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ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO SP 
 
THIAGO SORRILHA 
 
 
 
 
 
ABORTO: CONFLITO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS 
OU UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA? 
 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO 
2017 
2 
 
SUMÁRIO: 
 
 
RESUMO: .................................................................................................................................... 3 
 
ABSTRACT: ................................................................................................................................ 4 
 
PALAVRAS CHAVE .................................................................................................................. 5 
 
KEY - WORDS ............................................................................................................................ 5 
 
 
1) A PARTIR DE QUE MOMENTO SE CONSIDERA INICIADA A VIDA PARA O 
ESTADO? .................................................................................................................................... 6 
 
1.1. TEORIA NATALISTA: ............................................................................................. 6 
 
1.2. TEORIA DA PERSONALIDADE CONDICIONAL .............................................. 8 
 
1.3. TEORIA CONCEPCIONISTA: ................................................................................ 9 
 
1.4. TEORIA DA NIDAÇÃO: ......................................................................................... 10 
 
1.5. TEORIA NEUROLÓGICA ..................................................................................... 11 
 
 
2) DIREITOS DO NASCITURO x DIREITOS DA MULHER ...................................... 11 
 
 
3) ABORTO LEGAL PODE, SIM, REDUZIR O CRIME. ............................................... 17 
 
 
CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 22 
 
 
3 
 
RESUMO: 
 
O presente artigo traz à baila o que se deve considerar como início 
da vida, para permitir o debate sobre a interrupção da gestação, justificado por índices 
criminológicos expressivos. 
O Objetivo do presente estudo foi incitar a discussão sobre a 
permissão do aborto no Brasil, frente às estatísticas criminais alarmantes sobre a 
correlação dos lares monoparentais no baixo índice de educação infantil, e que gera um 
maior propensão ao crime. 
A metodologia utilizada foi a extração de trechos de livros dos 
principais juristas brasileiros sobre o tema: início da vida, bem como de artigos e 
reportagens, que trouxessem os números estatísticos relevantes à conclusão sobre o 
assunto, além de se fazer um breve resumo sobre as surpreendentes conclusões do livro 
“Freakonomics”. 
O resultado obtido foi uma latente uniformidade nos dados 
analisados, principalmente entre Estados Unidos e Brasil, o que tornou a conclusão menos 
variável e mais determinada. 
A conclusão foi de que é urgente o debate, no Congresso 
Nacional, sobre o tema do aborto, frete à situação alarmante da criminalidade, deixando-
se de lado as convicções pessoais do legislador, para se permitir que a mãe decida sobre 
a interrupção da gestação, com o fim de que se diminuam os índices de crianças criadas 
em lares desestruturados, pois esse é o fator determinante à diminuição da criminalidade. 
 
4 
 
ABSTRACT: 
 
This article brings out what should be considered as the beginning 
of life, to allow the debate about the interruption of gestation, justified by expressive 
criminological indices. 
The objective of the present study was to incite the discussion 
about abortion allowance in Brazil, in the face of alarming criminal statistics on the 
correlation of single-parent households in the low child education index, and which 
generates a greater propensity to crime. 
The methodology used was the extraction of excerpts from books 
by the main Brazilian jurists on the topic: the beginning of life, as well as articles and 
reports, which would bring the relevant statistical numbers to the conclusion on the 
subject, and a brief summary on the surprising conclusions from the book 
"Freakonomics". 
The result was a latent uniformity in the analyzed data, mainly 
between the United States and Brazil, which made the conclusion less variable and more 
determined. 
The conclusion was that the debate in the National Congress on 
the subject of abortion, frequent to the alarming situation of crime, is urgent, leaving aside 
the personal convictions of the legislator, in order to allow the mother to decide on the 
interruption of pregnancy, With the aim of reducing the rates of children born in 
unstructured homes, since this is the determining factor for the decrease in crime. 
 
5 
 
PALAVRAS CHAVE 
Início da vida, liberação do Aborto, Lares desestruturados, famílias monoparentais, 
índices criminais, escolaridade do jovem sem pai, escolaridade do preso no Brasil, poder 
de escolha da gestante, aborto e redução da criminalidade, Freakonomics. 
 
 
KEY - WORDS 
Beginning of life, liberation of abortion, unstructured homes, single parent families, 
criminal indices, schooling of the fatherless youth, schooling of the prisoner in Brazil, 
power of choice of the pregnant woman, abortion and crime reduction. 
 
 
6 
 
1) A PARTIR DE QUE MOMENTO SE CONSIDERA 
INICIADA A VIDA PARA O ESTADO? 
 
