em programas, projetos e planos de ação (5W2H), visando selecionar as prioridades a serem implementadas pelo prefeito e sua equipe, com apoio dos servidores públicos municipais. Um importante parâmetro para definição dasprioridades é a capacidade orçamentária e financeira do município. Capacidade de Governo: Determina quais são as reais condições que o governo terá para elaborar, implementar os projetos estratégicos e alcançar resultados por meio da utilização de recursos humanos, tecnológicos, financeiros e materiais disponíveis. 9Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 2.1 Instrumentos legais de planejamento das leis orçamentárias Os instrumentos legais de planejamento das leis orçamentárias são: PPA (Planejamento Plurianual), LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e LOA (Lei Orçamentária Anual). Também conhecidos como Sistema de Planejamento Integrado ou processo de Planejamento-Orçamento, eles têm prazos específicos que devem ser obedecidos tanto para o poder executivo quanto para o legislativo, como se observa na figura a seguir: Prazos e vigências das leis orçamentárias. Fonte: Elaboração própria (2021). 2.1.1 Planejamento Plurianual (PPA) O Planejamento Plurianual é a lei que tem por função definir para os quatros anos seguintes (posteriores ao primeiro ano do mandato) as diretrizes da gestão municipal em relação às despesas de capital e as de caráter continuado. Segundo Kohama (2016), o Plano Plurianual é um plano de médio prazo, por meio do qual se procura ordenar as ações do governo que levem ao alcance dos objetivos e metas fixados para um período de quatro anos. Como destaca o autor, o PPA é o primeiro instrumento legal que embasa as ações do mandato do(a) prefeito(a). Todas as grandes intervenções que se pretende executar no decorrer do governo deverão estar destacadas nesse plano. Atenção!! No primeiro ano de mandato você precisará cumprir o PPA aprovado pela gestão anterior e será necessário elaborar a LDO e a LOA paralelamente. 10Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 2.1.2 Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) A Lei de Diretrizes Orçamentárias é o instrumento do Sistema de Planejamento Integrado que efetua o elo entre o PPA e a LOA (Lei Orçamentária Anual). Ao passo que o PPA é estimado para quatro anos, a LDO buscará estabelecer a alocação dos recursos na LOA, a qual tem previsão de execução durante o exercício. Para Kohama (2016), a Lei de Diretrizes Orçamentárias tem a finalidade de nortear a elaboração dos orçamentos anuais, compreendidos aqui o orçamento fiscal, o orçamento de investimento das empresas e o orçamento da seguridade social, de forma a adequá-los a diretrizes, objetivos e metas da administração pública estabelecidos no plano plurianual. Nesse sentido, o papel da LDO é diminuir a distância entre o planejamento e o orçamento e dar efetividade à execução de todo o planejamento que foi elaborado pelo governo. Quanto às principais características, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 165 da CF/88, a LDO no âmbito municipal deve: 1. Compreender as metas e prioridades da administração pública a serem alcançadas por meio da alocação de recursos na LOA, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente; 2. Apontar os parâmetros que orientarão a elaboração da LOA; 3. Dispor sobre eventuais alterações na legislação tributária e como elas poderão impactar na execução das despesas; 4. Autorizar o aumento de despesas com pessoal (CF, art. 169, § 2º). Além de metas, prioridades e diretrizes orçamentárias, a Lei de Responsabilidade Fiscal determinou também que a LDO dispusesse sobre: 1. O equilíbrio entre receitas e despesas; 2. Os critérios e a forma de limitação de empenho; 3. As normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos; 4. Demais condições para transferências a entidades públicas e privadas. E que contivesse ainda os seguintes anexos: 1. De metas fiscais; 2. De riscos fiscais. 11Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 2.1.3 Lei Orçamentária Anual (LOA) A Lei Orçamentária Anual tem a função mais prática do Sistema de Planejamento Integrado. Ela busca transformar em realidade o planejamento de médio prazo definido no PPA, observando-se as diretrizes orçamentárias contidas na LDO. Segundo Andrade (2005), a Lei Orçamentária Anual, também chamada Lei de Meios, é uma lei especial que contém a diferenciação da receita e da despesa pública, de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do governo. Como destaca o autor, na LOA os gastos do governo são segmentados por áreas de atuação como saúde, educação e infraestrutura, sendo que cada uma dessas áreas possui programas e ações orçamentárias específicos. A LOA tem ainda uma particularidade: a possibilidade de sofrer algumas alterações no decorrer do exercício. Caso ocorra, por exemplo, alguma surpresa na arrecadação da receita, o executivo poderá enviar projetos à Câmara de Vereadores que impliquem em adaptações orçamentárias. Referências ANDRADE, Nilton de Aquino. Métodos com base nas Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCASP) e nos padrões internacionais de contabilidade. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2017. BRASIL. Ato das disposições constitucionais transitórias. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm#adct. Acesso em: 5 jul. 2021. ENAP. Instrumentos de planejamento: PPA, LDO e LOA. Brasília: 2021. Disponível em: https:// repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/6450/3/M%c3%b3dulo%203%20-%20PPA%2c%20 LDO%20e%20LOA.pdf. Acesso em: 11 jul. 2021. KOHAMA, Heilio. Contabilidade pública: teoria e prática. 15 ed. São Paulo: Atlas, 2016. MAXWELL, John C. As 21 irrefutáveis leis da liderança: uma receita comprovada para desenvolver o líder que existe em você. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm#adct http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm#adct https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/6450/3/M%c3%b3dulo%203%20-%20PPA%2c%20LDO%20e%20LOA.pdf