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CRIMES CONTR A PESSOA
5ª SEMANA
PROFESSOR: WAGNO DE SOUZA
EMAIL: wagno.souza@uniprocessus.edu.br
1 - O texto desse slide foi extraído da obra Curso de Direito Penal, Vol. 2, pags. 94/111, ed. 24 Capez, Fernando.
Direito Penal III
CRIMES CONTR A PESSOA
DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Arts. 138/145
Considerações Iniciais: Três são os crimes contra a honra definidos no Código Penal: calúnia (art. 138), difamação (art. 139) e injúria (art. 140). Cada um desses delitos possui um significado próprio, razão pela qual não podem ser confundidos entre si. Além de estarem previstos no Código Penal, encontram-se também tipificados por lei especiais, tais como o Código Penal Militar (Decreto-lei 1.001/1969) e o Código Eleitoral (Lei 4.737/1965).
Direito Penal III
CRIMES CONTR A PESSOA
DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Arts. 138/145
Conceito de honra: Honra é o conjunto de qualidades físicas, morais e intelectuais de um ser humano, que o fazem merecedor de respeito no meio social e promovem sua autoestima. É um sentimento natural, inerente a todo homem e cuja ofensa produz uma dor psíquica, um abalo moral, acompanhados de atos de repulsão ao ofensor. Representa o valor social do indivíduo, pois está ligada à sua aceitação ou aversão dentro de um dos círculos sociais em que vive, integrando seu patrimônio. Um patrimônio moral que merece proteção. Cuida-se de direito fundamental do homem, previsto no art. 5.º, inciso X, da Constituição Federal.
Direito Penal III
CRIMES CONTR A PESSOA
DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Arts. 138/145
Espécies de honra: Classifica-se a honra, inicialmente, em objetiva e subjetiva. (i)Honra objetiva: é a visão que a sociedade tem acerca das qualidades físicas, morais e intelectuais de determinada pessoa. É a reputação de cada indivíduo no seio social em que está imerso. Trata-se, em suma, do julgamento que as pessoas fazem de alguém. Os crimes de calúnia e de difamação atacam a honra objetiva. Reclamam a atribuição da prática de um fato a outrem, descrito em lei como crime (calúnia) ou simplesmente ofensivo à sua reputação (difamação).
Direito Penal III
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Arts. 138/145
Espécies de honra: Classifica-se a honra, inicialmente, em objetiva e subjetiva. (ii)Honra subjetiva, por sua vez, é o sentimento que cada pessoa possui acerca das suas próprias qualidades físicas, morais e intelectuais. É o juízo que cada um faz de si mesmo (autoestima). Subdivide-se em honra-dignidade e honra-decoro. Honra dignidade é o conjunto de qualidades morais do indivíduo, enquanto honra-decoro é o conjunto de qualidades físicas e intelectuais. A injúria viola a honra subjetiva. Não há atribuição de fato, mas imputação de qualidade negativa à vítima.
Direito Penal III
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Calúnia – Art. 138
Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
§ 2º É punível a calúnia contra os mortos.
Direito Penal III
CRIMES CONTR A PESSOA
DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Calúnia – Art. 138
Art. 138. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 3º Admite-se a prova da verdade, salvo:
I – se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível;
II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III – se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Calúnia – Art. 138
1 – Objeto Jurídico: O crime de calúnia tutela a honra objetiva, isto é, o bom nome, a reputação das pessoas perante o grupo social.
2 - Objeto material: é a pessoa contra a qual são dirigidas as imputações ofensivas à sua honra objetiva
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Crime de Calúnia – Art. 138
3 – Núcleo do Tipo: O núcleo do tipo é “caluniar”. O legislador foi redundante. Caluniar é imputar, razão pela qual não era necessário dizer: “caluniar alguém, imputando-lhe...”. A conduta consiste em atribuir a alguém a prática de um determinado fato. Esse fato, entretanto, deve ser previsto em lei como criminoso. Há de ser definido como crime, qualquer que seja a sua espécie: doloso ou culposo, punido com reclusão ou com detenção, de ação penal pública (incondicionada ou condicionada) ou de ação penal privada.