Essa é uma das questões mais polêmicas e não definidas pelas 
ciências que a tentam explicar, pois não envolve apenas conceitos técnicos, mas também 
religiosos e as mais diversas posições particulares de cada indivíduo. 
Diante a tamanha polêmica a respeito do tema, o STF convidou 
vinte e dois especialistas em áreas como genética, bioquímica, neurociências e 
biomedicina para tentar responder à essa pergunta. 
O evento foi uma verdadeira aula de Biologia e foi a primeira 
consulta pública da casa desde que ela foi inaugurada, em 1828. Porém, como já se 
imaginava, as opiniões foram as mais distintas possíveis. 
Sendo assim, até então não há um consenso sobre qual teoria 
explica melhor o conceito “início da vida”, dissenso este que gera inúmeras dúvidas à 
sociedade e questionamento dos mais diversos tipos no âmbito penal quanto ao crime de 
aborto. 
Dentre as principais teorias definidoras do início da vida, 
podemos citar brevemente as seguintes: 
 
1.1. TEORIA NATALISTA: 
 
É a que prevalece entre os autores clássicos do Direito Civil, para 
os quais o nascituro não deve ser considerado pessoa, já que se exigiria o seu nascimento 
com vida. 
7 
 
Segundo Carlos Roberto Gonçalves: 
Muitas são as críticas à mencionada teoria. Afirma-se, por exemplo, que, 
entendendo que o nascituro não é uma pessoa, admite-se a referida teoria que 
deve ser tratado com uma coisa; olvida-se, ainda, de que há, no Código Civil, 
um sistema de proteção ao nascituro, com as mesmas conotações da conferida 
a qualquer ser dotado de personalidade. 1 
Para os clássicos, o início da personalidade jurídica se dá do 
nascimento com vida. E por início da vida entendem o momento em que o indivíduo é 
expelido do ventre materno, e iniciada a respiração. 
Não se exige a viabilidade, bastando a respiração e separação do 
corpo da mãe. Só depois do nascimento haveria a aquisição de direitos. 
Os adeptos a ela partem de uma interpretação simplista e literal 
da Lei. Por esse motivo, esta teoria é chamada por muitos de teoria legalista de aquisição 
da personalidade. 
Dentre a doutrina contemporânea, Silvio de Salvo Venosase filia a esta 
teoria, assim dizendo: 
O fato de o nascituro ter proteção legal não deve levar a imaginar que tenha 
ele personalidade tal como a concebe o ordenamento. Ou, sob outros termos, 
o fato de ter ele capacidade para alguns atos não significa que o ordenamento 
lhe atribui personalidade. Embora haja quem sufrague o contrário, trata-se de 
uma situação que somente se aproxima da personalidade, mas com esta não 
se equipara. Apersonalidade somente advém do nascimento do nascimento 
com vida. 2 
Flávio Tartuce critica a teoria natalista, por ela considerar o nascituro 
como uma coisa, já que ele teria apenas mera expectativa de direito: 
“Do ponto de vista prático, a teoria natalista nega ao nascituro até mesmo 
os direitos fundamentais, relacionados com a sua personalidade, caso do 
direito à vida, à investigação de paternidade, aos alimentos, ao nome e até à 
 
1 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: p.geral. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 101. 
2 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 6 ed. São Paulo: Juridico Atlas, 2006, p. 154. 
8 
 
imagem. Com essa negativa, a teoria natalista esbarra em dispositivos do 
Código Civil que consagram direitos àquele que foi concebido e não nasceu. 
Essa negativa de direitos é mais um argumento forte para sustentar a total 
superação dessa corrente doutrinária.” 3 
 
1.2. TEORIA DA PERSONALIDADE CONDICIONAL 
 
Essa teoria é um meio termo, pois admite que os nascituros são 
detentores de direitos, mas que são subordinados a uma condição suspensiva consistente 
no nascimento com vida. A personalidade já existe desde o momento da concepção, mas 
só é efetivada com o nascimento, é a condição para efetivação de todos os direitos que a 
lei resguarda o nascimento. 
De acordo com Flávio Tartuce: 
“a teoria da personalidade condicional é aquela pela qual a personalidade 
civil começa com o nascimento com vida, mas os direitos do nascituro estão 
sujeitos a uma condição suspensiva, ou seja, são direitos eventuais. Como se 
sabe, a condição suspensiva é o elemento acidental do negócio ou ato 
jurídico que subordina a sua eficácia a evento futuro e incerto. No caso, a 
condição é justamente o nascimento daquele que foi concebido.” 4 
 
Portanto, o nascituro não teria personalidade jurídica, já que ela 
começa do nascimento com vida e quando a Lei confere a ele direitos, o que constituem 
situações excepcionais. 
Sendo assim, a eficácia dos direitos patrimoniais que 
eventualmente venham a ser atribuídos ao nascituro ainda no ventre materno fica, 
portanto, subordinada ao evento futuro e incerto do nascimento com vida, momento em 
 
3 TARTUCE, Flavio. Manual de direito civil. 2 ed. São Paulo: Método, 2012, p. 71. 
4 TARTUCE, Flavio. Direito civil: Lei de introdução e parte geral. 11 ed. São Paulo: Método, 2015 
9 
 
que a personalidade jurídica passa a existir em sua plenitude, ainda que o recém-nascido 
venha falecer instante depois. 
 
1.3. TEORIA CONCEPCIONISTA: 
 
A que predomina dentre os doutrinadores contemporâneos, bem 
como na atual jurisprudência é a CONCEPCIONISTA, que entende que a personalidade 
civil da pessoa natural já existe no nascituro, sem a necessidade do nascimento com vida. 
Aderem a essa teoria: Maria Helena Diniz, Maria Berenice Dias, 
Flávio Tartuce, Pontes de Miranda, Silmara Chinellato, Pablo Stolze dentre outros. 
Recentemente, o STJ adotou essa teoria em um julgamento que 
sobre o direito de uma mãe receber o seguro DPVAT, num caso de aborto sofrido por ela, 
em razão de acidente de trânsito. O benefício foi deferido a ela, sendo que o Ministro 
Relator afirmou o seguinte: 
 
“o ordenamento jurídico como um todo – e não apenas o Código Civil de 
2002 – alinhou-se mais à teoria concepcionista para a construção da 
situação jurídica do nascituro, conclusão enfaticamente sufragada pela 
majoritária doutrina contemporânea” 5 
 
Para o Direito Brasileiro, a princípio, o direito à vida do nascituro 
pertence a ele e não a sua genitora. Logo, não caberia a ela decidir sobre a continuidade 
da gravidez. 
Entretanto, a própria lei se mostra contraditória ao excepcionar 
este direito do nascituro em duas situações, que serão abordadas mais adiante. 
 
5 (informativo 547/2014) BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 1.415.727-SC. Relator: 
Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014. Disponível em 
. 
http://www.stj.jus.br/SCON/SearchBRS?b=INFJ&tipo=informativo&livre=@COD=%270547%27
10 
 
1.4. TEORIA DA NIDAÇÃO: 
 
Discorda da Teoria da Concepção, pois a corrente da nidação 
afirma que a vida se inicia a partir do momento em que o embrião adere à parede do útero. 
Em outras palavras é quando o óvulo é acolhido pelo útero. Este processo ocorre cerca de 
5 a 6 dias após a fecundação, denominando-se nidação. 
Entende-se que é nesse momento que ocorre uma 
individualização, onde se confere a categoria biológica ao indivíduo. Da mesma forma, 
conforme a explicação de Geraldo Franco, que se transcreve abaixo, ocorre uma nova 
relação transcendente de alteridade: 
“com a nidação, a formação celular também ‘adquire transcendência, ou 
seja, entra em contato com outro indivíduo da espécie, estabelecendo com o 
mesmo – sua mãe – uma relação de alteridade’.” 6 
O professor Luiz Regis Prado vai além, por ser adepto à teoria da 
nidação, determina inclusive o lapso temporal a que se deve observar para consideração 
da prática do aborto com sendo de 14 dias a partir da concepção. 
“Destarte, o aborto tem como limite mínimo e necessário para a sua 
existência a nidação, que ocorre cerca de quatorze dias após a concepção. O 
termo final é o início do parto, que, conforme examinado, é marcado pelas 
contrações da dilatação (parto normal) ou com o início dos procedimentos 
cirúrgicos (v.g. cesariana).” 7 
Contudo, quem discorda dessa teoria, entende que a nidação não 
é suficiente por si só no processo biológico para o desenvolvimento humano, de forma 
que é um estágio obrigatório e, por isso, não deve ser utilizada como parâmetro para 
definição do início da vida humana. 
 
 
6 FRANCO, Geraldo Francisco Pinheiro. Boletim informativo do instituto brasileiro de ciências 
criminais. São Paulo, n.11, 1993, p.40. 
7 PRADO, Luiz Regis.Curso de direito penal brasileiro : parte especial. 2. ed. São Paulo, 2002. p. 96. 
11 
 
1.5. TEORIA NEUROLÓGICA 
 
Mais contemporaneamente surgiu essa nova teoria, que afirma 
que a vida somente passará a existir quando o embrião passar a sentir, isto é, quando o 
seu tecido nervoso estiver formado, possibilitando ao feto sensações de dor e de prazer. 
A essa teoria filia-se Peter Singer, que defende que: 
 “o fato de o córtex cerebral (responsável pelas sensações) só iniciar seu 
desenvolvimento a partir da décima oitava semana de gestação, faz com que 
o feto só sinta dor a partir desse ponto da gestação”. 8 
Assim, para essa teoria o início da vida seria quando se 
desenvolve a organização básica do sistema nervoso central. Portanto, considera-se que 
a vida só surge a partir do quarto mês de gestação, pois, somente depois deste período é 
que o feto possui consciência. 
Pelo exposto, é possível perceber que todas as teorias trazem a 
ideia de que o nascituro é sim possuidor de vida, apesar de cada uma destacar estágios 
diferenciados para início da vida intra-uterina. 
 
