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ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO SP THIAGO SORRILHA ABORTO: CONFLITO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS OU UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA? SÃO PAULO 2017 2 SUMÁRIO: RESUMO: .................................................................................................................................... 3 ABSTRACT: ................................................................................................................................ 4 PALAVRAS CHAVE .................................................................................................................. 5 KEY - WORDS ............................................................................................................................ 5 1) A PARTIR DE QUE MOMENTO SE CONSIDERA INICIADA A VIDA PARA O ESTADO? .................................................................................................................................... 6 1.1. TEORIA NATALISTA: ............................................................................................. 6 1.2. TEORIA DA PERSONALIDADE CONDICIONAL .............................................. 8 1.3. TEORIA CONCEPCIONISTA: ................................................................................ 9 1.4. TEORIA DA NIDAÇÃO: ......................................................................................... 10 1.5. TEORIA NEUROLÓGICA ..................................................................................... 11 2) DIREITOS DO NASCITURO x DIREITOS DA MULHER ...................................... 11 3) ABORTO LEGAL PODE, SIM, REDUZIR O CRIME. ............................................... 17 CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 22 3 RESUMO: O presente artigo traz à baila o que se deve considerar como início da vida, para permitir o debate sobre a interrupção da gestação, justificado por índices criminológicos expressivos. O Objetivo do presente estudo foi incitar a discussão sobre a permissão do aborto no Brasil, frente às estatísticas criminais alarmantes sobre a correlação dos lares monoparentais no baixo índice de educação infantil, e que gera um maior propensão ao crime. A metodologia utilizada foi a extração de trechos de livros dos principais juristas brasileiros sobre o tema: início da vida, bem como de artigos e reportagens, que trouxessem os números estatísticos relevantes à conclusão sobre o assunto, além de se fazer um breve resumo sobre as surpreendentes conclusões do livro “Freakonomics”. O resultado obtido foi uma latente uniformidade nos dados analisados, principalmente entre Estados Unidos e Brasil, o que tornou a conclusão menos variável e mais determinada. A conclusão foi de que é urgente o debate, no Congresso Nacional, sobre o tema do aborto, frete à situação alarmante da criminalidade, deixando- se de lado as convicções pessoais do legislador, para se permitir que a mãe decida sobre a interrupção da gestação, com o fim de que se diminuam os índices de crianças criadas em lares desestruturados, pois esse é o fator determinante à diminuição da criminalidade. 4 ABSTRACT: This article brings out what should be considered as the beginning of life, to allow the debate about the interruption of gestation, justified by expressive criminological indices. The objective of the present study was to incite the discussion about abortion allowance in Brazil, in the face of alarming criminal statistics on the correlation of single-parent households in the low child education index, and which generates a greater propensity to crime. The methodology used was the extraction of excerpts from books by the main Brazilian jurists on the topic: the beginning of life, as well as articles and reports, which would bring the relevant statistical numbers to the conclusion on the subject, and a brief summary on the surprising conclusions from the book "Freakonomics". The result was a latent uniformity in the analyzed data, mainly between the United States and Brazil, which made the conclusion less variable and more determined. The conclusion was that the debate in the National Congress on the subject of abortion, frequent to the alarming situation of crime, is urgent, leaving aside the personal convictions of the legislator, in order to allow the mother to decide on the interruption of pregnancy, With the aim of reducing the rates of children born in unstructured homes, since this is the determining factor for the decrease in crime. 5 PALAVRAS CHAVE Início da vida, liberação do Aborto, Lares desestruturados, famílias monoparentais, índices criminais, escolaridade do jovem sem pai, escolaridade do preso no Brasil, poder de escolha da gestante, aborto e redução da criminalidade, Freakonomics. KEY - WORDS Beginning of life, liberation of abortion, unstructured homes, single parent families, criminal indices, schooling of the fatherless youth, schooling of the prisoner in Brazil, power of choice of the pregnant woman, abortion and crime reduction. 6 1) A PARTIR DE QUE MOMENTO SE CONSIDERA INICIADA A VIDA PARA O ESTADO? Essa é uma das questões mais polêmicas e não definidas pelas ciências que a tentam explicar, pois não envolve apenas conceitos técnicos, mas também religiosos e as mais diversas posições particulares de cada indivíduo. Diante a tamanha polêmica a respeito do tema, o STF convidou vinte e dois especialistas em áreas como genética, bioquímica, neurociências e biomedicina para tentar responder à essa pergunta. O evento foi uma verdadeira aula de Biologia e foi a primeira consulta pública da casa desde que ela foi inaugurada, em 1828. Porém, como já se imaginava, as opiniões foram as mais distintas possíveis. Sendo assim, até então não há um consenso sobre qual teoria explica melhor o conceito “início da vida”, dissenso este que gera inúmeras dúvidas à sociedade e questionamento dos mais diversos tipos no âmbito penal quanto ao crime de aborto. Dentre as principais teorias definidoras do início da vida, podemos citar brevemente as seguintes: 1.1. TEORIA NATALISTA: É a que prevalece entre os autores clássicos do Direito Civil, para os quais o nascituro não deve ser considerado pessoa, já que se exigiria o seu nascimento com vida. 7 Segundo Carlos Roberto Gonçalves: Muitas são as críticas à mencionada teoria. Afirma-se, por exemplo, que, entendendo que o nascituro não é uma pessoa, admite-se a referida teoria que deve ser tratado com uma coisa; olvida-se, ainda, de que há, no Código Civil, um sistema de proteção ao nascituro, com as mesmas conotações da conferida a qualquer ser dotado de personalidade. 1 Para os clássicos, o início da personalidade jurídica se dá do nascimento com vida. E por início da vida entendem o momento em que o indivíduo é expelido do ventre materno, e iniciada a respiração. Não se exige a viabilidade, bastando a respiração e separação do corpo da mãe. Só depois do nascimento haveria a aquisição de direitos. Os adeptos a ela partem de uma interpretação simplista e literal da Lei. Por esse motivo, esta teoria é chamada por muitos de teoria legalista de aquisição da personalidade. Dentre a doutrina contemporânea, Silvio de Salvo Venosase filia a esta teoria, assim dizendo: O fato de o nascituro ter proteção legal não deve levar a imaginar que tenha ele personalidade tal como a concebe o ordenamento. Ou, sob outros termos, o fato de ter ele capacidade para alguns atos não significa que o ordenamento lhe atribui personalidade. Embora haja quem sufrague o contrário, trata-se de uma situação que somente se aproxima da personalidade, mas com esta não se equipara. Apersonalidade somente advém do nascimento do nascimento com vida. 2 Flávio Tartuce critica a teoria natalista, por ela considerar o nascituro como uma coisa, já que ele teria apenas mera expectativa de direito: “Do ponto de vista prático, a teoria natalista nega ao nascituro até mesmo os direitos fundamentais, relacionados com a sua personalidade, caso do direito à vida, à investigação de paternidade, aos alimentos, ao nome e até à 1 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: p.geral. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 101. 2 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 6 ed. São Paulo: Juridico Atlas, 2006, p. 154. 8 imagem. Com essa negativa, a teoria natalista esbarra em dispositivos do Código Civil que consagram direitos àquele que foi concebido e não nasceu. Essa negativa de direitos é mais um argumento forte para sustentar a total superação dessa corrente doutrinária.” 3 1.2. TEORIA DA PERSONALIDADE CONDICIONAL Essa teoria é um meio termo, pois admite que os nascituros são detentores de direitos, mas que são subordinados a uma condição suspensiva consistente no nascimento com vida. A personalidade já existe desde o momento da concepção, mas só é efetivada com o nascimento, é a condição para efetivação de todos os direitos que a lei resguarda o nascimento. De acordo com Flávio Tartuce: “a teoria da personalidade condicional é aquela pela qual a personalidade civil começa com o nascimento com vida, mas os direitos do nascituro estão sujeitos a uma condição suspensiva, ou seja, são direitos eventuais. Como se sabe, a condição suspensiva é o elemento acidental do negócio ou ato jurídico que subordina a sua eficácia a evento futuro e incerto. No caso, a condição é justamente o nascimento daquele que foi concebido.” 