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Crime de Calúnia – Art. 138
3 – Núcleo do Tipo: A imputação falsa de contravenção penal não configura o crime de calúnia. Não se admite a analogia in malam partem no Direito Penal. Mas não há dúvida de que é maculada a honra alheia ao se atribuir falsamente a alguém a responsabilidade por uma contravenção penal, motivo pelo qual estará caracterizado o crime de difamação.
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Crime de Calúnia – Art. 138
3 – Núcleo do Tipo: De acordo com o § 1º, na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. Cuida-se de um subtipo do crime de calúnia previsto no caput. Assim, os verbos-núcleos são propalar ou divulgar. Ambas as expressões exprimem a conduta de levar ao conhecimento de outrem a calúnia de que tenha tomado conhecimento.
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Crime de Calúnia – Art. 138
4 – Sujeitos Ativo e Passivo: Trata-se de crime comum. Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime de calúnia. Caluniador não é apenas o autor original da imputação, mas também quem a propala ou divulga (cf. § 1º). De igual modo qualquer pessoa pode ser sujeito passivo desse crime. Atualmente é possível caluniar uma pessoa jurídica imputando-lhe falsamente um fato definido como crime contra o meio ambiente. Em relação a estes, existe previsão expressa no art. 138, § 2º, do Código Penal, no sentido de que é punível a calúnia contra os mortos. Ressalta-se, todavia, que o sujeito passivo, em tal caso, não é o falecido, que não mais é titular de direitos. As vítimas são os familiares, interessados na manutenção do bom nome do morto.
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Crime de Calúnia – Art. 138
4 – Sujeitos Ativo e Passivo: Entretanto, deve-se frisar que para os partidários da doutrina clássica, os doentes mentais e os menores de 18 anos não podem ser sujeitos passivos do crime de calúnia. Sustentam que crime é fato típico, ilícito e culpável. A culpabilidade é assim requisito do crime e, uma vez excluída, não há falar em crime. Os doentes mentais e os menores de 18 anos são inimputáveis; logo, não são culpáveis; logo, não cometem crimes. Conclusão: se não praticam crimes, não podem ser sujeitos passivos de calúnia, pois esta é a atribuição de fato definido como crime. 
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Crime de Calúnia – Art. 138
4 – Sujeitos Ativo e Passivo: Entretanto, deve-se frisar que para os partidários da doutrina clássica, os doentes mentais e os menores de 18 anos não podem ser sujeitos passivos do crime de calúnia. Sustentam que crime é fato típico, ilícito e culpável. A culpabilidade é assim requisito do crime e, uma vez excluída, não há falar em crime. Os doentes mentais e os menores de 18 anos são inimputáveis; logo, não são culpáveis; logo, não cometem crimes. Conclusão: se não praticam crimes, não podem ser sujeitos passivos de calúnia, pois esta é a atribuição de fato definido como crime. 
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Crime de Calúnia – Art. 138
5 – Elemento Subjetivo: É o dolo de dano, consistente na vontade e consciência de caluniar alguém, atribuindo-lhe falsamente a prática de fato definido como crime, de que o sabe inocente. Exige-se que tanto o caluniador quantoo propalador tenham consciência da falsidade da imputação. O dolo pode ser direto ou eventual na figura do caput e somente direto na figura do § 1º. Haverá o dolo eventual quando o agente, na dúvida, assumir o risco de fazer a imputação falsa.
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Crime de Calúnia – Art. 138
5 – Elemento Subjetivo: Segundo parte da doutrina, nos crimes contra a honra, além do dolo, deve estar presente um especial fim de agir consubstanciado no animus injuriandi vel diffamandi, consistente no ânimo de difamar, ofender a honra do indivíduo. Não basta que o agente profira palavras caluniosas; é necessário que tenha a vontade de causar dano à honra da vítima. Dessa forma, na sua objetividade, os fatos atribuídos podem ser idôneos a causar a ofensa, contudo, subjetivamente, a falta, por exemplo, de seriedade no seu emprego, afasta a configuração do crime ante a ausência do animus injuriandi vel diffamandi.
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Crime de Calúnia – Art. 138
6 – Consumação: Dá-se quando a falsa imputação se torna conhecida de outrem, que não o sujeito passivo. É necessário haver publicidade (basta que uma pessoa tome conhecimento), pois apenas desse modo atingir-se-á a honra da pessoa (reputação). 