2) DIREITOS DO NASCITURO x DIREITOS DA MULHER 
 
Até hoje não há pacificação ou uniformidade jurisprudencial 
sobre a teoria adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro 
A Constituição Federal de 1988, apesar de não o fazer 
explicitamente, impõe princípios que embasam e preservam os direitos aplicados ao 
nascituro. Esses princípios, alinhados aos ditames do Código Civil Brasileiro, garantem 
o direito à vida e também à dignidade do nascituro. 
 
8 SINGER, Peter. Ética prática. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 174. 
 
12 
 
Então, partindo-se do princípio de que o nascituro já possui 
direito à vida e não mera expectativa, nãocaberia à mulher o direito de escolha sobre a 
manutenção da gravidez ou não. Daí a criminalização ao aborto no Código Penal de nosso 
país: 
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento 
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho 
provoque: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
 
 
Aborto provocado por terceiro 
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de três a dez anos. 
 
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é 
maior de quatorze anos, ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento 
é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência 
 
 
Forma qualificada 
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas 
de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para 
provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são 
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. 
 
A Organização Mundial da Saúde define o aborto sendo: 
“a interrupção da gestação antes de 20-22 semanas ou com peso inferior a 
500 gramas.” 9 
Todavia, para o conceito jurídico legal, são irrelevantes o lapso 
temporal ou a proporção física, sendo definido como aborto toda conduta que 
interrompa a gravidez. 
 
9 Abortamento seguro: orientação técnica e de políticas para sistemas de saúde – 2ª ed. - 
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf 
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf
13 
 
Ocorre que cresce exponencialmente um sentimento na 
população de que o direito à vida do nascituro poderia sim ser relativizado a depender da 
gravidade da circunstância da mãe. 
Tanto que o próprio Código Penal, em seu artigo 128, que se 
transcreve abaixo, excepciona a regra, permitindo a realização do aborto em duas 
circunstâncias: 
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico 
Aborto necessário 
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; 
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro 
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento 
da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. 
 
A primeira confere um peso maior à vida da gestante, reduzindo 
o direito do feto ao fazer prevalecer o da mãe. O que, de certa forma, é compreensível do 
ponto de vista da preferência pela proteção de uma vida pré-existente, face à vida ainda 
parcialmente incerta. É uma disputa Vida x Vida, na qual vence a mais antiga. 
Entretanto, um problema surge quando o legislador, no inciso II, 
reduz o direito à vida do feto frente ao direito psicológico da mãe. Pois, neste ponto, um 
direito irredutível que é a vida, é relativizado frente a um direito menor: a condição 
psicológica de uma pessoa. Neste caso, a disputa é Vida x Abalo Psicológico, na qual 
vence o segundo, novamente da mãe, que, se mensurável, seria menor frente o direito à 
vida que é, por princípio, o maior de todos. 
Ora, com isso surge na sociedade um sentimento de que se abriu 
um precedente. Afinal, a partir do momento em que se pode relativizar a vida frente a um 
direito um pouco menor, poder-se-ia relativizá-lo frente a outros também, em especial 
outros direitos da mãe. 
14 
 
De forma que, em algumas mulheres nasceu a sensação de que 
tem o direito de decidir sobre a vida do feto, levando em conta (i) a sua vocação ou 
desejo pela maternidade e/ou (ii) a sua capacidade financeira para proporcionar o 
mínimo à criança. 
No que tange ao direito à dignidade, em ocorrendo pelo menos 
uma das hipóteses acima, muitos entendem que esta criança não teria uma vida digna. 
Pois, quando existe a certeza de que não se poderá oferecer a devida dedicação emocional, 
na primeira hipótese, ou propiciar todas oportunidades, no caso da segunda, surge a ideia 
de que: ao se impedir um nascimento indesejado, estaria sendo protegido o direito da 
própria criança, por evitar-se que ela venha a ter uma vida não digna. 
Quanto ao primeiro item, é sabido que: assim como é possível 
desejar a maternidade, também é plenamente comum repudiá-la. A dúvida, porém, resta 
na definição de se essa escolha pode ser um direito da mãe ou se deve haver uma 
imposição legal. 
Tanto que o Ministro Luís Roberto Barroso defendeu, em seu 
voto, no Habeas Corpus 124.306, RJ, que os artigos do Código Penal que criminalizam o 
aborto no primeiro trimestre de gestação violam pelo menos cinco direitos fundamentais 
das mulheres: a autonomia, a integridade física e psíquica, os direitos sexuais e 
reprodutivos, a igualdade de gênero e a igualdade social, no trecho transcrito abaixo: 
“A criminalização é incompatível com os seguintes direitos fundamentais: os 
direitos sexuais e reprodutivos da mulher, que não pode ser obrigada pelo 
Estado a manter uma gestação indesejada; a autonomia da mulher, que deve 
conservar o direito de fazer suas escolhas existenciais; a integridade física e 
psíquica da gestante, que é quem sofre, no seu corpo e no seu psiquismo, os 
efeitos da gravidez; e a igualdade da mulher, já que homens não engravidam 
e, portanto, a equiparação plena de gênero depende de se respeitar a vontade 
da mulher nessa matéria.” 10 
 
