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1. 1. INTRODUÇÃO O uso de substâncias psicoativas pelo homem data desde a antiguidade, sendo utilizadas em diferentes contextos, sejam eles sociais, culturais, religiosos ou recreativos (MIRANDA, 2021). A necessidade de prazeres imediatos, desviaram as drogas medicinais de suas características iniciais, passando a serem amplamente usadas de forma recreativa. Nesse cenário, algumas drogas foram sinteticamente alteradas para se encaixarem melhor nessa necessidade, enquanto outras classificadas como naturais, como a maconha, ganharam mais espaço (TORCATO, 2016). O uso de drogas é um problema sanitário de saúde pública no Brasil, atingindo não somente o usuário, mas também toda a sociedade em que está inserido, incluindo família e amigos. Sabe-se que alguns grupos estão mais sujeitos a essa prática, como pessoas em situação de rua (ANDRADE et al., 2014), profissionais da saúde e policiais devido o acesso facilitado a substâncias psicoativas (DA SILVA SCHIMIDT et al., 2021), e motoristas de caminhão, devido longas jornadas e a necessidade de terminá-las em curto tempo (MAGALHÃES, 2020). Em 2020, o Relatório Mundial sobre Drogas, mostrou que cerca de 269 milhões de pessoas usaram drogas no mundo em 2018, um aumento de 30% quando comparado ao ano anterior. A manifestação de sintomas decorrente da exposição a drogas, seja por excesso de dose ou efeitos adversos, é conhecida como intoxicação. Medicamentos da classe dos benzodiazepínicos, anfetaminas, maconha e cocaína são drogas que se destacam como as principais causadoras de intoxicações, por agirem no SNC, alterando a capacidade motora e perceptiva do usuário (SCHULZE et al., 2012). Sendo assim, a toxicologia é o ramo da ciência que estuda os efeitos nocivos produzidos por substâncias químicas. A análise toxicológica de urgência é indispensável tanto para o diagnóstico laboratorial quanto para o auxílio no prognóstico (GALETTI et al., 2023). Dessa forma, os testes rápidos são usados como método de triagem, em casos de intoxicações agudas. A amostra escolhida para análise é comumente a urina, pois a maioria das substâncias exógenas são eliminadas via renal, além disso, a coleta é simples e não invasiva, sua manipulação é fácil e de baixo custo. Da mesma maneira, a análise feita através de tiras reagentes também é de caráter rápido, simples e econômico (OGA et al., 2008). Assim, a aula prática foi direcionada para o aprendizado e realização dos testes rápidos de anfetamina, cocaína, maconha e benzodiazepinicos, em duplicata na urina de dois pacientes. 2. MATERIAIS E MÉTODOS · Teste Rápido de Anfetamina; · Teste Rápido de Maconha (THC); · Teste Rápido de Bezodiazepianicos; · Teste Rápido de Cocaína; · 1 pipeta pasteur; · Béquer; · Estante de Tubo de Ensaio; · 2 Tubos de Ensaio; · 2 Amostra de Urina; Procedimento de Triagem: Testes Rápidos Os testes rápidos são métodos imunocromatográficos para a detecção qualitativa de drogas ilicitas. Para a identificação, o teste utiliza anticorpos monoclonais para detectar seletivamente níveis elevados de drogas específicas na urina. Este teste fornece um resultado preliminar de triagem e um método químico alternativo mais específico deve ser usado para um resultado confirmatório. Para isso, realiza-se a cromatografia gasosa/espectrofotometria de massa como método de confirmação recomendado. Durante a aula, os testes foram realizados em duas amostras de urinas diferentes em duplicata. Enquanto, o julgamento profissional sobre a condição clínica dos paciente foram aplicados a qualquer resultado, inclusive nos resultados positivos detectados (HAWKS & CHIANG, 1986). a) THC O teste de THC é caracterizado como uma análise para a detecção qualitativa de Tetrahidrocanabinol (metabólito do THC) – principal ingrediente ativo dos canabinóides (maconha) – em amostras humanas de urina em uma concentração mínima de 50ng/mL. Quando fumado ou administrado por via oral, produz efeitos eufóricos. Dessa forma, o teste consiste em detectar se o paciente consumiu algum tipo de substância tóxica ou droga em um determinado período