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Crime de Calúnia – Art. 138
7 – Tentativa: Trata-se de um crime formal ou de simples atividade. A calúnia verbal, que se perfaz em um único ato, por se tratar de crime unissubsistente, não admite tentativa; ou a imputação é proferida e o fato está consumado, ou nada se diz e não há conduta relevante. A calúnia escrita admite a tentativa, pois é um crime plurissubsistente; há um iter, que pode ser fracionado ou dividido. 
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Crime de Calúnia – Art. 138
8 – Exceção da verdade: O crime de calúnia pressupõe que a imputação seja falsa. Se ela for verdadeira, o fato é atípico. A exceção da verdade é um verdadeiro procedimento incidental, usado como meio de defesa, que deve ser apresentada no prazo da defesa prévia (se o procedimento tramitar no Jecrim, nas hipóteses em que a pena máxima da calúnia não supere dois anos), ou da resposta escrita (se a tramitação se der no juízo comum por estar presente alguma causa de aumento que retire a competência do Juizado Especial). O querelado pode arrolar testemunhas para confirmar a veracidade da imputação. O juiz, então, ouve as testemunhas arroladas por ambas as partes e, ao final, analisa a exceção da verdade. O ônus de provar a veracidade da imputação é do querelado.
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Crime de Calúnia – Art. 138
8 – Exceção da verdade: O art. 138, § 3º, do Código Penal, após declarar, inicialmente, que é cabível a exceção da verdade na calúnia, em seguida, enumera três hipóteses em que a utilização desse meio de defesa é vedada: a) Se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; b) Se o crime é imputado ao Presidente da República, ou chefe de governo estrangeiro; c) Se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
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Crime de Calúnia – Art. 138
9 – Classificação: Trata-se de crime comum (aquele que não demanda sujeito ativo qualificado ou especial); formal (delito que pode ter resultado naturalístico, embora não seja indispensável); de forma livre (podendo ser cometido por qualquer meio eleito pelo agente); comissivo (“caluniar” implica ação); instantâneo (cujo resultado se dá de maneira instantânea, não se prolongando no tempo), mas pode adquirir a feição permanente se divulgado pela Internet, enquanto não retirado do conhecimento público; dano (envolve uma lesão a bem jurídico, embora não seja necessário atingi-la efetivamente para a consumação); unissubjetivo (que pode ser praticado por um só agente); unissubsistente ou plurissubsistente (pode ser praticado por um ou mais atos integrando a conduta de caluniar);
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Crime de Calúnia – Art. 138
13 – Outras informações: N O crime de calúnia não se confunde com o crime de denunciação caluniosa. Com efeito, na calúnia o agente visa atingir apenas a honra da vítima, imputando-lhe falsamente um crime perante outra(s) pessoa(s). Na denunciação caluniosa, descrita no art. 339 do Código Penal, a conduta é mais grave, pois nela o agente quer prejudicar a vítima perante as autoridades constituídas, narrando a elas que tal pessoa teria cometido um crime, contravenção, infração ético-disciplinar ou ato de improbidade administrativa, quando, em verdade, sabe que esta é inocente. Com isso, o agente dá causa ao início de um inquérito policial ou civil, processo judicial ou administrativo, ação de improbidade administrativa ou procedimento investigatório criminal contra alguém. A denunciação caluniosa é crime contra a administração da justiça.
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Crime de Calúnia – Art. 138
13 – Outras informações: Trata-se de infração penal de menor potencial ofensivo e por isso de competência do Juizado Especial Criminal, sendo cabível a transação penal ou suspensão condicional do processo;
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Difamação – Art. 139
Art. 139. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena — detenção, de três meses a um ano, e multa.
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Crime de Difamação – Art. 139
1 – Objeto Jurídico: O crime de difamação também tutela a honra objetiva, isto é, o bom nome, a reputação das pessoas perante o grupo social.