15 
 
E Barroso foi além, ao afirmar que: 
“A criminalização da interrupção da gestação no primeiro trimestre vulnera 
o núcleo essencial de um conjunto de direitos fundamentais da mulher. Trata-
se, portanto, de restrição que ultrapassa os limites constitucionalmente 
aceitáveis” 10 
Além dessas duas hipóteses legais, no Brasil surgiu uma terceira 
possibilidade de interrupção da gravidez no caso de Anencefalia, conforme julgado pelo 
STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ADPF nº 54. 
Em seu voto o ministro Marco Aurélio concluiu que a imposição 
estatal da manutenção de gravidez cujo resultado final será a morte do feto contraria os 
princípios basilares da Constituição Federal de 1988. Ele inclusive, utilizou-se da 
expressão “cárcere privado em seu próprio corpo” ao se referir à imposição Estatal da 
manutenção da gravidez, assemelhando tal ato à tortura. 
Em uma demonstração clara de que hoje em dia está 
predominando o entendimento de que a mulher detém o poder de decidir sobre a 
interrupção da gravidez, transcrevemos aqui um trecho de seu voto: 
“Cabe à mulher, e não ao Estado, sopesar valores e sentimentos de ordem 
estritamente privada, para deliberar pela interrupção, ou não, da gravidez” 11 
O Relator Marco Aurélio e os demais ministros que o seguiram, 
nada mais fizeram que acompanhar o pensamento médio da mulher contemporânea que 
entende as consequências de uma gravidez indesejada tanto para si quanto para a vida 
vindoura. 
Entretanto, conforme noticiado no jornal El País em 12 de 
novembro de 2015, ainda há uma enorme resistência nas legislações de países latino 
americanos quanto à liberação do aborto, em alguns deles mais ainda que no Brasil. As 
razões para tal oposição são geralmente fundadas em conceitos religiosos, que ainda 
predominam deste lado do mundo: 
 
10 http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf 
11 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680 
http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680
16 
 
“Em uma época em que muitos países latino-americanos avançam em 
políticas sociais progressistas (casamento gay no Chile, adoção por famílias 
com pais homossexuais na Colômbia, legalização do consumo de maconha 
no México), abortar na América Latina ainda é um tabu. Essa é a situação 
em alguns países do continente.” 12 
Em contra partida, conformenoticiado pelo O Globo em 06 de 
dezembro de 2016, em países mais desenvolvidos, a ideia sobre o aborte vem sendo 
desmistificada e a liberação predomina na maioria deles, inclusive os mais conservadores 
no aspecto religioso como a Itália, conforme trecho da reportagem que se transcreve 
abaixo: 
Na Itália, outro país predominantemente católico, duas décadas antes, em 15 
de abril de 1978, O GLOBO registrou as 36 horas ininterruptas de debates 
que culminaram na legalização do aborto. Era o começo de uma “guerra 
santa” movida pelo Vaticano, cuja ética religiosa focava no inalienável 
direito à vida do feto. “O aborto é um ato de violência sanguinária das 
mulheres, comparável apenas aos crimes da máfia”, afirmou o cardeal 
Giacomo Biffi ao GLOBO, em 14 de março de 1993.” 13 
 
Segundo a mencionada reportagem, chegou-se ao numeral de 10 
semanas na Itália, Franca e Portugal, 14 na Espanha, como sendo o período aceitável à 
prática do aborto, por considerarem ainda não formado o feto de maneira a se caracterizar 
uma retirada de vida já existente, mas sim uma mera interrupção da expectativa de vida. 
Em países como o Japão, este lapso temporal é estendido a 24 
semanas, mas isso mais por uma questão econômica que consideração ao que se tem como 
caracterização técnica do início da vida ou qualquer outro conceito religioso. 
 
 
 
12 http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html 
13 http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-
mulher-em-15-paises-20598752 
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html
http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752
http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752
17 
 
3) ABORTO LEGAL PODE, SIM, REDUZIR O CRIME. 
 