4 Portanto, o nascituro não teria personalidade jurídica, já que ela começa do nascimento com vida e quando a Lei confere a ele direitos, o que constituem situações excepcionais. Sendo assim, a eficácia dos direitos patrimoniais que eventualmente venham a ser atribuídos ao nascituro ainda no ventre materno fica, portanto, subordinada ao evento futuro e incerto do nascimento com vida, momento em 3 TARTUCE, Flavio. Manual de direito civil. 2 ed. São Paulo: Método, 2012, p. 71. 4 TARTUCE, Flavio. Direito civil: Lei de introdução e parte geral. 11 ed. São Paulo: Método, 2015 9 que a personalidade jurídica passa a existir em sua plenitude, ainda que o recém-nascido venha falecer instante depois. 1.3. TEORIA CONCEPCIONISTA: A que predomina dentre os doutrinadores contemporâneos, bem como na atual jurisprudência é a CONCEPCIONISTA, que entende que a personalidade civil da pessoa natural já existe no nascituro, sem a necessidade do nascimento com vida. Aderem a essa teoria: Maria Helena Diniz, Maria Berenice Dias, Flávio Tartuce, Pontes de Miranda, Silmara Chinellato, Pablo Stolze dentre outros. Recentemente, o STJ adotou essa teoria em um julgamento que sobre o direito de uma mãe receber o seguro DPVAT, num caso de aborto sofrido por ela, em razão de acidente de trânsito. O benefício foi deferido a ela, sendo que o Ministro Relator afirmou o seguinte: “o ordenamento jurídico como um todo – e não apenas o Código Civil de 2002 – alinhou-se mais à teoria concepcionista para a construção da situação jurídica do nascituro, conclusão enfaticamente sufragada pela majoritária doutrina contemporânea” 5 Para o Direito Brasileiro, a princípio, o direito à vida do nascituro pertence a ele e não a sua genitora. Logo, não caberia a ela decidir sobre a continuidade da gravidez. Entretanto, a própria lei se mostra contraditória ao excepcionar este direito do nascituro em duas situações, que serão abordadas mais adiante. 5 (informativo 547/2014) BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 1.415.727-SC. Relator: Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014. Disponível em . http://www.stj.jus.br/SCON/SearchBRS?b=INFJ&tipo=informativo&livre=@COD=%270547%27 10 1.4. TEORIA DA NIDAÇÃO: Discorda da Teoria da Concepção, pois a corrente da nidação afirma que a vida se inicia a partir do momento em que o embrião adere à parede do útero. Em outras palavras é quando o óvulo é acolhido pelo útero. Este processo ocorre cerca de 5 a 6 dias após a fecundação, denominando-se nidação. Entende-se que é nesse momento que ocorre uma individualização, onde se confere a categoria biológica ao indivíduo. Da mesma forma, conforme a explicação de Geraldo Franco, que se transcreve abaixo, ocorre uma nova relação transcendente de alteridade: “com a nidação, a formação celular também ‘adquire transcendência, ou seja, entra em contato com outro indivíduo da espécie, estabelecendo com o mesmo – sua mãe – uma relação de alteridade’.” 6 O professor Luiz Regis Prado vai além, por ser adepto à teoria da nidação, determina inclusive o lapso temporal a que se deve observar para consideração da prática do aborto com sendo de 14 dias a partir da concepção. “Destarte, o aborto tem como limite mínimo e necessário para a sua existência a nidação, que ocorre cerca de quatorze dias após a concepção. O termo final é o início do parto, que, conforme examinado, é marcado pelas contrações da dilatação (parto normal) ou com o início dos procedimentos cirúrgicos (v.g. cesariana).” 7 Contudo, quem discorda dessa teoria, entende que a nidação não é suficiente por si só no processo biológico para o desenvolvimento humano, de forma que é um estágio obrigatório e, por isso, não deve ser utilizada como parâmetro para definição do início da vida humana. 6 FRANCO, Geraldo Francisco Pinheiro. Boletim informativo do instituto brasileiro de ciências criminais. São Paulo, n.11, 1993, p.40. 7 PRADO, Luiz Regis.Curso de direito penal brasileiro : parte especial. 2. ed. São Paulo, 2002. p. 96. 11 1.5. TEORIA NEUROLÓGICA Mais contemporaneamente surgiu essa nova teoria, que afirma que a vida somente passará a existir quando o embrião passar a sentir, isto é, quando o seu tecido nervoso estiver formado, possibilitando ao feto sensações de dor e de prazer. A essa teoria filia-se Peter Singer, que defende que: “o fato de o córtex cerebral (responsável pelas sensações) só iniciar seu desenvolvimento a partir da décima oitava semana de gestação, faz com que o feto só sinta dor a partir desse ponto da gestação”. 