2 - Objeto material: é a pessoa contra a qual são dirigidas os fatos ofensivos à sua honra objetiva
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Difamação – Art. 139
3 – Núcleo do tipo penal: O núcleo do tipo é o verbo difamar, que consiste em imputar a alguém fato ofensivo à reputação. Imputar consiste em atribuir o fato ao ofendido. Não importa para a configuração do crime que a imputação do fato seja falsa, ao contrário da calúnia, de modo que haverá o crime se o fato for verdadeiro. É por essa razão que, em regra, não se admite a exceção da verdade no crime de difamação. 
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Crime de Difamação – Art. 139
4 – Sujeitos Ativos e Passivo: Trata-se de crime comum. Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime em estudo, inclusive o propalador da difamação, uma vez que realiza nova difamação, muito embora o estatuto penal não o diga expressamente. De igual modo, qualquer pode ser sujeito passivo, mas deve ser pessoa determinada. Embora haja controvérsia, o entendimento predominante é que pessoa jurídica também pode ser sujeito passivo desse crime. A lei penal não a prevê a difamação contra memória dos mortos; apenas a calúnia (cf. art. 138, § 2º). O fato é atípico. 
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Difamação – Art. 139
5 – Elemento subjetivo: É o dolo de dano, consistente na vontade livre e consciente de difamar alguém imputando-lhe fato ofensivo a sua reputação. O dolo pode ser direto ou eventual. Não importa que o fato seja verdadeiro ou falso, pois mesmo que o agente tenha crença na veracidade da imputação o crime se configura, ao contrário da calúnia. Assim como no delito de calúnia, o crime de difamação não se per­faz sem o animus diffamandi. Dessa forma, não basta apenas o dolo; exige-se um fim especial de agir, consistente na vontade de ofender, denegrir a reputação do ofendido.
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Crime de Difamação – Art. 139
6 – Consumação: Consuma-se no instante em que terceiro, que não o ofendido, tomaciência da afirmação que macula a reputação. É prescindível que várias pessoas tomem conhecimento da imputação. 
7 – Tentativa: Não se admite quando o caso for de difamação perpetrada pela palavra oral (hipótese de crime unissubsistente, em que não há um iter criminis a ser fracionado); por meio escrito, é plenamente possível a tentativa (hipótese de crime plurissubsistente, havendo um iter criminis que comporta fracionamento).
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Crime de Difamação – Art. 139
8 – Exceção da verdade: Como na difamação a veracidade da imputação não afasta a tipicidade, evidente que, em tal infração penal, a exceção da verdade é incabível, pois não geraria qualquer efeito prático. Excepcionalmente, todavia, o art. 139, parágrafo único, do Código Penal, estabelece que, se o fato é imputado a funcionário público e diz respeito ao exercício de suas funções, será cabível a exceção da verdade. Essa regra se justifica porque há interesse público em permitir que o autor da imputação demonstre que um funcionário público agiu de forma irregular, para que ele possa ser punido e orientado ou desligado de suas funções. Se a exceção da verdade for julgada procedente, o querelado será absolvido. A prova da verdade nesse caso constitui excludente específica da ilicitude do crime de difamação.
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Crime de Difamação – Art. 139
9 – Classificação: Trata-se de crime comum (aquele que não demanda sujeito ativo qualificado ou especial); formal (delito que pode ter resultado naturalístico, embora não seja indispensável); de forma livre (podendo ser cometido por qualquer meio eleito pelo agente); comissivo (“caluniar” implica ação); instantâneo (cujo resultado se dá de maneira instantânea, não se prolongando no tempo), mas pode adquirir a feição permanente se divulgado pela Internet, enquanto não retirado do conhecimento público; dano (envolve uma lesão a bem jurídico, embora não seja necessário atingi-la efetivamente para a consumação); unissubjetivo (que pode ser praticado por um só agente); unissubsistente ou plurissubsistente (pode ser praticado por um ou mais atos integrando a conduta de difamar);
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Difamação – Art. 139
13 – Outras informações: Trata-se de infração penal de menor potencial ofensivo e por isso de competência do Juizado Especial Criminal, sendo cabível a transação penal ou suspensão condicional do processo;
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Injúria – Art. 140
Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena — detenção, de um a seis meses, ou multa.