específico, por meio da coleta de urina utilizando um recipiente específico não estéril, no momento da admissão (Baselt, 2002). O procedimento adotado para a análise consistiu em deixa a urina previamente atingir temperatura ambiente (15-30°C). Em seguida, é adicionada a um tubo de ensaio, onde deve se seguir as seguintes etapas: · 1º Etapa: Remover a tira teste do sachê de alumínio e usar o mais rápido possível. · 2º Etapa: Com as setas apontando para a amostra de urina, mergulhe a tira teste verticalmente na amostra de urina por pelo menos 10-15 segundos. Não ultrapassar a linha máxima (MAX) na tira de teste ao imergir-la. · 3º Etapa: Colocar a tira de teste sobre uma superfície plana não absorvente e esperar o aparecimento da(s) linha(s). · 4º Etapa: Ler os resultados em 5 minutos. Figura 1. Resultado das fitas do teste de THC b) Cocaína O teste de cocaína é um método imunocromatográfico voltado para a detecção qualitativa de Benzoilecgonina. A cocaína é um potente estimulante do sistema nervoso central (SNC) e um anestésico local. Inicialmente, provoca extrema energia e inquietação, ao mesmo tempo que resulta gradualmente em tremores, hipersensibilidade e espasmos. Em grandes quantidades, a cocaína causa febre, falta de resposta e dificuldade em respirar e perda de consciência. Em amostras de urina humana podem ser detectadas quando a concentração do metabólito da cocaína na urina excede 150ng/mL (Glass, 1991). O procedimento na análise foi constituido pelas seguintes etapas: · 1º Etapa: Remover a tira teste do sachê de alumínio e usar o mais rápido possível. · 2º Etapa: Com as setas apontando para a amostra de urina, mergulhe a tira teste verticalmente na amostra de urina por pelo menos 10-15 segundos. Não ultrapassar a linha máxima (MAX) na tira de teste ao imergir-la. · 3º Etapa: Colocar a tira de teste sobre uma superfície plana não absorvente e esperar o aparecimento da(s) linha(s). · 4º Etapa: Ler os resultados em 5 minutos. Figura 2. Resultado das fitas do teste de COC c) Benzodiazepinicos Os benzodiazepínicos são medicamentos frequentemente prescritos para o tratamento sintomático da ansiedade e dos distúrbios do sono. Eles produzem seus efeitos por meio de receptores específicos envolvendo um neuroquímico chamado ácido gama-aminobutírico (GABA), é uma substância controlada e também disponível no mercado ilícito. Em amostras de urina humana podem ser detectadas quando a concentração do metabólito da cocaína na urina excede 300ng/mL. O procedimento na análise foi constituido pelas seguintes etapas: · 1° Etapa: Levar a amostra e os componentes do teste para a temperatura ambiente (15 – 30°C), se refrigerados ou congelados. Uma vez que a amostra estiver descongelada, misturar bem antes de realizar o teste. · 2° Etapa: Abrir a embalagem e remover o dispositivo. · 3° Etapa: Rotular o dispositivo teste com o número de identificação da amostra. “ID ____” área do cassete. · 4° Etapa: Colocar o dispositivo teste em uma superfície limpa. · 5° Etapa: Coletar a amostra com a pipeta pauster. Certifique-se que não existem bolhas de ar. · 6° Etapa: Segurar a pipeta verticalmente e dispensar 3 gotas (aproximadamente 120 µL) de urina na cavidade da amostra. d) Anfetamina O teste de é um método imunocromatográfico voltado para a detecção qualitativa de d-Anfetamina. As anfetaminas são uma classe de potentes agentes simpaticomiméticos com aplicações terapêuticas, são quimicamente relacionadas com as catecolaminas naturais do corpo humano: epinefrina e norepinefrina. Dessa forma, é uma substância controlada e também disponível no mercado ilícito. Em amostras de urina humana podem ser detectadas em uma concentração mínima de 300ng/mL. Figura 3. Cassete de análise para Anfetamina O procedimento na análise foi constituido pelas seguintes etapas: · 1° Etapa: Levar a amostra e os componentes do teste para a temperatura ambiente (15 – 30°C), se refrigerados ou congelados.Uma vez que a amostra estiver descongelada, misturar bem antes de realizar o teste. · 2° Etapa: Abrir a embalagem e remover o dispositivo. · 3° Etapa: Rotular o dispositivo teste com o número de identificação da amostra. “ID ____” área do cassete. · 4° Etapa: Colocar o dispositivo teste em uma superfície limpa. · 5° Etapa: Coletar a amostra com a pipeta pauster. Certifique-se que não existem bolhas de ar. · 6° Etapa: Segurar a pipeta verticalmente e dispensar 3 gotas (aproximadamente 120 µL) de urina na cavidade da amostra. · 7° Etapa: Ler o resultado em até 5 minutos após adicionar a amostra. Não ler o resultado após 10 minutos. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 1. Resultados dos testes de rápidos Teste P1 P2 Cocaína (COC) + + Benzodiazepinicos (BNZ) + - Anfetamina (AMP) + + Maconha (THC) + + Conforme a tabela 1, os resultados evidenciaram que ambos os pacientes fazem o consumo da maioria das drogas testadas, somente o paciente 2 não faz uso de benzodiazepinícos. Em testes rápidos, a utilização da urina como matriz biológica é uma escolha tradicional e está bem estabelecida na análise toxicologicas. Devido a principal via de eliminação de substâncias ser através da urina, que contém maior concentrações dos metabólitos na última fase da famacocínetica, quando comparadas a fase inicial (antes da biotransformação, por isso se destaca como matriz alvo para investigações de metabólitos. A maioria das drogas são encontradas na urina por um período de dois a cinco dias após o consumo, variando de acordo com a droga e a quantidade utilizada pelo paciente, sendo detectado apenas o seu uso recente. O periodo de detecção das drogas analisadas estão entre 3-10 dias, que podem variar devido ao uso, isso pode indicar que os pacientes analisados utilizaram recentemente essas drogas recentemente (Hawks, 1986; De Lomba et al., 2023). REFERÊNCIAS ANDRADE, Luana Padilha; COSTA, Samira Lima da; MARQUETTI, Fernanda Cristina. A rua tem um ímã, acho que é a liberdade: potência, sofrimento e estratégias de vida entre moradores de rua na cidade de Santos, no litoral do Estado de São Paulo. Saúde e Sociedade, v. 23, n. 4, p. 1248-1261, 2014. Baselt RC. Disposition of Toxic Drugs and Chemicals in Man. 6th Ed. Biomedical Publ., Foster City, CA 2002. DA SILVA SCHIMIDT, Grazielli Lisboa et al. Prevalência do uso de drogas de abuso por policiais militares do estado de Goiás no período de 2016 a 2021. REVISTA BRASILEIRA MILITAR DE CIÊNCIAS, v. 7, n. 19, 2021. DA LOMBA, Mariana Ramires Santos et al. The Use Of Biological Matrices In Forensic Toxicology With Emphasis On Crime Solving: O Uso De Matrizes Biológicas Na Toxicologia Forense Com Ênfase Na Resolução De Crimes. Revista Brasileira de Criminalística, v. 12, n. 4, p. 88-102, 2023. GALETTI, Isabela Nucci et al. Análise Toxicológica de Urgência: validação analítica e aplicação de método cromatográfico de triagem de substâncias tóxicas em urina utilizando microextração em fase sólida dispersiva (d-SPE). 2023. Glass, IB. The International Handbook of Addiction Behavior. Routledge Publishing, New York, NY. 1991; 216. Hawks RL, CN Chiang. Urine Testing for Drugs of Abuse. National Institute for Drug Abuse (NIDA), Research Monograph 73, 1986.Glass, IB. The International Handbook of Addiction Behavior. Routledge Publishing, New York, NY. 1991; 216. MAGALHÃES, Juliana Gallottini de. Análise de substâncias psicoativas em amostras de urina e de fluido oral de motoristas de caminhão. 2020. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. MIRANDA, Marlene Barreto Santos. Desvelando conceitos: a questão das substâncias psicoativas. Journal of Dentistry & Public Health (inactive/archive only), v. 12, n. 2, p. 77-80, 2021. OGA, Seizi; CAMARGO, Márcia Maria de Almeida; BATISTUZZO, José Antonio de Oliveira. Fundamentos de toxicologia. In: Fundamentos de toxicologia. 2008. p. 677-677. SCHULZE, H. et al. work performed, main results and recommendations. DRUID (Driving under the Influence of Drugs, Alcohol and Medicines) Deliverable 0.1. 8., 2012. TORCATO, Carlos Eduardo Martins. A história das drogas e sua proibição no Brasil. 2016. Tese de Doutorado. Tese, Universidade de São Paulo/Programa de Pós-Graduação em História Social, São Paulo. image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg