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Pórticos Apresentação Pórtico, de maneira geral, refere-se ao local coberto na entrada de ruas, edifícios ou templos/palácios. O pórtico pode ser entendido como uma arquitetura cobrindo um plano horizontal composto de uma estrutura de colunas no plano vertical que sustenta um plano horizontal elevado. Sua estrutura é formada por barras, verticais e horizontais, que formam quadros entre si. Analisando a tipologia do pórtico, é possível considerá-lo como uma arquitetura com elementos básicos combinados: planos verticais formados por colunas e/ou paredes laterais que sustentam uma plataforma horizontal. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai compreender melhor o que são os pórticos. Além disso, vai entender o comportamento estrutural dos pórticos e como são traçados os diagramas referentes aos esforços normal e cortante, bem como ao momento fletor. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o comportamento estrutural dos pórticos.• Resolver os cálculos das equações para o esforço normal, o esforço cortante e o momento fletor. • Construir os diagramas das solicitações internas.• Infográfico Estruturas porticadas fazem parte do instrumental básico daqueles que desenvolvem projetos de arquitetura e de engenharia. Reconhecer as características dos pórticos de maneira abstrata e as especificidades do modelo aplicadas aos diferentes materiais de construção permite que o projetista proponha soluções mais assertivas desde a concepção do projeto. Acompanhe, no Infográfico a seguir, alguns exemplos práticos de pórticos planos. Conteúdo do livro Pórticos são estruturas compostas por elementos horizontais, como vigas, e elementos verticais, como pilares. A ligação entre esses elementos, conhecida como nó e que forma um ângulo de 90o entre eles, é rígida, de modo que os elementos trabalham em conjunto. Os elementos horizontais transferem carga para os elementos verticais, que, por sua vez, transferem carga para a base. No capítulo Pórticos, base teórica dessa Unidade de Aprendizagem, você vai identificar o comportamento de um pórtico quando submetido às cargas aplicadas nos planos vertical e horizontal. Pela resolução das equações de equilíbrio, será possível determinar os esforços solicitantes e construir os diagramas dos esforços solicitantes internos. Boa leitura. TEORIA DAS ESTRUTURAS Douglas Andrini Edmundo Revisão técnica: André Luís Abitante Mestre em Engenharia e Ciência dos Materiais, ênfase em Controle de Processos Engenheiro Civil Rossana Piccoli Mestre em Engenharia Civil Engenheira Civil Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 T314 Teoria das estruturas / Douglas Andrini Edmundo ... [et al.] ; [revisão técnica: André Luís Abitante, Rossana Piccoli]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018. 392 p. : il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-354-3 1. Engenharia civil. I. Edmundo, Douglas Andrini. CDU 624.01 Pórticos I Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar o comportamento estrutural dos pórticos. � Resolver os cálculos das equações para o esforço normal, esforço cortante e momento fletor. � Construir os diagramas das solicitações internas. Introdução Neste capítulo, você vai estudar como identificar o comportamento de um pórtico quando submetidos as cargas aplicadas nos planos vertical e horizontal. Pela resolução das equações de equilíbrio podemos de- terminar os esforços solicitantes e construir os diagramas dos esforços solicitantes internos. Pórticos Pórticos são estruturas compostas por diversos elementos estruturais, como vigas e pilares, que são ligados entre si através de ligações rígidas, cujo ângulo formado entre esses elementos usualmente é de 90º, porém podendo formar qualquer ângulo entre si. Os pórticos basicamente são divididos em duas formas de concepção estrutural: pórticos contraventados (Figura 1) e pórticos não contraventados (Figura 3). Pórticos contraventados são sistemas estruturais que permitem a rotação dos nós (Figura 2), mas não permite o deslocamento lateral, geralmente pela ação de elementos estruturais chamados de contraventamento que impõem a restrição necessária ao deslocamento fornecendo estabilidade a toda a estrutura contra a ação de forças laterais, principalmente sob ação de ventos. Os pórticos não contraventados são sistemas estruturais que também permi- tem a rotação nos nós, porém a resistência ao deslocamento lateral é fornecida pela rigidez dos elementos estruturais que compõem a estrutura. Entretanto, sob a ação de forças laterais os pórticos não contraventados podem sofrer deslocamentos e deformações. Esses deslocamentos e deformações podem, caso ultrapassem os limites definidos pelas normas técnicas, provocar danos na estrutura e nos elementos secundários de uma edificação. Figura 1. Pórtico contraventado com uso de barras diagonais que trabalham exclusivamente à tração. Pórticos I98 Figura 2. Rotações nos nós e deformações em um pórtico contraventado. Figura 3. Pórtico não contraventado. 99Pórticos I Figura 4. Deslocamento lateral de um pórtico não contraventado. A transmissão dos esforços solicitantes em pórticos rígidos ocorre pelas vigas e colunas. Nas vigas os esforços solicitantes que predominam são o momento fletor e a força cortante, já nas colunas a força axial de compressão é a mais pre- dominante, embora existam também ação de momentos fletores geralmente são de intensidades menores. Nos pórticos flexíveis, ou não contraventados (Figura 4), além da distribui- ção de esforços, o comportamento dessas estruturas provoca deslocamentos laterais de uma distância Δ no mesmo sentido da força aplicada. Denominado momento secundário ou momento P-Δ. Em determinadas condições o efeito P-Δ pode ser desprezado em provocar grandes erros que comprometam o dimensionamento, sob duas condições: � Quando as forças axiais forem pequenas, menores que 10% da força total resistente da seção transversa. � Quando a rigidez da coluna for grande o suficiente para conter o deslocamento lateral permitindo apenas pequena flexão no seu eixo longitudinal. Pórticos I100 Esforços solicitantes Os esforços solicitantes atuantes nos pórticos são os mesmos encontrados nas vigas (Figura 6), momento fletor e força cortante, provocados pela ação das cargas aplicadas no pórtico. Assim como as vigas os pórticos podem ser determinados ou indetermi- nados estaticamente. Os pórticos estaticamente determinados (Figura 5) são aqueles que os cálculos das reações de apoio podem ser determinados pela aplicação das equações fundamentais da estática, já os pórticos estaticamente indeterminados necessitam da aplicação de outros métodos para determinar o valor das reações de apoio. Devido a aplicação das cargas, os elementos estruturais do pórtico sofrem deformação, provocadas pela ação dos esforços solicitantes. Figura 5. Pórtico estaticamente determinado. 101Pórticos I Figura 6. Distribuição de esforços em um pórtico. No exemplo a seguir vamos determinar os esforços internos e traçar os diagramas de esforços internos no pórtico submetido a ação de uma carga uniformemente distribuída e de uma carga pontual. Pórticos I102 DCL No DCL podemos observar as reações de apoio, as cargas e a seção escolhida para análise dos esforços internos. Reações de apoio: +→ ƩFx = 0 HA = 0 +↑ ƩFy = 0 VA + VB – 15 – (25 * 9,95) = 0 VA + VB = 263,75 kN + ƩMA = 0 VB = 251,21 kN VA + 251,21 = 263,75 kN VA = 12,54 kN VB = 2778,36 11,06 )( )( + (VB * 11,06) – (15 * 2,89) = 0– 25 * 9,95 9,95 2 + 6,02 103Pórticos I DCL Esforços solicitantes: 0 ≤ x1 ≤ 4,24m DCL da seção x1: Pórticos I104 +→ ƩFx = 0 8,87 + N1 = 0 N1 = –8,87kN +↑ ƩFy = 0 8,87 – V1 = 0 V1 = 8,87kN + ƩMx1 = 0 – (8,87 .x1) + M1 = 0 M1 = 8,87x1 Esforços solicitantes: 4,24m ≤ x2 ≤ 8,48m DCL da seção x2: 105Pórticos I +→ ƩFx = 08,87 – 10,61 + N2 = 0 N2 = 10,61 – 8,87 N2 = 1,74kN +↑ ƩFy = 0 8,87 – 10,61 – V2 = 0 V2 = 10,61 – 8,87kN V2 = 1,74kN + ƩMx2 = 0 – (8,87 * (4,24 + x2) + (10,61 * x2) + M2 = 0 M2 = 37,61 + 8,87x2 – 10,61x2 M2 = 37,61 – 1,74x2 Esforços solicitantes: 4,91m ≤ x2 ≤ 9,96m DCL da seção x3: Pórticos I106 +→ ƩFx = 0 N3 = 0 +↑ ƩFy = 0 251,21 – (25 * (4,91 + x3)) + V3 = 0 V3 = 251,21 + 122,75 + 25x3 V3 = –128,46 + 25x3 kN + ƩMx3 = 0 M3 = 12,5x – 122,75x3 – 301,35 + 251,21x3 M3 = –12,5x +128,46x3 – 301,35 2 3 2 3 4,91 + x3 2– ((25 * (4,91 + x3)) * (––––––––)) + (251,21 * x3) + M3 = 0 Esforços solicitantes: 0 ≤ x4 ≤ 4,91m DCL da seção x4: +→ ƩFx = 0 N4 = 0 +↑ ƩFy = 0 (25 * x4) + V4 = 0 V4 = 25x4 + ƩMx4 = 0 – 25 * x4 * – M4 = 0 M4 = –12,5x 2 4 x4 2( ) Traçar os diagramas de esforços solicitantes do pórtico. Para 0 ≤ x1 ≤ 4,24m 107Pórticos I N1 = – 8,87kN V1 = 8,87kN M1 = 8,87x1 M1 = 8,87 * 0 = 0 M1 = 8,87 * 4,24 = 37,61kN.m N2 = 1,74kN V2 = – 1,74kN M2 = 37,61 – 1,74x2 Para x1 = 0 Para x1 = 4,24m Para 4,24m ≤ x2 ≤ 8,48m M2 = 37,61 – 1,74 * 0 = 37,61kN.m M2 = 37,61 – 1,74 * 4,24 = 30,23kN.m N3 = 0 V3 = – 128,46 + 25x3kN Para x2 = 0 Para x2 = 4,24m Para 4,91m ≤ x3 ≤ 9,96m V3 = –128,46 + 25 * 0 = –128,46kN V3 = –128,46 + 25 * 5,04 = –2,46kN M3 = –12,5x + 128,46x3 – 301,35kN.m Para x3 = 0 Para x3 = 5,04m 2 3 M3 = –12,5 * 02 + 128,46 * 0 – 301,35 = –301,35kN.m M3 = –(12,5 * 5,042) + (128,46 * 5,04) – 301,35 = 28,57kN.m Para x3 = 0 Para x3 = 5,04m Pórticos I108 N4 = 0 V4 = 25x4 M4 = – 12,5x V4 = 25 * 0 = 0 V4 = 25 * 4,91 = 122,75kN M4 = – 12,5 * 02 = 0 M4 = –12,5 * 4,912 = –301,35kN.m Para 0 ≤ x4 ≤ 4,91m Para x4 = 0 Para x4 = 4,91m Para x4 = 0 Para x4 = 4,91m 2 4 Diagramas de esforços solicitantes DEN DEC DMF 109Pórticos I O comportamento de estruturas formadas por pórticos pode variar conforme a con- cepção estrutural entre contraventado e não contraventado. A diferença entre os dois sistemas não está somente nos graus de liberdade de rotação e deslocamento, mas também reflete o quanto uma estrutura será mais pesada ou mais leve. Os pórticos contraventados tendem a ser mais leves, ou seja, necessitam de materiais com seção transversal menores para poder atender aos requisitos de resistência, ao passo que os pórticos não contraventados precisam vencer essa flexibilidade aumen- tando a rigidez de cada elemento, o que provoca o aumento da seção transversal devido a inércia necessária para conter os deslocamentos provocados pelas forças laterais. Deformações do pórtico Pórticos I110 Diagramas de esforços solicitantes Os diagramas de esforços solicitantes representam graficamente a distribui- ção dos esforços ao longo de um elemento estrutural, seja uma viga ou uma coluna, no caso dos pórticos o processo é o mesmo, primeiramente deve-se determinar as reações de apoio, em seguida calcular os esforços solicitantes em cada elemento e por fim desenhar os diagramas para cada um dos esforços que atuem na estrutura (Figura 7). Figura 7. Estrutura formada por pórticos. Fonte: zhengzaishuru/Shutterstock.com. O contraventamento é um elemento estrutural muito importante em estruturas que estão sujeitas a ação de forças de vento ou outras forças laterais. Esses elementos simples oferecem maior estabilidade estrutural proporcionando maior segurança e economia nas construções. 111Pórticos I As estruturas pré-moldadas em concreto armado utilizadas para galpões apresentam ligações com determinado grau de deformabilidade. A influência das ligações na transmissão dos esforços solicitantes foi analisada nesse estudo para se observar o comportamento da estrutura e seu modo de ruptura. Acesse o link a seguir, para ler o estudo sobre análise estrutural de pórticos planos de elementos pré-fabricados de concreto considerando a deformabilidade das ligações. https://goo.gl/wY5ccw 1. Quais são os tipos de solicitações internas que podemos encontrar em um pórtico plano? a) Esforço normal e esforço cortante. b) Esforço cortante e momento fletor. c) Esforço normal e momento fletor. d) Esforço normal, esforço cortante e momento fletor. e) Esforço normal, esforço cortante, momento fletor e momento torsor. 