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Injúria – Art. 140
1 – Objeto Jurídico: Ao contrário dos delitos de calúnia e difamação, que tutelam a honra objetiva, o bem protegido por essa norma penal é a honra subjetiva, que é constituída pelo sentimento próprio de cada pessoa acerca de seus atributos morais (chamados de honra-dignidade), intelectuais e físicos (chamados de honra-decoro).
2 - Objeto material: é a pessoa contra a qual são imputados os atributos negativos
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Crime de Injúria – Art. 140
3 – Núcleo do Tipo Penal: A injúria difere totalmente dos outros crimes contra a honra porque é o único deles em que o agente não atribui um fato determinado ao ofendido. Na injúria, o agente não faz uma narrativa, mas imputa um atributo negativo a outrem. Conforme a definição de Nélson Hungria o verbo injuriar significa “a manifestação, por qualquer meio, de um conceito ou pensamento que importe ultraje, menoscabo ou vilipêndio contra alguém
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Crime de Injúria – Art. 140
4 – Sujeitos Ativos e Passivo: Trata-se de crime comum. Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime em análise, pois o tipo penal não exige qualquer condição especial do agente. Assim, qualquer pessoa pode ofender outrem na sua dignidade ou decoro. Já em relação ao sujeito passivo Pode ser qualquer pessoa. É necessário, todavia, que a ofensa seja endereçada a pessoa ou pessoas determinadas, já que o tipo penal exige expressamente que o agente injurie “alguém”. Predomina o entendimento na doutrina no sentido de que a pessoa jurídica não possui honra subjetiva, de modo que a ofensa contra ela poderá constituir ofensa contra os seus representantes legais.
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Crime de Injúria – Art. 140
5 – Elemento Subjetivo: É o dolo de dano, direto ou eventual, consistente na vontade livre e consciente de injuriar alguém, atribuindo-lhe qualidade negativa. Segundo o entendimento majoritário da doutrina, é necessário, além do dolo, um fim especial de agir, consistente na vontade de ofender, denegrir a honra do ofendido – trata-se do animus injuriandi. 
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Crime de Injúria – Art. 140
6 – Consumação: Trata-se de delito formal. O crime se consuma quando o sujeito passivo toma ciência da imputação ofensiva, independentemente de o ofendido sentir-se ou não atingido em sua honra subjetiva, sendo suficiente, tão só, que o ato seja revestido de idoneidade ofensiva. Difere da calúnia e da difamação, uma vez que para a consumação da injúria prescinde-se que terceiros tomem conhecimento da imputação ofensiva. A injúria não precisa ser proferida na presença do ofendido; basta que chegue ao seu conhecimento, por intermédio de terceiro, correspondência ou qualquer outro meio.. 
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Crime de Injúria – Art. 140
7 – Tentativa: É possível, no caso de meio escrito, pois há um iter criminis passível de ser fracionado (crime plurissubsistente); contudo, se a hipótese for de injúria verbal (crime unissubsistente), inadmissível será a tentativa; afinal, a palavra é ou não proferida, tratando-se de único e incindível ato.
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Crime de Injúria – Art. 140
8 – Perdão Judicial: O Código Penal, em seu art. 140, § 1º, prevê duas hipóteses de perdão judicial. Há, nesses casos, a configuração do crime de injúria, porém o juiz pode deixar de aplicar a pena. Registre-se que não se trata de faculdade do juiz, mas de direito subjetivo do agente, ou seja, estando configurada a hipótese legal, o agente fará jus ao benefício. I) — quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; II) — no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. O perdão judicial é causa extintiva da punibilidade (art. 107, IX, do CP). 
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Crime de Injúria – Art. 140
9 – Injúria Real: Encontra-se prevista no § 2º do art. 140. Caracteriza-se pelo emprego de violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, sejam considerados aviltantes.Se da violência empregada para ofender resultarem lesões corporais, ainda que leves, o agente responderá pelos dois crimes. É o que dispõe expressamente o texto legal, sendo certo, ainda, que as penas devem ser somadas, já que o dispositivo diz que as sanções referentes à injúria real (detenção e multa) devem ser aplicadas “além da pena correspondente à violência”. Assim, embora se trate de hipótese que, pelas regras da Parte Geral do Código, enquadra-se no conceito de concurso formal — a mesma agressão ofende e causa as lesões —, cederá vez à regra específica da Parte Especial. Se o crime for cometido por meio de vias de fato — agressão sem intenção de lesionar —, a contravenção prevista no art. 21 da LCP ficará absorvida.
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10 – Injúria Preconceituosa: Antes do advento da Lei n. 14.532, que entrou em vigor em 11 de janeiro de 2023, a presentefigura qualificada abrangia ofensas com a utilização de elementos referentes a: a) raça; b) cor; c) etnia; d) religião; e) origem; f) condição de pessoa idosa; g) condição de pessoa deficiente. Referida lei, todavia, modificou o texto do art. 140, § 3º, de modo que, atualmente, o crime do Código Penal abrange somente ofensas com a utilização de elementos rela­tivos a: a) religião; b) condição de pessoa idosa; c) condição de pessoa deficiente. A mesma Lei n. 14.532/2023 inseriu no art. 2º-A da Lei n. 7.716/89 o crime de injúria racial, com o seguinte teor: “Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional”: Pena: reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.
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10 – Injúria Preconceituosa: O Plenário do STF, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) n. 26, entendeu que houve omissão inconstitucional do Congresso Nacional por não editar lei que criminalize atos de homofobia e de transfobia, de modo que, enquanto não for aprovada lei específica, deverá haver enquadramento no crime de racismo da própria Lei n. 7.716/89 ou, se a ofensa homofóbica ou transfóbica for contra pessoa determinada, no crime de injúria racial. 
Lembre-se, ainda, da existência de outras modalidades de crime de racismo, previstos também na Lei n. 7.716/89, não consistentes em ofensas verbais ou escritas, mas decorrentes de atos discriminatórios, como não permitir que alguém fique sócio de clube em razão da raça ou cor, não permitir que se alimente em certo restaurante, que ingresse em ônibus, negar-lhe emprego etc.
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11 – Classificação: Trata-se de crime comum (aquele que não demanda sujeito ativo qualificado ou especial); formal (delito que pode ter resultado naturalístico, embora não seja indispensável); de forma livre (podendo ser cometido por qualquer meio eleito pelo agente, inclusive de maneiras indiretas ou reflexas); comissivo (“injuriar” implica ação); instantâneo (cujo resultado se dá de maneira instantânea, não se prolongando no tempo), mas pode adquirir a feição permanente se divulgado pela Internet, enquanto não retirado do conhecimento público; dano (envolve uma lesão a bem jurídico, embora não seja necessário atingi-la efetivamente para a consumação); unissubjetivo (que pode ser praticado por um só agente); unissubsistente ou plurissubsistente
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Crime de Injúria – Art. 140
12 – Outras informações: Trata-se de infração penal de menor ofensivo, salvo na hipótese da injúria preconceituosa (§ 3º). Na modalidade simples e na injúria real a competência é do Juizado Especial Criminal, cabendo a transação penal ou suspensão condicional do processo. Já na injúria preconceituosa em razão da pena cominada a competência é do Juiz Singular, sendo cabível o acordo de não persecução penal ou suspensão condicional do processo.
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Crime de Injúria – Art. 140
12 – Outras Informações: Podemos diferenciar os crimes de calúnia, difamação e injúria da seguinte forma: Na calúnia, o fato imputado é definido como crime; na injúria, não há atribuição de fato, mas de qualidade; na difamação, há a imputação de fato determinado. A calúnia e a difamação atingem a honra objetiva; a injúria atinge a honra subjetiva. A calúnia e a difamação consumam-se quando terceiros tomam conhecimento da imputação; a injúria consuma-se quando o próprio ofendido toma conhecimento da imputação.
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DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Disposições Comuns
Em que pese a nomenclatura “disposições comuns” referir-se apenas ao art. 141, contempla o Código Penal também nos arts. 144 e 145 regras comuns aplicáveis aos crimes de calúnia, difamação e injúria, com exceção dos arts. 142 e 143, que abrangem somente alguns dos crimes contra a honra.
1 – Causas de Aumento de Pena: O Código Penal, em seu art. 141, prevê causas especiais de aumento de pena para os crimes de calúnia, difamação e injúria. Tais majorantes levam em conta a condição ou qualidade especial do sujeito passivo, o modo, o meio de execução e a motivação do crime. Assim, haverá aumento de pena (nas hipóteses dos incisos I, II, III e IV: aumento de 1/3; na hipótese do § 1º: a pena será aplicada em dobro; e na hipótese do § 2º aplica-se em triplo a pena).
Direito Penal III
CRIMES CONTR A PESSOA
DOS CRIMES CONTRA A HONRA:
Disposições Comuns
Em que pese a nomenclatura “disposições comuns” referir-se apenas ao art. 141, contempla o Código Penal também nos arts. 144 e 145 regras comuns aplicáveis aos crimes de calúnia, difamação e injúria, com exceção dos arts. 142 e 143, que abrangem somente alguns dos crimes contra a honra.
1 – Causas de Aumento de Pena: O Código Penal, em seu art. 141, prevê causas especiais de aumento de pena para os crimes de calúnia, difamação e injúria. Tais majorantes levam em conta a condição ou qualidade especial do sujeito passivo, o modo, o meio de execução e a motivação do crime. Assim, haverá aumento de pena (nas hipóteses dos incisos I, II, III e IV: aumento de 1/3; na hipótese do § 1º: a pena será aplicada em dobro; e na hipótese do § 2º aplica-se em triplo a pena).
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2 – Excludente de Ilicitude: Sob a rubrica “Exclusão do crime” contempla o Código Penal em seu art. 142 causas de exclusão da ilicitude ou da antijuridicidade, quais sejam: I — a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; II — a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; III — o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. Entretanto, nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.
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3 – Retratação: Prevê o art. 143 do Código Penal a possibilidade de o querelado, antes da sentença, retratar-se cabalmente da calúnia ou da difamação, ficando isento de pena. Retratar significa retirar o que disse, reconsiderar o que foi afirmado anteriormente. Só é possível nos crimes de calúnia e difamação, em que há imputação de fatos, interessando à vítima que o ofensor os declare inverídicos, de modo a reparar os prejuízos sofridos; já na injúria, a retratação é incabível, tendo em vista que não importa à vítima que o ofensor desdiga as qualidades negativas, até porque a reconsideração poderá importar em prejuízos morais muito maiores. A retratação constitui causa extintiva da punibilidade (CP, art. 107, VI).
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4 – Pedido de Explicação em Juízo: Prevê o art. 144 do Código Penal: “Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa”. Cuida o presente dispositivo do “pedido de explicações”. Trata-se de medida preliminar à ação penal por crime contra a honra, concedida àquele que se julga ofendido em sua honra de ir a Juízo e solicitar esclarecimentos do indivíduo acerca de situações, expressões ou frases equívocas, que podem constituir eventual crime de calúnia, difamação ou injúria. “
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4 – Pedido de Explicação em Juízo: Prevê o art. 144 do Código Penal: “Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz,não as dá satisfatórias, responde pela ofensa”. Cuida o presente dispositivo do “pedido de explicações”. Trata-se de medida preliminar à ação penal por crime contra a honra, concedida àquele que se julga ofendido em sua honra de ir a Juízo e solicitar esclarecimentos do indivíduo acerca de situações, expressões ou frases equívocas, que podem constituir eventual crime de calúnia, difamação ou injúria. “
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5 – Ação Penal: De acordo com art. 145 do Código Penal os crimes contra a honra, em regra são de iniciativa privada, ou seja, a persecução penal se dá por meio da queixa crime. Entretanto, na injúria real se da violência empregada resultam lesões corporais a ação penal é pública incondicionada. Já se os crimes forem praticados contra o Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro. A ação é pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça. No caso de injúria preconceituosa a ação penal é pública condicionada à representação.
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5 – Ação Penal: De igual modo, se os crimes forem contra funcionário público em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal, a ação é pública condicionada à representação. Ressalta-se que o Supremo Tribunal Federal, todavia, entendeu que, em relação à primeira parte do dispositivo, o funcionário público tem também a opção de valer-se da regra consagrada no Código Penal para os crimes contra a honra, e oferecer queixa-crime (ação privada) sem que haja risco de rejeição por ilegitimidade de parte. Nesse sentido, a Súmula n. 714 do STF.
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