8 Assim, para essa teoria o início da vida seria quando se desenvolve a organização básica do sistema nervoso central. Portanto, considera-se que a vida só surge a partir do quarto mês de gestação, pois, somente depois deste período é que o feto possui consciência. Pelo exposto, é possível perceber que todas as teorias trazem a ideia de que o nascituro é sim possuidor de vida, apesar de cada uma destacar estágios diferenciados para início da vida intra-uterina. 2) DIREITOS DO NASCITURO x DIREITOS DA MULHER Até hoje não há pacificação ou uniformidade jurisprudencial sobre a teoria adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro A Constituição Federal de 1988, apesar de não o fazer explicitamente, impõe princípios que embasam e preservam os direitos aplicados ao nascituro. Esses princípios, alinhados aos ditames do Código Civil Brasileiro, garantem o direito à vida e também à dignidade do nascituro. 8 SINGER, Peter. Ética prática. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 174. 12 Então, partindo-se do princípio de que o nascituro já possui direito à vida e não mera expectativa, nãocaberia à mulher o direito de escolha sobre a manutenção da gravidez ou não. Daí a criminalização ao aborto no Código Penal de nosso país: Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos. Aborto provocado por terceiro Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de três a dez anos. Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência Forma qualificada Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. A Organização Mundial da Saúde define o aborto sendo: “a interrupção da gestação antes de 20-22 semanas ou com peso inferior a 500 gramas.” 9 Todavia, para o conceito jurídico legal, são irrelevantes o lapso temporal ou a proporção física, sendo definido como aborto toda conduta que interrompa a gravidez. 9 Abortamento seguro: orientação técnica e de políticas para sistemas de saúde – 2ª ed. - http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf 13 Ocorre que cresce exponencialmente um sentimento na população de que o direito à vida do nascituro poderia sim ser relativizado a depender da gravidade da circunstância da mãe. Tanto que o próprio Código Penal, em seu artigo 128, que se transcreve abaixo, excepciona a regra, permitindo a realização do aborto em duas circunstâncias: Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico Aborto necessário I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. A primeira confere um peso maior à vida da gestante, reduzindo o direito do feto ao fazer prevalecer o da mãe. O que, de certa forma, é compreensível do ponto de vista da preferência pela proteção de uma vida pré-existente, face à vida ainda parcialmente incerta. É uma disputa Vida x Vida, na qual vence a mais antiga. Entretanto, um problema surge quando o legislador, no inciso II, reduz o direito à vida do feto frente ao direito psicológico da mãe. Pois, neste ponto, um direito irredutível que é a vida, é relativizado frente a um direito menor: a condição psicológica de uma pessoa. Neste caso, a disputa é Vida x Abalo Psicológico, na qual vence o segundo, novamente da mãe, que, se mensurável, seria menor frente o direito à vida que é, por princípio, o maior de todos. Ora, com isso surge na sociedade um sentimento de que se abriu um precedente. Afinal, a partir do momento em que se pode relativizar a vida frente a um direito um pouco menor, poder-se-ia relativizá-lo frente a outros também, em especial outros direitos da mãe. 14 De forma que, em algumas mulheres nasceu a sensação de que tem o direito de decidir sobre a vida do feto, levando em conta (i) a sua vocação ou desejo pela maternidade e/ou (ii) a sua capacidade financeira para proporcionar o mínimo à criança. No que tange ao direito à dignidade, em ocorrendo pelo menos uma das hipóteses acima, muitos entendem que esta criança não teria uma vida digna. Pois, quando existe a certeza de que não se poderá oferecer a devida dedicação emocional, na primeira hipótese, ou propiciar todas oportunidades, no caso da segunda, surge a ideia de que: ao se impedir um nascimento indesejado, estaria sendo protegido o direito da própria criança, por evitar-se que ela venha a ter uma vida não digna. Quanto ao primeiro item, é sabido que: assim como é possível desejar a maternidade, também é plenamente comum repudiá-la. A dúvida, porém, resta na definição de se essa escolha pode ser um direito da mãe ou se deve haver uma imposição legal. Tanto que o Ministro Luís Roberto Barroso defendeu, em seu voto, no Habeas Corpus 124.306, RJ, que os artigos do Código Penal que criminalizam o aborto no primeiro trimestre de gestação violam pelo menos cinco direitos fundamentais das mulheres: a autonomia, a integridade física e psíquica, os direitos sexuais e reprodutivos, a igualdade de gênero e a igualdade social, no trecho transcrito abaixo: “A criminalização é incompatível com os seguintes direitos fundamentais: os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo Estado a manter uma gestação indesejada; a autonomia da mulher, que deve conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais; a integridade física e psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os efeitos da gravidez; e a igualdade da mulher, já que homens não engravidam e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade da mulher nessa matéria.” 10 15 E Barroso foi além, ao afirmar que: “A criminalização da interrupção da gestação no primeiro trimestre vulnera o núcleo essencial de um conjunto de direitos fundamentais da mulher. Trata- se, portanto, de restrição que ultrapassa os limites constitucionalmente aceitáveis” 10 Além dessas duas hipóteses legais, no Brasil surgiu uma terceira possibilidade de interrupção da gravidez no caso de Anencefalia, conforme julgado pelo STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ADPF nº 54. Em seu voto o ministro Marco Aurélio concluiu que a imposição estatal da manutenção de gravidez cujo resultado final será a morte do feto contraria os princípios basilares da Constituição Federal de 1988. Ele inclusive, utilizou-se da expressão “cárcere privado em seu próprio corpo” ao se referir à imposição Estatal da manutenção da gravidez, assemelhando tal ato à tortura. Em uma demonstração clara de que hoje em dia está predominando o entendimento de que a mulher detém o poder de decidir sobre a interrupção da gravidez, transcrevemos aqui um trecho de seu voto: “Cabe à mulher, e não ao Estado, sopesar valores e sentimentos de ordem estritamente privada, para deliberar pela interrupção, ou não, da gravidez” 11 O Relator Marco Aurélio e os demais ministros que o seguiram, nada mais fizeram que acompanhar o pensamento médio da mulher contemporânea que entende as consequências de uma gravidez indesejada tanto para si quanto para a vida vindoura. Entretanto, conforme noticiado no jornal El País em 12 de novembro de 2015, ainda há uma enorme resistência nas legislações de países latino americanos quanto à liberação do aborto, em alguns deles mais ainda que no Brasil. As razões para tal oposição são geralmente fundadas em conceitos religiosos, que ainda predominam deste lado do mundo: 10 http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf 11 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680 http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680 16 “Em uma época em que muitos países latino-americanos avançam em políticas sociais progressistas (casamento gay no Chile, adoção por famílias com pais homossexuais na Colômbia, legalização do consumo de maconha no México), abortar na América Latina ainda é um tabu. Essa é a situação em alguns países do continente.” 12 Em contra partida, conformenoticiado pelo O Globo em 06 de dezembro de 2016, em países mais desenvolvidos, a ideia sobre o aborte vem sendo desmistificada e a liberação predomina na maioria deles, inclusive os mais conservadores no aspecto religioso como a Itália, conforme trecho da reportagem que se transcreve abaixo: Na Itália, outro país predominantemente católico, duas décadas antes, em 15 de abril de 1978, O GLOBO registrou as 36 horas ininterruptas de debates que culminaram na legalização do aborto. Era o começo de uma “guerra santa” movida pelo Vaticano, cuja ética religiosa focava no inalienável direito à vida do feto. “O aborto é um ato de violência sanguinária das mulheres, comparável apenas aos crimes da máfia”, afirmou o cardeal Giacomo Biffi ao GLOBO, em 14 de março de 1993.” 13 Segundo a mencionada reportagem, chegou-se ao numeral de 10 semanas na Itália, Franca e Portugal, 14 na Espanha, como sendo o período aceitável à prática do aborto, por considerarem ainda não formado o feto de maneira a se caracterizar uma retirada de vida já existente, mas sim uma mera interrupção da expectativa de vida. Em países como o Japão, este lapso temporal é estendido a 24 semanas, mas isso mais por uma questão econômica que consideração ao que se tem como caracterização técnica do início da vida ou qualquer outro conceito religioso. 12 http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html 13 http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da- mulher-em-15-paises-20598752 http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752 http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752 17 3) ABORTO LEGAL PODE, SIM, REDUZIR O CRIME. No início da década de 80, a situação da criminalidade nos Estados Unidos estava completamente fora de controle, muito parecida com a situação brasileira dos dias de hoje. Especialistas em políticas de segurança pública diziam que o país se aproximava de uma guerra civil, do completo caos. Até que no final da mesma década essa taxa de crimes começou a cair drasticamente e isso se acelerou durante a década de 90, surpreendendo até mesmo os mais otimistas dos analistas. A queda foi tão grande, que no começo dos anos 2000 a taxa de criminalidade estava próxima das taxas encontradas nos anos 1950. Com isso, foi natural que diversas teorias começassem a aparecer no começo dos anos 2000, para tentar explicar tão vertiginosa queda da criminalidade nos Estados Unidos. Depois de inúmeras tentativas de explicação, um estudo estatístico chamado The Impact of Legalized Abortion on Crime 14 (traduzindo para o português: O Impacto da legalização do aborto sobre o crime), elaborado por dois economistas da Universidade de Chicago, John Dunohue e Steven Levitt, trouxe a impactante ideia de que a legalização do aborto, ocorrida aproximadamente 30 anos antes, é que foi, na verdade, o principal responsável pela rápida queda da criminalidade em todo o pais. Na década de 70, apenas cinco estados americanos permitiam o aborto. Em 1973, a suprema corte americana decidiu em sobre o tema em um caso de repercussão nacional, tornando o aborto legal em todo o território americano. Para os autores do artigo, Levitt e Dunohue, após realizada uma delicada análise dos dados e concluídos diversos testes estatísticos, não restou dúvidas de que essa acelerada queda na criminalidade foi um efeito direto e proporcional da permissão de realização do aborto nos anos 70. A explicação é simples e impactante: as crianças que não nasceram eram aquelas que iriam passar suas infâncias em 14 Working Paper 8004 NBER – National Bureau of Economic Research, disponível em: http://www.nber.org/papers/w8004.pdf http://www.nber.org/papers/w8004.pdf 18 ambientes de risco. Grande parte das mulheres que fizeram abortos apresentavam, concomitantemente ou não, as seguintes características socioeconômicas: solteiras, jovens e pobres. Segundo outro estudo, citado pelos autores, crianças que viessem a nascer de mães que se encaixassem nos critérios acima listados, teriam 60% mais chance de viver em famílias normalmente sem a figura paterna, e também 50% mais chances de viver na pobreza, sem as mínimas condições e oportunidades. Para os autores, ficou evidente que uma infância pobre e monoparental, é um fator determinante das chances desse indivíduo cometer um crime no futuro, bem como o baixo nível educacional da mãe. O mais interessante é o fato que todos os fatores listados acima, que indicam uma maior propensão a cometer crimes, foram as mesmas justificativas dadas pelas mulheres para fazer um aborto – ou seja, as próprias mães, conscientes da sua situação desfavorável, evitaram ter filhos nesses ambientes, onde poderiam colocar o desenvolvimento das suas crianças em risco, ou no mínimo numa situação de mínima dignidade. Neste diapasão, da dignidade da vida de uma criança não planejada, tem-se o cenário do crescimento mal orientado e, muitas vezes, com seu caráter influenciado pelo meio. Este tipo de conclusão não é fruto de conjecturas e conceitos sociais pré-formulados, mas sim em números e pesquisas empiricamente embasadas, conforme os diversos estudos apontados no livro “Freakonomics”, escrito mais a frente, pelos mesmo autores do estudo citado em 14. Os autores americanos Steven D. Levvitt e Stephen J. Dubner, revolucionaram a cena da criminologia, quando, em sua obra, afirmam, no quarto capítulo, que os filhos indesejados teriam maior probabilidade de se tornarem criminosos, por essas condições precárias a que estariam sujeitos durante sua criação. Conforme trecho da página 152 que se transcreve abaixo: 19 “O aborto legalizado resultou num número menor de filhos indesejados; filhos indesejados levam a altos índices de criminalidade. A legalização do aborto, assim, levou a menos crimes.” 15 Diversas pesquisas feitas em países como Romênia e Estados Unidos demonstraram com números baseados em uma sólida evidência empírica que a prática do aborto legal reduz a criminalidade, anos à frente. Parte interessante dos números levantados pelos autores, compara os Estados Americanos nos quais houve a liberação do aborto com os em que não houve: “Em Nova York, na Califórnia, em Washington, no Alasca e no Havaí, a uma mulher já era permitido recorrer ao aborto no mínimo dois anos antes do caso Roe x Wade, e realmente esses estados precursores da legalização viram a criminalidade baixar antes dos outros 45 estados e do Distrito de Columbia. Entre 1988 e 1997, os crimes violentos nos estados que primeiro legalizaram o aborto caíram 13% se comparados aos demais; entre 1994 e 1997, seus índices de homicídio caíram 23% mais do que os dos outros estados. E se tudo isso não tiver senão sido uma coincidência? O que mais deve ser investigado nos dados para estabelecer o vínculo aborto- criminalidade?” 14 No Brasil, a mesma correlação foi estudada pelo o economista Samuel Pessoa, professor de economia na Fundação Getúlio Vargas, que também entende que a liberação do aborto pode reduzir a criminalidade a longo prazo, conforme trecho de artigo publicado no ESTADÃO por Flávio Pinheiro e Clarissa Thomé, em 28 Outubro de 2007, que abaixo se transcreve: “Em parceria com o economista Gabriel Hartung, Pessoa fez uma pesquisa com base em dados da Secretaria de Segurança de São Paulo e concluiu que os filhos de mães adolescentes ou de famílias desestruturadas têm maior 15 Freakonomics: o lado oculto einesperado de tudo que nos afeta. Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 20 probabilidade de serem criminosos. O estudo causou discussão com demógrafos.” 16 Nos crimes contra o patrimônio, a correlação entre as baixas taxas de crescimento econômico e alto índice de crescimento, se mantem direta e proporcional em diversos ambientes ainda que distintos. Porém, essas taxas de desemprego e índices econômicos não geram uma correlação direta e proporcional com as taxas de crimes contra a vida. Conforme trecho do mesmo artigo do JORNAL ESTADÃO de 28 de outubro de 2007, que se transcreve abaixo: ...recuamos 20 anos, com dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE), e constatamos que entre jovens nascidos lá atrás, filhos de mães adolescentes ou de famílias monoparentais (sem o pai, sem a mãe ou sem ambos), é muito alta a presença de criminosos que cometeram homicídios. Nesse sentido, a pesquisa corrobora o que Steven Levitt (autor do livro ''''Freakonomics'''') demonstrou em relação ao tema nos EUA. Se a natalidade fosse menor entre adolescentes e famílias desestruturadas no Brasil, há 20 anos, hoje provavelmente teríamos menos crimes. 15 E, não muito diferente dos dados levantados pelos americanos, no Brasil, 56% dos presos no Brasil se enquadram nas mesmas características econômico- sociais, pobres, jovens e de baixa escolaridade. Conforme reportagem do JORNAL ESTADÃO17, de 23 de junho de 2015, que se transcreve abaixo: “Os presos do sistema penitenciário brasileiro são, majoritariamente jovens, negros, pobres e de baixa escolaridade, aponta o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), divulgado nesta terça-feira, 23, pelo Ministério da Justiça.” (grifo nosso) 16 http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872 – visto em 07/04/2017. 17 http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta- levantamento,1711908 – visto em 10 de abril de 2017. http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872 http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta-levantamento,1711908 http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta-levantamento,1711908 21 Em um artigo publicado pelo professor Luiz Flávio Gomes18, no qual se analisou o perfil do preso no ano de 2012, também foi apontado o baixíssimo índice de escolaridade, conforme trecho destacado abaixo: “Qual é o nível de escolaridade do preso? O nível de escolaridade entre a maioria dos presos, em 2012, era o Ensino Fundamental Incompleto (50,5%). Do restante, 14% eram alfabetizados, 13,6 tinham Ensino Fundamental Completo, 8,5 haviam concluído o Ensino Médio, 6,1% eram analfabetos, 1,2% tinham Ensino Médio Incompleto, 0,9% haviam chegado a universidade mas sem conclusão, 0,04 concluíram o Ensino Superior e 0,03 chegaram a um nível acima de Superior completo.” Com base nestes dados sobre o perfil econômico e social da maioria dos presos, é impossível não correlacionarmos os dados que mais influenciam a baixa escolaridade dos jovens. E a principal razão para tal, pasmem, é justamente o desenvolvimento da criança num lar desestruturado. As estatísticas trazidas pelo site The Fatgerlles Generation19 (traduzindo para o português: “A Geração sem pai”) não são tão surpreendentes. Na verdade, elas apenas corroboram o que já se imaginava: domicílios de mães solteiras são o ambiente onde há menor índice de escolaridade entre os jovens. Dentre elas, a mais interessantes ao tema, são as trazidas abaixo: Crianças com pais envolvidos na sua criação são 40% menos propensos a repetir um ano na escola. Crianças com pais envolvidos na sua criação são 70% menos propensos a abandonar a escola. Crianças com pais envolvidos na sua criação são Muito mais propensos a obter um “A” na escola. 