No início da década de 80, a situação da criminalidade nos 
Estados Unidos estava completamente fora de controle, muito parecida com a situação 
brasileira dos dias de hoje. Especialistas em políticas de segurança pública diziam que o 
país se aproximava de uma guerra civil, do completo caos. Até que no final da mesma 
década essa taxa de crimes começou a cair drasticamente e isso se acelerou durante a 
década de 90, surpreendendo até mesmo os mais otimistas dos analistas. A queda foi tão 
grande, que no começo dos anos 2000 a taxa de criminalidade estava próxima das taxas 
encontradas nos anos 1950. 
Com isso, foi natural que diversas teorias começassem a aparecer 
no começo dos anos 2000, para tentar explicar tão vertiginosa queda da criminalidade nos 
Estados Unidos. 
Depois de inúmeras tentativas de explicação, um estudo 
estatístico chamado The Impact of Legalized Abortion on Crime 14 (traduzindo para o 
português: O Impacto da legalização do aborto sobre o crime), elaborado por dois 
economistas da Universidade de Chicago, John Dunohue e Steven Levitt, trouxe a 
impactante ideia de que a legalização do aborto, ocorrida aproximadamente 30 anos antes, 
é que foi, na verdade, o principal responsável pela rápida queda da criminalidade em todo 
o pais. 
Na década de 70, apenas cinco estados americanos permitiam o 
aborto. Em 1973, a suprema corte americana decidiu em sobre o tema em um caso de 
repercussão nacional, tornando o aborto legal em todo o território americano. 
Para os autores do artigo, Levitt e Dunohue, após realizada uma 
delicada análise dos dados e concluídos diversos testes estatísticos, não restou dúvidas de 
que essa acelerada queda na criminalidade foi um efeito direto e proporcional da 
permissão de realização do aborto nos anos 70. A explicação é simples e impactante: as 
crianças que não nasceram eram aquelas que iriam passar suas infâncias em 
 
14 Working Paper 8004 NBER – National Bureau of Economic Research, disponível 
em: http://www.nber.org/papers/w8004.pdf 
http://www.nber.org/papers/w8004.pdf
18 
 
ambientes de risco. Grande parte das mulheres que fizeram abortos apresentavam, 
concomitantemente ou não, as seguintes características socioeconômicas: solteiras, 
jovens e pobres. 
Segundo outro estudo, citado pelos autores, crianças que viessem 
a nascer de mães que se encaixassem nos critérios acima listados, teriam 60% mais chance 
de viver em famílias normalmente sem a figura paterna, e também 50% mais chances de 
viver na pobreza, sem as mínimas condições e oportunidades. Para os autores, ficou 
evidente que uma infância pobre e monoparental, é um fator determinante das chances 
desse indivíduo cometer um crime no futuro, bem como o baixo nível educacional da 
mãe. 
O mais interessante é o fato que todos os fatores listados acima, 
que indicam uma maior propensão a cometer crimes, foram as mesmas justificativas 
dadas pelas mulheres para fazer um aborto – ou seja, as próprias mães, conscientes da sua 
situação desfavorável, evitaram ter filhos nesses ambientes, onde poderiam colocar o 
desenvolvimento das suas crianças em risco, ou no mínimo numa situação de mínima 
dignidade. 
 Neste diapasão, da dignidade da vida de uma criança não 
planejada, tem-se o cenário do crescimento mal orientado e, muitas vezes, com seu caráter 
influenciado pelo meio. 
Este tipo de conclusão não é fruto de conjecturas e conceitos 
sociais pré-formulados, mas sim em números e pesquisas empiricamente embasadas, 
conforme os diversos estudos apontados no livro “Freakonomics”, escrito mais a frente, 
pelos mesmo autores do estudo citado em 14. 
Os autores americanos Steven D. Levvitt e Stephen J. Dubner, 
revolucionaram a cena da criminologia, quando, em sua obra, afirmam, no quarto 
capítulo, que os filhos indesejados teriam maior probabilidade de se tornarem criminosos, 
por essas condições precárias a que estariam sujeitos durante sua criação. Conforme 
trecho da página 152 que se transcreve abaixo: 
19 
 
“O aborto legalizado resultou num número menor de filhos indesejados; 
filhos indesejados levam a altos índices de criminalidade. A legalização do 
aborto, assim, levou a menos crimes.” 15 
Diversas pesquisas feitas em países como Romênia e Estados 
Unidos demonstraram com números baseados em uma sólida evidência empírica que a 
prática do aborto legal reduz a criminalidade, anos à frente. 
Parte interessante dos números levantados pelos autores, compara 
os Estados Americanos nos quais houve a liberação do aborto com os em que não houve: 
“Em Nova York, na Califórnia, em Washington, no Alasca e no Havaí, a uma 
mulher já era permitido recorrer ao aborto no mínimo dois anos antes do 
caso Roe x Wade, e realmente esses estados precursores da legalização viram 
a criminalidade baixar antes dos outros 45 estados e do Distrito de 
Columbia. Entre 1988 e 1997, os crimes violentos nos estados que primeiro 
legalizaram o aborto caíram 13% se comparados aos demais; entre 1994 e 
1997, seus índices de homicídio caíram 23% mais do que os dos outros 
estados. E se tudo isso não tiver senão sido uma coincidência? O que mais 
deve ser investigado nos dados para estabelecer o vínculo aborto-
criminalidade?” 14 
No Brasil, a mesma correlação foi estudada pelo o economista 
Samuel Pessoa, professor de economia na Fundação Getúlio Vargas, que também entende 
que a liberação do aborto pode reduzir a criminalidade a longo prazo, conforme trecho de 
artigo publicado no ESTADÃO por Flávio Pinheiro e Clarissa Thomé, em 28 Outubro de 
2007, que abaixo se transcreve: 
“Em parceria com o economista Gabriel Hartung, Pessoa fez uma pesquisa 
com base em dados da Secretaria de Segurança de São Paulo e concluiu que 
os filhos de mães adolescentes ou de famílias desestruturadas têm maior 
 