2. Entre as estruturas abaixo, indique qual delas representa um pórtico plano? a) b) c) d) e) 3. Quais solicitações internas podemos encontrar no pórtico plano, indicado na figura abaixo. Pórticos I112 a) Esforço normal, esforço cortante e momento fletor. b) Esforço cortante e momento fletor. c) Esforço normal e momento fletor. d) Esforço normal, esforço cortante e momento torsor. e) Esforço normal. 4. Quais solicitações internas podemos encontrar no pórtico plano, indicado na figura abaixo? a) Esforço normal e momento fletor. b) Esforço normal, esforço cortante e momento fletor. c) Esforço normal e esforço cortante. d) Esforço normal, esforço cortante e momento torsor. e) Esforço cortante e momento fletor. 5. Calcule as equações de esforço cortante e momento fletor no trecho CD do pórtico indicado abaixo. a) Q = 10; M = -5X b) Q=10X²; M=-5X c) Q=10X; M=-5X² d) Q=10X²; M=-5X³ e) Q=0; M=-5X² BEER, F. P. et al. Estática e mecânica dos materiais. Porto Alegre: AMGH, 2013. BEER, F. P. et al. Mecânica dos materiais. 7. edição. Porto Alegre: AMGH, 2015. 113Pórticos I Leituras recomendadas HIBBELER, R. C. Análise das estruturas. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2013. ILKIU, A. M. Teoria das estruturas: parte I. [S.l.]: [s.n.], 1998. Notas de aula. LEET, K. M.; UANG, C.; GILBERT, A. M. Fundamentos da análise estrutural. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2010. TIMOSHENKO, S. P.; GERE, J. E. Mecânica dos sólidos: volume I. Rio de Janeiro: LTC, 1983. Pórticos I114 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Dica do professor Os profissionais da área da engenharia civil devem sempre levar em consideração os materiais empregados e as cargas/forças aplicadas sobre as estruturas. A escolha por determinado material construtivo depende de diversas variáveis como aspecto visual, tempo e preço de execução, facilidade de montagem, cargas que deverão ser suportadas, vãos a serem vencidos, entre outras. Por isso, é preciso avaliar as opções com cuidado. Os pórticos estão submetidos à ação de distintas forças. Isso se evidencia quando são utilizados em grandes estruturas. Nesse caso, os pórticos também sofrem deformações laterais. Nesta Dica do Professor, você vai compreender melhor o cálculo de um pórtico plano. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Na prática Pórtico refere-se ao espaço levantado com planos verticais e horizontais, que podem ser, basicamente, em colunas e telhados ou em arcos. O pórtico costuma constituir-se como uma galeria que se estende na fachada do edifício. Neste Na Prática, você vai ver alguns exemplos práticos de pórticos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Pórticos, letreiros, lareiras Le Corbusier e Robert Venturi, sobre simbolismo e velocidade no modernismo Este artigo, de Rafael Urano Frajndlich, foi publicado na Revista de Pós-Graduação em Arquitetura da USP e busca estudar a leitura que o arquiteto Robert Venturi faz de alguns traços da obra de Le Corbusier para conceber suas considerações sobre arquitetura e comunicação. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Bolonha, a cidade dos pórticos No texto, publicado no Portal Vitruvius, a arquiteta Jéssica Rossone descreve sua experiência de viver e estudar em uma cidade onde a estrutura formal é a arquiteturaporticada. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Pórtico: reações de apoio Veja, no vídeo, como são as reações de apoio de uma estrutura porticada. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.