18 https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932332/perfil-dos-presos-no-brasil-em-2012 - visto em 11 de abril de 2017. 19 https://thefatherlessgeneration.wordpress.com/statistics/ - visto em 11 de abril de 2017 https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932332/perfil-dos-presos-no-brasil-em-2012 https://thefatherlessgeneration.wordpress.com/statistics/ 22 Crianças com pais envolvidos na sua criação são Mais propensos a gostar da escola e se envolver em atividades extracurriculares. 71% de todos os desistentes do ensino médio vêm de lares sem pai. 85% das crianças com distúrbios de comportamento vêm de lares sem pai. 80% dos estupradores com problemas de raiva vêm de lares sem pai. Adolescentes em domicílios de mães solteiras têm um risco 30% maior ao abuso de drogas e álcool, do que em famílias bi parentais. Um estudo de 109 jovens delinquentes indicou que adolescentes, em famílias monoparentais têm maior risco de praticar delinquências contra propriedades ou pessoas. CONCLUSÃO Em um período histórico, em que se enfrenta a pior crise do sistema prisional do país, no qual a esmagadora maioria dos presos são jovens e sem estudo, e se encaixam perfeitamente no perfil de risco dos estudos supracitados, imaginar que a legalização do aborto possa gerar um efeito de segunda ordem na segurança pública, similar àquele gerado nos Estados Unidos, não é algo fora de realidade. Ainda que enfrentemos a barreira da definição do início da vida, talvez seja o momento de refletir mais sobre a questão, como foi feito em países mais desenvolvidos, para se chegar num número de semanas de gestação definidor, que possa definitivamente estabelecer o que se considera verdadeiramente vida intrauterina ou o que seria apenas um conglomerado de células ainda se multiplicando. Afinal, é latente a necessidade de se abordar o tema com urgência, frente à explicitude das estatísticas, até para que se possa também romper as barreiras da religião e do preconceito sobre o tema. O maior problema no Brasil, é que o legislador prefere opinar sobre temas polêmicos de acordo com suas convicções pessoais, impondo-as aos cidadãos. 23 Deste modo, o ideal seria que, ainda que o legislador seja contrário à pratica abortiva, que deixasse essa escolha a cargo da única parte interessada, que importa nessa situação, a mãe. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FRANCO, Geraldo Francisco Pinheiro. Boletim informativo do instituto brasileiro de ciências criminais. São Paulo, n.11, 1993, p.40. Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: p.geral. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 101. PRADO, Luiz Regis.Curso de direito penal brasileiro : parte especial. 2. ed. São Paulo, 2002. p. 96. SINGER, Peter. Ética prática. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 174. TARTUCE, Flavio. Direito civil: Lei de introdução e parte geral. 11 ed. São Paulo: Método, 2015 TARTUCE, Flavio. Manual de direito civil. 2 ed. São Paulo: Método, 2012, p. 71. VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 6 ed. São Paulo: Juridico Atlas, 2006, p. 154. SÍTIOS DA INTERNET: Abortamento seguro: orientação técnica e de políticas para sistemas de saúde – 2ª ed. - http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito- escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752 - visto em 07/04/2017. http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752 http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-2059875224 http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html - visto em 07/04/2017. http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta- levantamento,1711908 – visto em 10 de abril de 2017. http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz- economista,71872 – visto em 10/04/2017. INFORMATIVO 547/2014) BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 1.415.727-SC. Relator: Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014. Disponível em .- visto em 07/04/2017. https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932332/perfil-dos-presos-no-brasil-em- 2012 - visto em 11 de abril de 2017. http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf - visto em 07/04/2017. http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680 - visto em 07/04/2017. https://thefatherlessgeneration.wordpress.com/statistics/ - visto em 11 de abril de 2017 Working Paper 8004 NBER – National Bureau of Economic Research, disponível em: http://www.nber.org/papers/w8004.pdf - visto em 07/04/2017. http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872 http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872 http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680