15 Freakonomics: o lado oculto einesperado de tudo que nos afeta. Steven D. 
Levitt e Stephen J. Dubner. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 
20 
 
probabilidade de serem criminosos. O estudo causou discussão com 
demógrafos.” 16 
Nos crimes contra o patrimônio, a correlação entre as baixas taxas 
de crescimento econômico e alto índice de crescimento, se mantem direta e proporcional 
em diversos ambientes ainda que distintos. 
Porém, essas taxas de desemprego e índices econômicos não 
geram uma correlação direta e proporcional com as taxas de crimes contra a vida. 
Conforme trecho do mesmo artigo do JORNAL ESTADÃO de 28 de outubro de 2007, 
que se transcreve abaixo: 
...recuamos 20 anos, com dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra 
de Domicílios, feita pelo IBGE), e constatamos que entre jovens nascidos lá 
atrás, filhos de mães adolescentes ou de famílias monoparentais (sem o pai, 
sem a mãe ou sem ambos), é muito alta a presença de criminosos que 
cometeram homicídios. Nesse sentido, a pesquisa corrobora o que Steven 
Levitt (autor do livro ''''Freakonomics'''') demonstrou em relação ao tema nos 
EUA. Se a natalidade fosse menor entre adolescentes e famílias 
desestruturadas no Brasil, há 20 anos, hoje provavelmente teríamos menos 
crimes. 15 
E, não muito diferente dos dados levantados pelos americanos, no 
Brasil, 56% dos presos no Brasil se enquadram nas mesmas características econômico-
sociais, pobres, jovens e de baixa escolaridade. Conforme reportagem do JORNAL 
ESTADÃO17, de 23 de junho de 2015, que se transcreve abaixo: 
“Os presos do sistema penitenciário brasileiro são, majoritariamente jovens, 
negros, pobres e de baixa escolaridade, aponta o Levantamento Nacional de 
Informações Penitenciárias (Infopen), divulgado nesta terça-feira, 23, pelo 
Ministério da Justiça.” (grifo nosso) 
 
16 http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872 
– visto em 07/04/2017. 
17 http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta-
levantamento,1711908 – visto em 10 de abril de 2017. 
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta-levantamento,1711908
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta-levantamento,1711908
21 
 
Em um artigo publicado pelo professor Luiz Flávio Gomes18, no 
qual se analisou o perfil do preso no ano de 2012, também foi apontado o baixíssimo 
índice de escolaridade, conforme trecho destacado abaixo: 
“Qual é o nível de escolaridade do preso? O nível de escolaridade entre a 
maioria dos presos, em 2012, era o Ensino Fundamental Incompleto 
(50,5%). Do restante, 14% eram alfabetizados, 13,6 tinham Ensino 
Fundamental Completo, 8,5 haviam concluído o Ensino Médio, 6,1% eram 
analfabetos, 1,2% tinham Ensino Médio Incompleto, 0,9% haviam chegado 
a universidade mas sem conclusão, 0,04 concluíram o Ensino Superior e 
0,03 chegaram a um nível acima de Superior completo.” 
Com base nestes dados sobre o perfil econômico e social da 
maioria dos presos, é impossível não correlacionarmos os dados que mais influenciam a 
baixa escolaridade dos jovens. E a principal razão para tal, pasmem, é justamente o 
desenvolvimento da criança num lar desestruturado. 
As estatísticas trazidas pelo site The Fatgerlles Generation19 
(traduzindo para o português: “A Geração sem pai”) não são tão surpreendentes. Na 
verdade, elas apenas corroboram o que já se imaginava: domicílios de mães solteiras são 
o ambiente onde há menor índice de escolaridade entre os jovens. Dentre elas, a mais 
interessantes ao tema, são as trazidas abaixo: 
 Crianças com pais envolvidos na sua criação são 40% menos propensos a repetir 
um ano na escola. 
 Crianças com pais envolvidos na sua criação são 70% menos propensos a 
abandonar a escola. 
 Crianças com pais envolvidos na sua criação são Muito mais propensos a obter 
um “A” na escola. 
 
18 https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932332/perfil-dos-presos-no-brasil-em-2012 - visto 
em 11 de abril de 2017. 
19 https://thefatherlessgeneration.wordpress.com/statistics/ - visto em 11 de abril de 2017 
https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932332/perfil-dos-presos-no-brasil-em-2012
https://thefatherlessgeneration.wordpress.com/statistics/
22 
 
 Crianças com pais envolvidos na sua criação são Mais propensos a gostar da 
escola e se envolver em atividades extracurriculares. 
 71% de todos os desistentes do ensino médio vêm de lares sem pai. 
 85% das crianças com distúrbios de comportamento vêm de lares sem pai. 
 80% dos estupradores com problemas de raiva vêm de lares sem pai. 
 Adolescentes em domicílios de mães solteiras têm um risco 30% maior ao abuso 
de drogas e álcool, do que em famílias bi parentais. 
 Um estudo de 109 jovens delinquentes indicou que adolescentes, em famílias 
monoparentais têm maior risco de praticar delinquências contra propriedades ou pessoas. 
 
CONCLUSÃO 
Em um período histórico, em que se enfrenta a pior crise do 
sistema prisional do país, no qual a esmagadora maioria dos presos são jovens e sem 
estudo, e se encaixam perfeitamente no perfil de risco dos estudos supracitados, imaginar 
que a legalização do aborto possa gerar um efeito de segunda ordem na segurança pública, 
similar àquele gerado nos Estados Unidos, não é algo fora de realidade. 
Ainda que enfrentemos a barreira da definição do início da vida, 
talvez seja o momento de refletir mais sobre a questão, como foi feito em países mais 
desenvolvidos, para se chegar num número de semanas de gestação definidor, que possa 
definitivamente estabelecer o que se considera verdadeiramente vida intrauterina ou o que 
seria apenas um conglomerado de células ainda se multiplicando. 
Afinal, é latente a necessidade de se abordar o tema com urgência, 
frente à explicitude das estatísticas, até para que se possa também romper as barreiras da 
religião e do preconceito sobre o tema. 
O maior problema no Brasil, é que o legislador prefere opinar 
sobre temas polêmicos de acordo com suas convicções pessoais, impondo-as aos 
cidadãos. 
23 
 
Deste modo, o ideal seria que, ainda que o legislador seja 
contrário à pratica abortiva, que deixasse essa escolha a cargo da única parte interessada, 
que importa nessa situação, a mãe. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
FRANCO, Geraldo Francisco Pinheiro. Boletim informativo do instituto brasileiro de 
ciências criminais. São Paulo, n.11, 1993, p.40. 
Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Steven D. Levitt e 
Stephen J. Dubner. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: p.geral. 11 ed. São Paulo: 
Saraiva, 2013, p. 101. 
PRADO, Luiz Regis.Curso de direito penal brasileiro : parte especial. 2. ed. São Paulo, 
2002. p. 96. 
SINGER, Peter. Ética prática. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 174. 
TARTUCE, Flavio. Direito civil: Lei de introdução e parte geral. 11 ed. São Paulo: 
Método, 2015 
TARTUCE, Flavio. Manual de direito civil. 2 ed. São Paulo: Método, 2012, p. 71. 
VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 6 ed. São Paulo: Juridico Atlas, 
2006, p. 154. 
 
SÍTIOS DA INTERNET: 
Abortamento seguro: orientação técnica e de políticas para sistemas de saúde 
– 2ª ed. - http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf 
http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-
escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752 - visto em 07/04/2017. 
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/70914/7/9789248548437_por.pdf
http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-20598752
http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/lei-do-aborto-opoe-defesa-da-vida-direito-escolha-da-mulher-em-15-paises-2059875224 
 
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html - visto em 
07/04/2017. 
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,56-dos-presos-do-brasil-sao-jovens--aponta-
levantamento,1711908 – visto em 10 de abril de 2017. 
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-
economista,71872 – visto em 10/04/2017. 
INFORMATIVO 547/2014) BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 
1.415.727-SC. Relator: Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 4/9/2014. Disponível 
em .- visto em 07/04/2017. 
https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121932332/perfil-dos-presos-no-brasil-em-
2012 - visto em 11 de abril de 2017. 
http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf - visto 
em 07/04/2017. 
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680 - visto em 
07/04/2017. 
https://thefatherlessgeneration.wordpress.com/statistics/ - visto em 11 de abril de 2017 
Working Paper 8004 NBER – National Bureau of Economic Research, disponível 
em: http://www.nber.org/papers/w8004.pdf - visto em 07/04/2017. 
 
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447363622_824364.html
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,aborto-legal-pode-sim-reduzir-crime-diz-economista,71872
http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=204680

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